
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
As trocas menores
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quarta-feira, 30 de julho de 2008
Deixa o homem trabalhar
Promessa não é dívida, promessa é só um jeito de tirar os malas que estão te cobrando do seu pé, mas de qualquer forma, aqui estou eu, como prometido, para falar sobre mais Free Agents que estão aí dando sopa ainda sem time.
Chegou a vez de falarmos sobre os Shooting Guards, os jogadores da posição 2, que assim como os armadores principais, de quem falei ontem, estão à solta atrás de um contrato. Essa semana o Kareen Rush arrumou vaga de novo Kyle Korver no Sixers, enquanto o Maurice Evans será o novo Josh Childress no Hawks, mas além deles ainda tinha muita gente em busca de emprego. Mais ou menos como aquele seu tio, só que com a diferença de que o Ben Gordon não diz que vai em busca de emprego só pra ir no bar.
Falando em Ben Gordon, podemos começar pelo grupo mais interessante dos Shooting Guards disponíveis, o grupo do "Porra, como esse cara tá sem time? Ele é mó bom no videogame!". Esse time começa com o Ben Gordon e se extende para JR Smith, Devin Brown, Flip Murray e Bonzi Wells.
O Ben Gordon está sem emprego porque ele quer. Ano passado ele recusou uma bela proposta do Bulls porque ele achava que nesse ano receberia propostas melhores, mas ele enxergou mal o mercado e não tem time nenhum com espaço no salário para bancar o que ele quer. É possível que ele continue no Bulls por um salário menor ou, o que é menos provável, assine um contrato de pouca duração com algum outro time, para jogar bem de novo em quartos períodos e mostrar que merece um contrato gordinho.
Com JR Smith, Devin Brown, Flip Murray e Bonzi Wells, o problema é um pouco diferente. Também tem o caso de poucos times terem espaço para oferecer um bom contrato e os jogadores só vão assinar um contrato baixo quando perceberem que não tem outro jeito mesmo, mas além disso os três não são conhecidos por serem bons companheiros de time e que fazem uma equipe melhor, todos tem talento mas são conhecidos como indisciplinados dentro ou fora da quadra. De qualquer forma o talento fala mais alto, secretamente tem muito time por aí juntando coragem pra fazer uma boa proposta para o JR Smith. Em um mundo em que o Chris Duhon e o Kwame Brown ganham contratos milionários, por que o JR iria ficar de fora?
Outro cara de talento, mas que não provou esse talento como o JR Smith, é o Kirk Snyder. Por influência do Danilo eu assisto e acompanho bastante o Houston e já vi ele fazer boas partidas pelo time do Yao Ming, mas por falta de espaço ele nunca se destacou muito e por fim acabou no Timberwolves, ou seja, ninguém nunca mais assistiu a um jogo dele. O cara tem um bom físico, sabe fazer seus pontos e um time que precise de um cara que venha do banco para fazer pontos, trombar com uns caras e pegar uns rebotes poderia gostar dele, seria bacana o Snyder como reserva do Ron Artest no Kings, por exemplo. Mas para isso as pessoas teriam que lembrar que o Snyder existe, o que é mais difícil de acontecer.
Como tinha dito no post de antes, ia falar dos caras híbridos, aqueles que a gente não sabe bem se jogam na posição 1 ou 2. Na dúvida, eu deixei o Delonte West no texto dos armadores principais e o Louis Williams e o Juan Dixon para hoje, assim como deixo o Andre Iguodala para os da posição 3.
Eu sou fã demais do Louis Williams e acho que ele só precisa de espaço e tempo na quadra pra mostrar o quanto é bom. No Sixers, sendo reserva do Andre Miller e às vezes até jogando junto com ele, o rapaz é bom demais e teve grandes jogos nessa temporada. Com o Sixers prestes a ter um time forte com Elton Brand, eu estou torcendo para que o Louis Williams fique por lá, o problema é que as recentes aquisições de Kareen Rush e do nosso querido desconhecido Royal Ivey indicam que o Sixers está se preparando para caso o perca. Caso ele não volte à Philadelphia, quem está interessado em seus serviços é o Cleveland Cavaliers, especialista em armadores que não são tão armadores assim. Eu acho uma boa para o Cavs, o LeBron vai se sentir na seleção americana ao ver que no seu time tem alguém que não precisa de um passe dele para fazer seus pontos, revolucionário.
O Juan Dixon ficou famoso por ser parceirão do Steve Blake. Não no sentido Brokeback Mountain da coisa, mas é que os dois jogaram juntos na Universidade de Maryland, depois jogaram juntos no Washington Wizards e quando viraram Free Agents os dois foram para o Portland Trail Blazers. Aposto que um nunca fez um rap tirando sarro do outro. O Steve Blake ainda está em Portland e não tem espaço lá para o Juan Dixon, então um reencontro não é provável, mas seria triste o Juan Dixon ficar sem lugar nenhum, o cara tem muito talento, sua carreira universitária foi espetacular e na NBA, quando teve chances, chegou a ter média de 12,3 pontos vindo do banco de reservas. Eu gostaria de ver ele no Charlotte Bobcats, contribuindo no banco, ajudando o novato DJ Augustin e Ray Felton.
Assim como o Juan Dixon, os Free Agents da posição 2 têm mais talentos escondidos por aí e os times deveriam ficar atentos. Quem precisa de um bom arremessador poderia ir atrás do vegetariano Salim Stoudamire, que disputou a temporada passada pelo Hawks e é amigão do Gilbert Arenas. Quem precisa de um especialista em defesa tem inúmeras opções, pode ir com a baranga do Mickael Gelebale, que fez uma boa segunda metade de temporada pelo falecido Sonics. Tem também o Yakhouba Diawara, que só não entra no Nuggets porque ele ousa defender, e tem ainda o Quinton Ross, que não é o Bruce Bowen mas teria feito melhor que o Daniel Ewing naquele famoso lance do Raja Bell. Em último caso, para os que acreditam que a vida começa aos 50, ainda tem o Eddie Jones, que era um ótimo defensor na época em que Spice Girls era a banda do momento.
Juntando o talento de arremessar do Salim Stoudamire e a idade do Eddie Jones, temos o Michael Finley, que também é Free Agent. Hoje em dia ele não passa de apenas um arremessador, mas eu já visualizo ele em um uniforme verde entrando nos playoffs só para meter umas bolinhas salvadoras. Se bem que eu, que acho o Morris Peterson um merda, acho que o Michael Finley deveria ir para New Orleans, aquele time cheira título cada vez mais.
Qualquer dia desses continuamos essa excitante série que mostra o drama dos atuais desempregados da NBA. Viramos praticamente um "Profissão Repórter", mas sem o gatinho do Caco Barcellos.
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Denis
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segunda-feira, 21 de abril de 2008
Prêmios Alternativos Bola Presa - 07/08
Nossa cobertura dos playoffs está a toda. Se você já está tão acostumado com um post diário no Bola Presa quanto com um cafezinho pela manhã, é hora de descobrir que pode rolar a barra lateral do seu browser até o fim: estamos postando várias vezes por dia! Por enquanto, comentamos sobre os jogos que já aconteceram entre Rockets e Jazz, Cavs e Wizards, e também entre Lakers e Nuggets e Pistons e Sixers, tudo logo abaixo. Se você está sem tempo para assistir aos jogos e para ler tantos posts aqui no Bola Presa, deveria então também reservar um tempinho para ler as dicas do Denis de como aproveitar os playoffs. Se você tem uma namorada, a leitura é essencial.
Enquanto aguardamos os jogos desta noite, vamos atender um pedido. Nossos leitores Renzo e Vitor sugeriram, já faz um tempo, que fizessemos uma premiação alternativa aqui no Bola Presa ao invés dos prêmios tradicionais, ultra-manjados como o de Melhor Sexto Homem do Ano que o Ginóbili acabou de levar para casa mesmo tendo minutos de titular. Então, enquanto Wizards e Cavs não começa, vamos dar uma olhada nos Prêmios Bola Presa que daremos ao fim de cada temporada. Se você tem mais sugestões de prêmios ou discorda dos nossos ganhadores, basta usar a caixa de comentários.
...
1. Jogada "Bola Presa" do ano:
Vejam como nosso grande ídolo Zach Randolph leva o prêmio, mostrando toda sua habilidade no drible, no controle de bola, na distância de arremesso, na frieza para decidir e no talento para envolver seus colegas de equipe. Randolph, o prêmio de jogada do ano vai para você:
2. Troféu Kareem Rush para melhor atuação de um jogador ruim:
Na final do Oeste de 2004, Kareem Rush acertou seis bolas de 3 e com isso deu o título do Oeste para o Lakers em cima do Wolves. Em sua homenagem, damos um troféu homônimo para a melhor atuação de jogador ruim. Com 35 pontos e 9 assistências contra o Warriors, levando nas costas um Bulls completamente desfalcado naquela partida, Chris Duhon leva o prêmio, deixando para atrás nosso desconhecido do mês passado Matt Bonner (25 pontos e 17 rebotes como titular contra o Warriors, substituindo Tim Duncan, contundido). Pensamos em deixar os 41 pontos e 9 rebotes do Linas Kleiza contra o Jazz concorrerem ao prêmio, mas a verdade é que ele é bom demais para isso, como mostrou no Jogo 1 dos playoffs contra o Lakers.
3. Troféu Lonny Baxter para jogador que só jogou na liga de verão:
O Troféu Lonny Baxter, que leva o nome do legendário jogador que sempre teve atuações geniais nas ligas de verão mas que nunca era chamado para jogar por time nenhum na temporada regular, é dado para aquele jogador que se destaca antes da temporada começar e não tem um minutinho sequer quando as coisas estão realmente valendo. Quem leva o troféu para casa é o italiano Marco Belinelli, que teve médias de 22.8 pontos por jogo nas ligas de verão e menos de 3 pontos por partida na temporada regular, passando a maior parte da temporada comendo macarrão no banco de reservas.
4. Troféu Isiah Thomas de troca do ano:
Em homenagem ao homem que fez trocas genias para obter estrelas como Malik Rose, Mo Taylor, Marbury, Steve Francis, Curry e Zach Randolph, enquanto se livrava de trocentas escolhas de draft, Nazr Mohammed, Kurth Thomas, Trevor Ariza e Channing Frye, damos o prêmio que leva seu nome para a melhor troca do ano. O GM do Memphis Grizzlies, Chris Wallace, leva o troféu por mandar Pau Gasol para o Lakers em troca de Kwame Brown, Javaris Crittenton, duas escolhas de primeiro round e Marc Gasol, irmão de Pau. Na cabeça de Chris Wallace, "essa foi a melhor troca que apareceu", e ele diz ter trocado Gasol por, na prática, quatro escolhas de primeiro round e mais um contrato expirante. Uau. Incrível como ninguém percebeu isso, o Lakers foi realmente roubado nessa!
5. Troféu Grant Hill para o bixado do ano:
Grant Hill jogou 4 partidas em sua primeira temporada pelo Orlando Magic, 14 partidas na segunda temporada, 29 na terceira e nenhuma partida na quarta temporada. O troféu que leva o seu nome vai para o jogador que não fica saudável nem com reza brava. Na disputa, Yao Ming, que jogou apenas 55 jogos nessa temporada (e 48 na passada); Elton Brand, que jogou apenas 8 partidas, todas no final da temporada; e Andrew Bynum, que jogou somente 35 jogos. Por ter 20 anos de idade e ter sido anunciado para voltar em 2 meses, depois com 5 jogos antes de terminar a temporada regular, depois com apenas 2 jogos, depois no primeiro round dos playoffs, e agora só numa futura semi-final de Conferência, o prêmio vai para o jogador do Los Angeles Lakers Andrew Bynum! Parabéns!
6. Troféu Darius Miles para atuação surpresa na última semana:
Em 2005, Darius Miles jogou a última partida da temporada depois de sofrer durante todo o ano com contusões. Saiu de quadra com 47 pontos, 12 rebotes, 4 roubos, 5 tocos, apenas um turnover, tendo acertado 19 de 33 arremessos e 8 de 14 lances livres. Depois disso, praticamente nunca mais fez nada relevante, mal conseguindo voltar para a quadra e sendo finalmente liberado pelo Blazers semana passada, possivelmente na última nota de sua carreira. O prêmio baseado na última atuação de Darius Miles em 2005 vai para o novato Ramon Sessions, que chocou a todos com 20 pontos, 8 rebotes e 24 assistências. Outros concorrentes ao prêmio foram Quincy Douby, do Kings, com 32 pontos (11 de 22 arremessos certos, 3 bolas de três pontos e 7 lances livres certos em 7 tentados) além do novato do Bulls Aaron Gray, com 19 pontos, 22 rebotes e todos os 9 de seus lances livres convertidos na última partida da temporada.
7. Troféu Royal Ivey para jogador titular que jogou menos minutos na temporada:
Na temporada 2005-06, Royal Ivey foi titular em 66 jogos apesar de ter apenas 13 minutos por partida. Nessa temporada, quem leva o troféu para casa é Morris Peterson, o armador mequetrefe do Hornets, que foi titular em 76 jogos com médias de apenas 23 minutos. Outros concorrentes incluem o ala do Cavs, Sasha Pavlovic, com 45 jogos como titular em também 23 minutos por partida, e o armador do Sixers, Willie Green, que começou 74 jogos com apenas 26 minutos por partida.
8. Troféu Shawn Bradley de melhor cravada na cabeça:
Se o Shawn Bradley já foi o melhor pivô para tomar enterradas na cara e viver no YouTube, o atual pivô reserva do Lakers e ex-desconhecido do mês do Bola Presa, DJ Mbenga, quer tomar esse posto para si. Ele leva o prêmio nessa temporada pelo conjunto da obra, tomando cravadas na cabeça toda vez que entra em quadra, e pode até ter seu nome no troféu um dia. Escolhemos, abaixo, a melhor enterrada que ele sofreu para celebrar a entrega do troféu, mas não deixem de ver também as cravadas que tomou de Shaq e Okafor.
9. Troféu Chris Crawford para jogador que desapareceu na temporada:
Alguém se lembra de Chris Crawford, ala do Atlanta Hawks na temporada 2003-04? Com Shareef Abdur-Rahim contundido, Crawford levou o time sozinho depois do intervalo para o All-Star Game, com médias de quase 19 pontos por jogo em 36 minutos por partida (jogava apenas 8 minutos antes do All-Star). Muitos se impressionaram com seu potencial mas na temporada seguinte ele não conseguiu assinar um novo contrato e desapareceu por completo da NBA. Nessa temporada, quem desapareceu foi Tarance Kinsey, do Grizzlies, que perdeu seu contrato e não está mais na NBA depois de ter tido excelentes atuações na segunda metade da temporada passada, incluindo dois jogos em que marcou 28 pontos.
10. Troféu Brad Miller para maior aumento de produção depois de ser escolhido All-Star:
Lembra quando o Brad Miller jogava no Pacers, fedia e todo mundo aloprou o moço quando ele foi escolhido para o All-Star Game? Depois disso ele começou a jogar demais e foi novamente All-Star, só que dessa vez no Oeste com médias absurdas em pontos, rebotes e assistências. O ganhador do troféu nessa temporada é David West, que foi zoado até pela mãe quando foi convocado para o All-Star Game mas desde então subiu todas as suas médias, fazendo quase 23 pontos por jogo com 8.5 rebotes desde que participou da brincadeira em fevereiro.
11. Troféu Ronaldo Fenômeno de volta mais frustrada:
O prêmio, auto-explicativo, vai para o retorno às quadras que deu mais errado na temporada. Os dois concorrentes são Penny Hardaway, que tentou voltar a jogar justo no Miami Heat, e Chris Webber, que tentou correr com a molecadinha do Warriors. Enquanto a do Penny foi mais ridícula porque ele não jogava basquete há anos e foi no maior estilo "não tem mais ninguém então vai você mesmo", ele até que teve umas boas partidas antes de ser mandado para a rua. Já o Chris Webber achou que tinha joelhos para jogar na equipe mais porra-louca da NBA e 15 minutos depois, cuspindo os pulmões para fora, anunciou o fim da sua carreira do modo mais patético possível. O prêmio, então, fica nas mãos do Chris Webber e sua falta de noção de realidade.
12. Troféu Zach Randolph de melhor jogador em time que só perde:
O gordinho favorito de 9 entre cada 10 leitores do Bola Presa tinha quase 24 pontos e 10 rebotes de média por jogo pelo Blazers na temporada passada, enquanto seu time tinha apenas 32 vitórias e exorbitantes 50 derrotas. Nessa temporada, o Blazers terminou com 41 vitórias e 41 derrotas, nada mal. O prêmio do cara-de-Quico desse ano vai para Al Jefferson, com médias de 21 pontos e 11 rebotes, enquanto o Wolves acabou com 22 vitórias e 60 derrotas, seguido por Jason Richardson, com médias de 22 pontos e 5 rebotes no Bobcats, que teve 32 vitórias e 50 derrotas.
...
Chegamos ao fim da premiação para essa temporada! Voltamos com os mesmos prêmios e mais alguns novos na temporada que vem. Agora, de volta com nossa programação normal de playoffs!
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Denis
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Desconhecido do mês - parte final
Acaba o mês de Royal Ivey. Primeiro parecia que ia ser o desconhecido mais fracassado até agora, ele não estava tendo o sucesso que Antoine Wright teve no seu mês nos Nets e sua vida não tem a história espetacular de DJ Mbenga. Mas não é que o Royale with Cheese acabou se saindo bem?
Meio que na obrigação, o técnico do Bucks foi forçado a colocá-lo na rotação. Aproveitou sua versatilidade pra enfiar o cara em qualquer roubada, jogou em inúmeras posições e está se dando bem. Para terminar o mês, foram três atuações de alto nível.
O primeiro jogo foi espetacular. Em casa contra o Wizards, Butler vinha tendo uma noite muito boa mas o Bucks estava ainda melhor. Faltando pouco menos de um minuto de jogo, o time de Milwaukee vencia por 11 pontos. Mas conseguiram jogar no lixo. Com 22 segundos faltando e quatro pontos na frente, o Bucks deixou Jamison pegar o rebote de um lance livre, diminuir para dois pontos e ainda sofrer a falta. Jamison também perdeu o lance livre e dessa vez foi Caron Butler quem pegou o rebote ofensivo e empatou o jogo. Prorrogação.
Na prorrogação o jogo pegou fogo, a torcida estava delirando e a partida foi decidida por quem conseguiu seu máximo de pontos na carreira. Não Caron Butler que fez 40, mas Royal Ivey que fez a cesta da vitória faltando 6 segundos para o fim do jogo e com isso atingiu o seu máximo na carreira, 17 pontos.
Para qualquer time minimamente regular, uma vitória dessas seria um belo impulso para uma sequência de vitórias, ainda mais quando os próximos dois oponentes são o Nets, vindo de 9 derrotas seguidas, e o Sixers, que não está nenhuma beleza também. Mas para o Bucks isso não quer dizer nada, ainda mais quando se joga fora de casa. A última vitória do Bucks fora de casa foi no dia 8 de janeiro, então em New Jersey o jogo acabou 89-80 para o Nets e como boa lembrança para o Bucks nesse jogo apenas a enterrada de Yi sobre Sean Williams. Mas ei, o Ivey apareceu nos melhores momentos sim, vejam aqui. É o mínimo de amor por um cara que em dois jogos seguidos quebrou seu recorde de pontos em um jogo, foram 19 contra o Nets.
O jogo contra o Sixers pareceu bom para o Ivey, fez 17 pontos mais uma vez, foi o cestinha do time e mais uma vez foi titular e um dos jogadores com mais minutos no time. Mas para o Bucks em geral foi um joguinho bem ruim. Ruim não, humilhante. E com "humilhante" eu quero dizer que é do nível dos 7 a 2 que a Portuguesa meteu no São Paulo em 98. O placar do jogo foi 112-69 pro Sixers, a maior vitória da equipe nos últimos 25 anos! "Essa a gente precisa esquecer", nas palavras de Larry Krystkowiak.
Então vamos esquecer. Mais uma vez é melhor falar do Ivey fora da quadra, porque dentro a coisa tá feia. Janeiro foi marcante como o mês em que ele se firmou como titular e em que garantiu sua vaga na rotação do time, mesmo quando estiverem todos saudáveis.
Fora da quadra a coisa mais legal da vida do Royal Ivey e que deixei por último pra falar é sua principal qualidade. Não é defender, arremessar e nem jogar Samba de Amigo no Dreamcast (essa é a minha principal qualidade na vida!). O talento do Ivey, porém, tem até uma relação: ele é um exímio dançarino. Sim, dançarino. Ele entrou no colégio em que fez o colegial passando em um teste para dança! O cara fez aulas de ballet, hip-hop, sapateado e dança contemporânea. Vocês tem noção de como é difícil saber tudo isso? E imagine ainda como deve ser difícil pra um negão de 1,93m dançar balé. O cara é um vencedor, sem dúvida. Dançar balé deve ser mais difícil que sobreviver a guerras africanas, o Mbenga que me desculpe!
Já na universidade do Texas, perguntado sobre suas habilidades na dança, Ivey disse que ajuda seu jogo defensivo:
"Defesa é puramente coordenação e timing. Dançar ajuda muito a aprender as duas coisas".
Pior que ele tem razão. No dia 23 do mês passado, ele mostrou alguns passos no intervalo do jogo, como diz essa notícia, uma pena que o YouTube não tem essa.
Mas o que o YouTube tem é uma trapalhada do Ivey. Querendo incentivar seu colega Charlie Bell depois dele ter sofrido uma falta, Ivey lhe dá um tapinha na cabeça. Mas acho que ele exagerou na força e, pela cara, o Bell não ficou nada feliz.
Alguma sugestão para o desconhecido de fevereiro? Coloque sua idéia nos comentários!
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Desconhecido do mês
Na ausência de Michael Redd, nosso gatoto teve quatro jogos como titular do Bucks e o resultado foi bom, 3 vitórias e apenas uma derrota, para o Lakers ("Kobe é um dos melhores a já ter jogado basquete. Ele é difícil de marcar", nas palavras de Ivey), e em todos os jogos Ivey passou pelo menos metade jogo em quadra, quase sempre como armador principal ao lado de Mo Williams.
Na volta de Redd, Ivey viu seu mundo voltar ao que era antes com pífeos 7 minutos jogados em uma derrota para o Suns e mais 7 minutos contra o Jazz. Mas como as coisas não iam bem. o téncico Larry Whateverzovski resolveu que era hora de colocar Ivey em quadra novamente:
"Ele (Ivey) traz energia para a quadra, com certeza. E ele defende muito bem quem está com a bola. Ele vai atrás dos caras, é um competidor. Quando ele marca alguém o jogador marcado sabe quem o está marcando! E ele ama jogar na defesa, mas além disso é capaz de ajudar bastante no ataque. Ele passou despercebido por anos na liga mas é uma jóia a ser lapidada por nós."
Ivey não vai tão longe como seu técnico, mas diz que seu negócio é defesa:
"Meu foco é na defesa. Pressionar e jogar duro, essa é minha maior qualidade no jogo. E depois jogo um pouco no ataque, ajudo, tento ajudar nos dois lados da quadra."
Depois de passar um tempo fora do time, com sua contribuição defensiva ele voltou à equipe titular duas partidas atrás, contra o Hawks. E o resultado foi bom, uma vitória e o Atlanta com apenas 80 pontos no jogo. Os jogadores marcardos por Ivey, Joe Johnson e Anthony Johnson, juntos acertaram só 7 de 22 arremessos. Nada mal.
Mas vamos ser sinceros, o Bucks anda mal das pernas e nenhuma alegria dura muito por lá. O jogo seguinte foi uma bela de uma derrota para o Warriors e o Michael Redd finalmente resolveu desabafar sobre como o Mo Williams fede na armação. Depois de marcar 20 pontos só no primeiro tempo, Redd chutou apenas 3 bolas no segundo e disse: "Eu estava lá, paciente, apenas esperando". Pois é, lá a bola não chega mesmo. Mas posso defender meu protegido, Royal Ivey foi o líder do time com 8 assistências (mas chutou 11 bolas, bastante para alguém focado só na defesa).
E podem reparar que nesse jogo contra o Warriors, Ivey foi listado como Small Forward, mas não liguem, ele é o faz tudo do time. Simplesmente é o reserva de todas as posições para qual tem altura pra jogar, e muitas vezes ele tem muitos minutos em quadra mas são poucos em várias posições diferentes. Ele não reclama: "Qualquer coisa que me chamarem pra fazer eu faço. Sou como um camaleão, tenho que mudar minha pele".
E mudando a pele de Ivey, vamos falar do cara fora de quadra. Sua batalha por minutos é interessante mas, concordo, é meio cansativa. Entra, sai, entra, sai, o Bucks perde, perde. E sabe como ele tira o stress? Jogando boliche. Ele diz que é um de seus grandes passatempos, mas não vão achando que ele é bom, o técnico Larry Krystkowiak e o outro desconhecido Awee Storey foram os que dominaram o jogo da última vez em que o time saiu para uma partida.
"Não era minha noite", disse Ivey.
Notas:
- Saíram os participantes do campeonato de enterradas! Como eu havia dito, Jamario Moon, Gerald Geen e Rudy Gay estarão lá. Para completar, estará de volta o dono da enterrada mais legal do campeonato passado, Dwight Howard. Será que nesse ano ele beija o aro como no treino?
- Okafor fez 21 pontos e pegou 10 rebotes enquanto o McInnis deu 9 assistências. Só pra calar minha boca bem no dia em que eu falei do Bobcats. Mas não há mudança que faça o Bobcats vencer o Spurs.
- Jermaine O'Neal pode ficar de fora do resto da temporada. Foi só pra estragar todos os milhares de rumores sobre sua troca pelo Pacers. Muito jornalista de Indiana agora não tem sobre o que escrever.
- Ontem o DJ Mbenga assinou e já fez seu primeiro jogo pelo meu Lakers! Para o bem dos dois lados, espero que ele se dê bem por lá e que seu contrato de 10 dias seja extendido.
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Denis
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Desconhecido do Mês
Alguém aqui já assistiu Pulp Fiction? Lembram do "Royale with Cheese"? Se não pegaram a referência, precisam ver esse filme urgentemente, é um dos melhores que eu já vi e vocês simplesmente não podem não ter visto um filme que eu já vi. Estão falando com um cara que não viu ET, Lagoa Azul, Gremlins, Alien e todos esses filmes que todo mundo já assistiu um dia na Globo. Bom, o importante do Pulp Fiction nessa história toda é que "Royale with Cheese" é o apelido (muito criativo) do nosso desconhecido desse mês, Royal Ivey.
Ivey é armador, está no Milwaukee Bucks e é um desconhecido. E ele é um daqueles desconhecidos mesmo, daqueles que ninguém sabe quem é, ninguém se importa e que, ao contrário do Mbenga por exemplo, não chama a atenção nem pela história de vida. Aliás ele é tão secundário que passou a vida inteira jogando com outros grandes jogadores da NBA e nem no high school o cara conseguia ser o fodão do time. Aposto que ele teve que se contentar em sair com aquela moreninha mais ou menos no baile de formatura enquanto o Luol Deng pegava a líder de torcida gostosona.
Pelo menos ele também dividiu escola com o Charlie Villanueva e, diz a lenda, como o Villanueva tem uma doença que o deixou sem pêlos no corpo, ele não pegava ninguém e era aloprado na escola. Então nesse caso o Ivey não era o melhor do time mas pelo menos não era uma aberração da natureza.
Na faculdade, em que não importa ser bonito ou o melhor do time pra pegar mulher (álcool é a explicação), Ivey mais uma vez não era o destaque da equipe. Ele foi para a forte Universidade do Texas (que nos últimos anos revelou Daniel Gibson, LaMarcus Aldridge e Kevin Durant) e lá era companheiro de time e amigo próximo do TJ Ford. Na universidade ele tem alguns recordes, mas, você terá que concordar comigo, são recordes de caras secundários. Ele é recordista em partidas como titular (126) e está empatado em terceiro em jogos (133). É tipo o Rubinho que vai, nesse ano, ser recordista da F1 em corridas disputadas.
No draft de 2004 o Atlanta Hawks pegou o Ivey na 37a colocação. Geralmente as escolhas de segundo round somem por aí, então temos que dar um mérito para nosso amigo Ivey por ter conseguido seu lugar no time, mesmo esse time sendo o Hawks em uma de suas piores fases. Alías, a fase do Hawks era tão ruim que logo no segundo ano de sua carreira Royal Ivey já era titular do time de Atlanta. De todos os 73 jogos que participou, foi titular em 66! Vocês têm noção do que é para um cara no seu segundo ano começar 66 jogos como titular na NBA? Ainda mais para um cara que veio do segundo round. Se vocês forem atrás de caras com números parecidos, só vão achar super estrelas como Boozer, Arenas e caras do tipo. Mas não, não estou doido, não quero dizer que o Ivey é um All-Star.
O que eu quero mostrar com esses números absurdos é que o Ivey na temporada 2005-06 era uma pequena aberração da NBA, não no sentido de aberração do Villanueva, o Ivey é feio mas nem tanto, ele era uma aberração porque era um caso único. Ele era novo, titular e tinha incríveis 13 minutos por jogo. O mais estranho era que a maioria desses minutos era no primeiro quarto, ou seja, ele começava como titular, jogava muito tempo, aí saia e não voltava mais, não importa como estava jogando. Essa situação inusitada fez o site da revista Dime nos EUA criar a expressão "Royal Ivey Award", que era um prêmio dado a todo jogador que vivia situação parecida pelo menos por um dia.
E se você pensar bem, até dá pra lembrar de algumas vezes em que isso aconteceu. Já vimos o Eddie Jones começar pelo Mavs e depois sair e não voltar. O Finley no Spurs costuma voltar pro jogo mesmo depois que o Manu entra, mas também já teve seus dias de Royal Ivey.
Depois de três anos vivendo essa vida estranha no derrotado time do Hawks, Ivey assinou um contrato de um ano com o Bucks. A situação foi meio estranha no momento: primeiro o Charlie Bell disse que queria sair do Bucks, aí o Heat assinou um contrato com o Charlie Bell e enquanto todo mundo discutia se o Bucks iria igualar a oferta do Heat e ficar com Bell, eles assinaram com o Ivey. Pra todo mundo que acompanha NBA, isso foi um sinal claro de que o Bucks tinha aceitado perder Bell e já tinha coberto seu lugar no elenco com o Ivey. Errado. Eles pegaram o Bell de volta e ninguém entendeu merda nenhuma. Aliás, alguém entendeu alguma coisa que o Bucks tem feito com o time? Bobby Simmons? Apostar no Mo Williams ao invés do TJ Ford? Manter Bell e Yi depois deles implorarem pra dar o fora? É um time estranho com um logo de veado.
No começo da temporada, o Ivey não estava vendo a cor da bola. No mês de novembro inteiro não jogou mais de 20 minutos num jogo. Em dezembro foi ganhando um pouco de espaço e fechou o mês com 3 jogos seguidos com mais de 20 minutos, tempo de quadra que veio porque ele estava mostrando serviço. Serviço do estilo Ivey, claro. Nenhum grande número mas um técnico impressionado.
Pra começar janeiro, a notícia que me inspirou a colocá-lo como desconhecido desse mês foi que o técnico Larry Krwisjjhoasoidasoitovski decidiu que era hora de fazer algumas mudanças: "É hora de mudar as coisas um pouco. Não é uma ameaça a ninguém, é só o que qualquer um deve fazer quando as coisas não estão dando certo". E a primeira mudança era aproveitar a contusão de Michael Redd e usar Ivey como armador principal e Mo Williams como shooting guard. Deu certo. Ivey jogou 37 minutos, Mo Williams fez o que ele mais gosta de fazer na vida que é arremessar, e eles venceram o jogo.
Na próxima coluna, veremos como ficou a sequência de jogos do Ivey como titular e como ficou a vida dele depois que o Michael Redd voltou de contusão. Até lá, veja se dá um jeito de assistir Pulp Fiction. Se não der, assista Cães de Aluguel, que também é do Tarantino e é um dos filmes favoritos do Ivey.
Para terminar, um vídeo de um momento bizarro na carreira do Ivey. Em um jogo pela Universidade do Texas, ele e TJ Ford vão atrás de uma bola que está saindo de quadra mas no caminho caem em cima de uma mulher grávida! O marido revoltado parte pra cima de TJ Ford, Ivey parte pra separar a briga e logo em seguida uma caralhada de gente de laranja pula em cima do marido doido e de TJ! Pastelão.
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Denis
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