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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pai rico, pai pobre

"Essa cidade é pequena demais para nós dois", aí os dois foram embora.

Comentamos bastante aqui sobre a saída do Jerry Sloan do Jazz. O técnico já teve desentendimentos com inúmeros jogadores durante sua longa carreira, bateu cabeça com o Deron Williams nos últimos meses, e dessa vez resolveu dar o fora, estava cansado. Não acho, de verdade, que o Deron tenha feito algo tão horripilante a ponto de tirar do time um técnico que passou metade da sua vida discutindo com armadores, mas a torcida de Utah não concorda comigo. Nas três partidas sem Jerry Sloan, três derrotas para o Jazz, Deron Williams foi bastante vaiado pelos torcedores. Defendemos aqui que o Sloan passou tempo demais no comando do time, sempre nesse limbo em que o time vai para os playoffs mas não tem chance de títulos, e de que era hora de mudar. Por mais difícil que seja, todos os torcedores precisam entender que o objetivo é ganhar títulos e que, volta e meia, é preciso abortar um time bom simplesmente porque ele não será bom o bastante.

Aparentemente, o Jazz estava realmente disposto a mudar as coisas. Negociou silenciosamente possíveis cenários de troca pelo Deron Williams ainda enquanto ele batia cabeça com o Jerry Sloan. Após a saída do técnico, no entanto, as negociações não pararam. Até que, sem nenhum aviso, Deron acabou de ser mandado para o Nets em troca de Devin Harris e Derrick Favors, além de duas escolhas de primeira rodada (uma do Nets, outra do Warriors) e 3 milhões de verdinhas. Definitivamente a negociação já está rolando há muito tempo, apenas aguardando que o Carmelo não fosse para o Nets (aliás, leia tudo sobre a troca do Carmelo para o Knicks em nosso post aqui), mas ninguém sabia dela. Não é legal que o mundo da boataria seja a maior perda de tempo do planeta?

Como todas as trocas do Jazz, temos sempre que levar em conta primeiro os motivos financeiros. O Jazz é o time que mandou Ronnie Brewer e Eric Maynor em trocas por nada apenas para liberar espaço salarial porque Utah é um mercado pequeno e limitado. O contrato do Deron Williams era de gordos 14 milhões, e seria de 16 milhões na temporada que vem, última do seu contrato. No meio desse ano, Deron seria liberado para assinar uma extensão se quisesse, e os boatos já começaram a aparecer de que ele não assinaria a extensão para manter aberta a possibilidade de jogar no Knicks, com Carmelo e Amar'e, caso o Jazz não tivesse chances de título até lá. Bem, o time não tinha muitas chances antes com Sloan e Carlos Boozer, está caindo pela tabela sem os dois e tem problemas financeiros, limitando muito as possibilidades de contratações. Na cabeça dos engravatados do Jazz, o Deron ganharia 16 milhões na temporada que vem (aquela que pode ser encurtada por uma greve e que vai piorar a situação financeira das franquias) apenas para sair da equipe na temporada seguinte, em troca de nada - ou forçando mais uma dessas trocas absurdas, como a do Carmelo. Caso o Deron ficasse no time, os engravatados precisariam decidir se vale a pena extender um contrato e pagar quase 20 milhões de dólares num mercado minúsculo para o armador de um time que, com novo técnico e sem padrão de jogo, precisa pensar em algum tipo de reconstrução. Pensando no bolso, na provável greve da temporada que vem, na situação do Carmelo e em perder uma estrela para o Knicks, o Jazz resolveu fazer a troca agora. Aproveitou as negociações provindas do desentimento do Sloan com o armador, aproveitou que o Nets estava disposto a abrir mão de muita coisa para não sair de mãos vazias depois de perder Carmelo, e aproveitou que a saida do Jerry Sloan é uma boa hora para reconstruir a equipe e pensar na pirralhada. Pirralhada barata, de preferência. Com o contrato de 17 milhões do Kirilenko, que vira farofa ao fim dessa temporada, e escolhas de draft do Nets e do Warriors, o Jazz pode respirar em paz com dinheiro nos bolsos e crianças para criar. O time não vai ser relevante por um bom tempo, mas vai ser uma reconstrução divertida de acompanhar.

Derrick Favors andou sendo muito criticado pelo seu começo de carreira no Nets e esteve em todas as propostas de troca que o time fez por Carmelo Anthony. Favors foi colocado em tantas propostas que não dava mais pra tentar enganar o rapaz e dizer que ele estava nos planos do Nets, ele tinha que ser trocado obrigatoriamente, não havia clima para ele ficar. Para o Jazz, foi uma boa. O rapaz é um excelente defensor, mas está tendo dificuldades de se acostumar com a NBA, comete muitas faltas e ainda não tem o físico necessário para defender em alto nível. No ataque, ainda falta muito para conseguir contribuir com regularidade. Mas dá pra ver que isso é apenas questão de tempo. Favors é um excelente reboteiro, se posiciona bem, é esforçado na defesa e não tenta demais no ataque. Em um ou dois anos, pode ser um grande jogador se tiver os minutos necessários para evoluir. Curiosamente, o Nets - mesmo fedendo e em total reconstrução - não estava disposto a lhe dar esses minutos, talvez preocupado em impressionar Carmelo ou em fugir do pior recorde do Leste de novo. No Jazz, Favors vai bater cabeça com Al Jefferson e Paul Millsap, mas talvez funcione se ele for reserva dos dois jogadores (e o Okur for mandando pra rua, como se cogita), assim como acontecia com o trio Boozer, Okur e Millsap. Na pior das hipóteses, o Jazz tem agora três jogadores de garrafão jovens, talentosos e com potencial pra burro para fazer alguma troca. A única certeza é que o Favors fica: por estar no contrato de novato, ele é o mais barato.

A única coisa estranha para o Jazz nessa troca é colocar a armação do time nas mãos do Devin Harris. Ele tem mais 3 anos de contrato, ganha mais de 8 milhões nas três temporadas, e está longe de ser um líder como Deron. É um dos armadores mais rápidos da NBA, chuta traseiros, mas sua ênfase é em pontuar - e se machucar. Como os grandalhões do Jazz vão reagir a um armador menos disposto a fazer os pick-and-rolls, marca registrada do time por décadas? Será preciso uma mudança completa no esquema tático, mas talvez funcione. Al Jefferson e Millsap mostraram nessa temporada, ao contrário do que se pensava, que rendem muito melhor embaixo da cesta do que nos arremessos de média distância como fazia Carlos Boozer. Talvez as infiltrações de Harris abram espaço para Millsap e Al jogarem bem próximos ao aro, finalizando de frente para a cesta, mas será uma mudança drástica de um esquema de jogo que está em vigor há uns 20 anos. Ou seja, finalmente o Jazz vai ser um time realmente diferente, com um armador muito distinto de todos os outros que jogaram sob comando do Jerry Sloan. Pode demorar, mas as mudanças vão fazer bem para a equipe e as trocas forçam o time a se repensar por completo, evitando o risco de que a mudança de técnico fosse apenas aparente, com o mesmo modelo tático sendo mantido pelo técnico substituto. Por um lado foi um modo de se obrigar a arriscar, a tentar algo novo. Por outro, foi uma mudança bastante controlada e medrosa de quem não quer ficar se preocupando com finanças nos próximos anos.

O Nets, por sua vez, só se preocupa é justamente com os próximos anos. Desde que comprou o time, o milionário russo Mikhail Prokhorov não fez outra coisa além de tentar garantir que o Nets tivesse estrelas relevantes ao se mudar para o Brooklyn daqui a 2 anos. A primeira intenção era ter Carmelo Anthony e o time tentou dar as calças por ele, o único jogador intocável era o Brook Lopez, porque pivôs são raros mesmo que o talento dele de pegar rebotes tenha sido roubado pelos Monstars do Space Jam. Como o Knicks fez de tudo para tirar o Carmelo do Nets e conseguiu porque, no fundo, o Carmelo queria mesmo era jogar com Amar'e, o milionário russo foi tentar outra estrela. O Deron Williams foi uma excelente oportunidade de mandar todas as escolhas de draft e o Derrick Favors que o Nets estava juntando há meses para o Carmelo. Parando pra pensar, o Nets provavelmente seria mais inteligente se mantivesse as escolhas e reconstruísse esse time aos poucos, mas é tudo uma questão de mercado. O time precisa chegar com alguma estrela no Brooklyn para vender ingressos e camisetas, mesmo que não tenha chances de titulo. A reconstrução foi agora colocada um pouco de lado em nome de Deron Williams, tantas vezes ovacionado como um dos melhores armadores da liga. O Favors era novinho e cheio de potencial, seria uma ótima para o futuro, mas Deron e Brook Lopez devem fazer uma dupla mais eficiente desde o primeiro dia - e devem vender mais ingressos e criar barulho, agitação, interesse. É claro que o Deron não ficou feliz em ir para o Nets, ele tinha esperanças de ir longe com o Jazz, adorava Utah por ser um lugar calmo e poder se dedicar à família, e estava flertando com a ideia de ir para o Knicks jogar com os amiguinhos. Agora vai para o primo pobre de New York jogar por um time de merda sem nenhuma chance de playoff nem no Leste, parece castigo! Mas esse descontentamento vai durar pouco: Mikhail não poupou esforços por uma estrela até agora, voou para a casa do LeBron para tentar convencê-lo, se encontrou com o Carmelo e fez trocentas promessas, e agora fará tudo de novo pelo Deron. O milionário vai prometer um elenco de apoio, vai pagar as taxas por extrapolar o teto salarial, vai convencer gente a ir jogar lá usando o nome do Deron, vai fazer campanhas de marketing violentas e tornar o Deron um dos jogadores mais famosos da NBA. O armador vai sair de um time que se livrava de gente boa porque não podia pagar e vai cair num lugar em que todo mundo vai querer jogar porque dinheiro não é um problema. Vai ser ovacionado como um dos maiores da NBA porque todas as oportunidades lhe serão dadas e todas as câmeras estarão apontadas. É outra realidade, e não há vontade de vida calma que vá resistir a isso. Deron agora vai poder fazer o que quiser com os jogadores que quiser,sem bater boca com o Jerry Sloan ou se preocupar com elenco de apoio e finanças. O Nets paparicou o primeiro jogador importante, que era o mais difícil. Agora vai atrás dos outros, nos próximos dois anos, mas deve ser tudo muito mais fácil - nos mesmos moldes de Celtics, Heat e Knicks.

A primeira parte da construção do elenco de apoio em volta do Deron Williams veio hoje mesmo. O Nets mandou o contrato expirante do Troy Murphy e uma escolha de draft de segunda rodada em troca de outros dois contratos expirantes: Dan Gadzuric e Brandan Wright. O primeiro é um pivô reserva para quebrar um galho na defesa, até melhor do que muita gente pensa porque comete poucas faltas e tem bom tempo de bola nos tocos. O segundo, Brandan Wright, pode jogar nas duas posições de ala e foi draftado com muita expectativa, mas ficou preso como refém do maluco do Don Nelson. Mesmo com a saída do técnico, o ala não teve minutos, se contundiu o tempo inteiro, mas ainda se espera que ele possa brilhar com a situação certa e os minutos necessários. Com a saída do Favors, o titular ao lado de Brook Lopez deve ser o Kris Humphries, que passou a jogar muito bem desde que começou a dar uns amassos na Kim Kardashian (vai ver o talento roubado do Brook Lopez foi pra ele). Mas o time precisa de um reserva, e Brandan Wright vai ter esses minutos à disposição para tentar mostrar alguma evolução, qualquer que seja. Já é um começo e garante que o time não fique muito esburacado com a chegada do Deron Williams. Para o Warriors, apenas foi uma questão de abrir espaço salarial se livrando de gente pouco usada, devem até mesmo mandar o Troy Murphy embora antes dele sequer pisar no ginásio.

Essas trocas foram uma boa demonstração de como funcionam os pequenos e os grandes mercados da NBA. O Nets, que se aproxima cada vez mais de um grande mercado em New York, só precisa de uma estrela para então começar a assinar cheques, pagar taxas e montar um bom elenco ao seu redor com veteranos e mais estrelas querendo ganhar títulos. É o que tenta também o Knicks com Carmelo, e o Nets se esforça para não ficar muito atrás da franquia vizinha. Já o Jazz precisa constantemente monitorar os gastos, cortar jogadores e salários, e agora finalmente aceita uma mudança grande para tentar criar um time competitivo e mais barato. Mas, por um tempo, vai ser hora de focar na pirralhada e nas escolhas de draft, e esperar a crise e a ameaça de greve ir embora. Numa liga movida pelo dinheiro, na hora da crise econômica apenas alguns times podem respirar tranquilos. Os outros precisam humildemente ficar um pouco de escanteio.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Um fim necessário

As maiores mãos do mundo agora acenam adeus


Foram 23 anos como técnico do Jazz. É quase o dobro da idade do Justin Bieber, é mais do que a idade da maioria dos nossos leitores, é mais do que a idade da maioria dos novatos que entram atualmente na NBA. Quando começou a treinar o Jazz, a Emma Watson sequer tinha nascido, e convenhamos que um mundo sem a Emma Watson não faz nenhum sentido. Faz tanto tempo que o Jerry Sloan estava no comando do Jazz que chegamos a pensar que era uma monarquia, que o cargo só seria abandonado quando ele morresse e seria assumido pelo seu filho, herdeiro do trono. Por isso tem gente dizendo que é a morte de uma era, o fim dos tempos, o apocalipse. Por ser o técnico que passou mais tempo em uma equipe em toda a história dos esportes americanos, imaginar Jerry Sloan fora do Jazz é sinal de horror para muita gente. Mas foram 23 anos, gente. Uma hora, tudo na vida dá no saco.

Jerry Sloan foi um gênio, daqueles que a gente usa para provar que prêmios e títulos são bobagem. Nunca foi campeão da NBA e nunca ganhou um prêmio de técnico do ano (se tivesse ganhado teria sido vítima da maldição e demitido no ano seguinte), mas sua carreira como técnico é fantástica. Comandou o Jazz em duas finais de NBA contra o Jordan, em 97 e 98, e só perdeu porque usar o Jordan é apelação. Treinou um dos melhores times de todos os tempos, com Malone e Stockton. É o terceiro técnico com mais vitórias na história da NBA. E o mais impressionante é a consistência: foram 13 temporadas com mais de 50 vitórias, e apenas 3 temporadas em que seu time não ganhou pelo menos metade dos jogos. Com tudo isso, foi parar no Hall da Fama mesmo estando ainda em atividade. Nenhum título, nenhum prêmio, mas ele sempre esteve lá treinando times incríveis e vencedores mesmo quando o elenco não ajudava, as contusões se acumulavam e os donos da equipe mandavam bons jogadores ou escolhas de draft embora para economizar dinheiro. Lembro de um Jazz horrível, sem nenhum jogador decente, que tinha o porcaria do Raul Lopez na armação e mesmo assim ganhou 42 jogos com atuações incríveis do armador. Lembro do Raja Bell ser longamente improvisado de armador e mesmo assim o time funcionar direitinho. Na época eu dizia que um macaco de circo seria um armador genial no esquema do Jerry Sloan, desde que ele conseguisse aturar o técnico.

Porque o Sloan é um gênio velhinho e todos nós sabemos que os gênios e os velhos são muito chatos. O Sloan obriga os jogadores a colocar a camiseta por dentro do calção, proíbe o uso de faixas na cabeça nos jogos e de celulares nas viagens da equipe. Quem entra em quadra pelo Sloan é quem se esforça mais, quem treina mais e quem obedece mais. Muitos jogadores talentosos como Andrei Kirilenko já mofaram no banco de reservas enquanto Matt Harpring, sem nenhum talento, dava cabeçadas em outros jogadores. Talento sempre foi secundário perto do esforço, o Jerry Sloan vem de uma infãncia difícil e valoriza dedicação e força de vontade acima de tudo. Por isso seus times são tão chatos de enfrentar, lutam até o final e mantêm o plano de jogo. No começo dessa temporada, o Jazz cansou de vencer jogos no final depois de perder por mais de 20 pontos. Coloquem o elenco do Cavs nas mãos do Jerry Sloan e eles não perderão 26 partidas seguidas porque antes disso acontecer terão matado a facadas os adversários. Tudo isso, claro, apoiado por um estilo de jogo rígido e eficiente, baseado em bandejas, pick-and-rolls e pouquíssimos arremessos de três, com pouca frirula e nenhum arremesso forçado. Quem sai do plano vai pro banco.

Com esse tipo de rigidez, é bem óbvio que o Jerry Sloan arrumou encrenca com muitos jogadores ao longo de seus 23 anos de Utah Jazz. As histórias podem não estar aí, podem não ter ido parar na Contigo!, mas os confrontos aconteceram. Teve muito jogador descontente no banco, muita bronca por cagada feita em quadra, muito jogador querendo fazer o que bem entendesse e tomando surra de chibata. Por isso, os boatos de que o Sloan resolveu abandonar o Jazz por causa das brigas com o Deron Williams me soam completamete absurdos.

Na partida contra o Bulls, na quarta-feira, Deron Williams desobedeceu o técnico em quadra e os dois bateram boca no vestiário, com gente dizendo que tiveram que segurar os dois pra não sair porrada (já pensou um soco das mãos gigantescas do Jerry Sloan?). O Deron disse que discutiram mas que não foi nada de mais, que os dois já tinham brigado mais feio antes e que outros jogadores também já tinham confrontado o técnico com mais violência antes. Ou seja, mais uma discussão na lista de bilhares de um técnico severo. Normal, quando um técnico quer estabelecer uma filosofia desse tipo em uma equipe, proibindo até coisas idiotas como faixa na cabeça, está pronto para enfrentar resistência, confronto e insatisfação. Sloan já lidou com isso por 23 anos, não há razão para imaginar que a discussão com Deron Williams tenha sido tão pior assim. Pelo jeito, ele só está de saco cheio. Sem Boozer, o Jazz tem dificuldades em estabelecer um jogo de meia distância e o pick-and-roll. Está brigando pelas últimas vagas do Oeste, perdendo jogos que deveria ganhar, cheio de altos e baixos nos últimos anos. E o Deron Williams é competitivo, se acha fodão, e quer ter mais liberdade nas mãos. O Sloan juntou tudo isso num pacote, viu que estava passando Big Brother na tevê, e resolveu tirar férias. É justo.

Realmente, Deron Williams é um armador bom o bastante para fazer mais em quadra do que faz atualmente pelo Jazz. Nas partidas em que o Jazz virou o jogo no segundo tempo durante essa temporada, todas foram mérito de um surto criativo do Deron, de ele colocar a bola debaixo do braço e resolver sozinho - ou seja, foram vitórias da desobediência. Jerry Sloan é um dos melhores técnicos que já existiram, é um gênio e está no Hall da Fama antes mesmo de se aposentar. Mas não é por isso que seu estilo não pode ser questionado, que cada situação não deve ser analisada individualmente. Sloan é o técnico ideal para comandar esse Jazz atual, para ensinar Deron Williams, trazer estabilidade a esse time? Talvez não - e isso não é nenhuma heresia. Ficar no time por 23 anos tornou proibido discutir se seria melhor o Sloan tomar outros rumos, e todos os times deveriam discutir continuamente se mudanças são ou não necessárias. Sem o Boozer em quadra e com o jogo de meia distância de Millsap e Al Jefferson tão abaixo do que se esperava, talvez fosse hora de mudar os planos de jogo e deixar Deron arremessar mais, jogar de costas para a cesta, usar o corpo contra os armadores adversários que são sempre menores do que ele. Talvez o time funcione melhor com mais liberdade, usando a criatividade do Deron, talvez o time precise da mudança de ares, de celular nos ônibus, da chance de provar que podem vencer mesmo sem o técnico Hall da Fama. Ou talvez o time simplesmente piore e desande de vez sem a tutela do melhor técnico de sua história. De todo modo, o importante é que agora o Jazz pode debater isso abertamente, pode escolher se mantém o mesmo rumo ou se toma caminhos diferentes. Com Sloan, nada era questionado. Agora, o Jazz pode pensar, matutar e tomar decisões. Por melhor que fosse Jerry Sloan, acho essa rigidez um preço alto demais a se pagar, e o time já estava há tempos demais nesse limbo eterno de se classificar para os playoffs com certa facilidade mas não ter nenhuma chance de título. Agora o time vai ser mais maleável e, quem sabe, simplesmente feder. Isso por si só já seria o bastante para injetar talento novo na equipe e romper o atual ciclo.

Os leitores do Jazz, que adoram tacar cocô na minha cabeça e sabem onde eu moro, vão dizer que eu sou herege. Na verdade sou um grande fã do Jerry Sloan e daquilo que ele faz com seus armadores - o Stockton é, para mim, um dos melhores de todos os tempos e um dos meus três jogadores favoritos deste universo. Ainda assim, Sloan vem de outros tempos. Enfrenta uma nova geração de treinadores nerds e carregados de estatísticas que não perdem tempo proibindo faixinha ou dando eletrochoque nos armadores que não seguirem tudo à risca. São treinadores novos que podem perder seus postos a qualquer momento, gerando mudanças, contrastes, evoluções. Sem isso, os times ficariam estagnados. Jerry Sloan deixa saudade, fico feliz que ele já esteja no Hall da Fama, que ele seja reconhecido mesmo sem ter nenhum anel. Mas era hora de ir embora e deixar o Jazz respirar um pouco, se virar sem ele. Tenho a mesma opinião com o Los Angeles Lakers: por melhor que seja Phil Jackson, já atingimos um momento em que o Lakers precisa urgentemente respirar novos ares para que exista contraste, mudança e evolução. Os finais são tristes mas necessários. O Jazz vai se sair bem, mesmo sem as mãos gigantescas do Jerry Sloan dando tabefes na bunda de todo mundo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O fim do Jazz

-Como tá aí, Robin?
-Tá ruim


Lembra do último título do Spurs em 2007? Não faz tanto tempo, mas tanta coisa mudou na NBA que até parece que faz. Lembram que naquele saudoso playoff o último time do Oeste a ser batido por Duncan e sua gangue foi o Utah Jazz? Se eu me lembro bem aquele time do Jazz tinha Deron Williams, Carlos Boozer, Andrei Kirilenko, Mehmet Okur, CJ Miles, Ronnie Brewer. Todos esses, eu disse TODOS, ainda estão no time.

Daquele elenco eles perderam caras como Louis Amundson, Gordan Giricek, Jarron Collins e também um jogador de basquete, o Derek Fisher. Em compensação hoje em dia eles tem Kyle Korver, Paul Millsap e o bom (embora limitado) novato Wesley Matthews. O técnico é o mesmo, claro, Jerry Sloan, que treina o Jazz desde a liga da Pangéia.

Então alguém me explica como, em tão pouco tempo, um time quase igual, que mudou apenas adicionando peças melhores, caiu de vice-campeão do Oeste para nono colocado da mesma conferência. Apareceram novos times de lá pra cá, o Lakers melhorou, o Nuggets, o Blazers, mas o Jazz não caiu para quinta força, caiu para fora dos playoffs. Nem em casa eles tem jogado com a mesma força. Em 2007 foram 10 derrotas em casa na temporada regular, no ano seguinte apenas 4, na temporada passada foram 8 e agora, com apenas 1/3 da temporada jogada, já estão com 6 derrotas.

A última foi ontem, contra o New Orleans Hornets. O time do Chris Paul é outro que despencou de qualidade de uns anos pra cá, mas pelo menos eles tem a desculpa de que o Peja Stojakovic joga como uma pessoa de 63 anos. Mas o importante desse duelo é que o Hornets sempre foi freguês do Jazz, o Chris Paul é melhor que o Deron Williams sempre, menos quando enfrenta o Deron cara a cara.

Aí no jogo de ontem o CP3 não apenas venceu o duelo, na casa do Jazz, como o fez com uma jogada decisiva sobre o seu rival. O Hornets vencia por 4 pontos, tinha a posse de bola e 40 segundos no relógio. Aí o Chris Paul perdeu a bola e o Jazz puxou o contra-ataque, o Deron Williams mirou um passe picado para o Andrei Kirilenko que iria deixar o jogo com apenas uma posse de bola de diferença. Mas aí o Deron foi o Raí e o Chris Paul foi o Dida. Pulou quase no chão para interceptar o passe e não só bateu na bola, ele a agarrou, tomou controle dela, foi para o ataque e fez a bandeja que matou a partida. Quando você perde até para quem é seu freguês é porque a coisa tá ficando feia.

O padrão nesses casos de bom elenco que não alcança o esperado é mandar o técnico embora. Mas é mais fácil todo mundo que recebe o Bolsa Família pedir pro Lula sair da presidência do que o Jazz tirar o Sloan do comando da equipe. Não é à toa então que hoje saiu uma notícia dizendo que a equipe está tentando trocar todo mundo, menos o Deron Williams.

É triste ver um time com um elenco tão espetacular como esse do Jazz pensando em desmontar uma equipe depois de ter conseguido apenas uma final de conferência, mas não vejo outra solução também. Se depois de tantos anos dando chances os resultados não apareceram, é melhor usar os contratos expirantes de Boozer e Okur para conseguir alguma coisa boa em troca do que depois perder os dois e ficar sem nada.

Enquanto para o Jazz é o fim de uma era estranha, que não foi ruim mas poderia ter sido muito melhor, para a NBA pode significar grandes mudanças. Assim como a troca do Pau Gasol redefiniu os rumos do Oeste e da NBA há duas temporadas, o Boozer e o Okur mudando de time podem muito bem dar um novo desenho para a liga. Já pensou se o Spurs consegue qualquer um dos dois para fazer dupla de garrafão com o Duncan? Ou se o Heat acha um parceiro mais confiável que o Jermaine O'Neal para o Wade? Ou se o Blazers consegue alguém que não ande de cadeira de rodas? Vai ser bem divertido acompanhar os rumores de troca agora que o Jazz deixou claro que está em reconstrução. Porque uma coisa é o Knicks oferecendo o Jerome James por aí, outra é o Boozer disponível.

Futuro à parte, eu realmente ainda estou intrigado para saber como o Jazz caiu tanto e chegou nessa situação. Fui então atrás de números que pudessem indicar o que mudou nesses últimos anos. Vendo os números de Offensive e Defensive Rating deu pra ver onde o time se lascou. Pra quem não sabe, esses são os números que medem quantos pontos o time faz (offensive) e sofre (defensive) a cada 100 posses de bola. Ao contar por posse de bola e não por jogo esse número iguala as equipes que jogam em ritmos de jogo diferentes.

Na temporada 2006-07, quando alcançou a final do Oeste, o Jazz tinha o terceiro melhor ataque da NBA nessa contagem, 110,1 pontos a cada 100 posses de bola. No ano seguinte, quando teve aquela espetacular campanha de apenas 4 derrotas em casa, ficou com o melhor ataque da NBA inteira. No ano passado o time caiu para oitavo e nesse ano está em 15º.

Na contagem defensiva, em compensação, o time está até melhor. Era o 18º, depois passou pro 12º, 10º e hoje é o 11º melhor time na defesa da NBA.

Ou seja, o time piorou porque não sabe mais como fazer pontos. Apesar de ter hoje o Korver, de ter o Millsap vindo do banco, o time não faz mais pontos como fazia antigamente. São 7 pontos por jogo a menos em comparação com a temporada 2007-08 e a queda de 15 posições entre os melhores ataques da temporada. Dá pra culpar a previsibilidade do time, que sempre jogou bastante igual, mas se jogar igual fosse defeito o Spurs não teria 4 anéis de campeão. O que eu percebo vendo o time, e não só os números, é que o Jazz não se movimenta como se movimentava antes.

Antes era um saco enfrentar o Jazz porque eles eram uma equipe paciente. Ficavam rodando o garrafão fazendo milhares de cortes em direção à cesta, com bloqueios de todos os jogadores até que alguém sobrava embaixo da tabela, recebia um bom passe e fazia a cesta. Além disso tinha o infalível pick-and-roll entre Boozer e Deron Williams. Não vi todos os jogos do Jazz na temporada, afinal eu tenho mais o que fazer, mas assisti um bocado e parece que os dois executam cada vez menos essa jogada. Preferem deixar o Deron levar alguém no drible ou isolar o Boozer de costas para a cesta contra o seu marcador.

O Jazz que era o time da coletividade, do toque de bola inteligente, cada vez mais investe em jogadas individuais. Na partida de ontem contra o Hornets eles perderam por não saber executar jogadas simples no fim do jogo. E perderam porque na hora da decisão o Hornets fez o básico e fizeram as jogadas de dupla entre o Chris Paul e o David West com um terceiro jogador, o Devin Brown, aparecendo quando tinha dobra na marcação. Não era o Jazz que jogava com essa simplicidade?

Se eu tivesse que dar uma explicação para o grande Jazz que nunca foi, diria que eles perderam a simplicidade na hora de jogar. Era o maior trunfo deles em jogos complicados e eles não tem mais isso, é mais um time (tipo Clippers, Nets, Sixers) que tem um monte de jogador bom em que um assiste o outro tentar fazer alguma jogada bonita. E perdem.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Nova geração de armadores

Cadeiras vazias para ver Chris Paul e Deron Williams, duas peças de museu


Houve um tempo, muito distante, em que a rivalidade entre dois armadores dominava os debates sobre NBA. As donas de casa fofocavam sobre eles na calçada, os bêbados escolhiam o prefererido e ficavam defendendo o queridinho nas mesas de bar, e o pessoal que acompanha basquete e comenta nos fóruns jogava a vida na privada teorizando sobre qual dos dois era melhor sempre que dava um tempinho no Ragnarok. Os armadores eram Deron Williams e Chris Paul, e mesmo que ficar alegando que um era melhor do que o outro fosse a mair perda de tempo (assim como nós dizemos, desde o começo do blog, que é uma perda de tempo surreal comparar dois jogadores diferentes), a rivalidade era muito divertida de se acompanhar.

Os dois foram draftados em sequência, com o Williams indo para o Jazz com a terceira escolha e o Chris Paul indo para o Hornets com a quarta. Por algum tempo Paul pareceu o jogador mais completo enquanto Deron era o melhor pontuador e arremessador, mas os dois foram mostrando mais e mais aspectos de seus jogos até que não dava mais para dizer o que um fazia melhor do que o outro. O que podemos dizer, sim, é que o Chris Paul sempre tinha seu traseiro chutado quando os dois se enfrentavam e, no entanto, começou a receber mais atenção do público com sua atuação monstruosa nos playoffs. Foi parar no All-Star Game duas vezes, muitos consideram o rapaz o melhor armador da NBA, e o Deron Williams foi ficando um pouco de lado e ainda não foi parar no jogo das estrelas, o que é um crime tão grande quanto deixar a Alinne Moraes tetraplégica.

Mas essa rivalidade agora é velharia, tipo Kinder Ovo que custava 1 real. Os dois armadores estão fora das quadras por uns tempos e seus reservas, dois novatos, estão chutando traseiros. Todo aquele papo de que o draft desse ano tinha uma boa safra de armadores não era só papo pra te comer, temos Brandon Jennings marcando 55 pontos e transformando o Bucks, Tyreke Evans assumindo a armação do Kings e tornando o time bizarramente bom, tem o Stephen Curry quebrando um galho no Warriors sem Stephen Jackson e tentando sobreviver ao circo, o Ty Lawson fazendo miséria no Nuggets quando o Billups vai pro banco, o Toney Douglas sendo um dos poucos aspectos positivos do Knicks e jogando melhor do que o titular Chris Duhon, o Jonny Flynn impedindo o Wolves de ter a pior campanha da NBA apesar das contusões (o Nets também ajuda o Wolves a não ter a pior campanha) e além de todos eles temos os novatos que substituem Chris Paul e Deron Williams: são o Eric Maynor e o Darren Collison.

Os dois também foram draftados em sequência, também com o Jazz escolhendo primeiro. Mas ao invés da terceira e quarta escolha, foram draftados na vigésima e na vigésima primeira. Mas, nessa safra de armadores abençoada por deus e bonita por natureza mas que beleza, os dois chutam traseiros como não se imaginaria de escolhas tão altas, principalmente levando em conta que armadores costumam levar mais tempo para pegar as manhas da NBA do que jogadores de outras posições.

Quando o Chris Paul torceu o pé, a impressão que deu foi a de que o time estava fedendo tanto que ele até preferiu se contundir pra ir assistir ao filme do Pelé. Das dez partidas que disputou, Chris Paul venceu apenas três, e isso enquanto marcava quase 24 pontos por jogo. Era bem claro que ele estava tendo que pontuar completamente sozinho, e como o Tracy McGrady aprendeu nos seus tempos de Orlando, dá pra fazer 60 pontos num jogo e ainda perder se o teu time não souber nem amarrar o cadarço. Sem o Chris Paul, quem assumiu a responsabilidade de armar esse time incapaz de acertar a cesta foi o Darren Collison, e o pirralho já ganhou três partidas - e só tendo disputado cinco. A derrota de ontem para o Heat, por exemplo, só veio nos segundos finais depois de um arremesso certeiro do Udonis Haslem, o que mostra que o rapaz não apenas está no caminho certo mas também está tornando seu time mais eficiente sem carregar tanto o fardo ofensivo. Com 15 pontos e 6 assistências de média nas partidas como titular, Collison está abrindo espaço para outros jogadores aparecerem, como o também novato Marcus Thornton, escolha de segunda rodada, que marcou 22 pontos por jogo desde que o Chris Paul foi passear. A verdade é que esse time fede, fede muito, e fedia mesmo quando o Paul levou a equipe aos playoffs e impressionou todo mundo a ponto da gente não perceber o tamanho da bomba (tipo um cara feio com uma namorada gostosa, você acaba pensando algo como "ele não deve ser tãaaaao feio assim). Se ele continuar segurando o rojão sozinho, o time não apenas vai estagnar como vai acabar torrando os últimos traços de paciência do armador, que pode, no maior estilo "Tropa de Elite", simplesmente pedir pra sair.

Enquanto isso, em Utah, parece existir uma espécie de maldição que aflige as filhas dos armadores do Jazz. Assim como o Fisher enfrentou problemas com a saúde de sua filha que, por fim, acabaram gerando um acordo que permitiu ao armador voltar a Los Angeles (e ao Lakers) para poder estar perto dos maiores centros médicos, Deron Williams também pediu dispensa do Jazz por uns tempos para lidar com problemas de saúde de sua filhota. Ficamos na torcida de que não seja nada sério, que o Deron Williams possa voltar às quadras feliz e tranquilo, e que essa maldição não seja tão séria quanto a que faz o Clippers sempre feder ou o Wizards sempre ter alguém contundido. Nas duas partidas em que o Eric Maynor teve que assumir a armação titular da equipe, suas atuações foram incríveis. Contra o Sixers foram 13 pontos e 11 assistências, e contra o Cavs foram 24 pontos e 4 assistências. Mais do que isso, Maynor mostrou domínio nas jogadas de "pick-and-roll" que tanto fizeram a fama de Stockton e Deron Williams, apresentando um grande entrosamento com o Carlos Boozer. Parte disso parece ser culpa do Jerry Sloan, porque parece que se um anão de biquini for colocado pra armar o jogo no Jazz vai dar tudo certo, lembro de ver jogadores bizarros assumindo a posição em momentos de desespero e funcionando bem, como Gordan Giricek, o Raja Bell por quase uma temporada inteira, e até o Kirilenko, todos bem fora de sua posição natural.

Para o Jazz, saber que o Maynor se deu tão bem na função e que o Sloan deixa a vida dos armadores tão fácil é uma descoberta essencial. Esse começo de temporada não está sendo fácil para a equipe e Carlos Boozer e Paul Millsap são como pistoleiros de faroeste, ou seja, a cidade é pequena demais para os dois juntos. Ambos precisam de minutos, mas os dois precisam de bons armadores que permitam o "pick-and-roll" para que possam render satisfatoriamente. Se Millsap entrar em quadra acompanhado do Maynor, o Jazz ganha um banco de reservas que não deve muito à dupla titular Boozer-Deron, e isso não é pra qualquer um. Além de ser uma base para o futuro, já que a equipe se comprometeu com o Millsap pelos próximos anos, é uma garantia de que as mesmas jogadas podem ser usadas pelo escalão reserva, que sempre foi um dos grandes pontos fracos do Jazz.

Da próxima vez que Jazz e Hornets se enfrentarem, e provavelmente o Hornets vai estar fedendo bem mais do que o Jazz, ninguém mais vai estar de olho no duelo entre Chris Paul e Deron Williams. Todo mundo vai querer ver Eric Maynor e Darren Collison se pegando, porque as duas equipes parecem destinadas a ter uma tradição de armadores rivais. O universo conspira para que sejam draftados em sequência, para que tenham chances no time titular ao mesmo tempo, e vai conspirar para grandes partidas entre os dois pelos próximos anos. Tudo graças à melhor safra de armadores puros que a NBA já viu, e olha que nem temos o Ricky Rubio nessa brindadeira ainda. Se bobear, é sorte dele: no meio de tanto, tanto talento, ele teria que suar as pitangas para fazer jus aos seus companheiros de posição. Afinal, armadores que substituem Chris Paul e Deron Williams à altura tem que ser espetaculares - e olha que nenhum deles fez 55 pontos. Ainda.

sábado, 8 de novembro de 2008

O Spurs fede (e outros assuntos menores)

A foto é bonita mas ele errou o arremesso


Aconteceu tanta coisa ontem que é até difícil saber por onde começar, então começo dizendo que aconteceu tanta coisa que é até difícil saber por onde começar. Isso me permite começar o próximo parágrafo já com algum dado, sem precisar de alguma introdução.

Jerry Sloan, técnico do Utah Jazz, conseguiu ontem sua milésima vitória no comando do Jazz. Não são 1.000 vitórias na carreira somando os times que treinou (Bulls e Jazz), são só pelo Jazz, é insano! Eu não tenho mil vitórias nem somando todas as vezes que joguei International Superstar Soccer 64, e olha que eu dediquei toda uma adolescência a esse jogo. Mas para o Sloan foi só mais uma partida, ele ficou com aquela cara emburrada o jogo inteiro, disse que o basquete é um jogo de jogadores e não de técnicos, mandou todo mundo trombar uns nos outros, fazer pick and rolls e foi pra casa depois de mais um dia de trabalho. Ou foi porque ele já tinha feito a festa antes do jogo, afinal foi contra o Thunder, ele já sabia que ia ganhar.

Mais uma vez sem nenhum gancho eu mudo de assunto. Devin Harris estragou a estréia do Allen Iverson no Detroit. O Iverson nas suas primeiras duas jogadas pegou a bola, ficou driblando e finalizou com cesta, sem passar a bola - sem dúvida é uma nova era em Detroit. Ele nem foi tão fominha assim o jogo inteiro, mas achei o time muito esquisito, principalmente nos momentos em que usaram Stuckey, Iverson, Hamilton e Prince juntos. O Pistons usando o "small ball", só com jogadores baixos em quadra, é uma aberração, não tem como isso dar certo. Eu não acho que vai ser um desastre, não é pra tanto, mas essa experiência Allen Iverson não dura mais do que uma temporada em Detroit. Ano que vem ele deve estar em algum outro time.

Ah merda, esqueci do Devin Harris! Ia falar dele e só falei do Pistons. Estou parecendo a transmissão de ontem do jogo, que só falava de Iverson, Iverson e Iverson enquanto o Devin Harris estava arregaçando com a defesa do Pistons e não tinha um Billups lá pra parar o garoto. O Devin Harris fez o que mais sabe, costurou a defesa, bateu pra dentro, fez milhares de bandejas e não passou a bola nunca. Grande garoto, aprendeu muito com o Iverson, sem dúvida.

A derrota do Pistons foi notícia ruim para os seus torcedores, mas quem saiu deprimido da rodada ontem foram os torcedores de Hawks e Spurs: Josh Smith e Tony Parker vão perder pelo menos duas semanas de temporada depois de torcer o pé. Sério, tem como as coisas ficarem piores para o Spurs? Ontem eles estavam sendo humilhados, em casa, pelo Heat. Sim, o Heat, o time que tem dois novatos e três alas de força no time titular (o Beasley é as duas coisas ao mesmo tempo). O Popovich estava tão puto com o seu time estar perdendo por 20 no primeiro tempo depois do Tony Parker ter torcido o pé que voltou do intervalo com uma escalação digna da Liga de Desenvolvimento da NBA:

George Hill
Roger Mason
Desmond Farmer
Anthony Tolliver
Tim Duncan

Não precisa gastar seu comentário do dia pra dizer que o Duncan não é de nível de Liga de Desenvolvimento, mas acho que ele não joga do lado de caras tão ruins desde o time de ginásio dele. Dava pra ver nos olhos do Duncan o esforço, cheguei a torcer pelo Spurs durante um período do jogo, mas o time era ruim demais, a única jogada que eles tinham era ficar passando a bola de lado até um deles decidir chutar de 3.

O Miami não é burro e cercou o Duncan de jogadores, implorando pra qualquer outro jogador realizar os arremessos. O resultado foi que o Spurs arremessou 35 bolas de três no jogo! Acho que nunca vi isso em San Antonio, nem nos dias em que eles tinham Stephen Jackson, Ginóbili, Brent Barry ou qualquer outro grande arremessador no elenco.

E coitado do Parker, logo depois de fazer 55 pontos num jogo ele torce o pé? Só não dá pra ter dó dele porque a Eva Longoria é só pixels no papel de parede do meu Windows, enquanto é de carne e osso na cama dele.

O curioso das contusões de ontem é que elas mostram como existem jogadores que correm riscos simplesmente pelo estilo de jogo. O Tony Parker se machucou ao tentar uma bandeja, algo que cedo ou tarde teria que acontecer, é tanto pé naqueles garrafões que uma hora o pezinho delicado do francês ia cair no lugar errado. Já o Josh Smith se machucou depois de uma tentativa de toco. Se eu não me engano, o Gerald Wallace já se machucou uma vez ao pular desesperado para um toco, caindo depois de mal jeito. Por essas e outras é que você nunca vai ver o Jaqcue Vaughn ou o Mark Madsen se machucando. Eles não correm riscos.

Mas pelo menos ontem o Atlanta não sentiu falta do Josh Smith e deu um sacode no Raptors. Sabiam que só tem três times ainda invictos na NBA? São Lakers, Jazz e Hawks! Meu deus, nunca achei que ia dizer isso, mas o Hawks é atualmente o líder do Leste! O nosso leitor Silvano Vianna perguntou se eles são cavalo paraguaio, eu vou responder depois em um post mais detalhado do Hawks, mas, até para minha surpresa, acho que não são não. São um bom time. Ser líder do Leste é temporário, mas espero uma boa campanha deles.

Uma pena que a invencibilidade deve acabar na quarta da semana que vem, quando pegam o Boston. Mas até lá dá pra vencer o Thunder (sempre dá) e o Bulls, fazendo o Atlanta começar sua campanha com um recorde de 6 vitórias e nenhuma derrota.

Quem lê o blog há um tempo sabe que a gente aqui no Bola Presa não é nada patriota. Gosto do Leandrinho porque ele é um grande jogador, não porque ele fala a mesma língua e nasceu dentro da mesma linha imaginária que a gente. É com essa liberdade de falta de patriotismo que digo com todas as letras que o Nenê dispara nessas primeiras semanas como principal candidato ao prêmio de jogador que mais evoluiu na temporda. É patético começar com especulações de prêmios depois de apenas duas semanas de jogos, mas o Nenê está jogando demais mesmo e não parece que seja só uma fase, têm sido atuações convincentes.

Se o Devin Harris roubou o brilho da estréia do Iverson, em Denver quem roubou o show do Billups foi o Nenê. O jogo de ontem do Denver com o Dallas foi espetacular. Teve atuação muito boa do Jason Kidd, jogadas lindas do Dirk e até o Gerald Green foi muito bem, ao mesmo tempo em que vimos o Denver com uma nova atitude em quadra, mesmo depois de apenas um treino do Billups com o time!

O Denver desistiu em parte da correria, dos arremessos preciptados e jogou um jogo mais de meia quadra. E ninguém saiu perdendo. Com as jogadas de isolação o Carmelo rendeu até mais do que rendia antes, e com algumas jogadas mais bem trabalhadas, sem a ânsia pelo arremesso, o Nenê teve a chance de enfrentar o garrafão do Mavs e se deu bem. Acabou o jogo com 19 pontos, 7 rebotes e 1 (bela) assistência, além de várias bandejas de mão esquerda e enterradas poderosas. Só deu medo quando o Dirk trombou com o brazuca bem no joelho operado do Nenê, que saiu mancando. Fiquei com medo que quarta tinha sido o dia das grandes atuações e sexta o dia dos contundidos, mas o Nenê voltou inteirão.

O Billups não fez grande atuação, errou muitos arremessos e até um lance livre quando o jogo estava para ser decidido, mas só sua chegada já rendeu um estilo de jogo menos suicida e algumas boas jogadas na defesa. Mas o que eu achei mais genial por parte do George Karl, técnico do Nuggets, foi usar o Danthay Jones como titular e não o JR Smith. Isso deixou o time titular ainda mais defensivo e possibilitou ao JR Smith continuar jogando na correria, que é o que ele sabe fazer e fez muito bem com seus companheiros reservas Chris Andersen e Linas Kleiza, eles lembravam mais o antigo Nuggets e o resultado foi muito bom.

É muito melhor você ser correria porra-louca por alguns minutos ao invés do jogo inteiro e deu ao banco de reservas uma função de botar fogo no jogo, desestabilizar a defesa adversária. De repente o Nuggets virou um time que tem opções de estilo de jogo, não é só aquela mesma coisa ridícula de antes.

Mas nem tudo é perfeito. Tomaram 14 rebotes ofensivos só no primeiro tempo, deixaram o Mavs arremessar de 3 quando eles quiseram e o Billups, mesmo com a fama defensiva e com alguns bons roubos de bola, tomou um pau no duelo individual com o Jason Kidd, que ficou a uma assistência de seu 101° triple double na NBA.

Foi uma bela rodada e ainda bem que foi numa sexta-feira, porque em qualquer outro dia eu não aguentaria ficar acordado até às 4h30 da manhã vendo jogo e em algum outro dia menos movimentado vamos analisar com mais calma tudo isso que começou ontem. O Hawks como time bom, os novos estilos de jogo de Detroit e Denver e, com muito gosto e só um pouquinho de dó, o martírio do Spurs.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Análise dos técnicos - Divisão Noroeste

Acabaram as análises e o Isiah não apareceu. Que pena...


Finalmente chegamos ao fim da nossa semana especial de técnicos. É a vez da divisão Noroeste do estreante (e ridículo) Thunder. Aproveitem essa última parte e parem de nos cobrar posts sobre os técnicos!


George Karl, Denver Nuggets

Parece minha sina: O George Karl também treinou o Bucks. Será que é pré-requisito treinar os veadinhos antes de ir para o Oeste? Bom, mas antes do Denver e do Bucks, o Karl já treinava fazia um tempo, desde a temporada 84-85, quando treinou o Cavs, depois o Warriors e o Sonics, onde realmente ganhou mais fama.

O engraçado desse time do Sonics que o George Karl fez era que ele não tem nada a ver com o atual Nuggets. Era um time equilibrado! Tinha o sétimo melhor ataque da NBA e a segunda melhor defesa! É sério, George Karl e melhor defesa juntos.

Acho que podemos dar um mérito também para os jogadores naquele Sonics, o Gary Payton era o armador principal e antes de ficar velho (para quem só lembra dele no Lakers e Heat) foi um dos melhores defensores de todos os tempos, merecendo até o apelido de "The Glove", ou "A Luva", tal era a forma que ele marcava seus adversários. Mas se aquele time tinha o Payton, o Nuggets tem o Camby, que foi eleito melhor jogador de defesa por duas vezes e nem assim o Denver chegou a ter uma defesa próxima do razoável.

O lado negativo da passagem do Karl pelo Sonics foi em 1994, quando levou o Sonics a 63 vitórias na temporada regular mas foi o primeiro time cabeça-de-chave número 1 a perder para o número 8, quando perderam para o Denver de Dikembe Mutombo.

O que dizem é que os jogadores do Nuggets não respeitam mais o George Karl e ele mesmo parece já ter desistido. Esses rumores ficaram ainda mais fortes nos playoffs da temporada passada quando o Lakers destruiu e humilhou o Nuggets. Dizem que caras como o Kenyon Martin, o Carmelo, (principalmente o) JR Smith e até o Iverson não davam ouvidos a ele, que com o tempo parou de se importar, o que não me deixa entender porque ele ainda trabalha lá.

Não duvido do talento do George Karl porque ele treinou um timaço no Bucks, aquele com o trio Cassell, Ray Allen e Glenn Robinson, que era um time com uma defesa fraca mas com o melhor ataque da NBA e que mesmo assim ficou a uma vitória da final da NBA. Todos os times de Karl eram bons no ataque, mas só o que era bom na defesa chegou na final. Aposto que ele sabe disso, mas ele precisa enfiar isso na cabeça de seus jogadores, para que comecem a jogar decentemente na defesa e com um pouco menos de improviso no ataque.

E não é que eu tenha algo contra o improviso no jogo, acho lindo, mas quando feito por quem sabe. O Nash sabe improvisar, o Kidd sabe, o JR Smith não sabe, o Carmelo acha que improviso é arremessar de onde ele recebe a bola. O George Karl não tem o menor controle desse time e a melhor coisa pra ele era simplesmente dar o fora!

Ah, ele tem o site DemitaGeorgeKarl.com! Parabéns pra ele!


Randy Wittman, Minnesota Timberwolves

Em seus 4 anos como técnico, Wittman perdeu 2 jogos em cada 3 que disputou na carreira, um lixo. Mas não foi só culpa dele.

Seu primeiro time foi o Cavs do final do século passado, aquele time que tinha Shawn Kemp e Danny Ferry em fim de carreira e Andre Miller em começo (ruim) de carreira. Era um elenco péssimo e a 3° pior defesa de toda a liga. Mesmo assim ele continuou no time no ano seguinte, que tinha o Andre Miller jogando bem mais e já tinha o Zydrunas Ilgauskas no elenco, mas Kemp, o cestinha, tinha ido embora e o recorde do time piorou de 32 para 30 vitórias. Wittman foi mandado embora.

Então ele voltou para o Wolves. Sim, voltou. Wittman foi assistente técnico do Wolves em três ocasiões diferentes, somando 10 temporadas pela equipe. Depois de tanto tempo por lá, até foi natural colocar ele para treinar o time.

Randy Wittman é considerado um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do Garnett na NBA, ele chegou lá como um adolescente magrelo e com a ajuda de Wittman, entre outros, claro, chegou a ser quem é hoje. Talvez até pensando nesse relacionamento entre os dois é que tenham colocado ele como técnico, mas a relação só durou uma fracassada temporada, depois Garnett foi para o Boston.

Não foi tão ruim para o Celtics, afinal eles receberam outro pivete vindo do colegial em troca, Al Jefferson, e o Wittman tem a experiência necessária pra fazer ele virar uma potência na NBA, só vai faltar mais quatro jogadores e banco de reservas.

Fucei por uns fóruns do Wolves na internet e quase todos os fãs sempre reagem a um pedido de demissão do técnico com a resposta "Mas não é culpa dele, esse time é muito ruim!", ou "Não é culpa dele, não foi ele que mandou o Garnett por nada!" ou ainda "Ninguém faria melhor que ele, olha quanto cara ruim!".

Então o Wittman deve ficar por lá mais um tempo, já que todo mundo sabe que não é culpa dele. O seu emprego só corre risco porque se o bicho pegar, o verdadeiro culpado, o manager Kevin McHale, irá demitir o técnico antes de admitir que só fez merda e dar o fora. Só para ilustrar o que o McHale fez, antes do draft de 2006 ele recusou uma oferta que seria a 4° escolha daquele draft mais Tyson Chandler e Luol Deng pelo Kevin Garnett. Se você lembrar que o Wolves tinha a 6° escolha naquele ano e a usou para pegar e logo depois mandar embora o Brandon Roy, o McHale teve a chance de montar um Wolves com:

Brandon Roy
Corey Brewer (escolhido no ano seguinte)
Luol Deng
LaMarcus Aldridge (aquela 4° escolha!)
Tyson Chandler

Que tal? Daria até pra colocar a culpa no técnico em caso de fracasso.


Nate McMillan, Portland Trail Blazers

Lembra que eu falei do Sonics do George Karl no começo do texto? Um dos pilares daquela defesa, além do Payton, era o Mr.Sonic, como era conhecido Nate McMillan.

McMillan foi draftado pelo Seattle Sonics em 1986 e ficou lá por toda sua carreira. Depois, em 1998, virou assistente técnico do time e em 2000 virou técnico. É uma história única. Ele foi jogador, assistente e depois técnico do mesmo time, sem nenhum ano de intervalo. O Avery Johnson fez quase isso no Dallas, mas ele não tinha passado a carreira toda no Mavs.

Depois de anos discretos treinando o Sonics, vendo acabar a era Payton e o início da era Ray Allen, mas sempre sem resultados expressivos, com apenas uma visita à primeira rodada dos playoffs. Mas então, finalmente, no seu quinto ano como técnico, ele comandou o time mais surpreendente que eu já vi jogar.

A equipe tinha Ray Allen e Rashard Lewis, grandes jogadores, mas completavam a equipe Luke Ridnour, Reggie Evans e Jerome James. Uau! Claro que ainda tinham as valiosas ajudas de Vlad Radmanovic, Antonio Daniels e Flip Murray, mas mesmo assim é absurdo. Eles conseguiram 52 vitórias, foram para a segunda rodada dos playoffs e deram uma canseira no Spurs, que venceu em 6 jogos. Eu nunca entendi esse time, não sei porque fez sucesso e admiro eles demais, principalmente o Nate McMillan, que ganhou muita moral comigo desde então.

Mas todo mundo resolveu sair por cima e não mostrar que eram uma farsa. Jerome James assinou um contrato milionário com o Knicks, Evans foi para o Nuggets, Daniels foi para o Wizards e para acabar com tudo, o próprio McMillan, pela primeira vez na carreira, iria sair do Sonics.

Para desespero geral do povo de Seattle, ele decidiu ir para o Blazers, o mais fervoroso rival de divisão do Sonics. Isso deu muita discussão na época, era impensável o "Mr.Sonic" virar um Blazer, mas ele foi, talvez já sentindo que as coisas em Seattle não iam pra frente.

No Blazers ele tem tido uma melhora a cada temporada. Foram 21 vitórias no primeiro ano, depois 32 e no ano passado impressionantes 41, além de uma sequência de 13 vitórias seguidas e outras tantas boas atuações. O Blazers dessa última temporada não foi um time muito estável mas fez partidas espetaculares, chegou a ganhar de times muito fortes com atuações convincentes. Agora é esperar a consagração, se com Reggie Evans e Jerome James no elenco o McMillan foi longe, com Aldridge e Oden o céu é o limite.


PJ Carlesimo, Oklahoma City Thunder

O Carlesimo tem quatro momentos em sua carreira como técnico. Um bom, um médio, um ruim e o outro surreal.

O momento médio foi quando treinou o Portland Trail Blazers. Foram três anos comandando um time mediano, que chegou nos playoffs em todas as temporadas mas sempre perdeu na primeira rodada. O típico caso do time que não é nem bom e nem ruim, não ganha título e não tem escolha boa no draft. Um tédio.

O momento bom foi entre 2002 e 2007, quando foi o principal assistente técnico do Gregg Popovich no Spurs. Ele esteve presente nos títulos de 2003, 05 e 07.

O momento ruim foi no ano passado. Apesar do elenco fraco, o Carlesimo passou vergonha com o Sonics: foram apenas 20 vitórias e uma quantidade infinita de partidas humilhantes. Eles chegaram a tomar 168 pontos do Denver em uma partida sem prorrogação! Por mais jovem e incompetente que seja um time, não pode tomar 168 pontos! Aliás, nos 4 jogos contra o Denver na temporada passada o Sonics tomou uma média de 143 pontos por jogo. Meu time do ginásio não tomava tanto ponto.

O momento bizarro da carreira do Carlesimo foi no Golden State Warriors. Lá ele já tinha fama de não saber lidar com jogadores jovens (o que torna a contratação dele para comandar Durant e cia. uma atitude digna de nota!), de ser grosseiro e de não saber tirar o melhor da equipe. O mal-estar chegou ao limite no dia 1 de dezembro de 1997, quando ele criticou o Latrell Spreewell, então estrela do time, por causa de um passe no treino.

Spree não pensou duas vezes, partiu para cima de Carlesimo e começou a enforcá-lo. Foram 15 segundos de ataque, que só parou quando os jogadores conseguiram afastar o companheiro. Um tempo depois o Sprewell comentou o assunto dizendo que ele estava tão descontrolado naquele momento que se não o separassem ele teria enforcado o técnico até a morte. Sério, nem o Djalminha foi tão longe.

Depois de ver no ano passado o Carlesimo deixar o novato Jeff Green tomar 48 pontos do Kobe na cabeça sem ser substituido pelo Carlesimo, acho que ele está mais próximo de ser enforcado por um jogador do Thunder do que de ganhar títulos como na sua época de assistente técnico do Spurs. O PJ Carlesimo tinha que ter ficado no Spurs e ter sido o Murtosa do Popovich.


Jerry Sloan, Utah Jazz

Dois times marcam a carreira de Jerry Sloan. O primeiro, claro, é o Jazz. Ele é técnico do Jazz desde a temporada 88-89, ou seja, completará 20 anos como técnico do mesmo time e foram 20 anos brilhantes. Desde 89 até 2003, Sloan não deixou nem por um ano de ir para os playoffs, chegando em 5 finais de conferência e duas finais da NBA.

O time, como todos sabem, era liderado pela dupla John Stockton e Karl Malone, dois dos melhores jogadores de basquete em todos os tempos. O esquema tático do Sloan era conhecido e usava e abusava do talento dos dois craques. O principal artifício era o "pick and roll", jogada que se utilizava do entrosamento dos dois, da visão de jogo do Stockton e da combinação de bom arremesso de meia distância e de infiltração do Malone.

Então soma-se a isso bons arremessadores e jogadores sempre usando a força para cortar em direção à cesta para receber os passes de Stockton e você tem um time eternamente competitivo. Todos os anos o Jazz estava lá incomodando todo mundo, não tinha erro, podiam entrar e sair jogadores mas se tinha Malone, Stockton e Jerry Sloan, o Jazz estava na briga. O título só não veio por causa do outro time na vida de Jerry Sloan.

Por dois anos seguidos, o Jazz perdeu a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan. O mesmo Chicago que tem a camiseta número 4 aposentada por causa de Sloan.

Sloan nasceu no estado de Illinois, onde fica Chicago, e jogou apenas uma temporada no Baltimore Bullets antes de se transferir para o Chicago Bulls no ano em que o time nasceu, até por isso o seu apelido era "O Bull original". Lá ele fez fama defendendo como um doido, indo para dois All-Star Games, levando o time para os playoffs e como líder do único título de divisão do Bulls fora da era Jordan.

Em uma história parecida com a do Nate McMillan, Sloan logo que se aposentou (por causa de contusões no joelho) virou olheiro do time e logo depois técnico, treinou por 2 temporadas e meia, depois foi mandado embora.

No Jazz, depois de perder os títulos para o Bulls, não conseguiu mais repetir o sucesso de antes e mesmo sem Jordan na liga, o Jazz já não conseguia mais passar pelas novas potências do Oeste, como Spurs e Lakers. Aí foi a hora de Stockton se aposentar e do Malone levar seu pé frio para Los Angeles.

Todo mundo pensava que era a desculpa certa para o Sloan pedir as contas e ir embora, mas não, ele permaneceu fiel ao time e comandando um elenco ridículo não foi para os playoffs pela primeira vez em 2004. Não foi de novo em 2005 e 2006, mas nesse tempo ele não abandonou aquele mesmo velho esquema tático que deu certo durante mais de uma década e aos poucos foi montando o time com as peças necessárias para o esquema dar certo de novo. Veio o armador com visão de jogo (Deron Williams), o ala de força com potência e arremesso (Boozer), os arremessadores (Okur e Korver) e os jogadores de força que estão sempre cortando em direção à cesta (Brewer, Kirilenko, Harpring).

Se fosse pra definir Sloan com uma palavra, seria "estabilidade". Sempre o mesmo esquema, a mesma calma, a mesma cobrança por defesa e jogo físico. O título pode não vir nunca, mas enquanto ele tiver jogadores nas mãos vamos ver ele e seu Jazz nos playoffs. E acho que ele só pára quando morrer.