segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Novos ares
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Preview 2010-11 / Minnesota Timberwolves
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Técnico: Kurt Rambis
Quando assumiu o Wolves, Rambis sabia que era um projeto a longo prazo. Passaria ao menos 4 anos à frente da equipe, cuidando do desenvolvimento dos pirralhos e colocando em prática o complexo sistema de triângulos tão famoso graças ao sucesso do Lakers de Phil Jackson. A ideia era não se importar com vitórias, focar apenas no amadurecimento de cada jogador em particular e fazê-los jogar como um time. Mas Kurt Rambis teve muitas dificuldades em colocar em prática os triângulos. Al Jefferson e Kevin Love não conseguiram executar as movimentações juntos, batiam cabeça, ocupavam os mesmos espaços, e Kurt Rambis foi obrigado a colocar Love no banco, limitando um pouco os seus minutos - justamente o contrário do que foi proposto quando contrataram o técnico, que era dar minutos à pirralhada. Após 60 jogos com o novo técnico, Kevin Love não teve medo de colocar a culpa do péssimo desempenho do Wolves nas costas do treinador, já que a temporada estava acabando e não tinha um único jogador sequer que tivesse conseguido compreender o tal do esquema dos triângulos. Uma coisa é conhecer a fundo a tática, como é o caso de Kurt Rambis, e outra completamente diferente é saber explicar isso de um modo compreensível. Phil Jackson tem anos e anos de experiência e mostrou-se um excelente professor, enquanto Rambis está lidando apenas agora com o fardo de um elenco inteiro de crianças cheirando a talco, com inteligências limitadas, tentando aprender um dos esquemas táticos que mais dependem do entendimento e da reação dos jogadores.
Ainda no final de sua temporada de estreia, o Wolves já abandonava lentamente os triângulos em nome de um jogo mais veloz de contra-ataques. Nas ligas de verão, em que o técnico se viu obrigado a lidar apenas com novatos ou jogadores muito novos, os triângulos foram para as cucuias e o foco foi na velocidade e no contra-ataque. Não faz sentido ignorar os triângulos por completo, já que são a especialidade do Rambis, mas ficou bem claro que não dá pra pegar um elenco de novatos e fazê-los compreender o estilo. A abordagem deve ser mais lenta e Rambis deve colocar a molecadinha para correr mais. Os triângulos exigem criatividade enquanto os novatos assustados precisam de jogadas mais fixas e pré-estabelecidas, então o meio-termo será um jogo corrido, que use a velocidade e o atleticismo do time, com alguns elementos dos triângulos no jogo de garrafão.
...
Quando Al Jefferson foi mandado para o Jazz, ficaram claras as intenções do Wolves e escrevi um post a respeito que valhe a pena citar aqui:
"Quando o Wolves resolveu finalmente trocar o Kevin Garnett, parabenizei a franquia. Não tem nada mais horrível para um time da NBA do que ser exageradamente mediano, ter um elenco grotesco, uma baita estrela que consegue segurar as pontas, brigar desesperado por uma classificação para os playoffs e perder sem chances na pós-temporada. O formato da NBA é brutal com os medianos, com os times que não estão brigando por título e nem são ruins o bastante para conseguir bons jogadores no draft. (...)
Se o David Stern tem razão e nenhuma equipe da NBA conseguiu ter lucro nos últimos tempos, não faz sentido manter uma equipe que não vencerá títulos, te dá prejuízo e não tem esperanças de melhora. A melhor saída é feder bastante para conseguir boas escolhas de draft, encerrar todos os contratos longos e imbecis que foram assinados, esperar a pirralhada amadurecer, e então assinar grandes estrelas para formar um elenco decente. (...)
Imaginei que o Wolves, ao trocar o Garnett, conseguiria um núcleo bastante jovem com uma futura estrela em Al Jefferson, e que a reconstrução duraria pouco tempo. Era só esperar a pirralhada pegar o jeito e depois conseguir um ou outro jogador para fechar algumas posições. Mas não funcionou.
Por um lado, promessas como Corey Brewer demoraram demais para se firmarem na NBA. Por outro, Al Jefferson tornou-se uma estrela rápido demais, num elenco incapaz de acompanhá-lo. Como todo time apostando em novatos, algumas escolhas não deram muito certo, alguns jogadores não souberam jogar juntos. Foi então que o engravatado David Kahn apareceu para pisar no freio e fazer todo mundo entender que reconstruções não podem ser feitas às pressas. Basta ver o Pistons: ao demolir acertadamente um time em declínio que não ganharia mais nada, assinou correndo dois jogadores disponíveis na hora para não ficar com um elenco furado e deu no que deu, o time fede, não tem flexibilidade para assinar outros jogadores porque torrou tudo em dois meia-bocas, e está fadado a ficar entre os medianos por muito, muito tempo. Falha épica, já diriam os gringos. É melhor assumir a bosta, no famoso "pisou na merda abre os dedos", e deixar o time fedendo com calma do que correr e assinar qualquer um."
O Wolves virou exemplo de que não dá pra ter pressa. Se o Al Jefferson ficou bom demais, rápido demais, tem que mandar embora mesmo, não adianta ter um jogador fodão em meio a um elenco que ainda precisa de tempo demais para ficar sólido. Se o esquema de triângulos não entra na cabeça dos jogadores, use menos, seja mais maleável, e vá ensinando aos poucos. Se os times da NBA só dão prejuízo e não há perspectiva de ser campeão, pague salários pequenos, para jogadores jovens, e espere bons novatos. A única merda é que o Wolves drafta mal, mas isso é outra história.
Esse clima de "não pode ter pressa" foi perfeito para o Darko Milicic, que finalmente recebeu atenção, carinho, esperança e até desistiu de voltar para a Europa. Será o parceiro de garrafão do Kevin Love, que finalmente pode ser titular, é muito mais indicado para o sistema de triângulos, está destruindo na pré-temporada e já mostrou que valeu a pena se livrar do Al Jefferson. Outro que jogou bem na pré-temporada foi o Michael Beasley, que sofreu muita pressão no Heat porque o time queria vencer nos playoffs sob comando de Dwyane Wade e o pobre pirralho não tinha estrutura nenhuma, metido na erva idiota lá e incapaz de manter a defesa que o técnico Erik Spoelstra exigia. Sem esse tipo de pressão, conseguiu estufar o peito, recuperar a confiança e ser o líder do Wolves mostrando como é um fominha safado que se pudesse nunca passaria a maldita da bola.
O legal da ida do Al Jefferson para o Jazz é que a bola pode passar mais tempo nas mãos do resto da pirralhada, que precisa de experiência para subir de nível e virar outro Pokémon, então jogadores como o Corey Brewer podem evoluir seu jogo ofensivo e tentar conseguir um arremesso consistente. Só esperemos que o Beasley não vire um buraco-negro no ataque e acabe com isso. Se o Wolves quer vencer, o Beasley precisa arremessar muito, mas como vimos o objetivo do time ainda não é a vitória, e sim a criação de um padrão, de identidade, e a evolução dos jogadores. Na ala temos Beasley, Webster, Corey Brewer, o novato Wesley Johnson e até o armador Wayne Ellington, o importante é que alguém daí adquira as qualidades para ser titular absoluto da equipe. Até lá, as vitórias e as derrotas não importam.
Enquanto isso, a armação continua sendo muito limitada e tem sonhos eróticos com o Ricky Rubio. Com o Jonny Flynn contundido e fora da rotação por uns tempos, os únicos armadores puros da equipe são o Luke Ridnour, que é basicamente uma criança de 12 anos com anemia, e o Sebastian Telfair, que é um anão que acha que está numa quadra de rua. Os dois são divertidíssimos de ver em quadra, mas não defendem nem ponto de vista e têm como forte a correria. Me diverti bastante com o Wolves na pré-temporada porque o Ridnour corre e sabe dar os passes certos nos contra-ataques, Beasley é um fominha talentoso, o elenco é cheio de gente explosiva que só sabe correr para frente como o Corey Brewer, e o Kevin Love é um dos melhores passadores da NBA - de qualquer posição, não só de pivô. Se eles não ficarem tentando levar os triângulos muito a sério, podem ao menos ser um time divertido, que vale acompanhar em noites sem sono no League Pass, enquanto todo mundo vai amadurecendo, esperando outros novatos, o Ricky Rubio e um padrão de jogo. Meu único medo é que o Kevin Love fique também bom demais rápido demais, o que abortaria de novo o projeto. O Wolves agora tem uma espécie de luta contra o tempo: conseguir um elenco sólido antes que o Love dê o fora dali ou encha o saco. Veremos quão longe o Wolves está disso com o amadurecimento dos novatos nessa temporada, porque o Love já larga na frente: tem tudo para já ser All-Star agora, imediatamente.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
Aceitando feder
Quando o Wolves resolveu finalmente trocar o Kevin Garnett, parabenizei a franquia. Não tem nada mais horrível para um time da NBA do que ser exageradamente mediano, ter um elenco grotesco, uma baita estrela que consegue segurar as pontas, brigar desesperado por uma classificação para os playoffs e perder sem chances na pós-temporada. O formato da NBA é brutal com os medianos, com os times que não estão brigando por título e nem são ruins o bastante para conseguir bons jogadores no draft. Basta uma ou duas cagadas com contratações desesperadas para sair desse limbo e uma equipe pode ficar trancada por anos a fio nesse grupo intermediário que não fede nem cheira. É preciso muito culhão para desmontar um time desses, no entanto. Uma equipe que vai aos playoffs todo ano, mesmo sem chances de fazer estragos por lá, tem dificuldades em explicar para os torcedores que o time vai feder de vez por uns tempos. Pior ainda é quando a equipe quase vai para os playoffs mas não consegue por uma ou duas posições, e fica aquela impressão de que só falta um jogador para que eles cheguem lá. Mas se chegarem finalmente aos playoffs, vão conseguir ganhar por lá? Essas equipes ficam condenadas à uma esperança que não se transforma em nada até que alguém jogue tudo fora e resolva começar de novo.
Se o David Stern tem razão e nenhuma equipe da NBA conseguiu ter lucro nos últimos tempos, não faz sentido manter uma equipe que não vencerá títulos, te dá prejuízo e não tem esperanças de melhora. A melhor saída é feder bastante para conseguir boas escolhas de draft, encerrar todos os contratos longos e imbecis que foram assinados, esperar a pirralhada amadurecer, e então assinar grandes estrelas para formar um elenco decente. Trocentas equipes da NBA seguiram esse plano especialmente esse ano, com vários times liberando muito espaço salarial para assinar grandes estrelas em elencos formados por novatos e outros jogadores baratinhos, como o Heat ou o Knicks. Algumas outras franquias apostam nos novatos para formar um elenco jovem e forte, até que possam contratar alguma estrela consagrada para levar o time ao campeonato, como é o caso do Bulls e do Nets, por exemplo. Outras apostam inteiramente no draft e em trocas por jogadores inexperientes e montam um time do nada, como o Blazers e o Thunder, fazendo contratações maiores e trocas por jogadores caros apenas para dar uma arrumadinha no elenco bem depois. Imaginei que o Wolves, ao trocar o Garnett, conseguiria um núcleo bastante jovem com uma futura estrela em Al Jefferson, e que a reconstrução duraria pouco tempo. Era só esperar a pirralhada pegar o jeito e depois conseguir um ou outro jogador para fechar algumas posições. Mas não funcionou.
Por um lado, promessas como Corey Brewer demoraram demais para se firmarem na NBA. Por outro, Al Jefferson tornou-se uma estrela rápido demais, num elenco incapaz de acompanhá-lo. Como todo time apostando em novatos, algumas escolhas não deram muito certo, alguns jogadores não souberam jogar juntos. Foi então que o engravatado David Kahn apareceu para pisar no freio e fazer todo mundo entender que reconstruções não podem ser feitas às pressas. Basta ver o Pistons: ao demolir acertadamente um time em declínio que não ganharia mais nada, assinou correndo dois jogadores disponíveis na hora para não ficar com um elenco furado e deu no que deu, o time fede, não tem flexibilidade para assinar outros jogadores porque torrou tudo em dois meia-bocas, e está fadado a ficar entre os medianos por muito, muito tempo. Falha épica, já diriam os gringos. É melhor assumir a bosta, no famoso "pisou na merda abre os dedos", e deixar o time fedendo com calma do que correr e assinar qualquer um.
O projeto de reconstrução do Wolves começou do zero. Primeiro um técnico novo, o Kurt Rambis, para usar o sistema de triângulos do Lakers. Depois, escolhas de draft com o sistema em vista. O problema é que vai levar anos para os pirralhos entenderem o sistema, criarem consistência, amadurecerem ao lado do técnico - que também é meio iniciante. A suposta estrela do time, Ricky Rubio, só deve vir na próxima temporada porque preferiu ficar na Europa do que jogar num time lixo. O processo é lento, o Wolves tem que ir com calma testando todos os jogadores, dando minutos para os novatos apanharem e aprenderem, aguardar o Rubio, consolidar o sistema de jogo. Mas enquanto isso lá está o Al Jefferson, estrela consolidada, querendo vencer agora, querendo um time de verdade. Foi trocado mais rápido do que o SBT cancela seus telejornais.
Pelas escolhas duvidosas no draft, em que pega vários jogadores de uma mesma posição, David Kahn está ganhando fama de ser uma anta, quase um Isiah Thomas que pelo menos sabe contar usando os dedos. A troca do Al Jefferson não ajudou muito sua causa. Mas a lógica está bem clara: ele não tem pressa nenhuma. Se o time vai perder, feder, ser uma droga, tudo enquanto espera a pirralhada ganhar uns pelos no saco, por que ficar pagando o contrato monstruoso do Al Jefferson? Quando o Wolves se tornar um time decente, o Al Jefferson já teria dado o fora por conta própria mesmo. O melhor a se fazer é economizar umas verdinhas até lá.
O plano lembra um pouco o Grizzlies, que ia para os playoffs todos os anos mas nunca ganhou uma partida sequer de pós-temporada. Ao trocar o Pau Gasol por escolhas futuras e feder pra burro, criou um time muito jovem, cheio de novatos, levou uns anos para que começassem a render juntos, e aí contratou um ou outro veterano para ajudar. Sem estourar o teto salarial, economizando uma grana, o Grizzlies tem grandes chances de ir para os playoffs na próxima temporada apesar de todo mundo ter chamado a troca de burrada. Ter mantido o Gasol seria cagada, o salário era grande demais e ele queria vencer imediatamente enquanto o time precisava feder um pouco durante uns anos para se reconstruir. E não dá pra feder muito se você tem o Gasol, claro.
Como sabemos, a troca do Gasol para o Lakers desequilibrou a liga. A troca do Al Jefferson, que vai permitir que o Wolves feda de verdade enquanto espera seus pirralhos virarem estrelas, não deve desequilibrar tanto. Mas com certeza tornou o Jazz um time muito melhor que vai fazer mais estrago do que nunca nos playoffs. Ou seja, podem esperar uma legião de torcedores do Jazz fazendo muito barulho por aqui, torrando nosso saco e eventualmente descobrindo onde eu moro e queimando minha família na fogueira, amém.
Eu adoro o Carlos Boozer, acho seu arremesso espetacular e ele funciona perfeitamente bem com Deron Williams. Mas como maluco que sou por perder vários dias da minha vida acompanhando os jogos do Wolves, posso afirmar que o Al Jefferson vai ser ainda mais útil para o Jazz. O cara é um monstro embaixo da cesta, justamente onde o Boozer era menos efetivo. Seu arremesso é consistente, vai funcionar perfeitamente bem nas jogadas com o Deron Williams, mas seu trabalho de pernas e pés muito rápidos vai simplesmente dominar o garrafão ofensivo. Ele é um monstro refinadíssimo, do tipo que bebe sangue mas arrota em francês, e vai pontuar horrores com muitos movimentos diferentes no esquema tático rígido e cadenciado do Jazz. Quando o Wolves corria demais, o Al Jefferson ainda rendia bem, mas é de costas para a cesta num jogo lento que ele mostra que pode vencer jogos sozinho. Na defesa também é muito inteligente, tem bom tempo de bola, distribui seus tocos e não compromete muito - algo que já é um avanço frente ao Boozer, que é um dos piores defensores da NBA, disparado.
É cedo demais para chamar o Kahn de burro. Ao menos ele tem os bagos de deixar o time fedendo sem ficar pagando salários absurdos desnecessariamente. Vai se focar na pirralhada, ir com calma, esperar o Rubio e não vai deixar ninguém descontente por lá. Veteranos que querem vencer só devem chegar muito depois, quando o elenco já estiver maduro o bastante. E o Jazz aproveitou essa barbada para conseguir um assalto a mão armada nos moldes do Gasol-para-o-Lakers, capaz de fazer muito estrago se o resto do time jogar bem. Levante a mão quem é o doido que viu o Al Jefferson jogar nas temporadas passadas. Se você não levantou, pode ter certeza de que ele é um dos melhores jogadores de garrafão da NBA, muito mais versátil do que o Boozer, muito mais físico embaixo da cesta, e vai chutar muitos traseiros. Se você levantou a mão, então já sabe o tamanho da encrenca que o Jazz vai causar na liga. Os mórmons foram abençoados, vai ver rezar dá resultado.
No Wolves, o garrafão agora tem Kevin Love e Darko Milicic - por mais bizarro que seja, é um dos garrafões que mais valerá a pena acompanhar na temporada que vem. O Love é um dos jogadores mais inteligentes da NBA, faz cruzadinhas no nível "Putaquemepariu", passa a bola como poucos armadores e é famoso por dar assistências de um lado da quadra para o outro, é espetacular. Arremessa também de todos os cantos, inclusive da linha de três (e até da quadra de defesa).
Além disso, sempre toma a decisão certa, é até chato. Vai ser uma estrela na liga, sem dúvidas, e tendo muito mais minutos em quadra sem Al Jefferson, nos dará mais chances de vê-lo atuando. Seu parceiro de garrafão será o Darko, também conhecido como "um dos maiores fracassos da história do draft". Desde que foi escolhido com a segunda escolha do melhor draft de todos os tempos, passou de um time para o outro sem nunca render grandes coisas. Mas isso depende do que se espera dele, claro. Todo time que contrata o Darko espera um jogador que domine o garrafão e mostre o potencial que justificou sua segunda escolha no draft, mas o que todo time encontra é um jogador de apenas 25 anos, excelente defensor, com problemas para manter a calma dentro de quadra. A maior dificuldade do Darko sempre foi sua cabeça, ele precisava ouvir o pagodinho "deixa acontecer naturalmente", porque desde que entrou na NBA - novo demais para conseguir sequer cortar as próprias unhas - queria mostrar que merecia ter sido escolhido tão cedo no draft no lugar do Carmelo Anthony. Dê a bola para Darko e ele vai tentar fazer milagre, errar uma bola, ficar puto da vida, forçar uma outra bola para compensar, errar de novo porque está nervoso e forçando o jogo, se desesperar porque esperam mais dele, forçar de novo, e assim por diante. Ele fica tão puto consigo mesmo que chegou até a rasgar a própria camiseta:
Também deu aquela clássica entrevista jogando pela sua seleção nacional, em que afirma que vai foder as mães dos três juízes que "lhe roubaram o jogo" (e foder a filha deles se tiverem também). Mesmo tão descontrolado, nas poucas vezes em que ganhou minutos e conseguiu manter a calma em quadra mostrou seu talento defensivo e seu jogo refinado perto da cesta. Se tivesse sido escolhido na segunda rodada, teria jogado a vida toda, nunca teria sido trocado e seria tido com uma baita sorte do time que o pegou. Para ele, assim como para Kwame Brown, a merda é o medo da expectativa dos outros. O David Kahn disse recentemente que convenceu Darko a ficar na NBA ao invés de voltar para a Europa, como pretendia, dando-lhe estabilidade, segurança, um papel limitado em quadra (puramente defensivo) e muita confiança. Deu uma longa entrevista apenas falando sobre o que ele vê no Darko que os outros não percebem. É difícil imaginar que aquele jogador afoito e nervoso pra burro renderá no Wolves com carinho e paciência, mas é nisso que o Kahn aposta e é mais um motivo para acompanharmos esse garrafão. Love e sua genialidade nos passes, Darko e sua cabeça-de-bagre tentando não arrancar sua própria cabeça. Não vai ser tão legal quanto o Al Jefferson destruindo com o Deron Williams, mas é um dos poucos motivos para acompanhar a pirralhada do Wolves na temporada que vem. E se der certo, pelo menos vão parar de xingar tanto o Kahn. Ele, ainda, não merece.
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
NBA Cares no Brasil
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
Começou!

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terça-feira, 13 de abril de 2010
Filtro Bola Presa - Um resumo semanal
O último Filtro Bola Presa da temporada! Foi uma experiência legal, divertida e provavelmente volta quando acabar os playoffs ou na próxima temporada regular. Com os playoffs bombando e a temporada se resolvendo, não vejo porque gastar um dia por semana com posts sobre coisas menores, curiosidades. Aliás fica até difícil encontrar essas histórias, todos os olhos estarão para os grandes jogos que irão decidir a atual temporada.
Então bora acabar com esse Filtro, tem muito vídeo bom e estatísticas patéticas pra gente mostrar!
- O Charlotte Bobcats foi nomeado inspirado no animal bobcat, que é um lince, animal típico do norte dos EUA e, logo, da Carolina do Norte, estado onde fica Charlotte. O nome faz sentido, portanto, mas o que pouca gente sabe é que o antigo dono do time, Bob Johnson, deu o nome também pensando em si mesmo! Ele queria um time que também chamasse Bob! O quanto isso é patético e narcisista?
Pensando nisso a revista Dime propôs que o time mudasse de nome. Bob Johnson, afinal, deu adeus ao time e hoje seu principal dono é Michael Jordan. Que nome inspirado no Jordan, Charlotte e/ou no estado da Carolina do Norte seria melhor para o time de Charlotte? São 229 comentários no post deles e todos merecem ser lidos, mas eu escolhi o meu Top 10 entre os nomes sugeridos por lá.
Top 10 - Os melhores nomes para o Charlotte Bobcats
10- Charlotte Kwames (Por que não homenagear a primeira grande decisão do Jordan como um executivo do basquete?)
9- Charlotte Jordanettes ( Já que o dono é mais importante que o time... )
8- Charlotte Fuel ( É a cidade da NASCAR, uma referência a carros faria sucesso na cidade)
7- Charlotte Smoke ( A cidade é famosa por suas empresas de cigarro e dá pra falar que as esperanças da equipe viraram fumaça)
6- Carolina Flight ( Essa idéia é muito boa! Ao invés de pegar o nome da cidade, pega-se o estado, como fazem Utah e Minnesota. E Flight é uma referência ao Jordan e aos irmãos Wright, que fizeram seu primeiro voo de avião na Carolina do Norte)
5- Charlotte Crowns ( A cidade é conhecida como "Crown Town", a cidade da coroa. E o Jordan é o rei, faz muito sentido!)
4- Charlotte SpaceJammers ( Melhor do que Charlotte Monstarz)
3- Charlotte lolcats (Simplesmente genial! Daria o melhor mascote da história. Não sabe o que é o lolcat? Ah, vá passar mais horas na internet ao invés de trabalhar!)
2- Charlotte Air (Air Jordan, com esse logo. Simples e o melhor)
1- Charlotte Hornets (Ótimo! Vamos organizar tudo direito. O Charlotte é o Hornets, o New Orleans pega seu nome "Jazz" de volta de Utah e eles podem virar o Utah White Power)
- O Zach Randolph já disse que quer assinar uma extensão de contrato com o Grizzlies. Faz sentido, afinal foi lá que ele aprendeu a jogar basquete. Mas ele não mudou tanto assim quanto a gente imaginava! Quando ele assinou seu contrato zilionário com o Blazers, anos e anos atrás, disse que queria X milhões de dólares (não lembro exatamente o valor) e quando estava tudo pronto, o Pau Gasol acertou um contrato maior com o Grizzlies. Randolph disse então que queria ganhar mais porque era melhor que o Gasol. Dá pra ser mais idiota?
E agora ele diz que quer pegar o contrato de 3 anos que o Gasol assinou com o Lakers para se basear em seu novo contrato com o Grizz. Qual é a obsessão do gordinho com o Pau Gasol?! Ele realmente acha que é melhor? Ou só acha que precisa de mais dinheiro para comprar Donuts?
- História de amor no Wolves! Darko Milicic e Al Jefferson estão se dando muito bem e trocaram elogios na última semana. Os dois concordam que ajuda muito o Darko ser canhoto e o Al Jefferson destro, assim cada um fica mais confortável de um lado do garrafão e não brigam pelo mesmo lado. O Al Jefferson também disse estar feliz por voltar a ser um ala de força e deixar o Darko como pivô. Segundo o Al "Ele é o braço esquerdo do Al Jefferson, e eu sou o braço direito dele". Então eles se beijaram na boca.
- Primeiro o LeBron disse que queria gravar um filme e que por isso provavelmente não iria jogar o Mundial da Turquia em Agosto. Depois foi a vez de Bosh e Wade deixarem suas presenças em aberto porque não sabem se já terão assinado contrato. Agora é a vez do Carmelo Anthony dizer que não sabe se vai porque ele vai se casar na offseason (olha a tchutchuca!). Ainda tem o Kobe, que disse que vai mas que tem tudo pra não ir com a quantidade de contusões que tem sofrido. Tô sentindo cheiro de Time B...
- Sessão de enterradas agora!
Primeiro enterradas inesperadas: Alguém sabia que o Donte Greene e o Jon Brockman eram capazes de dar essas enterradas? Pois é, esse é um treino comum e rotineiro entre dois jogadores ruins da NBA. Esse é o nível do jogo.
Agora enterradas fracassadas! Fizeram um Top 70 com as melhores enterradas erradas em campeonatos de enterrada. É o mundo do "poderia ser" em sua essência.
E para terminar, um campeonato de enterradas bizarro! De um lado o Air Up There, o homem do 720, o melhor em enterradas no planeta. Do outro Brittney Griner, uma guria de 20 anos, 2,03m e que enterra com muita facilidade. Ver aquela enterrada difícil e comemorada da Lisa Leslie depois de ver essa garota chega a dar vergonha.
Vintage Bola Presa - Toda semana um post reciclado
O post reciclado dessa semana é o nosso melhor post em todos os tempos. Ele se chama "Como aproveitar os playoffs" e é consenso entre todos nossos leitores que é o texto mais engraçado e divertido que já escrevemos. Ele trata de como burlar sua escola, trabalho e faculdade para conseguir assistir a tudo nos playoffs. Também dá uma dica de como lidar com sua namorada para que ela não venha com aquelas idéias de ir assistir a um espetáculo de dança contemporânea no dia do jogo 7 entre Magic e Cavs. É um texto que vale a pena ser lido na semana em que começam os playoffs!
Leia o post inteiro nesse link e comente aqui ou lá, sei lá, a gente lê tudo!
8 ou 80 - A melhor coleção de estatísticas idiotas
- Na vitória de ontem sobre o Pistons, o Raptors acertou mais de 60% dos seus arremessos. Foi a terceira vez desde fevereiro que o time de Toronto consegue essa marca. Por incrível que pareça, o Raptors só tinha tido 3 jogos com pelo menos 60% de aproveitamento nos últimos 14 anos!
- Marcus Camby incorporou o Nowitzki que mora dentro dele e acabou com o Thunder na noite de ontem. Fez 30 pontos, pegou 13 rebotes e acertou 12 dos 16 arremessos que tentou. O último jogador do Blazers a conseguir pelo menos 30 pontos, 13 rebotes e 60% de aproveitamento em um jogo foi o Clyde Drexler em 1988.
- Com a vitória sobre o Lakers no último sábado, o Blazers se tornou, ao lado do Spurs, os únicos times a terem recordes positivos contra o Lakers na era Phil Jackson. São 20 vitórias e 18 derrotas desde que o Zen Master foi para LA.
- Com o triple-double feito no último sábado, Jason Kidd se tornou apenas o terceiro jogador a conseguir esse feito depois dos 37 anos de idade na temporada regular. Os outros foram Karl Malone (com 40 anos) e Elvin Hayes (com 38). John Stockton é o único a ter conseguido em um jogo de playoff, quando fez um triple-double aos 39 anos de idade em 2001.
- Jamal Crawford tem 1.425 pontos marcados na temporada, é o máximo marcado por um jogador vindo do banco de reservas desde a temporada 1990-91 por Ricky Pierce.
- O Spurs conseguiu, pela 13º temporada seguida, acabar a temporada com mais vitórias do que derrotas fora de casa. É um novo recorde da NBA, superando a marca do Lakers, que conseguiu por 12 temporadas entre as temporadas 1979-80 e 1990-91.
- O duelo entre Knicks e Magic na semana passada foi apenas o segundo jogo da história da NBA em que os dois times acertaram pelo menos 15 bolas de 3. O Magic acertou 15 e o Knicks 16. O outro jogo foi há 3 anos entre o Houston Rockets (15) e Golden State Warriors (16).
- Na vitória do Thunder sobre o Suns na semana passada o novato Serge Ibaka foi o herói da noite a fazer um arremesso no último minuto com a diferença entre os times em apenas um ponto. Foi apenas o segundo arremesso tentado por Ibaka nessa situação em toda a temporada, o primeiro ele havia perdido. Kevin Durant, estrela do time, tem apenas 5 acertos em 25 tentativas nessa situação de jogo decidido por 1 ponto e com menos de 1 minuto no relógio.
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Denis
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Os imprevisíveis

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
De volta para o futuro
A temporada da NBA está prestes a começar, dia 27 de outubro, mas antes mesmo do início da primeira partida já tem gente olhando desesperado para o futuro, para a temporada que começa lá em outubro de 2010. Tudo porque vamos acompanhar agora o último ano de contrato de uma série de estrelas que assinarão novos contratos para a temporada 2010. Ou seja, tudo quanto é time mequetrefe já está sonhando em poder contratar jogadores como Joe Johnson, Rajon Rondo, Paul Pierce, Ray Allen, LeBron James, Shaquille O'Neal, Dirk Nowitzki, Kobe Bryant (se não assinar uma extensão com o Lakers), Rudy Gay, Dwyane Wade, Michael Redd, Amar'e Stoudemire, Manu Ginóbili, Richard Jefferson, Chris Bosh e Carlos Boozer (isso sem falar nos jogadores mais-ou-menos cotados, como Iverson, LaMarcus Aldridge, David Lee, Al Harrington, Udonis Haslem, Yao Ming bichado, Tracy McGrady bichado, Luis Scola, Josh Howard, Kenyon Martin e Tyson Chandler, por exemplo).
É tanto nome importante que, se todos eles assinarem com novos times, a NBA vai parecer uma liga completamente nova. É quase como gibi de super-herói quando zera a numeração, tem várias mudanças, é legal pra quem é pirralho começar a acompanhar, mas no fundo continua a mesma coisa. Algumas equipes, no entanto, dependem dessa safra de 2010 para renascerem. O caso mais evidente é o Knicks, que planejou tudo para que os contratos de quase todo o elenco terminem em 2010 para que possam usar essa grana para contratar novas estrelas e começar a equipe de novo. Muito se fala dos jogadores que poderão ser assinados, das possibilidades do LeBron assinar com o Knicks, e a gente também vai falar muito disso porque está no nosso contrato de dono de blog de basquete começado com a letra "B". Mas agora vamos tentar uma coisa um pouquinho diferente: de volta a falar no futuro, vamos dar uma olhada nos maiores contratos que acabam nessa temporada e não vão fazer falta, liberando um monte de dinheiro para suas equipes gastarem como quiserem em 2010. Esses contratos antes eram grandes cagadas, burrisses, "no que diabos eu estava pensando pra pagar trocentos milhões pra esse babaca?", mas agora eles são espaço salarial esperando pra acontecer e vários times vão brigar por eles. É tipo ver gente se estapeando por cocô, é bizarro mas tem seu charme.
Quentin Richardson ($9.352.500)
Tem uns velhos por aí que dizem com orgulho que são da época do Wilt Chamberlain. Eu sou outro tipo de velho, sou um velho da época em que o Quentin Richardson era um bom jogador e tinha o apelido carinhoso de "Quentinho", excelente nome para personagem de um musical gay. Antigamente ele era um bom arremessador, reboteiro e parte essencial do Suns que jogava na correria. Agora, foi trocado mais vezes desde a temporada passada do que horário de programa do SBT: passou por Clippers, Grizzlies, Wolves e foi parar no Heat. Deram uma mentidinha por lá dizendo que ele será útil para a equipe de Miami com seus arremessos de fora, mas a verdade é que o contrato dele vira farofa e permite à equipe contratar uma estrela para jogar ao lado do Wade (ou então contratar duas estrelas caso o Wade vá embora).
Larry Hughes ($13.655.268)
Quando jogava ao lado do Arenas, o Hughes era incrível. Jogava bem na defesa, pegava muitos rebotes, interceptava linhas de passe e atacava a cesta com agressividade. Era perfeito pro Wizards, enquanto ele se ocupava de infernizar o garrafão, o Arenas ficava arremessando como maluco. O salário de estrela não foi tão absurdo, mas era um daqueles casos de jogador que só funciona num esquema de jogo único. No Cavs, em que era essencial ter arremessadores, o Hughes provou que nunca tinha tacado uma bola para cima. Lesões na mão também comprometeram suas infiltrações, e aí o desastre estava feito: ficou rico e ruim. Tem gente tentando descobrir se o técnico D'Antoni vai dar minutos para o Hughes no Knicks, mas a verdade é que ninguém se importa, ele está lá apenas para depois ir embora e deixar o dinheiro para contratar o LeBron. Quase todo o elenco do Knicks é composto por jogadores que a equipe não quer, apenas está esperando o contrato expirar. É sempre legal de assistir jogadores que sabem como são queridos e que têm futuro na equipe, com isso o Knicks tem tudo pra dar certo - na série B do Brasileirão.
Bobby Simmons ($10.560.000)
Ele fedia, mas aí no último ano de contrato jogou bem pelo Clippers, e todos nós sabemos como é difícil jogar bem numa equipe tão amaldiçoada. Com isso, ganhou o prêmio de jogador que mais evoluiu na temporada e um contrato gordo com o Bucks, que descobriu que gordo era o próprio Simmons também. Nunca mais jogou porcaria nenhuma, teve atuações horrendas pelo Nets nos últimos anos, e ainda assim embolsa dez milhões de verdinhas pra enfiar nas orelhas. Podemos esperar muito do novato Terrence Williams nessa temporada, porque não há qualquer intenção de colocar o Simmons pra jogar sendo que ele está lá só para ir embora mesmo.
Jerome James ($6.600.000)
Mais um caso de jogador que produziu só no último ano de contrato, mas esse é mais ridículo porque o Jerome era uma droga e só produziu num par de jogos de playoffs, quando se saiu bem marcando o Duncan. Com isso, o ganhador do Prêmio Nobel da Física, senhor Isiah Thomas, ofereceu um contrato enorme para o pivô - que aparentemente gastou tudo em comida. Se apresentou ao time obeso, se contundiu em todas as pré-temporadas porque o único movimento seguro para ele é telefonar pro disk-pizza, e nunca entrou em quadra. Legal hoje em dia é reler o Isiah dizendo que o Jerome era o melhor pivô defensivo da NBA - e pensar que o Bulls, que trocou por ele só pra se livrar do contrato, vai ganhar uma grana pra investir ano que vem.
Mark Blount ($7.962.500)
Era pra ser o pivô do futuro do Celtics, tiveram paciência, investiram, treinaram, aceitaram, e até que ele começou a mostrar que talvez um dia desse certo. Mas aí surgiu o Kendrick Perkins e, antes que qualquer um pudesse imaginar do que o Perkins seria capaz, o Blount foi perdendo espaço até ser mandado para o Wolves, que acreditou que ele seria o pivô que complementaria Garnett. Não é que não tenha dado certo, é que deu tão errado que o Garnett até saiu da equipe depois pra jogar no Celtics - ou seja, o Blount foi uma das melhores coisas que aconteceram para o time de Boston, e tudo isso porque ele fede. Agora, é o Heat quem tem a bomba na mão apenas esperando o contrato acabar.
Jermaine O'Neal ($22.995.000)
O coitado do Jermaine já foi um dos alas de força mais legais da NBA, um dos mais talentosos e certamente o que tem mais cara de bebê. Era pra estar por aí dominando a liga como Duncan, Garnett e o resto da elite, mas os joelhos e a porcaria do Pacers não deixaram. O contrato dele é de estrela que carrega o time todo nas costas, e por um tempo foi até verdade, mas agora é uma vitória quando ele ao menos consegue entrar em quadra. Ainda é um bom jogador, quebra um baita de um galho, principalmente para o Heat que não tem um pivô desde que o Shaq debandou. Mas por 23 milhões o Jermaine teria que ser o melhor pivô do Universo e ainda descobrir a cura do câncer! Com o fim do contrato do Jermaine, do Quentinho e do Blount, o Heat pode reconstruir o time por completo - se o Wade sair, aí dá até pra pegar toda essa grana, desistir da NBA e comprar a Alinne Moraes.
Darko Milicic ($7.500.000)
Já escrevemos aqui que essa temporada é a última chance do Darko, se não der certo agora com o Knicks, jogando de frente pra cesta e na correria como ele sempre sonhou, então é melhor ele ir ver o filme do Pelé mesmo. Mas no fundo o Knicks nem se importa: se ele jogar bem e topar renovar por uma miséria, ótimo, tão no lucro; mas se ele jogar mal e não der certo, o salário do Darko soma-se com o do Hughes para garantir a vinda de um LeBron da vida.
Tracy McGrady ($23.239.561)
Como torcedor do Houston, sou o primeiro a dizer que o T-Mac chuta traseiros, domina partidas, é excelente mesmo quando decide armar o jogo e merece um salário de estrela. Mas ele nunca jogou uma temporada completa na vida dele, graças às lesões, e só participou de 35 partidas na temporada passada - e todas elas sentindo dores e tendo que se poupar. Nessa temporada o Houston está sem o Yao Ming, que também virou farofa, e precisa de alguém pra segurar as pontas. Que tal o McGrady? Nada feito: apesar de estar treinando pesado e prometer voltar com a melhor forma física da carreira, seu retorno só está previsto para o meio da temporada. Até lá o astro do time é o Trevor Ariza, que nessa pré-temporada não acertou nem o nome da mãe, enquanto o T-Mac leva 23 milhões pra casa. O Houston quase deu certo, mas não deu, é tipo o Sérgio Mallandro - parecia que ia engrenar e aí foi apresentar pegadinha e sumiu. Tá na hora de usar essa grana pra reconstruir e criar um time que, no mínimo, consiga ficar de pé pra entrar em quadra.
Brian Cardinal ($6.750.000)
Deixei meu favorito pro final. O Cardinal sempre foi um jogador qualquer, desses que está aí só para ser mandado em pacotões de troca de jogadores. Problemas pra conseguir um time, teve que ir jogar um pouco na Europa, mas aí teve uma temporada mais-ou-menos com o Warriors e um par de jogos realmente bons. Era o último ano de contrato e ele seguiu os passos do Jerome James e do Bobby Simmons, impressionando alguém só quando a água bate na bunda. Mas o Grizzlies foi burro o bastante para dar 7 milhões para um jogador que teve DOIS jogos bons - e que, pior ainda, é branco e careca! Essa contratação leva o famoso "selo Isiah Thomas de qualidade", mas pelo menos o contrato dele acaba esse ano e o Wolves economiza uma graninha pra dar pro Ricky Rubio quando ele deixar de frescura e quiser ser milionário na NBA.
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terça-feira, 6 de outubro de 2009
Última chance
A pior coisa que poderia ter acontecido para o Darko Milicic era ter sido draftado pelo Detroit Pistons. O time já chutava traseiros, linha laços muito fortes entre os jogadores e não estava nem um pouco interessado em dar minutos para um pirralho bem cru que precisava amadurecer em quadra. Mofando no banco, Darko foi campeão com média de uns 5 minutos por partida - e isso porque só entrou num terço dos jogos. Não dá pra saber como teria sido se o Pistons tivesse draftado Carmelo Anthony, talvez por já ter chegado na NBA como um jogador mais preparado ele tivesse conquistado mais minutos em quadra, mas é bem possível que por não defender bulhufas ele acabasse mofando no banco. O problema é que o Darko precisava aprender a jogar, seu ataque sempre foi limitadíssimo, e sem minutos ele estava fadado a desaparecer do mundo do basquete.
Quando fugiu para o Magic, passou a ter mais minutos e mostrar uma produção consistente. Dava pra ver o potencial que explicava uma segunda escolha do draft, mas ainda tão cru que até se desenvolver o mundo já teria terminado com o colapso decorrente da morte do Silvio Santos. Mas como potencial é o que liga, o Grizzlies acreditou e contratou, só não decidiu o que ia fazer com o pobre Darko. Titular ou reserva? Atacar ou defender? Desenvolver ou mandar embora? Pra agora ou pro futuro? Pra comer aqui ou pra viagem? Sem saber o que fazer, o Darko escolheu aquilo que faz melhor: feder.
Assinado agora pelo Knicks, Darko tem um esquema que encaixa com seu estilo de jogo, fazendo com que ele corra, use seu físico e jogue de frente para a cesta. Tem um técnico louco que se finge de desesperado porque "alguém tem que defender no time", e que está disposto a bancar o Darko nessa função. Tem um time sem pretenções de coisa alguma mas que receberá a atenção de todo mundo. E a promessa de um lugar numa equipe que irá se transformar na temporada que vem, assinando grandes estrelas. Ou seja, a situação é a melhor possível para o Darko, o mais distante que ele já chegou daquele Detroit Pistons em que nem peidar ele podia. Ele ainda fede, a gente sabe, mas é a última chance que ele terá na NBA. Se der errado, o próximo time que assiná-lo é a mulher do padre.
Existe outro jogador exatamente nessa mesma situação no Knicks. Inicialmente acreditava-se ser uma lua pequena, presa pela gravidade da Terra, causando alguns eclipses solares. Depois, cogitou-se a possibilidade de ser apenas um meteoro, vagando lentamente pelo Universo e colidindo com a Terra sem muito estardalhaço. No entanto, conforme o tamanho do meteoro foi crescendo em nossa atmosfera, mais estudos mostraram-se necessários. Pesquisas recentes apontam que trata-se apenas de um jogador de basquete chamado Eddy Curry.
Daftado com uma quarta escolha, o Curry recebeu toda a paciência e apoio do Bulls. Era a época em que os fãs estavam enchendo o saco de saudade do Jordan, e o Bulls só empilhava pirralhos para tentar reconstruir uma equipe antes dos anos três mil. Os fãs não tinham paciência, mas o Curry foi se transformando num pivô respeitável, embora incapaz de levantar os braços para pegar um rebote. Quando acabou seu contrato, meio queimado com os torcedores, arrumou uma troca com o Knicks (vamos todos tirar um momento de nossas vidas para rir do que o Bulls recebeu naquela troca: Tim Thomas, o homem que não gosta de jogar basquete; Jermaine Jackson, o homem que foi demitido em seguida e tem o nome do irmão do Michael Jackson; e Michael Sweetney, o gordo que rolou sua vida pra fora da NBA).
Quando as coisas começaram a dar certo para o Curry, sua forma física foi pro saco. Apareceu para a pré-temporada gordo, lento e com dores nos joelhos. Com o D'Antoni assumindo a equipe, o único jeito do Curry jogar obeso assim seria se ele aprendesse a rolar muito rápido, ou se ele ficasse apenas no ataque, versão basquetebolística do Romário. Quando apareceu pelo segundo ano seguido fora de forma no ínicio de temporada, Curry foi parar no fim do banco de reservas e, sabe como é, gordo deprimido só fica ainda mais gordo. Na temporada passada, se não bastasse ele não ter minutos de jogo, sentir o joelho e estar obeso, ainda teve que lidar com o assassinato de sua ex-namorada e de seu filho, a perda de sua casa graças a dívidas (casa que havia sido assaltada um ano antes) e um processo por assédio sexual, aberto pelo seu motorista particular. Não é bolinho não, embora certamente o Curry tenha comido muitos bolinhos pra esquecer. Foi um ano lastimável para ele e o surpreendente seria que fosse capaz de jogar basquete com tanta coisa acontecendo na vida. Só de pensar já dá desânimo de viver num mundo tão deprimente.
Mas o Eddy Curry está de volta, perdeu vinte quilos e tem planos de perder mais dez até a temporada começar. Mesmo que ele não consiga um lugar no ataque velocidade-da-luz do D'antoni (o Curry é, no máximo, um Cavaleiro de Prata), se ele conseguir entrar um pouco que seja em quadra, com certa regularidade, já será o bastante para que ele tenha chances de ser trocado e comece de novo em outra equipe, novos ares, novas expectativas. Do jeito que está, a carreira do Curry acabou. Com uns minutinhos aqui, outros ali, ele pode ganhar a oportunidade de um recomeço. Darko e Curry são dois pivôs no Knicks, ou seja, posições meio ingratas para um técnico que prefere usar um anão de cuecas dentro do garrafão, mas os dois estão jogando pelas suas carreiras. Será uma temporada bacana de acompanhar.
Curiosamente, existe um outro pivô ligado ao Knicks que também tem em jogo suas últimas chances de ter uma carreira na NBA. Channing Frye foi draftado pelo Knicks com a oitava escolha e foi uma enorme surpresa. Mostrou ter um jogo muito refinado, com arremessos de média e longa distância e muita graça perto da cesta (graça de bailarina, não graça Ari Toledo, por favor). Foi titular um bom tempo e todo mundo considerava o jogador uma das grandes sacadas do Isiah Thomas, que draftou o moço e bancou sua presença em quadra ao lado do Eddy Curry. Funcionava bem, um jogava bem dentro do garrafão e o outro fora, eles se complementavam. Mas o mais interessante é como os dois se complementavam para formar a pior dupla de garrafão defensiva de todos os tempos, perdendo até para Nenê e Juwan Howard naquele finado Nuggets que tinha nosso brasileiro ainda novato - e ainda magro.
Mas o Frye teve uma ótima temporada e começou a ser alvo de propostas de troca. O Isiah Thomas deixou bem claro que o Frye era intocável, uma das estrelas jovens da equipe e em volta da qual o time seria construído. Nenhuma troca seria boa o bastante. Só que o Channing Frye se contundiu na primeira temporada e voltou lento e fora de forma para a segunda. Piorou em todos os quesitos, começou a mostrar que era apenas um novato assustado, e a torcida do Knicks caiu matando porque não tinha mais paciência com o burro do Isiah Thomas. A torcida queria jogadores de verdade, experientes, comprovados, não um novato que caía de produção de uma temporada para a outra. Foi assim que o Frye foi trocado pelo Zach Randolph, naquela famosa troca em que o Blazers melhorou muitíssimo ao perder seu maior cestinha. O Blazers é um time esperto, com planejamento, e não havia espaço para o Frye - o objetivo era só se livrar do Randolph, que é bom pra burro mas afunda qualquer equipe. A equipe é profunda demais e o Frye nunca teve chances por lá, relegado ao banco. De intocável, estrela do futuro, caiu para ser eleito o melhor décimo cara num banco de reservas de uma equipe que começa com "B" e acaba com "lazers" (famoso troféu, esse).
Até que o Suns sem Shaq resolveu apostar no garoto. Qualquer um que consiga trocar uma lâmpada serve, altura é o que pega. O único pivô da equipe é o Amar'e, que não é um pivô, então a gente sabe que o negócio tá feio. O Robin Lopez, que é tão secundário que seu nome é até Robin, pode conseguir uns minutinhos mas não apenas tem reserva tatuado na testa como também se contundiu e deve passar as próximas 6 semanas fora das quadras. O Channing Frye chega na equipe, então, não para ser um reserva com vários minutos. Ele chega para ser titular.
O técnico do Suns, Alvin Gentry, avisou que o Frye destruiu nos treinos, impressionou todo mundo e vai ser o pivô titular. Mas só no papel, porque o pivô de verdade vai ser o Amar'e Stoudemire, com o Frye jogando de ala. Segundo o Gentry, no boxscore vai aparecer o Amar'e de ala e o Frye de pivô só para o mala do Amar'e não reclamar o tempo inteiro de ter que ser pivô. Ou seja, o Stoudemire é um porre.
Assim como Darko e Curry, o Frye tem uma situação que pode salvar sua carreira. Seria triste que qualquer um dos três virasse farofa porque têm muito potencial e sabem jogar basquete, só precisam de um pouco de sorte (e de um pouco de regime, né, Curry?). Todos vamos acompanhar o Knicks de perto nessa temporada, em que está em jogo a chance da equipe de contratar LeBron James. Mas talvez o mais legal de ver seja o Suns e seu novo pivô titular, tentando provar que o Isiah Thomas não é um burro completo, apenas um tanto imbecil e incompetente. E burro, claro.
Defenestrado por
Denis
por volta das
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