Mostrando postagens com marcador tyrus thomas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tyrus thomas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Preview 2010-11 / Charlotte Bobcats

O da esquerda foi pro Knicks, o da direita iria pra 
putaqueopariu se o Larry Brown pudesse escolher


Objetivo máximo: Playoffs
Não seria estranho: Ficar em 9º ou 10º no Leste
Desastre: Passar muito longe dos 8 primeiros da Conferência

Forças: Técnico e elenco especializados em defesa
Fraqueza: Ataque fraco. Perdeu jogadores e não conseguiu reposição à altura

Elenco:

Charlotte Bobcats
Titulares
Reservas
Resto
PG
DJ Augustin
Shaun Livingston
SG
Stephen Jackson
Gerald Henderson
Matt Carroll
SF
Gerald Wallace
Derrick Brown
Dominic McGuire
PF
Boris Diaw
Tyrus Thomas
Eduardo Najera
C
Kwame Brown
Nazr Mohammed
DeSagana Diop


Técnico: Larry Brown

Larry Brown é o único técnico da história do basquete americano a ter um título da NCAA e da NBA. No currículo tem façanhas como fazer aquele Pistons sem estrelas (ou que viraram estrelas depois daquela temporada) de 2004 bater o Lakers de Shaq, Kobe, Malone e Payton e fazer o Allen Iverson jogar o melhor basquete da sua vida. No último ano conseguiu ser o primeiro técnico a levar o Bobcats, caçula da NBA, para os playoffs.

Historicamente, e novamente com o Bobcats, Larry Brown faz sua fama por montar boas defesas. O Sixers de 2001 que foi até a final contra o Lakers era uma defesa sólida, com Dikembe Mutombo ainda em seus bons anos e o ataque todo nas mãos de Iverson. O Pistons de 2004 tinha um ataque mais eficiente, bem montado, mas foi o que foi na história da liga por sua defesa. Sob o comando de Larry Brown é que Ben Wallace deixou de ser um desconhecido para se tornar o melhor defensor do mundo por tantos anos. Outra característica básica do treinador é a sua exigência. É bem comum ele afastar jogadores ou falar mal deles publicamente quando acha que não estão se dedicando o bastante em quadra. É uma espécie de Scott Skiles, mas com jogadores que os respeitam mais.

No Bobcats ele parecia estar tentando simular o que fez em Detroit, se preocupando com uma defesa forte e deixando o ataque mais no jogo de meia-quadra, com um ou dois jogadores inteligentes atuando como o Chauncey Billups do time, segurando a bola na mão por bastante tempo e tomando decisões por conta própria. Primeiro era Boris Diaw, que na temporada passada perdeu esse papel para Stephen Jackson. Apesar dos dois estarem jogando bem, não levam o time nas costas. Larry Brown ainda não conseguiu achar um jeito de fazer a melhor defesa da NBA virar um ataque competente. Seu histórico de ataques pouco eficientes e dependente de estrelas, somado ao elenco do Bobcats, dão a entender que Larry Brown vai penar muito nessa temporada para voltar a seus melhores resultados. Mas sem ele o Bobcats estaria fadado às últimas posições da liga.

...

O Raymond Felton nunca chegou a ser aquela grande estrela que tanta gente achou que ele seria. Mas não é nenhuma decepção também. Bom armador, sabe pontuar e por muitas vezes, com suas jogadas individuais, foi a válvula de escape do Bobcats em quartos períodos. Mas agora ele está no New York Knicks. Então quem entra no lugar dele no time? Em teoria seria o DJ Augustin, único outro armador do elenco, mas o caso não é tão simples assim. Durante muitos jogos o Felton estava jogando mal ou simplesmente precisava descansar e o Larry Brown se recusava a colocar o DJ Augustin, seu reserva imediato, em quadra. Ou deixava o Felton por mais tempo em quadra ou improvisava o Stephen Jackson ou até mesmo, no fim da temporada, o Larry Hughes. Perguntado uma vez sobre porque Augustin não estava jogando, ele respondeu algo como “Porque ele não defende e não sabe armar jogadas” ou algo assim.

Eles definitivamente não se dão bem e já tentaram trocar o cara muitas vezes, sempre sem sucesso. Muita gente até está apostando que o armador titular pode acabar sendo o Shaun Livingston, mas eu duvido. Apesar de ser um jogador inteligente, nunca foi o mesmo depois da sua contusão-Lego (só assista se tiver sangue frio) e eu não acho que seja bom o bastante para ser titular atualmente.

Outro problema do time hoje em dia é a inutilidade do Boris Diaw. Quando ele chegou no time no meio da temporada retrasada revolucionou o ataque da equipe, finalmente dando qualidade de passe e inteligência. Mas essa função passou a ser realizada pelo Stephen Jackson no último ano, agora Diaw é um cara que defende mal, não sabe arremessar e não tem a bola na mão pra fazer o que faz melhor (e faz como poucos no mundo), passar a bola. Diaw também está acima do peso faz algum tempo e Larry Brown, que nunca perdoa, já deixou clara sua insatisfação com isso.

O ótimo blog NBA Playbooks deu uma boa solução para o Bobcats desviar a atenção dos seus defeitos e passar a ser mais conhecido pelas suas qualidades. O segredo é usar a tática que o Philadelphia 76ers usou nos últimos anos, virar o time do contra-ataque, jogar em velocidade. O Sixers se destacou com isso, principalmente na temporada retrasada, porque tinha bons defensores, ótimos ladrões de bola e um time inteiro que sabia fazer pontos de transição. Não dá pra ganhar títulos só com isso, mas quando estamos falando de time com poucas ambições, é uma saída.

O DJ Augustin não sabe armar o time, ele se destaca pelas suas bolas de três e velocidade. Então pode ser bem útil para simplesmente pegar a bola e sair correndo. Se aprender a dar os passes certos nas horas certas, coisa que eu sinceramente não sei se ele sabe fazer, será um passo importante para se firmar como titular. Se isso não der certo eles podem deixar a bola na mão do Stephen Jackson ou do sempre espetacular Gerald Wallace. Apesar de mais altos e pesados, são velozes e puxam contra-ataques com muita qualidade. Eu não descartaria por completo a idéia do Larry Brown colocar no time titular, ao invés do Augustin, o Gerald Henderson, jogador de 2º ano que teve poucas chances na temporada passada. Ele não é armador nato, mas é veloz e atlético nos contra-ataques e se tiver um relativo sucesso marcando os armadores adversários pode ganhar a vaga. Aí a idéia seria usar a defesa esmagadora para roubar a bola ou conseguir um rebote defensivo e sair em velocidade com o trio Henderson, Wallace e Jackson. Em situações de meia quadra aí a armação teria que ficar mesmo com o Captain Jack. Não é o ideal, mas considerando quanto o Larry Brown odeia o Augustin, há uma chance.

Na última temporada o Bobcats foi um dos times que mais forçou erros dos adversários e um dos que mais forçou erros de arremesso, então as chances de pegar a bola e forçar o jogo de transição estão aí. Para ser o time perfeito para atuar nesse esquema falta apenas um melhor reboteiro. No ano passado eles estavam bem abaixo da média para um time especialista em defesa e para essa temporada ainda perderam Tyson Chandler por nada.

Como se perder Felton por nada não fosse o bastante, ainda conseguiram ser piores com o Chandler. Porque dessa vez ganharam despesas em troca. O pivô foi para o Dallas em troca de Erick Dampier, Eduardo Najera e Matt Carroll. Erick Dampier era a peça chave da troca porque ele tinha um contrato não garantido de 13 milhões de dólares para essa próxima temporada, então um time poderia dispensá-lo antes da temporada começar e economizar 13 milhões. A idéia do Bobcats era usar o Dampier como isca de troca para times que queriam se livrar de jogadores caros. Como o Dallas já tinha provado nos meses anteriores, não deu certo. Ninguém queria o Dampier nem para despachar contratos imensos, ou queria no máximo mandar um Eddy Curry da vida, o que também não interessava o Bobcats. Resultado? O próprio Bobcats foi obrigado a dispensar o Dampier para não ter que pagar 13 milhões (mais as multas por passar do teto salarial) por um jogador tão mais ou menos. Ou seja, o Bobcats trocou Tyson Chandler, seu pivô titular, pelos horríveis contratos de Eduardo Najera e Matt Carroll que, juntos, não devem jogar mais de 8 minutos por jogo. Uma offseason para ser esquecida em Charlotte.

Para coroar o novo sistema ofensivo sugerido, poderia também haver uma troca no time titular de Boris Diaw por Tyrus Thomas. O QI do time cairia de um prêmio Nobel para um rato velho, mas ganharia muito em velocidade, defesa e teriam mais um cara para acompanhar os contra-ataques. O grande defeito do Tyrus Thomas é ser inútil no jogo de meia quadra, já que não sabe jogar de costas pra cesta, mas até aí o Diaw não é grande coisa. Mesma coisa no arremesso de média distância, Tyrus Thomas, embora tenha melhorado muito, ainda é irregular, assim como é Diaw hoje em dia. Com essa mudança o Diaw poderia até ser mais útil, voltando a ter a função de organizador do ataque quando o Stephen Jackson fosse descansar.

Embora tenha divagado tanto sobre as possibilidades ofensivas do time, a verdade é que o que define mesmo o time é a sua defesa. Apesar dos pesares, enquanto forem a melhor defesa da NBA vão incomodar muita gente. Vão ser uma espécie de Pacers do meio da última década que era o famoso time construído para vencer por 51 a 49. Deem uma olhada nesse vídeo do último ano em um jogo contra o Heat, foi um massacre defensivo:

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Poderia ser melhor (mas já tá bom!)


Amém


A reação natural para os torcedores do Bulls depois da decisão de LeBron James de ir para o Miami Heat só pode ser de decepção. Não só porque ganhou um concorrente fortíssimo no Leste pelos próximos cinco anos, mas porque o time estava confiante de que ele poderia ser a bola da vez. O Bulls foi atrás dos três astros do Heat, Wade, Bosh e LeBron, com a esperança de conseguir pelo menos um. Não deu, perdeu os três, mas também não saiu de mãos abanando, contratou mesmo antes de LeBron anunciar a sua decisão um antigo companheiro de Cavs dele, Carlos Boozer. O contrato é de 75 milhões por 5 temporadas.

A segunda reação dos torcedores do Bulls é decepção. De novo. Pra quem sonhava com LeBron, Wade e/ou Bosh, ganhar Boozer não é lá muito espetacular. Mas pense bem, crianças, não é porque você achou que ia ganhar um carro no aniversário de 18 anos que um Playstation 3 não é legal. Eu não acho que o Carlos Boozer revolucione um time na NBA, que vá ter um jogo de 50 pontos nos playoffs e salvar a pele do Bulls contra um time difícil, mas ele vai dar 20 pontos, 10 rebotes, um ótimo posicionamento de quadra, poucos erros e uma boa defesa todos os dias. Lembra como o Bulls foi bom naquela série contra o Celtics quando o Tyrus Thomas acertou uma meia dúzia de arremessos de meia distância? O Boozer faz isso com a mesma dificuldade de respirar ou preparar um miojo.

Já escrevemos muitas vezes (muitas mesmo, é um tema básico do blog, tipo Artest, Yao Ming e Alinne Moraes) sobre como o Bulls peca por não ter um bom pontuador no garrafão. Falamos isso deles desde que o blog nasceu e o problema é ainda anterior a isso. Pensem bem, puxem da memória, qual é o melhor pontuador de garrafão da história recente do Chicago Bulls? Não estou falando jogador de garrafão, já que o Bulls teve bons defensores como o Tyrus Thomas, Joakim Noah e até um restinho mínimo da boa fase do Ben Wallace. Mas quero saber de ataque: Drew Gooden? Hakim Warrick? Malik Allen? O melhor jogador ofensivo da última década foi o Eddy Curry! Sim, o pivô gordo que demorou para embalar na NBA e embalou por tão pouco tempo que deveria tomar remédios para ejaculação precoce.

Essa peça que faltava comprometeu o Bulls em diversos momentos das últimas tentativas do time em ser grande. É difícil demais ganhar jogos, especialmente séries de playoff, sem alguém para pontuar perto da cesta. É um preceito básico do basquete. Alguém no garrafão tenta arremessos de aproveitamento maior e tira a defesa do perímetro, facilitando a vida dos outros jogadores. Pouquíssimos times na história da NBA tiveram sucesso sem uma boa presença ofensiva na área pintada. Uma exceção, curiosamente, foi o próprio Bulls nos últimos três títulos do Jordan. Mas a falta de um jogador nato para isso era compensado pelo próprio Jordan, que atuava mais perto da cesta, mais ou menos como o Kobe fez no começo do ano passado quando o Gasol estava machucado.

O Bulls também pode ficar mais tranquilo porque eles, talvez junto com o Clippers, eram os times menos desesperados por uma mega estrela. Acho que o Knicks sabe que não irá muito longe só com a dupla Amar'e e Gallinari. O Nets já viu muito bem onde chegou com a dupla Devin Harris e Brook Lopez, mas o Clippers ainda tem o Blake Griffin para jogar suas esperanças. Já o Bulls tem as suas esperanças no Derrick Rose, um jogador que parece que muita gente não acredita que pode ser o líder de uma franquia da NBA, mas que vem provando o contrário nos seus dois primeiros anos de NBA. Ele é um armador que sabe jogar em velocidade (é, talvez, o jogador mais rápido da NBA), sabe jogar em meia quadra, sabe criar oportunidades para os companheiros de time e cria seu próprio arremesso. Isso é muito raro e o Bulls tem em mãos. Falta ele melhorar mais o arremesso e a parte de criar arremessos para os outros, é verdade, mas ele ainda está começando e, claro, nunca teve um jogador de garrafão para ajudá-lo. Assim como Boozer deitava e rolava com os pick-and-rolls ao lado de Deron Williams, pode fazer até cansar com Derrick Rose. Uma jogada dessa era tudo o que o time precisava naqueles momentos em que o ataque está estagnado e tem que se apelar para o básico.

Ao lado de Boozer o Bulls já tem o Joakim Noah, que tem melhorado ano a ano e na última temporada se mostrou um dos melhores reboteiros e defensores da NBA. Dá pra deixar o Boozer com a finesse e o Noah com o trabalho sujo. E, por fim, ainda há o Luol Deng, que o Bulls tanto tentou trocar para abrir mais espaço salarial para contratações e hoje deve agradecer aos céus por não ter conseguido. Talvez ele receba mais dinheiro do que deveria, mas é um dos melhores (se não O melhor) arremessadores de meia distância na NBA.

É um quarteto muito bom, com características que se encaixam e eles ainda podem ter uma dupla de jogadores All-Star em Rose e Boozer. O time dos sonhos do Bulls era épico, mas o da realidade está longe de ser motivo de lamentações. Eu estaria feliz demais se torcesse para o Chicago! O Bulls já montou bons times várias vezes nos últimos anos e eu me animei mais do que devia com alguns deles, mas nenhum tinha a perspectiva de dois jogadores nível All-Star e nem um jogador forte no garrafão.

Nesse time com boas perspectivas só há uma coisa a se lamentar: todo o esforço gasto em abrir espaço salarial. Era muito time se desfazendo para poucas superestrelas. E como várias foram para o mesmo time o desastre fica mais evidente. É arriscado demais ficar perdendo jogadores à toa com a esperança vaga de atrair grandes jogadores. Trocar bons jogadores só por contratos expirantes e negar bons atletas só por conta de seu salário é muito arriscado. Queimar anos de NBA pela chance de negociar com um atleta é muito pouco.

O Bulls perdeu os direitos de renovar mesmo extrapolando o teto salarial com John Salmons e Tyrus Thomas trocando-os no ano passado e trocou Kirk Hinrich no dia do Draft junto com a escolha 17. Exagero. Eles poderiam ter mantido Hinrich para ser o segundo armador e especialista em defesa desse novo time do Bulls, além de pegar um sexto homem como Jordan Crawford ou Eric Bledsoe com a escolha 17. Ainda assim sobraria espaço para Carlos Boozer.

Agora para essa ótima contratação do Boozer ser um acerto ainda maior, precisam corrigir os erros. Compensar todas as trocas de talento por vento em contratações que completem o elenco de maneira satisfatória. O elenco do Bulls hoje é assim:

PG: Derrick Rose
SG:
SF: Luol Deng / James Johnson
PF: Carlos Boozer / Taj Gibson
C: Joakim Noah

Para o buraco na posição 2 o Bulls tem ido atrás de jogadores que mais tem cara de reservas do que de titulares: Kyle Korver, JJ Redick e Anthony Morrow são os nomes mais cotados. Eu sou fã do Redick, acho que ele daria ao Bulls mais um jogador inteligente, de bom posicionamento e que sempre joga no seu limite, o cara é incasável. O problema dele e até dos outros dois possíveis escolhidos é o mesmo: defesa. São todos fracos demais para tentar parar Dwyane Wade, Vince Carter ou até Joe Johnson em eventuais encontros na pós-temporada.

O Kirk Hinrich defendia bem, era um arremessador decente e ainda servia para ser reserva do Rose. O Bulls vai sentir tanta falta dele que chega a ser ridículo. Hoje para a reserva de Rose sobram opções como Jordan Farmar e Kyle Lowry, bem menos talentosos. Para o garrafão ainda há a esperança de convencer Brad Miller a ficar no time, seria ótimo não só porque ele é um bom reserva atualmente, mas também porque Celtics e outros rivais diretos do Leste já demonstraram interesse nele.

Se eu fosse o Bulls focaria o restante do espaço salarial em três contratações pequenas: Ronnie Brewer (bom defensor, bom no contra-ataque com Rose), JJ Redick (sexto homem perfeito para o time) e Brad Miller (já tem entrosamento e dá conta do recado mesmo velho). Mas nada garante que os três tem interesse em ir para o Bulls, claro. Faz parte do risco de se apostar tanto na Free Agency.

Essas ou outras boas contratações serão as que vão definir o sucesso da offseason do Bulls. Carlos Boozer foi um ótimo começo, não conseguir LeBron ou Wade um tropeço no meio do caminho. Falta o desempate.

Pensando só no Boozer também acho que a escolha foi boa. Já fazia tempo que ele namorava a possibilidade de sair do Jazz, o que dá a entender que não estava completamente satisfeito por lá. Agora ele mudou para outro time forte, que o pagou bem e onde ele terá espaço para jogar sem nenhuma sombra. Também acho que ele vai ficar mais feliz enfrentado os alas de força do Leste do que os do Oeste. Enquanto no Leste podemos listar Kevin Garnett ficando velho, Chris Bosh, Josh Smith e Amar'e como os top de linha, no Oeste a lista é interminável: Pau Gasol, Tim Duncan, Dirk Nowitzki, David West, David Lee (acaba de ir para o Warriors), Zach Randolph, Kenyon Martin e até os que nunca chegaram em All-Star, tipo o Luis Scola e o LaMarcus Aldridge, todos metem mais medo que a maioria da conferência oposta. Vai ser mais fácil para ele se destacar e fazer mais diferença.

...
Sobre o assunto LeBron, recomendo dois textos do site da revista Dime:
O primeiro é escrito por um torcedor do Cavs, morador de Cleveland, e explica a relação do time com o ídolo e porque a partida dele foi tão dolorosa.

O segundo é de um colunista do site que não vê problema na decisão de LeBron. Nas palavras dele "Quando você está numa pelada você sempre tenta escolher os melhores para o seu time, foi o que ele fez. Vamos começar a condenar um jogador por querer vencer?"

domingo, 21 de março de 2010

Punidos

O Rose só está sorrindo porque ainda não olhou pra trás


Com a data limite para trocas se aproximando, o Chicago Bulls foi um dos times que se mexeu para conseguir dinheiro e tentar contratar uma estrela na temporada que vem. São tantas estrelas terminando contratos ao fim dessa temporada que até minha mãe está juntando uns trocados pra ver se consegue trazer alguma delas para ajudar na cozinha. O plano, no entanto, é bastante complicado. Já escrevi aqui sobre como o Knicks, que está apostando todas as suas fichas nas próximas contratações, tem grandes chances de ficar chupando o dedo (e chance nenhuma de contratar o LeBron, por exemplo). Não é das melhores ideias confiar tanto numa grande contratação, especialmente quando você tem algo a perder. Se for o Nets, aí tudo bem, deixa eles até demolirem o ginásio pra tentar contratar alguém que saiba jogar basquete. Mas quando você se livra de um jogador bom, que ajuda o seu time, apenas para ganhar umas verdinhas e investir temporada que vem, colocando em risco essa temporada que acontece agora, aí o deus do basquete pune.

O Jazz, por exemplo, se livrou do ótimo novato Eric Maynor e do então titular Ronnie Brewer só para salvar umas moedas no porquinho. Eles vão para os playoffs, é bem possível que até tenham mando de quadra, mas esse lance de se livrar de jogadores a troco de nada não vai sair barato. Se não rolar uma eliminação na primeira rodada dos playoffs, pode apostar que o Boozer vai embora na temporada que vem e o Jazz não vai conseguir contratar ninguém com o dinheiro, pra aprenderem a não ser idiotas (e a não ter torcedores tão chatos, mas isso não vem ao caso). Já o Bulls está sendo punido pelo deus do basquete de maneira mais imediata: sequer vai aos playoffs esse ano.

Primeiro foi a troca do Tyrus Thomas, que mesmo tendo enfrentado várias contusões ao longo da temporada, pelo menos era um corpo atlético no garrafão do Bulls distribuindo tocos e enterradas a torto e a direito. No seu lugar, vieram dois armadores (Flip Murray e Acie Law) que não seriam nem figurantes na "Turma do Didi". Depois veio a troca que merecia mais punição: John Salmons foi para o Bucks enquanto o Bulls recebeu os contratos expirantes de Hakim Warrick e Joe Alexander. O Warrick é até bom, não me entendam mal, mas ele é um tanto baixo e não defende bulhufas, enquanto o Joe Alexander sequer jogou na temporada graças a uma série de contusões. O coitado do John Salmons não merecia ser mandado embora só pra economizar 5 milhões, dinheiro que hoje em dia não compra nem um Big Mac com batatas grandes e um suco de frutas vermelhas (o McDonald's fica cada vez mais caro, é ridículo, e só paro de difamá-los quando resolverem mandar dinheiro para minha conta - é tipo quando a máfia cobra por proteção, só que na área da propaganda).

O John Salmons já pode fazer parte oficialmente do "Clube Drew Gooden" para bons jogadores que, apesar de serem valiosos para qualquer time, são mandados de time para time como se fossem uma gonorreia que ninguém quer pegar. O Salmons tinha chutado traseiros no Kings com a contusão do Kevin Martin na temporada passada, mas assim que o Martin voltou lá foi o Salmons de volta para o banco, quase nem entrando mais em quadra. Lembro de ler uma reclamação do Salmons na imprensa, ele não pedia mais minutos, exigia simplesmente "respeito". Bonito. Loguinho foi mandado para o Bulls com uma cartinha de "era um ótimo jogador mas nossos planos são outros". Porque, claro, os planos do Kings são perder.

No Bulls o Salmons foi a garantia de que o time poderia manter o poder ofensivo mesmo com a saída da porcaria do Ben Gordon, que agora foi feder em outro lugar, e ainda tinha o bônus do Salmons saber defender, pegar rebotes e passar a bola (ou seja, ele é um mamífero bípede que joga basquete, não um anão com compulsão por arremessos). Não é espetacular em nada, mas é um bom pontuador e tem atuações sólidas, constantes. Nem que fosse pra ter no banco, era uma peça valiosa para o elenco muitas vezes inconstante e cheirando a bunda de bebê do Bulls. Mas não, apesar de jogar bem durante toda a temporada, foi mandado para o Bucks que precisava de alguém para substituir o Redd, contundido.

Desde que o Salmons chegou no Bucks, o time ganhou 14 partidas e perdeu apenas duas, disparando com certa folga para o quinto lugar do Leste. O Denis escreveu sobre como o Bucks é uma das maiores surpresas do ano e um dos times mais embalados dessa fase final de temporada (o que contrasta com a gente, que nesse final de temporada fica desinteressado, esperando os playoffs, e o Bola Presa ganha algumas teias de aranha porque a vida aperta - somos como formigas fazendo as coisas correndo antes do inverno dos playoffs chegar, com a diferença que ao invés de trabalhar juntando comida, em geral vamos dormir. Talvez a melhor comparação fosse com ursos hibernando, mas enfim, deixa pra lá).

Já o Bulls sem Salmons e Tyrus Thomas tomou em cheio uma punição divina: Luol Deng (que poderia ser substituído pelo Salmons) se contundiu e deve ficar fora o resto da temporada; Joaquim Noah, último pivô da equipe, após a saída do Tyrus Thomas, com menos de 400 anos de idade (Brad Miller, estou olhando pra você) passou 9 jogos contundido; e como cereja do bolo de merda o Derrick Rose ainda passou 4 jogos fora.

O Bulls perdeu todos os 4 jogos sem o Derrick Rose e todos os 9 jogos sem o Noah. Ao todo, foram 10 derrotas seguidas, algo que não acontecia desde 2001, quando o Eddy Curry ainda era novinho e não tinha engolido as Torres Gêmeas do World Trade Center (ele engoliria no final daquele ano, os aviões foram só computação gráfica). O recorde total sem o John Salmons é de 5 vitórias e 11 derrotas, o bastante para que eles sejam chutados para fora da zona de playoff sem muitas chances de retorno - principalmente porque o Salmons está num concorrente direto ganhando partida atrás de partida.

Alguém precisa me explicar porque jogadores tão valiosos, que cumprem bem suas funções, são tão menosprezados e mandados embora de seus times o tempo inteiro. Parece que a NBA se tornou um pouco obcecada demais com estrelas. Mais do que montar bons times e ganhar dinheiro indo para os playoffs, lotando ginásios com times vencedores, a NBA agora prefere investir em grandes estrelas que rendam camisetas, outdoors, lotem ginásios - e percam mesmo assim. Até mesmo do ponto de vista empresarial, pensem em quanta grana o Bulls não vai perder ao deixar de ir para os playoffs. Seriam várias transmissões de TV, ginásios lotados, torcedores empolgados comprando produtos e enfiando cachorro-quente nas orelhas (costuma acontecer depois da terceira cerveja). O Bobcats pode ser o time mais sem graça do mundo, mas eles provavelmente estarão nos playoffs e sua maior estrela é o dono, na arquibancada, balançando a cabeça em desaprovação com as cagadas da equipe (vi o Jordan no ginásio, indignado, nas últimas duas partidas da equipe - duas derrotas). O Houston sem estrelas estaria nos playoffs se estivesse no Leste, mas aí é só dor de cotovelo mesmo, que meu time não vai conseguir alcançar o Blazers no Oeste nem fodendo. Mas o ponto aqui é que nesse desespero por tornar as equipes da NBA rentáveis em período de crise, talvez fosse mais prudente montar times sólidos com bons carregadores de piano e um bom técnico do que ficar economizando grana para dar um contrato biliardário para alguém na temporada que vem e torcer para ganhar dinheiro com propaganda de suco com bolhas dentro. Isso, claro, se as estrelas que querem contratos biliardários toparem ir jogar por lá. Se fosse pra escolher um time, eu iria preferir o Bucks (com um jovem núcleo e experiência nos playoffs) do que o Bulls, capengando pela tabela. O mesmo vale para o Knicks, claro, por que uma estrela se sujeitaria a um time tão pelado, sem jogador nenhum em nenhuma área? A essas equipes, resta apostar no poder da cidade, do mercado, do jogador querer ganhar uma grana com propagandas, lotar ginásios mesmo com um time que fede. Essa seria a única chance do Knicks, afinal, como mostra esse vídeo aqui, Cleveland é uma cidade tão porcaria que virou até piada. Mas, como diz o vídeo, ao menos eles não são Detroit. O mesmo vale na NBA: pior do que ter dinheiro guardado e rezar para uma estrela ir jogar pra você, é ter gastado todo o dinheiro num par de jogadores mequetrefes. Pois é, Bulls e Knicks: pelo menos vocês não são o Detroit.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

As trocas menores

Tyrus Thomas e mais um monte de gente voou para outro time nessa quinta-feira

Enquanto o Danilo não chega para falar da grande troca do dia, a que levou Kevin Martin para o Rockets, Tracy McGrady para o Knicks e muito espaço salarial para o Kings, eu aproveito para falar de todas as pequenas trocas que tornaram o dia de hoje um dos dias-limite para trocas mais movimentados dos últimos anos.

Sem enrolação, vamos lá:

Chicago Bulls manda: Tyrus Thomas
Charlotte Bobcats manda: Acie Law, Flip Murray e uma escolha de 1º rodada de draft do Bobcats

Dois vencedores nessa troca. O Bulls queria se livrar do Tyrus Thomas e do máximo de contratos que pudesse para ter o espaço necessário na folha salarial para entrar na briga por LeBron ou Wade na temporada que vem. Conseguiu isso já que os contratos de Murray e Law acabam nesse ano. De brinde, conseguiram o que o Clippers não foi capaz de fazer com Thronton e Camby, levaram uma escolha de draft para tentar a sorte num futuro próximo.

Boris Diaw não tem sido regular, Diop e Chandler só se machucam e Nazr Mohammed é bom mas nem tanto. O Bobcats procurava desesperadamente alguém para dar um jeito no seu garrafão e conseguiu! Perdeu pouca coisa e em troca ganhou um baita jogador que deverá brilhar muito sob a tutelagem do Larry Brown. Ele é reboteiro, agressivo no ataque e nos tocos, e com os toques defensivos do técnico será imediatamente importante na equipe.

A troca, porém, deixou a armação do Bobcats com pouquíssimas opções, Larry Brown terá que respirar fundo e usar dois caras que não estavam agradando o exigente (jeito simpático de dizer "chato, pé no saco") técnico: DJ Augustin e o novato Gerald Henderson.

atualização: O garrafão do Bobcats está tão mal que o Yahoo!Sports diz que eles acabaram de conseguir o avô do (já avô) Greg Oden, Theo Ratliff, com o Spurs. Isso que é desespero! Só não informaram ainda o que os Bobgatos mandaram em troca.
...

Chicago Bulls manda: John Salmons
Milwuakee Bucks manda: Joe Alexander e Hakim Warrick

Outra troca puramente financeira para o Bulls. Ao invés de se contentar em ser o sexto melhor time do Leste eles estão perdendo bons jogadores apenas para poder tentar dar um passo rumo ao topo na temporada que vem. Arriscado, mas necessário. E Warrick ainda poderá quebrar um galho com a ausência do Tyrus Thomas.

Para o Bucks a troca é muito boa. Perdem dois jogadores que jogavam pouco e não eram essenciais no elenco e em troca recebem um pontuador. Considerando que marcar pontos é a maior dificuldade da equipe e que o Salmons joga na posição do machucado Redd, foi uma boa aquisição para tentar roubar a oitava vaga nos playoffs.
...

Washington Wizards manda: Dominic McGuire
Sacramento Kings manda: Uma escolha de 2º round e bufunfa

Típica troca de último dia de trocas. Um time quer fazer uma graninha, outro quer uma escolha de draft, um perdeu muita gente em trocas maiores e quer compor o elenco e por aí vai. Você nunca mais vai ouvir desse negócio na sua vida.
...

New York Knicks manda: Darko Milicic
Minnesota Timberwolves manda: Brian Cardinal

Com essa troca o campo magnético da Terra foi alterado, as regras vigentes na economia mundial mudaram por completo e o Wolves agora é sério candidato ao título e à presidência dos Estados Unidos. Ou numa versão menos plausível...

O David Kahn, manager do Wolves, disse estar intrigado com o Darko. Disse que ele às vezes dá flashes de grande jogador e logo depois de jogador horrível e que decidiu dar meia temporada de chance ao pivô sérvio na NBA antes de sua despedida, já que Darko disse que após essa temporada ele não pretende nunca mais jogar nos EUA.

Já o Knicks fez a troca porque o contrato do Cardinal, que expira também ao término dessa temporada, é um pouco mais barato, rendendo uma economia nas multas pagas pela equipe.
...

Memphis Grizzlies manda: Escolha de 1a rodada
Utah Jazz manda: Ronnie Brewer

O Jazz já trocou Eric Maynor por um pacote de Trakinas vencidas por questões financeiras e aqui repete a dose. Por uma singela escolha de primeira rodada mandam um belo jogador, Brewer, que ajudaria qualquer time com sua velocidade, explosão, ótimos números em roubo de bola e eficiência no contra-ataque.

O Grizzlies não perde quase nada e em troca recebe tudo o que precisa. Um cara que se encaixa com o estilo de contra-ataque do time e, finalmente, um jogador decente para vir do banco de reservas. O banco do Memphis era um dos que menos tinha minutos por jogo e era claramente um dos menos talentosos da NBA.
...

Boston Celtics manda: Eddie House, JR Giddens e Bill Walker
New York Knicks manda: Nate Robinson e Marcus Landry

A troca estava combinada faz tempo, mas por questões financeiras não poderia ser apenas House por Robinson. Depois de horas e horas de conversa eles pensaram "Hum, que tal a gente mandar um monte de jogador ruim, que não entra em quadra e com contratos que já vão acabar?" Perfeito.

Agora o Eddie House brinca de arremessar de 3 no esquema do D'Antoni até acabar seu contrato no fim do ano, enquanto o Nate Robinson vai lá estragar o Celtics. Claro que ele é melhor e mais completo que o House, mas também mais fominha, estraga mais o resto da equipe e quer ser herói quando não deve. Cansei de ver o Nate perder jogos sozinhos para o Knicks porque ele que queria fazer a cesta da vitória ou a cesta da virada. Ridículo, o Celtics vai se arrepender dessa troca.
...

Philadelphia 76ers manda: Royal Ivey, Primoz Brezec e uma escolha de 2º rodada
Milwuakee Bucks manda: Jodie Meeks e Francisco Elson

Uau! Que revolução. Na prática o Sixers mandou um bom dançarino e uma escolha de 2º rodada em troca do jovem e talvez-útil-se-der-sorte Jodie Meeks.
...

Em nota também importante, os fracassos: apesar das tentativas de Heat, Cavs, Knicks, Kings e mais um monte de gente, ninguém tirou o Amar'e Stoudemire de Phoenix e nem Carlos Boozer de Utah.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Bulls da minha sogra

Noah (com a ajuda do Nenê) resume a temporada do Chicago Bulls

Não sei quantos de vocês já tiveram a oportunidade de viver uma cena dessas. Domingo passado eu estava almoçando na casa da minha namorada, quieto (sou dos que comem muito e falam pouco à mesa), quando o assunto virou NBA. Meu cunhado, minha sogra e seu namorado começaram a falar de que time era bom, que time era ruim, e minha sogra então lamentou de como é difícil ser torcedora do Chicago Bulls.

Eu já sabia que eles gostavam de basquete e que sempre assistiam aos jogos da NBA na ESPN, mas estar numa mesa de almoço de domingo com a sogra falando de basquete é muito bizarro! São mundos que você nunca achou que iriam se misturar. Ela, aliás, vai amanhã assistir a AND1 no Ibirapuera, enquanto eu vou ficar em casa vendo todos os Tumblrs que eu puder.

Na quarta eu fui de novo na casa da minha namorada e lá estava minha sogra vendo o seu Bulls de coração tomar uma surra de pau mole do Hawks. Foi dormir xingando e dizendo que só com muito amor pra continuar torcendo pro Bulls. Em homenagem à minha sogra e à renca de viúvas do Jordan, um post com 5 razões que levam o Bulls a feder tanto.


1. Falta de confiança
Sabe aquele papo de que mulher pra parecer bonita precisa se achar bonita? Parece conversa de idiota que leu o Segredo e levou a sério, mas é verdade. A mina aparece andando confiante, se impondo e o homem, burro, acredita. Quando tá todo mundo pelado, percebe a besteira, mas antes disso foi muito bem enganado. É confiança.

Depois do jogo do Hawks, o Derrick Rose deu uma baita entrevista dizendo que o time não está nem reagindo durante os jogos. Basta estar cinco pontos atrás que já param de defender e de correr atrás dos rebotes. Talvez só o Joakim Noah não seja assim, mas isso é porque ele é uma aberração e age como se estivesse eternamente cheirando coca. De qualquer forma, quando a sequência de derrotas começa a atingir números maiores do que o número de piriguetes te ligando depois dos jogos, a confiança de qualquer jogador despenca e tudo dá errado.

Nessas horas os arremessos não caem, um culpa o outro, o técnico é um burro, a torcida chia, blogueiros brasileiros comparam o time com mulheres que se acham feias e o estrago está feito. Também é nessas horas que aqueles jogadores mais ou menos desaparecem do time. Já perceberam como todo time tem um Radmanovic que só faz cestas quando o time tá ganhando? Por essas e outras é que os times com pelo menos uma estrela sempre vão estar um passo a frente dos que tem muitos jogadores bons mas não excepcionais.

2. Ben Gordon
Nem vou entrar na discussão de se o Bulls deveria ou não ter pago a nota preta que o Ben Gordon queria (até porque o assunto só se encerra quando o time mostrar por quem economizou tanto, a idéia é levar o Wade, nativo de Chicago, para lá no ano que vem). O fato é que já não pagou e agora o time sente muita falta. Com 12 pontos a menos por jogo do que na temporada passada, o Chicago é o time que mais perdeu poder ofensivo em relação à temporada passada. Ter perdido seu cestinha sem nada em troca claramente tem algo a ver com isso.

Para o lugar do Gordon, o John Salmons foi deslocado para a posição 2 e o Luol Deng, recuperado de contusão, assumiu a ala. O Salmons é até muito bom, mas está muito irregular nesse começo de temporada, provavelmente sentindo a mudança de posição. Agora ele precisa ficar mais com a bola na mão, precisa criar mais e seu arremesso de três não está caindo nem com reza brava, o Salmons é 25% Radmanovic, eu diria.

Já o Luol Deng está tentando compensar os pontos que o Ben Gordon não faz mais, mas a grande diferença é que o Gordon fazia pontos criando o seu próprio arremesso e era o líder do time no quarto período, o Deng não faz nem uma coisa nem outra. O Deng é um cara com um dos melhores arremessos de meia distância da NBA mas que depende de jogadas desenhadas pra isso, ele não pega a bola na mão e resolve como o BG fazia quando a coisa apertava para o Bulls.
Deng também não arremessa de três, o Chicago é o time que mais diminuiu sua quantidade de bolas de 3 certas por jogo em relação ao ano passado, 2,2 a menos.

3. Contusões
Já que é um post para minha sogra, preciso tratá-la como tal e tirar uma da cara dela, explicando essa situação numa linguagem que ela, uma mulher, possa entender.
Lavar roupa é trabalhoso, mas não é difícil. Agora, se a máquina de lavar está quebrada (e está, eu sei, Dona Lilian), o amaciante acabou e o sabão em pó venceu há 2 meses, a coisa fica braba.

Com o Bulls a coisa é assim. Se recuperar da perda do Ben Gordon e jogar um bom basquete não era pra ser fácil, mas não era pra transformar o time num lixo. Porém, não dá pra esquecer que o Derrick Rose jogou esse mês inteiro com o tornozelo dolorido, que o Kirk Hinrich tá jogando no sacrifício, que o Deng acabou de voltar de contusão e que o Tyrus Thomas nem está jogando porque está machucado. Se você olhar bem é o time titular inteiro (de um time de banco frágil) que não está na sua melhor forma.

4. Todo ano é a mesma história
Lembram que o Bulls foi carinhoso e cristão o bastante para demitir o Scott Skiles na noite de Natal da temporada passada? Foi porque o time começou mal a temporada. Na época contestamos a decisão porque em anos anteriores o Bulls já tinha tido o mesmo problema de começar muito mal a temporada e melhorar só depois. Agora mudou o técnico mas inexplicavelmente a história continua.

Sério, os jogadores mudaram, o técnico é outro, o ano é outro, o MC Pelé morreu, o Orkut não é mais tudo isso e mesmo assim o Bulls continua com esse problema de começar mal a temporada. Pelo menos eles estão no Leste e lá tem 3 times na zona de playoff com mais derrotas do que vitória. Se recuperando dentro de um mês, esse começo ruim vai ser logo esquecido. Espero que eles passem o fim do ano sem demitir o Vinny Del Negro, que tem feito um bom trabalho.

5. Garrafão ofensivo
Fiz questão de deixar essa para o final. Acho que se fizer uma lista dos temas que mais abordamos desde o começo do Bola Presa a lista seria:
1- Kobe Bryant
2-Yao Ming
3-Alinne Moraes
4-Ron Artest
5-Garrafão do Bulls.

Tá bom que o Iverson está subindo bem nessa lista, mas mesmo assim não se compara ao número de vezes nos últimos dois anos que falamos o quanto esse time precisa de alguém que marque pontos lá perto da cesta.

Gosto muito do Joakim Noah, que está se tornando um pivô muito melhor do que eu esperava, mas mesmo assim ele só é garantia de defesa e de rebotes. Pontos só em rebote ofensivo ou ano bissexto. Seu parceiro Tyrus Thomas, ao contrário, tem algum talento ofensivo. Na temporada passada, nos dias em que estava inspirado, transformava o time. Seus jumpers de curta distância abriam o garrafão para o Derrick Rose, os ganchos e bandejas tiravam pressão da marcação do trio que joga fora do garrafão e tudo ficava uma beleza.

Mas o Tyrus não é confiável ainda no ataque. Tem dia que nada dá certo e ele não é bom o bastante para se virar quando marcado por caras como o Duncan ou o Kenyon Martin, por exemplo, dois bons defensores da sua posição. Aí o time, além de sem confiança, contundido e sem o Ben Gordon, fica previsível. E como o Tyrus Thomas nem está jogando, machucado, nem chance de ser irregular ele tem. Seu substituto, o novato Taj Gibson, é uma grata surpresa, mas está longe de ser a solução para qualquer problema, será um Drew Gooden melhorado na melhor das hipóteses.

Até cogitaram uma troca de Tyrus Thomas pelo Al Harrington na semana passada, idéia que depois acabou não vingando. A idéia era boa, trazer alguém que marque pontos, mas o Al Harrington é da mesma linhagem de caras como o Charlie Villanueva e Rasheed Wallace, que com o passar dos anos foram criando alergia ao garrafão. No papel o Bulls teria um ala de força melhor, na prática mais um cara pra ficar arremessando de longe.
...

Então ao contrário do que minha sogra disse (e que sogra não diz isso?), o Bulls não é só o Derrick Rose. Tem gente boa por lá. O problema, como já dissemos ao falar de outros times, é que só talento não basta na NBA, lá o que não falta é cara bom espalhado pelos 30 times. Falta, hoje, confiança, alguém para assumir o papel de líder ofensivo, antes do Ben Gordon, e um cara pro garrafão. Só. Sacou, sogrinha? Eu bem que disse que era mais fácil torcer pro Lakers...

domingo, 19 de abril de 2009

Duas zebras e um LeBron

LeBron pensa numa desculpa para não ter
nem que aparecer no próximo jogo



Para resumir os jogos de sábado, quem tinha mando de quadra se lascou: só deu zebra. A não ser o LeBron James, aquele débil mental, que simplesmente não vale. O Cavs nem percebeu que o Pistons entrou em quadra, se deu ao luxo de tirar uns cochilos esporádicos, e mesmo assim venceu quase sem querer. Foi o maior emblema, para mim, da era pós-Billups na equipe de Detroit: lembra quando o Pistons ficava sempre 10 pontos atrás do adversário, parecendo não se importar, com toda a empolgação de um Duncan assistindo "Manhattan Connection", e aí quando o jogo se aproximava do seu final, de repente, o time inteiro acordava e virava a partida como se fosse a coisa mais natural do mundo, entre bocejos e risos debochados? Pois é, ontem foi justamente o contrário: 10 pontos atrás no placar por todo o jogo, quando chegou a hora de uma reação o time ficou mais de 20 pontos atrás. É o Mundo Bizarro, em que o Billups não joga em Detroit, o Pistons perde no final dos jogos e a Maísa tira a peruca do Sílvio na tevê. Cheguei a ficar com vergonha do Pistons em alguns momentos, principalmente ao lembrar do fiasco do Iverson, que poderia ter dado tão certo. Desesperados com a defesa intensa do Cavs, por diversas vezes o Pistons teve que confiar a bola nas mãos de Will Bynum para criar seu próprio arremesso, e não importa quão bom ele possa ser um dia, o cara acabou de vir da Liga de Desenvolvimento e não dá pra achar que um cara que era estrela no Ipatinga pode fazer um trabalho tão bom quanto o Allen Iverson. A diferença? O Iverson é uma estrela e o elenco do Pistons jamais poderia suportar que ele criasse seu próprio arremesso enquanto o resto do time, com dor no cotovelo, assiste impotente. O resultado é que o time inteiro assistiu impotente ao Cavs distribuindo a bola, envolvendo todos os companheiros de equipe, mas confiando em jogadas de isolação de LeBron James toda vez que o esquema ofensivo dava errado. Com 38 pontos em tudo que der pra imaginar, de enterradas, arremessos girando o corpo a bolas de três pontos do meio da quadra, LeBron não apenas cala seus críticos ("ele não sabe arremessar", "ele só se baseia na força física", "ele não achou a cura para o câncer") mas também prova que um basquete coletivo e uma estrela capaz de jogadas individuais podem coexistir. Iverson apenas foi mal recebido e mal utilizado.

O que imediatamente me lembra do Dallas Mavericks. Alguns dias atrás tentei compreender o que diabos acontece com a equipe, que supostamente fede mas mesmo assim acaba vencendo, acabou bem a temporada e garantiu uma boa posição nos playoffs. Ontem, contra o Spurs, pudemos ver mais de perto e confesso que fiquei indignado. Troque o Jason Kidd pela minha avó, ao menos nos dias em que ela se lembra do caminho para o banheiro, e não haverá qualquer diferença tática. Tudo que o Kidd sabe fazer de melhor é ignorado pelo esquema planejado pelo técnico, nem contra-ataque ele consegue puxar: o Dampier e o Nowitzki não acompanham, enquanto Josh Howard, Jason Terry e quem mais estiver em quadra sempre segue a tendência de abrir, rumo à linha de três pontos. Toda vez que o Kidd pega um rebote e corre para o ataque, o garrafão está sempre vazio, com jogadores do Mavs esperando a oportunidade de arremessar de três. Bons tempos em que sempre havia alguém capaz de encerrar seus contra-ataques com uma enterrada, de Kenyon Martin a Mikki Moore, de Kerry Kittles a Richard Jefferson. Nem é questão de talento (vários desses nomes fedem), mas de saber criar um elenco que usa as qualidades de cada um. No Mavs todo mundo tem alergia de garrafão, até o Brandon Bass que supostamente deveria jogar debaixo da cesta se baseia em arremessos de média distância. Parece que todo mundo na equipe acha que está no campeonato de 3 pontos do All-Star Game, só que com um pouco mais de animação. Se o Kidd consegue alguma coisa é porque tira água de pedra, mas passar para o lado para jogadas de isolação de Josh Howard, Nowitzki e Jason Terry não pode fazer bem para o fim de carreira de ninguém. Para piorar, é claro que o Kidd não pode defender Tony Parker (não é demérito nenhum, quase ninguém na NBA pode, mas o Kidd poderia pelo menos tentar cheirar o Parker de vez em quando para ver se tem um resto perfume da Eva Longoria) e por vezes, ao invés de se tornar um trunfo, ele vira um fardo em quadra. Os melhores momentos da equipe foram com o "José João" Barea (já diria alguém no chat do Bola Presa) lá no quinteto titular, não porque ele seja o melhor marcador da raça humana, mas simplesmente porque ele consegue correr atrás do Parker e não dar a impressão de que o Mavs defende com apenas 4 jogadores. Já o Spurs jogou como sempre, o Parker dominou o garrafão, o Duncan acertou suas cestas usando a tabela (tm - "marca registrada, todos os diretos reservados"), e pra mim obviamente ganhou o jogo. A não ser pelo placar, que me desmente. Estou acostumado a ver o Spurs jogar sempre do mesmo jeito, o outro time feder, e a partida acabar com o Spurs muito na frente. Dessa vez foi tudo como de costume mas o Mavs venceu, em San Antonio, com o Kidd mal utilizado, os lapsos defensivos, a fobia de garrafão, uma partida com excesso de faltas do Nowitzki e o Mark Cuban com aquela cara de nerd fracassado na torcida. Não sei se o Spurs não é mais o mesmo ou se, diabos, eu é que não entendo esse Mavs de jeito nenhum!

Mas enquanto Jason Kidd e Iverson são brutalmente mal aproveitados em suas equipes, um armador foi usado à perfeição na maior zebra da noite. Derrick Rose, também conhecido como "o-homem-que-eu-achei-que-não-deveria-ter-sido-escolhido-pelo-Bulls", mostrou que pode simplesmente fazer o que bem entender em quadra e todo mundo deixa. "Dá uma licencinha para eu fazer uma bandeja, por gentileza?", "Pois não, senhor Rose, quer também um suquinho, uns amendoins e dormir com minha mulher?". O abuso foi tão grande que não dava para não lembrar do Dwyane Wade, quando foi campeão da NBA, completamente imparável e cobrando quinhentos lances livres por jogo. Apanhou tanto, culpa do desespero das defesas, que a imagem ficou queimada na retina dos juízes: bastava alguém na torcida espirrar e, por reflexo, marcavam falta no Wade. Com o Derrick Rose foi igual, ele cobrou 12 lances livres e acertou todos, alguns foram pancadas, outros apenas força do hábito, mas mais importante do que isso foi a frieza com que metodicamente dava um drible seco, atacava a cesta e convertia cada um dos seus lances livres. Foi essa frieza que Paul Pierce, depois de ser atropelado pelo grosso do Joaquim Noah, não teve - poderia ter vencido o jogo mas, perdendo um de seus lances livres, levou o jogo para a prorrogação. Meu argumento para que o Bulls tivesse draftado Beasley remete a um problema tão óbvio que está em todos os livros de história ("problemas do século XXI: desigualdade social, AIDS e malária na África, conflitos na Faixa de Gaza, o garrafão ofensivo do Chicago Bulls"), que é a incapacidade da equipe em atacar a cesta, em ter uma força ofensiva debaixo do aro. Dar uma grana maluca para o Luol Deng não ajuda nada quando a gente lembra que ele tem uma paixão por arremessar, e o garrafão continua sendo composto por sutilizas como o Noah e o Tyrus Thomas (tem alguma alma viva, além da mãe dele, que não tenha certeza absoluta de que ele vai fazer merda toda vez que toca na bola?). Mas aí está uma resposta inusitada e que deu mais certo do que eu jamais poderia sonhar: Derrick Rose ataca a cesta, congestiona o garrafão, acerta suas bolas e com isso cria espaços para os seus companheiros que assistem tudo a 30 metros de distância. Além dos 36 pontos no jogo, foram 11 assistências. Vale dizer que o Bulls ainda fede, que o Tyrus Thomas acertou na sorte arremessos que nenhum ser humano deveria ter tentado converter, mas esse Celtics sem Garnett tem um garrafão de mentirinha, uma defesa esburacada e nem um pouco de confiança, principalmente quando as bolas do Ray Allen não estão caindo. Para mim, a ausência de Garnett apenas explicita a incapacidade do Doc Rivers, tão bom técnico quanto o Pedro Bial é poeta. Na verdade, é o Garnett quem coloca ordem na bagaça, tanto na defesa quanto no ataque, e ele deu muito mais intruções para o Allen e o resto do time na partida de ontem, mesmo de terno no banco de reservas, do que o Doc Rivers já falou em toda sua vida ("vamos lá, time!" não vale). Não vamos nos precipitar, o Hawks na temporada passada provou que qualquer um poderia ganhar do Celtics na primeira rodada dos playoffs mas, depois que o Celtics ganhou deles no jogo 7, ninguém nunca mais conseguiu parar os verdinhos. É cedo para achar que essa zebra significa que o Celtics está morto.

O que não é o caso da última zebra da noite, a vitória do Houston em cima do Blazers. Tenho que ser sincero, por um lado estava muito feliz de finalmente não enfrentar o Jazz na primeira rodada dos playoffs, mas por outro lado fiquei desesperado com a idéia de pegar o Blazers. Empolgados, profundos, com mando de quadra e dois pivôs para dar trabalho para Yao: Przybilla, um dos pivôs mais pentelhos do mundo na defesa, e Greg Oden, com seus 62 anos de experiência no garrafão. Estava pessimista, o Blazers é um dos melhores times jogando dentro de casa e, com mando de quadra, apenas um milagre levaria meu time para a próxima rodada. Talvez uma vitória de surpresa, logo no primeiro jogo. Talvez. Camiseta do Yao em mãos, transmissão clandestina na internet, esperei o melhor - e recebi. Apesar do apoio da torcida em Portland, a equipe pareceu nervosa e inexperiente a princípio, e muito desinteressada depois, quando a diferença de pontos subiu demais. Foi um massacre de um time calejado, que aprendeu a jogar de trocentas formas diferentes por sempre sofrer com contusões, e um time novo que nunca esteve naquela situação, medroso e incapaz de barrar algumas armas ofensivas óbvias. Yao Ming sentou todo mundo e brincou de escolinha: "vamos aprender como marcar pontos de tudo quanto é jeito, vamos?" Foram ganchos, enterradas, arremessos de fora, giros em cima dos pivôs adversários. Apesar de não parecer (as rugas enganam), Oden é uma criança sem fundamentos suficientes para segurar a técnica de Yao. Przybilla, por sua vez, é apenas ruim demais para a tarefa. Acertando todos os seus 9 arremessos e todos os 6 lances livres, Yao marcou 24 pontos só no primeiro tempo. E poderia ter sido muito mais, porque apesar de estar dominando o jogo, foi continuamente ignorado pelo resto do elenco em posses de bola seguidas, quando alguém resolvia arremessar de três ou isolar o Artest em alguma jogada tola. Se tivessem apelado, Yao teria feito mais de 30 só para começar. No segundo tempo, chegou a colocar os pés em quadra mas sentou logo, o Houston não precisava dele porque o Blazers queria ir para casa ver o filme do Pelé. Foi um massacre sem T-Mac e sem Rafer Alston (obrigado, obrigado, Deus existe!), a partida mais fácil do Houston em playoffs nessa década. Torcedor maluco ou não, pra mim a série já era para o Blazers. Ficaram óbvias falhas grandes demais que não serão arrumadas a tempo. Quem sabe pelo menos façam uma marcação dupla no Yao Ming no próximo jogo, para dar uma graça.


Não tinha como pedir um primeiro dia de playoffs mais legal do que esse: três zebras, um LeBron James, prorrogação e vitória fácil do Houston. Eu pelo menos estou feliz, e convenhamos que em matéria de playoff, não é muito fácil ver um torcedor do Rockets sorrindo. Hoje tem mais, com Lakers e Jazz às 16h, Sixers e Magic às 18h30, Heat e Hawks às 21h e Hornets e Nuggets às 23h30. Nada de jogo na televisão dessa vez, abandonados que estamos na terra do futebol. Mas a internet está aí para isso, aqui no chat do Bola Presa sempre tem algum link pra assistir na hora do jogo. Não dá pra perder nenhuma partida hoje, será que talvez tenhamos de novo três zebras e um Kobe Bryant?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A falta de opção do Bulls

Derrick Rose (ou um cara parecido com ele de capuz)


F
az um tempo, algum leitor nosso que eu esqueci o nome (João Pedro, ele me lembrou nos comentários!) me pediu para fazer um post sobre seu amado Chicago Bulls com sugestões de escalações, assim como eu fiz com o Lakers e o Danilo fez com o Portland Trail Blazers.

Na época eu não topei porque a temporada não tinha nem uma semana de vida e eu queria ver o Derrick Rose em ação e saber como seria o Bulls do Vinny Del Negro. Assisti alguns jogos e ainda acho difícil fazer esse post, o time ainda não tem uma identidade e tem problemas graves que não há escalação que resolva. Mas pra mostrar que somos legais com nossos leitores e até pelo desafio de fazer esse post sobre o Bulls, aqui está ele. Ou melhor, aqui está o irmão adotado dele. Ficou diferente do proposto.

No primeiro jogo da temporada, o Vinny Del Negro usou uma escalação com Rose, Sefolosha e Luol Deng, com Hinrich, Gordon e Nocioni vindo do banco.
Se me dessem os dois trios anotados em um papel antes do primeiro jogo da temporada e pedissem para eu adivinhar qual era o titular e qual era o reserva, eu não saberia como responder!

Um trio tem o Rose, que realmente é ótimo mas que no primeiro dia da temporada não tinha provado nada ainda, e o Sefolosha, o pior jogador desses seis, então cheirava a banco. Mas por outro lado por que o Nocioni seria titular no lugar do Deng? Sério, eu não saberia responder.

Hoje vendo o Derrick Rose ser, com poucas semanas de experiência, o melhor jogador do time, fica mais fácil adivinhar, onde ele estiver é o time titular e pronto. Mas a verdade é que qualquer combinação que comece com o Rose e siga com Hirnich, Gordon, Deng, Hughes ou Nocioni faria sentido, todos são bons, ninguém é uma mega estrela e todos tem defeitos.

Então, escolher quem? E pior, como completar o time no garrafão? Com Aaron Gray, Tyrus Thomas, Drew Gooden e Joakim Noah temos exatamente o mesmo problema! Nenhum deles é um lixo, ninguém é de se jogar fora, mas nenhum é alguém realmente confiável, alguém que vai salvar sua pele num dia em que os armadores estiverem mal.

Por isso digo que o elenco do Bulls é muito bom. Tirando talvez o Cedric Simmons e, para alguns, o Sefolosha, o time não tem jogadores ruins. Mas, ao mesmo tempo, o time não tem jogadores muito bons. São 12 jogadores que jogam quando estão afim, 12 mulheres de eterna TPM que você não sabe se estão num dia feliz e bem-humorado ou num dia deprimente e horripilante (e sem sexo!).

A solução mais óbvia, pra mim, são trocas. O elenco não é ruim e pode até conseguir um relativo sucesso com esses jogadores, mas eu não manteria assim, ficar com esse elenco é se conformar em ter um time mediano.

O foco principal seria buscar algum jogador de garrafão com poder ofensivo. Sim, até o Randolph tá valendo na atual situação! Faz pelo menos uns 3 anos que todo mundo diz que o Bulls precisa de alguém ofensivo no garrafão e eles conseguiram a proeza de contratar, draftar ou trocar apenas por variações do mesmo tema: Ben Wallace, Tyrus Thomas, Joakim Noah e Drew Gooden. Ter o Gooden como melhor pivô ofensivamente é tão bom quanto ter o Herrera como melhor atacante, só serve para a segundona.

Mas como eu ainda não ganhei status o bastante para ser manager de times (meu time de fantasy ostenta a última colocação na Liga Bola Presa), vou comentar as escalações feitas pelo próprio Vinny Del Negro.

Segundo o 82games.com, o quinteto mais usado pelo Del Negro até agora foi Rose, Sefolosha, Deng, Thomas e Gooden. Ironicamente é o time com piores resultados. Tem média de 0,92 pontos a cada posse de bola, a segunda pior marca entre os quintetos do Bulls, e sofre 1,05 pontos por posse de bola, outra marca ruim.

Esse quinteto tem características defensivas, mas só no papel, já que o Sefolosha não tem jogado bem defensivamente como já jogou na passado. Além disso, o Tyrus Thomas não é tão bom quanto os seus tocos querem dizer, são números enganadores. Esse quinteto acaba sendo um time que não ataca e que finge defender.

Segundo os números, o quinteto de maior sucesso é Rose, Gordon, Nocioni, Thomas e Noah. Foram poucos minutos jogados nesses 10 jogos, mas o critério é bem simples, é ainda o princípio Scott Skiles de Bulls. Um armador rápido, capaz de costurar a defesa com infiltrações, dois arremessadores prontos para receber os passes e dois pivôs que só participam do jogo na defesa, contestando todos os arremessos e atacando os rebotes. Assim como na era Skiles, essa formação é boa quando os arremessos estão caindo e um poço bem fundo quando o Gordon não acorda inspirado.

Se você acha que o Bulls deve arremessar menos de longe nesses dias pouco inspirados e que deveria bater pra dentro, saiba que a formação do Bulls que mais joga dentro da área pintada é a Hirinch-Gordon-Nocioni-Thomas-Noah, seguida de perto pelo quinteto idêntico, mas com Rose no lugar de Hinrich. Os times que menos atacam a cesta são os que usam o Gooden como pivô: como todo mundo que enjôou de ver ele na ESPN nas transmissões do Cavs sabe, o Gooden vive por causa de seu arremesso, não faz mais nada no ataque.

Queria saber o que os torcedores do Bulls acham a respeito, já que visão de torcedor sempre é bem mais crítica e diferente, mas acho que esse Bulls do Del Negro ainda não tem cara depois de 10 jogos. O que até pode ser bom! Nos jogos que eu vi ele variou bastante as formações e está em busca da fórmula certa. Se daqui a 50 jogos ele ainda estiver trocando tudo o tempo inteiro em busca da tal fórmula é porque ele está perdido e/ou desesperado, mas para um começo de temporada é até bom. Sinal de que ele não é cabeça dura, o que é uma revolução para a era pós-Skiles, aquele careca que não deixava ninguém usar faixa na cabeça.

Atualização:
Tava relendo o post e vi que eu falei, falei, mas não dei nenhuma sugestão de escalação. Então vão aí duas:

1. Rose, Gordon, Nocioni, Gooden, Noah

O Rose é imbatível, está aí por ser o melhor jogador do time. Acho que seu estilo de jogo deve ser o mais agressivo possível, sempre usando sua velocidade ou força. Se ele deve arremessar pouco ou bastante, depende da marcação que recebe, mas deve sempre ser uma ameaça no garrafão adversário para criar os arremessos de fora.

E é pelos arremessos de fora que eu escolho Gordon e Nocioni, os dois melhores arremessadores do time atualmente. E sou fã do Nocioni na defesa, ele não é tão bom quanto a dupla Chicão e William mas a sua falta de orgulho, sempre se jogando em jogadas difíceis sem medo de tomar enterrada na cabeça, é algo que eu acho sensacional. Muita estrelinha por aí nem pula nas bolas com medo de aparecer no YouTube passando vergonha.
Para o garrafão eu peguei a melhor opção ofensiva, Gooden, e a melhor defensiva, Noah. Nenhum dos dois é um primor em cada uma das áreas mas acho que é a combinação que mais se completa.


2. Rose, Hughes, Deng, Gooden, Noah

Apesar de tudo o que se passou em Cleveland, o Larry Hughes tem algum talento debaixo daquele monte de dólares e jóias. Com o Ben Gordon na sua reserva ele não precisa se preocupar em se poupar e pode ser um defensor agressivo, dando a defesa de perímetro que faria o Bulls um time ainda melhor na defesa.
Colocar o Deng no lugar do Nocioni deixaria o time com uma opção a mais de jogador que sabe criar seu próprio arremesso, suprindo a ausência do Gordon.

Mas de qualquer forma, prefiro a primeira opção, com o Larry Hughes vindo do banco junto com o Hinrich e o Deng, que, por mim, seria trocado.


Cena bizarra em Los Angeles!

Pressionado por Odom e "The Machine", o Tayshaun Prince capotou em cima de um cara e uma mulher na primeira fila do STAPLES Center. Resultado: o cara de cabelo descolorido não larga a mão do Prince, enquanto a garota faz uma careta e parece dar uma fungada no cangote do Prince como se ele fosse uma linda morena.



No fórum do InsideHoops fizeram um GIF com essa cena, que em câmera lenta fica muito mais engraçada.


8 ou 80

Sabe a melhor coluna sobre basquete no planeta, a "8 ou 80" do BasketBrasil? Ela está de volta e fala sobre o nosso amado Spurs. Leia lá e veja como o autor estava completamente correto quando escreveu: Bowen saiu do time, Spurs melhorou a defesa, as vitórias voltaram.
Esse cara que faz a coluna é um gênio, pena que está em último na Liga de Fantasy.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Chicago capenga

Hinrich em um momento "seria melhor ter ido ver o filme do Pelé"


O Bulls é um timinho complicado. Quando está ganhando, é fácil ver todos os seus pontos positivos, apreciar seu modo de jogar e achar que o time pode ser campeão. Quando está perdendo, fica óbvia toda a fragilidade da equipe, seus terríveis pontos fracos e parece que o time vai continuar perdendo pra sempre. Assistir um jogo do Bulls é como sair de balada com Ron Artest: você nunca sabe o que pode acontecer. Ele pode se comportar e ler a Bíblia, dizer que vai abandonar a carreira no basquete em nome de sua carreira (cof, cof) musical, dar uns tiros pro alto, deitar na mesa dos juízes, fazer 30 ou 2 pontos.

O complicado (acho que tanto com o Bulls quanto com o Artest) é que são justamente os méritos que formam também suas maiores falhas. Parece difícil de entender mas vou tentar explicar meu ponto de vista para até o Kwame Brown sacar do que eu estou falando.

O grande lance sobre o Bulls é que eles não têm uma grande estrela, um jogador que acabe com o jogo sozinho. Ao invés disso, eles têm um elenco sólido, profundo, em que todos podem contribuir, aproveitando quem estiver melhor na ocasião. A fórmula deu perfeitamente certo com o Detroit Pistons, levando-os ao título. Aquela equipe campeã tinha Billups, Rip Hamilton, Prince, Sheed e Ben Wallace. Nenhuma grande estrela, muito trabalho em equipe, todo mundo se revezando para carregar o piano nas costas.

O que não falta por aí na NBA é time com uma grande estrela fazendo tudo sozinha. O Cavs foi compeão do Leste com um time que defende bem, pega rebotes e tem LeBron James. Mike Brown, o técnico, tem duas jogadas treinadas para sua equipe. A primeira chama-se "Michael Jordan no Space Jam versão LeBron", ou seja, "você passa a bola pra mim e eu faço a cesta." A outra é a jogada "muito ajuda quem não atrapalha", ou seja, deixe o LeBron pegar a bola e faça a gentileza de sair da frente de Sua Majestade.

Por mais divertido que seja ver o LeBron fazer tudo sozinho e dominar um punhado de partidas, isso beira ao patético. Aposto que até o seu time aí nos Jogos Escolares deve ter jogadas mais planejadas do que essa palhaçada, o que significa que aquele seu professor de Educação Física (que deve ser fã de futebol e treina o time de basquete porque o emprego obriga) poderia ser o técnico do Cavs e tenho certeza de que as coisas melhorariam.

É justamente por isso que ver um time sem estrelas, com trabalho de equipe, é um alívio às vezes. Louvado seja o Bulls e sua falta de estrelas! Viva!

Acontece que esse é justamente o problema da equipe. Quando o negócio aperta não há ninguém pra fazer milagre. E manter o trabalho de equipe quando você está atrás do placar é complicado. Aquele Pistons em momento nenhum perdia a cabeça. Podiam estar perdendo por 20 mas era possível olhar na cara do Billups aquela expressão de "ótimo, ótimo, está tudo como planejado, vamos virar esse jogo em 3 minutos e 37 segundos com a mesma facilidade com que o Rasheed faz uma falta técnica."

O Bulls não tem essa segurança, não tem tranquilidade, não tem cabeça. Quando as coisas estão dando certo é tudo uma maravilha, mas quando estão dando errado todo mundo quer salvar o time (ou pior, ninguém quer salvar o time) e aí é que o touro vai pro brejo. (rá, pegou, pegou?)

Cabeça não é mesmo o forte dessa equipe. Hinrich e Deng não foram re-assinados pelo Bulls, não houve acordo, e toda essa falação sobre a ida do Kobe não ajudou em nada. No fundo, parece até sabotagem, um plano mirabolante criado para desestabilizar o Bulls e fazer com que eles despenquem de vez. (em algum lugar, o gordo do Eddy Curry pode estar dando sua risada maligna comemorando seu plano bem-sucedido com um gostoso donut)
Vamos ser sinceros, o Kobe não vai sair do Lakers nessa temporada, ainda mais com o time evoluindo. E o Bulls, que depende do trabalho em equipe, ficou nessa paranóia de "vão nos desmontar", "quem vai ser trocado", "o Kobe vai estuprar minha garota", essas coisas.

Existem outros problemas também. O belo jogo de perímetro do Bulls acarreta um terrível jogo ofensivo dentro do garrafão. O técnico Scott Skyles prometeu mudar o time titular e a mudança mais provável é a saída de Tyrus Thomas, que além do nome legal é um monstro defensivo que come ônibus escolares no café da manhã, para a entrada de Joe Smith. Olha, achar que a solução para seu problema de pontos no garrafão é o Joe Smith é como querer resolver a seca de alguém chamando a Preta Gil. Faça-me o favor.

Também não é motivo para pânico, o Bulls pode voltar aos trilhos a qualquer momento. Mas pode também continuar tomando sopapo com as atuações mais sofríveis que eu já vi em muito tempo. Não dá pra saber o que vai acontecer, o time é bom e frágil demais ao mesmo tempo.
Mas se as coisas ferrarem de vez, eu estou pronto para apontar o dedo para alguém: Ben Wallace. Só não vou me extender nisso porque como o assunto é polêmico, acho que merece uma coluna Bola Presa. Então aguardem.