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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pai rico, pai pobre

"Essa cidade é pequena demais para nós dois", aí os dois foram embora.

Comentamos bastante aqui sobre a saída do Jerry Sloan do Jazz. O técnico já teve desentendimentos com inúmeros jogadores durante sua longa carreira, bateu cabeça com o Deron Williams nos últimos meses, e dessa vez resolveu dar o fora, estava cansado. Não acho, de verdade, que o Deron tenha feito algo tão horripilante a ponto de tirar do time um técnico que passou metade da sua vida discutindo com armadores, mas a torcida de Utah não concorda comigo. Nas três partidas sem Jerry Sloan, três derrotas para o Jazz, Deron Williams foi bastante vaiado pelos torcedores. Defendemos aqui que o Sloan passou tempo demais no comando do time, sempre nesse limbo em que o time vai para os playoffs mas não tem chance de títulos, e de que era hora de mudar. Por mais difícil que seja, todos os torcedores precisam entender que o objetivo é ganhar títulos e que, volta e meia, é preciso abortar um time bom simplesmente porque ele não será bom o bastante.

Aparentemente, o Jazz estava realmente disposto a mudar as coisas. Negociou silenciosamente possíveis cenários de troca pelo Deron Williams ainda enquanto ele batia cabeça com o Jerry Sloan. Após a saída do técnico, no entanto, as negociações não pararam. Até que, sem nenhum aviso, Deron acabou de ser mandado para o Nets em troca de Devin Harris e Derrick Favors, além de duas escolhas de primeira rodada (uma do Nets, outra do Warriors) e 3 milhões de verdinhas. Definitivamente a negociação já está rolando há muito tempo, apenas aguardando que o Carmelo não fosse para o Nets (aliás, leia tudo sobre a troca do Carmelo para o Knicks em nosso post aqui), mas ninguém sabia dela. Não é legal que o mundo da boataria seja a maior perda de tempo do planeta?

Como todas as trocas do Jazz, temos sempre que levar em conta primeiro os motivos financeiros. O Jazz é o time que mandou Ronnie Brewer e Eric Maynor em trocas por nada apenas para liberar espaço salarial porque Utah é um mercado pequeno e limitado. O contrato do Deron Williams era de gordos 14 milhões, e seria de 16 milhões na temporada que vem, última do seu contrato. No meio desse ano, Deron seria liberado para assinar uma extensão se quisesse, e os boatos já começaram a aparecer de que ele não assinaria a extensão para manter aberta a possibilidade de jogar no Knicks, com Carmelo e Amar'e, caso o Jazz não tivesse chances de título até lá. Bem, o time não tinha muitas chances antes com Sloan e Carlos Boozer, está caindo pela tabela sem os dois e tem problemas financeiros, limitando muito as possibilidades de contratações. Na cabeça dos engravatados do Jazz, o Deron ganharia 16 milhões na temporada que vem (aquela que pode ser encurtada por uma greve e que vai piorar a situação financeira das franquias) apenas para sair da equipe na temporada seguinte, em troca de nada - ou forçando mais uma dessas trocas absurdas, como a do Carmelo. Caso o Deron ficasse no time, os engravatados precisariam decidir se vale a pena extender um contrato e pagar quase 20 milhões de dólares num mercado minúsculo para o armador de um time que, com novo técnico e sem padrão de jogo, precisa pensar em algum tipo de reconstrução. Pensando no bolso, na provável greve da temporada que vem, na situação do Carmelo e em perder uma estrela para o Knicks, o Jazz resolveu fazer a troca agora. Aproveitou as negociações provindas do desentimento do Sloan com o armador, aproveitou que o Nets estava disposto a abrir mão de muita coisa para não sair de mãos vazias depois de perder Carmelo, e aproveitou que a saida do Jerry Sloan é uma boa hora para reconstruir a equipe e pensar na pirralhada. Pirralhada barata, de preferência. Com o contrato de 17 milhões do Kirilenko, que vira farofa ao fim dessa temporada, e escolhas de draft do Nets e do Warriors, o Jazz pode respirar em paz com dinheiro nos bolsos e crianças para criar. O time não vai ser relevante por um bom tempo, mas vai ser uma reconstrução divertida de acompanhar.

Derrick Favors andou sendo muito criticado pelo seu começo de carreira no Nets e esteve em todas as propostas de troca que o time fez por Carmelo Anthony. Favors foi colocado em tantas propostas que não dava mais pra tentar enganar o rapaz e dizer que ele estava nos planos do Nets, ele tinha que ser trocado obrigatoriamente, não havia clima para ele ficar. Para o Jazz, foi uma boa. O rapaz é um excelente defensor, mas está tendo dificuldades de se acostumar com a NBA, comete muitas faltas e ainda não tem o físico necessário para defender em alto nível. No ataque, ainda falta muito para conseguir contribuir com regularidade. Mas dá pra ver que isso é apenas questão de tempo. Favors é um excelente reboteiro, se posiciona bem, é esforçado na defesa e não tenta demais no ataque. Em um ou dois anos, pode ser um grande jogador se tiver os minutos necessários para evoluir. Curiosamente, o Nets - mesmo fedendo e em total reconstrução - não estava disposto a lhe dar esses minutos, talvez preocupado em impressionar Carmelo ou em fugir do pior recorde do Leste de novo. No Jazz, Favors vai bater cabeça com Al Jefferson e Paul Millsap, mas talvez funcione se ele for reserva dos dois jogadores (e o Okur for mandando pra rua, como se cogita), assim como acontecia com o trio Boozer, Okur e Millsap. Na pior das hipóteses, o Jazz tem agora três jogadores de garrafão jovens, talentosos e com potencial pra burro para fazer alguma troca. A única certeza é que o Favors fica: por estar no contrato de novato, ele é o mais barato.

A única coisa estranha para o Jazz nessa troca é colocar a armação do time nas mãos do Devin Harris. Ele tem mais 3 anos de contrato, ganha mais de 8 milhões nas três temporadas, e está longe de ser um líder como Deron. É um dos armadores mais rápidos da NBA, chuta traseiros, mas sua ênfase é em pontuar - e se machucar. Como os grandalhões do Jazz vão reagir a um armador menos disposto a fazer os pick-and-rolls, marca registrada do time por décadas? Será preciso uma mudança completa no esquema tático, mas talvez funcione. Al Jefferson e Millsap mostraram nessa temporada, ao contrário do que se pensava, que rendem muito melhor embaixo da cesta do que nos arremessos de média distância como fazia Carlos Boozer. Talvez as infiltrações de Harris abram espaço para Millsap e Al jogarem bem próximos ao aro, finalizando de frente para a cesta, mas será uma mudança drástica de um esquema de jogo que está em vigor há uns 20 anos. Ou seja, finalmente o Jazz vai ser um time realmente diferente, com um armador muito distinto de todos os outros que jogaram sob comando do Jerry Sloan. Pode demorar, mas as mudanças vão fazer bem para a equipe e as trocas forçam o time a se repensar por completo, evitando o risco de que a mudança de técnico fosse apenas aparente, com o mesmo modelo tático sendo mantido pelo técnico substituto. Por um lado foi um modo de se obrigar a arriscar, a tentar algo novo. Por outro, foi uma mudança bastante controlada e medrosa de quem não quer ficar se preocupando com finanças nos próximos anos.

O Nets, por sua vez, só se preocupa é justamente com os próximos anos. Desde que comprou o time, o milionário russo Mikhail Prokhorov não fez outra coisa além de tentar garantir que o Nets tivesse estrelas relevantes ao se mudar para o Brooklyn daqui a 2 anos. A primeira intenção era ter Carmelo Anthony e o time tentou dar as calças por ele, o único jogador intocável era o Brook Lopez, porque pivôs são raros mesmo que o talento dele de pegar rebotes tenha sido roubado pelos Monstars do Space Jam. Como o Knicks fez de tudo para tirar o Carmelo do Nets e conseguiu porque, no fundo, o Carmelo queria mesmo era jogar com Amar'e, o milionário russo foi tentar outra estrela. O Deron Williams foi uma excelente oportunidade de mandar todas as escolhas de draft e o Derrick Favors que o Nets estava juntando há meses para o Carmelo. Parando pra pensar, o Nets provavelmente seria mais inteligente se mantivesse as escolhas e reconstruísse esse time aos poucos, mas é tudo uma questão de mercado. O time precisa chegar com alguma estrela no Brooklyn para vender ingressos e camisetas, mesmo que não tenha chances de titulo. A reconstrução foi agora colocada um pouco de lado em nome de Deron Williams, tantas vezes ovacionado como um dos melhores armadores da liga. O Favors era novinho e cheio de potencial, seria uma ótima para o futuro, mas Deron e Brook Lopez devem fazer uma dupla mais eficiente desde o primeiro dia - e devem vender mais ingressos e criar barulho, agitação, interesse. É claro que o Deron não ficou feliz em ir para o Nets, ele tinha esperanças de ir longe com o Jazz, adorava Utah por ser um lugar calmo e poder se dedicar à família, e estava flertando com a ideia de ir para o Knicks jogar com os amiguinhos. Agora vai para o primo pobre de New York jogar por um time de merda sem nenhuma chance de playoff nem no Leste, parece castigo! Mas esse descontentamento vai durar pouco: Mikhail não poupou esforços por uma estrela até agora, voou para a casa do LeBron para tentar convencê-lo, se encontrou com o Carmelo e fez trocentas promessas, e agora fará tudo de novo pelo Deron. O milionário vai prometer um elenco de apoio, vai pagar as taxas por extrapolar o teto salarial, vai convencer gente a ir jogar lá usando o nome do Deron, vai fazer campanhas de marketing violentas e tornar o Deron um dos jogadores mais famosos da NBA. O armador vai sair de um time que se livrava de gente boa porque não podia pagar e vai cair num lugar em que todo mundo vai querer jogar porque dinheiro não é um problema. Vai ser ovacionado como um dos maiores da NBA porque todas as oportunidades lhe serão dadas e todas as câmeras estarão apontadas. É outra realidade, e não há vontade de vida calma que vá resistir a isso. Deron agora vai poder fazer o que quiser com os jogadores que quiser,sem bater boca com o Jerry Sloan ou se preocupar com elenco de apoio e finanças. O Nets paparicou o primeiro jogador importante, que era o mais difícil. Agora vai atrás dos outros, nos próximos dois anos, mas deve ser tudo muito mais fácil - nos mesmos moldes de Celtics, Heat e Knicks.

A primeira parte da construção do elenco de apoio em volta do Deron Williams veio hoje mesmo. O Nets mandou o contrato expirante do Troy Murphy e uma escolha de draft de segunda rodada em troca de outros dois contratos expirantes: Dan Gadzuric e Brandan Wright. O primeiro é um pivô reserva para quebrar um galho na defesa, até melhor do que muita gente pensa porque comete poucas faltas e tem bom tempo de bola nos tocos. O segundo, Brandan Wright, pode jogar nas duas posições de ala e foi draftado com muita expectativa, mas ficou preso como refém do maluco do Don Nelson. Mesmo com a saída do técnico, o ala não teve minutos, se contundiu o tempo inteiro, mas ainda se espera que ele possa brilhar com a situação certa e os minutos necessários. Com a saída do Favors, o titular ao lado de Brook Lopez deve ser o Kris Humphries, que passou a jogar muito bem desde que começou a dar uns amassos na Kim Kardashian (vai ver o talento roubado do Brook Lopez foi pra ele). Mas o time precisa de um reserva, e Brandan Wright vai ter esses minutos à disposição para tentar mostrar alguma evolução, qualquer que seja. Já é um começo e garante que o time não fique muito esburacado com a chegada do Deron Williams. Para o Warriors, apenas foi uma questão de abrir espaço salarial se livrando de gente pouco usada, devem até mesmo mandar o Troy Murphy embora antes dele sequer pisar no ginásio.

Essas trocas foram uma boa demonstração de como funcionam os pequenos e os grandes mercados da NBA. O Nets, que se aproxima cada vez mais de um grande mercado em New York, só precisa de uma estrela para então começar a assinar cheques, pagar taxas e montar um bom elenco ao seu redor com veteranos e mais estrelas querendo ganhar títulos. É o que tenta também o Knicks com Carmelo, e o Nets se esforça para não ficar muito atrás da franquia vizinha. Já o Jazz precisa constantemente monitorar os gastos, cortar jogadores e salários, e agora finalmente aceita uma mudança grande para tentar criar um time competitivo e mais barato. Mas, por um tempo, vai ser hora de focar na pirralhada e nas escolhas de draft, e esperar a crise e a ameaça de greve ir embora. Numa liga movida pelo dinheiro, na hora da crise econômica apenas alguns times podem respirar tranquilos. Os outros precisam humildemente ficar um pouco de escanteio.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Todo mundo feliz

Mecânica de arremesso: troço superestimado


Algumas trocas na NBA parecem aqueles desafios que aparecem no meio das cruzadinhas: "a Julinha foi ao cinema com o Paulinho, que conhece a Marcinha, que nunca viu o Joãozinho, que é vizinho da Lucinha. Qual o nome do tio da Julinha?" Dá até preguiça de tentar entender o que aconteceu, o que motivou cada um dos times, e imaginar como os engravatados sequer pensaram nisso já dá vontade de ir tirar um cochilo. Mas lá em Dallas e em Toronto, fazer as coisas funcionarem passou a ser uma questão de desespero, a um ponto que até as trocas mais complexas valem a pena.

Bryan Colangelo é a mente responsável por aquele Suns que quase deu certo, mas imagino que ele não tenha escrito esse "quase" em seu currículo. Provavelmente deve ter colocado que tornou o Suns uma grande potência no Oeste se livrando do Marbury, algo que já o coloca entre as mentes mais brilhantes do século. Foi ele mesmo quem escolheu ir para Toronto, começar outro time do nada, e trocar a versão que o Raptors tinha do Marbury, o então aclamado TJ Ford. Aos poucos, Colangelo montou um time de respeito tentando seguir o estilo que tornara o Suns famoso, mas a temporada passada foi uma tremenda decepção, tudo deu errado, e a linha de chegada se aproxima: ao término da próxima temporada encerra-se o contrato de Chris Bosh, e aí o Raptors precisa dar um jeito de convencer sua estrela a ficar na equipe ou, ainda mais difícil, convencer um dos grandes nomes que estarão disponíveis de que vale a pena cruzar a fronteira.

Situação parecida vive Donnie Nelson, o filhote do Don Nelson, que é o responsável pela parte burocrática do Mavs (sabe, aquele time em que o dono e pentelho oficial é o Mark Cuban). Ter um nerd que passou a vida inteira atrás de um computador te enchendo o saco e dando palpite deve ser um porre, mas suponho que deve ser mais tranquilo do que ficar em casa com o pai maluco, que a cada dia deve chamá-lo por um nome diferente e mandar ele dormir num cômodo novo. Donnie também montou um Mavericks que passeou pela elite do Oeste mas que acaba de ter uma temporada horrível, frustrante e com cheiro de fim de novela da Record. Do mesmo modo que ocorre com o Raptors, ao fim da próxima temporada o contrato de Dirk Nowitzki se encerrará e então será necessário convencer o alemão de que esse Mavs ainda tem qualquer chance de ser relevante numa NBA em que os melhores times não param de adicionar novos jogadores de peso.

Fala-se muito sobre os Free Agents que estarão disponíveis ao fim da próxima temporada, em 2010, e a lista é mesmo fantástica: LeBron James, Wade, Bosh, Amar'e, Joe Johnson, Ginóbili, Paul Pierce, Nowitzki, Yao, T-Mac. Isso sem falar nos restritos, como Brandon Roy, Rudy Gay, Aldridge, Rondo, e nos que podem optar por tentar o mercado, como Michael Redd, Nash e Josh Howard. Para o Raptors, essa lista aponta para um problema: a maioria desses nomes continuará em seus times e o restante será abocanhado por equipes que estão se preparando com muita antecedência ou que têm claras chances de título, o que torna difíceis as chances da equipe de Toronto. Para o Mavs, a lista assusta porque seus dois melhores jogadores podem simplesmente dar o fora, já que Nowitzki e Josh Howard não hesitarão em sair de um time que não estiver competitivo. Com tanta gente dizendo que o Raptors é um fracasso e que o Mavs acabou de vez e está reconstruindo, cabe a eles perder suas estrelas e se lascar em 2010?

É por isso que movimentações audaciosas eram essenciais para Colangelo e Donnie Nelson, os dois com a corda no pescoço, a água batendo na bunda. Eles têm apenas uma temporada para montar um elenco atraente e competitivo, capaz de convencer suas estrelas a ficar ou, ao menos, convencer outras a ocupar o lugar. Com isso em mente, foram atrás de alguns amiguinhos que topassem a brincadeira pra festa ficar bacana.

Quando o Colangelo se livrou do TJ Ford algum tempo atrás, recebeu Jermaine O'Neal em seu lugar, uma aposta para formar um garrafão de elite com Bosh. Acontece que, como até mesmo o Jose Calderon afirmou esses dias, os dois pivôs têm estilos muito parecidos, jogam afastados da cesta, e acabaram anulando um ao outro em quadra. Aproveitando o desespero de um Heat sem garrafão, Colangelo conseguiu Shawn Marion em troca do Jermaine, um jogador que casou muito mais com o estilo do time e sempre disposto a correr bastante (algo também conhecido como a síndrome do "Só sei jogar no Suns"). Como seu contrato encerrou ao fim da temporada, o Raptors estava prestes a perdê-lo sem ganhar nada em troca. Foi aí que surgiu a necessidade de uma troca imediata, pra tentar levar qualquer coisa, nem que fosse um canário.

O Dallas expressou interesse no Marion já há bastante tempo, mas o time está bastante acima do teto salarial. A grana que eles tinham foi para os contratos oferecidos para o Marcin Gortat (que, depois de atuações discretas mas confiáveis na temporada e nos playoffs, pode chegar para ser titular) e pro Quinton Ross, para defender e compor elenco. O Magic ainda pode cobrir a oferta de 33 milhões por 5 anos para o Gortat (eles prometeram que cobririam qualquer coisa que não fosse um número muito absurdo, embora 33 milhões pareça absurdo o bastante para mim), mas até mesmo esse dinheiro não chega perto dos 10 milhões por ano que o Shawn Marion alegadamente queria. Acontece que, com o passar do tempo, ficou bem claro que os únicos times com dinheiro o suficiente para dar essa grana para o Marion não estão nem um pouco interessados nele. A solução apareceu da necessidade dos três: o Raptors re-assinou o Marion por 40 milhões durante 5 anos (8 milhões por ano, foi quase lá, garotão!) e mandou para o Mavs, que queria tanto. Em troca, a equipe de Dallas teve que suar a camisa pra ter o que mandar.

O Mavs recebeu também o pivô Kris Humphries, pra mim imortalizado por ser o cara que foi trocado pelo Baby e que, apesar de ser ruim pra burro, deu muito mais certo em Toronto do que o Baby jamais poderia dar. Em troca, o Mavs mandou dois contratos pequenos que acabarão na próxima temporada e que, até lá, irão ajudar o Raptors em posições que eles sequer tinham reservas: Devean George e o nosso ex-desconhecido do mês Antoine Wright. O George vai curtir os ursos do Canadá e depois se aposenta e mora por lá, o Wright vai poder ensinar para os canadenses que também existe defesa fora do hockey.

Mas a troca não é o bastante, porque os contratos têm que ser ao menos parecidos e o do Marion é muito maior. Mandar dinheiro vivo só pode ser feito até no máximo 3 milhões de verdinhas, e o Raptors não estava nem um pouco interessado em aceitar qualquer outro jogador para ocupar espaço e teto salarial. É nessas horas que você puxa um cara qualquer na rua e tenta passar um lero no coitado. O escolhido foi o Grizzlies, o time que a gente nem lembra que está na NBA. Ao mandar o Jerry Stackhouse para Memphis, seu contrato só fica garantido em 2 milhões de dólares, dinheiro que o Mavs mandou do próprio bolso para que o Grizzlies possa pagar inteiro o salário e mandar o Stack embora (o Mark Cuban acaba de ficar 2 milhões mais pobre e aposto que nem percebeu, ocupado que está jogando Ragnarok). Em troca, o Grizzlies se livra do contrato porcaria do Greg Buckner, que nem a mãe quer ver na frente, mandando ele pra Dallas. Como o contrato dos dois não bate direito, o Dallas ganha de brinde um daqueles "trade exceptions", uma espécie de vale-compras que só pode ser usado em trocas. É tipo um vale-CD, mas que você fica feliz de ganhar. Por ajudar na troca, o Grizzlies ainda ganha o Quincy Douby do Raptors (ele é o armador que nem o Kings, quando não tinha ninguém na armação, quis) e ele provavelmente vem junto com um bolo gostoso, flores e umas paçocas.

Então o Raptors manda Marion, Humphries e Douby e recebe Wright, George e uma "trade exception", de modo que a troca possa acontecer. O Grizzlies se livrou de um contrato ruim e ganhou uns trocados, o Dallas conseguiu o Shawn Marion que tanto queria e o Raptors conseguiu uns reservas. Mas é só agora que começa a verdadeira genialidade do Bryan Colangelo. Perdendo o contrato do Marion, que iria embora antes de ser re-assinado, o time ficaria abaixo do limite salarial da NBA e, com isso, perderia os 5 milhões a mais para gastar em jogadores que a liga permite aos times que já não tem mais onde cair duros. Ficar abaixo do teto para poder assinar o Turkoglu acabaria com os 5 milhões, então o Raptors re-assina o Shawn Marion e - surpresa! - o Magic re-assina o Turkoglu. O Marion vai para o Mavs na troca e o Turkoglu vai para Toronto em troca de "trade exceptions" (os vale-CDs que o Mavs arrumou com o Grizzlies). Tecnicamente, então, o Raptors nunca ficou abaixo do teto salarial, ganhou uns reservas e 5 milhões extras, o Magic tem uns cupons pra gastar em trocas futuras, e todo mundo está feliz e radiante de mãos dadas cantando uma daquelas músicas sobre caridade do Michael Jackson.

Em breve a gente olha mais de perto para o Mavs, que re-assinou Jason Kidd, conseguiu Shawn Marion por um preço muito do justo, e ainda deve levar pra casa o Marcin "The Polish Hammer" Gortat. Mas por enquanto, a real surpresa dessa troca é o Raptors de Bryan Colangelo. Deixou todo mundo feliz e, no desespero, conseguiu transformar uma perda que já era esperada e praticamente inevitável em uma melhora considerável na profundidade do seu elenco, dinheiro e esperança para 2010. Ainda acho que o Turkoglu não vai revolucionar o time, mas ao menos Colangelo conseguiu alterar sua equipe enquanto colocou um sorriso no rosto de outros três times da NBA. Vamos lá, não é bem mais legal do que aquelas trocas roubadas tipo Pau Gasol para o Lakers? E essa aqui ainda tem o charme de que, provavelmente, a gente nem entendeu direito, tamanha a bagunça. Aliás, se enfiarem outro jogador nessa troca de última hora, eu edito mas não refaço esse post - refazer essa bagunça vai ser pior do que ir jogar no Grizzlies...

domingo, 10 de maio de 2009

Tudo normal

Só é falta se o juiz contar até 10 e você não levantar


Depois de uma primeira rodada de playoffs cheia de surpresas, jogos 7 e momentos memoráveis, a NBA já está de volta à sua normalidade: LeBron James está passeando como sempre (dessa vez foram 47 pontos na cabeça do Atlanta), o Hawks só perde feio (o Cavs se nega a marcar o Josh Smith no perímetro, obrigando ele a tentar - e errar - apenas arremessos de longe), o Mavs não vence jogo nenhum, o Nowitzki erra os arremessos no final dos jogos, o Artest foi expulso e o Yao Ming, vejam que legal, quebrou o pé. Se eu estivesse perdido numa ilha deserta sem contato com o mundo exterior e tivesse que chutar como estão sendo os playoffs da NBA para a minha bola de vôlei Wilson, teria acertado tudo direitinho. Mas eu iria chutar que o Yao quebraria o pé antes e o Houston teria sido eliminado na primeira rodada, então ao menos alguma coisa acabou saindo do padrão.

O azar do Houston já era mais do que esperado, tinha que acontecer em algum momento porque vi o Tracy McGrady perto do banco de reservas dia desses e miséria e agonia sempre acontecem num raio de 50 metros em volta do pobre coitado. Yao Ming jogou boa parte da terceira partida da série contra o Lakers mancando um bocado, aguentando o que parecia ter sido uma torção após cair de mal jeito num arremesso. Assim, incapaz de ser efetivo no segundo tempo inteiro (após ter chutado traseiros no primeiro tempo, com 14 pontos), permitiu que o Houston fosse caindo num buraco sem volta, mesmo jogando dentro de casa. Ele tentou, se arrastou, puxou aquela perna que deve pesar mais do que toda a população do Acre, e só foi sentar nos segundos finais do jogo, quando ficou óbvio que já não dava mais para vencer o jogo. Nesse momento, Ron Artest já havia sido expulso numa faltinha mais-ou-menos no Pau Gasol.



Negócio é o seguinte: parece que minha função no planeta é reclamar, porque nunca dá para estar satisfeito. Eu bato o pé porque a arbitragem da NBA é muito severa, chata e impede as expressões pessoais dos jogadores; aí depois a arbitragem entra em "clima de playoff" e permite que o jogo vire uma disputa de judô, com quinhentas cotoveladas para todos os lados. Torci para uma partida mais tranquila, mas aí uma falta simples de Artest foi imediatamente punida com expulsão, e eu já não sei mais do que reclamo: da arbitragem apitar demais ou da arbitragem apitar de menos?

Em todo caso, fica bem óbvio que qualquer coisa que o Artest faz já dá arrepios em todos os engravatados na NBA e, portanto, todo cuidado é pouco. Sabendo que qualquer mínimo confronto pode virar um espetáculo nas mãos de Ron Artest, que corre para cima dos adversários, bate boca, atiça a torcida e deita nas mesas dos juízes, quando ele espirra é melhor deixá-lo fora do jogo. Numa falta tão comum quanto o Shaq errar lances livres, Artest foi expulso para que não pudesse mais haver espetáculo. Fica até difícil culpar a arbitragem porque eles não são uma tela em branco e, portanto, têm o direito de entrar em quadra munidos de memórias, medos e preconceitos. Sabem que as coisas funcionam diferente com Artest e por isso acabam reagindo diferente, mas sem dúvida não é justo com o jogador do Houston. Felizmente ele tem sido cada vez mais e mais sensato em suas entrevistas coletivas, elogiou a postura dos árbitros que explicaram para ele o que tinha acontecido e colocaram ele pra fora de maneira calma e polida, e então torceu para que a falta fosse "repensada" pela NBA. De fato foi e tornou-se apenas uma falta flagrante, que não levaria a nenhuma expulsão, e ainda assim acho exagero. Mas que seja, o Artest tem sua fama, seja ela merecida ou não, e os árbitros reagem a ela como podem. Acabou não mudando os rumos do jogo e pelo menos não tivemos uma partida de hockey dessa vez.

Mas a arbitragem acabou mudando completamente o rumo de outra partida, entre Nuggets e Mavs. Após dominar completamente o jogo e amarelar no finalzinho, Nowitkzi viu seu time vencendo por 2 pontos nos segundos finais. Tentaram cometer uma falta em Carmelo Anthony, uma daquelas táticas "oi, meu nome é Spurs e eu sou um desgraçado" de enviar o jogador para a linha de lances livres para que ele possa fazer no máximo dois pontos, ao invés dos três necessários. Além disso, o Nuggets tinha uma falta sobrando, então ainda poderia tentar roubar a bola na cobrança de lateral após a falta. Acontece que a arbitragem ignorou as duas faltas em sequência que Antoine Wright tentou fazer em Carmelo Anthony. Mais uma vez não podemos culpar tanto a arbitragem porque, se eles não leram a nossa coluna "Desconhecido do Mês" do Antoine Wright, simplesmente não sabiam que ele existia e não marcariam uma falta num jogador invisível. Parte da culpa vai para o Wright, também, que não anda armado: depois dos dois empurrões dados em Carmelo, ele claramente deveria ter dado dois tiros certeiros na altura do peito, evidenciando a agressão. Por outro lado, se fosse Bruce Bowen, podemos ter certeza de que ao invés de um empurrão teria sido uma voadora e Carmelo Anthony jamais teria conseguido dar o arremesso que deu a vitória ao Denver Nuggets. Ironicamente, se ao invés do Carmelo fosse o Ginóbili, ele teria se jogado no chão após o empurrão mesmo que o melhor a se fazer fosse arremessar. Força do hábito, sabe como é.

Numa hora só são marcadas "faltas de playoff", ou seja, se não sangrar não foi nada, mas em outras qualquer faltinha é falta flagrante. Onde diabos foi parar o critério? Achei que os árbitros ruins só fossem apitar Spurs e Suns, mas parece que agora eles estão se espalhando para as outras partidas mais rápido do que produtos com a cara da Maísa! Toca a NBA, toda hora, ficar revendo os lances e mudando de opinião: a falta do Artest foi amenizada, e a falta do Antoine Wright não marcada foi reconhecida como um erro dos árbitros presentes. Legal, o Mavericks agora pode levar para casa o troféu "Perdemos mas com um asterisco", tenho certeza de que o Nowitzki vai adorar colocar em sua estante amarela.

As lambanças de arbitragem, no entanto, só estão levando as coisas aos seus rumos esperados (as próprias lambanças são bem normais e esperadas). Era bem claro que o Houston ganhar a primeira partida fora de casa havia sido um acidente de percurso, e agora sem Yao o Lakers vai passear. Do mesmo modo, é bem claro que Nuggets e Cavs são muito superiores aos seus adversários e deveriam emplacar simples 4 a 0 e ir pra casa tirar um cochilo. Nas Finais de Conferência, talvez, tenhamos séries mais disputadas e divertidas.

Quanto ao Yao, talvez seja o momento de admitir que um ser humano não foi feito para ter 2,29m e ficar correndo de um lado para o outro humilhando Greg Odens e Andrew Bynums no caminho. Sua estrutura óssea não é adequada para a tarefa, seus ossos sempre vão trincar em algum lugar, e o Houston sempre vai ficar na mão nos piores momentos possíveis. Com Yao, T-Mac e Artest, esse time é sempre um acidente esperando para acontecer.

Mas pensem pelo lado bom: dessa vez passamos do primeiro round. Podemos começar, agora, uma maldição milenar de não conseguir passar do segundo round. Talvez meus netos vejam o Houston perdendo nas Finais de Conferência, vamos lá, um passinho de cada vez.

sábado, 2 de agosto de 2008

A vez dos alas

Cuidado, o Najera vai vomitar em você!


Alguém tem assistido aos amistosos dos EUA na ESPN Brasil? A Lituânia assustou durante alguns minutinhos mas ainda não deu pra ameaçar mesmo a seleção americana. Ainda assim, prefiro guardar esses comentários sobre o time dos Estados Unidos para depois do amistoso de domingo contra a Rússia. Até lá, vamos continuar com a nossa vidinha pacata.

Na nossa análise de todos os jogadores que vão assistir às Olimpíadas sem saber em que time vão estar na próxima temporada, passamos pelos jogadores da posição 1 e da posição 2. Chegamos agora aos da posição 3, os alas-pequenos, laterais, small forwards ou simplesmente o cara que não dribla bem o bastante pra ser 2 e nem é alto o bastante para ser 4. E não é uma crítica a quem joga na posição 3, eu era o ala do meu timinho da escola, eu sei como é.

Não tem tantos alas sobrando na NBA como tinham nas outras duas posições que já vimos, em parte porque eu escrevi sobre elas antes e deu tempo para um dos melhores alas que tinham sobrado arranjar um time - o mesmo time. Foi Luol Deng, que acertou um novo contrato com o Chicago Bulls: serão 71 milhões de dólares distribuidos em 6 anos de contrato. Isso dá uma média de 11,8 milhões de dólares por temporada, uma boa bolada para um jogador que teve uma última temporada abaixo das expectativas. Mas se você pensar que o Rashard Lewis ganha mais do que isso e que o Corey Maggette e o Andris Biendris estão recebendo quantias parecidas, o contrato faz mais sentido. Só quando você lembra que está trabalhando até depois do expediente para ganhar menos de 800 reais por mês é que você volta a achar que não faz sentido nenhum mesmo.

No mesmo nível, ou até em um nível acima do Luol Deng, está o melhor Free Agent dessa posição, Andre Iguodala. Aparentemente ele está sem emprego ainda porque quer um salário meio parecido com o do Deng, bem gordo, mas o Sixers não estaria disposto a tudo isso, ainda mais depois de já terem assinado Elton Brand, Royal Ivey, Kareen Rush e ontem, finalmente, Louis Williams. Eu acho que o Iguodala merece um puta salário, ele é melhor que o Luol Deng, melhor que o Rashard Lewis, Boris Diaw, Corey Maggette e um monte de gente da posição dele que ganha rios de dólares, mas às vezes o cara merece mas não ganha, é assim que funciona com esse esquema de teto salarial. Se eu fosse ele, topava um salário um pouco menor e aproveitava a chance de jogar em um puta time, ele tem que perceber que com Andre Miller e Elton Bran, tem a chance de formar um timaço.

Ao mesmo tempo o Sixers tem que perceber que a contratação do Elton Brand não vale nada se eles perderem o Iguodala e que às vezes abrir os cofres vale a pena. Não tenho dúvida de que os managers do Orlando sabem que o Rashard Lewis não vale tudo aquilo, mas se eles não tivessem oferecido iam ficar sem o jogador e não seriam o time forte que são hoje. A diferença é que o Sixers não está disposto a abrir a mão assim tão fácil porque eles sabem que no momento não tem outro time capaz de oferecer tanta grana pelo Iguodala, então, sem concorrência, fica mais fácil para o time se fazer de difícil.

Em outras palavras: o Sixers é uma garota se fazendo de difícil pro Iguodala porque sabe que não tem nenhuma outra garota interessada nele. Assim que aparecer uma biscate se oferecendo, eles vão atrás rapidinho dizendo "Olha aqui, vagabunda, esse cara é meu!". E já dá pra imaginar aquela negona de bunda grande e roupa colorida dizendo isso no subúrbio da Philadelphia.

No segundo escalão dos Free Agents eu queria colocar o Bostjan Nachbar, mas ele foi mais um na leva de jogadores rumo à Europa, junto com o Josh Childress, que estaria nessa lista de alas se não tivesse ido para o Olympiakos. O Nachbar, carinhosamente e ignorantemente chamado por algum jornalista gringo de Boston Snackbar, era um bom jogador que tinha lugar garantido na NBA, até botava fé que ele teria números bons nesse ano de Nets sem Richard Jefferson, mas já foi, que ele descanse em paz na Euroliga. Ainda na classe dos que prometem está o Dorrell Wright, ele pode receber uma proposta de pouco mais 2 milhões para jogar mais uma temporada no Heat e aí ser Free Agent, ou então pode virar Free Agent agora mesmo. O que dizem é que o Heat deve oferecer um contratinho de vários anos para o garoto, mas se eu fosse o Heat, não saberia o que fazer.

O moleque é bom, tá bom, mas quanto? Ele tem dias bons, outros péssimos, isso quer dizer que ele é irregular ou que é apenas jovem e um dia chega ao alto nível? A ESPN nos obrigou a ver vários jogos do Heat nesse ano e deu pra ver ele jogar algumas vezes, mas mesmo assim não cheguei a conclusão nenhuma, não sei o que esperar de Dorrell Wright. Se tem algum torcedor do Heat que gosta de sofrer e viu ele jogar ainda mais vezes do que eu, por favor opine sobre ele nos comentários.

Outros dois que você com certeza viu na ESPN mas não lembra já passaram pelo Cleveland Cavaliers e não marcaram época por lá. São Shannon Brown e Ira Newble. O Newble estava no Lakers mas não deve continuar por lá, o Brown não fez nada na sua carreira no Cavs e também não deve continuar. E nem imagino um time em que os dois possam se encaixar, o Newble é um bom marcador até, sempre conquistou seus contratos por causa disso, mas que time precisa dele? Será que o Boston arrisca para o lugar deixado pelo James Posey?

Eu acho que não, e o motivo é que o Boston se mostrou interessado em outro cara nas últimas semanas. O nome dele é Darius Miles.

Se deve ter gente achando que o Dorrell Wright é uma eterna promessa, o que falar do Darius Miles? O cara foi cotado para ser o "Most Improved Player" (jogador que mais evoluiu na temporada) durante uns 5 anos seguidos, todo ano era "O ano em que o Darius Miles vai estourar". Ele era o talento bruto que uma hora ia dar certo. No fim das contas ele foi mais ou menos no Clippers, não estourou no Cavs e no Blazers foi um fiasco.

Com "fiasco" quero dizer que, segundo a lenda, o Darius Miles estava saudável no ano passado mas o Blazers deixou ele na lista de contundidos e ficou tudo por isso mesmo. Agora que ele é Free Agent, o rapaz está babando por um contrato novo e deu pra fazer um monte de testes por aí, impressionando times como o Boston e o Dallas. Só queria saber o que ele está fazendo para impressionar nesses testes, será que ele está mostrando potencial como há 8 anos? Ou ele está mostrando que tem o físico perfeito para jogar basquete, coisa que a gente já sabe há uns 10. Ou será que ele finalmente aprendeu a arremessar?

O Dallas disse que basta de potencial sem futuro com o Gerald Green, mas o Boston parece disposto a dar uma chance para o ex-menino prodígio. Será mesmo que eles vão perder o James Posey e o PJ Brown e cobrir o lugar deles com Darius Miles e Patrick O'Bryant? Adeus bi-campeonato. O próximo passo é substituir o Cassell pelo Eddie Gill, Yuta Tabuse ou ainda o quase lendário Moochie Norris, seria legal.

Terminando essa pequena e humilde lista de alas desempregados a gente tem o Garoto Trivia, Devean George. Por que o George é o Garoto Trivia?
Imagina:

Daqui uns 30 anos você está com o seu filho assistindo à ESPN Eurásia que está passando um jogo entre Los Angeles Lakers e Moscou Mavericks e no intervalo do jogo aparece um quiz com a pergunta:
"No lendário Lakers de 2004 que tinha os jogadores do Hall da Fama Shaquille O'Neal, Kobe Bryan, Gary Payton e Karl Malone, quem era o quinto jogador, que completava o time titular?"

Seu filho vai mandar um "Sei lá, viado!", sua mulher vai dizer "Noooossa, 2004 faz muito tempo!" e você vai dizer "Devean George!".

Depois disso vem outra pergunta:
"Que jogador foi conhecido por impedir temporariamente, por conta própria, a troca do histórico armador Jason Kidd para o Mavericks?".

Aí você vai lá e crava Devean George de novo. Não tem jeito, o cara não é bom, (não é ruim também) mas já está com o seu nome na história da NBA por ter sido campeão com o Lakers, na história dos Harlem Globetrotters por ter participado do time em 1999 e porque vai estar em todos os quiz pega-troxa da história da liga.

Não sei que time vai querer o Devean George, mas quem quiser vai ter um personagem da história da NBA nas mãos.

sábado, 29 de dezembro de 2007

O time do Wade fede

Pede pra sair, Wade! Pede pra sair!


O negócio é o seguinte: se você tem a noite da sua carreira e mesmo assim seu time sai de quadra derrotado, é porque alguma coisa muito errada está acontecendo. Dwyane Wade marcou 48 pontos além de 7 rebotes, 11 assistências, 3 roubos e 3 tocos. Mas isso não é o bastante para um dos times que mais fedem atualmente na NBA.

Isso me lembrou uma anedota. Em 2004, Tracy McGrady era o cestinha de toda a NBA, estava a 20 jogos seguidos marcando pelo menos 20 pontos por partida e havia feito mais de 40 pontos nos dois jogos anteriores. No entanto, seu time ainda ocupava o último lugar da tabela. A frustração com a campanha e com o resto da equipe levou a um total descontrole na partida contra o Denver Nuggets: após tomar um toco do Chris Andersen (alguém ainda lembra dele?), T-Mac simplesmente chutou a bola em direção à arquibancada, tomando uma falta técnica. Quando a bola foi devolvida para a quadra, T-Mac metodicamente pegou a bola de novo e chutou para fora outra vez, para ser expulso. Vale a pena dar uma olhada no vídeo:



O mais engraçado de tudo é a reação do Juwan Howard quando percebe que o T-Mac vai chutar a bola pela segunda vez. Ele corre como um desesperado tentando impedir o inevitável, obviamente pensando "pelamordedeus não seja expulso senão a gente vai ser humilhado aqui!" Ironicamente, o Magic ganhou aquela partida.

Eu não ficaria surpreso se o Wade chutasse umas bolas pra fora da quadra na próxima partida. Pra começar, ele foi obrigado a jogar de armador principal. O fato de ficar com a bola mais tempo em mãos ajudou a marcar 48 pontos, claro, mas é nítido o desconforto do Wade na posição. Ele se atrapalha, ele escorrega, e eventualmente ele recebe marcação dupla no meio da quadra e não tem ninguém para levar a bola e devolver para ele depois. Onde estavam os outros armadores? Jason Williams e Chris Quinn machucados, (o Quinn, aliás, estava risível no banco porque ele tem 4 anos de idade e parecia ter pegado o terno do pai para brincar) fora o Smush Parker que simplesmente resolveram esquecer que existe. Fora isso, o Earl Barron foi titular já que Shaq está com uma contusão no quadril e o Alonzo encerrou a carreira.

O resto do time até que se saiu bem, Dorrel Wright tem potencial (mas faz uns 15 anos, daqui a pouco ele vai ser daqueles vovôs que tinham potencial e nunca fizeram nada), o Cook é um bom arremessador (o arremesso pra levar o jogo pra prorrogação foi surreal), o Haslem é um dos jogadores mais consistentes da NBA, mas simplesmente não há talento o bastante ali para fazer justiça ao pobre do Dwyane Wade.

Todos os torcedores do Heat que pedem para que o Shaq seja trocado precisam pensar bem a respeito. Com o Shaq no banco, até a melhor noite da vida de Wade não foi o bastante. Mesmo quando o Shaq não está fazendo nada, desmotivado, entediado, parado no garrafão simplesmente pensando em donuts, a vida de todo o resto do Miami Heat já fica mais fácil. Ele é uma presença que sempre vai desestabilizar defesas e exigir ajustes defensivos mesmo quando tiver 120 anos e jogar basquete numa cadeira de rodas.

Outras trocas deveriam acontecer, claro, mas o Shaq deveria ficar lá. Obviamente, trazer o fominha do Ricky Davis não foi a resposta para nada. Trocas menores podem ser o bastante para dar um ânimo novo para a equipe que, como o Denis ressaltou nesse artigo sobre o Heat, precisa de motivação.

Enquanto isso, Sixers e Jazz fizeram uma troca menor que pode ser bastante útil para os dois times. Recentemente lembro de ouvir alguém falando sobre como o Kyle Korver estava sendo desperdiçado na Philadelphia. Em um time que precisasse de um arremessador puro para ficar lá parado matando bolas, ele seria uma peça fundamental. Some a isso o fato de que o Jazz vem sendo destruido por times que marcam por zona permitindo que a equipe de Utah apenas arremesse de fora, deixando óbvio o quanto eles precisam desesperadamente de um arremessador, e adquirir o Korver parece uma resposta perfeita. Deixar ele em quadra por alguns momentos, se aproveitando do espaço que o Boozer deve gerar, deve ser o bastante para que ele tenha a chance de sua carreira.

Em troca do Korver, o Sixers recebeu o Giricek e mais uma escolha de 1o round no draft do ano que vem. O Giricek arrumou encrenca com o Sloan e por isso vai embora. Ele até pode quebrar um bom galho em sua nova equipe, mas o fundamental é a escolha de draft. O Korver foi uma escolha de 2o round e eles receberam em troca uma de 1o, ou seja, no papel já saíram no lucro. No Sixers, o Korver nunca seria de grande valia mesmo. E como o time está se reconstruindo, nada melhor do que arrumar mais novatos para o ano que vem.

Para o bem do Wade, torço para que o Heat também arrume algumas trocas que adicionem peças importantes. O próprio Korver se daria bem por lá, substituindo o já foragido Jason Kapono. Ou, na pior das hipóteses, é bom o Heat pensar no futuro e começar a trocar por escolhas de draft do ano que vem. Mas aí podemos nos preparar para ver o Wade chutando um bocado de bolas para fora do ginásio...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Problemas técnicos

O Heat é tão bom quanto o jogo de SNES do Shaq


Olá, leitores fiéis do melhor blog sobre NBA de toda a blogosfera mundial. Não sei se vocês tentaram acessar o blog desde ontem à noite, mas os que tentaram provavelmente não conseguiram. Estamos fazendo umas mudanças e com elas vieram uns problemas técnicos. Já estamos de volta mas não fiquem muito surpresos se daqui uns dias tudo volte a ficar meio doido de novo. Mas em 2008 já deve estar tudo resolvido e com algumas poucas e boas mudanças.

Voltando a falar de NBA e aproveitando o tema "defeitos", vamos falar do Miami Heat. Dias atrás o Danilo fez um texto falando sobre o que deveria ser feito para melhorar o seu Houston Rockets. Eu não sou torcedor do Heat mas atendendo a pedidos vou fazer os 5 passos para o Heat sair da pindaíba. Ontem foi uma derrota para o Sixers, que teve o Calvin Booth jogando mais que o Shaq.

Passo número 1 - Um novo técnico

O passo poderia se chamar "motivação" também, mas acho que a motivação desse time parte do técnico. Já li inúmeras vezes sobre como o Pat Riley está tão decepcionado com tudo o que não conseguiu fazer antes da temporada que nem ele acredita no time e pode, a qualquer momento, deixar a equipe. Isso passa para o jogador e, vendo o Heat jogar, chega a irritar a cara deles e a velocidade em que desistem do jogo. A cada cesta do outro time, parece que um olha pro outro e diz "putz, que droga, sempre dá tudo errado...".
O novo técnico nesse caso pode ser um cara novo que dê um ânimo novo para o time, ou simplesmente um novo Pat Riley, com outra postura, mais confiante, conseguindo tirar mais dos seus jogadores. Dorrell Wright não será all-star mas garanto que um Dorrell Wright com vontade joga mais que um sem motivação alguma. Esse sem motivação, aliás, poderia ser trocado por um cone que não faria diferença.

Passo número 2 - Envolver Shaquille O'Neal

Se tem um jogador que parece pouco motivado é Shaq. Aliás, ele parece entediado. Parece desesperado para que esse ano acabe logo. No jogo de ontem contra o Sixers chegou ao ridículo de arremessar apenas 4 bolas no jogo todo e assistir aos jogos é desesperador porque você vê aquela massa de 150 kg correr de um lado pro outro da quadra sem nunca receber a bola.
Pivôs tem um problema que outras posições não têm, que é dependerem muito dos outros jogadores para participar do jogo. Os armadores sempre pegam a bola e fazem o que bem entendem, os pivôs precisam da confiança dos outros. E basta alguns turnovers ou arremessos errados para eles não verem mais a cor da bola no jogo inteiro.

Shaq está velho, isso é um fato. Ele não tem mais o físico que o consagrou, mas isso não quer dizer que ele não possa fazer mais diferença. Ele só precisa que confiem nele e precisa de motivação (mais uma vez a motivação). Kobe já tinha dito isso no Lakers. Ele disse, durante uma crise no time, que o Shaq só joga quando quer e se ele não se sente desafiado ou envolvido pelo time, ele simplesmente desanima e não joga. Isso deu briga, o Shaq não gostou, mas o fato é que semanas atrás o D-Wade disse a mesma coisa.

Acho que a prova decisiva está nos poucos bons jogos de Shaq nesse ano. Seus melhores jogos foram contra os 3 pivôs que brigam para pegar o posto de Shaq como melhor pivô da NBA. Foram 26 pontos e 14 rebotes contra o Houston de Yao, 25 pontos e 10 rebotes contra o Phoenix de Amaré e 20 pontos e 6 rebotes contra o Orlando de Dwight Howard. Os três únicos jogos com mais de 20 pontos foram contra os 3 melhores pivôs da NBA e ontem contra Sam Dalembert e Calvin Booth ele fez apenas 5 pontos. Isso quer dizer alguma coisa, podem ter certeza.

Passo número 3 - Um armador

Finalmente a parte das trocas. Claro, eu não acredito que com o time desse jeito o Heat chegue a algum lugar. Com novo técnico e novo Shaq as coisas melhoram, mas o elenco ainda assim é fraco. O primeiro passo é livrar D-Wade das responsabilidades de armar o time e deixar ele fazer o que sabe que é pontos, se movimentar e ser um dos melhores shooting guards da liga. Para a armação a resposta não é Chris Quinn, nem Jason Williams e muito menos Smush Parker.
J-Will até poderia ser, mas as contusões estão acabando com ele e desde a temporada passada ele não rende o que rendeu nos playoffs de 2005. O negócio é partir para uma troca. E é aí que começa o drama, quem trocar e por quem?

Dizem que o Kings estaria disposto a trocar Mike Bibby e ele seria perfeito para o Heat. Mas em troca eles só mandam o J-Will? Tá bom que é o último ano de contrato dele e o Kings teria espaço nos salários do ano que vem, mas acho que o Kings ainda pode conseguir alguma coisa com Bibby no elenco, ele ainda não jogou nessa temporada e o Kings vem bem mesmo sem estar completo. Talvez Bibby seja o que falta para o Kings entrar na briga para os playoffs. Acho que o próprio Kings está esperando pra ver se isso é verdade antes de trocar o careca.

Outra opção é pegar Earl Watson do Sonics, que, dizem, também está disponível e cairia como uma luva no Heat. Mas o contrato do J-Will não sei se atrai muito o Sonics, que não tem problema de salários e não terá MESMO logo que o contrato do Wally Szczczcszerbiak acabar. Mas aí você deve estar pensando, mas pô, o Heat só pode trocar o Jason Williams?

Não, mas é que o resto não tem muito valor. Smush Parker, Dorrell Wright, Mark Blount, Ricky Davis... nenhum tem grande apelo no mercado e, logo, é difícil conseguir algo bom em troca. O que o Heat tem realmente de bom pra ser trocado é Udonis Haslem, mas aí como fica se eles trocam o Haslem por um bom armador e o Shaq continua do jeito que tá? Ficam com uma puta dupla de armação e usam quem no garrafão? O Earl Barron?

Passo número 4 - Vai tu memo!

Não existem garantias de que é possível se fazer uma boa troca, então um bom passo pra começar a ser feito antes de se conseguir trocar por um bom armador talvez seja começar a usar direito o que se tem em mãos.

Eu não dava nada pro novato Daequan Cook e até deixei ele passar em dois drafts de fantasy que eu participei, vi alguns jogos dele na NCAA pelo Ohio State e achei ele bem ruim. Porém acho que me enganei feio, ele tem jogado muito bem. Não tem medo de arremessar e está arremessando bem, em geral. Dar mais minutos pro garoto era uma boa.

Outro que desde que chegou no Heat não teve chance é Mark Blount. Ele não é um primor na defesa mas tem um ótimo jumper e sabe fazer seus pontinhos. Já que o Zo infelizmente já não está mais entre nós, é melhor usar o Blount do que o Earl Barron quando o Shaq for sentar no banco.

Passo número cinco - All-White

E como passo final, deveriam colocar a torcida para se vestir toda de branco como fizeram em 2005 nos playoffs, quando foram campeões. Um pouco de superstição não faz mal pra um time nessa situação.


Notas:

- Ontem, quase que o Camby deu uma de Jason Kidd e só não fez um triple-double por falta de pontos. Mas aí ele resolveu isso com uma bola de 3! Sua nona bola de 3 desde que entrou na liga em 96. Vídeo com os 10 tocos e a bola de 3.

- Ontem também, Jason Kidd chutou 8 bolas e não meteu nenhuma. Jason Terry chutou 10 e também não acertou nenhuma. Os dois no mesmo time teria sido simplesmente lindo. Melhor só quando o Antoine Walker arremessou 11 bolas de 3 num jogo e errou todas.

- Assistindo ontem Knicks e Magic, mostraram uma estatística interessante. Das 16 vezes que o Randolph pegou na bola no primeiro tempo do jogo, ele arremessou 11 delas. Até os números agora mostram como ele é fominha.

- Uma coisa totalmente pessoal da minha pessoa. Se eu fosse tanto Kings quanto Heat, a troca que eu faria seria: Bibby e Mikki Moore por Jason Williams, Udonis Haslem e uma escolha de draft. Mas vocês podem discordar... o que vocês fariam pra tirar o Heat do poço?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Desconhecido do mês - Parte Final

Ainda bem que só machucou agora em dezembro e não estragou meu texto


Já estamos em dezembro, mas por que ficar escravo desse confuso calendário gregoriano, né? Vamos acabar apenas hoje a nossa seção do Desconhecido do mês de novembro, com Antoine Wright. No nosso último texto, Wright estava escalado como titular para substituir o machucado Vince Carter após a derrota para o Celtics. Vamos ver como ele se saiu:


Bom, podemos dizer que Wright não foi mal mas também está longe de ser a solução para qualquer time. Nos três jogos jogos seguintes, Wright teve minutos de jogador titular (36, 43 e 33), chutou bolas como jogador titular envolvido no sistema ofensivo (13, 10, 9) e fez pontos como uma boa terceira opção ofensiva (14, 14, 6). O que não deu nada certo foi que o Nets perdeu os três jogos, sendo que um foi pro Heat, o que hoje em dia é tão vergonhoso quanto perder pro Hawks, Blazers ou, claro, o Bulls, time que, não sei se já disse isso, nunca previ como campeão do Leste.

O lado bom de Antoine nessas atuações foi que o técnico Lawrence Frank mudou as escalações entre os jogos e Nachbar, Sean Williams, Magloire e Jason Collins ficaram trocando jogos de titular ou reservas. Em quem ele não mexeu foi apenas em Kidd, Jefferson e Wright! Mó moral do pivete! Dava até pra pegar o salário e comprar umas correntes de ouro com as iniciais dele pra jogar na cara dos reservas.

Os dois jogos seguintes a essas três derrotas foram duas vitórias quase que obrigatórias: Portland e Seattle. O Portland foi capaz de perder por 21 pontos do Spurs num dia em que Finley e Ginobili mal conseguiram passar dos 10 pontos juntos e o Duncan saiu machucado depois de 10 minutos, ou seja, todo mundo tem que ganhar do Portland. E o Nets ganhou. Mas com um detalhe: Carter já estava de volta. Voltou antes do normal mas como reserva, e isso não impediu Wright de jogar bons 31 minutos. Mas claro que com Carter em quadra nosso desconhecido arremessou bem menos e não ganhou mérito nenhum pela vitória, o motivo, mais do que o adversário fraco, foi dado à volta de Vinsanity. A outra vitória sobre o Sonics não deu mérito a ninguém porque ganhar do Sonics não tem nem graça.

O terceiro jogo que completou uma sequência de vitórias importantes para o Nets foi um jogo mais difícil, contra o Lakers em Los Angeles. Wright foi titular de novo com Carter vindo do banco e Wright teve até mais minutos em quadra do que Vince, além da função de marcar Kobe Bryant. Função que ele cumpriu quase com perfeição. Durante todo o jogo o armador do Nets grudou em Kobe e impediu ele de dar um arremesso livre sequer naquela noite, uma bela atuação que estava sendo estragada só porque o Lakers vencia. No terceiro quarto veio a virada impressionante do Nets e no quarto período o inferno veio para Antoine Wright. Com o Lakers atrás, toda a bola era em Kobe Bryant e nos minutos finais, depois de uma atuação apagada graças à marcação do jogador do Nets, Kobe resolveu tomar conta do jogo e em duas posses de bola seguidas fez 6 pontas na fuça do nosso desconhecido: uma bola de três e uma bandeja com falta. Foi o bastante para Lawrence Frank tirar Wright da marcação de Kobe e colocar o Kidd no lugar dele. Kidd também tomou uma de 3 na orelha mas ele tem nome e continuou marcando Kobe até o fim do jogo, vitória do Nets.

De volta à sua casa, o Nets foi pegar o Grizzilies e foram surpreendidos com uma derrota. Mas para nós, supervisores da carreira de Antoine Wright, foi o bastante para ver que Carter voltou ao time titular mas Wright ficou no time. O técnico Lawrence Frank resolveu apostar no bom e velho small ball e Wright começou ao lado de Kidd, Carter e Jefferson. O resultado foi uma derrota em que só Jason Kidd pegou mais rebotes que o armador Navarro do Grizziles. Feio. E foi nessa atuação ruim do Nets, mas até mediana (13 pontos em 5-9 arremessos) de Wright, que acabou o mês de novembro do nosso desconhecido.

A boa notícia pra gente é que Wright machucou o ombro na sua segunda partida de dezembro contra o Detroit. Se ele se machuca em novembro ele fode com a minha coluna, ainda bem que escapei!

Fazendo um balanço do mês, acho que não poderia ter sido melhor para Antoine Wright. Ele começou a temporada cheio de dúvidas ao seu redor, é seu último ano de contrato e a última chance de provar porque foi uma escolha alta no draft pelo Nets. Essa escolha finalmente começa a dar frutos com mais minutos, mais atuações marcantes, a vaga de titular (ainda que provisória) e a moral com os companheiros. Olha só o que o Kidd falou dele:

"Ele tem sido importantíssimo. Ele está acertando os arremessos, fazendo as jogadas certas, não tem só se posicionado para os arremessos. Ele ataca a cesta. Mas a coisa mais importante é que ele está sendo ótimo na defesa."

Depois que o Kidd falou eu até calo a boca. Vamos ver se fazemos uma enquete para vocês escolherem o desconhecido de dezembro. Aguardem!

Vídeo
Alguém discorda de Kidd quando diz que Wright tem atacado a cesta?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Desconhecido do mês

O substituto e o substituído


Continuamos aqui com a seção mais alternativa do blog. O desconhecido do mês. No último texto vimos como nosso grande Antoine Wright chegou à NBA, como foram suas primeiras temporadas e seus dois primeiros jogos. Agora, como ele foi desde então?

Depois daqueles dois primeiros jogos o Nets teve uma boa sequência de três vitórias seguidas sobre Philadelphia, Atlanta e Wizards. Pensando bem, não foi uma boa sequência de vitórias, eram vitórias obrigatórias para um time que se vê como um dos melhores da conferência. O melhor dos 3 times é o Wizards que na época estava ainda sem vitórias. Detalhe que as três vitórias até então foram apertadas.

Nas três vitórias, Wright teve médias de 11 pontos, 3,3 rebotes e 1,6 assistências em ótimos 33 minutos por jogo. Nesses jogos já foi possível ver como Wright se estabeleceu como sexto homem da rotação de armadores e alas do Nets, ele é o cara que entra quando Carter ou Jefferson saem do jogo. Uma posição ótima para Wright, já que ano passado essa posição foi conquistada com méritos pelo Bostjan Nachbar. Essa repentina melhora de Antoine Wright e sua dedicação em treinos e nos jogos foi explicada em uma notícia sobre ele na semana passada:

"Nobody can ever be sure what motivates a player, but consider this: Antoine Wright is playing the best ball of his career immediately after the Nets rejected him, so to speak. Of course, he says there is no cause-effect here, and his agent confirms it. "What he's doing right now is not a byproduct of the Nets not taking the option," for a fourth year. "But the struggle he had in preseason was probably a byproduct of him worrying about it," said Andy Miller, the Bergen County-based agent who represents the Nets wing."

Pra quem não entende inglês, aqui um resumo: Ninguém pode afirmar o que motiva um jogador, mas Antoine Wright está jogando atualmente o melhor basquete da sua carreira e isso aconteceu logo depois que o Nets deixou passar a data para renovar com ele, deixando Wright como um Free Agent na temporada que vem.


Ou seja, com medo de ficar sem emprego na NBA, o Wright ficou assustado e resolveu que era hora de se dedicar mais. Seu agente, ainda na notícia, diz que isso não é verdade e que na pré-temporada, quando ele jogou mal, era só porque estava preocupado com a renovação que estava em discussão e que depois a sua melhora não tem nada a ver com a recusa da extensão de contrato.


Não fique com ódio do nosso desconhecido do mês, ele é só um desconhecido atrás de um contrato. E quem acompanha a NBA de perto sabe que jogadores de repente jogando bem em ano de renovação de contrato não é nenhuma novidade. Nos últimos anos podemos lembrar de Mo Williams, Erick Dampier, Adonal Foyle, Darius Miles, Rafer Alston... não que eles sejam ruins disfarçados de bons ou coisa do tipo, são só jogadores que não mostraram o que podiam até a água bater na bunda e o medo de ficar sem emprego ou com um contrato ruim aparecer.


E é aí que a chance de ouro apareceu para Antoine Wright. No jogo seguinte dessas três vitória o Nets foi vítima do Boston Celtics. Nesse jogo Carter se machucou e o eleito para seu lugar foi Antoine Wright. Nosso desconhecido em menos de um mês é titular do Nets! No próximo post vamos analisar seus jogos como titular e ver se ele agarra sua chance.

sábado, 3 de novembro de 2007

O desconhecido do mês

Olá, leitores! Vamos começar nesse post uma seção nova no blog. É a seção "O desconhecido do mês". Nela pegaremos a cada mês um jogador pouco conhecido do público e iremos ao longo de 30 dias comentar seus jogos, buscar informações sobre a sua história e até uns vídeos, se eles existirem. Não prometemos entrevistas exclusivas mas prometemos tentar, no fundo resta uma esperança de que eles sejam tão desconhecidos que até aceitariam uma entrevista com dois blogueiros chatos do Brasil. Vai saber...

Nesse mês o nosso homenageado é o grande... Antoine Wright!



Antoine Domonick Wright nasceu na California em 1984 e é atualmente jogador do New Jersey Nets, time que o draftou na 15ª posição no draft de 2005.
Ele jogou basquete universitário por três anos na universidade Texas A&M e foi o jogador com o draft mais alto a sair daquela universidade quando o fez em 2005. O recorde só foi batido esse ano com o draft de Acie Law, na 11ª posição.

Wright está na sua terceira temporada com os Nets e em seus dois primeiros anos não mostrou muita coisa. Como rookie, jogou apenas 39 jogos e na partida que fez mais pontos foram apenas 7 contra o Bucks.

Na sua segunda temporada, as coisas mudaram um pouco a favor dele. Por causa da contusão de Richard Jefferson ele ganhou de presente 23 jogos como titular e participou de 63 no total. Nessa temporada ele conseguiu pela primeira vez ultrapassar a marca dos 10 rebotes, quando pegou impressionantes 11 rebotes contra o Sonics e passou os 10 pontos contra o Utah Jazz. Infelizmente no final da temporada com Carter e Jefferson de volta ao elenco Wright perdeu sua vaga no time titular e sua vaga como homem imediato vindo do banco para Bostjan Nachbar.

Porém tudo deve mudar nessa temporada: Wright fez uma estréia magnífica e tem tudo pra garantir seu lugar de destaque na equipe. Logo no primeiro jogo em uma vitória apertada contra o Bulls ele marcou 21 pontos, com 4 bolas de 3 e muitos desses pontos vindos no quarto período e na prorrogação, em que ele foi decisivo e contou com a confiança do técnico Lawrence Frank para continuar na quadra e continuar arremessando. No fim do tempo normal o Nets teve até uma sequência estranha de arremessos quando Kidd e Carter deram airballs e o time só foi salvo porque na posse de bola seguinte Wright acertou um belo arremesso de longe.

Hoje, em uma derrota vergonhosa para o Raptors, Wright jogou 23 minutos e marcou 8 pontos em 3-7 arremessos de quadra. Também pegou 4 rebotes e fez 4 faltas. Não foi uma bela apresentação mas hoje nem o Kidd fez grande coisa.

Isso foi só o começo, aguardem para mais atualizações durante todo o mês sobre o nosso desconhecido do mês, Antoine Wright.