domingo, 30 de dezembro de 2007

Grana, bufunfa, dindim, money, verdinhas...

Com o salário de jogador da NBA dá pra pegar mulher mesmo não tendo sobrancelhas, certo, Villanueva?



Alguém (edit: alguém = lps, leitor fiel! ), algum tempo atrás, nos comentários aqui do blog, sugeriu um texto sobre jogadores "overpaid", ou seja, jogadores que recebem mais do que deveriam, aqueles manés que ganham uma nota preta mesmo sendo ruins pra diabo. Procurando os salários de todo mundo percebi que não dá pra ter um grupo só de jogadores que ganham demais, são muitos casos diferentes. Então dividi eles em alguns grupos:


Grupo 1: Alexandre Pato

O grupo Alexandre Pato é aquele com os jogadores que a gente sabe que são bons, o que a gente não sabe é se eles realmente valem tudo isso. O Pato jogou uns bons jogos pelo Internacional de Porto Alegre mas não dá pra saber ainda o que ele vai ser no futuro, ele pode ser o melhor do mundo ou só um bom jogador. De qualquer forma, o Milan aceitou o risco e pagou uma nota preta por ele. Nesse grupo podemos colocar o Joe Johnson do Hawks, por exemplo. Ele é muito bom, não há dúvida sobre isso, mas ele ganha 13 milhões de dólares nessa temporada, salário de quem vai carregar um time nas costas. Será realmente que ele é aquele tipo "franchise player" que lidera um time como Kobe, Wade, T-Mac e outros, ou ele está num grupo secundário dos que só ajudam um time que já tem uma grande estrela, como Josh Howard e Tony Parker? O Hawks apostou nele há duas temporadas e os resultados do time estão saindo agora, só vamos ver se eles se arrependem ou não quando eles precisarem de espaço no limite salarial para assinar as extensões de Al Horford, Josh Smith e Josh Childress.

Mais jogadores nesse grupo: Kevin Martin, que assinou com o Kings por 50 milhões, divididos pelas próximas 5 temporadas.


Grupo 2: Denílson

Lembram quando muitos anos atrás o São Paulo vendeu o Denílson por 32 milhões de dólares para o Bétis da Espanha? Barcelona e Real Madrid estavam na disputa também, já que todo mundo achava que o Denílson seria um novo fenômeno do futebol.
Na NBA o que não faltam são Denílsons, em ano de contrato aparece muita gente jogando como nunca na vida e que depois de conseguir a grana desaparece e mostra que não merecia tudo aquilo.
Acho que um belo exemplo são dois dos últimos vencedores do prêmio de Most Improved Player (o jogador que mais melhorou de uma temporada para outra), Bobby Simmons e Boris Diaw. Ambos ganham 9 milhões de dólares por temporada para serem reservas que até contribuem, mas estão longe de merecer esse salário de estrelas.

Outros desse grupo são: Samuel Dalembert (9 milhões), Zach Randolph (13 milhões), Darius Miles (8 milhões), Jason Williams (8 milhões), Nenê (8 milhões)


Grupo 3: Rio Ferdinand

Alguém lembra do Rio Ferdinand? Ele é um bom zagueiro, mas já foi bem melhor. Na minha humilde opinião ele era um ótimo zagueiro. Mas calma lá, não se paga 41 milhões de euros nem pelo melhor zagueiro da história do futebol!!! O Manchester pagou isso pelo Ferdinand e posso dizer que foi um dos negócios mais desastrosos da história do futebol, e não é nem pela qualidade do jogador. Nesse grupo estão os jogadores que são bons mas que simplesmente ganham demais.

Acho que o melhor exemplo foi a polêmica desse offseason, o contrato máximo que o Rashard Lewis assinou. Ele está ganhando 13 milhões por temporada e no seu último ano, em 2012, ele estará ganhando 23 milhões por temporada! É coisa demais! Quem vê ele jogando no Orlando vê que ele é um dos melhores arremessadores da liga, que ele é um puta jogador que já foi all-star e tudo, mas também vê que o Turkuglu está jogando melhor e que o Rashard nunca merecerá tamanho dinheiro.
Outro exemplo é o Shawn Marion. Um jogador espetacular mas que ganha 16 milhões por ano, é mais que o Nash e mais que o Amaré. Exagero.

Outros do grupo: Antawn Jamison (16 milhões), Zydrunas Ilgauskas (10 milhões), TJ Ford (8 milhões),


Grupo 4: Gaizka Mendieta

O Mendieta era um meia loirinho e feio do Valencia da Espanha. Ele liderou um grande time do Valencia que venceu a Copa do Rei sobre o Real no Santiago Bernabeu e chegou até em final da Champions League. Aí ele foi vendido para a Lazio por 42 milhões de dólares. De repente ele parou de jogar o que sabia e nunca fez absolutamente nada no futebol até acabar no futebol inglês. Aqui estão os jogadores de talento que ganharam seu salário quando mereciam e, de repente, os Monstars roubaram seu talento. Mas não confundam com o grupo do Denílson, lá eram promessas que nunca sequer renderam o que prometiam.

Dois desse grupo estão no mesmo time: Kirk Hinrich e Ben Wallace. O primeiro ganha 11 milhões e o segundo 15 milhões, mas nessa temporada, de repente, eles simplesmente esqueceram como jogar basquete e colocar Chris Duhon e Joakim Noah no lugar deles no time do Bulls não faz a menor diferença.

Outros desse grupo:
Andrei Kirilenko (13 milhões), Brad Miller (10 milhões), Larry Hughes (12 milhões), Antoine Walker (8 milhões), Kenyon Martin (13 milhões), Troy Murphy (9 milhões), Jermaine O'Neal (19 milhões)


Grupo 5: Carlos Alberto

Quem torce pro Corinthians e pro Fluminense sabe mais do que todo mundo como o Carlos Alberto é ruim! MUITO ruim! Péssimo! Então expliquem o motivo que levou o Werder Bremen a pagar 8 milhões de euros pra levar ele pra lá? Por que fazer a contratação mais cara da história do clube? Essas não dá pra engolir, não tem desculpa. São as contratações burras mesmo.

Exemplos não faltam. Eric Snow ganha 6 milhões por temporada para "passar conhecimento para o resto do time", Adonal Foyle ainda recebe do Warriors parte do seu contrato de 8 milhões por temporada (até 2010!), o LaFrentz recebe 11 milhões para ser reserva do Pryzbilla, o Dampier ganha 8 pra ser reserva do Diop, e por aí vai.

Poderiam até ser colocadas aqui algumas contratações de jogadores que, apesar de serem bons na época, todo mundo sabia que não ia dar certo no time novo. Todo mundo sabia que o Kenyon Martin não ia dar certo no Nuggets sem o Kidd do lado dele, assim como o Hughes não daria certo no Cavs, já que eles queriam um arremessador (Hughes está acertando 30% de seus arremessos nessa temporada).

Outros do grupo: Rasho Nesterovic (7 milhões), Stephon Marbury (20 milhões), Kwame Brown (9 milhões), Kenny Thomas (7 milhões), Quentin Richardon (8 milhões), Jerome James (5 milhões).


Os grupos são esses, mas pra falar a verdade de verdade, todos os jogadores da NBA são overpaids. Pensa bem, por melhor que um jogador seja, receber mais de 10 milhões para jogar 82 jogos de basquete é muita coisa. A indústria do esporte move muito dinheiro hoje em dia e o resultado são esses salários monstruosos. Pense em quanto você ou outros de sua família ganham por ano e saiba que por uma temporada, que tem uns 7 ou 8 meses, o Ryan Hollins, menor salário do Bobcats, ganha quase 800 mil dólares.

E não pára por aí, tem ainda mais dinheiro no jogo. Uma vez o Shaq disse que ao invés do salário milionário dele de uns 20 milhões por temporada, ele preferia ganhar o que os donos de times da NBA ganham. E se vc pensar em direitos de TV pro mundo todo, ingressos caros (lembram da fileira do Staples Center que paga o salário do Vujacic?) e todos os produtos relacionados, tem muita gente que nem pisa em quadra para nos divertir que acaba ganhando muito mais que os jogadores.


Nota:

- Alguém aí conhece o Angry Video Game Nerd? Ele era conhecido antes como Angry Nintendo Nerd e ficou famoso por fazer vídeos engraçados no YouTube aloprando uns jogos de video game velhos e ruins. Na última edição ele dedica uns minutos a falar mal do jogo Shaq Fu, que estava na foto de um post passado. Assistam aqui.

sábado, 29 de dezembro de 2007

O time do Wade fede

Pede pra sair, Wade! Pede pra sair!


O negócio é o seguinte: se você tem a noite da sua carreira e mesmo assim seu time sai de quadra derrotado, é porque alguma coisa muito errada está acontecendo. Dwyane Wade marcou 48 pontos além de 7 rebotes, 11 assistências, 3 roubos e 3 tocos. Mas isso não é o bastante para um dos times que mais fedem atualmente na NBA.

Isso me lembrou uma anedota. Em 2004, Tracy McGrady era o cestinha de toda a NBA, estava a 20 jogos seguidos marcando pelo menos 20 pontos por partida e havia feito mais de 40 pontos nos dois jogos anteriores. No entanto, seu time ainda ocupava o último lugar da tabela. A frustração com a campanha e com o resto da equipe levou a um total descontrole na partida contra o Denver Nuggets: após tomar um toco do Chris Andersen (alguém ainda lembra dele?), T-Mac simplesmente chutou a bola em direção à arquibancada, tomando uma falta técnica. Quando a bola foi devolvida para a quadra, T-Mac metodicamente pegou a bola de novo e chutou para fora outra vez, para ser expulso. Vale a pena dar uma olhada no vídeo:



O mais engraçado de tudo é a reação do Juwan Howard quando percebe que o T-Mac vai chutar a bola pela segunda vez. Ele corre como um desesperado tentando impedir o inevitável, obviamente pensando "pelamordedeus não seja expulso senão a gente vai ser humilhado aqui!" Ironicamente, o Magic ganhou aquela partida.

Eu não ficaria surpreso se o Wade chutasse umas bolas pra fora da quadra na próxima partida. Pra começar, ele foi obrigado a jogar de armador principal. O fato de ficar com a bola mais tempo em mãos ajudou a marcar 48 pontos, claro, mas é nítido o desconforto do Wade na posição. Ele se atrapalha, ele escorrega, e eventualmente ele recebe marcação dupla no meio da quadra e não tem ninguém para levar a bola e devolver para ele depois. Onde estavam os outros armadores? Jason Williams e Chris Quinn machucados, (o Quinn, aliás, estava risível no banco porque ele tem 4 anos de idade e parecia ter pegado o terno do pai para brincar) fora o Smush Parker que simplesmente resolveram esquecer que existe. Fora isso, o Earl Barron foi titular já que Shaq está com uma contusão no quadril e o Alonzo encerrou a carreira.

O resto do time até que se saiu bem, Dorrel Wright tem potencial (mas faz uns 15 anos, daqui a pouco ele vai ser daqueles vovôs que tinham potencial e nunca fizeram nada), o Cook é um bom arremessador (o arremesso pra levar o jogo pra prorrogação foi surreal), o Haslem é um dos jogadores mais consistentes da NBA, mas simplesmente não há talento o bastante ali para fazer justiça ao pobre do Dwyane Wade.

Todos os torcedores do Heat que pedem para que o Shaq seja trocado precisam pensar bem a respeito. Com o Shaq no banco, até a melhor noite da vida de Wade não foi o bastante. Mesmo quando o Shaq não está fazendo nada, desmotivado, entediado, parado no garrafão simplesmente pensando em donuts, a vida de todo o resto do Miami Heat já fica mais fácil. Ele é uma presença que sempre vai desestabilizar defesas e exigir ajustes defensivos mesmo quando tiver 120 anos e jogar basquete numa cadeira de rodas.

Outras trocas deveriam acontecer, claro, mas o Shaq deveria ficar lá. Obviamente, trazer o fominha do Ricky Davis não foi a resposta para nada. Trocas menores podem ser o bastante para dar um ânimo novo para a equipe que, como o Denis ressaltou nesse artigo sobre o Heat, precisa de motivação.

Enquanto isso, Sixers e Jazz fizeram uma troca menor que pode ser bastante útil para os dois times. Recentemente lembro de ouvir alguém falando sobre como o Kyle Korver estava sendo desperdiçado na Philadelphia. Em um time que precisasse de um arremessador puro para ficar lá parado matando bolas, ele seria uma peça fundamental. Some a isso o fato de que o Jazz vem sendo destruido por times que marcam por zona permitindo que a equipe de Utah apenas arremesse de fora, deixando óbvio o quanto eles precisam desesperadamente de um arremessador, e adquirir o Korver parece uma resposta perfeita. Deixar ele em quadra por alguns momentos, se aproveitando do espaço que o Boozer deve gerar, deve ser o bastante para que ele tenha a chance de sua carreira.

Em troca do Korver, o Sixers recebeu o Giricek e mais uma escolha de 1o round no draft do ano que vem. O Giricek arrumou encrenca com o Sloan e por isso vai embora. Ele até pode quebrar um bom galho em sua nova equipe, mas o fundamental é a escolha de draft. O Korver foi uma escolha de 2o round e eles receberam em troca uma de 1o, ou seja, no papel já saíram no lucro. No Sixers, o Korver nunca seria de grande valia mesmo. E como o time está se reconstruindo, nada melhor do que arrumar mais novatos para o ano que vem.

Para o bem do Wade, torço para que o Heat também arrume algumas trocas que adicionem peças importantes. O próprio Korver se daria bem por lá, substituindo o já foragido Jason Kapono. Ou, na pior das hipóteses, é bom o Heat pensar no futuro e começar a trocar por escolhas de draft do ano que vem. Mas aí podemos nos preparar para ver o Wade chutando um bocado de bolas para fora do ginásio...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Draftados em 2003 - parte 2

O Gaines veio do Magic em troca de um pacote de bolachas Água e Sal


Continuamos nossa viagem pelo draft de 2003. Na primeira parte, alguns dos melhores jogadores da NBA na atualidade (e o gordo já esquecido do Michael Sweetney) figuraram nas 10 primeiras escolhas. Agora, na continuação, vamos analisar mais alguns nomes e rir na cara de alguns erros grotescos que vão ficar para sempre na história dos drafts.


11 - Mickael Pietrus (Golden State Warriors)

Quando foi draftado, alguns o chamavam de "o Jordan francês". Bem, para a defesa deles, podemos dizer que o Pietrus é tão bom no basquete quanto o Jordan era no beiseball. Pietrus sempre foi atlético e, dizem, cravava em cima de todo mundo na França. Nos Estados Unidos deve ter comigo Big Macs demais e nunca foi exatamente especial no quesito enterradas, mas manteve em parte seu atleticismo e mostrou grande talento na defesa. Lembro que em seu segundo ano o Warriors fedia bastante, tomava sacoladas e ele foi publicamente dizer que seu time não se esforçava e que ele não queria jogar com perdedores, ressaltando que se aquilo se mantivesse, pediria para ser trocado. Troféu "Damon Jones" pra ele para o jogador mais insignificante da NBA que se acha em condições de pedir para trocar de time.

Desde então o Warriors mudou um bocado, foi para os playoffs sob comando do técnico Don Nelson e o Pietrus não é um jogador essencial mas tem seu espaço. Assim que o Don Nelson chegou, Pietrus era titular porque, segundo o Nelson, era o único na equipe capaz de praticar qualquer tipo de defesa. Com o tempo o Don Nelson foi ficando mais e mais gagá, deixando essas besteiras de defesa para lá, e o Pietrus agora vem do banco. É sólido, tem seus minutos, e o Warriors pode fazer estrago nos playoffs. Pra mim eles são o time mais divertido da NBA, são tão ofensivos que beira ao ridículo. São como um palhaço de circo: diversão descompromissada que ninguém leva a sério. A não ser o Dallas, claro.

12 - Nick Collison (Seattle Sonics)

O Knicks queria tamanho, confundiu com gordura, e draftou o Sweetney, que tem açúcar até no nome. Se tivesse draftado o Collison, as coisas teriam sido um bocado diferentes. O rapaz é grande, reboteiro e tem um jogo muito refinado no garrafão, cheio de ganchos, giros e essas coisas que os fracotes que não nasceram com o físico do Dwight Howard precisam saber fazer. No Sonics, sofreu bastante por ser continuamente improvisado como pivô, e ainda é obrigado a jogar nessa posição quase todo o tempo. Como o time é o mais novo da NBA e fede bastante, o Collison nunca vai ganhar muita atenção, mas bem que merecia.

13 - Marcus Banks (Memphis Grizzlies)

Eu até desconfio que ele seja bom, mas só desconfio. Foi trocado na noite do draft para o Celtics, onde nunca teve chances. Foi trocado de novo para o Wolves em que teve uma temporada regular mas de que eu sequer me lembro. E então assinou com o Suns, que não é lá muito fã de usar essa coisa esquisita conhecida entre os humanos normais como "banco de reservas". Vi o Banks em quadra pelo Suns só um punhado de vezes e lembro de algumas boas atuações. É mais armador principal do que o Leandrinho e poderia ter mais minutos em quadra, deixando nosso Barbosa se preocupar menos em armar e mais em arremessar quando o Nash resolve sentar. Mas agora até o Grant Hill joga de armador principal às vezes, o negócio da moda em Phoenix é não usar reservas mesmo. Ainda assim, o Banks sempre vai ter grandes chances de ganhar um anel de campeão. Mas sem jogar não tem muita graça.

14 - Luke Ridnour (Seattle Sonics)

Na época do draft, lembro de ter lido, com essas palavras, que "o Ridnour não conseguiria defender nem uma cadeira". Fazia sentido, afinal o Ridnour sempre pareceu frágil e delicado, alguém que deveria estar jogando xadrez ao invés de enfrentando gigantes suados. Mas no ataque ele faz sua parte com excelente visão de jogo, velocidade e inteligência elevadas. Para compensar sua defesa sofrível, o Sonics dividia os minutos da armação entre ele e Earl Watson, que é um defensor acima da média. Como a tentativa de fundir os dois jogadores em um único e monstruoso ser híbrido falhou, dividir os minutos foi a única opção. Mas Ridnour foi jogando cada vez menos, cada vez menos, se machucou algumas vezes e agora ninguém sequer se lembra dele em Seattle. Delonte West, vindo do Boston Celtics, é bilhões de vezes melhor que ele e acabou roubando os minutos na armação. Na época, draftar o Ridnour parecia uma boa. Agora, é nitidamente um desperdício. Mas tudo bem, foi uma escolha boa em 2003. Como veremos a seguir, poderia ter sido muito pior.

15 - Reece Gaines (Orlando Magic)

Que time não quer um armador sólido, com notável carreira universitária, que faz de tudo em quadra e pode jogar tanto como armador principal quanto de armador arremessador? Por isso, lá foi o Magic feliz da vida escolher o Reece Gaines. Ele não é excelente em nada mas sabe fazer de tudo, vai ser uma boa! Lembro que naquele ano o site NBA.com criou um jogo novo que consistia em escolher um novato por dia e ver quem adivinhava aquele que jogaria melhor. Na capa da página desse jogo estavam quatro fotos de novatos, de quem esperava-se bons números na temporada. O Reece Gaines estava nessas fotos e essa é a única memória que tenho dele.

Jogou um punhado de jogos, nunca conseguiu fazer coisa alguma, passou por 3 times em apenas 2 anos e foi parar na Itália sem que ninguém sequer soubesse quem ele é. Uma das piores escolhas de todos os drafts enquanto Josh Howard e Leandrinho ainda podiam ter sido escolhidos. Mas, por pior que o Gaines fosse, ele ainda assim não foi a pior escolha do draft daquele ano. Que tal tentar a próxima?

16 - Troy Bell (Boston Celtics)

Um dos melhores armadores do basquete universitário, o recordista de pontos da história do Boston College, líder vocal em quadra, destruidor nos minutos finais das partidas. Um baita de um jogador. Nunca ouviu falar? Ah, isso é porque ele só jogou 6 partidas na NBA. Se você achava que o Olowokandi era o maior desastre de draft que você conhecia, e se pensou segundos atrás que Reece Gaines poderia tomar esse posto, aqui está Troy Bell para mudar definitivamente seu conceito. A foto do Bell está do lado da palavra "fracasso" na Wikipedia. O que diabos aconteceu com ele? O que havia de tão errado em seu jogo que só permitiu que entrasse seis vezes em quadra e nunca mais conseguir emprego nenhum na NBA, fadado à Liga de Desenvolvimento e, agora, ao basquete italiano? Nunca iremos saber.

Para os torcedores do Boston, a única coisa boa sobre o Troy Bell é que ele foi trocado na mesma noite do draft. Ele e a outra escolha do Celtics, Dahntay Jones, foram trocados pelas duas escolhas do Grizzlies, Marcus Banks e Kendrick Perkins. Ou seja, uma troca completamente inútil mas que acabou rendendo o pivô titular do Celtics de hoje em dia. Melhor que o Troy Bell, pelo menos.

17 - Zarko Cabarkapa (Phoenix Suns)

Europeu, grande, branco, arremessa de fora e não sabe defender. Muitos times apostaram nesses desconhecidos vindos do Velho Mundo com esperanças de conseguir o novo Dirk Nowitzki. Pra mesma posição, o Suns poderia ter escolhido o David West, um ala de força com talento comprovado no basquete universitário. Preferiram o Zarko que virou o décimo homem vindo do banco do Suns e, depois, o décimo homem do banco do Warriors. Aliás, o Suns é perito em desperdiçar escolhas de draft. Imagina só se eles tivessem o David West hoje em dia para ajudar no garrafão vindo do banco.

18 - David West (New Orleans Hornets)

Conte para seus filhos que David West e Brian Cook eram os alas de força mais bem cotados do basquete universitário e eles irão gargalhar na sua cara: quem diabos achou que o Cook sabia jogar esse tal de basquetebol? Para a sorte do Hornets, draftaram o West e deixaram o Cook ser o fracasso de outro time. David West foi comendo pelas beiradas, aos pouquinhos, conquistando minutos vindo do banco, e agora é titular absoluto, chuta um monte de traseiros e na temporada passada cansou de ganhar jogos com arremessos de último segundo da cabeça do garrafão. O Hornets tem uma das melhores campanhas do Oeste e, se não tivessem o Morris Peterson, até seriam um time respeitável. David West é uma das peças centrais da equipe e um dia talvez até alguém perceba que ele existe. Ganhar um título costuma ajudar.

19 - Aleksandar Pavlovic (Utah Jazz)

O Jazz precisa de um arremessador de 3 pontos desde os tempos de Moisés e o Pavlovic parecia uma boa opção. O único problema é que ele fedia quando chegou na NBA, não acertava nem o dedo no nariz, e o Jerry Sloan afundou ele no banco. Nem ligaram quando o Pavlovic foi escolhido no draft de expansão pelo Bobcats, depois sendo trocado para o Cavs. Quando o Pavlovic começou a jogar bem em Cleveland, perguntaram para o Sloan o que ele achava de seu crescimento. A resposta foi: "O quê, o Pavlovic ficou mais alto?" Rá, o Sloan deve ser leitor do Bola Presa!

O Pavlovic não é completo, está aprendendo a bater para dentro aos poucos, mas pelo menos ele tem culhões. Na temporada passada, quando o LeBron estava no banco e ninguém tinha as bolas para dar um arremesso sequer, o Pavlovic chamava a responsabilidade e fazia um monte de merda, mas pelo menos fazia. Alguém lá no Cavs acredita nele, pagam uma boa grana, lhe dão a vaga de titular e esperam que ele se torne algo grande um dia. Enquanto isso, o Jazz ainda precisa de alguém que saiba arremessar de fora. Bem feito.

20 - Dahntay Jones (Boston Celtics)

Ele sabe defender. Ele sabe enterrar. Mais alguma coisa? Dizem que também sabe fazer baliza, mas é só. Ele tem aquilo que impressiona técnicos nos treinos: raça, defesa, obediência. Mas não tem aquilo que é essencial para entrar numa quadra de basquete: talento. Ainda assim, sempre haverá lugar para ele na NBA. O que não falta é um time precisando de um jogador defensor para compor o elenco e nunca entrar em quadra. Infelizmente para ele, o Celtics o dispensou rápido demais e ele perdeu a maior chance de ganhar um anel sem sequer jogar e esfregar na cara do Malone. Com o Kings, que o contratou recentemente, o anel não vai vir tão cedo.

...
Na futura terceira parte desse artigo, as últimas escolhas do primeiro round, incluindo Leandrinho Barbosa; as surpresas do segundo round; o "fenômeno" Lamp; e como seria essa lista se o draft pudesse ser refeito hoje em dia.

"Both teams played hard"

Rasheed e sua melhor cara de "não fui eu, já estava assim quando eu cheguei"


Mais uma semana, mais uma coluna "Both teams played hard", em que respondemos as perguntas dos leitores que se atrevem a nos mandar as questões que perturbam suas noites de sono. Nessa semana, um diálogo particular com nosso leitor RV, o único desocupado o bastante para perguntar alguma coisa.

Em caso de dúvidas, comentários ou pedidos de receitas culinárias, a caixa de comentários desse post está aberta. As respostas, como sempre, saem na semana seguinte.

RV:
Kra...alguem ai poderia mi dizer por ond anda Earl Boykins???
Ond ele ta jogando???oq aconteceu???
Ele foi sequestrado???Abduzido???
Alguma coisa acontenceu com ele!!!Alguem poderia mi decifrar o paradeiro d um dos meus jogadores preferidos???

Danilo:
O caso do Boykins é complicado e vale a pena, para compreender o ocorrido, dar uma olhada na carreira dele. Com apenas 1,65 m de altura, Boykins chegou a ter média de quase 26 pontos por jogo no basquete universitário e foi o segundo cestinha do país naquele ano. Impressionante, não? Entrou para o draft com a certeza de que seria draftado no 1o round, mas acontece que não foi draftado em round nenhum. Desde então, sua carreira tem sido uma batalha constante para provar que um anão merece um lugar na NBA. Já passou por trocentos times e trocentos contratos que duram apenas 10 dias, só conseguiu certo respeito no Golden State Warriors e então, enfim, arrumou um contrato de verdade no Nuggets, lugar em que finalmente se firmou como um grande jogador e um dos melhores reservas da Liga. Em Denver, chegou a ter médias de 15 pontos e 4 assistências por jogo vindo do banco, e mantém até hoje o recorde de maior número de pontos marcados numa prorrogação, com 15. No entanto, quando o Iverson chegou, Boykins foi trocado para o Bucks, que precisava desesperadamente de alguém para fazer pontos já que o Michael Redd estava machucado.

Depois de tantos anos de luta, sofrimento e humilhação, finalmente um time apostava no talento ofensivo do Boykins. Parecia o final feliz para uma linda história, mas no mundo do basquete sempre tem algum ego pra estragar tudo. Com o fim de seu contrato, o Bucks fez o possível para assinar o Boykins novamente, mas o nanico disse que queria "testar o mercado". Achou que finalmente teria valor na NBA e que poderia escolher o time que quisesse com o salário que bem entendesse. Incrível como ele esqueceu rápido seus tempos de sequer ser draftado, não? O resultado: nenhum time se interessou num jogador de 1,65 m que não pode defender nada maior que um rato grande ou um cachorro pequeno e agora o senhor Earl "Vou testar o mercado" Boykins está desempregado. Olha, eu adoro seu jogo, acho ele lendário, sensacional, mas me permitam um comentário, por favor: tá desempregado? Bem feito!


RV:
Gostaria q vcs falassem um poco do grant hill, o kra ja foi dado como morto mais d mil vezes e agora volta do cemiterio com media d 16 pts, 4 ass e 3 rebs.Num é pra qualquer um nao.

Denis:
O Grant Hill tem sido uma bela surpresa. Eu não esperava grande coisa dele por alguns motivos: primeiro que ele nunca consegue ficar saudável e quanto mais tempo ele fica, mais parece que está se aproximando o fatídico dia em que ele se machucará de novo. Segundo que ele não parecia ser capaz de aguentar o ritmo porra louca do Suns. E por último que o último veterano a ir pro Suns foi o Jalen Rose, que na rotação dos playoffs estava atrás até do Pat Burke (vide jogo 5 contra o Spurs com Amaré e Diaw suspensos).

Mas a verdade é que ele não parece se sentir cansado, não teve nenhuma contusão, acompanha o ritmo do time numa boa e tem sido peça importantíssima para a equipe. Quando o Suns corre ele corre junto e até bolas de 3, que nunca foram sua grande arma, têm caído algumas vezes. Mas a grande contribuição dele, na minha opinião, tem sido quando o Suns é obrigado a diminuir um pouco o ritmo e jogar no ataque de meia-quadra. Grant Hill tem paciência, criatividade, talento e um bom arremesso de meia distância que é ideal para essas situações, e isso ficou bem claro na partida contra o Spurs em que o Suns venceu com grande atuação de Hill nos minutos finais.
Ainda acho que o Suns sente falta de um defensor no garrafão, mas uma coisa que faltava não falta mais: eles tem gente pra comandar um ataque de meia-quadra com o Grant Hill e, melhor ainda, esse cara não compromete a correria do time.

E não podemos esquecer que o Hill vem jogando tão bem que ele esqueceu que é um velho machucado e fez isso aqui!


quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Problemas técnicos

O Heat é tão bom quanto o jogo de SNES do Shaq


Olá, leitores fiéis do melhor blog sobre NBA de toda a blogosfera mundial. Não sei se vocês tentaram acessar o blog desde ontem à noite, mas os que tentaram provavelmente não conseguiram. Estamos fazendo umas mudanças e com elas vieram uns problemas técnicos. Já estamos de volta mas não fiquem muito surpresos se daqui uns dias tudo volte a ficar meio doido de novo. Mas em 2008 já deve estar tudo resolvido e com algumas poucas e boas mudanças.

Voltando a falar de NBA e aproveitando o tema "defeitos", vamos falar do Miami Heat. Dias atrás o Danilo fez um texto falando sobre o que deveria ser feito para melhorar o seu Houston Rockets. Eu não sou torcedor do Heat mas atendendo a pedidos vou fazer os 5 passos para o Heat sair da pindaíba. Ontem foi uma derrota para o Sixers, que teve o Calvin Booth jogando mais que o Shaq.

Passo número 1 - Um novo técnico

O passo poderia se chamar "motivação" também, mas acho que a motivação desse time parte do técnico. Já li inúmeras vezes sobre como o Pat Riley está tão decepcionado com tudo o que não conseguiu fazer antes da temporada que nem ele acredita no time e pode, a qualquer momento, deixar a equipe. Isso passa para o jogador e, vendo o Heat jogar, chega a irritar a cara deles e a velocidade em que desistem do jogo. A cada cesta do outro time, parece que um olha pro outro e diz "putz, que droga, sempre dá tudo errado...".
O novo técnico nesse caso pode ser um cara novo que dê um ânimo novo para o time, ou simplesmente um novo Pat Riley, com outra postura, mais confiante, conseguindo tirar mais dos seus jogadores. Dorrell Wright não será all-star mas garanto que um Dorrell Wright com vontade joga mais que um sem motivação alguma. Esse sem motivação, aliás, poderia ser trocado por um cone que não faria diferença.

Passo número 2 - Envolver Shaquille O'Neal

Se tem um jogador que parece pouco motivado é Shaq. Aliás, ele parece entediado. Parece desesperado para que esse ano acabe logo. No jogo de ontem contra o Sixers chegou ao ridículo de arremessar apenas 4 bolas no jogo todo e assistir aos jogos é desesperador porque você vê aquela massa de 150 kg correr de um lado pro outro da quadra sem nunca receber a bola.
Pivôs tem um problema que outras posições não têm, que é dependerem muito dos outros jogadores para participar do jogo. Os armadores sempre pegam a bola e fazem o que bem entendem, os pivôs precisam da confiança dos outros. E basta alguns turnovers ou arremessos errados para eles não verem mais a cor da bola no jogo inteiro.

Shaq está velho, isso é um fato. Ele não tem mais o físico que o consagrou, mas isso não quer dizer que ele não possa fazer mais diferença. Ele só precisa que confiem nele e precisa de motivação (mais uma vez a motivação). Kobe já tinha dito isso no Lakers. Ele disse, durante uma crise no time, que o Shaq só joga quando quer e se ele não se sente desafiado ou envolvido pelo time, ele simplesmente desanima e não joga. Isso deu briga, o Shaq não gostou, mas o fato é que semanas atrás o D-Wade disse a mesma coisa.

Acho que a prova decisiva está nos poucos bons jogos de Shaq nesse ano. Seus melhores jogos foram contra os 3 pivôs que brigam para pegar o posto de Shaq como melhor pivô da NBA. Foram 26 pontos e 14 rebotes contra o Houston de Yao, 25 pontos e 10 rebotes contra o Phoenix de Amaré e 20 pontos e 6 rebotes contra o Orlando de Dwight Howard. Os três únicos jogos com mais de 20 pontos foram contra os 3 melhores pivôs da NBA e ontem contra Sam Dalembert e Calvin Booth ele fez apenas 5 pontos. Isso quer dizer alguma coisa, podem ter certeza.

Passo número 3 - Um armador

Finalmente a parte das trocas. Claro, eu não acredito que com o time desse jeito o Heat chegue a algum lugar. Com novo técnico e novo Shaq as coisas melhoram, mas o elenco ainda assim é fraco. O primeiro passo é livrar D-Wade das responsabilidades de armar o time e deixar ele fazer o que sabe que é pontos, se movimentar e ser um dos melhores shooting guards da liga. Para a armação a resposta não é Chris Quinn, nem Jason Williams e muito menos Smush Parker.
J-Will até poderia ser, mas as contusões estão acabando com ele e desde a temporada passada ele não rende o que rendeu nos playoffs de 2005. O negócio é partir para uma troca. E é aí que começa o drama, quem trocar e por quem?

Dizem que o Kings estaria disposto a trocar Mike Bibby e ele seria perfeito para o Heat. Mas em troca eles só mandam o J-Will? Tá bom que é o último ano de contrato dele e o Kings teria espaço nos salários do ano que vem, mas acho que o Kings ainda pode conseguir alguma coisa com Bibby no elenco, ele ainda não jogou nessa temporada e o Kings vem bem mesmo sem estar completo. Talvez Bibby seja o que falta para o Kings entrar na briga para os playoffs. Acho que o próprio Kings está esperando pra ver se isso é verdade antes de trocar o careca.

Outra opção é pegar Earl Watson do Sonics, que, dizem, também está disponível e cairia como uma luva no Heat. Mas o contrato do J-Will não sei se atrai muito o Sonics, que não tem problema de salários e não terá MESMO logo que o contrato do Wally Szczczcszerbiak acabar. Mas aí você deve estar pensando, mas pô, o Heat só pode trocar o Jason Williams?

Não, mas é que o resto não tem muito valor. Smush Parker, Dorrell Wright, Mark Blount, Ricky Davis... nenhum tem grande apelo no mercado e, logo, é difícil conseguir algo bom em troca. O que o Heat tem realmente de bom pra ser trocado é Udonis Haslem, mas aí como fica se eles trocam o Haslem por um bom armador e o Shaq continua do jeito que tá? Ficam com uma puta dupla de armação e usam quem no garrafão? O Earl Barron?

Passo número 4 - Vai tu memo!

Não existem garantias de que é possível se fazer uma boa troca, então um bom passo pra começar a ser feito antes de se conseguir trocar por um bom armador talvez seja começar a usar direito o que se tem em mãos.

Eu não dava nada pro novato Daequan Cook e até deixei ele passar em dois drafts de fantasy que eu participei, vi alguns jogos dele na NCAA pelo Ohio State e achei ele bem ruim. Porém acho que me enganei feio, ele tem jogado muito bem. Não tem medo de arremessar e está arremessando bem, em geral. Dar mais minutos pro garoto era uma boa.

Outro que desde que chegou no Heat não teve chance é Mark Blount. Ele não é um primor na defesa mas tem um ótimo jumper e sabe fazer seus pontinhos. Já que o Zo infelizmente já não está mais entre nós, é melhor usar o Blount do que o Earl Barron quando o Shaq for sentar no banco.

Passo número cinco - All-White

E como passo final, deveriam colocar a torcida para se vestir toda de branco como fizeram em 2005 nos playoffs, quando foram campeões. Um pouco de superstição não faz mal pra um time nessa situação.


Notas:

- Ontem, quase que o Camby deu uma de Jason Kidd e só não fez um triple-double por falta de pontos. Mas aí ele resolveu isso com uma bola de 3! Sua nona bola de 3 desde que entrou na liga em 96. Vídeo com os 10 tocos e a bola de 3.

- Ontem também, Jason Kidd chutou 8 bolas e não meteu nenhuma. Jason Terry chutou 10 e também não acertou nenhuma. Os dois no mesmo time teria sido simplesmente lindo. Melhor só quando o Antoine Walker arremessou 11 bolas de 3 num jogo e errou todas.

- Assistindo ontem Knicks e Magic, mostraram uma estatística interessante. Das 16 vezes que o Randolph pegou na bola no primeiro tempo do jogo, ele arremessou 11 delas. Até os números agora mostram como ele é fominha.

- Uma coisa totalmente pessoal da minha pessoa. Se eu fosse tanto Kings quanto Heat, a troca que eu faria seria: Bibby e Mikki Moore por Jason Williams, Udonis Haslem e uma escolha de draft. Mas vocês podem discordar... o que vocês fariam pra tirar o Heat do poço?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Desconhecido do mês

Mbenga, do Congo ao Texas


DJ Mbenga não deslanchou em dezembro como o Antoine Wright fez em novembro. Mas não podemos dizer que foi dos piores meses do nosso herói do Congo.

Foram em média 10 minutos por jogo, com 7-14 arremessos no total. Sendo que os 10 minutos de média contam apenas os jogos em que ele entrou, não somei os zeros que ele tomou do Don Nelson em algumas partidas.

Eu esperava um pouco mais de ação do Mbenga, confesso. Em vários jogos o Don Nelson deu uma de Mike D'Antoni e só colocou dois ou três reservas em jogo. Na vitória do Warriors sobre o Cavs, por exemplo, tanto Baron Davis quanto Monta Ellis jogaram todos os 48 minutos. Não que o Mbenga fosse entrar no lugar deles exatamente, mas poderiam ser feitas formações mais altas com o Pietrus ou o Stephen Jackson jogando no lugar do Ellis de SG, o Al Harrington de SF, o Biendris de PF e o Mbenga de pivô. Ou simplesmente tirar o Biendris e colocar o Mbenga ao invés de algum cara nanico.

Não estou aqui criticando o sistema de "small ball" do Warriors, acho ele espetacular, empolgante e que acaba com vários times. Mas acho que esse esquema depende muitas vezes de jogadas defensivas. Alguns rebotes, tocos, roubos que impulsionam os contra-ataques e é bom ter um jogador capaz de fazer isso. O Mbenga nesse mês de dezembro teve 3 jogos em que deu tocos: em um deles, teve 14 minutos de jogo e deu 3 tocos; no outro em que teve 2 tocos, jogou 14 minutos também. Ou seja, dê minutos para o cara e ele vai dar tocos, é isso que levou ele pra NBA. No ataque o Mbenga não é muito efetivo, mas esses tocos podem começar bons contra-ataques. E pesa para o lado do Mbenga também o fato dele não precisar ter medo de ficar com problema de faltas: como ele não é a peça principal do time, ele pode ser bem agressivo quando entra.

Você deve estar pensando: quer dizer que você só meteu o pau dizendo o que Mbenga não tem chance e mesmo assim disse que não foi dos piores?

É isso mesmo. Ele chegou no Warriors com a temporada já começada, num time que quase não usa jogadores altos e que já tinha Patrick O'Bryant e Brendan Wright na sua frente na rotação. Em pouco tempo ele já virou o próximo cara grande, logo atrás do Biendris e, nos jogos em que ele teve chance, mostrou o que pode fazer. No jogo em que ele deu 3 tocos, contra o Bucks, também pegou 7 rebotes e ainda roubou uma bola. O negócio é assim mesmo pra quem não tem moral no time. Tem que pegar as poucas chances e aproveitar, e isso o Mbenga tem feito. Se o técnico não fosse um cara sem noção como o Don Nelson, pode ter certeza que o DJ já teria mais minutos.

Até o fim do mês ou no começo de janeiro faremos um balanço final do Mbenga no mês de dezembro. E proponho que alguém de bom humor aí crie uma comunidade no Orkut pro DJ Mbenga. Com uma história como a dele, ele merece, não merece?

Eu não devia ter feito isso...

O Larry Hughes machucado e assistindo o jogo de terno. Aposto que você nunca viu essa cena.



Vamos ser bonzinhos, vai! Quem aqui nunca se arrependeu de nada? Largou aquela moreninha firmeza pra ficar com a loirinha com cara de safada, chegou na hora ela não tinha nada de safada e você quis voltar com a morena e não deu certo. Arrependimento. Acontece com qualquer um e na NBA não é diferente. O que não falta por aí é time que fez a grande contratação do ano, que fez o maior auê em cima de um cara e um mês depois tá querendo trocar. Um mês não, dois. Depois de dois meses de temporada e pouco menos de dois meses para o dia limite de trocas na NBA, já começam a transbordar boatos e desejos explícitos de trocas na liga.

Comecemos com os arrependimentos tardios. O Utah Jazz está perdendo de todo mundo que faz uma marcação por zona neles e o principal motivo é que eles não têm arremessadores de 3. No jogo contra o Heat, o Kirilenko acabou chutando (e acertando!) uma bola de 3 decisiva pra deixar eles no jogo. Como resultado disso tudo, o técnico Jerry Sloan resolveu descontar a raiva no Gordan Giricek, que deveria ser o arremessador do time e não joga nada faz tempo. Ele está pra ser trocado, só falta um louco disposto a aceitar ele agora.

O outro arrependimento tardio é o arrependimento mais anunciado dos últimos anos: o Cavs quer trocar Larry Hughes. No dia em que ele assinou com o Cavs, todo mundo já dizia que o jogo dele não se encaixava lá e que ele não era a resposta pros problemas do time. Gibson, Pavlovic e Devin Brown estão na frente do Hughes na rotação do Cavs agora e os três somados não ganham metade da grana que o Hughes leva (e mais os milhões de bônus se o time alcança 50 vitórias). Os boatos dizem que o único maluco interessado é o Wizards, o que faz sentido, já que lá foi o único lugar em que o Hughes já jogou bem na vida toda.

Os arrependimentos tardios são vistos com raiva ou com alívio, como uma coisa que deveria ter sido feita há muito tempo. Mas os arrependimentos recentes são legais porque são muito engraçados. Menos de dois meses atrás o Knicks tinha o garrafão mais forte do Leste e agora o Isiah Thomas já diz que não sabe se dá pra montar um time em volta do Curry (não dá pra fazer nada em volta do Curry, a volta dele é muuuuito grande) e já dizem que ele está tentando trocar o Zach Randolph também. O que o medo de perder o emprego não faz com as pessoas, né?
Ah, uma dica pro Knicks, se eles querem um pivô novo eles podem ir atrás do Chris Mihm, ontem ele mostrou como é melhor que o Curry.

Outro que se arrependeu rapidinho foi o Pat Riley. Com uma semana de temporada ele já tinha dito que se arrependeu de não ter segurado o Jason Kapono no time, depois se arrependeu de ter assinado o Smush Parker e quer trocá-lo, e agora já disse que está atrás de muitas trocas pra mudar toda a cara do time. Jason Williams pode sair e dizem que até Udonis Haslem pode ir embora, se for preciso pra trazer caras como Bibby ou Artest. Claro que tudo isso fica no mundo entre as notícias reais e os boatos, mas é bom ficar atento, já que o Heat precisa mesmo dessas trocas.

O Bulls é outro que tá mal das pernas e, como resposta para isso, está em busca de trocas. A do Kobe já é coisa do verão passado e a do Gasol, de muito mais passado ainda. A moda agora é trocar o Ben Wallace. A grande contratação do ano passado agora que não pega mais de 10 rebotes faz tempo e nem lidera a liga em tocos é um dos cotados para sair.
UPDATE: O Bulls acaba de fazer uma mudança sim, mas quem tá vazando da quebrada é o técnico Scott Skiles. Mais informações aqui.


A lista não termina aqui, o que não falta por aí é gente doida da vida porque fez tudo errado e agora vê uma derrota atrás da outra. É o Sixers que trocou o Iverson pelo Andre Miller e a melhor proposta pelo Miller até agora foi o Gooden e sua barba. Ou o Houston que pegou o Mike James e agora ele nem joga direito, ou então o Knicks que pagou uma nota pelo Jared Jeffries. E como vimos no texto de ontem, se começarmos a falar de drafts a lista de arrependidos fica maior que o comentário do Gianinni no mesmo post desse ultimo domingo.


Notas:

- Alguém aí viu o "air dunk" do Rudy Gay? Sim, ele subiu pra uma cravada e errou o aro! Impressionante, quando eu achar o vídeo eu coloco aqui. E se alguém achar, me mande por favor!

- Depois de vencer com um arremesso no último segundo do Anthony Carter, o Nuggets venceu com uma bola vencedora do Linas Kleiza. Iverson e Melo estão lá só pra vender camisetas, quem resolve mesmo são os outros! Yeah!

domingo, 23 de dezembro de 2007

Draftados em 2003

A melhor dupla desde Claudinho e Bochecha


Nosso leitor Salgueiro sugeriu, nos comentários, uma análise sobre como se saíram LeBron, Carmelo e Wade desde que foram draftados, cercados desde então por tanta badalação. Resolvi ir além. Analisarei todos os jogadores draftados em 2003, a expectativa sobre eles, como se saíram em seus times e o que o futuro os reserva. Pretendo analisar, futuramente, todos os drafts dos anos recentes, fazendo o mesmo. É sempre muito divertido ver as cagadas que alguns times cometeram e que, após algum tempo, ninguém se lembra mais.

1 - LeBron James (Cleveland Cavaliers)

Às vezes me pego rindo sozinho de como os críticos e os palpiteiros de plantão eram descrentes do garoto vindo do colegial. Todo mundo dizendo que ele levaria tempo para se adaptar, que passaria uns anos fedendo bastante, que deveria ter feito faculdade. Ou seja, todo mundo pensava que ele seria o próximo Olowokandi. Aí ele começou com 14 pontos, 6 rebotes e 7 assistências no seu primeiro jogo de summer league e enquanto alguns já berravam "o garoto é real!", outros já xingavam culpando a imprensa por ter criado um mito, uma farsa, o novo Michael Jordan número 3578. O pé atrás durou pouco porque não tinha como negar o que LeBron estava fazendo nas quadras, mas sempre tem uns três ou quatro por aí que acham que ele é uma palhaçada criada pela mídia, que é um andróide ou tem um chip alienígena. Não tem problema, esse é um mundo estranho mesmo.

O mais sensacional sobre o LeBron é que, quando começou a carreira na NBA, ele não sabia driblar com a mão esquerda, só cortava para o lado direito e não tinha arremesso nenhum. Me recordo bem dos defensores do LeBron simplesmente deixando o lado esquerdo aberto, desafiando-o a tomar aquela rota para a cesta. Não demorou muito para que ele estivesse dominando o jogo com a mão esquerda e a direita nas costas. Começou a acertar seus arremessos, depois a chutar cada vez mais de 3 pontos, acertou um punhado de arremessos com uma mão só da própria quadra de defesa e diz até que acerta arremessos assim o tempo todo nos treinos. Agora, não faço idéia do que mais resta para ele evoluir. Arremessar de costas, talvez?

Chegou às Finais da NBA depois de uma das atuações mais memoráveis de todos os tempos, em que marcou 29 dos 30 últimos pontos de seu time, no 4o período e na prorrogação. Foi o único jogador do Cavs a pontuar nos últimos 13 minutos de partida, e o único a acertar um arremesso nos últimos 18 minutos. Foram 48 pontos, 9 rebotes, 7 assistências e 2 roubos. Meus filhos vão saber que assisti esse jogo. Meus netos vão saber. Meus cachorros. Meus vizinhos. Meu porteiro. Meu padeiro.

Isso se chama "levar o time nas costas", todo o resto é brincadeira de criança. Se fez uma vez, pode fazer de novo, mesmo com o time fedendo pacas. Mas pra ser campeão da NBA, falta um bocado. Quando eles tentaram assinar Michael Redd, que não aceitou, e assinaram Larry Hughes no lugar mesmo sabendo que ele não era o jogador ideal, morriam ali as chances do LeBron ganhar um anel. Mas o contrato dele deve acabar um dia...

2 - Darko Milicic (Detroit Pistons)

Será que o Detroit ainda tem pesadelos com essa escolha? Na época, não draftar o Carmelo não parecia tão absurdo assim: eles estavam felizes com o Tayshaun Prince, o time era equilibrado, sem estrelas, e um novato que não sabia defender e iria dar 500 arremessos por jogo poderia estragar tudo. O Darko não teve muitas chances, o time já estava feito, e acabou sendo o primeiro dessa turma de 2003 a ter um anel de campeão. E o mais incrível, sem sequer suar a camisa.

Conforme o tempo passou, mais ficava óbvio que o Darko nunca entraria em quadra pelo Pistons e que o Carmelo, se tornando uma estrela, poderia ter levado o time de Detroit a outro nível. Nunca saberemos, talvez o Carmelo também tivesse ficado mofando no banco. Mas o Darko encheu o saco, foi para o Magic onde mostrou sinais vagos de talento, e agora assinou um contrato milionário com o Grizzlies. Até teve suas chances mas ele nunca será um jogador digno de uma segunda escolha. É limitado no ataque, mediano no rebote e embora seja realmente bom nos tocos, não consegue ser bom o bastante para mudar um jogo só nesse quesito. Não boto fé, nem nele nem no Grizzlies, e em alguns anos será só um jogador vindo do banco que servirá apenas para assombrar o Detroit.

3 - Carmelo Anthony (Denver Nuggets)

A imensa maioria dos jogadores frustados do mundo achava que o Carmelo seria escolhido o Novato do Ano porque já estava mais pronto, vindo da faculdade com mais ferramentas no ataque. Ou seja, duvidaram do LeBron e se lascaram. O Carmelo realmente se mostrou uma estrela logo de cara mas sempre deu pintas de ser um jogador limitado em qualquer coisa que não fosse colocar a bola na cesta. Não é lá muito fã de jogar em equipe, não defende e nunca foi um grande reboteiro. Foi chamado para brincar com a seleção americana na campanha da medalha de bronze das Olimpíadas - medalha que, diz a lenda, ele jogou num lago. Isso porque mal participou dos jogos, punido por seu comportamento, falta de espírito de equipe e problemas defensivos. Não muito tempo depois ele se tornou o foco principal da seleção americana no ataque e o melhor jogador da equipe na maioria dos jogos, relegando Kobe e LeBron a outros papéis menores em quadra nesse seleção que vai ganhar as Olimpíadas do ano que vem sem a menor dúvida.

Sei que muita gente não concorda mas não há outro jogador que possa atacar como Carmelo na NBA, nem mesmo o Senhor Oitenta e Um Pontos, Kobe Bryant. Carmelo joga tão bem no garrafão quanto fora dele, domina de frente ou de costas para a cesta, e faz todo mundo achar que defesa é uma babaquisse para os fracos. Às vezes ele se apaixona demais pelo seu arremesso (o técnico do Nuggets tinha um acordo com o Carmelo que o obrigava a penetrar no garrafão duas vezes para cada bola que arremessava) mas ainda assim é o melhor no que faz.

Com a chegada de Iverson, Carmelo teve que aprender a jogar com outros amiguinhos, e vem se saindo bem embora o time feda bastante. Tem talento o bastante para chegar longe nos playoffs mas o time é um mistério que não estou com saco para tentar resolver. Pagar aquela bagatela para o Nenê, que se contunde direto só para comer rosquinhas, não ajuda. Mas há esperança.

4 - Chris Bosh (Toronto Raptors)

Esperavam uma espécie de Kevin Garnett e, de algumas formas, foi realmente o que aconteceu. Bosh se tornou rapidamente um dos melhores pivôs jovens da liga, com um único problema: ele não é um pivô. Bosh é destruidor jogando de ala-pivô, chutando de fora do garrafão e batendo para dentro. Aliás, ver o Chris Bosh batendo bola é sempre uma experiência divertida: ele tem a velocidade e os movimentos para jogar de PG se o mundo fosse feito de Yao Mings.

Bosh nunca fingiu que gostava de jogar de pivô, fez vários protestos públicos, mas entendia que não havia nenhum infeliz na equipe para colocar no lugar. Num ato de desespero de contentar sua jovem estrela, o Raptors resolveu draftar o Baby para jogar na posição, mas essa é uma outra história de fracasso que não pretendo abordar para não vomitar.

O Raptors se espelhou no Phoenix Suns, montando um time veloz e com um punhado de extrangeiros e que deixasse defesa para os chatos. Trocaram pelo TJ Ford, o único armador da NBA que tranca a gaveta com a chave dentro, e então chegaram aos playoffs. O talento está lá, o Bosh está lá, mas as contusões também. Os guardas florestais que torcem para o time devem ficar desesperados a cada vez que TJ Ford dá sinais de que vai quebrar a coluna em mil pedaços de novo ou que o Bosh tem problemas no pé. Mas com um pouco de sorte, o Raptors pode fazer estrago no Leste. E o Bosh deve rezar todas as noites pela chance de poder jogar com um pivô de verdade.

5 - Dwyane Wade (Miami Heat)

Eu e o Denis assistimos alguns jogos dele como universário e achamos que parecia um Iverson com tamanho. Deveríamos ter apostado dinheiro nessa: é algo bem próximo do que se tornou. Assim como o Iverson, é um SG que foi obrigado a jogar como armador principal mais vezes do que gostaria, é exepcional batendo para a cesta, tomando um monte de porradas e ainda assim acertando a bandeja. Diferente do Ginobili, não valoriza o contato, apenas toma as cacetadas e continua sempre com a cesta em mente. Eu sei, eu sei, ele foi campeão debaixo de um monte de críticas de que os árbitros tinham paixões homossexuais enrustidas por ele, mas isso não é lá culpa do Wade. De todo modo, ganhou seu anel de campeão em quadra, jogando ao lado de Shaq, ao contrário do Darko que estava só sentado lendo dicionários de inglês para entender o que significava a palavra "bust".

O Wade também evoluiu seu jogo a cada temporada, no estilo LeBron. No começo, não ousava arremessar da linha de 3 pontos. Hoje em dia, arremessa com naturalidade e acerta com constância. Tem talento para ser campeão da NBA mais umas trocentas vezes mas o Miami começou a envelhecer tão rápido quanto a Britney Spears e agora parece que todo mundo na equipe nasceu na época da Derci Gonçalves.

6 - Chris Kaman (Los Angeles Clippers)

De um pivô cru de tudo ao foco principal do ataque do Clippers, a trajetória não foi muito fácil para o Kaman. Sem o Elton Brand, o time se voltou para ele em busca de pontos no garrafão e o Kaman vem respondendo grandiosamente tanto no ataque quanto na defesa. Muito se fala de Yao Ming e Dwight Howard, mas Chris Kaman é o próximo da lista na posição mais ingrata da NBA.

Nessa temporada, independente dos votos, deve ser All-Star e talvez conseguir uma atenção merecida. Mas o time não vai longe tão cedo. Afinal, o Clippers é quase tão amaldiçoado quanto o Hawks. Todos os jogadores querem sempre escapar da equipe, ninguém quer ser trocado para lá ou assinar com eles. Se o time voltar mais alguma vez para os playoffs, eu engulo meu tênis do Arenas. Juro pelo Kaman.

7 - Kirk Hinrich (Chicago Bulls)

Um armador competente, exímio arremessador de 3 pontos e muito melhor defensor do que se credita. Constou em várias listas de melhores armadores da NBA mas isso foi há bilhões de anos atrás, na época em que a Sandy cantava com o Júnior e o Bulls era um time competitivo ao invés de saco de pancadas oficial do Leste. Hinrich é mais limitado do que se imaginava, o arremesso é inconsistente, mas ele seria muito melhor aproveitado se o time não fosse inteiramente focado nos tiros de fora.

Todos os jogadores que vimos até agora nesse draft são melhores que o Darko. Mas o Hinrich, em especial, poderia ter se dado muito bem no Detroit, embora fadado a ser eternamente o reserva do Billups, claro. No Bulls, ele será eternamente titular (a não ser quando faz muita cagada e vai passar umas férias no banco deixando o Duhon entrar) e terá chances de título, mas desde que as falhas da equipe sejam concertadas para que as habilidades do Hinrich possam ser melhor utilizadas. Do jeito que está, o Bulls não parece ter muitas chances. Talvez seja melhor o Ben Wallace tirar a faixinha da cabeça...

8 - TJ Ford (Milwaukee Bucks)

Todo mundo lembra de Parker, Iverson e Leandrinho na lista dos jogadores mais velozes da NBA. Mas o TJ Ford não apenas deveria ganhar créditos como também liderar a lista. Possivelmente o armador mais rápido da liga e um casamento perfeito com o Raptors, também conhecido como Suns-cover. A fragilidade do Ford vai ser sempre um problema, no entanto. Já perdeu uma temporada inteira com uma lesão na coluna vertebral e agora está fora por tempo indeterminado depois de ter tomado uma raquetada meio-sem-querer do Al Horford, o novato troglodita do Hawks.

Ford e Calderon são a melhor dupla de armadores principais, um titular e outro no banco, de toda a NBA. E eu, como torcedor do Houston, cortaria meu dedo mindinho para ter qualquer um deles no meu time, usando os outros armadores do Houston como material para ração canina. Acontece que o Calderon vem tendo atuações inacreditáveis como titular e vai ser realmente difícil para o TJ Ford recuperar a vaga quando voltar.

No Bucks, algo me diz que alguém deve se arrepender um pouco de ter trocado o Ford pelo Charles Villanueva. O novo chinês sensação, Yi Jianlian, vem ganhando cada vez mais espaço no Bucks, relegando Villanueva ao banco. Enquanto isso, o Bucks sequer tem um armador reserva digno de nota (Royal Ivey não conta, por favor). Alguém em Milwalkee quer voltar numa máquina do tempo?

9 - Mike Sweetney (New York Knicks)

Um ala gordo e baixo demais para a NBA. Na hora de chutar qual time o draftaria, não precisava pensar muito para adivinhar que o Isiah Thomas não resistiria. O gordo não fez nada além de acabar com a geladeira, foi mandando para o Bulls na troca do Curry e passou a acabar com geladeiras em Chicago. Ao fim do contrato, foi convidado a se retirar para não prejudicar a alimentação dos outros jogadores. Seu paradeiro é desconhecido mas possivelmente está devorando geladeira na Europa. Sweetney, Curry, Randolph e Jerome James são o bastante para tornar o Knicks a franquia com a maior concentração de gordura por artéria de todos os tempos.

10 - Jarvis Hayes (Washington Wizards)

Parecia ter talento e o Wizards resolveu apostar, torcendo para que ele se tornasse uma boa opção vindo do banco de reservas. Aguardaram, aguardaram, aguardaram, e aí o contrato terminou e Hayes deu o fora. Agora que seu talento parece estar finalmente desabroxando, resolveu tentar ganhar uns anéis em Detroit. Por melhor que seja, é limitado na defesa e inconsistente nos arremessos. Ganharia alguns prêmios de Melhor Oitavo Homem do Ano, se isso existisse.

...
Em breve, na continuação desse artigo, as escolhas 11 a 30 e as menções honrosas do segundo round. Preparem-se para o mar de cagadas. Alguém se lembra de Reece Gaines?

"Tá olhando o quê, amigo?": Roupa apertadinha não convence ninguém

Wilt Chamberlain, mesmo com essa roupinha eu te respeito


Quem acompanha o site da NBA deve ter percebido que o que é velho é moda. Assim, fanáticos por história ou apenas simples e comuns curiosos visitam o NBA Vault.
São sempre bons textos, falando de velhacos do passado, quando foram draftados, suas expectativas e o que mais gostaram nos anos em que foram grandes estrelas e jogadores importantes da liga. Porém, o que mais me intriga é ver a mudança no estilo de jogo daquela época para a de hoje. A finésse corriqueira se tornou músculos, e dos músculos vieram as explosões de garra, fúria e estúpidas enterradas que fazem o ginásio inteiro levantar e gritar, elevando o nível de testosterona da velhinha mais inofensiva que cochila na última fileira.

Com tanta virilidade, os jogadores notaram que as regatinhas agarradas e os shortinhos mais curtos já conhecidos não combinavam com essa nova forma de jogar. Além, claro, de a marginalidade tomar conta cada vez mais do mundo da NBA, e não estou falando de assédios sexuais, tiros ou desavenças caseiras.

Os novos jogadores que surgiram no pós “mamãe-quero-ser-gay” vieram com ideais das ruas, com letras de hip-hop na mente, gírias do gueto e correntes, muitas, muitas correntes de ouro penduradas no pescoço (quando não acompanhadas de um cifrão enorme cravado com diamantes ou lantejoulas, somente para disfarçar). Quem é que não se lembra do All-Star de 2005, quando Allen Iverson gritava para Kyle Korver, o jogador mais modelete do Sixers e irmão gêmeo de Ashton Kutcher (vide foto), no campeonato de 3 pontos, envolto de um camisetão que ia até as canelas ,uma bermuda que ia até o chão e tantas, mas tantas correntes penduradas em si, que mal dava pra saber se era jogador de basquete, bicheiro ou ferreiro. Vestimenta esta que foi banida dos ginásios pelo todo poderoso David Stern. E o cartola não parou por aí, delimitando um comprimento máximo aos bermudões de jogo, o que causou um certo mal-estar nos jogadores mas que logo foi superado. Outro veto que no começo chamou muito a atenção de toda NBA foi o do Bulls. O chefão proibiu o uso de adereços durante os jogos. Nada de faixas, munhequeiras, meiões, bermudões, joelheiras e tensores sem que haja uma real necessidade. Assim, o Bulls, os Touros Vermelhos, se tornou o time mais bem comportado da liga. Tirando o Hirinch, os negões do time até se ofenderam com a proibição, principalmente o Ben Wallace que sempre posou de maloqueiro no Pistons e agora a única coisa que podia usar para amedrontar o adversário era seu grande e bizarro cabelo.

Mas para essa temporada o técnico Scott Skiles liberou a faixa na cabeça do Wallace. O motivo foi que todos os outros jogadores
se juntaram e toparam deixar o Big Ben usar mesmo com a proibição ainda servindo para os outros jogadores. Acho que o Ben Wallace olhou feio pros companheiros e eles liberaram rapidinho. O Skiles não é muito de dar liberdade mas deve ter pensado que que com a faixa ele ia jogar bem como jogava no Pistons. Até agora não deu muito certo.

A aparência é algo constante e de grande valia na NBA. Jogadores se enfeitam de todas as formas, ou para parecerem bonitos enquanto jogam, ou para mostrarem quão marginais são e assustar o adversário. É notório que junto com a evolução do jogo e sua agressividade, a característica das ruas veio como uma tradução a essa nova forma de jogar. Até o Yao tem xingado, socado o ar e tomado falta técnica. Quem diria, o comportado chinês que não sabia nada da vida do gueto hoje é tão nigga quanto o “Skip To My Lou”. Se quiser jogar na NBA um dia e lhe faltar talento, apele para a malandragem, ouça um rap, ande com umas correntes e diga muito “yo”. Tem jogador que só está lá por isso.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Soluções para o Houston Rockets

Yao Ming não tem tantos motivos para reclamar desde o dia do draft,
em que não conseguiram sequer lhe arranjar um boné que servisse



Temos que admitir que até o jogo mais feio do mundo fica bonito na segunda prorrogação. Se alguém te avisa que o jogo das oitavas-de-final do campeonato municipal sub-20 de bocha está na segunda prorrogação, vai me dizer que não vai dar uma vontade de assistir?

Nuggets e Rockets ontem foi uma atrocidade, um ultraje, um chute no saco, um cuspe no olho, mas na prorrogação eu nem me lembrava mais disso e parecia um dos melhores jogos que eu havia assistido. Memória de fã dura pouco.

Sem Tracy McGrady em quadra, ainda com o joelho inchado por uma pancada que o tirou de duas outras partidas, o Houston não tem muitas chances de ganhar de outros times que não o Knicks e o Bulls. Contra o Nuggets, a coisa só não foi pior porque o time de Denver também está fedendo, Carmelo Anthony anda descalibrado e seu primeiro tempo ontem foi tão ruim que me lembrou até do Marcelinho Machado.

Até dava pra ter ganhado ontem, se não fosse a cesta absurda do Anthony "Quem?" Carter. Mas foi mais uma derrota pra coleção e muita gente anda perguntando os motivos do Houston estar decepcionando tanto na temporada até agora. Só que quando o time fede, é difícil arranjar um motivo só. Então vamos listar tudo o que há de errado com a equipe até agora.

Pra começar, o Houston sente muito a falta de um armador principal cujo foco principal seja passar a bola. Irônico eu começar reclamando da armação sendo que o time não fez outra coisa além de contratar um bando de armador até não ter mais onde enfiar. Rafer Alston é, infelizmente, o melhor armador presente no elenco. Ele não é horrível, tem talento, mas é uma máquina de tomar decisões equivocadas. Se a vida fosse o Cinema em Casa do SBT, ele certamente alimentaria seu gremlin depois da meia-noite. Fora ele, o elenco tem Mike James e o Steve Francis, dois jogadores notoriamente individualistas que nunca tiveram uma relação muito amigável com a assistência.

Além disso, o Houston sente uma falta brutal de um arremessador especialista em 3 pontos. T-Mac tem um arremesso confiável (às vezes, só não aposte dinheiro) mas seu forte não é o arremesso de fora. Shane Battier tem bom aproveitamento mas seria como dizer que o Bowen é o especialista de 3 pontos do Spurs. O problema é que o Rick Adelman está implantando um ataque livre e veloz que funcionou num Kings que tinha Peja Stojakovic para matar as bolas de fora, não o estrábico do Mike James. O esquema do Adelman está tendo problemas para funcionar, o Houston é o pior time da NBA em pontos de contra-ataque e não parece estar melhorando nada jogo a jogo. A velocidade, no entanto, é bem-vinda e casou muito bem com Yao, que não atrasa o ataque e nem fica exausto como imaginavam que aconteceria. Pelo contrário, já fez um punhado de cestas de contra-ataque acompanhando os armadores na corrida e ontem passou 51 minutos em quadra dando sinais de que aguentava mais.

Mas a falta de um arremessador leva a um problema maior. Yao Ming, que está tendo uma temporada fenomenal (e mais agressiva no garrafão do que a maioria dos críticos de banheiro imagina), recebe marcação-dupla praticamente em todas as bolas e tem o hábito saudável de passar a bola imediatamente, aproveitando-se de seu tamanho e excelente visão de quadra lá de cima. Mas quando a bola sai das mãos do Yao Ming, o Houston não roda a bola em direção a um arremessador, não dá aquele "passe a mais" para o arremesso. Em geral, o time simplesmente começa a armar a jogada de novo. O jogo fica muito estático, focado demais nas mãos de Yao e T-Mac e falta talento nos outros jogadores para definir arremessos completamente livres. Um tequinho de talento a mais no time e a média de assistências do Yao Ming ia assustar até aqueles chineses que passam o dia inteiro tomando purê de maçã na veia e urinando numa sonda só para ficar votando nele para o All-Star.

Na transmissão de ontem na TNT, Charles Barkley disse algo interessante. Ele acha que Yao e T-Mac não se completam, não são feitos um para o outro. O chinês se favoreceria muito mais de um chutador de fora, (o Denis acha que o Redd seria ideal) ou de um armador com bons passes. Já o T-Mac seria beneficiado com um pivô que não passasse tanto tempo com a bola nas mãos. Embora eu concorde, também acho que agora é tarde demais para pensar nisso e que, com as peças certas, os dois poderiam ir muito longe juntos. Então, com isso em mente e minha autoridade de Técnico de Fim de Semana adquirida num curso com o Lula pelo correio, vamos à minha lista do que o Adelman deve fazer para colocar o Houston nos eixos.

1 - Utilizar o Aaron Brooks

O Rafer Alston pode ser o armador titular desde que saia de quadra logo e abra caminho para o Aaron Brooks, o armador novato do Houston. Suas atuações monstruosas na pré-temporada e a escolha como melhor calouro das Ligas de Verão não foram o bastante para render chances na equipe. Ontem só entrou em quadra porque Steve Francis estava gripado. Brooks não jogou mal, não jogou bem, mas o que importa é que ele jogou como todo bom novato cagão: só arremessou quando estritamente necessário e estava muito interessado em passar a bola e obedecer ao técnico. É disso que o Houston precisa.

2 - Se livrar de Mike James, Steve Francis e Kirk Snyder

Nada pessoal, Francis, você me deu grandes momentos e teve algumas boas atuações nessa temporada que até me deixaram empolgado. Mas você nunca gostou muito de passar a bola para o Yao, está velho, e definitivamente não traz o que o time precisa. Mike James, você fede horrores, vá plantar batata. Snyder, você terá um belo futuro na Europa, boa sorte. Mande abraços para o Splitter.

3 - Usar o Scola de titular

O pior legado do Van Gundy como técnico do Houston foi a idéia de que o Yao tem que jogar ao lado de um ala-pivô de mentalidade defensiva. Só quando o Yao ia pro banco é que um ala-pivô ofensivo podia finalmente entrar em quadra. É uma tentativa de equilibrar o banco já que quando o ala ofensivo entra, está ao lado de Mutombo, que só deve ter feito uma cesta na vida, e sem querer. Mas só um imbecil não é capaz de ver como o Houston melhora quando Yao e Scola estão jogando juntos, como a vida do chinês fica mais fácil com o ala adversário tendo que pensar duas vezes antes de fazer uma marcação-dupla nele. Afinal, ninguém em sã consciência marcaria o Chuck Hayes. Deixe-o sozinho com uma bola na quadra e ele levará mais tempo para fazer uma cesta do que a Sandy para perder a virgindade.

4 - Dar minutos de titular ao Bonzi Wells

Ele está vindo muito bem do banco mas não joga minutos suficientes, enquanto Battier continua em quadra preocupado em defender numa equipe que não foca mais na defesa. Sente-o um pouquinho e deixe Bonzi agir. Ele consegue pontos de uma forma que ninguém mais no time consegue: partindo para cima, tomando faltas e cobrando lances livres. Ele pontua na marra, é um grande reboteiro e quem não acredita precisa lembrar dele tendo médias de double-double contra o Spurs nos playoffs, quando ainda jogava no Kings com o Adelman.

5 - Dar uma chance para o Steve Novak

Jogou 5 minutos por partida como rookie na temporada passada e ainda nem sequer entrou em quadra esse ano. Ele é um especialista em bolas de 3 pontos, pode jogar nas duas posições de ala e tinha tudo para ser o Stojakovic que o esquema do Adelman precisa. Por enquanto foi rebaixado para a Liga de Desenvolvimento e tem médias de quase 20 pontos por lá. Nem imagino os motivos dele sequer ter uma chancezinha na NBA. Ele e o JJ Redick, o "melhor arremessador da história" que também não tem chance no Magic sabe-se lá porque, deveriam sair dessa furada e abrir um negócio. Uma pastelaria, talvez.

Se o time não se acertar, se o esquema do Adelman não pegar, se alguém lá não ficar calibrado de trás da linha dos 3 pontos, se a bola não se mover rápido, então muita gente no Houston vai querer ser sócio da pastelaria. E eu vou ter que assistir as oitavas-de-final de bocha mesmo, torcendo pra que alguns jogos de bocha cheguem mesmo à segunda prorrogação.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Rajon Rondo e seus amigos

Esse amiguinho do Rondo até que quebra um galho


O jogo de ontem à noite entre Boston Celtics e Detroit Pistons era um dos confrontos mais aguardados da temporada. Não apenas porque seria o primeiro adversário verdadeiramente de peso que o Celtics enfrentaria até agora, mas também porque era o encontro entre as duas melhores defesas da NBA. Afinal, todo mundo adora ver grandes jogos defensivos em que a soma de pontos dos dois times ao final da partida é exatamente o número de pontos que o Suns marca em apenas um quarto num dia ruim.

O jogo, no entanto, começou num alto nível ofensivo e o Celtics mostrou quem é sua maior arma: o armador Rajon Rondo. Tinha uns outros caras de verde lá também, uns tais de Garnett, Allen e Pierce, mas não me lembro direito deles e acho que a torcida nem deve ter percebido que estavam ali. Depois que o Rondo fez 10 pontos seguidos no início do primeiro quarto, com direito a um par de jogadas absurdas, os outros jogadores de verde começaram a esquentar. Mas aí já era tarde e a torcida de Boston já comentava nas arquibancadas: "esses amiguinhos do Rondo aí jogam bem, né?"

Naquele time absurdo do Lakers, o Fab Four com Payton, Kobe, Malone e Shaq, lembro do Devean George dizendo que, como o quinto titular da equipe, ele seria para sempre uma pergunta difícil de quiz sobre a NBA. Aquele cara que seus netinhos não vão se lembrar e você vai poder parecer fodão quando forçar a memória pra falar da juventude (e dizer que, na sua época, a NBA era muito melhor, que tinha mais talento, que os jogadores tinham fundamento, essas coisas de velho).

Mas o Rondo não parece estar muito interessado em ser o cara que completa o time. Com tanta atenção sendo dedicada a defender aqueles outros carinhas, o Rondo se sente à vontade para atacar o aro. Mas não à vontade o bastante para chutar insanamente como o Marbury faria, claro.

Graças ao Rondo e seus amiguinhos, o Celtics não teve problemas em liderar a partida inteira. No entanto, a equipe adversária era o Pistons e, sabe como é, com eles perdendo por 10 eu poderia jurar que vi o Billups dar um bocejo em quadra quando olhou para o placar. Mesmo perdendo, mesmo errando, parecia que o Pistons iria vencer quando bem entendesse. Bastava o Billups ameaçar um arremesso e depois dar o corpo para ser atingido por algum maluco de verde e ir cobrar seus lances livres. O Billups foi atingido por Rondo (várias vezes), Pierce, Tony Allen e até por um piano.

Faltando pouco para o fim do jogo, o Pistons apertou a marcação e tomou a liderança. Graças a uma bola de 3 pontos do Ray Allen e um erro bobo do Billups, no entanto, o Celtics teve o direito de dar o último arremesso da partida com o jogo empatado. O Rondo estava no banco com 5 faltas porque foi abusado pelo Billups, mas o amiguinho dele, o Ray Allen, estava quente como o diabo e deveria dar o último arremesso.

Parênteses: alguém se lembra do Arenas dizendo que, nos segundos finais de um jogo contra o Celtics, basta marcar o Paul Pierce porque todas as bolas irão nele? Digam o que quiser sobre o Arenas falar demais, mas o homem tem razão. Segundos finais, jogo empatado, bola no Pierce (que tinha acertado 5 de seus 15 arremessos). Bateu para o lado, numa jogada estranha, e deu um arremesso forçado que não entrou - com 2 segundos restando para o fim do jogo.

O Pierce deve pensar que, por estar naquele time capenga aguentando há mais tempo do que os outros, merece ter seu showzinho particular e um pouco da glória da vitória. Tudo bem, dêem isso para ele. Mas peçam, por gentileza, para ele usar um pouco do cérebro! Com um arremesso no último segundo errado, o jogo iria para a prorrogação com o Celtics jogando em casa. Que tal saber usar todo o cronômetro?

Dois segundos de posse de bola para o Pistons e o técnico do Boston, Doc Rivers, deve ter queimado uns neurônios pensando em quem colocar para marcar o Billups. Rondo, que foi abusado e depois vai ter que passar na delegacia? James Posey que, diz a lenda, até sabe defender? Um torcedor da platéia escolhido por sorteio? Um gorila treinado com uma banana? Pois o Doc Rivers deveria ter colocado o gorila ao invés do Tony Allen.

Não precisa ser um PhD para imaginar como o jogo terminou. Billups fingiu que ia arremessar pela milésima vez e Tony Allen decolou para cima dele como se nem imaginasse que aquilo pudesse acontecer. Pulou alto como se o Billups fosse o Yao Ming arremessando, e sequer conseguiu olhar para o Billups antes de se chocar com ele grotescamente causando a falta. Agora matemática, crianças: Billups + lances livres + segundos decisivos = vitória. Pode colocar isso na sua prova de recuperação de álgebra sem medo.

Acho que não adianta muito ter Rondo e uns amigos futuros Hall da Fama se todo o resto ainda usa fralda e vai pular no pescoço do Billups quando ele usar a manha mais chata e manjada da NBA.

Sequência de vitórias do Celtics interrompida e agora o time mais quente da Liga passa a ser o Blazers, com 9 vitórias seguidas. Venceram ontem o Raptors mesmo com o LaMarcus Aldridge de volta ao time. Ou seja, ele pode ter sido ensinado pelo Randolph, mas quando volta para a equipe ainda assim não faz o time perder. Tá bom, justiça seja feita, o Randolph fez o Knicks ganhar do Cavs ontem, mas a melhor jogada do Randolph foi esse drible absurdo que ele tomou do LeBron James!

Agora, nos resta ver como o Celtics se sai contra as outras pedreiras que, enfim, irá enfrentar. E quanto tempo o Blazers consegue ficar em oitavo no Oeste. Se depender do meu Houston (que tem T-Mac machucado mais uma vez), o Blazers consegue a vaga fácil, fácil.

- Nota triste mas importante: Alonzo Mourning se contundiu na partida contra o Hawks. Como ele já havia dito que iria se aposentar no ano que vem e essa contusão de joelho deve deixá-lo uns 6 meses de fora (com sorte, e sem contar o tempo para retomar a forma), provavelmente assistimos ao fim da carreira de Zo. Para o Heat a notícia é devastadora porque hoje em dia eles não conseguem ganhar nem par-ou-ímpar, mas é muito mais triste para o próprio Zo que merecia um final mais digno para sua carreira depois de ter vencido tantos problemas físicos. Também é consideravelmente triste para mim, que acabo de me ferrar mais ainda no fantasy.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Zach Randolph amaldiçoado

Só o Isiah não sabia da merda em que estava se metendo


Quando o Blazers mandou o Zach Randolph para o Knicks a preço de banana, muita gente achou que era a decisão errada da parte do Blazers. Que Randolph era um cara talentoso, um dos melhores alas gordos da NBA. Acharam que Randolph e o recém-draftado Greg Oden formariam uma dupla de garrafão poderosa. O cara tem 23 pontos e 10 rebotes por jogo, ele deve ser um dos melhores da Liga, não?

Taí o maior exemplo de que números enganam. Perguntem para qualquer um dos três fãs do Blazers por aí e a resposta será que o Randolph é talentoso: tem talento de sobra para destruir qualquer time. A prova numérica para esse argumento está nos resultados do Blazers. No total, foram 32 vitórias e 50 derrotas na temporada passada. Mas quando o Randolph não entrou em quadra por razão de contusões, o Blazers ganhou sete partidas e perdeu outras sete. Ter 50% de aproveitamento é infinitamente melhor do que amargar 50 derrotas, não?

Já me cansei de zoar o Zach Randolph porque ele não corre (a não ser pra cozinha), não pula, não defende, não passa a bola, dentre outros. Mas pior do que tudo é que ele é realmente amaldiçoado e faz qualquer time perder. Hoje vi uma matéria sobre os jogadores do Knicks estarem ficando bravos com o Randolph e dando indiretas sobre ele nas entrevistas. Tudo porque ele monopoliza o ataque, não joga em equipe, segura demais a bola, deixa o ataque mais lento, pede dinheiro emprestado e depois não devolve e ainda cutuca o nariz. Ele atrapalha tudo, deixa os companheiros de equipe frustrados, o time só perde, mas o Randolph está lá com 19 pontinhos e 10 rebotes por partida. Os jogadores do Knicks estão conhecendo agora o verdadeiro Zach por trás dos números. Aquele cara que o Blazers, ao conseguir trocar, deve ter dado uma festa maior do que a Rede TV! quando se livrou do João Kléber.

Meu cotovelo sabia que colocar esse monopolizador de bolas do lado do Curry, que precisa ser o foco do ataque para ser efetivo, seria mais desastroso do que colocar o João Gordo e o Dado Dolabella na mesma dupla sertaneja. Agora o Isiah me vem dar entrevista dizendo que "o Curry não está sendo agressivo", que "está passivo vendo o Randolph atacar sozinho." Oras, o Isiah esperava que o Curry apontasse um revólver para o Zach para conseguir a bola, né?

A coisa tá tão feia em New York que o Curry, que tem fama de ser simples e humilde (leia-se "bobão"), ganhou o mérito de ter prometido uma vitória contra o Pacers ontem. O time de Indiana ficou puto, jogou com tudo e estraçalhou o Knicks. Mas o Curry não tinha dito nada, foi apenas uma piadinha: um repórter chegou atrasado na coletiva e, ao perguntar o que o Curry havia falado, recebeu como resposta de outro jornalista a frase "ele prometeu uma vitória contra o Pacers." Todo mundo riu mas o infeliz sem senso de humor (que não deve ler o Bola Presa, portanto) achou que era verdade e a notícia se espalhou. O Knicks toma na cabeça pelas merdas que faz e até pelas merdas que não faz também.

Agora fica esse monte de rumor de que o Isiah vai trocar o Curry após dizer que aparentemente ele não pode ser mais a base da franquia. Não me diga! É como ficar surpreso ao descobrir que seu time não vai ser campeão usando o Baby como jogador principal. Ou usando eu. Ou minha mãe. Você pegou o espírito.

Enquanto isso, o Blazers sem o Randolph e sem o Greg Oden, contundido por toda a temporada, não consegue parar de vencer. Eles simplesmente não conseguem! E olha que eu acho que vontade não falta. Não é surpresa pra ninguém o fato de que o Blazers esperava ir mal nessa temporada e ter uma futura boa escolha de draft, mas agora eles tem 13 vitórias e 12 derrotas e estão em nono lugar no Oeste, na frente do meu Houston Rockets. Se o meu Houston quisesse perder para ter uma boa escolha de draft, eles não teriam problemas, acredite. Eles perdem direto querendo muito ganhar. Mas o Blazers parece ter mais talento do que todo mundo pensava.

Pior é que o substituto do Randolph, o LaMarcus Aldridge, não jogou as últimas 4 partidas. Ele deveria ser a estrela do time enquanto Greg Olden não volta, mas quem precisa de estrelas? Brandon Roy (que deve ser o jogador do mês, até) e o Channing Frye (que foi de novato intocável no Knicks para ser trocado meses depois, coisas de Isiah) seguram as pontas por lá, mas pelo que parece, o crédito é do Nate McMillan. O técnico do Blazers merece inclusive um punhado de votos desde já como técnico do ano. Ele está fazendo a pirralhada e uns vovôs (tipo o LaFrentz, que dorme num pote de formol) marcarem defesa por zona de maneiras poderosas, vencendo os jogos na defesa mesmo sem sua principal arma ofensiva e sem ninguém se destacando em particular. Alguns sites estão dizendo que, para vencer o Utah Jazz, basta estudar um jogo deles contra o Blazers: a marcação por zona utilizada anula completamente todo mundo do time que não se chama Carlos Boozer. É bom o Houston já ir estudando essas fitas...

Esse é um bom exemplo de como uma simples troca pode transformar um time. E às vezes, a troca não é para adicionar alguém, como um Garnett ou um Ray Allen da vida, e sim para se livrar daquele cara que finge que está produzindo. Tem 20 pontos e 10 rebotes de média mas fede e faz o time passar vergonha? Então taca fora, e aproveita que o Knicks aceita tudo quanto é lixo - desde que ganhe alguns bilhões de dólares para deixar eles no vermelho, claro.

E aí, Isiah, quando vai fingir que tão te chamando ali perto e dar o fora dessa furada?

"Both teams played hard"

"Diga fotoloooguiiii!"


Voltamos com nossa coluna "Both teams played hard", em que respondemos suas perguntas com a mesma graciosidade de Rasheed Wallace. Nessa semana, perguntas sobre o Wolves, basquete nacional e europeu. Ou seja, se você não ler, não estará perdendo muita coisa.

Se você tiver alguma pergunta para nós, basta usar a caixa de comentários dessa coluna e ter a paciência zen-budista de esperar mais uma semana. Fique à vontade, também, para comentar nossas respostas ou nos enviar fotos "fotolooooguiiii" de sua irmã bonita. Sinta-se em casa. Agora, vamos às perguntas.

Leandro:

gostaria de dar uma sujestao de fazer uns tópicos comparando times da euroliga e da nba(os melhores e os piores tbm). afinal sao nesses lugares que estao os melhores times do mundo,os esquemas taticos mais interessantes e tudo mais.
mas é isso..

Denis:
Tem razão, a Euroliga tem esquemas táticos interessantes, ótimos jogadores com muito talento e inteligência. Lá quem comanda o basquete não está interessado só em show, enterradas e em faturar em cima de atuações individuais de jogadores fominhas. Lá nunca ninguém vai fazer 81 pontos ou coisa do tipo. Lá o negócio é sério e os jogadores são disciplinados.
Por isso que eu tô pouco me fodendo pra Euroliga e logo não tenho conhecimento o bastante pra comparar nada. Mas já comparei com tênis e futeba, quer mais o quê?!


Charles:
Oq o Wolves tem pra comemorar a não ser a Adriana Lima ?
Que um dia o Jefferson pode ser um bom jogador ? Tipo quase um "Michael Jackson" ? Ou o campeão das enterradas, Gerald Green que tá jogando menos de 10 minutos por jogo?

Danilo:
Eu sou suspeito pra falar porque boto fé nesse Wolves desde o dia da troca. Olha, o Al Jefferson não vai ser o Michael Jordan, mas também não me venha com "que um dia ele pode ser um bom jogador". Agora, nesse instante, nesse milésimo de segundo, agorinha mesmo, o Al Jefferson pode chutar o traseiro da imensa maioria dos alas-pivôs da NBA. Ele tem médias de 20 pontos e 12 rebotes por jogo (fora 1 assistência, 1 roubo e 1 toco), é o quarto em rebotes e o quinto em double-doubles (17 em 23 jogos) além de ser o único jogador, junto com o Dwight Howard, a ter pelo menos uma partida com 30 pontos e 20 rebotes nessa temporada. Ele domina um punhado de jogos, melhorou enormemente da linha de lance livre e faz tudo isso muitas vezes tendo que ser improvisado de pivô, o que obviamente não é sua praia. E o principal de tudo é que ele pode ir aí na sua casa te dar uma baita de uma sova se você não acreditar.

O resto do time é muito inconsistente porque o Ratliff, que é o único cara experiente da equipe, tem idade para ser o pai de todos os outros jogadores. Ao invés de vestiário, o Wolves deveria ter um fraldário.

O Gerald Green-campeão-de-enterradas é o próximo Kobe Bryant, você não sabia? Pelo menos é o que se dizia quando ele foi draftado. O Kobe pessoalmente deu uns conselhos pro Green e talvez um dia ele esteja marcando 81 pontos por aí. Meu palpite pessoal é que em algumas temporadas ele vai ter desaparecido da NBA por completo e estará sendo campeão de enterradas na Europa, onde o pessoal costuma fazer besteira na hora de enterrar.

Fora isso, o resto do time tem bastante potencial. O Sebastian Telfair, apesar de primo do Marbury, parece ser menos débil mental e até gosta de passar a bola, com médias de mais de 6 assistências por jogo como titular. Randy Foye é um baita armador que estaria fazendo barulho se não estivesse machucado. Craig Smith é o "Paul Millsap versão Wolves", sensacional se vindo do banco. Corey Brewer é novato, faz xixi na cama, mas é um baita reboteiro e ainda vai ser uma estrela nessa liga (se não for, e o Al Jefferson não for All-Star um dia, vou ter perdido uma baita de uma grana em apostas por falar demais). McCants está aprendendo a usar o banheiro sozinho agora, o jumper está ficando consistente e o garoto realmente sabe pontuar. Ryan Gomes é um dos meus role players favoritos, faz de tudo em quadra, limpa panela, lava cueca suja com freiada e não reclama.

Ou seja, o time fede bastante mas tem potencial para ser vencedor daqui umas duas ou três décadas. O único problema de ficar botando fé em times jovens-porém-talentosos é que eles podem acabar como o Hawks. Mas os fãs dos lobinhos não precisam ser tão pessimistas, não estar em Atlanta já é um bom começo para comemorar. E montar um time em volta de um cara grande como o Al Jefferson é bem diferente de montar um time em volta do Joe Johnson. Quando vocês ganharem uma equipe da NBA de Natal, crianças, lembrem do conselho máximo do mundo do fantasy: "draftem grande". E se a equipe der lucro, lembre-se do conselho e manda uma graninha pra cá. Obrigado.

Renzo:
Na onda do leandro, solto o petardo.


Lineup 1:
PG - Smush Parker
SG - Allan Houston
SF - Penny Hardaway
PF - Tio Charles Oakley
C - Baby

Dois veteranos, um fóssil, dois jovens fracassados.

Como esse time se sairia ATUALMENTE em nossa combalida
Liga Nacional (BRASIL)?????

Certamente, sem graça não seria...
rs

Considerando a Liga Nacional do ano passado...

Na minha opinião, seriam campeões derrotando Franca apertado na final, fechando o jogo com uma bela ponte aérea de Smush para Tio Oakley, matando por ataque cardíaco 200 pessoas na arquibancada... hahaha

Os idosos Penny Hardaway e Allan Houston certamente se tornariam semideuses
por aqui... rs

Denis:
O Allan Houston ainda consegue chutar de 3? Se sim, ele seria um semideus aqui. O Penny Hardaway ainda chuta de 3? Se sim, ele seria um semideus por aqui. E considerando a idade dos jogadores que disputam o nosso Nacional, eles estariam se sentindo em casa. O único problema é que jogador americano que vem pra cá costuma morrer hoje em dia.

Aliás, outra coisa, vai ter campeonato nacional? Ou vão ter dois campeonatos e um monte de gente vai ficar de briguinha por aí? O basquete daqui é um saco, você começa a se apegar a um time e no ano seguinte ele não existe ou não disputa um campeonato. Na situação que está, certo é o Baby que vai pra Rússia.