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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quando é a hora de mudar?

Por que separar um casal tão lindo? S2


Podemos até ser piegas e falar sobre a vida como um todo: afinal, quando é hora de mudar? Quando é hora de mudar de casa, emprego, namorada, faculdade ou corte de cabelo? Em todos os esportes, na NBA também, a pergunta sempre vem: quando é hora de mudar? Quando é hora de mandar tudo às favas e recomeçar, ou só trocar de técnico ou mudar metade do time? Para todas essas questões, porém, temo que resposta definitiva só temos depois de tentar. Somos uma sociedade que julga pelos resultados, principalmente quando se trata de esportes.

Faltam 17 dias para o último momento em que os times podem realizar trocas nessa temporada e o assunto das mudanças está bombando. Carmelo Anthony à parte, são inúmeros times pensando se devem ou não dar uma chacoalhada no elenco. O time mais comentado é o Lakers, não só porque o Lakers sempre é um dos times mais comentados não importa o que aconteça no mundo, mas porque o General Manager do time Mitch Kupchak disse com todas as letras que pensa em uma troca para mudar a equipe e ver se eles acordam a tempo de defender o título. Seguido dessa declaração veio a do Ron Artest dizendo, insatisfeito, que queria ser trocado, declaração essa que depois foi negada pelo jogador. Ou seja, disse-me-disse que a imprensa brasileira esportiva chamaria de "crise".

Não é tudo isso, claro, tem muito exagero, mas o que vale é a questão se o Lakers deveria mesmo mudar o time. Para responder isso eu prefiro lembrar de algumas histórias, semelhantes ou não, antes.

Começo com o Indiana Pacers. Eles começaram a temporada arrasando, vencendo Heat e Lakers fora de casa e com a marca de 11 vitórias e 10 derrotas em seus primeiros 21 jogos. O problema é que depois disso eles venceram apenas 7 jogos nos 28 seguintes, perdendo algumas partidas bem humilhantes e, pior, com um aproveitamento ofensivo (pontos a cada 100 posses de bola) pior que o do Cleveland Cavaliers. Sim, Cavs, aquele time que ganha menos que o Vasco e o Corinthians juntos. Escrevemos um post sobre o time nessa época, tentando explicar porque o Roy Hibbert, por exemplo, que começou a temporada como forte candidato a jogador que mais evoluiu, estava virando o vencedor do prêmio TPM de jogador mais inconstante da temporada.

A resposta que o time arranjou para essa queda de produção foi demitir o técnico Jim O'Brien, que também atende pelo nome de Don Nelson II. Suas 11 escalações diferentes nos primeiros 40 jogos sem nenhuma grande contusão para justificar começaram a irritar muito os jogadores, que não entendiam porque jogavam 40 minutos em um dia e 3 no outro. Os mais prejudicados eram Darren Collison, Paul George e Tyler Hasnbrough. O último chegou a se declarar finalmente livre depois da demissão do antigo chefe, e disse que "agora finalmente vai ser mais divertido". Não que ele seja titular agora, o assistente técnico e novo treinador Frank Vogel optou por deixar Josh McRoberts como o ala de força titular e Hansbrough como primeira opção do banco. Simplesmente saber com quem joga, quantos minutos e sua função muda tudo para os jogadores.

Mas mesmo com esses acessos de doideira, O'Brien foi o técnico que fez o Pacers um bom e veloz ataque mesmo com poucos bons jogadores nos últimos anos e uma das melhores defesas da liga nesse ano (8º lugar) mesmo sem o melhor elenco do mundo para essas funções. Para a diretoria então chegou a hora de pesar o que o técnico ofereceu nos últimos anos e como seu comportamento estava incomodando os jogadores, decidiram mandá-lo embora. Essa não foi difícil, O'Brien não é ruim como muita gente acredita mas não é indispensável. A mudança tem dado resultado, apesar de poucos jogos para medir tudo, é consenso geral na imprensa americana que os jogadores parecem felizes e motivados de novo, além do clima bem mais leve no vestiário segundo quem esteve lá. Era hora de mudar mesmo.

Uma história bem parecida aconteceu algum tempo antes ainda nessa temporada quando o Charlotte Bobcats mandou o Larry Brown embora. O cara é um gênio, um dos que melhor armou defesas na história da NBA e até hoje o único treinador a ter levado o Bobcats aos playoffs. Mas também é um mala sem alça que não dá a menor liberdade para os seus jogadores dentro de quadra, cobra sem parar, é ranzinza e usava esse tipo de roupa quando era técnico nos anos 70. Isso sempre provoca um ciclo em que os jogadores começam respeitando o Larry Brown, o amam quando o time começa a vencer, e depois o odeiam quando a rotina infernal se torna maior do que as vitórias. Foi assim em várias de suas equipes, até no vencedor Detroit Pistons de 5, 6 anos atrás. Sem contar o sentimento de que "a gente é bom e pode vencer sem ele" que cresce depois de um tempo.  Foi o que aconteceu no Bobcats e um dia depois de uma declarações pública bem agressiva do Stephen Jackson, o técnico foi demitido. Captain Jack disse que "Como um time estamos jogando muito mal. E no fim das contas é o trabalho do técnico nos preparar para o nosso trabalho que é entrar em quadra e jogar."

Esse caso não é tão óbvio como o do Pacers. Larry Brown faz bem mais diferença que o Jim O'Brien em um time, mas com todo mundo resmungando, o que era mais fácil, trocar Gerald Wallace e Stephen Jackson por pirralhos ou trazer um técnico mais gente fina e sorridente? Diz a lenda que eles até tentaram trocar o Wallace, mas sempre pediram coisas demais em troca e as negociações morriam rápido. Sem conseguir o que queriam para a troca, deram um pé na bunda do Brown e trouxeram Paul Silas, primeiro técnico do LeBron na NBA e que é conhecido por ter bom diálogo com os jogadores e ser bem liberal. O resultado foi um Bobcats mais motivado, com liberdade criativa no ataque e que pelo menos ainda não piorou tanto assim na defesa. Numericamente o time faz um pouco mais de pontos e toma um pouco mais, não é tanta diferença assim, mas ninguém mais reclama e o time voltou a vencer. Dá pra considerar a troca um sucesso, embora o time esteja condenado a não ir para lugar algum com esse elenco limitado.

Esses foram dois casos em que a mudança veio pelo elo mais fraco, o treinador, e que deu resultado mais porque os jogadores voltaram a jogar com vontade do que por questões técnicas e táticas. Vamos lembrar de outro time que mudou, mas que o fez radicalmente e via trocas. O Orlando Magic trocou peças importantes do time, incluindo titulares e os melhores reservas para refazer meio time. Em pouco tempo a defesa se manteve no (bom) mesmo nível e o ataque floresceu de maneira impressionante. Como citamos no último Filtro, todos os principais jogadores (tirando Arenas) tem aproveitamento de arremessos muito acima da média da NBA. O número de vitórias também cresceu e o risco gigantesco de trocar tanta gente no meio da temporada pode ser considerado um sucesso. Mas como nada é perfeito, com a contusão do Brandon Bass e sem Marcin Gortat no banco eles sentem falta de mais alguém forte no garrafão para ajudar Dwight Howard. E sem o carrapato do Mickael Pietrus para marcar o LeBron, King James meteu 51 pontos na fuça do Orlando. Sempre precisamos de tempo para ver todos os lados de mudanças tão drásticas.

Quem tentou mudar nessa temporada, portanto, vem tendo sucesso. Mas isso não quer dizer que o Lakers deve fazer o mesmo. O time não tem jogado tão mal quanto as pessoas tentam empurrar, o problema é quando tem jogado mal, o Lakers perdeu jogos importantes contra Celtics, Heat, Bulls e Spurs, por exemplo. Mas até contra o Heat e Celtics eles não jogaram mal durante toda a partida e na última contra o Spurs jogaram até muito bem, perdendo apenas por um pequeno vacilo ao deixar o Antonio McDyess dar um tapinha no rebote ofensivo no segundo final do jogo. O time não é perfeito, tem defeitos, mas teve também nos últimos três anos e venceu o Oeste mesmo assim. Além disso, se for trocar, vai trocar quem? Odom, Gasol e Bynum não estão jogando mal e Artest ninguém vai querer. Mandar o Phil Jackson embora acho que nem o torcedor mais louco cogita!

Com um elenco tão bom e que ganhou tantas coisas nos últimos anos eu acho muito precipitado tentar qualquer mudança abrupta no elenco, a não ser que alguém proponha uma troca do tipo Derek Fisher e uma foto autografada da Juju Panicat pelo Deron Williams e um abraço apertado. E depois da troca do Pau Gasol ninguém está muito a fim de dar coisas de graça para o Lakers. Se o time precisa jogar melhor contra os seus principais adversários, e precisa mesmo, os ajustes devem ser mínimos, táticos, não extraordinários. Para isso o Gasol precisa descansar mais, o Joe Smith precisa de mais minutos em quadra para os jogadores de garrafão terem um descanso, o Andrew Bynum precisa ser mais acionado no ataque e deixar de ser às vezes a quarta opção ofensiva e até algumas mudanças na rotação do time devam ser consideradas. Sabia que entre todos os quintetos usados pelo Lakers na temporada, os que envolvem o Luke Walton sempre tem bom aproveitamento ofensivo? Ele poderia ganhar mais tempo de quadra. O Matt Barnes também tem bons números, está fazendo falta e deve ser considerado já um bom reforço para os playoffs.

Eu vejo a maioria dos jogos do Lakers por ser torcedor e já vi muitos jogos horríveis deles nessa temporada, mas se tivesse que achar um meio termo entre todos esses jogos irregulares da equipe eu diria que se o banco de reservas jogar bem como jogou no primeiro mês da temporada o time está muito bem na fita. E quando o banco toma muitos pontos e o Lakers fica atrás no placar os titulares mudam o jeito de jogar e tudo vai por água abaixo. Quando o time está ganhando o Kobe está frio, calmo e joga o seu estilo de costurar a defesa, achar oponentes bem posicionados, envolver todo mundo e de repente o Lakers parece imparável. Mas se o Gasol está em um de seus dias de Cisne Negro (como diz o True Hoop) e nada cai pra ele, Kobe para de passar a bola, aí Artest erra meia dúzia de arremessos e o Kobe sente que ninguém está em um dia bom e ele que deve vencer sozinho. É a pior coisa para a equipe, não que ele não consiga marcar os seus pontos assim, ele marca e é lindo de assistir, mas não é coincidência que nessa temporada ele passou dos 35 pontos em 4 ocasiões e o time perdeu 3 desses jogos. E nos jogos em que tentou mais de 25 arremessos o Lakers perdeu 6 e venceu 4 (duas das vitórias sobre o poderoso Wolves).

Por favor não comecem com mais um ataque de loucura achando que a gente odeia o Kobe e quer menosprezá-lo. Busquem por tudo o que já falamos dele nesses três anos e vejam o quanto admiramos o seu talento e como sabemos que ele é espetacular e fora de série. Mas nesse caso, nessa temporada e nessas situações, ele não tem feito bem para o time. Simples assim. E vocês até podem interpretar isso de um jeito bonito, mostrando como ele é competitivo e tem vontade de vencer a qualquer custo (se é que isso é mesmo bonito).

E o problema do Kobe diz tudo sobre os problemas do Lakers. Não é porque existem defeitos a serem corrigidos que uma troca é a solução. O Kobe precisa mudar sua atitude em alguns jogos ou momentos de jogos, mas de jeito nenhum que vão trocar o homem. O mesmo serve para Pau Gasol, Lamar Odom e até o Ron Artest, quem viu o jogo ontem contra o Hornets percebeu como o Ron Ron ainda é um defensor fora de série. Para mim essa não é a hora de Mitch Kupchak tentar mostrar que é um grande General Manager e mudar tudo, mas é a hora do Phil Jackson se mexer e mostrar os talentos que já mostrou tantas vezes para motivar seus atletas e buscar alternativas táticas.

E só para não dizer que só demos exemplos de times que melhoraram mudando, como citei aqui Pacers, Magic e Bobcats, posso lembrar também do Boston Celtics, que decidiu não mudar. No ano passado o time parecia velho, cansado e penou para se classificar em quarto lugar no Leste, a mesma história do Lakers desse ano. Mas aí nos playoffs eles jogaram demais e só por uma inspiração divina do Ron Artest não ganharam o título. Eles poderiam ter trocado o contrato expirante do Ray Allen no meio da temporada passada ou até mesmo não ter renovado depois que ele esteve gelado como uma atuação da Vera Fisher nos últimos jogos das finais. Mas não, decidiram não só manter a base que tinha sucesso como também adicionaram, sem perder nada além de Tony Allen, e o time velho, com mais um ano nas costas e mais os quase 40 do Shaq, é ainda melhor do que antes.

Como eu disse no começo do texto, só dá pra saber o resultado da mudança quando se tenta ela. E é o tipo de coisa que temos a tendência de julgar pelo resultado porque o outro lado da história a gente só pode imaginar, mas mesmo assim considero esse caso do Lakers mais fácil que os outros. Pacers e Bobcats praticamente não tem nada a perder, o Magic era um time que precisava de mudança porque o time vencedor de 2009 já havia sofrido uma grande transformação (saída de Turkoglu por Vince Carter) e uma queda de produção nos playoffs do ano passado. O Lakers, ao contrário, vem de um título! O quanto seria precipitado (e inédito) um time bi-campeão ser desmontado ou remodelado só porque perdeu meia dúzia de jogos simbólicos na temporada regular? Sossega, Kupchak.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Preview 2010-11 / Charlotte Bobcats

O da esquerda foi pro Knicks, o da direita iria pra 
putaqueopariu se o Larry Brown pudesse escolher


Objetivo máximo: Playoffs
Não seria estranho: Ficar em 9º ou 10º no Leste
Desastre: Passar muito longe dos 8 primeiros da Conferência

Forças: Técnico e elenco especializados em defesa
Fraqueza: Ataque fraco. Perdeu jogadores e não conseguiu reposição à altura

Elenco:

Charlotte Bobcats
Titulares
Reservas
Resto
PG
DJ Augustin
Shaun Livingston
SG
Stephen Jackson
Gerald Henderson
Matt Carroll
SF
Gerald Wallace
Derrick Brown
Dominic McGuire
PF
Boris Diaw
Tyrus Thomas
Eduardo Najera
C
Kwame Brown
Nazr Mohammed
DeSagana Diop


Técnico: Larry Brown

Larry Brown é o único técnico da história do basquete americano a ter um título da NCAA e da NBA. No currículo tem façanhas como fazer aquele Pistons sem estrelas (ou que viraram estrelas depois daquela temporada) de 2004 bater o Lakers de Shaq, Kobe, Malone e Payton e fazer o Allen Iverson jogar o melhor basquete da sua vida. No último ano conseguiu ser o primeiro técnico a levar o Bobcats, caçula da NBA, para os playoffs.

Historicamente, e novamente com o Bobcats, Larry Brown faz sua fama por montar boas defesas. O Sixers de 2001 que foi até a final contra o Lakers era uma defesa sólida, com Dikembe Mutombo ainda em seus bons anos e o ataque todo nas mãos de Iverson. O Pistons de 2004 tinha um ataque mais eficiente, bem montado, mas foi o que foi na história da liga por sua defesa. Sob o comando de Larry Brown é que Ben Wallace deixou de ser um desconhecido para se tornar o melhor defensor do mundo por tantos anos. Outra característica básica do treinador é a sua exigência. É bem comum ele afastar jogadores ou falar mal deles publicamente quando acha que não estão se dedicando o bastante em quadra. É uma espécie de Scott Skiles, mas com jogadores que os respeitam mais.

No Bobcats ele parecia estar tentando simular o que fez em Detroit, se preocupando com uma defesa forte e deixando o ataque mais no jogo de meia-quadra, com um ou dois jogadores inteligentes atuando como o Chauncey Billups do time, segurando a bola na mão por bastante tempo e tomando decisões por conta própria. Primeiro era Boris Diaw, que na temporada passada perdeu esse papel para Stephen Jackson. Apesar dos dois estarem jogando bem, não levam o time nas costas. Larry Brown ainda não conseguiu achar um jeito de fazer a melhor defesa da NBA virar um ataque competente. Seu histórico de ataques pouco eficientes e dependente de estrelas, somado ao elenco do Bobcats, dão a entender que Larry Brown vai penar muito nessa temporada para voltar a seus melhores resultados. Mas sem ele o Bobcats estaria fadado às últimas posições da liga.

...

O Raymond Felton nunca chegou a ser aquela grande estrela que tanta gente achou que ele seria. Mas não é nenhuma decepção também. Bom armador, sabe pontuar e por muitas vezes, com suas jogadas individuais, foi a válvula de escape do Bobcats em quartos períodos. Mas agora ele está no New York Knicks. Então quem entra no lugar dele no time? Em teoria seria o DJ Augustin, único outro armador do elenco, mas o caso não é tão simples assim. Durante muitos jogos o Felton estava jogando mal ou simplesmente precisava descansar e o Larry Brown se recusava a colocar o DJ Augustin, seu reserva imediato, em quadra. Ou deixava o Felton por mais tempo em quadra ou improvisava o Stephen Jackson ou até mesmo, no fim da temporada, o Larry Hughes. Perguntado uma vez sobre porque Augustin não estava jogando, ele respondeu algo como “Porque ele não defende e não sabe armar jogadas” ou algo assim.

Eles definitivamente não se dão bem e já tentaram trocar o cara muitas vezes, sempre sem sucesso. Muita gente até está apostando que o armador titular pode acabar sendo o Shaun Livingston, mas eu duvido. Apesar de ser um jogador inteligente, nunca foi o mesmo depois da sua contusão-Lego (só assista se tiver sangue frio) e eu não acho que seja bom o bastante para ser titular atualmente.

Outro problema do time hoje em dia é a inutilidade do Boris Diaw. Quando ele chegou no time no meio da temporada retrasada revolucionou o ataque da equipe, finalmente dando qualidade de passe e inteligência. Mas essa função passou a ser realizada pelo Stephen Jackson no último ano, agora Diaw é um cara que defende mal, não sabe arremessar e não tem a bola na mão pra fazer o que faz melhor (e faz como poucos no mundo), passar a bola. Diaw também está acima do peso faz algum tempo e Larry Brown, que nunca perdoa, já deixou clara sua insatisfação com isso.

O ótimo blog NBA Playbooks deu uma boa solução para o Bobcats desviar a atenção dos seus defeitos e passar a ser mais conhecido pelas suas qualidades. O segredo é usar a tática que o Philadelphia 76ers usou nos últimos anos, virar o time do contra-ataque, jogar em velocidade. O Sixers se destacou com isso, principalmente na temporada retrasada, porque tinha bons defensores, ótimos ladrões de bola e um time inteiro que sabia fazer pontos de transição. Não dá pra ganhar títulos só com isso, mas quando estamos falando de time com poucas ambições, é uma saída.

O DJ Augustin não sabe armar o time, ele se destaca pelas suas bolas de três e velocidade. Então pode ser bem útil para simplesmente pegar a bola e sair correndo. Se aprender a dar os passes certos nas horas certas, coisa que eu sinceramente não sei se ele sabe fazer, será um passo importante para se firmar como titular. Se isso não der certo eles podem deixar a bola na mão do Stephen Jackson ou do sempre espetacular Gerald Wallace. Apesar de mais altos e pesados, são velozes e puxam contra-ataques com muita qualidade. Eu não descartaria por completo a idéia do Larry Brown colocar no time titular, ao invés do Augustin, o Gerald Henderson, jogador de 2º ano que teve poucas chances na temporada passada. Ele não é armador nato, mas é veloz e atlético nos contra-ataques e se tiver um relativo sucesso marcando os armadores adversários pode ganhar a vaga. Aí a idéia seria usar a defesa esmagadora para roubar a bola ou conseguir um rebote defensivo e sair em velocidade com o trio Henderson, Wallace e Jackson. Em situações de meia quadra aí a armação teria que ficar mesmo com o Captain Jack. Não é o ideal, mas considerando quanto o Larry Brown odeia o Augustin, há uma chance.

Na última temporada o Bobcats foi um dos times que mais forçou erros dos adversários e um dos que mais forçou erros de arremesso, então as chances de pegar a bola e forçar o jogo de transição estão aí. Para ser o time perfeito para atuar nesse esquema falta apenas um melhor reboteiro. No ano passado eles estavam bem abaixo da média para um time especialista em defesa e para essa temporada ainda perderam Tyson Chandler por nada.

Como se perder Felton por nada não fosse o bastante, ainda conseguiram ser piores com o Chandler. Porque dessa vez ganharam despesas em troca. O pivô foi para o Dallas em troca de Erick Dampier, Eduardo Najera e Matt Carroll. Erick Dampier era a peça chave da troca porque ele tinha um contrato não garantido de 13 milhões de dólares para essa próxima temporada, então um time poderia dispensá-lo antes da temporada começar e economizar 13 milhões. A idéia do Bobcats era usar o Dampier como isca de troca para times que queriam se livrar de jogadores caros. Como o Dallas já tinha provado nos meses anteriores, não deu certo. Ninguém queria o Dampier nem para despachar contratos imensos, ou queria no máximo mandar um Eddy Curry da vida, o que também não interessava o Bobcats. Resultado? O próprio Bobcats foi obrigado a dispensar o Dampier para não ter que pagar 13 milhões (mais as multas por passar do teto salarial) por um jogador tão mais ou menos. Ou seja, o Bobcats trocou Tyson Chandler, seu pivô titular, pelos horríveis contratos de Eduardo Najera e Matt Carroll que, juntos, não devem jogar mais de 8 minutos por jogo. Uma offseason para ser esquecida em Charlotte.

Para coroar o novo sistema ofensivo sugerido, poderia também haver uma troca no time titular de Boris Diaw por Tyrus Thomas. O QI do time cairia de um prêmio Nobel para um rato velho, mas ganharia muito em velocidade, defesa e teriam mais um cara para acompanhar os contra-ataques. O grande defeito do Tyrus Thomas é ser inútil no jogo de meia quadra, já que não sabe jogar de costas pra cesta, mas até aí o Diaw não é grande coisa. Mesma coisa no arremesso de média distância, Tyrus Thomas, embora tenha melhorado muito, ainda é irregular, assim como é Diaw hoje em dia. Com essa mudança o Diaw poderia até ser mais útil, voltando a ter a função de organizador do ataque quando o Stephen Jackson fosse descansar.

Embora tenha divagado tanto sobre as possibilidades ofensivas do time, a verdade é que o que define mesmo o time é a sua defesa. Apesar dos pesares, enquanto forem a melhor defesa da NBA vão incomodar muita gente. Vão ser uma espécie de Pacers do meio da última década que era o famoso time construído para vencer por 51 a 49. Deem uma olhada nesse vídeo do último ano em um jogo contra o Heat, foi um massacre defensivo:

domingo, 18 de abril de 2010

Preview dos playoffs - parte 3

Domingo, dia de sujar a roupa com molho de tomate e de acompanhar a estréia de mais 8 times nos playoffs de 2010. Ontem analisamos as séries entre Cavs/Bulls e Bucks/Hawks na parte 1 e Celtics/Heat e Nuggets/Jazz na parte 2. Começamos hoje com os dois primeiros jogos da rodada, Lakers/Thunder e Magic/Bobcats.


Vamos ao trabalho, crianças!

Los Angeles Lakers x Oklahoma City Thunder


O que o Lakers precisa fazer para vencer:
Foram 4 jogos na temporada entre as duas equipes, o Lakers venceu 3 partidas bem disputadas e tomou uma sacolada na última. Em todos os jogos o Thunder usou a mesma tática, colocou o ótimo Thabo Sefolosha grudado no Kobe e sempre dobrou a marcação quando qualquer um dos pivôs do Lakers chegava perto da cesta.

A pressão no Kobe fazia ele não conseguir passar muito tempo com a bola na mão e a marcação dupla no garrafão forçava turnovers e passes para fora, para arremessos de 3 pontos, parte do jogo que o Lakers não tem feito bem em toda a temporada. O caminho para superar essas dificuldades é a paciência. A marcação dupla muitas vezes força um passe para fora, mas se as bolas não caírem de novo, o time pode colocar a bola de novo no garrafão ou ir para a infiltração, ou tentar um pick-and-roll, são inúmeras as possibilidades. O Lakers tem muitos jogadores bons, quase todos bem versáteis e o sistema de triângulos pede que o time seja esperto e saiba ler a defesa antes de movimentar a bola. É só seguir o script e não se desesperar que o Lakers leva a série sem dores de cabeça.

O problema é que nos jogos da temporada regular, mesmo com as vitórias, o Lakers não manteve a calma. O time ficou muito frustrado com a defesa pentelha do Thunder e forçou muitos arremesses e jogadas individuais sem sentido. A movimentação de bola, junto com o estabelecimento do jogo de garrafão (que passa pela volta do Bynum de contusão), vão decidir se o Lakers vai sofrer ou não contra o jovem time dos ladrões de franquia.

O que o Thunder precisa fazer para vencer:
O Lakers tem mais talento, mais elenco e um garrafão infinitamente superior, a primeira coisa que o Thunder precisa fazer é dar um jeito de não ser trucidado nos rebotes. Não adianta nada defender bem se o Lakers tiver duas ou três chances a cada posse de bola. Nisso o Nick Collison e o Serge Ibaka vão ter que se superar, senão já era.

Mas não é só em defender o poderoso ataque do Lakers que o Thunder terá problemas. O Kevin Durant é lindo, é fantástico, foi o jogador mais jovem da história a ser o cestinha de uma temporada e todos nós amamos ele, mas nos 4 jogos contra o Lakers nessa temporada a sua média não foi de 30 pontos, mas de "apenas" 25. Somente nos jogos contra Mavs, Magic e Rockets ele teve números piores que esses. E o aproveitamento de 19% nas bolas de 3 é o pior entre todas as equipes! Ou seja, Ron Artest está merecendo seu salário. No primeiro jogo entre os dois times em especial, o Durant estava fazendo chover até começar o quarto período, quando o Artest não deixou ele respirar. Se o Thunder quer ter uma chance de ser o Warriors da vez, o Durant tem que arranjar um jeito de superar a marcação do Ron Ron, seja lá que jeito seja esse.

Por fim, uma boa saída para os momentos em que o Durant estiver com dificuldades para marcar seus pontos é usar bastante o Russell Westbrook. O Lakers tem problemas em marcar armadores rápidos porque o Derek Fisher é um senhor de idade e o Westbrook não é só veloz como bem forte e pode lidar com o garrafão forte do Lakers. As infiltrações dele também podem ser um bom jeito de deixar outros jogadores livres, único jeito de envolver caras como Collison e Sefolosha, importantes na defesa, também no ataque.

Previsão de resultado: Lakers 4 x 1 Thunder. O time é jovem, bom, empolgante e merece toda a babação de ovo que tem recebido, mas nenhum time sem pivô vai derrotar o Lakers nesses playoffs. E tiveram azar em pegar um dos melhores marcadores do Durant logo na sua estréia nos playoffs, deve dar Lakers.


Orlando Magic x Charlotte Bobcats


O que o Magic precisa fazer para vencer:
Sabe contra quem o Dwight Howard fez a sua única cesta de três na carreira? Contra o Bobcats. Sabe contra quem o Dwight tem maior média de rebotes em toda a carreira? Contra o Bobcats, 15,2 por jogo. Também é contra o Bobcats a quarta maior média de pontos do Superman e é o Bobcats um dos 5 times a sofrer com aproveitamento de mais de 60% dos arremessos do Dwight ao longo de sua carreira.

Não sei o motivo dessa fixação, mas o Dwight sempre trucidou com o Bobcats desde o seu primeiro ano. Ele chegou na NBA em 2004 como primeira escolha, a segunda foi o Emeka Okafor, do Bobcats, e esperavam uma grande rivalidade entre os dois. Mas não deu certo, o Dwight levou isso a sério mas o Okafor nunca teve chance, foi sempre um massacre. Em 24 jogos entre as duas equipes desde que Dwight e Bobcats chegaram na NBA foram 16 vitórias do Orlando Magic.

Quero dizer com isso tudo que o Magic tem o número do Bobcats, eles sabem o que fazer contra o time desde sempre e não vão ter grandes problemas pra fechar essa série. O Vince Carter vai ter dificuldades contra a marcação do Stephen Jackson e do Gerald Wallace, o Rashard Lewis não vai achar um garrafão lento pra poder abusar, mas eles souberam lidar com isso até hoje e ninguém no Bobcats tem a menor idéia de como segurar o Dwight Howard. O Magic foi o melhor time da NBA nos últimos três meses e só precisa jogar do mesmo jeito, com a mesma dedicação defensiva e ataque paciente para passar para a próxima fase.

O que o Bobcats precisa fazer para vencer:
A que tudo indica, o Tyson Chandler, eterno machucado, pode estar de volta para a primeira partida de playoff da história do Bobcats. A presença dele, junto com a do Nazr Mohammed, é essencial para o Bobcats conseguir frustrar o Dwight Howard no ataque. Se eles conseguirem encher bastante o saco dele e forçar o pivô do Orlando àqueles jogos em que ele só tenta uns 7, 8 arremessos, está ótimo.

Porque sem a presença dele no ataque o Magic é forçado a usar suas armas de perímetro, como Jameer Nelson, Vince Carter e Rashard Lewis, jogadores que vão estar sendo marcados pela elite defensiva do Bobcats, Ray Felton, Stephen Jackson e Gerald Wallace. O Bobcats não vai conseguir ir longe se cair no ritmo rápido do ataque do Magic, precisa defender forte e deixar o ritmo no estilo Larry Brown, bem devagar e com o ataque lento e bem pensado.

No setor ofensivo uma coisa é certa, eles não vão longe sem o Stephen Jackson. Se ele não estiver em um dia bom, pode esquecer, se resolver carregar o time nas costas, eles tem uma chance. Mas como ninguém leva um time nas costas por 7 jogos, eventualmente outros caras vão ter que ajudar, seja o Gerald Wallace nos contra-ataques, o Felton com seu jogo meio preguiçoso ou até o DJ Augustin, melhor arremessador de 3 da equipe que aos poucos vai ganhando minutos. O Magic não é famoso pela defesa como é pelas bolas de 3 pontos mas mesmo assim defende muito bem, é certamente uma das três melhores defesas da NBA, a movimentação de bola e a calma no ataque vão ser muito importantes para o ataque do Bobcats não empacar.

Previsão de resultado: Magic 4 x 1 Bobcats. O Bobcats é bom demais em casa e talvez até consiga vencer os dois jogos em Charlotte, mas o Magic está jogando com tanta confiança nos últimos meses que acho que vão se dedicar e jogar com cuidado o bastante para nem dar chance do Bobcats se animar muito.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Jogadores debaixo do tapete

"Não penso, logo não existo?"


Num incrível passe de mágica, Gilbert Arenas está desaparecendo. Após ter (se os relatos estão corretos) levado armas sem munição para o vestiário do Wizards, oferecido uma a seu colega Javaris Crittenton como piada, e depois tirado sarro de toda a situação apontando os dedos como se fossem armas para sua equipe numa apresentação do time, qualquer coisa que lembre o Gilbert Arenas está desaparecendo na miúda. Suas fotos sumiram dos produtos do Wizards, um banner com seu rosto desapareceu da entrada do ginásio, sua camiseta não é mais vendida nas lojas e imagens de suas jogadas foram retiradas do vídeo de introdução da equipe. Arenas não teria sido tão eficiente em sumir do mapa nem se tivesse forjado a própria morte (o Elvis está aí pra provar, já que até hoje a gente sabe muito bem que ele não morreu coisa nenhuma e está aproveitando férias no Havaí com o Tupac). Era de se supor que, após a suspensão "por tempo indeterminado" ditada por David Stern, o Wizards brigasse para ter sua estrela de volta às quadras. Pelo contrário, a equipe está feliz da vida de se livrar do armador. Feliz o bastante para apagar quaisquer vestígios de que Gilbert Arenas um dia tenha chegado a acontecer.

O Denis já debateu bem o caso e, realmente, armas são feitas para matar gente e é um tanto imbecil levá-las para o vestiário do seu trabalho, ainda que sob pretexto de tirá-las de casa e de perto dos seu filhos (que tal dar a arma pra polícia e pronto, não ter mais que lidar com isso?). No entanto, é estranho como o caso provocou tanto horror e uma suspensão brutal justamente numa cultura obcecada por armas, em que você pode comprar munição no mercado ali do lado do leite , com grupos de adoradores de armamentos e uma série de leis que favorecem o porte. Armas estão de tal modo dentro da cultura americana que uma longa lista de jogadores estão ou estiveram envolvidos em casos de porte ou utilização de armas de fogo, sem que ninguém sofresse punições muito severas. Escrevi um longo post sobre o Delonte West, que foi parado pela polícia e calhou de estar com duas pistolas no corpo e uma shotgun escondida numa mala para guitarras, não exatamente o tipo de coisa que você leva para tocar no aniversário da sua sobrinha. Não houve qualquer grande medida por parte da NBA, mesmo estando todas as armas repletas de munição, enquanto o Stephen Jackson foi suspenso por 7 jogos depois de ter dado vários disparos depois de uma briga numa boate. O Jamaal Tinlsey também já se meteu em mais tiroteios do que o Charles Bronson, tendo sido suspenso um par de vezes (e dando uns depoimentos engraçados, porque ele realmente acha que é normal pra qualquer cidadão se meter em conflitos armados de duas a três vezes por semana), mas nunca nada grave.

A atitude do Arenas foi uma merda, armas não são bolacha Passatempo ou revistas de mulher pelada pra ficarem no armário do trabalho, e piadas com troços letais sempre dão algum tipo de merda. Mas a mensagem que eu estou recebendo aqui é que você não pode ser burro e fazer uma piada imbecil, sob pena de ser banido da NBA, enquanto está tudo bem dar uns balaços para o alto ou em outras pessoas em confrontos quaisquer mundo afora. David Stern ainda não decidiu nada sobre Javaris Crittenton, que pelo jeito respondeu à piada do Arenas sacando sua própria arma e dando um tiro para cima no ginásio, alegando que aguardará o término das investigações. Mas o Arenas foi suspenso sem espaço para reclamações, simplesmente porque tirou sarro da situação. O Jamaal Tinsley nunca tiraria sarro de um tiroteio, o negócio pra ele é real, sua cabeça parece estar sempre a prêmio e ele vive essa realidade tão barra-pesada e distante que o David Stern quer fingir que não existe. Mas o Arenas não, é apenas um garoto entediado, fazendo piadas no seu blog e no Twitter, tão distante desse lance de armas e balas na periferia que não pode deixar de tirar sarro dessa imagem de bandido maluco favelado que tentaram colocar nele. Se o esteriótipo já é uma besteira para qualquer um, deve ser ainda mais ridículo para um garoto mimado que não fez outra coisa além de jogar videogame enquanto esperava seu joelho se recuperar. A brincadeira com as armas foi idiota, a piada com a imagem que a mídia lhe criou foi ingênua (todo mundo sabia que o também entediado mas poderoso David Stern ia ficar bravinho), mas a punição foi totalmente descabida. Jogadores que usaram suas armas de fogo contra outras pessoas estão jogando por aí. Jogadores acusados e condenados por correr demais, acidentes de carro, dirigir alcoolizado. Li recentemente que, pego em excesso de velocidade, LeBron James disse rindo que estava apenas com sono e queria ir pra casa dormir. É claro que ele nunca seria suspenso, o David Stern é burro mas não é bobo.

Uma cagada não anula a outra. O que o Arenas fez foi uma besteira, mas isso não quer dizer que qualquer ação por parte do David Stern é justificável, a besteira do nosso engravatado favorito não pode passar despercebida apenas porque todo mundo quer tacar cocô no Arenas. Aliás, qualquer medida da sua parte seria uma besteira descabida, o que a NBA tem a ver com a parte legal e judicial de seus jogadores? Deixem Arenas ser acusado, sentenciado e preso por transporte e porte de armas de fogo em Washington como está prestes a acontecer, pronto. Deixe JR Smith passar 60 dias na cadeia por causar, em alta velocidade, o acidente de carro que matou seu melhor amigo. Por que a NBA insiste em se meter nesse tipo de questão? Qual a relação entre basquetebol e o babaca ter dirigido bêbado na noite de ontem? Outros âmbitos são responsáveis por isso, é preciso haver uma separação urgente, antes que David Stern comece a pedir currículos para decidir se um jogador pode participar do draft: só poderão ser escolhidos aqueles que forem brancos, protestantes, não fumarem, não beberem e não saírem de casa depois das 21h (os chineses também podem, eles dão dinheiro).

Voltando ao mundo do basquete, o mais curioso nesse lance do Arenas é o Wizards estar desaparecendo com o seu jogador. Pelo jeito, estão apenas aguardando, com água na boca, o David Stern deixar que eles invalidem o contrato do armador. O motivo é simples: ao pagar 111 milhões num contrato de 6 anos, a franquia esperava não apenas um jogador que levasse o Wizards ao topo do Leste, mas também o jogador mais carismático e vendável da NBA. O que acontece é que esse pirralho bocudo perde o amigo mas não perde a piada, o que não é lá muito vendável. Quanto mais declarações bem-humoradas, mais gente passava a ficar ofendida com alguma coisa (a gente aqui no Bola Presa descobriu, desde muito cedo, que o humor sempre está ofendendo alguém que você nem imagina, basta tirar sarro de andorinhas e o Sindicato dos Adoradores de Andorinha entra em contato por e-mail) e aos poucos o Arenas foi deixando de ser unanimidade. Muita gente meteu o pau no Arenas até por falar demais - como se a gente não falasse demais em todos os veículos que nos dão voz, até no "Fala que eu escuto" às 3h na Record - porque seu papel na vida é jogar. Só que jogar com o joelho transformado em poeira fica difícil, então os 111 milhões não serviam nem para ter um garoto-propaganda bacana nem pra ter um jogador em quadra. Talvez quando ele ficar saudável tudo valha a pena, quem sabe? Aí então ele finalmente ficou saudável depois do time feder tanto sem ele e, surpresa: o time continua fedendo. Dar um salário desses para alguém que, mesmo quando joga, não consegue salvar o time lá das piores colocações do Leste? É por isso que o Wizards quer tanto terminar o contrato e se livrar desse fardo, até porque fazer uma troca nesse valor seria quase impossível.

A mesma coisa anda acontecendo em Milwaukee. O Michael Redd vai ganhar 18 milhões na temporada que vem, e para quê? Passou a última temporada inteira contundido, jogou minutos limitados nessa e já foi anunciado que estará fora pelo resto da temporada graças a uma nova cirurgia. Mesmo quando jogava, no entanto, Redd nunca pareceu o tipo de jogador capaz de carregar sozinho uma franquia. Ele teve a chance de assinar um contrato mais modesto com o Cavs e, ao lado de LeBron, já teria atualmente 14 anéis de campeão. Mas não, preferiu ser a estrela de um time, encher as orelhas de dinheiro, e agora dá discursos dizendo que só quer vencer, só quer estar num time com chances de vencer. Burro foi o Bucks, de pagar tanto por um arremessador. Agora, a postura por lá é fingir que nada aconteceu, dar espaço para o Brandon Jennings e torcer para o Redd ir embora. Aliás, torcer para a lesão durar bastante porque aí a NBA devolve uma parte do salário. Mesma coisa com o Tracy McGrady: atualmente tem o maior salário da temporada (são mais de 23 milhões!), não jogou bulhufas contundido nos últimos anos, e o time acabou dando espaço para outros jogadores e outras formas de jogo. O que o técnico queria é que ele desaparecesse, mas se ele não jogar pelo menos uma parte do salário volta. Com certeza se Michael Redd e Tracy McGrady estivessem envolvidos num escândalo com armas, seus times aproveitariam para sumir com as fotos, banners, camisetas e vídeos. É uma chance de desfazer a burrada de dar um salário tão grande para um jogador que só se contunde, e tudo isso às custas do jogador - que não tem culpa nem de ter recebido a oferta contratual dos times, nem de estar contundido o tempo inteiro (aliás, tanto T-Mac quanto Arenas sempre quiserem jogar, mesmo com lesões).

O Arenas está sendo varrido pra baixo do tapete com tanta intensidade que agora quando você vai no site da NBA.com e tenta fazer uma camiseta personalizada com o número "0" e o nome "Arenas" (já que sua camiseta oficial não está mais à venda), o site diz não permitir camisetas com nome ou conteúdo ofensivo. Ou seja, tentar criar uma camiseta com "Caralho, "Puta merda" ou "Arenas" dá na mesma, ele virou um palavrão. Tracy McGrady ainda pode ter suas camisetas compradas, mas está sendo completamente ignorado pelo Houston até que seu contrato termine e ele desapareça. Michael Redd, provavelmente, seguirá o mesmo caminho. Mesmo antes de sua contusão recente, havia um sério questionamento sobre sua liderança na equipe e a comissão técnica decidiu que ele não era mais o jogador principal, cargo dado a Jennings e Bogut.

Frente a tudo isso, dou dois conselhos: o primeiro é que se você encontrar uma camiseta do Arenas em alguma loja da adidas pelo Brasil, compre imediatamente porque ela vai ser raridade (e palavrão). O segundo conselho é que você tente salvar Tracy McGrady de desaparecer por completo no Houston: participe agora mesmo da nossa promoção, monte uma troca para libertar T-Mac e concorra a 5 bonés do Houston Rockets!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Mais liberdade

Michael Jordan atesta: nem ele daria certo jogando de ala de força

Quando o Stephen Jackson finalmente se viu livre do Warriors e foi trocado para o Bobcats, onde finalmente podia ser reconhecido por sua habilidade defensiva, outro jogador também adquiria uma sonhada liberdade com essa troca. O beneficiado foi Gerald Wallace, eternamente descontente no Bobcats por ter sempre que jogar dentro do garrafão. O Wallace foi escolhido pelo Bobcats no draft de expansão, uma espécie de fim de feira em que a equipe de Charlotte podia escolher os restos de qualquer equipe da NBA, um troço bastante sem dignidade tipo lamber o prato de alguém. Na época o Gerald Wallace jogava apenas um par de minutos no Kings, não havia espaço para ele (aquele time era bom demais e traz lágrimas saudosas aos nossos olhos) e então ficou na lista de sobras para ser escolhido pela franquia iniciante. O Bobcats fez ótimo negócio, se alguém prestasse atenção na equipe mais "blah" da NBA então o Gerald Wallace já teria recebido uns votos para defensor do ano várias vezes. Poucos jogadores são tão atléticos na defesa, tanto nos tocos quanto interceptando as linhas de passe, e sempre foi um excelente reboteiro para seus míseros 2,01m de altura. Apenas uma coisa sempre prejudicou a defesa do Wallace: jogar de ala de força.

Como o time foi montado com peças que estavam sobrando e poucas escolhas de draft, acabou saindo uma espécie de Frankenstein, tipo o atual Clippers (com a diferença de que o Clippers ficou assim por livre e espontânea vontade dos engravatados responsáveis). Então eles nunca tiveram um pivô na vida e acabaram improvisando o Emeka Okafor na posição. Na realidade ele deveria ser um ala, mas como só tinha ele para segurar as pontas, acabou virando o pivô titular por anos e anos a fio. Para fazer dupla de garrafão com ele também nunca teve ninguém, então o Gerald Wallace sempre teve que aturar a posição. A política no Bobcats sempre foi draftar os jogadores mais talentosos disponíveis vindos de times vencedores na universidade - o que acabou rendendo uma enorme quantidade de alas-armadores, baciada para vender pela dúzia. O time nunca ficou tão talentoso assim, a mentalidade vencedora dos draftados não dura muito em times que fedem, e os buracos que existiam no nascimento no time nunca foram arrumados. Ou seja, fodeu.

O Gerald Wallace amargou anos de garrafão sem reclamar, mas como todo mundo que já teve diarreia depois de comer feijoada sabe, o corpo uma hora reclama. Tomando porrada de jogadores muito maiores e mais pesados do que ele, acabou se contundindo em todas as suas 5 temporadas com o Bobcats. Lutar por rebotes contra caras que podem te usar de banquinho não é nunca uma boa ideia para o físico, e o estilo de jogo do Gerald Wallace também é, por si mesmo, bastante propenso a contusões. Como o arremesso nunca foi o forte, ele ataca muito a cesta, enterra muito, e está sempre sobrevoando o garrafão defensivo em algum toco na marcação por cobertura. Basta um punhado de vezes voando por todo lado e marcando o Duncan ou o Amar'e e a carreira de qualquer um vai pro pinico, provavelmente numa cadeira de rodas.

Quando a saúde do Gerald Wallace começou a definhar mais rápido do que carreira de Big Brother, o Bobcats enfim draftou alguém para ficar no garrafão com o Okafor: seu nome era Sean May. Não é difícil colocá-lo na lista de piores escolhas de draft de todos os tempos, a única dificuldade para isso seria o Sean May comer essa lista com azeite e sal. Sempre com problemas de peso, foi mandado pra rua rapidinho e o Bobcats continuou a ter o garrafão mais magricela da NBA. Na temporada passada, o Gerald Wallace enfim bateu o pé e disse que não jogaria nunca mais na vida de ala de força, que a sua saúde era mais importante do que o basquete. Uma decisão comparável ao viciado parando com a cocaína para aumentar as chances de ver seus filhos crescerem, principalmente se lembrarmos da força de alguns jogadores de garrafão nessa liga (o Dwight Howard come ônibus escolares no café da manhã).

Agora, o garrafão do Bobcats tem Tyson Chandler e Nazr Mohammed como pivôs. Eu ainda não entendo como o Mohammed caiu tanto na NBA se ele era tão bom na sua época de Knicks, quando ele era considerado o próximo grande pivô da liga e peça fundamental da equipe (tão fundamental quanto o Channing Frye, e olha o que aconteceu com os dois... acho que o pessoal em New York não tem muita paciência). A moral do Mohammed, então, não é muito alta e ele joga pouco, assim como o Chandler, que está sempre lesionado. Ainda assim, o Bobcats finalmente tem a profundidade necessária para afastar Gerald Wallace do garrafão - tudo culpa do Stephen Jackson.

O Wallace sempre foi o melhor jogador defensivo da equipe, disparado. Agora, a obrigação de marcar o melhor jogador adversário vai para o Stephen Jackson, que se diverte com a obrigação e finalmente sente que seu trabalho é admirado. Tanto ele quanto Gerald Wallace e Boris Diaw podem jogar nas duas posições de ala, além de quebrarem bons galhos na armação. Isso significa que o Bobcats tem três jogadores capazes de jogar como armadores, alas ou no garrafão, dependendo dos adversários, do bom humor e da pressão atmosférica. Com isso, o Stephen Jackson pode começar o jogo como armador arremessando como um louco, atuar como armador puro às vezes chamando as jogadas, de repente se tornar ala-armador na defesa e mais pra frente ir para o garrafão marcar algum ala de força ou jogar de costas para cesta. Enquanto isso, o Boris Diaw vai tapando os buracos toda vez que o Stephen Jackson muda de posição, sendo que já jogou até mesmo de pivô no Suns e tem experiência como armador principal no Hawks.

O Gerald Wallace participa desse troca-troca também, mas com moderação. No garrafão, não precisa jogar mais. Então ele pode ficar mais longe do aro arremessando, não precisa segurar jogadores muito maiores do que ele, e não coloca uma pressão tão grande no próprio corpo. Os resultados até agora são espetaculares: sem ter que brigar por posicionamento perto do aro, Gerald Wallace agora é o líder de rebotes da NBA. O líder. De rebotes. Você leu direito. São 12,3 rebotes de média por partida, além de um roubo e meio e praticamente um toco por jogo. São números que finalmente podem colocá-lo na briga de melhor defensor da temporada e, ao contrário do Dwight Howard, ele realmente é um bom defensor, olha que legal. O engraçado é que o Gerald só pode render tanto assim como defensor porque o Stephen Jackson está fazendo um excelente trabalho defensivo no garrafão e parando as estrelas adversárias - então não deveria ser ele o cotado para defensor da temporada? Foi ele quem torrou o saco do Carmelo Anthony ontem e permitiu que o Gerald Wallace se focasse no ataque, numa vitória bem categórica em cima do Denver Nuggets (aquele que fez xixi na festa da volta do Iverson ao Sixers).

Finalmente estamos falando de um time digno de alegria para o técnico Larry Brown: dois defensores expetaculares, tornando um ao outro ainda melhores. Desde que o Stephen Jackson chegou no Bobcats, foram 6 vitórias em 11 partidas, o que é mais da metade e é o suficiente para ficar lá no alto do Leste (na verdade, mesmo com o começo difícil, o Bobcats está em sétimo na tabela, empatado em número de vitórias com o surpreendente Bucks que está em sexto) . Nas últimas 8 partidas, foram 6 vitórias - incluindo uma sequência de 4 vitórias seguidas com direito a atropelar o Cavs. O time tem outra cara, outro ritmo, bons defensores, confiança no ataque. Uma das duas derrotas dos últimos 8 jogos foi contra o Celtics, então foi muito justificável. Mas a outra... bem, a outra foi contra o Nets - a primeira vitória da equipe na temporada depois de perder suas 18 primeiras partidas.

Não há justificativa para perder pro Nets, é como ser derrotado no vôlei por alguém sem braços. Mas pelo menos foi uma derrota para o Nets com técnico novo, Devin Harris de volta, Chris Douglas-Roberts titular e pontuando como um louco, e o Brook Lopez mostrando que é no momento o melhor pivô do Leste (se ele não for All-Star vai ser mais vergonhoso pra NBA do que na temporada passada quando o Al Jefferson acabou não sendo chamado). Esse mesmo Nets chutou o traseiro ontem do Bulls, então acho que dá pra dar um sorrisinho amarelo e tentar acreditar que não é uma derrota tão feia assim. O Nets mostrou contra o Bulls que não dá pra entrar de salto alto contra uma equipe que na verdade não fede tanto assim como a tabela mostra. Não há nenhuma dúvida de que a equipe de New Jersey vai ter mais de 9 vitórias e escapar do recorde de pior campanha de todos os tempos. Mas enquanto isso, o Bobcats parece dar passos decisivos rumo aos playoffs, com um Gerald Wallace líder em rebotes - e um Stephen Jackson responsável por isso. Quem achou que logo ele seria trocado errou feio: ele é agora a alma dessa equipe.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Liberdade ainda que tardia

Stephen Jackson quebra suas correntes


Antes da temporada começar, Stephen Jackson havia pedido para ser trocado do Warriors. O time perdera Baron Davis, conseguiu o Maggette no lugar, e aparentemente o Stephen foi o único que sobrou no elenco capaz de levar basquete a sério. Era o responsável por defender as estrelas adversárias, fossem armadores ou pivôs, o responsável por decidir os jogos, por arremessar de longe, e inúmeras vezes por iniciar as jogadas ofensivas no papel de armador principal. Já jogou em todas as posições, topou todas as furadas que o técnico Don Nelson bolou, já foi para os playoffs com a equipe e já foi o pior time da liga. Ao ver que o Warriors virou um circo, um laboratório de ciências, que os jogadores entram e saem da escalação de um dia para o outro, cada hora com uma função, Stephen Jackson quis é dar o fora. Como o Denis escreveu um tempo atrás, ele pediu para ser trocado quando falava com a imprensa, foi multado por isso, e desde então parou de tocar no assunto, sem no entanto tentar esconder sua frustração em quadra. O problema é que ele só pediu para ser trocado depois de topar uma extensão milionária de contrato com o Warriors, o que não apenas é um pouco sacana como também torna mais difícil encontrar algum time disposto a abraçar o salário do rapaz.

Mas existe um time na NBA que nunca desiste de fazer trocas, um time que está decidido a transformar o elenco inteiro com uma visão em mente. Esse time é o Bobcats, que deu ao técnico Larry Brown carta branca para montar o time como ele bem entender. O velhinho pentelho se livrou do Okafor, do Jason Richardson, do Matt Carroll, e montou um time focado na defesa e sem espaço para o individualismo. O resultado é uma equipe que estreiou na temporada marcando 59 pontos contra o Celtics, com claras dificuldades de passar dos 80 pontos a cada jogo. O time agora tem Raja Bell e Boris Diaw, jogadores capazes de pontuar, mas nenhum deles é um pontuador nato. O papel do Bell é defender e converter seus arremessos de três pontos, função que ele desempenhava muito bem. Mas, para ter um jogador capaz de defender múltiplas posições e que seja capaz de pontuar constantemente, Larry Brown resolveu abrir mão até mesmo do seu queridinho.

Stephen Jackson chega ao Bobcats mantendo o foco da equipe, se focando na defesa e pontuando sem ser estrelinha. Ele sabe o que é ser jogador secundário graças ao tempo que passou no Spurs, se orgulha de defender mesmo jogando no Warriors (que provavelmente dá umas surras depois das partidas nos jogadores que ousaram tentar defender) e tem tudo para se dar bem com o Larry Brown. Do jeito que o técnico odeia os armadores da equipe (tanto Raymond Felton quanto o anão do DJ Augustin), é bem possível que o Stephen Jackson até assuma a posição em alguns momentos durante os jogos (se até o boris Diaw já foi armador nesse Bobcats!). Mas também é possível, dizem os fofoqueiros por aí, que ele seja trocado rapidinho para outro time. Não dá para descartar essa possibilidade, afinal o Bobcats está insatisfeito com o que tem e cansado de feder esperando uma boa escolha de draft. Já faz uns anos que todo mundo espera eles finalmente acordarem no tranco e irem aos playoffs, então não tem mais desculpa pra ficar tendo o traseiro chutado por aí. Stephen Jackson se encaixa nessa postura, no planejamento, na filosofia de jogo, e tem tudo para se encaixar bem na equipe. Não deve dar muito resultado, convenhamos, mas o Bobcats continua tentando. Ao menos eles sabem o que querem e se movimentam com uma intenção, não é a porra-louquisse do Warriors que parece trocar só por esporte, pra ver se vem de brinde um Mega Tazo.

Em troca do Stephen Jackson e do Acie Law, que é um armador que nunca deu certo e que o técnico Larry Brown deve comer com granola no café da manha, o Warriors recebeu Raja Bell e o Vlad Radmanovic, que nem fede nem cheira. O Bell traz defesa para o Warriors, e depois dessa afirmação vamos todos tirar uns minutinhos para rir à vontade. Até parece que alguém que cuida dessa equipe mequetrefe se preocupa em instituir uma filosofia defensiva, mas provavelmente eles estão dispostos a pelo menos fingir um pouquinho.

Contra o Brandon Jennings, que marcou 55 pontos, o negócio foi muito feio. Ao rever a partida no meu League Pass (calma, calma, a gente resenha o serviço ainda essa semana), percebi que a maioria dos pontos do Jennings saiu em uma jogada simples de corta-luz na linha de três pontos. Não havia ninguém do Warriors capaz de grudar no garoto, a jogada funcionou à exaustão, e quando eles ficaram muito desesperados de passar vergonha, começaram a dobrar nele depois do corta-luz e o resultado foi o Andrew Bogut recebendo uns passes para ponte-aérea, já que o pivô do Warriors durante quase toda a partida foram o Stephen Jackson ou o Maggette. Aliás, grande parte do mérito pela atuação do Jennings tem que ser dado ao Bogut, que atormentou tanto o garrafão do Warriors que a linha de três ficou completamente livre. Quer dizer, a linha de três do Warriors já é completamente livre, mas ficou pior a ponto de render 55 pontos para o novato. Para critérios estatísticos, a pontuação do Jennings deveria valer só a metade - quando ele tentar algo assim contra o Celtics a gente faz uma estátua e uns sacrifícios humanos pro guri.

Quem ganha com a troca é o Stephen Jackson, que agora terá um técnico capaz de apreciar o que ele traz para as quadras, mas o problema é que o time fede pacas e rapidinho é bem capaz que ele comece a ficar insatisfeito de novo (ou que o time continue insatisfeito e troque de novo). O Warriors deve piorar um pouco com a sua saída, mas o que é um peido para quem já está cagado? Outros jogadores podem continuar pontuando como malucos e talvez o Raja Bell seja capaz de impedir outros jogadores de fazer 50 pontos, o que por si só já seria um lucro, evitando que o Warriors se torne essa anedota estilo Ari Toledo que tem sido nos últimos anos. Da próxima vez que o Jennings for enfrentar o Warriors e tentar quebrar seu recorde de pontos, o Raja Bell estará lá. Sozinho, é verdade, mas lá.

domingo, 11 de outubro de 2009

Se você está descontente, bata palmas

Andre Miller, mais especialista em cara de choro do que a Mari Alexandre


Todo mamífero bípede desse planeta tem a obrigação de admirar o que o Blazers fez nos últimos anos. Volta e meia nossa empolgação com a equipe é tão grande que escrevemos um post só pra dizer como o Blazers é um time maravilhoso, cheiroso e que alimenta as criancinhas. Se livrando de Zach Randolph - que era a estrela do time -, fazendo boas escolhas no draft, comprando novatos de times que não pensam no futuro e se livrando de contratos exagerados, o Blazers deixou de ser uma das equipes mais ridículas da NBA para tornar-se uma das mais completas, profundas e divertidas, e tudo sem que ninguém percebesse. Foi assim, de um dia para o outro, que de repente todo mundo notou que o Blazers estava chutando traseiros usando um elenco composto por uma enorme pirralhada. Mesmo com o Greg Oden fora na sua temporada de novato (ele se machucou levantando do sofá, segundo consta, e deve ser por isso que o gordo do Eddy Curry prefere nem se arriscar e passa a vida dormindo no sofá), o Blazers deu trabalho. Na temporada passada, mesmo com o Greg Oden sendo uma porcaria e cometendo trocentas faltas por segundo, eles foram parar nos playoffs. Se eu entrasse em coma e acordasse daqui há 10 anos, a primeira coisa que eu perguntaria seria "quantos títulos o Blazers ganhou?". Não precisa ser um gênio pra saber que o elenco é bom o bastante, e profundo o bastante, para chegar ao topo da NBA pela próxima década.
Mas agora que todo mundo tá prestando atenção no Blazers, é muito mais fácil para a equipe contratar outras estrelas. Tem um monte de espertalhão por aí bem interessado em jogar no Blazers porque, além da equipe ter futuro e chances de levar um anel de campeão em breve, o time ser formado por gente cheirando a fralda é uma oportunidade fácil para um jogador veterano se tornar o líder e levar crédito pelas conquistas alcançadas. Eu só não entendo pra quê diabos os engravatados do Blazers iriam comprometer o plano maravilhoso que transformou a equipe nos últimos anos. Com muito bom senso foram capazes de construir uma equipe sem estrelas, sangue jovem e muito potencial, então adicionar um veterano milionário não parece ser um passo para trás?

Quando eles tentaram contratar o Turkoglu, fui completamente contra. Não apenas o turco é superestimado por ser o único com bagos para tentar decidir no Magic, ele também não tinha nada a ver com aquilo que o Blazers construiu e não acrescenta nada que a equipe já não tenha em sua profundidade digna de Monica Mattos na cena do cavalo. O próprio Turkoglu optou por jogar no Raptors, o que para mim é um caso do Blazers ter sido salvo pelo gongo (sinceramente não vejo o turco acrescentando nada de muito valioso para o time de Toronto também, e lembremos que seu contrato foi retardado de grande, mais de 10 milhões por ano). O Andre Miller, ao contrário, topou jogar no Blazers na mesma hora.

Dá pra ver o que os engravatados da equipe viram no Andre Miller. Assim como o Hawks tornou-se um time muito melhor quando Mike Bibby assumiu o cargo de armador e o Nuggets se transformou num time de verdade com Billups na armação, ter um armador puro experiente dá água na boca de quem quer ver o time dar um passo mais à frente. O Andre Miller é um daqueles armadores de verdade (por "de verdade" quero dizer o oposto do TJ Ford ou do Iverson, por exemplo, que são armadores "de mentira") que não recebem a atenção que deveriam. O estilo do Sixers não casava bem com ele, é verdade, mas o Andre Miller é um general em quadra, sabe fazer a coisa certa o tempo inteiro e só peca mesmo é nos arremessos de longe (nisso ele se encaixava muito bem no Sixers, em que todo mundo parece ser míope). O que ele pode trazer para o Blazers é enorme, mas como será que ele lidará com um time tão profundo que os minutos de todo mundo devem ser mais controlados do que os docinhos da Britney Spears?

Nos momentos de decisão, Brandon Roy assume a armação para ficar com a bola nas mãos o máximo de tempo possível. Steve Blake é um excelente arremessador de 3 pontos e um armador burocrático mas eficiente. É preciso achar espaço para Rudy Fernandez, já reclamando de seu papel limitado na equipe, para Jerryd Bayless, que agora não é mais novato, e para Martell Webster, que volta de contusão. A ideia, então, é deixar Steve Blake e Brandon Roy como titulares, ao lado de Nick Batum, que faz um excelente trabalho defensivo, e colocar Andre Miller, Webster e Rudy Fernandez como um banco de reservas destruidor que pode chutar o traseiro de muito time titular por aí (Houston com Trevor Ariza e Chuck Hayes, estou olhado pra você). Mas o Andre Miller já surtou e inclusive reclamou em uma entrevista: "Se tivessem me dito já nas primeiras reuniões que eu seria reserva, então eu não teria vindo pra cá." É bem óbvio que ele não entende que o grande trunfo da equipe é ter quinhentos jogadores bons com características diferentes, de modo que todos podem ser utilizados apenas um pouquinho sempre mantendo a qualidade em quadra. Mesmo se fosse titular, Andre Miller não teria muitos minutos - isso simplesmente não se encaixa nos planos de uma equipe que levou anos para se construir assim.

É assim que temos nosso primeiro descontente de pré-temporada. Mesmo tendo mais minutos do que o Steve Blake e, temos que admitir, jogando muito melhor do que o armador branquelo, Andre Miller está todo putinho e incapaz de compreender seu papel na equipe. É péssimo sinal para um time que, após se livrar de Zach Randolph, havia passado um tempo tão agradável sem brigas, egos e reclamações (é claro que o Travis Outlaw volta e meia reclama que não arremessa o suficiente, mas nem ele mesmo se leva a sério).

O outro descontente da pré-temporada é o Stephen Jackson. Já falamos em outro post de seu pedido para ser trocado que virou uma multa milionária. A NBA diz que reclamar para a imprensa vai "contra o jogo", e os engravatados do Warriors ignoraram o Stephen Jackson, dizendo que ele apenas "quer muito vencer" mas que vai dar tudo certo. Rá, como se a gente não soubesse que nada nunca dá certo no Warriors. Agora, pelo menos ele aprendeu a pedir para ser trocado de uma maneira mais silenciosa, eficiente e que não pode ser ignorada e nem multada: em apenas 9 minutos de jogo (e numa partida de pré-temporada, lembremos) o Stephen Jackson conseguiu cometer 5 faltas, mais uma falta técnica, e ao ter que deixar a quadra ignorou o banco de reservas e foi direto para o vestiário. O Warriors suspendeu o rapaz por dois jogos, mas com certeza qualquer um que realmente se importe com a equipe está mijando nas calças porque o Stephen Jackson não brinca em serviço, ele é capaz de disparar uns pipocos pra cima durante um jogo pra ser expulso, e expulso, e expulso, até que alguém dê um jeito de trocá-lo. O único problema é que ninguém no Warriors se preocupa com a equipe, então é bem capaz que apenas deixem o circo pegar fogo. Diferente do Blazers, que em breve deve dar um jeito de lidar com o Andre Miller - pelo menos é o que esperamos, para que a gente possa voltar a babar ovo em cima do Blazers à vontade, nosso hobby favorito aos domingos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Uma temporada longa

Se você está contente bata palmas

Ontem foi o enfadonho Media Day na NBA. A idéia do projeto é até bacana, um dia inteiro dedicado à imprensa antes de começarem os trabalhos para a próxima temporada, com dezenas de entrevistas, apresentações, coquetéis, coxinhas de frango engorduradas e etc.

Porém, se você pensar bem, ninguém tem muito a dizer porque não aconteceu nada. Estava todo mundo de férias e voltaram para o trabalho ontem com um microfone no meio da cara para dizer alguma coisa. O máximo que eles podem fazer é uma redação chamada "Minhas Férias" como a gente fazia na escola.

Alguns times que quase não mudaram de elenco, como o Kings, Nuggets e Knicks, não podem responder nada além do clássico "estamos ansiosos para a próxima temporada", a frase mais falada do dia. Times que mudaram pouco, como o Lakers, o Cavs ou o Magic, só podem dizer "O nosso jogador-novo é um grande jogador e estamos ansiosos para jogar ao lado dele".

As entrevistas um pouco mais interessantes são as dos times que passaram por alguma mudança maior no elenco, porque aí temos alguma previsão do que vai acontecer. O Alvin Gentry, técnico do Suns, por exemplo, disse que o garrafão titular da temporada será com Amar'e Stoudemire e Channing Frye. E até disse que o pivozão número 5 será o Amar'e, mas que na escalação ele aparecerá na posição 4 para não ficar bravo e começar a dizer que não gosta de jogar improvisado.

No Clippers o técnico Mike Dunleavy disse que o Blake Griffin começa a temporada vindo do banco de reservas e no Bulls foi dito que não mantiveram o Ben Gordon porque acham o John Salmons um jogador mais completo. Todas essas declarações até interessantes mas que podem virar farofa depois que os treinos pra valer começarem.

Mas no meio de entrevistas enfadonhas e outras levemente interessantes, tem o Warriors. A organização mais desorganizada da NBA é sempre um show à parte quando os seus atletas tem um microfone para falar.

No último dia 28 de agosto o Stephen Jackson, em um evento em Nova York, disse: "Não acho que serei um Warrior no ano que vem, estou tentando sair". E foi ridiculamente multado em 25 mil dólares por "declarações públicas em detrimento da liga", um jeito pomposo de dizer "Pareça feliz para as visitas, filho".

Ontem os jornalistas foram perguntar o que ele tinha a dizer sobre a multa e se ele ainda pensava da mesma maneira. A resposta foi a mais óbvia possível: "Não me façam perguntas que vocês já sabem a resposta". É óbvio que como nada mudou, ele ainda quer sair. E completou dizendo que muitos jogadores, incluindo o Kobe dois anos atrás, já tinham pedido publicamente por trocas e que ninguém foi multado, mas "não posso vencer a NBA, tenho que conviver com isso".

O capitão do Warriors mediu um pouco as palavras para não ser multado mas explicou a sua insatisfação com o time. Disse que faltava mentalidade vencedora na equipe, que eles só deram passos para trás desde aquela vitória contra o Dallas em 2007 e, mais importante, "a nossa defesa é sempre um problema, eu não posso marcar todo mundo sozinho". Se vocês lembrarem, na temporada passada o Stephen Jackson era sempre o responsável por marcar o melhor jogador adversário, não importa sua posição. Em um jogo contra o Hornets chegou ao patético de marcar em uma jogada o Chris Paul e na seguinte o David West.

Sem dúvida ele tem razão em todas as suas reclamações, o Warriors é hoje uma franquia destinada à derrota e como todo torcedor do Fluminense sabe, perder cansa. O detalhe é que o nosso Conca da NBA tinha uma chance de ter sido Free Agent e pulado fora ao fim dessa temporada, mas meses antes tinha assinado uma extensão de contrato. Ele disse que já naquela época, em novembro do ano passado, estava insatisfeito com o time mas que apesar de não ter feito faculdade não era burro o bastante para recusar 28 milhões de dólares.

Eu estava do lado do Stephen Jackson até essa declaração. Se ele é competitivo, quer vencer e não acha que o time está buscando isso, que dê o fora ou lute internamente para que isso mude. Mas não, ele resolve ficar só pelo dinheiro e ao invés de tentar mudar a filosofia do time só pede pra sair. O Warriors até tentou trocar ele, mas não é fácil trocar um cara de contrato longo (até 2013) que ganha 7 milhões de dólares atualmente e mais de 10 no último ano, em uma época de crise em que todos os times estão economizando para a temporada de Free Agents do ano que vem.

Só essas declarações do Jackson já seriam o bastante para o Warriors ter o pior Media Day da NBA. Mas não, pisou na merda então abre os dedos. O Monta Ellis deu uma entrevista onde diz com todas as palavras que é impossível ele jogar ao lado do novato Stephen Curry: "Nós, juntos? Não dá, simplesmente não dá."

Surpresos, alguns jornalistas então perguntaram se ele estava sabendo que desde o draft o General Manager do Warriors dizia que os dois iam jogar juntos na armação titular do time. Ele então respondeu que podem até achar que vai dar certo, mas não vai. Segundo o Monta, ele e o Curry são pequenos demais para jogarem um ao lado do outro e que juntos eles não irão conseguir lidar com armadores maiores.

Se o Monta Ellis estivesse falando de um time que defende eu até daria razão para ele, mas desde quando o Don Nelson manda alguém marcar? Imagino que na cabeça do GM Larry Riley a dupla de baixinhos apesar de sofrer na defesa vai fazer sofrer no ataque com tamanha velocidade e agressividade. Era um risco que poderia dar certo se bem aplicado e que tem tudo, absolutamente tudo, pra dar errado se nem os jogadores envolvidos acreditam que pode funcionar.

Os dois melhores jogadores estão insatisfeitos, o técnico ainda é o Don Nelson e o promissor novato será ou reserva ou terá um companheiro que não acredita nele. E foi só o primeiro dia da pré-temporada do Golden State Warriors. Deve ter gente lá torcendo pra temporada acabar logo.

sábado, 4 de julho de 2009

Anéis e desafio

A foto mostra como os dois estavam insatisfeitos em seus antigos times


Difícil saber direito no que acreditar nessa época de jogadores sem contrato buscando uma chance de título, uma chance de ser titular, uma chance de ser mais milionário ainda ou só uma chance de não ficar desempregado. É uma notícia atrás da outra e todas com fontes confiáveis como "um contato na NBA", "um olheiro", "uma pessoa que não quis se identificar" ou o famoso "league sources" que em português claro significa "estou inventando".

De todos os boatos bizarros, o que ganha de todos foi um que diz que o Allen Iverson afirmou que gostaria de jogar no Grizzlies. Isso tem que ser mentira ou no máximo o Iverson disse com uma ironia que o jornalista não pegou. Por isso vamos tentar comentar mais os fatos consumados do que a boataria. Os boatos podem render um comentário ou outro no nosso Twitter só pra movimentar aquela coisa sem sal.

E como já foi comentado no post anterior, temos duas notícias concretas: O Lakers contratou o Ron Artest e o Houston contratou o Trevor Ariza.

Como isso aconteceu exatamente já começa a entrar no mundo das informações não confirmadas. Vamos contar, mas saiba que pode não ter ocorrido exatamente assim.

Depois de algum tempo depois do fim da temporada, o Lakers mandou uma proposta para o Trevor Ariza, que recusou e ficou esperando uma proposta nova. Mas ao invés do Lakers fazer a contra-proposta, eles contrataram o Ron Artest. Muito bravo, o Ariza respondeu assinando logo depois um contrato quase igual mas com o Rockets, dando a entender para muitos que só esperava um contrato como o que ofereceram para o Artest.

Porém, logo depois o Ariza deu uma entrevista dizendo que não tinha nada a ver com dinheiro e que recusou grana igual ou maior que a do Houston em propostas do Lakers, Cavs e Raptors. "Não sou ganancioso, todo mundo sabe disso. Eu só quero jogar em um lugar onde me queiram, onde eu seja desejado e onde eu possa evoluir meu jogo."

O que eu posso interpretar disso é que durantes as negociações com o Lakers algumas coisas devem ter sido ditas e queimaram as chances do Ariza querer ficar em LA. Talvez tenham dito que no Lakers ele poderia ser um reserva ou estaria fadado a ser um jogador de defesa enquanto o Rockets acredita que ele pode evoluir e ganhar espaço para ser um dos principais jogadores do elenco. Essa história pelo menos faz sentido.

Se aconteceu assim, o Lakers está um pouco isento de culpa. Tem culpa por não ter conseguido negociar direito, mas se foi desejo do Ariza sair para um lugar onde tenha espaço, beleza, é direito dele. E contratar o Artest em resposta à perda do Ariza foi o melhor que eles poderiam ter feito.

Entre os dois, Ariza e Artest, acho que o Artest é melhor em criar seu próprio arremesso, é um jogador capaz de vencer um jogo ou outro por conta própria quando está em dias bons, mas no geral o Ariza é melhor. Defensivamente o Artest hoje tem mais fama do que realmente talento, o Ariza é mais capaz de parar um jogador além de ser melhor em interceptar linhas de passe.

Nas bolas de 3 o Ariza evoluiu demais e foi melhor quando precisava ser melhor. O Ariza teve aproveitamento de 31% nas bolas de 3 na temporada regular e assustadores 47% nos playoffs. Já Artest teve 40% de aproveitamento na temporada regular e só 27% nos playoffs.

Agora o principal motivo que me leva a achar que o Lakers será um time pior sem o Ariza é que ele foi construído para jogar no Lakers. Ele é perfeito para os triângulos. Se posiciona bem para as bolas de 3, sabe infiltrar quando joga no pick-and-roll, era a principal arma do Lakers nos contra-ataques e tinha a inteligência para saber quando cortar em direção à cesta para receber passes. O Artest em compensação costuma fazer seus pontos apenas em jogadas de isolação e em alguns arremessos de 3.

Não é como se o Artest fosse dar muito errado no Lakers. Ele ainda sabe defender e arremessar, e é um ótimo motivador, sabe como fazer quem está à sua volta jogar com vontade e está sedento por um título.

Alguns temem pela sua relação com o Kobe, mas tenho certeza de que isso não será um problema. Nos playoffs do ano passado eles tiveram suas desavenças mas o Artest estava mais tentando tirar o Kobe do jogo do que realmente bravo com ele. Como já mostramos aqui um tempo atrás, na verdade o Artest admira muito o Kobe, que por sua vez não era fã do Ronny Turiaf no Lakers a toa, quanto mais o seu companheiro é competitivo e joga pra ganhar, mais é admirado pelo Kobe.

E mesmo que eles acabem não se entendendo, isso não é novidade para o Kobe. Ele já foi tri-campeão com o Shaq sem serem melhores amigos. Enquanto os dois estiverem acreditando que precisam um do outro para serem campeões, o Lakers está bem.

Para o Rockets é difícil julgar a contratação porque não sabemos o que esperar deles. O Yao vai mesmo perder a próxima temporada? O T-Mac vai mesmo perder pelo menos metade da próxima temporada? Vão trocar o contrato expirante do T-Mac por um grande jogador? Eles vão trocar o Shane Battier? Vão manter Carl Landry?

Como o time está sem cara, não dá pra falar se o Ariza se encaixa ou não no time, mas podemos dizer que ter o Ariza num elenco não pode ser mal negócio. Ele joga muito bem, joga com vontade, vai fazer seus 14, 15 pontos por jogo e na pior da pior das hipóteses é uma boa moeda de troca.

Dizem, as famosas fontes, que o Chris Bosh, por ter nascido no Texas, considera o Houston como um destino no ano que vem quando será um Free Agent. Pensar em um Houston daqui um ano com Aaron Brooks, Trevor Ariza, Shanne Battier, Chris Bosh e Yao Ming (depois de um ano descansando) é animador: um time alto, rápido e com defesa fortíssima. Sem contar que depois dessa temporada eles tem tudo pra ter uma baita de uma escolha de draft. Um bocado sonhador, claro, mas por que não?

A principal crítica, porém, à essa aquisição, não é por parte do Houston, que mesmo que não tenha resolvido seus problemas, pegou um bom jogador. Mas com o próprio Ariza, que tinha a chance de buscar mais um título em LA ou Cleveland e topou ir para um time que acabou de saber que pode perder sua maior estrela por um longo tempo.

Mas eu não acho que o Ariza fez um negócio tão ruim. Ele já tirou o peso de nunca ter ganho um título que tantos jogadores carregam nas costas e agora com essa missão já cumprida, quer um desafio novo, quer um lugar onde tenha o espaço para tentar ser um jogador mais completo. Fico realmente triste de ter perdido um dos meus jogadores favoritos, mas é de se admirar e não condenar um cara que tomou o caminho menos lógico e mais desafiador e difícil.

Essa atitude me lembra quando o Spurs ganhou o título de 2003 e logo depois o Stephen Jackson resolveu deixar a equipe para ir para o Atlanta Hawks. Ele poderia ter ficado, tentando o bi-campeonato com aquele timaço, mas preferiu se arriscar e na época mesmo disse que foi para o Hawks atrás de um desafio, e quer desafio maior do que fazer o Hawks parecer um time de verdade?

Ele não fez do Hawks um time vencedor, mas lá e depois no Golden State Warriors conseguiu mostrar ser um jogador muito mais completo do que o mero arremessador que era no Spurs. E é o que o Ariza quer mostrar agora. Se ele se destacar no Houston e se o Artest lutar pelo título em LA, os dois lados estão satisfeitos e realizados. Anéis pra um, desafio para o outro.