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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Jogo feio

K.O! You Lose!

A série entre Miami Heat e Boston Celtics tinha tudo para ser muito interessante, divertida, disputada e, já que estamos na internet, épica. Mas acima de tudo feia, no melhor dos sentidos. Quem acompanha NBA há algum tempo deve lembrar da final do Leste de 2004 quando o Detroit Pistons que viria a ser campeão com Chauncey Billups, Rip Hamilton, Tayshaun Prince, Rasheed e Ben Wallace enfrentou o Indiana Pacers de Jamaal Tinsley, Ron Artest, Jermaine O'Neal e Reggie Miller. Foi uma série vencida por 4 a 2 pelo Detroit e que teve placares do tipo 69-63 e 72-67, o máximo que um time marcou em um jogo foi 85 pontos, o Pistons do jogo 3. Esses jogos foram uma guerra, com muita porrada, contato físico, defesa forte em todas as posições e em que os times tinham que batalhar por todo santo ponto; as cestas poderiam ser comemoradas como gol no futebol de tão difíceis de conseguir. Os 26 tocos (19 do Pistons, 7 do Pacers) no jogo 5, se não me engano, ainda são o recorde de um jogo de playoff na história da liga. O mais famoso deles é chamado simplesmente de "The Block", vocês devem conhecer:



O jogo 5 teve 25 tocos (13 a 12 para o Pistons) e inúmeros roubos de bola, defesas exemplares. Foi o momento que eu admiti  pela primeira vez que um jogo com poucos pontos e muitos erros poderia ser tão ou mais bonito que uma partida corrida que acaba 130 a 128. E é exatamente isso que eu esperava da série entre Heat e Celtics: partidas feias que vão dar gosto de assistir pela qualidade defensiva das duas equipes e para ver como esses talentos individuais vão quebrar as defesas. Alguém decepcionado com isso até agora? Por características individuais dos jogadores os jogos não têm muitos tocos como a série que eu citei, mas eu nunca vi uma série onde cada rebote fosse tão disputado. Não dou mais dois jogos pra alguém sair sangrando.

O curioso é que esse jogo pegado e feio acontece na série de playoff mais estrelada da história. São 6 jogadores em cada lado que já passaram por um All-Star Game, Mike Bibby, Jamaal Magloire (eu sei, eu sei...), LeBron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e Zydrunas Ilgauskas pelo Heat e Rajon Rondo, Ray Allen, Paul Pierce, Kevin Garnett, Shaquille O'Neal e Jermaine O'Neal pelo Celtics. Somando todo mundo dão 80 aparições em All-Star Games!

Um dos motivos que fizeram o Boston Celtics trocar o Kendrick Perkins, dizem, foi que o Leste não tinha equipes com pivôs bons o bastante para necessitar da defesa do Perk, a exceção era o Dwight Howard, que já está de férias. Se isso é mesmo verdade, foi um erro primário e nada digno de um General Manager que montou essa equipe fantástica que foi o Celtics nos últimos anos. Defender o garrafão não é só marcar pivôs ou alas de força, envolve muito mais do que isso e é nesse aspecto que o Celtics está sofrendo nesses dois primeiros jogos da série. Na temporada regular eles venceram o Heat porque fizeram um paredão na frente do garrafão (quando Perkins estava machucado era com Shaquille O'Neal) e simplesmente impediram qualquer tipo de infiltração. O Heat então tentava vencer os jogos com arremessos forçados de três pontos e arremessos longos e forçados de LeBron James e Dwyane Wade, a parte mais fraca do jogo de ambos.

Mas se a troca trouxe Jeff Green, uma boa alternativa para defender LeBron, deixou frágil a área pintada. Com Perkins fora e Shaq machucado sobram para defender o garrafão o decadente Jermaine O'Neal e a dupla Kevin Garnett e Glen Davis, que até defende bem outros pivôs, mas não é ameaça de toco para armadores que decidem invadir o garrafão. Do Nenad Krstic eu nem comento, nem uma criança medrosa de cueca borrada teria medo de fazer uma bandeja em cima do careca. As infiltrações eram tudo o que o Miami Heat queria para parecer um time imbatível, toda vez que o bicho pega eles podem fazer um pick-and-roll ou uma isolação simples e mandar LeBron James ou Dwyane Wade para uma bandeja ou lances livres. Nos dois primeiros jogos o Heat tem 70% de aproveitamento em arremessos tentados embaixo da cesta, contra 48% do Celtics.

Quando bate o desespero no Celtics e todo mundo tenta compensar as falhas de marcação, sobra alguém livre para chutar de longe. É a vez das não-estrelas James Jones e Mike Bibby brilharem, um alívio para o Heat já que ambos tiveram muitos altos e baixos durante toda a temporada e não se sabia como se comportariam nos playoffs. O Bibby, alías, é uma espécie de Derek Fisher de Miami, virando outro jogador com o começo da pós-temporada. O trio de estrelas vai dar uns 70% dos arremessos, isso é claro, mas é importante que o resto do time seja eficiente nos outros 30% para desafogar; embora sejam piores do que antes, o Celtics ainda é uma defesa bem forte.

Outro fator importante nesses dois jogos, especialmente no primeiro, são os turnovers. O Miami Heat até tem errado mais que o Boston Celtics, mas os verdinhos não conseguem transformar os erros em pontos, enquanto o Heat cria contra-ataques monstruosos que resultam em pontos fáceis, enterradas ou jogadas humilhantes:



A transição defensiva do Celtics sempre foi muito boa, assim como sua defesa de pick-and-roll e a proteção do aro. Porém, tudo isso está falhando na hora que não devia. Méritos do Heat, que até agora parece mais motivado (sangue nos óio, mano!), concentrado e com um plano de jogo certeiro. O estranho é ver o LeBron James focado e comemorando de um lado com o Paul Pierce perdendo a cabeça do outro, não era pra ser diferente? Parece que aquele jogo 5 entre Cavs e Celtics no ano passado foi na verdade há uma década. Muita água pra rolar, mas eu acho que é hora do Celtics passar o bastão para o novo Big 3 do Leste.


.....




Na outra semi-final do Leste, um assunto que não queremos abordar. Depois que o Atlanta Hawks venceu o jogo 1 contra o Chicago Bulls o Danilo pediu que eu escrevesse sobre o time, ele estava cansado de falar mal dos caras e eles irem lá provar o contrário. Eu topei porque sou bróder, amigão, mas na verdade queria fugir dessa também e o motivo é bem simples: eu não sei como eles estão ganhando.

Contra o Orlando Magic até que deu para usar de desculpa o aproveitamento bisonho nas bolas de três do adversário, mas e nesse jogo contra o Bulls? O Hawks não tinha Kirk Hinrich, machucado, para marcar Derrick Rose, tinha tudo para ser um desastre. Além disso três titulares, Al Horford, Josh Smith e Marvin Williams, nem chegaram aos 10 pontos marcados. E eles só forçaram o Bulls a 10 turnovers. Como diabos eles venceram esse bendito jogo?

Bom, eu posso chutar como, só não sei a chance de isso acontecer de novo: o Joe Johnson fez uma das melhores partidas da sua vida com 34 pontos em 18 arremessos e teve ajuda dos 22 pontos de Jamal Crawford. Aliás, o JJ fez 51 pontos somando todos os 4 jogos contra o Magic na semi-final do Leste do ano passado, já passou com sobras da metade disso em um só jogo dessa vez, está fazendo os 120 milhões investidos valerem alguma coisa. Os dois jogarem bem é normal, jogarem tão bem, ao mesmo tempo e contra uma das melhores defesas da liga é que foi impressionante. Ajudou também os 15 pontos em 6-9 arremessos que o trio de reservas Damien Wilkins, Zaza Pachulia e Jason Collins e isso, temos que admitir, é mais raro que passagem do cometa Halley! Ainda mais se você lembrar que os pontos do Jason Collins vieram até em jogada de isolação, uma aberração sem tamanho.

Detalhe, a melhor jogada do Jason Collins no jogo 1 foi essa aqui. Fatality:



Vale ressaltar o bom trabalho do Jeff Teague no ataque, sem medo de atacar e ser atacado pelo Derrick Rose, mas acho que o grande segredo foi ter conseguido defender o Bulls sem faltas. O Rose, eleito ontem o MVP da temporada, não cobrou nenhum lance livre no jogo, Carlos Boozer cobrou apenas dois, o mesmo número de todo o banco de reservas da equipe somado. Na temporada regular o Bulls foi o 11º time com mais lances livres tentados por jogo, 24, no jogo 1 foram apenas 16 e eles nem foram cobrados pelos seus principais jogadores. Para se ter uma idéia o último colocado na temporada foi o Warriors com 20 por jogo.

Convenceu? Eu não me convenci. Nem sei como eles conseguiram parar o ataque do Bulls sem fazer faltas! Sei que mais uma ou duas vitórias impressionantes assim e eu vou ficar sem explicações mesmo para esse time. Se não falarmos mais sobre o Hawks a partir de agora é porque estamos envergonhados e não sabemos o que dizer, ele é nosso elefante no meio da sala que vamos ignorar na cara dura até que ele desapareça.

PS. Ah, só para quem não viu, ontem nos questionaram sobre o Hawks no formspring e a resposta que eu dei na hora até merece ser compartilhada aqui, talvez convença alguém:

Pergunta: Tem coisas que não da pra explicar simplesmente o destino quis e pronto. Te dando uma idéia de post sobre porque o Hawks ganhou do Bulls

Denis: Uma vez eu vi um documentário bem legal sobre o infinito. Nele alguns matemáticos dizem que se o infinito realmente existe, existem infinitas planetas, universos, civilizações e que em algum lugar do infinito existem partículas se combinando de uma maneira idêntica ao do nosso planeta aqui. E que a coisa mais improvável que podemos imaginar está acontecendo nesse exato segundo em algum lugar, já que o infinito engloba todas as possibilidades. Então só calhamos de estar no bizarro universo onde o Atlanta Hawks ganha do Chicago Bulls. É a minha melhor explicação.

Colou?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Atlanta Hawks

 Joe Johnson acabou de checar a conta bancária!

Objetivo máximo: Se manter como um dos 4 melhores times do Leste
Não seria estranho: Perder espaço para Bulls e Bucks
Desastre: Virar um time que vai para os playoffs no sufoco e está estagnado no contrato zilionário do Joe Johnson

Forças: Quinteto inicial é bom e está bem entrosado
Fraquezas: O time é bom, nunca espetacular

Elenco:








......
Nesse preview do Hawks vou fazer de maneira invertida. Falo primeiro do time e depois do técnico.

No ano passado eu brinquei dizendo que o Hawks era o novo Spurs. Por mais que eu tenha feito um post inteiro explicando o porque, muita gente não entendeu e ficou achando que eu achava que eles iam ganhar títulos, dominar a NBA e ter um argentino narigudo. Não é assim, o Hawks era o novo Spurs porque eles montaram um time aos poucos, sem gastar toneladas de dinheiro com contratações que impressionam a torcida e ano após ano foram construindo um time sólido, que tem um esquema de jogo que se repete sempre sem empolgar e que vence com regularidade. O Hawks do ano passado era o time perfeito para se apostar com segurança: vencia facilmente os times mais fracos, perdia para os favoritos ao título, era um pouco melhor em casa do que fora. Quase nunca uma surpresa ou zebra, não é tipo o Lakers que ganha do Celtics e depois perde pro Bobcats.

O grande desafio do Hawks no ano passado era, portanto, ver se conseguia sair dessa situação intermediária para começar a incomodar os grandes. Mas nos playoffs passou só em 7 jogos pelo Bucks (sem Andrew Bogut!) e depois foi varrido por 4 a 0 pelo Orlando Magic em uma das séries de playoff mais fáceis da história da NBA. Dentre as séries melhor-de-7 foi a com maior média de diferença de pontos entre o vencedor e o perdedor, uma humilhação sem tamanho.

Aquela derrota serviu pra ver que se o Hawks quer ser mais do que é, alguma coisa precisava mudar. Mas durante a offseason não mudou muita coisa. Conseguiram o Jordan Crawford (o cara da enterrada no LeBron, lembra?) e só. Eles foram notícia só porque ofereceram um contrato gigantrosco para o Joe Johnson, 120 milhões por 6 anos, fazendo dele um dos jogadores mais bem pagos da NBA. Na próxima temporada ele ganhará 16 milhões de dólares, o 16º mais bem pago, mas daqui a 6 anos irá ganhar 24 milhões, o que ganha hoje Kobe Bryant, o maior salário da liga.

A situação do Hawks era bem complicada. O Knicks, o Heat, o Bulls e outros times com espaço salarial vazio estavam babando em cima do JJ, oferecendo como iscas caras como D-Wade, Amar'e e Derrick Rose. Para conseguir vencer essa tentação de jogar ao lado de estrelas em times de maior visibilidade o Hawks achou que era melhor investir pesado na grana e vencer pelo bolso. Deu certo, JJ ficou. Sem ele o Atlanta ainda não teria espaço na folha salarial (usou uma das exceções para poder gastar tanto com um jogador que já era deles) e seria um time horrível. Escolheram então ser um time que gasta muito dinheiro e não vai ter chance de melhorar nunca do que serem um dos piores da Leste. Difícil achar que dar um salário de Kobe para Joe Johnson seja bom negócio, mas na cabeça deles era melhor negócio ser um time médio que vai para os playoffs todo ano do que afundar no fundo do Leste. Se eles perdem JJ por nada imaginem como Josh Smith, Al Horford e Jamal Crawford não estariam implorando para pular desse barco também. Sem contar da grana extra que eles ganham com ingressos e vendas de camisas tendo o JJ do lado deles.

Fazer essa mal negócio, portanto, foi a saída para não afundar. Mas ao mesmo tempo estagnou o time onde estava no ano passado. O elenco é o mesmo, as qualidades as mesmas e os defeitos também. A esperança de avançar está na mudança de técnico. O Mike Woodson, o homem sem sobrancelhas, foi demitido depois de melhorar o recorde do time ano após ano e deu lugar a um dos seus assistentes, Larry Drew.

.....
Técnico: Larry Drew

O novo técnico do Águia de Marabá Atlanta é mais um da extensa lista de assistentes técnicos que estão assumindo times nos últimos anos. Ele tem 27 temporadas de NBA combinadas entre jogador e assistente. Jogou no Kings, Pistons, Lakers e Clippers de 1980 até 1990 e depois foi assistente técnico no Lakers, Wizards, Nets, Pistons e por fim no Hawks, sob o comando de Woodson.

O Hawks estava bastante seduzido pela idéia de contratar Avery Johnson e chegou a entrevistar o técnico, mas depois que ele decidiu ir para o Nets acabaram por escolher o Drew. O que eles alegaram foi que o time precisava de alguma mudança, mas ao mesmo tempo não fazia sentido uma reestruturação total, afinal o time está longe de ser um desastre, acabaram em terceiro no Leste na temporada regular passada. O Larry Drew já conhece os jogadores, tem intimidade com eles, todos gostam do cara e ao mesmo tempo ele vai introduzir idéias novas. Quais são elas a gente ainda não sabe, mas rezamos que ele esqueça o "Fresh Prince of Bel-Air Offense" isolando o Joe Johnson como se ele fosse o LeBron James no Cavs. Já era idiota fazer isso com um cara bom como o LeBron, imagina fazer com um jogador sem os mesmos recursos!

O curioso é que se você analisar só os números verá que o Hawks teve o segundo melhor ataque da temporada passada se contarmos pontos por posse de bola. Ficaram atrás apenas do Suns! O problema não estava no geral, mas sim quando as defesas apertavam ou no final dos jogos, quando eles fugiam do que estava dando certo para jogar o jogo da isolação. O time também começou a ficar previsível e se você contar só o os últimos 2 meses de temporada e principalmente o dos playoffs verá uma queda vertiginosa do aproveitamento de ataque da equipe. A defesa, 13ª melhor, também poderia ser um pouco melhor. Eles não tinham idéia de como parar a movimentação rápida de bola do Magic naquela varrida.

O trabalho do Larry Drew será dar mais variação e mobilidade ao lento ataque do Hawks para que esses bons números aconteçam durante toda a temporada e principalmente contra os times de defesa mais pressionada. Depois dos primeiros jogos da pré-temporada alguns jogadores disseram estar bastante empolgados com o novo esquema tático, que está mais divertido de jogar. O Mike Bibby em especial parece que melhorou bastante e vai se dar melhor nesse ataque menos paradão.

Talvez seja o chacoalhão de que eles precisavam depois de serem destruídos pelo Magic, mas é difícil prever qualquer coisa além de uma repetição da temporada passada. O Hawks é bom, mas chegou no seu limite.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

NBA Cares no Brasil




O NBA Cares é um programa criado pela NBA que visa a cuidar de questões sociais usando o basquete e a imagem da liga e de seus jogadores. O programa foi criado em 2005 e, segundo o site do programa, desde então já foram doados pela liga e pelos jogadores mais de 140 milhões de dólares (cerca de um Joe Johnson + um Darko Milicic) e 1.1 milhões de horas de trabalho comunitário.

Claro que o David Stern criou esse programa não só para ajudar quem precisa, mas para também melhorar a imagem da NBA ao redor do mundo. Não creio que seja coincidência que o NBA Cares tenha nascido uma temporada depois da desastrosa briga entre jogadores e torcedores do Pacers e do Pistons no Palace of Auburn Hills em 2004. Mas beleza, o Stern e a NBA não precisam ser santos, desviando um pouco dos seus zilhões de dólares para a caridade já tá bom.

Estou falando desse programa porque depois de rodar os EUA, de ir para a África e para a Ásia, ele chega pela primeira vez ao Brasil nesse fim de semana. O evento irá acontecer nesse sábado, dia 24/07, na Vila Olímpica da Mangueira no Rio de Janeiro. Será uma clínica ministrada pelo Nenê e pelo Anderson Varejão para 80 crianças da comunidade e aberto para o público assistir (e mendigar umas fotos e autógrafos depois, claro!).

Eu e o Danilo, como bons paulistanos sem verba, não vamos poder ir, mas o Bruno, nosso contato na Adidas, vai estar lá para tirar umas fotos, fazer uns vídeos e iremos postar aqui depois. Quem for carioca da gema e quiser ir lá e nos mandar fotos depois, postaremos com prazer.

Essa, que eu saiba, é a primeira ação oficial da NBA no Brasil. E pelo que nos contaram, é a primeira de várias. A liga está planejando outras ações por aqui (um jogo de pré-temporada seria o ápice, mas ainda meio distante) e assim que soubermos delas avisaremos aqui no blog.

Tem uns vídeos do NBA Cares no YouTube. O primeiro é uma compilação de momentos meigos com música tocante de fundo, vale pra sacar o espírito das ações do programa.


O segundo é sobre o evento anual que o Charlotte Bobcats organiza com deficientes físicos e mentais. Para quem não lembra, cobrimos as Paraolimpíadas de 2008  por sermos fãs do basquete sobre rodas.


Mas o meu favorito é a clínica de Yoga organizada pelo LeBron James! YOGA. LeBron James! E não é que o puto ainda parece manjar da coisa? Odeio quem é melhor que eu em tudo. Esse vídeo não pode ser postado no blog, mas dá pra ver aqui.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Começou!



Belo movimento, JJ, aqui estão 120 milhões de dólares


Lembra quando anos e anos atrás a gente falava "Quando o LeBron for um Free Agent..." ou nos últimos meses quando toda troca tinha como objetivo "abrir espaço salarial para assinar grandes nomes em 2010"? Pois é, depois de tanto falar no futuro, virou presente.

Hoje, dia 1º de julho de 2010, começa a temporada de Free Agents mais esperada da história da NBA. Sem brincadeiras ou exageros, nunca se falou tanto sobre um período de contratações como esse. Não à toa, claro. Entre Free Agents restritos (aqueles que depois de receber uma proposta, podem ter ela igualada pelo seu antigo time) e irrestritos (os que são praieiros, guerreiros, solteiros e podem curtir com quem quiser), são MUITOS (em Caps Lock mesmo) os jogadores que podem mudar a cara das franquias com grana sobrando. Querem nomes?

Raymond Felton, Carlos Boozer, Amar'e Stoudemire, Ray Allen, Paul Pierce, Dirk Nowitzki, LeBron James, Chris Bosh, Dwyane Wade, John Salmons, Derek Fisher, Brandan Haywood, Richard Jefferson, David Lee, Tyrus Thomas, Chris Duhon Luke Ridnour, Matt Barnes, Randy Foye, Ryan Gomes, JJ Reddick, Brad Miller e, ufa, a estrela da classe de 2010 de Free Agents: Brian Scalabrine.

Vamos tomar muito cuidado nessa cobertura para não perder nosso tempo e sua paciência comentando boatos. A todo momento surgem pessoas lá na gringolândia que tem certeza absoluta que o LeBron vai para Chicago. Um minuto depois com certeza que ele vai para o Heat junto com Wade e Bosh. Comentar tudo isso seria muita idiotice. Embora eventualmente a gente possa brincar de "já pensou se...", o nosso foco vai ser comentar e analisar o que já temos de concreto.

E embora faça menos de um dia que o período de Free Agency começou, já temos coisas para comentar!

A primeira notícia, na verdade, aconteceu no primeiro minuto do dia, quando os times tinham autorização oficial da NBA para começar as negociações. Sem perder tempo o Atlanta Hawks quebrou todos os seus porquinhos, juntou as moedas, se prostituiu e ofereceu um contrato máximo para o Joe Johnson continuar na equipe. São 120 milhões de dólares por 6 anos de contrato. Alguns sites dizem que o contrato é um pouco menor e de 5 anos, mas, de qualquer forma, grana pra cacete em um contrato para além do fim do mundo.

O Joe Johnson ainda não respondeu à proposta e nada indica que ele tenha pressa em fazer isso, já que outros times (Knicks, Celtics, Nets, Clippers, Mavs) estão interessados no jogador. O legal do Hawks oferecer esse contrato monstruoso para o Joe Johnson é que agora é nossa hora de julgar os valores do atleta, e me sinto muito poderoso e superior nessa situação!

Na última temporada o Hawks manteve o bom time que foi à 2ª rodada dos playoffs em 2009, apenas adicionando o melhor reserva da temporada, Jamal Crawford. Assim a temporada regular do time melhorou, mas nos playoffs aconteceu a mesma coisa: varrida na 2ª rodada. E foi a varrida mais feia da história dos playoffs, a com maior média de diferença de pontos do vencedor sobre o perdedor, uma surra. Nessa série decisiva o Joe Johnson foi anulado por Matt Barnes e Mickael Pietrus e acabou com média ridícula de 12 pontos por jogo.

Ou seja, se o Hawks continuar com o Joe Johnson por essa grana toda, provavelmente (para não dizer com certeza absoluta) o time vai ser exatamente o mesmo do ano passado. Mesmo com o Celtics ainda mais velho e talvez sem Ray Allen e o Cavs possivelmente sem LeBron, alguém arrisca dizer que com o mesmo elenco o Hawks vai mais longe? Esse time tem alguma chance de título de conferência? Eu adoro esse time do Hawks e vários de seus jogadores, mas não apostaria 10 centavos nisso. Para JJ, aceitar esse contrato pode ser um sinal de amor e lealdade ao time de Atlanta, mas também um certo conformismo em aceitar ser rico, reconhecido e nunca ter chance de ir longe na pós-temporada. E já disse rico?

Se ele negar, no entanto, vai mostrar aquela sede de vencer que todo veterano cansado de ver os amiguinhos ganharem anéis sentem. Depois de anos sendo o líder do Hawks, o mais perto que JJ já chegou de uma final foi quando era coadjuvante do Suns em 2005. Deve bater uma saudade de jogar ao lado de Nash, Amar'e e jogar partidas emocionantes de final de conferência. Em entrevistas no último mês o próprio jogador até disse não se incomodar em deixar de ser a estrela de um time desde que essa equipe seja boa e vitoriosa.

Para o Hawks eu acho que eles não tinham muita saída. Pelo Joe Johnson ser um jogador deles, têm o direito de oferecer um novo salário gigante como esse mesmo com o time acima do teto salarial, mas caso eles não consigam, o time continua acima do limite e sem espaço para assinar qualquer outro jogador. A situação era bem simples, ou ofereciam um contrato gordo e sedutor para o JJ, ou ficavam sem nada e ninguém, não tem plano B. Entre ser um time mediano no Leste ou despencar e voltar a ser o saco de pancadas que era antes do Johnson chegar, preferiram a primeira opção.

Daqui alguns anos é bem capaz que eles se arrependam, que dê vontade de reconstruir tudo e trocar o salário monstro do JJ, mas é muito mais lucrativo ter um bom time que vai para os playoffs, mesmo que perca por lá, do que ter um saco de pancadas. Isso é comum na NBA, já vimos vários times oferecerem contratos gigantes para jogadores que todo mundo sabia que não merecia só pelo medo de ficar de mãos abanando. A conta bancária do Michael Redd tá aí pra provar isso.

Outro time que já entrou em ação no primeiro dia de contratações foi o Timberwolves. O General Manager David Kahn honrou mais uma vez a sua marca registrada de conseguir vários jogadores da mesma posição no mesmo dia. No ano passado foi aquela enxurrada de armadores no draft, nas escolhas desse ano foram alas e na Free Agency já são 2 pivôs em pouco mais de 12 horas. Parabéns, Kahn!

O primeiro é Nikola Pekovic, escolhido pelo Wolves no draft de 2008 e que estava jogando (muito bem) no Panathinaikos da Grécia. Acho muito difícil prever como esses pivôs europeus vão render na NBA (é uma velocidade de jogo diferente, garrafão diferente, adversários diferentes, arbitragem, etc, etc.) mas hoje acordei otimista. Acho que foi uma contratação boa e barata para um time que estava atrás de pivôs para liberar o Al Jefferson para sua posição natural de ala de força.

O outro pivô já estava no time e havia sido motivo de muitos elogios do próprio Al Jefferson justamente por tê-lo deixado sair do pivô. Darko Milicic, a antológica segunda escolha do draft de 2003 e uma das maiores piadas da última década, continua na NBA. Recebeu um contrato de 20 milhões de dólares divididos em 4 anos para ficar no Wolves. Na última temporada o Darko chegou no Wolves no meio do campeonato e não fez feio. Está longe de dominar jogos e é capaz de zerar alguns jogos no ataque, mas é um defensor acima da média. Apesar de tanta gente odiá-lo pela expectativa em cima dele quando chegou na liga, tem obviamente talento o bastante para ser útil na NBA.

Com um garrafão de Pekovic, Darko, Al Jefferson e Kevin Love, o Wolves está reforçado na área pintada, fica só em aberto a questão do entrosamento e da distribuição dos minutos. Love nunca se entendeu dentro de quadra com Jefferson e parece ser bom demais para ser um mero reserva com 20 minutos por jogo. A que tudo indica, muita coisa ainda deve mudar no Wolves. Eles agendaram duas visitas com Free Agents nessa semana, Rudy Gay e David Lee. Os dois são de posições que o time já tem muitos jogadores, então a possibilidade de trocas estarem nos planos é grande. Vamos aguardar qual vai ser o próximo movimento (provavelmente uma cagada envolvendo muitos jogadores da mesma posição) de David Kahn.

Para terminar, o terceiro time que já se mexeu no primeiro dia de Free Agency foi o Milwuakee Bucks, sem dúvida o time mais ativo das últimas semanas. Já trocaram para ter Corey Maggette e Chris Douglas-Roberts na última semana, draftaram uns jogadores com bom potencial para fazer parte da rotação e hoje assinaram um contrato de 32 milhões de dólares (por 5 anos) com o Drew Gooden. E ainda há notícias (ou boatos, depende do seu nível de ceticismo) de que as negociações para uma renovação com o John Salmons estão bem encaminhadas. Nada de confirmado, no entanto.

Eu gostei da contratação. O Drew Gooden nunca foi genial na sua carreira, mas nunca comprometeu os times por onde passou, só ajudou. É contratado para acertar arremessos de média distância, pegar rebotes e eventualmente até cobre um pivô por alguns minutos. Sua carreira só não deslanchou nunca porque ele é mais trocado que o Quentin Richardson e esposas do Fábio Jr juntos. O coitado já passou por 9 times em 8 anos de NBA: Grizzlies, Magic, Cavs, Mavs, Clippers, Spurs, Wizards, Bulls e Kings.

É um jogador bom e até bem completo, falta apenas defender um pouco melhor. Mas se o técnico Scott Skiles fez o Bogut virar um dos líderes da NBA em tocos e o Ridnour defender, pode fazer outro milagre com Gooden.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Os meus reservas

- oi eu sou um allstar....rs

Na última quinta-feira à noite finalmente foram divulgados os reservas para o All-Star Game. E se ontem pitacamos (existe o verbo pitacar, do latim, pitacus?) sobre as escolhas para o jogo dos novatos, hoje é dia de comentar os escolhidos para o principal evento do fim de semana, o jogo das estrelas no domingo à noite.

Os escolhidos oficiais foram:
Leste: Derrick Rose (Bulls), Rajon Rondo (Celtics), Paul Pierce (Celtics), Joe Johnson (Hawks), Gerald Wallace (Bobcats), Chris Bosh (Raptors) e Al Horford (Hawks)

Oeste: Chris Paul (Hornets), Deron Williams (Jazz), Brandon Roy (Blazers), Kevin Durant (Thunder), Dirk Nowitzki (Mavericks), Zach Randolph (Grizzlies) e Pau Gasol (Lakers)

A coisa mais difícil na hora de escolher os reservas é que cada um usa um critério diferente. Tem gente que acha que não se deve escolher jogador de time que está perdendo, outros acham que deve-se votar em quem dá show, outros que deve-se levar em consideração também a história do jogador e não só essa primeira metade da temporada. Se com critérios iguais já teríamos horas e horas de discussões, imagina quando não se concorda nem no que levar em consideração antes dos votos!

Pra mim a coisa é bem simples. Os titulares premiam o gosto (duvidoso) dos torcedores. Cada um vota em quem dá na telha, com os seus critérios, e eles vão lá jogar. Até por isso o Iverson, mesmo não sendo nem o terceiro melhor jogador do seu time, deveria ir jogar sem pedir desculpa pra ninguém. O público quer ver ele jogar, gastou tempo da sua vida indo lá votar pra ele ir, então que ele jogue e pronto.

Já os reservas são votos dos técnicos e aqui me coloco no lugar deles pra escolher os meus. Meus critérios são os seguintes: sendo um evento que acontece uma vez por temporada, deve premiar os melhores da temporada, ignorando a história que cada um tem dentro da NBA. A vaga no jogo das estrelas é um prêmio individual que premia a atuação de um jogador, não do seu time, para isso já existe aquela coisa chamada "playoff", então não acho certo tirar caras como o Brook Lopez ou o Monta Ellis da discussão só porque seus times fedem bem fedido. Considero, porém, o resultado do time, o fato do cara jogar bonito e até a história do jogador critérios justos de desempate, quando você fica preso entre dois jogadores e uma vaga.

Sendo assim e lembrando que deve-se escolher dois armadores, dois alas, um pivô e dois jogadores de qualquer posição, esses são meus votos:

Leste
Armadores: Rajon Rondo e Joe Johnson
Deixa eu aproveitar esse espaço pra babar ovo no Rondo. Ele é o melhor armador do Leste, o cara que está carregando o Celtics nas costas até agora na temporada, tem meu voto para entrar no time de defesa da NBA, é o melhor armador em rebotes desde os tempos áureos do Jason Kidd e vai ser um dos grandes armadores da próxima década. Ele também é bonito, sarado e cheira melhor do que pizza.

Pelo Joe Johnson eu não estou tão apaixonado assim, mas discreto como sempre, tem sido um dos melhores jogadores do Leste. Ele sempre joga mal no All-Star Game mas a vaga é dele, nem precisa pensar duas vezes.

Alas: Gerald Wallace e Chris Bosh
O Gerald Wallace está jogando demais nessa temporada, não fosse aquele número 23 do Cavs que eu esqueci o nome ele poderia até ser titular. Com seu jeito insano de pular com tudo a 100 por hora para um toco quando o seu time já está vencendo por 20, ele é o cara ideal para jogar para o Larry Brown e, assim como o Rondo, tem o meu voto para a seleção de defesa da temporada. Também será legal vê-lo pelas suas enterradas e pelo fator histórico, ele é o único Bobcat remanescente da primeira temporada da equipe e ontem se tornou o primeiro All-Star da história da franquia.

O Chris Bosh deveria estar no time titular ao invés do Garnett, que perdeu grande parte da temporada machucado. Mas tudo bem, fica na reserva mesmo. Ele tem seus defeitos, não acho que ele nunca vai ser tão bom quanto o KG era em seus melhores dias, mas isso não faz dele um jogador ruim, longe disso. Com aquela velocidade toda ele é um dos alas de força mais difíceis de parar no 1-contra-1.

Pivô: David Lee
Aqui é um voto difícil. Brook Lopez e Andrew Bogut são pivôs muito bons e até mereciam votos, mas eu acho que os dois são ainda muito irregulares, o que me faz pensar duas vezes. E aí tem o David Lee, que tem na regularidade seu maior trunfo nos últimos 3 anos, além de sempre melhorar alguns aspectos do seu jogo. O Lee não é um pivô nato mas joga assim no Knicks e joga bem mesmo quando enfrenta caras muito mais fortes do que ele. Entre Lopez, Bogut e Lee, apenas uma certeza absoluta: não votaria no Al Horford.

Os outros 2: Josh Smith e Derrick Rose
O Josh Smith foi uma escolha fácil. Amadureceu seu jogo em relação às temporadas passadas e hoje consegue ser um bom defensor, atlético, mestre em tocos e sem estragar tudo forçando arremessos de longa distância no ataque. Assumiu seu papel na equipe e tem sido bastante regular, escolha fácil. Quero ver como o Al Horford vai ter coragem de olhar pra cara do J-Smoove depois dessa inversão de valores no Hawks, se o time tem dois all-stars eles são Joe Johnson e Josh Smith. Só.

Os técnicos escolheram o Paul Pierce, eu quase escolhi o Andre Iguodala mas acho que a melhor escolha é mesmo o Derrick Rose. Tanto ele quando Iggy já tiveram momentos bons e outros nem tanto na temporada mas o bom momento do Rose impressionou mais. Aos poucos ele tem achado a medida certa entre armar para os outros jogadores da equipe e saber quando ele mesmo deve chamar o jogo para marcar seus pontos.



Oeste
Armadores: Chris Paul e Deron Williams
Precisa realmente explicar a escolha do Chris Paul? Já não basta ele estar mantendo os números e a qualidade das duas últimas temporadas, quando ele foi candidato sério ao prêmio de MVP? Pra completar ele ainda finalmente conseguiu colocar o Hornets na zona de playoff mesmo com o resto do time sendo um lixo e a diretoria tentando trocar todo mundo por escolhas de draft de 2020 para economizar uns trocados. Votar no Chris Paul para o All-Star é tão óbvio quanto votar na Alinne Moraes para as 100+ da VIP.

Dá pra acreditar que o Chris Paul vai para o seu terceiro All-Star e o Deron Williams ainda não tinha ido pra nenhum? Muito esquisito, mas erro corrigido. Deron foi o único ponto positivo do Jazz durante um grande período de tempo em que o Jazz era um time apático e lento, e agora que eles resolveram acordar e estão jogando o melhor basquete do Oeste ao lado do Nuggets ele continua sendo o melhor da equipe. Em uma entrevista divulgada hoje pela revista Dime, o novato Jonny Flynn elegeu o Deron Williams como o armador mais difícil de se marcar na NBA. "Ele é muito alto, é forte, dribla e sabe arremessar de longe". Bem-vindo à NBA, Jonny.

Alas: Kevin Durant e Dirk Nowitzki
Pra falar a verdade esses foram os meus votos no site para os titulares. Se meus votos tivessem feito a diferença eu estaria aqui votando em Duncan e Carmelo como reservas, então tá tudo certo.

O Durant tá jogando tão bem, mas tão bem, que ele foi a escolha de All-Star mais mal colocada na tabela que eu já vi nos últimos anos. Os técnicos levam bem a sério essa história de chamar caras de times vencedores e mesmo assim escolheram o Durant com o seu Oklahoma City Thunder em 11º no Oeste. Claro que deve ter ajudado o fato do Oeste ser tão difícil que o Thunder, apesar da colocação, está com 53% de aproveitamento, mas mesmo assim é uma baita conquista do KD. E bastante merecida. Ele tá jogando muito, fazendo muitos pontos e ainda é um pirralho, o puto nasceu em 88!

O Nowitzki é o Nowitzki. Sempre bom, sempre fazendo muitos pontos, sempre abusando de qualquer marcador, alto ou baixo, que tente marcá-lo, e sempre acertando aqueles arremessos impossíveis. Só precisa tomar cuidado para o arco do seu arremesso não bater no telão do estádio do Dallas Cowboys onde será feito o All-Star Game.

Pivô: Chris Kaman
A NBA sacaneou todos os pivôs do Oeste nessa temporada. Antes de começar a temporada todo mundo queria saber quem ia herdar a vaga deixada por Shaq e Yao, cogitou-se Al Jefferson, Chris Kaman e Andrew Bynum. Aí vão lá e colocam o ala Amar'e Stoudemire na lista de votos como pivô e ele ganha fácil. Aí na hora dos técnicos votarem eles liberam o Pau Gasol, que é ala de força no Lakers, para ser votado como pivô. Ganhou também.

Entre Gasol e Kaman eu acho o espanhol muito mais jogador, mas o fato é que nessa temporada ele não tem jogado nessa posição. O David Lee não é um pivô nato mas pelo menos joga por lá, o Gasol poderia jogar, mas não joga. Pela sacanagem e pelo talento incrível do Kaman, meu voto é nele.

Os outros 2: Zach Randolph e Tyreke Evans
Fiquei numa dúvida cruel entre Pau Gasol e Zach Randolph, é difícil apontar qualquer defeito na temporada dos dois, mas acho que o gordinho merece mais. Se na qualidade ficou difícil de escolher, tinha que apelar para outros motivos. O Gasol já jogou outros jogos das estrelas, já é campeão e vai disputar outro título nesse ano, é um cara consagrado. O Randolph conseguiu finalmente sair, com méritos, da sua fama de gordo preguiçoso, de talento desperdiçado, para ser o principal motivo do Grizzlies estar indo para os playoffs. Quem diria que o Grizzlies poderia estar na frente de Suns, Hornets, Rockets e Thunder?

Randolph é o líder da NBA em rebotes ofensivos e joga com uma vontade e determinação que eu nunca tinha visto antes nele. Outro dia o Grizzlies venceu um jogo apertado porque o Randolph defendeu bem, depois pegou um rebote ofensivo na raça e deu um passe picado lindo para o Rudy Gay. Defesa, vontade e toque de bola em menos de 2 minutos, esse é o novo Zach Randolph com seus Monstars Reverso. Merece muito uma vaga!

Por fim minha última escolha é o novato Tyreke Evans. Não seria nenhum crime ou injustiça tirar ele e no lugar colocar Brandon Roy, Monta Ellis ou Chauncey Billups, mas são poucas vagas pra muito jogador bom e de todos quem tem feito a melhor temporada é o novato. Quer dizer, será que ele é um novato mesmo? O cara sabe perfeitamente quando deve chamar o jogo pra ele, quando deve passar para os companheiros, ele é um líder dentro de quadra e todo mundo o respeita, ele sabe infiltrar, arremessar de meia distância e de longe, nunca se afoba, joga bem na posição 1 com o Kevin Martin do lado (esse tem jogado mal!) ou na posição 2 com o Beno Udrih armando. Acerta arremessos em momentos decisivos dos jogos e o Paul Westphal, técnico do Kings, disse que acha seu pupilo desde já um dos melhores marcadores de perímetro da NBA.

Como é possível um moleque fazer tudo isso nos seus primeiros meses de NBA? Deve ser gato! Tem alguma maracutaia que a gente ainda não percebeu! Ele é o time sub-20 com 30 anos de Gana.

Um exemplo claro de novato é o Jonny Flynn. Talentoso pra caramba mas tem dias que faz 20 e outros que faz 5 pontos. Parece às vezes muito confiante e depois bastante inseguro. Confessou na entrevista que eu citei antes para a Dime que ficou meio nervoso quando viu pela primeira vez seu ídolo Allen Iverson e contou em outra ocasião que quando enfrentava o Lakers tentou dar um passe picado e o Artest roubou a bola só esticando a mão. Flynn saiu rindo da jogada e disse depois para seus companheiros que nunca na vida dele imaginou que alguém seria capaz de alcançar aquela bola, muito menos de agarrar ela e sair com a redonda dominada. Esse é o tipo de aprendizado básico de um novato que o Tyreke Evans parece ter pulado como se fosse aquela baba de primeira fase do Super Mario do SNES.

Esses foram os meus votos, se o Danilo tiver um tempo aparece por aqui colocando as escolhas dele. Pitaquem (o verbo tem que existir!) na caixa de comentários!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O novo Spurs

Josh Smith aprova este texto


Quando eu comecei esse blog pra falar de NBA com o Danilo, nunca pensei que um dia iria escrever isso, mas vai lá: o Atlanta Hawks é melhor que o San Antonio Spurs. Pronto, falei! Mudamos para o mundo bizarro da NBA e ninguém percebeu porque estávamos muito ocupados dizendo #comofas no Twitter.

Não queria admitir, ia esperar mais tempo pra dizer, mas não resisti a falar a verdade. Hoje o Spurs é ainda um time forte, cheio de talentos, mas que não mete medo em ninguém e está recheado de defeitos óbvios. O ataque é lento nas trocas de passes e acabam forçando jogadas individuais no fim da posse de bola, a defesa não chega nem perto da fortaleza que já foi e as contusões insistem em encher o saco. Não temos nem um mês completo de temporada e tanto Duncan quanto Ginobili e Parker já perderam jogos por lesão.

Não sou doido de dizer que eles não tem chance de título nesse ano. Qualquer time com um bom elenco, histórico vencedor e um bom técnico não pode ser deixado de fora depois de menos de um mês de temporada, mas se caírem na primeira rodada dos playoffs de novo eu vou achar bem normal.

Enquanto isso, o Atlanta Hawks é um time sólido, regular, de boa defesa e agora até com banco de reservas. Até banco de reservas! Vocês tem noção que em 12 jogos o Hawks venceu 10 e no meio disso tem duas vitórias sobre o Blazers, uma sobre o Nuggets e até uma sobre o Celtics em Boston? Bizarramente uma das duas derrotas deles foi para o Bobcats, a outra foi para o Lakers.
O time foi o Clippers do Leste por tanto tempo e agora eles tem banco de reserva. E eu achando que ver o São Caetano na final da Libertadores tinha sido a maior aberração esportiva da década.

A história desse time do Hawks é rara nos dias de hoje. Eles montaram essa equipe na base de Free Agency, draft e muita, muita paciência. Josh Smith, Al Horford e Marvin Williams vieram em draft. Mike Bibby e Jamal Crawford foram trocas, o Bibby foi para Atlanta numa troca com o Kings e o Crawford numa troca com Warriors. O Joe Johnson foi para lá quando virou free agent.

Não são poucos os times que sabem escolher jogadores bons no draft mas não tem saco para montar o time em volta deles. Ou então não montam um ambiente animador para o pivete, que na primeira chance parte para um contrato milionário com outra equipe. Mas o Hawks não, foi visionário ao ver que o Joe Johnson poderia sim liderar uma equipe. Decidir quem é o franchise player não é fácil para esses times menores, eles costumam pegar o melhor jogador que têm, pagar uma nota e não vêem que muitas vezes o cara é só bom, não espetacular. Só ver o Bucks com o Michael Redd, Warriors com o Monta Ellis ou o Kings com o Kevin Martin.
O Joe Johnson, ao contrário desses todos que citei, acabou se tornando um líder dentro do elenco, evoluiu para se tornar mais que só um arremessador e hoje é daqueles caras que pode ganhar um ou outro jogo sozinho, como já fez até nos playoffs.

Esse processo todo foi lento. O JJ não chegou do Suns já sendo uma estrela, ele não evoluiu mais rápido que Pokémon como o LeBron James. E nessa lentidão quem o acompanhou foi o Josh Smith, que de aberração física se tornou bom defensor, bom reboteiro e, mais importante, um jogador inteligente. Em entrevista recente à revista Dime, ele disse que não está mais chutando de 3 nessa temporada porque não é a área dele. Como não estava com bom aproveitamento, resolveu se focar no que é de verdade, um ala de força. Também disse que não liga em não ser o principal jogador do time, que apenas quer vencer e ajudar. Um cara com o ego do tamanho do mundo exigiria uma troca para ser uma estrela, afinal potencial pra isso o Josh Smith tem, mas ele foi esperto o bastante para sacar que pelo menos hoje em dia ele não é tão bom assim e que ganha mais ficando no Hawks. Ganha mais experiência, mais (e melhor) visibilidade, mais jogos.
Nessa temporada até o Al Horford está melhorando. Depois de ser ótimo como novato, ele desanimou todo mundo na temporada passada quando parecia ter estagnado. Foi só comodismo de segunda temporada, porque nessa temporada ele já está fazendo muitos pontos, com ótimo aproveitamento de arremessos (até porque quase nunca força o que não sabe) e até tocos está dando. Nada mal para um cara que nitidamente é improvisado como pivô.

Do Bibby acho que até comentamos algumas vezes na temporada passada. Não é o mesmo jogador que fazia muito estrago na época do Kings mas chegou para livrar o Joe Johnson de ter que bater o escanteio e ir cabecear (inventei essa agora!). O Bibby arma o jogo, dificilmente faz alguma asneira e ainda sabe arremessar de três, coisa que foi bem problemática para o Hawks por anos a fio.

A cereja no bolo foi a adição do Jamal Crawford. O banco do Hawks já tinha o esforçado (eufemismo para “ele compensa a falta de talento com vontade”) Maurice Evans e a piada pronta Zaza Pachulia para dar um gás na equipe, cobrir buraco. Mas não tinha alguém que chegasse pra mudar a cara de um jogo amarrado ou para simplesmente marcar pontos quando o Joe Johnson não estivesse na quadra.

O Jamal Crawford pode ter dificuldade para fazer mil coisas: para passar a bola, para ser bonito, para ter relações amorosas estáveis, para fechar Goldeneye 007 no nível "00 Agent", para chamar a amiguinha da sala pra ir no cinema e tudo mais, mas não tem dificuldade em marcar pontos. Deus chamou ele antes dele vir pra Terra e disse “Você vai à terra para marcar pontos em uma atividade humana chamada basquete. Sim, sua vida é patética”.

Jamal topou o desafio e veio aqui fazer a vontade divina. O cara marca muito ponto, dribla fácil (Top 5 em dribles mais devastadores da NBA) e faz isso todo jogo. Por fazer só isso e nada além disso, no Bulls, no Knicks e no Warriors era visto mais como um câncer fominha do que como um bom jogador. Mas na verdade ele só estava na função errada. Colocar o Jamal Crawford para liderar o seu time é pedir para o Eddie House pensar antes de arremessar, nunca vai dar certo!
No Hawks a função dele é jogar poucos minutos, ser fominha, arrasar com os reservas adversários. Ele é a principal razão para que o Hawks seja o time que mais evoluiu em pontos por jogo em relação à temporada passada. Em 2008-09 eram 97 pontos por jogo, agoram são 107.

Os titulares então fazem tudo aquilo que estamos vendo há uns 3 anos pelo menos. Movimentação de bola bem lenta no jogo de meia quadra, jumpers de meia distância e infiltrações do JJ e do Josh Smith. Na defesa, agressividade e contra-ataque rápido, essa sim a melhor arma ofensiva deles. Se você viu o Hawks só naquela série contra o Boston Celtics dois anos atrás você sabe do que estou falando. Não mudaram em nada, a diferença é que agora não tem tantos altos e baixos entre um jogo e outro.

Paciência, evolução da meninada, um jogador principal calmo e técnico e um doido agressivo como sexto homem. O Hawks não é só melhor que o Spurs, é o Spurs do Leste.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Retrô

Quentin Richardson mostra onde foi parar
sua carreira depois que saiu do Suns



Desde que o Suns trocou Shawn Marion por Shaquille O'Neal, criou-se um vortex espaço-temporal que engoliu a carreira de todos os envolvidos. Marion descobriu que não rende tão bem longe do Nash (ou, pra não sermos tão pentelhos, em times que não joguem na correria) e acabou de ir parar no seu terceiro time desde então, Shaq prometeu um título no Suns que não chegou nem perto de ser possível e agora já foi despachado pro Cavs, o Heat fede um bocado e tem sérias chances de não conseguir manter Dwyane Wade temporada que vem, e o Suns parece ter mergulhado de cabeça num processo de reconstrução.

Ao menos, essa era a impressão que tínhamos ao olhar para a equipe de Phoenix. Shaq trocado, Ben Wallace aposentado, dinheiro sendo economizado, boatos do Amar'e indo pro Warriors, declarações de amor para o armador Goran Dragic como futuro da equipe, e apostas em Leandrinho e Robin Lopez, que são fedelhos com potencial. Esse ano o Suns não vendeu suas escolhas de draft como sempre faz, ficou com dois novatos, e assinou o Channing Frye, pirralho que já foi intocável no Knicks mas que foi saindo de moda por não ter uma posição definida em quadra. É um elenco novo, jovem, cheirando a talco, em um time com coragem de não ficar para sempre no mais-ou-menos e disposto a começar do zero e feder por uns tempos.

Mas aí surge a notícia de que o Steve Nash assinou uma extensão contratual de dois anos por mais de 10 milhões por ano. O Nash já ganha 13 milhões de doletas, mas seu contrato acabaria na próxima temporada, permitindo ao Suns brincar de contratar uma das grandes estrelas que estarão disponíveis na maior leva de Free Agents do último milênio. Mas não, optaram por manter o canadense enfiando dinheiro em suas orelhas. Que diabos de processo de reconstrução é esse que mantém os mesmos jogadores com salários similares? Algum engravatado em Phoenix pipocou, amarelou, deu pra trás e todas essas gírias que eram tão comumente usadas com o time do São Paulo. Não teve coragem de desmanchar o time e tentar um troço novo, achou melhor renovar com o Nash mesmo por uma grana preta e sabendo que o armador não está mais no seu auge e nem nas mãos do técnico que fez sua carreira, Mike D'Antoni. O time também renovou com Grant Hill, que já está com 37 anos de idade, provavelmente pra poder ficar conversando sobre a série "Armação Ilimitada" com o Nash, que vai fazer 36. Vai ser a primeira vez que um time em reconstrução vai ter uma noite de bingo e um clube de tricô.

Talvez manter o mesmo núcleo por mais uns anos seja uma tentativa de amenizar o processo de renovação do time, treinando a pirralhada por baixo dos panos sem que ninguém perceba enquanto os veteranos tentam segurar as pontas e garantir uma oitava vaga nos playoffs. Se for o caso, seria uma decisão um tanto medrosa mas compreensível. No entanto, não acho que seja isso A renovação do contrato de Nash vem acompanhada por discursos sobre como o Suns vai voltar a jogar na correria, com relatos alegando que o armador canadense só topou continuar no Suns quando garantiram que a equipe jogaria em velocidade. O Nash é esperto e sabe o que lhe convém, num time lento sua carreira estaria acabada, ele precisa garantir que suas melhores qualidades estejam sendo utilizadas na melhor situação possível para que possa ser relevante na liga. Mas para o Suns, parece apenas a decisão de um saudosista, um arrependimento tolo por ter desfeito aquele time veloz com a troca do Shaq. Oras, aquele time era rápido, divertido, interessante e cheiroso, mas não ia ganhar nem campeonato de gamão. Se arrepender de ter destruído aquele time deve ser medo de morrer e ser julgado pelo Deus do Basquete Bonito, porque fora isso aquele time tinha mais é que tentar coisas novas e recomeçar mesmo. Não tem nada pior do que saudosismo fora de hora, como podemos perceber facilmente com essa moda horrível de retrô anos 80. Pior que isso, só quando estiver na moda o retrô anos 90 (e o Spurs de Duncan aposentado tendo nostalgia de montar uma retranca). Se aquele Suns não funcionou, não adianta insistir na mesma fórmula mas agora com peças estranhas de reposição. Ao invés de chances reais, o que esse Suns está conseguindo é atrasar o processo de reconstrução que dava bons sinais com o sangue novo que chegou ao elenco.

Aliás, outro membro daquele Suns de ouro também está sendo assunto hoje, no que parece mesmo uma moda retrô. Quentin Richardson, conhecido como "o homem que atira primeiro e pergunta depois", acaba de ser trocado pela terceira vez desde que a temporada terminou. Passeando pelo Grizzlies, Clippers e agora o Wolves, o Quentin Richardson está fazendo uma turnê nacional pelos piores times da liga. Boatos indicam que em breve ele deverá ser trocado para o Kings, só pra conhecer todo tipo de fedor.

O que acontece é que, por jogar ao lado de Steve Nash no papel bem específico de arremessador de três pontos, Quentin Richardson pareceu um jogador de verdade e conseguiu um contrato gigantesco oferecido por um babaca que não percebeu a lorota (no caso, quem assinou o cheque foi o Isiah Thomas, profissional gabaritado da arte de pagar contratos gigantes para jogadores que só parecem bons de longe, no escuro, e na neblina). Engraçado é que o Joe Johnson, que tinha a mesma função do Quentin e também conseguiu um contrato monstro com ajuda do Nash, acabou dando realmente muito certo - provavelmente só porque não foi o Isiah quem o contratou.

Agora, depois do conto do vigário, o contrato de quase 10 milhões do Quentin Richardson vai se encerrar e todos os times querem a chance de liberar teto salarial para brincar de tentar contratar LeBron, Wade, Bosh, Nowitzki ou Boozer em 2010. Passando de mão em mão, ele já foi trocado pelo Darko, depois pelo Randolph, e agora foi para o Wolves em troca de Sebastian Telfair, Craig Smith e Mark Madsen. Para o Wolves, isso simplesmente significa que eles realmente acreditam que vão manter seus dois armadores escolhidos no draft, Jonny Flynn e Ricky Rubio, apesar de toda a polêmica de que o Rubio deve permanecer na Europa. Se livrando do Telfair, que fez um trabalho decente em toda sua estadia com a equipe, o Wolves fica sem armador reserva a não ser que os dois novatos realmente topem jogar juntos. Espero sinceramente que alguém no Wolves saiba o que está fazendo (pouco provável, convenhamos) e que isso signifique que o Rubio vai mesmo pra NBA, depois de tantos dirigentes irem até a Espanha para tentar convencê-lo e negociar exaustivamente a recisão contratual. Tanto trabalho assim, crianças, só pra pedir a mão da Alinne Moraes, e olhe lá, que nem ela pode ficar regulando mixaria.

Para o Clippers, a troca volta a deixar o garrafão forte e povoado demais. Como pivôs, Chris Kaman, Marcus Camby e DeAndre Jordan, que arrasou na Summer League que terminou agora. Na ala de força, o novato e primeira escolha do draft Blake Griffin, que também chutou traseiros na Summer League, e agora Craig Smith, que sempre foi o clone que o Wolves tinha do Jason Maxiell, algo de que todo time precisa. Telfair chega para fazer dupla com o ex-novato Mike Taylor na armação reserva, mas como o titular é o Baron Davis - que se machuca até tirando meleca do nariz e ainda por cima está no Clippers, que é amaldiçoado por natureza - o time precisa ter dois reservas sempre dispostos a jogar muitos minutos. Esse circo que o Clippers está montando desde a temporada passada, esse Frankenstein basquetebolístico com partes aleatórias que não se encaixam, parece cada vez mais atraente. Não dá pra botar fé, até porque "fé" e "Clippers" não podem estar juntos na mesma frase, mas com a saída do Randolph o time parece mais sexy, charmoso, e agora tem até um banco de reservas. Vale ficar de olho: pode não ser o melhor elenco do mundo, mas pelo menos eles não estão se enganando e tentando voltar no tempo, como um certo time de Phoenix por aí. É como diz o filósofo, tem horas em que é preciso saber feder para poder sair da merda. Se o Pistons parece não curtir muito a ideia, o Suns parece aceitar ainda menos. Ao menos talvez eles façam uns 140 pontos por jogo e nos entretenham um pouco quando a NBA estiver chata, o Baron Davis e o Camby tiverem se contundido, e o Clippers estiver tendo que usar torcedores sorteados pra tapar buraco no time titular.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Insatisfeitos

Don Nelson explica pro Jamal Crawford como abrir a porta de saída


Primeiro foi a troca que mandou Richard Jefferson para o Spurs. Depois, Randy Foye e Mike Miller foram para o Wizards em troca de mais uma escolha de draft para o Wolves. Agora é a vez de mais uma troca inesperada, dessa vez com a participação do Warriors, o time mais insatisfeito da NBA.

Sob o comando do técnico biruta Don Nelson, o Warriors parece uma madame entediada com um cartão de crédito nas mãos. A contratação de jogadores é aleatória, as escolhas de draft nunca fazem sentido, e o time está sempre arrependido do elenco que consegue montar. Na temporada passada, ao perder seu armador principal Baron Davis para o Clippers, o Warriors se vingou contratando Corey Maggette, apesar de terem uma coleção de jogadores que jogam mais ou menos nessa mesma posição. Sem um único armador puro capaz de organizar o jogo depois que o Don Nelson decidiu não usar o Marcus Williams, que veio de uma troca com o Nets, o Warriors mandou Al Harrington para o Knicks em troca do Jamal Crawford, que não é nem nunca foi um armador nato.

A situação no Warriors durante a temporada passada parecia alguém que não sabe jogar NBA Live. No papel de armador principal, só estiveram jogadores improvisados: Monta Ellis quando voltou de contusão, CJ Watson, Jamal Crawford e, no começo da temporada, Stephen Jackson, que jogou até de ala de força lá dentro do garrafão mas teve que brincar de armar quando o negócio apertou.

De segundo armador, além de todos os jogadores acima, jogaram também o Azubuike, Corey Maggette, o italiano mantido como refém Marco Belinelli, e também o Anthony Morrow, que ninguém nunca tinha ouvido falar até começar um jogo como titular e fazer 37 pontos arremessando como um maluco. Vale destacar que todos esses sete jogadores foram titulares ao menos alguma vez na temporada jogando em uma das duas posições de armação.

Nunca um time teve tantas opções de armadores sem, no entanto, ter um único jogador capaz de chamar jogadas, controlar o ritmo do jogo e envolver seus companheiros. Todos eles são pontuadores, arremessadores ou alas, nenhum deles tem experiência na função de armar o jogo, e o Don Nelson nunca conseguiu ficar contente com nenhum deles. Na verdade, ele nunca fica contente com ninguém em nenhuma posição e seus experimentos malucos fariam o Macaco Louco corar de vergonha, sentando pivôs, afundando jogadores importantes no banco e colocando novatos em situações absurdas.

O Jamal Crawford é um excelente pontuador e sabe chamar para si a responsabilidade de uma partida, mas tende a colocar a bola debaixo do braço e ignorar todo o resto do planeta. No esquema "corra pela sua vida" que o Don Nelson implementa, Crawford nunca teve qualquer desculpa para tentar se controlar apesar dos protestos de seu técnico. Na verdade, com o Warriors fedendo e ninguém assistindo, rapidinho o Jamal Crawford não viu motivo algum para deixar de se preocupar apenas com suas estatísticas numa evidente esperança de ser trocado. O próprio Don Nelson não fez mistério de que adoraria se livrar do armador (que, por alguns dias, foi anunciado como a solução para a franquia) e agora finalmente conseguiu. Mulheres com cartão de crédito são volúveis.

Foi assim que o Warriors acabou de mandar Jamal Crawford para o Hawks em troca de dois armadores puros: Acie Law e Speedy Claxton. O único problema é que esses dois também seriam a solução para o Hawks há anos e nunca fizeram absolutamente nada. O Claxton teve uns playoffs sensacionais com o Spurs no que parece agora uns 90 anos atrás e chegou no Hawks como o armador veloz de que eles tanto precisavam. Uma contusão atrás da outra acabou com sua carreira e ele nunca mais deu sinais de vida nem pra sua esposa, que acha que ele foi comprar cigarros e nunca mais voltou. Já o Acie Law foi draftado para ser o armador do futuro da franquia, mas nunca conseguiu apresentar nada em quadra. Nas poucas oportunidades que teve, deixou bem claro que era melhor o Joe Johnson jogar de armador improvisado mesmo. A troca que trouxe Mike Bibby foi a gota final para o Law, sinal de que já não se esperava mais nada dele e que ninguém teria paciência com o garoto. A troca, então, livra o Hawks de duas promessas que não deram certo e traz um pontuador nato ao time. Como Crawford se sairá ao lado de Joe Johnson, sendo que os dois exigem muito a bola no ataque, isso teremos que ver. Mas a princípio, ainda que o Joe Johnson tenha que continuar jogando de armador improvisado, eles parecem formar a dupla de armação mais poderosa ofensivamente da NBA e será um porre para qualquer equipe arrumar dois jogadores de defesa no perímetro ou decidir quem receberá a marcação dupla. Do jeito que está, com o Joe Johnson recebendo marcações triplas em finais de partida, não tinha mesmo como continuar.

Para o Warriors, os dois armadores trazem ao menos a possibilidade de colocar alguém em quadra que tenha experiência em armar o jogo, mas não vou perder meu tempo analisando se uma troca do Warriors vai dar certo. É claro que o Don Nelson não vai gostar de nenhum deles, vai afundá-los no banco, e a brincadeira foi apenas para se livrar do Crawford descontente antes que ele se pegasse com o vovôzinho do Nelson no vestiário. Com a sétima escolha no draft dessa quinta-feira, pode apostar que o Warriors pega inclusive mais um armador - cada um tem o fetiche que merece. Mas talvez, com a quantidade enorme de armadores puros nesse draft, o Don Nelson encontre alguém que mereça ficar em quadra e, assim, não estrague a carreira de mais um novato (Belinelli, Brandan Wright e Anthony Randolph mandaram lembranças).

Vale lembrar que o draft acontece nessa quinta-feira e vamos acompanhar ao vivo aqui no chat do Bola Presa. Também estamos com um novo visual no blog para comemorar o draft (é nossa noite de Natal!), então aperte o "atualizar" aí até o dedo cansar e, enquanto isso, aproveite para participar da nossa promoção especial do Draft 2009 e ganhar uma bola muito da batuta.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Aiô Silver!

Longe da maldição do Thunder, o Durant ganha tudo


Terminou agora a competição de "Horse" do fim de semana das estrelas. Mas não é aquele "horse" que a Monica Mattos curte (favor só clicar no link se você tiver mais de 18 anos, estômago forte, e sem a sua mãe ou namorada por perto, faz favor), trata-se de uma competição em que um jogador faz uma jogada e desafia o adversário a fazer igual. Vale qualquer coisa bizarra, como arremessar de costas, com a mão esquerda ou sentado no chão. Se um jogador acerta e o desafiado não é capaz de repetir o feito, ganha uma das letras da palavra "horse" e quem completa a palavra está eliminado. O sistema é quase o mesmo da nossa famosa "forca", brincadeira típica de aulas entediantes de física em que aquele que erra ganha uma parte do corpo desenhada e quem tiver o corpo completo perde.

A brincadeira é típica das quadras de rua nos Estados Unidos e já tinha sido experimentada no All-Star da Liga de Desenvolvimento da NBA na temporada passada, a gente até postou sobre isso na época. É incrível como os coitados da chamada D-League servem de cobaia, foram eles que testaram a fracassada bola sintética que a NBA depois recusou, e eles experimentaram o "Horse" antes. "E se a gente colocasse umas minas terrestres na quadra e o jogador que pisasse nelas durante o jogo explodisse pelos ares, não seria legal? Vamos testar na D-League." Profissãozinha vagabunda essa.

Agora promovida para a NBA, a competição foi até que bacaninha, com destaque para o "até". Participaram Kevin Durant, o novato OJ Mayo, e o Joe Johnson, que é All-Star e parece vovô perto dos outros dois. No começo, todo mundo começou errando tudo, mas deu pra colecionar pelo menos uma boa fita de melhores momentos: OJ Mayo acertando uma bola do meio da torcida, Joe Johnson acertando de costas e o Durant de fora da quadra. Mas faltou criatividade e, quando tentaram algumas coisas inovadoras, simplesmente não acertaram. No fim, ganhou o Durant que simplesmente ficou arremessando da linha de três pontos, acertando tudo, e esperando os outros errarem. Virou uma estranha competição de 3 pontos, mas ao ar livre, com vento, um solzinho na cabeça e nenhum glamour. Mas serviu pra mostrar que o Durant não sabe brincar, qualquer oportunidade de vitória (como o jogo dos novatos, por exemplo) ele agarra com unhas e dentes - alguém cansou de perder pelo time-outrora-conhecido-como-Sonics, não é mesmo? Os melhores momentos em breve poderão ser conferidos na área de vídeos do NBA.com, que está cheia de coisas legais como o Shaq e o Kobe falando sobre jogarem juntos novamente, e o Billups e o Shaq (sempre ele) fazendo uma competição de lances livres vendados.

O Durant ganhou, a brincadeira deu certo, mas o único jeito dessa competição ser realmente divertida é chamar o novato do Wolves, Kevin Love. Estou indignado que ele não tenha sido chamado para participar, é uma afronta. Será que os engravatados que escolheram os jogadores não sabem usar o YouTube? Eles precisam dar uma olhada no Kevin Love treinando nos seus tempos de universidade na UCLA:



Tem também as mesmas cenas de um outro ângulo, uma ponte-aérea que ele manda para o Beasley do outro lado da quadra, e um polêmico vídeo em que ele acerta uma série de arremessos bizarros mas que muita gente diz que é montagem (eu concordo, o apresentador desse vídeo tem que ser uma montagem, ninguém seria tão chato assim na vida real). Definitivamente o Kevin Love jamais seria derrotado no "Horse", até porque seus companheiros de basquete universitário dizem que ele acertava essas coisas o tempo inteiro durante os treinos. O Wolves precisa saber disso, quando eles precisarem de uma bola de segurança, é só passar para o Love no garrafão defensivo que ele arremessa e converte do outro lado da quadra.

Só é uma pena que no "Horse" não vale enterradas, senão o Kevin Love poderia quebrar a tabela outra vez como nos seus tempos de colegial e ninguém poderia imitar. Aliás, inimitável mesmo é a reação dele à tabela quebrada: ficou ali parado, olhando, sem se mexer. Se fosse eu, no mínimo teria vibrado!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Freguesia que incomoda

"E daí que meu nome é Zaza?"

É com uns dias de atraso, mas não dá pra não falar do jogaço entre Boston Celtics e Atlanta Hawks que a ESPN transmitiu na quarta-feira.

Como eu disse na nossa coluna na primeira edição da revista Lance Livre, são poucas as rivalidades de verdade na NBA, aquelas como Corinthians e Palmeiras, Flamengo e Fluminense, Grêmio e Inter, que duram décadas e não mudam só porque um time está em alta e o outro em baixa.

Falam muito de Lakers e Celtics mas dúvido que alguém lembre de um bom Lakers e Celtics entre 95 e 2000, por exemplo. Ninguém dava importância, eles não jogavam na rodada de Natal, os jogos não passavam na TV e então, pra mim, não é uma rivalidade verdadeira. No basquete americano só há rivalidades assim no basquete universitário, não no profissional.

Logo, a NBA vive de realidades momentâneas, que duram algumas temporadas. Nos últimos anos tivemos Lakers e Kings, Pistons e Pacers, depois Suns e Spurs, Lakers e Suns, Cavs e Wizards e por aí vai. Mas com muitas dessas rivalidades já frias hoje em dia, podemos destacar outras, em especial Lakers e Celtics, que além da rivalidade tem alto nível técnico. Mas a verdade é que nenhum jogo da final teve um clima dentro da quadra tão forte como qualquer Hawks e Celtics.

Sei que parece ridículo, e é, mas a verdade é que nenhum time parece incomodar mais o Celtics do que o Atlanta. Contra o Lakers e Cavs nos playoffs os jogos foram difíceis, com emoções à flor da pele e no sufoco, mas contra o Hawks o Celtics parecia estar se sentindo ofendido por estar tomando sufoco de uma equipe que sempre foi um lixo.

O Hawks é aquele moleque mais novo e folgado que ficava tentando te dar rolinho nas peladas. Você é bem melhor que ele, mas ele é baixinho, rápido e fica te dando dribles na frente das meninas e isso irrita mais do que enfrentar os moleques mais velhos, os Lakers e Cavs, que te dão mais trabalho mas você resepeita.

E é engraçado ver como essa rivalidade nasceu. Porque foi somente baseada em coisas completamente improváveis.

1- O Atlanta conseguiu se classificar para os playoffs mesmo com 37 vitórias na temporada passada
2- O Atlanta conseguiu jogar bem em casa e vencer 3 jogos!
3- O Boston conseguiu jogar mal em todos os jogos fora de casa.
4- O Garnett conseguiu ter uma rivalidade com o Zaza Pachulia

Para quem não lembra, o Pachulia encarou de frente o Garnett no jogo 4:


E o Garnett devolveu no jogo 7:




Somando tudo isso que não deveria acontecer, nasceu um clima de playoff que durou até os jogos da temporada regular. Até o momento foram dois jogos e os dois emocionantes. No primeiro, em Boston, o Celtics venceu com uma cesta do Paul Pierce no último segundo. E no jogo dessa quarta-feira, o Atlanta deveria ter levado o jogo para a prorrogação se o Joe Johnson não tivesse amarelado na linha do lance livre nos segundos finais.

O único problema dessa rivalidade é que ela se parece muito com algumas das rivalidades que eu citei acima, como Suns e Spurs: ela só tem um vencedor. O jogo é bom, as disputas são emocionantes mas será que o Atlanta consegue vencer uma série de 7 jogos contra o Boston sem ter mando de quadra? Existem argumentos para dizer que sim, dizendo que o Hawks já chegou perto disso, mas quantas vezes o Suns não chegou perto de bater o Spurs e não bateu? Quantas vezes o Kings quase venceu o Lakers mas não venceu? É mais uma rivalidade fadada aos bons jogos, à emoção pura, mas ao mesmo resultado.

O Atlanta é um bom time, já fiz um post no começo da temporada dizendo como eles melhoraram e como os playoffs do ano passado, nas palavras dos próprios jogadores, fizeram eles terem confiança de que podem vencer qualquer um. Mas mesmo assim o time tem algumas limitações.

No ataque eles têm o pecado de não ter um bom jogador de garrafão que saiba jogar de costas para a cesta. O Al Horford é um dos melhores reboteiros da NBA mas seu jogo ofensivo se limita a arremessos curtos e aos rebotes ofensivos que ele arranja. O Josh Smith, que deu a enterrada mais legal do ano no Kendrick Perkins, é um jogador de explosão e de velocidade, ele marca seus pontos em infiltrações, quando está em movimento, mais ou menos como o Shawn Marion, e não em jogadas de costas pra cesta.

Então quando o Atlanta se vê diante de uma marcação forte e no ataque de meia quadra, eles não sabem direito o que fazer. Aí dependem de um corta-luz para o Bibby arremessar, de uma isolação para o Joe Johnson (que não pode ser feita durante todo o jogo!) ou dos momentos de inspiração do vaga-lume Marvin Williams. Falta para o time alguém que infiltre mais, é importante para eles que o Joe Johnson não confie tanto só no seu arremesso e bata para dentro, porque é isso que cria a movimentação e os espaços para o Horford e o Josh Smith marcarem seus pontos.

Eles conseguem ser um time tão forte porque a defesa deles está um absurdo de boa. O Boston, que é especialista em arrumar marcação dupla para deixar alguém livre de três, não conseguiu um arremesso livre sequer durante todo o jogo. E aí quando o Hawks consegue o roubo, toco ou rebote, eles saem em transição, e uma transição com um armador no meio, Josh Smith correndo de um lado e Marvin Williams de outro, a coisa fica bem mais fácil.

Em compensação, no final do jogo o Boston, que estava penando para se manter na partida, teve o que o Hawks não teve: alguém no garrafão capaz de marcar pontos. Porque não dá pra sobreviver um jogo inteiro de arremessos de fora, é preciso ter jogadas de garrafão, que são as de maior porcentagem de aproveitamento, e foi o que o Garnett, acertando 5 dos 5 arremessos que tentou no último período, trouxe ao Boston.

Méritos para o Hawks, são um bom time, adoro eles e torci muito para que a sequência de vitórias do Boston acabasse na mão deles para aumentar ainda mais a rivalidade, mas pra mim parece bem óbvio que serão eternos fregueses do Celtics.




As câmeras da ESPN deixaram bem claro o Kevin Garnett gritando e xingando como um retardado depois de toda cesta que fez no último período do jogo de quarta. E há quem diga que nessa temporada o KG está exagerando nas suas demonstrações de emoção e competitividade.

Eu acho que ele tem exagerado sim, mas acho que ele tem exagerado nos últimos 10 anos, então não é nada fora do esperado. Acho que a diferença é que no Wolves, perdendo na primeira rodada dos playoffs, ninguém percebia e no Boston campeão todo mundo vê.

A ESPN também mostrou outro dia o jogo contra o Blazers, quando ele gritou com o Glen "Big Baby" Davis e fez o bebezão chorar e no mesmo jogo ele ficou de quatro marcando o Jerryd Bayless na defesa como se tivesse acabado de cheirar coca. Mas esse sempre foi o jeito dele. Todo jogo ele fica marcando o armador adversário, bota as duas mãos no chão e não pára de falar consigo mesmo.

Já li jogador dizendo que não se incomoda porque tudo aquilo que ele fala e grita é com ele mesmo, ele fica afirmando pra si mesmo que é o melhor jogador do mundo, que é o fodão, para se motivar mesmo. E que quando não fala pra ele, não direciona o que fala pra ninguém, apenas incentiva o seu time a jogar mais e com mais vontade.

Talvez a única vez que ele tenha exagerado tenha sido no jogo contra o Raptors, quando provocou muito descaradamente o Jose Calderon. Mas não sei se eu marcaria uma falta técnica porque o Calderon gostou, aceitou o jogo, deu uma assistência e foi falar na cara do KG também.



Os jogos ficam tão mais legais quando tem essa carga emocional que até dá vontade de chegar logo os playoffs! Só vamos deixar ter mais uns meses de temporada regular porque eu sei que o Knicks tem muitos fãs e eles querem ver o seu time jogando, nos playoffs eles não têm essa chance.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O Atlanta Hawks não é mais piada

Joe Johnson é mala


E não é que o Atlanta Hawks é um time de verdade?

Estava esperando o jogo chave contra o Celtics para ter uma opinião mais bem formada sobre o Atlanta Hawks e apesar da derrota eles definitivamente ganharam muitos pontos comigo e com qualquer um que os viu jogar nessa temporada. Estão parecendo um time de verdade que vamos ver dando dor de cabeça pra muita gente nos playoffs.

Fazer julgamentos assim no começo da temporada é sempre perigoso, mas quem disse que a vida de blogueiro palpiteiro é fácil? Tem que se arriscar. Por exemplo, no ano passado vimos o Portland Trail Blazers ter um começo de temporada ótimo, 13 vitórias seguidas no meio do campeonato e depois vimos eles caírem na realidade de que eles não eram um time pronto para os playoffs.

Com o Hawks pode acontecer a mesma coisa, mas pelo jeito que eles estão jogando eu não acredito nisso. Meu embasamento vem de uma teoria que eu tenho de que ataques não são confiáveis mas que defesas são. Explico: todo mundo tem sua boa fase no ataque, volta e meia algum jogador bizarro tem uma sequência de 5 ou 6 jogos com pontuações fora do comum ou jogadores medianos tem uma temporada de boas marcas em pontos, isso acontece. No ano passado vimos um bom exemplo disso quando o Damien Wilkins começou a temporada fazendo quase 20 pontos por jogo e depois voltou ao normal, alguns anos atrás tivemos o Mike James com uns 19, 20 por partida e hoje ele se mata pra fazer meia dúzia no Hornets.

Como time temos o caso do Bulls. Em um ano eles eram uma máquina de arremessos certos, Hinrich, Deng e Gordon fizeram 4 a 0 no então campeão Miami Heat e eram o time do futuro. Aí todo mundo se deu conta de que não precisavam marcar o garrafão deles e era só contestar os arremessos e atacar as linhas de passe e já era o Bulls, nem para os playoffs foram.

Em resumo: jogadores medianos conseguem boas marcas ofensivas de vez em quando e times limitados conseguem, muitas vezes pelo elemento surpresa, marcar muitos pontos. Mas quando estes ficam conhecidos, perdem seu poder.

Enquanto isso, quem sabe defender sabe defender e pronto. Arremessadores costumam ter seus dias bons e ruins, defensores não têm esses problemas, quem defende bem, defende bem sempre e quem defende mal tá sempre tomando vareio (e aí Nash, beleza?). Por isso, times que defendem bem estão sempre com boas atuações defensivas, que muitas vezes salvam o time em dias ruins do ataque.

E o Hawks nesses primeiros jogos foi um ótimo time defensivo. Eles obviamente sentem falta do melhor jogador defensivo do time, o Josh Smith, mas eles aprenderam a não viver só dos tocos do Josh, eles defendem como um time, contestam arremessos e pressionam bastante os armadores adversários. O problema principal da equipe está apenas nos rebotes, já que é o time que mais sofre com rebotes ofensivos dos adversários (13,6 por jogo!) mas o número deve baixar com o passar dos jogos e com a volta do Josh.

O técnico do time, Mike Woodson, atribui essa melhora defensiva do time à série de playoff do ano passado contra o Boston, quando o Hawks levou o Celtics a 7 partidas.

"Eles sabiam, depois daqueles dois primeiros jogos em Boston, que era daquele jeito que o jogo deveria ser jogado. E então viemos para casa e jogamos do jeito que eles jogaram contra a gente. Foi uma ótima bagagem que trouxemos para esse ano porque eles sabem que foi a defesa que deu ao Boston a vitória e a única chance que nós temos é se defendermos e pegarmos os rebotes também."

As palavras dele dizem quase tudo, o Joe Johnson completou com algo também importante:

"Nós acreditamos na gente. Acho que aquela série contra o Boston realmente nos deu confiança. Nós olhamos todos os jogos com olhos diferentes agora. Estamos mais focados, mais intensos, mais em sintonia com o que está acontecendo à nossa volta."

A fórmula é simples: confiança no jogo + vontade de defender + aprender a defender é = a um time competitivo. Para completar a mistureba, faltava um ataque mais confiável. Afinal, no ano passado as opções de pontuação já eram poucas e nesse ano eles perderam Salim Stoudemire e Josh Childress.

A solução dos problemas começou com os próprios jogadores. O Bibby está parecendo mais o jogador que era nos tempos de Kings e está jogando muito bem no setor ofensivo, seja como organizador ou como pontuador, o Joe Johnson é hoje um dos melhores jogadores da NBA na posição 2, talvez atrás apenas de Kobe e Wade. E o Horford tem tido seus dias bons ofensivamente, ele ainda pode fazer 25 ou 5 pontos em um jogo, mas só por ter um topo de 25 já é uma melhora em relação ao ano passado.

Mas a grande mudança veio do banco de reservas. No ano passado o único impacto que o Hawks tinha do banco era o Josh Childress, que é um puta jogador, mas que nunca foi grande pela sua pontuação. Hoje, em compensação, eles têm o Mo Evans e o Flip Murray.

O Flip Murray não sabe jogar basquete, sabe fazer pontos. Simples assim. Nasceu para vir do banco, pegar a bola, meter uns 14, 15 pontos e voltar pro banco pra tomar Gatorade, o sexto homem perfeito.
Já o Mo Evans faz um trabalho defensivo ainda melhor que o Childress e se não tem a habilidade de criação de jogadas que o cabeludão, tem um arremesso de 3 muito melhor, o que nos leva a outro ponto muito interessante do Hawks.

Lembram um tempo atrás quando o Salim Stoudamire entrava no jogo só para chutar de 3? Eu lembro claramente (preciso achar os boxscores!) de jogos em que o Atlanta nem bola de 3 acertava. Mas hoje eles tem o melhor aproveitamento de bolas de 3 na NBA inteira! Nada de Suns, Nuggets, Warriors ou Orlando, a melhor marca é do Hawks.

São 42,4% de acerto nos arremessos com uma média de 9 bolas certas por jogo. Créditos para o Mo Evans, Flip Murray, Joe Johnson, Mike Bibby e Marvin Williams. Marvin Williams?

Até o ano passado o rapaz tinha um epíteto no nome. Tinha Alexandre, o Grande, Pepino, o Breve e Marvin Williams, o que foi draftado antes do Chris Paul. Mas hoje já consegue ser destaque no Atlanta e peça muito importante no ataque do Hawks. Nos 6 primeiros jogos da temporada ele chutou 11 bolas de 3 e acertou 8! Ontem contra o Celtics ele acertou todas as 4 que tentou, espetacular!

No jogo de ontem contra o Celtics deu pra ver tudo isso o que eu disse. Boa defesa, ataque forte, dividido entre bons jogadores, as bolas de 3, o Joe Johnson fora de série e tudo mais. Mas deu pra ver também que o Celtics faz tudo isso e faz um pouco melhor ainda. E que se Joe Johnson é um dos melhores jogadores da posição 2, o Paul Pierce é na posição 3. Vejam só o que ele fez no último segundo do jogo:





Oficialmente o Bola Presa deixa de transformar o Hawks em piada. Na hora de nos referirmos a um time medíocre, vamos usar o Thunder.

Exemplo: O Sasha Vujacic é muito ruim, mas seria titular no Thunder.

ou

Até meu time do colegial onde o Danilo era pivô ganhava do Thunder.

ou ainda

O Dwight Howard jogando ao lado de 4 anões pernetas venceria o Thunder.


Essa última afirmativa é até bem realista. Ontem o Superman Dwight meteu um triple-double contra o Thunder com alguns números dignos de um time inteiro: 30 pontos, 19 rebotes e 10 tocos. Para se ter uma idéia, os quatro titulares não chamados Duncan do Spurs somaram: 14 pontos, 1 toco e 13 rebotes.

A NBA deveria suspender o Johan Petro já que ele não teve a dignidade de se aposentar ontem à noite depois da partida.

Ontem ainda tivemos muitas outras grandes atuações. Brandon Roy e Rudy Fernandez jogaram muito contra o Wade, que fez isso. O Chris Paul fez um Dwight Howard dos pequeninos ao marcar 30 pontos e dar 13 assistências e o Kobe fez uma cesta fora do comum para selar a vitória do Lakers contra o Hornets. A bola, um arremesso dificílimo na cara do Posey, foi comentado depois pelo próprio Kobe:

"Eu só queria acertar um arremesso bem na cara dele."

O espírito olímpico ainda está presente em Kobe Bryant.

Mas entre tantas estrelas e atuações geniais e uma boa briga, vocês preferem o quê? Imaginando a resposta eu deixo o melhor para o final e aqui está o vídeo da treta entre o Rafer Alston e o Matt Barnes. Quem diria que o Artest não estaria presente na primeira briga do Rockets na temporada....



Detalhes legais do vídeo:

- O Barnes provocou e merecia uns tapas mesmo.
- O Nash ou é o pior separador de brigas da história ou foi lá causar mais confusão. Quem diria que ele é um brigão?
- O Shaq venceu a luta ao empurrar, em sequência, T-Mac, Yao e um grupo de umas 9 pessoas.
- No final o Yao afaga a cabeça do Alston como quem diz "bom menino". Tocante.