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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um turco sem lar

Turkoglugluglu bota um ovo

Quando o Suns, meio desacreditado, venceu 54 jogos na temporada passada e eliminou nos playoffs o Spurs em 4 jogos, chegando à Final do Oeste e dando sufoco no Lakers, era inegável que o maior responsável pelo feito era Amar'e Stoudemire. Seu começo de temporada havia sido discreto, forrado de relatos sobre seu desentendimento com companheiros de equipe e boatos de que seria trocado. Mas depois do All-Star Game, Amar'e deixou tudo para trás e foi, quase de forma unânime, o MVP da segunda metade da temporada. Ou ele ficou mais tranquilo depois de saber que não seria trocado, ou então resolveu jogar pra valer porque seu contrato acabaria ao fim da temporada e ele precisava garantir o interesse dos outros times (a famosa "Síndrome de Jerome James", antiga "Síndrome de Erick Dampier").

Por isso, a reação natural à ida do Amar'e para o Knicks foi de desespero em Phoenix. Quando finalmente deu pra levar o time a sério e eles venceram seus arqui-inimigos, causando uma ruptura no espaço-tempo, o jogador que carregou muitas das partidas nas costas deu o fora. Mas como o Nash continua por lá, nenhum dos engravatados da franquia vai ter coragem de tacar o time na privada e começar do zero, então tentaram tapar o buraco. E a principal aposta para manter o time jogando em alto nível foi o Turkoglu.

Minha opinião sobre o turco depende da fase da lua. Em geral gosto do seu estilo de jogo e admito que ele é um jogador muito talentoso, mas não consigo lidar com a ideia de que times acham que ele seja uma estrela e ofereçam trilhões de dólares pra ele enfiar na orelha. O Turkoglu se encaixava muitíssimo bem no esquema tático do Orlando Magic e mesmo assim o time não sofreu muito com sua saída, é um absurdo achar que ele pode transformar um time e lhe oferecer muitas verdinhas. O Blazers cometeu uma cagada absurda tentando contratar o jogador, e deu a sorte de que o turco preferiu ir jogar em Toronto. Azar do Raptors, que percebeu rapidinho que o Turkoglu é um cara talentoso mas que não vai ganhar jogos sozinhos nunca. Tentaram de tudo pra ele render por lá mas o cobertor era curto demais: se ele segurava demais a bola o ataque do Raptors que é pura velocidade não funcionava, se ele não tinha a bola em mãos desaparecia do jogo e ficava frustrado.

Ou seja, quem viu o turco jogando no Raptors sabia que jogar no Suns não seria tarefa fácil. Os problemas enfrentados para se adequar e render na equipe seriam parecidos, e embora o Suns seja um time mais inteligente e o Nash sempre dê um jeito de deixar todo mundo feliz, não dava pra esperar nenhum milagre. É simples assim: o Turkoglu não pode levar o Suns até onde o Amar'e conseguiu levar nas últimas temporadas. O próprio turco disse que não veio para substituir ninguém, e com razão, mas ele teve que tapar o buraco deixado pelo Amar'e na marra, mesmo que todo mundo saiba que não pode dar muito certo.

O Turkoglu volta e meia jogava como ala de força no Magic, mas os jogadores da posição por lá são Rashard Lewis e Ryan Anderson, dois sujeitos com fobia de garrafão. Faz parte da estratégia do Magic deixar o Dwight embaixo do aro e abrir o ala de força para arremessar de três, então o Turkoglu quebrava bem o galho nessa função. No Suns, ao contrário, o ala de força sempre foi a única posição que jogava embaixo da cesta, já que o pivô costuma ser o Channing Frye. Não é a área do Turkoglu e seria absurdo tentar, então é claro que o turco faz a mesma função que executava no Magic e evita ao máximo o jogo de costas para a cesta. O resultado é bizarro: cheguei a ver um quinteto do Suns em quadra composto por Nash, Josh Childress, Jason Richardon, Turkoglu e Channing Frye. Parecia um time de handball, em que ninguém pode pisar dentro da linha de três pontos.

O Turkoglu funciona muito bem com a bola nas mãos porque ele sabe armar o jogo e usa bem a sua altura para conseguir criar espaço e dar os passes certos. Mas no Suns, a bola sempre vai para o Nash, que sempre cola no cangote do turco e pede a bola imediatamente, não deixa o coitado nem ter o gostinho de levar ela um pouco para o ataque. O que o Turkoglu pode fazer, então, já fica limitado. Ele acaba passando a bola apenas depois de recebê-la, mas em geral ele já recebe em condições de arremesso e acaba desistindo do arremesso livre para acionar outro jogador. O Suns sofre jogo após jogo com a falta de agressividade, porque todo mundo no elenco se acha arremessador, do gigante Channing Frye ao campeão de enterradas Jason Richardson, então quando o Turkoglu deixa de dar arremessos livres ou atacar o aro, o time perde muito. Mas o turco não sabe ser agressivo sem armar o jogo, e costuma ser bonzinho demais ao invés de arremessar sempre que tem oportunidade.

Já que sua passagem pelo Raptors foi desastrosa e resultou em pedido de troca imediata, tem gente achando que o Turkoglu vai pedir para sair do Suns rapidinho, já que as dificuldades são as mesmas e ele não tem rendido bulhufas nos jogos até aqui. Mas Turkoglu abriu mão de 5 milhões de seu salário só pela chance de escapar do Toronto e ir jogar com o Nash. Os dois se admiram, sabem da inteligência um do outro, e estão seguros de que conseguirão jogar muito bem juntos.

A resposta do turco para que isso possa acontecer tem sido treinar, todos os dias, os arremessos de três pontos. Ele tem um regime de treinamentos particular em horários diferentes dos outros jogadores do Suns apenas para calibrar suas bolas de fora. Quando receber a bola para armar poderá atacar mais a cesta, mas esses momentos são muito raros: com Nash no time, é bom que ele se acostume a dar arremessos sozinho o tempo inteiro. É um modo de ajudar a equipe, de render bem, e as bolas de três foram a arma que venceu o Lakers ontem. Mas na defesa o negócio ainda é muito feio e não tem previsão de melhorar. Turkoglu sempre foi um defensor muito fraco e agora só piorou por ter que marcar jogadores bem mais fortes do que ele no garrafão. O turco alegou que nunca teve que fazer isso na vida e está sofrendo para se acostumar, mas a verdade é que ele nunca defendeu ninguém em posição nenhuma, deve ser difícil até se acostumar com levantar os braços.

O técnico Alvin Gentry já avisou que ele não será usado contra os alas mais fortes e pesados do que ele, ou seja, todo mundo na NBA. O Turkoglu já está sendo relegado ao banco de reservas para não comprometer em excesso a defesa, e no ataque já está virando só mais um arremessador de três pontos. É triste ver que um jogador tão competente, que poderia ser a peça final numa série de equipes que brigam por título, não consegue encontrar uma casa que possa usar seus talentos. O Raptors não era o local certo, e o Suns também não é. Com tempo, costume e inteligência, o Turkoglu vai encontrar companheiros livres, atacar mais a cesta, armar o jogo de vez em quando, acertar muitas bolas de três. Vai parar de ter medo de dar arremessos livres, mal que também assolou Channing Frye quando ele chegou no Suns. Mas ainda assim não vai ser natural para o turco, não vai ser tudo aquilo que ele pode fazer, porque jogando de ala de força o seu tamanho não é um bônus, seu peso é um problema, e ele não tem a velocidade necessária para explorar seus marcadores. Ele não tapa os buracos do Suns, e acaba tendo que ser um jogador que ele não é.

Enquanto isso, engole minutos do Hakim Warrick, o único jogador realmente agressivo do elenco. É verdade que o Jason Richardson tem visto a necessidade e cada vez mais ataca a cesta, mas Warrick traz aquela sensação de "puta merda, ele vai enterrar na minha cabeça a qualquer momento" que o Amar'e trazia. Ele nem é forte o bastante, não tem recursos o bastante, mas sabe trabalhar com Steve Nash e finaliza perto do aro. Ele supre as necessidades do Suns muito melhor do que o Turkoglu nesse elenco em que até o faxineiro sabe arremessar de três pontos. É um desperdício deixar o turco no banco, mas também é um desperdício deixá-lo em quadra limitando seu jogo e podar o Warrick, que é verdadeiramente útil em quadra para esse equipe. Por enquanto, eles podem vencer qualquer time em dias felizes da linha de três. Mas nos playoffs, precisarão de jogo fisico e bolas de segurança, coisa que o Turkoglu jamais será capaz de dar.

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sábado, 23 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Phoenix Suns

Você não enxerga na foto, mas Nash foi atingido por uma bolinha de papel

Objetivo máximo: Eles vão dizer que é o título, mas na verdade se darão por satisfeitos em voltar pra final do Oeste
Não seria estranho: Cair na primeira rodada dos playoffs
Desastre: Sentir mais falta do Amar'e Stoudemire do que o Cavs do LeBron James


Forças: Um armador que faz até o Louis Amundson parecer um bom jogador e um elenco faz-tudo
Fraquezas: Tudo o que Amar'e fazia e Turkoglu não vai fazer

Elenco:








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Técnico: Alvin Gentry

É engraçado que esse trabalho à frente do Phoenix Suns tenha caído nas mãos do Alvin Gentry. Sua pouca experiência à frente de times chamava a atenção pelo trabalho com jovens e pela assistência a técnicos puramente defensivos. Agora ele está à frente de um time velho que não defende, vai entender!

Alvin Gentry já foi assistente técnico de Larry Brown (ao mesmo tempo que Gregg Popovich) e teve seu trabalho de maior destaque como técnico quando treinou o amaldiçoado Clippers de 2000 até 2003. Nos dois primeiros anos o técnico montou um time que parecia muito promissor, liderado por Lamar Odom, Quentin Richardson, Darius Miles e depois por Elton Brand. Todos eram bem jovens, pareciam ter um futuro brilhante pela frente e o time só precisava de um armador. Em 2003 eles contrataram Andre Miller, que havia liderado a NBA em assistências no ano anterior e o time piorou. Por quê? Sei lá, porque é o Clippers. Mas foi o que bastou para toda a animação em relação a Gentry e a pivetada acabar e ele ser mandado embora.

Logo depois ele já foi pro Suns e lá foi assistente de Mike D'Antoni e depois do desastre Terry Porter. A vaga caiu no colo de Gentry depois da demissão do segundo, mas ele ganhou o emprego em definitivo quando as coisas começaram a dar certo. Aos poucos ele conseguiu um bom equilíbrio entre manter o time ofensivo feito por D'Antoni e deixar o garrafão mais forte e mais defensivo como Terry Porter tentou sem sucesso. Não que a defesa seja forte, foi a 7ª pior da NBA no ano passado, mas já foi pior e principalmente a defesa de garrafão melhorou quando Gentry conseguiu juntar Amar'e Stoudemire e Robin Lopez no time titular. Foi a primeira real dupla de garrafão do Suns em uns 7, 8 anos.

Também foi ele o responsável por arriscar montar um time reserva que joga inteiro junto. Todos os titulares, ou pelo menos quatro deles, saem de quadra e um bando de reservas entra com outras características de jogo, outra velocidade. Deu muito certo nos playoffs e não deve ser fácil de fazer, é como treinar dois times diferentes ao mesmo tempo. Por pouco esse time reserva não bateu o Lakers na final do Oeste do ano passado.

Já vi gente dizendo que o Gentry não é um grande líder, mas que o Suns não sente falta disso porque tem o Steve Nash que é uma voz ativa no vestiário. Não sei se é verdade, mas faz sentido. De qualquer forma, se esse é um defeito dele, não tem feito muita diferença. Acredito que ele vai ter muito trabalho nesse ano para ajustar Hedo Turkoglu na rotação, mas entra com moral por tudo que fez no ano passado.

Abaixo o vídeo com o tapinha na bunda que ele recebeu do Kobe Bryant. Méritos por ele ter recebido o tapinha no bom humor, poucos técnicos teriam feito a mesma coisa.



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Não tenho muito mais do que falar do Suns porque falei deles já nessa offseason. Sério, o post foi em agosto, mas é um preview do Suns mais completo do que eu faria aqui. Falo da contratação do Turkoglu, dos motivos, das consequências, da perda do Amar'e, da perda do Leandrinho, de como podem usar Josh Childress e Grant Hill, tudo. Me sentiria um idiota escrevendo tudo de novo!
Então se você quer saber o que eu acho do Phoenix Suns, leia o post "O time da criatividade".

O que eu posso acrescentar de diferente são comentários sobre a pré-temporada. No último amistoso deles, por exemplo, tomaram 144 pontos do Denver Nuggets, um massacre que não pega bem nem em jogos que não valem nada e que foi o ápice de uma sequência de apresentações defensivas lamentáveis. Tomaram 129 e 121 em dois jogos contra o Raptors, 105 e 108 em dois jogos contra o Jazz e mais 109 do Kings! Bizarramente, só pra mostrar que é pré-temporada, tomaram poucos pontos do Warriors, uma estranhíssima vitória de apenas 92 a 87 entre os dois melhores ataques da liga. Além dessa vitória sobre o Golden State a única outra foi contra o Mavs em um jogo em Indian Wells, tradicional jogo outdoor que a NBA faz todo ano.

Ou seja, 2 vitórias, 6 derrotas esmagadoras e o Turkoglu de titular (a previsão de time com Nash, J-Rich, Hill, Turko e Robin aconteceu em todos os jogos) com patéticas médias de 5 pontos, 4 rebotes e 1 assistência em 20 minutos por jogo. As atuações do Turkoglu foram muito desanimadoras e foi também bem ruim ver que o time não apanhou só de times que tinham força no garrafão. Eles perderam do Jazz mesmo no dia que o Al Jefferson jogou pouco e tomaram dois sacodes do Raptors, que não tem nenhum jogador forte que jogue lá dentro. Nem dá pra jogar a culpa na história do time baixo.

É só pré-temporada, claro, todo mundo ainda pegando o jeito e bem desinteressado, mas não foi uma boa primeira impressão para um time que precisa se reinventar.

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Vocês viram ontem como foi decidido o jogo entre Mavs e Rockets pela última rodada da pré-temporada? O Jason Kidd, com nada mais nada menos que o Yao Ming na sua frente, mandou um passe perfeito para o Shawn Marion a 0.4 segundos do fim do jogo. Cesta e vitória! Kidd e Marion fizeram história juntos jogando justamente pelo Suns. Maldade que quem estava marcando o Marion era o Courtney Lee, que errou a bandeja em uma jogada muito parecida na final de 2009.

domingo, 30 de maio de 2010

O fator X

No mundo do Kobe o Jared Dudley está dando muito espaço na marcação


O blog da revista Dime disse exatamente o que eu pensei ontem depois do jogo 6 entre Lakers e Suns. Vou traduzir aqui: "Todas as mudanças de estratégia jogo após jogo, a defesa por zona e todos os jogadores que foram heróis durante a série não pareceram importar quando a série acabou. Quando o Lakers oficialmente mandou o Suns para casa no jogo 6 da final do Oeste pareceu que o resultado era simplesmente porque o Lakers tinha Kobe Bryant e o Phoenix Suns não."

A sensação foi exatamente essa. O Suns fez tudo o que podia, o Lakers fez tudo o que era capaz e no fim das contas o Kobe foi o Kobe e resolveu a parada. Na crítica esportiva americana eles usam muito a expressão "X-Factor", o "Fator X", que designa aquele jogador ou característica do jogo que pode fazer a diferença no jogo. É aquilo que se funcionar garante a vitória para um time. No Lakers o X-Factor costuma ser o Lamar Odom, que quando joga bem deixa o Lakers imparável, e no Suns pode ser as bolas de 3 pontos. Mas pensando um pouco melhor no termo, o Fator X dessa série foi mesmo o Kobe Bryant. Embora atuações espetaculares dele sejam esperadas e até bem comuns, foi a mais impressionante delas que resolveu uma série que foi muito parelha, onde não dava pra dizer com certeza qual era o melhor time. Com equipes diferentes, mas equivalentes, venceu a que teve Kobe Bryant sendo magnífico na hora certa.

A hora certa foi o fim do terceiro período e todo o quarto quarto, momentos em que o Lakers primeiro abriu sua maior vantagem na partida (17 pontos) e quando sofreu uma tentativa de virada avassaladora do Suns, liderada mais uma vez pelo banco de reservas do time. Digo como torcedor do Lakers que ontem só fiquei mais tranquilo e aliviado quando os titulares do Suns voltaram para quadra, porque aqueles reservas me assustam. A combinação de Goran Dragic, Leandrinho, Jared Dudley e Channing Frye é melhor que muito time titular por aí, por muitas vezes melhor que o time titular do próprio Suns.

A começar pela defesa. Embora talvez só o Dudley seja um excelente marcador individual nesse grupo, o resto compensa pela vontade e pela velocidade. Eles estão sempre marcando por pressão, sempre se arriscando para interceptar passes e continuamente forçam erros do adversário. Erros que, na mão do Dragic e do Leandrinho, viram contra-ataques muito velozes. A combinação de forçar erros, marcação por pressão, velocidade e arremessos de três (os 4 jogadores são excelentes arremessadores) é uma fórmula mágica para cortar grandes diferenças em pouco tempo.

Foi o que aconteceu no começo do quarto período, especialmente depois da posse de bola de 6 pontos do Suns. Um arremesso do Dragic, uma falta flagrante no Sasha Vujacic e uma bandeja do mesmo Dragic. A falta flagrante veio quando o armador do Suns acertou o arremesso, falou alguma bobagem em esloveno na orelha do Sasha, que respondeu dando uma cotovelada na cara do compatriota. Isso colocou o Suns no jogo pelos 6 pontos seguidos e pela empolgação que a confusão trouxe para o time e especialmente para a torcida. Por não manter a calma o The Machine quase colocou uma das melhores partidas do Lakers nos playoffs a perder. Perguntado sobre o que ia fazer com o Sasha depois do jogo, Kobe foi bem claro e sucinto, "Eu vou matar ele".



A jogada inteira é muito engraçada por diversos motivos: trash talk sempre é legal, em esloveno só fica melhor. Depois o Vujacic acha que engana alguém com aquele papinho de "só levantei o braço, nem vi que o rosto dele estava perto do meu cotovelo"? Ridículo. E finalmente o Dragic coroa a fama de grandes atores da Eslovênia com aquele tombo com a mão no rosto que arrancou uma lágrima de orgulho do Rivaldo. Uma jogada imbecil, patética, mas que mudou a cara do jogo.

Antes disso o Lakers estava jogando demais. O Suns dava espaço para Kobe chutar de meia distância e de longe e ele acertava. Dava espaço para o Artest chutar e ele meteu 4 bolas de 3 pontos. Até o Jordan Farmar estava acertando tudo. Mas o mais interessante desse primeiro tempo e da série no geral foi que o Suns conseguiu forçar o Lakers a fazer o que não queria e o time de Los Angeles conseguiu vencer sendo bom no que não costuma ser. Vitória tática do Suns, vitória técnica do Lakers.

A estratégia do Suns pedia os arremessos longos de dois pontos, principalmente do Kobe. A bola longa de 2 é considerada a de menos eficiência na NBA, ela não tem o mesmo nível de aproveitamento da bandeja ou do arremesso próximo e é menos eficiente que a de 3 pontos porque, além de valer menos, costuma ser mais difícil de se acertar pelo posicionamento do jogador. O atacante costuma estar postado para chutar de 3, não de 2, as bolas longas que valem menos costumam vir de dribles, o que deixa seu aproveitamento mais difícil.

Segundo dados do HoopData e do blog ThePaintedArea, a média de aproveitamento nos arremessos de 2 longos entre todos os times da NBA foi de 39%. Nessa série o Lakers acertou 53%! Durante a temporada o Lakers havia tido uma média semelhante a do resto da liga. O Kobe em especial tinha média de 35% de aproveitamento nas bolas de 2 longas, mas nessa série acertou 58%. O Fisher melhorou seu aproveitamento de 41% para impressionantes 63%.

Sem esses números o Lakers dificilmente teria vencido os jogos 5 e 6, já que no resto da temporada o time se comportou como nos jogos 1 e 2, atacando a cesta e tendo sucesso somente quando conseguia fazer suas cestas lá perto. Em todos os jogos que o Lakers ganhou por mais de 10 pontos nessa pós-temporada, fez a maioria de seus arremessos em lances-livres, bandejas ou enterradas. E a minoria em bolas de 3 e bolas de 2 longas. Nos 7 jogos em que o Lakers ou perdeu ou ganhou por diferença menor de 5 pontos o time chutou mais bolas de 3 do que teve bandejas ou enterradas.

Outro número que mostra a superioridade tática do Suns? Durante a temporada regular o Lakers tinha 31% de suas jogadas feitas de "Spot-ups" (aqueles chutes onde o cara está parado e preparado para arremessar) ou jogadas de isolação 1-contra-1. E 20% de "post-ups", que é quando o jogador recebe a bola de costas pra cesta no garrafão.

Na série contra o Suns o número de Spot-ups e isolações cresceu para assustadores 43%, enquanto o de post-ups no garrafão caiu para 10%. O Suns queria o Lakers longe da cesta, sem a bola na mão de Gasol e Bynum e executou isso a perfeição. Eles apostaram que Artest não acertaria seus arremessos como fez no primeiro tempo do jogo 6, que o Fisher não passaria dos 20 pontos como passou no jogo 5 e que o Kobe não fosse capaz de acertar arremessos absurdos quando bem marcado por Jared Dudley ou Grant Hill. Era a melhor aposta que eles poderiam fazer e não podem se culpar por isso, o Lakers que deve se orgulhar por seus jogadores terem se superado para reverter o jogo.

No fim das contas é o que eu disse antes. O Suns tinha a tática, a defesa, Steve Nash jogando um bolão e um banco de reservas fulminante. O Lakers tinha as peças para igualar tudo isso e mais Kobe Bryant para fazer a balança pesar a seu favor no fim da série, simples assim. Ter uma super estrela desse nível não te leva a final da NBA, mas ao lado de um bom time acaba sendo o tal Fator X em séries tão disputadas.

Abaixo alguns dos arremessos impossíveis que o Black Mamba fez para garantir o terceiro título seguido da conferência Oeste para o Lakers (primeiro tri-campeonato de conferência na NBA desde que o mesmo Lakers venceu o Oeste em 2000, 01 e 02)


Alguém também achou o máximo o espírito esportivo do técnico Alvin Gentry ao tentar atrapalhar o Kobe no último arremesso dele e aceitando o tapinha na bunda que tomou com uma risada?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Feio, emocionante e divertido

O amor move montanhas e ganha jogos

Eu disse que o Lakers precisava melhorar o ataque. O Kobe Bryant disse que o Lakers precisava melhorar a defesa. Adivinha quem o Phil Jackson escutou? Pois é, não dá pra culpá-lo, acho que o Kobe entende um pouco mais de basquete que eu. Mas só porque ele é mais velho, claro.

O ajuste defensivo do Lakers deu certo durante quase todo o jogo. A estratégia era trocar o marcador sempre que houvesse um corta-luz. Ou seja, se o Amar'e, marcado pelo Gasol, faz um bloqueio para o Nash, o Gasol marca o Nash e o Fisher tenta impedir o passe para a continuação da jogada. Essa estratégia faz com que o Nash fosse obrigado a passar mais tempo com a bola na mão e que ele fosse obrigado a arremessar mais e passar menos. O Steve Nash fez uma partida espetacular dentro dessa situação que o colocaram, com 29 pontos, a maioria arremessando sobre Gasol, Bynum, Odom ou qualquer gigante que fizesse a troca em cima dele.

Mas aqui vale a mesma observação que fizemos ontem sobre o Dwight Howard. Assim como o Magic joga melhor quando o Dwight toca menos na bola no ataque, o Suns joga melhor quando todo mundo participa, não quando o Nash faz tudo. Só com o Nash, o ataque fica mais previsível e todo mundo se movimenta pouco, deixando tudo mais fácil para o Lakers. Mas não foi só isso, o time de LA também jogou com mais inteligência, fechando o garrafão nas tentativas de infiltração do Suns, causando faltas de ataque e bem menos lances-livres.

Foi com essa defesa forte que o Lakers chegou a abrir 17 pontos no primeiro tempo. Mas não foi só assim, o ataque melhorou demais em relação aos últimos dois jogos. Para enfrentar a zona o Lakers resolveu, finalmente, atacar a cesta. O Odom fez a festa saindo do perímetro ou de trás de seu marcador para se posicionar no ponto fraco da defesa zona 2-3, entre as duas linhas de defesa, e então fazendo bandejas. Outra coisa que mudou foi o posicionamento dos pivôs, especialmente de Pau Gasol, que conseguiu ficar mais perto da cesta, aí era só receber a bola e finalizar rápido, antes que aquela marcação dupla ou tripla fizesse ele jogar a bola para fora do garrafão de novo.

Outro mérito enorme no ataque do Lakers vai para o Derek Fisher. Passamos a temporada inteira comentando como ele está velho, como não consegue mais marcar ninguém e repetimos tudo isso aqui mesmo nos playoffs, quando ele foi esmagado pelo Russell Westbrook na primeira rodada. Mas depois disso o Fisher se revolucionou. Na segunda rodada fez um ótimo trabalho marcando o Deron Williams e nessa série está marcando muito bem o Nash, em especial nos jogos 1 e 2. Ontem foi a hora de contribuir no ataque e toda vez que o Lakers se perdia naqueles passes sem objetividade ele aparecia para resolver acertando um arremesso longe. Foram 22 pontos e sempre nos momentos mais importantes e tensos do jogo.

Não faltaram momentos importantes nessa partida. Mesmo depois de abrir 17 pontos no primeiro tempo, o Lakers não conseguiu manter a diferença e o Suns respondeu diminuindo para 7. Depois, no segundo tempo, o Lakers abriu ainda mais, 18, mas de novo o Suns voltou. As corridas do Suns de volta no placar sempre aconteceram quando o centro do jogo não foi o Nash, que mantinha o time no jogo mas não era capaz de virar o placar só com seus arremessos de meia distância. Eles tiraram a vantagem quando conseguiam parar o ataque do Lakers e atacar na velocidade, na transição. Foram em jogadas assim que sairam os arremessos de 3 do Channing Frye, o arremesso de 3 com falta para o Jared Dudley e a bandeja com falta do Jason Richardson. Como disse o comentarista (e recém-contratado para a vaga de técnico do Philadelphia 76ers) Doug Collins, "Times que arremessam tão bem de 3 nunca estão completamente fora do jogo".

A reação do Suns nasceu na defesa, virou ataque e em poucos minutos os 18 pontos de diferença viraram 3 e o relógio marcava um minuto para o fim da partida. Então o Ron Artest deu um arremesso, errou e o Gasol pegou o rebote. O Lakers poderia matar 24 segundos do relógio e manter a diferença em 3 pontos, mas ao invés disso o Artest resolveu que era a hora de um segundo arremesso seguido e, tendo gastado só 2 segundos de posse de bola, chutou de 3, errando feio.

Esse erro do Artest poderia ser fatal, mas Channing Frye respondeu errando outra bola de três. Foi a vez do Lakers ir para o ataque e errar de novo, dessa vez Pau Gasol tentou enterrar na cara de Amar'e Stoudemire e acertou o aro. Para a sua última posse de bola no jogo o Suns foi de novo para a bola de três, aí Nash errou uma bola de 3, o Suns pegou o rebote, Jason Richardson errou outra bola de 3 e quando parecia que esse seria o minuto final mais desastroso dos playoffs, a bola caiu de novo para Jason Richardson, que acertou um arremesso de três usando a tabela (quem joga basquete sabe que isso não deveria valer!) e empatou o jogo.

Se já deixavam os outros arremessarem para marcar o Kobe antes, imagina o que o Suns ia fazer no último arremesso do jogo? Pois é, mandaram um monte de gente pra tentar parar o Kobe e conseguiram pará-lo. Saiu uma air ball feia da mão dele, mas assim como um erro do Kobe rendeu a cesta da vitória de Pau Gasol no jogo 6 contra o Thunder, ontem foi a vez do rebote ofensivo ser de Ron Artest, que fez a cesta no estouro do cronômetro. Nunca um minuto final com tantos erros foi tão emocionante e divertido!

Sério, as únicas duas cestas desse período foram um rebote de air ball e uma bola de três rabuda usando a tabela. Mas era exatamente esse tipo de emoção que a gente estava pedindo na pós-temporada. Mesmo com erros no final, o jogo foi bem jogado, Nash e Kobe jogaram muito e o jogo foi decidido no último segundo possível, os fãs não tem do que reclamar.

Quem tem é o Suns, que perdeu um jogo que tinha boas chances de ganhar e o fez tomando uma cesta do pior jogador ofensivo do Lakers. Muita gente tem falado que o Suns deve estar se matando porque perdeu um jogo simplesmente por não ter colocado um corpo na frente do Ron Artest, o famoso "box out". Essa crítica valia para o Thunder no jogo 6, na cesta do Gasol que eu citei, mas ontem nem tanto. Todo mundo que está no rebote sempre espera a bola bater no aro, pegar o rebote de um arremesso que passa reto é bem mais complicado, dá pra entender a falha.

Espero mais uma partidaça no jogo 6. O Lakers melhorou, se ajustou ao Suns, que vinha sendo o melhor time nos últimos jogos, e mesmo assim o jogo foi disputadíssimo. Não dá pra esperar que seja diferente no próximo, só esperaremos um final de acertos, não de erros.

Abaixo o vídeo da cesta do Ron Artest:



E tem outro vídeo, o do técnico Alvin Gentry, que não aguentou ver tantos erros do seu time.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Preview (e Review) dos Playoffs - Suns x Spurs

Você de novo!


Tá, eu sei, a série já começou, a gente é atrasado, não cumpre promessas, tem pinto pequeno e blá, blá, blá. Mas como todo homem idiota, a gente compensa nossa ausência e falta de caráter com presentes. Então participe agora da promoção que está dando um camiseta do Tim Duncan e uma do Leandrinho! Compensamos também não só com um preview dos playoffs, mas um review da história dessa longa rivalidade.

A promoção é uma homenagem à grande rivalidade entre Suns e Spurs, um confronto que muita gente acha que começou nos últimos anos mas que já mexe com os corações dos torcedores desde o começo dos anos 90. O primeiro duelo foi na primeira rodada do Playoff de 1992, quando o Suns, time de quarta melhor campanha no Oeste, bateu o quinto colocado Spurs por 3 a 0 (na época a primeira rodada era melhor de 5), um resultado que não surpreendeu já que o San Antonio não contava com David Robinson, machucado.

A chance da revanche veio no ano seguinte na semi-final do Oeste, quando o Suns, então time de melhor campanha do Oeste e da NBA, enfrentou o Spurs, mais uma vez quinto colocado. A série foi tensa, mas com cada time vencendo o seu jogo em casa até o jogo 6 em San Antonio, que foi o melhor da série e, segundo os que viram de perto, um dos melhores dos playoffs daquele ano. Querem ver como era o Barkley jogando? Ele nem sempre foi o gordinho engraçado da TNT, antes ele era um ala de força destruidor capaz de fechar um jogo com 28 pontos, 21 rebotes e a cesta de vitória e da classificação. O vídeo não pode ser postado aqui no blog, mas dá pra ser visto aqui. Recomendo que vejam o vídeo porque tem todos os últimos 5 minutos do jogo, não só é uma partida legal como é uma chance de ver como era diferente o basquete da NBA do começo dos anos 90.

Pois é, duas vitórias seguidas do Suns em dois anos seguidos, nem sempre foram fregueses! Mas pra não ficarem mal acostumados, tomaram um 3 a 1 na primeira rodada dos playoffs de 96 quando a Era Barkley já chegava ao fim. É engraçado como esses times sempre se encontram, às vezes um é o melhor time da NBA, outras vezes um está em alta e o outro em baixa ou os dois no meio da tabela, não importa, mas eles sempre se contrastam de um jeito que faça com que se cruzem nos playoffs. Foram 9 encontros desde 1992 até hoje. Eu, sinceramente, não lembro de outros dois times que se enfrentaram mais vezes nesse período. Nos anos 90 ainda teve mais um confronto em 1998, quando o então novato Tim Duncan liderou o Spurs a uma vitória de 3 a 1 na primeira rodada.

Na década de 2000 veio uma avalanche de confrontos épicos. O primeiro uma reprise da derrota de 92, o Suns venceu de novo, mas dessa vez ao invés de Robinson, era Duncan o machucado. Em 2003 veio o duelo em que o novato Amar'e Stoudemire engoliu vivo o Tim Duncan.

Ainda era o Suns do Stephon Marbury e eles não tinham chance contra o time que viria a ser campeão, mas a série rendeu: foi um 4 a 2 complicado, o Marbury destruiu todos os marcadores que viu na frente e o Amar'e mostrou pela primeira vez que ninguém sabe atacar o Duncan como ele. Desse ano ficará marcado o jogo 1, em que o Suns empatou o jogo nos último segundos com a cesta de 3 mais imbecil da história:



Por que o Amar'e fez isso? Ele era um novato, ainda tinha muito tempo no relógio e ele nunca tinha arremessado de 3! Eddie House e JR Smith poderiam passar 20 minutos conversando de como esse arremesso foi forçado, mas deu certo e o jogo foi para a prorrogação. E lá o Marbury escreveu seu nome, tão manchado hoje, na história dos grandes momentos dos playoffs:



Em 2005 eles se pegaram no estágio mais avançado que podem se enfrentar, a final do Oeste. O Suns tinha feito a melhor campanha do Oeste e o Spurs a segunda melhor, o Spurs tinha o trio Duncan-Manu-Parker no seu auge e o Phoenix vivia sua primeira temporada com o MVP Steve Nash, acompanhado pelo seu melhor grupo de apoio: Amar'e Stoudemire, Shawn Marion, Joe Johnson, Quentin Richardson e Jim Jackson. Mas não deu, apesar dos jogos disputados o Spurs venceu por 4 a 1 e foi aí que começou a mostrar que era o time que melhor sabia lidar com a correria imposta pelo técnico Mike D'Antoni. Muitos torcedores do Suns, porém, irão lembrar que Joe Johnson não jogou toda aquela série, machucado, e quando voltou, jogou sem total condições físicas.

Aí veio o confronto de 2007, um clássico.
-No jogo 1, vitória apertada do Spurs em Phoenix quando o Nash não conseguiu jogar boa parte do minuto final por um nariz sangrando. Sem dúvida alguma um dos momentos mais angustiantes da história da NBA foi ver o Suns, 100% dependente do seu armador, tendo que jogar o fim da partida com o Nash no banco porque o seu nariz sangrava sem parar.



-Jogo 2, a revanche: com uma vitória de 20 pontos de diferença para o Suns. 20 pontos e 16 assistências para Steve Nash.

- Partida 3, já em San Antonio, teve joelhada do Bowen no saco do Nash, o Ginobili com o olho sangrando e, claro, uma vitória do Spurs. Ninguém bate no Ginobili sem ver ele entrar em modo berserk logo depois.

- Jogo 4. Bom, o jogo 4: virada espetacular do Suns, falta dura do Horry, que foi expulso, invasão de quadra dos jogadores do banco de reserva, suspensões, gente xingando a mãe, gás lacrimogênio. Épico!



Com a série empatada em 2 a 2 o jogo 5 era essencial para o Suns, que tinha que vencer em casa e forçar, no mínimo, um jogo 7 também em Phoenix. Mas essa confusão toda rendeu a suspensão de Amar'e Stoudemire e de Boris Diaw, a alternativa bizarra que o D'Antoni usava no pivô. Sobrou então um time titular de Nash, Raja Bell, Leandrinho, Shawn Marion e Kurt Thomas. Do banco, quase ninguém: James Jones jogou 28 minutos e só, mais ninguém. E mesmo assim o Suns liderou por 16 pontos, mas entregou a rapadura e perdeu por 88 a 85 com uma bola de 3 do Bruce Bowen, justamente dele.

A partida 6 foi uma mera formalidade, o Spurs venceu sem dificuldades um Suns completamente traumatizado da última derrota e chorão até demais em relação às suspensões do jogo 5.

Para terminar a freguesia houve o confronto na primeira rodada de 2008, quando o Suns já contava com Shaquille O'Neal. Aliás, a presença dele foi assunto: primeiro porque tudo indicava que o Suns o tinha contratado só para parar Tim Duncan e a força do garrafão do Spurs, tem elogio melhor ao adversário do que uma contratação só para enfrentá-lo? Depois porque de arma a favor ele acabou virando arma contra, quando o técnico Greg Popovich usou e abusou do polêmico Hack-a-Shaq em toda a série.

O resultado? Vitória do Spurs. O jogo 1 resume todo o confronto entre as duas equipes desde 2002: bola de 3 do Finley no último segundo para levar o jogo para a prorrogação, bola de 3 do Duncan (sim, do Duncan, a única dele na temporada) nos últimos segundos para levar o jogo para a segunda prorrogação e bandeja do Ginobili a um segundo do fim para a vitória.

Não adiantava o Suns fazer nada, sempre dava Spurs. Será esse ano o ano da mudança?

O que o Suns precisa fazer para a vencer a série:
Antes de mais nada, se benzer. Não acredito nessas coisas mas é melhor apelar pra tudo quando a zica (e a freguesia) é tão grande. Mas analisando todas essas séries passadas, sabe que essa é a que eu enxergo o Suns com mais chance de vencer?

Primeiro porque uma das armas do Spurs sempre foi usar muito o Bruce Bowen marcando o Nash. Era um confronto terrível para o canadense que, como vocês viram, quase já renderam algumas bolas a menos. Hoje o melhor marcador que o canadense pode enfrentar é o George Hill, que está longe de ser o Bowen. Outro ponto importante são as presenças de Grant Hill e Jason Richardson no time, nenhum é gênio, mas são decentes no jogo de meia quadra. Forçar o Suns a jogar menos no seu ritmo sempre foi uma das armas do Spurs nas suas vitórias.

E, por fim, o Suns nem joga tão mais na correria assim! Claro que é um time veloz, que prefere o contra-ataque, mas não é tão dependente assim da velocidade e é um time mais comum do que era antes. Embora pareça a príncipio um comentário negativo, tira um dos trunfos do Spurs.

O que o Spurs precisa fazer para vencer:
O Nash é a alma do Suns, se você para o armador, para o resto do time. Então para isso serve tudo o que eles já usaram, como colocar o Parker o atacando o tempo inteiro e também vale colocar todo mundo em cima dele pra ver se freia o cara. Parker, Ginobili, Hill, os três juntos vestidos de palhaço, qualquer coisa! Se alguma formação chegar perto de incomodar o Nash como o Bowen incomodava, o Spurs está perto da vitória.

Outro matchup complicado para o Spurs é entre Amar'e e Duncan. Como disse antes o Amar'e é um dos poucos no planeta a saber enfrentar o ala do Spurs, muitas vezes deixando o Duncan com problemas de falta. Uma das soluções encontradas nos anos anteriores era deixar outro jogador marcando o quatro olhos do Suns durante um pedaço do jogo, mas quem faria isso hoje? Blair? McDyess? Não custa tentar.

Com os dois jogadores minimizados na defesa é hora de partir para o ataque, lá é fazer tudo o que eles fizeram contra o Dallas. Estabelecer o Duncan no garrafão, Ginobili e Parker atacando a cesta quando possível e rezar para que Richard Jefferson e/ou George Hill contribuam com os arremessos de longe. Nos poucos minutos que o ataque balanceado do Spurs funcionou no jogo 1 a defesa do Suns entrou em colapso e o ataque, forçado a ficar mais lento, ficou também menos eficiente. Nunca achei que ia dizer isso, mas para o Spurs a melhor defesa é o ataque.

...
Palpite: Suns 4 x 2 Spurs. Tá bom, hoje tem Corinthians na Libertadores então acordei sonhador, fazer o quê? Mas realmente acho que as mudanças de elenco e de postura das duas equipes nos últimos anos favorecem o Suns, que está sangrando pelos olhos de desejo de eliminar seu maior rival.

Mas palpito com medo da freguesia. Mudam os times, fica a mística. Ou ninguém lembra do que aconteceu no confronto da temporada regular nesse ano?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Astros requentados

Kevin Garnett, depois do bingo, tira um cochilo em sua cadeira de balanço


Amanhã, quinta-feira, finalmente saberemos quem são os reservas para o All-Star Game, o tão aguardado "jogo das estrelas". Os reservas são eleitos pelos técnicos da NBA, ou seja, gente que acompanha os jogos de perto, e tendem a levar em conta o merecimento de cada jogador. Ser reserva no All-Star é, em geral, um prêmio por uma boa temporada, é o reconhecimento por estar jogando em alto nível, é ser aceito entre os grandes de acordo com o olhar dos técnicos que te enfrentam diariamente. É por isso que todo mundo dá palpite em quem deveriam ser os reservas, quem anda merecendo a vaga, quem deveria ser All-Star pela primeira vez, quem vai ser ignorado de novo pela milésima vez.

Mas quando falamos dos titulares do All-Star Game, não adianta dar palpite. Escolhidos por fãs ao redor do mundo, os titulares não estarão no jogo das estrelas por mérito, campanha impressionante ou números de alto nível. São eleitos porque são famosos, porque conseguem mais fãs, porque são de uma nacionalidade munida de bilhões de membros. Não há critério ou debate, os escolhidos são aqueles que o povo quer ver, seja lá qual for o motivo.

No começo desse blog, quase três anos atrás, escrevi sobre o absurdo que eram essas campanhas para votar no Nenê e no Leandrinho simplesmente por eles serem brasileiros, como se ter nascido dentro de uma estranha linha imaginária traçada no chão fizesse deles mais merecedores de ir ao All-Star Game do que outros jogadores, muito melhores. Mas ser titular não está relacionado com mérito, está relacionado com preferências muitas vezes idiotas, guiadas por patriotismo, bairrismo e um tanto enorme de desinformação.

Para os chineses, é legal ver o Yao Ming por lá como titular não importa o que aconteça. Se um monstro gigante atacar o Oriente, o Jaspion não conseguir derrotá-lo e o Yao Ming tiver as pernas arrancadas no processo, ele mesmo assim será eleito titular. Mas para o Yao e o resto do mundo, que estão vendo esses votos cegos e despropositados, é bastante vergonhoso. Imagino a cara de bunda do Yao se arrastando pra dentro da quadra sabendo que não deveria estar ali, mas está porque tem olhos puxados e o apoio de bilhões de chineses que não necessariamente assistem basquete.

São esses chineses quase levaram o Tracy McGrady para o All-Star Game esse ano. Apesar de jogar sete minutos por jogo num par de partidas até o técnico Rick Adelman deixar ele de castigo para sempre, quase foi titular porque os chineses são malucos pelo Houston Rockets. Se o T-Mac fosse deixar o All-Star mais legal, se ele fosse um jogador essencial, os votos até seriam justificados, mas a verdade é que provavelmente votaram nele porque não conheciam outro armador pra colocar no lugar. Eu entendo gente votando no Rafer Alston como titular pra ver se ele dá uns dribles de seus tempos de And 1, eu entendo gente votando no Shaq porque ele vai fazer quarenta piadas por minuto durante o jogo. Mas me entristece ver jogadores que estão ficando velhos receberem milhões de votos de torcedores que não sabem que os tempos mudaram e outras caras surgiram. Tem gente que vai votar no Vince Carter pelo resto da vida, nem lembrando que ele não enterra mais, passa os jogos inteiros do Orlando arremessando de três pontos (em geral uns três passos atrás da linha de três, como aconteceu na última partida da equipe contra o Grizzlies) e que outros jogadores, muito mais espetaculares, surgiram e estão cheirando a talco de nenê.

O Tracy McGrady não joga há praticamente dois anos, seu corpo está tão danificado que ele deveria começar a considerar um ritual de magia negra para transferir seu espírito para dentro de um boneco, no maior estilo "Brinquedo Assassino". Quando perguntado sobre sua vaga de titular no All-Star Game que se aproximava, T-Mac riu, disse que era culpa dos chineses e afirmou que não apareceria, que teria vergonha de jogar. Por sorte, Steve Nash acabou passando T-Mac nas votações finais, provavelmente graças à sua sensacional campanha:


O Nash vai para o All-Star depois de ter mostrado que consegue rir da própria cara, e o T-Mac vai ficar em casa (ou na enfermaria, o que é mais provável), por sorte. No entanto, Allen Iverson será titular porque as pessoas ainda acham que ele é o mesmo jogador de uma década atrás. Infelizmente preferiram requentar um ídolo velho e caindo pelas beiradas do que conhecer Joe Johnson, Rajon Rondo ou Derrick Rose. Pessoalmente sou um fã incondicional do Kevin Garnett, mas diabos, tenho a camiseta dele no Wolves aqui em casa, o que significa que já faz uns anos desde que ele era o melhor jogador dessa budega. Agora ele está mais velho, limitado por lesões, com pouco tempo de quadra e um estilo de jogo muito mais modesto, é hora de eu seguir com a minha vida e escolher outra pessoa para votar no All-Star Game. Que tal o Chris Bosh, que chuta traseiros (e tem um pescoço de dinossauro), ao invés de ficar insistindo num jogador que mal participou dessa temporada? Parece gente que passa uma década sem esquecer do ex-namorado e fica seguindo o sujeito pela rua. A vida continua, pessoal! Tá legal, o Duncan é o melhor ala de força de todos os tempos, mas não é hora da gente deixar de ver ele dando ganchinhos no All-Star Game quando sua produção tem caído com o passar dos anos?

Allen Iverson está envergonhado de ser titular esse ano. Ele tem que olhar para jogadores no vestiário que sabem que ele não deveria estar ali. Os torcedores que não fazem ideia de que ele não pertence à elite botaram o coitado numa situação constrangedora, uma última constatação de que ele está se arrastando na NBA graças a seu nome e sua fama, não seu jogo. É por isso que bato tanto na tecla de deixar para lá essa mania de ficar babando nos astros do passado. O Jordan foi fodão, legal, legal, mas o que os pirralhos estão fazendo agora? Ficar chorando que só Michael Jordan era realmente bom é perder a chance de acompanhar as novidades, é gerar comparações desnecessárias, é impor aos novatos um padrão a ser seguido. Quanto mais fácil for se desvencilhar do passado (lembremos com carinho, mas não fiquemos agarrados a ele!), mais jogadores terão a oportunidade de trilhar seus próprios caminhos, jogar com originalidade e criatividade, e jogar All-Star Games com gosto e vontade. O Allen Iverson nem tem mais tesão de jogar essa brincadeira, pra que levar ele pelos próximos 20 anos enquanto algum pirralho está doido pela oportunidade de fazer piada e se sentir reconhecido? Nós já entendemos que o All-Star é uma grande brincadeira e que quem leva a sério não tem senso de humor nem coração, então que as novas estrelas com o senso de humor necessário para tornar a brincadeira divertida participem. É hora de deixar os velhinhos dormindo em casa, eles são chatos e preferem tricô mesmo.

Mas amanhã pelo menos teremos os reservas para debater os critérios e os méritos de seleção, ao invés de uma votação aleatória de fãs vivendo no passado. Quem serão os reservas de cada conferência? Hora de arriscar os palpites, porque amanhã analisaremos a lista oficial assim que sair. Até lá!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Profundidade a prova

Free Hugs

Contusões servem para muitas coisas na NBA. Uma delas é para estragar jogos que a televisão comprou meses antes. Quantas vezes na temporada passada não fomos obrigados a ver o Wizards passar vergonha em rede nacional só porque um tempão antes a ESPN tinha achado que era uma boa idéia passar um jogo do Gilbert Arenas? Tortura das mais cruéis aquela.

Mas em outros casos as contusões obrigam os times a se virar e eles se viram muito bem. Exemplo mais óbvio que o Houston Rockets, que insiste em parecer melhor quando não tem T-Mac e Yao Ming, não existe.

Então quando o Blazers começou a querer parecer o Clippers, fiquei na dúvida sobre o que esse time seria. Em questão de semanas eles perderam o Greg Oden, o Travis Outlaw, o Rudy Fernandez, o Nicolas Batum, os novatos Jeff Pendegraph e Patrick Mills e até o técnico Nate McMillan se machucou ao mostrar um movimento de defesa em um treino da equipe. Era a hora de mostrar se a tal profundidade exemplar do Blazers era mesmo de verdade.

Eles começaram capengando, em um mês de temporada foram 4 derrotas em casa, contra 7 em toda a temporada passada. Chegaram ao cúmulo de perder para o Grizzlies dentro do Rose Garden. Nos últimos jogos perderam para o Knicks, depois para o Bucks, Cavs, e venceram o Kings num jogo suado e vencido na marra. Mas ontem parece ter começado uma nova fase.

Não que vencer o Suns fora do Phoenix tenha sido uma missão lá tão difícil. Invicto em casa, o time do Nash tem só 50% de aproveitamento fora. Mas o jogo de ontem foi simbólico porque mostrou superação em um time que parecia cada vez mais apático e deu uma luz de que formação eles podem usar para voltar a vencer.

Depois de pagar uma nota preta pelo Andre Miller, o Blazers, claro, está usando ele como armador titular, mas não tem dado nem um pouco certo. Quando a troca foi feita eu achei que um armador não deveria ser a prioridade do Blazers (e não foi, é verdade, eles tentaram o Millsap antes) mas que mesmo assim tinha sido um acerto. Na minha cabeça, embora ele não fosse veloz e jogasse na correria, talvez justamente isso fizesse com o que o Blazers fosse um time mais completo. Não teria como ele atrapalhar. Um cara experiente, que sabe distribuir a bola, poderia muito bem dar certo em um time talentoso daquele. Mas sua lentidão, o quanto gosta de ficar com a bola na mão e o fato de não ter um bom arremesso de longe estão incomodando muito mais do que eu poderia imaginar.

É mais ou menos como o Elton Brand no Sixers. Antes a gente achava que só faltava um cara de garrafão pra eles, agora que tem ele parece atrapalhar até quando joga bem. Mesmo quando num bom dia, parece que está indo para o lugar oposto do resto do time, um incomodo. Melhor o Speights num dia mediano do que o Brand num dia bom e melhor um Steve Blake coadjuvante do que um Andre Miller protagonista.

Ontem o Andre Miller jogou por 17 minutos apenas e o time perdeu por 7 pontos nos minutos em que ele esteve em quadra. Com o Blake a coisa andou melhor e o auge do Blazers no jogo foi quando o Jerryd Bayless assumiu a armação da equipe. Sim, aquele Bayless que o Blazers pegou no draft do ano passado, que foi o melhor jogador das ligas de verão e que não tinha um minuto de quadra sequer no ano passado.

No ano passado o Bayless só entrava no garbage time para enfrentar os Scalabrines da NBA. Era o Steve Blake titular, o Sergio Rodriguez reserva e depois ele. Nesse ano saiu o Sergio e entrou o Andre Miller. Mas o que o Nate McMillan deve ter sacado agora, na marra, é que o Bayless não tem nada a ver com nenhum desses e que por isso mesmo pode ser o melhor parceiro para o Brandon Roy.

O Roy é daqueles shooting guards, os armadores da posição 2, que gostam de ter a bola na mão. Gosta de ditar o ritmo do jogo principalmente nos momentos decisivos. Caras assim pedem ajudantes que o complementam, como caras que arremessam de três ou cortam para a cesta atrás de um passe. O Andre Miller prefere comer repolho com mostarda a fazer qualquer uma dessas duas coisas. Não à toa, o Steve Blake, bom arremessador, era visto em quadra nos quartos períodos.

O Bayless é um mini Brandon Roy. É menor, mais elétrico, também gosta de bater pra dentro e tem um arremesso decente de longe. Ontem, com os dois em quadra, a bola podia ficar na mão de qualquer um deles e um podia fazer o papel do outro. Vimos o Bayless infiltrar pra fazer a cesta (ou tomar a falta, ele é a Rihanna num garrafão de Chris Browns) ou passando para o Roy, que infiltrava e passava para o Bayless, que ou chutava de três ou estava nas costas de um pivô recebendo a bola. O time ficou tão dinâmico com os dois dividindo os papéis dos dois armadores que o Suns não sabia mais o que fazer.

O Phoenix chegou a abrir uma grande diferença, mas liderados pelos 27 pontos do Roy e os 29 (em 29 minutos) do Bayless, a vitória de virada, empolgante, aconteceu. Engraçado que o grande jogo da carreira do Roy, que o levou ao status de estrela, foi também contra o Suns, quando marcou 52 na temporada passada. O Bayless não é do nível dele, mas parece saber disso. Contou em uma entrevista após o jogo que já conversou muito com o seu companheiro de time dizendo que os dois podem fazer em Portland o que Mo Williams e LeBron James fazem em Cleveland.

No Cavs o Mo Williams é meio armador, meio arremessador. Eventualmente o LeBron quer abraçar o mundo e vira armador, transformando o cabeça de azeitona em seu shooter particular. Essas ações divididas de jogar com ou sem a bola dão certo nos melhores dias do Cavs e acho que podem dar muito certo no Blazers também. Eu ainda começaria os jogos com o Steve Blake de armador principal, por eles ser mais tranquilo que o Bayless, que deve tomar a mesma água do Joakim Noah. E com certeza começaria a procurar pela NBA times interessados em levar o Andre Miller.

No fim das contas esse momento ruim do Blazers está servindo para muitos jogadores considerados bons terem espaço para mostrar que são mesmo. O Martell Webster, por exemplo, está conseguindo provar que é muito mais que um arremessador, que pode brigar por rebotes, infiltrar ou humilhar o Grant Hill. Já o Pryzbilla a gente já sabe que é um bom pivô e quebra um galhão na ausência do Oden.

Ou seja, o time é bom, o elenco ainda é profundo demais. Só que o elenco cortado pela metade exige que os jogadores lidem melhor com mais minutos em quadra, com o cansaço, tem menos gente para cobrir um jogador que está num dia ruim e alguns caras acostumados a jogar com os reservas precisam se adaptar aos titulares. Dificuldades que vão deixar o Blazers longe da briga pelo topo da divisão Noroeste mas mais do que preparados para brigar de igual pra igual com qualquer um nos playoffs. E Bayless, a gente entendeu o que você quis dizer, mas você nunca começa a carreira na NBA dizendo que quer ser o Mo Williams, nunca.

sábado, 31 de outubro de 2009

Adversários

A defesa do Warriors é tão forte que dá tempo de pedir ajuda do Amar'e pra enterrar


Nós, como todo mundo que lê o blog, estávamos ansiosos pelo começo da temporada e naturalmente temos vontade de sair julgando times e jogadores o mais rápido possível: o Jennings é o melhor novato por ter estreado com quase um triple-double (17-9-9), o Cavs vai ser um lixo, o Carmelo Anthony vai ser MVP e por aí vai. Natural, mas burro. Acontece que alguns times só jogaram uma vez até agora. Esse jogo único ou até os dois primeiros até podem indicar alguma coisa, mas muito também é definido pelo adversário que se enfrenta.

O exemplo mais claro até agora veio do Charlotte Bobcats. Jogaram duas vezes e não tiveram nenhum jogo, digamos, normal. No intervalo de três dias visitaram os dois extremos da NBA: primeiro pegaram o Boston Celtics, a melhor defesa da NBA e em Boston, para então duas noites depois enfrentarem, no conforto do lar, o New York Knicks, possivelmente a pior defesa. Impossível saber o que esperar do Bobcats regularmente.

Somando, subtraindo e fazendo raiz até dá pra tirar uma média e assistindo aos jogos dá pra arriscar. Contra o Celtics eles tiveram a pior estréia da história da NBA e contra o Knicks precisaram de duas prorrogações para chegarem aos 100 pontos, a que tudo indica que o ataque continua bem fedido. O Bobcats tem tudo pra ser um dos times mais feios de se ver jogar na NBA nessa temporada, quem quiser arriscar pra ver se essa previsão de primeira semana é verdadeira ou não, fique à vontade pra assistir aos jogos deles.

Outro jogo de extremos ontem foi o Suns e Warriors, correria maior do que em jogo de futebol de várzea. Os dois claramente se recusam a defender e apostam corrida pra ver quem consegue arremessar mais rápido, não dá pra julgar o desempenho geral de um time vendo ele atacar apenas contra cinco cones mal distribuídos.

No meu último post eu comentei que o Suns não tinha nem arremessado muito de três e nem conseguido encaixar contra-ataques na sua estréia contra o Clippers. Aquele jogo foi arrastado e eles venceram apenas com uma bandeja do Nash no finalzinho do jogo. Aliás, o Nash comentou sua cesta dizendo "Eu fui para o arremesso-de-velho-branco-no-clube e deu certo".
Em compensação, contra o Warriors o velho branco meteu 20 assistências, o Suns acertou 12 bolas de 3 (metade só do Channing Frye!) e eles conseguiram 30 pontos de contra-ataque, a melhor marca da temporada nessa primeira semana.

Mais uma vez fazendo a média só dá pra saber, por enquanto, que o Suns vai tentar correr. Se vão ter sucesso nisso só saberemos quando enfrentarem times um pouco melhores. O que deu pra perceber muito bem ontem é que ou você aperta um pouco mais o Nash ou ele vai te destruir mesmo com 90 anos de idade. No Suns, quem começou bem a temporada também foi o Leandrinho. No jogo contra o Clippers ele teria sido o responsável pela bola vencedora do jogo, um arremesso de 3 a 23 segundos do fim do jogo, se o Rasual Butler não respondesse empatando o jogo com um arremesso de três mais forçado que atuação do cigano Igor. No jogo de ontem, como titular, nosso Barbosa fez 23 pontos e foi o cestinha do Suns.

Ao mesmo tempo que levar em consideração os adversários que cada time enfrentou é inteligente e ajuda você a não fazer previsões furadas (como estou acostumado a fazer, né Atlético?), às vezes pode ser uma coisa bem perigosa. Só ver o Raptors, que na estréia derrotou com autoridade o Cavs e dois dias depois tomou porrada do Grizzlies! E não foi uma vitória qualquer dos ursinhos, foi marcando 115 pontos, com 6 jogadores passando dos 10 pontos e uma boa partida do Zach Randolph. Sim, o nosso obesinho favorito foi o cestinha do time com 30 pontos, deu mais assistências (3) do que cometeu turnovers (2) e ainda deu um toco! No Chris Bosh! Certeza que rolou uma churrascaria depois pra comemorar.

Foi o mesmo Grizzlies que antes tinha tomado uma sacolada do Pistons, que ontem perdeu do Thunder. Isso sem contar o Mavs, que perdeu em casa do Wizards sem Jamison mas bateu o Lakers com facilidade em Los Angeles. A milenar filosofia do "isso pode querer dizer alguma coisa ou não" da pré-temporada ainda vai durar algum tempo. Até lá vamos assistindo, matando a saudade e vendo Top 10 do dia. Babem nas enterradas de Rudy Gay e Shannon Brown.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Quase tudo definido

-Quem é você, camisa 12?


Ontem a NBA teve dois jogos decisivos na briga pelas últimas vagas nos playoffs. O Dallas enfrentou o Suns e o Pistons enfrentou o Bobcats, o destruidor de Lakers. E o resultado dos jogos confirmou que a briga por vaga nos playoffs nem foi tão legal assim nesse ano. Ainda faltam mais ou menos 5 jogos pra cada time e os 16 classificados estão praticamente resolvidos.

O Suns já tinha uma missão dificílima pra desbancar o Dallas da oitava colocação, mas talvez uma vitória na casa do adversário servisse não só pra cortar a diferença como pra botar medo no Mavs. Sabe como o time do Dirk é amarelão, né? Se perderam 4 jogos seguidos para o Miami na final de 2006, por que não perder de novo agora que o time é pior? Mas a verdade é que depois do jogo de ontem ficou bem claro que mesmo que o Mavs perca todos os jogos, o Suns não vai ganhar todos os dele. Em outras palavras: perdeu, playboy.

Legal para o Mavs que teve um jogo ótimo, legal para o Jason Kidd que deu 20 assistências e passou o Magic Johnson para ser o terceiro maior assistente da história da NBA. Mas a verdade é que o Dallas garantiu apenas a chance de ser atropelado pelo Lakers nos playoffs.

O Mavs é um time do passado. Não é que o time seja velho, tanto Kidd quanto Dirk, Terry e Josh Howard ainda jogam bem. Mas a melhor fase da equipe já passou, as grandes atuações se repetem com cada vez menos frequência e ninguém teve coragem de recomeçar tudo. Quando tiveram coragem de mudar, trocaram um armador por outro. Os resultados continuaram os mesmos. O Kidd até joga bem ainda, mas o time está estagnado como um time mediano. Melhor às vezes é perder de uma vez, reconstruir e começar de novo. Falando em perder...

O Suns não ir para os playoffs não parece tão absurdo depois dos mais de 70 jogos que vimos eles jogarem nessa temporada, mas vendo por outros lados, o fracasso deles é algo mais que impressionante, é histórico:

-A última vez que um time com o Shaquille O'Neal não foi para os playoffs foi o Orlando de 93, temporada de novato do Diesel.

-Será a primeira vez que o Nash não joga os playoffs desde a temporada 2000-01.

-Não consegui achar os números certos para saber se é a primeira vez que acontece isso, mas o Suns está bem próximo de ser o líder em pontos da NBA e ficar fora dos playoffs. Imagino que se isso não é inédito, é no mínimo bem raro.

- Na parada do All-Star Break da temporada passada o Suns era o LÍDER do Oeste. Líder. Meia temporada depois eles estavam em sexto e uma temporada depois estavam fora da pós-temporada. Alguém lembra de ter visto uma decadência tão rápida?

Por um lado acho que essa derrota é boa para o Suns. Imagine que eles conseguissem a oitava vaga e que motivados por uma tola rivalidade conseguissem fazer o Lakers suar na primeira rodada dos playoffs. O Steve Kerr, GM do Suns, já ia ficar pensando que era só Amar'e voltar na temporada que vem que tudo estaria de volta ao seu lugar. O que é mentira.

Mesmo com o Amar'e jogando nessa temporada, o Suns continuava com os mesmos defeitos de sempre. Eram um time melhor com o grandalhão lá no meio mas ainda não sabiam defender e perdiam de times top de linha. Essa derrocada do Suns é necessária porque é a derrota simbólica que eles precisam para reconstruir um time que deu show mas que já deu o que tinha que dar.

Eles tem que aproveitar que o Nash ainda tem valor de troca (e ano que vem tem mais valor porque tem contrato expirante), que o Shaq ainda tem bastante valor e fazer algumas mudanças, deixar o time mais novo e definir uma cara para essa nova equipe. Também poderiam aproveitar para achar um técnico de verdade para colocar no lugar do Alvin "Hora do recreio" Gentry.

Pelos mesmos motivos, o resultado de Pistons e Bobcats me decepcionou bastante. Seria muito mais interessante ver a empolgação e a novidade do Bobcats indo para os playoffs pela primeira vez do que ver a triste cena do Pistons decadente tomando 4-1 ou 4-0 do Cavs. Perder essa oitava vaga também seria o chacoalhão que o Pistons precisava para mudar umas coisas na equipe.

Assim como o Suns, o Pistons é um time que teve sucesso nos últimos anos e que não perdeu a qualidade do elenco, perdeu apenas a qualidade como time. Ou alguém aí vai dizer que Stuckey, Iverson, Hamilton, Prince, McDyess e Rasheed de repente são ruins? O Atlanta joga melhor com um elenco bem pior.

Essas peças boas não devem de jeito nenhum ser trocadas a preço de banana só pelo prazer de recomeçar do zero, digo o mesmo para o Suns, mas tá na hora de mexer no time. A começar pelo técnico, o Michael Curry, que se ferrou ao perder o seu armador principal e cabeça do time com alguma semanas de campeonato, o que fez o ataque do Pistons começar do zero, mas a defesa sempre esteve lá e de repente sumiu. Sem contar que a imprensa local diz que os próprios jogadores não respeitam muito o técnico, coisa parecida com o que já acontecia com o técnico anterior, o Flip Saunders.

Outra atitude já é bem óbvia depois que o Iverson disse que prefere se aposentar a vir do banco (frase que ele disse com tanta raiva que até deu um mal jeito nas costas que o tirou do resto da temporada, que coisa, não?), que é não renovar o contrato dele e liberar 20 milhões de espaço na folha salarial para reforçar a equipe.

Com o espaço disponível aparece outro dilema, o que fazer com Rasheed Wallace. Renovar o contrato ou não? Por quanto tempo? Por quanto dinheiro? Usá-lo ainda como pivô ou voltar a colocar ele como ala de força?

Eu acho o Sheed importante para o time como líder, como defensor e como arremessador de três, renovar com ele parece óbvio. Mas com o time mirando Carlos Boozer ou Chris Bosh para um futuro próximo, talvez fosse bom negócio só aceitar o Sheed se for por menos dinheiro. O boato do Boozer é até bem forte e renderia um ótimo garrafão. O time com Sheed e Boozer no garrafão, Prince e Hamilton fazendo o que sabem e o Stuckey tendo uma pré-temporada inteira para se preparar como armador principal seria bem interessante.

Falando em armador principal, ontem o Hamilton foi expulso no jogo contra o Bobcats e o Stuckey foi jogar na posição 2, levando o Will Bynum (O único Bynum da NBA que não quebra o joelho) para a quadra. E não é que o armador mané que veio da D-League há não muito tempo atrás chegou lá e quebrou um recorde que era do maior jogador da história do Pistons?

O Bynum fez 26 pontos só no quarto período e quebrou um recorde que era do Isiah Thomas e do Jerry Stackhouse. O Isiah fez 24 pontos duas vezes (em 83 e 89) e o Stack fez 24 uma vez em 2001. Uma das maiores e mais vencedoras franquias da NBA agora tem um recorde do Will Bynum, dá pra entender? É como se John Salmons quebrasse um recorde do Bulls que era do Jordan. Deveriam cancelar o recorde para o bem da história do time.

Eu queria mostrar um bom vídeo com a atuação do armador mas tá foda de achar. É engraçado ver que se o Kobe ou o LeBron espirram na quadra, tem 1000 vídeos mostrando o espirro, o pré-espirro, o espirro filmado por um torcedor, entrevista com o catarro e tudo mais. Agora quando o pobre Will Bynum faz 26 pontos em um período, não tem um videozinho decente sequer. As pessoas gostam mais de ídolos do que de basquete.

Terminando o assunto do jogo, para o Bobcats fica a sensação de uma boa temporada, a melhor da história da franquia. Desde a troca do Jason Richardson pelo Raja Bell e Boris Diaw, o time está com praticamente o mesmo número de derrotas e vitórias. Se esse aproveitamento de 50% tivesse acontecido desde o começo da temporada, os Bobgatos estariam hoje com a 7° colocação no Leste. Talvez seja o que aconteça já no ano que vem.


O que sobrou?
Com tudo decidido, as brigas mais importantes para acompanharmos nessas últimas semanas da NBA serão:

- Lakers x Cavs pela melhor campanha da temporada. Há uma grande chance dos dois times disputarem a final da NBA, e mando de quadra em final, pelo seu formado (2-3-2), é até mais importante que nas outras fases dos playoffs. (o Cavs tem uma vitória a mais, por enquanto)

- Magic x Celtics pelo segundo lugar no Leste. Se não acontecer nenhuma loucura na primeira rodada, o confronto de semi-final do Leste deve ser entre os dois times, quem acabar a temporada na frente tem mando de quadra. (O Celtics tem meio jogo de vantagem no momento)

- Heat x Sixers pelo quinto lugar no Leste. É bem simples, quem perder vai apanhar do Celtics ou do Magic, quem vencer joga de igual pra igual com o Atlanta e pode passar para a segunda rodada. (O Miami lidera por meio jogo)

- Spurs x Rockets x Blazers x Hornets x Jazz x Mavs. Nesse bumba meu boi desgraçado do Oeste são 3 jogos e meio separando o terceiro colocado, o Spurs, do oitavo, o Mavs. O Nuggets parece ter garantido o segundo lugar por já ter uma diferença de duas vitórias que nesse momento parece enorme. Os times estão num nível tão próximo que o mando de quadra pode fazer mais diferença do que nunca, a briga deve ser acirrada.


E visite nosso Tumblr, o Google Analytics mostra um número ridículo de visitas da nossa ferramenta tão bonita, meiga e divertida. Hoje temos lá um arremesso pirado do Rasheed, uma enterrada doentia do Von Wafer e as melhores fotos do dia.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Uns vão, outros vem

Varejão mantém a fama dos brasileiros de
serem um povo caloroso e amigo

(enquanto seu cabelo mantém a fama
de que "o que aqui se planta, tudo dá")



Assim é a vida: enquanto um perde, outro ganha; enquanto um sai da enfermaria, outro se contunde; enquanto um beija a Alinne Moraes, outro dá uns amassos na Preta Gil. É como se o Universo fosse uma equação tentando se balancear. Por isso, quando vi que, repentinamente, Monta Ellis voltaria de sua polêmica contusão para participar da partida de ontem contra o Cavs, fiquei preocupado. Alguém em algum lugar provavelmente iria se machucar feio, e as chances eram boas de que seria no Clippers, no Jazz ou no Houston.

O Clippers, como sabemos, é completamente macumbado e nada lá jamais pode dar certo. Baron Davis, Chris Kaman e Marcus Camby fazem turnos para ver quem fica contundido de cada vez, e se os três ficarem saudáveis ao mesmo tempo o espaço-tempo irá implodir. O Jazz não tem um histórico de contusões mas nessa temporada o negócio está feio, e não há oração mórmon que resolva: Carlos Boozer está de molho, Deron Williams passou um bom tempo fora, o surpreendente Paul Millsap volta e meia se machuca e o Kirilenko vez ou outra não pode sair do banco. Parece que todo mundo no elenco já passou algum momento dessa temporada na lista de contundidos, de verdade - mas dá preguiça de ir checar. Já o Houston não preciso nem falar, McGrady não teve um jogo saudável na temporada e resolveu descansar o joelho de vez, Ron Artest sofre com um tornozelo e Shane Battier com um pé inflamado. Não faz muito tempo em que comentei a fase do Houston como o eterno aguardo da derradeira contusão, a de Yao Ming, que cedo ou tarde teria que acontecer. Ou seja, Monta Ellis voltando para as quadras, meu Rockets enfrentando o Pacers, e tudo na mesma noite. Mal sinal.

Para provar que um raio cai quinze vezes no mesmo lugar, principalmente se esse lugar for um pivô chinês gigante, Yao Ming tomou uma trombada no joelho e, embora tenha tentado voltar pra quadra mesmo assim, nao conseguiu retornar para o segundo tempo. Embora os exames não tenham mostrado complicações, a pancada foi forte e todo mundo sabe que o chinês é feito em Taiwan, então tenho razões para me desesperar. As coisas até que estavam indo bem em Houston apesar das contusões, Yao estava tendo grandes partidas, o time estava usando o gigante como deveria e as vitórias estavam acontecendo. Mas pedir pra vencer o Pacers sem T-Mac, Artest e Yao é chutar o pau da barraca, quero ver o Spurs ganhar qualquer coisa sem Duncan, Parker e Ginóbili!

O causador de tudo isso foi Monta Ellis e sua recuperação alienígena, que obrigou o Universo a se balancear subitamente. De um dia pro outro, Ellis voltou a treinar com o time em jogos leves e, de repente, avisou que estaria em quadra contra o Cavs, foi titular e não sentava para descansar durante o jogo! Muito se falou, quando o Monta se machucou andando de motinho, do Warriors cancelar seu contrato milionário, principalmente porque existiam dúvidas sobre se sua condição física voltaria a ser a mesma. Então o sujeito foi de ter sua saúde em dúvida para jogar 34 minutos no primeiro jogo depois da sua contusão! Não importa quão bem o Monta Ellis esteja, não me interessa que ele esteja enterrando como nos velhos tempos, o Don Nelson deve ser retardado pra colocá-lo para jogar tantos minutos logo de cara. Ah é, tinha me esquecido: o Don Nelson É retardado, e a água é molhada. Continuemos.

O Monta Ellis começou o jogo um tanto enferrujado mas rapidinho voltou a ganhar ritmo e pareceu cada vez mais retomar a confiança no próprio físico, acelerando mais e mais o seu jogo, quase alcançando a velocidade da luz que lhe era tão comum uns tempos atrás. Mas o mais engraçado é que o Warriors fede tanto que, apesar de terem trocado por um armador principal (o Jamal Crawford) de modo que o Ellis não tivesse que ser improvisado na posição, como era a idéia original no começo da temporada, o Crawford se contundiu e a improvisação teve que acontecer mesmo assim. Parece que essa coisa de equilíbrio no Universo acontece lá dentro do próprio Warriors mesmo.

Com a volta do jogador que deveria ser sua estrela, o Warriors deu sinais de ânimo e teve uma boa partida contra um dos melhores times da NBA. Mas, quanto mais o jogo parecia destinado a um placar apertado, maiores eram as chances de derrota no quesito probabilidade: o Warriors vinha de derrota no último segundo para o Thunder num arremesso espírita do Jeff Green, e antes havia perdido também num arremesso de último segundo para o Kings, graças ao John Salmons, num jogo de três prorrogações. Como diria minha mãe depois de ler O Segredo, "a gente atrai aquilo de que a gente tem medo", e eis que o Warriors se viu ganhando por um ponto mas com a última posse de bola nas mãos do Cavs. Parece até piada. Bola para LeBron, e o resultado vocês podem ver no vídeo abaixo:



Fora o arremesso, o vídeo tem tantos momentos bons que vou até dividir em ítens:
- o Turiaf marcando o LeBron, provavelmente porque ele é o único na equipe que sabe soletrar "defesa" e é capaz de levantar os braços
- o Varejão correndo pra cima do LeBron para comemorar e quase atropelando o Turiaf no processo
- a garota vestida de havaiana (não o chinelo, por favor!) empurrando os jogadores do Cavs e depois mandando eles embora, e tudo rindo
- o Maggette em sua pose "O Pensador"
- o Andris Biedrins com sua moda "Jade"
- o Monta Ellis e sua cara de "pra quê que eu fui voltar pra essa budega?" enquanto aguarda o replay

Ou seja, a volta do Monta Ellis foi ótima, seus 20 pontos foram impressionantes e ele mostrou ter um fator de cura mutante que ajudará a fazer valer o contrato estratosférico que ele assinou antes da temporada começar (se for demitido, pode tentar uma vaga nos X-Men). Mas ainda falta muita coisa para o Warriors ser um time e não um circo - quem sabe um pouco de consistência e menos narizes de palhaço?

Mas o Ellis não é o único que veio, e o Yao não é o único que foi. O técnico Marc Iavaroni, que estava apenas em sua segunda temporada no Grizzlies segurando um punhado de cocô na mão e tendo que fazer um bolo de chocolate, foi - pro saco. Eu até tinha uma certa vontade de conhecer o sujeito mas não deu tempo, alertamos sobre o potencial do Grizzlies e talvez por isso fosse importante passar a mensagem de que perder o tempo todo não será algo tolerado. Era inevitável, um técnico inexperiente guiando um time porcaria só poderia ser prejudicial para o próprio técnico, era uma situação em que ele só tinha como sair perdendo. Pro time, não fazia muita diferença mesmo quem estivesse no comando.

Já pelo lado dos que estão vindo - no caso, para os playoffs - acrescente o Bobcats. O Denis acabou de falar sobre a equipe e o impacto que tiveram nela Raja Bell e Boris Diaw. Ironicamente eu acabei de falar sobre o Suns e como eles viraram farofa recentemente, e aí está: um sobe, o outro desce. O Bobcats de Boris Diaw engoliu o Suns vivo, quer dizer, se você considerar que o Suns estava vivo depois de perder para o Knicks. O Shaq teve mais uma boa partida e ainda assim conseguiu ser pessimamente utilizado, o time tem menos identidade do que figurante da Malhação e até o Nash deu uma air ball que ficou mais perto de acertar a cabeça de um mesário do que de bater no aro, o que é sinal do fim dos tempos. Para o Universo se equilibrar, para um time lendariamente horrível como o Bobcats chegar aos playoffs, um time sensacional precisa ir para o lixo. Pois então chamem a vigilância sanitária, alguém precisa enterrar o Suns porque o corpo já tá fedendo. Nem meu Houston, que é amaldiçoado, passa tanta vergonha assim.

Mas, como sempre, vale finalizar relembrando que a maldição do Houston cada vez mais parece fichinha perto da maldição dos ladrões de franquia, o time outrora-conhecido-como-Sonics! Lembram como eles perderam trocentos jogos no último segundo como punição por terem se transformado no Thunder? Pois essa maldição vingativa consegue ser mais forte até do que a maldição do Clippers!

O primo amaldiçoado do Lakers jogou sem Zach Randolph, Baron Davis, Marcus Camby e Chris Kaman, todos machucados. Jogadores que estavam tapando buraco também se lascaram, como Brian Skinner, Mike Taylor e até o Mardy Collins, que saiu ainda no primeiro quarto contundido. Como ganhar um jogo assim? Pra piorar, Ricky Davis teve que ser o armador principal titular, e todo mundo sabe que sua simples presença em quadra significa milhões de arremessos sem sentido, nenhum passe para companheiros e uma derrota garantida no currículo. Some isso à melhor partida da carreira do Kevin Durant, com 46 pontos, 15 rebotes e 24 lances livres certos em 26 tentados, e teríamos uma vitória fácil para o Oklahoma! Não foi o bastante: o Ricky Davis causou fissuras no Universo errando todos os seus 6 arremessos mas dando 11 assistências (sem nenhum desperdício de bola!) e o novato Eric Gordon fez 41 pontos, acertando 12 de 19 arremessos. Não adianta, esse tal de Thunder não pode vencer. Mas é bom que o Eric Gordon saia do Clippers o mais rápido possível, ele é bom demais e, assim que um jogador voltar de contusão, é bem possível que o Eric Gordon acabe se lesionando. Isso ou o Shane Battier vai quebrar o cotovelo num acidente jogando peteca em Houston. Torcedor de time amaldiçoado sofre!


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Nosso endereço, bolapresa.com, voltou a funcionar normalmente! Matamos dois burocratas, três telefonistas, três cabras e dois coelhos, mas tudo agora já está de volta ao que era antes. Não precisa mais ficar procurando no Google, tentando lembrar como se digita "blogspot" e nem procurando a gente no Orkut pra saber o que aconteceu! Aproveite a deixa e bata na porta da sua vizinha gostosa, diga que nosso endereço está funcionando outra vez, e quando ela te olhar com aquela cara de "que diabos esse fedelho está falando", lasque um beijo na garota. Se der certo, o primeiro filho terá que chamar Yao Ming, combinado?

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