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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Negócios fechados

Steve Blake leva seu rosto bonito para Hollywood

Vocês viram aquele banner com o LeBron e várias notas de dólar na nossa barra lateral? Gostaram? Ao clicar na imagem você entra numa planilha feita por nós que acompanha toda a movimentação de Free Agents da temporada. Na primeira parte da tabela estão todos os jogadores disponíveis, os times que já demonstraram publicamente algum interesse neles e depois um palpite (embasado em livre interpretação de notícias gringas) feito por nós.

Na segunda parte estão os jogadores que já foram assinados. Sempre que um contrato novo foi concluído a gente atualiza a planilha na hora. Assim você pode ficar bem informado mesmo que a gente demore uns dias para colocar a análise da contratação aqui no blog. Fala aí se não foi uma boa idéia? Salvamos a pele de muita gente que tem matado as aulas de inglês pra ir no bar e/ou para jogar fliperama.

Também estão lá na planilha os links para os posts onde comentamos as contratações. Entre as já comentadas falta só dizer que a do Joe Johnson pelo Hawks foi confirmada. Quando escrevemos o post ainda faltava o JJ aceitar, mas ele topou e receberá um dinheirão pelos próximos 6 anos. Como já dissemos lá, mas vale repetir, sim, é muito caro para um jogador do nível do JJ. Mas sem ele o Hawks não tinha espaço na folha salarial para contratar um substituto. Ou era pagar caro por um bom jogador ou voltar a ser um timeco por anos e anos a fio.

Entre os outros contratados já anunciados, dois vão receber uma atenção especial no próximo post do Danilo: Paul Pierce e Dirk Nowitzki. Ambos tinham a opção de ganhar muita grana na próxima temporada pelos seus times, mas preferiram usar sua opção de sair do contrato, virar Free Agents e então assinar um contrato de menos dinheiro (mas mais longo) com os mesmos times. Por que fizeram isso? Tem uma explicação. E é a mesma que levou o Richard Jefferson a decidir não ficar mais um ano recebendo 15 milhões de dólares do Spurs para tentar a vida como Free Agent. Como esses caras exigem uma outra explicação (e, sejamos sinceros, recusar mais de 15 milhões de dólares exige uma bela explicação), por enquanto comento os outros contratados.

.....
Rudy Gay - Memphis Grizzlies (80 milhões por 6 temporadas)

O Rudy Gay era um Free Agent restrito. Ou seja, ele poderia receber ofertas de outros times e o Grizzlies tinha a opção de igualar a oferta e manter o jogador ou deixá-lo sair. O Wolves e o Clippers vinham namorando a possibilidade de ter Gay em seus times (finalmente veríamos a dupla Gay-Love no Wolves!), mas o Grizz não quis nem se arriscar e ofereceu, de cara, o máximo que um cara com o tempo de NBA do Rudy poderia receber: 80 milhões de doletas por um contrato de 6 anos!

Será que ele é um jogador tão completo assim para merecer um contrato tão gigantesco? Provavelmente não. Aliás, certeza absoluta que não.

Apesar de ser um grande jogador, não é nenhum gênio. Mas o Grizzlies vive aqui uma situação parecida com a do Hawks com o Joe Johnson. Se eles perdem o Gay iriam fazer o que? Parar o seu crescimento no tão difícil Oeste e voltar para a ralé da liga? Esperar mais um draft pra ver se acha uma estrela? Vocês não imaginam como é para o Grizzlies atrair bons jogadores. O time não é rico, a cidade não é grande, os jogos do time não passam em rede nacional. Ninguém quer ir jogar lá a não ser que seja por muito dinheiro.

Assim o Grizzlies gasta mais do que devia, mas paga o que tem que pagar para se manter como uma boa equipe. Ainda falta banco de reservas, ainda falta um armador mais confiável, mas tudo isso é bem mais fácil de achar que um substituto a altura para o cestinha da equipe.

Eu achei mais arriscado, na verdade, para o próprio jogador. Claro que nunca vou chamar de errado alguém faturar 80 milhões de doletas por jogar basquete, errado é escrever num blog de graça. Quem me dera errar desse jeito, mas o Gay está se amarrando no Grizzlies durante todo o melhor período da sua carreira. Quando esse contrato acabar ele já vai estar com 30 anos e é possível que tenha passado o auge da sua carreira em um time que nunca tenha a chance de ir longe nos playoffs. Temos que lembrar que ele está em uma franquia que nunca ganhou um jogo de playoff sequer na sua história. Mesmo naqueles três anos seguidos quando o técnico era o Hubie Brown e o time tinha Pau Gasol, Jason Williams, James Posey, Mike Miller e Bonzi Wells eles só conseguiram 3 varridas em 3 anos de pós-temporada.

Assim como tantos outros jogadores, nada garante que OJ Mayo, Zach Randolph e Marc Gasol não sigam os mesmos passos de Gay e decidam sair de Memphis quando seus contratos chegarem ao fim. Assim o Rudy Gay ficaria sozinho (e zilionário) andando de Ferrari numa cidade que tem, como é de costume, um timeco. Exigir uma troca caso ele não esteja num time bom daqui uns anos pode ser uma solução, mas sempre é mais difícil quando se tem um contrato tão grande.

Para o Grizzlies não foi um grande negócio financeiramente, mas perfeito para manter a evolução da equipe. Para o Rudy Gay foi o contrato que pagou a faculdade dos bisnetos, mas que pode fazer ele entrar naquele grupo de velhos desesperados quando seu contrato chegar ao fim.


Steve Blake - Los Angeles Lakers (16 milhões por 4 anos)

Vocês não tem idéia de como eu comemorei essa contratação! Não tenho idéia se eu já comentei nesses anos de blog como eu sou fã do Steve Blake. Entre todos os armadores que não são espetaculares, que não são estrelas, ele é o meu favorito. E desde quando ele ainda estava no Nuggets eu torcia para ele, um dia, ir para o Lakers. Meu sonho virou realidade!

Antes de jogar no Denver ele era atleta do Blazers e depois do Bucks e já passou pelo Wizards. Nesses times foi bem, mas discreto. No Nuggets ele chamou mais a atenção porque foi na época em que o time era uma potência ofensiva desorganizada e com o Blake como armador titular todo mundo começou a jogar melhor e o time passou a funcionar direito.



Foi a presença do Blake no Nuggets que deixou claro como eles seriam um time melhor com um armador de verdade, coisa que ficou comprovada quando eles contrataram o Chauncey Billups, que é 100 vezes melhor que o Steve Blake.

O Lakers estava sem armador. Jordan Farmar e Derek Fisher são Free Agents e Shannon Brown ainda pode vir a ser (ele que tem a opção de encerrar ou não o contrato), mas mesmo que não vire, é mais um segundo armador do que um armador nato. Não tem um bom drible e domínio de bola para ser um armador de verdade. Fisher já disse que quer voltar ao Lakers, provou que pode ser útil nos playoffs e o time o quer de volta, parece ser só uma questão de acertar valores.

Mas a temporada regular do ano passado mostrou como o Lakers precisava de um armador. Até para o Fisher continuar sendo essencial na pós-temporada como foi agora em 2010, ele precisa de descanso, não dá pra ficar jogando mais de 30 minutos todos os dias naqueles 82 jogos inúteis da temporada regular. A boa campanha dele nos playoffs foi uma prova de que ele ainda é bom, mas não de que o Lakers podia considerar que a posição de armador estava resolvida.

Jordan Farmar teve anos e anos para mostrar seu valor mas sempre foi muito irregular. Teve até muita sorte de continuar na rotação, porque em 2008 ele já tinha virado terceiro armador com o crescimento do então novato Javaris Critentton. Mas teve sorte quando ele foi envolvido na troca que trouxe Pau Gasol para o Lakers, assim Farmar voltou a ser o primeiro armador do banco. Nos últimos meses ele disse que queria ser titular no próximo ano e o Lakers respondeu não fazendo nenhuma oferta para que ele continuasse no time. Não precisa manjar muito de basquete pra saber que o Farmar não tem condição de ser titular num time de alto nível. Aliás acho que nem em uma de baixo nível.

Steve Blake quase nunca foi titular na vida e provavelmente não foi para o Lakers pensando nisso. Dizem até que ele recusou outras propostas que rendiam mais grana para jogar em LA. Lá ele sabe que será reserva de Fisher mas que terá bastante tempo de quadra principalmente na temporada regular e será importante quando o Lakers enfrentar armadores rápidos, o que é bem comum atualmente. Blake não é um defensor nato, mas dificilmente é batido com facilidade, sabe ficar na frente e atrapalhar seu adversário. Também é muito inteligente, tem ótimo passe e sua principal virtude ao longo dos anos foi o baixo número de erros. Isso é essencial num ataque baseado em passes precisos como é o do Lakers. Por fim e mais importante nesse time do Lakers, Steve Blake é um ótimo arremessador de três. Acertou mais de 40% dos seus arremessos de longe nos últimos 3 anos e terá muitas chances de chutar sem marcação na próxima temporada.

Ele só precisa defender bem, acertar seus arremessos e dar bons passes para Bynum e Gasol no garrafão para ser o que o Lakers precisa de um armador. E sua história indica que vai fazer isso com a mão nas costas. Contratação perfeita.

Antes de Steve Blake o Lakers ofereceu um contrato até maior para o Mike Miller, que demorou para responder e perdeu a chance. O Mike Miller tem mais nome, talvez seja um melhor arremessador e ao longo da sua carreira até já jogou de armador, mas eu prefiro o Blake, que é melhor para marcar outros armadores, saiu mais barato e não tem um cabelo tão feio.


Channing Frye - Phoenix Suns (30 milhões por 5 temporadas)

O Channing Frye tem uma das carreiras mais estranhas da NBA. Foi a 8ª escolha do Draft de 2005, fez uma temporada de novato espetacular pelo Knicks (na época o Lakers ofereceu Odom por Frye e o Knicks recusou) e logo depois começou a cair de produção. Ano após anos foi piorando até ser trocado para o Blazers e depois ficou sem time. Esquecido, o Suns o resgatou na temporada passada e ele ganhou espaço com seus arremessos de 3. Ele tinha acertado uns 10 arremessos de 3 na carreira antes do Suns, aí foi pra lá virar especialista. Muito, muito bizarro. O Gilberto Silva ter disputado 3 Copas do Mundo é menos estranho.


Apesar daquela amarelada monstruosa na série contra o Lakers, o Frye provou na temporada passada que pode fazer a diferença no Suns. Pedir para ele ser titular talvez seja muito, mas fazendo parte do banco de reservas com Dragic, Dudley e Leandrinho é com ele. Assim ele pode fazer suas bolas de 3 na velocidade e confundir os pivôs adversários que nunca o acompanham na linha dos três.

Uns 6 milhões por temporada para o Frye não parece algo absurdo, mas geralmente os contratos não funcionam assim, costumam ir aumentando ano a ano. Então é bem possível (ainda não temos certeza, os valores por ano não foram divulgados) que ele ganhe uns 4 milhões nesse ano e chegue perto dos 8 no último ano. Pagar 8 milhões pelo Frye reserva e mais velho não parece um negócio tão legal assim. Para o Suns teria sido melhor um contrato um pouco menor, talvez de três anos, mas não sei se o Frye aceitaria, em último caso é sempre bom pra eles ter um bom arremessador no elenco. Para o jogador foi bom conseguir ficar em um time onde seu jogo finalmente voltou a se encaixar. No Suns ninguém percebe como ele marca mal e pega poucos rebotes.


Hakim Warrick - Phoenix Suns (18 milhões por 4 temporadas)

Esse sim foi uma baita bom negócio para o Suns! Uma temporada a menos de compromisso e 12 milhões a menos de verdinhas do que o Frye e o Hakim Warrick ainda pode acabar sendo mais usado!

O Suns, dizem os noticiários americanos, ofereceu cerca de 90 milhões de dólares num contrato de 6 anos para o Amar'e Stoudemire, mas ele está ainda seduzido pela suposta proposta de mais de 100 milhões feita pelo Knicks. Mas o mundo dos boatos é tão bizarro que estão dizendo que o Knicks só concretiza a oferta para o Amar'e quando o LeBron aceitar ir pra lá. E mesmo que Amar'e não acabe no Knicks, dizem que as ofertas por ele em Miami, Chicago e New Jersey parecem estar interessando mais do que a do Suns.


Assinar com Warrick foi mais ou menos admitir essa derrota na luta por Amar'e Stoudemire. Warrick está longe de ser tão bom, nunca vai poder jogar de pivô como jogava Amar'e, mas deve render mais do que muita gente imagina com a ajuda de Steve Nash. Ele é rápido, forte e agressivo ao atacar a cesta. Entre as soluções baratas para repor a perda, Warrick foi um achado.

Sem Stoudemire a chance de Nash ir para uma final da NBA diminui ainda mais, mas considerando que Frye está de volta, Warrick é bom jogador e que Robin Lopez está melhorando ano após ano, essa saída não vai ser motivo para o Suns desabar na tabela. Vai ser um time divertido de ver no próximo ano e Warrick tem tudo para ser presença constante nas listas de melhores jogadas com boas enterradas. Também há de se louvar o lado defensivo dessa troca, Warrick pelo menos se esforça quando está defendendo, Amar'e quase nunca se deu ao trabalho, mesmo sendo bom quando tentava.


John Salmons - Milwuakee Bucks (39 milhões por 5 temporadas)

O Salmons foi quem transformou o Bucks num time de verdade na temporada passada. A equipe era uma potência defensiva, mas só com Salmons conseguiu poder no ataque para transformar a boa defesa em vitórias. Com o fim do contrato de Salmons, parecia que não tinha mais volta. Por isso o Bucks fez trocas para adicionar Chris Douglas-Roberts e Corey Maggette ao elenco. Mas não é que o Salmons voltou?


O contrato do Salmons é alto, mas a ajuda dele para o time sempre foi alta também, como já havia sido antes no Bulls. Ele é um baita jogador, tem muito talento e costuma ser decisivo em quartos períodos e é um daqueles raros jogadores que conseguem criar arremessos do nada, eu acho que valeu a investimento.

O time só irá se arrepender se o Salmons acabar sendo um Bobby Simmons ou um Erick Dampier, aqueles caras que jogam bem logo antes de renovar o contrato e depois se acomodam e não fazem mais nada. Acreditando na ética do Salmons, que há muitos anos esperava um time que acreditasse nele como algo mais que um tapa buraco, acredito que foi um bom negócio.

Essa contratação não resolve, no entanto, alguns buracos na equipe. No ano passado o Luke Ridnour fez um bom trabalho como reserva do Brandon Jennings, que como todo novato não chamado Tyreke Evans, era irregular. Nesse ano eles já perderam Ridnour, Free Agent na mira do Knicks, e no meio de tantas contratações não conseguiram ninguém. Improvisar o Delfino por uns minutos como eles já fizeram é até possível, mas por uma temporada inteira? Sem chance.

Para as posições 2 e 3 o time tem Salmons, Maggette, Carlos Delfino, Douglas-Roberts e Michael Redd. Lembram dele? A enfermeira, o cirurgião e as velhinhas do hospital lembram. Depois de tantas contusões seguidas ele deve estar de volta para a última temporada do seu contrato milionário. Com essas cinco opções para duas posições o Bucks nunca mais vai ter problema de marcar poucos pontos de novo, mas o time ainda parece capenga. Muitos jogadores algumas posições, poucos de outras. Esperem que Redd e seu contrato expirante de 18 milhões sirvam de isca para ajeitar o resto do time.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Começou!



Belo movimento, JJ, aqui estão 120 milhões de dólares


Lembra quando anos e anos atrás a gente falava "Quando o LeBron for um Free Agent..." ou nos últimos meses quando toda troca tinha como objetivo "abrir espaço salarial para assinar grandes nomes em 2010"? Pois é, depois de tanto falar no futuro, virou presente.

Hoje, dia 1º de julho de 2010, começa a temporada de Free Agents mais esperada da história da NBA. Sem brincadeiras ou exageros, nunca se falou tanto sobre um período de contratações como esse. Não à toa, claro. Entre Free Agents restritos (aqueles que depois de receber uma proposta, podem ter ela igualada pelo seu antigo time) e irrestritos (os que são praieiros, guerreiros, solteiros e podem curtir com quem quiser), são MUITOS (em Caps Lock mesmo) os jogadores que podem mudar a cara das franquias com grana sobrando. Querem nomes?

Raymond Felton, Carlos Boozer, Amar'e Stoudemire, Ray Allen, Paul Pierce, Dirk Nowitzki, LeBron James, Chris Bosh, Dwyane Wade, John Salmons, Derek Fisher, Brandan Haywood, Richard Jefferson, David Lee, Tyrus Thomas, Chris Duhon Luke Ridnour, Matt Barnes, Randy Foye, Ryan Gomes, JJ Reddick, Brad Miller e, ufa, a estrela da classe de 2010 de Free Agents: Brian Scalabrine.

Vamos tomar muito cuidado nessa cobertura para não perder nosso tempo e sua paciência comentando boatos. A todo momento surgem pessoas lá na gringolândia que tem certeza absoluta que o LeBron vai para Chicago. Um minuto depois com certeza que ele vai para o Heat junto com Wade e Bosh. Comentar tudo isso seria muita idiotice. Embora eventualmente a gente possa brincar de "já pensou se...", o nosso foco vai ser comentar e analisar o que já temos de concreto.

E embora faça menos de um dia que o período de Free Agency começou, já temos coisas para comentar!

A primeira notícia, na verdade, aconteceu no primeiro minuto do dia, quando os times tinham autorização oficial da NBA para começar as negociações. Sem perder tempo o Atlanta Hawks quebrou todos os seus porquinhos, juntou as moedas, se prostituiu e ofereceu um contrato máximo para o Joe Johnson continuar na equipe. São 120 milhões de dólares por 6 anos de contrato. Alguns sites dizem que o contrato é um pouco menor e de 5 anos, mas, de qualquer forma, grana pra cacete em um contrato para além do fim do mundo.

O Joe Johnson ainda não respondeu à proposta e nada indica que ele tenha pressa em fazer isso, já que outros times (Knicks, Celtics, Nets, Clippers, Mavs) estão interessados no jogador. O legal do Hawks oferecer esse contrato monstruoso para o Joe Johnson é que agora é nossa hora de julgar os valores do atleta, e me sinto muito poderoso e superior nessa situação!

Na última temporada o Hawks manteve o bom time que foi à 2ª rodada dos playoffs em 2009, apenas adicionando o melhor reserva da temporada, Jamal Crawford. Assim a temporada regular do time melhorou, mas nos playoffs aconteceu a mesma coisa: varrida na 2ª rodada. E foi a varrida mais feia da história dos playoffs, a com maior média de diferença de pontos do vencedor sobre o perdedor, uma surra. Nessa série decisiva o Joe Johnson foi anulado por Matt Barnes e Mickael Pietrus e acabou com média ridícula de 12 pontos por jogo.

Ou seja, se o Hawks continuar com o Joe Johnson por essa grana toda, provavelmente (para não dizer com certeza absoluta) o time vai ser exatamente o mesmo do ano passado. Mesmo com o Celtics ainda mais velho e talvez sem Ray Allen e o Cavs possivelmente sem LeBron, alguém arrisca dizer que com o mesmo elenco o Hawks vai mais longe? Esse time tem alguma chance de título de conferência? Eu adoro esse time do Hawks e vários de seus jogadores, mas não apostaria 10 centavos nisso. Para JJ, aceitar esse contrato pode ser um sinal de amor e lealdade ao time de Atlanta, mas também um certo conformismo em aceitar ser rico, reconhecido e nunca ter chance de ir longe na pós-temporada. E já disse rico?

Se ele negar, no entanto, vai mostrar aquela sede de vencer que todo veterano cansado de ver os amiguinhos ganharem anéis sentem. Depois de anos sendo o líder do Hawks, o mais perto que JJ já chegou de uma final foi quando era coadjuvante do Suns em 2005. Deve bater uma saudade de jogar ao lado de Nash, Amar'e e jogar partidas emocionantes de final de conferência. Em entrevistas no último mês o próprio jogador até disse não se incomodar em deixar de ser a estrela de um time desde que essa equipe seja boa e vitoriosa.

Para o Hawks eu acho que eles não tinham muita saída. Pelo Joe Johnson ser um jogador deles, têm o direito de oferecer um novo salário gigante como esse mesmo com o time acima do teto salarial, mas caso eles não consigam, o time continua acima do limite e sem espaço para assinar qualquer outro jogador. A situação era bem simples, ou ofereciam um contrato gordo e sedutor para o JJ, ou ficavam sem nada e ninguém, não tem plano B. Entre ser um time mediano no Leste ou despencar e voltar a ser o saco de pancadas que era antes do Johnson chegar, preferiram a primeira opção.

Daqui alguns anos é bem capaz que eles se arrependam, que dê vontade de reconstruir tudo e trocar o salário monstro do JJ, mas é muito mais lucrativo ter um bom time que vai para os playoffs, mesmo que perca por lá, do que ter um saco de pancadas. Isso é comum na NBA, já vimos vários times oferecerem contratos gigantes para jogadores que todo mundo sabia que não merecia só pelo medo de ficar de mãos abanando. A conta bancária do Michael Redd tá aí pra provar isso.

Outro time que já entrou em ação no primeiro dia de contratações foi o Timberwolves. O General Manager David Kahn honrou mais uma vez a sua marca registrada de conseguir vários jogadores da mesma posição no mesmo dia. No ano passado foi aquela enxurrada de armadores no draft, nas escolhas desse ano foram alas e na Free Agency já são 2 pivôs em pouco mais de 12 horas. Parabéns, Kahn!

O primeiro é Nikola Pekovic, escolhido pelo Wolves no draft de 2008 e que estava jogando (muito bem) no Panathinaikos da Grécia. Acho muito difícil prever como esses pivôs europeus vão render na NBA (é uma velocidade de jogo diferente, garrafão diferente, adversários diferentes, arbitragem, etc, etc.) mas hoje acordei otimista. Acho que foi uma contratação boa e barata para um time que estava atrás de pivôs para liberar o Al Jefferson para sua posição natural de ala de força.

O outro pivô já estava no time e havia sido motivo de muitos elogios do próprio Al Jefferson justamente por tê-lo deixado sair do pivô. Darko Milicic, a antológica segunda escolha do draft de 2003 e uma das maiores piadas da última década, continua na NBA. Recebeu um contrato de 20 milhões de dólares divididos em 4 anos para ficar no Wolves. Na última temporada o Darko chegou no Wolves no meio do campeonato e não fez feio. Está longe de dominar jogos e é capaz de zerar alguns jogos no ataque, mas é um defensor acima da média. Apesar de tanta gente odiá-lo pela expectativa em cima dele quando chegou na liga, tem obviamente talento o bastante para ser útil na NBA.

Com um garrafão de Pekovic, Darko, Al Jefferson e Kevin Love, o Wolves está reforçado na área pintada, fica só em aberto a questão do entrosamento e da distribuição dos minutos. Love nunca se entendeu dentro de quadra com Jefferson e parece ser bom demais para ser um mero reserva com 20 minutos por jogo. A que tudo indica, muita coisa ainda deve mudar no Wolves. Eles agendaram duas visitas com Free Agents nessa semana, Rudy Gay e David Lee. Os dois são de posições que o time já tem muitos jogadores, então a possibilidade de trocas estarem nos planos é grande. Vamos aguardar qual vai ser o próximo movimento (provavelmente uma cagada envolvendo muitos jogadores da mesma posição) de David Kahn.

Para terminar, o terceiro time que já se mexeu no primeiro dia de Free Agency foi o Milwuakee Bucks, sem dúvida o time mais ativo das últimas semanas. Já trocaram para ter Corey Maggette e Chris Douglas-Roberts na última semana, draftaram uns jogadores com bom potencial para fazer parte da rotação e hoje assinaram um contrato de 32 milhões de dólares (por 5 anos) com o Drew Gooden. E ainda há notícias (ou boatos, depende do seu nível de ceticismo) de que as negociações para uma renovação com o John Salmons estão bem encaminhadas. Nada de confirmado, no entanto.

Eu gostei da contratação. O Drew Gooden nunca foi genial na sua carreira, mas nunca comprometeu os times por onde passou, só ajudou. É contratado para acertar arremessos de média distância, pegar rebotes e eventualmente até cobre um pivô por alguns minutos. Sua carreira só não deslanchou nunca porque ele é mais trocado que o Quentin Richardson e esposas do Fábio Jr juntos. O coitado já passou por 9 times em 8 anos de NBA: Grizzlies, Magic, Cavs, Mavs, Clippers, Spurs, Wizards, Bulls e Kings.

É um jogador bom e até bem completo, falta apenas defender um pouco melhor. Mas se o técnico Scott Skiles fez o Bogut virar um dos líderes da NBA em tocos e o Ridnour defender, pode fazer outro milagre com Gooden.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tema a rena

Ersan Ilyasova segura uma bola de basquete na mão esquerda


Apesar do esforço e da qualidade de Derrick Rose, o Bulls foi eliminado sem muitas dificuldades pelo Cavs. Quando todo mundo no Bulls jogou bem ao mesmo tempo, deu pra arrancar uma vitória suada, mas foi o bastante. O mesmo aconteceu com o Heat: numa partida história do Dwyane Wade, com 46 pontos (e 5 bolas de três, bizarro pra quem até ontem não tinha esse alcance no arremesso), deu pra conseguir uma vitória à força. Mas na partida final, o Wade teve uma atuação horrenda, com apenas 31 pontos, 8 rebotes e 10 assistências, coisa de jogadorzinho meia-boca, e o Heat não resistiu à defesa do Celtics. O Bobcats, por sua vez, não teve nenhuma atuação heróica, não conseguiu ganhar sequer um joguinho, e acabou eliminado dos playoffs antes mesmo da gente conseguir fazer uma piada com eles aqui no Bola Presa. Se eu soubesse, teria tirado sarro antes ao invés de ficar falando das séries boas que vão durar 7 jogos e me dar tempo de falar até do cunhado dos principais jogadores.

Então, se você é daqueles que torce pelo mais fraco, que quer ver o judeu-pobre-gay-torcedor-da-Portuguesa vencer o Big Brother, que ficava com vontade de comprar aquelas fitas com animais se safando de seus predadores que eram vendidas por telefone na extinta "TV Manchete" nos intervalos dos Cavaleiros do Zodíaco, então a única opção na Coferência Leste da NBA é o Milwaukee Bucks. Após vencer as últimas duas partidas, o time que parecia não ter nenhuma chance sem seu principal jogador está com a série empatada. Se já era esquisito o Bucks ter acabado em sexto lugar na Conferência, ganhando partidas mesmo sem seu pivô titular, é mais bizarro ainda ver que tipo de surra o time consegue dar no Hawks às vezes.

Como contei uns dias atrás, eu cheguei atrasado para os playoffs e portanto não vi as duas primeiras partidas entre as duas equipes. Sei apenas que foram partidas relativamente disputadas, mas que o Hawks ganhou com moderada facilidade graças a um domínio absoluto no garrafão ofensivo. Para a terceira partida, primeira em Milwaukee, eu esperava ver um jogo novamente disputado que o Bucks pudesse, talvez com alguma sorte, ganhar nos segundos finais - torço para o mais fraco, claro, só que não dá pra levar o Bucks muito a sério. Mas o que eu encontrei foi uma lavada vergonhosa em cima do Hawks, uma vitória dominante do Bucks, daquelas que o adversário chora no colo da mamãe ouvindo NX Zero. A defesa do Bucks foi, como sempre vi ser, completamente impecável. Coletivamente o time não deu um centímetro de espaço para o Hawks, mas foi individualmente que o jogo foi decidido. Esse Bucks não tem nenhuma estrela defensiva, ninguém que se destaque por ser um grande defensor, então o mérito do trabalho defensivo do técnico Scott Skiles recai sempre no trabalho em conjunto. Mas na terceira partida da série, Kurt Thomas fechou o garrafão sem nem ter que pular, afunilando a defesa, forçando o Josh Smith para a linha de fundo, obrigando-o a arremessar, cavando faltas de ataque, garantindo rebotes importantes. Luc Mbah a Moute (maior força nominal da NBA no momento) mostrou uma defesa impressionante no perímetro, incomodando o tempo inteiro. E Ersan Ilyasova mostrou que é simplesmente um gênio na defesa.

O Denis sempre chama o Ilyasova de "a Lady Gaga da NBA". Começa pelo figurino do jogador turco, com as meias levantadas até os joelhos, e passa pelo cabelinho escuro descolado e o rosto de nariz esquisito. Mas a estranheza se extende ao seu modo de jogo: seus arremessos são completamente bizarros, ele e o Leandrinho teriam muito a conversar numa mesa de bar. Tem também seu modo de correr, suas pernas estabanadas, o modo como ele parece descoordenado quando se move. Mas ele é comprido, rápido, inteligente, sabe se posicionar para os rebotes e está sempre trombando com alguém na defesa. Cavou contra o Hawks uma série de faltas de ataque, mas além disso passa o tempo inteiro desestabilizando jogadores que estão com ou sem a bola, e tudo de uma forma tão estranha que ninguém se atreve a marcar falta, parece apenas que ele é descoordenado e tropeçou mesmo, sem querer. É um gênio dissimulado.

Essas atuações individuais anularam o ataque do Hawks, e na hora de atacar o Bucks fez o mais simples possível: bola no John Salmons, corta-luz para ele, e aí deixa o rapaz decidir o que fazer. Já escrevi aqui como o Salmons sempre foi um baita de um injustiçado, jogando muito mas sempre perdendo minutos, apodrecendo no banco de reservas ou sendo trocado de um lado para o outro como figurinha repetida (ou o Quentin Richardson). O Bulls fez a cagada de se livrar do Salmons no meio dessa temporada para economizar um trocadinho nada significativo, e o resultado é esse: eliminado feio-feio dos playoffs. Imagina se o John Salmons estivesse dando uma força, eles poderiam ter acabado numa posição melhor da tabela e evitado o Cavs, ou ao menos durado mais do que 5 partidas contra LeBron e seus amigos. Mas tudo bem, o Bulls está punido, azar deles. O que importa é que o Salmons joga muito bem, é incrivelmente consistente, e dominou o jogo ofensivamente. Se aproveitou do corta-luz constante para atacar a cesta, cavar faltas, dar arremessos de longa distância, e principalmente para girar a bola e achar companheiros livres. Era ridículo ver como o Bucks usava a mesma jogada à exaustão mas cada vez o Salmons fazia uma coisa diferente e o Hawks não sabia o que esperar. Quando começaram a dobrar nele, outros jogadores do Bucks ficaram livres para bolas de três pontos certeiras e aí quando elas pararam de cair já era tarde demais - por não conseguir pontuar necas, o Hawks já havia ficado atrás demais no placar.

Fiquei com medo de ver o Bucks na quarta partida repetindo essa mesma jogadinha manjada com o Salmons, porque certamente o Hawks viria preparado. Mas para minha surpresa o Salmons ficou ali paradinho, olhando a vida acontecer de trás da linha de três. A bola passou quase todo o tempo nas mãos do Brandon Jennings, o foco foi nas bolas de três do Carlos Delfino, e até o Kurt Thomas e o Dan Gadzuric acertaram arremessos de curta distância. Tudo porque a defesa do Hawks passou o jogo inteiro olhando para um John Salmons que sequer parecia fazer parte do esquema tático da equipe. Nas vezes em que pontuou, foram apenas jogadas individuais, quase aleatórias, em que ele forçou seu caminho contra a defesa agressiva e cavou faltas adoidado. Mas todo o plano do Bucks passou bem longe disso, colocando uma carga enorme nas costas do Jennings, que respondeu com o melhor jogo que já vi do rapaz: pode não ter feito 55 pontos, mas ditou o ritmo da partida, deu passes simples mas precisos, e teve os bagos de dar aqueles arremessos bizarros que ele dá todo torto com uma mão só nos minutos finais de jogo para segurar a margem que o time abrira no placar. Novamente, foi a defesa que ganhou o jogo fácil, coube ao ataque apenas manter o placar sob controle no finalzinho da partida. E esse controle ficou com o Jennings, sabendo segurar a bola, deixar o cronômetro correr e pontuando nos momentos mais decisivos para deixar o Hawks a uma distância segura. Assustador pensar nos bagos desse garoto, o que será que ele vai ser quando crescer? Espero que não seja engenheiro agrônomo.

A quarta partida foi mais um espetáculo de defesa, mas foi ainda mais um show particular do Ersan Ilyasova. Duas faltas de ataque cavadas em sequência tiraram o Josh Smith da partida - tanto por faltas quanto psicologicamente. Fora isso, sua defesa estilo "eu tô bêbado, deixa eu me apoiar em você pra vomitar" incomoda demais qualquer jogador adversário, principalmente porque o Hawks não tem nenhum jogador muito físico para jogar no garrafão e ficar dando trombada. Se o Josh Smith é o único jogador da equipe de Atlanta que sabe jogar de costas para cesta, então o Ilyasova é o homem perfeito para impedir o jogo de garrafão do Hawks. Ele pode não dar nenhum toco, mas vai encher o saco, ser esquisito, parecer descolado. De fato, a Lady Gaga da NBA.

Aliás, é incrível como agora o Josh Smith realmente joga de costas para a cesta. Antigamente ele era forte pra burro, rápido, explosivo, mas só queria arremessar de três pontos. De repente acordou um dia e resolveu que tinha gente melhor pra fazer isso no time do que ele, entendeu que seu jogo tinha que ser mais agressivo e próximo à cesta, e virou um jogador inteligente que não força mais arremessos. Não sei onde ele comprou esse cérebro que ele antes não tinha, mas seria legal se ele mandesse o endereço da loja para o JR Smith, que está precisando. O Zach Randolph deve ter comprado o cérebro dele no mesmo lugar.

O genial sobre a quarta partida dessa série é que Jamal Crawford (eleito o Melhor Sexto Homem do Ano) e Joe Johnson tiveram boas partidas, especialmente nas bolas de três pontos, mas não adianta nada se ninguém pontuar no garrafão. O Hawks pode pontuar, só não pode pontuar de modo fácil ou em excesso, tem que ficar sob controle moderado. A chave da vitória para o Bucks, no fundo, é o ataque: eles venceram as últimas 11 partidas em que marcaram pelo menos 100 pontos, ou seja, eles sempre seguram bem o adversário, só precisam dar um jeito de pontuar um pouco para que a diferença no placar fique a favor deles. Mas para isso agora há ajuda. Carlos Delfino está inspirado nas bolas de três, incrível que há uns anos atrás ele tenha pensado em abandonar a NBA quando tinha acabado de escapar de mofar no banco do Pistons e estava lutando por minutos no Raptors. Mas agora ele encontrou seu papel, defender como um argentino (leia-se "cavar faltas de ataque, encher o saco do adversário") e abusar nos arremessos de fora. John Salmons é um pontuador eficiente, principalmente quando o time não sabe mais o que fazer e ele pode arrancar na marra alguns lances livres. E o Brandon Jennings é uma incógnita: tem dia em que é um monstro nos arremessos de fora e ganha o jogo sozinho apenas com bolas de três, tem dia em que ele faz bandejas e tear drops como se fosse o Tony Parker, tem dia em que ele só corre como um doido e depois passa a bola para o lado, e tem dia em que ele só força arremessos idiotas e perde a bola com passes tão imbecis que até o Cristiano Ronaldo ficaria corado de vergonha. Mas quando está num bom dia, Jennings é o que falta para tornar Delfino e Salmons verdadeiramente eficientes.

A gente sabe que o Hawks não tem ideia de como se joga basquete fora de casa, eles perderam quase todos os jogos em ginásios dos adversários nos últimos playoffs, então devem vir mordendo na defesa e abusando nas bolas de três pontos no próximo jogo em Atlanta. Mas o único modo de vencer esse Bucks é dominando o garrafão. Josh Smith precisa ser impecável de costas pra cesta e Al Horford precisa fingir que é um pivô de verdade, não um ala fortinho usado no garrafão apenas de improviso (a verdade às vezes dói). Quando a defesa do Bucks está perfeita, com atuações individuais incríveis, o jeito é jogar dentro do garrafão - o único problema é fazer a bola chegar lá, e lidar com a marcação dupla assim que a bola atinge seu alvo. No entanto, o Hawks tem uma série de excelentes arremessadores que, num dia bom, podem abrir uma vantagem enorme no placar de uma hora para a outra, forçando o Bucks a parar de dobrar a marcação - hora, então, do Josh Smith brilhar perto do aro, e não arremessando como ele fazia antes.

De todas as séries que ainda restam, essa é a mais imprevisível, e conta com um time fracassado tentando se superar, jogando sem pivô, e um monte de torcedores com placas de "Fear the deer" no ginásio e se levando a sério, como se desse para ter medo de um animal fofinho com chifres de galhinho - ou de um time que se veste de roxo e tem como armador um novato, como pivô o Kurt Thomas, que plantou a primeira árvore da Floresta Amazônica, e como técnico um retranqueiro que se dá mal com seus jogadores e não sabe fazer seus times pontuarem. Mas sabe o que é bizarro? Mesmo sem impor medo em ninguém, o Hawks tem total consciência de que o Bucks pode ganhar essa série jogando feio, usando a tática "Lady Gaga" de fazer tudo estranho, tudo esquisito, e segurar uma vantagem pequena no placar até o final do jogo. É por isso que estarei gritando minha versão tupiniquim "tema a rena" na próxima partida mesmo que ninguém tenha medo do time, mesmo que o Hawks ainda seja favorito, mesmo que eu acredite que a equipe de Atlanta ganhará jogando em casa. É que quando ninguém acredita neles, o trabalho fica mais fácil. Já pensou o Magic entrando em quadra para enfrentar o Bucks na próxima rodada tendo certeza de que vai dominar o jogo com o Dwight Howard? Prevejo mais um tombo inesperado, com a defesa do Bucks sufocando o Howard até ele fazer xixi nas calças. Temos que temer a rena justamente porque ninguém teme ela, todo mundo olha e tira sarro, é tipo o Ersan Ilyasova e suas meias enormes e cabelo de emocore, mas que de repente faz tudo dar certo. Continuemos não acreditando nessa equipe sem Andrew Bogut, sem ataque, sem chances, enquanto eles continuam dando tabefes nas nossas orelhas. Se classificaram em sexto lugar do Leste quando tinha gente dizendo que era meio sem querer, que eles sequer iriam para os playoffs. O Bucks é o Ilyasova: estranho, bizarro, gaganiano, mas de verdade. Muito de verdade.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dia da mentira

Tim Duncan rindo? Mentiiiira

Não sei porque, mas como blogueiro eu me sinto obrigado a fazer um post de humor duvidoso sobre o Dia da Mentira. Parece uma conspiração liderada pelo Zorra Total que obriga as pessoas a ficarem metidas a engraçadinhas nesse dia! Mas não vou fazer um post dizendo que o LeBron é ruim e nem elogiando a torcida linda do Jazz, não conseguiria enganar vocês nem durante meio parágrafo, então vou repetir a fórmula do ano passado.

Há um ano fiz um post dizendo 5 coisas que pareciam mentiras no começo da temporada e eram verdade e depois 5 coisas que pareciam mentiras mas que eu garantia que seriam verdade. Vou começar analisando o que eu prometi que ia acontecer, será que meu saldo é bom? Eu costumo feder na hora das previsões...


1. O Bobcats vai ser um dos melhores times do Leste nos próximos 2 anos
Aeee!!! Bom começo! Eles melhoraram muito, já estão garantidos nos playoffs e se não fossem alguns vacilos (tipo perder duas vezes para o Nets!) estariam em quinto no Leste. Com um forte elenco, Larry Brown no comando, um possível desmanche no Cavs e a decadência do Boston é bem capaz que o Bobcats lute pelas primeiras posições do Leste no próximo ano, essa previsão ainda está viva!

2. O Nash vai jogar no Knicks
Merda, errei feio! O Suns estava ameaçando um desmanche total e o Knicks estava sofrendo com o Chris Duhon na armação, achei que alguma coisa ia sair disso e Nash e D'Antoni iriam se juntar novamente. Ter apostado no Fluminense campeão da Sul-Americana do ano passado teria me deixado mais perto de um acerto do que isso.

3. O Greg Oden vai ser um bom jogador
Hum... acho que essa não dá pra dizer que tá certa ou errada. Eu até acho que ele estava jogando bem quando estava vivo, mas o cara não consegue passar meia dúzia de jogos sem cair no chão! Deve ser porque ele tem 80 anos. Só vamos saber disso quando ele for um jogador profissional de basquete.

4. O Bynum vai machucar o joelho em janeiro do ano que vem em um jogo contra o Grizzlies.
O David Stern me sacaneou nessa, o Lakers nem pegou o Grizz em janeiro. Manobras políticas fizeram os times se enfrentarem só no dia 1º de fevereiro e aí nada aconteceu, o encanto foi quebrado. Mas o Bynum é o Bynum e tratou de machucar em março, que é mais perto dos playoffs e preocupa ainda mais a torcida do Lakers.

5. O Houston Rockets vai passar da primeira rodada dos playoffs
Aê, boa timê! Salve o Blazers que jogou mal pra cacete nos playoffs do ano passado e tomou uma sova do Rockets! Com a passagem deles para a segunda rodada dos playoffs do ano passado eu fiquei com um saldo positivo nas previsões! Nem eu esperava por essa!

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Agora vamos repetir nesse ano, começando pelas 5 verdades que pareceriam mentiras no começo da temporada:

1. O Tim Duncan não é nem um dos cinco melhores alas de força da NBA na temporada
Eu ainda acho ele o melhor que eu já vi, com muitas sobras, a ponto de deixar qualquer comparação parecer o mesmo que dizer que o Tcheco foi melhor que o Pelé. Mas nessa temporada tá difícil. Ele teve ótimos momentos, uma sequência boa de jogos há algum tempo, mas no resumo da temporada dá pra dizer sem pensar duas vezes que Dirk Nowitzki, Chris Bosh, Pau Gasol, Amar'e Stoudemire e... e... (limpa a garganta)... Zach Randolph, estão jogando melhor que o Mr. Poker Face.

2. Zach Randolph é um jogador bom de verdade
Falando no gordinho, quem iria prever essa? Além de melhorar os seus números, que sempre foram bons, agora ele realmente ajuda o seu time! Tem se esforçado na defesa (o que não quer dizer que ele é um grande defensor, mas é um começo), é o líder da NBA em rebotes ofensivos, não tem sido um buraco negro no ataque e até pro All-Star Game o porpeta foi! As bochechas gordas são as mesmas, mas o jogador...

3. Kevin Durant é candidato a MVP
Se tivesse gente prevendo que ele seria o cestinha da NBA já ia ter gente (presente!) reclamando e dizendo "Calma, é muito cedo, espera mais um pouco", mas o moleque é precoce e fenomenal. Não só está na briga séria para ser cestinha com o LeBron, como não duvido que ele acabe em segundo na votação para MVP da temporada regular.

4. O Bucks é o quinto colocado do Leste
O time titular tem um armador novato, um projeto de Ginobili que não deu certo, um turco desengonçado que "parece o Hannibal Lecter mas joga como o Larry Bird", um príncipe camaronês e um pivô esquizofrênico! Quem poderia prever que eles seriam uma das potências defensivas da NBA e que depois de trocar pelo John Salmons (SALMONS, não LeBron James) teriam a melhor campanha da NBA depois do All-Star Game?

5. O Gilbert Arenas ficará fora da temporada de novo e não será por causa de uma contusão.
Se falassem que ele perderia a temporada de novo acho que 95% das pessoas iriam acreditar numa boa e responder dizendo "E algum desastre natural irá ocorrer em algum lugar", mas dizer que seria por causa de armas de fogo dentro do vestiário ao invés do bom e velho joelho estourado pareceria mais mentira que a bunda da Cacau! Eu esperava ver mais uma briga à la Pacers x Pistons antes de ouvir falar de um jogador com armas no vestiário.

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O meu saldo nas previsões do ano passado não foi espetacular, mas mesmo assim eu já estou feliz, costumo ser muito pior do que isso! É só eu enxergar alguém se ferrando que o time começa a vencer, sou um desastre. Por isso nesse ano não vou prever nada, isso fica com vocês, digam quais coisas parecem hoje mentira mas serão verdades num futuro próximo! Daqui um ano tiraremos esse baú do fundo do quintal e iremos rir das palhaçadas que vocês falaram!

Para finalizar, um vídeo da ESPN com algumas pegadinhas esportivas de 1º de abril. Minhas favoritas são o cara que finge ser jogado do topo do prédio, e o jogador (nem sei de que esporte) que recebe a notícia falsa que foi trocado para um time do Japão!

Vejam que no meio tem uma briga de mentira entre o Mark Cuban, dono do Mavs, e um juiz! Sensacional que o assistente técnico Del Harris ficou achando que era de verdade, um clássico.

domingo, 21 de março de 2010

Punidos

O Rose só está sorrindo porque ainda não olhou pra trás


Com a data limite para trocas se aproximando, o Chicago Bulls foi um dos times que se mexeu para conseguir dinheiro e tentar contratar uma estrela na temporada que vem. São tantas estrelas terminando contratos ao fim dessa temporada que até minha mãe está juntando uns trocados pra ver se consegue trazer alguma delas para ajudar na cozinha. O plano, no entanto, é bastante complicado. Já escrevi aqui sobre como o Knicks, que está apostando todas as suas fichas nas próximas contratações, tem grandes chances de ficar chupando o dedo (e chance nenhuma de contratar o LeBron, por exemplo). Não é das melhores ideias confiar tanto numa grande contratação, especialmente quando você tem algo a perder. Se for o Nets, aí tudo bem, deixa eles até demolirem o ginásio pra tentar contratar alguém que saiba jogar basquete. Mas quando você se livra de um jogador bom, que ajuda o seu time, apenas para ganhar umas verdinhas e investir temporada que vem, colocando em risco essa temporada que acontece agora, aí o deus do basquete pune.

O Jazz, por exemplo, se livrou do ótimo novato Eric Maynor e do então titular Ronnie Brewer só para salvar umas moedas no porquinho. Eles vão para os playoffs, é bem possível que até tenham mando de quadra, mas esse lance de se livrar de jogadores a troco de nada não vai sair barato. Se não rolar uma eliminação na primeira rodada dos playoffs, pode apostar que o Boozer vai embora na temporada que vem e o Jazz não vai conseguir contratar ninguém com o dinheiro, pra aprenderem a não ser idiotas (e a não ter torcedores tão chatos, mas isso não vem ao caso). Já o Bulls está sendo punido pelo deus do basquete de maneira mais imediata: sequer vai aos playoffs esse ano.

Primeiro foi a troca do Tyrus Thomas, que mesmo tendo enfrentado várias contusões ao longo da temporada, pelo menos era um corpo atlético no garrafão do Bulls distribuindo tocos e enterradas a torto e a direito. No seu lugar, vieram dois armadores (Flip Murray e Acie Law) que não seriam nem figurantes na "Turma do Didi". Depois veio a troca que merecia mais punição: John Salmons foi para o Bucks enquanto o Bulls recebeu os contratos expirantes de Hakim Warrick e Joe Alexander. O Warrick é até bom, não me entendam mal, mas ele é um tanto baixo e não defende bulhufas, enquanto o Joe Alexander sequer jogou na temporada graças a uma série de contusões. O coitado do John Salmons não merecia ser mandado embora só pra economizar 5 milhões, dinheiro que hoje em dia não compra nem um Big Mac com batatas grandes e um suco de frutas vermelhas (o McDonald's fica cada vez mais caro, é ridículo, e só paro de difamá-los quando resolverem mandar dinheiro para minha conta - é tipo quando a máfia cobra por proteção, só que na área da propaganda).

O John Salmons já pode fazer parte oficialmente do "Clube Drew Gooden" para bons jogadores que, apesar de serem valiosos para qualquer time, são mandados de time para time como se fossem uma gonorreia que ninguém quer pegar. O Salmons tinha chutado traseiros no Kings com a contusão do Kevin Martin na temporada passada, mas assim que o Martin voltou lá foi o Salmons de volta para o banco, quase nem entrando mais em quadra. Lembro de ler uma reclamação do Salmons na imprensa, ele não pedia mais minutos, exigia simplesmente "respeito". Bonito. Loguinho foi mandado para o Bulls com uma cartinha de "era um ótimo jogador mas nossos planos são outros". Porque, claro, os planos do Kings são perder.

No Bulls o Salmons foi a garantia de que o time poderia manter o poder ofensivo mesmo com a saída da porcaria do Ben Gordon, que agora foi feder em outro lugar, e ainda tinha o bônus do Salmons saber defender, pegar rebotes e passar a bola (ou seja, ele é um mamífero bípede que joga basquete, não um anão com compulsão por arremessos). Não é espetacular em nada, mas é um bom pontuador e tem atuações sólidas, constantes. Nem que fosse pra ter no banco, era uma peça valiosa para o elenco muitas vezes inconstante e cheirando a bunda de bebê do Bulls. Mas não, apesar de jogar bem durante toda a temporada, foi mandado para o Bucks que precisava de alguém para substituir o Redd, contundido.

Desde que o Salmons chegou no Bucks, o time ganhou 14 partidas e perdeu apenas duas, disparando com certa folga para o quinto lugar do Leste. O Denis escreveu sobre como o Bucks é uma das maiores surpresas do ano e um dos times mais embalados dessa fase final de temporada (o que contrasta com a gente, que nesse final de temporada fica desinteressado, esperando os playoffs, e o Bola Presa ganha algumas teias de aranha porque a vida aperta - somos como formigas fazendo as coisas correndo antes do inverno dos playoffs chegar, com a diferença que ao invés de trabalhar juntando comida, em geral vamos dormir. Talvez a melhor comparação fosse com ursos hibernando, mas enfim, deixa pra lá).

Já o Bulls sem Salmons e Tyrus Thomas tomou em cheio uma punição divina: Luol Deng (que poderia ser substituído pelo Salmons) se contundiu e deve ficar fora o resto da temporada; Joaquim Noah, último pivô da equipe, após a saída do Tyrus Thomas, com menos de 400 anos de idade (Brad Miller, estou olhando pra você) passou 9 jogos contundido; e como cereja do bolo de merda o Derrick Rose ainda passou 4 jogos fora.

O Bulls perdeu todos os 4 jogos sem o Derrick Rose e todos os 9 jogos sem o Noah. Ao todo, foram 10 derrotas seguidas, algo que não acontecia desde 2001, quando o Eddy Curry ainda era novinho e não tinha engolido as Torres Gêmeas do World Trade Center (ele engoliria no final daquele ano, os aviões foram só computação gráfica). O recorde total sem o John Salmons é de 5 vitórias e 11 derrotas, o bastante para que eles sejam chutados para fora da zona de playoff sem muitas chances de retorno - principalmente porque o Salmons está num concorrente direto ganhando partida atrás de partida.

Alguém precisa me explicar porque jogadores tão valiosos, que cumprem bem suas funções, são tão menosprezados e mandados embora de seus times o tempo inteiro. Parece que a NBA se tornou um pouco obcecada demais com estrelas. Mais do que montar bons times e ganhar dinheiro indo para os playoffs, lotando ginásios com times vencedores, a NBA agora prefere investir em grandes estrelas que rendam camisetas, outdoors, lotem ginásios - e percam mesmo assim. Até mesmo do ponto de vista empresarial, pensem em quanta grana o Bulls não vai perder ao deixar de ir para os playoffs. Seriam várias transmissões de TV, ginásios lotados, torcedores empolgados comprando produtos e enfiando cachorro-quente nas orelhas (costuma acontecer depois da terceira cerveja). O Bobcats pode ser o time mais sem graça do mundo, mas eles provavelmente estarão nos playoffs e sua maior estrela é o dono, na arquibancada, balançando a cabeça em desaprovação com as cagadas da equipe (vi o Jordan no ginásio, indignado, nas últimas duas partidas da equipe - duas derrotas). O Houston sem estrelas estaria nos playoffs se estivesse no Leste, mas aí é só dor de cotovelo mesmo, que meu time não vai conseguir alcançar o Blazers no Oeste nem fodendo. Mas o ponto aqui é que nesse desespero por tornar as equipes da NBA rentáveis em período de crise, talvez fosse mais prudente montar times sólidos com bons carregadores de piano e um bom técnico do que ficar economizando grana para dar um contrato biliardário para alguém na temporada que vem e torcer para ganhar dinheiro com propaganda de suco com bolhas dentro. Isso, claro, se as estrelas que querem contratos biliardários toparem ir jogar por lá. Se fosse pra escolher um time, eu iria preferir o Bucks (com um jovem núcleo e experiência nos playoffs) do que o Bulls, capengando pela tabela. O mesmo vale para o Knicks, claro, por que uma estrela se sujeitaria a um time tão pelado, sem jogador nenhum em nenhuma área? A essas equipes, resta apostar no poder da cidade, do mercado, do jogador querer ganhar uma grana com propagandas, lotar ginásios mesmo com um time que fede. Essa seria a única chance do Knicks, afinal, como mostra esse vídeo aqui, Cleveland é uma cidade tão porcaria que virou até piada. Mas, como diz o vídeo, ao menos eles não são Detroit. O mesmo vale na NBA: pior do que ter dinheiro guardado e rezar para uma estrela ir jogar pra você, é ter gastado todo o dinheiro num par de jogadores mequetrefes. Pois é, Bulls e Knicks: pelo menos vocês não são o Detroit.

domingo, 7 de março de 2010

A era dos veadinhos

Aquela ponto laranja na cabeça do Jennings é seu cabelo


Não resisti a colocar esse título ridículo, desculpem. Mas é que quando a gente vai se dar ao trabalho de falar do Bucks de novo? Entre os times que vivem grande fase na NBA, o Bucks é a maior surpresa. O Dallas tem 11 vitórias seguidas, mas era de se esperar já que o time já era bom e adicionou Caron Butler e Brendan Haywood. O Magic vive sua melhor fase na temporada, mas também não é surpresa já que o time tem um elenco recheado de talento, bastava o Vince Carter jogar o que sabe para eles deslancharem. Mas e o Bucks? Alguém realmente achava que eles tinham chance de playoff quando caíram para a nona colocação da conferência algumas semanas atrás?

Pra mim o Leste já estava bem decidido. Os 4 primeiros seriam Cavs, Magic, Hawks e Celtics. Depois viria o Raptors, que finalmente tinha aprendido a defender o bastante para vencer jogos de basquete em nível profissional, depois o Heat, que com o Wade não teria como ficar de fora dos playoffs e, para fechar, os bons times do Bulls e do Bobcats.

As coisas começaram a mudar quando o técnico (e chato) Scott Skiles resolveu fazer algumas mudanças no time. Insatisfeito com o aproveitamento cada vez pior dos arremessos de Brandon Jennings, chamou o garoto de lado e pediu para ele ser mais armador do que pontuador. Difícil pedir isso para o seu melhor pontuador que está cercado de jogadores irregulares no ataque como Luc Mbah a Moute, Carlos Delfino e Andrew Bogut. Mas acabou sendo uma decisão perfeita. Com o Jennings se preocupando mais em passar e usando sua habilidade na infiltração para os passes, o time começou a acertar mais bolas de três e Bogut começou a viver a melhor fase da carreira.

Embora o pivô australiano pareça ser ruim porque é, afinal, um pivô australiano, ele é bem talentoso no ataque. Ele funciona muito melhor em ataques velozes, onde pode usar sua agilidade, do que naquele ataque filmado pela supercâmera que o Bucks usava até um tempo atrás. Com o time mais dinâmico ele apareceu muito mais e tem sido a peça mais importante do ataque do Bucks nos últimos 20 jogos.

Nas últimas 20 partidas o Bucks tem 15 vitórias e 5 derrotas, um aproveitamento digno dos melhores times de toda a liga. E no meio dessa sequência é que houve aquele dia em que a NBA virou casa de swing e todo mundo foi trocado. Na putaria o Bucks acabou perdendo um sapato, a cueca furada, mas levou pra casa o John Salmons.

O Salmons não é nenhum deus, nunca vai ser um All-Star, não é grande defensor ou passador e nem é bonito. Mas sabe fazer uma coisa muito bem: pontos. E embora os pontos pareçam ser muito mais importantes que outra função como roubos ou tocos, quando você só faz pontos você entra na categoria de especialistas, como o Chris Andersen é um especialista em tocos ou o Quentin Richardson um especialista em bolas de 3. Da mesma maneira que os dois tocos por jogo do Andersen não serviriam de nada em um time que não defende, o Salmons não faria grande diferença em um time que já tem muitas opções de pontos, ele seria mais um. Mas no Bucks ele era exatamente o que eles precisavam!

Tem um tipo de arremesso que eu chamo de arremesso McDonald's. Sabe quando você vai sair com o pessoal e um quer ir na balada, outro no barzinho, outro no karaoke, outro no fliperama e como ninguém decide nada a última opção é um bom e velho McDonald's? Tem algumas posses de bola onde o armador não consegue nada, o pivô não consegue nada, ninguém fica livre e só resta uma última e básica opção, isolar alguém para dar um drible simples e arremessar. Todo time que se preza tem um cara pra fazer isso, mas o Bucks não tinha. Eles tentavam usar o Jennings, mas nem sempre ele conseguia ser esse cara porque ele já é o cara que estava tentando armar a jogada antes, que queria ir no karaoke e não conseguiu. Apareceu então o Salmons, um cara muito bom no arremesso depois do drible e que sabe chutar de três.

Com esses talentos o Salmons já chegou decidindo jogos no Bucks. O mala do Skiles claro que não deixou barato e soltou a pérola de que o Salmons tinha jogado bem "para alguém que não sabia o que estava fazendo em quadra". Algo como dizer "Você é muito inteligente, considerando que você é uma mulher". O negócio é ignorar, o Skiles é bem metódico com sua defesa e com como as coisas são feitas em quadra e qualquer jogador que chegasse no meio da temporada não saberia de nada disso, o importante é que o Salmons ajudou mesmo assim e só o fez por ser exatamente o que o time precisava.

Com essa sequência de vitórias o Bucks hoje já está perto do Raptors no quinto lugar do Leste! Deixou Heat, Bobcats e Bulls pra trás. Eu, sinceramente, torço para que nessa briga o Bulls fique de fora. Sou fã de Derrick Rose e Luol Deng mas o time tem que pagar pelas decisões que tomou. Trocaram Tyrus Thomas e John Salmons apenas para ter espaço salarial no ano que vem, mandou cada um para um rival direto na classificação para os playoffs e só pensou na próxima temporada o tempo todo, que se ferrem nessa então!

Espero que os times que tenham pensado nessa temporada sejam recompensados por isso e vão para os playoffs, até porque Bobcats e Bucks são dois times que lutam há anos por uma vaga na pós-temporada e fazem isso sem conseguir atrair nenhum nome de peso para seu elenco. São dois remanescentes da escola Pistons de se montar um time, com muitos role players e defesa. E para um playoff ter graça, precisa de todos os personagens, desde os times de puro ataque como o Suns, os chatos como o Spurs, os convencidos como o Lakers, os mal-encarados como o Nuggets e o pequeno trabalhador esforçado como Bucks e Bobocats.

Na sequência de 20 jogos o Bucks só teve duas derrotas inaceitáveis. Perdeu um jogo para o fraco Pistons e outro para o Rockets, não é que o Houston seja ruim, mas tomar 127 pontos em casa é motivo de vergonha. As outras derrotas foram para Hawks, Mavericks e Magic, todos times com melhor recorde, elenco e que jogaram em casa.

Já falei da mudança de estilo de jogo do Jennings, que favoreceu o Bogut, e da adição do Salmons, mas o segredo do sucesso desse time desde o primeiro jogo da temporada, o que segurou eles perto da zona dos playoffs mesmo nos momentos mais complicados do ano, foi a defesa. Atualmente o Bucks é o terceiro colocado no ranking de defesa que mede o número de pontos sofridos a cada 100 posses de bola, um número assustador para um elenco que não tem nenhum especialista em defesa. Talvez o Mbah a Moute esteja acima de média, mas o resto é Jennings, Bogut, Ridnour, Delfino, todos jogadores que passaram a carreira ouvindo que não defendiam bem, que eram soft, um jeito simpático de dizer que eles são mariquinhas.

Mas outro número me impressionou mais. O site Hoopdata tem os números de aproveitamento das equipes em todos os tipos de arremesso, desde os mais próximos da cesta até os mais distantes. O Bucks, sem ter nenhum bloqueador nato em seu elenco, é a sétima melhor equipe em defender os arremessos próximos à cesta. O Lakers, com Gasol e Bynum, fica atrás do Bucks na hora de defender os arremessos dados perto do aro, como os ganchos dos pivôs ou as infiltrações dos armadores. E dos 6 times que estão na frente do Bucks ainda podemos tirar o Pacers, que apesar do aproveitamento baixo dos seus adversários é um dos times que mais comete faltas e sofre pontos de lances livres, ou seja, o adversário não faz os pontos na bandeja mas faz no lance livre.

Para terminar, o Bucks é o quarto time que mais força turnovers em toda a NBA, atrás apenas de Celtics, Bobcats e do Warriors, que só é líder por jogar na defesa como se jogasse NBA Live, tentando roubar bolas o tempo inteiro e deixando o adversário dar 10 enterradas livres no processo.

Que fique claro que o Bucks merece muitos créditos por estar na situação em que está, parecia piada pensar no Bucks lutando pela quinta vaga do Leste no começo da temporada, mas mesmo assim devemos reconhecer que o time ainda é limitado. Aproveitei para falar deles agora porque a sequência de 20 jogos foi impressionante, mas será difícil manter o ritmo agora que pegam, em sequência, Celtics e Jazz e, na semana seguinte, Nuggets e Hawks. Mas provavelmente eles já estão jogando bem o bastante para relaxar um pouco e deixar a briga pela última vaga no Leste para Bobcats e Bulls. Na briga com Tyreke Evans, Stephen Curry e Darren Collison, o Jennings vai poder se gabar pelo menos de ser o primeiro deles a jogar um jogo de pós-temporada.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

As trocas menores

Tyrus Thomas e mais um monte de gente voou para outro time nessa quinta-feira

Enquanto o Danilo não chega para falar da grande troca do dia, a que levou Kevin Martin para o Rockets, Tracy McGrady para o Knicks e muito espaço salarial para o Kings, eu aproveito para falar de todas as pequenas trocas que tornaram o dia de hoje um dos dias-limite para trocas mais movimentados dos últimos anos.

Sem enrolação, vamos lá:

Chicago Bulls manda: Tyrus Thomas
Charlotte Bobcats manda: Acie Law, Flip Murray e uma escolha de 1º rodada de draft do Bobcats

Dois vencedores nessa troca. O Bulls queria se livrar do Tyrus Thomas e do máximo de contratos que pudesse para ter o espaço necessário na folha salarial para entrar na briga por LeBron ou Wade na temporada que vem. Conseguiu isso já que os contratos de Murray e Law acabam nesse ano. De brinde, conseguiram o que o Clippers não foi capaz de fazer com Thronton e Camby, levaram uma escolha de draft para tentar a sorte num futuro próximo.

Boris Diaw não tem sido regular, Diop e Chandler só se machucam e Nazr Mohammed é bom mas nem tanto. O Bobcats procurava desesperadamente alguém para dar um jeito no seu garrafão e conseguiu! Perdeu pouca coisa e em troca ganhou um baita jogador que deverá brilhar muito sob a tutelagem do Larry Brown. Ele é reboteiro, agressivo no ataque e nos tocos, e com os toques defensivos do técnico será imediatamente importante na equipe.

A troca, porém, deixou a armação do Bobcats com pouquíssimas opções, Larry Brown terá que respirar fundo e usar dois caras que não estavam agradando o exigente (jeito simpático de dizer "chato, pé no saco") técnico: DJ Augustin e o novato Gerald Henderson.

atualização: O garrafão do Bobcats está tão mal que o Yahoo!Sports diz que eles acabaram de conseguir o avô do (já avô) Greg Oden, Theo Ratliff, com o Spurs. Isso que é desespero! Só não informaram ainda o que os Bobgatos mandaram em troca.
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Chicago Bulls manda: John Salmons
Milwuakee Bucks manda: Joe Alexander e Hakim Warrick

Outra troca puramente financeira para o Bulls. Ao invés de se contentar em ser o sexto melhor time do Leste eles estão perdendo bons jogadores apenas para poder tentar dar um passo rumo ao topo na temporada que vem. Arriscado, mas necessário. E Warrick ainda poderá quebrar um galho com a ausência do Tyrus Thomas.

Para o Bucks a troca é muito boa. Perdem dois jogadores que jogavam pouco e não eram essenciais no elenco e em troca recebem um pontuador. Considerando que marcar pontos é a maior dificuldade da equipe e que o Salmons joga na posição do machucado Redd, foi uma boa aquisição para tentar roubar a oitava vaga nos playoffs.
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Washington Wizards manda: Dominic McGuire
Sacramento Kings manda: Uma escolha de 2º round e bufunfa

Típica troca de último dia de trocas. Um time quer fazer uma graninha, outro quer uma escolha de draft, um perdeu muita gente em trocas maiores e quer compor o elenco e por aí vai. Você nunca mais vai ouvir desse negócio na sua vida.
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New York Knicks manda: Darko Milicic
Minnesota Timberwolves manda: Brian Cardinal

Com essa troca o campo magnético da Terra foi alterado, as regras vigentes na economia mundial mudaram por completo e o Wolves agora é sério candidato ao título e à presidência dos Estados Unidos. Ou numa versão menos plausível...

O David Kahn, manager do Wolves, disse estar intrigado com o Darko. Disse que ele às vezes dá flashes de grande jogador e logo depois de jogador horrível e que decidiu dar meia temporada de chance ao pivô sérvio na NBA antes de sua despedida, já que Darko disse que após essa temporada ele não pretende nunca mais jogar nos EUA.

Já o Knicks fez a troca porque o contrato do Cardinal, que expira também ao término dessa temporada, é um pouco mais barato, rendendo uma economia nas multas pagas pela equipe.
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Memphis Grizzlies manda: Escolha de 1a rodada
Utah Jazz manda: Ronnie Brewer

O Jazz já trocou Eric Maynor por um pacote de Trakinas vencidas por questões financeiras e aqui repete a dose. Por uma singela escolha de primeira rodada mandam um belo jogador, Brewer, que ajudaria qualquer time com sua velocidade, explosão, ótimos números em roubo de bola e eficiência no contra-ataque.

O Grizzlies não perde quase nada e em troca recebe tudo o que precisa. Um cara que se encaixa com o estilo de contra-ataque do time e, finalmente, um jogador decente para vir do banco de reservas. O banco do Memphis era um dos que menos tinha minutos por jogo e era claramente um dos menos talentosos da NBA.
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Boston Celtics manda: Eddie House, JR Giddens e Bill Walker
New York Knicks manda: Nate Robinson e Marcus Landry

A troca estava combinada faz tempo, mas por questões financeiras não poderia ser apenas House por Robinson. Depois de horas e horas de conversa eles pensaram "Hum, que tal a gente mandar um monte de jogador ruim, que não entra em quadra e com contratos que já vão acabar?" Perfeito.

Agora o Eddie House brinca de arremessar de 3 no esquema do D'Antoni até acabar seu contrato no fim do ano, enquanto o Nate Robinson vai lá estragar o Celtics. Claro que ele é melhor e mais completo que o House, mas também mais fominha, estraga mais o resto da equipe e quer ser herói quando não deve. Cansei de ver o Nate perder jogos sozinhos para o Knicks porque ele que queria fazer a cesta da vitória ou a cesta da virada. Ridículo, o Celtics vai se arrepender dessa troca.
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Philadelphia 76ers manda: Royal Ivey, Primoz Brezec e uma escolha de 2º rodada
Milwuakee Bucks manda: Jodie Meeks e Francisco Elson

Uau! Que revolução. Na prática o Sixers mandou um bom dançarino e uma escolha de 2º rodada em troca do jovem e talvez-útil-se-der-sorte Jodie Meeks.
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Em nota também importante, os fracassos: apesar das tentativas de Heat, Cavs, Knicks, Kings e mais um monte de gente, ninguém tirou o Amar'e Stoudemire de Phoenix e nem Carlos Boozer de Utah.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O apressado come cru

Fãs do Pistons, não temam: com Kwame
Brown, como algo pode dar errado?


Às vezes é legal apertar aquele "botão do apocalipse", vermelho e brilhante, e começar um time do zero. Times bons pra burro acabam percebendo, uma hora, que não vão conseguir ser campeões e não vale a pena ficar dando com a cabeça na parede, eternamente se contentando em ser bom-mas-nem-tanto. É preciso coragem para o botão do apocalipse, mas é uma atitude necessária e saudável na vida de qualquer time da NBA. O que se faz depois do apocalipse, no entanto, é o que separa os grandes times dos times meia-boca. Aquele Nets que foi campeão do Leste com Jason Kidd não tinha qualquer chance de derrotar as potências do Oeste, então desmontar e começar de novo era uma boa ideia. Montar o pior time da temporada e flertar com o pior recorde da história da NBA não é uma ideia tão boa, entretanto. Mesma coisa com o Pistons: se livrar do Billups é algo bem idiota, mas pelo menos permitia reconstruir a equipe com a grana que o fim do contrato do Iverson liberaria. Gastar essa grana num par de jogadores aleatórios que não tinham nada a ver com a equipe não é reconstruir, é terminar de se afundar na lama.

Quando o Pistons contratou Ben Gordon e Charlie Villanueva, avisei que a equipe caia no mesmo erro que tinha cometido tentando colocar Iverson no elenco. Vários fãs do Pistons me puxaram a orelha avisando que eu não entendia o que o Joe Dumars, um dos engravatados mais idolatrados-salve-salve da NBA, estava fazendo. Disseram que com sua incrível visão de mercado ele reconstruiria o time em apenas uma temporada, antes da badalada offseason de 2010, e que várias trocas surgiriam se livrando dos velhinhos da equipe. Pelo contrário, os velhinhos ainda estão lá - e ainda receberam Ben Wallace de volta com uma rodada de bingo e um chá de erva cidreira pra comemorar. Ao fim dessa temporada, uma tonelada de grandes estrelas verão o fim de seus contratos e todo time mequetrefe da NBA daria um dedo mindinho por dinheiro o bastante para competir por um desses grandes talentos. Com medo de que a competição ficasse muito acirrada e os salários muito inflados, Joe Dumars preferiu dar 50 milhões de doletas para Ben Gordon, o arremessador maluco, e 35 milhões para o Villanueva, que não consegue se destacar nem quando o time inteiro joga para ele na seleção da República Dominicana.

O que o Pistons tem em mãos é uma série de jogadores que se anulam e não fazem um puto de um sentido juntos. Enquanto Gordon precisa da bola nas mãos o tempo todo para arremessar como louco, Stuckey precisa da bola nas mãos o tempo todo para penetrar no garrafão. Richard Hamilton precisa de um esquema de jogo feito para ele, que consista de passes e corta-luzes, não de gente segurando a bola. Will Bynum é figurinha repetida, faz aquilo que Stuckey já faz, enquanto faltam jogadores com outras funções específicas. Enquanto a identidade do time já foi a defesa, e Ben Wallace e Tayshaun Prince ainda tentam segurar essa imagem, outros jogadores - em especial as novas aquisições como Gordon e Villanueva - não defendem nem filhotes de gatinhos sendo chutados na rua. Ainda tenho uma teoria de que o Jerebko, o Daye e o Prince são a mesma pessoa, mas com maquiagens diferentes, o que só dá ao time mais do mesmo. Há uma necessidade brutal de identidade para a equipe, uma rotação específica, um modo de jogo, algo que una esses jogadores. Vamos focar na defesa? Vamos só arremessar de três? Vamos jogar na correria, na porra-louquice? Vamos jogar de quatro, tentando fazer cestas com o nariz como o "Bud, o cão amigo"? Qualquer coisa serve, desde que esse monte de gente se transforme em algo que lembre, mesmo que de longe no escuro e na neblina, um time.

Para piorar as coisas, não deu nem pra brincar de pensar numa rotação para essa equipe porque todo mundo vive contundido. Villanueva quebrou o nariz, pegou uma gripe violenta e agora tem uma lesão terrível no pé, Will Bynum torceu o pé, Rodney Stuckey torceu o tornozelo (incluindo duas torções, uma em cada pé, num mesmo jogo contra o Bulls), Hamilton tem uma lesão grave no pulso, Ben Gordon lesionou o tornozelo e Prince tem uma lesão preocupante nas costas. Ou seja, só sobraram os novatos, o que é bacana porque times em reconstrução tem mais é que dar minutos para a pirralhada mesmo. Austin Daye e Jonas Jerebko são bons o bastante para dar uma alegria aos fãs do Pistons, o único problema é que eles precisam do espaço que supostamente pertence ao Prince. As lesões complicam qualquer equipe, não importa quão forte e profundo seja o elenco, mas a verdade é que no Pistons as lesões apenas camuflaram o problema maior: o que diabos fazer quando todo mundo estiver saudável? Não há espaço para Prince e Hamilton se o foco da equipe por reconstruir e dar minutos para os novatos, mas haverá coragem de colocar os dois no banco de um time perdedor e ter paciência para ver os frutos surgirem daqui a dois, três anos? Acreditem ou não, as lesões tornaram a vida do técnico John Kuester mais fácil, porque ele não teve ainda que fazer nenhuma decisão mais polêmica ou complicada. Além disso, dá pra colocar a culpa pela segunda pior campanha do Leste nas contusões, sem ter que encarar o fato de que esse time, do jeito que está, sequer é melhor do que o Nets e sua famigerada briga pela pior campanha de todos os tempos. Sério, alguém já viu o garrafão do Pistons? É facilmente o pior de toda a NBA: Ben Wallace aposentado, Kwame Brown e suas mãos minúsculas (sem falar no cérebro de ostra), Chris Wilcox e sua força bruta sem tutano, e por fim Jason Maxiell, excelente para vir do banco mas misteriosamente colocado de castigo pelo técnico (provavelmente um daqueles casos de jogadores que só funcionam ajudando um time bom, como carregadores de piano, e que não seguram a responsabilidade de lidar com um garrafão sozinhos). Quando seu garrafão tem Ben Wallace e Kwame Brown, é seguro dizer que seus pontos só virão de trás da linha de três...

O medo de feder fez Joe Dumars optar por uma reconstrução rápida e indolor. Com sorte ninguém perceberia, o time conseguiria uma oitava vaga para os playoffs, e na temporada que vem tudo voltaria ao normal. A pressa, no entanto, resultou em contratações equivocadas, falta de identidade para o time, dúvidas sobre colocar a pirralhada para jogar ou não (o Wolves pediu um técnico que colocasse os novos talentos para jogar mesmo que isso custasse vitórias, e o Pistons, tem essa abordagem?), e o pior: derrotas a dar com pau. Com a derrota para o Bulls na noite de ontem, são agora 13 derrotas seguidas. Mais do que um número simbólico de azar, perder para o Bulls mostrou a cagada de contratar o Ben Gordon: o Bulls teve uma excelente partida de John Salmons, que substituiu Gordon no elenco e é um arremessador capaz de pegar rebotes e defender, e o Pistons não tinha como usar o Gordon para defender nem Derrick Rose e nem o Kirk Hinrich, que foram titulares juntos e engoliram a equipe de Detroit viva. O resultado foi o Ben Gordon mofando no banco, ao ponto do Kuester achar melhor descansar a lesão do rapaz do que colocar seu cestinha em quadra. Gastar 50 milhões por um arremessador que só faz uma coisa? Numa liga tão repleta de gente capaz de oferecer coisas parecidas? Talvez o Joe Dumars erre às vezes, criançada. Talvez ele tente correr demais volta e meia, com medo de admitir uma reconstrução, de carregar nas costas o peso de ter desmontado uma das equipes mais bacanudas e vitoriosas dos últimos anos. Mas agora vai ter que arcar com a responsabilidade de uma das piores campanhas da temporada, uma das piores sequências de derrotas, e um time sem perspectiva de melhora. Quando as lesões acabarem, o time pode até melhorar em campanha, mas é aí que os problemas vão começar de verdade: o que diabos o Pistons quer fazer da vida? Será hora de decidir. O problema vai ser perceber que Hamilton e Prince precisam sair, porque não é fácil imaginar um time que aceite os dois, tão dependentes de esquemas táticos específicos. Provavelmente alguém deveria ter pensado nisso antes...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A melhor série de primeira rodada de todos os tempos

Essa é pelo tapa na cara do Brad Miller


Não consigo dizer o quanto eu estou maravilhado pelo jogo que acabei de ver. Essa vitória do Bulls sobre o Celtics depois de 3 prorrogações foi um daqueles jogos que causam a "Síndrome de Alinne Moraes".

Imagine um dia ter o prazer de beijar aqueles lábios carnudos da musa que ilustra o visual do nosso blog, seria o ponto alto da vida de um cidadão comum. Mas e no dia seguinte, você faz o quê? Vai trabalhar? Vai pra escola? Tem um papo sobre esse clima maluco no elevador? Não dá, depois de uma experiência dessa sua vida acabou, nada mais tem a mesma graça.

A mesma coisa acontece com essa série entre Bulls e Celtics. O que eu vou assistir depois de ver uma série desse nível? Até os jogos mais interessantes vão parecer uma partida amadora depois desse jogo 6. É sem dúvida uma das melhores séries de playoff de todos os tempos e com certeza absoluta a melhor de primeira rodada.

O Kenny Smith, ex-jogador e comentarista da TNT, diz que ainda acha que a série entre Mavericks e Warriors em 2007 foi melhor, opinião que eu não concordo e que acho que ela ainda pode e deve mudar caso o jogo 7 seja do mesmo nível do jogo dessa quinta-feira.

A partida já parece boa por ter ido até a terceira prorrogação, primeira vez que isso acontece nos playoffs desde 2004, naquele épico jogo entre Nets e Pistons que teve um arremesso surreal do Billups.

Uma outra coisa que o jogo de 2004 e o de agora tiveram em comum foi o Brian Scalabrine jogando os minutos decisivos porque os titulares sairam com 6 faltas. Hoje foram Glen Davis, Kendrick Perkins, Paul Pierce e Ben Gordon que sairam com 6 faltas.

Não tem muito o que falar do jogo porque tem muito o que se falar sobre esse jogo. Daria para escrever um parágrafo sobre cada posse de bola de cada prorrogação tamanha a qualidade da partida, das jogadas desenhadas, das variações causadas por cada duelo pessoal e pela mudança de momento e de personagens principais.

Durante a partida o Ray Allen foi o herói do jogo, depois o Brad Miller, depois Paul Pierce, depois o Glen Davis, depois o John Salmons, depois o Joakim Noah, depois o Ray Allen de novo e por fim o Derrick Rose. Sem contar que Hinrich, Gordon, Rose, Pierce e Perkins também foram vilões em tantos momentos cruciais.

Ainda tem os números impressionantes: 28 pontos pro Rose, 35 para o Salmons, 19 assistências para o Rajon Rondo e, claro, os 51 pontos (29 no primeiro tempo) para o Ray Allen. Nesse jogo ele igualou o recorde de arremessos de 3 em um jogo de playoff, foram 9. O recorde já era dele, que ele divide com Rex Chapman e Vince Carter.

Dos recaps do jogo que eu achei no YouTube, acho que esse é o melhor para quem não viu o jogo ou para quem só quer relembrar os melhores momentos desse jogo que já está na história. Tem desde a treta do Captain Kirk com o Rajon Rondo até a jogada do ano que foi a enterrada do Joakim Noah no Paul Pierce, com o toco decisivo do Derrick Rose no final, óbvio. Só ficou faltando mostrar os lances livres que o Brad Miller acertou, se redimindo dos erros no final do jogo 5.




A série
65 empates (10,8 por jogo)
106 mudanças de liderança (17,6 por jogo!)

A primeira série de playoff da história a ter três jogos com prorrogação.
A primeira série de playoff da história a ter quatro jogos com prorrogação.

7 prorrogações disputadas em 6 jogos
Apenas um jogo acabou com vantagem superior a 3 pontos (jogo 3, Boston 107-86)

Somando todos os jogos, o Celtics fez 20 pontos a mais que o Bulls:
Chicago 659 x 679 Boston

Tirando então o resultado do jogo 3, o Bulls fez um ponto a mais que o Celtics nas outras 5 partidas.

Segundo o Charles Barkley, que é comentarista na TNT junto como Kenny Smith, é a série em que mais vezes os times acertaram arremessos de 3 para empatar jogos no final. E ele tem toda razão, desde o jogo 1 a gente vê o Ray Allen, o Paul Pierce, o Ben Gordon e o John Salmons sempre acertando bolas de 3 quando mais interessa.

Você lembra de alguma série de primeira rodada melhor do que essa?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mais um clássico

KG tenta engolir a cabeça de Ben Gordon


Espero que todos que tenham votado na nossa enquete anterior dizendo que a série mais emocionante do Leste seria Pistons e Cavs estejam bem arrependidos. Sem dúvida alguma, de longe, a melhor série dessa primeira rodada é entre Boston Celtics e Chicago Bulls.

O jogo 4 em Chicago já tinha sido emocionante, hoje o jogo 5 em Boston foi sensacional de novo. Não é à toa que é a primeira série de playoff da história a ter três jogos com prorrogação (3 a 2 pro Boston na série, 2 a 1 para o Bulls nos jogos com períodos extras).

O jogo de hoje começou com dois dos grandes heróis da série, Ben Gordon e Paul Pierce, frios como minha ex-namorada, mas acabou com os dois quentes como o a Monica Mattos em dia de gravação. Começou no maior estilo festival de rock, onde ouvimos porcaria (tipo M.I.A) pra depois chegar à parte que interessa (Strokes). Em Boston assistimos um bom começo de jogo de Glen Davis e Kirk Hinrich pra só depois pegar os Casablancas da história.

Só no segundo tempo é que as estrelas da série começaram a aparecer. Deve ser porque já se acostumaram com a dinâmica dessa série: tirando o jogo 3, em todos os jogos ninguém abre mais de 5 pontos de diferença por muito tempo e o jogo está sempre empatado ou com trocas de liderança. Uma estatística que apareceu no meio do jogo (que já ficou desatualizada segundos depois) mostrava uma série com 45 empates e mais de 80 trocas de liderança! Assustador! Na série Heat-Hawks o Atlanta chegou a passar dois jogos inteiros sem assumir a liderança no placar, por exemplo.

E se todos se acostumaram que a série é assim, já sabem que o jogo se decide com quem acerta mais arremessos impossíveis no final das partidas. Derrick Rose e Rajon Rondo fizeram a sua parte trocando bandejas em contra-ataques nos momentos cruciais do jogo, um tentando provar para o outro quem é mais rápido e melhor em bandejas-Tony-Parker, um desafio alucinante que dessa vez foi vencido por Rajon Rondo, que mais uma vez beirou um triple-double com 28 pontos, 8 rebotes, 11 assistências e 2 roubos. Vocês sabiam que ele está com MÉDIA de triple-double nessa série (23-10-10)?

Se na armação a briga é boa, na posição dois ela também é e tem mais cara de briga. Ben Gordon e Ray Allen passaram quatro jogos correndo em torno de corta-luzes como ratinhos de laboratório, seja para conseguir arremessar ou para correr atrás de seu concorrente. Mas hoje o Ray Allen, velho de guerra e cansado de correr, resolveu que era hora de segurar a camisa do Ben Gordon e de parar o armador do Bulls, que jogou com dores musculares na perna, com faltas. Os juízes viram, não deram mole nenhuma vez, pegaram bastante no pé e o Ray Allen saiu com 6 faltas.

Nessa batalha o vencedor foi Gordon. O arremesso que ele acertou para abrir 2 pontos de vantagem a 16 segundos do fim do tempo normal foi coisa de gênio. Sem estar posicionado para o arremesso, com a marcação na sua frente e sem opções de passe, ele simplesmente jogou a bola pro alto e ela caiu. Fez isso mais uma vez na prorrogação em uma infiltração que ele nunca deveria ter tentado.

O Ben Gordon é uma versão do mundo bizarro da maioria dos jogadores da NBA: ele amarela nos três primeiros períodos e só joga bem nos minutos finais. E entendo os torcedores do Bulls que não gostam dele, apesar de salvar o time inúmeras vezes não dá pra não gritar "nãaaaao" a cada arremesso forçado que ele tenta.

No garrafão a batalha também é boa. Temos dois caras que sempre foram grossos e que estão jogando bem desde o começo da série, Tyrus Thomas e Glen Davis (que são amigos de infância, sabia?) e dois jogadores que estão achando o seu Dwight Howard interior, Joakim Noah (17 rebotes) e Kendrick Perkins (16 pontos, 19 rebotes e 7 tocos). A favor do garrafão do Bulls estava o banco de reservas, que contou com os precisos passes de Brad Miller. Porém, foi exatamente Brad Miller quem desperdiçou os dois lances livres que poderiam levar o jogo para uma segunda prorrogação.

Em uma jogada de lateral faltando poucos segundos para o fim do tempo extra, o Kendrick Perkins abandonou o Brad Miller para fechar o Ben Gordon na lateral, deixando o pivô completamente livre, que recebeu a bola e bateu pra dentro. Errou a bandeja depois de tomar um murro na cara do Rondo e com a boca sangrando errou os dois lances livres, o primeiro por amarelismo e o segundo por grosseria, quando tentou errar de propósito mas nem acertou o aro.

Com isso o jogo estava decidido e com herói: Paul Pierce. O ala do Celtics fez o confronto derradeiro do jogo 5, contra John Salmons. Os dois devem ter feito um acordo antes da série começar de acertar apenas arremessos um na cara do outro. O Salmons está jogando bem, mas joga ainda melhor quando arremessa de 3 com o Paul Pierce colocando a mão no seu olho. Assim como o Paul Pierce acertou três arremessos idênticos na prorrogação, incluindo o da vitória, com o Salmons fazendo bom trabalho defensivo sobre ele.

Pierce disse depois do jogo que com o Ray Allen fora com 6 faltas e o KG sem poder jogar, ele teria que elevar seu jogo. Ele tem toda razão. Embora o Mr.Triple-Double Rondo e o novo Bill Russell Perkins tenham feito um jogo espetacular, nenhum dos dois tem como característica acertar os arremessos decisivos do fim do jogo, com tudo preparado pelos role players era função do Paul Pierce terminar a bagaça.

Em uma jogada que não foi ele quem decidiu, deu muita merda: o Marbury sobrou livre para um arremesso mas borrou as calças com medinho de errar e resolveu passar na pior hora possível para o Rondo na fogueira, que perdeu o pequeno gancho. Foi patético e o Marbury nunca mais deveria pisar numa quadra da NBA.

O triste do jogo ter acabado com os erros do Brad Miller e não com um arremesso certo do Bulls (ou até na última bola do Paul Pierce) foi que a graça dessa série sobre as outras também disputadas (Rockets-Blazers, Magic-Sixers, Hawks-Heat) é que nessa os jogos são decidos com muitos acertos. A emoção está porque a cada posse de bola é um jogador diferente fazendo algo espetacular, enquanto nas outras séries, especialmente na do Orlando, é sempre alguém cometendo uma falha estupenda e pagando o preço por isso.

De todas essas séries disputadas, torço para que Bulls e Celtics cheguem ao jogo 7. E que o jogo 7 tenha umas três prorrogações, claro.