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domingo, 24 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Milwaukee Bucks

Você também não odeia toda vez que seu cotovelo vai parar onde não deveria?

Objetivo máximo: Ganhar uma série de playoff no Leste
Não seria estranho: Sequer chegar aos playoffs, mas por pouco
Desastre: Ficar nas últimas posições do Leste e o Bogut quebrar o outro braço

Forças: Umas das melhores defesas da NBA
Fraquezas: Jogo de garrafão e falta de coletividade na parte ofensiva

Elenco:
.....

Técnico: Scott Skiles

Vale reciclar o que falamos do Skiles em nossa "Semana dos Técnicos":

"O Skiles é a esposa que ninguém quer ter: faz uma comida deliciosa mas critica o marido o tempo todo e em todo lugar, na cozinha, na cama, no banheiro e na frente dos amigos. Grita o tempo todo, cola na geladeira a lista de regras da casa (se não levantar a tampa da privada antes de mijar, tem que pagar 50 flexões) e nunca dá o braço a torcer. Ou seja, Scott Skiles é um divórcio sempre esperando para acontecer.

Poucos técnicos são tão bons estrategistas quanto ele, é verdade. Se eu tivesse que escolher alguém para desenhar a jogada final de uma partida que levasse à cesta da vitória, escolheria o Skiles. Mas vá ser pentelho assim no inferno! A palavra principal com ele é "disciplina". O que ele exige do time não é talento, mas obediência irrestrita. Grita com os jogadores de forma exigente, o que pode ser até motivador a princípio, mas quando ele grita por qualquer coisa, critica os jogadores o tempo inteiro e não tem vergonha de esculachar seus jogadores quando está falando com a imprensa, está criando um clima insuportável em seu elenco.

Sua especialidade é a defesa e é exatamente isso que ele cobra de seus jogadores sem parar, integralmente. Quem não defende não tem vez, vai parar no banco, assim como quem não obedece. 

(...)

Diz a lenda que, desde seus tempos de Phoenix Suns, o Skiles não grita mais. Mas isso não quer dizer que ele não reclame o tempo todo, não cobre o impossível e não castigue seus jogadores fisicamente. No Bulls, sob seu regime, quem não atinge o padrão "paga 100", e uma visão comum por lá é um bando de jogadores crescidos correndo ao redor da quadra porque erraram uma bandeja. Eu sei, tem gente que adora esse tipo de coisa, que acha que basquete se aprende na porrada, que criança se educa no chicote. Mas a fama do Skiles no Bulls é o bastante para fazer jogadores free agents evitarem jogar pra ele. Ninguém quer ficar sofrendo só de alegre, a não ser masoquista, mas é melhor nem entrar nesse assunto.

Quando o Ben Wallace chegou ao Chicago Bulls como a grande esperança de tornar o time um real candidato ao título, acabou trombando de frente com Skiles. Logo de cara, o Skiles obrigou os jogadores a enfaixarem seus tornozelos antes de treinos e partidas, algo que o Big Ben nunca tinha feito e assumidamente achou uma merda ter que botar em prática. Além disso, estava em voga no elenco uma lei idiota que proibia o uso de faixas na cabeça. Quando o Big Ben entrou em quadra com uma, o Skiles colocou ele no banco assim que percebeu. Todos os assistentes técnicos foram falar com o Wallace, pedir para ele tirar, mas ele não obedeceu. Só tirou a faixa no fim do primeiro quarto e, segundos depois, sem falar nada, Skiles colocou ele de volta em quadra. No segundo tempo, Ben Wallace voltou com a faixa do vestiário e nem foi colocado em quadra. Assim que tirou para coçar a cabeça, foi colocado em quadra. Tudo um jogo de crianças, uma brincadeira de mentes entediadas, uma vontade grande demais de ter poder. Por que alguém se importaria com faixas de cabeça? Que vontade é essa de ser obedecido que faz ele só colocar o Ben Wallace nos segundos em que ele tira a maldita faixa da cabeça? Freud explica, algo a ver com falos e mães.

O clima com o Ben Wallace ficou insuportável e ele teve que ser trocado. Mas quando o clima com o resto do time ficou insuportável, não dava pra trocar o time inteiro, a não ser que mandessem eles para Seattle. O jeito foi mandar o Skiles pro olho da rua e aguardar alguém apaixonado por seu estilo "obedece essa merda e defende direito" dar uma chance para o rapaz. Rapidinho ele se tornou o novo técnico do Bucks."

Quando escrevemos isso, Skiles ainda não havia feito sua estreia pelo Bucks. Na sua primeira temporada, o time esteve sem Michael Redd e sem Andrew Bogut, era um dos piores elencos da NBA e não conseguia pontuar nem em ginásio vazio, um jogo contra o Bobcats acabaria um a zero, com gol cagado ou de pênalti. Mas em sua segunda temporada com o Bucks, com a defesa entrosada, os jogadores obedientes e o Bogut em boa forma física, levou o time para os playoffs. Todo mundo esperava que eles fossem um dos piores times do Leste, e de repente emplacaram sequências de vitórias, tudo na base da defesa, arrumaram o John Salmons meio que no susto pra ajudar no ataque, se classificaram em 6o lugar no Leste e levaram o Hawks para um Jogo 7 em meio a gritos alucinados (especialmente aqui no Bola Presa) de "fear the deer", ou em português bolapresístico, "tema a rena". Tudo mérito da defesa do Scott Skiles, que tirou água de pedra nesse elenco limitadíssimo e só não foi técnico do ano porque o Thunder era mais legal de se ver e fica difícil dar um prêmio para um time que toda vez que vai para o ataque te dá vontade de vomitar. Não seria legal se o Bucks fosse, no ataque, tão bom quanto o Scott Skiles era nos seus tempos de jogador? É dele, por exemplo, o recorde de assistências numa partida, são 30. Isso mesmo, trinta. T-R-I-N-T-A. Tá bom que o jogo foi uma correria ridícula, parecia Suns contra o Warriors, ninguém defendia, mas o recorde é absurdo, vale assistir a todas as assistências do Skiles no vídeo abaixo:

.....
O Bucks chegou tão longe na temporada passada somente à base da defesa. Mesmo quando o Andrew Bogut se contundiu pouco antes dos playoffs, deram muito trabalho para o Hawks dobrando marcações, congestionando o garrafão, fazendo a rotação defensiva e contestando cada arremesso. Com o Bogut em quadra, teriam grandes chances de ter ganhado aquele Jogo 7. Aliás, pra quem não se lembra e quer causar pesadelos na irmãzinha menor, aí vai o vídeo da contusão terrível do Bogut:


A lesão foi tão grave que o Bogut não espera voltar ao normal nessa temporada. Disse ainda ter várias dores e estar com toda a mobilidade do braço comprometida. Segundo ele, ainda que ele melhore durante a temporada, ainda assim estará "em 85%, 90%" do que poderia jogar. Será um longo processo de ajuste e recuperação, então o Bucks não poderá contar muito com ele no garrafão (onde Drew Gooden deverá assumir) e nem para carregar todo o ataque da equipe como acontecia em vários jogos da temporada passada. Jennings terá que continuar a melhorar seu arremesso, tornando-o agora mais consistente, mas todos os reforços da equipe são focados em ajudar na parte ofensiva: John Salmons reassinou com a equipe e é ótimo nas jogadas de isolação, Corey Maggette é um dos melhores jogadores da NBA em atacar a cesta e cavar faltas com isso (dia desses fez 17 pontos em apenas 14 minutos de jogo errando todos os dois arremessos que tentou, mas acertando 17 dos 20 lances livres que cobrou), Chris Douglas-Roberts é uma máquina de pontuar desde o universitário e só deve ter problemas mesmo é na parte defensiva, e Earl Boykins é um anão mas sua especialidade é na parte ofensiva do jogo (e eu estou muito feliz de ver ele de volta à NBA!). Parece que Scott Skiles percebeu que a defesa é sólida e levará o time longe, mas para vencer nos playoffs será preciso muita ajuda no ataque - foco total das contratações. Curiosamente todo mundo que chegou tem um perfil bastante individualista, são jogadores focados em isolações e em bater para dentro, mas talvez seja justamente o que o Skiles queria. Ao invés de envolver o time em trabalhosas movimentações ofensivas, basta que alguém consiga criar seu próprio arremesso se a defesa segurar a onda. Maggette, Douglas-Roberts e Boykins teriam sido o bastante para vencer o Hawks na temporada passada, mas provavelmente essa limitação de estilo de jogo não será suficiente contra as melhores defesas.

O Bucks não será um time maravilhoso de ver, o ataque ainda deve ser truncado, mas existem atrações. Brandon Jennings teve uma temporada espetacular e, mais acostumado com o resto do time e chamando cada vez mais o jogo, deve dar espetáculos nessa temporada. Grande parte do sucesso do Bucks está em suas mãos, não necessariamente na armação do jogo, mas principalmente em seus arremessos. Na defesa, o destaque vai para a "Lady Gaga da NBA", o Ersan Ilyasova, que vem de um bom campeonato mundial pela Turquia e tem um estilo completamente bizarro mas eficiente de defender. O elenco tem sua parcela de jogadores bem jovens que evoluirão durante a temporada e os veteranos que precisam segurar o ataque fluindo. Devem voltar aos playoffs, mas o sucesso que terão lá depende exclusivamente de que os novos jogadores abracem a defesa (e a chatice) do Skiles o bastante para ficarem na quadra e garantam, no ataque, seus lugares na rotação. Michael Redd até poderia dar essa força, mas não há relatos de que tenha condições físicas e, mesmo quando tiver lá pra fevereiro, dificilmente entraria em quadra (como aconteceu com o T-Mac em Houston quando ele voltou à forma) para não estragar o clima e o entrosamento do elenco. No máximo, será trocado, mas assim que seu contrato acabar a grana deve ir para o Jennings e as novas estrelas do time.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O confronto que não acontecerá

Josh Smith tem um derrame cerebral no meio de uma enterrada


Às vezes alguns times se esquecem de que no basquete ganha quem fizer mais pontos. Não adianta dar uma de Santos, pegar o futebol-arte e jogar na privada, tirar todos os atacantes, fazer um time só de volantes, ter três jogadores expulsos e segurar resultado. Na pior das hipóteses, como nos ensinaram Spurs e Pistons campeões da NBA, dá pra jogar o basquete na privada por três quartos - e aí atacar com eficiência nos minutos finais. Por isso o Billups naquela equipe estava sempre com aquela postura de "O quê, nós assassinamos o basquete e os olhos das pessoas estão sangrando? Tudo bem, daqui a pouco a gente arruma", ao invés desse Nuggets medroso que é personificado na figura do JR Smith: só jogam bem quando já estão na frente.

Mas quem esqueceu de atacar não foi o Nuggets, mas o Bucks. O time até que sofreu mais do que estava acostumado para marcar o Hawks e deixou o Mike Bibby livre trocentas vezes - porque quando a equipe está preocupada em defender o garrafão, costuma deixar de lado armadores com mais de 60 anos de idade. Mas ainda que o Bibby tenha punido o Bucks um bocado, no geral a defesa foi eficiente, física e pentelha. Só não adianta nada se na hora de marcar pontos, o time parecer que ainda está defendendo. Era capaz deles conseguirem roubar a bola e aí devolver para o Hawks, "tó, tenta de novo", como um goleiro místico daquele desenho de futebol em que todo mundo parece ter poderes mágicos, o "Super Campeões" (o goleiro em questão defendia os chutes do Tsubasa apenas para colocar a bola nos pés dele de novo pra provar que ele era fodão). É bem óbvio que o Bucks se sente mais à vontade defendendo do que atacando. Se fosse futebol, eles ficariam realizados de poder ir para os pênaltis.

Torcer pra time que não sabe defender (tipo o Warriors e o Knicks) é um saco, a diferença no placar favorecendo o adversário nunca diminui, mas você sabe que na próxima posse de bola teu time vai pontuar e pelo menos diminuir um pouco. Torcer pra time que não sabe atacar é muito pior, cada posse de bola no ataque é um parto, tudo é dor, sofrimento, pessoas trombando contra uma parede. Dá uma sensação de que é tão difícil, mas tão difícil, que seria melhor se todos eles desistissem daquilo e fossem tentar uma atividade mais prazeirosa, como regar flores ou comer algodão-doce. Quando o placar se alargou para uma derrota por 20 pontos no quarto período e começou a entrar aquele pessoal do fim de banco, foi um alívio incrível. O pessoal do Bucks tá mais do que contente, enfrentaram um Jogo 7 mesmo sem Bogut e Michael Redd, tiveram chance de fechar a série no Jogo 6, e ninguém vai dar risada das Renas Roxas na temporada que vem.

Para o Hawks, a sensação nem foi tanto de alívio, foi mais é de vergonha. Não que o Bucks fosse ruim demais, mas é que quando você passa um baita de um sufoco, correndo o risco de ser eliminado um jogo antes, e aí chega na hora e vê que o Bucks fede e dá pra vencer por 30 pontos, fica aquele clima de "ah, era só isso?". Confesso que me surpreendi positivamente com o Hawks, em especial com o Josh Smith, apesar do sufoco que passaram contra as renas. O Josh Smith chegou a arremessar 152 bolas de três pontos na temporada 06-07 com um aproveitamento ridículo de 25%. Alguém disse para o rapaz que ele era armador e o coitado acreditou. Com 2,06m de altura ele está mais para um ala pequeno mesmo e sempre tentou se focar nesse papel, arremessando sem critério. Aos poucos foi diminuindo os arremessos, mas sempre flertando com as 100 bolas de três por temporada. Até que, nessa temporada, deu apenas 7 arremessos de fora! Sete! É uma diminuição de, sei lá, trocentos por cento! O mais engraçado é que ele errou todas as sete bolas, então finalmente percebeu que é um homem de garrafão que só deve arremessar de três nas horas de desespero - exatamente como qualquer outro homem de garrafão comum, não chamado Okur. O jogo de costas para a cesta do Josh Smith está muito refinado, ele tem um arremesso bastante confiável de média-distância, e não vai mais deixar a altura confundí-lo de em que posição deve jogar. Com Mike Bibby inspirado nas bolas de três e Joe Johnson e Jamal Crawford excelentes nos arremessos, eles precisam desesperadamente que o Josh Smith fique ali mesmo na área pintada e jogue com garra, força e agressividade (o resto do Hawks é meio molenga demais e deveria estar jogando vôlei). Tá bom que ele andou arremessando mais de fora nos playoffs (até acertou duas bolas contra o Bucks), mas é só porque a defesa de garrafão da equipe de Milwaukee é mostruosa. Ou assim espero.

O Josh Smith está pelo menos aprendendo a atacar a cesta e jogar com energia sem, no entanto, exagerar nas faltas ou forçar o jogo. Contra o Bucks ainda cometeu muitas faltas bobas, mas mais por mérito da Lady Gaga (nosso querido Ersan Ilyasova) do que por culpa de sua imaturidade. O único problema no Josh Smith que continua desde que eu conheço o rapaz é seu repertório de caretas. Ele confunde "jogar com energia" com "fazer cara de quem mata crianças e bebe seu sangue com um canudo". Pior é que as caras de assassino do Josh Smith parecem caricaturas bizarras do Kevin Garnett, parece que ele está imitado o Garnett com dor de barriga, prisão de ventre ou tendo um derrame. Não é nada bonito. Se Hawks e Celtics se enfrentarem, é capaz do Garnett dar um murro na cara do Josh Smith só por achar que ele está tirando sarro!

Mas eu falei só por falar, bater no teclado é de graça e é fácil, porque é claro que o Hawks não vai enfrentar o Celtics. Amanhã postaremos o perfil da série entre Hawks e Magic, mas se eu for o responsável pelo palpite vou acabar tacando um 4 a 0. Acho pouco provável que o Hawks roube uma partida sequer. E do outro lado, o Celtics vai ter muito trabalho para ter chances de passar para a próxima rodada e pegar o vencedor de Magic e Hawks.

Quando fizemos a análise da troca que levou Garnett e Ray Allen para o Celtics, ainda no comecinho do blog, eu dei 3 anos de vida para essa formação atual antes dela virar poeira. Bom, esse é o terceiro ano do Boston com esse elenco, então pelos meus cálculos não sobra muito gás nessa brincadeira. É claro que isso não quer dizer nada, afinal no mesmo post eu chutei que o Wolves ia se reestruturar rapidinho e surpreender a NBA logo, coisa que só deve acontecer nos meus novos cálculos lá pelo ano de 2089. Mas a verdade é que o Celtics realmente caiu de produção esse ano, a defesa despencou, eles viraram o pior time em rebotes, e a gente aprendeu a não levar eles tão a sério. Na primeira partida contra o Cavs na segunda rodada dos playoffs, ao menos mostraram que estão vivos. O Garnett teve um primeiro tempo genial, que me fez lembrar do que eu gostava tanto nele no Wolves, e o Ray Allen voltou a meter as bolas de três pontos rápidas em contra-ataque. Mas no segundo tempo acabou a pilha e o Cavs assumiu o jogo, primeiro com o Mo Williams acertando arremessos ridículos e fazendo 10 pontos seguidos com o LeBron ainda no banco (foi exatamente pra isso que ele foi contratado), e depois o LeBron voltou só pra finalizar com o jogo. Saiu dizendo depois da partida que o time estava tão bem no ataque que ele conseguiu descansar bastante e se focar só na defesa. É verdade, ele defendeu muito bem o Paul Pierce, que só acertou 5 em 17 arremessos, mas como diabos alguém que se foca "só" na defesa sai de quadra com 35 pontos? Não sei se isso é sinal de que o time é uma merda, então quando ele pode descansar tem só que fazer "35" pra garantir a vitória, ou se o LeBron é simplesmente alienígena e marca 35 pontos contra o Celtics dormindo. Quanto será que ele marcaria se estivesse tentando só pontuar? M-e-d-o.

Talvez parar o LeBron seja impossível, mas seria uma boa ideia (pelo menos para nós, fãs do basquete) se o Celtics conseguisse segurar os outros jogadores do Cavs. Se o Mo Williams não tivesse marcado 10 pontos seguidos, saído de quadra com 20 e dado uma enterrada na cara do Paul Pierce, talvez o LeBron tivesse suado um pouco, se esforçado. Segurar o resto do time pode ser a possibilidade de que o Cavs não consiga se recuperar a tempo numa partida, ou ao menos que LeBron não possa se focar na defesa e Paul Pierce terá mais liberdade no ataque. Ou seja, o mais importante, mais importantíssimo de tudo, de tudo nesse universo, essencial de verdade, é que não deixem o Mo Williams dar outra enterrada dessas - pega muito mal, foi a primeira dele jogando pelo Cavs (e provavelmente não enterrava desde o basquete universitário). Ele enterrar foi tão bizarro que o técnico Mike Brown teve até que usar umas drogas psicotrópicas para se recuperar:



Se o Celtics impedir isso, terá mais chances de que não achemos eles uns velhinhos que cansam fácil. Dá pra acabar com o jogo ainda no primeiro tempo se a defesa apertar depois disso e o LeBron James não conseguir salvar o mundo a tempo. Não resta muito combustível para o Celtics, então eles precisam vencer agora. O Cavs vai ter o próximo século inteiro para ganhar uns anéis, os verdinhos precisam dar um jeito de passar para a próxima rodada imediatamente. Onde não enfrentarão o Hawks, pode ter certeza.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tema a rena

Ersan Ilyasova segura uma bola de basquete na mão esquerda


Apesar do esforço e da qualidade de Derrick Rose, o Bulls foi eliminado sem muitas dificuldades pelo Cavs. Quando todo mundo no Bulls jogou bem ao mesmo tempo, deu pra arrancar uma vitória suada, mas foi o bastante. O mesmo aconteceu com o Heat: numa partida história do Dwyane Wade, com 46 pontos (e 5 bolas de três, bizarro pra quem até ontem não tinha esse alcance no arremesso), deu pra conseguir uma vitória à força. Mas na partida final, o Wade teve uma atuação horrenda, com apenas 31 pontos, 8 rebotes e 10 assistências, coisa de jogadorzinho meia-boca, e o Heat não resistiu à defesa do Celtics. O Bobcats, por sua vez, não teve nenhuma atuação heróica, não conseguiu ganhar sequer um joguinho, e acabou eliminado dos playoffs antes mesmo da gente conseguir fazer uma piada com eles aqui no Bola Presa. Se eu soubesse, teria tirado sarro antes ao invés de ficar falando das séries boas que vão durar 7 jogos e me dar tempo de falar até do cunhado dos principais jogadores.

Então, se você é daqueles que torce pelo mais fraco, que quer ver o judeu-pobre-gay-torcedor-da-Portuguesa vencer o Big Brother, que ficava com vontade de comprar aquelas fitas com animais se safando de seus predadores que eram vendidas por telefone na extinta "TV Manchete" nos intervalos dos Cavaleiros do Zodíaco, então a única opção na Coferência Leste da NBA é o Milwaukee Bucks. Após vencer as últimas duas partidas, o time que parecia não ter nenhuma chance sem seu principal jogador está com a série empatada. Se já era esquisito o Bucks ter acabado em sexto lugar na Conferência, ganhando partidas mesmo sem seu pivô titular, é mais bizarro ainda ver que tipo de surra o time consegue dar no Hawks às vezes.

Como contei uns dias atrás, eu cheguei atrasado para os playoffs e portanto não vi as duas primeiras partidas entre as duas equipes. Sei apenas que foram partidas relativamente disputadas, mas que o Hawks ganhou com moderada facilidade graças a um domínio absoluto no garrafão ofensivo. Para a terceira partida, primeira em Milwaukee, eu esperava ver um jogo novamente disputado que o Bucks pudesse, talvez com alguma sorte, ganhar nos segundos finais - torço para o mais fraco, claro, só que não dá pra levar o Bucks muito a sério. Mas o que eu encontrei foi uma lavada vergonhosa em cima do Hawks, uma vitória dominante do Bucks, daquelas que o adversário chora no colo da mamãe ouvindo NX Zero. A defesa do Bucks foi, como sempre vi ser, completamente impecável. Coletivamente o time não deu um centímetro de espaço para o Hawks, mas foi individualmente que o jogo foi decidido. Esse Bucks não tem nenhuma estrela defensiva, ninguém que se destaque por ser um grande defensor, então o mérito do trabalho defensivo do técnico Scott Skiles recai sempre no trabalho em conjunto. Mas na terceira partida da série, Kurt Thomas fechou o garrafão sem nem ter que pular, afunilando a defesa, forçando o Josh Smith para a linha de fundo, obrigando-o a arremessar, cavando faltas de ataque, garantindo rebotes importantes. Luc Mbah a Moute (maior força nominal da NBA no momento) mostrou uma defesa impressionante no perímetro, incomodando o tempo inteiro. E Ersan Ilyasova mostrou que é simplesmente um gênio na defesa.

O Denis sempre chama o Ilyasova de "a Lady Gaga da NBA". Começa pelo figurino do jogador turco, com as meias levantadas até os joelhos, e passa pelo cabelinho escuro descolado e o rosto de nariz esquisito. Mas a estranheza se extende ao seu modo de jogo: seus arremessos são completamente bizarros, ele e o Leandrinho teriam muito a conversar numa mesa de bar. Tem também seu modo de correr, suas pernas estabanadas, o modo como ele parece descoordenado quando se move. Mas ele é comprido, rápido, inteligente, sabe se posicionar para os rebotes e está sempre trombando com alguém na defesa. Cavou contra o Hawks uma série de faltas de ataque, mas além disso passa o tempo inteiro desestabilizando jogadores que estão com ou sem a bola, e tudo de uma forma tão estranha que ninguém se atreve a marcar falta, parece apenas que ele é descoordenado e tropeçou mesmo, sem querer. É um gênio dissimulado.

Essas atuações individuais anularam o ataque do Hawks, e na hora de atacar o Bucks fez o mais simples possível: bola no John Salmons, corta-luz para ele, e aí deixa o rapaz decidir o que fazer. Já escrevi aqui como o Salmons sempre foi um baita de um injustiçado, jogando muito mas sempre perdendo minutos, apodrecendo no banco de reservas ou sendo trocado de um lado para o outro como figurinha repetida (ou o Quentin Richardson). O Bulls fez a cagada de se livrar do Salmons no meio dessa temporada para economizar um trocadinho nada significativo, e o resultado é esse: eliminado feio-feio dos playoffs. Imagina se o John Salmons estivesse dando uma força, eles poderiam ter acabado numa posição melhor da tabela e evitado o Cavs, ou ao menos durado mais do que 5 partidas contra LeBron e seus amigos. Mas tudo bem, o Bulls está punido, azar deles. O que importa é que o Salmons joga muito bem, é incrivelmente consistente, e dominou o jogo ofensivamente. Se aproveitou do corta-luz constante para atacar a cesta, cavar faltas, dar arremessos de longa distância, e principalmente para girar a bola e achar companheiros livres. Era ridículo ver como o Bucks usava a mesma jogada à exaustão mas cada vez o Salmons fazia uma coisa diferente e o Hawks não sabia o que esperar. Quando começaram a dobrar nele, outros jogadores do Bucks ficaram livres para bolas de três pontos certeiras e aí quando elas pararam de cair já era tarde demais - por não conseguir pontuar necas, o Hawks já havia ficado atrás demais no placar.

Fiquei com medo de ver o Bucks na quarta partida repetindo essa mesma jogadinha manjada com o Salmons, porque certamente o Hawks viria preparado. Mas para minha surpresa o Salmons ficou ali paradinho, olhando a vida acontecer de trás da linha de três. A bola passou quase todo o tempo nas mãos do Brandon Jennings, o foco foi nas bolas de três do Carlos Delfino, e até o Kurt Thomas e o Dan Gadzuric acertaram arremessos de curta distância. Tudo porque a defesa do Hawks passou o jogo inteiro olhando para um John Salmons que sequer parecia fazer parte do esquema tático da equipe. Nas vezes em que pontuou, foram apenas jogadas individuais, quase aleatórias, em que ele forçou seu caminho contra a defesa agressiva e cavou faltas adoidado. Mas todo o plano do Bucks passou bem longe disso, colocando uma carga enorme nas costas do Jennings, que respondeu com o melhor jogo que já vi do rapaz: pode não ter feito 55 pontos, mas ditou o ritmo da partida, deu passes simples mas precisos, e teve os bagos de dar aqueles arremessos bizarros que ele dá todo torto com uma mão só nos minutos finais de jogo para segurar a margem que o time abrira no placar. Novamente, foi a defesa que ganhou o jogo fácil, coube ao ataque apenas manter o placar sob controle no finalzinho da partida. E esse controle ficou com o Jennings, sabendo segurar a bola, deixar o cronômetro correr e pontuando nos momentos mais decisivos para deixar o Hawks a uma distância segura. Assustador pensar nos bagos desse garoto, o que será que ele vai ser quando crescer? Espero que não seja engenheiro agrônomo.

A quarta partida foi mais um espetáculo de defesa, mas foi ainda mais um show particular do Ersan Ilyasova. Duas faltas de ataque cavadas em sequência tiraram o Josh Smith da partida - tanto por faltas quanto psicologicamente. Fora isso, sua defesa estilo "eu tô bêbado, deixa eu me apoiar em você pra vomitar" incomoda demais qualquer jogador adversário, principalmente porque o Hawks não tem nenhum jogador muito físico para jogar no garrafão e ficar dando trombada. Se o Josh Smith é o único jogador da equipe de Atlanta que sabe jogar de costas para cesta, então o Ilyasova é o homem perfeito para impedir o jogo de garrafão do Hawks. Ele pode não dar nenhum toco, mas vai encher o saco, ser esquisito, parecer descolado. De fato, a Lady Gaga da NBA.

Aliás, é incrível como agora o Josh Smith realmente joga de costas para a cesta. Antigamente ele era forte pra burro, rápido, explosivo, mas só queria arremessar de três pontos. De repente acordou um dia e resolveu que tinha gente melhor pra fazer isso no time do que ele, entendeu que seu jogo tinha que ser mais agressivo e próximo à cesta, e virou um jogador inteligente que não força mais arremessos. Não sei onde ele comprou esse cérebro que ele antes não tinha, mas seria legal se ele mandesse o endereço da loja para o JR Smith, que está precisando. O Zach Randolph deve ter comprado o cérebro dele no mesmo lugar.

O genial sobre a quarta partida dessa série é que Jamal Crawford (eleito o Melhor Sexto Homem do Ano) e Joe Johnson tiveram boas partidas, especialmente nas bolas de três pontos, mas não adianta nada se ninguém pontuar no garrafão. O Hawks pode pontuar, só não pode pontuar de modo fácil ou em excesso, tem que ficar sob controle moderado. A chave da vitória para o Bucks, no fundo, é o ataque: eles venceram as últimas 11 partidas em que marcaram pelo menos 100 pontos, ou seja, eles sempre seguram bem o adversário, só precisam dar um jeito de pontuar um pouco para que a diferença no placar fique a favor deles. Mas para isso agora há ajuda. Carlos Delfino está inspirado nas bolas de três, incrível que há uns anos atrás ele tenha pensado em abandonar a NBA quando tinha acabado de escapar de mofar no banco do Pistons e estava lutando por minutos no Raptors. Mas agora ele encontrou seu papel, defender como um argentino (leia-se "cavar faltas de ataque, encher o saco do adversário") e abusar nos arremessos de fora. John Salmons é um pontuador eficiente, principalmente quando o time não sabe mais o que fazer e ele pode arrancar na marra alguns lances livres. E o Brandon Jennings é uma incógnita: tem dia em que é um monstro nos arremessos de fora e ganha o jogo sozinho apenas com bolas de três, tem dia em que ele faz bandejas e tear drops como se fosse o Tony Parker, tem dia em que ele só corre como um doido e depois passa a bola para o lado, e tem dia em que ele só força arremessos idiotas e perde a bola com passes tão imbecis que até o Cristiano Ronaldo ficaria corado de vergonha. Mas quando está num bom dia, Jennings é o que falta para tornar Delfino e Salmons verdadeiramente eficientes.

A gente sabe que o Hawks não tem ideia de como se joga basquete fora de casa, eles perderam quase todos os jogos em ginásios dos adversários nos últimos playoffs, então devem vir mordendo na defesa e abusando nas bolas de três pontos no próximo jogo em Atlanta. Mas o único modo de vencer esse Bucks é dominando o garrafão. Josh Smith precisa ser impecável de costas pra cesta e Al Horford precisa fingir que é um pivô de verdade, não um ala fortinho usado no garrafão apenas de improviso (a verdade às vezes dói). Quando a defesa do Bucks está perfeita, com atuações individuais incríveis, o jeito é jogar dentro do garrafão - o único problema é fazer a bola chegar lá, e lidar com a marcação dupla assim que a bola atinge seu alvo. No entanto, o Hawks tem uma série de excelentes arremessadores que, num dia bom, podem abrir uma vantagem enorme no placar de uma hora para a outra, forçando o Bucks a parar de dobrar a marcação - hora, então, do Josh Smith brilhar perto do aro, e não arremessando como ele fazia antes.

De todas as séries que ainda restam, essa é a mais imprevisível, e conta com um time fracassado tentando se superar, jogando sem pivô, e um monte de torcedores com placas de "Fear the deer" no ginásio e se levando a sério, como se desse para ter medo de um animal fofinho com chifres de galhinho - ou de um time que se veste de roxo e tem como armador um novato, como pivô o Kurt Thomas, que plantou a primeira árvore da Floresta Amazônica, e como técnico um retranqueiro que se dá mal com seus jogadores e não sabe fazer seus times pontuarem. Mas sabe o que é bizarro? Mesmo sem impor medo em ninguém, o Hawks tem total consciência de que o Bucks pode ganhar essa série jogando feio, usando a tática "Lady Gaga" de fazer tudo estranho, tudo esquisito, e segurar uma vantagem pequena no placar até o final do jogo. É por isso que estarei gritando minha versão tupiniquim "tema a rena" na próxima partida mesmo que ninguém tenha medo do time, mesmo que o Hawks ainda seja favorito, mesmo que eu acredite que a equipe de Atlanta ganhará jogando em casa. É que quando ninguém acredita neles, o trabalho fica mais fácil. Já pensou o Magic entrando em quadra para enfrentar o Bucks na próxima rodada tendo certeza de que vai dominar o jogo com o Dwight Howard? Prevejo mais um tombo inesperado, com a defesa do Bucks sufocando o Howard até ele fazer xixi nas calças. Temos que temer a rena justamente porque ninguém teme ela, todo mundo olha e tira sarro, é tipo o Ersan Ilyasova e suas meias enormes e cabelo de emocore, mas que de repente faz tudo dar certo. Continuemos não acreditando nessa equipe sem Andrew Bogut, sem ataque, sem chances, enquanto eles continuam dando tabefes nas nossas orelhas. Se classificaram em sexto lugar do Leste quando tinha gente dizendo que era meio sem querer, que eles sequer iriam para os playoffs. O Bucks é o Ilyasova: estranho, bizarro, gaganiano, mas de verdade. Muito de verdade.

sábado, 17 de abril de 2010

Preview dos playoffs - Parte 1

Começamos aqui o nosso Preview dos playoffs. Até o fim do dia vocês terão aqui as análises das quatro séries que começam hoje (Cavs/Bulls, Hawks/Bucks, Heat/Celtics e Nuggets/Jazz) e até o fim do domingo as análises das séries que começam amanhã (Magic/Bobcats. Suns/Blazers, Mavs/Spurs e Lakers/Thunder).


Nesse post, pra ir soltando aos poucos como cocô em dia que você não tomou o Activia, as duas primeiras partidas do dia, com análises das séries do Cavs e do Hawks.

O formato é simples. Falamos o que cada um dos times precisa fazer para ganhar a série e depois damos um palpitão. Não somos muito fãs de futurologia mas vamos entrar no jogo nessa temporada, entre as coisas que cada time precisa fazer para vencer vamos escolher as mais prováveis de acontecer e chutar um placar.

Cleveland Cavaliers x Chicago Bulls


O que o Cavs precisa fazer para vencer:
Basicamente ele precisam só fazer o que fizeram nos outros 82 jogos da temporada. O time tem um elenco melhor, garrafão mais forte, defesa mais eficiente e o melhor jogador da série (e do universo) do seu lado. Mas apesar da série não apresentar muitas dificuldades, o Cavs precisa tomar alguns cuidados, o Shaq passou muito tempo fora e não deve estar completamente em forma e o trio LeBron, Jamison e Shaq jogou pouquíssimos jogos juntos, vão ter que aprender a jogar um com o outro durante a pós-temporada.

Mas por outro lado o técnico Mike Brown tem muitas opções de formação do time, se Jamison e Shaq não se entenderem ele pode usar Jamison com Varejão ou Ilgauskas e deixar Shaq jogando com JJ Hickson. Era melhor ter descoberto as melhores combinações antes dos playoffs, mas o Cavs não vai morrer (pelo menos nessa primeira rodada) por causa disso.

Também é importante um cuidado defensivo com o Bulls. Até o ano passado deveria se tomar muito cuidado com as isolações do John Salmons e com o Ben Gordon, mas nesse ano para marcar o Chicago Bulls você só precisa segurar as infiltrações do Derrick Rose. Não é fácil, mas fica mais tranquilo quando você foca todo o time nisso e é o que o Cavs deve fazer. Dá pra fechar o garrafão com mais gente quando ele começar a infiltração, dá pra dobrar a marcação quando o Rose segurar muito a bola e deve-se tomar muito cuidado naqueles pick-and-rolls com o Noah e o Brad Miller, mas é só. As consequências dessa defesa focada no Rose serão uns arremessos de 3 livres do Kirk Hinrich, uns arremessos do Luol Deng e só, dá pra viver perfeitamente com isso e encerrar a série sem dores de cabeça.

O que o Bulls precisa fazer para vencer a série:
O Chicago Bulls precisa de superação, mas não no sentido usado em filmes de esporte da Sessão da Tarde com discursos inflados no intervalo, mas superação técnica, cada jogador precisa jogar a série inteira melhor do que costuma ser. Lembra no ano passado quando o Bulls engrossou a série contra o Celtics com o Tyrus Thomas de repente acertando arremessos de meia distância? Precisam disso de novo. O Joakim Noah precisa ser um pouco mais útil no ataque, o Taj Gibson precisa ser mais agressivo, o Flip Murray precisa ser uma boa fonte de pontos vindos do banco e o Luol Deng precisa pelo menos fazer o LeBron James suar para conseguir seus 30 pontos. E, claro, todos precisam acertar arremessos de longe! Eles fedem muito nisso!

Fazer tudo isso ao mesmo tempo e com regularidade durante uma série de 7 jogos sem mando de quadra é muito complicado, beira o impossível, mas, como no ano passado contra o Celtics, eles tem a vantagem de não ter obrigação nenhuma.

Se o Cavs precisa marcar bem a infiltração do Rose quer dizer que é óbvio que o Bulls precisa saber usar essa arma. Os melhores momentos do time na temporada vieram quando o Derrick Rose abria a defesa adversária com seus dribles, a obrigação deles é continuar fazendo isso para machucar a defesa do Cavs, o passo seguinte é conseguir fazer qualquer coisa além disso, afinal precisam de uma estratégia para 7 jogos, não para 1. Uma boa solução é usar mais o Brad Miller, que é um ótimo passador, para armar jogadas diferentes. Eles até fazem isso algumas vezes, mas aí é com o Miller no lugar do Noah, o que deixa o time mais vulnerável na defesa. Resolver esse cobertor curto tem sido uma das coisas mais difíceis de toda a temporada do Bulls e se uma solução não aparecer logo, eles perdem logo.

Previsão de resultado: Cavs 4 x 1 Bulls. Acho que o Cavs está com sangue nos olhos para voltar a enfrentar o Orlando Magic, aposto em uma vitória do Bulls apenas acreditando que Derrick Rose e Luol Deng podem ficar inspirados e consigam vencer um jogo no aperto.


Atlanta Hawks x Milwaukee Bucks


O que o Hawks precisa fazer para vencer a série:
Uma certeza que você tem ao enfrentar o Bucks é que vai encontrar uma defesa forte, pressionada e chata bagarai! Isso geralmente resulta em placares baixos mesmo para times com bom ataque, por isso é importante que o Hawks também defenda bem o Bucks, não dá pra ficar frustrado com o ataque que não funciona e esquecer da defesa. Quem assistiu a final de 2004 entre Lakers e Pistons sabe muito bem do que estou falando!

Para furar essa defesa forte do Bucks uma boa saída é forçar a infiltração e o jogo de garrafão. Não era uma boa estratégia até algumas semanas atrás, mas com a contusão do Bogut e a presença do Kurt Thomas no time titular esse se tornou o ponto fraco na fortaleza dos veadinhos. Para isso é importante que o Josh Smith seja mais agressivo que o normal, não se contentando com rebotes ofensivos e que o Al Horford cale minha boca e prove que merecia mesmo ter ido para o All-Star Game. Pra mim ele é um bom defensor e um bom reboteiro, não um cara que pode ganhar uma partida com um jogo de garrafão consistente.

Um problema que o Hawks vai precisar resolver são os matchups nos finais de partida. Geralmente o Hawks deixa Bibby, Jamal Crawford e Joe Johnson em quadra ao mesmo tempo, enquanto o Bucks usa Brandon Jennings, Carlos Delfino e John Salmons. Normalmente o Bibby teria que ficar no armador, mas ele é muito lento para o Jennings, forçando o Crawford a ficar nele. Mas e aí, o Bibby fica no Delfino? Não soa bem pra eles. E como o Bucks costuma rodar muitas jogadas de isolação no fim dos jogos, pode ser um problema para o Hawks. Vão precisar de uma defesa sólida e com muita ajuda pra resolver isso, como disse no começo, a defesa é a chave para o Hawks vencer essa série.

O que o Bucks precisa fazer para vencer a série:
Inexplicavelmente eles continuam vencendo mesmo depois que o Andrew Bogut quebrou o braço e ficou fora da temporada. Esse time passa a impressão que mesmo se eles colocarem três macacos, uma foca e o Bud, o cão amigo, eles vencem a maioria dos times da NBA. Mas a verdade é que a defesa deles não é focada em bons jogadores na defesa individual, mas como equipe todos se ajudam e exploram as fraquezas do adversário.

Para vencer o Hawks eles precisam encontrar essas fraquezas e manter o jogo com placar baixo, porque no ataque a coisa não vai ser fácil. Sem caras no garrafão para fazer pontos eles só conseguem abrir a defesa se os arremessadores de longe estiverem inspirados, então precisam que entre Salmons, Delfino, Ilyasova, Ridnour e Jennings pelo menos uns três tenham bons números nos arremessos de longe a cada partida. Alguns deles, principalmente o Salmons, também são bons em infiltrar na defesa adversária, mas até essa parte do jogo depende de bons arremessadores para não se formar um paredão no garrafão adversário.

O aproveitamento e eficiência do ataque do Bucks também vai ser importante para poder forçar o Hawks a não sair por aí roubando bolas, pegando rebotes e correndo no contra-ataque. O Bucks precisa forçar o Hawks a enfrentar sua defesa de meia quadra, sem conquistar pontos fáceis em enterradas do Josh Smith na velocidade.

Previsão do resultado: Hawks 4 x 3 Bucks. Ainda sou do time "Fear the Deer" e acho que o Bucks vai jogar bem a série inteira, mas passar da primeira rodada dos playoffs usando o Kurt Thomas como pivô é demais pra qualquer um. O Hawks finaliza bem jogos e deve passar para a próxima fase.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Vultos da NBA - Don Nelson

(insira aqui uma piada com o Rebolation)


Estatisticamente é fato consumado, Don Nelson é o técnico que mais venceu jogos na história da NBA. São 1.333 vitórias em 2.394 jogos. Mas o quanto é estranho ouvir que o Don Nelson, sempre chamado de maluco por nós e mais tantas pessoas, é o cara que mais venceu partidas na história de uma liga que já teve Red Auerbach, Phil Jackson, Pat Riley, Jerry Sloan e mais tantos técnicos fabulosos? Existem duas formas bem distintas de se avaliar a carreira do Don Nelson e só vendo esses dois lados conflitantes é que podemos chegar perto de um resultado final que faça algum sentido.

Primeiro vale dizer que vamos analisar a carreira do Don Nelson como técnico nesse post, não como jogador. Mas uma pequeno resumo da sua carreira não faz mal a ninguém:

Ele teve sua camisa de número 19 aposentada pelo Boston Celtics depois de vencer 5 títulos com a equipe nos anos 60, foi o sexto homem do time na maior parte do tempo e sempre conhecido por ser um contribuidor sólido vindo do banco de reservas, com mais de 10 pontos de média e alto aproveitamento de arremessos. Também vale lembrar que o Don Nelson foi o autor de um dos arremessos mais famosos da história dos playoffs. No jogo de despedida de Bill Russell da NBA, o jogo 7 entre Lakers e Celtics nas finais de 1969, o Celtics vencia por apenas um ponto o Lakers, em Los Angeles, a menos de um minuto do fim do jogo quando o Jerry West tirou a bola do armador do Celtics John Havlicek, mas ao invés de recuperar a posse de bola e ter um dos roubos mais famosos da história das finais, ele jogou a bola nas mãos de Nelson, que arremessou, viu a bola bater no aro, subir mais alto que a altura da tabela e então cair perfeitamente dentro da cesta. Título do Celtics.


Foi uma carreira tão sólida e correta que fica até estranho usar essas palavras na hora de descrever o que Don Nelson virou como técnico. No meio de inúmeras qualidades e defeitos contrastantes, podemos dizer que Nellie foi tudo, menos sólido e correto.

Comecemos com o lado positivo, sua criatividade sem limites. Sua carreira começou criativa quando assumiu o Milwaukee Bucks em 1976 como técnico e General Manager, ou seja, não só controlava o time na quadra como era o responsável pelas trocas e contratações da equipe. Uma série de trocas consideradas arriscadas na época fez do Bucks um time que no primeiro ano de Nelson vencia cerca de 30 jogos por temporada para um que ganhou 7 títulos de divisão seguidos e sempre chegou perto da marca de 60 vitórias. E para quem duvida de suas habilidades defensivas, vale dizer que em 7 dos 11 anos de Nelson no Bucks o time dos veadinhos teve uma das três melhores defesas da liga inteira! É, Don Nelson e defesa na mesma frase, é como dizer hoje que a Nana Gouvêa já foi freira.

Também foi em Milwaukee que o Don Nelson começou suas invenções malucas nos esquemas de jogo, foi ele o responsável pela primeira experiência com um point-forward na NBA. Pra quem perdeu a explicação do termo no nosso "Ma Engrish Two Bad", explico rapidamente: É quando um ala, da posição 3 ou 4, é o responsável pela armação do jogo ao invés de deixar a responsabilidade para um armador natural. O mais próximo disso que vemos disso hoje são alguns momentos do Lamar Odom no Lakers, LeBron James no Cavs e Stephen Jackson no Bobcats.

Don Nelson começou isso nos anos 80 usando o ala Paul Pressey para armar o jogo enquanto o time ficava sem nenhum armador nato. Sem precisar de um baixinho na posição 1 ele tinha a liberdade de usar dois de seus melhores pontuadores, Sidney Moncrief e Craig Hodges, em quadra ao mesmo tempo sem maiores preocupações. Pela inovação e pela altura dos jogadores isso criava situações que os técnicos adversários não sabiam lidar.

Depois de sua passagem pelo Bucks foi a vez de Don Nelson assumir pela primeira vez o Golden State Warriors. Lá ele começou o que é sua marca registrada até hoje, o run-and-gun, o sistema de jogo mais veloz e ofensivo da NBA em que todos os jogadores precisam ter velocidade, arremesso e raciocínio rápido. Ele foi inovador ao pensar em um sistema tático em que ao invés de valorizar a posse de bola, transformasse ela em algo trivial, arremessa-se na primeira oportunidade e arrisca-se qualquer roubo de bola ou marcação dupla na defesa para fazer com que o adversário também entre nesse jogo de posses de bola curtas e gratuitas.

Não esqueçam que estamos falando do run-and-gun em uma época em que os grandes times da NBA pensavam em defesa antes de tudo. Nelson assumiu o Warriors logo depois do Pistons da era Bad Boy, de pura defesa, ganhar dois títulos, e na época em que o Bulls começava o seu reinado usando os triângulos do Phil Jackson, um sistema ofensivo que sempre prezou pelas boas e pensadas decisões no ataque. O run-and-gun era ir completamente contra o que se fazia com sucesso no começo e meio dos anos 90.

Mas como ainda acontece hoje, o run-and-gun encantou. Chamado de Run TMC, uma referência ao grupo de rap Run DMC, mas usando as iniciais de Tim Hardaway, Mitch Richmond e Chris Mullin, o trio era famosíssimo entre todos os fãs e estava sempre nas listinhas de jogadas do ano com seu jogo de contra-ataque alucinante. Esse vídeo mostra um pouco do que eram capazes os três jogadores, principalmente Tim Hardaway e seu maldoso crossover.


Após o Warriors, Nelson deu uma de Larry Brown e passou por uma desastrosa temporada no New York Knicks, indo logo depois para o Dallas Mavericks. No Mavs, Don Nelson repetiu o que fez no Warriors: Run-and-gun + small ball.

O primeiro termo já mostrei, o segundo explico agora: É quando o técnico enche o time de jogadores baixos, é o ideal para sistemas de jogo velozes como o run-and-gun. Se no Warriors ele usava três armadores (Hardaway, Richmond e Marciulionis) e dois alas baixos (Mullin e Higgins), no Mavs ele chegava a jogar períodos inteiros dos jogos com quatro armadores (Nash, Van Exel, Finley e Adrian Griffin) e só o Nowitzki, um cara que passa a maior parte do tempo longe do garrafão, como pivô. Era uma loucura que, como na época de Warriors, rendia momentos lindos, muitas bolas de três e um ritmo de jogo que cansava só de assistir ao primeiro quarto.

Don Nelson é considerado até hoje o cara que tirou a imagem do Mavericks do lixo. Se hoje eles completam 10 temporadas seguidas com pelo menos 50 vitórias por temporada, até ele chegar lá o time era motivo de piada, mais um Clippers fadado ao fracasso. E acrescente na sua época de Dallas a sua invenção tática mais controversa, o Hack-a-Shaq, a tática de fazer faltas de propósito no Shaquille O'Neal para que ele errasse os lances livres e a posse de bola voltasse para o adversário. Ele até extendeu o uso da técnica e a aplicou contra o Bruce Bowen em alguns jogos de playoff.

Ao sair do Mavs Don Nelson voltou para o Golden State Warriors, onde conseguiu o seu feito mais impressionante como técnico: Embalou vitórias consecutivas no fim da temporada regular de 2007, se classificou para os playoffs em oitavo lugar e lá bateu o seu ex-time, o Dallas Mavericks, que tinha tido a melhor campanha da temporada regular. Foi só o segundo time na história da NBA a se classificar em oitavo e bater o primeiro colocado. E o fez usando sua velha tática de correria e jogadores baixos contra uma equipe do Mavs que tentava fugir desse esquema tático do seu antigo técnico para conseguir ir mais longe nos playoffs.

Vendo a carreira de Don Nelson assim daria pra encerrar o post dizendo que foi um sucesso. Muitas idéias criativas, times que há 30 anos são os mais divertidos e criativos da NBA e, para coroar, o maior número de vitórias da NBA. Mas agora vem o outro lado, se Don Nelson é só um dos três técnicos com mais de 1.000 vitórias na NBA, é um dos dois com mais de 1.000 derrotas.

Se Don Nelson foi genial ao melhorar o time do Bucks e os levar a sete títulos de divisão, nunca conseguiu chegar nas finais da NBA com esse time. Perdeu 6 vezes na semi-final de conferência e 3 nas finais, sempre perdendo para o Celtics ou para o Sixers no caminho. A criatividade de Don Nelson nunca foi o bastante para bater os dois grandes times do Leste na década de 80.

Na sua primeira passagem pelo Warriors Don Nelson foi o gênio da correria e da velocidade mas mais uma vez falhou nos playoffs. Em 7 anos ele chegou duas vezes na semi-final do Oeste e foi só, nunca ameaçou uma aparição nas finais. Lá também conseguiu sua primeira grande crise pública com um jogador, Chris Webber. Don Nelson é um cara criativo e inventa coisas loucas para usar durante os jogos mas nem sempre explica para os seus pupilos, forçando-os a jogar em posições que não estão acostumados, que não se sentem a vontade e eles muitas vezes nem sabem porque aquilo está acontecendo. Com Webber foi assim, que não entendia porque jogava tantas vezes fora de posição e brigou com o técnico. A crise foi tamanha que o time começou a se desmontar e Don Nelson foi mandado embora.

Na sua passagem pelo New York Knicks mais uma vez ele teve boas idéias, uma visão inovadora mas foi completamente incompetente na hora de lidar com jogadores, dirigentes e torcida. Ele simplesmente, no meio dos anos 90, queria convencer a diretoria do Knicks a trocar o Patrick Ewing, um dos maiores ídolos da história de Nova York, para poder abrir espaço salarial para a contratação do Shaquille O'Neal, que estava prestes a sair do Orlando Magic. É mais ou menos um técnico chegar hoje em San Antonio e falar pra trocar o Tim Duncan e tentar o LeBron ou o Bosh no ano que vem. Além disso ele tentou forçar o seu esquema ofensivo e veloz em um time que tinha um elenco montado pelo Pat Riley no ano anterior para ser essencialmente defensivo, foi um desastre anunciado e monumental.

No Dallas Mavericks, como é história recente, acho que muitos ainda lembram. O time encantava, corria, fazia coisas malucas mas sempre caia nos mesmos vícios e defeitos quando enfrentava o San Antonio Spurs ou o Sacramento Kings. Foram 4 anos seguidos com campanhas geniais e depois derrotas para as duas potências do Oeste do começo da década. É uma reprise do que aconteceu no Bucks e no Warriors, os mesmos erros.

Para terminar, sua nova passagem pelo Warriors. A vitória sobre o Dallas foi histórica, mas depois mais uma derrota em semi-finais de conferência, dessa vez para o Jazz. E após essa campanha mágica, brigas com o Baron Davis, com o Stephen Jackson e crises com vários outros jogadores de menos nome, caras que, tentando ganhar seu espaço no time e na NBA, tinham que lidar com um técnico que um dia te deixa jogar 40 minutos, te vê marcar 25 pontos e no dia seguinte te deixa no fundo do banco de reservas sem pisar na quadra. Isso sem falar na aversão do Don Nelson a novatos (Steph Curry é uma grata exceção!), que costumam mofar no banco porque o técnico não os considera ainda aptos para o jogo profissional.

Criatividade, velocidade, ataque e encanto que morrem em suas teimosias, erros repetidos, mau relacionamento com seus jogadores, situações desagradáveis com dirigentes e torcidas. Essa mistura doida é o que consegue transformar um cara em recordista de vitórias na NBA, ganhador de três troféus de técnico do ano e, ao mesmo tempo, sem nenhuma aparição em finais da NBA.

Segundo o Tex Winter, o cara que criou o sistema de triângulos e que até pouco tempo atrás ainda era assistente técnico do Phil Jackson, o Don Nelson é o rei da "filosofia de um jogo". Durante aquela única partida ele é capaz de criar tantas situações diferentes e inovadoras que o seu time sai com a vitória, mas não dá pra sustentar isso por uma série de 7 jogos. A explicação faz sentido, seus times, até seu Warriors "D-League All-Stars" de hoje em dia, é capaz de roubar vitórias de qualquer equipe de qualquer nível, mas sempre que ele enfrentou os playoffs, falhou.

Mas depois de 30 anos falhando nos playoffs, o que é o Don Nelson? Um gênio criativo que é persistente em seu sistema de jogo ofensivo ou um cabeça-dura que não admite mudar de filosofia? Ele é um nobre esportista por ser fiel ao espetáculo mesmo que isso não leve à vitória ou um técnico ruim que não sabe se adaptar para vencer?

A resposta para essa pergunta cai no quanto o Don Nelson quer vencer. Talvez esteja satisfeito com os seus cinco anéis de campeão como jogador e só queira se divertir como técnico, sua atitude de sair de férias assim que acaba a temporada e nem ligar para trocas ou draft durante toda a offseason indica isso, mas ficar se estressando e gritando à beira da quadra com 70 anos de idade nas costas indica outra.

Eu não vou ser idiota de arriscar uma resposta, prefiro encerrar com a dúvida e com uma genial frase do Roland Lazemby, colunista da ESPN, sobre o Don Nelson: "Ele é um monumento à mediocridade. Ou à experimentação ousada. Depende do quanto você comprou daquilo que ele está tentando vender".

domingo, 4 de abril de 2010

Sobre o Spurs e os veadinhos

Dois fatos desse fim de semana nos fazem repensar alguns conceitos que já tínhamos como certos para os playoffs e me forçam a escrever um curto post nesse domingo chuvoso. Sem paredão de Big Brother para assistir, à NBA vamos nos dedicar!


Vamos aos fatos inspiradores:

1. "Não subestimem o Spurs!"

Ginóbili depila o suvaco

Foram três comentários com esse título no último post só porque eu comprovei com números que o Spurs tem tido dificuldades para vencer todos os adversários do Oeste menos o Thunder. Mas uma vitória categórica sobre o Lakers, em Los Angeles, nesse domingo, dá argumentos para os defensores do Spurs.

Eu ainda acho que o Spurs não vai longe nos playoffs e o principal motivo é a contusão do Tony Parker e a temporada muito abaixo da média do Tim Duncan. Essa ressurreição do time nas últimas semanas foi impulsionada pelo Ginobili, que está jogando um basquete de MVP desde a parada do All-Star Game. Mas nesse meio tempo até ele já sentou uma partida porque estava com dores nas costas. Será que um time com o Duncan jogando mais ou menos, sem Parker e só dependendo do Ginobili vence uma série de 7 jogos contra os melhores times completos? Eu acho que não.

Atualmente o Spurs tem a 9ª melhor defesa da NBA e o 9º melhor ataque. Números sólidos o bastante para, somados com atuações acima da média de suas estrelas, jogar de igual para igual contra qualquer time da NBA. Quando o Spurs entra em quadra contra qualquer equipe não dá pra dizer em hipótese alguma que eles não tem chance, o grande ponto em que eu insisto é que nos playoffs você tem que vencer 4 de 7 jogos e com pouco descanso entre eles.

O Spurs não está entre os 4 primeiros do Oeste porque perdeu jogos-chave contra seus rivais, porque sofreu com as contusões e com a queda de produtividade do Duncan, e nada disso vai sumir na pós-temporada. Até me contaram nos comentários que depois do jogo contra o Lakers o Manu Ginobili postou no seu twitter que "Geralmente sou otimista, mas nem eu achava que venceríamos o Lakers por 19 pontos em LA". Nem o Manu acredita no Spurs, deixa eu duvidar também!

2. Fear the Deer
Nenhuma legenda engraçadinha vai ser melhor que essa foto


O "Fear the Deer" (Tema o Veado) tinha tudo pra ser o lema dos playoffs! O Bucks é o time do veadinho, o melhor time da NBA inteira desde a parada do All-Star Game e tinha tudo pra complicar a vida de qualquer adversário nos playoffs. Eu apostava como a maior chance de zebra (ou veado) na primeira rodada de todo o Leste.

Até que ISSO aconteceu no sábado à noite. Sério, não clique se você tem pesadelos e vontade de vomitar quando vê contusões feias. O Andrew Bogut tomou um capote depois de uma enterrada e caiu com o braço da maneira mais errada possível, pior que essa contusão só quando o Shaun Livingston teve a perna descolada do joelho quando estava no Clippers. Irgh, dá arrepio só de lembrar!

E não custa lembrar que há pouco mais de uma semana o Carlos Delfino, também do Bucks, saiu de maca do jogo contra o Heat depois que o Udonis Haslem caiu em cima do pescoço do argentino, foi outra contusão assustadora!

O Bogut não tem chance de voltar a jogar tão cedo depois dessa contusão, está fora da temporada. Ele simplesmente deslocou o ombro, torceu o pulso e quebrou a mão na mesma jogada! O Bogut era um dos pilares dessa equipe, tanto na defesa com seus 10 rebotes e 2 tocos por jogo, quanto no ataque, em que seus 16 pontos de média eram menos do que as contribuições de Jennings ou Salmons mas eram a única contribuição vinda de dentro do garrafão. Sem ele o time fica torto, com todo seu poder ofensivo no perímetro e com a defesa mais frágil, Kurt Thomas não fará metade do que fazia o Bogut. Um triste fim para uma temporada memorável dos veadinhos.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dia da mentira

Tim Duncan rindo? Mentiiiira

Não sei porque, mas como blogueiro eu me sinto obrigado a fazer um post de humor duvidoso sobre o Dia da Mentira. Parece uma conspiração liderada pelo Zorra Total que obriga as pessoas a ficarem metidas a engraçadinhas nesse dia! Mas não vou fazer um post dizendo que o LeBron é ruim e nem elogiando a torcida linda do Jazz, não conseguiria enganar vocês nem durante meio parágrafo, então vou repetir a fórmula do ano passado.

Há um ano fiz um post dizendo 5 coisas que pareciam mentiras no começo da temporada e eram verdade e depois 5 coisas que pareciam mentiras mas que eu garantia que seriam verdade. Vou começar analisando o que eu prometi que ia acontecer, será que meu saldo é bom? Eu costumo feder na hora das previsões...


1. O Bobcats vai ser um dos melhores times do Leste nos próximos 2 anos
Aeee!!! Bom começo! Eles melhoraram muito, já estão garantidos nos playoffs e se não fossem alguns vacilos (tipo perder duas vezes para o Nets!) estariam em quinto no Leste. Com um forte elenco, Larry Brown no comando, um possível desmanche no Cavs e a decadência do Boston é bem capaz que o Bobcats lute pelas primeiras posições do Leste no próximo ano, essa previsão ainda está viva!

2. O Nash vai jogar no Knicks
Merda, errei feio! O Suns estava ameaçando um desmanche total e o Knicks estava sofrendo com o Chris Duhon na armação, achei que alguma coisa ia sair disso e Nash e D'Antoni iriam se juntar novamente. Ter apostado no Fluminense campeão da Sul-Americana do ano passado teria me deixado mais perto de um acerto do que isso.

3. O Greg Oden vai ser um bom jogador
Hum... acho que essa não dá pra dizer que tá certa ou errada. Eu até acho que ele estava jogando bem quando estava vivo, mas o cara não consegue passar meia dúzia de jogos sem cair no chão! Deve ser porque ele tem 80 anos. Só vamos saber disso quando ele for um jogador profissional de basquete.

4. O Bynum vai machucar o joelho em janeiro do ano que vem em um jogo contra o Grizzlies.
O David Stern me sacaneou nessa, o Lakers nem pegou o Grizz em janeiro. Manobras políticas fizeram os times se enfrentarem só no dia 1º de fevereiro e aí nada aconteceu, o encanto foi quebrado. Mas o Bynum é o Bynum e tratou de machucar em março, que é mais perto dos playoffs e preocupa ainda mais a torcida do Lakers.

5. O Houston Rockets vai passar da primeira rodada dos playoffs
Aê, boa timê! Salve o Blazers que jogou mal pra cacete nos playoffs do ano passado e tomou uma sova do Rockets! Com a passagem deles para a segunda rodada dos playoffs do ano passado eu fiquei com um saldo positivo nas previsões! Nem eu esperava por essa!

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Agora vamos repetir nesse ano, começando pelas 5 verdades que pareceriam mentiras no começo da temporada:

1. O Tim Duncan não é nem um dos cinco melhores alas de força da NBA na temporada
Eu ainda acho ele o melhor que eu já vi, com muitas sobras, a ponto de deixar qualquer comparação parecer o mesmo que dizer que o Tcheco foi melhor que o Pelé. Mas nessa temporada tá difícil. Ele teve ótimos momentos, uma sequência boa de jogos há algum tempo, mas no resumo da temporada dá pra dizer sem pensar duas vezes que Dirk Nowitzki, Chris Bosh, Pau Gasol, Amar'e Stoudemire e... e... (limpa a garganta)... Zach Randolph, estão jogando melhor que o Mr. Poker Face.

2. Zach Randolph é um jogador bom de verdade
Falando no gordinho, quem iria prever essa? Além de melhorar os seus números, que sempre foram bons, agora ele realmente ajuda o seu time! Tem se esforçado na defesa (o que não quer dizer que ele é um grande defensor, mas é um começo), é o líder da NBA em rebotes ofensivos, não tem sido um buraco negro no ataque e até pro All-Star Game o porpeta foi! As bochechas gordas são as mesmas, mas o jogador...

3. Kevin Durant é candidato a MVP
Se tivesse gente prevendo que ele seria o cestinha da NBA já ia ter gente (presente!) reclamando e dizendo "Calma, é muito cedo, espera mais um pouco", mas o moleque é precoce e fenomenal. Não só está na briga séria para ser cestinha com o LeBron, como não duvido que ele acabe em segundo na votação para MVP da temporada regular.

4. O Bucks é o quinto colocado do Leste
O time titular tem um armador novato, um projeto de Ginobili que não deu certo, um turco desengonçado que "parece o Hannibal Lecter mas joga como o Larry Bird", um príncipe camaronês e um pivô esquizofrênico! Quem poderia prever que eles seriam uma das potências defensivas da NBA e que depois de trocar pelo John Salmons (SALMONS, não LeBron James) teriam a melhor campanha da NBA depois do All-Star Game?

5. O Gilbert Arenas ficará fora da temporada de novo e não será por causa de uma contusão.
Se falassem que ele perderia a temporada de novo acho que 95% das pessoas iriam acreditar numa boa e responder dizendo "E algum desastre natural irá ocorrer em algum lugar", mas dizer que seria por causa de armas de fogo dentro do vestiário ao invés do bom e velho joelho estourado pareceria mais mentira que a bunda da Cacau! Eu esperava ver mais uma briga à la Pacers x Pistons antes de ouvir falar de um jogador com armas no vestiário.

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O meu saldo nas previsões do ano passado não foi espetacular, mas mesmo assim eu já estou feliz, costumo ser muito pior do que isso! É só eu enxergar alguém se ferrando que o time começa a vencer, sou um desastre. Por isso nesse ano não vou prever nada, isso fica com vocês, digam quais coisas parecem hoje mentira mas serão verdades num futuro próximo! Daqui um ano tiraremos esse baú do fundo do quintal e iremos rir das palhaçadas que vocês falaram!

Para finalizar, um vídeo da ESPN com algumas pegadinhas esportivas de 1º de abril. Minhas favoritas são o cara que finge ser jogado do topo do prédio, e o jogador (nem sei de que esporte) que recebe a notícia falsa que foi trocado para um time do Japão!

Vejam que no meio tem uma briga de mentira entre o Mark Cuban, dono do Mavs, e um juiz! Sensacional que o assistente técnico Del Harris ficou achando que era de verdade, um clássico.

domingo, 21 de março de 2010

Punidos

O Rose só está sorrindo porque ainda não olhou pra trás


Com a data limite para trocas se aproximando, o Chicago Bulls foi um dos times que se mexeu para conseguir dinheiro e tentar contratar uma estrela na temporada que vem. São tantas estrelas terminando contratos ao fim dessa temporada que até minha mãe está juntando uns trocados pra ver se consegue trazer alguma delas para ajudar na cozinha. O plano, no entanto, é bastante complicado. Já escrevi aqui sobre como o Knicks, que está apostando todas as suas fichas nas próximas contratações, tem grandes chances de ficar chupando o dedo (e chance nenhuma de contratar o LeBron, por exemplo). Não é das melhores ideias confiar tanto numa grande contratação, especialmente quando você tem algo a perder. Se for o Nets, aí tudo bem, deixa eles até demolirem o ginásio pra tentar contratar alguém que saiba jogar basquete. Mas quando você se livra de um jogador bom, que ajuda o seu time, apenas para ganhar umas verdinhas e investir temporada que vem, colocando em risco essa temporada que acontece agora, aí o deus do basquete pune.

O Jazz, por exemplo, se livrou do ótimo novato Eric Maynor e do então titular Ronnie Brewer só para salvar umas moedas no porquinho. Eles vão para os playoffs, é bem possível que até tenham mando de quadra, mas esse lance de se livrar de jogadores a troco de nada não vai sair barato. Se não rolar uma eliminação na primeira rodada dos playoffs, pode apostar que o Boozer vai embora na temporada que vem e o Jazz não vai conseguir contratar ninguém com o dinheiro, pra aprenderem a não ser idiotas (e a não ter torcedores tão chatos, mas isso não vem ao caso). Já o Bulls está sendo punido pelo deus do basquete de maneira mais imediata: sequer vai aos playoffs esse ano.

Primeiro foi a troca do Tyrus Thomas, que mesmo tendo enfrentado várias contusões ao longo da temporada, pelo menos era um corpo atlético no garrafão do Bulls distribuindo tocos e enterradas a torto e a direito. No seu lugar, vieram dois armadores (Flip Murray e Acie Law) que não seriam nem figurantes na "Turma do Didi". Depois veio a troca que merecia mais punição: John Salmons foi para o Bucks enquanto o Bulls recebeu os contratos expirantes de Hakim Warrick e Joe Alexander. O Warrick é até bom, não me entendam mal, mas ele é um tanto baixo e não defende bulhufas, enquanto o Joe Alexander sequer jogou na temporada graças a uma série de contusões. O coitado do John Salmons não merecia ser mandado embora só pra economizar 5 milhões, dinheiro que hoje em dia não compra nem um Big Mac com batatas grandes e um suco de frutas vermelhas (o McDonald's fica cada vez mais caro, é ridículo, e só paro de difamá-los quando resolverem mandar dinheiro para minha conta - é tipo quando a máfia cobra por proteção, só que na área da propaganda).

O John Salmons já pode fazer parte oficialmente do "Clube Drew Gooden" para bons jogadores que, apesar de serem valiosos para qualquer time, são mandados de time para time como se fossem uma gonorreia que ninguém quer pegar. O Salmons tinha chutado traseiros no Kings com a contusão do Kevin Martin na temporada passada, mas assim que o Martin voltou lá foi o Salmons de volta para o banco, quase nem entrando mais em quadra. Lembro de ler uma reclamação do Salmons na imprensa, ele não pedia mais minutos, exigia simplesmente "respeito". Bonito. Loguinho foi mandado para o Bulls com uma cartinha de "era um ótimo jogador mas nossos planos são outros". Porque, claro, os planos do Kings são perder.

No Bulls o Salmons foi a garantia de que o time poderia manter o poder ofensivo mesmo com a saída da porcaria do Ben Gordon, que agora foi feder em outro lugar, e ainda tinha o bônus do Salmons saber defender, pegar rebotes e passar a bola (ou seja, ele é um mamífero bípede que joga basquete, não um anão com compulsão por arremessos). Não é espetacular em nada, mas é um bom pontuador e tem atuações sólidas, constantes. Nem que fosse pra ter no banco, era uma peça valiosa para o elenco muitas vezes inconstante e cheirando a bunda de bebê do Bulls. Mas não, apesar de jogar bem durante toda a temporada, foi mandado para o Bucks que precisava de alguém para substituir o Redd, contundido.

Desde que o Salmons chegou no Bucks, o time ganhou 14 partidas e perdeu apenas duas, disparando com certa folga para o quinto lugar do Leste. O Denis escreveu sobre como o Bucks é uma das maiores surpresas do ano e um dos times mais embalados dessa fase final de temporada (o que contrasta com a gente, que nesse final de temporada fica desinteressado, esperando os playoffs, e o Bola Presa ganha algumas teias de aranha porque a vida aperta - somos como formigas fazendo as coisas correndo antes do inverno dos playoffs chegar, com a diferença que ao invés de trabalhar juntando comida, em geral vamos dormir. Talvez a melhor comparação fosse com ursos hibernando, mas enfim, deixa pra lá).

Já o Bulls sem Salmons e Tyrus Thomas tomou em cheio uma punição divina: Luol Deng (que poderia ser substituído pelo Salmons) se contundiu e deve ficar fora o resto da temporada; Joaquim Noah, último pivô da equipe, após a saída do Tyrus Thomas, com menos de 400 anos de idade (Brad Miller, estou olhando pra você) passou 9 jogos contundido; e como cereja do bolo de merda o Derrick Rose ainda passou 4 jogos fora.

O Bulls perdeu todos os 4 jogos sem o Derrick Rose e todos os 9 jogos sem o Noah. Ao todo, foram 10 derrotas seguidas, algo que não acontecia desde 2001, quando o Eddy Curry ainda era novinho e não tinha engolido as Torres Gêmeas do World Trade Center (ele engoliria no final daquele ano, os aviões foram só computação gráfica). O recorde total sem o John Salmons é de 5 vitórias e 11 derrotas, o bastante para que eles sejam chutados para fora da zona de playoff sem muitas chances de retorno - principalmente porque o Salmons está num concorrente direto ganhando partida atrás de partida.

Alguém precisa me explicar porque jogadores tão valiosos, que cumprem bem suas funções, são tão menosprezados e mandados embora de seus times o tempo inteiro. Parece que a NBA se tornou um pouco obcecada demais com estrelas. Mais do que montar bons times e ganhar dinheiro indo para os playoffs, lotando ginásios com times vencedores, a NBA agora prefere investir em grandes estrelas que rendam camisetas, outdoors, lotem ginásios - e percam mesmo assim. Até mesmo do ponto de vista empresarial, pensem em quanta grana o Bulls não vai perder ao deixar de ir para os playoffs. Seriam várias transmissões de TV, ginásios lotados, torcedores empolgados comprando produtos e enfiando cachorro-quente nas orelhas (costuma acontecer depois da terceira cerveja). O Bobcats pode ser o time mais sem graça do mundo, mas eles provavelmente estarão nos playoffs e sua maior estrela é o dono, na arquibancada, balançando a cabeça em desaprovação com as cagadas da equipe (vi o Jordan no ginásio, indignado, nas últimas duas partidas da equipe - duas derrotas). O Houston sem estrelas estaria nos playoffs se estivesse no Leste, mas aí é só dor de cotovelo mesmo, que meu time não vai conseguir alcançar o Blazers no Oeste nem fodendo. Mas o ponto aqui é que nesse desespero por tornar as equipes da NBA rentáveis em período de crise, talvez fosse mais prudente montar times sólidos com bons carregadores de piano e um bom técnico do que ficar economizando grana para dar um contrato biliardário para alguém na temporada que vem e torcer para ganhar dinheiro com propaganda de suco com bolhas dentro. Isso, claro, se as estrelas que querem contratos biliardários toparem ir jogar por lá. Se fosse pra escolher um time, eu iria preferir o Bucks (com um jovem núcleo e experiência nos playoffs) do que o Bulls, capengando pela tabela. O mesmo vale para o Knicks, claro, por que uma estrela se sujeitaria a um time tão pelado, sem jogador nenhum em nenhuma área? A essas equipes, resta apostar no poder da cidade, do mercado, do jogador querer ganhar uma grana com propagandas, lotar ginásios mesmo com um time que fede. Essa seria a única chance do Knicks, afinal, como mostra esse vídeo aqui, Cleveland é uma cidade tão porcaria que virou até piada. Mas, como diz o vídeo, ao menos eles não são Detroit. O mesmo vale na NBA: pior do que ter dinheiro guardado e rezar para uma estrela ir jogar pra você, é ter gastado todo o dinheiro num par de jogadores mequetrefes. Pois é, Bulls e Knicks: pelo menos vocês não são o Detroit.

domingo, 7 de março de 2010

A era dos veadinhos

Aquela ponto laranja na cabeça do Jennings é seu cabelo


Não resisti a colocar esse título ridículo, desculpem. Mas é que quando a gente vai se dar ao trabalho de falar do Bucks de novo? Entre os times que vivem grande fase na NBA, o Bucks é a maior surpresa. O Dallas tem 11 vitórias seguidas, mas era de se esperar já que o time já era bom e adicionou Caron Butler e Brendan Haywood. O Magic vive sua melhor fase na temporada, mas também não é surpresa já que o time tem um elenco recheado de talento, bastava o Vince Carter jogar o que sabe para eles deslancharem. Mas e o Bucks? Alguém realmente achava que eles tinham chance de playoff quando caíram para a nona colocação da conferência algumas semanas atrás?

Pra mim o Leste já estava bem decidido. Os 4 primeiros seriam Cavs, Magic, Hawks e Celtics. Depois viria o Raptors, que finalmente tinha aprendido a defender o bastante para vencer jogos de basquete em nível profissional, depois o Heat, que com o Wade não teria como ficar de fora dos playoffs e, para fechar, os bons times do Bulls e do Bobcats.

As coisas começaram a mudar quando o técnico (e chato) Scott Skiles resolveu fazer algumas mudanças no time. Insatisfeito com o aproveitamento cada vez pior dos arremessos de Brandon Jennings, chamou o garoto de lado e pediu para ele ser mais armador do que pontuador. Difícil pedir isso para o seu melhor pontuador que está cercado de jogadores irregulares no ataque como Luc Mbah a Moute, Carlos Delfino e Andrew Bogut. Mas acabou sendo uma decisão perfeita. Com o Jennings se preocupando mais em passar e usando sua habilidade na infiltração para os passes, o time começou a acertar mais bolas de três e Bogut começou a viver a melhor fase da carreira.

Embora o pivô australiano pareça ser ruim porque é, afinal, um pivô australiano, ele é bem talentoso no ataque. Ele funciona muito melhor em ataques velozes, onde pode usar sua agilidade, do que naquele ataque filmado pela supercâmera que o Bucks usava até um tempo atrás. Com o time mais dinâmico ele apareceu muito mais e tem sido a peça mais importante do ataque do Bucks nos últimos 20 jogos.

Nas últimas 20 partidas o Bucks tem 15 vitórias e 5 derrotas, um aproveitamento digno dos melhores times de toda a liga. E no meio dessa sequência é que houve aquele dia em que a NBA virou casa de swing e todo mundo foi trocado. Na putaria o Bucks acabou perdendo um sapato, a cueca furada, mas levou pra casa o John Salmons.

O Salmons não é nenhum deus, nunca vai ser um All-Star, não é grande defensor ou passador e nem é bonito. Mas sabe fazer uma coisa muito bem: pontos. E embora os pontos pareçam ser muito mais importantes que outra função como roubos ou tocos, quando você só faz pontos você entra na categoria de especialistas, como o Chris Andersen é um especialista em tocos ou o Quentin Richardson um especialista em bolas de 3. Da mesma maneira que os dois tocos por jogo do Andersen não serviriam de nada em um time que não defende, o Salmons não faria grande diferença em um time que já tem muitas opções de pontos, ele seria mais um. Mas no Bucks ele era exatamente o que eles precisavam!

Tem um tipo de arremesso que eu chamo de arremesso McDonald's. Sabe quando você vai sair com o pessoal e um quer ir na balada, outro no barzinho, outro no karaoke, outro no fliperama e como ninguém decide nada a última opção é um bom e velho McDonald's? Tem algumas posses de bola onde o armador não consegue nada, o pivô não consegue nada, ninguém fica livre e só resta uma última e básica opção, isolar alguém para dar um drible simples e arremessar. Todo time que se preza tem um cara pra fazer isso, mas o Bucks não tinha. Eles tentavam usar o Jennings, mas nem sempre ele conseguia ser esse cara porque ele já é o cara que estava tentando armar a jogada antes, que queria ir no karaoke e não conseguiu. Apareceu então o Salmons, um cara muito bom no arremesso depois do drible e que sabe chutar de três.

Com esses talentos o Salmons já chegou decidindo jogos no Bucks. O mala do Skiles claro que não deixou barato e soltou a pérola de que o Salmons tinha jogado bem "para alguém que não sabia o que estava fazendo em quadra". Algo como dizer "Você é muito inteligente, considerando que você é uma mulher". O negócio é ignorar, o Skiles é bem metódico com sua defesa e com como as coisas são feitas em quadra e qualquer jogador que chegasse no meio da temporada não saberia de nada disso, o importante é que o Salmons ajudou mesmo assim e só o fez por ser exatamente o que o time precisava.

Com essa sequência de vitórias o Bucks hoje já está perto do Raptors no quinto lugar do Leste! Deixou Heat, Bobcats e Bulls pra trás. Eu, sinceramente, torço para que nessa briga o Bulls fique de fora. Sou fã de Derrick Rose e Luol Deng mas o time tem que pagar pelas decisões que tomou. Trocaram Tyrus Thomas e John Salmons apenas para ter espaço salarial no ano que vem, mandou cada um para um rival direto na classificação para os playoffs e só pensou na próxima temporada o tempo todo, que se ferrem nessa então!

Espero que os times que tenham pensado nessa temporada sejam recompensados por isso e vão para os playoffs, até porque Bobcats e Bucks são dois times que lutam há anos por uma vaga na pós-temporada e fazem isso sem conseguir atrair nenhum nome de peso para seu elenco. São dois remanescentes da escola Pistons de se montar um time, com muitos role players e defesa. E para um playoff ter graça, precisa de todos os personagens, desde os times de puro ataque como o Suns, os chatos como o Spurs, os convencidos como o Lakers, os mal-encarados como o Nuggets e o pequeno trabalhador esforçado como Bucks e Bobocats.

Na sequência de 20 jogos o Bucks só teve duas derrotas inaceitáveis. Perdeu um jogo para o fraco Pistons e outro para o Rockets, não é que o Houston seja ruim, mas tomar 127 pontos em casa é motivo de vergonha. As outras derrotas foram para Hawks, Mavericks e Magic, todos times com melhor recorde, elenco e que jogaram em casa.

Já falei da mudança de estilo de jogo do Jennings, que favoreceu o Bogut, e da adição do Salmons, mas o segredo do sucesso desse time desde o primeiro jogo da temporada, o que segurou eles perto da zona dos playoffs mesmo nos momentos mais complicados do ano, foi a defesa. Atualmente o Bucks é o terceiro colocado no ranking de defesa que mede o número de pontos sofridos a cada 100 posses de bola, um número assustador para um elenco que não tem nenhum especialista em defesa. Talvez o Mbah a Moute esteja acima de média, mas o resto é Jennings, Bogut, Ridnour, Delfino, todos jogadores que passaram a carreira ouvindo que não defendiam bem, que eram soft, um jeito simpático de dizer que eles são mariquinhas.

Mas outro número me impressionou mais. O site Hoopdata tem os números de aproveitamento das equipes em todos os tipos de arremesso, desde os mais próximos da cesta até os mais distantes. O Bucks, sem ter nenhum bloqueador nato em seu elenco, é a sétima melhor equipe em defender os arremessos próximos à cesta. O Lakers, com Gasol e Bynum, fica atrás do Bucks na hora de defender os arremessos dados perto do aro, como os ganchos dos pivôs ou as infiltrações dos armadores. E dos 6 times que estão na frente do Bucks ainda podemos tirar o Pacers, que apesar do aproveitamento baixo dos seus adversários é um dos times que mais comete faltas e sofre pontos de lances livres, ou seja, o adversário não faz os pontos na bandeja mas faz no lance livre.

Para terminar, o Bucks é o quarto time que mais força turnovers em toda a NBA, atrás apenas de Celtics, Bobcats e do Warriors, que só é líder por jogar na defesa como se jogasse NBA Live, tentando roubar bolas o tempo inteiro e deixando o adversário dar 10 enterradas livres no processo.

Que fique claro que o Bucks merece muitos créditos por estar na situação em que está, parecia piada pensar no Bucks lutando pela quinta vaga do Leste no começo da temporada, mas mesmo assim devemos reconhecer que o time ainda é limitado. Aproveitei para falar deles agora porque a sequência de 20 jogos foi impressionante, mas será difícil manter o ritmo agora que pegam, em sequência, Celtics e Jazz e, na semana seguinte, Nuggets e Hawks. Mas provavelmente eles já estão jogando bem o bastante para relaxar um pouco e deixar a briga pela última vaga no Leste para Bobcats e Bulls. Na briga com Tyreke Evans, Stephen Curry e Darren Collison, o Jennings vai poder se gabar pelo menos de ser o primeiro deles a jogar um jogo de pós-temporada.