Lembra do último título do Spurs em 2007? Não faz tanto tempo, mas tanta coisa mudou na NBA que até parece que faz. Lembram que naquele saudoso playoff o último time do Oeste a ser batido por Duncan e sua gangue foi o Utah Jazz? Se eu me lembro bem aquele time do Jazz tinha Deron Williams, Carlos Boozer, Andrei Kirilenko, Mehmet Okur, CJ Miles, Ronnie Brewer. Todos esses, eu disse TODOS, ainda estão no time.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O fim do Jazz
Lembra do último título do Spurs em 2007? Não faz tanto tempo, mas tanta coisa mudou na NBA que até parece que faz. Lembram que naquele saudoso playoff o último time do Oeste a ser batido por Duncan e sua gangue foi o Utah Jazz? Se eu me lembro bem aquele time do Jazz tinha Deron Williams, Carlos Boozer, Andrei Kirilenko, Mehmet Okur, CJ Miles, Ronnie Brewer. Todos esses, eu disse TODOS, ainda estão no time.
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terça-feira, 11 de novembro de 2008
Vida de reserva
Há exatamente um ano atrás, escrevi um post sobre o Kirilenko. Na época, ele tinha reclamado maior envolvimento no ataque da equipe, alegou estar entediado e, com muito cuidado do técnico Jerry Sloan, voltava a ter uma boa produção. Na verdade, não durou muito. Não que ele tenha tido uma temporada horrível, veja bem, mas é que para o padrão do Kirilenko foi uma porcaria. O russo tem capacidade pra desequilibrar os jogos tanto no ataque quanto na defesa e ganha um salário grande o bastante para que ele leve o time nas costas sozinho, sirva café para os torcedores e ainda fique olhando os carros de todas as ruas de Utah pra ninguém roubar. Se bem que lá eles só devem andar a cavalo.
Mas, mantendo uma tradição anual, é hora de dizer que o Kirilenko parece estar de volta aos seus melhores momentos, pontuando como não fazia há anos, pegando rebotes agressivamente e dando tocos como se finalmente não estivesse entediado. O que será que aconteceu, tomou a "água do Jordan" do Space Jam e deu um golinho pro Shaq? Bem, o russo disse que é apenas uma questão de atitude. Que, agora, ele está mais maduro e mais tranquilo, que antes ficava preocupado com seu próprio desempenho, com o desempenho da equipe, tinha interesse em ajudar o time e desanimava sem a oportunidade de ajudar. Agora ele é um novo homem, mais zen, mais tranquilo, mais "vibe sussa", já diria a Coca-Cola.
Eu até acredito no discurso, mas até aí eu acredito também em alienígenas, o que não vem ao caso. Compreendo o papel do psicológico na produção em quadra, mas suspeito que a mudança de atitude do Kirilenko seja apenas de aceitar seu novo papel: reserva. O aumento de produção, desconfio, tem mais a ver com sua vinda do banco do que qualquer outra coisa.
O Kirilenko é um dos poucos jogadores capazes de jogar em qualquer posição, ele arma o jogo, arremessa de fora e joga dentro do garrafão. Só como pivô é que o negócio fica um pouco mais feio, mas ainda assim ele improvisa melhor como pivô do que muito pivô de verdade (Eddy Curry, estou olhando pra você - ou para a Lua, sempre me confundo). Mesmo com minutos de titular, ter um cara no banco de reservas capaz de jogar em qualquer posição e focar seja no ataque, seja na defesa, é um privilégio inacreditável. Não importa o andamento do jogo, Kirilenko pode entrar em quadra, se encaixar perfeitamente no que for estipulado e mudar completamente a partida, se necessário. Ele se torna uma peça importante de mudança, de ajuste, e enfrenta os primeiros reservas do time adversário. Ou seja, dá pra se sentir útil, receber mais a bola nas mãos e ainda enfrentar jogadores de banco ao invés de todos os titulares. Depois, ele não precisa nem sentar mais, descansar é para os fracos. Mas aqueles primeiros minutos de partida em que Kirilenko não está em quadra acabam sendo cruciais para seu desempenho e até mesmo para seu psicológico. Se ele se sente entediado ao lado de Deron Williams, Okur e Boozer, então que alguém dê uma sentadinha quando ele entrar. Depois, volta para a partida e o russo já está na empolgação. Todo mundo sai ganhando.
As últimas temporadas em que o Ginóbili vinha do banco de reservas apesar dos minutos de titular não foram apenas uma jogada de marketing para ele ganhar o prêmio de Melhor Sexto Homem da NBA. Até eu, que curto uma teoria da conspiração, tenho meus limites. O técnico do Spurs, Gregg Popovich, deve trocar o nome da esposa durante o sexo e chamá-la de "Vitória", tamanha a bitolação por vencer. Ele jamais deixaria o argentino no banco se não houvesse um motivo para isso. Versátil, Ginóbili se encaixa no que o jogo necessita, encendeia a partida, é agressivo e chuta o traseiro de adversários reservas. Depois, continua em quadra e joga os minutos decisivos como se fosse titular.
Outro jogador parecido com o Kirilenko é o Lamar Odom. Que ele tem talento, não se discute, mas suas atuações asquerosas nos playoffs deixaram marcas profundas em quem assistiu - diz a lenda que o Denis, em sua primeira visita a um psicólogo, gritou irracionalmente: "Odom!". Acontece que ele é um jogador que pode jogar em várias posições, que arma bem o jogo, mas que rende muito melhor quando tem a bola nas mãos e pode atacar jogadores mais baixos ou arremessar contra jogadores mais altos. Só que o arremesso dele é tão confiável quanto as pilhas "Durabell", o que é um perigo. O Denis já defendeu, na sua análise dos quintetos ideais para o Lakers, que o Odom venha do banco para ser um líder em quadra quando as outras estrelas sentam. O resultado até agora parece ser positivo, mesmo com os minutos do Odom sendo muito reduzidos e seus números caindo mais do que audiência de novela do SBT. Ter um jogador como ele no banco é o bastante para transformar um jogo, não importa o quanto você ache que o Odom feda. Nos playoffs, essa profundidade fará ainda mais diferença, e apenas o Lakers e o Jazz poderão levantar a mão e dizer que possuem uma arma dessas na reserva. O Spurs não vai poder porque, nesse ritmo, não vão nem para os playoffs. (Aliás, diz a lenda que a cirurgia do Ginóbili atrasou bastante porque, toda vez que tentavam encostar o bisturi nele, se jogava no chão desesperado, alegava esfaqueamento e cobrava dois lances livres. Às vezes, três.)
Num nível menor, outros jogadores também estão tendo bons momentos no banco de reservas até agora. Lembram-se do Ramon Sessions, o armador que surgiu do nada no final da temporada passada e deu 4 bilhões de assistências? Depois de arremessar pior do que o Odom na pré-temporada, virou reserva do Luke Ridnour. Com 17 pontos e 6 assistências de média, Sessions está jogando muito mais do que o titular, que aliás tem só uns 12 anos e dia desses devem descobrir a tramóia que ele aprontou para ser draftado mesmo assim. Isso significa que o Sessions deve virar titular em breve? Creio que não. Com muito mais recursos ofensivos, não faz muito sentido colocá-lo ao lado de Michael Redd e Richard Jefferson logo de cara, que devem ser os responsáveis pela pontuação. Que ele venha do banco, então, mesmo jogando mais minutos.
Tem um caso parecido no meu querido Houston Rockets. Quem lê o Bola Presa há mais de 10 minutos sabe que eu odeio o armador Rafer Alston. Ele não tem critério para quando arremessar ou não, é completamente inconstante e amalucado e exige tanto a bola nas mãos que acaba sendo importante demais para o time: quando ele acerta as bolas, o Houston ganha fácil, quando ele está num dia ruim, o Houston sofre. Diabos, num time com várias estrelas, ninguém quer o Rafer Alston agindo como se a budega fosse dele.
Com o tempo, ele até foi ficando mais calminho e atualmente é um dos poucos jogadores do elenco que coloca a bola nas mãos do Yao Ming constantemente. Mas seus arremessos ainda são forçados e ele mantém uma mentalidade de quem quer salvar o mundo e provar seu valor, o que em geral compromete. Eu sempre torci para que ele perdesse a vaga para o novato Aaron Brooks, muito melhor. Mas agora, mudei de idéia.
O Aaron Brooks é um dos jogadores mais rápidos da NBA (foi comparado com o Leandrinho numa transmissão um dia desses), bate para dentro d0 garrafão com muita habilidade e tem muito mais talento do que o Rafer Alston. Mas enquanto o Alston é maluco pelos arremessos de 3 pontos, o Brooks é maluco pelas infiltrações. Ele não é versado na arte de passar a bola. Só que com 19 minutos de jogo apenas, está humilhando o Alston em todos os sentidos. Ele faz mais pontos (10 de média) e arremessa melhor de 3 pontos e dentro do garrafão. Ótimo, um dia ele vai ser uma potência na NBA. Mas suas atuações têm tudo a ver com o fato de que ele está vindo do banco, enfrentando reservas e entrando para botar velocidade no jogo. Será que eu quero o Aaron Brooks batendo para dentro quando T-Mac, Yao e Artest estiverem em quadra? Não, eu quero ele pontuando quando alguém tiver que sentar, para manter o equilíbrio do time. Mesmo que ele esteja produzindo muito mais do que o Alston e deva roubar a vaga de titular muito em breve, torço para que ele se mantenha no banco. Algo me diz que ele vai me dar muita dor de estômago no quinteto titular.
Para finalizar, vale mencionar dois jogadores que foram parar no banco não por escolha tática, mas por ruindade mesmo. Darko Milicic sempre foi "o babaca que foi draftado antes do Carmelo Anthony", mas sempre teve potencial. Tinha tudo pra se estabelecer no Grizzlies sem pressões, obrigações e fora dos holofotes. Pois bem, no banco de reservas é que não tem holofotes mesmo. O novato Marc Gasol está fazendo a troca pelo seu irmão parecer menos idiota e se consolidou como o titular absoluto no garrafão. Na outra vaga, o calouro Darrel Arthur mandou o Darko para a reserva. Com mais de 7 pontos, 7 rebotes, 1 toco e 1 roubo de médias, o pirralho está surpreendendo e o Grizzlies se tornou o time mais bizarro da NBA: são três novatos titulares, já que OJ Mayo faz companhia aos outros dois.
No Warriors, o Ronny Turiaf ganhou uma boa grana pra levar ao time mais do que eles já tinham. Eu não entendi a contratação, critiquei na época, mas muita gente disse que tinha sido uma boa. Atuações incríveis na pré-temporada quase me fizeram morder a língua. Mas agora ele já é reserva do Brandan Wright depois de feder muito, e olha que o Don Nelson sempre preferiu enfiar um pé na orelha do que colocar o Wright pra jogar.
Com todas essas histórias, então, tem que ter bom senso. Às vezes, estar no banco é melhor, ajuda na produção e torna o cara ainda mais estrela - ninguém vai negar que o Ginóbili é um dos melhores no que faz só porque passa os dois minutos iniciais com a bunda numa cadeira. Mas tem horas que o banco é simples sinal de incompetência, marca óbvia de que a coisa está indo pelo caminho errado e que uma carreira cheia de potencial está prestes a terminar.
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Danilo
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Pobre LeBron
Será que enquanto joga com as estrelas da seleção, LeBron James está com saudades de sua relação íntima com Damon Jones?
O prato principal da rodada olímpica era o embate entre Estados Unidos e Grécia, o resto era aperitivo. Claro, tivemos atuações brilhantes de Kirilenko (apesar de outra derrota russa) e de Yao Ming, que era simplesmente alto demais mesmo para todos os jogadores angolanos empilhados uns em cima dos outros, errou apenas um arremesso e saiu de quadra com 30 pontos no currículo. Mas o importante mesmo era ver se os gregos representariam realmente o primeiro desafio para Kobe, LeBron e seus amigos.
O começo foi de fato bastante complicado para a seleção dos Estados Unidos, mas não exatamente graças à atuação grega. A arbitragem estava ligeiramente bêbada e marcou uma sensacional falta espírita em Dwight Howard - o pivô americano estava a um passo de distância de um grego que caiu sozinho de forma cômica e a falta foi marcada assim mesmo. Em algum lugar da China, o argentino Ginobili sorriu, orgulhoso. Na sequência, os árbitros marcaram um punhado de faltas altamente questionáveis em cima de Kidd, que foi parar no banco de reservas. O legal dessa seleção é que eles estão tão comprometidos, dispostos a manter o plano de jogo seja perdendo por 10, seja ganhando por 30, que as faltas fantasmas no máximo tiraram um sorrizinho irônico de Dwight (aquele humor sutil de que Tim Duncan nunca ouviu falar). Foi o técnico Mike Krzyzewsky quem mais se axaltou, tendo que até mesmo ser contido. Provavelmente estava mais bravo com o fato de que seu sobrenome parece um bêbado batendo aleatoriamente em várias teclas de computador.
Muita coisa se prometeu sobre a seleção americana: aprender a defender efetivamente por zona, não depender apenas de contra-ataques, movimento constante sem a bola. Pouco disso está efetivamente ocorrendo em quadra de modo que possamos afirmar que essa seleção é de fato muito diferente das outras que fracassaram nos jogos internacionais. Mas há algo ali, simples, que transforma derrotas em vitórias fáceis: constância, profundidade e comprometimento.
A Grécia começou atacando bem no garrafão, com passes precisos e um bom trabalho de costas para a cesta. Já as bolas de três pontos demoraram um pouco para cair. Mas para os americanos, não importava se as bolas estavam caindo ou não, mantiveram o mesmo comprometimento em vencer essa budega, o mesmo ritmo o tempo inteiro e talento demais no banco de reservas. Para jogadores acostumados com, às vezes, passar uma partida inteira de NBA dentro de quadra com quartos de 12 minutos cada, jogar uma partida de basquete internacional com quartos de 10 minutos é mamata. Descansando um bom tempo no banco, então, nem se fala. Kidd foi para o banco com 3 faltas mas ninguém sequer notou, afinal Chris Paul e Deron Williams estão prontos para manter a mesma intensidade e mentalidade na equipe. Aliás, como dizem alguns, é até melhor que Kidd saia logo: Chris Paul é, nessa altura de suas carreiras, melhor jogador. Dwight Howard anda fedendo um pouquinho, foi sentar no banco e passar um "Bom Ar" e o resultado foi Chris Bosh assumindo o jogo e chutando traseiro grego atrás de traseiro grego. Até o traseiro obeso do "Baby Shaq", o Sofoklis Schortsanitis (que costuma jogar bem contra os Estados Unidos mas dessa vez parecia ter engolido no café algum membro da comissão técnica) foi chutado sem piedade. Cada acerto, cada falta, seguida por gritos de comemoração. Parece um bando de Kevin Garnetts.
A pressão defensiva foi intensa e o ataque foi frenético, afinal mesmo contra a Grécia há material humano para jogar intensamente por umas 40 horas sem parar. Inevitavelmente, os gregos morderam a isca e começaram a correr também, abandonando o jogo de meia quadra e partindo para a porra-louquice. Ali, naquele instante ainda no primeiro tempo, assinaram seu atestado de derrota. Não demorou muito para que o jogo estivesse fora de controle, línguas gregas para fora em exaustão, e após uma sequência humilhante de tocos, os gregos passaram a pensar duas vezes antes de entrar no garrafão. É aquele medo que muda o plano de jogo, aquele pânico que taca qualquer chance de vitória pela janela, junto com os pulmões. No último quarto, os esquentadores de banco oficias dos Estados Unidos - Boozer, Prince, Michael Redd - puderam brincar um pouco sem preocupações, mas com a mesma seriedade do resto do grupo.
A seleção americana acertou a marcação do perímetro? Não, Papaloukas acertou bolas não contestadas. A seleção americana marcou por zona? Não, insistiu na defesa individual apesar da Grécia ter chutado 18 bolas de fora. As bolas de três pontos dos Estados Unidos caíram? Não, LeBron James deixou a pontaria em Cleveland e Kobe ainda forçou arremessos desnecessários. Não foi um jogo perfeito, nem de longe, mas foi um esforço coletivo de comprometimento com a vitória e nem por um segundo pareceu que os gregos poderiam ganhar coisa alguma, nem se abandonassem o basquete e fizessem um torneio de par ou ímpar.
O Chris Bosh foi a estrela do jogo, fazendo questão de lembrar pessoalmente que o banco de reservas pode até ser melhor do que o elenco titular, e que ele é muito mais versátil ofensivamente do que Dwight Howard. Mas LeBron e Dwyane Wade chutaram traseiros também. Se o Wade não está completamente recuperado, então quando ele estiver marcará 100 malditos pontos por jogo. LeBron está sendo um monstro na defesa, sempre na cobertura de seus companheiros, e teve um jogo completo apesar da falta de mira. Até Kobe jogou muito, apesar de muitas vezes fechar os olhos, achar que está em Los Angeles e arremessar de qualquer lugar. Às 11h15 do sábado, a Espanha será o time que terá que lidar com essa bizarra concentração de talento americano disposta a manter o mesmo ritmo durante toda uma partida.
No meio desse talento todo, LeBron James deve respirar aliviado e esquecer um pouco do Cavs. Quem acha que jogar nas Olimpíadas não é ficar de férias está negando o refresco psicológico que deve ser jogar ao lado de Wade e Kobe ao invés de jogar ao lado de Damon Jones e Varejão. Por isso mesmo, gostaria de saber se alguém na seleção americana ousou acabar com a tranquilidade mental de LeBron James avisando que seu time da NBA acabou de efetuar uma troca.
Foi um bacanal entre três equipes: o Bucks recebe Luke Ridnour, Damon Jones, Adrian Griffin; o Cavs recebe Mo Williams; e o maldito time da cidade de Oklahoma que ainda não tem uma porcaria de um nome recebe Joe Smith e Desmond Mason.
Deveria ser proibido um time sem nome fazer qualquer troca, é ridículo demais, então conforme prometido vou dizer que "o time outrora chamado Sonics" fez uma troca e pronto, que se danem os dirigentes de Oklahoma. Para eles, a troca é uma forma de se livrar do Ridnour, que exigia minutos mas perderia fácil uma partida contra uma cadeira, já que seria incapaz de defendê-la. Com Joe Smith e Desmond Mason o ex-Sonics consegue veteranos para dar uma força na pirralhada e depois ir embora.
Para o Bucks, trata-se de se livrar do Mo Williams. Não me entendam errado, ele é muito talentoso, excelente pontuador e competente passador. O único problema é que ele parece policial inglês, atira primeiro e pergunta depois. O clima em Milwaukee começou a ficar insuportável porque durante os momentos cruciais das partidas, Mo Williams se negava a passar a bola para a estrela Michael Redd e tentava resolver o jogo sozinho, como se fosse o único em quadra. Um débil mental desses com um contrato salgado se tornou descartável com o surgimento de Ramon Sessions, que assustou todo mundo com seu talento nos jogos finais da temporada passada. O único problema é que ele é um pirralho e não é saudável tacar muita responsa no colo dele, então Ridnour pode armar um pouco o jogo e segurar as pontas. Damon Jones, que é tão retardado quanto Mo Williams mas tem menos talento, pode continuar jogando nas partidas que não interessam.
Já para o Cavs a intenção óbvia é arrumar um pontuador para tirar o fardo de LeBron. Por várias vezes James precisou de alguém que tivesse os bagos necessários para dar um último arremesso quando ele não conseguia, porque em Cleveland todo mundo é cagão e prefere passar a bola para o Rei, mesmo se fosse o rei Roberto Carlos. Bem, Mo Williams é o cara certo para ter coragem de arremessar no final dos jogos e pontuar por si mesmo, mas você realmente quer um cara em seu time que, quando o troço esquentar, não vai passar a bola para sua grande estrela? Que diabos de plano é deixar a bola com um maluco instável justo agora que LeBron virou especialista em finalizar jogos?
Posso imaginar LeBron James lá na China sentado num canto de vestiário, olhando para Wade, Kobe, Chris Paul e Deron Williams, deprimido com o rosto escondido entre as mãos. Na sua cabeça, a verdade aterradora: depois de jogar com tantas estrelas talentosas e solidárias, resta a ele retornar a Cleveland. O respiro de alívio pela ida de Damon Jones vai ser substituído pelo choro de desespero: terá que jogar com Mo Williams. Pelo menos, deverá ter uma medalha de ouro para se consolar. Aposto que jogará com o dobro da intensidade contra a Espanha.
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Danilo
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quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Vídeos - Os porta-bandeiras da NBA
Hoje é dia de festa! Daqui a pouco, às 9h08 no horário de Brasília, começará a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Entre música, dança, fogos de artifício e outras coisas extremamente homossexuais, teremos muitos jogadores da nossa amada NBA. No total serão cinco basqueteiros levando a bandeira de seus países, quatro jogadores da NBA e um que já jogou por lá. Que tal ver os melhores momentos de cada um deles com a camisa da seleção nacional?
Manu Ginobili - Argentina
Para a Argentina, tão carente em talentos na maioria dos esportes, nada mais óbvio do que homenagear o responsável pela maior vitória olímpica argentina, Emmanuel Ginobili. Até 2004 a Argentina não tinha nenhuma medalha de ouro em esportes coletivos e foram logo duas de uma vez, com o futebol e o basquete. Mas como o futebol é meio que deixado de lado nos jogos olímpicos (o que não faz sentido pra mim!), não é à toa que o Manu leve a bandeira no lugar de outro atleta. Embora fosse divertido ver o Messi carregando a bandeira argentina. Melhor só se fosse o Ronaldinho Gaúcho levando a do Brasil.
Os grandes momentos da Argentina na campanha do ouro foram a vitória sobre os EUA e a final contra a Itália, mas o grande momento do Ginobili foi logo no primeiro jogo. A estréia foi contra a Sérvia, uma revanche da final do Mundial de 2002 que a Argentina tinha perdido na prorrogação. Como resposta, nada melhor do que um dos arremessos mais inacreditáveis feitos em uma Olimpíada:
Alemanha - Dirk Nowitzki
A Alemanha achou que o Chris Kaman como seu representante só faria sentido se fosse uma olimpíada no Paraguai ou em Taiwan, então resolveu ir com um alemão de verdade, o Dirk Nowitzki, que vai mostrar para o planeta inteiro o seu novo penteado olímpico segurando o mastro alemão. No vídeo abaixo você pode ver a estupenda performance de Dirk Nowitzki contra a Espanha na semi-final do Eurobasket 2005. Foi um duelo épico: 27 pontos para Juan Carlos Navarro, 27 para Dirk Nowitzki e a cesta da vitória para o alemão. Partidaça.
China - Yao Ming
Na China a dúvida era a seguinte: O Yao Ming vai carregar a bandeira, acender a tocha olímpica ou só se tornar rei, presidente e primeiro-ministro chinês? Decidiram que ele carregará a bandeira pela segunda olimpíada seguida. Do Yao eu achei um vídeo muito bom, mas ele não está autorizado a ser colado em outros sites fora do YouTube, então vocês precisam clicar AQUI para ver o hilário duelo entre Yao Ming, um dos melhores pivôs do mundo, contra Asi Taluava, o melhor pivô das Filipinas. E tudo com uma narração em um inglês impecável! Assista!
Mas é melhor eu postar um vídeo do Yao aqui sim, vai que ele fica bravo, né?. E vocês sabem como ele pode ser esquentadinho. Ou pelo menos fica esquentadinho quando joga no lixo da seleção chinesa...
Rússia - Andrei Kirilenko
A Rússia escolheu sua maior estrela olímpica, Yelena Isinbayeva, para levar a bandeira, mas por algum motivo que eu não descobri, ela disse que não queria. O escolhido então foi Andrei Kirilenko. Fiquei surpreso, não sabia que o Kirilenko era tão valorizado por lá, achei que eles iam escolher uma de suas estrelas de ginástica, atletismo ou do tênis, como o simpático Nikolay Davydenko. Mas fico feliz pelo Kirilenko, ele será o porta-bandeira com mais cara de maluco-assassino-psicopata em toda a abertura.
Sem dúvida o momento mais marcante do Kirilenko com o time russo foi a vitória do Eurobasket 2007 sobre a Espanha em Madri. É tipo 5 vezes mais impressionante do que ganhar a libertadores do Fluminense no Maracanã.
Mas o legal mesmo de procurar fotos e vídeos do Kirilenko é achar a Maria Kirilenko. Para quem não sabe, ela é uma tenista, uma tenista muito, muito linda. Ela sim deveria levar a bandeira russa na abertura dos jogos, de preferência vestida como uma colegial. Mas ela não estará na Olimpíada de Pequim. Embora o seu ranking seja bom (22° do mundo), existe um número limite de tenistas por país e hoje em dia ser número 22 do ranking mundial quer dizer que você é apenas a 8° melhor tenista da Rússia. Para nos consolar, tá aqui uma foto da moça:

Lituânia - Sarunas Jasikevicius
A Lituânia terá Sarunas Jasikevicius levando sua bela bandeira verde, amarela e vermelha (pareceu dica de Carmen Sandiego falando assim). Para quem não sabe, o Jasikevicius chuta traseiros na Europa há muito tempo, foi ele quem massacrou com a seleção americana nas olimpíadas de 2004 na vitória dos lituanos sobre os americanos ainda na primeira fase.
Ele depois acabou indo pra NBA, onde jogou no Pacers e no Warriors. Não jogou mal mas não foi nem de perto o fenômeno que era na Europa, para onde voltou no fim de seu contrato. Para quem quer lembrar a vitória da Lituânia e da sequência fora do comum de bolas de 3 do Jasikevicius no quarto período, é só ver o vídeo abaixo:
Já a delegação americana preferiu não escolher ninguém da seleção de basquete, fontes indicam que o ego do Kobe iria ficar maior que o Ninho de Pássaro caso ele fosse eleito para tal missão. Para levar a sua bandeira os americanos escolherem o corredor dos 1500m Lopez Lomong. O corredor nasceu no Sudão (assim como o Luol Deng) e foi para os Estados Unidos ainda pequeno para fugir da guerra civil, hoje Lomong é membro do Team Darfur, um conjunto de atletas que reunem dinheiro para ajudar o povo de Darfur que é assolado por uma guerra cruel liderada pelo governo Sudanês. O grupo tem como alvo principal o governo chinês, que apóia diplomática e economicamente o governo sudanês.
Entre todos os atletas do Team Darfur no mundo todo, apenas um está na NBA, mas ele não poderia ser o escolhido para levar a bandeira americana porque ele está um pouquinho longe de conseguir entrar no Dream Team, trata-se de Matt Barnes.
Não, não tem nenhum vídeo interessante do Matt Barnes.
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Denis
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sábado, 17 de maio de 2008
Bem na cara deles!
...
Não morremos e nem esquecemos do Lakers, só tiramos um dia de folga, o primeiro sem jogo de playoff desde seu início, para fazer uma média com as namoradas, mas já estamos de volta!
...
"O amor de Deus, que se derrama no coração dos filhos dos homens; é, portanto, a mais desejável de todas as coisas."( 1 Néfi 11:22).
Essa é uma frase encontrada no Livro dos Mórmons, livro do movimento religioso Santos dos Últimos Dias. Segundo a nossa boa e velha Wikipedia, a história do movimento é a seguinte:
"Joseph Smith recebeu uma visão na qual Deus e Jesus Cristo lhe ordenaram que não se filiasse a nenhuma das igrejas existentes, pois todas estavam erradas e errôneas, mas que restaurasse a verdadeira igreja de Jesus Cristo. Esta narrativa é conhecida como a Primeira Visão.
A tradição desta igreja diz que um anjo do Senhor apareceu para Joseph Smith e lhe entregou uma coleção de placas de ouro gravadas com a lâmina da sabedoria, e traduziu-as para o inglês, dando origem ao chamado Livro de Mórmon, que juntamente com a Bíblia constitui a base de fé da Igreja. O termo mórmon, geralmente usado para referir-se aos Santos dos Últimos Dias, deriva do nome do profeta Mórmon, que teria sido um dos autores e compiladores das escrituras que formaram o Livro."
Não sei se quem escreveu isso tava querendo zoar os mórmons mas pareceu, a história é muito engraçada! Deus desceu pra um cara e falou "Olha filho, as igrejas daí não tão com nada, vou estar mandando um anjo que vai estar te entregando umas placas de ouro que eu mandei fazer em alguma língua bizarra, mas aí você traduz pro inglês que é a língua do futuro, beleza?"Bom, ceticismos à parte, vemos que os mórmons são um grupo de pessoas que vieram para restaurar a palavra de deus. E vemos na frase que eu coloquei pra começar esse texto que o livro escrito pelo Joseph Smith prega o amor e todas essas coisas melosas e idiotas que toda religião fala e nenhuma leva a sério.
Tá, está achando o meu texto um pouco preconceituoso e faltando com respeito para toda a comunidade mórmon? Tem toda razão, forcei a barra mesmo sem conhecer os mórmons, mas se você quer saber, poderia ser bem pior, a falta de respeito poderia ser maior e as brincadeiras de mais mau gosto ainda. Dúvida?
Vamos então à terra dos mórmons, o Estado americano de Utah. Lá os mórmons e não-mórmons, tanto faz, se reúnem no EnergySolutions Arena, que além de ter o pior nome de quadra da NBA, é a mais barulhenta arena da liga americana, para torcer pelo Utah Jazz. E aí todo amor, respeito e palavra de deus, ou educação mesmo, são esquecidos pelos presentes. Querem 3 exemplos?
1. Racismo
Vamos começar pelo ano passado. A série de semi-final de playoff era entre Utah Jazz e a surpresa Golden State Warriors, foi a série daquele jogo dramático do Fisher. Durante os jogos em casa, a gente só ouvia uma barulheira que os microfones pegavam, mas lá na quadra os jogadores ouviam outras coisas.
"O melhor de jogar em casa, em Oakland, ao invés de jogar em Utah, é que em casa não ouvimos insultos racistas, xingamentos e pessoas torcendo para eu ir para a cadeia. Essa é a diferença."
A frase é do Stephen Jackson, que ouviu poucas e boas devido à sua fama de bad boy que vem de longa data. Mas o Jason Richardson, que nunca teve caso nenhum com a polícia, diz:
"Foi uma coisa que chocou a todos nós. Não estávamos esperando isso. Eu sei que eles tentam entrar na nossa cabeça apenas pra nos atrapalhar, mas não sabia que eles seriam capazes de ser tão baixos, simplesmente não faz sentido!"
E o povo lá é racista mesmo. Não é coincidência que o time é um com o maior número de brancos na NBA inteira. E não é por acaso também que o Korver, branquinho e religioso, tenha virado favorito da torcida em pouco tempo.
2. Vandalismo
Como se fosse campeonato estadual aqui no Brasil, os torcedores do Jazz não se aguentam e precisam atirar coisas no time adversário, por algum motivo eles acham que se o Kobe Bryant receber um copo plástico na cabeça ele vai jogar como o Sasha Vujacic. Não rola.
Eles jogaram lixo na cabeça do banco do Lakers nessa temporada mas não foi a primeira vez. No último jogo da série contra o Spurs na temporada passada, o jogo da eliminação, os torcedores, revoltados com a derrota, atiraram tudo o que eles tinha direito na cabeça do Gregg Poppovich e companhia. Na hora foi legal, porque eu tava torcendo contra o Spurs, mas a verdade é que uma atitude das mais patéticas.
3. Golpes baixos
Zoar o Kobe pela acusação de estupro dele virou até moda na época dos processos. Mas depois de anos e anos e com a inocência dele provada, a piada ficou pra trás. Menos para a torcida do Jazz. Como a foto do post mostra, eles chegaram ao ponto de levar bonecas infláveis com menções ao caso do hotel em que a guria que deu pro Kobe o acusou de estupro.
Como o Kobe é odiado, muita gente pode deixar passar essa, mas eles conseguiram ir além, foram ao ponto de tirar sarro do Derek Fisher e da filha dele, sim, aquela filha que está com câncer no olho. Toda vez que o Fisher pegava a bola na mão, a torcida começava a gritar "câncer, câncer, câncer" e olhem na foto abaixo o que fizeram pro Fisher na hora do lance livre:

Tapar o olho e gritar é demais! Nem eu, que adoro uma piada de mal gosto, ri dessa! E isso foi depois dos gritos de "câncer". E não podemos esquecer que tudo o que o Fisher fez no ano passado foi pelo Jazz!!! Ele saiu logo depois de uma cirurgia delicada da filha e viajou metade dos EUA só pra salvar o Jazz das mãos do Baron Davis em um jogo em que o Dee Brown estava machucado e o Deron Williams em problema de faltas. E ele só saiu do time porque precisava morar em uma cidade que tivesse tratamento pra filha dele, não teve nada de briga ou coisa assim. Simplesmente não entendo essa torcida.
Depois de tantos motivos, espero que todos estejam felizes com a vitória do Lakers sobre o Jazz na sexta-feira, apenas a segunda de um time fora de casa em 22 jogos das semi-finais de conferência. Mas a verdade é que o Jazz, apesar da pior torcida da NBA, tem um time bem bacana, não entendo como alguém pode não gostar do Deron Williams e do Boozer, por exemplo. Mas isso não era sobre eles, era sobre a torcida, e para o bem do jogo, do Kobe e principalmente do Fisher, o Lakers tinha que fechar essa série lá em Salt Lake City.Na temporada regular, quando o Lakers já tinha sido um dos 4 únicos times (Portland, Houston, Boston os outros) a bater o Jazz em casa, o Kobe tinha dito que a motivação principal tinha sido as vaias em cima do Fisher. Então o negócio não é novo, os caras são filhas da mãe faz tempo e o Lakers tava engasgado com eles na garganta. Mas o que foi decisivo para a vitória foi o Lakers ter usado a motivação para a sua melhor atuação defensiva em toda série, principalmente no primeiro tempo.
O Lakers não deu chance para os rebotes ofensivos, limitou as idas do Jazz ao lance livre e soube usar o domínio nos rebotes para puxar os contra-ataques e jogar no seu ritmo. No final, o Jazz ainda teve chance de empatar mas não dá pra culpar o Lakers por isso, nos minutos finais o Jazz simplesmente entrou em um estado maluco onde eles não paravam de acertar bolas de 3. Foram do Okur, do Deron Williams e duas seguidas do Kirilenko, que não tinha metido nenhuma na série inteira. Para dar uma última emoção, o Fisher ainda errou um lance livre nos segundos finais que deixou a diferença em apenas três e deu uma chance para o Jazz empatar o jogo. As tentativas do Okur e a do Deron no estouro do cronômetro foram as únicas que o time errou nos últimos minutos de jogo. Como torcedor do Lakers, só não morri do coração porque sou Corinthiano e estou acostumado a vitórias só aparecerem depois de muito, muito sofrimento!
Agora, passada altitude de Denver e os mórmons doidos de Utah, falta pro Lakers saber se pegam os conservadores texanos de San Antonio ou a comunidade negra, pobre e excluída de New Orleans. De qualquer maneira, sabemos que vai ser difícil e que eu vou sofrer muito em todos jogos. "Haja Coração!", já diria um grande narrador narigudo.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
O que faz uma série ser boa?
Sou só eu ou vocês também estão começando a ficar incomodados com a falta de vitórias dos times que jogam fora de casa? Até agora, nessas semi-finais de conferência, foram 21 jogos, 5 das séries Lakers-Jazz, Celtics-Cavs e Pistons-Magic, e 6 jogos da série Spurs-Hornets. Dessas 21 partidas, foram 20 vitórias dos times que jogaram em casa, a exceção foi aquela vitória do Pistons sobre o Magic com a cesta do Prince no finalzinho. Se o Turkoglu acerta a última bola, poderíamos estar agora com 21 vitórias dos mandantes em 21 jogos. Isso deve ser um recorde.
Por um lado, isso me deixa feliz, já que meu Lakers tem mando de quadra contra todo mundo do Oeste, mas por outro é um pouco decepcionante. Tem uma frase famosa nos Estados Unidos e que até o LeBron James usou em uma entrevista coletiva nessa semana que é a de que "Uma série de playoff só começa de verdade quando alguém ganha fora de casa". Se isso é verdade mesmo, a gente tá perdido, porque a única série que começou já acabou, e se Jazz e Cavs perdem amanhã, a série começa e termina no mesmo momento, o que é algo perturbador e deveria ser estudado pelos grandes físicos da humanidade.
Acho que a frase é exagerada, claro, e apesar de incomodado com todas essas vitórias em sequência dos times da casa, não acho que isso seja necessariamente sinal de uma série boa por ficar empatada ou ruim por não ter surpresa, precisamos olhar para outras coisas para achar alguma coisa. Então vamos fazer uma listinha pra ver o que deixa uma série legal ou não, independente dela ter 4 ou 7 jogos.
1 - Partidas disputadas
Nesse quesito, a série Spurs-Hornets vai pro beleléu, quem ganha em casa não só ganha como faz questão de humilhar, pisar, atropelar, dar ré e atropelar de novo o adversário. Se o Horry quer brilhar de novo com uma cesta no último segundo, ele tem que torcer pro Spurs vencer o decisivo jogo 7 e continuar na parada, porque nessa série isso não vai acontecer.
Nesse quesito, Cavs e Celtics estão mais ou menos, dos 5 jogos as partidas 1 e 5 foram até que bem emocionantes, embora o jogo 1 tenha sido duro de assistir. Mas como emoção não é sinônimo de qualidade, meio ponto para a série do Garnett e do LeBron nesse quesito. E um ponto inteiro para a série Lakers e Jazz, os jogos 3 e 5 foram decididos apenas no último minuto e o 4 teve até prorrogação. O engraçado é que em todos os jogos da série, o time que estava na frente faltando 35 minutos para o fim do jogo, ou seja, ainda no primeiro tempo, nunca perdeu a liderança, o outro time até empata e até prorrogação teve, mas quem estava atrás no segundo quarto nunca virou.
A série acabada, a do Pistons, teve dois jogos muito emocionantes nas partidas 4 e 5, ambas decididas pelo Prince. O placar de 4 a 1 na série engana, não foi tão fácil assim.
2 - Duelos pessoais
Um bom duelo pessoal sempre anima qualquer série. Volta e meia a gente até esquecia como o Wizards e o Cavs estavam desorganizados no ataque só porque estávamos esperando pra ver se o LeBron ia meter uma na cara do Stevenson ou se o Arenas ia fazer a torcida do Cavs calar a boca. Mas passada essa baboseira (divertida) da primeira rodada, o que não estão faltando são duelos pessoais bons.
Na série Lakers-Jazz tem o veterano Derek Fisher fazendo de tudo pra parar o Deron Williams. O Deron, depois de um fraco jogo 1, vem deitando e rolando, todo jogo é um drama para quem torce pro Lakers pra saber se o Fisher diminui o ritmo do Deron ou se pelo menos não entra em problema de falta. Na mesma série, ainda tem o duelo pessoal do Kobe contra o Kirilenko, que é, de longe, o que melhor marca o Kobe no time, quando você assistir ao próximo jogo veja a diferença de como o Kobe passeia sobre Korver, Brewer e Harpring e só encontra um desafio à altura nos longos braços magricelos do russo.
Qem ganha disparado esse quesito é o confronto Spurs-Hornets. Primeiro com o Duncan, que quando ataca tem duelos épicos com o Tyson Chanlder (e o mané que vem pra dobrar a marcação) e na defesa, quando o Timmy tenta parar o David West. Além desse, tem o Bruce Bowen, que ao invés de pegar o Paul o tempo inteiro, está tendo um trabalhão correndo atrás do Stojakovic, que hoje até bateu pra dentro e fez bandeja ao invés de arremessar como ele faz desde os 11 anos de idade só pra ver se surpreendia o Bowen (e deu certo!).
Mas esses duelos são secundários perto de Tony Parker x Chris Paul. Já fiz um post aqui falando que parece jogo de streetball os dois. Eles pegam a bola na defesa, correm como malucos e sempre, sempre, arranjam alguma coisa linda e surpreendente pra fazer, seja uma bandeja, um arremesso, um passe, uma ponte-aérea, não importa, eles sempre sabem o que fazer e nunca precisam parar de correr em direção à cesta pra isso. É um duelo muito veloz, muito divertido e com jogadas lindas pros dois lados. Mas se você só vê vultos correndo de um lado pro outro, não se sinta mal, somente um seleto grupo de pessoas acostumadas à velocidade que eles correm sabem exatamente o que acontece. Se você não é o Ligeirinho, o Papa-Léguas, o Flash, o Leandrinho, o Devin Harris ou o Euller, o filho do vento, você não entende o que eles fazem naquela velocidade.
3- Carga emocional
Adoro esse termo. "Carga Emocional". Soa bonito, elegante, não se pode usar com qualquer coisa. Se o jogo "traz uma carga emocional enorme" nas palavras do comentarista é porque a coisa tá legal. É sinal de que vamos ver pessoas alteradas, brigas, olhares vidrados, provocações e é isso que a gente paga pra ver!
A tal carga aparece mais fácil em séries que já aconteceram antes, quando um time busca revanche, e nessas semi-finais só o Orlando já tinha perdido pro Pistons no ano passado, mas foi um 4 a 0 tão fácil na temporada passada que ninguém nem deu muita importância pra isso.
Nesse quesito, quem está vencendo é a série entre Cavs e Celtics. Na do Lakers, até tem aquela torcida de mórmons vaiando o Fisher, mas depois que o Ronnie Price cumprimentou o Turiaf depois da falta flagrante, deu pra ver que o bicho não pega lá pra valer. Tá, na do Celtics teve o Rondo se desculpando com o Delonte West, mas mesmo assim uma série que tem o Kevin Garnett jogando sempre vai ser superior a outras quando o negócio é emoção, o nego fica simplesmente possuído quando entra em quadra, é de dar medo.
Some um cara vidrado como o Garnett a uma defesa pressionada e sem medo de fazer faltas sobre o determinado LeBron James e você terá muita cara feia, gritos e vibração no jogo. E dá gosto ver jogo com jogador parecendo que quer ganhar a qualquer custo!
4- Ajustes
Essa parte é o oposto da "Carga emocional", essa é a parte racional do jogo. São os ajustes que os times fazem de um jogo para o outro e, pra falar a verdade, é o que mais tem me incomodado na boa série entre Hornets e Spurs.
Os técnicos de ambos os times são dois dos melhores da NBA nos últimos anos e mesmo assim parece que os dois times cometem sempre os mesmo erros! O Spurs não sabia o que fazer pra se livrar da defesa pressão e dos contra-ataques do Hornets no jogo 1 e fez os mesmos erros no jogo 2. Quando parecia ter aprendido depois de fáceis vitórias nos jogos 3 e 4, repetiram todos os erros de novo no jogo 5. A mesma coisa para o Hornets, tudo o que eles acertam em casa eles não chegam nem perto de acertar fora, parece que vemos reprises e mais reprises do mesmo jogo. Torço pra um jogo 7 bem diferente e emocionante pra eu calar a boca e deixar de ser chato!
Nos ajustes, a melhor série é a do Lakers e Jazz. O Jazz tomou um sapeca-ia-iá nos dois primeiros jogos ao tomar um vareio do veloz ataque do Lakers e então resolveu jogar com mais físico, dando mais empurrões, chegando junto e isso atrapalhou muito o Lakers desde o jogo 3. O Gasol precisou ser provocado pelo Phil Jackson no jogo 5 para acordar e devolver o jogo físico no garrafão. Além disso, o Jazz mudou sua estratégia de ataque e parou com os arremessos de meia-distância e se preocupou só em atacar a cesta, conseguindo muito mais lances livres que no começo da série. O Jazz também mudou defensivamente, fazendo, ou tentando, Kobe atacar cada vez menos a cesta e arremessar mais. Além de todos os ajustes do Jazz para voltar a série depois de perder por 2 a 0, foi interessante ver como o Lakers se virou diante disso tudo, tentando interceptar os passes em direção do garrafão do Jazz para evitar o ataque à cesta, por exemplo, embora a mudança mais decisiva tenha sido no posicionamento defensivo no segundo tempo do jogo 5 para evitar o festival de rebotes ofensivos do Jazz.
Enquete:
Temos uma enquete nova aí na barra lateral. Queremos que você escolha a jogada mais bonita dos playoffs até agora e demos quatro opções, aqui estão os vídeos das jogadas para ajudar:
1. Enterrada do LeBron sobre o Kevin Garnett
2. Bola de 3 do Duncan contra o Phoenix Suns
3. Cesta de costas do Chris Paul
4. Enterrada do Kobe sobre o Kirilenko
5. Toco do Prince sobre o Turkoglu
6. Assistência do Kobe para ele mesmo na tabela
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Denis
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segunda-feira, 12 de maio de 2008
Eu taco fogo!
Sempre existe aquela coisa em que somos especialistas embora não nos orgulhemos disso nem um pouco. Pode ser todas as coreografias da época áurea do "É o Tchan" com a Carla Perez, o nome de todos os pokémons ou então todas as discussões do Toninho do Diabo e do Inri Cristo no programa da Luciana Gimenes. No meu caso, como blogueiro de basquete, a especialidade da qual não me orgulho é justamente sobre NBA: sou especialista quando o assunto é perder para o Utah Jazz.
Como torcedor do Houston Rockets, conheço cada pequeno detalhe que possa levar a uma derrota para o time de Salt Lake durante os playoffs. Basta um jogador do Jazz dar uma cutucada no nariz e eu sei dizer se seu time ganhará ou não. Ontem, no duelo entre Lakers e Jazz, todos os sinais da vitória vindoura estavam presentes: Okur passeando livre na linha de 3, Deron Williams deitando e rolando nos passes picados, Kirilenko participando do ataque, Millsap acertando jumpers da cabeça do garrafão.
Aliás, pode acreditar, já vi o Houston perder trocentas vezes assim: se o Millsap acertar arremessos da cabeça do garrafão, nem que seja apenas um ou dois, o Jazz vai acabar ganhando. É tipo o Sixers de uns anos atrás que era invicto nos jogos em que Iverson desperdiçava mais de 4 bolas na partida. Faz sentido? Não. Mas que funciona, ah, funciona.
O Lakers pode ser amplamente favorito, pode ter o MVP, pode ter feito a troca mais café-com-leite da história da NBA, mas nada disso importa quando se trata do Jazz. O negócio com esse time é que eles são capazes de vencer qualquer jogo de qualquer equipe e ninguém, nem mesmo eles, sabem o que vai acontecer em quadra. Talvez não vençam 4 jogos numa melhor de 7, é verdade, mas nenhum dos jogos terá um favorito: seja com quem for, o Jazz poderá vencer. Eles são simplesmente profundos demais, com recursos demais, e quando as coisas dão bastante certo, a vitória acaba saindo. Basta uns arremessos do Millsap, um par de bolas seguidas de 3 pontos de Okur ou Deron Williams (aliás, alguém sabia que o D-Will está acertando 56% de suas bolas de 3 pontos nos playoffs?!), uma cravada de Kirilenko, um arremesso de Kyle Korver e lá está, o time dos mórmons ganhou mais uma.
Na partida de ontem, Kobe Bryant estava sofrendo com dores nas costas, tomou uma pancada na perna esquerda e a dor pareceu torná-lo um psicótico completo. No quarto período e na prorrogação, arremessou sem parar de todos os lugares da quadra - sem acertar coisa alguma. Em um punhado de jogadas, Kobe ignorou movimentações ofensivas, tática ou mesmo bom senso e simplesmente arremessou por cima de seu marcador. Arremessos forçados e desnecessários, principalmente tendo em vista que Kobe estava engolindo seus marcadores vivos quando jogava de costas para a cesta, dentro do garrafão. O atual MVP estava fora de si, num estado mental lastimável. Se ele fosse técnico, provavelmente teria aceitado ir treinar o Knicks.
Apesar de Kobe numa noite atípica, bolas certeiras de Fisher no final do tempo regular colocaram o Lakers na partida, até Odom acertar um improvável arremesso de 3 pontos para empatar o jogo. Eu adoro Lamar Odom e Monta Ellis, são jogadores monstruosos que atacam a cesta como ninguém, mas prenda os dois num ginásio e só permita que saiam quando um deles acertar dois arremessos seguidos - meses depois, um terá assado o outro numa fogueira para sobreviver. Quando Odom acertou o arremesso sem sequer mexer a redinha da cesta e Fisher deu um toco em Deron Williams na posse de bola final, levando o jogo para a prorrogação, os torcedores do Lakers ficaram esperançosos. Ah, pobres ignorantes! Por acaso não viram o Millsap acertando arremessos da cabeça do garrafão logo no começo do jogo?! Não sabem o que isso profetiza?
A prorrogação foi demais para o Lakers numa noite em que Kobe estava com a barra de energia vazia e tudo funcionava para o Jazz na hora em que precisava funcionar, ainda mais com a partida sendo em Utah. Todos aqueles que apostavam num 4 a 0 para o Lakers obviamente não torcem para o Houston e não conhecem a minha especialidade. O Jazz pode perder as próximas partidas mas pode ganhar a série sem muitas dificuldades, o que fará 400 bilhões de chineses torcedores do Houston levantarem placas de "Eu já sabia". E depois voltarem a comer arroz.
Mas não se pode acertar todas, não é mesmo? Se eu apostava no empate do Jazz desde o princípio, mostrando toda minha genialidade, também apostei numa varrida do Hornets em cima do Spurs, mostrando toda minha burrisse, insanidade e ingenuidade. No entanto, eu tinha alguns argumentos para não acreditar numa recuperação do Spurs. Pra começar, a defesa que o Hornets arrumou para lidar com o Duncan é algo para ser ensinado nas escolas, de preferência no lugar das aulas de Química. Quando Tim Duncan começa a bater bola, a marcação dobra nele mas há uma rotação imediata, antes mesmo de Duncan passar a bola, de modo a manter um marcador sempre em cima dos jogadores mais próximos do Spurs na linha de 3 pontos. Um jogador corre para cobrir o espaço deixado por seu companheiro até que o jogador do Spurs que sobre livre esteja no canto oposto da quadra, dificultando assim os passes de Duncan pela distância e até pela imprevisibilidade da marcação. Some a isso o fato do técnico do Spurs, Gregg Popovich, ser um dos caras mais chatos e metódicos da história da humanidade. Ele é do tipo que taca a mulher pela janela se não puder dormir no seu lado de sempre da cama. Quem acompanha o San Antonio sabe o quanto Tony Parker sofreu até ganhar a pseud0-liberdade que tem hoje em quadra, e se o francês tivesse um pouco menos de paciência, estaria jogando gamão. Consequentemente, concluí que Popovich não iria mudar o estilo de jogo do Spurs de modo algum, algo que, aliás, ele pessoalmente afirmou depois de perder o segundo jogo em New Orleans. Mas o sujeito resolveu parar de frescura e colocou Ginobili como titular (afinal, ele já ganhou o prêmio de melhor 6o homem mesmo, não precisa mais manter as aparências), para meu espanto. Quando achei que isso era ousado, me deparei com as outras coisas que Popovich fez na série.
Depois de perder dois jogos para Chris Paul, o técnico do Spurs resolveu tirar Bowen de cima do homem. A idéia, provavelmente, era deixar Paul fazer o que quisesse e incentivar Tony Parker a fazer o mesmo, dando o troco. A série virou um duelo pessoal entre os dois que beira o ridículo e Bowen ficou livre para anular uma das armas ofensivas do Hornets na linha de 3 pontos: Stojakovic. Agora, Chris Paul faz o que quer mas tem menos ajuda no perímetro, enquanto Parker também faz o que bem entende e o Spurs ainda se garante nas bolas de fora. Além disso, Duncan foi instruído a agir diferente quando dobram a marcação em cima dele, sendo agora mais agressivo e aproveitando sua altura para passar a bola diretamente para o homem livre que fica do lado oposto da quadra. A defesa do Hornets ainda é eficiente nesse sentido, mas os passes de Duncan foram certeiros e Tyson Chandler, também agora vítima de sua versão do hack-a-Shaq, tem sido obrigado a descer o braço no Duncan mais do que seria o ideal.
Agora, virou xadrez. Se o Byron Scott nos fez acreditar, com sua defesa ousada, que o Hornets iria levar a série fácil, agora Gregg Popovich nos leva a crer que o Spurs vai ganhar as próximas partidas graças a contra-ataques certeiros às ações do adversário. E agora, qual será a inovação tática dos dois lados no Jogo 5 da série?
Lakers e Jazz fazem uma série imprevisível enquanto Spurs e Hornets jogam xadrez nas pranchetas. Não posso perder mais nenhum jogo, finalmente os playoffs estão mais legais do que aquelas discussões do Toninho do Diabo com o Inri Cristo que eu mencionei antes. Aliás, os dois dariam excelentes mascotes na NBA. Já consigo até imaginar uma propaganda na TV gringa, falando sobre como os playoffs estão pegando fogo, ao som do Toninho do Diabo cantando "Eu taco fogo!". Imperdível.
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Danilo
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sábado, 10 de maio de 2008
De volta aos velhos tempos
Ah, que saudade de torcer pro Lakers de anos atrás! Ontem pareceu que eu estava torcendo pro Lakers contra o Suns há dois anos. O Gasol fez sua melhor interpretação do Kwame Brown no primeiro tempo, quando não conseguia segurar uma bola sequer, o Jordan Farmar, que errou seus 6 arremessos e bateu a bola no próprio pé quando estava sozinho, me lembrou muito o querido Smush Parker, e o Sasha "The Machine" Vujacic fez cair lágrimas do meu rosto lembrando do Brian Cook, o único arremessador que entra no jogo e não acerta arremessos. E pra terminar, o Lakers perdeu mesmo com o Kobe jogando bem. Isso é muuuito ano passado, amiga!
O motivo dessa derrota, além de atuações abaixo da média do Lakers, foi também o mérito do Jazz, que jogou demais. A minha explicação para o Jazz ser o melhor time da NBA em casa e um mediano fora são os seus coadjuvantes. O estilo do jogo do Jazz é aquele de muitos passes, muitos cortes pra dentro do garrafão e muitos arremessos de meia distância e bem poucos de 3 pontos. E quem dá esses arremessos de meia distância e os cortes são muitos jogadores bons mas irregulares, como Matt Harpring, Kyle Korver e Ronnie Brewer. Até o Kirilenko, que é bem mais talentoso que os três, é meio de lua. E como o Hawks mostrou bem em sua série contra o Celtics, tem jogador que esquece a confiança em casa quando vai jogar em outra cidade.
Isso não é especialidade só do Jazz, foi só ver como Farmar, Vujacic e Walton jogaram nos jogos em Los Angeles e como jogaram ontem, muda muito. Desde a confiança no próprio chute até as decisões tomadas sob pressão. Mas talvez só o Jazz tenha essa disparidade de desempenhos fora de casa por depender mais de seus coadjuvantes. Ontem o Lakers se manteve no jogo até os minutos finais, mesmo com Gasol em um dia apagado porque tinha Kobe Bryant levando o time nas costas.
A atuação de Kobe, por sinal, foi no mesmo estilo da de Chris Paul na noite anterior. Jogadas alucinantes, liderança, poucos turnovers, muitos pontos e uma derrota no final. Mas pelo menos valeu pelo show, se eu não torcesse pra Lakers ou Jazz teria saído do jogo ontem mais que satisfeito pelo espetáculo assistido. Não só pelo Kobe, que teve as jogadas mais plásticas, mas pelo Carlos Boozer também, que teve seu dia de Dwight Howard com 29 pontos e 20 rebotes, sendo 11 desses pontos em sequência nos minutos decisivos do quarto período. Pensando bem, foi uma volta aos velhos tempos do Boozer também, ele estava devendo nesses playoffs uma atuação dessa, no mesmo nível das que ele fez no mata-mata do ano passado.
Não gosto de fazer previsão pro futuro por vários motivos: o primeiro é porque eu erro, o segundo é porque não sou a Mãe Dinah e nem aquelas pessoas que fazem propaganda nos classificados do "Agora São Paulo" ao lado das propagandas de garotas de programa e travestis. Mas não é porque eu não gosto que eu não vou fazer umas previsões, se eu não fizesse nada do que não gosto eu não trabalharia, não teria passado da sétima série na escola e nem teria me alistado no exército quando fiz 18 anos.
Então, para o próximo jogo, imagino o Jazz igualzinho a ontem, agressivo, pressionando o Gasol e forçando o tempo do jogo pra levar o Lakers a errar bastante. O Jazz fez o jogo dele ontem e não tem porque mudar, quem deve tentar uns ajustes é o Lakers, que precisa movimentar a bola com mais calma e acertar uns arremessos de longe, com meia dúzia de arremessos será o bastante pra assustar a defesa daqueles mórmons e liberar um pouco de espaço pro Gasol fazer o estrago dele.
Notas:
- A notícia do momento é que o Knicks ofereceu um contrato bem gordo para o Mike D'Antoni. Ai, ai, não consigo deixar de usar a palavra "gordo" pra falar do Knicks, essa piada não fica velha.
- Será que ele vai botar o Knicks pra correr como fez com o Suns? Essa eu pago pra ver.
- Ontem falei de uma jogada linda do Chris Paul que eu não tinha achado o vídeo, e o leitor Marcelo achou e mandou. É a jogada número 4 desse Top 10, mas vale ver o vídeo inteiro.
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Denis
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sábado, 26 de abril de 2008
Duelos pessoais
O que não faltam nos playoffs são caras se enfrentando por 48 minutos por trocentos jogos em sequência. Uma escolha mal feita de marcação, um cara que conheça demais a fraqueza do outro, e tudo estará perdido. Aqui está a lista com os duelos pessoais mais interessantes desse início de playoff.
Chris Paul x Jason Terry e Jason Kidd
A disputa originalmente era entre Chris Paul e Jason Kidd. Mas os dois primeiros jogos mostraram como o Kidd não tem mais físico e velocidade para acompanhar Chris Paul. No ataque Kidd não perdeu a visão de jogo e a precisão nos passes, mas as pernas já não acompanham mais. Byron Scott, que foi praticamente expulso pelo Kidd do New Jersey Nets, sabe muito bem disso e passou o aviso para seu novo pupilo, que não pára de atacar Kidd. Na falta de uma máquina do tempo, a solução encontrada por Avery Johnson foi trocar o encarregado da marcação e colocar Jason Terry em cima de Chris Paul.
A solução funcionou na primeira tentativa e Paul não jogou tão bem como nos primeiros jogos. O problema não é perfeitamente solucionado porque do banco vem Jannero Pargo, que muitas vezes divide a quadra com Paul, aí o Kidd tem que ficar em cima de um dos dois, e os dois são rápidos como o diabo.
Thaddeus Young x Antonio McDyess
Eu sei que desligar o computador, sair do Bola Presa e ir acompanhar as novidades sobre o caso "menina-Isabela" parece mais interessante que um duelo entre Thaddeus Young e Antonio McDyess. Mas a verdade é que esse é um dos duelos pessoais mais interessantes dos playoffs até agora.

Maurice Cheeks poderia ter optado por Reggie Evans para segurar o garrafão do Pistons mas ao invés disso decidiu apostar na velocidade e na potência física de Young e seu talento para atacar a cesta, seja para a bandeja, seja para conseguir rebotes ofensivos. O resultado é uma marcação que tem incomodado McDyess ao ponto dele não conseguir se estabelecer embaixo da cesta mas que causa muitos rebotes ofensivos para o Detroit. No lado do Philadelphia eles tem mais uma opção nos contra-ataques e também estão conseguindo rebotes ofensivos. Um duelo esquisito e que abre oportunidades para os dois times.
Ironicamente, os dois tomaram porradas fortes no nariz no jogo 3 da série. Pior para McDyess, que quebrou o nariz e pode não jogar o jogo 4.
Kobe Bryant x Kenyon Martin
O Carmelo não marca ninguém nem por decreto, o Iverson é baixo demais, o Kleiza é branco e o Diawara, outrora conhecido por ser um bom defensor, nem entra em quadra. Então qual a solução para marcar Kobe Bryant?

George Karl apostou em Kenyon Martin. Ele é largo, alto, forte e até por ser baixo para sua posição, é bem ágil. No primeiro jogo pareceu uma decisão correta até o quarto período. Mas no quarto período o Kobe tomou conta do jogo e acertou jumpers, bandejas e principalmente conseguiu faltas para cobrar lances livres.
No jogo 2, a situação fugiu um pouco do controle. Nem Kenyon Martin e nem ninguém conseguiu parar o Kobe por nada nesse mundo. Até o nosso Nenê estava lá colocando a mão na cara do Kobe e nada adiantou. Foram 49 pontos pra deixar a dúvida na cabeça de Karl, quem deve marcar Kobe Bryant?
Tony Parker x Steve Nash
Na série entre Spurs e Suns do ano passado, quem tomava conta dos armadores eram os alas. Bruce Bowen marcava Steve Nash e Shawn Marion, em boa parte dos jogos, ficava em Tony Parker. Isso não fez o Suns ganhar a série, mas fazia o Parker suar bastante pra chegar na cesta.
Nesse ano, com Marion em Miami, o responsável escolhido para a tarefa foi Grant Hill. Mas
acontece que a maldição voltou e Grant Hill se machucou de novo nos playoffs, ou seja, sobrou a função para Steve Nash.Nash é bom no futebol, todos sabemos, mas acho que ele é melhor até em boliche ou boxe-xadrez do que em defesa de basquete. Ontem o duelo foi chave na lavada que o Spurs deu e no recorde da pontos na carreira de Tony Parker. Ninguém esperava que fosse na defesa de um armador baixinho que seria onde o Suns mais sentiria falta de Shawn Marion.
Shaquille O'Neal x Tim Duncan
Mas vamos ser sinceros, se o Marion ainda estivesse no Suns, o problema seria outro: marcar Tim Duncan. Obviamente Amaré não é o cara pra isso e o Suns nem Kurt Thomas tem mais para quebrar um galho. O primeiro jogo mostrou, apesar dos 40 pontos de Duncan, que Shaq era o único cara capaz de dar trabalho pro Duncan no elenco do Suns. O Spurs admitiu isso e usou uma forma bem polêmica para parar Shaq, o hack-a-Shaq.

Esse é o nome para a estratégia de fazer faltas intencionais em Shaq, mesmo que ele esteja fora da jogada para fazê-lo cobrar lances livres. Então ele erra a maioria, o Spurs não toma pontos e ainda obriga o Suns a tirá-lo da quadra. Essa é uma tática velha que já foi usada contra outros jogadores como o Ben Wallace e o Bruce Bowen, mas que ficou famosa com o Shaq mesmo. A regra permite e o objetivo é claro, Gregg Popovich deu uma entrevista bem direta dizendo "Queremos ele no banco de reservas" e pra isso foi capaz de fazer o hack-a-shaq mesmo vencendo por 12 pontos ainda no primeiro quarto. Com isso, o Spurs, de certa forma, diz que Shaq pode parar Duncan e que essa batalha foi perdida, mas com um bom contra-ataque está vencendo a guerra.
LeBron James x DeShawn Stevenson
De todos os confrontos este é o mais pessoal. Muitas provocações, mãos na cara e pouca complexidade tática. O negócio é bem simples, eu marco você, você me marca, eu provoco quando acerto, você provoca quando acerta, e é isso. LeBront tem mais talento, mas se tem duas coisas que o DeShawn sabe fazer é incomodar na defesa e arremessar de 3 no ataque.
Tracy McGrady x Andrei Kirilenko

Nesse duelo aconteceu uma coisa que nunca aconteceria no duelo acima. Um disse que o outro é bom. Uau! Inimaginável pensar no DeShawn falando isso do LeBron. Mas nesse caso o Tracy McGrady disse mesmo que o Kirilenko marcou muito bem ele e que nos dois primeiros jogos ele estava exausto no quarto período devido à marcação do russo.
Kirilenko é bom mesmo e deve continuar fazendo um ótimo trabalho em McGrady que, com seu talento, sempre acha um jeito de ser bom mesmo assim. Mas o resultado dessa série não depende de McGrady ou de Kirilenko. Está nas mãos do irregular elenco de apoio do Houston a vitória ou derrota dos Rockets.
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Denis
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sábado, 19 de abril de 2008
Confrontos de sábado
Hoje é dia de playoff! Depois de muitas noites sem dormir para assistir atrocidades como Knicks e Heat, é hora de sermos recompensados pelo deus do basquete com, talvez, os melhores playofs de todos os tempos. Ao menos no Leste, claro. Para aquecer os motores, vamos dar uma olhada em cada confronto deste sábado e analisar: o que cada time precisa fazer para sair de quadra com a vitória?
Também gostaríamos de avisar que você tem compromisso marcado aqui com o Bola Presa às 16h de hoje para assistirmos, juntos, a partida entre Suns e Spurs. Até vocês, fãs-esquisitos do Spurs, precisam marcar presença para encher nosso saco! Teremos uma cobertura ao vivo aqui no blog, comentando os principais lances, criticando, tirando sarro da cara do Duncan (e, de preferência, dando links para que todo mundo possa assistir o jogo), e você está intimado a acompanhar e ir batendo papo ao mesmo tempo na caixinha de comentários.
Leia nossa análise dos jogos imperdíveis de hoje e não se esqueça de voltar às 16h para ver esse jogão com a gente!
...
Cavs vs Wizards

por Danilo
O que o Cavs precisa fazer para vencer a série: Só se eu fosse cego, surdo e mudo eu seria capaz de deixar de lado o fato de que, para vencer, o Cavs precisa de atuações de alto nível de LeBron James. As razões são mais óbvias do que resposta do Show do Milhão. Com um elenco fraco e que, depois das trocas, não conseguiu encontrar nem entrosamento e nem identidade, é LeBron quem tem que imprimir ritmo ao jogo e, obviamente, decidir nos minutos finais. Por esse mesmo motivo, é essencial que LeBron consiga superar as dores nas costas que vem sentido e que podem limitar consideravelmente seu jogo. Se bem que o LeBron limitado vale por uns duzentos Delonte West.
O Cavs precisa se focar no rebote. Como a pontaria de fora é inconsistente, os rebotes ofensivos são importantes para manter o time de Cleveland na partida, assim como aconteceu nos playoffs passados. Isso significa que o Cavs precisa de atuações sólidas de Varejão, Ben Wallace e Ilgauskas. E as atuações sólidas a que me refiro são simplesmente defensivas, fazendo o trabalho sujo, mas até isso às vezes parece ser pedir demais.
O diferencial do Cavs precisa ser um outro jogador que surja para levar o fardo ofensivo da equipe em alguns momentos aleatórios da partida. Seja o Daniel "tive 10 minutos de fama nos playoffs" Gibson, seja Damon Jones ou Delonte West. Alguém precisa passar alguns minutos por jogo acertando arremessos seguidos, enquanto LeBron é isolado no resto do tempo.
O que o Wizards precisa para vencer a série: Antes de mais nada, DeShawn Stevenson precisa fazer um bom trabalho em LeBron James. Como essa série virou um clássico instantâneo em parte por causa do duelo entre esses dois, é bem capaz que DeShawn consiga complicar a vida de LeBron e isso será mais do que suficiente para ter o jogo em mãos.
A defesa, aliás, será um fator importante. Se o Wizards se aplicar na defesa como fez em alguns momentos da temporada regular, o frágil ataque do Cavs será praticamente anulado, o que pode vir a tornar as partidas até mesmo tranquilas para o time de Washington. A defesa de garrafão pode vir a ser um problema, então o Wizards tem que se focar em tirar os jogadores de Cleveland de perto do aro e pegar rebotes, evitando as segundas-chances adversárias.
A saúde de Arenas, Jamison e Butler é algo a se preocupar. Todos eles voltam de contusões, umas mais, outras menos recentes, mas o importante é tentar mantê-los todos saudáveis (se isso fosse tarefa fácil, o Clippers não seria tão ruim assim). Arenas deve vir do banco e é importante não forçá-lo muito a princípio, guardando-o para os momentos decisivos.
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Spurs vs Suns

por Denis
O que o Spurs precisa fazer para vencer a série: O Spurs tem a vantagem de sempre conseguir impôr o seu ritmo, mesmo quando perde. Então é essencial que o jogo seja lento e bem trabalhado, mesmo que o Suns consiga se adaptar melhor a isso do que nos anos anteriores.
Para parar Steve Nash, deve seguir usando a fórmula de usar Bruce Bowen em cima dele. Com faltas, sem faltas, jogando sujo ou não, isso não vem ao caso. O fato é que Bowen incomoda o canadense. Para marcar o garrafão, vai ser necessária a experiência de Kurt Thomas e uma rotação entre ele e Duncan para marcar Amaré e Shaq. Nenhum dos dois vai anular o poder ofensivo de Amaré, mas atrapalha o adversário ir para cima dele com diferentes marcadores e diferentes formas de marcar, a variação defensiva pode incomodar muito o Suns.
No ataque é preciso explorar as infiltrações de Ginobili e toda vez que Duncan sobrar sendo marcado por Amaré. É velha já a dificuldade de Amaré Stoudemire de ficar fora de problemas de falta quando é muito pressionado na defesa. Eles vão tentar deixar Shaq em Duncan para liberar Amaré disso, mas quando vacilarem, é bom o Spurs aproveitar.
O que o Suns precisa fazer para vencer a série: Não dá pra jogar na correria com o Spurs o tempo todo, faz anos que o Phoenix tenta e não consegue. Mas isso não quer dizer para não correr nunca. Todo turnover do San Antonio, ou rebote longo ou qualquer vacilo em geral, deve ser transformado em pontos fáceis. Mas quando o Spurs remontar sua defesa, o que é rápido, Nash e os outros jogadores devem ter a percepção necessária para parar e começar o ataque de novo.
No jogo de meia-quadra deve-se explorar os jogadores que são bons nisso. Usar Amaré toda vez que ele ficar no 1-contra-1, especialmente contra Oberto e Kurt Thomas, usar Grant Hill e seus arremessos de meia-distância e, claro, usar Shaq sempre que ele conseguir um bom posicionamento embaixo da cesta. Tudo isso, além de virar pontos, vira espaço para que Bell, Nash e Leandrinho tenham o tempo necessário para chutar de longe.
Também é necessário que a defesa se ajude. Steve Nash não vai parar Tony Parker e qualquer defensor, mesmo o bom Raja Bell, não pára Ginobili sozinho. E cada infiltração bem sucedida acaba em bandejas, lances livres, ou com Bowen ou Finley livres da linha dos três.
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Hornets vs Mavericks

por Danilo
O que o Hornets precisa fazer para vencer a série: Manter a bola nas mãos de Chris Paul a maior parte do tempo é meio jogo ganho. Não que isso não aconteça em todos os jogos, mas deve ser ainda mais frequente nessa série. É preciso que Chris Paul pense mais em pontuar, em decidir, como aconteceu na primeira vez em que os dois times se encontraram após a troca do Kidd e ficou óbvio que o armador-vovô não consegue segurar o Paul. Quanto mais Chris Paul abusar de sua velocidade e partir para dentro, agressivamente, melhor para o Hornets.
Parar Dirk Nowitzki, em grande fase, deve ser também o foco principal. Vale até puxar os bagos e morder orelha. Mas o quinteto titular do Hornets terá problemas graves para marcar Dirk e Josh Howard ao mesmo tempo, porque Stojakovic não consegue defender nem tese de mestrado. O novato Julius Wright pode ser um fator fundamental vindo do banco para parar o alemão, que notoriamente tem problemas com bons defensores mais baixos e mais físicos do que ele.
Jannero Pargo pode ser a peça decisiva do jogo. Com o ritmo de jogo elevado que se espera nessa série, Pargo pode vir do banco com licença para atirar, chutar todas as bolas que conseguir. Quando está em um de seus grandes dias, isso pode ser o bastante para criar uma vantagem no placar que o Mavs não seja capaz de reverter.
O que o Mavs precisa fazer para vencer a série: Colocar Kidd na fonte da juventude ia ser uma boa, mas como vimos no cinema em filmes como "De Repente 30" com a tetéia da Jennifer Garner ou aquele clássico da Seção da Tarde em que o Tom Hanks quer namorar a professora, é muito mais fácil ficar velho do que ficar mais jovem. Então o Kidd tem que arranjar fôlego nas entranhas e dar um jeito de parar Chris Paul. Jogadores como Eddie Jones e Devin George, se estiverem vivos, podem ajudar nessa função.
Dirk Nowitzki deve ser mais utilizado do que nunca, principalmente no fim da partida, quando tem mostrado ser cada vez mais decisivo. Caso a marcação em Dirk aperte, é importante que Jason Kidd (ou Ason Kidd, para aqueles que acham que ele não tem "jumper") acerte seus arremessos livres. O Dallas pode viver ou morrer nos arremessos de 3 pontos de Kidd, o que, cá pra nós, é um problema.
O Dallas precisa cadenciar mais o jogo e evitar rebotes longos e turnovers bobos, de modo a evitar que Chris Paul passe o dia inteiro correndo pela quadra e fazendo bandejas. Para mim, se o ritmo de jogo diminuir um pouco, é o Dallas quem sai favorecido, com mais armas para o duelo de meia-quadra.
E o mais importante, o essencial, a coisa mais óbvia e banal que todo mamífero bípede deveria saber mas TODO MUNDO parece esquecer por completo: o Dallas NÃO PODE deixar o David West livre na cabeça do garrafão nas jogadas decisivas. Se ele acertar mais um arremesso dali só porque ninguém nem sequer sabe quem é esse tal de West, eu vou vomitar.
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Rockets vs Jazz

por Danilo
O que o Rockets precisa para vencer a série: O maior problema do Houston nessa série é o jogo de garrafão. Na série contra o Jazz nos playoffs passados, a maior dificuldade foi em descobrir um modo de marcar dois jogadores de garrafão com características tão diferentes, Boozer e Okur. O turco é um problema defensivo porque fica passeando pela linha de 3 pontos, e Boozer pode jogar tanto debaixo da cesta quanto arremessando de meia distância. O Houston terá que conseguir colocar em quadra uma escalação equilibrada capaz de marcar tanto Boozer quanto Okur sem, ao mesmo tempo, perder toda a capacidade ofensiva do outro lado da quadra. Os melhores defensores de interior no elenco são Chuck Hayes e Mutombo, completamente nulos no ataque. Os novatos Luis Scola e Carl Landry, por outro lado, têm problemas defensivos embora sejam excelentes ofensivamente. Saber equilibrar as duas coisas será fundamental sem a presença de Yao Ming.
Além disso, é essencial que Tracy McGrady não queira decidir sozinho. Os melhores momentos da sequência de 22 vitórias seguidas aconteceram apoiados por um forte jogo coletivo, com T-Mac sabendo dar aquele "passe a mais" que faz toda a diferença. Quanto mais T-Mac forçar os arremessos, quanto mais ele quiser decidir para finalmente se ver livre da maldição de nunca ter vencido uma primeira rodada de playoffs, menores são as chances do Houston sair com a vitória.
O Rafer Alston também é uma peça central nas chances do Houston Rockets. Meu odiado Alston é um jogador que tem grande influência para o jogo do Houston, tanto positiva quanto negativamente. Sua vontade constante de decidir é justamente o que faz o Houston perder e vencer jogos, dependendo de como a mira do "Skip to my lou" está no dia. Com Skip no banco, os reservas Bobby Jackson e Aaron Brooks são menos decisivos, participam menos do jogo. Cabe ao Rick Adelman saber quando o Rafer Alston está decidindo para pior e sentá-lo imediatamente.
O que o Jazz precisa para vencer a série: O Jazz deve apostar o jogo o máximo que puder no garrafão, alimentando Boozer e Okur embaixo da cesta. Quanto mais agressivo o Jazz for no garrafão, mais o Houston terá que abrir mão de seu ataque em nome de sua defesa, além de que sobrarão lances livres para o time de Salt Lake cobrar. É importante para o Jazz manter o ritmo de jogo o mais lento possível, e jogar com tranquilidade e segurança. Embora o Houston tenha o mando de quadra, o Jazz sabe que não perderá em casa, bastando apenas uma vitória em Houston para colocar um pé no próximo round.
O jogador que poderá decidir a série é, da mesma forma que nos playoffs passados, Andrei Kirilenko. Ainda que a defesa do Houston seja uma das melhores da liga, contribuições de Deron Williams, Boozer e Okur são esperadas. Basta um jogo ofensivamente considerável de Kirilenko para que as armas ofensivas do Jazz sejam mais do que o Rockets pode segurar. Kyle Korver, vindo do banco, pode ter o mesmo papel. Caso o Jazz se foque no ataque, acertando a mão na execução ofensiva, dificilmente deixará de levar a série para casa.
Do mesmo modo, Paul Millsap pode ganhar o jogo vindo do banco, acertando a mão com pontos de rebotes ofensivos e sendo mais um corpo grande que o mirrado Houston não vai ter idéia de como defender.
Defenestrado por
Danilo
por volta das
11:15
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