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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pós-view da Final do Oeste - Mavs X Thunder

Mesmo marcado por alguém que não sai do chão, o Nowitzki pula pra trás como bailarina


Deu tudo errado nos nossos planos e não conseguimos postar nosso já tradicional preview antes de começar cada nova série dos playoffs. Mesmo que muitas vezes ele vá ao ar em cima da hora, minutinhos antes do jogo, dessa vez nem isso conseguimos fazer. Thunder e Mavs ficou sem uma apresentação, sem uma introdução. Mas já que nos acostumamos a moldar o espaço-tempo com o League Pass (que permite que você assista ao jogo já começado ou terminado quando quiser, voltar a jogada, pausar, cortar os intervalos), vamos fazer uma viagem temporal: retornaremos ao passado, faremos as perguntas que eram fundamentais para entender a série, e então viajaremos de volta para o futuro (!) para mostrar como essas questões foram respondidas no jogo de ontem à noite.

- Como o Thunder fará para marcar Nowitzki? Quem receberá essa função? Usarão marcação dupla?

Essa eu nunca teria adivinhado. O Thunder usou nada mais, nada menos do que 6 marcadores no Nowitzki: foram Serge Ibaka (na maior parte do tempo), Nick Collison, Kendrick Perkins, Kevin Durant, Thabo Sefolosha e James Harden. O Westbrook também acabou marcando o alemão, mas foi numa troca de marcação desastrada. O Ibaka já tinha mostrado contra o Grizzlies todas as suas especialidades e todas as suas dificuldades, e eu esperava que o Nowitzki fosse mesmo uma dor de cabeça ainda maior. O Ibaka deu muito espaço para o Zach Randolph arremessar e, quando tentou jogar de forma física, cometeu muitas faltas ou foi batido em giros rumo à cesta. Seu grande trunfo é a velocidade, então ele é excelente na ajuda defensiva, cobrindo seus companheiros, ou fechando o pick-and-roll. Contra o Nowitzki, dar espaço para o arremesso é loucura, e o alemão tem muitos recursos girando em direção à cesta. Jogando menos na força bruta, que era o caso do Randolph gordinho, imaginei que o Ibaka teria mais problemas para contê-lo, mas que ele estaria ao menos constantemente na frente do Nowitzki para atrapalhar. O que aconteceu foi que assim que recebeu espaço para arremessar no começo do jogo, Nowitzki converteu seus arremessos e entrou num ritmo. Percebendo que precisaria pular mais para contestar os arremessos bizarros do alemão, que pula para trás como se fosse uma mola, Ibaka começou a sair do chão na defesa - cometendo assim muitas faltas e ficando vulnerável para o Nowitzki bater pra dentro. Quando começou o terceiro período, Ibaka já tinha 4 faltas e foi pro banco. Não deu certo. O Perkins se saiu ainda pior, porque para contestar os arremessos tem que mover toda sua massa corporal feita de concreto e o Nowitzki apenas fingia os arremessos para cortar livremente rumo à cesta. Cagada. Então o Thunder tentou o Durant, que é mais rápido e tem braços mais compridos estilo Dhalsim, mas como ele não tem físico para segurar o jogo de costas para a cesta do alemão, acabou cometendo faltas e teve que abandonar a função. Thabo Sefolosha tentou colocar em prática a defesa ideal contra o Nowitzki, que é estabelecer uma posição sólida bem perto do corpo do alemão e obrigá-lo a colocar a bola no chão. Mas o Nowitzki arremessou facilmente por cima do Sefolosha, que é muitíssimo mais baixo do que todos os outros marcadores, e ainda cavou faltas fazendo algo inédito para ele: combatendo a defesa estabelecida do seu marcador com força, usando as costas sem medo do jogo físico. James Harden tentou a mesma tática e se saiu um pouco melhor, mostrou um físico que eu não imaginava que ele tivesse, mas Nowitzki continuou arremessando por cima de todos esses nanicos. Foi um massacre. Quem se saiu melhor foi o Nick Collison, o homem que lascou com a vida do Zach Randolph no jogo final entre as equipes, mas também cometeu muitas faltas tentando evitar os arremessos de arco gigante do alemão. Ao todo, o Nowitzki cobrou 24 lances livres e converteu todos, recorde da história dos playoffs.

É claro que o Thunder tentou dobrar a marcação assim que o Nowitzki começou a acertar arremessos, mandando o Wetbrook para a dobra. É sempre uma boa sacada para pará-lo, porque ele passa a bola toda vez que a dobra chega (a não ser que a dobra venha muito tarde, quando ele já se dirigia para a cesta, como aconteceu algumas vezes). Mas existe uma coisa bizarra a respeito do Mavs: eles são um time com pouca variação ofensiva, que não gira a bola, e que se baseia muito em jogadas de isolação - a não ser que a bola saia de dentro do garrafão. Quando o Nowitzki recebe marcação dupla, ele invariavelmente passa a bola para o perímetro e lá a bola gira com maestria para encontrar um arremessador livre. Por que eles não giram a bola constantemente eu nunca saberei, mas bastou o Thunder dobrar para que o Mavs convertesse uma bola de três pontos. Foram cestas de Jason Kidd, de DeShawn Stevenson, de Peja Stojakovic (a década passada manda lembranças), e principalmente do Jason Terry (que inclusive fez a cesta de três que garantiu a vitória, numa dobra no Nowitzki, quando o Thunder apertava no minuto final). Bastaram alguns desses arremessos convertidos para que o Thunder parasse de dobrar, voltando apenas no quarto período quando a água estava batendo na bunda. E a verdade é que muitos arremessos de três pontos nessas circunstâncias não caíram, mas os que caíram decidiram o jogo.

Voltamos então a uma questão que monopolizava os debates táticos na época em que o Duncan dominava o jogo: deve-se dobrar ou não a marcação num ala de força que sabe passar a bola para um time que é bom arremessador de três? Sempre achei que a marcação deveria dobrar no Duncan e forçar os outros jogadores a decidir no perímetro, mas o Suns perdeu muitos jogos para o Spurs porque estava dobrando - e muitos outros por não estar dobrando, também. O Thunder vai passar por essa questão filosófica durante a série, "dobrar ou não dobrar, eis a questão", e essa pode ser a escolha mais decisiva do confronto.

Vale ressaltar também a paciência absurda do Nowitzki quando sofre a marcação dupla. Ele respira, segura a bola mais um pouco, e aí passa para o perímetro. Apenas uma vez, no jogo inteirinho, recebeu a bola de volta para atacar de novo o garrafão, lá no fim do terceiro quarto. Ele passa para fora mesmo sabendo que a bola não voltará, confia inteiramente no time e o Mavs é feito para isso. Mesmo nos contra-ataques, o que o Mavs quer é arremessar do perímetro, e funciona.

- O banco do Dallas Mavericks prometeu desequilibrar a série. Jason Terry chegou a dizer que queria marcar sozinho mais pontos do que todo o banco do Thunder. Como o banco do Thunder vai responder a isso, e como Jason Terry se sairá?

Pois é, o Jason Terry quase fez o que prometeu. Sozinho marcou 24 pontos, com 4 bolas de três pontos, enquanto o banco inteirinho do Thunder somou os mesmos 24 pontos. Jason Terry se aproveitou um absurdo da dobra de marcação no Nowitzki, e soube também usar isso para fingir arremessos contra a defesa do Thunder afoita por cobrir os buracos, batendo para dentro do garrafão com o caminho livre. O Nowitzki teve uma partida absurda, mas a calma do alemão só foi possível porque ele não teve que forçar arremessos, podia colocar a bola no perímetro para o Jason Terry se aproveitar. De certo modo, foi ele quem decidiu o jogo e permitiu a partida do Nowitzki.

Mas o banco do Dallas teve também os 21 pontos do JJ Barea, que também quase fez tantos pontos quanto o banco do Thunder inteiro. E o JJ Barea nem precisou ficar arremessando, ele atacou a cesta numa boa se aproveitando dos espaços criados pelo Nowitzki. Foi quase uma imitação do que o Devin Harris fazia por lá uns anos atrás. Vamos dar uma olhada em uma imagem do jogo, tirada diretamente de um print screen do meu League Pass.


Reparem primeiro na qualidade da imagem, que parece um quadro pintado pelo Monet (é o espírito do pintor, que às vezes invade meu League Pass). Mas depois, vamos dar uma olhada naquele bolo de jogadores na cabeça do garrafão. Parece uma suruba, mas na verdade é o Brandan Haywood ameaçando fazer um corta-luz para o Nowitzki. Só essa ideia já deixa a defesa do Thunder louca, então tanto o marcador do Nowitzki (o Ibaka) quanto o marcador do Haywood (que é o Perkins) precisam impedir a jogada. Mas vejam, é uma defesa inteira comprometida com isso sendo que a bola sequer está naquela parte da quadra. Enquanto isso, o Nate Robinson está marcando o homem com a bola mas defende seu lado direito, que é onde está o Nowitzki, para tentar impedir um passe para o alemão. O JJ Barea, que tem a bola, pode então caminhar de costas em direção à cesta se quiser, porque ninguém está lhe dando bola. O único homem por perto é o James Harden que, como vimos analisando taticamente as jogadas do Grizzlies, nunca - NUNCA - abandona seu homem na zona morta. E foi assim que o JJ Barea marcou 21 pontos sem nunca ser marcado por ninguém. O Nowitzki muda o jogo mesmo quando está só parado, lendo um gibi.

O banco de reservas também se segura sem o alemão, mesmo que seja capengando. As jogadas que o Mavs chama continuam idênticas (em geral é o Shawn Marion que é isolado de costas para a cesta), o que me enlouquece, é muita burrice e tem resultados mequetrefes. Mas os jogadores são bons o bastante para ao menos segurar as pontas. Com 3 minutos para acabar o primeiro quarto, Nowitzki já estava descansando no banco numa boa com a garantia de que o time não iria se demolir.

O banco do Thunder, por sua vez, não tem esse poder ofensivo. Ontem até o Nate Robinson, que mora de castigo no banco, entrou em quadra para correr atrás do Barea e dar uma força no ataque. O único reserva que ajudou pra valer foi o James Harden, que cada vez se mostra um jogador mais completo. Contra o Grizzlies, mostrou que consegue armar o jogo e passar a bola nas infiltrações, o que lascou muitas vezes o plano defensivo da equipe dos ursinhos. Contra o Mavs, ele foi o único jogador capaz de costurar a defesa por zona da equipe de Dallas e finalizar na bandeja ou então acionar os jogadores do Thunder embaixo da cesta. Se o Westbrook conseguisse ter essa frieza do Harden, seria um gênio.

- O Mavericks vai usar sua famosa defesa por zona? Se usar, o Durant não vai matá-los no perímetro? Como diabos vão marcar o Durant?

Essa pra mim foi a maior surpresa do jogo. Não teria adivinhado nunca, teria mesmo que viajar de volta para o futuro. O Mavericks usou bastante sua defesa por zona e com isso deu um espaço considerável para o Durant arremessar toda vez que recebia a bola vindo de um corta-luz. Mas essa defesa por zona tornou impossível para o Westbrook usar sua velocidade e colocar a bola no chão na cabeça do garrafão! A defesa por zona do Mavs exige um post à parte, que teremos muito tempo para fazer nesses playoffs, o que importa por enquanto é que o Westbrook foi obrigado a acalmar o ritmo, costurar a defesa, lidar com mais de um marcador, e ele é um desastre nessas coisas. Quando finalmente encontrava o caminho livre para o aro (em geral no contra-ataque, porque a defesa de transição do Mavs fede), tomava sopapo dos trogloditas do garrafão: Tyson Chandler e Haywood. O Mavs que fez Kobe Bryant não finalizar praticamente nenhuma vez perto do aro apareceu ontem, mandando Durant e Westbrook pro chão, pra linha de lances livres, e forçando erros com vários defensores em cima da bola ao mesmo tempo. Durant cobrou 19 lances livres, Westbrook cobrou 18. Parece algo desastroso para o Mavs, não? Além disso, Durant marcou 40 pontos, acertando arremessos fáceis. Parece uma merda, não? Aí está a genialidade do Mavs, o sinal de que eles assistiram a todos os jogos da série entre Thunder e Grizzlies e fizeram a lição de casa. A defesa por zona foi colocada em prática para deixar o Durant jogar, mas aloprar com o Westbrook. Quem foi o gênio maligno que pensou nisso? Além disso, é melhor deixar os dois na linha de lances livres do que fazendo bandejas. Como o Lakers mostrou, uma hora o time cansa de apanhar, cansa de ter todas as bandejas contestadas, e passa a arremessar só de longe. O Thunder é pior quando fica nos arremessos (venceu o Grizzlies fácil com o Durant cortando mais em direção à cesta) e depende muito do Westbrook não cometer cagadas e controlar o ritmo de jogo (quando ele armou o jogo com calma, passou a bola e não forçou arremessos, o Grizzlies virou farofa no Jogo 7). Com uma defesa para forçar o Westbrook a não poder bater para a cesta, o Mavs só teve que se preocupar em cometer faltas nas penetrações que passavam e ver os arremessos de fora choverem. O Thunder só encontrou uma bola de segurança nas infiltrações ou espaços dentro da zona que procuravam então passar a bola para alguém embaixo da cesta, como Ibaka ou Perkins. Quem mais fez isso foi o Harden, porque o Westbrook não consegue.

Essas questões foram então bem respondidas, e está dada a tônica da série. Mas e quando os arremessos de fora do Thunder caírem? E quando o Durant marcar 60 pontos porque tem espaço para jogar? Será que o Westbrook consegue vencer a defesa por zona, acalmar o jogo, levantar a cabeça, e acionar o garrafão? E quem diabos, mantemos a pergunta, vai marcar o Nowitzki pra valer? Haverá dobra ou não? São novas questões que resolveremos no próximo jogo, quinta-feira. E você acompanha a análise aqui, num horário aleatório mas no mesmo bat-canal.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Dallas Mavericks

Bolas Presas


Objetivo máximo: Título, sempre.
Não seria estranho: Jogar bem e cair no meio do caminho pela trocentésima vez seguida.
Desastre: Perder na primeira rodada dos playoffs.

Forças: Um dos elencos mais profundos da NBA.
Fraquezas: Sempre um dos times mais fortes da NBA, nunca o mais forte. Sempre perdem nos detalhes.


Elenco:








.....
Técnico: Rick Carlisle



Como jogador o Rick Carlisle foi o oposto do que é como técnico. Nas quadras não era grande coisa, mas venceu um título. Foi escolhido em 1984 pelo Boston Celtics na terceira rodada do Draft daquele ano (sim, ia bem além de duas rodadas) e acabou conseguindo uma vaga no time. Lá jogou pouquíssimos minutos por jogo, teve média de 2 pontos por jogo e tem seu anel de campeão pela conquista verde de 1986. Depois foi para o Nets onde durou 5 jogos e se aposentou por incompetência.

Aí começou sua carreira no banco, que é cheia de vitórias, times bem fodas e nenhum título. Em dois anos com o Pistons, 2001 e 2002, levou o time a 50 vitórias em cada temporada e longe nos playoffs, em 2002 foi eleito o técnico do ano. Curiosamente foi mandado embora para que o Pistons contratasse Larry Brown, que havia acabado de ter sido eliminado com o seu 76ers pelo Pistons de Carlisle. Brigas com a direção da franquia foram o motivo alegado.

Ele continuou sua carreira no Pacers e conseguiu lá a melhor campanha da temporada regular na liga, mas perdeu para seu ex-time, o Pistons de Larry Brown, nos playoffs. Antes disso já havia trabalhado na franquia como assistente de Larry Bird na campanha do Pacers até a final da NBA em 2000. Aliás, Bird queria ter colocado Carlisle no banco do Pacers logo no ano seguinte, quando saiu do cargo, mas na época ele não tinha o poder para isso e a vaga acabou com o saudoso Isiah Thomas. Assim que Bird assumiu a cadeira de operações de basquete no Pacers tratou de demitir Isiah e chamar Carlisle.

O Pacers do técnico era muito bom, um primor defensivo, mas o time se dissolveu depois de contusões de Jamaal Tinsley, Jermaine O'Neal e da suspensão de Ron Artest depois da briga de Palace of Auburn Hills. Depois daquela temporada ele foi demitido e assumiu o Dallas Mavericks, onde, de novo, montou um timaço, fez o Jason Kidd não só voltar a jogar muito como a defender muito bem, mas, claro, não ganhou nada.

O treinador é uma espécie de enciclopédia do basquete, um cara que manja tudo de tática, que enxerga o jogo como poucos e que pode citar exemplos táticos de vinte anos atrás. É o PVC do basquete. O problema é que para ser técnico não basta só entender do jogo, precisa saber ensinar tudo isso para os jogadores, lidar com o ego inflado deles, saber trabalhar os pivetes recém-milionários e nisso tudo o Rick Carlisle é um bosta.  Lembrando o que escrevemos sobre ele na Semana dos Técnicos em 2008:

"Dá pra imaginar o cara falando por uns 15 minutos, citando nomes de jogadas, números, dados, traçando linhas e mais linhas na prancheta com trezentas variações de ataque e infinitas movimentações ofensivas para, ao terminar, ouvir alguém como o Ben Wallace perguntar: "Peraí, professor, o que você quer é que a gente coloque a bola na cesta, é isso?""

Além disso tudo o Rick Carlisle agora é careca, viciado em tênis de mesa e irmão gêmeo do Jim Carrey.

.....
O Dallas Mavericks tem tudo para ser campeão, tudo. Quer um armador experiente e completo? Jason Kidd. Um dos melhores alas de força dos últimos 15 anos? Dirk Nowitzki. Especialista em defesa? Tyson Chandler, Brendan Haywood e Shawn Marion. Alguém para marcar pontos e tirar a pressão do Dirk? Caron Butler. Força no banco de reservas? JJ Barea e Jason Terry. Jogadores ruins para esquentar o banco? Alex Ajinca e Ian Mahinmi. Eles tem simplesmente tudo e um técnico inteligente e competente para treiná-los.

O problema é que essa deve ser a décima temporada seguida que eles tem todas as peças para serem campeões e não foram até agora. Já foram treinados pelo louco do Don Nelson, pelo ótimo Avery Johnson, há 2 anos pelo Carlisle e nada. Já tiveram Josh Howard, Michael Finley, Steve Nash, Antawn Jamison, Keith Van Horn, Nick Van Exel e nada adiantou. Todos jogaram bem, mas simplesmente não era o bastante. Quase sempre pararam no Spurs e nas poucas vezes que passaram pelo Tim Duncan deram um jeito de não aproveitar a chance.

Para esse ano podemos esperar mais do mesmo. A dupla Haywood e Chandler deve ser boa o bastante para o Dallas não ser dominado no ataque e nos rebotes por times como Lakers e Spurs, a defesa de Butler e Marion deve ser boa o bastante para eles não apanharem dos alas e armadores fortes do Oeste como Kobe Bryant, Carmelo Anthony, Tyreke Evans, dentre outros. E Dirk e Kidd vão comandar o ataque de olhos fechados como fazem faz tempo. É um time equilibrado (10º melhor ataque e 12ª melhor defesa no ano passado), que melhorou o elenco em relação ao ano passado (chegaram Chandler e o bom novato Dominique Jones) e deve ser um time que vai brigar forte por uma das três primeiras posições do Oeste e pela vantagem de decidir em casa nos playoffs.

Eu acho que o Mark Cuban tem todos os argumentos lógicos para dizer, como disse pouco tempo atrás, que o Mavs tem o melhor elenco do Oeste e é o time que mais ameaça o Lakers na conferência. Mas, apesar desse time ter todas as peças para ser campeão, você apostaria neles? Eu acho que é mais fácil que o universo em três dimensões onde vivemos seja apenas um holograma.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Correndo por fora (como sempre)

Foto mais estilosa do que seu arremesso

Sabe quais são os únicos dois times que podem dizer que tem pelo menos 50 vitórias em todas as últimas 10 temporadas? O primeiro é fácil, é o Spurs, o time mais regular da última década e vencedor de três títulos. Agora, e o outro?

Não é o Lakers. Apesar dos quatro títulos nessa década, passou por um momento de isntabilidade após a saída do Shaquille O'Neal. Também não é o poderoso Celtics que penou por anos a anos até voltar a ser o time bom que é hoje. Também não é o Kings, sensação do começo da década, e nem o Nets, que disputou duas finais seguidas. Muito menos o Detroit Pistons, que por alguns anos era o Spurs do Leste.

Não, o time mais regular de toda a década, junto com o Spurs, é o Dallas Mavericks. O time amarelão, o time que passou por umas três reconstruções e várias mudanças de técnico e filosofia nesse tempo todo sempre se manteve no topo da NBA. Também foi o único time fora do eixo Spurs-Lakers a vencer o Oeste desde 1999.

Então eu estou certo a colocar o Dallas como apenas quinta força do Oeste atrás de Lakers, Nuggets, Spurs e Blazers? Provavelmente não. Mas é que, assim como muitos outros, estou condicionado a achar que eventualmente o Mavs vai se ferrar.

Nós nos acostumamos a ver o Mavs nos playoffs e nos acostumamos a vê-los vencendo os times mais fracos durante a temporada regular. Mas costumamos também associá-los a derrota. A vitoriosa campanha até a final em 2006, com direito a vitória contra o Spurs em jogo 7 em San Antonio, é lembrada pelo 2 a 0 desperdiçado na final. A campanha do ano seguinte de 67 vitórias é lembrada pela derrota contra o Warriors.

Mas mesmo derrota após derrota o time se ergue de alguma forma. Já teve Nash na armação, depois Devin Harris, depois Kidd. Já passaram por lá Van Exel, Terry, Jamison, Van Horn, Antoine Walker, Shawn Bradley. No banco já tiveram Don Nelson, Avery Johnson e agora Rick Carslile. Desde os armadores até os técnicos, são estilos completamente diferentes, em comum apenas as temporadas de sucesso e, claro, Dirk Nowitzki.

Sobreviver a uma década com um time competitivo mesmo sofrendo inúmeras mudanças e decepções é um feito que deveria ser mais valorizado. Mas no mundo esportivo e da NBA em especial só se marca na história quem tem um título. E será que o Mavs tem time para vencer um título nessa temporada e coroar essa década? Depois dela o Dirk vira Free Agent e pode de vez acabar com essa era.

Para a próxima temporada as principais aquisições do Mavs foram o Shawn Marion e o Drew Gooden. Também contratou o Tim Thomas mas não sei se ele fará muita diferença, ele fez alguma coisa de útil na NBA desde aquele arremesso contra o Lakers em 2006?

A chegada do Shawn Marion é que deve agitar esse time. Um dos grandes problemas do Mavs sempre foi a de shooting guard, o segundo armador. Com a opção de usar o Jason Terry como sexto homem, já vimos aberrações como Maurice Ager e Antoine Wright por lá. Mas com o Marion no time, o Josh Howard pode ser deslocado para atuar ao lado do Kidd.

E por falar em Kidd, ele e o Marion tem histórico de muito entrosamento e bons resultados quando estavam no Suns. O Shawn Marion é um jogador inteligente e de físico alucinante, mas não sabe criar o próprio arremesso. Isolar ele com um marcador é colocar zagueiro de atacante.
Ele depende demais de um armador que consiga colocá-lo em situação de marcar pontos e o Kidd é um dos melhores da NBA nisso.

Também deverá ajudar o Marion ter o Rick Carslile, conhecido por ser um nerd tático, como técnico. Se souber utilizar bem as características bem únicas do Marion, o Dallas tem chance de dar um salto de qualidade. Ele tem que saber usar, por exemplo, a velocidade do Marion no contra-ataque e principalmente seu talento como reboteiro ofensivo.

O Mavs é um time que arremessa demais de média e longa distância e que precisa de segundas chances para ser um time mais periogoso. Com o Dirk geralmente longe da cesta, é importante que outros jogadores se aproximem para contribuir nesse quesito. Ano passado o Mavs foi o 13º time em rebotes de ataque. Para quem vive de arremessos, algo com aproveitamento bem menor do que de quem depende de jogadas de garrafão, é pouco.

Em seus bons tempos o Marion já teve 3 rebotes ofensivos por jogo. Aliás, reveja o link do arremesso do Tim Thomas que eu postei alguns parágrafos acima e observe quem pega o rebote ofensivo que dá a chance do empate para o Suns.

Mas imagino que a maior diferença de ter o Shawn Marion na equipe será no campo defensivo. Apesar de serem os dois melhores jogadores do time, Kidd e Dirk não são exímios defensores. O Dirk evoluiu demais nisso nos últimos anos, é verdade, antes era um Nash alto e loiro, mas ainda tem suas dificuldades. Já o Kidd foi bom nisso um dia, mas naquela época as crianças brincavam de pião na rua, não tinha violência, poluição e o maior medo era a guerra nuclear. Hoje ele não dá conta de Chris Paul, Tony Parker e esses armadores que parecem jogar de patins.

O Marion, por mais bizarro que isso soe, pode marcar tanto o cara que o Dirk é responsável como o do Kidd. É só lembrar daquelas séries clássicas contra o Spurs onde, às vezes num mesmo jogo, você via o Marion marcando o Parker, o Ginóbili e o Duncan. O ideal é não precisar que um cara marque o time adversário inteiro, óbvio, mas ter um cara versátil assim em um time bem montando faz muita diferença.

A chegada do Gooden é boa mas não vejo ela trazer grandes mudanças. A grana investida nele era a que estava guardada para adquirir o Marcin Gortat, que acabou tendo a proposta igualada pelo Magic. Mesmo time que tirou o Brandon Bass do Dallas. O Gortat, aliás, acho que seria ótimo para o Mavs, foi uma terrível perda. É verdade que foi hipervalorizado graças aos resultados do Magic, mas o rapaz é bom e seria uma grande melhora ofensiva em comparação ao Dampier.

O Gooden deve chegar para fazer o papel que o Bass fazia de substituir o Dirk e eventualmente até o Dampier quando um time que joga mais no perímetro for necessário. Mas achar que o Gooden era a peça que faltava para o título já é demais.

Repito que estou condicionado a achar que em algum momento o Mavs vai falhar. Que em algum momento dos playoffs vai parecer que o Mavs é bom-mas-nem-tanto, mas a verdade é que o elenco todo está aí. É o mesmo time forte do ano passado mas com um All-Star a mais em uma posição carente da equipe. Está nas mãos deles agora mostrar pra mim e pra todo mundo que não vão morrer na praia de novo.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Tarde demais

Tarde demais pra começar a defender, Diaw


Sabemos como é difícil um time virar uma série que está 3 a 1 para seu adversário, ainda mais quando o oponente tem mando de quadra e dois dos três jogos restantes são fora de casa. Pois essa é a situação de Dallas, Toronto, Phoenix, Houston e Washington, curiosamente todos times que muitos esperavam complicar ou vencer a série contra os seus oponentes, mas que correm um risco bem real de já cairem fora no próximo jogo com um embaraçoso 4-1 na bagagem.

Mas de todos esses times, quem tem mais chance de virar a série ou, pelo menos, voltar a ter esperança e talvez até levar a série para um jogo 7?

Talento puro quem tem de sobra é o Phoenix Suns, o time tem o Steve Nash que não é mais MVP mas que ainda joga muito, tem Shaq, Amaré e o elenco que todo mundo conhece. Se tem um time capaz de fazer coisas fora do comum é um time com jogadores fora do comum como o Suns. Mas ao mesmo tempo, o adversário não poderia ser mais difícil, faz tempo que eu não vejo o Spurs perder jogos seguidos nos playoffs, ainda mais 4! A esperança está nos coadjuvantes, no jogo passado foram Bell e principalmente Boris Diaw que comandaram a vitória do Suns. O ala francês, que esteve pífeo nos jogos anteriores, até foi o responsável por marcar Tony Parker (já que Nash não passou no teste de marcar um cone no treino antes do jogo) e o resultado foi muito bom. Depois da partida, Diaw até deu uma entrevista falando sobre isso:

"Acho que ajuda o fato de ter visto muito ele jogar. Eu mais ou menos sei quando ele quer ir para a bandeja, para o arremesso ou quando ele está procurando o passe. Mas a coisa mais importante é ficar bem próximo dele para atrapalhar o passe ou o arremesso."

A entrevista faz sentido, os dois realmente se conhecem bastante, seja pelos inúmeros duelos Suns-Spurs, seja pelo convívio que têm há muito tempo na seleção francesa. Mas tem uma coisa, se ele sabe tanto sobre o Parker, por que não disse isso antes? Eles foram machucados pelo Parker no primeiro jogo, mais ainda no segundo e estraçalhados por ele no terceiro. Não custava chamar o D'Antoni de canto quando o Parker ainda tinha só uns 30 pontos e dizer "Olha, professor, eu acho que eu posso parar esse moleque melhor que o Nash, me dá uma chance!"

Com 3-0 na série ele foi lá, fez um bom trabalho, mas pode ser tarde demais. Ele tem que conseguir isso por mais três jogos seguidos, o Amaré tem que jogar melhor, o Nash, Bell e Leandrinho precisam acertar as bolas de longe e tudo isso em todos os jogos, não podem mais falhar. E justamente o que tem atrapalhado esse Suns é a irregularidade, tanto dentro dos jogos quanto entre um jogo e outro.

Em duas outras séries os problemas são parecidos: para Toronto e Washigton a situação é ruim porque os times são bem iguais a seus adversários, Orlando e Cleveland. No caso do Wizards, a série foi marcada por uma lavada de cada lado e dois jogos disputados, os dois vencidos pelo Cavs. Acho praticamente impossível o Wizards vencer três jogos com facilidade, a defesa do Cavs não vai deixar e em algum momento da série haverá um jogo decidido no final e faz três anos que o LeBron (ou o Damon Jones, ou o Delonte West) sempre vence o Wizards nos segundos ou minutos finais. Sem mais qualidade na hora de fechar as partidas, o Wizards não tem chance de bater o Cavs.

Pro lado do Canadá a coisa é parecida, porque nem Raptors e nem Magic têm muita diferença técnica. Os dois dependem muito das bolas de três, de um jogador forte de garrafão e nenhum dos dois times é muito regular, variando entre ótimos jogos e outros nem tanto. Por isso mesmo que é difícil ver o Toronto vencendo três partidas seguidas contra um Orlando que sabe que precisa de apenas mais um bom jogo para acabar com a série. O melhor aproveitamento nas bolas de 3 em casa do Orlando também deve ajudar a decidir a série. Mas se eu fosse torcedor do Toronto eu estaria mais preocupado com a temporada que vem e com o técnico que estará no banco do time, tudo por causa de uma matéria que o repórter Peter Vecsey escreveu no NY Post e que vi hoje no site da Revista Dime. Segundo Vecsey, aqui está o que o técnico do Raptors Sam Mitchell disse antes de um jogo da temporada regular contra o Lakers:

"Aparentemente Mitchell não está muito bem informado sobre o que acontece na liga. Alguns meses atrás, antes de jogar contra o Lakers, ele falou aos seus jogadores "Vamos nos preocupar com o cara que fez 81 pontos daqui a pouco, antes quero falar sobre o Andrew Bynum e como ele acabou com a gente no último jogo". Foi então que Chris Bosh interrompeu o técnico e disse "Mas treinador, Bynum está machucado há semanas!'"

Não sei o quanto disso é verdade, claro, temos que confiar no Vecsey que é um repórter que tem fama por conhecer muita gente dentro da liga e dos times, mas que ao mesmo tempo muita gente odeia. Se for 100% verdade essa história, acho que é um bom motivo para mandar um técnico embora. Não é que ele não sabia se o Chris Mihm estava machucado, era o Bynum. Sua contusão foi notícia em todo lugar que fala um pouco de NBA. Se o Sam Mitchell fosse leitor do Bola Presa, ele saberia.

No Texas, a coisa está feia. Rockets e Mavs vão para o jogo 5 de suas séries tentando evitar eliminação. O Houston parece ter uma certa vantagem por jogar em casa, mas como essa vantagem não virou vitória nos dois primeiros jogos, fico com um pé atrás. Mas se fosse pra apostar, misturando um pouco de análise dos jogos com intuição, acho que o Houston leva o jogo 5. As últimas partidas tem sido disputadas até o final e acredito que a próxima será também, o Houston ainda tem atacado mal mas parece conseguir segurar o Jazz, e com o apoio da torcida e a motivação para não ser eliminado em casa, acho que o Houston leva mas depois perde o jogo 6 em Salt Lake City. Não gosto muito de palpitar resultados, mas tenho essa sensação, ou, pra usar uma palavra que eu a-d-o-r-o e que está super IN, é um feeling que eu tenho.

E, mesmo sem querer dar palpites, a gente sempre dá e quando foi a vez da troca do Kidd no meio da temporada eu quase fiz uma coluna Bola Presa com o Danilo porque ele achava que valia qualquer esforço para ganhar um armador de ponta como o Kidd enquanto eu achava que o Dallas tinha sido forte nas duas temporadas anteriores porque Terry, Dirk, Howard e Harris se completavam e combinavam com o esquema do Avery Johnson. Mais tarde ele concordou que de nada valia ter o Kidd se não era para usar suas características, já que o time não mudou o jeito de jogar mesmo com a mudança de armadores.

Chegamos então nos playoffs e eles enfrentam justo o Chris Paul, um dos armadores mais rápidos e jovens de toda a NBA. O resultado é que Kidd sofreu pra marcar ele, começaram a falar que o Devin Harris faria melhor por também ser rápido e no fim das contas só Jason Terry foi dar um jeito na coisa defensivamente. Ontem Paul não fez uma partida fora de série como as que fez em New Orleans, mas fez o bastante e contou com o apoio do resto do time. Só que o Dallas pecou mesmo foi no ataque. Apenas três jogadores passaram dos 10 pontos, o emaconhado Josh Howard acertou apenas 2 dos seus 16 arremessos e o time como um todo acertou apenas 36% de seus chutes, culpa de um esquema que vive só de jumpers e que sem Devin Harris não tem ninguém que ataque a cesta. Pra completar o horror, o Mark Cuban, dono do time, brigou com vários torcedores que estavam à sua volta e o Jason Kidd foi expulso depois de uma falta flagrante no Jannero Pargo.

Acho que já era pro Dallas e imagino o arrependimento na cabeça do Cuban em ter trocado o Devin Harris. Afinal, já se fala em recomeçar o time do zero, em trocar o técnico Avery Johnson e o que eles tem na mão é um armador de 34 anos jogando mal e batendo no coitado do Pargo.

Ah, sabe outra coisa em comum entre os times que perdem por 3 a 1? Todos, já há alguns anos, estão cultivando a fama do "quase", dos times bons que sempre chegam perto da vitória e no fim das contas, perdem. Vamos ver se um deles muda a história.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Os novos elencos

Big Ben nem ouve LeBron, apenas pensa num plano para matar Pavlovic e poder jogar de novo com a camisa número 3


Mal deu tempo de decorar todas as trocas que aconteceram, foram trocentas e as mais importantes se concretizaram de repente, no último minuto, sem sequer terem sido cogitadas na mídia antes. Isso torna nossa vida lendo sites de boatos um bocado inútil, mas agora é tarde, o vício já está feito. A brincadeira da moda, agora, além de namorar pelado e lembrar direitinho de todas as trocas, é assistir os times com suas novas caras.

Dei uma olhada no Mavs de Jason Kidd para ver como estão as coisas. Foram 15 assistências contra o Grizzlies e 17 assistências contra o Wolves, resultando numa média de 11 assistências por jogo e incrívels 4 roubos de bola por partida vestindo a camiseta do Dallas. Assisti a partida contra o Wolves e nos minutos iniciais, fiquei me perguntando se aquele careca perdendo a bola e se confundindo inteiro no ataque era mesmo Jason Kidd ou se era seu filho cabeçudo que resolveu ir trabalhar no lugar do papai que estava doente. Mas aí bastaram quatro assistências em quatro posses de bola seguidas, ainda no primeiro quarto, para que a suspeita desaparecesse. Jason Kidd ainda é o mesmo, só demora um pouco para esquentar e às vezes fica um bocado de escanteio. O Dallas está acostumado a não ter um armador principal, chama muitas jogadas em que Kidd sequer participa, mas durante todo o jogo o talento fala mais alto, os passes vão surgindo com naturalidade, ensaiados ou não, e a vida de todo mundo fica mais fácil. Nowitzki e Jason Terry estão fazendo a festa, tendo arremessos livres que antes nem imaginavam, mas curiosamente é o pivô destrambelhado Erick Dampier quem mais se favoreceu com a chegada do armador. Aquela cara de bocó e a falta de talento são famosas na NBA e ele é constantemente deixado sem marcação. Com a presença de Kidd, falhas de marcação viram enterradas fáceis. Eis aí como Kenyon Martin e Mikki Moore pareciam ser grandes merdas no Nets.

Minha única preocupação com o experimento Kidd, que por enquanto é um sucesso absoluto, é o que diabos o Dallas vai fazer contra os armadores adversários. Kidd foi engolido vivo por Chris Paul em seu primeiro jogo pelo Dallas, mas contra o Wolves também passou bastante vergonha sendo incapaz de parar Sebastian Telfair, o primo menos desmiolado do Marbury. Na hora dos playoffs, Kidd enfrentará Chris Paul, Deron Williams, Tony Parker, Baron Davis. E aí, vão colocar quem para marcar esses caras? Dá para imaginar que tipo de atrocidade Tony Parker e Manu Ginobili fariam sendo defendidos por Kidd e Jason Terry? Fica aí algo no que se pensar. Talvez mandar Trenton Hassel para o Nets não tenha sido uma idéia tão boa assim.

Outro time que estreiou elenco novo foi o Cavs. LeBron está cercado de amiguinhos novos para brincar e eu, pelo menos, gostei muito do resultado. Assisti Cavs e Grizzlies e fiquei muito impressionado com a inteligência e entrosamento imediato do time de Cleveland. Mas pode ter sido só uma ilusão de ótica porque o Grizzlies é tão ruim que até queimou minhas retinas. Ainda assim, Delonte West se saiu bem apesar de não ser um armador tradicional, Wally Szczczczcz(...) fez bem o seu papel apesar de não acertar os malditos arremessos e o Joe Smith mostrou porque era um dos melhores jogadores do Bulls, matando bolas fáceis e sendo consistente. Mas o negócio foi bom mesmo é pro Ben Wallance. Algo a se pensar: o Cavs foi campeão do Leste na temporada passada por ser uma das melhores defesas da NBA, certo? Por ser o time líder em rebotes ofensivos, certo? E o que acontece quando você coloca Big Ben num time voltado para a defesa e para os rebotes ofensivos? Se fosse o Show do Milhão e você respondesse "casamento perfeito", ganharia os parabéns do Seu Sílvio.

Ben Wallace parece que nasceu para esse esquema, jogou sentindo que pertencia, empolgado, feliz de ter sido trocado. Não forçou um arremesso sequer, passou a bola (ele é melhor passador do que se dá crédito, mesmo nos tempos de Chicago Bulls) e até acertou os lances livres. Depois do jogo, soltou:

"A torcida foi ótima! Não me vaiaram. Isso é novo para mim."

Pelo contrário, a torcida vibrou loucamente. Ele e Ilgauskas são um par perfeito e vão ter lindos filhinhos brancos com cara de sono e cabelo black power. Eu considero o Ilgauskas o melhor reboteiro ofensivo de toda a NBA. Ele pode não agarrar os rebotes, mas ele está sempre no lugar certo para dar um tapa, atrapalhar, manter a bola viva. É inteligente, salva bolas dando tapinhas para companheiros e isso não está nas estatísticas. Com Big Ben agarrando os rebotes com sua força costumeira, aí está um time assustador com umas quinhentas posses de bola a mais por jogo. Que tal?

Além disso, acho que vale a pena mencionar o Devin Brown. Ele não veio nesse mar de trocas, está no elenco desde o começo da temporada, mas sempre gostei dele desde que foi campeão com o Spurs. E olha que para eu gostar de alguém do Spurs o negócio tem que ser sério. Mas é que Devin Brown ataca a cesta, defende, acerta arremessos importantes e é tipo o avião invisível da Mulher-Maravilha, parece tão idiota que todo mundo esquece que está lá, mas pode salvar a pele da galera na hora do aperto. Pra mim, deveria se manter como titular do Cavs. Até porque a concorrência é mamata: Damon Jones (o auto-entitulado "melhor arremessador do mundo") está acertando seus arremessos, pode ser mortal às vezes, mas não defende, não arma, não come, não respira - só arremessa.

Como não sou de ferro, resolvi assistir e comentar a nova cara do Houston Rockets. Não porque ele foi transformado por trocas, mas por contusões. Com Yao Ming fora, meu Houston entrou em quadra com Mutombo titular. O resultado? São agora 13 vitórias seguidas, dessa vez em cima do Wizards que, mesmo muito desfalcado, acabara de vencer o Hornets. Tudo isso com plaquinhas na torcida do tipo "Ainda acreditamos" e "13-0, façam pelo Yao!". Tocante.

Muita gente por aí disse que o Houston deveria assinar o Jamaal Magloire para substituir o Yao Ming. Deixa eu dizer uma coisa: ninguém no mundo precisa do Magloire a não ser que seja para trocar uma lâmpada muito alta ou levar um rodízio de carnes à falência. Acreditem ou não, o Rockets tem banco de reservas para ter uma rotação grande, versátil e sólida. Os pontos no garrafão, meu maior medo sem Yao, não viriam com Magloire, de qualquer jeito. Então, para o bem da geladeira do meu time, é melhor deixar ele para lá.

Para continuar a sequência de vitórias, o Houston teve que encontrar espaços que sumiram sem Yao em quadra. O chinês recebe marcação dupla o tempo todo, gerando muitos arremessos livres de trás da linha de três pontos. Sem ele, a movimentação de bola foi fator fundamental e o Houston passou a bola de forma veloz e inteligente. Os piores momentos do time foram justamente quando T-Mac resolveu forçar o jogo e os passes, até então impecáveis, pararam. Mas o Rockets ganhou o jogo foi mesmo na defesa. Sem poder afunilar o garrafão na direção de Yao, cada um apertou mais seu homem no perímetro e Mutombo mostrou para o que veio.

Lembrem bem disso: nunca desconsiderem Dikembe Mutombo Mpolondo Mukamba Jean-Jacques Wamutombo só porque ele tem 4.000 anos de idade. Ele jogou pouco, foi bastante poupado, mas enquanto esteve em quadra (pouco mais de 20 minutos) deu quatro tocos, um para fora da quadra, e por três vezes fez o clássico sinal de "não" com o dedinho, ganhando uma falta técnica numa dessas vezes porque a NBA é um troço chato e o David Stern come meleca de nariz.

Mutombo deu seus tocos, o novato Carl Landry pegou uma chuva de rebotes ofensivos e acertou arremessos de fora do garrafão que deixaram Yao orgulhoso (o chinês não parou de dar conselhos para o novato no banco de reservas), Chuck Hayes defendeu muito bem cavando faltas e Scola acertou todos os seus arremessos. Aí está o garrafão do Houston. Não é um sonho mas não pode ser desconsiderado. Jogando entrosado como está, com velocidade, se mostrando de repente um dos melhores times da Liga em contra-ataques, talvez a ida aos playoffs aconteça de modo mais fácil do que eu imaginava. Para então sermos comidos vivos por Duncan, Boozer, Gasol, esses caras grandinhos por aí que, como o mundo é injusto, não quebraram o pé esses dias.

Mas nesses tempos em que até o Heat conseguiu uma vitória, tudo é possível.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Problemas técnicos

O Heat é tão bom quanto o jogo de SNES do Shaq


Olá, leitores fiéis do melhor blog sobre NBA de toda a blogosfera mundial. Não sei se vocês tentaram acessar o blog desde ontem à noite, mas os que tentaram provavelmente não conseguiram. Estamos fazendo umas mudanças e com elas vieram uns problemas técnicos. Já estamos de volta mas não fiquem muito surpresos se daqui uns dias tudo volte a ficar meio doido de novo. Mas em 2008 já deve estar tudo resolvido e com algumas poucas e boas mudanças.

Voltando a falar de NBA e aproveitando o tema "defeitos", vamos falar do Miami Heat. Dias atrás o Danilo fez um texto falando sobre o que deveria ser feito para melhorar o seu Houston Rockets. Eu não sou torcedor do Heat mas atendendo a pedidos vou fazer os 5 passos para o Heat sair da pindaíba. Ontem foi uma derrota para o Sixers, que teve o Calvin Booth jogando mais que o Shaq.

Passo número 1 - Um novo técnico

O passo poderia se chamar "motivação" também, mas acho que a motivação desse time parte do técnico. Já li inúmeras vezes sobre como o Pat Riley está tão decepcionado com tudo o que não conseguiu fazer antes da temporada que nem ele acredita no time e pode, a qualquer momento, deixar a equipe. Isso passa para o jogador e, vendo o Heat jogar, chega a irritar a cara deles e a velocidade em que desistem do jogo. A cada cesta do outro time, parece que um olha pro outro e diz "putz, que droga, sempre dá tudo errado...".
O novo técnico nesse caso pode ser um cara novo que dê um ânimo novo para o time, ou simplesmente um novo Pat Riley, com outra postura, mais confiante, conseguindo tirar mais dos seus jogadores. Dorrell Wright não será all-star mas garanto que um Dorrell Wright com vontade joga mais que um sem motivação alguma. Esse sem motivação, aliás, poderia ser trocado por um cone que não faria diferença.

Passo número 2 - Envolver Shaquille O'Neal

Se tem um jogador que parece pouco motivado é Shaq. Aliás, ele parece entediado. Parece desesperado para que esse ano acabe logo. No jogo de ontem contra o Sixers chegou ao ridículo de arremessar apenas 4 bolas no jogo todo e assistir aos jogos é desesperador porque você vê aquela massa de 150 kg correr de um lado pro outro da quadra sem nunca receber a bola.
Pivôs tem um problema que outras posições não têm, que é dependerem muito dos outros jogadores para participar do jogo. Os armadores sempre pegam a bola e fazem o que bem entendem, os pivôs precisam da confiança dos outros. E basta alguns turnovers ou arremessos errados para eles não verem mais a cor da bola no jogo inteiro.

Shaq está velho, isso é um fato. Ele não tem mais o físico que o consagrou, mas isso não quer dizer que ele não possa fazer mais diferença. Ele só precisa que confiem nele e precisa de motivação (mais uma vez a motivação). Kobe já tinha dito isso no Lakers. Ele disse, durante uma crise no time, que o Shaq só joga quando quer e se ele não se sente desafiado ou envolvido pelo time, ele simplesmente desanima e não joga. Isso deu briga, o Shaq não gostou, mas o fato é que semanas atrás o D-Wade disse a mesma coisa.

Acho que a prova decisiva está nos poucos bons jogos de Shaq nesse ano. Seus melhores jogos foram contra os 3 pivôs que brigam para pegar o posto de Shaq como melhor pivô da NBA. Foram 26 pontos e 14 rebotes contra o Houston de Yao, 25 pontos e 10 rebotes contra o Phoenix de Amaré e 20 pontos e 6 rebotes contra o Orlando de Dwight Howard. Os três únicos jogos com mais de 20 pontos foram contra os 3 melhores pivôs da NBA e ontem contra Sam Dalembert e Calvin Booth ele fez apenas 5 pontos. Isso quer dizer alguma coisa, podem ter certeza.

Passo número 3 - Um armador

Finalmente a parte das trocas. Claro, eu não acredito que com o time desse jeito o Heat chegue a algum lugar. Com novo técnico e novo Shaq as coisas melhoram, mas o elenco ainda assim é fraco. O primeiro passo é livrar D-Wade das responsabilidades de armar o time e deixar ele fazer o que sabe que é pontos, se movimentar e ser um dos melhores shooting guards da liga. Para a armação a resposta não é Chris Quinn, nem Jason Williams e muito menos Smush Parker.
J-Will até poderia ser, mas as contusões estão acabando com ele e desde a temporada passada ele não rende o que rendeu nos playoffs de 2005. O negócio é partir para uma troca. E é aí que começa o drama, quem trocar e por quem?

Dizem que o Kings estaria disposto a trocar Mike Bibby e ele seria perfeito para o Heat. Mas em troca eles só mandam o J-Will? Tá bom que é o último ano de contrato dele e o Kings teria espaço nos salários do ano que vem, mas acho que o Kings ainda pode conseguir alguma coisa com Bibby no elenco, ele ainda não jogou nessa temporada e o Kings vem bem mesmo sem estar completo. Talvez Bibby seja o que falta para o Kings entrar na briga para os playoffs. Acho que o próprio Kings está esperando pra ver se isso é verdade antes de trocar o careca.

Outra opção é pegar Earl Watson do Sonics, que, dizem, também está disponível e cairia como uma luva no Heat. Mas o contrato do J-Will não sei se atrai muito o Sonics, que não tem problema de salários e não terá MESMO logo que o contrato do Wally Szczczcszerbiak acabar. Mas aí você deve estar pensando, mas pô, o Heat só pode trocar o Jason Williams?

Não, mas é que o resto não tem muito valor. Smush Parker, Dorrell Wright, Mark Blount, Ricky Davis... nenhum tem grande apelo no mercado e, logo, é difícil conseguir algo bom em troca. O que o Heat tem realmente de bom pra ser trocado é Udonis Haslem, mas aí como fica se eles trocam o Haslem por um bom armador e o Shaq continua do jeito que tá? Ficam com uma puta dupla de armação e usam quem no garrafão? O Earl Barron?

Passo número 4 - Vai tu memo!

Não existem garantias de que é possível se fazer uma boa troca, então um bom passo pra começar a ser feito antes de se conseguir trocar por um bom armador talvez seja começar a usar direito o que se tem em mãos.

Eu não dava nada pro novato Daequan Cook e até deixei ele passar em dois drafts de fantasy que eu participei, vi alguns jogos dele na NCAA pelo Ohio State e achei ele bem ruim. Porém acho que me enganei feio, ele tem jogado muito bem. Não tem medo de arremessar e está arremessando bem, em geral. Dar mais minutos pro garoto era uma boa.

Outro que desde que chegou no Heat não teve chance é Mark Blount. Ele não é um primor na defesa mas tem um ótimo jumper e sabe fazer seus pontinhos. Já que o Zo infelizmente já não está mais entre nós, é melhor usar o Blount do que o Earl Barron quando o Shaq for sentar no banco.

Passo número cinco - All-White

E como passo final, deveriam colocar a torcida para se vestir toda de branco como fizeram em 2005 nos playoffs, quando foram campeões. Um pouco de superstição não faz mal pra um time nessa situação.


Notas:

- Ontem, quase que o Camby deu uma de Jason Kidd e só não fez um triple-double por falta de pontos. Mas aí ele resolveu isso com uma bola de 3! Sua nona bola de 3 desde que entrou na liga em 96. Vídeo com os 10 tocos e a bola de 3.

- Ontem também, Jason Kidd chutou 8 bolas e não meteu nenhuma. Jason Terry chutou 10 e também não acertou nenhuma. Os dois no mesmo time teria sido simplesmente lindo. Melhor só quando o Antoine Walker arremessou 11 bolas de 3 num jogo e errou todas.

- Assistindo ontem Knicks e Magic, mostraram uma estatística interessante. Das 16 vezes que o Randolph pegou na bola no primeiro tempo do jogo, ele arremessou 11 delas. Até os números agora mostram como ele é fominha.

- Uma coisa totalmente pessoal da minha pessoa. Se eu fosse tanto Kings quanto Heat, a troca que eu faria seria: Bibby e Mikki Moore por Jason Williams, Udonis Haslem e uma escolha de draft. Mas vocês podem discordar... o que vocês fariam pra tirar o Heat do poço?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

De volta ao banco

Jason Terry tem frio nas canelas


Depois da derrota para o Warriors no primeiro round dos playoffs da temporada passada, o planeta inteiro não parou um segundo de atormentar o Dallas Mavericks. Onde quer que o Nowitzki fosse, brotava alguém da terra para lhe fazer uma pergunta sobre o fracasso. Imagine o alemão na privada se livrando do excesso de chucrute e alguém aparecendo na janelinha: "Dirk, por que você não jogou mais dentro do garrafão? Por que você é tão amarelão?"

De saco torrado, a última coisa que o Dallas iria querer era dar mais chance para as críticas. Mesmo assim, estreiaram com derrota para o eterno saco de pancadas Atlanta Hawks. Ninguém quer ouvir que talvez o Atlanta tenha finalmente amadurecido, que o Marvin Williams possa finalmente desabrochar esse ano, que Al Horford possa ser o novato do ano e que talvez dessa vez surja a vaga para os playoffs. O pessoal quer mesmo é achar uma crise em Dallas, é mais divertido do que qualquer coisa em Atlanta (exceto por isso aqui, claro).

Eu até preferia achar uma crise do que ver o Dallas derrotando meu Houston até então invicto, mas infelizmente não foi o que aconteceu. O (babaca do) Skip to my lou tem um tipo muito especial de cegueira: ele vê tudo, exceto o Yao Ming. Muitas cagadas, Yao ignorado fazendo sudoku no garrafão, T-Mac comendo a bola e aí está a primeira derrota do Houston. Mas acima disso tudo, o Dallas jogou muito. E grande parte do motivo é o Jason Terry no banco.

Na temporada passada, Terry e Devin Harris passaram a maior parte do tempo como os titulares na armação, com Stackhouse vindo do banco e disputando na unha o prêmio de Melhor 6o Homem com o Leandrinho. Agora, as coisas mudaram um pouco. Devin Harris é o armador principal e passa mais tempo com a bola na mão, forçando um ritmo mais veloz à equipe. Ao seu lado, Eddie Jones, recém-chegado, foca-se mais na defesa e exige pouquíssima posse de bola.

No banco, Jason Terry e Jerry Stackhouse ficam de prontidão para entrar e acabar com o jogo no lado ofensivo. Os dois mataram os reservas do Houston sem dó nem piedade no maior estilo "faca na caveira" (e milhões na carteira). Assim, o Dallas nunca desce o nível - sempre tem alguém em quadra que vai te comer vivo.

O projeto "Jason Terry no banco" parece tão definitivo para o técnico Avery Johnson que contra o Houston, com o Devin Harris machucado, Terry mesmo assim não foi titular. A armação coube ao J.J Barea, um Esteban Batista ao contrário (não joga nada pela seleção, mas destrói na NBA).

Por enquanto, o projeto está dando certo e ele deve preocupar todos os brasileiros: será que o Leandrinho consegue o prêmio de 6o homem mais uma vez competindo contra o Jason Terry e seus (por enquanto) 23 pontos e 5 assistências de média? Parece difícil. Mas antes o Terry ganhando do que aquele famoso argentino comedor de meleca...