Mostrando postagens com marcador darko. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador darko. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Novos ares

Vergonha eterna dessas fotos de estúdio


Um dos lados ruins do blog estar crescendo (o único, talvez) é que tem mais gente cobrando posts. Vocês não tem noção de como isso é chato! Não que as pessoas não tenham razão em muitos dos assuntos propostos, mostra que tem muita gente atenta ao que está acontecendo na NBA, o que é bom, mas não dá pra só um blog falar de tudo. Também é chato essa idéia de que posts são homenagens, coisas do tipo "O time X está jogando bem, merece um post". Tá, ele está jogando bem, mas tem uma história legal por trás disso? Tem algo que merece ser estudado, questionado ou explicado? Se não tem, acho que não vale a babação de ovo virtual.

Outro tema muito pedido é sobre jogadores que estão tendo atuações abaixo ou acima do esperado. A cada boxscore bizarro surge a vontade de saber se aquilo foi uma aberração, se o cara vai ser All-Star ou se é só o outro time que vacilou grandão. Eu acho que um post inteiro para falar de um jogo ou de uma sequência de jogos de que não estamos acostumados é demais, mas eu gosto de comentar sobre como os jogadores mudaram e tentar descobrir da onde veio essa mudança. Nada muda assim simplesmente por mudar e tentar descobrir a razão é bem interessante. Afinal, pode ser treino (como foi com o Richard Jefferson), mudança de ambiente, técnico, esquema tático, pintura do cabelo, esposa, sei lá! 

Durante essa semana e a próxima vou aos poucos falando de vários casos de jogadores diferentes, hoje vamos começar com os jogadores que mudaram de time, explicando como a mudança de ambiente fez o cara subir de nível. 

......
Todo mundo, em qualquer área que trabalhe, sabe como um ambiente ruim pode estragar o desempenho. Se você é motivo de fofoca em volta do bebedouro da firma é normal que trabalhe sem o mesmo empenho ou que simplesmente faça o que tem que fazer com cara de bunda enquanto procura um trabalho novo. Na NBA não é diferente, um jogador pode não se adaptar à cidade, aos companheiros de time, técnico ou esquema tático e não ficar à vontade por lá. 

O Antawn Jamison, por exemplo, é um caso extremo de fracasso. Nunca entendeu o sistema defensivo do Cavs no ano passado, dizem que era meio excluído dentro de um grupo bem fechado e nesse ano fica de lado porque é um veterano caro em um time que tenta se reconstruir. Por fim até passou a arremessar cada vez pior. Poucas vezes vi um cara perder tanto valor em tão pouco tempo, é o jogador errado no lugar errado e com possibilidades remotíssimas de troca. Jogadores não esquecem como jogar basquete, mas podem cair muito de produção quando estão num time que não os valorize.

O oposto também acontece. Quem melhorou por estar no lugar certo na hora certa é o ex-Cavs Shaquille O'Neal. Duas coisas mostram bem essa evolução e a sua razão: Na semana passada ele teve seu primeiro jogo com 25 pontos e 10 rebotes em mais de dois anos, finalmente, e antes disso foi divulgado que ele disse para o Kevin Garnett algo como "Vocês levam esse negócio de jogar em equipe bem sério aqui, né?".

Dizem que o Shaq está encantado com a maneira que as coisas são levadas no time do Boston e tem se dado bem com todo mundo. Naturalmente se dedica mais e quando o Shaq está motivado ele é um dos melhores, sempre. Mesmo que hoje em dia só tenha físico para aguentar ser o melhor por uns 20 minutos por partida, mas não importa, é o que o Celtics precisa. Ele também disse antes do último jogo contra o Hawks que cogitou seriamente ir para o Hawks por gostar da cidade de Atlanta, mas que decidiu pelos verdes pela chance maior de título. O Larry Drew, técnico do Hawks, disse que concordava com o Shaq e que até achava que, embora não fosse nada mal tê-lo por lá, ele não ia se dar bem com um time tão jovem e com uma mentalidade tão diferente da dele. Embora muita gente tenha feito piadinha com o fato do Hornets ter trocado pelo Jarrett Jack, amigo do Chris Paul, para agradá-lo, é essencial que um jogador tenha amizades dentro do clube. Eles passam muito tempo junto, qualquer briguinha pode arruinar uma temporada.

Outro que foi para o lugar certo na hora certa foi o Dorrell Wright. Eu não sei explicar bem porque o Heat não era o lugar certo pra ele, mas a coisa não tava rolando. Afinal, o técnico Erik Spoelstra queria montar um time com uma defesa fortíssima e cada um que não se adaptasse ficava mofando no banco batendo palma e entregando toalhas. O Heat também queria alguém que tivesse um bom arremesso para se aproveitar do espaço criado pelas infiltrações do Dwyane Wade. O Wright não é o Ray Allen ou o Ron Artest, mas faz um pouco das duas coisas, não sei porque jogava tão pouco, eles também não tinham outras opções muito melhores. Alguns acham que é porque ele causou uma má impressão nos seus primeiros anos na NBA, passou muito tempo machucado, não se posicionava bem na quadra e foi naturalmente sendo última opção. Às vezes jogava bem, mas não conseguia embalar uma sequência de jogos bons e voltava a ser resto.

O Golden State Warriors foi atrás dele porque era barato, ninguém mais queria e eles estavam com falta de jogadores para a ala: a disputa de posição estava entre Ekpe Udoh, novato que está machucado, a eterna promessa Brendan Wright, e o Reggie Williams, que pra mim tem nome de jogador de futebol americano e foi uma daquelas descobertas bisonhas do Don Nelson no ano passado. Com adversários tão discretos, deram para o Dorrell a chance de jogar mais tempo e ele começou a corresponder. Só precisavam que ele acertasse bolas de três e de vez em quando corresse junto nos contra-ataques, nada mais. 

Mas ele tem feito mais do que isso. Com seus roubos de bola e dedicação defensiva tem sido um dos fatores para o Warriors sair da última posição da liga em defesa (embora ainda sejam um dos piores). Mas ele tem contribuído mesmo é com as bolas de longa distância. No jogo contra o Wolves no fim de semana ele acertou 9 bolas de longa distância, recorde da história do Warriors. E lembrem que nos últimos 5 anos do time e no timaço que eles tinham nos anos 90, com Chris Mullin e Tim Hardaway, muitos bons chutadores passaram por lá, é um feito gigantesco um cara com só um mês de time bater esse recorde. 

Esse desempenho bem acima do que até o Warriors poderia imaginar (nem a mãe dele deveria sonhar com o cara jogando tanto!) é razão também dele estar em um esquema tático que o favorece. Apesar das mudanças que o técnico Keith Smart tenta impôr em relação à doideira dadaísta de Don Nelson, o time ainda é baseado em contra-ataque, infiltrações e jogadas individuais. Wright sabe criar seu próprio arremesso, acerta seus arremessos quando a marcação corre para tentar defender Monta Ellis e Stephen Curry e ele ainda tem se entrosado muito bem com o David Lee.

Lee veio do Knicks com a função de melhorar o rebote da equipe mas tem sido bem útil no ataque. Faz o pick-and-roll com perfeição com todos os jogadores e quando tem a bola  no garrafão sabe distribuir, a inteligência dele em quadra merecia mais atenção de todos. Nos jogos em que o David Lee joga, o Wright tem médias de 17,8 pontos, 47% de aproveitamento, 3.9 arremessos de três feitos e 56% de aproveitamento nas bolas de longe. Nos jogos em que o Lee ficou de fora, machucado, as médias de Wright despecaram para 12,9 pontos, 34% de aproveitamento nos arremessos e 0,8 bolas de três por jogo com 18% de acerto. 

Os talentos do Dorrell Wright até poderiam ser aproveitados no Heat, mas nunca o foram e depois de até correr o risco de ficar sem time, achou o ambiente perfeito para exercer o seu jogo. É um dos motivos para a gente pensar duas vezes antes de sair tendo certeza absoluta que um jogador é ruim mesmo tendo visto ele jogar só em uma situação.


Quem a gente já viu em várias ocasiões e nunca foi o bastante para convencer era o Darko Milicic. Ele passou por Pistons, Magic, Grizzlies e Knicks antes de ir para o Wolves. Em todos os times virou motivo de piada e sempre insistem em lembrar que ele foi escolhido no Draft antes de Chris Bosh, Dwyane Wade e Carmelo Anthony. Ok, ele foi, não foi melhor que nenhum deles, mas e daí? Pensando além do Draft, ele foi realmente ruim? No Pistons não dá pra saber porque nem entrava, era o "Human Victory Cigar", no Magic jogou bem (8 pontos, 4 rebotes e 2 tocos em 20 minutos por partida) e manteve o mesmo nível de jogo no Grizzlies. Nada espetacular, clara afobação e nervosismo em situações de pressão, mas ainda assim, um cara com talento de sobra para jogar na NBA. Pivôs como o Marcin Gortat estão no mesmo nível ou mostraram até menos coisas do que ele e são adorados simplesmente porque não esperavam nada deles. Mesmo passados 7 anos desde o Draft de 2003, Darko ainda sofre com a maldição da expectativa. 

Mas aí veio o Wolves, o time dos renegados, para tentar resolver tudo isso. Lá ele recebeu a garantia de que seria titular e que iria jogar bastante, tirando o nervosismo e o medo de que iria para o banco depois de uma bobagem em quadra. Pelo Wolves ser uma porcaria, também ficou longe da imprensa e da pressão de torcidas mais fanáticas. Aos poucos ele foi se sentindo mais à vontade em quadra e esse ano tem sido sua redenção. Ele chegou lá no meio da temporada passada, não nesse ano como os outros casos desse post, mas mesmo assim considero que a melhora foi causada pela mudança de ambiente em fevereiro desse ano.

Foi nessa temporada que ele ganhou a responsabilidade de ser o pilar defensivo do Wolves e hoje lidera a NBA em tocos, com 2,9 por partida. Seus rebotes poderiam ser melhores, mais que os 6 que pega, mas pra quem joga ao lado do ímã Kevin Love até que não está mal. No ataque a média de 9,1 pontos por jogo pode indicar que ele não é bom o bastante, mas isso tem mudado também. 

Nos primeiros 10 jogos da temporada ele tentou se impor, chamar jogadas, forçar o jogo e não deu nada certo, estava tentando ser mais do que deveria. Não sei se por conta própria ou se por ordem do técnico Kurt Rambis, ele passou a arremessar só quando a chance parecia realmente boa e com isso seus números e aproveitamento cresceram. A confiança subiu ao ponto dele conseguir, pela primeira vez na carreira, três jogos seguidos com mais de 20 pontos: 23 pontos, 16 rebotes e 6 tocos contra o Lakers, 21 pontos, 4 rebotes e 3 tocos contra o Thunder e 22 pontos, 8 rebotes, 4 assistências e 5 tocos contra o melhor time da temporada, o Spurs

Nos perguntaram se a gente ficou surpreso com esses números ou se era mais um sinal do fim do mundo, e a resposta é não para as duas coisas. Eu ficaria surpreso se ele fizesse isso durante todos os jogos de uma temporada completa, mas acho comum e normal um jogador bom ter algumas sequências acima da média quando joga durante 6 meses seguidos. Darko é hoje um jogador veterano, com lugar garantido em um time e com algumas qualidades óbvias. Nada mais e certamente nada menos que isso. É bom nos acostumarmos a vê-lo misturar jogos comuns, medianos, com outros muito bons. Ele é um cara normal no fim das contas. Ou quase

Está ao lado de Darko no Wolves o maior exemplo de como às vezes basta uma mudança de time para o cara mostrar o que sabe: Michael Beasley. Ele me lembra um pouco o caso do Tracy McGrady, que parecia ser muito bom no Toronto Raptors mas que não conseguia se destacar jogando ao lado do seu primo Vince Carter. A grande diferença entre os dois é o Efeito Darko: T-Mac foi a 9ª escolha do Draft de 1997, Beasley foi a 2ª escolha do Draft de 2008. Ver o T-Mac indo mais ou menos rendia comentários do tipo "Imagina quando ele tiver o seu espaço. Tem futuro o garoto!", ver o Beasley indo mais ou menos ganhava um nervoso "Bust! E ainda tinha gente que achava que ele poderia ser melhor que o Derrick Rose!". 

Depois de anos crescendo sem pressão no Raptors, o T-Mac foi para o Orlando Magic como Free Agent ser o cestinha da NBA por dois anos seguidos, o Beasley foi trocado por uma escolha de segundo round e feijões mágicos para o Minnesota Timberwolves. Com apenas três minutos a mais por jogo ele tem 7 pontos a mais de média, pulou de 14 para 21 por partida. Os arremessos de três melhoraram de 27% para 45%! E hoje você até pode ver ele rindo em quadra:

- sup


Dava pra ver no Heat como ele não se encaixava lá. O Spoelstra morria um pouco a cada falha defensiva do Beasley e o jogador parecia completamente desinteressado na partida e fora de ritmo porque não suportava ver o Dwyane Wade chutar 25 bolas antes dele ter a chance de tentar a sua. No Wolves o ataque passa por ele, as jogadas são desenhadas para que Beasley finalize e desde o começo do jogo ele pega o ritmo da partida, participa e toma a iniciativa. Ainda não sou um dos que vai dizer isso do LeBron James, mas não é todo mundo que consegue render ao lado de gente como o Dwyane Wade que concentra tanto o jogo na mão dele. 

Nada contra o Wade, muito pelo contrário, é o estilo de jogo dele e foi assim que ele foi o melhor jogador dos playoffs de 2006 levando o Heat ao título, mas não é fácil encontrar gente que combine com esse jeito de jogar. E também o Beasley não é coitadinho, ele nunca parecia sequer interessado quando estava no Heat, claramente incomodado por não ser muito acionado. Com um pouco de vontade e treino ele poderia ter rendido bem mais em Miami. A mudança de time e ambiente não é sempre a libertação de um jogador coitado que estava preso nas amarras de um técnico do mal, às vezes o próprio jogador não tem o talento ou vontade de se adaptar. Esperto foi o o General Manager David Kahn de perceber a chance de levar o Beasley para o Wolves, saiu barato e já está dando muito resultado. 

Ainda tem muita gente que está subindo de nível nesse começo de temporada, por outros motivos, e vamos continuar nesse assunto em breve! 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Minnesota Timberwolves

- SIM, EU ADORO JOGAR BASQUETE!!!


Objetivo máximo: Chegar perto dos playoffs, surpreender alguns times grandes
Não seria estranho: Ficar em último no Oeste
Desastre: Draftar o Ricky Rubio mas ele não querer ir jogar lá. Espera... já foi.

Forças: Um elenco muito novo e eficiente na transição
Fraquezas: Falta de identidade, ninguém faz ideia do que está acontecendo, o elenco não faz sentido e quase todo mundo fede

Elenco:

.....
Técnico: Kurt Rambis

Quando assumiu o Wolves, Rambis sabia que era um projeto a longo prazo. Passaria ao menos 4 anos à frente da equipe, cuidando do desenvolvimento dos pirralhos e colocando em prática o complexo sistema de triângulos tão famoso graças ao sucesso do Lakers de Phil Jackson. A ideia era não se importar com vitórias, focar apenas no amadurecimento de cada jogador em particular e fazê-los jogar como um time. Mas Kurt Rambis teve muitas dificuldades em colocar em prática os triângulos. Al Jefferson e Kevin Love não conseguiram executar as movimentações juntos, batiam cabeça, ocupavam os mesmos espaços, e Kurt Rambis foi obrigado a colocar Love no banco, limitando um pouco os seus minutos - justamente o contrário do que foi proposto quando contrataram o técnico, que era dar minutos à pirralhada. Após 60 jogos com o novo técnico, Kevin Love não teve medo de colocar a culpa do péssimo desempenho do Wolves nas costas do treinador, já que a temporada estava acabando e não tinha um único jogador sequer que tivesse conseguido compreender o tal do esquema dos triângulos. Uma coisa é conhecer a fundo a tática, como é o caso de Kurt Rambis, e outra completamente diferente é saber explicar isso de um modo compreensível. Phil Jackson tem anos e anos de experiência e mostrou-se um excelente professor, enquanto Rambis está lidando apenas agora com o fardo de um elenco inteiro de crianças cheirando a talco, com inteligências limitadas, tentando aprender um dos esquemas táticos que mais dependem do entendimento e da reação dos jogadores.

Ainda no final de sua temporada de estreia, o Wolves já abandonava lentamente os triângulos em nome de um jogo mais veloz de contra-ataques. Nas ligas de verão, em que o técnico se viu obrigado a lidar apenas com novatos ou jogadores muito novos, os triângulos foram para as cucuias e o foco foi na velocidade e no contra-ataque. Não faz sentido ignorar os triângulos por completo, já que são a especialidade do Rambis, mas ficou bem claro que não dá pra pegar um elenco de novatos e fazê-los compreender o estilo. A abordagem deve ser mais lenta e Rambis deve colocar a molecadinha para correr mais. Os triângulos exigem criatividade enquanto os novatos assustados precisam de jogadas mais fixas e pré-estabelecidas, então o meio-termo será um jogo corrido, que use a velocidade e o atleticismo do time, com alguns elementos dos triângulos no jogo de garrafão.

...
Quando Al Jefferson foi mandado para o Jazz, ficaram claras as intenções do Wolves e escrevi um post a respeito que valhe a pena citar aqui:

"Quando o Wolves resolveu finalmente trocar o Kevin Garnett, parabenizei a franquia. Não tem nada mais horrível para um time da NBA do que ser exageradamente mediano, ter um elenco grotesco, uma baita estrela que consegue segurar as pontas, brigar desesperado por uma classificação para os playoffs e perder sem chances na pós-temporada. O formato da NBA é brutal com os medianos, com os times que não estão brigando por título e nem são ruins o bastante para conseguir bons jogadores no draft. (...)


Se o David Stern tem razão e nenhuma equipe da NBA conseguiu ter lucro nos últimos tempos, não faz sentido manter uma equipe que não vencerá títulos, te dá prejuízo e não tem esperanças de melhora. A melhor saída é feder bastante para conseguir boas escolhas de draft, encerrar todos os contratos longos e imbecis que foram assinados, esperar a pirralhada amadurecer, e então assinar grandes estrelas para formar um elenco decente. (...)

Imaginei que o Wolves, ao trocar o Garnett, conseguiria um núcleo bastante jovem com uma futura estrela em Al Jefferson, e que a reconstrução duraria pouco tempo. Era só esperar a pirralhada pegar o jeito e depois conseguir um ou outro jogador para fechar algumas posições. Mas não funcionou.


Por um lado, promessas como Corey Brewer demoraram demais para se firmarem na NBA. Por outro, Al Jefferson tornou-se uma estrela rápido demais, num elenco incapaz de acompanhá-lo. Como todo time apostando em novatos, algumas escolhas não deram muito certo, alguns jogadores não souberam jogar juntos. Foi então que o engravatado David Kahn apareceu para pisar no freio e fazer todo mundo entender que reconstruções não podem ser feitas às pressas. Basta ver o Pistons: ao demolir acertadamente um time em declínio que não ganharia mais nada, assinou correndo dois jogadores disponíveis na hora para não ficar com um elenco furado e deu no que deu, o time fede, não tem flexibilidade para assinar outros jogadores porque torrou tudo em dois meia-bocas, e está fadado a ficar entre os medianos por muito, muito tempo. Falha épica, já diriam os gringos. É melhor assumir a bosta, no famoso "pisou na merda abre os dedos", e deixar o time fedendo com calma do que correr e assinar qualquer um."

O Wolves virou exemplo de que não dá pra ter pressa. Se o Al Jefferson ficou bom demais, rápido demais, tem que mandar embora mesmo, não adianta ter um jogador fodão em meio a um elenco que ainda precisa de tempo demais para ficar sólido. Se o esquema de triângulos não entra na cabeça dos jogadores, use menos, seja mais maleável, e vá ensinando aos poucos. Se os times da NBA só dão prejuízo e não há perspectiva de ser campeão, pague salários pequenos, para jogadores jovens, e espere bons novatos. A única merda é que o Wolves drafta mal, mas isso é outra história.

Esse clima de "não pode ter pressa" foi perfeito para o Darko Milicic, que finalmente recebeu atenção, carinho, esperança e até desistiu de voltar para a Europa. Será o parceiro de garrafão do Kevin Love, que finalmente pode ser titular, é muito mais indicado para o sistema de triângulos, está destruindo na pré-temporada e já mostrou que valeu a pena se livrar do Al Jefferson. Outro que jogou bem na pré-temporada foi o Michael Beasley, que sofreu muita pressão no Heat porque o time queria vencer nos playoffs sob comando de Dwyane Wade e o pobre pirralho não tinha estrutura nenhuma, metido na erva idiota lá e incapaz de manter a defesa que o técnico Erik Spoelstra exigia. Sem esse tipo de pressão, conseguiu estufar o peito, recuperar a confiança e ser o líder do Wolves mostrando como é um fominha safado que se pudesse nunca passaria a maldita da bola.

O legal da ida do Al Jefferson para o Jazz é que a bola pode passar mais tempo nas mãos do resto da pirralhada, que precisa de experiência para subir de nível e virar outro Pokémon, então jogadores como o Corey Brewer podem evoluir seu jogo ofensivo e tentar conseguir um arremesso consistente. Só esperemos que o Beasley não vire um buraco-negro no ataque e acabe com isso. Se o Wolves quer vencer, o Beasley precisa arremessar muito, mas como vimos o objetivo do time ainda não é a vitória, e sim a criação de um padrão, de identidade, e a evolução dos jogadores. Na ala temos Beasley, Webster, Corey Brewer, o novato Wesley Johnson e até o armador Wayne Ellington, o importante é que alguém daí adquira as qualidades para ser titular absoluto da equipe. Até lá, as vitórias e as derrotas não importam.

Enquanto isso, a armação continua sendo muito limitada e tem sonhos eróticos com o Ricky Rubio. Com o Jonny Flynn contundido e fora da rotação por uns tempos, os únicos armadores puros da equipe são o Luke Ridnour, que é basicamente uma criança de 12 anos com anemia, e o Sebastian Telfair, que é um anão que acha que está numa quadra de rua. Os dois são divertidíssimos de ver em quadra, mas não defendem nem ponto de vista e têm como forte a correria. Me diverti bastante com o Wolves na pré-temporada porque o Ridnour corre e sabe dar os passes certos nos contra-ataques, Beasley é um fominha talentoso, o elenco é cheio de gente explosiva que só sabe correr para frente como o Corey Brewer, e o Kevin Love é um dos melhores passadores da NBA - de qualquer posição, não só de pivô. Se eles não ficarem tentando levar os triângulos muito a sério, podem ao menos ser um time divertido, que vale acompanhar em noites sem sono no League Pass, enquanto todo mundo vai amadurecendo, esperando outros novatos, o Ricky Rubio e um padrão de jogo. Meu único medo é que o Kevin Love fique também bom demais rápido demais, o que abortaria de novo o projeto. O Wolves agora tem uma espécie de luta contra o tempo: conseguir um elenco sólido antes que o Love dê o fora dali ou encha o saco. Veremos quão longe o Wolves está disso com o amadurecimento dos novatos nessa temporada, porque o Love já larga na frente: tem tudo para já ser All-Star agora, imediatamente.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Aceitando feder

Al Jefferson e sua cara de alegria ao conhecer os torcedores do Jazz


Quando o Wolves resolveu finalmente trocar o Kevin Garnett, parabenizei a franquia. Não tem nada mais horrível para um time da NBA do que ser exageradamente mediano, ter um elenco grotesco, uma baita estrela que consegue segurar as pontas, brigar desesperado por uma classificação para os playoffs e perder sem chances na pós-temporada. O formato da NBA é brutal com os medianos, com os times que não estão brigando por título e nem são ruins o bastante para conseguir bons jogadores no draft. Basta uma ou duas cagadas com contratações desesperadas para sair desse limbo e uma equipe pode ficar trancada por anos a fio nesse grupo intermediário que não fede nem cheira. É preciso muito culhão para desmontar um time desses, no entanto. Uma equipe que vai aos playoffs todo ano, mesmo sem chances de fazer estragos por lá, tem dificuldades em explicar para os torcedores que o time vai feder de vez por uns tempos. Pior ainda é quando a equipe quase vai para os playoffs mas não consegue por uma ou duas posições, e fica aquela impressão de que só falta um jogador para que eles cheguem lá. Mas se chegarem finalmente aos playoffs, vão conseguir ganhar por lá? Essas equipes ficam condenadas à uma esperança que não se transforma em nada até que alguém jogue tudo fora e resolva começar de novo.

Se o David Stern tem razão e nenhuma equipe da NBA conseguiu ter lucro nos últimos tempos, não faz sentido manter uma equipe que não vencerá títulos, te dá prejuízo e não tem esperanças de melhora. A melhor saída é feder bastante para conseguir boas escolhas de draft, encerrar todos os contratos longos e imbecis que foram assinados, esperar a pirralhada amadurecer, e então assinar grandes estrelas para formar um elenco decente. Trocentas equipes da NBA seguiram esse plano especialmente esse ano, com vários times liberando muito espaço salarial para assinar grandes estrelas em elencos formados por novatos e outros jogadores baratinhos, como o Heat ou o Knicks. Algumas outras franquias apostam nos novatos para formar um elenco jovem e forte, até que possam contratar alguma estrela consagrada para levar o time ao campeonato, como é o caso do Bulls e do Nets, por exemplo. Outras apostam inteiramente no draft e em trocas por jogadores inexperientes e montam um time do nada, como o Blazers e o Thunder, fazendo contratações maiores e trocas por jogadores caros apenas para dar uma arrumadinha no elenco bem depois. Imaginei que o Wolves, ao trocar o Garnett, conseguiria um núcleo bastante jovem com uma futura estrela em Al Jefferson, e que a reconstrução duraria pouco tempo. Era só esperar a pirralhada pegar o jeito e depois conseguir um ou outro jogador para fechar algumas posições. Mas não funcionou.

Por um lado, promessas como Corey Brewer demoraram demais para se firmarem na NBA. Por outro, Al Jefferson tornou-se uma estrela rápido demais, num elenco incapaz de acompanhá-lo. Como todo time apostando em novatos, algumas escolhas não deram muito certo, alguns jogadores não souberam jogar juntos. Foi então que o engravatado David Kahn apareceu para pisar no freio e fazer todo mundo entender que reconstruções não podem ser feitas às pressas. Basta ver o Pistons: ao demolir acertadamente um time em declínio que não ganharia mais nada, assinou correndo dois jogadores disponíveis na hora para não ficar com um elenco furado e deu no que deu, o time fede, não tem flexibilidade para assinar outros jogadores porque torrou tudo em dois meia-bocas, e está fadado a ficar entre os medianos por muito, muito tempo. Falha épica, já diriam os gringos. É melhor assumir a bosta, no famoso "pisou na merda abre os dedos", e deixar o time fedendo com calma do que correr e assinar qualquer um.

O projeto de reconstrução do Wolves começou do zero. Primeiro um técnico novo, o Kurt Rambis, para usar o sistema de triângulos do Lakers. Depois, escolhas de draft com o sistema em vista. O problema é que vai levar anos para os pirralhos entenderem o sistema, criarem consistência, amadurecerem ao lado do técnico - que também é meio iniciante. A suposta estrela do time, Ricky Rubio, só deve vir na próxima temporada porque preferiu ficar na Europa do que jogar num time lixo. O processo é lento, o Wolves tem que ir com calma testando todos os jogadores, dando minutos para os novatos apanharem e aprenderem, aguardar o Rubio, consolidar o sistema de jogo. Mas enquanto isso lá está o Al Jefferson, estrela consolidada, querendo vencer agora, querendo um time de verdade. Foi trocado mais rápido do que o SBT cancela seus telejornais.

Pelas escolhas duvidosas no draft, em que pega vários jogadores de uma mesma posição, David Kahn está ganhando fama de ser uma anta, quase um Isiah Thomas que pelo menos sabe contar usando os dedos. A troca do Al Jefferson não ajudou muito sua causa. Mas a lógica está bem clara: ele não tem pressa nenhuma. Se o time vai perder, feder, ser uma droga, tudo enquanto espera a pirralhada ganhar uns pelos no saco, por que ficar pagando o contrato monstruoso do Al Jefferson? Quando o Wolves se tornar um time decente, o Al Jefferson já teria dado o fora por conta própria mesmo. O melhor a se fazer é economizar umas verdinhas até lá.

O plano lembra um pouco o Grizzlies, que ia para os playoffs todos os anos mas nunca ganhou uma partida sequer de pós-temporada. Ao trocar o Pau Gasol por escolhas futuras e feder pra burro, criou um time muito jovem, cheio de novatos, levou uns anos para que começassem a render juntos, e aí contratou um ou outro veterano para ajudar. Sem estourar o teto salarial, economizando uma grana, o Grizzlies tem grandes chances de ir para os playoffs na próxima temporada apesar de todo mundo ter chamado a troca de burrada. Ter mantido o Gasol seria cagada, o salário era grande demais e ele queria vencer imediatamente enquanto o time precisava feder um pouco durante uns anos para se reconstruir. E não dá pra feder muito se você tem o Gasol, claro.

Como sabemos, a troca do Gasol para o Lakers desequilibrou a liga. A troca do Al Jefferson, que vai permitir que o Wolves feda de verdade enquanto espera seus pirralhos virarem estrelas, não deve desequilibrar tanto. Mas com certeza tornou o Jazz um time muito melhor que vai fazer mais estrago do que nunca nos playoffs. Ou seja, podem esperar uma legião de torcedores do Jazz fazendo muito barulho por aqui, torrando nosso saco e eventualmente descobrindo onde eu moro e queimando minha família na fogueira, amém.

Eu adoro o Carlos Boozer, acho seu arremesso espetacular e ele funciona perfeitamente bem com Deron Williams. Mas como maluco que sou por perder vários dias da minha vida acompanhando os jogos do Wolves, posso afirmar que o Al Jefferson vai ser ainda mais útil para o Jazz. O cara é um monstro embaixo da cesta, justamente onde o Boozer era menos efetivo. Seu arremesso é consistente, vai funcionar perfeitamente bem nas jogadas com o Deron Williams, mas seu trabalho de pernas e pés muito rápidos vai simplesmente dominar o garrafão ofensivo. Ele é um monstro refinadíssimo, do tipo que bebe sangue mas arrota em francês, e vai pontuar horrores com muitos movimentos diferentes no esquema tático rígido e cadenciado do Jazz. Quando o Wolves corria demais, o Al Jefferson ainda rendia bem, mas é de costas para a cesta num jogo lento que ele mostra que pode vencer jogos sozinho. Na defesa também é muito inteligente, tem bom tempo de bola, distribui seus tocos e não compromete muito - algo que já é um avanço frente ao Boozer, que é um dos piores defensores da NBA, disparado.

É cedo demais para chamar o Kahn de burro. Ao menos ele tem os bagos de deixar o time fedendo sem ficar pagando salários absurdos desnecessariamente. Vai se focar na pirralhada, ir com calma, esperar o Rubio e não vai deixar ninguém descontente por lá. Veteranos que querem vencer só devem chegar muito depois, quando o elenco já estiver maduro o bastante. E o Jazz aproveitou essa barbada para conseguir um assalto a mão armada nos moldes do Gasol-para-o-Lakers, capaz de fazer muito estrago se o resto do time jogar bem. Levante a mão quem é o doido que viu o Al Jefferson jogar nas temporadas passadas. Se você não levantou, pode ter certeza de que ele é um dos melhores jogadores de garrafão da NBA, muito mais versátil do que o Boozer, muito mais físico embaixo da cesta, e vai chutar muitos traseiros. Se você levantou a mão, então já sabe o tamanho da encrenca que o Jazz vai causar na liga. Os mórmons foram abençoados, vai ver rezar dá resultado.

No Wolves, o garrafão agora tem Kevin Love e Darko Milicic - por mais bizarro que seja, é um dos garrafões que mais valerá a pena acompanhar na temporada que vem. O Love é um dos jogadores mais inteligentes da NBA, faz cruzadinhas no nível "Putaquemepariu", passa a bola como poucos armadores e é famoso por dar assistências de um lado da quadra para o outro, é espetacular. Arremessa também de todos os cantos, inclusive da linha de três (e até da quadra de defesa).



Além disso, sempre toma a decisão certa, é até chato. Vai ser uma estrela na liga, sem dúvidas, e tendo muito mais minutos em quadra sem Al Jefferson, nos dará mais chances de vê-lo atuando. Seu parceiro de garrafão será o Darko, também conhecido como "um dos maiores fracassos da história do draft". Desde que foi escolhido com a segunda escolha do melhor draft de todos os tempos, passou de um time para o outro sem nunca render grandes coisas. Mas isso depende do que se espera dele, claro. Todo time que contrata o Darko espera um jogador que domine o garrafão e mostre o potencial que justificou sua segunda escolha no draft, mas o que todo time encontra é um jogador de apenas 25 anos, excelente defensor, com problemas para manter a calma dentro de quadra. A maior dificuldade do Darko sempre foi sua cabeça, ele precisava ouvir o pagodinho "deixa acontecer naturalmente", porque desde que entrou na NBA - novo demais para conseguir sequer cortar as próprias unhas - queria mostrar que merecia ter sido escolhido tão cedo no draft no lugar do Carmelo Anthony. Dê a bola para Darko e ele vai tentar fazer milagre, errar uma bola, ficar puto da vida, forçar uma outra bola para compensar, errar de novo porque está nervoso e forçando o jogo, se desesperar porque esperam mais dele, forçar de novo, e assim por diante. Ele fica tão puto consigo mesmo que chegou até a rasgar a própria camiseta:



Também deu aquela clássica entrevista jogando pela sua seleção nacional, em que afirma que vai foder as mães dos três juízes que "lhe roubaram o jogo" (e foder a filha deles se tiverem também). Mesmo tão descontrolado, nas poucas vezes em que ganhou minutos e conseguiu manter a calma em quadra mostrou seu talento defensivo e seu jogo refinado perto da cesta. Se tivesse sido escolhido na segunda rodada, teria jogado a vida toda, nunca teria sido trocado e seria tido com uma baita sorte do time que o pegou. Para ele, assim como para Kwame Brown, a merda é o medo da expectativa dos outros. O David Kahn disse recentemente que convenceu Darko a ficar na NBA ao invés de voltar para a Europa, como pretendia, dando-lhe estabilidade, segurança, um papel limitado em quadra (puramente defensivo) e muita confiança. Deu uma longa entrevista apenas falando sobre o que ele vê no Darko que os outros não percebem. É difícil imaginar que aquele jogador afoito e nervoso pra burro renderá no Wolves com carinho e paciência, mas é nisso que o Kahn aposta e é mais um motivo para acompanharmos esse garrafão. Love e sua genialidade nos passes, Darko e sua cabeça-de-bagre tentando não arrancar sua própria cabeça. Não vai ser tão legal quanto o Al Jefferson destruindo com o Deron Williams, mas é um dos poucos motivos para acompanhar a pirralhada do Wolves na temporada que vem. E se der certo, pelo menos vão parar de xingar tanto o Kahn. Ele, ainda, não merece.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

NBA Cares no Brasil




O NBA Cares é um programa criado pela NBA que visa a cuidar de questões sociais usando o basquete e a imagem da liga e de seus jogadores. O programa foi criado em 2005 e, segundo o site do programa, desde então já foram doados pela liga e pelos jogadores mais de 140 milhões de dólares (cerca de um Joe Johnson + um Darko Milicic) e 1.1 milhões de horas de trabalho comunitário.

Claro que o David Stern criou esse programa não só para ajudar quem precisa, mas para também melhorar a imagem da NBA ao redor do mundo. Não creio que seja coincidência que o NBA Cares tenha nascido uma temporada depois da desastrosa briga entre jogadores e torcedores do Pacers e do Pistons no Palace of Auburn Hills em 2004. Mas beleza, o Stern e a NBA não precisam ser santos, desviando um pouco dos seus zilhões de dólares para a caridade já tá bom.

Estou falando desse programa porque depois de rodar os EUA, de ir para a África e para a Ásia, ele chega pela primeira vez ao Brasil nesse fim de semana. O evento irá acontecer nesse sábado, dia 24/07, na Vila Olímpica da Mangueira no Rio de Janeiro. Será uma clínica ministrada pelo Nenê e pelo Anderson Varejão para 80 crianças da comunidade e aberto para o público assistir (e mendigar umas fotos e autógrafos depois, claro!).

Eu e o Danilo, como bons paulistanos sem verba, não vamos poder ir, mas o Bruno, nosso contato na Adidas, vai estar lá para tirar umas fotos, fazer uns vídeos e iremos postar aqui depois. Quem for carioca da gema e quiser ir lá e nos mandar fotos depois, postaremos com prazer.

Essa, que eu saiba, é a primeira ação oficial da NBA no Brasil. E pelo que nos contaram, é a primeira de várias. A liga está planejando outras ações por aqui (um jogo de pré-temporada seria o ápice, mas ainda meio distante) e assim que soubermos delas avisaremos aqui no blog.

Tem uns vídeos do NBA Cares no YouTube. O primeiro é uma compilação de momentos meigos com música tocante de fundo, vale pra sacar o espírito das ações do programa.


O segundo é sobre o evento anual que o Charlotte Bobcats organiza com deficientes físicos e mentais. Para quem não lembra, cobrimos as Paraolimpíadas de 2008  por sermos fãs do basquete sobre rodas.


Mas o meu favorito é a clínica de Yoga organizada pelo LeBron James! YOGA. LeBron James! E não é que o puto ainda parece manjar da coisa? Odeio quem é melhor que eu em tudo. Esse vídeo não pode ser postado no blog, mas dá pra ver aqui.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Começou!



Belo movimento, JJ, aqui estão 120 milhões de dólares


Lembra quando anos e anos atrás a gente falava "Quando o LeBron for um Free Agent..." ou nos últimos meses quando toda troca tinha como objetivo "abrir espaço salarial para assinar grandes nomes em 2010"? Pois é, depois de tanto falar no futuro, virou presente.

Hoje, dia 1º de julho de 2010, começa a temporada de Free Agents mais esperada da história da NBA. Sem brincadeiras ou exageros, nunca se falou tanto sobre um período de contratações como esse. Não à toa, claro. Entre Free Agents restritos (aqueles que depois de receber uma proposta, podem ter ela igualada pelo seu antigo time) e irrestritos (os que são praieiros, guerreiros, solteiros e podem curtir com quem quiser), são MUITOS (em Caps Lock mesmo) os jogadores que podem mudar a cara das franquias com grana sobrando. Querem nomes?

Raymond Felton, Carlos Boozer, Amar'e Stoudemire, Ray Allen, Paul Pierce, Dirk Nowitzki, LeBron James, Chris Bosh, Dwyane Wade, John Salmons, Derek Fisher, Brandan Haywood, Richard Jefferson, David Lee, Tyrus Thomas, Chris Duhon Luke Ridnour, Matt Barnes, Randy Foye, Ryan Gomes, JJ Reddick, Brad Miller e, ufa, a estrela da classe de 2010 de Free Agents: Brian Scalabrine.

Vamos tomar muito cuidado nessa cobertura para não perder nosso tempo e sua paciência comentando boatos. A todo momento surgem pessoas lá na gringolândia que tem certeza absoluta que o LeBron vai para Chicago. Um minuto depois com certeza que ele vai para o Heat junto com Wade e Bosh. Comentar tudo isso seria muita idiotice. Embora eventualmente a gente possa brincar de "já pensou se...", o nosso foco vai ser comentar e analisar o que já temos de concreto.

E embora faça menos de um dia que o período de Free Agency começou, já temos coisas para comentar!

A primeira notícia, na verdade, aconteceu no primeiro minuto do dia, quando os times tinham autorização oficial da NBA para começar as negociações. Sem perder tempo o Atlanta Hawks quebrou todos os seus porquinhos, juntou as moedas, se prostituiu e ofereceu um contrato máximo para o Joe Johnson continuar na equipe. São 120 milhões de dólares por 6 anos de contrato. Alguns sites dizem que o contrato é um pouco menor e de 5 anos, mas, de qualquer forma, grana pra cacete em um contrato para além do fim do mundo.

O Joe Johnson ainda não respondeu à proposta e nada indica que ele tenha pressa em fazer isso, já que outros times (Knicks, Celtics, Nets, Clippers, Mavs) estão interessados no jogador. O legal do Hawks oferecer esse contrato monstruoso para o Joe Johnson é que agora é nossa hora de julgar os valores do atleta, e me sinto muito poderoso e superior nessa situação!

Na última temporada o Hawks manteve o bom time que foi à 2ª rodada dos playoffs em 2009, apenas adicionando o melhor reserva da temporada, Jamal Crawford. Assim a temporada regular do time melhorou, mas nos playoffs aconteceu a mesma coisa: varrida na 2ª rodada. E foi a varrida mais feia da história dos playoffs, a com maior média de diferença de pontos do vencedor sobre o perdedor, uma surra. Nessa série decisiva o Joe Johnson foi anulado por Matt Barnes e Mickael Pietrus e acabou com média ridícula de 12 pontos por jogo.

Ou seja, se o Hawks continuar com o Joe Johnson por essa grana toda, provavelmente (para não dizer com certeza absoluta) o time vai ser exatamente o mesmo do ano passado. Mesmo com o Celtics ainda mais velho e talvez sem Ray Allen e o Cavs possivelmente sem LeBron, alguém arrisca dizer que com o mesmo elenco o Hawks vai mais longe? Esse time tem alguma chance de título de conferência? Eu adoro esse time do Hawks e vários de seus jogadores, mas não apostaria 10 centavos nisso. Para JJ, aceitar esse contrato pode ser um sinal de amor e lealdade ao time de Atlanta, mas também um certo conformismo em aceitar ser rico, reconhecido e nunca ter chance de ir longe na pós-temporada. E já disse rico?

Se ele negar, no entanto, vai mostrar aquela sede de vencer que todo veterano cansado de ver os amiguinhos ganharem anéis sentem. Depois de anos sendo o líder do Hawks, o mais perto que JJ já chegou de uma final foi quando era coadjuvante do Suns em 2005. Deve bater uma saudade de jogar ao lado de Nash, Amar'e e jogar partidas emocionantes de final de conferência. Em entrevistas no último mês o próprio jogador até disse não se incomodar em deixar de ser a estrela de um time desde que essa equipe seja boa e vitoriosa.

Para o Hawks eu acho que eles não tinham muita saída. Pelo Joe Johnson ser um jogador deles, têm o direito de oferecer um novo salário gigante como esse mesmo com o time acima do teto salarial, mas caso eles não consigam, o time continua acima do limite e sem espaço para assinar qualquer outro jogador. A situação era bem simples, ou ofereciam um contrato gordo e sedutor para o JJ, ou ficavam sem nada e ninguém, não tem plano B. Entre ser um time mediano no Leste ou despencar e voltar a ser o saco de pancadas que era antes do Johnson chegar, preferiram a primeira opção.

Daqui alguns anos é bem capaz que eles se arrependam, que dê vontade de reconstruir tudo e trocar o salário monstro do JJ, mas é muito mais lucrativo ter um bom time que vai para os playoffs, mesmo que perca por lá, do que ter um saco de pancadas. Isso é comum na NBA, já vimos vários times oferecerem contratos gigantes para jogadores que todo mundo sabia que não merecia só pelo medo de ficar de mãos abanando. A conta bancária do Michael Redd tá aí pra provar isso.

Outro time que já entrou em ação no primeiro dia de contratações foi o Timberwolves. O General Manager David Kahn honrou mais uma vez a sua marca registrada de conseguir vários jogadores da mesma posição no mesmo dia. No ano passado foi aquela enxurrada de armadores no draft, nas escolhas desse ano foram alas e na Free Agency já são 2 pivôs em pouco mais de 12 horas. Parabéns, Kahn!

O primeiro é Nikola Pekovic, escolhido pelo Wolves no draft de 2008 e que estava jogando (muito bem) no Panathinaikos da Grécia. Acho muito difícil prever como esses pivôs europeus vão render na NBA (é uma velocidade de jogo diferente, garrafão diferente, adversários diferentes, arbitragem, etc, etc.) mas hoje acordei otimista. Acho que foi uma contratação boa e barata para um time que estava atrás de pivôs para liberar o Al Jefferson para sua posição natural de ala de força.

O outro pivô já estava no time e havia sido motivo de muitos elogios do próprio Al Jefferson justamente por tê-lo deixado sair do pivô. Darko Milicic, a antológica segunda escolha do draft de 2003 e uma das maiores piadas da última década, continua na NBA. Recebeu um contrato de 20 milhões de dólares divididos em 4 anos para ficar no Wolves. Na última temporada o Darko chegou no Wolves no meio do campeonato e não fez feio. Está longe de dominar jogos e é capaz de zerar alguns jogos no ataque, mas é um defensor acima da média. Apesar de tanta gente odiá-lo pela expectativa em cima dele quando chegou na liga, tem obviamente talento o bastante para ser útil na NBA.

Com um garrafão de Pekovic, Darko, Al Jefferson e Kevin Love, o Wolves está reforçado na área pintada, fica só em aberto a questão do entrosamento e da distribuição dos minutos. Love nunca se entendeu dentro de quadra com Jefferson e parece ser bom demais para ser um mero reserva com 20 minutos por jogo. A que tudo indica, muita coisa ainda deve mudar no Wolves. Eles agendaram duas visitas com Free Agents nessa semana, Rudy Gay e David Lee. Os dois são de posições que o time já tem muitos jogadores, então a possibilidade de trocas estarem nos planos é grande. Vamos aguardar qual vai ser o próximo movimento (provavelmente uma cagada envolvendo muitos jogadores da mesma posição) de David Kahn.

Para terminar, o terceiro time que já se mexeu no primeiro dia de Free Agency foi o Milwuakee Bucks, sem dúvida o time mais ativo das últimas semanas. Já trocaram para ter Corey Maggette e Chris Douglas-Roberts na última semana, draftaram uns jogadores com bom potencial para fazer parte da rotação e hoje assinaram um contrato de 32 milhões de dólares (por 5 anos) com o Drew Gooden. E ainda há notícias (ou boatos, depende do seu nível de ceticismo) de que as negociações para uma renovação com o John Salmons estão bem encaminhadas. Nada de confirmado, no entanto.

Eu gostei da contratação. O Drew Gooden nunca foi genial na sua carreira, mas nunca comprometeu os times por onde passou, só ajudou. É contratado para acertar arremessos de média distância, pegar rebotes e eventualmente até cobre um pivô por alguns minutos. Sua carreira só não deslanchou nunca porque ele é mais trocado que o Quentin Richardson e esposas do Fábio Jr juntos. O coitado já passou por 9 times em 8 anos de NBA: Grizzlies, Magic, Cavs, Mavs, Clippers, Spurs, Wizards, Bulls e Kings.

É um jogador bom e até bem completo, falta apenas defender um pouco melhor. Mas se o técnico Scott Skiles fez o Bogut virar um dos líderes da NBA em tocos e o Ridnour defender, pode fazer outro milagre com Gooden.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo semanal

Vai ter festa hoje, fedelho?

O último Filtro Bola Presa da temporada! Foi uma experiência legal, divertida e provavelmente volta quando acabar os playoffs ou na próxima temporada regular. Com os playoffs bombando e a temporada se resolvendo, não vejo porque gastar um dia por semana com posts sobre coisas menores, curiosidades. Aliás fica até difícil encontrar essas histórias, todos os olhos estarão para os grandes jogos que irão decidir a atual temporada.

Então bora acabar com esse Filtro, tem muito vídeo bom e estatísticas patéticas pra gente mostrar!

- O Charlotte Bobcats foi nomeado inspirado no animal bobcat, que é um lince, animal típico do norte dos EUA e, logo, da Carolina do Norte, estado onde fica Charlotte. O nome faz sentido, portanto, mas o que pouca gente sabe é que o antigo dono do time, Bob Johnson, deu o nome também pensando em si mesmo! Ele queria um time que também chamasse Bob! O quanto isso é patético e narcisista?

Pensando nisso a revista Dime propôs que o time mudasse de nome. Bob Johnson, afinal, deu adeus ao time e hoje seu principal dono é Michael Jordan. Que nome inspirado no Jordan, Charlotte e/ou no estado da Carolina do Norte seria melhor para o time de Charlotte? São 229 comentários no post deles e todos merecem ser lidos, mas eu escolhi o meu Top 10 entre os nomes sugeridos por lá.

Top 10 - Os melhores nomes para o Charlotte Bobcats

10- Charlotte Kwames (Por que não homenagear a primeira grande decisão do Jordan como um executivo do basquete?)
9- Charlotte Jordanettes ( Já que o dono é mais importante que o time... )
8- Charlotte Fuel ( É a cidade da NASCAR, uma referência a carros faria sucesso na cidade)
7- Charlotte Smoke ( A cidade é famosa por suas empresas de cigarro e dá pra falar que as esperanças da equipe viraram fumaça)
6- Carolina Flight ( Essa idéia é muito boa! Ao invés de pegar o nome da cidade, pega-se o estado, como fazem Utah e Minnesota. E Flight é uma referência ao Jordan e aos irmãos Wright, que fizeram seu primeiro voo de avião na Carolina do Norte)
5- Charlotte Crowns ( A cidade é conhecida como "Crown Town", a cidade da coroa. E o Jordan é o rei, faz muito sentido!)
4- Charlotte SpaceJammers ( Melhor do que Charlotte Monstarz)
3- Charlotte lolcats (Simplesmente genial! Daria o melhor mascote da história. Não sabe o que é o lolcat? Ah, vá passar mais horas na internet ao invés de trabalhar!)
2- Charlotte Air (Air Jordan, com esse logo. Simples e o melhor)
1- Charlotte Hornets (Ótimo! Vamos organizar tudo direito. O Charlotte é o Hornets, o New Orleans pega seu nome "Jazz" de volta de Utah e eles podem virar o Utah White Power)


- O Zach Randolph já disse que quer assinar uma extensão de contrato com o Grizzlies. Faz sentido, afinal foi lá que ele aprendeu a jogar basquete. Mas ele não mudou tanto assim quanto a gente imaginava! Quando ele assinou seu contrato zilionário com o Blazers, anos e anos atrás, disse que queria X milhões de dólares (não lembro exatamente o valor) e quando estava tudo pronto, o Pau Gasol acertou um contrato maior com o Grizzlies. Randolph disse então que queria ganhar mais porque era melhor que o Gasol. Dá pra ser mais idiota?

E agora ele diz que quer pegar o contrato de 3 anos que o Gasol assinou com o Lakers para se basear em seu novo contrato com o Grizz. Qual é a obsessão do gordinho com o Pau Gasol?! Ele realmente acha que é melhor? Ou só acha que precisa de mais dinheiro para comprar Donuts?

- História de amor no Wolves! Darko Milicic e Al Jefferson estão se dando muito bem e trocaram elogios na última semana. Os dois concordam que ajuda muito o Darko ser canhoto e o Al Jefferson destro, assim cada um fica mais confortável de um lado do garrafão e não brigam pelo mesmo lado. O Al Jefferson também disse estar feliz por voltar a ser um ala de força e deixar o Darko como pivô. Segundo o Al "Ele é o braço esquerdo do Al Jefferson, e eu sou o braço direito dele". Então eles se beijaram na boca.

- Primeiro o LeBron disse que queria gravar um filme e que por isso provavelmente não iria jogar o Mundial da Turquia em Agosto. Depois foi a vez de Bosh e Wade deixarem suas presenças em aberto porque não sabem se já terão assinado contrato. Agora é a vez do Carmelo Anthony dizer que não sabe se vai porque ele vai se casar na offseason (olha a tchutchuca!). Ainda tem o Kobe, que disse que vai mas que tem tudo pra não ir com a quantidade de contusões que tem sofrido. Tô sentindo cheiro de Time B...

- Sessão de enterradas agora!
Primeiro enterradas inesperadas: Alguém sabia que o Donte Greene e o Jon Brockman eram capazes de dar essas enterradas? Pois é, esse é um treino comum e rotineiro entre dois jogadores ruins da NBA. Esse é o nível do jogo.



Agora enterradas fracassadas! Fizeram um Top 70 com as melhores enterradas erradas em campeonatos de enterrada. É o mundo do "poderia ser" em sua essência.



E para terminar, um campeonato de enterradas bizarro! De um lado o Air Up There, o homem do 720, o melhor em enterradas no planeta. Do outro Brittney Griner, uma guria de 20 anos, 2,03m e que enterra com muita facilidade. Ver aquela enterrada difícil e comemorada da Lisa Leslie depois de ver essa garota chega a dar vergonha.



Vintage Bola Presa - Toda semana um post reciclado

O post reciclado dessa semana é o nosso melhor post em todos os tempos. Ele se chama "Como aproveitar os playoffs" e é consenso entre todos nossos leitores que é o texto mais engraçado e divertido que já escrevemos. Ele trata de como burlar sua escola, trabalho e faculdade para conseguir assistir a tudo nos playoffs. Também dá uma dica de como lidar com sua namorada para que ela não venha com aquelas idéias de ir assistir a um espetáculo de dança contemporânea no dia do jogo 7 entre Magic e Cavs. É um texto que vale a pena ser lido na semana em que começam os playoffs!

Leia o post inteiro nesse link e comente aqui ou lá, sei lá, a gente lê tudo!

8 ou 80 - A melhor coleção de estatísticas idiotas
- Na vitória de ontem sobre o Pistons, o Raptors acertou mais de 60% dos seus arremessos. Foi a terceira vez desde fevereiro que o time de Toronto consegue essa marca. Por incrível que pareça, o Raptors só tinha tido 3 jogos com pelo menos 60% de aproveitamento nos últimos 14 anos!

- Marcus Camby incorporou o Nowitzki que mora dentro dele e acabou com o Thunder na noite de ontem. Fez 30 pontos, pegou 13 rebotes e acertou 12 dos 16 arremessos que tentou. O último jogador do Blazers a conseguir pelo menos 30 pontos, 13 rebotes e 60% de aproveitamento em um jogo foi o Clyde Drexler em 1988.

- Com a vitória sobre o Lakers no último sábado, o Blazers se tornou, ao lado do Spurs, os únicos times a terem recordes positivos contra o Lakers na era Phil Jackson. São 20 vitórias e 18 derrotas desde que o Zen Master foi para LA.

- Com o triple-double feito no último sábado, Jason Kidd se tornou apenas o terceiro jogador a conseguir esse feito depois dos 37 anos de idade na temporada regular. Os outros foram Karl Malone (com 40 anos) e Elvin Hayes (com 38). John Stockton é o único a ter conseguido em um jogo de playoff, quando fez um triple-double aos 39 anos de idade em 2001.

- Jamal Crawford tem 1.425 pontos marcados na temporada, é o máximo marcado por um jogador vindo do banco de reservas desde a temporada 1990-91 por Ricky Pierce.

- O Spurs conseguiu, pela 13º temporada seguida, acabar a temporada com mais vitórias do que derrotas fora de casa. É um novo recorde da NBA, superando a marca do Lakers, que conseguiu por 12 temporadas entre as temporadas 1979-80 e 1990-91.

- O duelo entre Knicks e Magic na semana passada foi apenas o segundo jogo da história da NBA em que os dois times acertaram pelo menos 15 bolas de 3. O Magic acertou 15 e o Knicks 16. O outro jogo foi há 3 anos entre o Houston Rockets (15) e Golden State Warriors (16).

- Na vitória do Thunder sobre o Suns na semana passada o novato Serge Ibaka foi o herói da noite a fazer um arremesso no último minuto com a diferença entre os times em apenas um ponto. Foi apenas o segundo arremesso tentado por Ibaka nessa situação em toda a temporada, o primeiro ele havia perdido. Kevin Durant, estrela do time, tem apenas 5 acertos em 25 tentativas nessa situação de jogo decidido por 1 ponto e com menos de 1 minuto no relógio.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Os imprevisíveis

Al Harrington foge da mão boba


Tem uns times que eu simplesmente não consigo sacar. Se você assiste a um jogo do Spurs você já percebe qual é a deles, é um time centrado no Duncan, com Parker e Ginobili auxiliando no perímetro e qualquer ser humano capaz de defender e/ou arremessar em volta. Falando sério, qualquer um que acompanha basquete com regularidade saca isso em um jogo deles. Perceber nuances táticas e comportamentos-padrão do time e do técnico aí só pra quem manja mais ou acompanha de pertinho toda a temporada.

Não estou desmerecendo o Spurs com isso, embora seja legal fazer isso de vez em quando. É um sistema simples mas já foi provado zilhões de vezes que é eficiente. Agora o Knicks eu não entendo de jeito nenhum. Eu não assistia o Knicks quase nunca porque era chato, o time era um lixo e tinha o Marbury. Mas a partir da temporada passada, com a aquisição do Mike D'Antoni, resolvi dar uma chance pra eles, mas cada vez que eu os assisto acho uma coisa diferente. Para tentar organizar o pensamento sobre eles, faço esse post.

Uma coisa é bem clara, eles estão lá para atacar. A filosofia dos "7 segundos ou menos" vinda dos tempos de Suns ainda está presente mas, ao que me parece, um pouco distorcida. Esse esquema do D'Antoni cria jogadas rápidas para pegar a defesa desprevenida, ainda em formação, para ter bons e fáceis arremessos. D'Antoni diz que são nos primeiros sete segundos de posse de bola que existem as melhores chances de se conseguir um bom arremesso sem marcação.

Muitas vezes eu tenho a impressão de que o Knicks ignora essa parte de ter um bom arremesso e queima a bola mesmo quando a oportunidade não foi tão boa assim. É uma distorção absurda de uma boa teoria. Mas em compensação, algumas jogadas depois, você vê os mesmos cinco jogadores em quadra fazendo a mesma coisa direitinho: não deu pra dar o arremesso rápido então continuam se movimentando, fazem um ou dois pick and rolls até achar o melhor jogador posicionado. Aí na jogada seguinte alguém tenta um arremesso do meio da quadra só por esporte.

Um exemplo óbvio disso é o Danilo Gallinari. Eu considero ele um novato porque até cara com contrato de 10 dias jogou mais do que ele no ano passado, então tem esse perdão, mas mesmo assim ele parece muito irracional às vezes, um Antoine Walker sem a cabeça de Lego. Em algumas ocasiões ele recebe a bola, fica parado e de repente arremessa de 3 com o marcador na cara dele. Só dois jogadores da NBA fazem isso com um bom nível de sucesso: Kobe Bryant e Carmelo Anthony. Por mais que você goste do Gallo, você sabe que ele não está nesse nível.

E quem dera fosse o caso dele simplesmente não saber driblar ou passar. Se fosse assim ele seria um novo Eddie House e pronto, não é culpa dele não saber outra coisa. Mas não, ele tem uma boa altura, um bom controle de bola pro seu tamanho e poderia muito bem ser um Lamar Odom Jr. no Knicks, pegando rebotes e já saindo pra puxar o contra-ataque.

Duvida que o Gallinari sabe driblar? Olha esse vídeo dele fazendo um clássico God Shamgod, típico do basquete de rua.




Não que ele vá fazer isso todo dia, mas o rapaz tem talento para fazer mais do que brincar de 21-parado no meio da NBA. Outro que eu não entendo é o Larry Hughes. Nesses cinco primeiros jogos dele na temporada, misturou momentos de mediocridade completa (com seus típicos arremessos ruins da época do Cavs) com outros de boa defesa e arremessos de meia distância da época do Wizards.

E se o assunto é irregularidade, não tem como não falar do Chris Duhon. O cara que tem RESERVA tatuado na testa no maior estilo 'Bastardos Inglórios' é um misto constante de mini-Steve Nash com um Nezinho mais afobado. Por tudo o que já disse do run-and-gun consciente do D'Antoni, um armador bom é essencial, é ele quem geralmente tem que tomar a decisão de quem arremessa nos tais 7 segundos. Tem que ser o líder.

Al Harrington, apesar de ter virado o sexto homem logo depois dos primeiros jogos, tem sido o líder ofensivo do time até agora, mas ele, como sempre na sua carreira, não é nada confiável e pode jogar um jogo no ralo com a mesma facilidade com que tira uma diferença de 10 pontos em minutos. Aliás, essas viradas tem ocorrido muito nos jogos do Knicks: se tem uma área onde eles estão regulares é no quarto período. Dos 5 jogos disputados até agora (4 derrotas, 1 vitória) eles venceram 4 quartos períodos, marcando duas vezes pelo menos 40 pontos e 3 vezes tirando diferenças superiores a 10 pontos. Com 30,8 pontos por quarto período o Knicks é atualmente líder da NBA nesse quesito, na média geral o NY fica apenas em oitavo.

Eu atribuo essa superioridade nos períodos decisivos à defesa. Uma defesa afobada e desorganizada, claro, é um time do D'Antoni afinal, mas no desespero eles conseguem turnovers e com isso é que melhor executam sua correria inconstante. Até na defesa eles mostram que podem ter flashes de talento mas não conseguem manter isso por muito tempo. Tanto que mesmo depois de quartos períodos tão fantásticos eles perderam as duas prorrogações que disputaram.

Como já é costume há anos, o único ponto sólido do time é o David Lee. Sempre com seus rebotes, pontos vindos de bom posicionamento e muita vontade, é o único porto seguro do D'Antoni. Não é necessário dizer que não é o bastante. Apesar de ser imensamente valorizado, não é jogador pra carregar time nenhum nas costas, muito menos jogando de pivô improvisado de novo. O sonho de ver o Darko Milicic rendendo alguma coisa em um esquema novo já foi para as cucuias depois de poucos jogos. Falando sério, sem querer zoar a escolha de draft mais aloprada da história: o Darko não sabe o que faz numa quadra de basquete. Ele comete erros de amador durante as partidas. Em um momento do jogo contra o Hornets ele deixou o Chris Paul livre três vezes seguidas depois de pick and roll e nas três o Paul acertou um arremesso livre. E isso é só um exemplo, melhor nem começar a comentar do número de passes que ele não segura porque não estava preparado para receber.

É natural comparar esse Knicks ao Suns de alguns anos atrás porque eles tem o mesmo técnico e divertem com a correria. Mas em uma análise um pouco mais profunda é possível ver o que realmente decide na NBA. Não é só esquema tático, técnico ou filosofia, em uma liga de tão alto nível, ganha quem tem técnica, quem tem bons jogadores, simples assim. Enquanto o Knicks tiver o elenco que tem não vai a lugar nenhum nem que se foque em jogar defesa, em atacar melhor ou tudo mais, o time para no limite técnico dos seus jogadores.

Acho que depois de escrever tudo isso deu pra entender, a característica básica do Knicks é o "que porra a gente vai ver hoje?" que eles causam antes de cada jogo. Ou de cada quarto.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

De volta para o futuro

Brian Cardinal mostra o ano em que ele vai dormir na rua: 2010


A temporada da NBA está prestes a começar, dia 27 de outubro, mas antes mesmo do início da primeira partida já tem gente olhando desesperado para o futuro, para a temporada que começa lá em outubro de 2010. Tudo porque vamos acompanhar agora o último ano de contrato de uma série de estrelas que assinarão novos contratos para a temporada 2010. Ou seja, tudo quanto é time mequetrefe já está sonhando em poder contratar jogadores como Joe Johnson, Rajon Rondo, Paul Pierce, Ray Allen, LeBron James, Shaquille O'Neal, Dirk Nowitzki, Kobe Bryant (se não assinar uma extensão com o Lakers), Rudy Gay, Dwyane Wade, Michael Redd, Amar'e Stoudemire, Manu Ginóbili, Richard Jefferson, Chris Bosh e Carlos Boozer (isso sem falar nos jogadores mais-ou-menos cotados, como Iverson, LaMarcus Aldridge, David Lee, Al Harrington, Udonis Haslem, Yao Ming bichado, Tracy McGrady bichado, Luis Scola, Josh Howard, Kenyon Martin e Tyson Chandler, por exemplo).

É tanto nome importante que, se todos eles assinarem com novos times, a NBA vai parecer uma liga completamente nova. É quase como gibi de super-herói quando zera a numeração, tem várias mudanças, é legal pra quem é pirralho começar a acompanhar, mas no fundo continua a mesma coisa. Algumas equipes, no entanto, dependem dessa safra de 2010 para renascerem. O caso mais evidente é o Knicks, que planejou tudo para que os contratos de quase todo o elenco terminem em 2010 para que possam usar essa grana para contratar novas estrelas e começar a equipe de novo. Muito se fala dos jogadores que poderão ser assinados, das possibilidades do LeBron assinar com o Knicks, e a gente também vai falar muito disso porque está no nosso contrato de dono de blog de basquete começado com a letra "B". Mas agora vamos tentar uma coisa um pouquinho diferente: de volta a falar no futuro, vamos dar uma olhada nos maiores contratos que acabam nessa temporada e não vão fazer falta, liberando um monte de dinheiro para suas equipes gastarem como quiserem em 2010. Esses contratos antes eram grandes cagadas, burrisses, "no que diabos eu estava pensando pra pagar trocentos milhões pra esse babaca?", mas agora eles são espaço salarial esperando pra acontecer e vários times vão brigar por eles. É tipo ver gente se estapeando por cocô, é bizarro mas tem seu charme.


Quentin Richardson ($9.352.500)
Tem uns velhos por aí que dizem com orgulho que são da época do Wilt Chamberlain. Eu sou outro tipo de velho, sou um velho da época em que o Quentin Richardson era um bom jogador e tinha o apelido carinhoso de "Quentinho", excelente nome para personagem de um musical gay. Antigamente ele era um bom arremessador, reboteiro e parte essencial do Suns que jogava na correria. Agora, foi trocado mais vezes desde a temporada passada do que horário de programa do SBT: passou por Clippers, Grizzlies, Wolves e foi parar no Heat. Deram uma mentidinha por lá dizendo que ele será útil para a equipe de Miami com seus arremessos de fora, mas a verdade é que o contrato dele vira farofa e permite à equipe contratar uma estrela para jogar ao lado do Wade (ou então contratar duas estrelas caso o Wade vá embora).

Larry Hughes ($13.655.268)
Quando jogava ao lado do Arenas, o Hughes era incrível. Jogava bem na defesa, pegava muitos rebotes, interceptava linhas de passe e atacava a cesta com agressividade. Era perfeito pro Wizards, enquanto ele se ocupava de infernizar o garrafão, o Arenas ficava arremessando como maluco. O salário de estrela não foi tão absurdo, mas era um daqueles casos de jogador que só funciona num esquema de jogo único. No Cavs, em que era essencial ter arremessadores, o Hughes provou que nunca tinha tacado uma bola para cima. Lesões na mão também comprometeram suas infiltrações, e aí o desastre estava feito: ficou rico e ruim. Tem gente tentando descobrir se o técnico D'Antoni vai dar minutos para o Hughes no Knicks, mas a verdade é que ninguém se importa, ele está lá apenas para depois ir embora e deixar o dinheiro para contratar o LeBron. Quase todo o elenco do Knicks é composto por jogadores que a equipe não quer, apenas está esperando o contrato expirar. É sempre legal de assistir jogadores que sabem como são queridos e que têm futuro na equipe, com isso o Knicks tem tudo pra dar certo - na série B do Brasileirão.

Bobby Simmons ($10.560.000)
Ele fedia, mas aí no último ano de contrato jogou bem pelo Clippers, e todos nós sabemos como é difícil jogar bem numa equipe tão amaldiçoada. Com isso, ganhou o prêmio de jogador que mais evoluiu na temporada e um contrato gordo com o Bucks, que descobriu que gordo era o próprio Simmons também. Nunca mais jogou porcaria nenhuma, teve atuações horrendas pelo Nets nos últimos anos, e ainda assim embolsa dez milhões de verdinhas pra enfiar nas orelhas. Podemos esperar muito do novato Terrence Williams nessa temporada, porque não há qualquer intenção de colocar o Simmons pra jogar sendo que ele está lá só para ir embora mesmo.

Jerome James ($6.600.000)
Mais um caso de jogador que produziu só no último ano de contrato, mas esse é mais ridículo porque o Jerome era uma droga e só produziu num par de jogos de playoffs, quando se saiu bem marcando o Duncan. Com isso, o ganhador do Prêmio Nobel da Física, senhor Isiah Thomas, ofereceu um contrato enorme para o pivô - que aparentemente gastou tudo em comida. Se apresentou ao time obeso, se contundiu em todas as pré-temporadas porque o único movimento seguro para ele é telefonar pro disk-pizza, e nunca entrou em quadra. Legal hoje em dia é reler o Isiah dizendo que o Jerome era o melhor pivô defensivo da NBA - e pensar que o Bulls, que trocou por ele só pra se livrar do contrato, vai ganhar uma grana pra investir ano que vem.

Mark Blount ($7.962.500)
Era pra ser o pivô do futuro do Celtics, tiveram paciência, investiram, treinaram, aceitaram, e até que ele começou a mostrar que talvez um dia desse certo. Mas aí surgiu o Kendrick Perkins e, antes que qualquer um pudesse imaginar do que o Perkins seria capaz, o Blount foi perdendo espaço até ser mandado para o Wolves, que acreditou que ele seria o pivô que complementaria Garnett. Não é que não tenha dado certo, é que deu tão errado que o Garnett até saiu da equipe depois pra jogar no Celtics - ou seja, o Blount foi uma das melhores coisas que aconteceram para o time de Boston, e tudo isso porque ele fede. Agora, é o Heat quem tem a bomba na mão apenas esperando o contrato acabar.

Jermaine O'Neal ($22.995.000)

O coitado do Jermaine já foi um dos alas de força mais legais da NBA, um dos mais talentosos e certamente o que tem mais cara de bebê. Era pra estar por aí dominando a liga como Duncan, Garnett e o resto da elite, mas os joelhos e a porcaria do Pacers não deixaram. O contrato dele é de estrela que carrega o time todo nas costas, e por um tempo foi até verdade, mas agora é uma vitória quando ele ao menos consegue entrar em quadra. Ainda é um bom jogador, quebra um baita de um galho, principalmente para o Heat que não tem um pivô desde que o Shaq debandou. Mas por 23 milhões o Jermaine teria que ser o melhor pivô do Universo e ainda descobrir a cura do câncer! Com o fim do contrato do Jermaine, do Quentinho e do Blount, o Heat pode reconstruir o time por completo - se o Wade sair, aí dá até pra pegar toda essa grana, desistir da NBA e comprar a Alinne Moraes.

Darko Milicic ($7.500.000)
Já escrevemos aqui que essa temporada é a última chance do Darko, se não der certo agora com o Knicks, jogando de frente pra cesta e na correria como ele sempre sonhou, então é melhor ele ir ver o filme do Pelé mesmo. Mas no fundo o Knicks nem se importa: se ele jogar bem e topar renovar por uma miséria, ótimo, tão no lucro; mas se ele jogar mal e não der certo, o salário do Darko soma-se com o do Hughes para garantir a vinda de um LeBron da vida.

Tracy McGrady ($23.239.561)
Como torcedor do Houston, sou o primeiro a dizer que o T-Mac chuta traseiros, domina partidas, é excelente mesmo quando decide armar o jogo e merece um salário de estrela. Mas ele nunca jogou uma temporada completa na vida dele, graças às lesões, e só participou de 35 partidas na temporada passada - e todas elas sentindo dores e tendo que se poupar. Nessa temporada o Houston está sem o Yao Ming, que também virou farofa, e precisa de alguém pra segurar as pontas. Que tal o McGrady? Nada feito: apesar de estar treinando pesado e prometer voltar com a melhor forma física da carreira, seu retorno só está previsto para o meio da temporada. Até lá o astro do time é o Trevor Ariza, que nessa pré-temporada não acertou nem o nome da mãe, enquanto o T-Mac leva 23 milhões pra casa. O Houston quase deu certo, mas não deu, é tipo o Sérgio Mallandro - parecia que ia engrenar e aí foi apresentar pegadinha e sumiu. Tá na hora de usar essa grana pra reconstruir e criar um time que, no mínimo, consiga ficar de pé pra entrar em quadra.

Brian Cardinal ($6.750.000)
Deixei meu favorito pro final. O Cardinal sempre foi um jogador qualquer, desses que está aí só para ser mandado em pacotões de troca de jogadores. Problemas pra conseguir um time, teve que ir jogar um pouco na Europa, mas aí teve uma temporada mais-ou-menos com o Warriors e um par de jogos realmente bons. Era o último ano de contrato e ele seguiu os passos do Jerome James e do Bobby Simmons, impressionando alguém só quando a água bate na bunda. Mas o Grizzlies foi burro o bastante para dar 7 milhões para um jogador que teve DOIS jogos bons - e que, pior ainda, é branco e careca! Essa contratação leva o famoso "selo Isiah Thomas de qualidade", mas pelo menos o contrato dele acaba esse ano e o Wolves economiza uma graninha pra dar pro Ricky Rubio quando ele deixar de frescura e quiser ser milionário na NBA.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Última chance

Darko se segura como pode, mas ainda fede


A pior coisa que poderia ter acontecido para o Darko Milicic era ter sido draftado pelo Detroit Pistons. O time já chutava traseiros, linha laços muito fortes entre os jogadores e não estava nem um pouco interessado em dar minutos para um pirralho bem cru que precisava amadurecer em quadra. Mofando no banco, Darko foi campeão com média de uns 5 minutos por partida - e isso porque só entrou num terço dos jogos. Não dá pra saber como teria sido se o Pistons tivesse draftado Carmelo Anthony, talvez por já ter chegado na NBA como um jogador mais preparado ele tivesse conquistado mais minutos em quadra, mas é bem possível que por não defender bulhufas ele acabasse mofando no banco. O problema é que o Darko precisava aprender a jogar, seu ataque sempre foi limitadíssimo, e sem minutos ele estava fadado a desaparecer do mundo do basquete.

Quando fugiu para o Magic, passou a ter mais minutos e mostrar uma produção consistente. Dava pra ver o potencial que explicava uma segunda escolha do draft, mas ainda tão cru que até se desenvolver o mundo já teria terminado com o colapso decorrente da morte do Silvio Santos. Mas como potencial é o que liga, o Grizzlies acreditou e contratou, só não decidiu o que ia fazer com o pobre Darko. Titular ou reserva? Atacar ou defender? Desenvolver ou mandar embora? Pra agora ou pro futuro? Pra comer aqui ou pra viagem? Sem saber o que fazer, o Darko escolheu aquilo que faz melhor: feder.

Assinado agora pelo Knicks, Darko tem um esquema que encaixa com seu estilo de jogo, fazendo com que ele corra, use seu físico e jogue de frente para a cesta. Tem um técnico louco que se finge de desesperado porque "alguém tem que defender no time", e que está disposto a bancar o Darko nessa função. Tem um time sem pretenções de coisa alguma mas que receberá a atenção de todo mundo. E a promessa de um lugar numa equipe que irá se transformar na temporada que vem, assinando grandes estrelas. Ou seja, a situação é a melhor possível para o Darko, o mais distante que ele já chegou daquele Detroit Pistons em que nem peidar ele podia. Ele ainda fede, a gente sabe, mas é a última chance que ele terá na NBA. Se der errado, o próximo time que assiná-lo é a mulher do padre.

Existe outro jogador exatamente nessa mesma situação no Knicks. Inicialmente acreditava-se ser uma lua pequena, presa pela gravidade da Terra, causando alguns eclipses solares. Depois, cogitou-se a possibilidade de ser apenas um meteoro, vagando lentamente pelo Universo e colidindo com a Terra sem muito estardalhaço. No entanto, conforme o tamanho do meteoro foi crescendo em nossa atmosfera, mais estudos mostraram-se necessários. Pesquisas recentes apontam que trata-se apenas de um jogador de basquete chamado Eddy Curry.

Daftado com uma quarta escolha, o Curry recebeu toda a paciência e apoio do Bulls. Era a época em que os fãs estavam enchendo o saco de saudade do Jordan, e o Bulls só empilhava pirralhos para tentar reconstruir uma equipe antes dos anos três mil. Os fãs não tinham paciência, mas o Curry foi se transformando num pivô respeitável, embora incapaz de levantar os braços para pegar um rebote. Quando acabou seu contrato, meio queimado com os torcedores, arrumou uma troca com o Knicks (vamos todos tirar um momento de nossas vidas para rir do que o Bulls recebeu naquela troca: Tim Thomas, o homem que não gosta de jogar basquete; Jermaine Jackson, o homem que foi demitido em seguida e tem o nome do irmão do Michael Jackson; e Michael Sweetney, o gordo que rolou sua vida pra fora da NBA).

Quando as coisas começaram a dar certo para o Curry, sua forma física foi pro saco. Apareceu para a pré-temporada gordo, lento e com dores nos joelhos. Com o D'Antoni assumindo a equipe, o único jeito do Curry jogar obeso assim seria se ele aprendesse a rolar muito rápido, ou se ele ficasse apenas no ataque, versão basquetebolística do Romário. Quando apareceu pelo segundo ano seguido fora de forma no ínicio de temporada, Curry foi parar no fim do banco de reservas e, sabe como é, gordo deprimido só fica ainda mais gordo. Na temporada passada, se não bastasse ele não ter minutos de jogo, sentir o joelho e estar obeso, ainda teve que lidar com o assassinato de sua ex-namorada e de seu filho, a perda de sua casa graças a dívidas (casa que havia sido assaltada um ano antes) e um processo por assédio sexual, aberto pelo seu motorista particular. Não é bolinho não, embora certamente o Curry tenha comido muitos bolinhos pra esquecer. Foi um ano lastimável para ele e o surpreendente seria que fosse capaz de jogar basquete com tanta coisa acontecendo na vida. Só de pensar já dá desânimo de viver num mundo tão deprimente.

Mas o Eddy Curry está de volta, perdeu vinte quilos e tem planos de perder mais dez até a temporada começar. Mesmo que ele não consiga um lugar no ataque velocidade-da-luz do D'antoni (o Curry é, no máximo, um Cavaleiro de Prata), se ele conseguir entrar um pouco que seja em quadra, com certa regularidade, já será o bastante para que ele tenha chances de ser trocado e comece de novo em outra equipe, novos ares, novas expectativas. Do jeito que está, a carreira do Curry acabou. Com uns minutinhos aqui, outros ali, ele pode ganhar a oportunidade de um recomeço. Darko e Curry são dois pivôs no Knicks, ou seja, posições meio ingratas para um técnico que prefere usar um anão de cuecas dentro do garrafão, mas os dois estão jogando pelas suas carreiras. Será uma temporada bacana de acompanhar.

Curiosamente, existe um outro pivô ligado ao Knicks que também tem em jogo suas últimas chances de ter uma carreira na NBA. Channing Frye foi draftado pelo Knicks com a oitava escolha e foi uma enorme surpresa. Mostrou ter um jogo muito refinado, com arremessos de média e longa distância e muita graça perto da cesta (graça de bailarina, não graça Ari Toledo, por favor). Foi titular um bom tempo e todo mundo considerava o jogador uma das grandes sacadas do Isiah Thomas, que draftou o moço e bancou sua presença em quadra ao lado do Eddy Curry. Funcionava bem, um jogava bem dentro do garrafão e o outro fora, eles se complementavam. Mas o mais interessante é como os dois se complementavam para formar a pior dupla de garrafão defensiva de todos os tempos, perdendo até para Nenê e Juwan Howard naquele finado Nuggets que tinha nosso brasileiro ainda novato - e ainda magro.

Mas o Frye teve uma ótima temporada e começou a ser alvo de propostas de troca. O Isiah Thomas deixou bem claro que o Frye era intocável, uma das estrelas jovens da equipe e em volta da qual o time seria construído. Nenhuma troca seria boa o bastante. Só que o Channing Frye se contundiu na primeira temporada e voltou lento e fora de forma para a segunda. Piorou em todos os quesitos, começou a mostrar que era apenas um novato assustado, e a torcida do Knicks caiu matando porque não tinha mais paciência com o burro do Isiah Thomas. A torcida queria jogadores de verdade, experientes, comprovados, não um novato que caía de produção de uma temporada para a outra. Foi assim que o Frye foi trocado pelo Zach Randolph, naquela famosa troca em que o Blazers melhorou muitíssimo ao perder seu maior cestinha. O Blazers é um time esperto, com planejamento, e não havia espaço para o Frye - o objetivo era só se livrar do Randolph, que é bom pra burro mas afunda qualquer equipe. A equipe é profunda demais e o Frye nunca teve chances por lá, relegado ao banco. De intocável, estrela do futuro, caiu para ser eleito o melhor décimo cara num banco de reservas de uma equipe que começa com "B" e acaba com "lazers" (famoso troféu, esse).

Até que o Suns sem Shaq resolveu apostar no garoto. Qualquer um que consiga trocar uma lâmpada serve, altura é o que pega. O único pivô da equipe é o Amar'e, que não é um pivô, então a gente sabe que o negócio tá feio. O Robin Lopez, que é tão secundário que seu nome é até Robin, pode conseguir uns minutinhos mas não apenas tem reserva tatuado na testa como também se contundiu e deve passar as próximas 6 semanas fora das quadras. O Channing Frye chega na equipe, então, não para ser um reserva com vários minutos. Ele chega para ser titular.

O técnico do Suns, Alvin Gentry, avisou que o Frye destruiu nos treinos, impressionou todo mundo e vai ser o pivô titular. Mas só no papel, porque o pivô de verdade vai ser o Amar'e Stoudemire, com o Frye jogando de ala. Segundo o Gentry, no boxscore vai aparecer o Amar'e de ala e o Frye de pivô só para o mala do Amar'e não reclamar o tempo inteiro de ter que ser pivô. Ou seja, o Stoudemire é um porre.

Assim como Darko e Curry, o Frye tem uma situação que pode salvar sua carreira. Seria triste que qualquer um dos três virasse farofa porque têm muito potencial e sabem jogar basquete, só precisam de um pouco de sorte (e de um pouco de regime, né, Curry?). Todos vamos acompanhar o Knicks de perto nessa temporada, em que está em jogo a chance da equipe de contratar LeBron James. Mas talvez o mais legal de ver seja o Suns e seu novo pivô titular, tentando provar que o Isiah Thomas não é um burro completo, apenas um tanto imbecil e incompetente. E burro, claro.