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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Negócios fechados

Steve Blake leva seu rosto bonito para Hollywood

Vocês viram aquele banner com o LeBron e várias notas de dólar na nossa barra lateral? Gostaram? Ao clicar na imagem você entra numa planilha feita por nós que acompanha toda a movimentação de Free Agents da temporada. Na primeira parte da tabela estão todos os jogadores disponíveis, os times que já demonstraram publicamente algum interesse neles e depois um palpite (embasado em livre interpretação de notícias gringas) feito por nós.

Na segunda parte estão os jogadores que já foram assinados. Sempre que um contrato novo foi concluído a gente atualiza a planilha na hora. Assim você pode ficar bem informado mesmo que a gente demore uns dias para colocar a análise da contratação aqui no blog. Fala aí se não foi uma boa idéia? Salvamos a pele de muita gente que tem matado as aulas de inglês pra ir no bar e/ou para jogar fliperama.

Também estão lá na planilha os links para os posts onde comentamos as contratações. Entre as já comentadas falta só dizer que a do Joe Johnson pelo Hawks foi confirmada. Quando escrevemos o post ainda faltava o JJ aceitar, mas ele topou e receberá um dinheirão pelos próximos 6 anos. Como já dissemos lá, mas vale repetir, sim, é muito caro para um jogador do nível do JJ. Mas sem ele o Hawks não tinha espaço na folha salarial para contratar um substituto. Ou era pagar caro por um bom jogador ou voltar a ser um timeco por anos e anos a fio.

Entre os outros contratados já anunciados, dois vão receber uma atenção especial no próximo post do Danilo: Paul Pierce e Dirk Nowitzki. Ambos tinham a opção de ganhar muita grana na próxima temporada pelos seus times, mas preferiram usar sua opção de sair do contrato, virar Free Agents e então assinar um contrato de menos dinheiro (mas mais longo) com os mesmos times. Por que fizeram isso? Tem uma explicação. E é a mesma que levou o Richard Jefferson a decidir não ficar mais um ano recebendo 15 milhões de dólares do Spurs para tentar a vida como Free Agent. Como esses caras exigem uma outra explicação (e, sejamos sinceros, recusar mais de 15 milhões de dólares exige uma bela explicação), por enquanto comento os outros contratados.

.....
Rudy Gay - Memphis Grizzlies (80 milhões por 6 temporadas)

O Rudy Gay era um Free Agent restrito. Ou seja, ele poderia receber ofertas de outros times e o Grizzlies tinha a opção de igualar a oferta e manter o jogador ou deixá-lo sair. O Wolves e o Clippers vinham namorando a possibilidade de ter Gay em seus times (finalmente veríamos a dupla Gay-Love no Wolves!), mas o Grizz não quis nem se arriscar e ofereceu, de cara, o máximo que um cara com o tempo de NBA do Rudy poderia receber: 80 milhões de doletas por um contrato de 6 anos!

Será que ele é um jogador tão completo assim para merecer um contrato tão gigantesco? Provavelmente não. Aliás, certeza absoluta que não.

Apesar de ser um grande jogador, não é nenhum gênio. Mas o Grizzlies vive aqui uma situação parecida com a do Hawks com o Joe Johnson. Se eles perdem o Gay iriam fazer o que? Parar o seu crescimento no tão difícil Oeste e voltar para a ralé da liga? Esperar mais um draft pra ver se acha uma estrela? Vocês não imaginam como é para o Grizzlies atrair bons jogadores. O time não é rico, a cidade não é grande, os jogos do time não passam em rede nacional. Ninguém quer ir jogar lá a não ser que seja por muito dinheiro.

Assim o Grizzlies gasta mais do que devia, mas paga o que tem que pagar para se manter como uma boa equipe. Ainda falta banco de reservas, ainda falta um armador mais confiável, mas tudo isso é bem mais fácil de achar que um substituto a altura para o cestinha da equipe.

Eu achei mais arriscado, na verdade, para o próprio jogador. Claro que nunca vou chamar de errado alguém faturar 80 milhões de doletas por jogar basquete, errado é escrever num blog de graça. Quem me dera errar desse jeito, mas o Gay está se amarrando no Grizzlies durante todo o melhor período da sua carreira. Quando esse contrato acabar ele já vai estar com 30 anos e é possível que tenha passado o auge da sua carreira em um time que nunca tenha a chance de ir longe nos playoffs. Temos que lembrar que ele está em uma franquia que nunca ganhou um jogo de playoff sequer na sua história. Mesmo naqueles três anos seguidos quando o técnico era o Hubie Brown e o time tinha Pau Gasol, Jason Williams, James Posey, Mike Miller e Bonzi Wells eles só conseguiram 3 varridas em 3 anos de pós-temporada.

Assim como tantos outros jogadores, nada garante que OJ Mayo, Zach Randolph e Marc Gasol não sigam os mesmos passos de Gay e decidam sair de Memphis quando seus contratos chegarem ao fim. Assim o Rudy Gay ficaria sozinho (e zilionário) andando de Ferrari numa cidade que tem, como é de costume, um timeco. Exigir uma troca caso ele não esteja num time bom daqui uns anos pode ser uma solução, mas sempre é mais difícil quando se tem um contrato tão grande.

Para o Grizzlies não foi um grande negócio financeiramente, mas perfeito para manter a evolução da equipe. Para o Rudy Gay foi o contrato que pagou a faculdade dos bisnetos, mas que pode fazer ele entrar naquele grupo de velhos desesperados quando seu contrato chegar ao fim.


Steve Blake - Los Angeles Lakers (16 milhões por 4 anos)

Vocês não tem idéia de como eu comemorei essa contratação! Não tenho idéia se eu já comentei nesses anos de blog como eu sou fã do Steve Blake. Entre todos os armadores que não são espetaculares, que não são estrelas, ele é o meu favorito. E desde quando ele ainda estava no Nuggets eu torcia para ele, um dia, ir para o Lakers. Meu sonho virou realidade!

Antes de jogar no Denver ele era atleta do Blazers e depois do Bucks e já passou pelo Wizards. Nesses times foi bem, mas discreto. No Nuggets ele chamou mais a atenção porque foi na época em que o time era uma potência ofensiva desorganizada e com o Blake como armador titular todo mundo começou a jogar melhor e o time passou a funcionar direito.



Foi a presença do Blake no Nuggets que deixou claro como eles seriam um time melhor com um armador de verdade, coisa que ficou comprovada quando eles contrataram o Chauncey Billups, que é 100 vezes melhor que o Steve Blake.

O Lakers estava sem armador. Jordan Farmar e Derek Fisher são Free Agents e Shannon Brown ainda pode vir a ser (ele que tem a opção de encerrar ou não o contrato), mas mesmo que não vire, é mais um segundo armador do que um armador nato. Não tem um bom drible e domínio de bola para ser um armador de verdade. Fisher já disse que quer voltar ao Lakers, provou que pode ser útil nos playoffs e o time o quer de volta, parece ser só uma questão de acertar valores.

Mas a temporada regular do ano passado mostrou como o Lakers precisava de um armador. Até para o Fisher continuar sendo essencial na pós-temporada como foi agora em 2010, ele precisa de descanso, não dá pra ficar jogando mais de 30 minutos todos os dias naqueles 82 jogos inúteis da temporada regular. A boa campanha dele nos playoffs foi uma prova de que ele ainda é bom, mas não de que o Lakers podia considerar que a posição de armador estava resolvida.

Jordan Farmar teve anos e anos para mostrar seu valor mas sempre foi muito irregular. Teve até muita sorte de continuar na rotação, porque em 2008 ele já tinha virado terceiro armador com o crescimento do então novato Javaris Critentton. Mas teve sorte quando ele foi envolvido na troca que trouxe Pau Gasol para o Lakers, assim Farmar voltou a ser o primeiro armador do banco. Nos últimos meses ele disse que queria ser titular no próximo ano e o Lakers respondeu não fazendo nenhuma oferta para que ele continuasse no time. Não precisa manjar muito de basquete pra saber que o Farmar não tem condição de ser titular num time de alto nível. Aliás acho que nem em uma de baixo nível.

Steve Blake quase nunca foi titular na vida e provavelmente não foi para o Lakers pensando nisso. Dizem até que ele recusou outras propostas que rendiam mais grana para jogar em LA. Lá ele sabe que será reserva de Fisher mas que terá bastante tempo de quadra principalmente na temporada regular e será importante quando o Lakers enfrentar armadores rápidos, o que é bem comum atualmente. Blake não é um defensor nato, mas dificilmente é batido com facilidade, sabe ficar na frente e atrapalhar seu adversário. Também é muito inteligente, tem ótimo passe e sua principal virtude ao longo dos anos foi o baixo número de erros. Isso é essencial num ataque baseado em passes precisos como é o do Lakers. Por fim e mais importante nesse time do Lakers, Steve Blake é um ótimo arremessador de três. Acertou mais de 40% dos seus arremessos de longe nos últimos 3 anos e terá muitas chances de chutar sem marcação na próxima temporada.

Ele só precisa defender bem, acertar seus arremessos e dar bons passes para Bynum e Gasol no garrafão para ser o que o Lakers precisa de um armador. E sua história indica que vai fazer isso com a mão nas costas. Contratação perfeita.

Antes de Steve Blake o Lakers ofereceu um contrato até maior para o Mike Miller, que demorou para responder e perdeu a chance. O Mike Miller tem mais nome, talvez seja um melhor arremessador e ao longo da sua carreira até já jogou de armador, mas eu prefiro o Blake, que é melhor para marcar outros armadores, saiu mais barato e não tem um cabelo tão feio.


Channing Frye - Phoenix Suns (30 milhões por 5 temporadas)

O Channing Frye tem uma das carreiras mais estranhas da NBA. Foi a 8ª escolha do Draft de 2005, fez uma temporada de novato espetacular pelo Knicks (na época o Lakers ofereceu Odom por Frye e o Knicks recusou) e logo depois começou a cair de produção. Ano após anos foi piorando até ser trocado para o Blazers e depois ficou sem time. Esquecido, o Suns o resgatou na temporada passada e ele ganhou espaço com seus arremessos de 3. Ele tinha acertado uns 10 arremessos de 3 na carreira antes do Suns, aí foi pra lá virar especialista. Muito, muito bizarro. O Gilberto Silva ter disputado 3 Copas do Mundo é menos estranho.


Apesar daquela amarelada monstruosa na série contra o Lakers, o Frye provou na temporada passada que pode fazer a diferença no Suns. Pedir para ele ser titular talvez seja muito, mas fazendo parte do banco de reservas com Dragic, Dudley e Leandrinho é com ele. Assim ele pode fazer suas bolas de 3 na velocidade e confundir os pivôs adversários que nunca o acompanham na linha dos três.

Uns 6 milhões por temporada para o Frye não parece algo absurdo, mas geralmente os contratos não funcionam assim, costumam ir aumentando ano a ano. Então é bem possível (ainda não temos certeza, os valores por ano não foram divulgados) que ele ganhe uns 4 milhões nesse ano e chegue perto dos 8 no último ano. Pagar 8 milhões pelo Frye reserva e mais velho não parece um negócio tão legal assim. Para o Suns teria sido melhor um contrato um pouco menor, talvez de três anos, mas não sei se o Frye aceitaria, em último caso é sempre bom pra eles ter um bom arremessador no elenco. Para o jogador foi bom conseguir ficar em um time onde seu jogo finalmente voltou a se encaixar. No Suns ninguém percebe como ele marca mal e pega poucos rebotes.


Hakim Warrick - Phoenix Suns (18 milhões por 4 temporadas)

Esse sim foi uma baita bom negócio para o Suns! Uma temporada a menos de compromisso e 12 milhões a menos de verdinhas do que o Frye e o Hakim Warrick ainda pode acabar sendo mais usado!

O Suns, dizem os noticiários americanos, ofereceu cerca de 90 milhões de dólares num contrato de 6 anos para o Amar'e Stoudemire, mas ele está ainda seduzido pela suposta proposta de mais de 100 milhões feita pelo Knicks. Mas o mundo dos boatos é tão bizarro que estão dizendo que o Knicks só concretiza a oferta para o Amar'e quando o LeBron aceitar ir pra lá. E mesmo que Amar'e não acabe no Knicks, dizem que as ofertas por ele em Miami, Chicago e New Jersey parecem estar interessando mais do que a do Suns.


Assinar com Warrick foi mais ou menos admitir essa derrota na luta por Amar'e Stoudemire. Warrick está longe de ser tão bom, nunca vai poder jogar de pivô como jogava Amar'e, mas deve render mais do que muita gente imagina com a ajuda de Steve Nash. Ele é rápido, forte e agressivo ao atacar a cesta. Entre as soluções baratas para repor a perda, Warrick foi um achado.

Sem Stoudemire a chance de Nash ir para uma final da NBA diminui ainda mais, mas considerando que Frye está de volta, Warrick é bom jogador e que Robin Lopez está melhorando ano após ano, essa saída não vai ser motivo para o Suns desabar na tabela. Vai ser um time divertido de ver no próximo ano e Warrick tem tudo para ser presença constante nas listas de melhores jogadas com boas enterradas. Também há de se louvar o lado defensivo dessa troca, Warrick pelo menos se esforça quando está defendendo, Amar'e quase nunca se deu ao trabalho, mesmo sendo bom quando tentava.


John Salmons - Milwuakee Bucks (39 milhões por 5 temporadas)

O Salmons foi quem transformou o Bucks num time de verdade na temporada passada. A equipe era uma potência defensiva, mas só com Salmons conseguiu poder no ataque para transformar a boa defesa em vitórias. Com o fim do contrato de Salmons, parecia que não tinha mais volta. Por isso o Bucks fez trocas para adicionar Chris Douglas-Roberts e Corey Maggette ao elenco. Mas não é que o Salmons voltou?


O contrato do Salmons é alto, mas a ajuda dele para o time sempre foi alta também, como já havia sido antes no Bulls. Ele é um baita jogador, tem muito talento e costuma ser decisivo em quartos períodos e é um daqueles raros jogadores que conseguem criar arremessos do nada, eu acho que valeu a investimento.

O time só irá se arrepender se o Salmons acabar sendo um Bobby Simmons ou um Erick Dampier, aqueles caras que jogam bem logo antes de renovar o contrato e depois se acomodam e não fazem mais nada. Acreditando na ética do Salmons, que há muitos anos esperava um time que acreditasse nele como algo mais que um tapa buraco, acredito que foi um bom negócio.

Essa contratação não resolve, no entanto, alguns buracos na equipe. No ano passado o Luke Ridnour fez um bom trabalho como reserva do Brandon Jennings, que como todo novato não chamado Tyreke Evans, era irregular. Nesse ano eles já perderam Ridnour, Free Agent na mira do Knicks, e no meio de tantas contratações não conseguiram ninguém. Improvisar o Delfino por uns minutos como eles já fizeram é até possível, mas por uma temporada inteira? Sem chance.

Para as posições 2 e 3 o time tem Salmons, Maggette, Carlos Delfino, Douglas-Roberts e Michael Redd. Lembram dele? A enfermeira, o cirurgião e as velhinhas do hospital lembram. Depois de tantas contusões seguidas ele deve estar de volta para a última temporada do seu contrato milionário. Com essas cinco opções para duas posições o Bucks nunca mais vai ter problema de marcar poucos pontos de novo, mas o time ainda parece capenga. Muitos jogadores algumas posições, poucos de outras. Esperem que Redd e seu contrato expirante de 18 milhões sirvam de isca para ajeitar o resto do time.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Jogadores debaixo do tapete

"Não penso, logo não existo?"


Num incrível passe de mágica, Gilbert Arenas está desaparecendo. Após ter (se os relatos estão corretos) levado armas sem munição para o vestiário do Wizards, oferecido uma a seu colega Javaris Crittenton como piada, e depois tirado sarro de toda a situação apontando os dedos como se fossem armas para sua equipe numa apresentação do time, qualquer coisa que lembre o Gilbert Arenas está desaparecendo na miúda. Suas fotos sumiram dos produtos do Wizards, um banner com seu rosto desapareceu da entrada do ginásio, sua camiseta não é mais vendida nas lojas e imagens de suas jogadas foram retiradas do vídeo de introdução da equipe. Arenas não teria sido tão eficiente em sumir do mapa nem se tivesse forjado a própria morte (o Elvis está aí pra provar, já que até hoje a gente sabe muito bem que ele não morreu coisa nenhuma e está aproveitando férias no Havaí com o Tupac). Era de se supor que, após a suspensão "por tempo indeterminado" ditada por David Stern, o Wizards brigasse para ter sua estrela de volta às quadras. Pelo contrário, a equipe está feliz da vida de se livrar do armador. Feliz o bastante para apagar quaisquer vestígios de que Gilbert Arenas um dia tenha chegado a acontecer.

O Denis já debateu bem o caso e, realmente, armas são feitas para matar gente e é um tanto imbecil levá-las para o vestiário do seu trabalho, ainda que sob pretexto de tirá-las de casa e de perto dos seu filhos (que tal dar a arma pra polícia e pronto, não ter mais que lidar com isso?). No entanto, é estranho como o caso provocou tanto horror e uma suspensão brutal justamente numa cultura obcecada por armas, em que você pode comprar munição no mercado ali do lado do leite , com grupos de adoradores de armamentos e uma série de leis que favorecem o porte. Armas estão de tal modo dentro da cultura americana que uma longa lista de jogadores estão ou estiveram envolvidos em casos de porte ou utilização de armas de fogo, sem que ninguém sofresse punições muito severas. Escrevi um longo post sobre o Delonte West, que foi parado pela polícia e calhou de estar com duas pistolas no corpo e uma shotgun escondida numa mala para guitarras, não exatamente o tipo de coisa que você leva para tocar no aniversário da sua sobrinha. Não houve qualquer grande medida por parte da NBA, mesmo estando todas as armas repletas de munição, enquanto o Stephen Jackson foi suspenso por 7 jogos depois de ter dado vários disparos depois de uma briga numa boate. O Jamaal Tinlsey também já se meteu em mais tiroteios do que o Charles Bronson, tendo sido suspenso um par de vezes (e dando uns depoimentos engraçados, porque ele realmente acha que é normal pra qualquer cidadão se meter em conflitos armados de duas a três vezes por semana), mas nunca nada grave.

A atitude do Arenas foi uma merda, armas não são bolacha Passatempo ou revistas de mulher pelada pra ficarem no armário do trabalho, e piadas com troços letais sempre dão algum tipo de merda. Mas a mensagem que eu estou recebendo aqui é que você não pode ser burro e fazer uma piada imbecil, sob pena de ser banido da NBA, enquanto está tudo bem dar uns balaços para o alto ou em outras pessoas em confrontos quaisquer mundo afora. David Stern ainda não decidiu nada sobre Javaris Crittenton, que pelo jeito respondeu à piada do Arenas sacando sua própria arma e dando um tiro para cima no ginásio, alegando que aguardará o término das investigações. Mas o Arenas foi suspenso sem espaço para reclamações, simplesmente porque tirou sarro da situação. O Jamaal Tinsley nunca tiraria sarro de um tiroteio, o negócio pra ele é real, sua cabeça parece estar sempre a prêmio e ele vive essa realidade tão barra-pesada e distante que o David Stern quer fingir que não existe. Mas o Arenas não, é apenas um garoto entediado, fazendo piadas no seu blog e no Twitter, tão distante desse lance de armas e balas na periferia que não pode deixar de tirar sarro dessa imagem de bandido maluco favelado que tentaram colocar nele. Se o esteriótipo já é uma besteira para qualquer um, deve ser ainda mais ridículo para um garoto mimado que não fez outra coisa além de jogar videogame enquanto esperava seu joelho se recuperar. A brincadeira com as armas foi idiota, a piada com a imagem que a mídia lhe criou foi ingênua (todo mundo sabia que o também entediado mas poderoso David Stern ia ficar bravinho), mas a punição foi totalmente descabida. Jogadores que usaram suas armas de fogo contra outras pessoas estão jogando por aí. Jogadores acusados e condenados por correr demais, acidentes de carro, dirigir alcoolizado. Li recentemente que, pego em excesso de velocidade, LeBron James disse rindo que estava apenas com sono e queria ir pra casa dormir. É claro que ele nunca seria suspenso, o David Stern é burro mas não é bobo.

Uma cagada não anula a outra. O que o Arenas fez foi uma besteira, mas isso não quer dizer que qualquer ação por parte do David Stern é justificável, a besteira do nosso engravatado favorito não pode passar despercebida apenas porque todo mundo quer tacar cocô no Arenas. Aliás, qualquer medida da sua parte seria uma besteira descabida, o que a NBA tem a ver com a parte legal e judicial de seus jogadores? Deixem Arenas ser acusado, sentenciado e preso por transporte e porte de armas de fogo em Washington como está prestes a acontecer, pronto. Deixe JR Smith passar 60 dias na cadeia por causar, em alta velocidade, o acidente de carro que matou seu melhor amigo. Por que a NBA insiste em se meter nesse tipo de questão? Qual a relação entre basquetebol e o babaca ter dirigido bêbado na noite de ontem? Outros âmbitos são responsáveis por isso, é preciso haver uma separação urgente, antes que David Stern comece a pedir currículos para decidir se um jogador pode participar do draft: só poderão ser escolhidos aqueles que forem brancos, protestantes, não fumarem, não beberem e não saírem de casa depois das 21h (os chineses também podem, eles dão dinheiro).

Voltando ao mundo do basquete, o mais curioso nesse lance do Arenas é o Wizards estar desaparecendo com o seu jogador. Pelo jeito, estão apenas aguardando, com água na boca, o David Stern deixar que eles invalidem o contrato do armador. O motivo é simples: ao pagar 111 milhões num contrato de 6 anos, a franquia esperava não apenas um jogador que levasse o Wizards ao topo do Leste, mas também o jogador mais carismático e vendável da NBA. O que acontece é que esse pirralho bocudo perde o amigo mas não perde a piada, o que não é lá muito vendável. Quanto mais declarações bem-humoradas, mais gente passava a ficar ofendida com alguma coisa (a gente aqui no Bola Presa descobriu, desde muito cedo, que o humor sempre está ofendendo alguém que você nem imagina, basta tirar sarro de andorinhas e o Sindicato dos Adoradores de Andorinha entra em contato por e-mail) e aos poucos o Arenas foi deixando de ser unanimidade. Muita gente meteu o pau no Arenas até por falar demais - como se a gente não falasse demais em todos os veículos que nos dão voz, até no "Fala que eu escuto" às 3h na Record - porque seu papel na vida é jogar. Só que jogar com o joelho transformado em poeira fica difícil, então os 111 milhões não serviam nem para ter um garoto-propaganda bacana nem pra ter um jogador em quadra. Talvez quando ele ficar saudável tudo valha a pena, quem sabe? Aí então ele finalmente ficou saudável depois do time feder tanto sem ele e, surpresa: o time continua fedendo. Dar um salário desses para alguém que, mesmo quando joga, não consegue salvar o time lá das piores colocações do Leste? É por isso que o Wizards quer tanto terminar o contrato e se livrar desse fardo, até porque fazer uma troca nesse valor seria quase impossível.

A mesma coisa anda acontecendo em Milwaukee. O Michael Redd vai ganhar 18 milhões na temporada que vem, e para quê? Passou a última temporada inteira contundido, jogou minutos limitados nessa e já foi anunciado que estará fora pelo resto da temporada graças a uma nova cirurgia. Mesmo quando jogava, no entanto, Redd nunca pareceu o tipo de jogador capaz de carregar sozinho uma franquia. Ele teve a chance de assinar um contrato mais modesto com o Cavs e, ao lado de LeBron, já teria atualmente 14 anéis de campeão. Mas não, preferiu ser a estrela de um time, encher as orelhas de dinheiro, e agora dá discursos dizendo que só quer vencer, só quer estar num time com chances de vencer. Burro foi o Bucks, de pagar tanto por um arremessador. Agora, a postura por lá é fingir que nada aconteceu, dar espaço para o Brandon Jennings e torcer para o Redd ir embora. Aliás, torcer para a lesão durar bastante porque aí a NBA devolve uma parte do salário. Mesma coisa com o Tracy McGrady: atualmente tem o maior salário da temporada (são mais de 23 milhões!), não jogou bulhufas contundido nos últimos anos, e o time acabou dando espaço para outros jogadores e outras formas de jogo. O que o técnico queria é que ele desaparecesse, mas se ele não jogar pelo menos uma parte do salário volta. Com certeza se Michael Redd e Tracy McGrady estivessem envolvidos num escândalo com armas, seus times aproveitariam para sumir com as fotos, banners, camisetas e vídeos. É uma chance de desfazer a burrada de dar um salário tão grande para um jogador que só se contunde, e tudo isso às custas do jogador - que não tem culpa nem de ter recebido a oferta contratual dos times, nem de estar contundido o tempo inteiro (aliás, tanto T-Mac quanto Arenas sempre quiserem jogar, mesmo com lesões).

O Arenas está sendo varrido pra baixo do tapete com tanta intensidade que agora quando você vai no site da NBA.com e tenta fazer uma camiseta personalizada com o número "0" e o nome "Arenas" (já que sua camiseta oficial não está mais à venda), o site diz não permitir camisetas com nome ou conteúdo ofensivo. Ou seja, tentar criar uma camiseta com "Caralho, "Puta merda" ou "Arenas" dá na mesma, ele virou um palavrão. Tracy McGrady ainda pode ter suas camisetas compradas, mas está sendo completamente ignorado pelo Houston até que seu contrato termine e ele desapareça. Michael Redd, provavelmente, seguirá o mesmo caminho. Mesmo antes de sua contusão recente, havia um sério questionamento sobre sua liderança na equipe e a comissão técnica decidiu que ele não era mais o jogador principal, cargo dado a Jennings e Bogut.

Frente a tudo isso, dou dois conselhos: o primeiro é que se você encontrar uma camiseta do Arenas em alguma loja da adidas pelo Brasil, compre imediatamente porque ela vai ser raridade (e palavrão). O segundo conselho é que você tente salvar Tracy McGrady de desaparecer por completo no Houston: participe agora mesmo da nossa promoção, monte uma troca para libertar T-Mac e concorra a 5 bonés do Houston Rockets!

sábado, 21 de março de 2009

Quem fede mais?

O Michael Redd se contunde mas nem a torcida percebe


Ao contrário da Conferência Oeste, que já tem os oito times que vão para os playoffs praticamente definidos (apenas um milagre coloca o Suns na busca pela oitava vaga), a Conferência Leste parece uma piriguete: todo mundo pode tirar uma casquinha se quiser. A luta parece ser para ver quem fede menos, mas às vezes tenho a impressão de que é justamente o contrário: para que serve conseguir a oitava vaga, enfrentar o Cavs e ser humilhado ao invés de conseguir uma escolha melhor no draft? É por isso que de vez em quando tenho quase certeza de que a briga é pra ver quem fede mais, e que se classificar para os playoffs é a punição máxima para o último colocado nesse concurso de horror.

Na disputa ao contrário, Bulls, Bobcats, Bucks, Knicks, Nets e Pacers lutam para não se classificar para a pós-temporada. Pacers e Knicks parecem largar na frente, mais inconstantes e um pouco atrás na tabela, perigando conseguir a oitava vaga apenas em caso de desastre. O Nets corria o perigo de escalar a tabela, mas então o Devin Harris sofreu uma lesão e está fora pelo resto da temporada, o bastante para os teóricos da conspiração acharem que ele sentou de propósito para que não acabem ganhando uns jogos sem querer. O Vince Carter, de quem infelizmente ninguém jamais se lembra nesses tempos pós-Clodovil, está garantindo uma vitória aqui e outra ali, mas acho que não será o suficiente para manter o ritmo necessário para a equipe. Perdendo essa competição do Mundo Bizarro, então, temos três times bastante curiosos: o Bobcats, favorito do Denis para agarrar a oitava vaga já há muito tempo; o Bulls, atualmente um jogo à frente e potencial classificado; e o Bucks, o time que não consegue perder nem sem suas principais estrelas.

Além do nome dos três times começar com a letra "B", o que não pode ser simples acaso (compre já o livro "Nada é fruto do acaso" e ganhe grátis "A vida fora da matéria", ligue já!), há outras coisas que eles têm em comum. As três equipes, por exemplo, contrataram técnicos novos para essa temporada após terem fedido na anterior.

No Bobcats, como o próprio Gerald Wallace reclamou, quando o time finalmente estava entendendo o esquema do técnico Larry Brown e adquirindo uma química defensiva, alguém era trocado e o time se transformava por completo. O Larry Brown reconstruiu o time quase por completo de modo que a equipe refletisse suas crenças táticas, uma liberdade que só tem aquele técnico com certeza de que seu trabalho será de longa duração e que o apoio dos dirigentes será total - algo que não aconteceu na sua curta estadia no Knicks, aliás. Além dessa constante alteração do elenco, o próprio Gerald Wallace virou farofa nas mãos do Bynum (que agora provavelmente acredita em "karma") e voltou só agora, aliás jogando bem pra burro. A temporada não foi fácil, completamente atípica, e arrisco dizer que não apenas eles merecem mais ir para os playoffs como também parecem ser os mais interessados. Não tenho dúvidas de que o Larry Brown receberia isso como uma prova de que seu trabalho foi recompensado e aproveitaria a oportunidade para dar experiência para a pivetada, que há tantos anos sempre acha que "agora vai" e nunca consegue nem ganhar campeonato de peteca.

O Bulls, além de um técnico novo como o Bobcats, também fez um punhado de trocas para reformular o elenco. No entanto, parecem não ter muita certeza do que estão fazendo, qual será o núcleo do time, o que pretendem em quadra. A única certeza é que o Derrick Rose é de verdade, joga pra burro, vai liderar esse time pelo próximo século e algum blogueiro por aí está engolindo um pé por ter dito que o Bulls deveria ter draftado o Beasley. Confesso, nunca achei que o Rose fosse ser tão bom assim tão rapidamente, e o Beasley supria uma posição muito mais deficiente na equipe de Chicago. Mas o Universo estava certo e eu errado, com o Derrick Rose comandando a brincadeira não tem como esse circo dar errado muito tempo, basta apenas que decidam como será o time que ele irá controlar. A primeira decisão deverá ser manter ou não o danado do Ben Gordon. Pessoalmente, isso me tira o sono às vezes. Não faço idéia de quem ele é, num jogo pode fazer 43 pontos em 8 bolas de três (contra o Heat), mas no seguinte pode fazer 4 pontos acertando apenas um dos 10 arremessos que tentou (contra o Magic). Muitos torcedores do Bulls dizem que o Gordon atrapalha o ritmo ofensivo da equipe, mas eu concordo com o Denis e sua opinião de que "um cozinheiro cozinha, um arremessador arremessa". O Ben Gordon tem mais é que arremessar como um louco, fazer 40 pontos às vezes, 4 pontos em outras, mas não dá para confiar num cara assim para carregar seu time para sempre. Arrisco dizer que, ainda que muito menos talentoso e sem o poder mutante de pontuar como um louco no quarto período, o John Salmons é muito mais eficiente e constante do que o Ben Gordon. Sei que é meio bizarro, mas acho que o Bulls ganhou muito ao recebê-lo na troca com o Kings e deveriam mantê-lo por lá enquanto o Gordon vai tentar ganhar bilhões em outro time e acabar lavando pratos. O John Salmons, inclusive, jamais reclamou de desempenhar o papel de sexto homem em Sacramento, embora tenha resmungado - e com razão - que, nas oportunidades que recebeu como titular, tinha jogado muito melhor mas era como se ninguém estivesse olhando. Acho que um time vencedor precisa muito mais de um Salmons do que de um Ben Gordon, e muito mais de um Leon Powe, por exemplo, do que de um Charlie Villanueva. Consistência é algo subestimado, mas essencial na NBA.

O que me leva imediatamente ao Bucks, que por tanto tempo ficou meio sem querer com a oitava vaga no Leste e agora está em nono lugar. Sem dúvida a equipe tem grandes jogadores, como o próprio Villanueva e o Michael Redd. Só que, para mim, os dois são excelentes exemplos de jogadores sensacionais que não te levam a lugar nenhum. Me dói muito dizer isso, aliás, porque sou um enorme fã dos dois: acho o Redd um jogador genial, muito mais completo do que as pessoas costumam imaginar, e o Villanueva por vezes é um monstro no ataques e nos rebotes, além de ser muito jovem. Mas colocá-los como foco de um ataque é suicídio. O Michael Redd, em especial, precisa que o time jogue exclusivamente para ele ou suas maiores qualidades não serão exploradas. Na temporada passada, todo o ataque do Bucks se baseava em um corta-luz atrás do outro, em geral dos pivôs na cabeça do garrafão, para que o Redd pudesse usar seu arremesso de fora. O resultado era um time lento e terrível nos rebotes, porque o garrafão estava sempre vazio. Com o técnico Scott Skiles, que veio do Bulls para pentelhar os veadinhos roxos, o ataque ficou mais distribuído e veloz e o Redd passou a ser apenas mais um jogador em quadra, um daqueles especialistas que em geral vêm do banco - só que ele é espetacular. É aquele jogador que parece ser fadado a ver seu talento mal utilizado por não se encaixar em lugar nenhum (Iverson, alguém?). Quem daria um contrato máximo para um arremessador cuja maior especialidade é ficar bem longe da cesta e que, eventualmente, terá seus dias ruins e não poderá compensar isso com outros fundamentos? Se o Ben Gordon está errando tudo, dá pra sentar sua bunda no banco, mas não tem como sentar o Redd se ele deveria ser justamente a estrela e a alma do time. O resultado é o dinheiro mais mal gasto desde a plástica de nariz do Michael Jackson e uma grande lição para os times interessados em assinar cheques a torto e a direito.

Esse Bucks do Skiles me lembra obviamente um pouco o Pistons do Iverson. A equipe de Detroit joga melhor sem o Iverson, mantendo o estilo de jogo coletivo que deu tão certo nos últimos anos. Já o Bucks sequer percebe se o Redd está ou não na quadra. Um arremessador pode mudar completamente um jogo, é verdade, mas se ele é a principal arma de ataque, pode apostar que sua equipe está encrencada. Num jogo mais focado na defesa, na velocidade e na coletividade, o Redd tem mais cara de sexto homem do que tem de All-Star. Acho que o Bucks nem notou que o Redd se contundiu, o elenco continuou fazendo a mesma coisa e também não deu a mínima para o Andrew Bogut estar contundido também, afinal ele passou quase toda a temporada com uma lesão ou outra e fedeu nos intervalos entre suas contusões (e ferrou meu time de fantasy). É com uns caras nada a ver que o Bucks segurou as pontas, como o reserva Luc Mbah a Moute defendendo bem pra burro e pegando rebotes mesmo quando joga no garrafão, fora da sua posição natural. O ex-novato sensação Ramon Sessions joga cada vez melhor e é mais um jogador vindo do nada, escolhido na segunda rodada do draft, que mostra ser o futuro da equipe, exatamente como aconteceu com o Redd. O Sessions controla bem o ritmo do jogo, arremessa cada vez com mais consistência e defende bem melhor do que o Luke Ridnour (eu também defendo melhor do que ele, afinal sei ficar em posição ereta em cima das minhas duas pernas). Só espero, por favor, que o Bucks não assine um contrato máximo com o Sessions também, ou seja, que eles não tenham um estranho fetiche por enriquecer jogadores da casa que de repente deslancham.

Com tantas contusões, o Charlie Villanueva acabou ganhando espaço na equipe e a fama de ter o estranho poder mutante de chutar traseiros quando joga em Milwaukee, o que provavelmente faz dele o único mamífero do mundo que gosta de estar lá. Fora de casa, no entanto, ele tem uma tendência a feder. Mas seja em casa ou fora, ele nunca defende, só que seus arremessos de três pontos, sua capacidade de atacar a cesta, mecânica sólida de lance livre e tempo nos rebotes ofensivos são fantásticos. O problema é que ele segura a bola demais, monopoliza o ataque e tem um complexo de Rasheed Wallace, ou seja, uma certa alergia de garrafão. Joga muito, mas parece desencaixado nesse time tão carente de alguém perto da cesta e de um elenco todo capaz de abraçar o jogo coletivo. É um daqueles casos estranhos em que o time seria melhor com jogadores piores: o pau-pra-toda-obra Leon Powe seria mais útil no garrafão, e o John Salmons poderia substituir o Redd sem que houvesse muita comomoção.

Muito provavelmente o Bucks vai ganhar a disputa inversa e não ir para os playoffs. Richard Jefferson é mais um que precisa mandar uma porcentagem do salário para o Jason Kidd, sendo óbvio que ele não pode carregar um time sozinho (apesar do salário para carregar uns três times e ainda lavar a roupa de todo o elenco). O Luke Ridnour é um tapa-buraco eterno, tem reserva escrito na testa e parece ser o real sucessor do Tyronn Lue no papel de reserva que acaba virando titular em todo lugar que vai porque os outros fedem mais do que ele. Ou seja, um time desses não tem como ir muito longe e parece só segurar as pontas por obra mágica do Scott Skiles, que eu tanto critico por ser um pentelho mas que é um dos melhores do planeta em montar um elenco do nada, sem estrelas, e fazê-lo chegar a algum lugar. O melhor para a equipe seria uma reconstrução, nos moldes do Bobcats, trocando o Michael Redd e arriscando a idéia de um time sem estrela alguma, que afinal de contas deu certo no Bulls do Skiles algumas temporadas atrás (e que levou o Sixers a fazer barulho nos playoffs passados). Mas quem seria louco de aceitar o contrato do Redd, o especialista mais bem pago da história da humanidade?

Deixo minha sugestão de fã, porque estou repetindo isso há anos: o Michael Redd é o parceiro ideal para o Yao Ming, eles são almas gêmeas, pão e manteiga, Claudinho e Bochecha. Nada de T-Mac, senhoras e senhores! Com Artest e Redd o meu Houston Rockets só não seria campeão se pegasse o Spurs em ano ímpar. Mandem para Milwaukee o Shane Battier, que defende como ninguém e seria tipo o filho favorito do Scott Skiles. O pobre do Redd precisa se encaixar em algum lugar, e eu tenho a solução: ajudem meu time a ser campeão!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Temporada de caça

Alguém lá em cima não gosta do Redd;
alguém lá embaixo vai para os playoffs



Quando Ron Artest e Tracy McGrady entraram em quadra juntos contra o Pistons, levando meu Houston à vitória, já imaginei que alguém iria se machucar feio. Trata-se do princípio de equilíbrio que demonstrei recentemente, depois da volta do armador Monta Ellis às quadras. Pois bem, dito e feito: alguém em algum lugar teria que se contundir e, para meu alívio, não foi Yao Ming, que deve voltar a jogar já na próxima partida. O azarado foi Michael Redd, a estrela do Bucks, que está fora da temporada com uma lesão grave no joelho justamente quando estava esquentando. Em janeiro, ou seja, nas últimas 14 partidas, as médias eram de 24 pontos e mais da metade dos arremessos convertidos. Para um arremessador, os números eram incríveis, mas também não fazia muita diferença porque, oras, o Bucks fede. Com o Andrew Bogut sofrendo a temporada inteira com dores nas costas e praticamente não jogando, e o Richard Jefferson mostrando que é mais uma viúva do Kidd (ou seja, um daqueles jogadores que ganham contratos bilionários porque parecem bons pra burro apenas por jogar com o Kidd - Mikki Moore, estou olhando pra você!), não havia nada que o Redd pudesse fazer sozinho. Verdade seja dita, com Bogut saudável, Jefferson bem e o Redd acertando qualquer coisa que tacasse pra cima, também não daria pra concretizar muita coisa, o time fede em essência - é tipo a Roberta Close, pode parecer linda, mas você sabe que tem alguma coisa muito, muito errada.

Ainda assim, a contusão é uma pena. Não apenas pela fase do Redd, que estava chutando traseiros como na sua passagem pela seleção americana e era a única diversão nos jogos do Bucks que eu acabava assistindo (porque os jogos do Leste começam antes e eu assisto a qualquer coisa pra não morrer de tédio), mas também porque, de um modo ou de outro, os veados roxos estavam indo para os playoffs. Agora que três dos quatro melhores times da NBA estão no Leste, muita gente deixa escapulir que é a Conferência mais forte, mas isso só vale para quem não tem paciência de olhar a tabela de classificação até o final. O Heat mequetrefe bem posicionado? Bucks arrumando uma oitava vaga? Pois é, tão forte quanto novela da Bandeirantes, não é porque tem a delícia da Juliana Silveira que dá pra levar a sério.

Enquanto no Oeste algum time considerável deve ficar de fora (Suns, alguém?), no Leste alguma equipe mequetrefe vai ter a honra de ser o capacho em que LeBron James vai limpar os pés na primeira rodada dos playoffs. O Bucks ia capengando mas ia, só que sem o Redd podemos descartar a possibilidade. Ontem, contra o Wolves, a estrela foi Richard Jefferson e seus 3 arremessos certos em 15 tentados. Ele já pode dar as mãos para o Kenyon Martin e pular num abismo, gritando o nome do Kidd, e dar adeus às chances de voltar aos playoffs tão cedo. O engraçado é que, se o Bucks despencar, uma série enorme de times horríveis podem conseguir agarrar essa oitava vaga. Ou seja, no fundo a briga no Leste vai ser muito boa, embora de qualidade questionável. Tipo uma maravilhosa luta no gel entre várias mulheres, mas todas pertencentes à banda Fat Family.

Na prática, todas as equipes (tirando o Wizards, que já desistiu da brincadeira faz tempo e já está muito interessado - talvez até demais - na primeira escolha do próximo draft) têm chances concretas de chegar à pós-temporada. Mas algumas são claras favoritas: o Nets, embora um leitor nosso ache fogo de palha; o Knicks, que ontem venceu o Houston, com o banco marcando mais de 50 pontos pela terceira vez consecutiva; e o Bobcats, que é o favorito do Denis pra conseguir a vaga. Vai ter gente dizendo que o Bulls e o Pacers têm chances reais, e até é verdade, mas fica difícil ver os dois times aguentarem o ritmo dos outros três acima. É uma corrida de cegos ajeijados, mas alguns pelo menos sabem pra que lado estão correndo.

No nosso preview de temporada da Divisão Central, rolou chororô porque colocamos o Bucks na frente do Pacers, lembram? No fundo acertamos em termos, o Bucks tinha mais time até o Redd virar farofa, mas agora é o momento do Pacers escalar a tabela e deixar os viadinhos roxos para trás. O Troy Murphy teve uma conversinha com os Monstars, do Space Jam, e pelo jeito conseguiu recuperar seu talento de jogar basquete, o TJ Ford está saudável de novo e o Mike Dunleavy finalmente retornou ao elenco depois de passar quase toda a primeira metade da temporada de fora. Ou seja, as peças estão aí para uma arrancada rumo aos playoffs, graças principalmente ao nível em que Danny Granger está jogando. Tenho algumas ressalvas aos seus números, porque ele sofre da "Síndrome de Kevin Durant novato", que é poder atacar quando e como quiser porque todo mundo vai passar a mão na cabeça e agradecer. "Senhor Granger, você arremessou do meio da quadra? Muito bem, senhor, faça de novo! Você assaltou três bancos, matou duas mulheres, vestiu sua cueca na cabeça e enfiou moedas nas orelhas? Muito bem, senhor, continue o bom trabalho!" Ainda assim, não dá pra negar que o Granger é agressivo, atlético, inteligente e tem uma mira privilegiada da linha de três pontos. Havia uma dúvida muito grande sobre se Granger seria uma estrela capaz de ter um time construído à sua volta, mas agora creio que nenhum fã razoável se pergunte isso de noite, antes de dormir. O Granger não é mais a estrela do futuro, ele é real e vai carregar esse time porcaria por muitos, muitos anos. Se isso é bom ou ruim, deixo para os torcedores do Pacers decidirem.

Mas como o Sindicato dos Blogueiros de Basquete que Não Ganham um Centavo exige que façamos palpites (e sequer nos dão um plano dentário ou cesta básica!), eu fico com o Knicks e, apoiando a aposta do Denis, tenho uma fé no Bobcats. Simplesmente porque são os dois times com mais identidade, mais conscientes do que estão fazendo, mesmo quando as coisas não dão nem um pouco certo. O Knicks tem a cara do D'Antoni, ataca sempre do mesmo jeito e no mesmo ritmo e, como o antigo Suns, vence os times medianos mesmo que não tenha muita chance contra os times de verdade. O Bobcats tem a cara do Larry Brown, defende cada vez melhor, e embora não tenha o talento ofensivo para derrotar os grandes times, consegue anular alguns ataques e sair vitorioso. Com Nets e Pacers tão inconstantes (eles não tem cara de nada, é tipo a Sandy!), com o Bulls jamais escapando da mesma deficiência (pare uma pessoa alatória na rua, pergunte a ela qual é o problema do Bulls, e se ela não perguntar se o Jordan ainda está jogando, a resposta será "pontos no garrafão") e com o Raptors sequer estando nessa conversa (o que diabos aconteceu com eles?), acho que a luta pela oitava vaga estará nas mãos dos elencos mequetrefes com técnicos experientes.

Os veados roxos estão com uma mira nas costas, e é temporada de caça a esses animais bizarros. Quem passar o Bucks primeiro estará com um pé nos playoffs, e a disputa será muito aberta. O Leste finalmente merece respeito: as equipes boas são boas de verdade, e as equipes ruins vão todas caçar a oitava vaga. No mínimo será divertido - menos pro Michael Redd, claro.

domingo, 26 de outubro de 2008

Preview da temporada - Divisão Central

Se olhar muito, o Rasheed Wallace toma falta técnica em casa


Estamos de volta com mais um preview da próxima temporada, apresentando agora os times da Divisão Central. Entregamos de bandeja todos os motivos para assistir e não assistir a cada um dos times, para você não ter que pensar e conseguir escolher com mais facilidade quem vai acompanhar. Afinal, hoje em dia dá pra ver qualquer partida que você quiser, basta dizer as palavras mágicas - e ter uma conexão de internet decente. Como a temporada começa na terça-feira, é hora de acompanhar as última análises, em clima de contagem regressiva.

Como sempre, começamos com o time que deve ser campeão de sua Divisão e acabamos com quem deve ficar no vergonhoso último lugar. E é vergonhoso mesmo, afinal ser o pior time da Divisão Central significa que o time fede tanto que não há mais motivos para viver. Se você é torcedor de algum desses times, prepare o calmante e vamos lá!


Detroit Pistons

Motivos para assistir:
O jogo coletivo e a enorme quantidade de estrelas (ou aspirantes a estrelas, depende de pra quem você pergunta) é sempre um tesão e um motivo indiscutível para ver o Pistons jogando. E se todo mundo já está de saco cheio de assistir sempre ao mesmo Pistons chutando traseiros, jogando do mesmo modo e eventualmente perdendo o ânimo pela vida em pleno tédio da temporada regular, esta é a temporada para voltar a acompanhar a equipe. O técnico Michael Curry acabou de assumir o posto, prometeu mudar um pouco o estilo de jogo da equipe, enfiou o Rasheed dentro do garrafão e prometeu mais de 30 minutos por partida para o reserva Rodney Stuckey, que está andando sobre as águas e multiplicando pães na pré-temporada. Além disso, colocou o McDyess no banco junto com Jason Maxiell e proclamou a "estrela de treinos" Amir Johnson como titular. Por enquanto não rendeu nada, mas não há muita cobrança, já que o banco é profundo, e ele terá tempo para provar seu valor.

O mais importante para o Pistons ser um time delicioso de ver nessa temporada é o ânimo da equipe. Toda vez o Pistons fica entre os líderes do Leste e se lasca nos playoffs, tudo com o mesmo elenco e as mesmas premissas táticas. Fica difícil para eles próprios levar a temporada regular a sério, todo mundo boceja e os jogos são completamente mornos. Com as pequenas mudanças e um técnico severo a quem os jogadores respeitam, o Pistons deve entrar com vontade, liderar a porcaria do Leste e garantir que nada vai sair errado dessa vez.

Motivos para não assistir:
Talvez as mudança não sejam o bastante para injetar ânimo no Pistons e eles continuem aquele time de saco cheio, cochilante, com cara de quem está fazendo exame de próstata ao invés de jogar basquete. Aquele Pistons defensivo e desanimado não é das coisas mais divertidas de se ver no mundo, e garanto que vai ter coisa muito mais legal para assistir lá no Oeste. Salvo os grandes clássicos contra o Celtics ou o Cavs, por exemplo, dá para passar batido pelo Pistons e esperar o momento em que eles tentam jogar de verdade, que é quando os playoffs começam.

Outra coisa: Kwame Brown. Não que ele seja tão ruim assim, mas é que suas limitações são muitas, seu psicológico é digno do Charlie Brown (o personagem das tiras, não a banda do Chorão) e não dá pra levar a sério um time disposto a lhe dar uma chance. Quando o Kwame entra em quadra, o jogo parece uma piada e será um ótimo motivo para mudar de canal e deixar o Pistons pra lá.


Cleveland Cavaliers

Motivos para assistir:
Daniel Gibson. Ele é um dos jogadores mais sensacionas da... rá, é claro que eu estou brincando! Pegadinha do Mallandro, glu glu glu, olha pra câmera lá, rapá! Se existe um motivo nesse Universo para assistir a porcaria do Cavs jogar, esse motivo é LeBron James. Não me importa se você é um odiador do sujeito, se continua achando que ele é superestimado, se acha que ele deveria acabar com a fome na África antes de se comparar ao Jordan. O que interessa é que qualquer jogo com LeBron James é interessante simplesmente porque ele pode surtar a todo momento e vencer a partida sozinho.

O resto do elenco de apoio é questionável, o esquema de jogo é excessivamente defensivo, mas LeBron já provou que, em seus melhores dias, pode pontuar de qualquer lugar da quadra e penetrar no garrafão mais fácil do que seria na Bruna Surfistinha. Além do mais, todo ano o Cavs faz alguma coisa para mudar o elenco, na esperança de entregar para LeBron um time capaz de finalmente ganhar um anel. Trata-se de um time sempre em transformação, em constante metamorfose, e dessa vez o novo membro é Mo Williams. Ver como um dos maiores fominhas da NBA vai se sair ao lado de LeBron é imperdível, quer dê certo, quer não.

E se você curte ver um brasileiro (como se andar pelas ruas não fosse o suficiente), o Varejão teve uma boa pré-temporada e tem tudo para ter um papel importante no time. Com o bônus de que a qualquer momento uma família de anões pode sair do seu cabelo reclamando que cortaram a água encanada, o que certamente será um barraco interessante.

Motivos para não assistir:
Um time puramente defensivo, de ataque estático e que ganha jogando feio. Precisa de algum motivo a mais para fugir? O time é cheio de peças interessantes que não combinam e está sempre fazendo trocas simplesmente pela graça da coisa, sem nunca tentar (e sem nunca conseguir) montar um time coerente e coeso.

Algumas pessoas gostam do novo ingrediente do bolo, o Mo Williams, e ele é um jogador em que todo mundo deveria realmente dar uma olhada. Quando jogava no Bucks, ficava difícil ver o sujeito em ação, porque assistir ao Bucks sempre significa que você está levando seu vício por basquete longe demais. Agora, no Cavs, é uma chance de analisar o Mo Williams de perto. Mas acredite, ele parecerá bom a princípio e, em um punhado de partidas, se transformará num grande motivo para não assistir ao time nunca mais. Sua abordagem do jogo é enervante, dá dor de estômago e o LeBron vai querer esganar o cara em 15 minutos. Ele corre com a bola, o que supostamente seria a tática ideal para o Cavs (que sempre achei que deveria jogar no contra-ataque), mas ele é destrambelhado e não sabe ler o jogo, arremessa quando dá na telha e enlouquece os fãs. Afaste-se.


Chicago Bulls

Motivos para assistir:
Derrick Rose. Eu sei, defendi desde o princípio que o Bulls fez uma cagada draftando o garoto no lugar do Beasley, aloprei as atuações medíocres no rapaz nas Summer Leagues, falei que ele comia meleca de nariz. Mas não é nada pessoal com o garoto, eu é que sou muito chato. Na pré-temporada o Derrick Rose teve atuações dignas da estrela que se tornará, mostrando maturidade e um poder mutante de adentrar o garrafão quando bem entende que lembra muito seu colega de profissão, Chris Paul. Embora o Bulls esteja com aquele cheiro de novela do SBT (você até vê as boas intenções, mas sabe que vai dar muito errado), o Rose tem tudo para dar muito certo. E não tem coisa mais bacana do que acompanhar uma futura grande estrela da NBA desde seu primeiro jogo, assistindo de camarote ao seu desenvolvimento. Para os que viram o LeBron evoluindo seu jogo desde o começo, a sensação de vê-lo jogar agora é incrível e as histórias para contar para os netos se avolumam. Os que viram o Jordan começando sua carreira na NBA, por exemplo, têm bilhões de histórias para contar pros seus bisnetos.

Esse ano veremos trocentos novatos que renderão histórias quando você for velho, então será preciso um bom planejamento para manter sempre um olho em cada um deles. Certifique-se de que o Derrick Rose receba atenção especial.

O resto do time também não é de se jogar fora, com muita gente jovem, talentosa, descontraída, disposta a muita azaração! Vale a pena ver como o armador Kirk Hinrich vai se acostumar com seu novo papel, já que Rose assumiu sua antiga função, como Luol Deng vai produzir depois do seu novo contrato giga-milionário, que espaço será dado para Nocioni, como será o desenvolvimento do garrafão "fede-mas-há-esperança" de Tyrus Thomas e Joaquim Noah. Mas o mais divertido para os Nelson Rubens da vida será analisar a situação do Ben Gordon, que tentará mostrar que é o governante da Terra para garantir um contrato na temporada que vem, já que dessa vez ninguém deu bola para o moçoilo.

Para finalizar, tem também o técnico com nome de estrela de luta-livre, Vinny Del Negro, que é um técnico novato e, portanto, você sempre vai querer ver ele fazendo merda para criticar na frente dos seus amigos.

Motivos para não assistir:
O Bulls da temporada passada era um pesadelo de se assistir. Todo mundo ficava atrás da linha de 3 pontos arremessando como malucos, num estranho caso clínico de "fobia de garrafão". Tirando o Drew Gooden, que é um bom jogador mas que não dá pra levar muito a sério, ninguém ainda é especialista em jogar perto da cesta. Se o Derrick Rose feder por uns tempos, o que é até bem normal para novatos, acredito que não deve haver muita melhora na equipe. O técnico novo deve levar um tempo para compreender do que se trata esse tal de basquete, e para construir um modo de jogo que mude realmente a cara do Bulls vai demorar bastante. Ou seja, tudo leva a crer que, principalmente no começo da temporada, aturar os jogos desse time vai ser pior do que aula de Química. Para os desbravadores do desconhecido (também conhecidos como "aqueles que não tem bom senso"), aconselho sempre se certificar de que o Derrick Rose está saudável e vai jogar antes de escolher um jogo do Bulls.


Milwaukee Bucks

Motivos para assistir:
Um estranho fetiche por veados roxos, talvez? Bem, talvez exista algo que realmente possa me fazer dar uma olhada no Bucks, e trata-se do "Complexo de Zach Randolph". Lembra quando o Blazers fedia e o Randolph era uma grande estrela com seus 20 pontos e 10 rebotes de sempre, mantendo a bola em suas mãos o tempo todo? O Blazers então teve os bagos necessários para mandar sua estrela embora e, como mágica, o time melhorou instantaneamente de rendimento. Com o Bucks, não aconteceu exatamente isso, afinal a estrela da equipe é Michael Redd, que continua por aquelas bandas. Mas acontece que a bola mal fica em suas mãos, ele é um arremessador, alguém deve armar o jogo para seus arremessos, e o Mo Williams se tornou uma espécie de estrela na temporada passada com números surpreendentes de pontos e, até, de assistências. Trocado para o Cavs, agora Mo Will pode levar seus bons números para Cleveland e, se o "Complexo de Zach Randolph" entrar em ação, o Bucks deve melhorar sua produção. Luke Ridnour é facilmente o pior defensor mano-a-mano da NBA e o Ramon Sessions não consegue acertar arremessos, mas mesmo assim são armadores muito mais voltados para a equipe. Por motivos científicos, talvez seja legal ficar de olho.

Mandar o Yi Jianlian embora para o Nets também é um bom sinal. O Bucks ficou famoso por ser o time que só contrata os jogadores que não querem jogar por lá, e o Yi Jianlian era prova viva, quase que o chinês desiste de jogar na NBA só porque não queria ir parar em Milwaukee. Melhorar o clima da equipe costuma melhorar os resultados, o ala Richard Jefferson tem tudo para se tornar uma estrela com mais responsabilidades nas mãos e talvez o time nem fique em último no Leste.

Motivos para não assistir:
Ter uma vida. Vá ler um livro, leve o cachorro para passear, saia com a namorada, conte os azulejos da cozinha, estude a presença da dialética hegeliana na evolução dos videogames pós-Tetris. O Bucks fede, deve continuar fedendo por um bom tempo, e só deve receber qualquer atenção se o Michael Redd começar a fazer 50 pontos por jogo, Richard Jefferson dominar as partidas e o Ramon Sessions voltar aos números do fim da temporada regular, em que tinha por volta de 15 assistências de média. Mas veja bem, tem que acontecer as três coisas ao mesmo tempo, e constantemente, para que você tenha razões para sair de sua hibernação e ir acompanhar os roxinhos.


Indiana Pacers

Motivos para assistir:
Ser masoquista. O Pacers até deu sinais de que não seria uma tortura completa na temporada passada, mas agora o plano é jogar tudo fora e começar de novo. Time começando de novo é um sofrimento para acompanhar, é melhor ignorá-los por alguns anos, fechar os olhos e torcer bastante para que eles se tornem o novo Blazers (segundo "O Segredo", funciona).

O time até tem seus atrativos, veja bem. O armador TJ Ford corre pra burro e costuma sempre ter umas jogadas espetaculares, o "Granny Danger" cheira a estrela, o Mike Dunleavy vem da melhor temporada de sua carreira e talvez realmente seja o próximo Larry Bird, só que com dengue e duas mãos esquerdas. Mas se você realmente quer um motivo para dar uma espiada no Pacers, eu apontaria o Roy Hibbert. Ele é o pivô novato que surpreendeu todo mundo chutando traseiros na pré-temporada, e pivôs bons definitivamente não nascem em árvores. Acompanhar a evolução dele deve ser divertido.

Outra coisa: as cheerleaders do Pacers estão entre as mais maravilhosas da NBA. Quase coloquei o time em primeiro da Divisão só para poder colocar uma foto delas no topo do post. Então, se você estiver na seca, pode assistir ao Indiana Pacers e ignorar o jogo, prestando bastante atenção nos intervalos.

Motivos para não assistir:
Ter amor pela vida. Acompanhar uma equipe em que os pivôs são o Nesterovic, o Jeff Foster e um novato? Uma equipe sem estrelas, sem conjunto, sem objetivo? Um experimento fracassado que tentou se livrar de todos os jogadores bons mas "problemáticos" e montar um mosteiro de frades franciscanos que não vão ganhar uma partida sequer?

O Leste é uma porcaria e eles até podem ter alguma chance se evoluírem muito num ritmo absurdo, se despertarem o Sétimo Sentido e começarem a se mover na velocidade da luz. Fora isso, devem ser os últimos colocados não apenas da Divisão, mas de toda a Conferência. Vergonha.

domingo, 14 de setembro de 2008

O Cavs fede

Quando tudo estiver ruim, pense: com Ricky Davis, estaria pior


Quando LeBron James chegou em Cleveland em 2003 como primeira escolha do draft, a estrela do time era Ricky Davis. O que, pensando bem, é bastante óbvio, afinal para conseguir uma primeira escolha do draft o time precisa, em geral, feder bastante. Não que o Ricky Davis seja o pior jogador do planeta, longe disso, mas ele certamente faria parte de uma lista contendo as 10 piores pessoas para colocar ao lado de LeBron. O resto da lista provavelmente conteria a Vovó Mafalda, Hitler e a Luciana Gimenez.

Tanto o estilo de jogo de Ricky Davis quanto sua postura em quadra tornavam impraticável deixá-lo ao lado da estrela recém-draftada. Estamos falando de um jogador que compromete seriamente o time por jogar apenas para si mesmo, incluindo a famosa tentativa de arremesso contra a própria cesta para completar um triple-double. Não levou muito tempo para que fosse trocado por três feijões mágicos e uma ação judicial para que nunca mais colocasse os pés em Cleveland.

No entanto, o time ainda fedia. Era hora de contratar um jogador cujo estilo fosse capaz de complementar LeBron James, ou seja, alguém capaz de arremessar da linha de 3 pontos, um pontuador que exigisse pouco a bola nas mãos, que dominasse o perímetro e pudesse acertar arremessos nos momentos decisivos das partidas. O homem ideal era Michael Redd, mas o sujeito inventou uma palavra esquisita ("lealdade", o que é isso?) para rejeitar a proposta do Cavs e continuar no Bucks, um time que além de feder tem um dos uniformes mais abomináveis da NBA e cujo mascote é um veado roxo. Bem, se o Redd não aceitou, o jeito era segurar o dinheiro e aguardar outro jogador que tivesse as características desejadas. Mas o Cavs é uma esposa entediada com um cartão de crédito nas mãos, uma compradora compulsiva de quinquilharias que nunca vai usar. Manter espaço no teto salarial não era uma possibilidade, o time de LeBron precisava contratar alguém, fosse quem fosse. O escolhido foi Larry Hughes, que vinha de uma grande temporada com o Wizards ao lado de Gilbert Arenas.

Na época, em 2005, até a mãe do Hughes sabia que seu estilo não tinha absolutamente nada a ver com o que o Cavs procurava. Larry Hughes não arremessava da linha de 3 pontos, batia para dentro do garrafão em quase todas as jogadas e passava a maior parte do tempo com a bola nas mãos, ainda que não fosse um armador principal nato. Mas, para ser justo, sequer vou culpar o Hughes nessa. Se o Eddy Curry é cilíndrico, a culpa é dele, mas o Hughes era um grande jogador - com qualidades e defeitos que faziam sua produção depender de que fosse bem utilizado em quadra. Não era necessário ser ganhador do Nobel de Física para saber que ele jamais seria bem utilizado num time que necessitava de tudo aquilo que ele não sabia fazer. Incompatibilidades, uma contusão e alguns fracassos depois, o Cavs viu-se com uma bomba nas mãos: um jogador queimado, incapaz de produzir em quadra, ganhando 12 milhões por ano.

Lembra da lista de piores pessoas para jogar ao lado de LeBron James? Inclua Larry Hughes, por favor, logo ao lado do Didi Mocó. Assim, da mesma forma que ocorreu com Ricky Davis, Hughes foi trocado numa daquelas orgias malucas que envolvem três times e uma dúzia de jogadores, mas que no fim trouxe de relevante apenas Ben Wallace para a equipe. Confesso que a princípio achei uma boa idéia, afinal qualquer coisa seria melhor do que ter que aturar Larry Hughes na equipe, mas a verdade é que o Big Ben não fazia sentido em Cleveland. O Cavs já era um dos melhores times defensivos da NBA e um dos líderes em rebotes ofensivos, graças principalmente a Ilgauskas, Gooden e Varejão. Ou seja, quando o assunto é rebote e defesa, o time está bem. Mas quando é pontuar e depender de alguém não chamado LeBron, o negócio complica. Então porque diabos trocaram por um especialista em rebotes e defesa, principalmente um em decadência e na fase mais baixa de sua carreira?

Bem, nem preciso dizer que não deu certo. Mas uma coisa importante sobre o Cavs é que os dirigentes nunca param. Parecem eternamente conscientes de que têm em mãos um dos maiores jogadores da história da NBA e que, se não montarem um elenco digno, serão incapazes de lucrar com a sorte que tiveram naquele draft em 2003. Eles se coçam, rebolam, remexem. Nessa offseason, efetuaram mais uma troca, dessa vez para trazer o armador Mo Williams do Bucks.

Espera. Ainda tem espaço naquela lista de piores pessoas para jogar ao lado de LeBron James? Chegamos ao ponto em que as decisões da chefia do Cavs não são mero acaso, burrisse, insanidade temporária. Estamos frente a um caso patológico, a um padrão de incompetência gritante. Quem é o infeliz, incapaz de enxergar um padrão, que dita as cartas lá em Cleveland e diz: "Ricky Davis não deu certo, Larry Hughes não deu certo, ah, mas com o Mo Williams será diferente!"

Claro que será diferente! Um armador que segura a bola nas mãos o tempo todo, incapaz de envolver os companheiros, criticado por se negar a passar a bola para a estrela Michael Redd nos momentos cruciais dos jogos, querendo continuamente se sagrar herói e que, dizem, teve a saída festejada em Milwaukee pelos companheiros que sonhavam em, um dia, jogar com um armador que não quisesse arremessar o tempo inteiro. Uau, não parece exatamente o perfil ideal de um jogador para colocar ao lado de LeBron? Na verdade, o perfil é tão convidativo que até contrataria o sujeito para cuidar dos meus filhos!

Toda temporada tenho meu saco torrado por gente dizendo que o LeBron fede porque não consegue ser campeão da NBA, e é justamente por isso que fico numa torcida secreta para que arrumem um time minimamente decente para o sujeito ter, ao menos, alguma chance. Com um time aceitável, as derrotas de LeBron poderiam cair de fato sobre seus ombros e eu até ficaria mais aliviado com as críticas que, de outro modo, são inevitavelmente injustas. Mas não adianta, todo ano o Cavs consegue remodelar o time todo e formar um cocô tão ou mais fedido que o anterior. Os boatos sobre LeBron James ir para o Nets quando seu contrato acabar em 2010 fazem cada vez mais sentido, e não é por sua amizade com Jay-Z, mas sim porque uma hora ele tem que ficar de saco cheio de jogar com um monte de gorilas adestrados de circo!

Os dirigentes do Cavs sabem disso e não param de mudar o time, contratar novos jogadores, fazer trocas malucas. Mas acho que é justamente o pânico de serem culpados por não estarem fazendo nada para melhorar o time que acaba fazendo-os não ter um plano, com a calma necessária para montar enfim um elenco de peso. Já diria a Bíblia do Blazers: "federás por um tempinho, não te preocuparás, gastarás bem o teu dinheiro e adquirarás milhões de escolhas no draft, e então será de ti o reino dos céus." Amém. Ao invés disso, o Cavs contrata a torto e a direito quem estiver disponível. Nas últimas semanas, as novas aquisições do time são Tarance Kinsey, que teve bons momentos na NBA mas desapareceu por completo de um dia para o outro (e tem até um Prêmio Bola Presa em sua homenagem) e Lorenzen Wright, que costumava viajar bastante entre a América e a África na época em que as placas tectônicas eram interligadas. Pra mim, fica claro que não há planejamento, há apenas uma aquisição frenética de jogadores aleatórios. Pior que isso só o Los Angeles Clippers, que parece um reality show do Silvio Santos, mas disso a gente fala outra hora. Por enquanto, é hora de lamentar por LeBron e torcer para o tempo passar rápido - em breve, para a sorte de todos, ele não mais estará por lá.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Pobre LeBron

Será que enquanto joga com as estrelas da seleção, LeBron James está
com saudades de sua relação íntima com Damon Jones?



O prato principal da rodada olímpica era o embate entre Estados Unidos e Grécia, o resto era aperitivo. Claro, tivemos atuações brilhantes de Kirilenko (apesar de outra derrota russa) e de Yao Ming, que era simplesmente alto demais mesmo para todos os jogadores angolanos empilhados uns em cima dos outros, errou apenas um arremesso e saiu de quadra com 30 pontos no currículo. Mas o importante mesmo era ver se os gregos representariam realmente o primeiro desafio para Kobe, LeBron e seus amigos.

O começo foi de fato bastante complicado para a seleção dos Estados Unidos, mas não exatamente graças à atuação grega. A arbitragem estava ligeiramente bêbada e marcou uma sensacional falta espírita em Dwight Howard - o pivô americano estava a um passo de distância de um grego que caiu sozinho de forma cômica e a falta foi marcada assim mesmo. Em algum lugar da China, o argentino Ginobili sorriu, orgulhoso. Na sequência, os árbitros marcaram um punhado de faltas altamente questionáveis em cima de Kidd, que foi parar no banco de reservas. O legal dessa seleção é que eles estão tão comprometidos, dispostos a manter o plano de jogo seja perdendo por 10, seja ganhando por 30, que as faltas fantasmas no máximo tiraram um sorrizinho irônico de Dwight (aquele humor sutil de que Tim Duncan nunca ouviu falar). Foi o técnico Mike Krzyzewsky quem mais se axaltou, tendo que até mesmo ser contido. Provavelmente estava mais bravo com o fato de que seu sobrenome parece um bêbado batendo aleatoriamente em várias teclas de computador.

Muita coisa se prometeu sobre a seleção americana: aprender a defender efetivamente por zona, não depender apenas de contra-ataques, movimento constante sem a bola. Pouco disso está efetivamente ocorrendo em quadra de modo que possamos afirmar que essa seleção é de fato muito diferente das outras que fracassaram nos jogos internacionais. Mas há algo ali, simples, que transforma derrotas em vitórias fáceis: constância, profundidade e comprometimento.

A Grécia começou atacando bem no garrafão, com passes precisos e um bom trabalho de costas para a cesta. Já as bolas de três pontos demoraram um pouco para cair. Mas para os americanos, não importava se as bolas estavam caindo ou não, mantiveram o mesmo comprometimento em vencer essa budega, o mesmo ritmo o tempo inteiro e talento demais no banco de reservas. Para jogadores acostumados com, às vezes, passar uma partida inteira de NBA dentro de quadra com quartos de 12 minutos cada, jogar uma partida de basquete internacional com quartos de 10 minutos é mamata. Descansando um bom tempo no banco, então, nem se fala. Kidd foi para o banco com 3 faltas mas ninguém sequer notou, afinal Chris Paul e Deron Williams estão prontos para manter a mesma intensidade e mentalidade na equipe. Aliás, como dizem alguns, é até melhor que Kidd saia logo: Chris Paul é, nessa altura de suas carreiras, melhor jogador. Dwight Howard anda fedendo um pouquinho, foi sentar no banco e passar um "Bom Ar" e o resultado foi Chris Bosh assumindo o jogo e chutando traseiro grego atrás de traseiro grego. Até o traseiro obeso do "Baby Shaq", o Sofoklis Schortsanitis (que costuma jogar bem contra os Estados Unidos mas dessa vez parecia ter engolido no café algum membro da comissão técnica) foi chutado sem piedade. Cada acerto, cada falta, seguida por gritos de comemoração. Parece um bando de Kevin Garnetts.

A pressão defensiva foi intensa e o ataque foi frenético, afinal mesmo contra a Grécia há material humano para jogar intensamente por umas 40 horas sem parar. Inevitavelmente, os gregos morderam a isca e começaram a correr também, abandonando o jogo de meia quadra e partindo para a porra-louquice. Ali, naquele instante ainda no primeiro tempo, assinaram seu atestado de derrota. Não demorou muito para que o jogo estivesse fora de controle, línguas gregas para fora em exaustão, e após uma sequência humilhante de tocos, os gregos passaram a pensar duas vezes antes de entrar no garrafão. É aquele medo que muda o plano de jogo, aquele pânico que taca qualquer chance de vitória pela janela, junto com os pulmões. No último quarto, os esquentadores de banco oficias dos Estados Unidos - Boozer, Prince, Michael Redd - puderam brincar um pouco sem preocupações, mas com a mesma seriedade do resto do grupo.

A seleção americana acertou a marcação do perímetro? Não, Papaloukas acertou bolas não contestadas. A seleção americana marcou por zona? Não, insistiu na defesa individual apesar da Grécia ter chutado 18 bolas de fora. As bolas de três pontos dos Estados Unidos caíram? Não, LeBron James deixou a pontaria em Cleveland e Kobe ainda forçou arremessos desnecessários. Não foi um jogo perfeito, nem de longe, mas foi um esforço coletivo de comprometimento com a vitória e nem por um segundo pareceu que os gregos poderiam ganhar coisa alguma, nem se abandonassem o basquete e fizessem um torneio de par ou ímpar.

O Chris Bosh foi a estrela do jogo, fazendo questão de lembrar pessoalmente que o banco de reservas pode até ser melhor do que o elenco titular, e que ele é muito mais versátil ofensivamente do que Dwight Howard. Mas LeBron e Dwyane Wade chutaram traseiros também. Se o Wade não está completamente recuperado, então quando ele estiver marcará 100 malditos pontos por jogo. LeBron está sendo um monstro na defesa, sempre na cobertura de seus companheiros, e teve um jogo completo apesar da falta de mira. Até Kobe jogou muito, apesar de muitas vezes fechar os olhos, achar que está em Los Angeles e arremessar de qualquer lugar. Às 11h15 do sábado, a Espanha será o time que terá que lidar com essa bizarra concentração de talento americano disposta a manter o mesmo ritmo durante toda uma partida.

No meio desse talento todo, LeBron James deve respirar aliviado e esquecer um pouco do Cavs. Quem acha que jogar nas Olimpíadas não é ficar de férias está negando o refresco psicológico que deve ser jogar ao lado de Wade e Kobe ao invés de jogar ao lado de Damon Jones e Varejão. Por isso mesmo, gostaria de saber se alguém na seleção americana ousou acabar com a tranquilidade mental de LeBron James avisando que seu time da NBA acabou de efetuar uma troca.

Foi um bacanal entre três equipes: o Bucks recebe Luke Ridnour, Damon Jones, Adrian Griffin; o Cavs recebe Mo Williams; e o maldito time da cidade de Oklahoma que ainda não tem uma porcaria de um nome recebe Joe Smith e Desmond Mason.

Deveria ser proibido um time sem nome fazer qualquer troca, é ridículo demais, então conforme prometido vou dizer que "o time outrora chamado Sonics" fez uma troca e pronto, que se danem os dirigentes de Oklahoma. Para eles, a troca é uma forma de se livrar do Ridnour, que exigia minutos mas perderia fácil uma partida contra uma cadeira, já que seria incapaz de defendê-la. Com Joe Smith e Desmond Mason o ex-Sonics consegue veteranos para dar uma força na pirralhada e depois ir embora.

Para o Bucks, trata-se de se livrar do Mo Williams. Não me entendam errado, ele é muito talentoso, excelente pontuador e competente passador. O único problema é que ele parece policial inglês, atira primeiro e pergunta depois. O clima em Milwaukee começou a ficar insuportável porque durante os momentos cruciais das partidas, Mo Williams se negava a passar a bola para a estrela Michael Redd e tentava resolver o jogo sozinho, como se fosse o único em quadra. Um débil mental desses com um contrato salgado se tornou descartável com o surgimento de Ramon Sessions, que assustou todo mundo com seu talento nos jogos finais da temporada passada. O único problema é que ele é um pirralho e não é saudável tacar muita responsa no colo dele, então Ridnour pode armar um pouco o jogo e segurar as pontas. Damon Jones, que é tão retardado quanto Mo Williams mas tem menos talento, pode continuar jogando nas partidas que não interessam.

Já para o Cavs a intenção óbvia é arrumar um pontuador para tirar o fardo de LeBron. Por várias vezes James precisou de alguém que tivesse os bagos necessários para dar um último arremesso quando ele não conseguia, porque em Cleveland todo mundo é cagão e prefere passar a bola para o Rei, mesmo se fosse o rei Roberto Carlos. Bem, Mo Williams é o cara certo para ter coragem de arremessar no final dos jogos e pontuar por si mesmo, mas você realmente quer um cara em seu time que, quando o troço esquentar, não vai passar a bola para sua grande estrela? Que diabos de plano é deixar a bola com um maluco instável justo agora que LeBron virou especialista em finalizar jogos?

Posso imaginar LeBron James lá na China sentado num canto de vestiário, olhando para Wade, Kobe, Chris Paul e Deron Williams, deprimido com o rosto escondido entre as mãos. Na sua cabeça, a verdade aterradora: depois de jogar com tantas estrelas talentosas e solidárias, resta a ele retornar a Cleveland. O respiro de alívio pela ida de Damon Jones vai ser substituído pelo choro de desespero: terá que jogar com Mo Williams. Pelo menos, deverá ter uma medalha de ouro para se consolar. Aposto que jogará com o dobro da intensidade contra a Espanha.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O começo

Carmelo Anthony curte uma derrota


Começa amanhã a série de amistosos que a seleção de basquete dos Estados Unidos fará para aquecer os motores para as Olimpíadas. Após enfrentarem amanhã o Canadá (jogo que acompanharemos aqui no nosso chat às 21h, tentando arrumar alguns links para a transmissão), nos próximos dias os Estados Unidos enfrentarão Turquia, Lituânia, Rússia e Austrália, tudo televisionado, aliás. Para quem está com crise de abstinência de basquete e louco pra dar uma olhada em como será esse começo da seleção americana, será um prato cheio. Mas tem uma coisa que não se deve perder de vista: a consciência de que esse não é um começo porcaria nenhuma. Trata-se de um trabalho de 3 anos com apenas um objetivo: levar a medalha de ouro em 2008.

Esse é o tipo de coisa para deixar todos nós brasileiros chorando na sarjeta. Quanto tempo nossa seleção brasileira de basquete teve de treinamentos? Quando foi escolhido o time que participaria da competição? Quando foi decidido quem seria o novo técnico? No quesito preparação, o Brasil parece aluno de ginásio que deixa o trabalho sempre pra última hora, com a única diferença que aluno hoje em dia pode fazer trabalho em 5 minutos com ajuda do Google e da Wikipedia. No basquete, isso obviamente não funciona.

O projeto estadounidense para retomar o posto de melhor time do planeta é até, se a gente pensar bem, completamente desnecessário. A NBA continua sendo a liga de basquete mais forte, divertida e assistida do planeta, ninguém tem dúvidas de que os melhores jogadores vivos são americanos, e aquela coisa de ficar escolhendo gangues de estrangeiros na noite do draft praticamente acabou. Eles poderiam sentar seus traseiros multimilionários no sofá, alegar que "NBA e FIBA são muito diferentes" e lavar as mãos dessa responsabilidade idiota de ganhar tudo. Mas não, eles querem recuperar sua honra e levam milhões de vezes mais a sério do que outros países que precisam de vitórias para salvar o esporte da aniquilação total. Engraçado, não?

É claro que alguns jogadores não dão a mínima para esse negócio de honra, que parece coisa de filme de máfia japonesa e é bem brega mesmo, então várias estrelas nem cogitaram defender a seleção dos Estados Unidos (e ninguém com um mínimo de bom senso está chamando eles de "antipatriotas"). Ainda assim, inúmeras estrelas aceitaram os convites e o mais legal foi que os dirigentes não foram simplesmente aceitando todo mundo. A idéia era montar um time completo, real, profundo, ao invés de um apanhado de jogadores de elite. Como focos principais, arremessadores capazes de se aproveitar de defesas por zona, e defensores capazes de parar as estrelas internacionais. Vários foram selecionados, testados, treinaram, jogaram, se dedicaram, e agora apenas 12 foram escolhidos para representar seu país.

Ao todo, foram 90 dias de treinamento nos últimos 3 anos. Pode parecer pouco, mas na verdade é um número muito alto. É preciso compreender que os jogadores treinam pela seleção durante suas férias da NBA e esses 90 dias não incluem os jogos de verdade, como a participação no Mundial de Basquete em 2006. "E o que eles fizeram nesses 90 dias", você pergunta. Pois bem: adequaram seu jogo ao padrão internacional, aprendendo defesas por zona (tanto utilizá-las quanto atacá-las), analisando as grandes equipes internacionais e aprendendo a agir como conjunto. O ápice da brincadeira - e que pra mim é um tapa na cara da preparação brazuca - foi a escolha de um time "para treinos" contra a seleção americana, composto por jovens estrelas (Kevin Durant, Andre iguodala, Kevin Martin), recém draftados (Jarryd Bayless, Kevin Love, OJ Mayo) e alguns jogadores aleatórios (Luther Head e JR Smith? Por que diabos?). Nos últimos dias, esse time inusitado passou horas e horas a fio executando as mesmas jogadas sem parar, de modo que a seleção dos Estados Unidos compreenda com perfeição como defendê-las. Trata-se de uma dedicação e uma atenção com os detalhes que ganharia nota 10 até do carrancudo jurado Pedro de Lara.

Toda essa seriedade tática e técnica até parece exagero quando se olha para o elenco. Engraçado é que na época em que o grupo foi originalmente montado, alguns jogadores eram jovens demais e motivos de dúvida. Hoje, ironicamente, todos eles desenvolveram-se e tornaram-se os melhores em suas posições. Chris Paul, por exemplo, era apenas um fedelho com talento. Agora, é simplesmente o melhor armador da NBA e seria escolha unânime para a seleção de seu país. O mesmo pode-se dizer de seu rival Deron Williams e, principalmente, de Dwight Howard. Não faz muito tempo, a preocupação da seleção era com o tamanho, com ter um pivô legítimo, afinal o Dwight era apenas uma criança - digamos que ele ainda era o Clark Kent. Agora o pivô é o Super-Homem e não haveria ninguém melhor para colocar no meio daquele garrafão. Além disso, Carlos Boozer e Chris Bosh podem jogar de pivô sem problemas em nível internacional.

Aliás, no basquete internacional esse lance de posição é besteira. O Carmelo Anthony, por exemplo, é mais rápido e mais forte do que qualquer ala de força do resto do planeta. Deve jogar mesmo dentro do garrafão, ali na posição 4, e certamente não terá problema nenhum. Pelo contrário, terá inúmeras facilidades por ser capaz de arremessar de fora e jogar de costas para a cesta, tornando um inferno a vida de qualquer marcador. Tudo bem, você pode odiar o Carmelo na NBA, pode dizer que ele não tem noção e até que ele cutuca o nariz, mas seu estilo de jogo se encaixa perfeitamente no basquete internacional. A seleção está cheia de estrelas: Kobe, LeBron, Wade, Kidd, Redd, Dwight, mas quem lidera essa budega na parte ofensiva é o Carmelo Anthony. Ele desestabiliza completamente o jogo enquanto seus companheiros podem usar o cérebro (coisa que o Carmelo não tem) e desempenhar outras funções. Kobe, por exemplo, pode se dedicar à defesa e provar que é um dos melhores do mundo no quesito; LeBron e Wade podem se preocupar em achar um jogador livre, jogar para a equipe. Não se assustem se o Carmelo Anthony for o cestinha da equipe em todos os jogos. Mas também não se assustem se ele não for: simplesmente há talento demais no time e Michael Redd pode vir do banco qualquer dia e fazer 60 pontos apenas em bolas de 3. O negócio é sério lá por aquelas bandas.

O Carmelo adora perder, ele realmente não é muito chegado nessa tal de "vitória". Ele e LeBron James são os patéticos detentores de duas medalhas de bronze: nas Olimpíadas de 2004 e no Mundial de 2006. Mas com tanta evolução, dedicação, preocupação tática e talento, será que dá pra tirar o ouro dessa vez das mãos dos americanos?

Como os treinos com a "seleção de jovens estrelas" não são televisionados, a gente fica só imaginando como as coisas estão sendo por lá. Diz a lenda que Jerry Bayless deixou todo mundo - jogadores e técnicos - impressionados, e que está chutando uns traseiros. Mas amanhã finalmente poderemos parar de adivinhar e ver a seleção finalmente em ação, chutando cachorro morto (o adversário é o Canadá, uma seleção que deve ser formada apenas de ursos, guardas florestais e a Celine Dion). Não esqueça, amanhã às 21h vamos tentar assistir o jogo aqui no Bola Presa. Mesmo com LeBron ainda recuperando um tornozelo torcido, não vão faltar estrelas. Quer dizer, vão faltar sim, mas só pelo lado do Canadá, claro.