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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Hora de se mexer

Caron Butler e a alegria contagiante de B.Haywood e D.Stevenson


O Danilo fez um texto muito legal há pouco tempo sobre a nova defesa por zona que o Rick Carlisle implementou no Dallas Mavericks. É com essa defesa que o Dallas tem incomodado muito os ataques adversários, principalmente forçando eles a arremessos de média e longa distância. O Mavs é o oitavo time que menos permite tentativas de arremesso perto da cesta, está no meio da tabela em permitir tentativas de três pontos e é o quarto que menos sofre tentativas de lances livres, ou seja, obriga os adversários a chutarem muito de meia distância, que é o tipo de arremesso de menor aproveitamento na NBA atualmente. Em outras palavras, a defesa do Dallas é o que os colocou como um dos melhores times do primeiro terço de temporada.

Porém, no basquete não dá pra abrir um a zero, colocar mais um volante e ficar fazendo falta pra segurar o jogo. Você é obrigado a ir ao campo de ataque e fazer alguma coisa e para isso o Mavs estava contando com uma temporada fora de série de Dirk Nowitzki. O alemão mantém os 24 pontos de média que são o seu padrão nos últimos tempos, mas ao invés de fazer isso com 48% de aproveitamento, está com assustadores 54%! E vocês conhecem o Dirk, sabem os arremessos desequilibrados e doidos que ele tenta, acertar 54% é um absurdo de bom. A sua média de arremessos tentados é 16 por jogo, número baixo para um jogador do seu nível, mas que tem a ver com um Dallas que tem passado mais a bola do que de costume já desde a temporada passada. Eles eram um time focado em jogadas individuais por muitos anos, mas desde o ano passado estão no Top 5 de time que mais distribuem assistências.

Com o time entrosado, passando bem a bola e liderados pelo Dirk, o ataque do Mavs também estava fluindo com qualidade. Até que o alemão se machucou. Sem seu cestinha eles conseguiram vencer o Thunder fora de casa com uma atuação monstruosa do Jason Terry no quarto período, mas o sucesso foi breve. Logo perderam do Spurs e até do horrível Toronto Raptors, que na ocasião estava sem meio time. A defesa ainda estava lá (foi o que manteve eles na briga com o Spurs), mas no ataque ficaram estagnados. Apesar dos poucos chutes do Nowitzki por jogo, ele é importante para começar as jogadas. É com a dupla marcação que ele sofre que o time começa a rodar a bola até achar o cara livre, sem essa ameaça o time tem que penar muito mais em movimentações e jogadas individuais para achar alguém em posição para finalizar.

No último Filtro Bola Presa eu mostrei números que mostravam essa dependência do Dirk, posto aqui de novo:

Diferença de pontos por 48 minutos
Com: + 13.3  / Sem: -13.7
Pontos por 48 minutos
Com: 104.7  / Sem: 83.9
Pontos sofridos por 48 minutos
Com: 91.4   / Sem: 97.6
Aproveitamento de arremessos
Com: 49,9% / Sem: 42%
Aproveitamento de bolas de 3 pontos
Com: 38,5%  / Sem: 29%

Nunca é bom depender tanto de um cara, mas acontece e não seria o fim do mundo porque o alemão deve voltar em breve. O problema maior foi que durante esse período o cestinha do time foi Caron Butler, e agora ele está machucado também, e não é por uma ou duas semaninhas, as notícias mais recentes afirmam que será por toda a temporada.

O Dallas tem bons chutadores como Jason Terry, JJ Barea e até Jason Kidd, sem contar Dirk, claro. Tem Shawn Marion e Tyson Chandler que se movimentam bem sem a bola para finalizar no garrafão, mas só tinha um jogador que tinha como característica botar a bola no chão, driblar e atacar a cesta, era Butler. Ele nem atacava tanto a cesta como deveria, às vezes confiava demais no seu step-back jumper, aquele arremesso com um passo pra trás que era sua marca registrada, mas mesmo fazendo menos do que devia era o líder do time nisso. Equipes que vivem de arremessadores como o Mavs sempre têm períodos dentro de um jogo em que a bola cisma em não cair, é nesses momentos que falta alguém que jogue mais perto da cesta. O Mavs perdeu esse jogador para toda a temporada.

É preocupante porque no fim das contas, como pontuadores confiáveis eles tinham só Nowitzki, Butler e Terry. O resto raramente passa dos 15 pontos em uma partida. E o Terry é o pontuador menos confiável que você pode ter, ele é capaz de qualquer dia fazer como nos jogos contra Thunder e Heat: feder por três quartos sem parar e aí marcar 90% dos pontos da equipe no último período e vencer o jogo. Mas quem é que mantém o time sequer perto do placar quando o Terry não está com a mão pegando fogo? Em um jogo que acaba 100 a 98 o Terry é o cara que faz os dois pontos de diferença, mas não o que marca os outros 98 que deixaram a partida empatada.

O Mavs nunca está para brincadeira em uma temporada. O Mark Cuban, dono do time, é um zilionário entediado que quer ter o seu time de basquete e quer vê-lo disputando títulos para se divertir. Tá bom que ele nunca ganha, mas pelo menos estão sempre nos playoffs enfrentando as grandes equipes de igual pra igual, é o que vale. Pela falta que fará o Butler e pelo histórico ativo em trocas do Mavs do Cuban, acho difícil que eles fiquem de braços cruzados com um jogador tão importante fora do resto da temporada.

Se tem uma coisa boa nessa contusão do Caron Butler foi o seu timing, pouco antes de um mês antes da data-limite para trocas no meio da temporada. Até agora só o Magic fez trocas bombásticas e muitos dos jogadores que especula-se que serão trocados ainda estão em seus times, então dá tempo para o Mavs meter o bedelho e ver o que consegue. O alvo principal deve ser Carmelo Anthony. Há algum tempo, mesmo com Bulter saudável, comenta-se isso na imprensa americana e embora uma declaração oficial tenha dito que não há interesse do Mavs, eu não acredito. Por que diabos um time como o Dallas não gostaria de ter o Melo? Por que não há garantia de extensão de contrato? Oras, o Butler também é Free Agent ano que vem e não tem, qual seria a diferença?

Os problemas para essa troca estão no outro lado. Geralmente quando um time troca um jogador do nível do Carmelo Anthony tenta-se mandar o cara para a outra conferência. Não é bom ajudar seus rivais locais a montar supertimes e o Denver não vai ajudar o Mavs a ter um time tão bom, já basta ter Lakers e Spurs para enfrentar nos playoffs. Além disso, os contratos expirantes de Butler e DeShawn Stevenson seriam só para virar farofa no ano que vem, então eles poderiam muito bem receber o Eddy Curry do Knicks ou o Troy Murphy do Nets, o que não falta é time com salários grandes e prontos para acabar. Vamos então ao ponto que é o que vão mandar junto do salário expirante. O Knicks não quer mandar Landry Fields e tem suas dúvidas em mandar Gallinari ou Wilson Chandler, o Nets parece que toparia mandar o Derrick Favors e mais qualquer um que não seja o Brook Lopez. Já o Mavs teria para oferecer só o Rodrigue Beubois, que dependendo do seu otimismo pode ser uma estrela daqui uns anos ou só um bom reserva.

Por essas razões eu acho que o Melo em Dallas é possível, mas muito improvável. É certeza que eles vão chamar o Nuggets para conversar, mas não vejo nada saindo dali. Então podemos pensar, quem mais o Mavs poderia tentar? O Bobcats está em modo de demolição depois da saída do Larry Brown e doido para fazer trocas, o veterano Stephen Jackson não é intocável e poderia dar certo no Dallas embora seja mais arremessador do que qualquer outra coisa. No mesmo Bobcats tem o Gerald Wallace, que não é pontuador nato mas quebraria mais que um ótimo galho. Outros nomes como Corey Maggette e Rip Hamilton fariam bastante sentido, mas acho que de todas as opções nenhuma se encaixa melhor do que Andre Iguodala.

O ala do Sixers vive um momento estranho na sua carreira. Ele é disparado o melhor jogador do elenco do seu time, sem discussão, mas a melhora deles na tabela (atualmente 9º no Leste depois de um começo de temporada patético) se deu justamente quando tiraram responsabilidades das mãos de A.I. Ao invés dele comandar o ataque como um point-forward, Jrue Holiday tem mais tempo com a bola. Eles também usam mais o Elton Brand dentro do garrafão e de lá criam jogadas para os arremessadores Jodie Meeks e Andres Nocioni. Até quando joga junto dos reservas o time está dando mais espaço para o novato-decepção Evan Turner, que volta e meia mostra um relance de bom basquete, mas logo esquece. Sobra para o Iggy alguns momentos de glória nos últimos períodos quando deixam ele infiltrar em jogadas de isolação ou quando o time volta às suas origens de contra-ataque, em que ele é mestre. Mas é só isso, ele não é mais essencial como já foi, embora ganhe um salário de quem deveria ser armador, ala, pivô, técnico e deus dentro do time.

Temos então o Sixers que paga demais por um jogador que não é  mais tão necessário e que ao mesmo tempo está doido para cortar custos e do outro lado o Mavs, com contratos expirantes para oferecer e que adoraria um jogador com as qualidades do Iguodala: bom passador, ótimo nas infiltrações e que pode arremessar de longe (embora não se deva contar com isso). Sem contar que Iguodala é um excelente defensor, tanto no homem a homem como interceptando linhas de passe, ele seria mais do que útil em uma série de playoff marcando Kobe, Durant ou Ginóbili. Sim, ele é caro e o contrato tem mais 4 anos de duração, mas não é o Mark Cuban o cara que não liga para as multas que vai ter que pagar?

O propósito do post é dizer que o Mavs tem que se mexer e que oportunidades não faltam. Não gosto de ficar comentando trocas que não aconteceram, mas essa do Iguodala é, pra mim, muito óbvia para não acontecer! Mais óbvia que isso só o fato da TV dos anos 90 ser melhor do que hoje. Em termos de salários a simples troca DeShawn Stevenson e Caron Butler por Andre Iguodala já daria certo, mas imagino que o Sixers deveria pedir algo mais como escolhas de draft ou até o mesmo Beubois, o que poderia complicar o negócio. Talvez mandar o francês seja demais, mas algumas escolhas de draft o Mavs não teria porque negar. É sentar numa mesa (ou numa churrascaria se você for o Ronaldinho) e botar para funcionar. A excelente temporada do Mavs depende de uma mudança para continuar dando certo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Dallas Mavericks

Bolas Presas


Objetivo máximo: Título, sempre.
Não seria estranho: Jogar bem e cair no meio do caminho pela trocentésima vez seguida.
Desastre: Perder na primeira rodada dos playoffs.

Forças: Um dos elencos mais profundos da NBA.
Fraquezas: Sempre um dos times mais fortes da NBA, nunca o mais forte. Sempre perdem nos detalhes.


Elenco:








.....
Técnico: Rick Carlisle



Como jogador o Rick Carlisle foi o oposto do que é como técnico. Nas quadras não era grande coisa, mas venceu um título. Foi escolhido em 1984 pelo Boston Celtics na terceira rodada do Draft daquele ano (sim, ia bem além de duas rodadas) e acabou conseguindo uma vaga no time. Lá jogou pouquíssimos minutos por jogo, teve média de 2 pontos por jogo e tem seu anel de campeão pela conquista verde de 1986. Depois foi para o Nets onde durou 5 jogos e se aposentou por incompetência.

Aí começou sua carreira no banco, que é cheia de vitórias, times bem fodas e nenhum título. Em dois anos com o Pistons, 2001 e 2002, levou o time a 50 vitórias em cada temporada e longe nos playoffs, em 2002 foi eleito o técnico do ano. Curiosamente foi mandado embora para que o Pistons contratasse Larry Brown, que havia acabado de ter sido eliminado com o seu 76ers pelo Pistons de Carlisle. Brigas com a direção da franquia foram o motivo alegado.

Ele continuou sua carreira no Pacers e conseguiu lá a melhor campanha da temporada regular na liga, mas perdeu para seu ex-time, o Pistons de Larry Brown, nos playoffs. Antes disso já havia trabalhado na franquia como assistente de Larry Bird na campanha do Pacers até a final da NBA em 2000. Aliás, Bird queria ter colocado Carlisle no banco do Pacers logo no ano seguinte, quando saiu do cargo, mas na época ele não tinha o poder para isso e a vaga acabou com o saudoso Isiah Thomas. Assim que Bird assumiu a cadeira de operações de basquete no Pacers tratou de demitir Isiah e chamar Carlisle.

O Pacers do técnico era muito bom, um primor defensivo, mas o time se dissolveu depois de contusões de Jamaal Tinsley, Jermaine O'Neal e da suspensão de Ron Artest depois da briga de Palace of Auburn Hills. Depois daquela temporada ele foi demitido e assumiu o Dallas Mavericks, onde, de novo, montou um timaço, fez o Jason Kidd não só voltar a jogar muito como a defender muito bem, mas, claro, não ganhou nada.

O treinador é uma espécie de enciclopédia do basquete, um cara que manja tudo de tática, que enxerga o jogo como poucos e que pode citar exemplos táticos de vinte anos atrás. É o PVC do basquete. O problema é que para ser técnico não basta só entender do jogo, precisa saber ensinar tudo isso para os jogadores, lidar com o ego inflado deles, saber trabalhar os pivetes recém-milionários e nisso tudo o Rick Carlisle é um bosta.  Lembrando o que escrevemos sobre ele na Semana dos Técnicos em 2008:

"Dá pra imaginar o cara falando por uns 15 minutos, citando nomes de jogadas, números, dados, traçando linhas e mais linhas na prancheta com trezentas variações de ataque e infinitas movimentações ofensivas para, ao terminar, ouvir alguém como o Ben Wallace perguntar: "Peraí, professor, o que você quer é que a gente coloque a bola na cesta, é isso?""

Além disso tudo o Rick Carlisle agora é careca, viciado em tênis de mesa e irmão gêmeo do Jim Carrey.

.....
O Dallas Mavericks tem tudo para ser campeão, tudo. Quer um armador experiente e completo? Jason Kidd. Um dos melhores alas de força dos últimos 15 anos? Dirk Nowitzki. Especialista em defesa? Tyson Chandler, Brendan Haywood e Shawn Marion. Alguém para marcar pontos e tirar a pressão do Dirk? Caron Butler. Força no banco de reservas? JJ Barea e Jason Terry. Jogadores ruins para esquentar o banco? Alex Ajinca e Ian Mahinmi. Eles tem simplesmente tudo e um técnico inteligente e competente para treiná-los.

O problema é que essa deve ser a décima temporada seguida que eles tem todas as peças para serem campeões e não foram até agora. Já foram treinados pelo louco do Don Nelson, pelo ótimo Avery Johnson, há 2 anos pelo Carlisle e nada. Já tiveram Josh Howard, Michael Finley, Steve Nash, Antawn Jamison, Keith Van Horn, Nick Van Exel e nada adiantou. Todos jogaram bem, mas simplesmente não era o bastante. Quase sempre pararam no Spurs e nas poucas vezes que passaram pelo Tim Duncan deram um jeito de não aproveitar a chance.

Para esse ano podemos esperar mais do mesmo. A dupla Haywood e Chandler deve ser boa o bastante para o Dallas não ser dominado no ataque e nos rebotes por times como Lakers e Spurs, a defesa de Butler e Marion deve ser boa o bastante para eles não apanharem dos alas e armadores fortes do Oeste como Kobe Bryant, Carmelo Anthony, Tyreke Evans, dentre outros. E Dirk e Kidd vão comandar o ataque de olhos fechados como fazem faz tempo. É um time equilibrado (10º melhor ataque e 12ª melhor defesa no ano passado), que melhorou o elenco em relação ao ano passado (chegaram Chandler e o bom novato Dominique Jones) e deve ser um time que vai brigar forte por uma das três primeiras posições do Oeste e pela vantagem de decidir em casa nos playoffs.

Eu acho que o Mark Cuban tem todos os argumentos lógicos para dizer, como disse pouco tempo atrás, que o Mavs tem o melhor elenco do Oeste e é o time que mais ameaça o Lakers na conferência. Mas, apesar desse time ter todas as peças para ser campeão, você apostaria neles? Eu acho que é mais fácil que o universo em três dimensões onde vivemos seja apenas um holograma.

sábado, 1 de maio de 2010

Destino

Tim Duncan está tentando sorrir: sabe que pegará o Suns na próxima rodada


Teremos apenas um Jogo 7 na primeira rodada dos playoffs, a imperdível partida entre Bucks e Hawks que acontece no domingo. Mas antes de falarmos sobre o "Tema a Rena" ou sobre as séries da segunda rodada (que começam hoje com Cavs e Celtics, às 21h), vamos falar um pouco sobre alguns dos fracassados que voltaram pra casa mais cedo.

Antes de mais nada, vou dar uma de velho e choramingar sobre o Mavs dos meus tempos, naquela época em que a gente podia brincar de pião na rua e a Sandy ainda era virgem. Eu era completamente fã daquele Dallas que tinha o biruta do Don Nelson como técnico, que jogava com velocidade, passes rápidos, toneladas de bolas de três pontos, muita técnica e nenhuma força bruta. Naquela época o Nowitzki ainda era chamado de amarelão, não gostava de contato físico, não sabia infiltrar no garrafão, e o Mavs não defendia nem a mãe apanhando na rua. Não dava certo, foram eliminados dos playoffs algumas vezes, mas era uma delícia de ver jogar. Quando o Don Nelson foi demitido, quem assumiu as rédeas de equipe foi seu assistente Avery Johnson, que misteriosamente ensinou o time de Dallas a defender de um dia para o outro (dava até a impressão de que a equipe já era uma potência na defesa mas que o Don Nelson proibia todo mundo de sequer levantar os braços no garrafão defensivo). Aquele Mavs que jogava rápido e defendia bem era maravilhoso e sempre vai ter um lugar no meu coração emo. Deu azar de pegar uma máquina bizarra criada pela Rita Repulsa apenas para derrotar o time de Dallas: o famigerado Warriors de 2007.

Desde então, ver o Mavs jogar tem sido pra mim uma experiência similar a ter diarreia: você até fica lá sentado, mas não quer dizer nem por um segundo que está sendo agradável. O time é bom, o Nowitzki é espetacular e melhora mais a cada ano, o elenco é profundo, mas o estilo de jogo parece sempre idiota e os jogadores são mal aproveitados. É surreal dizer isso de um time que se classificou em segundo lugar de uma Conferência Oeste absurdamente forte e disputada. Mas é que o time poderia ser muito, muito melhor do que é. Com as trocas de Caron Butler e Brandon Haywood, o Mavs deveria ser um dos grandes favoritos ao título, mas eu nem por um segundo conseguia acreditar na equipe - e repeti isso por aqui inúmeras vezes, sempre com uma pitada de vergonha e medo dos torcedores do Mavs ficarem chateados. Porque eu sei que o time é maravilhoso, fico até constrangido de achar que não vai dar certo. Mas é que ver essa equipe jogar é como assistir a Monica Mattos interpretando Shakespeare num monólogo no Teatro de Manaus: pode até ficar legal, não duvido das capacidades interpretativas da moça, mas a gente sempre vai ficar tentando entender porque diabos ela não está pelada.

Nessa temporada, o técnico Rick Carlisle fez um trabalho melhor em envolver Jason Kidd no esquema tático. No entanto, descobri recentemente que grande mérito disso é do próprio Kidd, que passou todas as suas férias treinando arremessos de três pontos para ver se conseguia se encaixar no papel determinado para ele. Acabou passando mais tempo arremessando nessa temporada do que encontrando companheiros livres para o passe, até porque as jogadas do Mavs costumam ser mais focadas em isolações ou em rotação de bola para encontrar arremessadores livres. Definitivamente ele participou mais, passou mais tempo com a bola nas mãos, mas nem de longe foi o suficiente para conseguir usar plenamente as vantagens que ter um jogador como o Kidd trazem para um time.

Nos playoffs, esse ponto ficou mais explícito. Na busca por "bolas de segurança", aquelas bolas que você só arremessa se tiver certeza de que vão cair (afinal playoff é coisa séria, diabos!), o Nowitzki fica sobrecarregado e o Jason Kidd é ignorado. Os arremessos do Kidd não são confiáveis, então ele torna-se inútil nesse esquema tático que fica caçando gente para arremessar do perímetro. Ter o Kidd em quadra nessas circunstâncias não é prejudicial, ele é talentoso e volta e meia consegue tirar alguma coisa da cartola, mas usá-lo tão mal (e tão pouco) é burrice. O time ficou praticamente sem armação, apenas arremessando de fora e sem nenhum jogo no garrafão. Ganhou duas partidas, tornou as outras disputadas, tudo porque os jogadores são muito talentosos e o Nowitzki é um monstro. Isso apenas já é suficiente para vencer grande parte das equipes do Oeste. Mas o Mavs deu o azar de pegar um Spurs que começava a recuperar sua identidade, criar ritmo, e que encontrou seu novo Bruce Bowen na figura de George Hill.

No Jogo 6, que o Mavs precisava vencer fora de casa para continuar vivo, o George Hill acabou com a partida marcando 21 pontos e metendo duas bolas da zona morta. O técnico Popovich chegou até mesmo a dar liberdade para o garoto nos momentos decisivos, mandando ele esquecer o resto do time e o plano de jogo e simplesmente ser agressivo. Essa reação do Popovich causou algum terremoto e uma chuva de sapos ao redor do mundo, mas mostra sua clara percepção de como o Hill é fundamental para o sucesso do Spurs. Duncan, Ginóbili e Parker tiveram boa partida, como é de se esperar de um time que sabe exatamente o que fazer nos momentos decisivos de uma série, mas o armador francês tem cada vez mais um papel secundário. Duvido muito que seja culpa dele estar retornando de lesão, George Hill é simplesmente mais importante para os planos de Popovich. Parker levou anos para conquistar alguma liberdade nesse time, e ela sequer é, hoje em dia, tão grande quanto aquela que Hill conquistou em seu segundo ano de NBA.

Pelo lado do Mavs, ficou claro que eles sentiram falta do Devin Harris. Sem armação e sem jogo no garrafão, com a defesa do Spurs focada no perímetro, eles precisavam desesperadamente de alguém para infiltrar nessa partida. O JJ Barea teve algum sucesso nessa empreitada durante a série, mas é bem óbvio que ele é apaixonado pelo próprio arremesso. Após errar duas bolas no primeiro quarto, foi sentar e mal voltou pra quadra. Rick Carlisle preferiu usar o novato Roddy Beaubois, que é ótimo em atacar a cesta. Sempre tem torcedor do Mavs reclamando no Bola Presa de que o Beaubois não é usado o bastante nesse time, e aí está mais um sinal de cagada do técnico. O francês é um dos poucos jogadores desse elenco que se nega a ter fobia de garrafão, e foi ele quem fez o Jogo 6 ficar competitivo novamente. Caron Butler também fez algum estrago, mas o tempo que ele passou atrás da linha de três pontos errando tudo começou a me dar dor de estômago. O mundo que me desculpe, mas ver o Spurs jogar não faz tão mal pra minha saúde estomacal quanto esse Mavs burro que não sabe usar os jogadores que tem.

Vamos brincar de somar todos os arremessos tentados por jogadores de garrafão do Mavs nessa partida? Haywood deu 2, Dampier deu 1, Najera deu 1. São 4 arremessos ao todo, sendo que apenas um deles entrou, uma bola do Haywood. Isso é patético, time que joga tão longe do garrafão não consegue ganhar um jogo decisivo desses. Quando você precisa de uma bola importante, para diminuir uma diferença pequena no placar no quarto período de um jogo que pode te eliminar, vai ficar arremessando de longe, onde a porcentagem de aproveitamento é menor? Parece coisa de time brasileiro! Para se ter uma ideia, apenas três jogadores do Mavs cobraram lances livres durante a partida: Nowitzki, que é fortemente marcado; Caron Butler, que ataca a cesta quando não está preso pelo esquema tático; e o Beaubois, que entrou no jogo para ser cover do Devin Harris. Não preciso nem dizer que o Spurs cobrou o dobro dos lances livres que o Mavs, né?

O Spurs tem suas dificuldades, nunca estiveram tão distantes de seu plano original de jogo e sem ritmo em quadra durante a última década como estão agora, mas o ataque flui mais fácil até mesmo quando os arremessos são forçados. Para o Mavs, parece que todo ataque é um parto de um bebê cabeçudo tão cabeçudo quanto o Zach Randolph, cada ponto é dolorido e sofrido. Se não fosse a facilidade do Nowitzki em colocar a bola dentro da cesta, eu poderia processar o Mavs por fazer meus olhos sangrarem.

Para o Mavs, então, sobra pensar em nova abordagem tática na temporada que vem. O ideal seria outro técnico, mais espaço para a pirralhada, mais contra-ataques que terminem dentro do garrafão com enterradas e bandejas, não em bolas de três pontos. Mas como o Nowitzki tem muitos motivos para dar o fora e tentar alguma equipe mais inteligente, talvez o processo em Dallas tenha que ser mesmo de reconstrução. É bizarro pensar em reconstruir um time que acabou em segundo lugar do Oeste, mas alguém realmente acha que, jogando assim, essa equipe poderia ser campeã? Precisamos ser realistas, e o Mark Cuban não está muito interessado em gastar seu dinheiro nerd num time que não vai ganhar nada nunca. De que adianta manter o Nowitzki se ele acaba de entrar para a história como o primeiro jogador a perder tanto para um oitavo quanto para um sétimo colocado em séries de playoffs? Culpa, sempre, de azar e má utilização do elenco.

O Spurs, ao contrário, pode respirar aliviado. Renovaram o contrato com o Ginóbili, o que é polêmico porque ele está ficando velho e baleado, mas pelo menos podem ter a certeza de que a base do time estará lá enquanto a pirralhada cresce para tomar o lugar. Experiência para eles não vai faltar, até porque a criançada do Spurs está prestes a fazer parte de uma tradição antiga da equipe: enfrentar o Suns nos playoffs.

Se eu lesse horóscopo e acreditasse em destino, teria feito os palpites para as séries simplesmente baseado no fato de que Spurs e Suns iriam passar da primeira rodada para se enfrentarem, afinal é para isso que eles nasceram, para isso que eles foram feitos. O mundo foi criado apenas como uma desculpa para esse confronto, o sentido do mundo é ser palco para Spurs e Suns, e nossa função na Terra é sermos espectadores. Tendo dito isso, quem deixar de assistir a qualquer partida dessa série, eu vou descobrir o endereço e ir pessoalmente em casa dar uma surra.

O estranho é que o Blazers até deu uma cansadinha no Suns, e eu nem entendo bem o porquê. Em geral as partidas que o Suns ganhou foram fáceis, controladas e com placares elásticos, então as vitórias do Blazers foram realmente sustos inesperados. As bolas de três pontos do Blazers mantiveram o Jogo 6 disputado, mas o Suns fez uma mesma jogada com sucesso três vezes (Amar'e na cabeça do garrafão passando para o Jason Richardson infiltrando), a defesa do Blazers ficou com cara de pamonha, e a partir daí o jogo virou poeira. Quando o Jason Richardson começa acertando seus arremessos, pode ter certeza de que ele terá um jogo incrível - pena que quando ele começa errando, parece desistir da partida bem rápido. Vai ser bem legal ver como ele vai lidar com a defesa do Spurs nesse sentido, e quem vão usar para marcá-lo. Além disso, vai ser incrível ver como o Grant Hill vai se sentir agora que ele passou da primeira rodada dos playoffs pela primeira vez (Síndrome de Tracy McGrady), e como o Nash vai lidar sendo marcado pelo novo Bruce Bowen, chamado George Hill. O Hill é forte pra burro e, pior, joga na mesma posição do Nash, o que significa que isso sequer irá gerar uma falha de marcação em outro lugar da quadra. O Nash vai sofrer um bocado e a nossa compreensão de mundo diz que o Spurs vai acabar vencendo (assim como a água molha, as coisas que jogamos para cima depois caem no chão, colocar dedo na tomada dá choque, etc), mas será uma série espetacular. Arrisco apenas dizer que o Suns parece mais descansado, as partidas contra o Blazers foram mais na maciota do que as batalhas com o Mavs, ainda que os times tenham jogado o mesmo número de partidas. E o Nash, pela primeira vez na história, não enfrentará o Spurs morto de cansaço pelos playoffs e pela temporada regular, principalmente porque ele tem um reserva de nível no Goran Dragic que permite que o canadense não fique com remorso de ter que sair de quadra de vez em quando.

O Blazers tem mais é que ficar feliz de ter dificultado a vida do Suns e ir assistir à maravilhosa série da próxima rodada em casa. Tudo que eles fizeram nessa temporada já é lucro se você pensar na quantidade de contusões surreal que eles enfrentaram. Esse time com Brandon Roy, Camby e Greg Oden ainda vai fazer muito estrago, mas não dava pra fazer isso com a maldição de Clippers que eles enfrentaram esse ano. Para a temporada que vem, o plano é simples: conseguir contratar todo o departamento médico do Suns, que recupera qualquer jogador, e tentar de novo. O elenco está lá, só precisam conseguir andar e fazer xixi sem usar sonda.

Antes de falarmos mais sobre a série entre Spurs e Suns, com o devido preview da rodada, não perca o preview de Cavs e Celtics que sai ainda hoje, antes da partida das 21h. Amanhã, o Denis falará mais sobre a vitória do seu Lakers que eliminou o Thunder, e do Nuggets-sem-vontade sendo eliminado pelo Jazz. Boatos dizem até que alguns torcedores do Jazz, quem diria, foram capazes de esboçar um sorriso! Fiquem de olho então, maratona de posts do Bola Presa nesse fim de semana!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pisou na merda, abre os dedos

Jamison deixava jogadores do Cavs sangrando no
chão, agora tem que ser miguxo do LeBron


Primeiro o Arenas foi suspenso pela piadinha com armas de fogo. Depois, Caron Butler (junto com o Haywood) foi trocado para o Mavs e agora, para finalizar, Antawn Jamison foi trocado para o Cavs. Não sobrou nenhum dos três ex-jogadores de All-Star para contar história num time que, ao menos no papel, era colocado por todo mundo como um dos favoritos para brigar pelo título do Leste. Enquanto quase todos os times da NBA ficariam batendo a cabeça na parede, insistindo num erro por medo de se queimar com os torcedores, o Wizards resolveu desmontar a equipe inteira assim que percebeu que o trio não iria adiantar para levar o time ao topo. Uma decisão segura seria dizer que, novamente, o trio não passou tempo o bastante jogando junto, colocar a culpa na mudança de técnico, esperar Arenas voltar temporada que vem e tentar de novo, de novo e de novo. Mas o Wizards não quis ser novamente um time mediano, compreendeu as limitações que os três All-Star juntos enfrentavam em quadra, e teve a coragem de começar de novo. Essa coragem falta para muitos times que acabam ficando para sempre naquele limbo do meio da tabela, lutando pelos playoffs ou conseguindo as últimas vagas, sem nunca ter chance de vencer de verdade. O único modo de transformar essa situação é reconstruir o time, feder por uns tempos, conseguir escolhas de draft, dar minutos para os pirralhos. Mas como explicar para o torcedor apaixonado que o time bom pra burro, mas não bom o bastante, vai ser jogado no lixo e o time vai feder por uns anos? Como explicar caso uma equipe que já chegou a competir por títulos comece a namorar com a pior campanha de todos os tempos? O Nets poderia muito bem ter mantido vários de seus jogadores e ficado no mais-ou-menos pra não passar vergonha, mas essa campanha horrorosa uma hora vai dar frutos.

O Pistons teve esse medo de feder para os torcedores, o Joe Dumars quis concertar tudo muito rápido para que não houvesse um período de reconstrução, e o resultado foi um time que não consegue se livrar de Richard Hamilton, contratou lixos como Ben Gordon e Villanueva, e não tem identidade. Pra quê tanto medo de feder? O passo do Wizards rumo à lama é a coisa mais inteligente e corajosa que a equipe poderia ter feito. Eles já estavam na merda mesmo, o melhor é abrir os dedos, garantir uma boa escolha de draft, construir um time inteiro do nada de acordo com as preferências do novo técnico (ao invés de ter que fazer o técnico suar para colocar um padrão numa equipe aleatória já montada) e dar minutos para a pirralhada jogar.

Como o Wizards não tem dado certo nos últimos anos, o time arrumou um bom número de fedelhos com potencial. O Arenas dizia que o Nick Young lembrava o Kobe quando entrou na NBA e seria uma estrela, Andray Blatche é um ala cheio de potencial que domina ligas de verão e há anos todo mundo espera ver ele estourar, e JaVale McGee é um pivô enorme, magrelo e completamente cru com capacidade para dominar na defesa. Nenhum deles tinha muitas oportunidades de jogo estando atrás de Butler, Jamison e Haywood, respectivamente, e apesar dos três terem se saído bem nas constantes contusões da equipe, nunca tiveram minutos suficientes para conseguir alguma consistência. Agora isso mudou: Blatche e McGee formam o garrafão titular da equipe, enquanto Nick Young ganha sua chance ao lado do Josh Howard, que chegou na troca do Butler desacreditado por não ter se tornado aquilo que se esperava dele - embora o potencial ainda esteja lá. Mesma coisa com o Al Thornton, que parecia um dos jogadores mais promissores do Clippers até que a comissão técnica foi ficando mais e mais descontente com seu jogo e ele foi mofar no banco.

São todos jogadores com potencial, terrivelmente inconstantes, tendo a oportunidade de suas vidas. Precisam mostrar que têm valor, precisam mostrar que conseguem aprender jogo após jogo, e que rendem quando recebem minutos. Enquanto eles se desenvolvem, a temporada vai pro saco e o próximo draft rende algum outro jogador de potencial para ajudar a equipe. Quando o técnico tiver decidido quem tem chances de permanecer na equipe e decidir por uma cara para o time, basta ir atrás de talentos veteranos, com a grana economizada, que se encaixem na nova formação tática. Sem pressa, com coragem de botar os fedelhos no fogo e dinheiro para gastar apenas quando o time já tiver alguma identidade, o processo de reconstrução do Wizards vai acabar sendo rápido e indolor. Prova disso é ver todos os jogadores cheirando a fralda do time jogando como se suas vidas dependessem disso, se atirando em todas as bolas, bebendo sangue nos intervalos de jogo. Foram duas vítórias nas últimas duas partidas, com atuações impressionantes de Blatche (33 pontos e 13 rebotes contra o Wolves, 18 pontos e 11 rebotes contra o Nuggets) e de McGee (14 pontos, 11 rebotes, 5 tocos contra o Wolves, 9 pontos, 7 rebotes e 3 tocos contra o Nuggets). Enquanto Butler e Jamison, estrelas consagradas, jogavam com aquela tristeza de quem perdeu a temporada e não tem motivo para se esforçar, o sangue jovem do Wizards joga pelo seu futuro e engoliu o Nuggets ontem na raça, mesmo quase tacando o jogo fora no final.

Para o Jamison, por mais que ele se dissesse feliz com o Wizards, com os companheiros, a cidade e os dirigentes, a temporada já não valia mais nada. Era só uma perda de tempo até que o Arenas voltasse temporada que vem, uma torcida para que o resto do time não desmontasse com contusões. No Cavs, agora ele volta a jogar como se pudesse ganhar um campeonato, como se seus resultados realmente importassem. O problema é que ele está tentando mostrar serviço num time que aprendeu, nos últimos anos, a odiá-lo loucamente.

A NBA anda meio morna com rivalidades ultimamente (a mais recente é Hawks e Celtics), e as brigas nas partidas entre Wizards e Cavs eram a coisa mais animada que existia nesse sentido nos últimos anos. É uma rivalidade meio fajuta porque o Cavs sempre ganha, mas o Wizards joga sério, dá porrada, xinga, enlouquece, e depois perde. Dizem que a rivalidade foi o principal motivo do Wizards ter tentado evitar a troca, e agora é o Jamison quem está sentido o peso dela. Não é como se ele fosse chegar em Cleveland e de reBoldpente ser amiguinho de todo mundo, como se não tivessem se odiado tanto há anos. Mo Williams, Shaq e LeBron ignoraram Jamison várias vezes quando ele estava sozinho para o arremesso, o Jamison foi ajudar o LeBron a se levantar e a estrela do Cavs fingiu que não notou, e o Delonte West deu a maior fria no Jamison depois de lhe mandar um passe horrível, impossível de pegar. O clima não é dos melhores, é bem óbvio que todo mundo na equipe ainda se lembra das tretas com o Wizards, o LeBron estava torcendo para conseguir o Amar'e, e o Jamison arremessar 12 bolas para tentar ser querido (e errar todas elas) não ajudou muita coisa. Pior ainda foi o Cavs ter saído de quadra com a derrota e o Jamison ter falhado tão miseravelmente na defesa em momentos importantes do jogo.

Vai levar um tempo para o Cavs se acostumar com o Jamison, perceber que ele é valioso para a equipe e, principalmente, que ele foi uma escolha melhor do que o Amar'e seria. Talvez surjam muitas derrotas até o Jamison se encaixar bem no estilo de jogo do Cavs, aprender a defender em conjunto, ser mais discreto em quadra, mas eventualmente vai dar muito certo e o LeBron vai ter percebido que os engravatados do time não poupam dinheiro para ficar acima do teto salarial e conseguir quem for para melhorar suas chances de título. Será que ofereceriam tanta grana para ser paga em multas em qualquer outro time da NBA, tipo o Knicks, que anda recheado de dívidas?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Botão do apocalipse

Caron Butler chora uma lágrima de sangue pelos seus companheiros do Wizards


Durante o fim de semana do All-Star, o Wizards resolveu apertar o botão do apocalipse. Com 17 vitórias e 33 derrotas, o time tem a segunda pior campanha do Leste e a quarta pior de toda a NBA. A equipe aturou o Gilbert Arenas contundido por muito tempo com a esperança de que, com ele de volta, pudesse competir pelo título do Leste. Afinal, Arenas, Jamison e Caron Butler são todos All-Stars e não é qualquer time que consegue ter tantas estrelas juntas ao mesmo tempo. Mas nessa temporada o Wizards aprendeu duas coisas: a primeira é que contar com o Arenas é impossível, porque ou ele vai estar contundido ou vai ter caído numa piscina de xarope, bebido água da privada ou colocado pó-de-mico na cueca de algum companheiro de equipe. A segunda coisa é que nas raras vezes em que Arenas, Butler e Jamison estão juntos em quadra, eles simplesmente não são muito bons. Falta de química, entrosamento, esforço, defesa, não faltam razões para o fracasso de um trio que parece nunca ter entendido o papel de cada um em quadra e que nunca se levou muito a sério. Vendo que não adiantava esperar pela volta do Arenas, então, o Wizards criou um par de bagos, esgotou a paciência, apertou o botão do apocalipse e resolveu se livrar dos jogadores. Como o Arenas ganha 16 milhões e o Jamison ganha 11 milhões (e vai ganhar 15 num contrato que dura ainda mais duas temporadas, fora essa) só sobrou o Caron Butler para interessar algum time na NBA.

Com o Butler no mercado, o Mavs ficou com água na boca. Adicionar o Gooden e o Shawn Marion não adiantou bulhufas particularmente porque o resto do time não defende grandes coisas e porque o Josh Howard cai de produção mais e mais a cada ano. Não faz muito tempo ele era um pontuador excelente com momentos geniais na defesa, com roubos e tocos decisivos e potencial ilimitado. Mas depois de sua polêmica afirmação de que fumava maconha nas férias, problemas com a torcida do Mavs e uma complicada cirurgia no tornozelo durante as férias, ele nunca mais foi o mesmo, joga sem vontade e parece um jogador comum com um salário muito gordo. Trocá-lo por um ladrão de bolas (talvez o melhor de toda a NBA) com mais talento ofensivo que o Josh Howard não foi uma decisão difícil, até o Isiah Thomas conseguiria acertar nessa.

De brinde, o Wizards ainda mandou DeShawn Stevenson, que está velho, se acha a última bolacha do pacote, mas ainda é um defensor razoável, e o Brandon Haywood, que é um ótimo defensor no garrafão e tem tudo para acompanhar melhor o ritmo do Mavs no jogo de transição. O atual pivô do time, Erick Dampier, tem cada vez mais problemas nos joelhos e precisa ser poupado em jogos seguidos, então a chegada do Haywood é essencial para o garrafão do Mavs. O Dampier até que quebra um belo de um galho, especialmente com a ajuda de Jason Kidd (que faz qualquer um render melhor no ataque), e bem provavelmente vai continuar sendo o titular da equipe. Mas o Haywood vai acabar tendo mais minutos do que ele, porque embora nunca tenha sido um gênio nos rebotes, sempre teve um bom tempo de bola e pés bem rápidos na defesa. O pessoal em Dallas já fala de planos de usar os dois ao mesmo tempo contra garrafões mais fortes, o que torna a equipe muito mais versátil.

Para isso, o Mavs teve que perder também o Drew Gooden, mas ele não faz falta para a equipe. O Gooden é muito bom, mas o coitado sempre teve que jogar improvisado a vida inteira. No Grizzlies, equipe que o draftou, tinha que jogar de ala-armador porque não tinha outro mané para ocupar a vaga (o coitado teve que aprender a arremessar de três, sem sucesso), no Cavs e no Mavs tinha que quase sempre jogar de pivô para tapar buraco. Seu jogo sofre muito embaixo da cesta, ele prefere ficar nos arremessos de média distância, mas no Mavs seu talento nos arremessos era meio inútil frente à quantidade de arremessadores na equipe, especialmente o Nowitzki que também joga fora do garrafão sempre que pode. O resultado era o Gooden sendo pago para brigar por rebotes e defender o aro, coisa que ele não faz muito bem e que Haywood vai executar com muito mais facilidade. O Mavs manda também o Quinton Ross, bom defensor de perímetro, e o James Singleton, um ala brigador para dar pancada quando tiver briga com a torcida ou quando alguém não pagar uma dívida.

Pro Wizards, a troca é para começar de novo. Os contratos de Ross e Singleton são praticamente simbólicos e, assim como os contratos de Drew Gooden e Josh Howard, terminam nessa temporada. De repente, com apenas uma troca, o time entra na brincadeira para contratar alguém na imensidão de estrelas que estarão desempregadas ao fim dessa temporada. É um excelente ano para reconstruir, tendo em vista a quantidade de talento disponível, e o Wizards vai ter uma graninha para tentar a sorte. E, por enquanto, só pra não perder demais, fica torcendo para o Josh Howard mostrar que todo o potencial que se via nele não foi ilusão de óptica.

Na tentativa de reconstruir a equipe antes que se diga parangaricutirimirruaru, o Jamison também está disponível para ser trocado e, se conseguirem mandá-lo por mais contratos expirantes, o Wizards vai poder construir um time inteirinho novo com a grana. Mas vai ter que ser em volta do Arenas, porque dele não vai dar pra se livrar. Já cogitam que o Jamison vá para o Cavs ou para o Celtics, por exemplo.

Essa é uma daquelas trocas que pode parecer um assalto, mas que deixa os dois lados felizes. O Mavs se transformou num time muito mais forte. Agora Shawn Marion, Butler e Haywood podem tornar o Mavs uma equipe mais defensiva, Butler vai render tudo aquilo que se esperava de Josh Howard no ataque para desafogar Nowitzki (que não é das estrelas mais constantes em pontos), e o garrafão fica mais versátil porque terá dois jogadores capazes de brigar lá dentro, ao invés de ter um ala improvisado. Ainda acho que não é o bastante para que o Mavs pense em título, mas a aquisição de Haywood é essencial para um eventual confronto com Lakers e Nuggets, donos de um garrafão que faz todo o resto do Oeste fazer xixi na cama. O Mavs tem agora um elenco muito mais forte do que tinha na temporada passada, prova de que seu dono Mark Cuban não poupa verdinhas em busca de um título. O teto salarial dessa temporada é de 57 milhões, e o Mavs passa a pagar 90 milhões! São mais de 30 milhões acima do limite, o que resulta em 30 milhões a mais gastos só com multas (daria pra estacionar uma caralhada de carros fora da vaga). Com o esquema tático favorecendo um pouco mais Jason Kidd e um elenco cada vez mais grandioso ao seu lado, esse Mavs deve ser levado a sério, ao contrário de ser um time invisível que todo mundo sabe que não dá em nada como era até pouco tempo atrás. Ainda não acredito, sou um incrédulo infiel sujo, mas quero mais é que essa equipe prove que estou enganado. Agora, ao menos levo o time a sério. Vai demorar um pouco para todas as peças encaixarem, Haywood e Butler não conseguiram treinar com a equipe ainda, e nesse Oeste mais disputado do que mulher sem gonorreia no carnaval é bem capaz que percam várias posições na tabela, mas para os playoffs estarão firmes e fortes. Enquanto o Wizards assiste tudo em casa, tentando garantir que o Arenas não apronte nenhuma e convencendo alguma outra estrela para jogar com o armador. Vai ser difícil, mas pelo menos foi corajoso - melhor do que o Pistons que não decide se renova ou não renova, manteve o Hamilton e torrou a grana antes de poder brincar na temporada que vem. Funhé.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Arenasgate

(não esquecer da piada com 'run and gun')


Eu não estava muito afim de falar desse caso do Gilbert Arenas até hoje. Eram dois motivos principais: o primeiro é que ele tem pouco a ver com basquete e é de basquete que eu gosto, depois porque eram tantas versões da mesma história que eu não sabia no que acreditar. Só que a história diz respeito ao Gilbert Arenas, um dos jogadores que a gente mais comentou nesses 2 anos e meio de Bola Presa e agora tem um fato bem concreto pra comentar: ele foi suspenso por tempo indeterminado pelo David Stern.

Para quem está bem por fora, o que aconteceu foi que saiu uma notícia dizendo que o Gilbert Arenas teria quatro armas de fogo guardadas em seu armário no Verizon Center, o ginásio do Wizards. Como a lei de posse de arma de fogo é bem dura em Washington, o caso começou a ser investigado pela polícia e pipocaram informações de que seria proibido ter armas de fogo em locais com a chancela da NBA. O Arenas respondeu que tinha as armas em casa, mas que, com medo de tê-las perto dos filhos pequenos, levou-as para o ginásio.

O caso foi sendo investigado quando surgiu uma outra história, de que o Arenas teria apontado a arma, descarregada, para o companheiro de time Javaris Critentton, aquele armador reserva que era do Lakers, foi para o Grizzlies na troca do Gasol e depois para o Wizards. E foi depois disso que as mais diferentes histórias começaram a aparecer.

Uma das histórias diz que o Arenas apontou a arma para o Critentton, que teria ficado assustado. Outra diz que o Arenas e o Critentton certa vez brigaram por causa de uma aposta em jogos de carta e como resposta (de brincadeira) o Arenas teria deixado três armas no armário do seu colega com um bilhete pedindo para que ele escolhesse uma delas. Também existem versões da história onde o Critentton teria sua própria arma de fogo no vestiário, essa carregada, e teria apontado ela para o joelho recém-operado do Arenas no meio dessa discussão/brincadeira/provocação sobre as apostas em jogos de carta.

A confusão já era grande mas a NBA não tinha tomado nenhuma providência. David Stern disse que estava acompanhando o caso de perto mas que ia esperar qualquer decisão da polícia, que ainda investiga o caso, para decidir se daria uma punição e qual seria ela. Tudo parecia se encaminhar para esse desfecho, o Arenas até soltou para a imprensa um pedido de desculpas muito bem escrito pelo seu advogado em que falava ter errado, exagerado na brincadeira e tudo isso que a gente conta pra diretora da escola.

Só que no dia seguinte apareceu o Arenas de sempre, o de verdade. Bocudo, incosequente e, por que não, um bocado burro. Ao invés de ficar quieto por um tempo e deixar o assunto esfriar, ele passou o dia comentando o caso no seu Twitter, criticando todo mundo da imprensa que tinha falado mal dele e insistindo que ele só tinha feito uma brincadeira. Para terminar, fez essa brincadeira antes do jogo do Wizards contra o Sixers.


Tá bom, eu ri um bocado quando vi ele fazendo a arma com a mão. Mas não é porque foi engraçado que não foi burro. Logo depois do jogo o David Stern soltou uma nota dizendo que o "Sr. Arenas" não estava em condição de participar de jogos da NBA e que por isso estava suspenso por tempo indeterminado. E ainda assustou com o trecho "está claro que as ações do Sr. Arenas vão resultar numa punição substancial ou, talvez, até algo pior". Já se diz em proibí-lo de continuar na NBA ou de cancelar seu contrato zilionário com o Wizards.

Digo que o Arenas foi burro porque todo mundo sabe que o David Stern é pirado quando o assunto é o comportamento dos jogadores. Ele já suspendeu jogadores por 10 jogos quando os problemas judiciais deles tinham acontecido na offseason e nada tinham a ver com basquete, foi o responsável pelo patético código de vestimenta que obriga todos os jogadores a aparecerem de roupa social quando não vão jogar. É o David Stern que insiste em mostrar os jogadores fazendo ações de caridade no intervalo de todos os jogos e foi ele quem pediu para a Getty Images tirar do ar, ontem, a foto que eu postei aí em cima com o Arenas apontando suas armas de dedo. Se ele pegou pesado com as roupas, imagina o que ele iria fazer quando o assunto é realmente sério? Essa punição estava muito óbvia e o Arenas continuou provocando.

Ainda acho que muita gente na imprensa americana pegou pesado demais com o Arenas. O caso nem estava bem explicado (quer dizer, ainda não está) e já estavam crucificando ele, tratando-o como o pior dos criminosos. Mas, apesar de não concordar com os exageros, dá pra entender como eles nasceram: por que um cara vai ter quatro objetos cuja função é tirar a vida de outros seres humanos guardados no seu local de trabalho? As armas já fazem parte da nossa cultura, tem gente que é apaixonada por arma como outras são por carros ou basquete, mas não podemos esquecer que, no fundo, a função da arma é matar. O exagero ainda é exagero, mas é explicável.

A notícia mais recente do caso é que o Arenas estava tentando limpar a barra do Javaris Critentton. A versão foi contada pelo New York Post e parece encaixar com as outras contadas antes. Segundo o Post, o Critentton perdeu uma aposta num jogo de cartas para o pivô JaValle McGee e ficou bravo por uma discussão sobre as regras do jogo, o Bourré (que além de cidade da França, dança e música do Jethro Tull, é um jogo de cartas típico dos EUA).

O Arenas então começou a tirar sarro do seu colega que tinha perdido o jogo, dizendo que se não pagasse a aposta iria ter seu carro explodido (uma boa piada, convenhamos, eu teria dito que iria entregar um peixe na casa dele). Aí, ainda no avião, o Javaris teria dito para o Arenas que iria atirar no joelho dele (isso já foi pegar no ponto fraco!). Dias depois, no vestiário, o Arenas deixou suas armas no armário do Critentton com um bilhete dizendo "escolha uma" e disse que só estava deixando o trabalho do seu colega mais fácil. O armador, porém, respondeu algo como "Não precisa, eu tenho a minha" e mostrou sua arma carregada.

Não se sabe se ele chegou a apontar para o Arenas, se todo mundo riu, se eles se abraçaram, sei lá, não contaram nada depois disso. Mas falaram que o Arenas disse para o seu companheiro de time que iria assumir a responsabilidade pelo fato, encerrar isso e deixar o Critentton, que não tem nome, mídia e nem a mesma grana, longe disso. Acontece que o caso ficou grande demais e a história real acabou saindo. Ou seja, além do problema da posse de arma, de tê-las dentro de um lugar da NBA e ter sido suspenso pelo David Stern, o Arenas terá que lidar com o fato de ter mentido para a polícia, o que nunca é bom negócio nas séries policiais que eu vejo na TV.

Nos EUA o caso tem sido tratado bastante pela sua veia racial. O Stephen A. Smith da ESPN fez um artigo grande, até comentado no Rebote, dizendo que "idiotas como Gilbert Arenas estão envenenando a cultura negra". Mas nesse caso eu concordo com outro americano, o (negro) Austin Burton, que disse: "Se fosse o Brad Miller apontando seu rifle de caça para o Aaron Gray em Chicago ele seria suspenso também". Esse caso de armas em um local de trabalho é sério e não tem nada a ver com cor da pele, acho que chama mais a atenção pelo Arenas ser um jogador conhecido e polêmico do que por ser negro. Mas só estando nos EUA para entender um pouco melhor como eles lidam com a questão racial por lá.

Esse caso acaba sendo o marco de uma temporada que vinha sendo um grande anti-clímax para o Wizards e para o Arenas. Ele finalmente voltou depois de dois anos e meio parado mas o time não consegue vencer de jeito nenhum. O Arenas está até com bons números (22 pontos e 7,5 assistências, máximo da carreira) mas que não estão fazendo diferença na hora de vencer jogos, ao contrário, ele se destacou mais na temporada pelas bolas perdidas e lances livres errados em momentos decisivos dos jogos.

Convenhamos que o Jazz precisou de bem menos pra começar a oferecer seus jogadores em trocas. Esse caso é mais do que simbólico para o Wizards começar uma reestruturação geral em seu time. Caron Butler e Antawn Jamison ainda tem muito valor de troca na liga, Andray Blatche e Brendan Haywood são talentos que podem interessar muita gente e se o contrato do Arenas for realmente encerrado pela NBA, o espaço que isso deixaria na folha salarial do Wizards os colocaria na briga por Free Agents no ano que vem.

Acredito até que o Wizards deve estar torcendo demais para isso acontecer. Com o desempenho do time nesse ano, os 111 milhões investidos no Gilbert Arenas parecem um belo dinheiro jogado no lixo e a família Pollin, que comanda a equipe desde que o patriarca Abe Pollin morreu no começo dessa temporada, está indignada com os fatos e com o comportamento do Arenas perante eles, parece que não ficariam nem um pouco tristes de ver o Arenas longe de Washington. Ironia cruel do destino que foi o velho Abe Pollin que, muitos anos atrás, devido à grande violência na cidade de Washington, resolveu trocar o nome do time de Bullets (balas) para Wizards (magos).

Se por acaso Arenas continuar, vai ser um clima esquisito. O ambiente ficaria pesado e eles não teriam muito o que fazer, como seriam capazes de trocar aquele salário monstruoso? Que equipe iria poder e querer bancar? O ano que era pra ser o da volta de Gilbert Arenas foi o da infame volta do Washington Bullets.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Melhor sem estrelas

Danny Granger sofre os males de ser tão próximo de Murphy (e sua lei)


Na noite de sábado, mais um time ruim teve que tentar superar a má fase sem sua principal estrela. Nós sabemos que com o Nets não deu muito certo, já que sem o Devin Harris o time fede ainda mais e acabou batendo o recorde de pior começo de temporada em todos os tempos, com 18 derrotas seguidas. Mas para o Kings, sem Kevin Martin, tudo anda dando bastante certo. É aquela famosa "Síndrome de Gilbert Arenas", em que para compensar a falta de seu melhor jogador o time marca mais, distribui mais a bola e acaba se saindo melhor do que se estivesse completo. O Houston Rockets, sem Yao Ming e sem Tracy McGrady, está se dando muito bem, obrigado. Dizem que o T-Mac está em plenas condições físicas de voltar às quadras mas o time está dando uma de garota difícil e deixando ele de escanteio, com medo de que sua volta estrague tudo.

Mas o Indiana Pacers existe por cupa do Danny Granger, não dá pra imaginar esse time sem ele. Na temporada passada ele flertou com o posto de cestinha da temporada por uns tempos, nessa temporada está entre os 10 primeiros em pontos - e é disparado o jogador que mais arremessa de três na NBA. Todo o ataque do Pacers passa por ele, mas ele sequer seria reconhecido na rua porque ninguém poderia se importar menos com o time de Indiana desde que o Reggie Miller virou o pior comentarista esportivo do planeta e o Jermaine O'Neal levou seu joelho paraguaio para outro lugar. Além de ter um nome capaz de gerar um belo trocadilho ("Granny Danger", algo como a "Vovó Perigo"), o jogo do rapaz é espetacular. Tem um alcance e uma facilidade de arremesso que lembra o Kobe, uma explosão física que lembra LeBron, e um cérebro que lembra o Zach Randolph, o que gera um monstro bizarro que faria sucesso em muitos zoológicos mas não ganharia muitos campeonatos de xadrez por aí.

O Danny Granger pontua até de olhos fechados, mas na maior parte do tempo ele é obrigado a isso porque não resta muita gente na equipe capaz de atacar a cesta. A maior prova disso é que Dahntay Jones, que fez carreira como jogador defensivo desde que entrou na NBA e nunca teve mais do que 7 pontos por jogo de média, está marcando 15 pontos por jogo nesse Pacers. No Nuggets, o Dahntay Jones era aquele caso típico de jogador titular que entra só para defender a estrela adversária e sai rapidinho para deixar alguém que sabe jogar basquete entrar em quadra. Se ele pontua tanto no Pacers é porque não tem muita gente melhor pra fazer o trabalho, o que é desesperador. O ponto positivo é que ele já é um dos favoritos para o prêmio de jogador que mais evoluiu na temporada, o que pelo menos vai colocar alguém desse time no mapa (o próximo plano era convencer alguém do elenco a posar pelado para calendários de borracharia).

Depois de uma sequência de 9 derrotas seguidas, com o Danny Granger enfrentando dores nos joelhos e no calcanhar que estão torrando seu saco desde a pré-temporada, finalmente o corpo dele resolveu adotar a tática Chris Paul de "esse time fede então vou ver o filme do Pelé" e rompeu um tendão. Serão meses fora, deixando o Pacers - que já é um time semi-nu e numa sequência terrível de derrotas - completamente pelado. Mas o exemplo do Kings parece ficar cada vez mais e mais comum: sem o Granger, o time colocou mais responsa nas costas de Mike Dunleavy, que acaba de voltar de uma contusão que o tirou de todo o começo de temporada, e também do novato Tyler Hansbrough, que teve excelente pré-temporada, e o negócio deu certo. Primeiro chutaram cachorro morto, dando uma surrinha no Nets, algo que eu e o Denis faríamos acompanhados de outros três macacos adestrados de circo. Mas depois venceram o Wizards numa partida importantíssima: ou essa partida afirma que o Pacers tem chances de jogar em alto nível sem o Granger e continuar se segurando pelas beiradas sonhando com uma oitava vaga no Leste, ou então ela afirma que o Wizards não tem qualquer chance de porcaria nenhuma, fede pra burro, e deveria desmontar e começar de novo.

É que por tantos anos ouvimos sem parar que o Wizards só fede porque o trio principal da equipe nunca está saudável, nunca jogam juntos, ou nunca rendem juntos. No sábado, os três jogaram demais: Jamison praticamente não errou arremessos, inclusive várias bolas de três, e acabou com 31 pontos; Caron Butler defendeu muito bem e terminou com 23 pontos; e o Gilbert Arenas finalmente fez algo digno de nota desde que fechou seu blog, acabando o jogo com um triple-double de 22 pontos, 10 rebotes e 11 assistências. E se não fosse o bastante, o Boykins ainda jogou demais, principalmente no quarto período, e terminou o jogo com 14 pontos. Continua impressionante como sempre ver esse anão infiltrando no garrafão e jogando até de costas para cesta, empurrando seus marcadores para dentro e enfiando um par de arremessos giratórios em suas fuças. Só que mesmo com todas essas atuações de gala, o Wizards conseguiu perder uma partida ganha, graças ao Arenas errando seus dois lances livres com 6 segundos para o fim do jogo com seu time vencendo por 1 ponto, e depois com o Haywood cometendo uma falta no Dunleavy com 0.1 faltando no cronômetro. Ao contrário do Arenas, Dunleavy converteu os dois e aí está o Pacers sem Granger numa sequência de duas vitórias.

Que desculpas o Wizards pode dar agora? Talvez a pressão atmosférica, o alinhamento de Júpiter com Saturno, ou então a cotação do dólar. Jamison já disse que botar a culpa no esquema tático é besteira, que eles entenderam perfeitamente o sistema desde a pré-temporada e que o técnico Flip Saunders está fazendo um excelente trabalho. O técnico é bastante defensivo e o Wizards inteiro provou que sabe defender (ao menos quando está sem o Arenas) em várias ocasiões, então não tinha como ser falta de defesa. O que acontece com essa equipe é inexplicável, se não bastasse eles serem amaldiçoados com a cota de trocentas contusões anuais, ainda perdem jogos fáceis mesmo quando todo mundo faz sua parte.

Aliás, o Arenas precisa começar a reconsiderar sua fama de ser matador nos segundos finais dos jogos - ao menos na linha de lances livres. Todo mundo lembra que o Wizards perdeu aquela série de playoff para o Cavs quando o LeBron passou pelo Arenas, na linha de lance livre, e disse que se o Arenas errasse o jogo estaria perdido porque o LeBron acertaria uma cesta final. Dito e feito, o Arenas fedeu e o LeBron ganhou o jogo numa cesta alucinante. Agora, outro jogo vai pro ralo em situação semelhante, e isso porque o Arenas acerta 80% dos lances livres em sua carreira. Nervos de aço uma ova, ninguém nesse Wizards amaldiçoado tem cabeça para segurar a crise.

Enquanto isso, o Pacers ganhou algum ânimo passando justamente o Wizards na tabela. Estão encostadinhos na oitava vaga, e pegam o Magic na segunda-feira. Como acompanhar o Kings empolgado valeu tanto a pena, e como o meu Rockets sem estrelas é - juro - o time mais divertido de se ver jogar na temporada, prometo dar uma espiada no Pacers. O Mike Dunleavy, eterno "o próximo Larry Bird", finalmente mostrou que sabia jogar basquete na temporada passada, só não durou muito tempo saudável. Se ele está de volta agora, e vindo de sua melhor partida no ano, merece atenção. Já o Wizards perdeu as 4 últimas partidas e já está começando a passar vergonha - a sorte deles é que ainda existe o Sixers na Conferência Leste. Se não bastasse a equipe da Philadelphia estar com a pior sequência de derrotas atual, com 12, ainda estão passando uns vexames ridículos. O Iverson fez sua "via sacra" da vergonha, passando por todos os times que o acolheram em sequência (Nuggets e Pistons) e perdendo feio nas duas vezes. Aliás, perder feio é pouco, o que o Rodney Stuckey fez com ele foi pior do que isso:



Esse é um belo sinal de que o tempo passa, o tempo voa, e a Poupança Bamerindos vai à falência. O que o Iverson fez ao Jordan agora é feito com ele. E o que o Arenas tanto se orgulhou de fazer, ganhando jogos no finalzinho, agora é o que ele toma na cabeça. O Wizards não tem muitas chances apesar do elenco incrível, mas todas as noites eles podem colocar a cabeça no travesseiro e agradecer: "pelo menos não somos o Sixers. Pelo menos não somos o Sixers."

Se as coisas continuarem tão feias, talvez seja a hora de tentar uma tática ousada que parece estar dando certo por aí: ficar sem a estrela. Talvez se o Arenas se machucar de novo, ou se o Iguodala tirar umas férias, dê um pouco certo. Veremos, de perto, até quando o truque funciona pro Pacers.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

MIPWAL3SPITL

Vai você, Granger!


Principalmente por figurões como o Gilbert Arenas e o DeShawn Stevenson, o Wizards deve ser um dos times que mais foram citados aqui no Bola Presa. Nessa temporada, sem Arenas e sem vitórias, eles ficaram um pouco de lado. Mas vou dizer, eu gosto desse time, espero falar mais deles na temporada que vem e gosto porque eles têm alguns dos jogadores mais legais da NBA. Não dá pra torcer contra.

Veja essa declaração do Caron Butler na semana passada, por exemplo:

"Eu sei, pessoalmente, que estarei na melhor forma da minha vida. Na melhor condição física que já estive. Fisicamente, mentalmente, eu vou estar melhor do que nunca, vou ter a melhor temporada da minha carreira. Estou botando isso no papel, vou ter o melhor ano da minha carreira dentro e fora da quadra. Estou falando sério."

Ele também disse que planeja usar o seu verão de férias para treinar com dois ex-companheiros de time, dois frangotes chamados Kobe Bryant e Dwyane Wade. Quantas vezes vemos jogadores comprometidos a trabalhar tanto nas suas férias?

Talento o Caron Butler tem de sobra. Não para ser o próximo Kobe ou o Wade, mas ele é bom o bastante para fazer muito estrago na NBA, ainda mais com essa motivação toda e um ótimo preparo físico. Mas como uma andorinha só não faz verão (disse essa enquanto fazia tricô e guardava a dentadura), o Butler espera o mesmo dos seus companheiros de time:

"Eu acho que todo mundo estará sedento como eu nesse verão. Nós não temos tempo a perder, nosso momento é agora."

E ele tem razão. O Antawn Jamison tem 32 anos, o Arenas tem 27, o próprio Butler tem 29 e o Brendan Haywood também. Seguindo a teoria de que o atleta da NBA está no seu auge por volta dos 28 anos, o Wizards está no momento certo para brilhar. A questão é se eles precisam de mais alguém para que esse brilho signifique chance de título.

Para o Caron Butler eles precisam de alguém sim, mas que ele espera que esse alguém não seja um pivete qualquer conseguido com a terceira escolha do draft. Segundo o Butler, ou o Wizards garante a primeira escolha do draft e leva o Blake Griffin pra casa ou é melhor trocar a escolha por algum veterano.

Eu estou de acordo. Ficar pegando pivete pra cuidar quando a intenção do time é ganhar agora simplesmente não vale a pena. Eles já fizeram isso anos atrás quando trocaram sua quinta escolha (que veio a ser o Devin Harris) pelo Antawn Jamison e deu resultado, com o Jamison virando um all-star enquanto o Devin Harris ia pegando o jeito das coisas em Dallas. O Blake Griffin parece ser um cara bom o bastante pra assumir a posição 4 e dar conta do recado, qualquer outro novato acho que é melhor o Wizards trocar mirando times que tem muito talento e que estão buscando renovação, como o Suns, o Clippers e o Mavs.

Mas voltando à questão da vontade de melhorar do Butler, acho que isso faz muita diferença na NBA. Se no campeonatinho da escola o moleque que é o melhor não está afim de jogar, ele é o melhor mesmo assim e o time dele ganha, na NBA tem tanta gente boa que são nessas coisas que o Parreira chamaria de detalhes que um time ou um jogador é melhor que o outro.

O Kobe chegou na NBA como um grande jogador de colegial com ótimo físico e arremesso irregular, assim como o JR Smith e Gerald Green, mas ele é tão bitolado em basquete e tão obstinado a ser o melhor (deve ser um cara muito chato por isso, é verdade) que ele acabou conseguindo virar o que é. Eu não tenho dúvida de que o JR Smith tem o talento necessário para ser um jogador com média de 25 pontos por jogo, mas ele quer isso? Ele quer melhorar o jogo 1-contra-1 dele? Quer treinar jogadas no pick-and-roll? Quer ser uma ameaça como passador para conseguir mais espaço? Quer ser melhor defensor para garantir a vaga de titular? Para isso o cara tem que passar horas e horas treinando, tem que contratar treinador particular e tudo isso sem a certeza de que alguém irá perceber a mudança e jogar um biscoito pra ele.

Essa discussão nos leva a um dos prêmios que eu mais gosto na NBA, o de "Most Improved Player", o jogador que mais evoluiu em relação à temporada passada. O prêmio é dado a quem mais evoluiu, não importando os motivos que os levaram para tal evolução.

Hoje estava vendo a lista dos principais candidatos a jogador que mais evoluiu na temporada lá no NBA.com e eles listam o Nenê, o Kevin Durant, o Jeff Green, o Danny Granger, o Devin Harris e o Paul Millsap, todos candidatos fortíssimos.

O Nenê na verdade sempre foi bom, o que aconteceu foi que nesse ano juntou que ele estava finalmente saudável, mais maduro e com um armador ótimo do lado. Acho que foi mais a situação que melhorou do que ele. Parecido é o caso do Millsap, que evoluiu o jogo ofensivo dele mas que foi com a contusão do Boozer e o maior tempo em quadra que definiu esse status de candidato ao prêmio.

Também podemos colocar o Devin Harris nos que melhoraram porque a situação mudou. No Nets ele é a base do ataque e assim tem mais liberdade pra mostrar seu jogo. Mas não vejo ele atacando a cesta muito melhor do que já fazia em Dallas, apenas faz mais frequentemente e com menos medo de ir parar no banco quando errar. Devin Harris é o mesmo jogador mas mais à vontade e com um esquema de jogo feito pra ele.

O Kevin Durant eu já disse aqui que evolui a cada passo que dá, a cada noite de sono bem dormida, a cada empada de palmito que come. Simplesmente a cada jogo que ele joga o cara parece melhor e mais completo. Pensando por esse lado eu daria o prêmio a ele, mas pensando por outro lado eu acho natural demais que um jogador de segundo ano melhore bastante depois de apanhar no ano de novatos.

Não é à toa que o seu companheiro de Thunder, o Jeff Green, também esteja na discussão. Mas assim como eles, o Mike Conley está melhorando demais, o Joakim Noah, o Spencer Hawes, o Thaddeus Young, o Rodney Stuckey, o Nick Young, o Wilson Chandler, o Aaron Brooks e por aí vai. Se eu pudesse inventar uma regra pra deixar nesse prêmio seria que só vale para jogadores que estão em pelo menos seu terceiro ano na liga, quando a evolução técnica é menos esperada.

Talvez essa mudança não fosse legal porque o prêmio teria que se chamar "Most Improved Player with at least 3 seasons played in the league" e a sigla MIPWAL3SPITL não iria pegar entre os fãs da NBA. Mas pelo menos iria premiar o jogador que evoluiu seu jogo quando é mais difícil, quando a maioria está estagnada, acostumada. Por isso eu daria nesse ano o meu voto para o Danny Granger.

O nosso querido Granny Danger foi draftado em 2005 e não parou de melhorar o seu jogo até hoje. Começou bem, melhorou no ano seguinte, aproveitou quando foi abrindo espaço no seu time e nesse ano ele não só evoluiu ainda mais como evoluiu a parte mais difícil, que é deixar de ser só um grande jogador para ser espetacular.
É mais fácil passar de 10 pontos por jogo para 18 do que de 20 para 25. Para chegar aos 18, 19 pontos por jogo, basta você ser bom ou ter um bom armador do lado, para chegar aos 25 de média você precisa ser muito bom e ter uma variedade de jogadas ofensivas que façam com que você tenha jogos de muitos pontos contra qualquer adversário, e é isso que o Granger desenvolveu.

Desenvolveu com treino, com vontade de jogar basquete melhor mesmo depois de assinar um bom contrato. Mais ou menos como o Butler está disposto a fazer.

Hoje o Granger chuta de 3, de 2, infiltra e vai quase 7 vezes por jogo para a linha de lance livre. Pode jogar como um shooter, se posicionando para o arremesso, ou com a bola na mão. Jogador fora de série!

Danny Granger, meu palpite para esse ano. Caron Butler para o ano que vem.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Milagre, Arenas voltou!

Arenas machuca a mão ao cumprimentar companheiros


Finalmente o Gilbert Arenas voltou!!! Ufa, demorou mais que o Fenômeno para fazer sua estréia na temporada mas finalmente sábado, contra o Detroit Pistons, o Agent Zero fez seu primeiro jogo oficial desde os playoffs da temporada passada. E pode-se dizer que com sucesso: apesar do arremesso ainda descalibrado, foram 15 pontos e 10 assistências.



Como nos finais de semana eu tento deixar de ser um fracasso completo e ter uma vida social, não consegui ver o jogo inteiro, mas vi o suficiente para ver que ele está de volta. E, mais importante, está diferente.

A primeira mudança importante é que agora o Arenas é um blogueiro aposentado. Ele anunciou semana passada que não atualizará mais o seu blog, o que deixa o Bola Presa oficialmente na condição de blog mais sensacional sobre NBA em toda o universo conhecido.
Mas sério, para o Arenas foi um passo grande abdicar do blog. Foi com ele que ele saiu do status de "apenas" ótimo jogador para o de super estrela e foi com o blog que ele conseguiu milhões de fãs que antes nem assistiam jogos do Washington mas que acabaram se divertindo com os causos e opiniões. Além disso, foi por lá que ele conseguiu não ser esquecido mesmo passando duas temporadas inteiras praticamente sem jogar.

Mas apesar de toda essa importância do blog pra ele, acho que foi importante ele ter desistido. Chegou um ponto na carreira dele que o blog estava mais dando trabalho do que rendendo bons frutos. Cada vez era mais comum ele ter que gastar muito espaço de um post novo só justificando o que ele tinha dito no post anterior e que tinha causado polêmica. Coisas divertidas como as provocações contra o Portland (quando ele jurou fazer 50 pontos), contra o Richard Jefferson (que ele tirou sarro por ir jogar na chata cidade de Milwaukee) ou mesmo seu desabafo quando foi cortado da seleção americana. Tudo o que era o máximo para nós leitores era cada vez mais dor de cabeça para o Arenas. Nas palavras dele mesmo:

"No começo era legal, mas depois virou uma faca de dois gumes. Suas palavras podem ser usadas contra você."

Com a fama que ele criou logo apareceram os caras odiando ele, claro. Ninguém odeia o Antoine Wright ou o Pops Mensah-Bonsu, as pessoas preferem odiar o Kobe, o LeBron e o Arenas, por algum motivo acham que isso faz sentido. Então a cada derrota do Wizards, a cada jogo ruim do Arenas e a cada mês machucado, já vinham dizendo que era para ele blogar menos e jogar mais. Como se tirar umas horinhas por semana pra escrever fosse o que deixasse o seu joelho pior ou a defesa do Wizards mais furada.

Por isso, por um lado a aposentadoria bloguística do Arenas é uma derrota do bom humor para os críticos esportivos chatos. A pressão de implicarem com tudo o que ele fala certamente deve ter ajudado o Arenas na hora de tomar a decisão de não escrever mais. Invariavelmente os blogs acabam porque as críticas são tão pesadas que tiram a diversão de blogar (que tem que ser divertido, afinal em 99% não é remunerado) ou porque não têm visitas e caem no esquecimento, o que não era o caso do Arenas. Em alguns casos, quando o blog é mais velho, ele também acaba porque o cara cansou de escrever tanto, mas o Arenas sempre disse gostar de postar, então essa não cola.

Mas já por outro lado a aposentadoria bloguística do Arenas foi uma boa jogada para ele. Depois de dois anos parado com uma contusão e em um time que é o pior da NBA, tudo o que ele não precisa é de mais pressão e de holofotes em cima dele. E o blog estava sendo isso, um holofote do tamanho do Glen Davis. No momento ele só precisa de preparo físico, de ritmo de jogo, precisa pegar confiança no joelho, em bater pra dentro e no arremesso, quase nada. Então, mais inteligente é se esconder num canto e usar esse último mês de temporada e a offseason para poder voltar com tudo na temporada que vem.

No começo do texto disse que o Arenas estava um jogador diferente, primeiro porque não é mais um jogador-blogueiro, e a segunda coisa que pareceu diferente no jogo de ontem é que agora ele está parecendo (baseado em um jogo ainda, eu sei) um armador de verdade.

Na partida de ontem ele foi um cara que tomou mais conta do jogo, não forçou tanto a barra em busca de arremessos e procurou os companheiros para o passe, por isso as 10 assistências. O que me lembrou um post do Arenas no blog dele em que ele diz que, se quisesse, poderia dar 10 assistências por jogo, que era algo bem fácil, mas que ele não dava porque não era a característica dele.

Segundo o Arenas, e na época eu concordei, pra quê pedir pro Kobe dar 10 assistências por jogo se o negócio dele é marcar pontos? Ou para quê exigir um arremesso de Ben Wallace se o negócio dele é defender? O negócio do Arenas é marcar pontos e é assim que ele iria jogar.

Como criador da ONG "Pintores pintam, arremessadores arremessam" que defende arremessadores chamados de fominhas mundo afora, como Ben Gordon, Sasha Vujacic e Marcelinho Machado, eu tive que concordar. Cada jogador faz o que sabe e o técnico que seja bom o bastante para encaixar essas peças em um time que funcione.

Acontece que o Arenas fazia o quê? Pontos usando sua velocidade de infiltração e arremessos com o espaço que ele tinha por causa de seu drible. Agora com o joelho zoado, cadê essa velocidade e esse drible? Será que vão voltar?

O Amar'e e o Nenê são bons exemplos de jogadores que voltaram bem depois de contusões sérias, o Grant Hill já é um exemplo da maioria que nunca mais volta a ser a mesma coisa. Considerando que o Arenas dificilmente voltará a ter a mesma explosão física de antes, já que sua sequência de contusões lembra mais o caso do Hill, talvez fosse a hora dele aproveitar que acha fácil dar 10 assistências por jogo e virar o armador-organizador de que o Wizards tanto precisa.

Com a pior campanha na temporada regular, o time da capital americana tem sérias chances de ficar com a primeira escolha do draft e levar o espetacular Blake Griffin pra casa. Com um garrafão com o Griffin de ala de força e Brendan Haywood voltando de contusão como pivô, o Wizards terá um forte garrafão (que ainda terá o promissor JaValle McGee no banco) e poderá usar o Jamison na posição 3, com o Butler na dupla de armação com o Arenas. É, no papel, um time que pode fazer estrago no Leste.

O Arenas foi diferente ontem, foi esse armador puro que eu acho ser aquilo de que o Wizards mais precisa, mas não sei se ele planeja continuar assim. Vamos saber assistindo aos jogos dele, não lendo seu blog.


Seleção Brasileira (do outro esporte)

Vocês viram a meleca que foi o jogo da seleção brasileira contra o Equador ontem? Irgh! Que time asqueroso. Eu não só convocaria melhor que o Dunga como eu já convoquei.

O Blog A Marca da Cal, do nosso leitor Kei, pediu para que eu convocasse minha seleção brasileira de futebol com seus 23 jogadores e eu fiz o difícil serviço. Complicado escolher o reserva de lateral-esquerda, complicado também chamar o Ronaldinho Gaúcho por falta de bons meias mas acho que montei um bom meio-campo com Lucas, Hernanes, Ramires e Kaká. E aí, o que você acha? Veja a minha seleção e me xingue no blog de lá e aqui também.