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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pai rico, pai pobre

"Essa cidade é pequena demais para nós dois", aí os dois foram embora.

Comentamos bastante aqui sobre a saída do Jerry Sloan do Jazz. O técnico já teve desentendimentos com inúmeros jogadores durante sua longa carreira, bateu cabeça com o Deron Williams nos últimos meses, e dessa vez resolveu dar o fora, estava cansado. Não acho, de verdade, que o Deron tenha feito algo tão horripilante a ponto de tirar do time um técnico que passou metade da sua vida discutindo com armadores, mas a torcida de Utah não concorda comigo. Nas três partidas sem Jerry Sloan, três derrotas para o Jazz, Deron Williams foi bastante vaiado pelos torcedores. Defendemos aqui que o Sloan passou tempo demais no comando do time, sempre nesse limbo em que o time vai para os playoffs mas não tem chance de títulos, e de que era hora de mudar. Por mais difícil que seja, todos os torcedores precisam entender que o objetivo é ganhar títulos e que, volta e meia, é preciso abortar um time bom simplesmente porque ele não será bom o bastante.

Aparentemente, o Jazz estava realmente disposto a mudar as coisas. Negociou silenciosamente possíveis cenários de troca pelo Deron Williams ainda enquanto ele batia cabeça com o Jerry Sloan. Após a saída do técnico, no entanto, as negociações não pararam. Até que, sem nenhum aviso, Deron acabou de ser mandado para o Nets em troca de Devin Harris e Derrick Favors, além de duas escolhas de primeira rodada (uma do Nets, outra do Warriors) e 3 milhões de verdinhas. Definitivamente a negociação já está rolando há muito tempo, apenas aguardando que o Carmelo não fosse para o Nets (aliás, leia tudo sobre a troca do Carmelo para o Knicks em nosso post aqui), mas ninguém sabia dela. Não é legal que o mundo da boataria seja a maior perda de tempo do planeta?

Como todas as trocas do Jazz, temos sempre que levar em conta primeiro os motivos financeiros. O Jazz é o time que mandou Ronnie Brewer e Eric Maynor em trocas por nada apenas para liberar espaço salarial porque Utah é um mercado pequeno e limitado. O contrato do Deron Williams era de gordos 14 milhões, e seria de 16 milhões na temporada que vem, última do seu contrato. No meio desse ano, Deron seria liberado para assinar uma extensão se quisesse, e os boatos já começaram a aparecer de que ele não assinaria a extensão para manter aberta a possibilidade de jogar no Knicks, com Carmelo e Amar'e, caso o Jazz não tivesse chances de título até lá. Bem, o time não tinha muitas chances antes com Sloan e Carlos Boozer, está caindo pela tabela sem os dois e tem problemas financeiros, limitando muito as possibilidades de contratações. Na cabeça dos engravatados do Jazz, o Deron ganharia 16 milhões na temporada que vem (aquela que pode ser encurtada por uma greve e que vai piorar a situação financeira das franquias) apenas para sair da equipe na temporada seguinte, em troca de nada - ou forçando mais uma dessas trocas absurdas, como a do Carmelo. Caso o Deron ficasse no time, os engravatados precisariam decidir se vale a pena extender um contrato e pagar quase 20 milhões de dólares num mercado minúsculo para o armador de um time que, com novo técnico e sem padrão de jogo, precisa pensar em algum tipo de reconstrução. Pensando no bolso, na provável greve da temporada que vem, na situação do Carmelo e em perder uma estrela para o Knicks, o Jazz resolveu fazer a troca agora. Aproveitou as negociações provindas do desentimento do Sloan com o armador, aproveitou que o Nets estava disposto a abrir mão de muita coisa para não sair de mãos vazias depois de perder Carmelo, e aproveitou que a saida do Jerry Sloan é uma boa hora para reconstruir a equipe e pensar na pirralhada. Pirralhada barata, de preferência. Com o contrato de 17 milhões do Kirilenko, que vira farofa ao fim dessa temporada, e escolhas de draft do Nets e do Warriors, o Jazz pode respirar em paz com dinheiro nos bolsos e crianças para criar. O time não vai ser relevante por um bom tempo, mas vai ser uma reconstrução divertida de acompanhar.

Derrick Favors andou sendo muito criticado pelo seu começo de carreira no Nets e esteve em todas as propostas de troca que o time fez por Carmelo Anthony. Favors foi colocado em tantas propostas que não dava mais pra tentar enganar o rapaz e dizer que ele estava nos planos do Nets, ele tinha que ser trocado obrigatoriamente, não havia clima para ele ficar. Para o Jazz, foi uma boa. O rapaz é um excelente defensor, mas está tendo dificuldades de se acostumar com a NBA, comete muitas faltas e ainda não tem o físico necessário para defender em alto nível. No ataque, ainda falta muito para conseguir contribuir com regularidade. Mas dá pra ver que isso é apenas questão de tempo. Favors é um excelente reboteiro, se posiciona bem, é esforçado na defesa e não tenta demais no ataque. Em um ou dois anos, pode ser um grande jogador se tiver os minutos necessários para evoluir. Curiosamente, o Nets - mesmo fedendo e em total reconstrução - não estava disposto a lhe dar esses minutos, talvez preocupado em impressionar Carmelo ou em fugir do pior recorde do Leste de novo. No Jazz, Favors vai bater cabeça com Al Jefferson e Paul Millsap, mas talvez funcione se ele for reserva dos dois jogadores (e o Okur for mandando pra rua, como se cogita), assim como acontecia com o trio Boozer, Okur e Millsap. Na pior das hipóteses, o Jazz tem agora três jogadores de garrafão jovens, talentosos e com potencial pra burro para fazer alguma troca. A única certeza é que o Favors fica: por estar no contrato de novato, ele é o mais barato.

A única coisa estranha para o Jazz nessa troca é colocar a armação do time nas mãos do Devin Harris. Ele tem mais 3 anos de contrato, ganha mais de 8 milhões nas três temporadas, e está longe de ser um líder como Deron. É um dos armadores mais rápidos da NBA, chuta traseiros, mas sua ênfase é em pontuar - e se machucar. Como os grandalhões do Jazz vão reagir a um armador menos disposto a fazer os pick-and-rolls, marca registrada do time por décadas? Será preciso uma mudança completa no esquema tático, mas talvez funcione. Al Jefferson e Millsap mostraram nessa temporada, ao contrário do que se pensava, que rendem muito melhor embaixo da cesta do que nos arremessos de média distância como fazia Carlos Boozer. Talvez as infiltrações de Harris abram espaço para Millsap e Al jogarem bem próximos ao aro, finalizando de frente para a cesta, mas será uma mudança drástica de um esquema de jogo que está em vigor há uns 20 anos. Ou seja, finalmente o Jazz vai ser um time realmente diferente, com um armador muito distinto de todos os outros que jogaram sob comando do Jerry Sloan. Pode demorar, mas as mudanças vão fazer bem para a equipe e as trocas forçam o time a se repensar por completo, evitando o risco de que a mudança de técnico fosse apenas aparente, com o mesmo modelo tático sendo mantido pelo técnico substituto. Por um lado foi um modo de se obrigar a arriscar, a tentar algo novo. Por outro, foi uma mudança bastante controlada e medrosa de quem não quer ficar se preocupando com finanças nos próximos anos.

O Nets, por sua vez, só se preocupa é justamente com os próximos anos. Desde que comprou o time, o milionário russo Mikhail Prokhorov não fez outra coisa além de tentar garantir que o Nets tivesse estrelas relevantes ao se mudar para o Brooklyn daqui a 2 anos. A primeira intenção era ter Carmelo Anthony e o time tentou dar as calças por ele, o único jogador intocável era o Brook Lopez, porque pivôs são raros mesmo que o talento dele de pegar rebotes tenha sido roubado pelos Monstars do Space Jam. Como o Knicks fez de tudo para tirar o Carmelo do Nets e conseguiu porque, no fundo, o Carmelo queria mesmo era jogar com Amar'e, o milionário russo foi tentar outra estrela. O Deron Williams foi uma excelente oportunidade de mandar todas as escolhas de draft e o Derrick Favors que o Nets estava juntando há meses para o Carmelo. Parando pra pensar, o Nets provavelmente seria mais inteligente se mantivesse as escolhas e reconstruísse esse time aos poucos, mas é tudo uma questão de mercado. O time precisa chegar com alguma estrela no Brooklyn para vender ingressos e camisetas, mesmo que não tenha chances de titulo. A reconstrução foi agora colocada um pouco de lado em nome de Deron Williams, tantas vezes ovacionado como um dos melhores armadores da liga. O Favors era novinho e cheio de potencial, seria uma ótima para o futuro, mas Deron e Brook Lopez devem fazer uma dupla mais eficiente desde o primeiro dia - e devem vender mais ingressos e criar barulho, agitação, interesse. É claro que o Deron não ficou feliz em ir para o Nets, ele tinha esperanças de ir longe com o Jazz, adorava Utah por ser um lugar calmo e poder se dedicar à família, e estava flertando com a ideia de ir para o Knicks jogar com os amiguinhos. Agora vai para o primo pobre de New York jogar por um time de merda sem nenhuma chance de playoff nem no Leste, parece castigo! Mas esse descontentamento vai durar pouco: Mikhail não poupou esforços por uma estrela até agora, voou para a casa do LeBron para tentar convencê-lo, se encontrou com o Carmelo e fez trocentas promessas, e agora fará tudo de novo pelo Deron. O milionário vai prometer um elenco de apoio, vai pagar as taxas por extrapolar o teto salarial, vai convencer gente a ir jogar lá usando o nome do Deron, vai fazer campanhas de marketing violentas e tornar o Deron um dos jogadores mais famosos da NBA. O armador vai sair de um time que se livrava de gente boa porque não podia pagar e vai cair num lugar em que todo mundo vai querer jogar porque dinheiro não é um problema. Vai ser ovacionado como um dos maiores da NBA porque todas as oportunidades lhe serão dadas e todas as câmeras estarão apontadas. É outra realidade, e não há vontade de vida calma que vá resistir a isso. Deron agora vai poder fazer o que quiser com os jogadores que quiser,sem bater boca com o Jerry Sloan ou se preocupar com elenco de apoio e finanças. O Nets paparicou o primeiro jogador importante, que era o mais difícil. Agora vai atrás dos outros, nos próximos dois anos, mas deve ser tudo muito mais fácil - nos mesmos moldes de Celtics, Heat e Knicks.

A primeira parte da construção do elenco de apoio em volta do Deron Williams veio hoje mesmo. O Nets mandou o contrato expirante do Troy Murphy e uma escolha de draft de segunda rodada em troca de outros dois contratos expirantes: Dan Gadzuric e Brandan Wright. O primeiro é um pivô reserva para quebrar um galho na defesa, até melhor do que muita gente pensa porque comete poucas faltas e tem bom tempo de bola nos tocos. O segundo, Brandan Wright, pode jogar nas duas posições de ala e foi draftado com muita expectativa, mas ficou preso como refém do maluco do Don Nelson. Mesmo com a saída do técnico, o ala não teve minutos, se contundiu o tempo inteiro, mas ainda se espera que ele possa brilhar com a situação certa e os minutos necessários. Com a saída do Favors, o titular ao lado de Brook Lopez deve ser o Kris Humphries, que passou a jogar muito bem desde que começou a dar uns amassos na Kim Kardashian (vai ver o talento roubado do Brook Lopez foi pra ele). Mas o time precisa de um reserva, e Brandan Wright vai ter esses minutos à disposição para tentar mostrar alguma evolução, qualquer que seja. Já é um começo e garante que o time não fique muito esburacado com a chegada do Deron Williams. Para o Warriors, apenas foi uma questão de abrir espaço salarial se livrando de gente pouco usada, devem até mesmo mandar o Troy Murphy embora antes dele sequer pisar no ginásio.

Essas trocas foram uma boa demonstração de como funcionam os pequenos e os grandes mercados da NBA. O Nets, que se aproxima cada vez mais de um grande mercado em New York, só precisa de uma estrela para então começar a assinar cheques, pagar taxas e montar um bom elenco ao seu redor com veteranos e mais estrelas querendo ganhar títulos. É o que tenta também o Knicks com Carmelo, e o Nets se esforça para não ficar muito atrás da franquia vizinha. Já o Jazz precisa constantemente monitorar os gastos, cortar jogadores e salários, e agora finalmente aceita uma mudança grande para tentar criar um time competitivo e mais barato. Mas, por um tempo, vai ser hora de focar na pirralhada e nas escolhas de draft, e esperar a crise e a ameaça de greve ir embora. Numa liga movida pelo dinheiro, na hora da crise econômica apenas alguns times podem respirar tranquilos. Os outros precisam humildemente ficar um pouco de escanteio.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Preview 2010-11 / Golden State Warriors

Don Nelson conta aquela piada do "A-saltante"



Objetivo máximo: Chegar, suando, aos playoffs
Não seria estranho: Acabar em último do Oeste
Desastre: Não ter a primeira escolha do próximo draft

Elenco:

Golden State Warriors
Titulares
Reservas
Resto
PG
Stephen Curry
Jeremy Lin*
SG
Monta Ellis
Charlie Bell
Rodney Carney
SF
Dorrell Wright
Reggie Williams
Brendan Wright
PF
David Lee
Ekpe Udoh*
Vlad Radmanovic
C
Andris Biendris
Dan Gadzuric


Técnico: Keith Smart

Uma das coisas que mais nos perguntam no formspring do Bola Presa é quando o Don Nelson vai se aposentar. Há uma sensação constante, por entre os três ou quatro torcedores do Warriors que existem por aí, de que a única coisa que impede a equipe de ser campeã é o técnico louquinho. Agora ele  está oficialmente dando o fora, demitido por uma franquia desesperada por um novo começo, e os torcedores poderão finalmente respirar aliviados. Quer dizer, até perceberem que o Warriors vai continuar mais ou menos a mesma coisa sem ele.

Na temporada passada, o Denis escreveu um perfil fantástico sobre Don Nelson, o gênio que inova sem parar na quadra de basquete, enlouquecendo seus adversários enquanto enlouquece também seus próprios jogadores ao não lhes dar padrões ou critérios. Suas constantes experimentações, cada vez mais ousadas conforme os resultados foram piorando nos últimos anos, tornaram o Warriors motivo de piada. Ao invés de parecer inovador, enfrentar pela décima vez um time que não defende e tem armadores improvisados no garrafão dá a impressão de vitória fácil, de que o outro time está fazendo piada ao invés de tentando a vitória. Tudo, claro, é simples questão de resultado: se o time vence com um armador jogando de pivô, é genialidade do técnico; se perde diversas vezes seguidas, inventando outras táticas ainda mais estranhas, é maluquice do técnico. É tipo naquele filme "Bud, o cão amigo": se você sai vencedor usando um cachorro em quadra, vai virar até filme da Disney, caso contrário é apenas a ideia mais idiota que alguém já teve depois de um cão que é policial. Nesse Warriors com péssimos resultados e assolado por lesões, as instromissões do Don Nelson pareciam, por isso, brincadeira de cientista maluco ou de Feira de Ciências de sétima série. Ao perderem a efetividade, as táticas deixaram de trazer vitórias e ajudaram a desmoralizar o time. Apesar de sua genialidade, há tempos não fazia sentido mantê-lo, o estranho mesmo é que tenha durado por tanto.

Para substituí-lo, o escolhido foi seu assistente técnico Keith Smart. Sua pequena experiência como técnico principal inclui um dos piores times de todos os tempos, o Cavs de 2002-03, com Smush Parker, Dajuan Wagner, Ricky Davis e Darius Miles - aquele time que os torcedores, de verdade, levavam cartazes de "Percam por LeBron" para o ginásio. É difícil saber como será ter um elenco um pouco melhor em mãos, mas dá para supor que o Warriors não será muito diferente. Keith Smart já era o responsável por organizar a defesa (ou seja, tomar uma cafezinho), coordenava a maioria dos treinos e aprendeu todo o sistema de Don Nelson nos últimos 6 anos. Terá uma chance de mostrar que pode ser o técnico do futuro e provavelmente deve dar aos jogadores papéis mais definidos e colocar a pirralhada para jogar, mas em matéria tática deve ficar muito próximo do velhinho maluco - e agora desempregado.

...

O elenco do Warriors é interessante e bastante versátil. Stephen Curry provou com a seleção americana que é um dos melhores arremessadores do planeta, enquanto Monta Ellis é um dos melhores armadores vivos quando se trata de finalizar perto da cesta. No ataque, quando estão um ao lado do outro, tornam a equipe um pesadelo para as defesas adversárias e são o segundo melhor motivo para ver todos os jogos Warriors (o primeiro melhor motivo é que os jogos do Warriors costumam ser os últimos da rodada a começar e quem tem League Pass - e insônia - não tem outra opção a não ser dar uma olhada). A princípio Ellis achou que seria ridículo jogar ao lado de Curry, já que os dois são anões de circo, externou seu desgosto para seu companheiro de equipe e não escondeu a frustração quando compartilharam da mesma quadra. No entanto, Stephen Curry foi ganhando a confiança de Ellis aos poucos, mostrou que é um dos mais promissores armadores da liga, e agora os dois sabem que podem jogar juntos e estão ansiosos por uma temporada inteira lado-a-lado pontuando como malucos. O problema é que essa união mostra de forma bem clara o motivo por trás das táticas doidas de Don Nelson.

Pra mim, Don Nelson se encaixa naquele mesmo saco de farinha do Mike D'Antoni, em que o esquema tático parece ruim apenas porque ele esconde um elenco que seria ainda pior sem ele. Esse Warriors joga com tanta velocidade e ignora tanto a defesa simplesmente porque não tem os jogadores adequados para um basquete eficiente ou defensivo. Colocar Monta Ellis e Stephen Curry ao mesmo tempo em quadra é pedir para não ter qualquer defensor no perímetro, o que obriga o time a correr mais e tentar compensar no ataque. O garrafão do Warriors agora é composto por Andris Biedrins, Dan Gadzuric, Luis Amundson e David Lee, todos jogadores com limitações ofensivas muito sérias, especialistas em rebotes, mas que não são exatamente grandes defensores, o que deve aumentar ainda mais a necessidade de um ataque que marque muitos pontos e que, por falta de gente capaz de jogar de costas para a cesta com regularidade, deve ficar arremessando trocentas bolas de três pontos.

O Don Nelson criou um Dallas Mavericks sensacional que só sabia correr e atacar e Avery Johnson, seu assistente, tornou o time uma defesa impecável assim que o Don Nelson saiu. Não acho que possa ser o caso com esse Warriors. Faltam as peças necessárias para que seja possível uma mudança tática séria ou uma defesa de verdade, não adianta apenas mudar a mentalidade e o técnico, é preciso repensar essa equipe inteira para se encaixar a um novo esquema. Mais fácil será implementar o mesmo esquema e torcer para que as contusões constantes deixem o elenco em paz e que as novas aquisições como David Lee e os novatos Jeremy Lin e Ekpe Udoh não sejam fracassos totais. Se esse time tiver todo mundo saudável e souber, com perfeição, quem estará em quadra todas as noites e por quantos minutos, acredito que chegar aos playoffs não seja absurdo. O problema é que o Warriors costuma ter tantas lesões que o pessoal da D-League já mora lá no ginásio, e é preciso criar alguma constância que não seja apenas a certeza de que alguém vai quebrar o pé.

A tática do Don Nelson de mudar sempre as escalações e os minutos dos jogadores cria times versáteis, confunde os adversários e funciona bem em times maduros. Quando o grupo acredita no técnico e no plano e as vitórias aparecem, todo mundo tem a sensação de estar participando de uma equipe criativa e divertida, Baron Davis sempre adorou o fato de que a equipe treinava pouco e improvisava muito. Mas assim que as derrotas aparecem todo mundo começa a questionar o método e sua participação no grupo. Nos playoffs de 2006, o Warriors inteiro amava o Don Nelson, mas bastou a desclassificação para o Baron Davis reclamar da falta de constância. Além disso, o grupo tem jogadores muito novos, já que os anos de fracasso levaram a equipe a colecionar novatos no draft, e a pirralhada precisa de minutos e constância para evoluir. Muitos jogadores fraldinha se afundaram no Warriors simplesmente porque a situação era terrível para eles, precisavam ganhar níveis de experiência para virarem novos Pokémon enquanto o Don Nelson estava apenas preocupado em misturar todos os ingredientes para ver se alguma coisa dava certo. Cenário terrível para iniciantes, e motivo pelo qual Don Nelson sempre odiou novatos. Só que num time que fede, é preciso colocá-los para jogar o máximo possível, como bem sabe o Timberwolves.

É por isso que acredito que a constância será muito positiva para esse elenco, desde que os esquemas táticos do Don Nelson sejam mantidos pelo novo técnico - aliás, manter o assistente técnico já é alguma constância, já que ele é respeitado pelos jogadores e está por perto há quase uma década. A vontade de mudar tudo deve ser evitada: não dá pra inovar com um perímetro que não defende e um garrafão que não ataca, além de jogadores como Dorrell Wright e Rodney Carney que só sabem jogar no contra-ataque. Então, é preciso manter o mesmo plano (o famoso "corra pela sua vida"). Por outro lado, todos nós sabemos nesses anos todos (Mavs, Suns, Warriors) que esse plano é deficiente, expões várias fraquezas da equipe e não seria um absurdo ver o Warriors desistindo no meio da temporada, depois de apanhar um pouco, para tentar uma primeira escolha no draft do ano que vem. Finalmente sem o Don Nelson, há a novíssima possibilidade de colocar a pirralhada pra jogar e apostar no draft, pensando em uma pequena reconstrução em volta de Monta Ellis e Stephen Curry (ou qualquer um dos dois). Provavelmente, isso dependerá mais do sucesso que esse elenco vai ter no começo da temporada do que dos gostos dos engravatados. Se a campanha começar a afundar, será abandonada rapidinho. Caso contrário, trocas e ajustes serão feitos para tentar de verdade chegar aos playoffs, porque apesar de esburacado, o elenco é bastante talentoso e poderia chegar lá com uma forcinha.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Vultos da NBA - Don Nelson

(insira aqui uma piada com o Rebolation)


Estatisticamente é fato consumado, Don Nelson é o técnico que mais venceu jogos na história da NBA. São 1.333 vitórias em 2.394 jogos. Mas o quanto é estranho ouvir que o Don Nelson, sempre chamado de maluco por nós e mais tantas pessoas, é o cara que mais venceu partidas na história de uma liga que já teve Red Auerbach, Phil Jackson, Pat Riley, Jerry Sloan e mais tantos técnicos fabulosos? Existem duas formas bem distintas de se avaliar a carreira do Don Nelson e só vendo esses dois lados conflitantes é que podemos chegar perto de um resultado final que faça algum sentido.

Primeiro vale dizer que vamos analisar a carreira do Don Nelson como técnico nesse post, não como jogador. Mas uma pequeno resumo da sua carreira não faz mal a ninguém:

Ele teve sua camisa de número 19 aposentada pelo Boston Celtics depois de vencer 5 títulos com a equipe nos anos 60, foi o sexto homem do time na maior parte do tempo e sempre conhecido por ser um contribuidor sólido vindo do banco de reservas, com mais de 10 pontos de média e alto aproveitamento de arremessos. Também vale lembrar que o Don Nelson foi o autor de um dos arremessos mais famosos da história dos playoffs. No jogo de despedida de Bill Russell da NBA, o jogo 7 entre Lakers e Celtics nas finais de 1969, o Celtics vencia por apenas um ponto o Lakers, em Los Angeles, a menos de um minuto do fim do jogo quando o Jerry West tirou a bola do armador do Celtics John Havlicek, mas ao invés de recuperar a posse de bola e ter um dos roubos mais famosos da história das finais, ele jogou a bola nas mãos de Nelson, que arremessou, viu a bola bater no aro, subir mais alto que a altura da tabela e então cair perfeitamente dentro da cesta. Título do Celtics.


Foi uma carreira tão sólida e correta que fica até estranho usar essas palavras na hora de descrever o que Don Nelson virou como técnico. No meio de inúmeras qualidades e defeitos contrastantes, podemos dizer que Nellie foi tudo, menos sólido e correto.

Comecemos com o lado positivo, sua criatividade sem limites. Sua carreira começou criativa quando assumiu o Milwaukee Bucks em 1976 como técnico e General Manager, ou seja, não só controlava o time na quadra como era o responsável pelas trocas e contratações da equipe. Uma série de trocas consideradas arriscadas na época fez do Bucks um time que no primeiro ano de Nelson vencia cerca de 30 jogos por temporada para um que ganhou 7 títulos de divisão seguidos e sempre chegou perto da marca de 60 vitórias. E para quem duvida de suas habilidades defensivas, vale dizer que em 7 dos 11 anos de Nelson no Bucks o time dos veadinhos teve uma das três melhores defesas da liga inteira! É, Don Nelson e defesa na mesma frase, é como dizer hoje que a Nana Gouvêa já foi freira.

Também foi em Milwaukee que o Don Nelson começou suas invenções malucas nos esquemas de jogo, foi ele o responsável pela primeira experiência com um point-forward na NBA. Pra quem perdeu a explicação do termo no nosso "Ma Engrish Two Bad", explico rapidamente: É quando um ala, da posição 3 ou 4, é o responsável pela armação do jogo ao invés de deixar a responsabilidade para um armador natural. O mais próximo disso que vemos disso hoje são alguns momentos do Lamar Odom no Lakers, LeBron James no Cavs e Stephen Jackson no Bobcats.

Don Nelson começou isso nos anos 80 usando o ala Paul Pressey para armar o jogo enquanto o time ficava sem nenhum armador nato. Sem precisar de um baixinho na posição 1 ele tinha a liberdade de usar dois de seus melhores pontuadores, Sidney Moncrief e Craig Hodges, em quadra ao mesmo tempo sem maiores preocupações. Pela inovação e pela altura dos jogadores isso criava situações que os técnicos adversários não sabiam lidar.

Depois de sua passagem pelo Bucks foi a vez de Don Nelson assumir pela primeira vez o Golden State Warriors. Lá ele começou o que é sua marca registrada até hoje, o run-and-gun, o sistema de jogo mais veloz e ofensivo da NBA em que todos os jogadores precisam ter velocidade, arremesso e raciocínio rápido. Ele foi inovador ao pensar em um sistema tático em que ao invés de valorizar a posse de bola, transformasse ela em algo trivial, arremessa-se na primeira oportunidade e arrisca-se qualquer roubo de bola ou marcação dupla na defesa para fazer com que o adversário também entre nesse jogo de posses de bola curtas e gratuitas.

Não esqueçam que estamos falando do run-and-gun em uma época em que os grandes times da NBA pensavam em defesa antes de tudo. Nelson assumiu o Warriors logo depois do Pistons da era Bad Boy, de pura defesa, ganhar dois títulos, e na época em que o Bulls começava o seu reinado usando os triângulos do Phil Jackson, um sistema ofensivo que sempre prezou pelas boas e pensadas decisões no ataque. O run-and-gun era ir completamente contra o que se fazia com sucesso no começo e meio dos anos 90.

Mas como ainda acontece hoje, o run-and-gun encantou. Chamado de Run TMC, uma referência ao grupo de rap Run DMC, mas usando as iniciais de Tim Hardaway, Mitch Richmond e Chris Mullin, o trio era famosíssimo entre todos os fãs e estava sempre nas listinhas de jogadas do ano com seu jogo de contra-ataque alucinante. Esse vídeo mostra um pouco do que eram capazes os três jogadores, principalmente Tim Hardaway e seu maldoso crossover.


Após o Warriors, Nelson deu uma de Larry Brown e passou por uma desastrosa temporada no New York Knicks, indo logo depois para o Dallas Mavericks. No Mavs, Don Nelson repetiu o que fez no Warriors: Run-and-gun + small ball.

O primeiro termo já mostrei, o segundo explico agora: É quando o técnico enche o time de jogadores baixos, é o ideal para sistemas de jogo velozes como o run-and-gun. Se no Warriors ele usava três armadores (Hardaway, Richmond e Marciulionis) e dois alas baixos (Mullin e Higgins), no Mavs ele chegava a jogar períodos inteiros dos jogos com quatro armadores (Nash, Van Exel, Finley e Adrian Griffin) e só o Nowitzki, um cara que passa a maior parte do tempo longe do garrafão, como pivô. Era uma loucura que, como na época de Warriors, rendia momentos lindos, muitas bolas de três e um ritmo de jogo que cansava só de assistir ao primeiro quarto.

Don Nelson é considerado até hoje o cara que tirou a imagem do Mavericks do lixo. Se hoje eles completam 10 temporadas seguidas com pelo menos 50 vitórias por temporada, até ele chegar lá o time era motivo de piada, mais um Clippers fadado ao fracasso. E acrescente na sua época de Dallas a sua invenção tática mais controversa, o Hack-a-Shaq, a tática de fazer faltas de propósito no Shaquille O'Neal para que ele errasse os lances livres e a posse de bola voltasse para o adversário. Ele até extendeu o uso da técnica e a aplicou contra o Bruce Bowen em alguns jogos de playoff.

Ao sair do Mavs Don Nelson voltou para o Golden State Warriors, onde conseguiu o seu feito mais impressionante como técnico: Embalou vitórias consecutivas no fim da temporada regular de 2007, se classificou para os playoffs em oitavo lugar e lá bateu o seu ex-time, o Dallas Mavericks, que tinha tido a melhor campanha da temporada regular. Foi só o segundo time na história da NBA a se classificar em oitavo e bater o primeiro colocado. E o fez usando sua velha tática de correria e jogadores baixos contra uma equipe do Mavs que tentava fugir desse esquema tático do seu antigo técnico para conseguir ir mais longe nos playoffs.

Vendo a carreira de Don Nelson assim daria pra encerrar o post dizendo que foi um sucesso. Muitas idéias criativas, times que há 30 anos são os mais divertidos e criativos da NBA e, para coroar, o maior número de vitórias da NBA. Mas agora vem o outro lado, se Don Nelson é só um dos três técnicos com mais de 1.000 vitórias na NBA, é um dos dois com mais de 1.000 derrotas.

Se Don Nelson foi genial ao melhorar o time do Bucks e os levar a sete títulos de divisão, nunca conseguiu chegar nas finais da NBA com esse time. Perdeu 6 vezes na semi-final de conferência e 3 nas finais, sempre perdendo para o Celtics ou para o Sixers no caminho. A criatividade de Don Nelson nunca foi o bastante para bater os dois grandes times do Leste na década de 80.

Na sua primeira passagem pelo Warriors Don Nelson foi o gênio da correria e da velocidade mas mais uma vez falhou nos playoffs. Em 7 anos ele chegou duas vezes na semi-final do Oeste e foi só, nunca ameaçou uma aparição nas finais. Lá também conseguiu sua primeira grande crise pública com um jogador, Chris Webber. Don Nelson é um cara criativo e inventa coisas loucas para usar durante os jogos mas nem sempre explica para os seus pupilos, forçando-os a jogar em posições que não estão acostumados, que não se sentem a vontade e eles muitas vezes nem sabem porque aquilo está acontecendo. Com Webber foi assim, que não entendia porque jogava tantas vezes fora de posição e brigou com o técnico. A crise foi tamanha que o time começou a se desmontar e Don Nelson foi mandado embora.

Na sua passagem pelo New York Knicks mais uma vez ele teve boas idéias, uma visão inovadora mas foi completamente incompetente na hora de lidar com jogadores, dirigentes e torcida. Ele simplesmente, no meio dos anos 90, queria convencer a diretoria do Knicks a trocar o Patrick Ewing, um dos maiores ídolos da história de Nova York, para poder abrir espaço salarial para a contratação do Shaquille O'Neal, que estava prestes a sair do Orlando Magic. É mais ou menos um técnico chegar hoje em San Antonio e falar pra trocar o Tim Duncan e tentar o LeBron ou o Bosh no ano que vem. Além disso ele tentou forçar o seu esquema ofensivo e veloz em um time que tinha um elenco montado pelo Pat Riley no ano anterior para ser essencialmente defensivo, foi um desastre anunciado e monumental.

No Dallas Mavericks, como é história recente, acho que muitos ainda lembram. O time encantava, corria, fazia coisas malucas mas sempre caia nos mesmos vícios e defeitos quando enfrentava o San Antonio Spurs ou o Sacramento Kings. Foram 4 anos seguidos com campanhas geniais e depois derrotas para as duas potências do Oeste do começo da década. É uma reprise do que aconteceu no Bucks e no Warriors, os mesmos erros.

Para terminar, sua nova passagem pelo Warriors. A vitória sobre o Dallas foi histórica, mas depois mais uma derrota em semi-finais de conferência, dessa vez para o Jazz. E após essa campanha mágica, brigas com o Baron Davis, com o Stephen Jackson e crises com vários outros jogadores de menos nome, caras que, tentando ganhar seu espaço no time e na NBA, tinham que lidar com um técnico que um dia te deixa jogar 40 minutos, te vê marcar 25 pontos e no dia seguinte te deixa no fundo do banco de reservas sem pisar na quadra. Isso sem falar na aversão do Don Nelson a novatos (Steph Curry é uma grata exceção!), que costumam mofar no banco porque o técnico não os considera ainda aptos para o jogo profissional.

Criatividade, velocidade, ataque e encanto que morrem em suas teimosias, erros repetidos, mau relacionamento com seus jogadores, situações desagradáveis com dirigentes e torcidas. Essa mistura doida é o que consegue transformar um cara em recordista de vitórias na NBA, ganhador de três troféus de técnico do ano e, ao mesmo tempo, sem nenhuma aparição em finais da NBA.

Segundo o Tex Winter, o cara que criou o sistema de triângulos e que até pouco tempo atrás ainda era assistente técnico do Phil Jackson, o Don Nelson é o rei da "filosofia de um jogo". Durante aquela única partida ele é capaz de criar tantas situações diferentes e inovadoras que o seu time sai com a vitória, mas não dá pra sustentar isso por uma série de 7 jogos. A explicação faz sentido, seus times, até seu Warriors "D-League All-Stars" de hoje em dia, é capaz de roubar vitórias de qualquer equipe de qualquer nível, mas sempre que ele enfrentou os playoffs, falhou.

Mas depois de 30 anos falhando nos playoffs, o que é o Don Nelson? Um gênio criativo que é persistente em seu sistema de jogo ofensivo ou um cabeça-dura que não admite mudar de filosofia? Ele é um nobre esportista por ser fiel ao espetáculo mesmo que isso não leve à vitória ou um técnico ruim que não sabe se adaptar para vencer?

A resposta para essa pergunta cai no quanto o Don Nelson quer vencer. Talvez esteja satisfeito com os seus cinco anéis de campeão como jogador e só queira se divertir como técnico, sua atitude de sair de férias assim que acaba a temporada e nem ligar para trocas ou draft durante toda a offseason indica isso, mas ficar se estressando e gritando à beira da quadra com 70 anos de idade nas costas indica outra.

Eu não vou ser idiota de arriscar uma resposta, prefiro encerrar com a dúvida e com uma genial frase do Roland Lazemby, colunista da ESPN, sobre o Don Nelson: "Ele é um monumento à mediocridade. Ou à experimentação ousada. Depende do quanto você comprou daquilo que ele está tentando vender".

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Liberdade ainda que tardia

Stephen Jackson quebra suas correntes


Antes da temporada começar, Stephen Jackson havia pedido para ser trocado do Warriors. O time perdera Baron Davis, conseguiu o Maggette no lugar, e aparentemente o Stephen foi o único que sobrou no elenco capaz de levar basquete a sério. Era o responsável por defender as estrelas adversárias, fossem armadores ou pivôs, o responsável por decidir os jogos, por arremessar de longe, e inúmeras vezes por iniciar as jogadas ofensivas no papel de armador principal. Já jogou em todas as posições, topou todas as furadas que o técnico Don Nelson bolou, já foi para os playoffs com a equipe e já foi o pior time da liga. Ao ver que o Warriors virou um circo, um laboratório de ciências, que os jogadores entram e saem da escalação de um dia para o outro, cada hora com uma função, Stephen Jackson quis é dar o fora. Como o Denis escreveu um tempo atrás, ele pediu para ser trocado quando falava com a imprensa, foi multado por isso, e desde então parou de tocar no assunto, sem no entanto tentar esconder sua frustração em quadra. O problema é que ele só pediu para ser trocado depois de topar uma extensão milionária de contrato com o Warriors, o que não apenas é um pouco sacana como também torna mais difícil encontrar algum time disposto a abraçar o salário do rapaz.

Mas existe um time na NBA que nunca desiste de fazer trocas, um time que está decidido a transformar o elenco inteiro com uma visão em mente. Esse time é o Bobcats, que deu ao técnico Larry Brown carta branca para montar o time como ele bem entender. O velhinho pentelho se livrou do Okafor, do Jason Richardson, do Matt Carroll, e montou um time focado na defesa e sem espaço para o individualismo. O resultado é uma equipe que estreiou na temporada marcando 59 pontos contra o Celtics, com claras dificuldades de passar dos 80 pontos a cada jogo. O time agora tem Raja Bell e Boris Diaw, jogadores capazes de pontuar, mas nenhum deles é um pontuador nato. O papel do Bell é defender e converter seus arremessos de três pontos, função que ele desempenhava muito bem. Mas, para ter um jogador capaz de defender múltiplas posições e que seja capaz de pontuar constantemente, Larry Brown resolveu abrir mão até mesmo do seu queridinho.

Stephen Jackson chega ao Bobcats mantendo o foco da equipe, se focando na defesa e pontuando sem ser estrelinha. Ele sabe o que é ser jogador secundário graças ao tempo que passou no Spurs, se orgulha de defender mesmo jogando no Warriors (que provavelmente dá umas surras depois das partidas nos jogadores que ousaram tentar defender) e tem tudo para se dar bem com o Larry Brown. Do jeito que o técnico odeia os armadores da equipe (tanto Raymond Felton quanto o anão do DJ Augustin), é bem possível que o Stephen Jackson até assuma a posição em alguns momentos durante os jogos (se até o boris Diaw já foi armador nesse Bobcats!). Mas também é possível, dizem os fofoqueiros por aí, que ele seja trocado rapidinho para outro time. Não dá para descartar essa possibilidade, afinal o Bobcats está insatisfeito com o que tem e cansado de feder esperando uma boa escolha de draft. Já faz uns anos que todo mundo espera eles finalmente acordarem no tranco e irem aos playoffs, então não tem mais desculpa pra ficar tendo o traseiro chutado por aí. Stephen Jackson se encaixa nessa postura, no planejamento, na filosofia de jogo, e tem tudo para se encaixar bem na equipe. Não deve dar muito resultado, convenhamos, mas o Bobcats continua tentando. Ao menos eles sabem o que querem e se movimentam com uma intenção, não é a porra-louquisse do Warriors que parece trocar só por esporte, pra ver se vem de brinde um Mega Tazo.

Em troca do Stephen Jackson e do Acie Law, que é um armador que nunca deu certo e que o técnico Larry Brown deve comer com granola no café da manha, o Warriors recebeu Raja Bell e o Vlad Radmanovic, que nem fede nem cheira. O Bell traz defesa para o Warriors, e depois dessa afirmação vamos todos tirar uns minutinhos para rir à vontade. Até parece que alguém que cuida dessa equipe mequetrefe se preocupa em instituir uma filosofia defensiva, mas provavelmente eles estão dispostos a pelo menos fingir um pouquinho.

Contra o Brandon Jennings, que marcou 55 pontos, o negócio foi muito feio. Ao rever a partida no meu League Pass (calma, calma, a gente resenha o serviço ainda essa semana), percebi que a maioria dos pontos do Jennings saiu em uma jogada simples de corta-luz na linha de três pontos. Não havia ninguém do Warriors capaz de grudar no garoto, a jogada funcionou à exaustão, e quando eles ficaram muito desesperados de passar vergonha, começaram a dobrar nele depois do corta-luz e o resultado foi o Andrew Bogut recebendo uns passes para ponte-aérea, já que o pivô do Warriors durante quase toda a partida foram o Stephen Jackson ou o Maggette. Aliás, grande parte do mérito pela atuação do Jennings tem que ser dado ao Bogut, que atormentou tanto o garrafão do Warriors que a linha de três ficou completamente livre. Quer dizer, a linha de três do Warriors já é completamente livre, mas ficou pior a ponto de render 55 pontos para o novato. Para critérios estatísticos, a pontuação do Jennings deveria valer só a metade - quando ele tentar algo assim contra o Celtics a gente faz uma estátua e uns sacrifícios humanos pro guri.

Quem ganha com a troca é o Stephen Jackson, que agora terá um técnico capaz de apreciar o que ele traz para as quadras, mas o problema é que o time fede pacas e rapidinho é bem capaz que ele comece a ficar insatisfeito de novo (ou que o time continue insatisfeito e troque de novo). O Warriors deve piorar um pouco com a sua saída, mas o que é um peido para quem já está cagado? Outros jogadores podem continuar pontuando como malucos e talvez o Raja Bell seja capaz de impedir outros jogadores de fazer 50 pontos, o que por si só já seria um lucro, evitando que o Warriors se torne essa anedota estilo Ari Toledo que tem sido nos últimos anos. Da próxima vez que o Jennings for enfrentar o Warriors e tentar quebrar seu recorde de pontos, o Raja Bell estará lá. Sozinho, é verdade, mas lá.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Preview da Temporada - Divisão Pacífico

-Sabia que uma vez um cara entrou no vestiário enquanto eu
tomava banho dizendo que queria me ajudar a ser campeão?

Vocês podem ter chegado atrasados e não pegaram nosso preview da Divisão Sudeste. Mas tudo bem, às vezes você quis ver a estréia do Thiago Lacerda na novela e não teve tempo de ligar o computador, acontece. Explicamos para os noveleiros que o nosso preview funciona.

São 6 posts, cada um sobre uma divisão. Os times são listados de acordo com a ordem que achamos que eles vão terminar a temporada regular e no texto sobre cada um dizemos como seria a temporada ideal e a pior temporada possível para cada um. Você lê as duas hipóteses e acha o seu meio termo mais realista.

Mas como é sem graça chamar de "a melhor temporada possível", chamamos de "Temporada Filme Pornô". Quem já viu um filme pornô sabe que lá é o mundo perfeito, como o nosso planeta deveria ser. Só existem mulheres lindas e elas querem fazer sexo o tempo todo e não tem frescura, lindo. A pior temporada possível, portanto, é a "Temporada Drama Mexicano". Lá tudo o que pode dar errado, vai dar errado e a mulher dos seus sonhos será dublada e irá trair você com seu irmão gêmeo.

Entendido? Então bora pra Divisão do Pacífico que meu time irá vencer de novo.

Divisão Pacífico

Los Angeles Lakers
Temporada Filme Pornô: Imaginem só se o Ron Artest encaixa perfeitamente no esquema do Lakers, acerta seus arremessos de 3, não força jogadas como fazia no Rockets, aceita seu papel secundário no ataque e volta a ser o melhor defensor de perímetro da NBA. Andrew Bynum não machuca o joelho em um jogo em janeiro contra o Grizzlies e, com as ausências de Shaq e Yao, vira um All-Star. Lamar Odom ganha o prêmio de melhor reserva e o Lakers é bi-campeão da NBA se vingando do Celtics na final.

Até dá pra ser campeão sem tudo isso junto acontecer, mas melhor que isso não fica. E qualquer coisa menor que o título já é drama para o Lakers.

Temporada Drama Mexicano: Ron Artest briga com Kobe Bryant e exige ser trocado. Ninguém (nem o Grizzlies!) quer ajudar o Lakers, que só consegue trocar Ron Ron pelo Dan Gadzuric e um bolo de cenoura. Andrew Bynum machuca o joelho em um jogo contra o Memphis Grizzlies e o Adam Morrison deixa o bigode crescer no estilo Salvador Dalí. Nos playoffs o time perde de 4 a 0 para o Spurs. DJ Mbenga cobra mais empenho de Kobe Bryant no fim do jogo 4.


Los Angeles Clippers
Temporada Filme Pornô: Não esqueci do Suns não, estou colocando o Clippers na frente mesmo. O que é um bom preview se não tiver uma polêmica? Já aproveito pra dizer que o Galo leva o Brasileirão e o Fluminense ganha a Sul-Americana. Tá, tá bom, mais fácil a Vivi Fernandez ser virgem do que o Flu ganhar alguma coisa.

Mas falando sério, acho que o Clippers vai ter uma temporada melhor que a do Suns e irá brigar pela oitava vaga nos playoffs. Sabemos da zica que vive nas entranhas do time, do histórico de contusões de Baron Davis, Chris Kaman e Marcus Camby e sabemos que faz tempo que o Mike Dunleavy faz muita merda no banco de reservas.

Mas o time ganhou um ar de esperança com os novatos. Primeiro foi Thornton dois anos atrás, Eric Gordon no ano passado e o espetacular Blake Griffin nesse ano. Nenhum com histórico de contusão, todos regulares e talentosos e todos falando que não ligam para a história do Clippers, ligam apenas para o futuro. Pode ser um discurso vazio, padrão, mas li bastante sobre o time nessa offseason e eles parecem dispostos a mostrar que são uma nova equipe. Entrei na onda deles e estou aí para quebrar a cara junto com o primo pobre do Lakers. Ou para quebrar o joelho, o tornozelo, vai saber...

Temporada Drama Mexicano: A pior coisa que pode acontecer com o Clippers é ser o Clippers de sempre. Time desmotivado, torcida sem esperança, Baron Davis desinteressado e/ou contundido e um elenco que parece entrar em quadra para cumprir tabela desde a primeira rodada.


Parece a maior balela e lugar comum do esporte mas tem time que precisa mesmo de mentalidade vencedora. Times se acostumam a perder e entram em desespero ou desânimo quando o jogo ainda poderia ser vencido. Com o Clippers acontece isso direto, estão indo bem e basta alguma coisa dar errado para tudo desmoronar. Times como o Celtics, quando estão perdendo, parecem pensar "porra, como vamos perder se somos melhores que todos?". Para um atleta tão ou mais importante do que ser bom é acreditar que é bom.


Phoenix Suns
Temporada Filme Pornô: Os torcedores podem sonhar com muita coisa para seu time, mas a verdade é que se tudo der perfeitamente certo eles chegam, no máximo, na primeira rodada dos playoffs. Sim, em uma temporada perfeita com o Nash jogando tudo o que sabe, J-Rich e Leandrinho fazendo milhares de pontos e o Amar'e quatro-olhos dominando o garrafão, o time não passa da primeira rodada. Não tem jeito, o melhor filme da Babalú não é comparável à pior cena da Mônica Mattos.

O time tem um bom elenco, tem um sistema ofensivo que já deu certo no passado mas no mesmo passado, quando o esquema era quase perfeito, já não foi o bastante. Voltar para a correria foi o jeito do Suns voltar a ser alguém na liga, mas não alguém com um anel de campeão.

Temporada Drama Mexicano: Para o Suns seria deprimente ficar fora dos playoffs de novo. Ano passado colocaram a culpa no técnico, no esquema defensivo e na falha de adaptação do Shaq. Trocaram tudo e se não der certo o time irá entrar em modo de desespero e aí uma enxurrada de trocas podem estar a caminho. Amar'e quase já foi para o Warriors no dia do draft e pode muito bem ir embora se o time não andar nos trilhos.

O Suns lembra muito o Kings do começo da década que encantava todo mundo mas não venceu nada. Com o passar dos anos o time foi ficando para trás e sendo desmontado bem aos poucos, eles pioravam a cada temporada mas todo mundo tinha medo de colocá-los como carta fora do baralho. Desde então caíram até ser o pior time da NBA. Que o Suns saiba se sair de maneira melhor.

Golden State Warriors
Temporada Filme Pornô: Para o Warriors uma temporada pornô não seria um bom filme de carnaval, seria um gang bang sem regras, sem controle, de enlouquecer qualquer um. O time do 8 ou 80 entra em todos os jogos com chance de vencer por 30 ou perder por 40 dependendo se a Lua está em Aquário ou em Peixes.


Na temporada perfeita do Warriors eles encaixariam uma sequência de vitórias e ganhariam a confiança que tiveram na última vez que foram para os playoffs. Talvez uma sequência impulsionada por jovens talentos que estão brilhando na pré-temporada como os dois Anthonys, Morrow e Randolph.

Somente bons resultados um atrás do outro contra bons times seriam capazes de juntar o time mais desunido da liga. Com vitórias é bem capaz que Stephen Jackson e Monta Ellis sejam só sorrisos e o time deslanche. Times com problema de relacionamento e que começam a dar certo depois de vencer algumas partidas me lembram casais que só brigam, não tem nada em comum mas que vão se aturando porque o sexo é bom.

Temporada Drama Mexicano: Vencendo, os problemas do Warriors diminuem demais, mas tem a pergunta que vocês devem estar se fazendo: como um time desses, desunido e com elenco limitado, vai conseguir uma sequência de vitórias contra bons times? Claro que Maria Alfreda seria muito mais feliz se conseguisse dar um filho a Renato Augusto, mas como será possível se ela é estéril? Dramas...

Bom, tudo pode acontecer com um time do Don Nelson ou se o Don Nelson comer a Maria Alfreda, mas também não apostaria nisso. Tudo indica uma temporada bem dramática para o Warriors. Terão sorte se a Jessica Alba se der ao trabalho de ir ao ginásio assistir alguns jogos como fazia antigamente. Ela não é pornografia mas deixaria qualquer novela mexicana assistível.


Sacramento Kings
Temporada Filme Pornô: Se tudo der certo no Kings eles talvez acabem em penúltimo, yes! Não tem jeito, é pornô de baixo orçamento e achar uma mulher que pareça uma mulher para o papel principal já é lucro.

O foco do Kings para essa temporada tem que ser desenvolver os seus três bons jovens jogadores: Tyreke Evans, Jason Thompson e Spencer Hawes. Depois disso arranjar um jeito do Kevin Martin não pedir pra ser trocado por desgosto e por fim conseguir usar algumas boas peças de troca, como Andres Nocioni, para conseguir mais jovens talentos e investir no futuro. Assim o time continua um lixo completo mas tem a desculpa de ser mais um "time do futuro".

Temporada Drama Mexicano: No filme Sonicsgate que eu anunciei há um tempo e que já está no ar, um torcedor fala de como a situação do povo de Seattle é complicada porque a única chance do time voltar a ganhar uma equipe é com outra cidade perdendo a sua, já que o David Stern falou que de 30 times a liga não passa. Isso quer dizer que outros vão ter que sofrer a perda de um time, de uma paixão, para o torcedor do Sonics poder voltar a ter suas alegrias.

Um dos fortes candidatos a perder um time é Sacramento e pelo menos o time parece estar fazendo de tudo para a cidade não sentir nenhuma falta da equipe. Depois de uma temporada lastimável como o pior time de toda a NBA, não conseguiram nenhum reforço sequer, só adicionaram o Tyreke Evans porque veio no draft, que até parece bom mas só ajudará o time a ser bi-Ipatinga da NBA.

domingo, 11 de outubro de 2009

Se você está descontente, bata palmas

Andre Miller, mais especialista em cara de choro do que a Mari Alexandre


Todo mamífero bípede desse planeta tem a obrigação de admirar o que o Blazers fez nos últimos anos. Volta e meia nossa empolgação com a equipe é tão grande que escrevemos um post só pra dizer como o Blazers é um time maravilhoso, cheiroso e que alimenta as criancinhas. Se livrando de Zach Randolph - que era a estrela do time -, fazendo boas escolhas no draft, comprando novatos de times que não pensam no futuro e se livrando de contratos exagerados, o Blazers deixou de ser uma das equipes mais ridículas da NBA para tornar-se uma das mais completas, profundas e divertidas, e tudo sem que ninguém percebesse. Foi assim, de um dia para o outro, que de repente todo mundo notou que o Blazers estava chutando traseiros usando um elenco composto por uma enorme pirralhada. Mesmo com o Greg Oden fora na sua temporada de novato (ele se machucou levantando do sofá, segundo consta, e deve ser por isso que o gordo do Eddy Curry prefere nem se arriscar e passa a vida dormindo no sofá), o Blazers deu trabalho. Na temporada passada, mesmo com o Greg Oden sendo uma porcaria e cometendo trocentas faltas por segundo, eles foram parar nos playoffs. Se eu entrasse em coma e acordasse daqui há 10 anos, a primeira coisa que eu perguntaria seria "quantos títulos o Blazers ganhou?". Não precisa ser um gênio pra saber que o elenco é bom o bastante, e profundo o bastante, para chegar ao topo da NBA pela próxima década.
Mas agora que todo mundo tá prestando atenção no Blazers, é muito mais fácil para a equipe contratar outras estrelas. Tem um monte de espertalhão por aí bem interessado em jogar no Blazers porque, além da equipe ter futuro e chances de levar um anel de campeão em breve, o time ser formado por gente cheirando a fralda é uma oportunidade fácil para um jogador veterano se tornar o líder e levar crédito pelas conquistas alcançadas. Eu só não entendo pra quê diabos os engravatados do Blazers iriam comprometer o plano maravilhoso que transformou a equipe nos últimos anos. Com muito bom senso foram capazes de construir uma equipe sem estrelas, sangue jovem e muito potencial, então adicionar um veterano milionário não parece ser um passo para trás?

Quando eles tentaram contratar o Turkoglu, fui completamente contra. Não apenas o turco é superestimado por ser o único com bagos para tentar decidir no Magic, ele também não tinha nada a ver com aquilo que o Blazers construiu e não acrescenta nada que a equipe já não tenha em sua profundidade digna de Monica Mattos na cena do cavalo. O próprio Turkoglu optou por jogar no Raptors, o que para mim é um caso do Blazers ter sido salvo pelo gongo (sinceramente não vejo o turco acrescentando nada de muito valioso para o time de Toronto também, e lembremos que seu contrato foi retardado de grande, mais de 10 milhões por ano). O Andre Miller, ao contrário, topou jogar no Blazers na mesma hora.

Dá pra ver o que os engravatados da equipe viram no Andre Miller. Assim como o Hawks tornou-se um time muito melhor quando Mike Bibby assumiu o cargo de armador e o Nuggets se transformou num time de verdade com Billups na armação, ter um armador puro experiente dá água na boca de quem quer ver o time dar um passo mais à frente. O Andre Miller é um daqueles armadores de verdade (por "de verdade" quero dizer o oposto do TJ Ford ou do Iverson, por exemplo, que são armadores "de mentira") que não recebem a atenção que deveriam. O estilo do Sixers não casava bem com ele, é verdade, mas o Andre Miller é um general em quadra, sabe fazer a coisa certa o tempo inteiro e só peca mesmo é nos arremessos de longe (nisso ele se encaixava muito bem no Sixers, em que todo mundo parece ser míope). O que ele pode trazer para o Blazers é enorme, mas como será que ele lidará com um time tão profundo que os minutos de todo mundo devem ser mais controlados do que os docinhos da Britney Spears?

Nos momentos de decisão, Brandon Roy assume a armação para ficar com a bola nas mãos o máximo de tempo possível. Steve Blake é um excelente arremessador de 3 pontos e um armador burocrático mas eficiente. É preciso achar espaço para Rudy Fernandez, já reclamando de seu papel limitado na equipe, para Jerryd Bayless, que agora não é mais novato, e para Martell Webster, que volta de contusão. A ideia, então, é deixar Steve Blake e Brandon Roy como titulares, ao lado de Nick Batum, que faz um excelente trabalho defensivo, e colocar Andre Miller, Webster e Rudy Fernandez como um banco de reservas destruidor que pode chutar o traseiro de muito time titular por aí (Houston com Trevor Ariza e Chuck Hayes, estou olhado pra você). Mas o Andre Miller já surtou e inclusive reclamou em uma entrevista: "Se tivessem me dito já nas primeiras reuniões que eu seria reserva, então eu não teria vindo pra cá." É bem óbvio que ele não entende que o grande trunfo da equipe é ter quinhentos jogadores bons com características diferentes, de modo que todos podem ser utilizados apenas um pouquinho sempre mantendo a qualidade em quadra. Mesmo se fosse titular, Andre Miller não teria muitos minutos - isso simplesmente não se encaixa nos planos de uma equipe que levou anos para se construir assim.

É assim que temos nosso primeiro descontente de pré-temporada. Mesmo tendo mais minutos do que o Steve Blake e, temos que admitir, jogando muito melhor do que o armador branquelo, Andre Miller está todo putinho e incapaz de compreender seu papel na equipe. É péssimo sinal para um time que, após se livrar de Zach Randolph, havia passado um tempo tão agradável sem brigas, egos e reclamações (é claro que o Travis Outlaw volta e meia reclama que não arremessa o suficiente, mas nem ele mesmo se leva a sério).

O outro descontente da pré-temporada é o Stephen Jackson. Já falamos em outro post de seu pedido para ser trocado que virou uma multa milionária. A NBA diz que reclamar para a imprensa vai "contra o jogo", e os engravatados do Warriors ignoraram o Stephen Jackson, dizendo que ele apenas "quer muito vencer" mas que vai dar tudo certo. Rá, como se a gente não soubesse que nada nunca dá certo no Warriors. Agora, pelo menos ele aprendeu a pedir para ser trocado de uma maneira mais silenciosa, eficiente e que não pode ser ignorada e nem multada: em apenas 9 minutos de jogo (e numa partida de pré-temporada, lembremos) o Stephen Jackson conseguiu cometer 5 faltas, mais uma falta técnica, e ao ter que deixar a quadra ignorou o banco de reservas e foi direto para o vestiário. O Warriors suspendeu o rapaz por dois jogos, mas com certeza qualquer um que realmente se importe com a equipe está mijando nas calças porque o Stephen Jackson não brinca em serviço, ele é capaz de disparar uns pipocos pra cima durante um jogo pra ser expulso, e expulso, e expulso, até que alguém dê um jeito de trocá-lo. O único problema é que ninguém no Warriors se preocupa com a equipe, então é bem capaz que apenas deixem o circo pegar fogo. Diferente do Blazers, que em breve deve dar um jeito de lidar com o Andre Miller - pelo menos é o que esperamos, para que a gente possa voltar a babar ovo em cima do Blazers à vontade, nosso hobby favorito aos domingos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Uma temporada longa

Se você está contente bata palmas

Ontem foi o enfadonho Media Day na NBA. A idéia do projeto é até bacana, um dia inteiro dedicado à imprensa antes de começarem os trabalhos para a próxima temporada, com dezenas de entrevistas, apresentações, coquetéis, coxinhas de frango engorduradas e etc.

Porém, se você pensar bem, ninguém tem muito a dizer porque não aconteceu nada. Estava todo mundo de férias e voltaram para o trabalho ontem com um microfone no meio da cara para dizer alguma coisa. O máximo que eles podem fazer é uma redação chamada "Minhas Férias" como a gente fazia na escola.

Alguns times que quase não mudaram de elenco, como o Kings, Nuggets e Knicks, não podem responder nada além do clássico "estamos ansiosos para a próxima temporada", a frase mais falada do dia. Times que mudaram pouco, como o Lakers, o Cavs ou o Magic, só podem dizer "O nosso jogador-novo é um grande jogador e estamos ansiosos para jogar ao lado dele".

As entrevistas um pouco mais interessantes são as dos times que passaram por alguma mudança maior no elenco, porque aí temos alguma previsão do que vai acontecer. O Alvin Gentry, técnico do Suns, por exemplo, disse que o garrafão titular da temporada será com Amar'e Stoudemire e Channing Frye. E até disse que o pivozão número 5 será o Amar'e, mas que na escalação ele aparecerá na posição 4 para não ficar bravo e começar a dizer que não gosta de jogar improvisado.

No Clippers o técnico Mike Dunleavy disse que o Blake Griffin começa a temporada vindo do banco de reservas e no Bulls foi dito que não mantiveram o Ben Gordon porque acham o John Salmons um jogador mais completo. Todas essas declarações até interessantes mas que podem virar farofa depois que os treinos pra valer começarem.

Mas no meio de entrevistas enfadonhas e outras levemente interessantes, tem o Warriors. A organização mais desorganizada da NBA é sempre um show à parte quando os seus atletas tem um microfone para falar.

No último dia 28 de agosto o Stephen Jackson, em um evento em Nova York, disse: "Não acho que serei um Warrior no ano que vem, estou tentando sair". E foi ridiculamente multado em 25 mil dólares por "declarações públicas em detrimento da liga", um jeito pomposo de dizer "Pareça feliz para as visitas, filho".

Ontem os jornalistas foram perguntar o que ele tinha a dizer sobre a multa e se ele ainda pensava da mesma maneira. A resposta foi a mais óbvia possível: "Não me façam perguntas que vocês já sabem a resposta". É óbvio que como nada mudou, ele ainda quer sair. E completou dizendo que muitos jogadores, incluindo o Kobe dois anos atrás, já tinham pedido publicamente por trocas e que ninguém foi multado, mas "não posso vencer a NBA, tenho que conviver com isso".

O capitão do Warriors mediu um pouco as palavras para não ser multado mas explicou a sua insatisfação com o time. Disse que faltava mentalidade vencedora na equipe, que eles só deram passos para trás desde aquela vitória contra o Dallas em 2007 e, mais importante, "a nossa defesa é sempre um problema, eu não posso marcar todo mundo sozinho". Se vocês lembrarem, na temporada passada o Stephen Jackson era sempre o responsável por marcar o melhor jogador adversário, não importa sua posição. Em um jogo contra o Hornets chegou ao patético de marcar em uma jogada o Chris Paul e na seguinte o David West.

Sem dúvida ele tem razão em todas as suas reclamações, o Warriors é hoje uma franquia destinada à derrota e como todo torcedor do Fluminense sabe, perder cansa. O detalhe é que o nosso Conca da NBA tinha uma chance de ter sido Free Agent e pulado fora ao fim dessa temporada, mas meses antes tinha assinado uma extensão de contrato. Ele disse que já naquela época, em novembro do ano passado, estava insatisfeito com o time mas que apesar de não ter feito faculdade não era burro o bastante para recusar 28 milhões de dólares.

Eu estava do lado do Stephen Jackson até essa declaração. Se ele é competitivo, quer vencer e não acha que o time está buscando isso, que dê o fora ou lute internamente para que isso mude. Mas não, ele resolve ficar só pelo dinheiro e ao invés de tentar mudar a filosofia do time só pede pra sair. O Warriors até tentou trocar ele, mas não é fácil trocar um cara de contrato longo (até 2013) que ganha 7 milhões de dólares atualmente e mais de 10 no último ano, em uma época de crise em que todos os times estão economizando para a temporada de Free Agents do ano que vem.

Só essas declarações do Jackson já seriam o bastante para o Warriors ter o pior Media Day da NBA. Mas não, pisou na merda então abre os dedos. O Monta Ellis deu uma entrevista onde diz com todas as palavras que é impossível ele jogar ao lado do novato Stephen Curry: "Nós, juntos? Não dá, simplesmente não dá."

Surpresos, alguns jornalistas então perguntaram se ele estava sabendo que desde o draft o General Manager do Warriors dizia que os dois iam jogar juntos na armação titular do time. Ele então respondeu que podem até achar que vai dar certo, mas não vai. Segundo o Monta, ele e o Curry são pequenos demais para jogarem um ao lado do outro e que juntos eles não irão conseguir lidar com armadores maiores.

Se o Monta Ellis estivesse falando de um time que defende eu até daria razão para ele, mas desde quando o Don Nelson manda alguém marcar? Imagino que na cabeça do GM Larry Riley a dupla de baixinhos apesar de sofrer na defesa vai fazer sofrer no ataque com tamanha velocidade e agressividade. Era um risco que poderia dar certo se bem aplicado e que tem tudo, absolutamente tudo, pra dar errado se nem os jogadores envolvidos acreditam que pode funcionar.

Os dois melhores jogadores estão insatisfeitos, o técnico ainda é o Don Nelson e o promissor novato será ou reserva ou terá um companheiro que não acredita nele. E foi só o primeiro dia da pré-temporada do Golden State Warriors. Deve ter gente lá torcendo pra temporada acabar logo.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Hora de aposentar

Phil Jackson chama um táxi para a terra da aposentadoria,
onde o Don Nelson mora mas ainda não sabe



Enquanto o Denis comemora a contratação do Lamar Odom pelo Lakers dançando pelado pelas ruas (ele volta depois para postar a respeito), eu lido com minha segunda amigdalite em um mês. E não tem nada que combine tão bem com amigdalite quanto a situação no Warriors.

A notícia mais recente por aqueles lados é de que Marco Belinelli foi mandado para o Raptors em troca de Devean George e um monte de verdinhas. O italiano Belinelli foi o melhor jogador das Summer Leagues por duas temporadas consecutivas, foi uma bela escolha de primeiro round para o Warriors, mas praticamente não entrou em quadra. A troca por George, completamente ridícula, nos leva a dar uma olhada no que o Warriors fez com suas escolhas de primeira rodada do draft nos últimos anos. Achei uma lista na internet que merece ser reproduzida com comentários. Então, se você está de pé, sente-se (até porque, veja bem, que tipo de débil mental usa o computador de pé?). Faça a gentileza também de tirar as crianças do recinto. O negócio vai ficar muito, muito feio.

...

2001: O Warriors draftou Jason Richardson com a quinta escolha do draft, para depois trocá-lo por Brendan Wright (que praticamente nunca entrou em quadra) e um vale-trocas de 10 milhões que o time nunca usou. Troy Murphy também foi draftado, na décima quarta escolha, para depois ser trocado para o Pacers. O Gilbert Arenas foi draftado na segunda rodada, com a trigésima primeira escolha, sacada de gênio. Mas quando seu contrato terminou, o Arenas foi abordado por vários times e resolveu literalmente decidir na moeda para qual iria: Warriors, Clippers ou Wizards. Todos nós sabemos que ele acabou indo parar em Washington e isso deixa bem claro que Clippers e Warriors são definitivamente times amaldiçoados.

2002: No draft, o Warriors escolheu com a terceira escolha Mike Dunleavy, que também foi trocado para o Pacers e só aí começou a render de verdade (na perto de "o próximo Larry Bird" como se esperava, mas quebra um galho)

2003: O Warriors escolheu Mickael Pietrus na décima primeira escolha, e ele sempre se disse insatisfeito na equipe, reclamando da falta de defesa, vontade de ganhar e seriedade técnica. Deu o fora de lá assim que seu contrato terminou, indo para o Magic.

2004: Também com a décima primeira escolha, mas no ano seguinte, o escolhido foi Andris Biedrins, que pelo menos está no time até hoje, embora volta e meia seja colocado aleatoriamente no banco de reservas e esteja em tudo quanto é boato de troca, incluindo aquela para o Suns que supostamente incluiria Amaré Stoudemire.

2005: O Warriors escolheu com a nona escolha o Ike Diogu, trocado para o Pacers junto com Troy Murphy e Mike Dunleavy, e que agora acabou de assinar com o Hornets. Mas pior do que trocá-lo é gastar uma nona escolha nele, credo.

2006: Por falar em gastar escolhas, o Warriors escolhe Patrick O'Bryant, que alega no dia do draft não ser bom o bastante para uma nona escolha. Como era de se esperar, ele nunca foi usado, fedeu bastante, e após seu segundo ano foi liberado da equipe.

2007: Draft do Marco Belinelli, na décima oitava escolha, que brilha nas Summer Leagues, não ganha nunca minutos em quadra e acaba de ser trocado para o Raptors. Pelo Devean George, aliás, o que é quase tão ofensivo quanto xingar a mãe. Foi nesse draft que o Warriors trocou o Jason Richardson pela oitava escolha, o Brandan Wright, que está acorrentado ao banco de reservas do time e não consegue sair nem pra usar o banheiro.

Escolha de primeira rodada em 2010, 2o11, 2012 ou 2013: Foi mandada para o Nets em troca do Marcus Williams, que era uma grande promessa mas nunca havia tido minutos atrás de Jason Kidd e, depois, atrás de Devin Harris. Finalmente o Nets deixou o garoto tentar a vida em outro lugar, mas o Marcus Williams sequer conseguiu entrar em quadra pelo Warriors, porque o técnico Don Nelson não deixou. Com isso o Marcus Williams foi liberado ao fim da temporada passada, acabou saindo um dos melhores jogadores das Summer Leagues desse ano, e acaba de assinar com o Grizzlies.

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As escolhas de draft do Warriors não são tão ruins, eles acertaram um bocado apesar de cometerem uns erros desastrosos (Patrick O'Bryant, o pus nas minhas amígdalas te mandou lembranças). O que torna esse time tão ridículo, no entanto, é o fato de que os jogadores que vão parar lá não são utilizados, vão mofar no banco de reservas, são trocados ou até mesmo mandados embora. De que adianta draftar Belinelli, Wright e até mesmo o Anthony Randolph, tão elogiado e cheio de promessa, se nenhum deles entra em quadra? Pra que formar um núcleo com Jason Richardson, Murphy, Dunleavy, Arenas, se o time não consegue manter seus jogadores? Pra que gastar dinheiro de contratações com jogadores como Corey Maggette, de que o time não precisava e que claramente é cada vez mais deixado de lado na equipe? O caso do Marcus Williams, no entanto, é o que me lembra mais o incômodo da minha amigdalite. Ao chegar ao Warriors, trocado por uma escolha de primeira rodada, Marcus Williams foi acusado pelo técnico Don Nelson de estar fora de forma, tiveram uma discussão, e então o jogador já estava imediatamente fora dos planos da equipe. Preferiram se livrar do garoto, sem receber bulhufas em troca. O Clippers parece um circo mas lá parece haver um critério: conseguir jogadores bons, aleatórios, e colocá-los ao mesmo tempo em quadra. No Warriors, não há plano nem critério. Sabemos que o técnico Don Nelson gosta de jogar na correria, defendendo pouco, arremessando de fora e explorando os rebotes ofensivos, mas não há uma tentativa de draftar ou trocar por jogadores que se encaixem no padrão. Eles trocam primeiro para descobrir que não usarão o jogador logo depois, porque não se encaixa, porque não faz sentido dentro do conjunto. É assim que o Warriors é um time em reconstrução há quinhentos anos, quando jogava-se basquete com ovo de avestruz, e só chegou aos playoffs com aquele time aleatório que derrotou o Mavs, desmanchou-se e não repetiu a dose.

Sou obrigado a questionar a sanidade do Don Nelson, apesar de ter gostado tanto dele nos tempos de Mavs. Acredito em sua filosofia de jogo, no que ele pode fazer taticamente com uma equipe, mas já está bem óbvio que ele não tem mais idade para ficar lidando com os jogadores. Está o tempo inteiro brigando com alguém, fazendo experimentos bizarros, mandando titulares para o banco e nenhum jogador faz a menor ideia de quantos minutos terá em quadra. Suas trocas não fazem sentido e as contratações parecem tiradas na moeda, tipo as decisões do Arenas. Don Nelson não parece mais ter idade para a brincadeira e se alguém quer levar o Warriors a sério apesar do nome meio RPG, vai ter que se livrar do técnico gagá. Às vezes, por mais geniais que sejam, os técnicos podem atingir momentos em que mais complicam do que ajudam suas equipes.

Sei que alguém vai colocar agulhas de vudu na minha garganta e eu não vou sarar nunca da amigdalite, mas estou começando a achar que é o caso do Phil Jackson. O esquema dos triângulos é genial, assim como sua dedicação ao estudo do jogo, seu entendimento do que os times adversários estão fazendo em quadra, sua capacidade de alterar partidas e a motivação e independência que fornece aos jogadores do Lakers. No documentário "Kobe doin' work", do qual falaremos mais em breve aqui no Bola Presa, podemos ver um Phil Jackson que mal aparece nos tempos técnicos enquanto os jogadores meio que decidem as coisas sozinhos. Kobe é um nerd absoluto e vai se virando, conversando com os companheiros e compreendendo o jogo por si só. O que importa, mesmo, é o respeito que o Kobe tem pelo Phil Jackson e a compreensão do jogo que alcançou através da ajuda do técnico, bem menos do que a presença real do Phil em quadra. Mas o problema é que, com a idade, o técnico zen na verdade não tem muita paciência pra ficar lidando com a pirralhada. Ele quer que os jogadores aprendam sozinhos, com seus erros, mas já faz um bom par de anos que Phil Jackson não tem medo de queimar seus jogadores afundando-os no banco de reservas quando as cagadas começam a aparecer. Os novatos não tem vez, são humilhados, cuspidos e perdem suas chances em quadra. Para quem se lembra, Smush Parker tomava uns esporros do Phil que dava vontade de chorar por compaixão, e por fim acabou na lista negra e foi tacado no lixo da equipe apesar de ter feito um trabalho sólido num time que melhorava cada vez mais no Oeste. Sobre o Kwame Brown, nem se fala. Pra mim, Phil Jackson é o responsável por ter acabado com sua carreira. Com a pressão de ter que render num Wizards que queria ganhar imediatamente graças à ajuda do Michael Jordan nas quadras, pudemos perceber que o Kwame não consegue jogar quando é exigido e pressionado em níveis elevados. Ele precisa de papéis menores, funções mais restritas e menos cobrança para poder render um pouco. No Lakers, teve uma chance de ficar em segundo plano, atrás de Kobe, e mesclar-se num elenco que queria destacar-se pelo conjunto. Kwame só tinha que mostrar algum talento defensivo, comer pelas beiradas. Mas Phil Jackson não aturava a falta de compreensão do Kwame com o sistema dos triângulos, humilhava o pobre jogador, castigava-o com o banco de reserva por vezes em partidas inteiras, e a confiança do coitado que já era uma merda foi parar no esgoto. Passou a ser vaiado pela torcida e, nessas ocasiões, fazia umas cagadas dignas de risada. Se fosse apoiado, se a torcida vibrasse, se o Phil Jackson tivesse a paciência de outrora para lidar e motivar jogadores, Kwame Brown seria uma peça sólida no Lakers provavelmente até hoje.

Algo similar está acontecendo com o Bynum. Apesar de ter se saído muito bem antes de sua contusão em 2008, na temporada passada o Phil Jackson não teve qualquer paciência com o garoto. É preciso lembrar que ele tem um contrato monstruoso para ser um dos pilares do Lakers pela próxima década, mas é jovem, inseguro e ainda está aprendendo o jogo. Chegou a dominar algumas partidas mas ainda é inconstante. Definitivamente Phil não está ajudando em nada quando espinafra com o garoto e pune suas cagadas deixando-o em quadra apenas nos 5 minutos finais de uma partida de playoff. O pivô poderia estar sendo uma peça fundamental e contribuindo profundamente para a equipe, mas sem paciência, Phil prefere deixar o menino no banco e não ter que lidar com pirralhisse. Eu entendo, deve ser mesmo um saco treinar esses milionários que ainda não têm pêlos no saco, mas o Lakers precisa pensar em seu futuro - principalmente com relação a um jogador com quase 60 milhões em contrato pelos próximos 4 anos. Se ele ficar para sempre relegado ao banco de reservas, ou demonstrar os mesmos problemas de confiança do Kwame Brown (e do Greg Oden, pelo jeito, que agora está recebendo acompanhamento ferrenho de psicólogos especializados), o Lakers terá um problema gigantesco em mãos.

O Denis me avisou que o assistente técnico do Lakers, Kurt Rambis, recusou várias propostas para ser técnico e continuou no Lakers, apenas esperando a chance de assumir o cargo do Phil Jackson. Será uma boa, sangue novo para lidar com os jogadores mais jovens e alguém que domine o esquema tático do Phil o suficiente para o nerd do Kobe respeitar e não olhar completamente de cima. Titio Phil merece um descanso, mas sua saída, nesse ponto, será mesmo melhor para o Lakers. O mesmo acontece com o Don Nelson: espero que alguém com bom senso arrume um técnico novo para o Warriors e aconselhe o Don a simplesmente comprar um gato. Que, provavelmente, vai ser alimentado só às vezes, sem muito critério.