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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Blazers, Lakers e TJ Ford

Blá, blá, blá, milhares de Free Agents. Blá, blá, blá análises. Sem enrolação dessa vez, pode ser?

...

Jamal Crawford 
Portland Trail Blazers - 10 milhões por 2 anos

Entendo perfeitamente quem queira argumentar que o Blazers precisava mais de jogadores de garrafão do que de mais um armador. Jamal Crawford não é armador nato, joga mais na posição 2 e quebra um galho como armador principal vindo do banco, duas funções que no Blazers já podem ser ocupadas por Raymond Felton, Armon Johnson, Wesley Matthews, Nicolas Batum e o novato Nolan Smith. Mas, se você pensar mais a fundo, verá que Armon Johnson é só um reserva limitado, Nolan é apenas um novato e que Matthews e Batum vão acabar também jogando muitos minutos na posição 3, seja na reserva de Gerald Wallace ou quando o Crash atuar na posição 4. Há espaço para todos.


E tem mais uma coisa, todos esses jogadores tem suas qualidades, mas nenhum deles é um pontuador nato. Nicolas Batum pode vir a ser no futuro, Matthews e Wallace tem seus dias bons, mas um cara consistente, que cria o seu próprio arremesso e é decisivo não existe no elenco do Blazers. Existia até o ano passado, o nosso querido e amado Brandon Roy, mas como você sabem, ele terá que se aposentar precocemente devido ao seu joelho destruído.

Jamal Crawford chega não para ser titular, mas para terminar os jogos. Para desafogar o ataque quando tudo estiver indo aos trancos e barrancos, comandar um quinteto reserva que é mais focado na defesa e criar, com seus dribles e arremessos de longe, mais espaço para o LaMarcus Aldridge agir. O contrato não é longo, é bem barato para o nível do Crawford e atinge o exato ponto que eles perderam com a saída do Roy. Contratação perfeita.


Greg Oden
Portland Trail Blazers - 8.9 milhões por 1 ano

Kurt Thomas
Portland Trail Blazers - 1.4 milhão por 1 ano

Craig Smith
Portlan Trail Blazers - ?

O Blazers tinha a opção de oferecer uma extensão de contrato a Greg Oden, mas não o fez. Foi o primeiro jogador a ser escolhido na 1ª posição do Draft a não receber uma extensão desde Kwame Brown. O Blazers, porém, não deixou o rapaz simplesmente ir embora, ofereceu um contrato de um ano, a tal Qualifying Offer, quando ele se tornou Free Agent restrito. Agora o pivô fica por mais um ano em Portland e ao fim dessa temporada vira Free Agent irrestrito.

A tal da oferta é enorme e o Greg Oden não sabe quando ou se um dia vai ficar saudável, mas é por apenas um ano. Todo mundo merece uma última chance. E no fim das contas, o Blazers atirou para todos os lados na busca de alguém que renda no garrafão além de LaMarcus Aldrige. Eles já tinham o sênior Marcus Camby, contrataram outro veterano, Kurt Thomas, e um dos meus jogadores-mais-ou-menos favoritos, o ala de força Craig Smith (que não tem o apelido de "Rinoceronte" à toa, é um monstro que sabe muito bem usar sua força), isso além do bichado-promessa Oden. Vão compensando com quantidade os problemas de contusão e idade. Algum tem que dar certo.

Podem argumentar que ao invés de vários jogadores com defeito torcendo para que um ou dois deem certo, poderiam ter apostado todo dinheiro em caras que passem mais segurança, como o ainda Free Agent Samuel Dalembert (enquanto escrevo isso ele parece próximo de fechar com o Rockets). Poderiam, mas eles podem simplesmente achar o Dalembert horrível como eu acho e as outras opções antes dele podem não ter aceitado salários de curta duração, nova obsessão da liga e principalmente do Blazers.

O time não se comprometeu a longo prazo com Oden, com Crawford, com Thomas e os contratos de Felton e Wallace acabam em breve. O time é pra ganhar logo, mas se precisar estão preparados para recomeçar do zero.


TJ Ford
San Antonio Spurs - 1.2 milhão por 1 ano

Não sei ainda direito o que achar dessa contratação, pra falar a verdade nunca achei que o Spurs fosse contratar um cara do estilo do TJ Ford. Vou falar de 3 memórias que tenho do armador.

1- Sabe o famoso Draft de 2003 considerado um dos melhores da história? Naquele ano de basquete universitário ele superou Carmelo Anthony, Kirk Hinrich, Chris Bosh e Dwyane Wade e foi eleito o melhor jogador universitário daquele ano. Foi draftado pelo Bucks e impressionou pela velocidade e boas decisões na armação.

2- Foi para o Raptors e lá, não sei se porque não confiava no resto do time, resolveu virar herói. Com pouco tempo de clube virou reserva do Jose Calderon, mesmo o espanhol sendo um dos piores defensores da sua posição na NBA.

3- Na fase do Pacers lembro de um jogo em que ele tentou uma bola de 3 pontos no último segundo para ganhar um jogo e errou. Detalhe, ele já tinha tentado 18 outras bolas de 3 na temporada e não tinha acertado uma sequer.

Mas talvez o que tenha faltado para o TJ Ford fosse um sistema tático mais rígido ou um treinador que soubesse tirar o melhor dele. Talento o cara tem de sobra, mas nos últimos anos, ao invés de melhorar com a experiência, passou a tomar decisões ruins dentro de quadra. Com sua velocidade e facilidade de infiltração pode fazer estrago parecido ao que o Tony Parker faz no próprio Spurs. Se der certo, ótimo, foi uma opção barata. Se der errado é torcer para que o armador novato Cory Joseph corresponda vindo do banco.

Jason Kapono
Los Angeles Lakers - 1.02 milhão por 1 ano


Troy Murphy
Los Angeles Lakers - 1.3 milhão por 1 ano


Josh McRoberts
Los Angeles Lakers - 6.2 milhões por 2 anos

Os dois primeiros dá pra resumir em poucas linhas: O Lakers precisa de jogadores que chutam de três, Kapono e Murphy sabem fazer isso, o segundo com o bônus de pegar rebotes e o lado ruim de ter o nariz mais feio da liga e um nome relacionado a uma lei nada agradável.

O Josh McRoberts, embora seja o nome mais desconhecido dessa lista, é o que mais pode oferecer. Além dos rebotes que o Troy Murphy também pode dar, é um cara que tem velocidade, sabe participar de contra-ataques, ataca a cesta muito bem. Pode dar um dinamismo ao banco de reservas que Luke Walton e Derrick Caracter não tem chance de dar. Ele também é oficialmente o novo responsável por colocar o Lakers no Top 10 de jogadas da semana no lugar do Shannon Brown:




Os três adicionam coisas de que o banco do Lakers, fraco na última temporada, precisava. Pensando nisso as contratações foram boas. Mas compensa a saída do Lamar Odom e recoloca o Lakers em posição de grande favorito? Não.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Fim de feira

"Abrir mão de 6 milhões de dólares para não mofar no Wizards? Eu topo!"


Ainda falta um time a ser comentado na nossa maratona de trade deadline, o Houston Rockets, que fez algumas mudanças importantes. O post sobre eles sai ainda essa semana, vai ser feito pelo nosso querido torcedor do Rockets, porque eu não vou me arriscar a falar mal do time dele e estragar a nossa amizade e o blog, né? E não é porque a data-limite de trocas chegou que não tem mais gente mudando de time, vários jogadores foram dispensados e começou uma corrida para assiná-los. Vamos ver hoje a primeira parte desse fim de feira chique.


Mike Bibby (do Wizards para o Heat)

Em uma era em que tanta gente chama atletas de mercenários sempre é uma surpresa quando alguém abre mão de muito dinheiro em nome de uma chance de jogar onde quer. Como quando o Gilbert Arenas recusou uma extensão de 120 milhões de dólares para assinar uma de "apenas" 100 milhões com o Wizards, foi aquele dia na história em que "humilde" e "100 milhões de dólares" estavam na mesma frase e não falavam de uma doação. Mesmo ele ainda tendo dinheiro para ter um aquário com tubarões, abrir mão de 20 milhões não é algo que vemos todo dia.

Com o Bibby não foi tanto dinheiro como com o Agent Zero, mas desistiu de belos 6 milhões de dólares para poder sair do Washington Wizards depois de uma bonita história de 29 minutos que rendeu uma emocionante homenagem. Ele recebeu o dinheiro que teria direito até o fim da temporada e simplesmente não irá receber um tostão da continuação do contrato no ano que vem, ficando livre para assinar com qualquer equipe. Ele não é mais o cara que jogava muito pelo Kings em 2002, nem o que deu um boost no Hawks em 2008, mas é bom. E é o único armador de alto nível no mercado. Em terra de cego quem tem um olho é caolho, mas se você precisa de um armador, é melhor um caolho do que um cego.

Em questão de dias o Miami Heat foi o escolhido. Vai ganhar o mínimo de um veterano, valor simbólico para os padrões da liga, mas foi para lá porque era o mais óbvio: Chance clara de título e garantia de ser titular. O Boston Celtics até tentou ir atrás dele e também seria uma chance de ser campeão, mas o futuro parece um grande banco de reservas quando você é substituto do Rajon Rondo. Para o Bibby, portanto, foi uma escolha fácil e perfeita.

Para o Miami eu acredito que não era a solução ideal que eles procuravam, mas devem estar agradecendo aos céus que ela apareceu. Diz a lenda que eles foram atrás de vários times em busca de armadores, mas alguns no Leste não querem ajudar ainda mais o Heat e os outros estão esperando receber em troca algo melhor do que o Mike Miller, a única peça de troca relevante que eles tem sem desmontar o Big 3. A minha crítica ao Bibby no Hawks era de que ele não era mais um armador, mas um arremessador, mas é justamente isso o que o Heat quer de seus armadores. Eles já se acostumaram a jogar com o LeBron James comandando o show ou revezando esse serviço com o Dwyane Wade, os dois gostam de ter a bola em mãos, os dois são bons passadores e só precisam de gente que saiba se movimentar e receber os passes para funcionar. Tá, o ataque poderia tentar ser mais complexo que isso às vezes, mas não é a realidade deles hoje. Para o jeito que eles executam o seu ataque o Bibby é perfeito, não só virou um simples arremessador como é um dos melhores nesse quesito. Segundo o SynergySports, um sistema que analisa a NBA por vídeo, ele marca 1.24 pontos a cada jogada de "catch-and-shoot", aquela quando você só recebe a bola e arremessa. Essa é a 13ª melhor marca da NBA e a 2ª melhor entre os armadores. A jogada, aliás, poderia ser chamada James Jones, o ala do Heat soma duas estatísticas bisonhas na temporada: Não fez NENHUM ponto no garrafão e nunca fez uma cesta em que criou o seu arremesso, todas vieram de assistência.

O problema do Bibby seria na defesa. Não só o sistema defensivo é o forte e prioridade do Heat como a sua defesa de perímetro é onde eles se focam mais, será que ele não iria estragar tudo? Foi meu primeiro medo, mas depois de pensar, pesquisar e ler a opinião de gente por aí, acho que não vai ser uma grande coisa. Até porque o antigo titular era o Carlos Arroyo, que também não é nenhum gênio defensivo e nem por isso o sistema inteiro caía. O Arroyo, aliás, foi titular em 42 dos 49 jogos que jogou na temporada e agora foi dispensado para abrir lugar para o Bibby, qual será a sensação de um dia ser titular e no outro ser dispensado antes do bacon ambulante do Jamaal Magloire? Vai entender! Mas a gente lembra também de uns momentos nessa temporada, principalmente no começo, quando alguns armadores arrasaram com o Heat. Pois desde então, quando o time enfrenta uns Derons e Pauls da vida, é Wade ou LeBron que os marcam, deixando Arroyo, e agora Bibby, para alguém que ofereça menos riscos no ataque. Em uma eventual série de playoff contra o Bulls, por exemplo, eles podem deixar o Wade marcando o Derrick Rose e o Bibby com o Keith Bogans. Perfeito.

blog sobre o Miami Heat na ESPN vai ainda mais longe e defende a defesa do Mike Bibby. E ele me convenceu; poderia até ser o elo mais fraco da defesa do Hawks, mas não é um cara inútil. Ele cita o fato da defesa do seu antigo time estar listada acima da média (13ª da NBA) nos últimos dois anos e que os números são melhores com ele dentro de quadra do que fora. Claro, o time poderia ser ainda melhor com outro no lugar do Bibby (provavelmente será com Hinrich) e tinha números inferiores sem ele porque seus reservas conseguiam ser piores, mas mostra que ele não é um cara com uma deficiência tão grande assim, dá pra ter uma defesa sólida com ele em quadra. Outra prova está quando se usa de novo o sistema SynergySports. Eles dão uma nota para toda jogada (toda maldita jogada em toda a bendita temporada regular!) onde o jogador está diretamente envolvido na defesa, somando essas análises Bibby é considerado um defensor "na média", longe dos grupos da elite defensiva e dos queijos-suíços da NBA. E ele termina a sua argumentação mostrando que o maior defeito do Bibby na defesa é como ele marca o pick-and-roll, a única categoria onde ele é listado como "abaixo da média", mas é justamente nesse tipo de defesa que o Heat é bom por ter alas bem velozes que sabem ser agressivos e impedir bem essa jogada. É algo que se defende em dupla.

O Mike Bibby não é perfeito, mas o Miami é um time atrás de pequenos detalhes para fechar um elenco que já é bom. Bibby não vai estragar nada e não tenho dúvida alguma que é melhor do que tudo o que eles tinham antes. Ótima contratação.



Troy Murphy (do Golden State Warriors para Boston Celtics)


Troy Murphy foi para a Lua antes de ir para os playoffs

Vocês não sabem como eu estou feliz por ele! O coitado do Troy Murphy faz jus àquela lei que leva o seu sobrenome. Ele chegou na NBA em 2001 e depois de uma década na NBA, mesmo jogando bem e sendo reconhecidamente talentoso, nunca jogou um minuto sequer de Playoff! Ele estava no Warriors em seus piores dias, saiu na troca do Stephen Jackson que foi o que levou o Golden State à pós-temporada. No Pacers, pegou a época pós-Artest, uma fase onde o mais próximo de sucesso que eles chegaram foi não ser o pior time da NBA inteira. Mas foi justamente para o pior que ele foi trocado na última offseason, o Nets, de onde foi trocado bem no dia que eles conseguiram seu melhor jogador desde Jason Kidd, o Deron Williams. 

A troca o levou de novo para o fracassado Warriors. Parecia o destino do Murphy ser o jogador mais azarado da história, mas então uma luz finalmente bateu à sua porta e ele conseguiu negociar um "buyout" e ficou livre, poderia negociar com quem quisesse. Alguma dúvida que ele iria para um time muito bom? Ele disse que ficou entre Heat e Celtics, mas que escolheu o Boston porque "eu acho que me encaixo melhor no sistema deles". Bom, nos dois times ele só teria que ajudar nos rebotes defensivos, coisa que o banco das duas equipes precisam, e abrir espaço com suas bolas de três. Pra mim é a mesma coisa nos dois lugares e com participação parecida, mas dane-se, o que importa é que ele finalmente vai estrear na pós-temporada! (embora não devamos subestimar o poder que o nome Murphy traz a alguém, contusões podem acontecer)

Para o Celtics foi uma boa ou má contratação dependendo do que você pensa que o time deles deveria ser. Tenho meus receios com essa idéia de ter muita gente abrindo espaços com bolas de três e mobilidade e menos jogadores de garrafão, eu prefiro ter mais pivôs fortes e defensivos. Para eles, assinar com Murphy é coerente com o novo plano e deve executar o que esperam do rapaz, mas não resolve o buraco no pivô aberto pela saída de Perkins, Erden e as contusões de Shaq e Jermaine O'Neal. 



Jared Jeffries (do Houston Rockets para o NY Knicks)




Um monte de gente fez piadinha dizendo que o Knicks dispensou o Corey Brewer porque ele tinha o terrível hábito de defender. Do jeito que o D'Antoni é, faz sentido, mas em compensação a primeira contratação da equipe depois disso foi o Jared Jeffries, que estava no Houston Rockets.

Para quem não lembra, o Jeffries era do Knicks antes de ser trocado para o Rockets e naquela época era o maior curinga da NBA. Embora tenha sido trazido (e foi caro, como foi caro...) pelo Isiah Thomas, foi o Mike D'Antoni o seu maior fã. O técnico simplesmente procurava o melhor jogador da outra equipe e mandava o Jeffries marcá-lo, não importa se era o Kobe Bryant, o LeBron James ou o Dwight Howard, era mais ou menos como o Shawn Marion no Suns quando marcava o Tony Parker e o Tim Duncan no mesmo jogo.

Essa versatilidade está de volta e em um time que estava usando o diabo do Shawne Williams como titular e marcando os pivôs adversários, por isso as notícias davam a possibilidade dele ser titular já ontem contra o Hornets. Não foi, mas foi o primeiro a vir do banco e jogou mais minutos que o Ronny Turiaf, que começou o jogo no seu lugar. Eu vejo ele como um eterno improvisado, aquele cara que pode marcar todo mundo mas dificilmente é o ideal para marcar qualquer um deles, um tapa buraco que é símbolo de um time que está mais interessado em marcar pontos do que defender. Como o contrato é só até o fim da temporada, não existem riscos, pode ser uma boa para o time parecer melhor nos últimos meses e compensar um pouco da perda de tanta gente na troca do Carmelo Anthony.

Depois dessa tapada de buraco, no ano que vem eles tem a chance de decidir se investem no jogador para continuar ou se contratam coisa melhor. Para o Knicks é risco zero, para o Jeffries uma nova chance de ser relevante na NBA, de jogar para o técnico que mais gosta dele na liga e tentar garantir emprego para a próxima temporada. Depois da difícil decisão de mandar tanto jogador bom pelo Carmelo, essa foi fácil.



Al Thornton (do Washington Wizards para o Golden State Warriors?)



O Al Thornton tem uma história meio estranha na NBA. Ele entrou na NBA no Draft de 2007 e teve uma temporada de novato muito sólida e regular no Clippers ("sólido" e "regular" em uma frase para definir alguém do Clippers!), mas nunca evoluiu muito depois disso e acabou trocado a preço de banana no ano passado para abrir espaço na folha salarial da equipe de LA. No Wizards até jogou, mas nunca recebeu muita atenção e agora acabou sendo dispensado. Muita gente se revolta dizendo que as duas equipes estão em reconstrução e deveriam dar uma chance ao jovem jogador, mas é aí que está a armadilha que faz a história do Thornton parecer estranha: Ele não é tão jovem como todo mundo acha.


Apesar de ter chegado na NBA em 2007, ele o fez depois de jogar os 4 anos da faculdade, em que demorou para entrar. É nascido em 1983, mesmo ano de Devin Harris, Danny Granger (Draft de 2005), Ben Gordon (2004), TJ Ford (2003) e até o saudoso Dajuan Wagner (2002). Ou seja, apesar do pouco tempo de NBA ele não é jogador com idade que os times que hoje são jovens procuram. O jogador jovem que a gente acha que eles dispensam é, na verdade, um veterano sem experiência que não deve mais evoluir o seu jogo.

Ele, no fim das contas, só teve o azar de estar em times que querem investir apenas em pirralhos. Agora, porém, parece estar a caminho do Golden State Warriors, ainda não assinou, mas todos dão como quase certo. Lá ele deve ser um bom reserva para o Dorrell Wright e está em uma equipe que já fez seu processo de reconstrução com Monta Ellis e Stephen Curry e que agora busca justamente peças um pouco mais experientes (como Wright e David Lee) para tentar voltar aos playoffs. Sem moral por aí, Thronton saiu bem barato, mas seu histórico nos times errados esconde um bom talento. Foi uma boa contratação para o Warriors, que tem um dos bancos de reservas mais fracos da NBA e bom para o Thronton, que pela primeira vez está em uma situação que faz sentido pra ele.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Trocando figurinhas

Darren Collison joga como o Chris Paul, se move como o Chris Paul, 
se veste como o Chris Paul, mas tem a cara do Rajon Rondo

Tudo começou com o Hornets tendo duas figurinhas repetidas. A gente bate nessa tecla faz um tempo por aqui, de que adianta ter seus dois melhores jogadores jogando na mesma posição sendo que eles não podem estar em quadra ao mesmo tempo? Isso é legal se o resto do time chuta traseiros, mas não, o Hornets tem um elenco muitíssimo limitado e não pode se dar ao luxo de ter um jogador tão bom no banco. Um dos dois precisava dar o fora, ser trocado por outros jogadores para serem titulares, e na minha cabeça sempre foi o Chris Paul por ser mais cobiçado e muito, muito mais caro. Quando ele começou a chorar as pitangas querendo ir para o Knicks, achei que era a hora finalmente do Hornets fazer a troca e comecei a pensar na terrível maldição que às vezes parece assolar as camisetas de NBA no Brasil, sempre que lançam uma camiseta aqui o cara é trocado (não faz muito tempo que fiquei babando numa camiseta do Chris Paul numa loja por aí). Mas parece que convenceram o Chris Paul a ficar, então o escolhido foi seu coleguinha pirralho de posição: Darren Collison.

Do Hornets a gente fala melhor amanhã, em outro post. O que importa é que o Collison vai para o Pacers, que fez até sacrifícios de carneiros para conseguir um armador qualquer. Quando escrevemos sobre cada um dos times que não foram para os playoffs, ainda na temporada passada, afirmei que o Pacers com um armador de verdade provavelmente estaria na elite do Leste. A equipe de Indiana é uma daquelas que caiu no famoso "conto do TJ Ford": você olha pra ele e vê um armador veloz, explosivo, com pulmão pra ir ali na Lua e voltar, mas quando coloca ele em quadra descobre que ele não passa a bola, enlouquece o resto da equipe, não toma uma única decisão correta e não tem qualquer coisa que lembre vagamente um arremesso. Muitos times se apaixonaram pelo TJ até descobrirem que ele te ganha um jogo e depois te perde dez, e nem adianta melhorar o elenco ao redor dele porque ninguém vai ver a cor da bola. Fora que ele se contunde o tempo inteiro porque não tem noção do que está fazendo, invade o garrafão como estiver, e o corpo dele não aguenta tanta porrada depois das lesões na coluna vertical que ele sofreu em quadra. A situação do TJ em Indiana ficou tão complicada que resolveram guardar ele no armário e não tirar mais. Não chegou ao absurdo que foi o Jamaal Tinsley, que um dia chegou pra trabalhar no Pacers e não tinha mais o nome dele em nenhum armário do vestiário, mas sempre deixaram claro que o TJ Ford não jogaria mais pela equipe. Acabaram voltando atrás, no desespero ele até entrou em quadra, mas o armador está oficialmente sendo oferecido em trocas desde que o homem inventou a roda. 

Se o TJ Ford fosse um pivô grandão, alguém teria aceitado a troca porque o talento dele é uma tentação mesmo, mas a fama de destruir equipes não pega nada bem justo numa geração que repentinamente ficou com fobia de sujeitos como Marbury e Allen Iverson. Uma década atrás o TJ Ford venderia milhões de camisetas e teria espaço em qualquer equipe da NBA, mas hoje em dia a mentalidade é outra e esses tipos são considerados cânceres a serem exterminados. Então, na falta de uma troca possível e depois de uma proposta pro Bobcats pelo DJ Augustin ter miado, o Pacers foi com tudo atrás do Darren Collison. Só tiveram que envolver outros dois times na parada e aí conseguiram, foi facinho.

O que o Pacers mandou foi o Troy Murphy, ala fodão que não muito tempo atrás teve seu talento roubado pelos Monstars, do "Space Jam". Ele tem um jogo muito refinado, arremessa de qualquer lugar da quadra - inclusive da linha de três pontos - com naturalidade, e é uma máquina de pegar rebotes. Tem dificuldades defensivas e não joga bem de costas para a cesta, mas seria útil em qualquer time. Quando chegou no Pacers, simplesmente desaprendeu a jogar basquete e sumiu da mídia, mas voltou aos poucos e ainda quebra um belo de um galho. O jogador de garrafão será mandado para o Nets, que precisava muito de um jogador da posição. No elenco atual do Nets, o novato Derrick Favors seria titular imediato ao lado de Brook Lopez. Por um lado é bem legal colocar um calouro direto no fogo e mandar um "se vira", dar moral, crédito, e deixar o cara feder bastante até pegar o jeito, como foi o que aconteceu com o Kevin Durant. Mas é que tem gente, como o Kwame Brown, que simplesmente desapareceria da NBA se fizessem algo desse tipo (tá explicado, o Kwame desapareceu mesmo). Não é todo mundo que tem cabeça pra aguentar a pressão de ser titular num time que só perde, como deve ser o Nets na temporada que vem, e ninguém quer queimar o jogador. O Troy Murphy garante que o Favors possa vir do banco ou então ser titular e jogar menos minutos, quando a coisa estiver mais pesada. Ao fim da temporada que vem o contrato do Troy Murphy vira farofa, o Favors já pode ser titular absoluto com uns pelinhos pubianos a mais no corpo, e o Nets ainda fica com espaço salarial para tentar - de novo - uma grande estrela para talvez salvar a franquia. Foi um plano seguro, de quem não tem pressa para ganhar mas que sabe exatamente o que está fazendo (ao contrário do Wolves, mas isso é outra história).

Já o Nets, pra participar dessa suruba, mandou o Courtney Lee para o Houston Rockets, que por sua vez mandou o Trevor Ariza para o Hornets. Como torcedor do Houston que assistiu a praticamente todas as partidas da equipe na temporada passada (e que bizarramente assistiu a uma caralhada de partidas do Nets pra entender o porquê deles federem tanto), posso dizer que estou muito feliz com a troca. Por mais fã que eu seja do Ariza, seu estilo de jogo era completamente descartável no Houston. Ele é um baita defensor, mas para estar em quadra exigia que o Shane Battier (um dos melhores, se não for o melhor, defensor da NBA) estivesse no banco. No setor ofensivo, lhe faltava domínio de bola para criar o próprio arremesso, coisa que o Kevin Martin passou a fazer, e seus arremessos de três são inconsistentes, ao contrário do novato Chase Budinger, que é um monstro no perímetro. As bolas de três são essenciais para o esquema tático do Houston e o Ariza sempre ficou desconfortável em quadra. Brilhava mesmo nos contra-ataques, e nisso deixará saudades, mas não muitas. O Courtney Lee também é espetacular nos contra-ataques, é um excelente defensor, e desde novato já se sentia mais à vontade para criar o próprio arremesso. Nos playoffs com o Magic, era normal ele ser o único jogador da equipe a ter coragem de arremessar nos primeiros minutos, e acabou recebendo o fardo de decidir um punhado de partidas (lembro dele errando um arremesso decisivo no final de uma partida das Finais contra o Lakers). É notório o quanto ele ficou puto de ser trocado para o Nets porque queria vencer, decidir jogos, estar nos playoffs, nunca aceitou estar na equipe de New Jersey e foi um dos que mais criticou o começo historicamente ruim de temporada do time, exigindo explicações do elenco e da comissão técnica. Ou seja, o Nets claramente se livrou dele porque ele é chato demais para ficar numa equipe que ainda pretende feder por mais uns anos. No Houston, vai criar o próprio arremesso, arremessar de três, jogar no contra-ataque e defender - e o melhor, nada disso é na mesma posição que o Shane Battier! Vai ser reserva do Kevin Martin e talvez até do Battier, em escalações mais baixas, e ainda terá minutos e oportunidade de ir para os playoffs. A troca é melhor do que parece para o Houston primeiro porque o Courtney Lee é melhor do que se imagina, é excelente ladrão de bolas e arremessador de três pontos, e segundo porque ele é mais barato do que o Ariza e o Houston já está acima do teto salarial. O Ariza não saiu caro, mas reassinar Luis Scola e Kyle Lowry era mais essencial e saiu uma pequena fortuna, foi preciso dar um jeito nas finanças.

O Ariza deve se sentir muito mais à vontade no Hornets com os contra-ataques puxados pelo Chris Paul e sendo o principal defensor da equipe. Não é nenhuma estrela para que o Chris Paul queira jogar em New Orleans até o fim da vida, mas é melhor do que o resto do elenco e o Hornets ainda conseguiu mandar para o Pacers, além do Darren Collison, o James Posey. O Posey fez fama no Celtics campeão uns anos atrás, porque ele é realmente um jogador sólido pra burro que ajuda qualquer equipe que queira ganhar um título - coisa que o Hornets não é nem nunca foi. Seu salário é grande demais para um simples carregador-de-pianos, mas será útil no Pacers se eles conseguirem ir para os playoffs. A equipe de Indiana sempre jogou numa correria excessiva (talvez fosse o simples fato de estar dentro do raio de 2 quilômetros da presença do TJ Ford) e não conseguia acionar as armas ofensivas que tem, nem o espetacular jogo de costas para cesta do Roy Hibbert. Eu sou todo apaixonadinho por essa nova safra de pivôs da NBA, porque além dos jogadores que estão mais na midia, como Dwight, Kaman, Bogut e Brook Lopez, ainda tem sujeitos como o Marc Gasol e o Roy Hibbert que podem ser os melhores da NBA na posição e a gente nem percebe direito. São todos muito técnicos, com pés rápidos e muita habilidade perto da cesta, e o Roy Hibbert (que já teve umas atuações monstruosas na temporada passada, tipo quando ele humilhou o Dwight Howard) é um dos melhores dessa safra. Com um armador de verdade, deve mostrar mais serviço e o Pacers passa a ser um time a ser levado a sério.

Meu único medo, no entanto, é com a qualidade do Darren Collison. Quando ele virou modinha na temporada passada todo mundo cravou ele como um dos melhores armadores dessa geração, e ele realmente chuta uns traseiros, mas grande parte da responsabilidade por isso era o esquema tático do Hornets. Analisei um pouco isso ainda na temporada passada, quando o garoto começou a explodir. Não é que o esquema do Hornets tenha feito o Collison bom, mas é que o Collison é bom para o esquema do Hornets. Por ser excelente ladrão de bolas, ter muita calma na hora de armar, cuidar bem da bola, ser um dos armadores mais rápidos da NBA e arremessar todo torto, se encaixava bem no papel do Chris Paul, em que ele passava o tempo inteiro com a bola nas mãos e só puxava contra-ataques depois dos roubos de bola. Se no Pacers a bola passar tempo demais nas mãos de Danny Granger e o time só jogar no contra-ataque, veremos algumas fraquezas do Collison expostas (como seu arremesso simplesmente quebrado), e algumas de suas melhores qualidades (como acalmar o jogo e tomar as decisões mais simples na hora de passar a bola) serão ignoradas. Se o Pacers não mudar o modo de jogar e simplesmente colocar o Darren Collison no meio daquela bagunça, ele será apenas um jogador normal. O truque é lhe dar a bola e não exigir que ele seja acionado para arremessar, mas será que o Granny Danger topa a brincadeira?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Temporada de caça

Alguém lá em cima não gosta do Redd;
alguém lá embaixo vai para os playoffs



Quando Ron Artest e Tracy McGrady entraram em quadra juntos contra o Pistons, levando meu Houston à vitória, já imaginei que alguém iria se machucar feio. Trata-se do princípio de equilíbrio que demonstrei recentemente, depois da volta do armador Monta Ellis às quadras. Pois bem, dito e feito: alguém em algum lugar teria que se contundir e, para meu alívio, não foi Yao Ming, que deve voltar a jogar já na próxima partida. O azarado foi Michael Redd, a estrela do Bucks, que está fora da temporada com uma lesão grave no joelho justamente quando estava esquentando. Em janeiro, ou seja, nas últimas 14 partidas, as médias eram de 24 pontos e mais da metade dos arremessos convertidos. Para um arremessador, os números eram incríveis, mas também não fazia muita diferença porque, oras, o Bucks fede. Com o Andrew Bogut sofrendo a temporada inteira com dores nas costas e praticamente não jogando, e o Richard Jefferson mostrando que é mais uma viúva do Kidd (ou seja, um daqueles jogadores que ganham contratos bilionários porque parecem bons pra burro apenas por jogar com o Kidd - Mikki Moore, estou olhando pra você!), não havia nada que o Redd pudesse fazer sozinho. Verdade seja dita, com Bogut saudável, Jefferson bem e o Redd acertando qualquer coisa que tacasse pra cima, também não daria pra concretizar muita coisa, o time fede em essência - é tipo a Roberta Close, pode parecer linda, mas você sabe que tem alguma coisa muito, muito errada.

Ainda assim, a contusão é uma pena. Não apenas pela fase do Redd, que estava chutando traseiros como na sua passagem pela seleção americana e era a única diversão nos jogos do Bucks que eu acabava assistindo (porque os jogos do Leste começam antes e eu assisto a qualquer coisa pra não morrer de tédio), mas também porque, de um modo ou de outro, os veados roxos estavam indo para os playoffs. Agora que três dos quatro melhores times da NBA estão no Leste, muita gente deixa escapulir que é a Conferência mais forte, mas isso só vale para quem não tem paciência de olhar a tabela de classificação até o final. O Heat mequetrefe bem posicionado? Bucks arrumando uma oitava vaga? Pois é, tão forte quanto novela da Bandeirantes, não é porque tem a delícia da Juliana Silveira que dá pra levar a sério.

Enquanto no Oeste algum time considerável deve ficar de fora (Suns, alguém?), no Leste alguma equipe mequetrefe vai ter a honra de ser o capacho em que LeBron James vai limpar os pés na primeira rodada dos playoffs. O Bucks ia capengando mas ia, só que sem o Redd podemos descartar a possibilidade. Ontem, contra o Wolves, a estrela foi Richard Jefferson e seus 3 arremessos certos em 15 tentados. Ele já pode dar as mãos para o Kenyon Martin e pular num abismo, gritando o nome do Kidd, e dar adeus às chances de voltar aos playoffs tão cedo. O engraçado é que, se o Bucks despencar, uma série enorme de times horríveis podem conseguir agarrar essa oitava vaga. Ou seja, no fundo a briga no Leste vai ser muito boa, embora de qualidade questionável. Tipo uma maravilhosa luta no gel entre várias mulheres, mas todas pertencentes à banda Fat Family.

Na prática, todas as equipes (tirando o Wizards, que já desistiu da brincadeira faz tempo e já está muito interessado - talvez até demais - na primeira escolha do próximo draft) têm chances concretas de chegar à pós-temporada. Mas algumas são claras favoritas: o Nets, embora um leitor nosso ache fogo de palha; o Knicks, que ontem venceu o Houston, com o banco marcando mais de 50 pontos pela terceira vez consecutiva; e o Bobcats, que é o favorito do Denis pra conseguir a vaga. Vai ter gente dizendo que o Bulls e o Pacers têm chances reais, e até é verdade, mas fica difícil ver os dois times aguentarem o ritmo dos outros três acima. É uma corrida de cegos ajeijados, mas alguns pelo menos sabem pra que lado estão correndo.

No nosso preview de temporada da Divisão Central, rolou chororô porque colocamos o Bucks na frente do Pacers, lembram? No fundo acertamos em termos, o Bucks tinha mais time até o Redd virar farofa, mas agora é o momento do Pacers escalar a tabela e deixar os viadinhos roxos para trás. O Troy Murphy teve uma conversinha com os Monstars, do Space Jam, e pelo jeito conseguiu recuperar seu talento de jogar basquete, o TJ Ford está saudável de novo e o Mike Dunleavy finalmente retornou ao elenco depois de passar quase toda a primeira metade da temporada de fora. Ou seja, as peças estão aí para uma arrancada rumo aos playoffs, graças principalmente ao nível em que Danny Granger está jogando. Tenho algumas ressalvas aos seus números, porque ele sofre da "Síndrome de Kevin Durant novato", que é poder atacar quando e como quiser porque todo mundo vai passar a mão na cabeça e agradecer. "Senhor Granger, você arremessou do meio da quadra? Muito bem, senhor, faça de novo! Você assaltou três bancos, matou duas mulheres, vestiu sua cueca na cabeça e enfiou moedas nas orelhas? Muito bem, senhor, continue o bom trabalho!" Ainda assim, não dá pra negar que o Granger é agressivo, atlético, inteligente e tem uma mira privilegiada da linha de três pontos. Havia uma dúvida muito grande sobre se Granger seria uma estrela capaz de ter um time construído à sua volta, mas agora creio que nenhum fã razoável se pergunte isso de noite, antes de dormir. O Granger não é mais a estrela do futuro, ele é real e vai carregar esse time porcaria por muitos, muitos anos. Se isso é bom ou ruim, deixo para os torcedores do Pacers decidirem.

Mas como o Sindicato dos Blogueiros de Basquete que Não Ganham um Centavo exige que façamos palpites (e sequer nos dão um plano dentário ou cesta básica!), eu fico com o Knicks e, apoiando a aposta do Denis, tenho uma fé no Bobcats. Simplesmente porque são os dois times com mais identidade, mais conscientes do que estão fazendo, mesmo quando as coisas não dão nem um pouco certo. O Knicks tem a cara do D'Antoni, ataca sempre do mesmo jeito e no mesmo ritmo e, como o antigo Suns, vence os times medianos mesmo que não tenha muita chance contra os times de verdade. O Bobcats tem a cara do Larry Brown, defende cada vez melhor, e embora não tenha o talento ofensivo para derrotar os grandes times, consegue anular alguns ataques e sair vitorioso. Com Nets e Pacers tão inconstantes (eles não tem cara de nada, é tipo a Sandy!), com o Bulls jamais escapando da mesma deficiência (pare uma pessoa alatória na rua, pergunte a ela qual é o problema do Bulls, e se ela não perguntar se o Jordan ainda está jogando, a resposta será "pontos no garrafão") e com o Raptors sequer estando nessa conversa (o que diabos aconteceu com eles?), acho que a luta pela oitava vaga estará nas mãos dos elencos mequetrefes com técnicos experientes.

Os veados roxos estão com uma mira nas costas, e é temporada de caça a esses animais bizarros. Quem passar o Bucks primeiro estará com um pé nos playoffs, e a disputa será muito aberta. O Leste finalmente merece respeito: as equipes boas são boas de verdade, e as equipes ruins vão todas caçar a oitava vaga. No mínimo será divertido - menos pro Michael Redd, claro.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Lei de Murphy

O peixe que o Nesterovic pegou era desse tamanho


Sabe qual o único time a vencer tanto Lakers quanto Celtics nessa temporada? O Indiana Pacers.

Ontem fui todo empolgado ver mais um show do meu Lakers contra o Pacers. Podem até dizer que o LA não é um time melhor que o Boston, mas definitivamente é muito mais interessante ver o Lakers jogar, não tem um jogo em que não saiam trocas de bolas espetaculares e jogadas lindas do Kobe. Ontem teve o Kobe usando e abusando do Brandon Rush com direito a ponte aérea pra ele mesmo na tabela, teve o Odom dando passe de costas pro Ariza e ponte-aérea para o Bynum enterrar de costas. "Jogada-Show", já diria a RedeTV.

O show veio mesmo, só não veio a vitória, coisa que eu também esperava! O Lakers tem destruído seus adversários porque ao mesmo tempo em que tem o melhor ataque de todos, conseguiu melhorar muito a sua defesa. Seguindo a lógica do número de pontos feitos e sofridos a cada 100 posses de bola, o Lakers está entre os 3 melhores times em defesa e ataque.

Isso quer dizer que o time é perfeito? Não. O Sasha Vujacic ainda não sabe marcar, o Jordan Farmar não joga bem fora de casa, o Odom sempre foi e sempre será inconsistente dentro do mesmo jogo e a defesa consegue ir do céu ao inferno em questão de minutos. Além disso, o Lakers fez quase todos os seus jogos em casa na temporada, em que o banco decidiu muitos jogos, o que fazer fora de casa onde o banco de reservas não funcionou na temporada passada? Então muita calma ao analisar o Lakers.

Em vários jogos já deu pra ver isso, mas as vitórias enganavam. Contra o Dallas, por exemplo, o Lakers estava tendo muitos problemas em segurar o ataque do Mavs, e era um ataque com o Antoine Wright, não o Josh Howard! Aí, de repente, no terceiro período os reservas começaram uma sequência de 17 pontos seguidos sem sofrer nenhum e colocaram um jogo que estava disputado no bolso.

Ontem parecia reprise. No primeiro tempo o Pacers, mesmo sem o Jeff Foster, estava dominando os rebotes ofensivos, e que eu saiba só o Jeff Foster sabe fazer isso por lá. E com o Nesterovic acertando 6 dos 6 arremessos que tentou, estava compensado o fraco primeiro tempo do Danny Granger. Mesmo sem o seu cestinha jogando bem, marcaram 61 pontos na primeira metade do jogo. Defesa horrível do Lakers. Aliás, defesa horrível dos dois times. Não havia nada que Troy Murphy e Nesterovic pudessem fazer para parar Gasol e Bynum.

No segundo tempo o jogo ficou na mesma até os dois minutos finais do quarto. Em dois minutos e vinte o time reserva do Lakers, com Farmar, Vujacic, Ariza, Odom e Bynum destruiu, humilhou e trucidou o Pacers. Fazer 17 pontos em 2 minutos não é coisa que se vê todo dia, ainda mais vindo de um banco de reservas. E digo mais uma vez que quem começou essa sequência e quem liderou o Lakers nesse melhor momento do jogo foi o Ariza, que tem sido o diferencial do time em muitos jogos na temporada. Se no começo do ano davam o Odom como candidato mais forte a sexto homem da temporada, podem repensar isso, porque ele não é nem o melhor reserva do Lakers.

Com 14 pontos na frente, o Kobe achou que poderia descansar pelo milésimo quarto período seguido e que poderia ficar vendo o Sasha "The Machine" em quadra com o seu cabelo pulando todo gracioso. Mas em poucos minutos o TJ Ford colocou seus patins e liderou uma virada do Pacers. O TJ pegou o Lakers onde ele mais precisa melhorar, na defesa da infiltração e na transição defensiva. Cada erro do Lakers virava um contra-ataque com o TJ Ford infiltrando e aí, quando a defesa voltava desesperada para parar o cara, ele tocava para trás, onde todo o resto do time estava lá para arremessar. O Nesterovic acertou arremessos no primeiro tempo, o Troy Murphy acertou bolas importantes de longa distância e no segundo tempo o Danny Granger acordou, mostrou porque é um dos principais cestinhas da NBA e arrebentou com o jogo.

Eu deveria saber o que me esperava. Além da vitória sobre o Celtics, o Pacers já tinha também ganhado do Houston Rockets do Danilo, também virando o jogo no quarto período. O Pacers é um time de quartos períodos. O jogo chega pau a pau lá e no quarto decisivo eles jogam seu melhor basquete ou parecem um time infantil e entregam de bandeja, mais ou menos como o Blazers, que volta e meia estão em jogos de final emocionante, seja contra o Kings, Rockets, Knicks ou Ipatinga.

Dessa vez eles quase entregaram de bandeja. Com um ponto de desvantagem eles não conseguiram colocar a bola na mão do Granger por causa de uma boa marcação do Ariza, apelaram então para o lixo do Marquis Daniels, que arriscou uma bandeja completamente torta. Tão torta que ficou longe do aro e na mão do Troy Murphy, que deu um tapinha na bola e ela ficou rodando no aro até acabarem os segundos de jogo e então, cair para dar a vitória para o Pacers. Ironia do destino esse arremesso ser bem de um cara chamado Murphy, né?

Poderia dizer que essa derrota foi boa para o Lakers perceber que não é só com ataque que vão ganhar alguma coisa, ontem fizeram 117 pontos e ainda perderam. Mas sério que precisam tomar 118 pontos para perceber que precisam defender? Não acredito nisso. Não defenderam bem ontem porque estavam acomodados, sabiam que em algum momento iriam conseguir abrir no placar, como conseguiram mesmo, mas aí relaxaram de novo e deixaram o Pacers encostar.

E mais do que condenar o Lakers, méritos para o Pacers que pegou bem na ferida do adversário. Ter o Nesterovic e o Murphy arremessando de longe e obrigando Gasol e Bynum a sair do garrafão incomodou muito o LA na defesa. Também achei bem corajoso da parte deles a agressividade nos rebotes ofensivos. Quando você pula para tentar um rebote ofensivo, você está perdendo segundos importantes na transição defensiva, o que pode ser mortal contra um ataque poderoso como o do Lakers, mas mesmo assim eles correram o risco, foram agressivos e deu certo. Conseguiram 19 rebotes ofensivos contra 8 do Lakers.

Como é de praxe, o Bola Presa erra todas as previsões que faz. Preferíamos o Beasley ao Rose e durante nosso preview da Divisão Central preferimos o Bucks ao Pacers. Claro que o Bucks está de técnico novo e passou quase o mês inteiro sem o Michael Redd, mas a verdade é que parece que o Pacers é mais time mesmo. No preview comentamos que eles precisariam alcançar o sétimo sentido e ter uma evolução absurda. TJ Ford, Troy Murphy, Nesterovic e Granger estão fazendo a melhor temporada de suas carreiras, então armadura de ouro pra eles.


Se você quer ver a jogada "lei de Murphy", está aqui:



Para os melhores momentos apenas do Lakers no jogo, com todas as jogadas bonitas que eu disse, assista esse:




Notas:

- Fazia tempo que eu não fazia essa seção "notas", né? Bola Presa Old School.

- Lembra do meu post sobre Contusões Bizarras na NBA? Eu não sabia, mas 11 dias depois daquele post o Jason Collins, o pior pivô titular da história da NBA, se machucou feio ao capotar com seu carrinho de golfe! Será que não tem uma alma com celular pra filmar essas coisas?

- Sabe aquela estatística de +/-, que calcula quanto o time ficou na frente enquanto cada jogador ficou em quadra? Pois então, ontem o Denver fez +48 pontos com o Billups em quadra. Será que alguém tem algum pingo de saudade do Iverson?

- Sabia que metade dos times da NBA usam video game para avaliar jogadores? Dá uma olhada nessa notícia. Eles usam os poderosos bancos de dados do NBA Live e analisam possíveis trocas, como um jogador jogaria em um time ou quais são suas principais tendências ofensivas e defensivas.

- Um olheiro do Houston disse que usou o video game para ver como o Artest jogaria no Rockets antes da troca. "Eu uso o game não como um jogo, mas como uma ferramenta", disse o olheiro. O NBA Live tinha que servir pra alguma coisa, porque pra jogar não serve.

- Outro dia tirei sarro dizendo que o JJ Barea seria o próximo a dar 20 assistências num jogo. Ele leu, ficou revoltado, não conseguiu as 20 assistências mas respondeu com a cesta da vitória sobre o Clippers. Assista aqui.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Grana, bufunfa, dindim, money, verdinhas...

Com o salário de jogador da NBA dá pra pegar mulher mesmo não tendo sobrancelhas, certo, Villanueva?



Alguém (edit: alguém = lps, leitor fiel! ), algum tempo atrás, nos comentários aqui do blog, sugeriu um texto sobre jogadores "overpaid", ou seja, jogadores que recebem mais do que deveriam, aqueles manés que ganham uma nota preta mesmo sendo ruins pra diabo. Procurando os salários de todo mundo percebi que não dá pra ter um grupo só de jogadores que ganham demais, são muitos casos diferentes. Então dividi eles em alguns grupos:


Grupo 1: Alexandre Pato

O grupo Alexandre Pato é aquele com os jogadores que a gente sabe que são bons, o que a gente não sabe é se eles realmente valem tudo isso. O Pato jogou uns bons jogos pelo Internacional de Porto Alegre mas não dá pra saber ainda o que ele vai ser no futuro, ele pode ser o melhor do mundo ou só um bom jogador. De qualquer forma, o Milan aceitou o risco e pagou uma nota preta por ele. Nesse grupo podemos colocar o Joe Johnson do Hawks, por exemplo. Ele é muito bom, não há dúvida sobre isso, mas ele ganha 13 milhões de dólares nessa temporada, salário de quem vai carregar um time nas costas. Será realmente que ele é aquele tipo "franchise player" que lidera um time como Kobe, Wade, T-Mac e outros, ou ele está num grupo secundário dos que só ajudam um time que já tem uma grande estrela, como Josh Howard e Tony Parker? O Hawks apostou nele há duas temporadas e os resultados do time estão saindo agora, só vamos ver se eles se arrependem ou não quando eles precisarem de espaço no limite salarial para assinar as extensões de Al Horford, Josh Smith e Josh Childress.

Mais jogadores nesse grupo: Kevin Martin, que assinou com o Kings por 50 milhões, divididos pelas próximas 5 temporadas.


Grupo 2: Denílson

Lembram quando muitos anos atrás o São Paulo vendeu o Denílson por 32 milhões de dólares para o Bétis da Espanha? Barcelona e Real Madrid estavam na disputa também, já que todo mundo achava que o Denílson seria um novo fenômeno do futebol.
Na NBA o que não faltam são Denílsons, em ano de contrato aparece muita gente jogando como nunca na vida e que depois de conseguir a grana desaparece e mostra que não merecia tudo aquilo.
Acho que um belo exemplo são dois dos últimos vencedores do prêmio de Most Improved Player (o jogador que mais melhorou de uma temporada para outra), Bobby Simmons e Boris Diaw. Ambos ganham 9 milhões de dólares por temporada para serem reservas que até contribuem, mas estão longe de merecer esse salário de estrelas.

Outros desse grupo são: Samuel Dalembert (9 milhões), Zach Randolph (13 milhões), Darius Miles (8 milhões), Jason Williams (8 milhões), Nenê (8 milhões)


Grupo 3: Rio Ferdinand

Alguém lembra do Rio Ferdinand? Ele é um bom zagueiro, mas já foi bem melhor. Na minha humilde opinião ele era um ótimo zagueiro. Mas calma lá, não se paga 41 milhões de euros nem pelo melhor zagueiro da história do futebol!!! O Manchester pagou isso pelo Ferdinand e posso dizer que foi um dos negócios mais desastrosos da história do futebol, e não é nem pela qualidade do jogador. Nesse grupo estão os jogadores que são bons mas que simplesmente ganham demais.

Acho que o melhor exemplo foi a polêmica desse offseason, o contrato máximo que o Rashard Lewis assinou. Ele está ganhando 13 milhões por temporada e no seu último ano, em 2012, ele estará ganhando 23 milhões por temporada! É coisa demais! Quem vê ele jogando no Orlando vê que ele é um dos melhores arremessadores da liga, que ele é um puta jogador que já foi all-star e tudo, mas também vê que o Turkuglu está jogando melhor e que o Rashard nunca merecerá tamanho dinheiro.
Outro exemplo é o Shawn Marion. Um jogador espetacular mas que ganha 16 milhões por ano, é mais que o Nash e mais que o Amaré. Exagero.

Outros do grupo: Antawn Jamison (16 milhões), Zydrunas Ilgauskas (10 milhões), TJ Ford (8 milhões),


Grupo 4: Gaizka Mendieta

O Mendieta era um meia loirinho e feio do Valencia da Espanha. Ele liderou um grande time do Valencia que venceu a Copa do Rei sobre o Real no Santiago Bernabeu e chegou até em final da Champions League. Aí ele foi vendido para a Lazio por 42 milhões de dólares. De repente ele parou de jogar o que sabia e nunca fez absolutamente nada no futebol até acabar no futebol inglês. Aqui estão os jogadores de talento que ganharam seu salário quando mereciam e, de repente, os Monstars roubaram seu talento. Mas não confundam com o grupo do Denílson, lá eram promessas que nunca sequer renderam o que prometiam.

Dois desse grupo estão no mesmo time: Kirk Hinrich e Ben Wallace. O primeiro ganha 11 milhões e o segundo 15 milhões, mas nessa temporada, de repente, eles simplesmente esqueceram como jogar basquete e colocar Chris Duhon e Joakim Noah no lugar deles no time do Bulls não faz a menor diferença.

Outros desse grupo:
Andrei Kirilenko (13 milhões), Brad Miller (10 milhões), Larry Hughes (12 milhões), Antoine Walker (8 milhões), Kenyon Martin (13 milhões), Troy Murphy (9 milhões), Jermaine O'Neal (19 milhões)


Grupo 5: Carlos Alberto

Quem torce pro Corinthians e pro Fluminense sabe mais do que todo mundo como o Carlos Alberto é ruim! MUITO ruim! Péssimo! Então expliquem o motivo que levou o Werder Bremen a pagar 8 milhões de euros pra levar ele pra lá? Por que fazer a contratação mais cara da história do clube? Essas não dá pra engolir, não tem desculpa. São as contratações burras mesmo.

Exemplos não faltam. Eric Snow ganha 6 milhões por temporada para "passar conhecimento para o resto do time", Adonal Foyle ainda recebe do Warriors parte do seu contrato de 8 milhões por temporada (até 2010!), o LaFrentz recebe 11 milhões para ser reserva do Pryzbilla, o Dampier ganha 8 pra ser reserva do Diop, e por aí vai.

Poderiam até ser colocadas aqui algumas contratações de jogadores que, apesar de serem bons na época, todo mundo sabia que não ia dar certo no time novo. Todo mundo sabia que o Kenyon Martin não ia dar certo no Nuggets sem o Kidd do lado dele, assim como o Hughes não daria certo no Cavs, já que eles queriam um arremessador (Hughes está acertando 30% de seus arremessos nessa temporada).

Outros do grupo: Rasho Nesterovic (7 milhões), Stephon Marbury (20 milhões), Kwame Brown (9 milhões), Kenny Thomas (7 milhões), Quentin Richardon (8 milhões), Jerome James (5 milhões).


Os grupos são esses, mas pra falar a verdade de verdade, todos os jogadores da NBA são overpaids. Pensa bem, por melhor que um jogador seja, receber mais de 10 milhões para jogar 82 jogos de basquete é muita coisa. A indústria do esporte move muito dinheiro hoje em dia e o resultado são esses salários monstruosos. Pense em quanto você ou outros de sua família ganham por ano e saiba que por uma temporada, que tem uns 7 ou 8 meses, o Ryan Hollins, menor salário do Bobcats, ganha quase 800 mil dólares.

E não pára por aí, tem ainda mais dinheiro no jogo. Uma vez o Shaq disse que ao invés do salário milionário dele de uns 20 milhões por temporada, ele preferia ganhar o que os donos de times da NBA ganham. E se vc pensar em direitos de TV pro mundo todo, ingressos caros (lembram da fileira do Staples Center que paga o salário do Vujacic?) e todos os produtos relacionados, tem muita gente que nem pisa em quadra para nos divertir que acaba ganhando muito mais que os jogadores.


Nota:

- Alguém aí conhece o Angry Video Game Nerd? Ele era conhecido antes como Angry Nintendo Nerd e ficou famoso por fazer vídeos engraçados no YouTube aloprando uns jogos de video game velhos e ruins. Na última edição ele dedica uns minutos a falar mal do jogo Shaq Fu, que estava na foto de um post passado. Assistam aqui.