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domingo, 9 de janeiro de 2011

Pacers do mundo bizarro

Mike Dunleavy sempre foi conhecido pelas belas fotos


Quando comentei aqui sobre a idéia do LeBron James de diminuir o número de times na NBA (ele depois negou ter dito isso), dei o exemplo de como seria a liga sem seis times, um deles o Indiana Pacers. Nos comentários isso provocou a revolta de pelo menos um torcedor que disse que Indianápolis e todo o estado de Indiana eram muito importantes para o basquete e que isso não deveria nem ser cogitado.

Ele tem razão ao dizer que Indiana é um estado importante no basquete. O Pacers e principalmente o Indiana University Hoosiers têm história e tradição no basquete americano, mas isso não é o bastante. O Seattle Sonics tinha 40 anos de NBA e uma base de torcida enorme antes de acabar de vez. Os torcedores então não deveriam se focar tanto na tradição, a cultura americana não é tão apegada a isso, e se preocupar em melhorar sua situação econômica e basquetebolística. Sem saber dos detalhes econômicos do time, nos limitamos a comentar do elenco. E convenhamos, ter um bom time e atrair mais público, TV e jogos de playoff é um bom começo pra arrecadar bufunfa.

No preview da temporada eu disse que considerava o trio do Indiana Pacers com Darren Collison, Danny Granger e Roy Hibbert mais promissor que outros trios de times medíocres e jovens, no caso Wolves (Jonny Flynn, Kevin Love e Wesley Johnson) e Nets (Devin Harris, Derrick Favors e Brook Lopez). As coisas mudaram um pouco de figura quando, depois disso, o Wolves trocou pelo Michael Beasley e ele começou a jogar muito. Hoje prefiro o trio do Wolves, com Beasley e não Flynn, embora nessa temporada o Pacers seja um time melhor.

Não que esteja tudo como planejado, o Darren Collison, por exemplo, não está jogando no mesmo nível da temporada passada pelo Hornets, quando substituiu Chris Paul e foi um dos melhores novatos do ano. Número por número o jogador tem hoje 13 pontos por jogo e acabou a temporada passada com 12, mas o meu critério de comparação é com quando foi titular no Hornets, não reserva. Isso aconteceu nos últimos três meses de 2009-10 e suas médias foram: 21.6 pontos em fevereiro, 17 pontos em março e 19 pontos em abril. Nas assistências foram 8.3, 9.1 e 7.7. Nessa temporada ele tem apenas 4.3 assistências por jogo.

Mas por que diacho o Collison caiu tanto de produção? O Indiana Pacers é um dos times que joga em ritmo mais veloz na NBA, bem mais do que o Hornets, o que eu achei que fosse fazer o Collison se adaptar rápido, mas acabou sendo o contrário. Pode ser só impressão, mas eu acho que ele não funciona muito bem só chegando no ataque e distribuindo um passe preciso para a finalização, como faz o Steve Nash no Suns, por exemplo. Ele funcionava melhor em um ataque de meia quadra que explorava vários pick-and-rolls como no Hornets. O Pacers é um time mais de arremessadores e que deixa o garrafão só para o Roy Hibbert trabalhar, limitando o Darren Collison a arremessos mais distantes ao invés de ter espaço para infiltrações.

A falta de entendimento tático tem influenciado também a confiança do Collison, que muitas vezes aceita ser só um carregador de bola da defesa para o ataque, onde entrega para Danny Granger e Roy Hibbert jogarem como bem entenderem. A passividade do Collison fez ele perder espaço na rotação e não é incomum ver o TJ Ford e até o AJ Price jogando quartos períodos no lugar dele, o técnico Jim O'Brien disse que muitas vezes o Ford joga os finais de jogo por sua agressividade na defesa e experiência no ataque. Quando você perde vaga por causa da defesa furada do TJ Ford e sua "experiência" que faz com que ele tente os arremessos mais imbecis da história do basquete (JR Smith à parte) é porque a coisa tá feia. Às vezes acho que é uma mensagem do tipo "Seja agressivo como o TJ Ford, mas do jeito certo".

Mas é difícil culpar só o TJ Ford por tentar arremessos burros porque esse é um dos times que mais força bolas estúpidas na NBA e eu nem esqueci do Warriors! O Danny Granger arremessa bolas longuíssimas de três com muito tempo no relógio, o Roy Hibbert insiste nos arremessos de Ilgauskas ao invés de jogar perto da cesta e o Brandon Rush só tem um pouco do meu perdão porque ele tem aquela liberdade concedida a todos os grandes arremessadores para arremessar sempre que receber a bola. É o tipo de jogador que se não chutar quando tiver a chance sai do time (embora tenha saído melhor do que a encomenda na defesa individual). O novato Paul George é outro que tenta umas coisas inexplicáveis, mas com a desculpa de ser só um novato, ser um time veloz não justifica tantas bobagens.

O Hibbert e o Granger, aliás, são um caso estranho nessa temporada. Nos primeiros 16 jogos da temporada Granger teve média de 22.6 jogos e Hibbert 16.1. Nos 16 jogos seguintes eles caíram para 19.1 e 11.1 respectivamente, em rebotes o Hibbert ainda caiu de 9 para 7 por jogo. Quer um número pior? Hibbert tem acertado apenas 41% dos seus arremessos! Irgh! Para um ala isso já é ruim, para um pivô é péssimo e para quem começou a temporada tão bem é um colapso inexplicável. E embora eu reclame que ele chuta muito de longe, os números dizem que nos últimos jogos, quando seus números caíram, ele está até arremessando um pouquinho mais de perto. Apenas tem errado, simples assim. O blog especializado no Pacers "Eight Points, Nine Seconds" comenta melhor esses dados.

Com Granger e Hibbert atuando bem, o Pacers tem lugar na briga (medíocre) pelas últimas posições no playoff no Leste, mas com eles jogando como estão, já era. Até porque como alertamos no nosso preview, eles tem dois buracos nas posições 2 e 4 que ainda não foram preenchidos. O Brandon Rush foi o escolhido para algumas ocasiões, mas como ele é muito limitado, costuma vir do banco, deixando lugar para o Mike Dunleavy, o que seria uma boa se ele tivesse só dias inspirados, mas é irregular como uma TPM. Na posição 4 já tivemos o mesmo versátil Mike Dunleavy deixando o time baixo e cheio de arremessadores, o agressivo Josh McRoberts, que é empolgante mas pouco eficiente, e finalmente Tyler Hansbrough nos últimos dois jogos. De todos, o Psycho-T é o que eu acho que vai ficar no time titular porque combina as qualidades dos outros: é agressivo nos rebotes como McRoberts, e tem velocidade e um arremesso decente de meia distância para abrir a quadra como Dunleavy.

Um outro jogador que eu sempre comentei que poderia ganhar espaço é o novato Lance Stephenson, ídolo absoluto nos seus tempos de colegial e que acabou só saindo na segunda rodada do Draft desse ano (uma posição depois do Landry Fields). Mas ele não entra em quadra nem a pau, na sua volta para sua terra natal, Nova York, o NY Daily News entrevistou o garoto e parece que vai demorar para ele entrar em quadra mesmo. O time está tendo paciência com ele, mas ele é ainda, pra falar a verdade, um jogador de streetball. Ainda precisa aprender a se portar como armador, a participar coletivamente da defesa e tantas outras coisas. "Ele precisa trabalhar em todo o seu jogo. Em tudo", disse o técnico Jim O'Brien. Se um dia Stephenson estourar na NBA ele deve muito a essa comissão técnica cheia de paciência.

Ou seja, é um time com bons jogadores, mas todos com muitos defeitos que o fariam reservas na maioria dos bons times por aí. Mas como essa é a realidade do Pacers por muitos anos, alguma coisa tinha que ser feita e o Jim O'Brien, nunca conhecido por sua defesa, fez milagre. Hoje o Pacers é a sétima melhor defesa de toda a NBA! O segredo para essa mudança está na dupla pressão de perímetro e Roy Hibbert . O time rápido pressiona os adversários na linha dos três com defensores atléticos e rápidos (George, Granger e principalmente Posey), evitando penetrações, e o Hibbert, 6º da NBA em tocos, protege bem o garrafão. Os adversários do Pacers acertam em média 43% dos seus arremessos, é a terceira melhor marca da NBA, atrás apenas de Bulls e Heat. Na defesa do garrafão também estão em terceiro, atrás de Celtics e Magic.

A conclusão dessa análise do Pacers é que caímos no mundo bizarro. O Spurs é o time veloz que precisa arrumar sua defesa e tem um dos ataques mais velozes e envolventes da NBA e o Pacers do Jim O'Brien (meu deus!) se mantém na briga pelos playoffs por sua defesa e precisa acertar o ataque para ir longe. Se um dia eu largar o blog é porque estou achando tudo tão estranho que enlouqueci e estou no hospício.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Preview – 2010-11 / Indiana Pacers

Darren Collison mudou de time e Danny Granger parece um bubblehead


Objetivo máximo: Não ser mais uma piada na NBA
Não seria estranho: Continuar sendo uma piada
Desastre: Não conseguir achar um Nets para ser pior que eles

Forças: Danny Granger e jogadores jovens que parecem que vão dar em alguma coisa
Fraquezas: Poucos talentos individuais na defesa, time inexperiente, pouca confiança e, até o ano passado, falta de um armador

Elenco: Se deus existisse ele deixaria eu colar as planilhas como nos primeiros previews. Mas pelo jeito estamos sozinhos nesse mundo e vocês terão que clicar aqui pra descobrir os 15 da rotação Paceriana.

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Técnico: Jim O’Brien
Há algumas temporadas a gente fez a chamada “Semana dos Técnicos”, quando falamos de todos os treinadores de todos os times daquele ano. Sempre que vamos falar de um técnico repetido dou uma olhada lá para lembrar de alguns dados. Mas lendo o texto que o Danilo fez sobre o Jim O’Brien decidi simplesmente colá-lo aqui, ficou muito bom:

“Lembrar de Jim O'Brien é lembrar daqueles bons tempos em que o Celtics desafiava as leis da lógica e do bom senso e vencia jogos, mas sem ter um elenco que parece um All-Star Game e ganha anéis mesmo com o babaca do Doc Rivers. Naquela época, o Celtics era formado por Paul Pierce e Antoine Walker, quebrava todos os recordes em bolas de 3 pontos arremessadas e era muito divertido de assistir. Me sinto velho lembrando de um Antoine Walker retardado porém sensacional, que levava seu time às vitórias. Naquela época a gente podia atravessar a rua sem olhar para os lados e continuar se perguntando quando é que o Papa João Paulo II ia finalmente morrer.


Jim O'Brien era responsável por um ataque veloz, de contra-ataques, baseado no jogo de perímetro, arremessando muito de fora do garrafão. Seu assistente técnico, Dick Harter, era uma das maiores mentes defensivas do mundo desde os bons tempos do goleiro Zetti, do São Paulo. Juntos, levaram o elenco limitado do Celtics até a final do Leste em 2002, mas foi aí que o maluco do Danny Ainge começou a lascar com tudo. Trocou o Walker sem motivo nenhum, passou a obrigar a utilização de novatos sem talento e afundou o time de vez com trocas absurdas que sonhavam apenas com o futuro. Jim O'Brien, então, falou que estava saindo para comprar cigarros e nunca mais voltou.


Foi para o Sixers e levou o time para os playoffs imediatamente, com um ataque que deixou Iverson feliz da vida. Mas como a diretoria do time queria contratar Mo Cheeks (vá entender o porquê), mandou o pobre Jim embora. Passou um tempo como comentarista e então assumiu o Pacers na temporada passada, o pior Pacers para se ter nas mãos nos últimos tempos. Além de Jermaine O'Neal contundido, o time de Indiana é uma tentativa do dirigente Larry Bird de construir um colégio católico para moços politicamente corretos. Todo mundo que arruma encrenca ou tem uma vida fora das quadras conturbada foi, aos poucos, sendo trocado ou afastado. O resultado final é um time que perdeu talentos como Stephen Jackson e Ron Artest e tenta vencer com o branquelo do Troy Murphy, que já tem no nome a certeza de que tudo vai dar errado. Jamaal Tinsley, um jogador que tinha tudo para se dar bem no esquema ofensivo do técnico O'Brien, foi cada vez mais punido por sua conduta e pelas contusões, até chegar ao ponto atual: ele não tem sequer um armário no vestiário, mesmo ainda não tendo sido trocado ou mandado embora. Estão apenas fechando os olhos e fazendo pensamento positivo para que ele desapareça, no melhor esquema "O Segredo".

A dupla Jim O'Brien e seu assistente defensivo Dick Harter têm uma árdua tarefa nas mãos. O elenco do Pacers está em total reconstrução, tendo se livrado inclusive do Jermaine O'Neal, e agora só tem uma pivetada para cheirar a talco e participar da brincadeira. Mas Jim O'Brien é um ótimo professor de novatos e ensina um ataque espontâneo e livre em quadra. Com ele, o eterno fracasso Mike Dunleavy e a futura estrela Danny Granger (também conhecido no mundo do tracadilho como Granny Danger) tiveram o melhor ano de suas carreiras. O Pacers acabou muito bem a temporada, chegou a tentar pegar a oitava vaga no Leste apesar das contusões e da bagunça que estava acontecendo no time, e era um dos times mais divertidos de se assistir jogar. Eu gosto do O'Brien e coloco uma fé em seu ataque veloz e talento com a pirralhada.”

Pois é, a reconstrução do Pacers não foi nada boa e Jim O’Brien não teve grande sucesso com o time. Ele até conseguiu impor seu ritmo veloz, as bolas de três (duas características que fizeram florescer o jogo do Danny Granger), mas sempre faltaram muitas peças para fechar o time. Um armador, principalmente. E nem o assistente Dick Harter, que se aposentou ao fim da temporada passada, conseguiu arrumar a defesa. Tá bom que ter a 14ª melhor defesa da liga com o elenco que tinham no ano passado foi uma vitória homérica, mas não o bastante para alguém ter percebido isso.

É uma pena que Harter tenha parado, porque é possível que esse seja o primeiro ano que o Pacers tenha peças o bastante para montar um time decente desde que Jim O’Brien assumiu. Uma curiosidade de Harter é que ele já havia trabalhado no Pacers antes, em 2000, quando o time foi até a final da NBA contra o Lakers. Naquela época o Larry Bird era o técnico do time e creditou à defesa montada por Harter o fato do time ter ido tão longe.

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Se nesse ano eles não tem mais Harter, têm como assistentes dois jogadores dos bons tempos de O’Brien no Celtics: Vitaly Potapenko e Walter McCarty. Mas mais importante do que isso, agora eles tem um armador e um pivô. Para um time de basquete ter jogadores bons nessas duas posições, se não for como oxigênio e água, é pelo menos tão importante quanto sexo e chocolate na vida de um ser humano.

Perder os rebotes e as bolas de três do Troy Murphy não foi legal, mas receber em troca o Darren Collison, um dos melhores novatos do ano passado, o cara que conseguiu números de Chris Paul jogando no lugar do próprio CP3, foi um achado. Ele é veloz, tem visão de jogo e deve se adaptar ao esquema do Jim O’Brien em segundos. Só por não ser um retardado que não passa a bola e acha que chuta de três como o TJ Ford já seria uma melhora, mas eles foram além. O pivete tem potencial pra ir muito longe e vai ter todo o espaço e mordomias do mundo para melhorar o seu jogo em Indiana.

No pivô eles tem o promissor Roy Hibbert, que melhorando de pouquinho em pouquinho a cada ano finalmente se tornou um jogador bom. Como foi citado outro dia no nosso formspring, é um dos pivôs que mais dá trabalho para o Dwight Howard em toda NBA. Não prevejo nenhum All-Star Game num futuro próximo, mas ele tem bons movimentos de ataque, dá conta do recado na defesa e não se machuca o tempo inteiro, pra eles tá ótimo! Se você pedir pra qualquer torcedor que acompanha a NBA há pouco tempo para listar os 30 times da liga, ele vai falar o Pacers por último, certeza. Eles não chamam a atenção por absolutamente nada desde que Ron Artest e Stephen Jackson deram o fora.

A espinha dorsal do time está montada com Darren Collison na armação, Hibbert como pivô e Danny Granger na posição três. Falta o miolo das posições 2 e 4. A briga vai ser dura entre muitos jogadores medianos.

Para ser o parceiro de Collison pode-se optar por Danthay Jones, Brandon Rush ou Lance Stephenson. O primeiro, surpreendentemente, fez uma temporada muito boa no ano passado, juntando sua boa defesa com alguns bons jogos no ataque. É o mais cotado para começar o ano como titular, mas tem “RESERVA” tatuado na testa e em todo seu DNA. Brandon Rush é um daqueles caras que ganham vaga na NBA por terem sido bons arremessadores na faculdade mas que demoram para provar o rótulo. Não fez nada de espetacular no seu primeiro ano. E por fim temos Lance Stephenson, talvez o jogador mais talentoso (competindo com Devin Ebanks) do segundo round do draft desse ano, mas um que faz Larry Bird ter arrepios na presidência do time. Ele é bom, jogou bem nas ligas de verão e tudo, mas também empurrou a namorada escada abaixo e está tomando processo na cabeça. É um clássico garoto-problema que joga muito basquete. Chegou a ser proibido de entrar no time logo depois da confusão com a namorada, mas está jogando normalmente a pré-temporada, sempre vindo do banco e jogando poucos minutos.

Com três opções nada convincentes a escolha da pré-temporada tem sido... nenhum dos três. Tá, Rush foi o titular em um jogo, mas no resto o mesmo técnico que passou mais de um ano usando Mike Dunleavy como um ala de força, agora o usa como segundo armador. Não sei se vai dar certo. Era legal quando ele usava sua velocidade contra os alas de força mais pesados, mas Dunleavy não tem o estilo de jogo para usar sua altura contra os armadores baixinhos. Acredito que esse experimento não vá longe.

É mais provável que Dunleavy apareça na briga para ser o ala de força, que tem como concorrentes fortes Tyler Hansbrough e Josh McRoberts. O primeiro foi um dos melhores jogadores universitários dos últimos anos, mas na sua temporada passada, a de novato, jogou poucos jogos porque ele tinha uma contusão que ninguém sabia o que era. Sério! Como contei na temporada passada:

“Mas o destaque na área médica vai para o Tyler Hasnbrough. Ele só jogou 29 jogos na temporada, sua última partida foi em 16 de janeiro e desde então ninguém sabe o que ele tem. Alguns médicos dizem que é uma infecção no ouvido, mas ninguém tem certeza, o cara não pode ser curado porque não sabem o que tratar. Rumores dizem que o Dr. Foreman acha que é câncer, o Taub acha que é uma doença auto-imune, o House acha que o Hansbrough está mentindo e todo mundo sabe que não é Lúpus.”

Por passar tanto tempo longe das quadras o Psycho-T, segundo Jim O’Brien, está atrás de McRoberts na briga, mas ainda dá tempo de alcançar. O atual titular é bem limitado e só chama a atenção porque, apesar de ser um branquelo, dá umas enterradas alucinantes (veja o vídeo abaixo)! É um jogador bacana de ter no banco, mas ver ele no time titular é assumir que é um time limitadíssimo.



Na posição de palpiteiro que não assiste aos treinos eu posso dizer que eu usaria o Tyler Hansbrough como titular. Ele é ágil e rápido o bastante para se adaptar ao estilo do time e, apesar de meio baixo pra posição, sabe atuar de ala de força. Dentro das suas limitações é a melhor opção do elenco, além de precisar, depois do trágico ano passado, de minutos de jogo para se sentir mais à vontade entre os profissionais e jogar em um nível parecido com o que fazia em North Carolina. Se tem uma vantagem em estar em um time esquecido é poder se dar ao luxo de deixar o cara feder por uns jogos sem que ninguém repare e fique apontando o dedo.

Também não deixaria de fora a possibilidade deles voltarem a improvisar um jogador da posição três como ala de força. Não só Mike Dunleavy como o novato Paul George e o recém-adquirido James Posey são boas opções. Posey em especial já teve boas experiências marcando jogadores mais altos e tem bom arremesso de três, ideal para o esquema aberto e veloz de Jim O'Brien.

Para a posição de segundo armador acho que o negócio é botar o Danthay Jones de titular mesmo,  alguém precisa defender nesse time. Mas ficaria de olho no Lance Stephenson, há algumas semanas ele foi duramente criticado pelo O'Brien pela sua defesa, mas foi na defesa sem a bola. Ele, pelo jeito, marca muito bem no 1-contra-1 mas no coletivo ainda se posiciona mal e falha nas coberturas. Nada que não dê pra aprender. É o bastante para deixá-lo ainda no banco, mas ficando de olho no garoto.

Vai ser difícil para o Pacers sair do ostracismo ainda nesse ano, mas é o elenco mais promissor e talentoso que eles tem desde que desapareceram dos playoffs em 2006. Na briga dos piores times do ano passado eu até me arrisco a dizer que o trio Collison-Granger-Hibbert é mais promissor que Harris-Favors-Lopez do Nets ou Flynn-W.Johnson-Love do Wolves. Mas vai saber, o Carmelo Anthony nem deve saber que o Pacers existe pra cogitar ir pra lá no ano que vem.

sábado, 27 de março de 2010

O pior do ano (mas não da história!)

Você também usaria se torcesse para o Nets. Ou se fosse feio como o Calvin Booth.

Não sei explicar direito o porque, mas assisti vários jogos do Nets nessa temporada. Não sei se é porque eu me sinto culpado por ser um pecador e acho que mereço ser punido, se é pra rir da desgraça alheia ou se é pra tentar entender como um time com um elenco daqueles consegue lutar até as últimas semanas da temporada para não ter a pior time de todos os tempos.

Talvez seja um pouco das três coisas, mas mais pela última. O Devin Harris está longe de ser o melhor armador da NBA e vai estar na lista do prêmio Monstars de jogadores que mais desaprenderam a jogar na temporada, mas ainda assim é um tremendo jogador, o Brook Lopez tem vaga garantida como pivô no All-Star Game todo ano, é só jogar em um time que não vença menos jogos que o Washington Generals. E sem contar jogadores bons e legais de assistir como Chris Douglas-Roberts, Courtney Lee, Yi Jianlian e o novato Terrence Williams, que dá algumas das enterradas mais legais da NBA atualmente. Tudo isso junto monta um time interessante, preciso assistir pra tentar achar uma explicação para o fato deles serem mais fedidos que o Rio Pinheiros.

Mas antes de explicar porque o time é ruim, gostaria de achar uma explicação sobre porque as pessoas vão até o ginásio do Nets, o IZOD Center, que dizem que fica perto de um lixão e longe de tudo, e pagam para assistir esse lixo de time (um time lixo do lado de um lixão, que mundo irônico, não?)? Eu estou em casa, entediado e sem muitas opções do que fazer, mas e eles? Será que o Nets tem uma Gaviões da Fiel que está com o time em qualquer situação (desde que o preço dos Tacos dentro do ginásio ainda seja bom)? Pode ser, mas toda torcida apaixonada assim cedo ou tarde vai começar a reclamar.

No começo da temporada ficou conhecida a foto de dois torcedores do Nets que apareceram em um jogo com um saco de papel na cabeça com os dizeres "0-18", indicando as 18 derrotas e nenhuma vitória do time no campeonato, e escondendo a cara de vergonha por ser um fã do Nets. Veja a foto aqui.

E eis que no jogo contra o Heat, três jogos atrás, apareceu mais um cara com um saco na cabeça, mas dessa vez sem nada escrito. É a foto que ilustra nosso post. Apenas ficou parado assistindo ao jogo e escondendo sua cara para que ninguém soubesse que ele torce para o Íbis da NBA. O episódio teria passado em branco se não fosse por um cara chamado Brett Yomark, o CEO do New Jersey Nets. Bravo com a atitude do torcedor, foi até ele e perguntou "Por que você está com um saco na cabeça?", a resposta foi curta, seca: "Porque é o Nets é tãaao bom". O cara de terno e gravata, chefe de operações e executivo importante do time perdeu a compostura, mostrou o dedo do meio para o torcedor e foi embora. Tudo do lado de um monte de jornalistas e outros torcedores.

Mas não é que a cobrança do torcedor e a polêmica em torno da reação do CEO foram seguidas de duas vitórias? Faltava motivação? Reclamação? Acho que o fato serviu para lembrar todos os jogadores que a temporada estava chegando no fim, a água estava chegando na bunda e que daqui a pouco quem teria que usar sacos na cabeça seriam eles, por estarem no pior time de todos os tempos.

Analisando o monte de jogos que eu assisti do Nets, a minha conclusão mais clara é a de que eles não são sempre ruins, mas não tem idéia de como ganhar um jogo. Durante três quartos eles são ruins como qualquer outro time ruim do Leste, como o Sixers ou o Knicks, mas no quarto período eles fazem uma bobagem atrás da outra e perderiam até para o time meu e do Danilo que disputava os saudosos Jogos Escolares de São Bernardo. Cansei de pensar que ia presenciar uma vitória do Nets e só ver eles forçando arremessos de três em horas impróprias e tomando cestas fáceis e bobas no minuto final. Qual a solução para um time assim?

O Bucks, que tinha sérios problemas ofensivos em quartos períodos, se arrumou trocando pelo John Salmons, que começou a tomar conta dos jogos nos minutos finais. Mas como o Nets não tinha a defesa do Bucks e nem tentou contratar ninguém, a solução era mais complicada, era vencer o jogo em três quartos. Foi o que fizeram contra o Kings.

Faltavam 12 jogos para o fim da temporada e nesses jogos eles precisavam de 2 vitórias para igualar a marca do Sixers de 1973, o time com menos vitórias em uma temporada na história, ou 3 para se livrar dessa sina. O jogo era em casa e o Kings estava sem Tyreke Evans, machucado, a chance era de ouro e eles aproveitaram. Jogaram os três primeiros períodos com uma baita vontade, com medo da marca histórica e bastou esse empurrãozinho para que entrassem no último quarto vencendo por 9. Com essa vantagem, em casa e contra um time que estava sem o jogador que faz tudo no último período não tinha como perderem.

O jogo seguinte foi contra o Detroit Pistons. Um jogo que eu não assisti porque tenho amor à vida. No nosso Twitter até desafiei as pessoas a assistirem os 48 minutos de jogo, sem trocar de canal e sem vomitar, duvido que alguém tenha conseguido. A partida era novamente em casa e contra um time que está numa fase horripilante. Dessa vez não vencerem em três quartos, muito pelo contrário, o melhor período foi justamente o último! Marcaram 38 pontos no período final, o Yi Jianlian dominou o fim da partida e eles defenderam tão bem durante todo o jogo que marcaram 21 pontos de contra-ataque, quase 10 a mais do que a média deles na temporada. E não dá pra não mencionar os 37 pontos do Brook Lopez, marca máxima da sua carreira.

Tá bom que o adversário foi um lixo, mas o mínimo que a gente esperava do Nets na temporada era isso, que eles tivessem um time bom o bastante para ganhar de outros times ruins. Só isso! Nada nunca vai explicar porque eles perderam de tantos times horríveis durante essa temporada, porque entregaram tantos jogos nos minutos finais. E essas duas vitórias seguidas contra times ruins só mostram que a maior parte do problema estava na cabeça dos jogadores, bastou um pouco de vontade, aquele "sentido de urgência" por vitórias que todo mundo buscou o melhor do seu jogo.

A melhora do Nets foi acompanhada da melhora de humor do CEO que mostrou o dedo para o fã com o saco na cabeça. Já na partida seguinte ele fez uma promoção no IZOD Center: Todo torcedor que tivesse um saco na cabeça seria abordado por funcionários do ginásio e ofereceriam para eles um pacote de presentes que tinha um poster do time, um pacote com cards da NBA e uma mensagem dizendo "Obrigado por nos deixar ver a sua cara. Esperamos vê-la mais vezes em partidas do New Jersey Nets". Quem tirasse o saco, levava o presente. Podem levar o case para suas aulas de marketing, crianças.

Hoje tem mais um jogo e mais um adversário em fase lamentável, o Bulls. Eu aposto em mais uma vitória do Nets, assim como aposto em mais vitórias deles até o fim da temporada. Nos seus jogos finais ainda pegam o Bulls mais uma vez e o Wizards, dá pra ganhar numa boa. Também apostaria que eles poderiam vencer o Pacers, mas não vou falar nada porque, sem ninguém perceber, o Pacers tem 5 vitórias seguidas! Atualmente é a maior sequência de vitórias do Leste e a segunda maior da NBA, perdendo apenas para as 6 seguidas do Suns.

Explicar a mini-ressurreição do Nets não foi fácil, mas eu tentei nesse post. A do Pacers eu nem me arrisco a chutar! O Indiana tem o segundo ritmo de jogo mais rápido da liga (perde só para o Warriors), mas tem só o 3º pior ataque da NBA, ou seja, é um Warriors que não sabe atacar. Além disso de uma zica Clipperiana que faz com que trocentos jogadores fiquem se machucando um atrás do outro e de maneira bizarra, foi primeiro o Mike Dunleavy, depois o TJ Ford, Jeff Foster e o Roy Hibbert conseguiu machucar a mandíbula!

Mas o destaque na área médica vai para o Tyler Hasnbrough. Ele só jogou 29 jogos na temporada, sua última partida foi em 16 de janeiro e desde então ninguém sabe o que ele tem. Alguns médicos dizem que é uma infecção no ouvido, mas ninguém tem certeza, o cara não pode ser curado porque não sabem o que tratar. Rumores dizem que o Dr. Foreman acha que é câncer, o Taub acha que é uma doença auto-imune, o House acha que o Hansbrough está mentindo e todo mundo sabe que não é Lúpus.

Para vocês que estão afim de um jogão entre dois times quentes, anotem aí, dia 10 de abril tem Nets x Pacers, você ousa perder essa partidaça? Tá, confesso, não conseguir manter a cara séria enquanto escrevia isso.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Avaliação anual de pivetes

- Agora segurar novato com as duas mãos é falta, professor?


Ontem foram divulgados os times de novatos e dos sophomores (os jogadores de segundo ano) que irão se enfrentar na noite de sexta-feira do fim de semana das estrelas. Os times são os seguintes:

Novatos: Stephen Curry (Warriors), Jonny Flynn (Wolves), Brandon Jennings (Bucks), Tyreke Evans (Kings), James Harden (Thunder), Taj Gibson (Bulls), Omri Casspi (Kings), Jonas Jerebko (Pistons) e DeJuan Blair (Spurs)

Sophomores: Derrick Rose (Bulls), Russell Westbrook (Thunder), Eric Gordon (Clippers), OJ Mayo (Grizzlies), Danilo Gallinari (Knicks), Michael Beasley (Heat), Kevin Love (Wolves), Marc Gasol (Grizzlies) e Brook Lopez (Nets)

A primeira parte da nossa função de pitaqueiro é ver quem faltou. No time dos novatos eu senti falta do Ty Lawson, que vem jogando muito como reserva do Billups no Nuggets, ele está sendo melhor que o James Harden como sexto homem do Thunder, por exemplo. Sua ausência, porém, é facilmente explicada. O draft de 2009 teve armadores demais! O time já tem Curry, Flynn, Jennings e Evans. Além do Lawson podemos apontar ainda o Darren Collison, Eric Maynor, Jrue Holiday e AJ Price com boas temporadas até agora! Esses últimos nem estão jogando tão bem para merecer uma vaga no jogo, mas é assustador o número de bons armadores desse ano, e isso porque o Rubio amarelou e ficou na Espanha!

O excesso de armadores acabou prejudicando também os ala-armadores, os jogadores da posição 2. Provavelmente Curry e Evans vão dividir essa posição no jogo e com isso arrancaram a vaga de outros bons novatos como Wesley Matthews, DeMar DeRozan e Terrence Williams. Os três tem sido bons mas nem chegam perto do nível dos armadores, os dois últimos farão falta por causa do show, mas não mereciam mesmo uma vaga. Em compensação o DeRozan estará lá no intervalo do jogo para disputar uma vaga no campeonato de enterradas com o Eric Gordon.

Nada contra o Eric Gordon, mas ele é só um ótimo arremessador e não deveria estar lá. Ele mesmo disse que só esperava ser chamado para o campeonato de três pontos! Essa disputa deveria ser apenas entre novatos, com o DeRozan enfrentando o Terrence Williams. Vocês viram as duas enterradas dele na vitória (VITÓRIA!!!) do Nets sobre o Clippers (ah, era o Clippers...)?


Já o time dos sophomores é muito forte. Muito forte! Forte mesmo, tipo raios gama. A gente não botava tanta fé na classe dos novatos do ano passado mas eles saíram melhor que a encomenda. Se considerarmos o time titular com Rose, Mayo, Gallinari, Love e Lopez, isso quer dizer que o time reserva seria Westbrook, Gordon, Beasley e Gasol. São só 4 jogadores porque só 9 são chamados para o jogo, mas garanto que só os 4 em quadra já venceriam os novatos. Pela qualidade dos jogadores e por ter jogadores de mais de uma posição, acho que os sophomores vão manter a tradição e levar o jogo.

Entre as principais ausências do time dos sophomores estão a dupla do Kings Jason Thompson e Donte Greene, o Roy Hibbert, que é forte candidato a jogador que mais evoluiu na temporada, o George Hill do Spurs e até a Lady GaGa da NBA, o Ersan Ilyasova.

E já que estamos falando dos caras que foram novatos na temporada passada, é hora de relembrar de um post meu do ano passado. Na verdade eu nem lembrava que eu tinha feito essa porcaria, mas o nosso leitor João Inácio lembrou e me avisou. O post é esse aqui. Nele eu crio várias categorias para medir a qualidade dos atletas (desde Mega Estrelas até Pedaços de Carne Desformes e Imprestáveis) e digo onde cada novato irá se encaixar dentro de 5 anos.

Como sei que vocês não vão clicar pra ler o post antigo, vou postar aqui as partes mais importantes, onde explico as categorias e depois coloco os novatos do ano passado em cada uma delas.

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"1.Mega Estrelas: São aqueles jogadores que vão jogar bem todo dia, que vão liderar franquias, que vão vender doces, biscoitos, tênis e celulares com seu nome, serão entrevistados pela Angélica e vão participar de vários All-Star Games.
Exemplos: LeBron James, Kobe Bryant, Tim Duncan, Chris Paul.

2. Estrelas Light: Sem áçucar, a estrela de soja só é uma estrela dependendo do desempenho do time na temporada. O cara só é cotado para participar do All-Star Game se o time está bem. Geralmente esse atleta é mais discreto e não é unanimidade entre os fãs, apesar de serem excelentes.
Exemplos: Antawn Jamison, David West, Pau Gasol, Stephen Jackson.

3.Caolho em terra de cego: Caolho em terra de cego é rei, mas ainda é caolho e não pega mulher. Esse tipo de jogador é muito melhor que a maioria da NBA mas ainda não pode se achar tudo isso.

São os jogadores que obviamente tem muito talento mas que nunca vão ser cogitados para liderar um time a uma campanha vitoriosa como uma primeira opção, são aqueles caras que só funcionam sendo a terceira opção do time. Em geral são jogadores que sofrem um certo preconceito porque um dia acharam que eles seriam Estrelas Light, ou sofrem pressão porque são novos e acham que podem virar uma Mega Estrela.
Exemplos: Lamar Odom, Rajon Rondo, Josh Howard, Richard Jefferson, Jose Calderon.

4. Role Player Integral: Cheio de gordura mas sem ser o Zach Randolph são aqueles caras que têm um papel específico no time e que sempre fazem esse papel muito bem. Eles são os jogadores limitados mas que, o que sabem fazer, fazem com perfeição. Costumam ser o sexto-homem de um bom time.
Exemplos: Shane Battier, Eddie House, Travis Outlaw, James Posey, Roger Mason

5. Role Player Desnatado: Se não tiver integral vai desnatado mesmo. Têm a mesma função dos role players integrais mas são incompetentes demais para serem regulares e confiáveis. É o tipo de jogador que joga bem em casa e mal fora ou bem contra time ruim e mal contra time bom.(Edit: Hoje eu chamo esses jogadores simplesmente de Radmanovics.)
Exemplos: Sasha Vujacic, Jared Jeffries, DeSagana Diop, JJ Barea

6. Zé Alguém: São aqueles caras que você sabe que estão na NBA, que participam dos jogos, mas que em um jogo disputado e que vale alguma coisa nunca vão estar em quadra nos momentos finais a não ser que algo bizarro aconteça (muitas contusões, muitos jogadores eliminados por falta, chantagem atômica).
Exemplos: Hilton Armstrong, Ryan Hollins, Charlie Bell, Trenton Hassell

7. Pedaço de carne desforme e imprestável: É aquele tipo de jogador que entra ano, sai ano e por algum milagre divino o cara continua com contrato. Na prática é só um pedaço de carne desforme e imprestável que nunca entra em quadra, só esquenta banco, entrega gatorade, aplaude e depois da temporada arranja outro time pra fazer a mesma coisa. Eles estão na liga mas não jogam.
Exemplos: Sean Marks, Mark Madsen, Brian Cardinal, Lorenzen Wright

Só saberemos ao certo onde cada um dos novatos desse ano vai se encaixar daqui um tempo, mas eu como blogueiro isento da responsabilidade de falar coisa com coisa, posso dar meus palpites de como será o status dos jogadores draftados em 2008 daqui umas 5 temporadas baseado no que vi nessa de 2008-09.

1. Mega Estrelas: Derrick Rose e OJ Mayo
2. Estrelas Light: Brook Lopez, Michael Beasley, Russell Westbrook, DJ Augustin, Greg Oden
3. Caolhos em terra de cego: Kevin Love, Eric Gordon, Jason Thompson, Jerryd Bayless, Rudy Fernandez
4. Role Player integral: Danilo Gallinari, Courtney Lee, George Hill, Nicolas Batum, DeAndre Jordan, Mario Chalmers, Marc Gasol
5. Role Player desnatado: Brandon Rush, Mareese Speights, Roy Hibbert, JaValle McGee, Ryan Anderson, Darrell Arthur, Luc Mbah a Moute, Mike Taylor, Anthony Morrow
6. Zé Alguém: Joe Alexander, Robin Lopez, Anthony Randolph, Donte Greene, Chris Douglas-Roberts, Kyle Weaver
7. PCDI: Kosta Koufos, Goran Dragic
0. Estarão fora da NBA: Alex Ajinca, DJ White, JR Giddens
................

A minha previsão era para os próximos cinco anos, então não posso dizer o que acertei e o que errei com toda a certeza, mas bastou um ano para que eu, um cara de opiniões fortes, mudasse totalmente de idéia sobre vários jogadores.

Acho, por exemplo, que subestimei Jason Thompson e Kevin Love. Os dois alas de força são melhores do que eu imaginava e tem tudo para subir um nível e virarem Estrelas Light a base de soja. Já o Michael Beasley causa cada vez mais duvidas em mim, o cara obviamente tem muito talento mas desaparece das partidas mais do que o saudoso Souza que jogava no meio campo do Corinthians nos anos 90.

Um que está em baixa mas que eu acho que não errei é o DJ Augustin. Ele tem cada vez menos espaço na rotação do Bobcats (que, convenhamos, nem tem banco de reservas!) mas é só porque ele é treinado pelo Larry Brown e com o Larry Brown ou você defende bem ou você vale menos que um absorvente usado. O Disque Jóquei Agostinho não é um grande defensor mas é rápido, tem bom passe, ótimo arremesso de três e se estivesse no Knicks estaria jogando muito. Ainda tem muita carreira pela frente.

Errei feio com o Danilo Gallinari. Achei que ele acabaria sendo só um arremessador mas agora que seus problemas nas costas são passado, o galináceo tá jogando muito bem. Sabe puxar contra-ataque, controla bem a bola e sabe até infiltrar bem. No fim das contas o Knicks agradece quando ele resolve jogar como um cara completo e não só como um clone branco do Rashard Lewis. Gallinari, assim como o surpreendente Marc Gasol (quem diria que aquele desengonçado faz mais que pegar rebotes?), também subiram um nível na minha lista.

Mas onde errei mesmo foi na previsão dos "Zé Alguém". Donte Greene está se saindo um ótimo defensor e importante peça do Kings, o Anthony Randolph parece que vai ser um bom jogador quando se livrar das garras do Don Nelson, o Chris Douglas-Roberts finalmente conseguiu começar a jogar na NBA o que jogava na universidade, e o Robin Lopez, para minha surpresa, não é só um Brook Lopez ruim de um universo paralelo onde todo mundo é cabeludo (lembram do episódio do South Park onde todo mundo no universo paralelo tinha barba? Aquilo era humor.)

Por fim, errei também com o Goran Dragic. Aquele moleque inseguro que parecia que ia se mijar a cada vez que entrava em quadra hoje é a arma mais confiável do banco do Phoenix Suns. Bastaram alguns jogos razoáveis para ele se sentir mais confortável e jogar o que prometiam que ele iria jogar há um ano e meio atrás. Outro dia meteu 24 pontos só no primeiro tempo contra o Jazz. Ele é, no mínimo, um role player desnatado.

Se em um ano eu errei tanta coisa, nem quero ver daqui a quatro anos! Mas tudo bem, o importante é que vocês leitores esqueçam de todas as bobagens que a gente fala e continuem nos lendo porque somos engraçadinhos e temos o abdome definido. Vamos agora brincar de prever o futuro dos novatos dessa temporada? Afinal, pisou na merda, abre os dedos.

1. Mega Estrelas: Tyreke Evans e Brandon Jennings
2. Estrelas Light: Stephen Curry
3. Caolhos em terra de cego: Ty Lawson, Jonny Flynn, Omri Casspi, James Harden
4. Role Player integral: Jordan Hill, DeMar DeRozan, Hasheem Thabeet, Terrence Williams, Chase Budinger, Jonas Jerebko, DeJuan Blair
5. Role Player desnatado: Earl Clark, Jrue Holiday, Tyler Hasnbrough, Rodrigue Beaubois, Wesley Matthews, Marcus Thornton, Darren Collison, Eric Maynor, Jeff Pendegraph
6. Zé Alguém: James Johnson, Jon Brockman
7. PCDI: Gerald Henderson, Austin Daye
0. Estarão fora da NBA: BJ Mullens

Não coloquei Blake Griffin e Ricky Rubio na lista porque eles nunca jogaram na NBA, mas boto muita fé no futuro dos dois. Aqui ainda tenho um pouco de dúvidas sobre o Brandon Jennings, mas acredito que seus altos e baixos são mais porque ele é um novato do que por falta de talento. Com Flynn, Harden e Casspi fui cauteloso mas gostaria de ver pelo menos um deles continuar melhorando seu jogo para ganhar pontos de experiência e subir de level antes do último chefão.

Entre os desnatados ainda precisamos de tempo para ver Earl Clark e Tyler Hansbrough na NBA, os dois são os mais cotados para subirem nessa lista até o ano que vem.

Sobre o Tyreke Evans eu falo mais tarde no post em que vamos comentar os reservas do All-Star Game que serão divulgados hoje à noite. Sim, é isso mesmo o que vocês estão pensando, já confessei um dos meus votos.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Zach Randolph não brinca em serviço

Me sinto obrigado a postar esse vídeo aqui no Bola Presa. É o resumo do jogo de ontem entre Pacers e Grizzlies, que teve a vitória do Memphis por 107 a 94.


Prestem atenção que mais para o final do vídeo aparece um jogada onde o Zach Randolph dá dois tocos lindos e em sequência no Tyler Hansbrough! Sim, o cara com o apelido de Psycho-T tomou duas sovas do gordinho que no máximo teria o apelido de Lazy-Z. Que ainda meteu um jumper na cara do branquelo depois! Se tem um tipo de jogador que eu nunca achei que tomaria uma surra dessa do Zach Randolph seria desses alas ultra empolgados e explosivos.

Randolph acabou o jogo com 26 pontos, 16 rebotes, 3 tocos (sabiam que o máximo da carreira dele foi 5?) e, pra não perder o costume, 5 turnovers. Parabéns, Zach, o Bola Presa torce por você! (prestem atenção também na meia maratona que o Rudy Gay dá antes de partir para uma enterrada linda)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Melhor sem estrelas

Danny Granger sofre os males de ser tão próximo de Murphy (e sua lei)


Na noite de sábado, mais um time ruim teve que tentar superar a má fase sem sua principal estrela. Nós sabemos que com o Nets não deu muito certo, já que sem o Devin Harris o time fede ainda mais e acabou batendo o recorde de pior começo de temporada em todos os tempos, com 18 derrotas seguidas. Mas para o Kings, sem Kevin Martin, tudo anda dando bastante certo. É aquela famosa "Síndrome de Gilbert Arenas", em que para compensar a falta de seu melhor jogador o time marca mais, distribui mais a bola e acaba se saindo melhor do que se estivesse completo. O Houston Rockets, sem Yao Ming e sem Tracy McGrady, está se dando muito bem, obrigado. Dizem que o T-Mac está em plenas condições físicas de voltar às quadras mas o time está dando uma de garota difícil e deixando ele de escanteio, com medo de que sua volta estrague tudo.

Mas o Indiana Pacers existe por cupa do Danny Granger, não dá pra imaginar esse time sem ele. Na temporada passada ele flertou com o posto de cestinha da temporada por uns tempos, nessa temporada está entre os 10 primeiros em pontos - e é disparado o jogador que mais arremessa de três na NBA. Todo o ataque do Pacers passa por ele, mas ele sequer seria reconhecido na rua porque ninguém poderia se importar menos com o time de Indiana desde que o Reggie Miller virou o pior comentarista esportivo do planeta e o Jermaine O'Neal levou seu joelho paraguaio para outro lugar. Além de ter um nome capaz de gerar um belo trocadilho ("Granny Danger", algo como a "Vovó Perigo"), o jogo do rapaz é espetacular. Tem um alcance e uma facilidade de arremesso que lembra o Kobe, uma explosão física que lembra LeBron, e um cérebro que lembra o Zach Randolph, o que gera um monstro bizarro que faria sucesso em muitos zoológicos mas não ganharia muitos campeonatos de xadrez por aí.

O Danny Granger pontua até de olhos fechados, mas na maior parte do tempo ele é obrigado a isso porque não resta muita gente na equipe capaz de atacar a cesta. A maior prova disso é que Dahntay Jones, que fez carreira como jogador defensivo desde que entrou na NBA e nunca teve mais do que 7 pontos por jogo de média, está marcando 15 pontos por jogo nesse Pacers. No Nuggets, o Dahntay Jones era aquele caso típico de jogador titular que entra só para defender a estrela adversária e sai rapidinho para deixar alguém que sabe jogar basquete entrar em quadra. Se ele pontua tanto no Pacers é porque não tem muita gente melhor pra fazer o trabalho, o que é desesperador. O ponto positivo é que ele já é um dos favoritos para o prêmio de jogador que mais evoluiu na temporada, o que pelo menos vai colocar alguém desse time no mapa (o próximo plano era convencer alguém do elenco a posar pelado para calendários de borracharia).

Depois de uma sequência de 9 derrotas seguidas, com o Danny Granger enfrentando dores nos joelhos e no calcanhar que estão torrando seu saco desde a pré-temporada, finalmente o corpo dele resolveu adotar a tática Chris Paul de "esse time fede então vou ver o filme do Pelé" e rompeu um tendão. Serão meses fora, deixando o Pacers - que já é um time semi-nu e numa sequência terrível de derrotas - completamente pelado. Mas o exemplo do Kings parece ficar cada vez mais e mais comum: sem o Granger, o time colocou mais responsa nas costas de Mike Dunleavy, que acaba de voltar de uma contusão que o tirou de todo o começo de temporada, e também do novato Tyler Hansbrough, que teve excelente pré-temporada, e o negócio deu certo. Primeiro chutaram cachorro morto, dando uma surrinha no Nets, algo que eu e o Denis faríamos acompanhados de outros três macacos adestrados de circo. Mas depois venceram o Wizards numa partida importantíssima: ou essa partida afirma que o Pacers tem chances de jogar em alto nível sem o Granger e continuar se segurando pelas beiradas sonhando com uma oitava vaga no Leste, ou então ela afirma que o Wizards não tem qualquer chance de porcaria nenhuma, fede pra burro, e deveria desmontar e começar de novo.

É que por tantos anos ouvimos sem parar que o Wizards só fede porque o trio principal da equipe nunca está saudável, nunca jogam juntos, ou nunca rendem juntos. No sábado, os três jogaram demais: Jamison praticamente não errou arremessos, inclusive várias bolas de três, e acabou com 31 pontos; Caron Butler defendeu muito bem e terminou com 23 pontos; e o Gilbert Arenas finalmente fez algo digno de nota desde que fechou seu blog, acabando o jogo com um triple-double de 22 pontos, 10 rebotes e 11 assistências. E se não fosse o bastante, o Boykins ainda jogou demais, principalmente no quarto período, e terminou o jogo com 14 pontos. Continua impressionante como sempre ver esse anão infiltrando no garrafão e jogando até de costas para cesta, empurrando seus marcadores para dentro e enfiando um par de arremessos giratórios em suas fuças. Só que mesmo com todas essas atuações de gala, o Wizards conseguiu perder uma partida ganha, graças ao Arenas errando seus dois lances livres com 6 segundos para o fim do jogo com seu time vencendo por 1 ponto, e depois com o Haywood cometendo uma falta no Dunleavy com 0.1 faltando no cronômetro. Ao contrário do Arenas, Dunleavy converteu os dois e aí está o Pacers sem Granger numa sequência de duas vitórias.

Que desculpas o Wizards pode dar agora? Talvez a pressão atmosférica, o alinhamento de Júpiter com Saturno, ou então a cotação do dólar. Jamison já disse que botar a culpa no esquema tático é besteira, que eles entenderam perfeitamente o sistema desde a pré-temporada e que o técnico Flip Saunders está fazendo um excelente trabalho. O técnico é bastante defensivo e o Wizards inteiro provou que sabe defender (ao menos quando está sem o Arenas) em várias ocasiões, então não tinha como ser falta de defesa. O que acontece com essa equipe é inexplicável, se não bastasse eles serem amaldiçoados com a cota de trocentas contusões anuais, ainda perdem jogos fáceis mesmo quando todo mundo faz sua parte.

Aliás, o Arenas precisa começar a reconsiderar sua fama de ser matador nos segundos finais dos jogos - ao menos na linha de lances livres. Todo mundo lembra que o Wizards perdeu aquela série de playoff para o Cavs quando o LeBron passou pelo Arenas, na linha de lance livre, e disse que se o Arenas errasse o jogo estaria perdido porque o LeBron acertaria uma cesta final. Dito e feito, o Arenas fedeu e o LeBron ganhou o jogo numa cesta alucinante. Agora, outro jogo vai pro ralo em situação semelhante, e isso porque o Arenas acerta 80% dos lances livres em sua carreira. Nervos de aço uma ova, ninguém nesse Wizards amaldiçoado tem cabeça para segurar a crise.

Enquanto isso, o Pacers ganhou algum ânimo passando justamente o Wizards na tabela. Estão encostadinhos na oitava vaga, e pegam o Magic na segunda-feira. Como acompanhar o Kings empolgado valeu tanto a pena, e como o meu Rockets sem estrelas é - juro - o time mais divertido de se ver jogar na temporada, prometo dar uma espiada no Pacers. O Mike Dunleavy, eterno "o próximo Larry Bird", finalmente mostrou que sabia jogar basquete na temporada passada, só não durou muito tempo saudável. Se ele está de volta agora, e vindo de sua melhor partida no ano, merece atenção. Já o Wizards perdeu as 4 últimas partidas e já está começando a passar vergonha - a sorte deles é que ainda existe o Sixers na Conferência Leste. Se não bastasse a equipe da Philadelphia estar com a pior sequência de derrotas atual, com 12, ainda estão passando uns vexames ridículos. O Iverson fez sua "via sacra" da vergonha, passando por todos os times que o acolheram em sequência (Nuggets e Pistons) e perdendo feio nas duas vezes. Aliás, perder feio é pouco, o que o Rodney Stuckey fez com ele foi pior do que isso:



Esse é um belo sinal de que o tempo passa, o tempo voa, e a Poupança Bamerindos vai à falência. O que o Iverson fez ao Jordan agora é feito com ele. E o que o Arenas tanto se orgulhou de fazer, ganhando jogos no finalzinho, agora é o que ele toma na cabeça. O Wizards não tem muitas chances apesar do elenco incrível, mas todas as noites eles podem colocar a cabeça no travesseiro e agradecer: "pelo menos não somos o Sixers. Pelo menos não somos o Sixers."

Se as coisas continuarem tão feias, talvez seja a hora de tentar uma tática ousada que parece estar dando certo por aí: ficar sem a estrela. Talvez se o Arenas se machucar de novo, ou se o Iguodala tirar umas férias, dê um pouco certo. Veremos, de perto, até quando o truque funciona pro Pacers.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Os destaques da liga dos fracassados

Ninguém sabe, mas esse é o Roy Hibbert


Enquanto a maioria dos jogadores está de férias, os ruins e a pivetada estão ralando a bunda nas Summer Leagues. Pra quem não acompanha de perto ou ainda é novato em NBA, a gente explica.

As Summer Leagues tem esse nome porque é verão lá no norte, e se caracterizam por juntar nos times jogadores iniciantes que precisam de mais experiência e jogadores que não tem time e buscam mostrar seu talento para arrancar alguma vaga em qualquer equipe da NBA.

Até um tempo atrás tinham várias dessas Ligas de Verão. Tinha a de Orlando, a de Las Vegas, a de Los Angeles, a de Denver, dentre outras. Mas, dizem que por influência do David Stern, começaram a juntar tudo em uma só e hoje só temos duas principais. A de Las Vegas, que tem a participação de 21 times da NBA e mais um selecionado só com jogadores da D-League (a liga de desenvolvimento da NBA), e a de Orlando, que contou com 7 times.

Essa de Las Vegas é a mais importante. Tem cobertura exaustiva da NBA.com e até transmissões online e ao vivo pelo site. Até o ano passado eram de graça, nesse ano custam 15 dólares, o que é esquisito. E além de estranho é engraçado, até um tempo atrás era difícil achar as estatísticas desses jogos e hoje dá pra ver ao vivo com narrador e comentarista.

Além da NBA ter encontrado um jeito a mais para ganhar dinheiro, continuar na mídia mesmo sem a temporada estar rolando e de valorizar seus atletas mais jovens, os futuros ídolos, não tem nenhuma nova razão pra isso. As Summer Leagues continuam com o mesmo intuito de sempre: preparar a garotada enquanto descobre-se quem presta e quem não presta.

Com o fim da Summer League de Orlando, esse post é para listar os 10 maiores destaques desse torneio. Lembrando sempre que devido a essas características especiais das ligas de verão, todos os resultados são questionáveis. Um cara jogar bem aqui não é garantia certeira de que dará certo na NBA, já que Jerryd Bayless, Donte Greene e o saudoso Lonny Baxter estão aí para comprovar.


Top 10 - Os destaques da Orlando Summer League

10- Kasib Powell (SG, Magic)
O ala de 2,01m jogou a temporada 2007-08 no Miami Heat, onde jogou 11 partidas naquele time recheado de jogadores desconhecidos como Blake Ahearn, Earl Barron e Alexander Johnson. No ano passado não conseguiu entrar em time nenhum mas talvez sobre alguma oportunidade depois dessa Summer League em que jogou pelo Magic.

Ele teve médias de 14,8 pontos, 5,8 rebotes e pareceu muito bom arremessador, acertando mais de 50% da linha dos três. Depois de perder o Courtney Lee e o Turkoglu e de receber em troca apenas o Vince Carter, sobra uma vaguinha no banco de reservas para o Powell, que se duvidar pode render mais que o Redick.


9- AJ Price (PG, Pacers)
De todos os dessa nossa lista ele é o que teve os piores números. Apenas 8,2 pontos e míseras 3,2 assistências, número fraco para um armador que jogou em média 30 minutos por jogo. Mas vendo os jogos do Pacers eu percebi que ele tem um bom potencial.

Sabe bater pra dentro, é rápido e organiza bem o time. Se duvidar é melhor até deixar ele mofando um ano na D-League antes de colocar o moleque pra jogar na NBA, mas o talento está lá escondido. Pode ser um investimento barato e que dará resultados no futuro.

Pra quem não sabe da história maluca do Price, que envolve contusões e roubos de laptops na faculdade, leia nossa análise do Pacers no Draft 2009.


8- Serge Ibaka (PF, Thunder)
O Serge Ibaka é um ala de 2,08m vindo do Congo que foi escolhido no draft do ano passado, mas que continuou jogando na Espanha ao invés de ir para a NBA. Agora, depois de uma promissora liga de verão, acho que vai entrar na NBA.

Seus números não são de cair o queixo, 12,3 pontos, 3,3 rebotes e 1,5 tocos, mas ele é tudo o que o Thunder precisa. Ele é agressivo e bom nos tocos, agressivo nos rebotes de ataque e se posiciona bem para finalizar embaixo da cesta. Ele não é bom o bastante para criar suas situações de cesta, mas com Westbrook, Durant e Harden atacando o aro, ele pode se aproveitar para receber bons passes e garantir seus pontos.

Também parece o tipo de jogador que rende mais em times velozes do que em times que preferem o ataque de meia-quadra, então o Thunder, se mantiver a filosofia do ano passado, é o lugar pra ele.


7- Mareese Speights (PF, Sixers)
Nenhuma surpresa aqui. O Speights já tinha ido bem na sua primeira temporada pelo Sixers, principalmente depois que ganhou mais tempo vindo do banco com a contusão do Elton Brand. Normal ele ter ido bem na liga de verão.

O que eu esperava na verdade eram atuações até melhores. Ele acabou com médias de 14,2 pontos, 6,6 rebotes e 2,2 tocos. Foi o líder do torneio na média de tocos mas depois de um primeiro jogo bem agressivo no ataque eu achei que ele ia dominar o resto do torneio, mas ficou bem mais tranquilo.

Uma coisa que talvez tenha atrapalhado é que nessa Summer League o Sixers se juntou com o Nets. Os dois formaram um time só, que os narradores chamavam de Netxers, e que não sei em que esquema jogava. Geralmente os times usam seus assistentes como técnicos e estes aplicam as jogadas que o time principal usa na temporada. O que eles usaram no Netxers? Sem idéia.


6- Chris Douglas-Roberts (SG, Netsxers)
Já falamos bastante do Douglas-Roberts aqui. Pra quem não lembra ele era o Bebeto quando o Derrick Rose era o Romário na Universidade de Memphis. Em alguns jogos ele até parecia melhor que o Rose, pra falar a verdade.

Depois de cair pra segunda rodada no draft do ano passado, ele foi parar no Nets, onde teve poucas chances na sua primeira temporada. Com média de 14 pontos por jogo nessa summer league, incluindo um jogo com 27 pontos, e sem o Vince Carter no Nets, acho que ele terá uma temporada com muitos minutos pra provar de uma vez por todas que tem espaço na NBA, nem que seja só para ser um pontuador vindo do banco.

Sim, o arremesso dele continua esquisito pra cacete.


5- James Harden (SG, Thunder)
Tudo o que prometem do James Harden é o que ele é mesmo. O cara joga em câmera lenta mas sabe exatamente o que está fazendo na quadra. Geralmente a Summer League é cheia de pivetes com físico impressionante tentando aparecer, o que resulta numa correria sem fim cheia de turnovers.

Com o James Harden o jogo fica mais lento e mais inteligente. Ele me lembra um pouco o Brandon Roy ao infiltrar, que também sabe controlar seu corpo e a velocidade para se aproveitar das situações. Ele acabou com média de 15 pontos e 1,8 roubo por jogo.


4- Tyler Hansbrough (PF, Pacers)
Na luta Psycho-T versus críticos, o doido saiu na frente. Mas foi a prova mais fácil.
Os críticos dizem que apesar da carreira espetacular em North Carolina ele não pode render na NBA, e em sua primeira experiência na NBA ele acabou com média de 18,2 pontos, 5,6 rebotes e o título simbólico da liga com 5 vitórias e nenhuma derrota.

Mas tudo ainda não vale muito porque o Hansbrough enfrentou nessa Summer League muitos adversários que não são tão bons técnica ou fisicamente. Muitos dos caras que ele enfrentou cara-a-cara eram de nível parecido com os que ele enfrentava quando pegava bons times da NCAA e contra esses caras sabemos como o Psycho-T é muito bom.

Problema mesmo ele terá contra os grandes nomes da NBA, contra eles é que a altura e a técnica um pouco limitada irão atrapalhar, mas pra falar a verdade quem é que não tem problemas ao enfrentar Amar'e, Duncan, KG e cia? Hansbrough não é All-Star mas tem um enorme futuro na NBA.


3- Roy Hibbert (C, Pacers)
Quem não gosta do Hansbrough também pode argumentar que ele deve o trabalho facilitado a jogar ao lado do Roy Hibbert, de longe o melhor pivô do torneio.

O Hibbert teve médias de 20,2 pontos, 9 rebotes e 1,8 toco por jogo, além das bandejas forçadas que não resultaram em toco mas causaram erro dos adversários. Ele simplesmente dominou os garrafões em Orlando com sua altura (2,18m!) e defesa. O quanto disso ele conseguirá transformar em domínio na NBA é difícil saber, mas que é um bom começo dominar a pivetada das Summers Leagues é inegável.

Vendo ele jogar acho que ele pode muito bem repetir os 9 rebotes e os quase 2 tocos de média na NBA. Precisa tomar cuidado com as faltas e com os turnovers, que o atrapalharam em alguns momentos, mas tem potencial para se destacar defensivamente. Os 20 pontos é que será mais difícil, mas pelo menos ele se mostrou decente para finalizar, inclusive nos lances livres, que acertou 75%. Esse jogo eu não estava vendo, mas as estatísticas mostram até que ele acertou uma bola de 3!

Também legal ver como ele se entrosou com o Hansbrough. Os dois tem características complementares que se encaixaram bem e podem significar um futuro bom para o garrafão do Pacers. Uns críticos os chamaram de Duncan e David Robinson da liga, o que era uma piada exagerada, claro, mas que mostra bem o nível do entrosamento.


2- Ryan Anderson (PF, Magic)
Ele saiu do Nets para o Magic apenas para complementar a troca do Vince Carter, mas depois dessa Summer League jogando em casa, ele tem espaço garantido para atuar em Orlando. Foram 21,4 pontos por jogo, a segunda melhor marca, e 9,4 rebotes, líder do torneio. Sem contar o recorde de pontos num jogo, 33, e o bom aproveitamento nas bolas de 3, 12 de 29 tentadas.

Com isso ele foi eleito em votação dos fãs o MVP do torneio e aqui no nosso ranking ficou em segundo lugar. Ele é basicamente perfeito para o Magic. Jogando na posição 4 ele é bom reboteiro e abre o jogo com excelente arremesso de longa distância. É exatamente o que o Magic procurava e ficou longe de achar quando trocou o Trevor Ariza pelo lixo do Brian Cook.

Com a recente notícia de que o Magic igualou a proposta pelo Gortat, o garrafão deles fica com Dwight, Bass, Anderson e Gortat. Muito bom e muito variado.


1- Russell Westbrook (PG, Thunder)
É tradição das Summer Leagues colocar os jogadores que acabaram de terminar o primeiro ano pra jogar. Geralmente isso é bem útil porque a maioria lutou para se adaptar, lutou para ganhar espaço e ainda precisa de muito treino.

Esse não foi o caso com o Russell Westbrook, que arregaçou desde o primeiro segundo que pisou numa quadra da NBA e nem precisava estar aí se misturando com esta gentalha. Mas seguindo a tradição ele se deu ao trabalho, foi lá, viu e venceu. 22,3 pontos de média (líder do torneio), 7,8 assistências (líder também) e só falhou na média de 5 turnovers, o que é aceitável já que a bola ficava na mão dele o tempo inteiro e ele foi bem agressivo.

Ryan Anderson chamou mais a atenção porque era inesperado vê-lo jogar tão bem, mas o melhor foi mesmo o Russell Westbrook.

...
Vale também destacar alguns nomes como o ala Terrence Williams do Nets, o Nick Fazekas do Celtics, o DJ White do Thunder e o Jrue Holiday do Sixers. Todos misturaram momentos ruins com outros momentos muito bons. Na média não valeu vaga no nosso Top 10, mas é pra ficar de olho.

E agora, a parte mais esperada (tambores)

Top 8 - Força Nominal da Summer League de Orlando

8- Richard Hendrix - Purple Haze, Baby! Segundo ano seguido com o Hendrix buscando uma vaga na NBA. Cleveland tem o museu do rock, vai pra lá, Hendrix!
7- Scott Vander Meer - Van der Meer é um nome holandês estiloso e de um físico ganhador do Nobel.
6- Kevin Kruger - Imagine ter um cara que faz pontos até nos sonhos dos adversários. Uma camiseta com "Kruger" escrito atrás venderia mais que qualquer outra.
5- Moses Ehambe - Não dá pra ouvir o nome "Moses" e não lembrar desse vídeo clássico. Assistam.
4- Gary Forbes - Forbes não precisa de agentes e empresários para negociar seus contratos.
3- Leo Lyons - Nas palavras do Sbub no nosso Mock Draft de Força Nominal, "iniciais dobradas, boa pronúncia, nome apelido, sobrenome de thundercat"
2- Jrue Holiday - Primeiro que Jrue não é um nome, é ruído. E Holiday é feriado e música da Madonna, genial!
1- Dionte Christmas - Melhor que ter o sobrenome de "feriado" é ter um feriado em especial. O cara chama Dionte Natal, o que deve render vários apelidos de Papai Noel na roda de amigos. A melhor parte foi que Holiday e Christmas jogaram juntos. Só faltou o John Thanksgiving.

Na foto acima quem aparece é o nosso querido Christimas. Feliz Natal a todos.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Análise do Draft - Parte 2

Estamos de volta, pessoal. Pra quem perdeu a parte 1, é só clicar nesse link. Infelizmente nos comentários houve mais discussão sobre chamar o Michael Jackson de pedófilo do que sobre o draft, então está proibido falar de defunto nesses comentários, beleza?

Peço desculpas para quem se ofendeu com a piada, não quis acusar ninguém de nada. Não sei e nem quero saber se ele foi mesmo pedófilo ou se era só brother camarada dos pivetes. Aperto de mão virtual em quem ficou bravo e partimos pra próxima.
Então vamos falar de gente viva? Vamos lembrar dos selos de qualidade Bola Presa desse ano? Vamos parar de falar em forma de perguntas?

Nesse ano, como o dia do draft será sempre conhecido como "O dia em que o Michael Jackson morreu", os selos desse ano levam a marca do cantor-dançarino-performer-xxxxx mais querido do mundo. Vamos aos selos de avaliação desse ano:


Thriller: Sucesso absoluto, ótima escolha! O time com selo Thriller pode sair tranquilo e feliz do draft.




Black or White: O jogador draftado pode causar alguma dúvida por causa de sua posição, histórico ou situação do time, mas tem tudo pra dar certo.


Jackson 5: O jogador escolhido não deve passar de um role player, um jogador de equipe. Dependendo da posição onde foi escolhido isso pode ser bom ou ruim.


Moonwalk: Pareceu legal na hora mas olhando bem ele só está andando pra trás. Esse jogador não vai levar o time a lugar nenhum.


Plásticas no nariz branco: Ninguém vai reconhecer esse jogador daqui um tempo. Promessa falida, escolha horrível.



Da outra vez paramos na oitava escolha do Knicks, então continuamos com a nona escolha, o Raptors.


Toronto Raptors
DeMar DeRozan


O Toronto pegou uma das maiores potências nominais do draft. Como já disse o Sbub no nosso Mock Draft - Força Nominal, fica na cabeça o nome dele: DeMaaaaar DeRozaaaan! O nome dele é um imã de talento, impossível alguém com esse nome não ser alguém na vida.

Mas falando um pouquinho mais sério, o DeRozan chegar no draft desse ano na nona colocação é um pouco decepcionante para quem acompanhou sua carreira no colegial e imaginava que ele poderia ser pelo menos um Top 3. Mas sua carreira universitária de um ano mostrou que ele não estava tão pronto assim para ser uma estrela da NBA.

Ele tem um físico assustador, está evoluindo o seu jogo, mas o que vai definir se ele é o próximo Gerald Green, o próximo Rudy Gay ou o próximo Vince Carter é a sua vontade de evoluir, de treinar para superar seus defeitos, seu jogo ainda cru. E essa comparação com o Vince Carter é a que mais fazem desde os seus tempos de escola, não é uma ironia enorme ele cair no Toronto? O pessoal lá era apaixonado pelo Carter e hoje ele é o pior inimigo dos canadenses.

O Raptors fez certo, pegou um cara que não só é bom como também tem o potencial de ser bem melhor, e pra completar é justamente um cara da posição de que eles precisam: um que possa jogar nas posições 2 ou 3 e fazer o que ninguém faz naquele time, atacar a cesta. Não ganha selo Thriller porque ainda tenho um pouco de dúvida se ele vai dar tão certo na NBA.


Milwaukee Bucks
Brendon Jennings, PG
Jodie Meeks, SG

Acho que esse draft será recheado desse belo selo "Black or White". Muitos diziam que o draft desse ano não era grande coisa, mas o que eu acho é que na verdade é que ninguém tem idéia do que esperar dos novatos desse ano. Alguns dos principais nomes como Hasheem Thabeet, Ricky Rubio, Brandon Jennings, Jrue Holiday e DeMar DeRozan são enormes incógnitas. Os 5 podem ser All-Stars daqui alguns anos e os 5 podem ser reservas.

E acho difícil culpar um time que busca se erguer de apostar em uma dessas dúvidas, mas não dá pra afirmar também que foi um draft perfeito.
Se o Bucks não apostasse no Jennings, que pode ser espetacular, ia pegar quem? O Terrence Williams, um cara destinado a ser apenas um jogador mediano? O Bucks tem que sair do limbo de time médio que fica em oitavo, nono, e pra isso precisa arriscar, assim como tantos outros times. Por isso esse selo que significa "Só o tempo dirá se isso foi uma sacada de mestre ou uma sacada de merda".

Eu pessoalmente adoro o Brandon Jennings. Achei que ele teve três bolas no saco ao abdicar do ano na NCAA pra viver, jogar e ganhar bufunfa na Europa. Morar fora dos EUA deve ter sido uma experiência fora de série que ele não teria chance de viver antes da aposentadoria caso fizesse o caminho NCAA-NBA. E, mais do que isso, gosto dele porque ele parece realmente bom e porque chegou atrasado no próprio draft!

Pra quem não viu ao vivo, ele só foi lá apertar a mão do David Stern quando o comissioner apresentava a décima quarta escolha, o Jennings foi a décima! Isso porque ele estava em um hotel assistindo ao draft com a família, não quis ficar lá vendo ao vivo porque não tinha garantia de sair entre os 14 primeiros. Mas quando saiu resolveu que era hora de dar as caras. Um dos momentos mais legais da história do Draft da NBA.

Por ser agressivo e gostar de driblar, acho que o Jennings também pode ser um ótimo parceiro para o Michael Redd. Tudo o que o Redd precisa é de alguém pra confiar a bola na mão para que ele possa brincar de Ray Allen. Um armador que ataca a cesta também é sempre bom para criar situações de passe e rebote ofensivo para o pivô, então Andrew Bogut deve se dar bem nessa também.

Na segunda rodada o Bucks fez uma escolha segura e burocrática. Ao invés de pegar outra incógnita, pegou o arremessador Jodie Meeks, que parece ser um Kyle Korver da vida. Gosta de se movimentar, pegar corta luz e meter bola da linha dos 3. Nada mal para uma segunda rodada.

New Jersey Nets
Terrence Williams, SF


Um draft parecido com seu vizinho, o Knicks. Pensando em apenas ter um time bom para tentar o LeBron ou outro Free Agent caro em 2010, o Nets não arriscou e pegou um jogador que sabe que vai render. Provavelmente nunca vai ser All-Star ou ter média de 20 pontos por jogo, mas o moleque sabe jogar.

Terrence Williams fez os quatro anos de faculdade então todos os olheiros do Nets e de toda a NBA já enjoaram de ver ele jogar, sabem o que esperar do Williams: ele é um ala atlético, bom defensor e completo, contribuindo sempre em pontos, rebotes, assistências e em roubos de bola. Comparam ele no NBAdraft.net com o Corey Maggette, o que é longe até da descrição que eles mesmos colocam. Talvez fisicamente ele pareça o Maggette, por ser bem forte, mas em característica de jogo ele está mais para um Tayshaun Prince, outro bom defensor que contribui um pouco em todas as áreas do jogo.

Caso o LeBron não apareça por lá em 2010, o Nets pelo menos não fica com um rombo na posição 3, Williams deve dar conta do recado. Por enquanto a única posição carente mesmo no time é a de ala de força, onde já foi dito que o titular pra próxima temporada será o Yi Jianlian. Vai ser uma longa temporada pro Nets.

Charlotte Bobcats
Gerald Henderson, SG Derrick Brown, SF

O Bobcats estava numa situação complicada nesse draft. O time melhorou muito na temporada passada desde que chegaram Raja Bell e Boris Diaw, chegou bem perto de uma vaga nos playoffs mas no fim das contas ficou fora e com um dos piores ataques da NBA. Em número de pontos por jogo, aliás, era O pior.

Em parte essa deficiência ofensiva existe porque o Bobcats não tem jogo de garrafão. O Okafor faz pontos em infiltrações dos armadores e em rebotes ofensivos, só. O Boris Diaw joga bem, faz seus pontos, dá muitas assistências mas faz tudo isso longe da cesta. Por isso o ideal seria que o para o Bobcats seria draftar um ala de força ou pivô que pudesse fazer seus pontos no jogo de garrafão.

Aí eles vão e escolhem um outro armador. Eles já tem o Raja Bell e usam o Felton na posição 2 com o Augustin como armador principal. Pra que o Gerald Henderson? Mas antes de meter o pau, vamos dar uma olhada nos outros alas de força escolhidos em toda a primeira rodada: Tyler Hansbrough, Taj Gibson e DeMarre Carroll.

Os dois últimos não tem talento pra ser uma 12ª escolha, o Hansbrough é bacana, é atlético, é agressivo, é doido, mas não ia ajudar em nada o ataque do Bobcats. Primeiro porque a especialidade dele não é ataque em 1-contra-1 de costas pra cesta, o que o Bobcats mais precisa, outra e mais importante é que ele rende muito mais em ataques velozes do que no famoso esquema meia-quadra-em-câmera-lenta que o Larry Brown usa em Charlotte.

Por isso, devido à falta de opções para as reais necessidades do time, não foi uma má escolha o Henderson. Com a idade batendo nas pernas do Raja Bell, não é nada mal pegar um cara que sabe defender (embora não seja o Bell), tem um bom arremesso de longa distância (embora não seja um especialista) e ainda é capaz de bater para dentro de vez em quando (isso ele sabe fazer mesmo).

Curioso foi o fato de que Henderson jogava em Duke. Rival mortal de North Carolina, faculdade da onde sairam o Larry Brown, técnico do time, Michael Jordan, o outro responsável pela escolha, além dos jogadores Raymond Felton e Sean May.

Indiana Pacers
Tyler Hansbrough, PF AJ Price, PG

O Tyler Hansbrough me lembra, não em jogo, mas por causa da carreira, o JJ Redick. Os dois fizeram um sucesso absurdo na NCAA, os dois venceram o Naismith Award, o mais importante prêmio individual universitário (Redick em 2006, Hansbrough em 2008) e mesmo assim chegaram no draft sem moral. Ambos tem um estilo de jogo que ninguém acredita que dará certo na NBA.

O Hasnbrough foi a 13ª, Redick tinha sido a 14ª, foram quase iguais nisso também. Mas como o Redick é um shooter e o Hansbrough um ala de força, as semelhanças param por aí. O Tyler Hansbrough, que tem o melhor apelido da NBA, Psycho T, é baixo demais para jogar de ala de força na NBA e por isso acham que ele nunca vai se acertar na liga.

Como o Carl Landry, Paul Millsap e Jason Maxiell estão aí pra provar, não é bem assim que funciona. O que o Psycho T precisa fazer é compensar a falta de altura com outras coisas, assim como os alas citados, mas isso não será problema: ele não tem o apelido de Psycho à toa, ele é doido mesmo. Ele tem uma energia acima da média, algo pra deixar o Chris Andersen impressionado. Então não tenho dúvidas de que ele conseguirá superar as dificuldades e ganhar seu espaço na NBA.

Claro que ele não vai ser um jogador fora de série como em North Carolina, mas pode ser o principal reserva do Pacers a partir da próxima temporada e será também um dos jogadores favoritos da torcida. E como já disse antes, quando falava do Bobcats, Hansbrough é feito para ataques velozes e é o que o Jim O'Brien faz no Pacers. Na correria a sua falta de altura para a posição será ainda mais irrelevante. Dois selos pra eles porque a escolha foi muito boa mas Hansbrough não vai deixar de ser um role player.

Na segunda rodada o Pacers escolheu o AJ Price. O pessoal do NBADraft.net é cruel e assim como comparou o DeRozan ao Carter, comparam o Price ao Jamaal Tinsley. É pegadinha pro torcedor do Pacers entrar em desespero, né? De qualquer forma, não é tão parecido assim, afinal o Price sabe arremessar, coisa que o Tinsley nunca se deu ao trabalho de aprender. Mas talvez a semelhança seja porque os dois são mais famosos pelas polêmicas, contusões e histórias fora da quadra do que pelo que fazem dentro dela.

Desconhecido do mês versão pocket: O Price perdeu parte da sua temporada de freshman em UConn por causa de uma hemorragia cerebral que quase o matou. Depois de recuperado foi suspenso do time por ter roubado laptops do campus. Depois de voltar bem para o time, sofreu uma grave contusão no joelho. Finalmente na sua temporada de senior ele jogou muito bem e foi o líder do time que tinha como destaque o Hasheem Thabeet.

Phoenix Suns
Earl Clark, SF/PF Taylor Griffin, PF

O Suns vai começar do zero. O Shaq já foi trocado, o Amar'e quase foi trocado pro Warriors (talvez ainda seja) e já dizem que o Nash é o próximo. Pra começar a reconstruir um time, no entanto, eles vão usar uma fórmula já testada por lá.

Dizem que Earl Clark é um jogador que pode jogar de ala de força mas que tem habilidade de armador, que é ótimo passador e tem uma tremenda visão de jogo. Pra quem não sacou, o Earl Clark é uma versão americana e mais forte do Boris Diaw.

Eu gostei do draft em princípio porque sempre gostei do Boris Diaw e acho que ele vai se dar muito bem no Suns caso eles continuem jogando na correria como ameaçaram no final da temporada passada. Jogadores com bom passe e visão de jogo são mais que essenciais pra quem quer jogar na velocidade sem cometer um turnover por posse de bola.

Mas se o Nash é o próximo a ser trocado, por que não pegar o Ty Lawson ou o Jrue Holiday? Mesmo se o Nash ficar, não seria bom pegar um armador em um raro draft lotado de armadores e deixá-los um ano aprendendo com o mestre?

O Clark não irá conseguir se destacar nesse ano se o time estiver em desmanche. Ele, assim como o Diaw, precisa de um time montado e com bons jogadores ao seu lado para que seu principal talento, envolver outros atletas, apareça. Uma boa escolha mas que não resolve em nada a situação do Suns.

Na segunda rodada o Suns escolheu o Taylor Griffin, irmão mais velho do Blake Griffin. O Griffin nem era cotado pra ser draftado mas deu sorte e acabou no Suns. De qualquer forma é capaz que o Suns perca a oportunidade de ter o jogador no elenco caso ele tope o convite do Harlem Globetrotters, que o escolheu na primeira posição de seu próprio draft. Por aqui dá pra saber porque ele foi escolhido.

Detroit Pistons
Austin Daye, SF
DaJuan Summers, SF
Jonas Jerebko, SF

A escolha de Austin Daye na 15ª posição foi uma das grandes surpresas da noite do draft. Era praticamente certo que o Pistons iria escolher o pivô BJ Mullens. Diversas fontes de sites gringos garantiam que o Joe Dumars tinha prometido para o pivô a vaga no Detroit. No fim das contas o pivozão acabou indo cair na escolha 24, um desastre financeiro pra ele.

No lugar dele o Pistons pegou o ala Austin Daye. Ele é bem alto (2,10m) para ser um ala da posição 3, o chamado SMALL Forward, mas é que seu estilo de jogo combina mais com essa posição. Ele tem um bom arremesso de longa distância e boa mobilidade. Em uma época em que o Rashard Lewis faz sucesso como ala de força, o Pistons pode ter draftado o Daye pensando em usá-lo da mesma forma.

Ele é alto o bastante para encarar alguns alas de força pela liga e até tem um jogo de costas para a cesta, embora seja um jogo de pivô falso, meio Rasheed Wallace, que consiste apenas em poucos ganchos e muitos arremessos sobre o marcador. Nada que vai fazer do Pistons um time vencedor, mas o garoto parece ser competente.

Com as outras duas escolhas de segundo round o Pistons pegou outros dois small forwards, DaJuan Summers e Jonas Jerebko. Os dois eram cotados para entrarem no final do primeiro round mas acabaram escapando. Dos dois, apostaria que Jerebko fica mais um tempo no estrangeiro e o Summers ganha espaço na rotação do Pistons como um bom reserva do Prince caso o Daye jogue mesmo de ala de força.

Chicago Bulls
James Johnson, SF
Taj Gibson, PF

Posso estar completamente errado, não tenho notícias para basear isso, mas acho que a escolha do James Johnson pelo Bulls foi uma forma de tentar ter alguém para substituir o Luol Deng. Conseguir trocar o Deng vai ser um desafio maior que trocar o Kwame Brown pelo Gasol, devido ao seu contrato milionário e a atuação abaixo do esperado na temporada passada. Mas pode acreditar que eles vão tentar um bocado.

E caso consigam essa façanha, vão conseguir fazer o que querem, que é manter o Ben Gordon, usar o John Salmons na posição 3 e aí usar o draftado James Johnson como seu imediato reserva. Mas mesmo que não aconteça tudo isso, o novo JJ foi uma boa escolha.

Primeiro porque será difícil manter o Ben Gordon, o que pode empurrar o John Salmons para a posição de segundo armador e o James Johnson volta a ser o reserva imediato, dessa vez do Luol Deng. O JJ é um ala alto mas que sabe driblar e tem um bom jogo de meia distância, mais ou menos como o próprio Deng, mas parece ser um pouco mais versátil, já que no basquete universitário atacava mais a cesta. Um Luol Deng barato era tudo o que o Bulls queria nesse draft, nada mal!

Já enjoamos de falar como falta gente que marque pontos na posição de ala de força ou pivô no Bulls. Isso melhorou no ano passado com a evolução do jogo do Noah, do Tyrus Thomas e a aquisição do Brad Miller, mas não custava nada ter mais uma opção para o banco e é isso que vai ser o Taj Gibson. Ele vai ser secundário no Bulls mas pode ser bem útil pra marcar uns pontinhos quando entrar.

Philadelphia 76ers
Jrue Holiday, PG


No dia do draft, o site RealGM colocava o Jrue Holiday como a quarta escolha do draft para o Sacramento Kings. No mesmo dia ele era listado como a escolha 19 para o Atlanta Hawks. E isso reflete o nível de certeza que se tem sobre como o nome mais esquisito do draft se sairá na NBA.

Na UCLA, onde jogou apenas um ano, se consagrou por ser um combo guard (aquele armador que joga nas posições 1 e 2) que infernizava a vida dos defensores com seus dribles e infiltrações. Mas apesar do bom desempenho, esperava-se bem mais depois de todo o nome que ele trazia de sua carreira colegial. Muitos dizem que porque ele jogava fora de posição em UCLA, mas é mais convincente a explicação de que ele tem um arremesso péssimo e os marcadores o desafiavam a arremessar ao invés de cair nos seus dribles.

Será que o Sixers precisa de mais um armador que não sabe arremessar de longe? Eles já não tem um time especialista nisso?

Com o risco de perder o Andre Miller, acho que o Sixers deveria ter escolhido o Ty Lawson, que é mais experiente, tem mais visão de jogo e tem velocidade o bastante pra manter o Sixers no seu jogo de contra-ataques. Seria uma escolha mais segura e com menos chances de dar errado.

Se o Andre Miller ficar no time o Holiday pode se destacar jogando na posição dois, aparecendo com qualidade nos contra-ataques, mas nessa situação o Holiday não deixará de ser apenas mais do mesmo, não traz nada do que o time precisa para evoluir.

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Foi bem divertida, embora ruim tecnicamente, a final da NBB ontem. Parabéns ao Flamengo e ao mais que odiado Marcelinho, o melhor jogador do campeonato. Para ler sobre a final você pode ir ao Rebote, BasketBrasil ou ao DraftBrasil.