sexta-feira, 30 de abril de 2010

Prêmios Alternativos do Bola Presa - 09/10 - Resultado Final

Pelo terceiro ano consecutivo Alinne Moraes leva o prêmio de Musa
Bola Presa, ela veio buscar o prêmio aqui em casa ontem. Bjo, Line!


Depois da votação, os resultados. Nos últimos anos a maioria das categorias tinha um vencedor fácil, disparado, mas nesse ano foi bem disputado. Voto a voto foram disputas emocionantes por prêmios que ninguém quer vencer. Vamos aos premiados da noite!

1. Jogada Bola Presa do Ano
Rasheed Wallace e sua cesta contra
Cestas contra são um sucesso de público e crítica, a cara de cu do Rasheed Wallace depois da palhaçada e o fato de ser um dos jogadores mais queridos da torcida alavancaram sua vitória. Parabéns, Sheed!


2. Troféu Kareen Rush de melhor atuação de um jogador ruim
Anthony Tolliver faz 34 pontos e 8 rebotes contra o Timberwolves
O Tolliver nem deveria estar na NBA, imagina fazendo 34 pontos e pegando 8 rebotes contra Al Jefferson e Kevin Love. Atuação boa e um cara medíocre, prêmio em boas mãos.

3. Troféu Lonny Baxter de jogador que só joga nas Summer Leagues
Adam Morrison
Eu votaria no Anthony Randolph, que talvez tenha sido o melhor jogador de toda Summer League de Las Vegas e não teve espaço nem no D-League All-Stars do Warriors. Mas como ele perdeu muito tempo machucado, dá pra entender a vitória do Adam Morrison. O bigode vence.

4. Troféu Isiah Thomas de troca do ano
Utah Jazz manda Eric Maynor e Matt Harpring para o Oklahoma City Thunder e recebe os direitos de Peter Fahse
Essa foi apertada, mas os torcedores do Jazz que visitam aos montes o Bola Presa querem ver o time deles ganhando pelo menos alguma coisa por aqui. Eu teria votado na troca Cardinal-Darko que é o cúmulo da inutilidade, mas o Jazz foi mesmo mais Isiah Thomas ao draftar um jogador bom e depois trocá-lo por nada poucos meses depois.

5. Troféu Grant Hill de jogador bixado do ano

Greg Oden
Lavada! Pryzbilla recebeu um voto, Roy dois e o resto foi tudo para o Greg Oden. Mas não importa o nome, quem ganha é o time, parabéns Portland Trail Blazers. E boas férias!

6. Troféu Darius Miles de atuação surpresa na última semana
Triple-Double do Steve Blake
Foi por muito pouco, mas não deu para Bill Walker. O triple-double no último jogo do contrato foi muito Darius Miles e, como sugerido nos comentários, já poderia render o nome do Blake no nome do troféu do ano que vem. Parabéns Blake, agora venha jogar no Lakers.

7. Troféu Shawn Bradley de melhor cravada na cabeça
Dwyane Wade sobre Anderson Varejão
É, não teve pra ninguém, essa pode muito bem ter sido a enterrada da década, do século e Top 10 da história da NBA, não tinha como perder. Mas tudo bem Varejão, acontece nas melhores famílias. Se eu nunca tomei uma enterrada dessa na cara é porque eu sou um gordo que tem um blog, não um jogador da NBA.



8. Troféu Michael Schumacher de volta frustrada
Gilbert Arenas
O T-Mac até que teve os seus votos, mas como superar um cara que perdeu dois anos por contusão e quando finalmente fica saudável é suspenso por ter armas de fogo no vestiário? Competição desleal. Gilbert Arenas recebe o prêmio, fica muito feliz e atira para o alto para comemorar. Os seguranças do Bola Presa imediatamente o retiram do palco.

9. Troféu Zach Randolph de melhor jogador em time que só perde
Tyreke Evans
Brook Lopez e Iguodala até ganharam alguns votos, mas o vencedor é Tyreke Evans. Depois de vencer o prêmio de melhor novato do ano, agora vence um prêmio realmente importante, um Bola Presa de melhor jogador em um time que só perde. Esperemos agora que o pivete mais veterano da NBA nunca mais concorra a esse terrível troféu.

10. Troféu Gary Payton de jogador que mais involuiu
Família Jefferson
Pois é, deu empate. Mesmo número de votos para Al e Richard Jefferson. Para ninguém ficar bravo o prêmio fica com Thomas Jefferson, o terceiro presidente da história dos EUA.


11. Troféu Bruce Lee Bowen de jogada suja do ano
Eddy Curry empurra Rajon Rondo
Aê! Imagina um ano de prêmio Bola Presa sem Randolph ou Curry levando um caneco pra casa? Por sorte o Curry, nos poucos jogos que fez, deu um empurrão-de-cuzão no Rajon Rondo e garantiu a jogada mais suja da temporada. Tá bom que eu tenho vontade de bater no Rondo todo dia, mas pega leve, Eddy, isso é falta de donut.



12. Troféu 8 ou 80 de Estatística Bizarra do Ano
Zero rebotes em um quarto para o Wizards
Foi apertado, os 18 erros em 18 tentativas em bolas de 3 do Knicks e o aproveitamento de 4-25 lances livres do Biendris chegaram perto, mas nada se compara a passar 12 minutos de um jogo de basquete profissional sem pegar um rebote. Pensa bem, são 12 minutos, tem 5 caras num time e trocentos arremessos errados dos dois lados, não é possível...

13. Troféu JR Duran de foto do ano
Foi assim, sem pedir licença, pagar jantar ou usar lubrificante.
Nenê é o cavalo e o Noah a Mônica Mattos da NBA.

....

Para lembrar dos candidatos ao prêmio, clique aqui.
Para ver os premiados na temporada 2008-09, clique aqui.
Para ver os vencedores da temporada 2007-08, clique aqui.
Para ver uma foto linda da Alinne Moraes, clique aqui.
Para ver a cena pornográfica mais estranha da sua vida, clique aqui.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tema a rena

Ersan Ilyasova segura uma bola de basquete na mão esquerda


Apesar do esforço e da qualidade de Derrick Rose, o Bulls foi eliminado sem muitas dificuldades pelo Cavs. Quando todo mundo no Bulls jogou bem ao mesmo tempo, deu pra arrancar uma vitória suada, mas foi o bastante. O mesmo aconteceu com o Heat: numa partida história do Dwyane Wade, com 46 pontos (e 5 bolas de três, bizarro pra quem até ontem não tinha esse alcance no arremesso), deu pra conseguir uma vitória à força. Mas na partida final, o Wade teve uma atuação horrenda, com apenas 31 pontos, 8 rebotes e 10 assistências, coisa de jogadorzinho meia-boca, e o Heat não resistiu à defesa do Celtics. O Bobcats, por sua vez, não teve nenhuma atuação heróica, não conseguiu ganhar sequer um joguinho, e acabou eliminado dos playoffs antes mesmo da gente conseguir fazer uma piada com eles aqui no Bola Presa. Se eu soubesse, teria tirado sarro antes ao invés de ficar falando das séries boas que vão durar 7 jogos e me dar tempo de falar até do cunhado dos principais jogadores.

Então, se você é daqueles que torce pelo mais fraco, que quer ver o judeu-pobre-gay-torcedor-da-Portuguesa vencer o Big Brother, que ficava com vontade de comprar aquelas fitas com animais se safando de seus predadores que eram vendidas por telefone na extinta "TV Manchete" nos intervalos dos Cavaleiros do Zodíaco, então a única opção na Coferência Leste da NBA é o Milwaukee Bucks. Após vencer as últimas duas partidas, o time que parecia não ter nenhuma chance sem seu principal jogador está com a série empatada. Se já era esquisito o Bucks ter acabado em sexto lugar na Conferência, ganhando partidas mesmo sem seu pivô titular, é mais bizarro ainda ver que tipo de surra o time consegue dar no Hawks às vezes.

Como contei uns dias atrás, eu cheguei atrasado para os playoffs e portanto não vi as duas primeiras partidas entre as duas equipes. Sei apenas que foram partidas relativamente disputadas, mas que o Hawks ganhou com moderada facilidade graças a um domínio absoluto no garrafão ofensivo. Para a terceira partida, primeira em Milwaukee, eu esperava ver um jogo novamente disputado que o Bucks pudesse, talvez com alguma sorte, ganhar nos segundos finais - torço para o mais fraco, claro, só que não dá pra levar o Bucks muito a sério. Mas o que eu encontrei foi uma lavada vergonhosa em cima do Hawks, uma vitória dominante do Bucks, daquelas que o adversário chora no colo da mamãe ouvindo NX Zero. A defesa do Bucks foi, como sempre vi ser, completamente impecável. Coletivamente o time não deu um centímetro de espaço para o Hawks, mas foi individualmente que o jogo foi decidido. Esse Bucks não tem nenhuma estrela defensiva, ninguém que se destaque por ser um grande defensor, então o mérito do trabalho defensivo do técnico Scott Skiles recai sempre no trabalho em conjunto. Mas na terceira partida da série, Kurt Thomas fechou o garrafão sem nem ter que pular, afunilando a defesa, forçando o Josh Smith para a linha de fundo, obrigando-o a arremessar, cavando faltas de ataque, garantindo rebotes importantes. Luc Mbah a Moute (maior força nominal da NBA no momento) mostrou uma defesa impressionante no perímetro, incomodando o tempo inteiro. E Ersan Ilyasova mostrou que é simplesmente um gênio na defesa.

O Denis sempre chama o Ilyasova de "a Lady Gaga da NBA". Começa pelo figurino do jogador turco, com as meias levantadas até os joelhos, e passa pelo cabelinho escuro descolado e o rosto de nariz esquisito. Mas a estranheza se extende ao seu modo de jogo: seus arremessos são completamente bizarros, ele e o Leandrinho teriam muito a conversar numa mesa de bar. Tem também seu modo de correr, suas pernas estabanadas, o modo como ele parece descoordenado quando se move. Mas ele é comprido, rápido, inteligente, sabe se posicionar para os rebotes e está sempre trombando com alguém na defesa. Cavou contra o Hawks uma série de faltas de ataque, mas além disso passa o tempo inteiro desestabilizando jogadores que estão com ou sem a bola, e tudo de uma forma tão estranha que ninguém se atreve a marcar falta, parece apenas que ele é descoordenado e tropeçou mesmo, sem querer. É um gênio dissimulado.

Essas atuações individuais anularam o ataque do Hawks, e na hora de atacar o Bucks fez o mais simples possível: bola no John Salmons, corta-luz para ele, e aí deixa o rapaz decidir o que fazer. Já escrevi aqui como o Salmons sempre foi um baita de um injustiçado, jogando muito mas sempre perdendo minutos, apodrecendo no banco de reservas ou sendo trocado de um lado para o outro como figurinha repetida (ou o Quentin Richardson). O Bulls fez a cagada de se livrar do Salmons no meio dessa temporada para economizar um trocadinho nada significativo, e o resultado é esse: eliminado feio-feio dos playoffs. Imagina se o John Salmons estivesse dando uma força, eles poderiam ter acabado numa posição melhor da tabela e evitado o Cavs, ou ao menos durado mais do que 5 partidas contra LeBron e seus amigos. Mas tudo bem, o Bulls está punido, azar deles. O que importa é que o Salmons joga muito bem, é incrivelmente consistente, e dominou o jogo ofensivamente. Se aproveitou do corta-luz constante para atacar a cesta, cavar faltas, dar arremessos de longa distância, e principalmente para girar a bola e achar companheiros livres. Era ridículo ver como o Bucks usava a mesma jogada à exaustão mas cada vez o Salmons fazia uma coisa diferente e o Hawks não sabia o que esperar. Quando começaram a dobrar nele, outros jogadores do Bucks ficaram livres para bolas de três pontos certeiras e aí quando elas pararam de cair já era tarde demais - por não conseguir pontuar necas, o Hawks já havia ficado atrás demais no placar.

Fiquei com medo de ver o Bucks na quarta partida repetindo essa mesma jogadinha manjada com o Salmons, porque certamente o Hawks viria preparado. Mas para minha surpresa o Salmons ficou ali paradinho, olhando a vida acontecer de trás da linha de três. A bola passou quase todo o tempo nas mãos do Brandon Jennings, o foco foi nas bolas de três do Carlos Delfino, e até o Kurt Thomas e o Dan Gadzuric acertaram arremessos de curta distância. Tudo porque a defesa do Hawks passou o jogo inteiro olhando para um John Salmons que sequer parecia fazer parte do esquema tático da equipe. Nas vezes em que pontuou, foram apenas jogadas individuais, quase aleatórias, em que ele forçou seu caminho contra a defesa agressiva e cavou faltas adoidado. Mas todo o plano do Bucks passou bem longe disso, colocando uma carga enorme nas costas do Jennings, que respondeu com o melhor jogo que já vi do rapaz: pode não ter feito 55 pontos, mas ditou o ritmo da partida, deu passes simples mas precisos, e teve os bagos de dar aqueles arremessos bizarros que ele dá todo torto com uma mão só nos minutos finais de jogo para segurar a margem que o time abrira no placar. Novamente, foi a defesa que ganhou o jogo fácil, coube ao ataque apenas manter o placar sob controle no finalzinho da partida. E esse controle ficou com o Jennings, sabendo segurar a bola, deixar o cronômetro correr e pontuando nos momentos mais decisivos para deixar o Hawks a uma distância segura. Assustador pensar nos bagos desse garoto, o que será que ele vai ser quando crescer? Espero que não seja engenheiro agrônomo.

A quarta partida foi mais um espetáculo de defesa, mas foi ainda mais um show particular do Ersan Ilyasova. Duas faltas de ataque cavadas em sequência tiraram o Josh Smith da partida - tanto por faltas quanto psicologicamente. Fora isso, sua defesa estilo "eu tô bêbado, deixa eu me apoiar em você pra vomitar" incomoda demais qualquer jogador adversário, principalmente porque o Hawks não tem nenhum jogador muito físico para jogar no garrafão e ficar dando trombada. Se o Josh Smith é o único jogador da equipe de Atlanta que sabe jogar de costas para cesta, então o Ilyasova é o homem perfeito para impedir o jogo de garrafão do Hawks. Ele pode não dar nenhum toco, mas vai encher o saco, ser esquisito, parecer descolado. De fato, a Lady Gaga da NBA.

Aliás, é incrível como agora o Josh Smith realmente joga de costas para a cesta. Antigamente ele era forte pra burro, rápido, explosivo, mas só queria arremessar de três pontos. De repente acordou um dia e resolveu que tinha gente melhor pra fazer isso no time do que ele, entendeu que seu jogo tinha que ser mais agressivo e próximo à cesta, e virou um jogador inteligente que não força mais arremessos. Não sei onde ele comprou esse cérebro que ele antes não tinha, mas seria legal se ele mandesse o endereço da loja para o JR Smith, que está precisando. O Zach Randolph deve ter comprado o cérebro dele no mesmo lugar.

O genial sobre a quarta partida dessa série é que Jamal Crawford (eleito o Melhor Sexto Homem do Ano) e Joe Johnson tiveram boas partidas, especialmente nas bolas de três pontos, mas não adianta nada se ninguém pontuar no garrafão. O Hawks pode pontuar, só não pode pontuar de modo fácil ou em excesso, tem que ficar sob controle moderado. A chave da vitória para o Bucks, no fundo, é o ataque: eles venceram as últimas 11 partidas em que marcaram pelo menos 100 pontos, ou seja, eles sempre seguram bem o adversário, só precisam dar um jeito de pontuar um pouco para que a diferença no placar fique a favor deles. Mas para isso agora há ajuda. Carlos Delfino está inspirado nas bolas de três, incrível que há uns anos atrás ele tenha pensado em abandonar a NBA quando tinha acabado de escapar de mofar no banco do Pistons e estava lutando por minutos no Raptors. Mas agora ele encontrou seu papel, defender como um argentino (leia-se "cavar faltas de ataque, encher o saco do adversário") e abusar nos arremessos de fora. John Salmons é um pontuador eficiente, principalmente quando o time não sabe mais o que fazer e ele pode arrancar na marra alguns lances livres. E o Brandon Jennings é uma incógnita: tem dia em que é um monstro nos arremessos de fora e ganha o jogo sozinho apenas com bolas de três, tem dia em que ele faz bandejas e tear drops como se fosse o Tony Parker, tem dia em que ele só corre como um doido e depois passa a bola para o lado, e tem dia em que ele só força arremessos idiotas e perde a bola com passes tão imbecis que até o Cristiano Ronaldo ficaria corado de vergonha. Mas quando está num bom dia, Jennings é o que falta para tornar Delfino e Salmons verdadeiramente eficientes.

A gente sabe que o Hawks não tem ideia de como se joga basquete fora de casa, eles perderam quase todos os jogos em ginásios dos adversários nos últimos playoffs, então devem vir mordendo na defesa e abusando nas bolas de três pontos no próximo jogo em Atlanta. Mas o único modo de vencer esse Bucks é dominando o garrafão. Josh Smith precisa ser impecável de costas pra cesta e Al Horford precisa fingir que é um pivô de verdade, não um ala fortinho usado no garrafão apenas de improviso (a verdade às vezes dói). Quando a defesa do Bucks está perfeita, com atuações individuais incríveis, o jeito é jogar dentro do garrafão - o único problema é fazer a bola chegar lá, e lidar com a marcação dupla assim que a bola atinge seu alvo. No entanto, o Hawks tem uma série de excelentes arremessadores que, num dia bom, podem abrir uma vantagem enorme no placar de uma hora para a outra, forçando o Bucks a parar de dobrar a marcação - hora, então, do Josh Smith brilhar perto do aro, e não arremessando como ele fazia antes.

De todas as séries que ainda restam, essa é a mais imprevisível, e conta com um time fracassado tentando se superar, jogando sem pivô, e um monte de torcedores com placas de "Fear the deer" no ginásio e se levando a sério, como se desse para ter medo de um animal fofinho com chifres de galhinho - ou de um time que se veste de roxo e tem como armador um novato, como pivô o Kurt Thomas, que plantou a primeira árvore da Floresta Amazônica, e como técnico um retranqueiro que se dá mal com seus jogadores e não sabe fazer seus times pontuarem. Mas sabe o que é bizarro? Mesmo sem impor medo em ninguém, o Hawks tem total consciência de que o Bucks pode ganhar essa série jogando feio, usando a tática "Lady Gaga" de fazer tudo estranho, tudo esquisito, e segurar uma vantagem pequena no placar até o final do jogo. É por isso que estarei gritando minha versão tupiniquim "tema a rena" na próxima partida mesmo que ninguém tenha medo do time, mesmo que o Hawks ainda seja favorito, mesmo que eu acredite que a equipe de Atlanta ganhará jogando em casa. É que quando ninguém acredita neles, o trabalho fica mais fácil. Já pensou o Magic entrando em quadra para enfrentar o Bucks na próxima rodada tendo certeza de que vai dominar o jogo com o Dwight Howard? Prevejo mais um tombo inesperado, com a defesa do Bucks sufocando o Howard até ele fazer xixi nas calças. Temos que temer a rena justamente porque ninguém teme ela, todo mundo olha e tira sarro, é tipo o Ersan Ilyasova e suas meias enormes e cabelo de emocore, mas que de repente faz tudo dar certo. Continuemos não acreditando nessa equipe sem Andrew Bogut, sem ataque, sem chances, enquanto eles continuam dando tabefes nas nossas orelhas. Se classificaram em sexto lugar do Leste quando tinha gente dizendo que era meio sem querer, que eles sequer iriam para os playoffs. O Bucks é o Ilyasova: estranho, bizarro, gaganiano, mas de verdade. Muito de verdade.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Repeteco

Kobe, assim como Mavs e Nuggets, choram mais uma vez


Todos nós sabemos que o Oeste é tão difícil quanto conseguir dar uns amassos na Alinne Moraes, e por isso mesmo temos motivos para esperar séries disputadas, partidas imprevisíveis, jogos inteiros sendo decididos em alguma mudança tática, com um time vencendo um jogo apenas para perder o próximo graças a alguma sacada conquistada na prancheta ou a um arremesso de último segundo. Se o Phil Jackson tomou um nó tático num jogo, o que esperamos é que ele resolva os problemas e volte com o time mudado, vença a partida, e então permita ao Thunder tentar criar um novo nó tático na partida seguinte. Em séries disputadas, esperamos um jogo de xadrez mas com menos gente nerd (deixemos os nerds apenas cuidando dos blogs), com vitórias e derrotas intercalando-se até o final da série, em que todos os conhecimentos adquiridos sobre as estratégias dos adversários são postos à prova.

Mas não foi exatamente isso que aconteceu nas partidas mais recentes da Conferência Oeste. Vantagens táticas conseguidas pelos times mais fracos acabaram se repetindo. Três times sem mando de quadra (Thunder, Spurs e Jazz) conseguiram duas vitórias seguidas, e a sensação é que conseguirão emplacar mais uma. Sabe aquela história de que um golpe de um Cavaleiro do Zodíaco não funciona duas vezes contra o mesmo adversário? Pois bem, se funcionou duas vezes - sem qualquer tipo de resposta ou solução do adversário - então por que não funcionaria três?

Quando comentei sobre a primeira vitória do Thunder em cima do Lakers, fiquei pagando pau para o técnico Scott Brooks. Não por ele ser gatinho, mas porque sua leitura do Lakers foi de dar inveja. Com um garrafão mais fraco, a solução foi colocar seus pivôs apenas para impurrar Gasol e Bynum para longe da cesta, deixar os rebotes a cabo de outros jogadores, e dobrar a marcação sempre que a bola chega no garrafão. No ataque, a decisão do Thunder foi de correr o máximo que der, atacar a cesta para cavar faltas sempre que possível, e aumentar ao máximo o ritmo de jogo. Como resultado, o Lakers passa a também jogar com velocidade, fica desencorajado a jogar dentro do garrafão e aí começa a dar arremessos rápidos de três pontos. Foi uma grande sacada perceber que arremessar de fora é o grande ponto fraco da equipe e explorá-lo. Além disso, cabe ao Westbrook atacar a cesta porque o Lakers não tem um armador que saiba defender, e ao Durant marcar o Kobe no final do jogo, quando as bolas ficam apenas na sua mão. Perfeito.

Para o jogo seguinte, o Phil Jackson sabia que a solução seria jogar dentro do garrafão o máximo possível, para evitar os arremessos de três pontos e punir os pivôs meia-boca do Thunder. No começo do jogo o plano se manteve, mas a frustração com a marcação dupla foi levando Gasol cada vez mais pra longe da cesta, o Bynum perdeu uma bola, e aí o time inteiro vai inconscientemente desistindo do plano de jogo e arremessando cada vez mais de longe. Perderam feio a partida, o técnico Scott Brooks é um gênio, e agora - como eu disse no nosso Twitter - todos os técnicos da NBA estão sentados em casa, com cara de bunda, tentando entender o porquê de não terem pensado nessa estratégia para vencer o Lakers antes. O Kobe pode estar machucado, Bynum pode não estar em plenas condições físicas, mas essa estratégia para frustrar o Lakers deveria ter sido usada por cada uma das equipes da NBA durante a temporada. Phil Jackson é um dos melhores técnicos da história, mas se a sua resposta a essa tática deu tão errado no último jogo, não vejo como dará certo na partida de amanhã. Mais do que nunca, acredito no Thunder eliminando o Lakers - mesmo que pareça tão difícil.

Na série entre Spurs e Mavs, o time de San Antonio não ganhou as duas partidas seguidas do mesmo jeito, mas parece ter conseguido uma consistência dentro da própria equipe. Quando analisei os problemas da temporada do Spurs, botei a culpa no Popovich - não por ele ser um treinador ruim, mas por seu esquema tático ser muito rígido e exigir jogadores que o elenco atual não possui. O time precisava basicamente de um bom defensor, bastante físico, que pudesse arremessar de três pontos (de preferência da zona morta). Como Richard Jefferson não é esse jogador e só brilha nos contra-ataques, acabou se afundando na rigidez do esquema tático do Popovich. Mas eis que, então, a contusão de Tony Parker acabou revelando o talento de George Hill.

A princípio ele era apenas um cosplayer de Tony Parker, ou seja, se fantasiava do armador francês em concursos de animes e mangás e tentava descolar uns prêmios, sem no entanto poder comer a Eva Longoria. No Spurs, apenas puxava contra-ataques solitários e volta e meia dava um tear drop típico do Parker (aquele arremesso com uma mão só, por cima da marcação adversária no garrafão). Mas o Popovich se apaixonou pela disciplina do rapaz, por sua vontade em quadra, e pela capacidade defensiva. Aos poucos ele foi deixando a fantasia de Parker de lado e foi se tornando único, ganhando mais responsabilidades na defesa e treinando cada vez mais arremessos. Na vitória do Jogo 3, o Spurs usou Parker, Ginóbili e George Hill ao mesmo tempo, forçando o técnico Rick Carslile a usar Kidd, Barea e Terry ao mesmo tempo, como vimos na análise da partida feita pelo Denis. Na vitória do Jogo 4, em que Parker teve um jogo muito fraco, quem venceu a partida foi mesmo o George Hill. Sabe como? Com arremessos de três pontos da zona morta. É isso mesmo: ele deixou de ser cosplayer do Tony Parker para virar cosplayer do Bruce Bowen.

Na última vitória do Spurs, George Hill foi o cestinha do jogo com 29 pontos - e 5 bolas de três pontos certeiras da zona morta. Mais bizarro do que isso, George Hill acabou marcando o Nowitzki em uma série de posses de bola, trabalhando como o Bowen em desequilibrar a linha da cintura do alemão e forçá-lo a cortar para um dos lados, onde a marcação dupla do Spurs pode obrigá-lo a parar. O Spurs sempre teve a melhor rotação defensiva de toda a NBA, já faz quase uma década. Nenhum time se recupera tão bem após fazer uma marcação dupla e ver a bola rodando em busca de um arremessador livre. O Spurs faz bem a rotação, sempre pega o cara que está livre e obriga a movimentação de bola a começar de novo. Ao fazer o Nowitzki bater para dentro, e portanto chegar mais perto do garrafão, o Spurs decidiu dobrar sempre, e aí a rotação defensiva fez um ótimo trabalho impedindo os arremessos. O alemão não ficou à vontade, os arremessadores do Dallas reiniciavam a movimentação ofensiva, e o Spurs desafiou o Mavs a jogar debaixo da cesta - sendo que eles não querem acionar Dampier e Haywood de modo nenhum, ainda mais com a insistência em jogar com três armadores em quadra ao mesmo tempo.

Ontem nada deu certo para o Spurs, o Duncan teve a pior partida da carreira, o Parker não acertava nada, o Ginóbili não calibrou a mira, mas foi a marcação dupla, a rotação defensiva e o trabalho de George Hill que garantiram o jogo. O jovem armador destruiu na defesa, nas bolas da zona morta e deu até uma cotovelada para deixar o Bruce Bowen orgulhoso. Além dele, mais sangue novo apareceu dentro do rígido esquema de Popovich: o ala nanico mas brigador DeJuan Blair lutou por rebotes, salvou bolas importantes e fez o trabalho do Duncan quando nosso cara-de-nada favorito não estava nos seus melhores momentos. A gente já sabe: se o Spurs tem uma partida de merda, em que tudo dá errado, e eles saem de quadra com a vitória (graças à defesa e às bolas de três da zona morta), é porque vão ganhar a série. Não tem nem conversa, o Mavs não tem muita chance contra essa equipe que agora acha ter as peças certas.

O bizarro é que, ainda que o Tony Parker seja muito melhor que o George Hill (o Parker está sempre nas listas de melhores armadores da NBA, e pra mim é, junto com o Monta Ellis, o melhor a finalizar dentro do garrafão), o George Hill é atualmente muito mais útil para o Spurs do que o armador francês. Jogue o Parker no lixo, lhe dê umas férias, tranque-o num quarto escuro com a Eva Longoria dentro, e o Spurs ainda ganhará do Mavs se tiver o George Hill. Nesse esquema tático do Popovich, é muito mais importante aquilo que o Hill traz à mesa, enquanto o Parker pode salvar jogos mas é, comparativamente, descartável. Outros podem pontuar, o Spurs precisa é de defeza e zona morta. Deram a sorte de que o George Hill, ainda que baixinho, é forte pra burro e treina como um débil mental. Disse estar arremessando milhares de bolas da zona morta em treinos particulares, e isso é algo que o Parker nunca conseguiu fazer. Não tem como não odiar o Spurs, até quando dá tudo errado, dá certo. Conseguiram a peça de que precisavam na hora certa, quando nós, pobres mortais, achávamos que a contusão do Tony Parker afundaria o time. Coisa nenhuma, é agora que eles parecem ter os primeiros minutos de consistência tática na temporada.

A gente também achou que o Jazz ia virar farofa com as contusões, mas no fundo isso apenas forçou o time a se focar mais em Boozer, Deron Williams e Paul Millsap. Todo mundo sabe que, num mundo ideal em que a Alinne Moraes andasse pelada, o Millsap seria titular em algum time da NBA. Com tantas lesões, Millsap ao menos ganhou mais espaço na equipe, e puniu duramente o Nuggets no garrafão. Aliás, o Jazz conseguiu expor as grandes fraquezas do Nuggets, coisas que a gente não desconfiava: o garrafão e o psicológico.

É uma espécie de lugar comum dizer que o garrafão do Nuggets é um dos mais fortes da NBA. No entanto, Nenê, Kenyon Martin e Chris Andersen são limitados no ataque. A defesa perto da cesta é o ponto forte dos três, mas Kenyon Martin está seriamente limitado - e o Jazz joga cada vez mais fora do garrafão. O Deron Williams está jogando melhor do que nunca, e o foco do Nuggets é claramente pará-lo. A equipe de Denver tem optado por dobrar a marcação, o que abre espaço para os arremessos do Boozer, e obriga os pivôs do Nuggets a saírem um pouco do garrafão - tanto para impedir os pick-and-rolls com o Deron quanto para o jogo refinado de meia-distância do Carlos Boozer. Se o Martin estivesse em melhores condições, poderia até marcar mais tempo o próprio Deron Williams, mas em suas atuais condições físicas cabe a ele ficar só olhando enquanto o melhor armador dos playoffs trucida o Nuggets. Deixando de lado todo o patriotismo que nós achamos tão idiota, posso falar também que o Nenê mostra que fede pra valer quando precisa marcar alguém no corpo-a-corpo fora do garrafão. Quando ele é colocado no Boozer, não consegue evitar cortes para dentro e nem os arremessos constantes. O Chris Andersen também é daqueles defensores fajutos, que dá tocos na cobertura mas não segura ninguém no mano-a-mano. O resultado é que na batalha do garrafão, ninguém do Nuggets pontua lá dentro, e na defesa Deron Williams e Carlos Boozer tiram os jogadores de garrafão do Nuggets de sua zona de conforto.

Mas pior do que isso é o lado psicológico. Já comentei antes que o JR Smith é um daqueles clássicos jogadores que joga muito melhor quando seu time está na frente. Seus arremessos sem critério machucam mais o Nuggets quando o time está atrás do placar e precisa de cestas fáceis e com alta porcentagem de aproveitamento. Por outro lado, esses arremessos quando o time está na frente são o que falta para terminar de aniquilar o adversário, e se eles não caem não chegam a deixar o Nuggets atrás no placar. O Jazz está jogando essa série com muito mais vontade e agressividade do que o Nuggets, com um monte de jogadores nada a ver tentando mostrar serviço e provar que a temporada não vai pro saco só por culpa de algumas contusões. A garra do Jazz é óbvia na briga por rebotes, na defesa, e nas séries de pontos seguidos que surgem de repente durante a partida, fruto apenas de algumas bolas recuperadas, rebotes ofensivos e defesa mordendo. Com isso o Nuggets fica repentinamente atrás no placar - e aí o time, assim como o JR Smith, deixa de jogar.

O JR Smith, depois de tantos conflitos com o técnico George Karl, sequer tem coragem de forçar seus arremessos idiotas quando o time está perdend nos playoffs. O resto do time acaba seguindo o mesmo padrão, e sobra para o Carmelo e para o Billups jogarem de verdade. A sensação, quando o Jazz passa à frente, é de que o Nuggets simplesmente desiste - principalmente na defesa. Falta ao Nuggets aquela calma de "time superior", aquela certeza de que sairá de quadra com a vitória não importa de quantos pontos estejam perdendo no meio do jogo. Essa calma era a marca registrada do Pistons campeão da NBA que tinha Billups na armação, e é notável a frustração do armador com a postura do Nuggets em quadra. É fato que o Billups conseguiu colocar um orgulho no time, uma calma de time vencedor, mas nada disso se aplica quando o time está perdendo. Na última partida o Jazz começou o terceiro período com uma força absurda, fez uns 10 pontos seguidos, o Nuggets simplesmente desistiu e de repente perdia por 16 pontos uma partida que tinha liderado com tranquilidade. Dali em diante o jogo foi apenas desistência, com um Billups frustrado sequer querendo envolver os companheiros, e um Carmelo Anthony puto da vida tentando resolver sozinho no ataque enquanto berra com seus colegas de equipe. Não dá pra negar a vontade de Billups e Carmelo de vencer essa série, mas o resto do time tem preguiça. Jogam maravilhosamente bem quando estão na frente, desistem quando estão atrás. Basta ao Jazz jogar com vontade e forçar uma sequência de pontos para que o Nuggets inteiro venha abaixo.

Também vejo o Nuggets com poucas chances de se recuperar das duas últimas surras que tomou do Jazz. Tanto o Thunder quanto o Spurs e o Jazz parecem ter alcançado aquele grau de compreensão do adversário que nos leva a nem acreditar que a série possa ter outro fim que não a vitória deles. A outra série do Oeste, entre Blazers e Suns, é a única cheia de altos e baixos e que vai ter um final surpreendente. As séries do Leste também estão bem surpreendentes, até mesmo com uma vitória heróica do Dwyane Wade sozinho (tinha uns outros caras em quadra, mas eles não jogavam basquete) em cima do Celtics para manter o time vivo na série. Do mesmo modo, o Bucks conseguiu uma vitória em casa fácil fácil em cima do Hawks e joga hoje novamente tentando empatar a série. Amanhã daremos uma olhada, então, no lado Leste, depois de acompanhar Bucks e Hawks hoje de noite e gritar loucamente "fear the deer" - ou, em hilário português, "tema a rena"!

sábado, 24 de abril de 2010

Mavs desesperado

Duncan olha para a bunda de Parker

Tive a mesma empolgação que o Danilo teve no nosso Twitter quando estava vendo ontem o jogo entre Dallas e San Antonio e percebi que o Mavs estava usando um bom e velho small ball, com Jason Kidd, JJ Barea e Jason Terry em quadra ao mesmo tempo. A empolgação passou um pouco depois quando eu parei e pensei em quantas vezes eu tinha visto o Dallas fazer isso durante a temporada: nenhuma.

A formação exata era Kidd, Barea, Terry, Nowitzki e Haywood. Deve ser o único small ball com dois jogadores de 2,13m, mas ainda assim era um small ball, tinham três armadores com menos de 1,90m em quadra e foi a forma do técnico Rick Carlisle marcar o Spurs com Tony Parker, Manu Ginobili, George Hill, Tim Duncan e Antonio McDyess.

O fato do Rick Carlisle ter que montar uma formação que nunca usou antes na vida para marcar o Spurs e não obrigar o adversário a usar um time diferente mostra quem está mandando atualmente na melhor série dessa primeira rodada. Depois do primeiro jogo em que o Nowitzki destruiu com todos os marcadores que colocaram na frente dele, parecia que ninguém ia conseguir pará-lo e que o Mavs ia ganhar fácil, a primeira parte é verdade, mas não está sendo o bastante. Sobre a atuação abaixo da média de Nowitzki no jogo 2 o Greg Popovich, técnico do Spurs, disse "A gente não fez nada de diferente". E não fizeram mesmo, continuaram trocando de marcadores o tempo inteiro e foi só o alemão que não estava numa noite boa.

No jogo 3 houve sim uma pequena mudança na marcação do Nowitzki, ocorreram mais dobras na marcação. Mas como o Dirk é um ótimo passador, as dobras não aconteceram o tempo todo, mas sim em momentos certeiros do jogo e das jogadas. Quando a posse de bola estava acabando, dobravam, quando ele estava de costas para algum marcador, dobravam, quando ele parava de bater a bola, dobravam de novo. Foi impressionante ver a inteligência dos jogadores do Spurs ao saber exatamente quando era bom para eles deixar alguém livre para incomodar mais o Dirk. E a maior prova de que o Dirk não é amarelão é que mesmo muito bem marcado ele marcou 16 pontos só no 3º período, liderou a volta do Dallas depois de estar perdendo por mais de 10 pontos e foi o cestinha do jogo com 35 pontos.

Sem conseguir parar o Nowitzki, o Spurs partiu para o resto do time e tem tido enorme sucesso em parar todo o resto da equipe. O Jason Kidd está fazendo uma série irreconhecível, não ataca a cesta, não arremessa e passa pouco tempo com a bola na mão organizando o time. Está parecendo o Kidd de quando chegou a Dallas e encontrou um sistema ofensivo feito para o Devin Harris, não para ele. Criticamos a ida dele para o Mavs por causa disso mas hoje reconhecemos que ele fez uma ótima temporada, porque o time se adaptou ao seu estilo. No desespero e na marcação do Spurs, estão abandonando o esquema tático que deu certo por 82 jogos.

O desespero também ficou claro na ação do Carslile em montar essa formação bizarra que mencionamos no começo do texto. E não foi só isso, essa formação ficou quase o segundo tempo inteiro em quadra, o Caron Butler não jogou um minuto sequer de partida nos dois últimos quartos! Por pior que o Butler tenha sido no primeiro tempo, ele não é o tipo de jogador que você deixa de fora de um tempo inteiro de um jogo de playoff disputado. Assim como o small ball, barrar o Butler do time foi inédito em toda temporada.

Não saber lidar com a adversidade é culpa do Mavs, causar a adversidade é mérito só do Spurs. Não desanimaram com a derrota no jogo 1 e começaram a jogar como o time que era candidato ao título antes da temporada regular. Tem coisa mais Spurs do que fazer uma defesa tão chata que obriga o outro time a tentar as formações e esquemas táticos que elas menos gostam? É só lembrar do Suns tentando jogar basquete de meia quadra e tomando surra do Spurs, ou o Nets na final de 2003 sem seu contra-ataque, o Cavs sem conseguir isolar o LeBron na final de 2007 e tantas outras situações.

Se o Spurs não achou quem deve marcar o Dirk, o Mavs não tem idéia de quem deve marcar o Ginobili e nem Kidd, nem Terry, nem Barea e nem tiros de bala de prata estão conseguindo parar as infiltrações do Parker. Junte isso ao Duncan vencendo o duelo contra Dampier e Haywood e teremos o Spurs dos tempos vencedores. E lembra que passamos o ano inteiro pedindo a ajuda de mais alguém além dos três? No jogo 2 foi o Richard Jefferson que fez seu melhor jogo como atleta do Spurs, ontem foi a vez do George Hill ser a força além das três estrelas a ajudar o Spurs a vencer. E pra falar a verdade eu acho que o time é melhor quando o George Hill está inspirado do que quando o Richard Jefferson está, com o Hill o time fica melhor na defesa, com o Jefferson, no ataque. Mas do jeito que o Ginobili e Parker estavam atacando ontem, eles só precisam de defesa.

A torcida do Spurs já está super animada e achando que o time já é candidato a título de novo, assim como a torcida do Celtics, diga-se de passagem, mas os dois tem que tomar cuidado. Os dois times passaram a longa temporada regular inteira tentando se acertar e só foram times medianos e irregulares, é pensamento mágico achar que só porque é playoff todos os problemas acabaram. Essa série contra o Dallas tem tudo pra ser ainda muito longa e vão ter que continuar jogando bem como jogaram os últimos dois jogos para provar que houve mesmo uma evolução.

Minha maior expectativa para o jogo 4 é ver como o Dallas vai agir nos momentos mais complicados do jogo. Será que de novo o Rick Carslile vai achar um quinteto e manter ele por mais de um período inteiro achando que é o único que pode dar certo? Será que o Caron Butler volta para o jogo 4 motivado em mostrar que é titular de direito ou está bravinho com o treinador e não vai querer jogar? E na hora do aperto vão jogar a bola no Dirk e assistir ou jogar como jogaram o ano inteiro? Ou eles se acertam ou vai começar uma longa temporada de piadinhas com a cor amarela.

Ontem tivemos também o primeiro arremesso da vitória no último segundo, do Paul Pierce. Acho que foram os piores 10 segundos da história do Heat, não foram? Primeiro o Wade erra o arremesso da vitória e, ao cair, machuca a perna, aí ele sai do jogo, o Paul Pierce faz uma cesta no último segundo e agora eles perdem a série por 3 a 0. Lembra como uma semana atrás a série entre Heat e Celtics era a que todos consideravam a com mais chance do time sem mando de quadra vencer? As coisas mudam rápido!

Abaixo o vídeo com a cesta do Pierce.


Achei muito vacilo do Dorrell Wright nessa bola. O moleque jogou demais ontem, foi o principal ajudante do Wade até o Michael Beasley acordar e fazer 8 pontos seguidos no quarto período, mas vai ficar marcado por essa bola no fim do jogo. Em todas (TODAS!) as vezes que o Paul Pierce precisa de um arremesso, não necessariamente no fim do jogo, ele pega a bola de frente pra cesta, vai para a direita e dá um arremesso na parte direita da cabeça do garrafão. É a sua bola de segurança, como é a infiltração pela esquerda do Ginobili ou o pick-and-roll entre Nash e Amar'e para o Suns.

Pra quem duvida, olha o arremesso dele contra o Bulls nos playoffs do ano passado. E contra o Hawks nessa temporada. Sempre saindo do meio para a direita e soltando um fade-away. Não é fácil marcar, mas não precisa dar de graça!

E não é que o Dorrell Wright não só não evita essa jogada, ele também praticamente pede por ela! Ele dá o lado direito para o Pierce e fica assistindo ele ir para o arremesso, como se estivesse com medo de uma infiltração que nem tinha tempo para acontecer. E o Heat ainda tinha uma falta para fazer sem render lance livre, ou seja, poderia ter feito uma falta faltando 2 segundos para o fim do jogo e deixava o Celtics na situação de arranjar um arremesso em 2 segundos vindo de um lateral. Terrível atuação do Wright nessa posse de bola e agora o Celtics pode conseguir a primeira varrida dos playoffs.

Atualização!
O nosso leitor Leonardo Miranda colocou nos comentários um texto do DallasBasketball.com que diz que o Rick Carlisle usa a formação com Kidd, Barea e Terry ao mesmo tempo desde o ano passado. Eu nunca tinha visto essa formação ser usada além de em alguns momentos bem específicos, como o último minuto final de um quarto, e jamais por mais de 5 minutos em sequência, muito menos por quase um tempo inteiro, como ontem, mas os números mostram que é um pouquinho mais comum do que eu pensava. Foram 193 minutos de uso desse trio ao mesmo tempo na temporada passada e 195 nessa, uma média de 2 minutos por jogo.

Segundo a análise do site, a formação não deu muitos resultados no ano passado mas foi melhor nesse, e funciona melhor quando existe uma compensação: se é muito pequeno de um lado, não abre mão de Dirk e de um pivô do outro. Mas os números apesar de mostrarem isso, ainda são poucos. A formação com três armadores e um pivô no meio atuou por apenas 44 minutos em toda a temporada!

Agradeço ao Leonardo pelo link, quem quiser ler tudo é só clicar aqui!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vitória do técnico

Kevin Durant curva-se frente ao rei Scott Brooks


Enquanto o Denis segurava as pontas analisando todas as séries dos playoffs, indicando o que cada time precisava fazer para passar para a próxima rodada, estive afastado da internet - o que na prática significa apenas não ler e-mails me oferecendo aumento peniano, não ler comentários sobre a última baladinha escritos com 140 caracteres, e não conhecer anônimos se masturbando no Chatroulette. Mas ficar longe da NBA, justamente no início dos playoffs, é a parte complicada da coisa. Perdi um punhado de partidas, mas nada muito inesperado aconteceu além da vitória do Blazers em cima do Suns, algo que cada vez mais parece apenas um "oops" e dificilmente deve acontecer de novo (é oficial: o Blazers é o novo Clippers!). Ao menos, como prêmio de consolação, coloquei o meu League Pass para funcionar pela primeira vez nos playoffs a tempo de ver o Lakers perdendo para o Thunder. E o resultado não foi uma partida maravilhosa do Kevin Durant chutando traseiros, nem a arbitragem marcando faltas loucas no pirralho e complicando o Lakers, tudo que vi foi um prêmio merecido de técnico do ano para Scott Brooks.

Confesso que quando soube que ele ganhou o prêmio, fiquei com um pé atrás. Diabos, até ele ficou com um pé atrás, indignado que o Jerry Sloan nunca tenha ganhado o prêmio que ele levou para casa. Mas é que, para mim, dois outros técnicos haviam feito melhores trabalhos com elencos muito reduzidos: Rick Adelman no meu Houston Rockets e Scott Skiles no Bucks. O Adelman foi capaz de, pela primeira vez, colocar sua filosofia de jogo verdadeiramente em prática com um time rápido, baixo, inteligente e sem nenhuma estrela. Não foi para os playoffs, é verdade, mas ganhou mais da metade de suas partidas, conseguiu uma honrada nona colocação no Oeste e todo mundo estava contando com o time para ficar nos últimos lugares da NBA. O Scott Skiles, por sua vez, transformou um time horroroso sem nenhum grande defensor em uma das potências defensivas da temporada, montando uma marcação coletiva que permitiu ao time não ter que se matar por ser incapaz de pontuar com regularidade, além de tornar Andrew Bogut finalmente uma peça central - tanto na defesa quanto no ataque. Com o Bucks nos playoffs e vencendo partidas cruciais mesmo sem o pivô, e tendo na armação um novato afobado, o Skiles merecia esse prêmio mais do que ninguém.

Mas agora eu posso parar de chorar ou reclamar um pouco. Ao ver o Thunder sair de quadra ontem com a vitória, fiquei convencido de que o Scott Brooks mereceu o prêmio, pelo menos um pouco. Muito se falou sobre a inteligência do Durant em decidir ir pegar rebotes na última partida, em como o Lakers não estava agressivo, em como o Kobe não estava "em dia de Kobe", mas em cada um desses aspectos só consigo ver méritos do técnico do Thunder. Então, na primeira babação de ovo da história do Thunder que não será direcionada ao Kevin Durant, vamos dar uma olhada nas coisas que o Scott Brooks tirou da manga.

1. Rebotes para Kevin Durant

O Lakers começou a partida destruindo, e nenhuma bola do Kevin Durant estava caindo. Isso foi suficiente para o placar iniciar com um 10 a 0, que em algumas culturas obrigaria o perdedor a passar por baixo da mesa. Depois do jogo o Durant disse que seus arremessos não estavam caindo e que então ele resolveu ajudar o time em outras coisas, especialmente nos rebotes, saindo de quadra com absurdos 19 rebotes. Mas isso é balela, o Durant se aproveitou para sair de quadra com a pose Cavaleiro do Zodíaco de "eu ajudo meus amigos" quando, na verdade, foi o time que lhe permitiu isso. Não tenho dúvidas de que os 19 rebotes do Durant foram programados na prancheta horas antes do jogo começar.

Funciona assim: o garrafão do Thunder é uma merda. Então grande parte da tática defensiva do time é forçar o Lakers a arremessar de três pontos ao invés de deixá-los jogar debaixo da cesta. Após o arremesso, o garrafão do Thunder não tenta lutar pelos rebotes. Ao invés disso, empurram o garrafão do Lakers para fora, o famoso "box out". Quando Kevin Durant não está marcando o Kobe, é ele o responsável por usar sua altura e coletar o rebote com Gasol e Bynum desequilibrados, distantes da cesta. A grande vantagem dessa tática, além de manter dois jogadores de garrafão com a tarefa exclusiva de torrar o saco de Bynum e Gasol, é que a bola já fica nas mãos do Durant e portanto o Thunder não tem que sofrer como um condenado para fazer com que a bola chegue em sua estrela. O Artest está fazendo um trabalho sensacional negando a bola de chegar no jogador do Thunder, então garantir que o Durant possa chegar na quadra de ataque batendo bola, já com a posse dela em mãos, é essencial para que as movimentações ofensivas do time fluam com mais facilidade.

2. A proteção de garrafão

Não foi apenas nos rebotes que o Thunder fez um bom trabalho no garrafão defensivo. Marcações duplas em Bynum e Gasol e um congestionamento desgraçado embaixo do aro foram aos poucos desencorajando o Lakers a chegar tão perto para atacar. Além disso, Nick Collison foi espetacular numa função pouco notada: cavar faltas de ataque. Durante a temporada regular, o jogador (que é um dos meus favoritos dentre os mequetrefes) foi o segundo colocado em número de faltas de ataque cavadas, perdendo apenas para o Jared Jeffries do meu Houston. Em parte isso é talento do jogador, mas o dedo do técnico é crucial. Assim como o Houston com Yao Ming joga afunilando a defesa em direção ao centro do garrafão (onde está o Yao e o arremesso será contestado ou atrapalhado por um gigante amarelo), Scott Brooks afunilou a defesa do Thunder em direção ao Nick Collison e seu poder mutante de cavar faltas de ataque. Impedir que Gasol e Bynum possam pegar a bola de costas para a cesta nas laterais do garrafão e aí jogar no mano-a-mano é essencial, jogando no centro do garrafão eles podem ser alvo mais rapidamente de marcações duplas. E a gente sabe que o Gasol não é fã de muita bagunça ou contato.

3. Ritmo de jogo

A ordem no Thunder desde a primeira posse de bola foi "corra pela sua vida". Não vi o Thunder correr tanto para o ataque em nenhum outro jogo da temporada, e o resultado a princípio foi desastroso. Foram arremessos precipitados, gente batendo cabeça rumo à cesta e o Durant errando um arremesso idiota atrás do outro no medo de deixar o Artest chegar muito perto. Parecia uma ideia idiota, mas como todas as ideias idiotas do mundo ela é genial a partir do momento em que dá certo. O Lakers entrou nesse jogo veloz em que as posses de bola tem pouco valor, e aí ninguém quer ter paciência de colocar a bola dentro do garrafão e esperar o Gasol conseguir o lugar de que ele mais gosta na quadra para jogar de costas para a cesta. Ao invés disso, frente a um garrafão congestionado (por um monte de jogadores ruins, olha que divertido), o Lakers começou a arremessar de longe em posses de bola bem estúpidas. Com o passar do jogo, a velocidade do Thunder e escalações mais baixas e leves obrigaram o Phil Jackson a colocar um Lakers mais baixo em quadra, jogar sem Gasol e Bynum juntos, e aí o time de Los Angeles desistiu mesmo de jogar perto da cesta. Foi o ritmo de jogo imposto pelo Scott Brooks, associado à defesa de garrafão e a proteção dos rebotes para o Durant, que acabou forçando o Lakers a chutar 31 bolas de três pontos no jogo. Parecia time brasileiro!

4. Agressividade

Além do jogo exageradamente veloz, a ordem foi atacar a cesta. O Lakers desistiu de jogar no garrafão rápido, enquanto o Thunder não parou de atacar a cesta. A ideia é simples: se o Fisher é o elo mais fraco da marcação do Lakers, então o Westbrook tinha a obrigação de correr como um condenado, deixar o Fisher para trás e partir para uma bandeja ou enterrada. Do mesmo modo, o Durant sai no lucro se parar de tentar arremessar por cima do Artest e, ao invés, tentar partir na velocidade para dentro do garrafão. O Artest é mais lento do que ele, mas isso não é o mais importante: o essencial é que em movimento o Durant tem mais chances de cavar faltas (em cima do Artest ou dos outros defensores) do que se ele parar na linha de três e arremessar o dia inteiro. No começo do jogo pareceu meio imbecil ver o Durant tentando bater para dentro, mas depois começou a dar resultado: a defesa do Lakers começou a temer a infiltração nos contra-ataques e com isso surgiu espaço para um monte de bolas de três pontos na transição (coisa que o Mavs adora tanto fazer). Quem mais se beneficiou com isso foi o James Harden, que claramente arremessa melhor e produz mais nesse jogo de correria. Titio Don Nelson está de olho em você, rapaz.

O técnico Phil Jackson usou a diferença de lances livres para reclamar da arbitragem, dizer que os juízes estão favorecendo Durant e seus amigos. Eu uso a diferença de lances livres para provar que todo o plano de jogo do Scott Brooks foi um sucesso absoluto. O Lakers cobrou 12, o Thunder cobrou 34. E no primeiro tempo o Lakers não havia cobrado lances livres ainda, foi ridículo. Fobia de garrafão de um lado (aquela doença que o Rasheed Wallace espalha por aí), jogo de velocidade forçando as infiltrações do outro. O Thunder jogou um pouco fora do seu plano usual, mas forçou o Lakers a jogar ainda mais longe do plano a que está acostumado.

5. Defesa no quarto período

Recebendo menos marcações duplas durante a partida, o Kobe arremessou muito mais nos três primeiros períodos de jogo - e arremessou bem. A defesa do Thunder estava focada no garrafão, forçando o Lakers a arremessar de fora - e errar - e o Kobe, que acerta os arremessos de três pontos, se beneficiou disso. Tudo dentro do planejado, porque quando o Thunder virou o jogo (quando o Kobe sentou, o Lakers pirou), a defesa da equipe de Oklahoma mudou completamente. Ao invés de deixar o Durant nos rebotes defensivos como estava durante todo o jogo, já que ele podia ficar mais perto do garrafão por marcar o Artest (e desafiando o ala do Lakers a arremessar, que é seu ponto fraco), no final do jogo com o Thunder na frente a escolha do Scott Brooks foi colocar o Durant no Kobe. E tivemos mais uma daquelas descobertas bizarras de talento, tipo quando colocaram o LeBron apenas para marcar o Tony Parker e descobrimos que ele é um defensor absurdo quando não tem que atacar, ou quando o Kobe na seleção americana decidiu que não precisava pontuar e que iria focar seu jogo na defesa, mostrando que é um dos melhores na função. O Durant tem braços compridos demais, e pernas rápidas demais, para que o Kobe possa arremessar por cima dele. É o defensor perfeito para o Kobe, que errou arremesso atrás de arremesso no quarto período com o Durant em cima dele, inclusive tomando um toco decisivo do moleque. Na frente no placar, o Thunder teve Durant marcando o Kobe, parou de correr com a bola, tomou conta da posse de bola. Era a chance do Lakers fazer o mesmo, jogar no garrafão, mas no quarto período e atrás no placar o Lakers só quer saber de colocar a bola nas mãos do Kobe para arremessos decisivos. Mais espetacular do que o plano de jogo do Thunder na partida foi essa mudança genial no final do jogo, demonstração óbvia de que o Scott Brooks sacou todos os problemas do Lakers. Falta ao Thunder talento, o Jeff Green tem vezes em que não joga nada, o garrafão é quase inexistente, mas entender tanto assim o adversário costuma dar resultados. Apesar de ser apenas uma vitória até agora, aposto no Thunder para dar um baita de um sufoco nesse Laker, mais exposto em suas fraquezas do que em qualquer outro momento dos últimos anos. Sorte que eu cheguei - tarde mas cheguei - pra ver esse duelo tático acontecendo. Se as outras séries que não acompanhei até agora forem tão divertidas, vou agradecer todos os dias por estar de volta à internet!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Os tocos de Zach Randolph - 09/10

Denis aprendendo a mexer no photoshop + mau gosto + Zach Randolph


Esse é mais um post tradicional de todo fim de temporada. Deixamos na barra lateral durante todo o ano um contador de tocos que conta (um contador que conta, uau!) o número de tocos do Porpeta Randolph, do super atlético Steve Nash e do mediano Josh Smith.

Pelo terceiro ano seguido o Josh Smith venceu, uma surpresa! Mas ficamos felizes que o nosso contador tem surtido efeito nos jogadores envolvidos. Assim como o Ray Allen meteu 7 bolas de três só porque eu disse no Twitter que o Jamario Moon tava arremessando melhor que ele, Nash e Randolph resolveram se vingar da nossa tiração de sarro e tiveram desempenhos épicos nessa temporada.

Com 12 tocos em toda a temporada, média de 0,2 por jogo, Steve Nash igualou a sua melhor marca na carreira, alcançada na temporada 2005-06. Já Randolph, com 34 tocos, média de 0,4 por partida, teve sua segunda melhor marca na carreira, atrás apenas dos 41 tocos na temporada 2003-04, e superando com muita folga os míseros 16 tocos da temporada passada.

E a pergunta que sempre respondemos nesse post anual é: Quem foram os imbecis que tomaram toco de Steve Nash e Zach Randolph?

Começamos com o Zach Randolph, aqui estão suas 34 vítimas:
Luis Scola (3 vezes)
Chris Bosh (2 vezes)
Stephen Jackson (2 vezes)
Kobe Bryant (2 vezes)
Tyler Hansbrough (2 vezes)
Omri Casspi
Chris Kaman
Charlie Bell
Jodie Meeks
Shaquille O'Neal
Mario Chalmers
TJ Ford
JR Smith
Antawn Jamison
Channing Frye
Wesley Matthews
Jason Richardson
Rodney Stuckey
Jason Maxiell
Trevor Ariza
Al Jefferson
Andrew Bynum
Pau Gasol
Andray Blatche
Tracy McGrady
Juwan Howard
Toney Douglas
Shawn Marion

O que sempre me surpreende nessas listas do Randolph é como ele sempre dá toco em uns caras muito fodas! Ele fez a rapa no meu Lakers conseguindo dar dois tocos no Kobe, um no Gasol e um no Bynum! E contra o Rockets do Danilo deu outra surra, com três tocos no Scola e mais um no Trevor Ariza. Tem alguma dúvida de que ele lê o Bola Presa e se motiva pelo nosso contador?

Outra coisa que me chamou a atenção é que foram 6 tocos só em novatos, será que a pivetada já chega na liga subestimando o Zach só porque ele é obeso? Se ferraram! E legal que os dois tocos no Tyler Hansbrough foram na mesma jogada, o Psycho-T tomou um, pegou a bola, subiu e tomou outro, isso deve ser a coisa mais humilhante de se tomar na NBA. Quer dizer, tirando isso aqui.

Agora o Steve Nash, vamos às suas vítimas
Kenyon Martin (2 vezes)
Monta Ellis
Caron Butler
Louis Williams
Chris Duhon
Mo Williams
Beno Udrih
Mike Conley
JR Smith
Deron Williams
Aaron Brooks

Mano, velho... Kenyon Martin? Duas vezes? Mentira. Cadê os vídeos no YouTube pra provar? E sabe o que é pior, o Kenyon Martin já tinha sido um dos 10 manés que tinham tomado toco do Nash no ano passado! Ou seja, dos 22 tocos que o Nash deu nas últimas duas temporadas, o K-Mart tomou 3 deles, o único outro repetente foi o Mo Williams.

Curioso que além do K-Mart só o Caron Butler não joga como armador ou tem tamanho de armador, ou seja, ele é muito fracassado.

Para ver as vítimas de Z-Bo e Nash na temporada 2008-09, clique aqui.
Para ver quem foram os coitados da temporada 2007-08, clique aqui.
Para conhecer o site mais legal da internet, clique aqui. Do a barrell roll!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Duelos pessoais

Deron, assoprar o Billups não vai deixar seu trabalho mais fácil

A defesa na NBA já foi feita só no mano a mano, até uns bons anos atrás os times não podiam fazer defesa por zona para tentar lidar com jogadores que não conseguiam ser parados, era ilegal. Mas mesmo agora que a zona é aceita pelas regras da liga, a cultura da NBA ainda é a de deixar os jogadores lidarem individualmente com seus adversários. A defesa por zona existe, mas é mais um recurso a ser usado em momentos específicos do jogo, contra alguns jogadores em especial, do que algo cotidiano.

Isso faz com que um ou outro jogo possa ser decidido só pelo fato de um cara ter características que não conseguem ser defendidas pelo seu marcador individual do outro lado. Situações assim acontecem durante toda a temporada, mas ficam mais expostas durante os playoffs, quando os jogos ganham mais atenção e os times se enfrentam por até 7 vezes seguidas.

Listo e comento aqui alguns dos duelos individuais que já começaram a decidir algumas das séries de primeira rodada.

Kevin Durant x Ron Artest
Esse duelo é decisivo porque o Thunder depende muito do Durant para marcar pontos. Quando ele tem dias ruins ou quando não consegue arremessar, ao invés de rodarem uma jogada para outro jogador, insistem até o fim em conseguir colocar a bola nas mãos do Durant. Não dá pra culpar eles, essa estratégia deu certo durante os 82 jogos na temporada regular.

Assisti a muitos jogos do Thunder nessa temporada porque o time é bastante empolgante, divertido de assistir, e posso dizer com muita segurança que ninguém sacou tão bem como o Artest o que é necessário para marcar o Durant. O segredo está em impedir que o Durant receba a bola onde quer, forçando ele a ter que passar por milhares de cortas até receber a bola só no meio da quadra. Depois que ele recebe é difícil de pará-lo porque ele é parente do Tayshaun Prince e tem braços gigantes que fazem ele arremessar por cima de qualquer marcador. Não preciso dizer que tem muito defensor na NBA que sabe dessa teoria e nunca conseguiu colocar na prática.

Sem o Durant marcando os pontos, o Thunder parece um pouco perdido, mas já melhorou bastante no jogo 2 em relação ao jogo 1, principalmente porque o Russell Westbrook é o segundo melhor jogador do time e sabe se virar sozinho. Mas jogar melhor não quer dizer que o Thunder vai ser capaz de vencer um jogo do Lakers enquanto o Durant não souber como se livrar do Ron Ron e seus cabelos loiros.


Al Horford x Kurt Thomas
No preview dessa série eu disse que o Horford ia ter que provar que era um ótimo jogador e mostrar o porquê de ter sido chamado para o All-Star Game desse ano. O duelo entre Bucks e Hawks no perímetro era bem nivelado e a grande diferença nos elencos era que o Bucks havia perdido o Andrew Bogut, seu pivô. Se o caminho mais fácil para a vitória do Hawks era pelo garrafão, era a hora do Horford ser mais utilizado no ataque.

O Atlanta percebeu isso e nos dois primeiros jogos da série o Horford foi parte atuante do sistema ofensivo do time. Geralmente as bolas ficam entre Joe Johnson, Mike Bibby e Jamal Crawford, sobrando para o Horford apenas em algumas trocas de marcação. Mas agora não, isolam ele lá no meio algumas vezes e deixam ele se virar contra o Kurt Thomas, e tem dado muito certo!

Se o Bucks quer levar essa série a 7 jogos e salvar a minha previsão que parece cada vez mais furada, o Kurt Thomas precisa segurar o Horford, tanto nos pontos quanto nos rebotes. O problema é que provavelmente o Thomas até sabe como fazer isso, mas seu corpo idoso não responde, só pede por sopa e palavras-cruzadas.


Deron Williams x Chauncey Billups
Uma coisa bem legal desse duelo é que o confronto entre Nuggets e Jazz é muito imprevisível. Porque mesmo se o Durant jogar muito, ainda seria uma zebraça se o Thunder eliminasse o Lakers, fazendo o duelo entre Artest e Durant divertido, foco da série, mas não como o grande fator de decisão. Mas já nessa série, com os dois times tão nivelados, a atuação dos armadores pode ser muito bem o que vai decidir o classificado.

Embora nenhum dos dois tenha jogado mal até agora, quem jogou ainda melhor foi quem levou o jogo pra casa. Na primeira partida o Billups foi o maestro do Nuggets, distribuindo bolas para o Carmelo Anthony e o JR Smith arrasarem no quarto período, já no jogo 2 foi a vez do Deron Williams não só acertar todos os arremessos decisivos para o Jazz como também impedir que o Billups fizesse os seus.

Nenhum dos dois é muito melhor que o outro e nem tem características muito diferentes. Ambos são fortes, gostam de abusar dessa força quando enfrentam armadores mais baixos ou mais fracos, os dois tem bons arremessos e gostam de segurar bastante a bola durante a posse de bola do seu time, esperando e assistindo a movimentação dos seus companheiros. Essa semelhança dá um charme especial ao duelo e o tempo que cada um passa com a bola em mãos comprova o quanto esse duelo pessoal pode e deve ser o principal fator de decisão para essa série.


Nowitzki x Todo mundo no Spurs
Enquanto escrevo esse post o Spurs está enfrentando o Mavs no jogo 2 da série. No primeiro o Nowitzki só errou dois arremessos, fez 36 pontos e destruiu todos os seus marcadores, desde os nanicos Keith Bogans e Richard Jefferson até Antonio McDyess e Tim Duncan, alguns eram muito baixos, outros pareciam muito lentos ou perdidos demais pra marcar o Dirk no perímetro. Sempre que o Spurs ameaçava apertar o jogo era só jogar a bola no Nowitzki que ele fazia uns pontinhos e mantinha o Mavs na frente.

No jogo que estou vendo agora a história é outra. Sem Dirk, com duas faltas nos primeiros dois minutos de jogo, o Spurs abriu 10 pontos de vantagem. Depois o alemão voltou, mas foi como se não tivesse voltado, porque não acerta um arremesso nem que sua vida dependesse disso. Não que esteja sendo bem marcado, ele já perdeu vários arremessos livre ou com a marcação distante, mas essa atuação abaixo da média dele está sendo traduzida em uma vantagem de 16 pontos para o Spurs!

Isso mostra que se o San Antonio arranjar algum jeito mais seguro de parar o Nowitzki, eles tem muitas chances. Só que ele não vai arremessar tão mal todos os jogos se não for bem marcado, então eles precisam de qualquer um para fazer esse trabalho até o fim da série. Sem os pontos dele o Dallas é muito menos eficiente no ataque, o time perde confiança e aí o Spurs pode fazer o jogo de placar baixo e ritmo lento de que tanto gosta. Claro que no jogo de hoje ajuda o fato do Richard Jefferson estar fazendo o melhor jogo dele na temporada pelo Spurs, mas isso já é outra história.

Vou acabar o post antes do jogo terminar, mas se o Dallas virar com o Nowitzki acertando seus arremessos será a prova de que o duelo de qualquer um versus o Dirk é o que vai decidir se o Spurs consegue ou não passar pelo Mavs. Se o Dirk continuar mal vamos ver no próximo jogo se eu estou certo e ele volta a jogar como antes, derrotando o Spurs, ou se é alguma modificação do Popovich que começou a incomodar o alemão.


Amar'e Stoudemire x Marcus Camby
Quando o Marcus Camby ganhou o troféu de melhor defensor da NBA há algumas temporadas eu reclamei bastante. Disse na época que era um prêmio dado para as estatísticas, não para o defensor. Os números de rebotes e tocos do Camby impressionavam, mas isso não queria dizer que ele defendia bem no um contra um, e ser bom só em rebotes e na cobertura é útil, mas não o bastante para alguém ser eleito o melhor defensor da liga.

Ainda acredito nisso tudo e acho aquele prêmio ridículo, mas o Marcus Camby me impressionou no primeiro jogo da série contra o Suns. Ele marcou o Amar'e Stoudemire por boa parte do jogo e foi essencial para que o ala do Suns, que estava com média de quase 30 pontos nos últimos meses, acabasse com apenas 18. Sem o Amar'e o Suns foi obrigado a ver o Nash arremessando mais do que queria e, já que estão também sem o Robin Lopez, se concentrassem unicamente no perímetro, não no garrafão.

Com Amar'e Stoudemire anulado por Camby, o Suns parece um time capenga como o próprio Blazers com seus desfalques, deixando a série sem um favorito lógico. Eu não esperava por essa marcação tão eficiente do Camby e por isso apostei em vitória tranquila do Suns, agora minha previsão e o classificado na série está nesse duelo pessoal.


Daria para colocar alguns outros duelos nessa lista, como o Andre Miller contra o Jason Richardson, Dwyane Wade contra Ray Allen, Carlos Boozer contra Kenyon Martin e ainda outros, mas acho que consegui listar os que pareceram ser mais decisivos após esses primeiros jogos de playoff. Qual outro você teria colocado?
........

Para os desinformados: Sairam os primeiros prêmios da temporada
Scott Brooks, técnico do Thunder, foi eleito o técnico do ano e Dwight Howard é pela segunda vez seguida o melhor defensor da NBA. Dá pra ver o placar inteiro de votação para defensor do ano nesse link e para o de técnico nesse aqui.

No placar geral do prêmio de defensor é interessante ver como a fama ainda influencia umas pessoas, o Ben Wallace ganhou um voto de terceiro lugar! Acabou empatado com caras que ainda são grandes defensores hoje em dia, como Kendrick Perkins, Kenyon Martin e Matt Barnes. Como diria o Fahel, quem vive de passado é o Pelé e o Ben Wallace. E seguindo a lógica desse placar, o time de defesa do ano deve ser Rajon Rondo, Gerald Wallace, LeBron James, Josh Smith e Dwight Howard, eu não votaria diferente disso!

No de técnicos eu fiquei feliz em ver o Scott Skiles em segundo lugar, o que ele fez com esse time do Bucks não só merecia um prêmio mas também uma estátua e feriado nacional.

domingo, 18 de abril de 2010

Preview dos playoffs - Parte 4

Chegamos ao fim do nosso preview da primeira rodada com as séries entre Mavs/Spurs e Suns/Blazers. Os outros previews estão nos posts abaixo, que você pode acessar também por esses links:




Dallas Mavericks x San Antonio Spurs


O que o Mavs precisa fazer para vencer:
Todo mundo fala que o Spurs é perigoso nos playoffs, que nessa hora é diferente, mas esquecem que o Dallas sabe muito bem disso e não se assusta mais. Desde a temporada 2000-01 apenas dois times foram capazes de eliminar o Spurs nos playoffs, o Lakers (2001, 02, 04 e 08) e o Mavs (06 e 09), em 03, 05 e 07 eles não perderam pra ninguém e foram campeões.Então sim, é verdade, o Spurs sabe jogar playoffs, mas não é como se o Mavs fosse um freguês, eles já passaram pelo Spurs antes e dessa vez ainda tem a vantagem do mando de quadra.

Tirando esse mito de cima do Spurs, vamos ao jogo de verdade. O Dallas para vencer precisa antes de tudo explorar o Dirk Nowitzki. Em anos anteriores o alemão sofria quando era marcado pelo Bruce Bowen, que mesmo sendo bem mais baixo, sabia como incomodá-lo, mas agora o Spurs não tem mais ninguém para pará-lo. Se colocarem o Duncan em cima do Dirk ele sai do garrafão e joga no perímetro, onde ele até prefere e incomoda mais o Duncan, sobram para o trabalho caras como McDyess, Richard Jefferson, DeJuan Blair e até o Keith Bogans, nenhum com as características ideais para marcar o Nowitzki, não é à toa que ele tem média de quase 30 pontos por jogo na temporada contra o Spurs.

Esse matchup do Nowitzki é a chave, mas não é tudo, o Dallas precisa saber atacar a cesta e não ficar só no velho vício que às vezes reaparece de só dar arremessos de longa distância. Apenas com as infiltrações do Caron Butler e os rebotes ofensivos do Haywood e do Dampier é que o Dallas irá abusar da falta de um pivô natural que o Spurs tem. Por fim está a marcação sobre Manu Ginobili, se o Spurs foi um dos bons times do fim de temporada foi porque o Manu jogou como uma super estrela, então é bom que o Caron Butler consiga segurar o argentino pelo menos um pouco, ou que o Dallas consiga chegar no fim dos jogos vencendo, porque com o placar empatado a vantagem é do Spurs, poucos caras na NBA sabem fechar jogos como o Ginobili.

O que o Spurs precisa fazer para vencer:
O domínio do Nowitzki na série desse ano foi muito óbvio, eles vão ter que achar um jeito de pará-lo. Na falta de um marcador ideal talvez a melhor coisa seja a variação. Começa-se o jogo com o pesado McDyess, depois coloca-se o baixinho do Bogans e minutos depois já tenta-se o DeJuan Blair, depois podem começar a dobrar a marcação sempre que ele pegar na bola, depois xingar a irmã dele e depois colocar o Duncan vestido de palhaço com uma arma na mão.
Falando sério, eles não tem um marcador nato pra ele, só variando muito e fazendo o Dirk não saber o que esperar a cada posse de bola é que vão ter alguma chance de deixar o alemão desconfortável.

No setor ofensivo eles precisam de alguém além de Duncan e Ginobili. O primeiro já não domina jogos como antigamente, vai fazer seus 20 e poucos pontos e só, o segundo vai chamar o jogo quando a partida estiver para ser decidida, mas até lá alguém tem que ajudar a manter o Spurs no jogo. Ninguém precisa virar gênio de uma hora pra outra, mas só o Richard Jefferson conseguir fazer sua primeira cesta antes do terceiro quarto (estou assistindo ao jogo enquanto escrevo!) ou o Roger Mason acertar pelo menos um arremesso de três já será uma grande ajuda.

O diferencial que ninguém espera pode ser a volta do Tony Parker. Ele está começando os jogos do Spurs no banco e o motivo é bem claro, ele não está em condições de jogo, está lento, não ataca a cesta, parece um Jordan Farmar francês. Se, de algum jeito, ele conseguir voltar à velha forma, pode maltratar o Jason Kidd com sua velocidade e causar muitos problemas, como fez o Chris Paul quando destruiu o mesmo Kidd nos playoffs de 2008.

Previsão de resultado: Mavericks 4 x 2 Spurs. O Spurs tem chance de vencer, tem elenco talentoso, grande técnico e tudo mais, mas as coisas que eles precisam fazer para bater o Mavs são bem menos prováveis de acontecer do que as que o time de Dallas precisa. Levando em consideração os últimos meses da temporada, o Mavs está bem mais próximo do ideal para vencer essa série.


Phoenix Suns x Portland Trail Blazers


O que o Suns precisa fazer para vencer a série:
Do jeito que eles acabaram a temporada, atropelando todo mundo, a única coisa que eles precisam fazer é jogar como se fosse mais um jogo de temporada regular. O ataque está funcionando à perfeição, o Steve Nash está entrosado com todo mundo e nem a perda do Robin Lopez, que tinha entrado muito bem no time titular, tem feito tanta falta.

O grande ajuste que o Suns deve fazer para essa série é em relação ao Andre Miller. Como o Blazers não vai ter o Brandon Roy, que operou o joelho, ele vai ser o foco do ataque, tudo irá começar das suas mãos o tempo inteiro. Como o Nash é terrível na defesa, talvez fosse melhor para o Suns arranjar alguém (Jared Dudley, talvez?) para ser o encarregado de marcar individualmente o armador do Blazers.

Executando o ataque como estão acostumados e não sendo machucados pelo Andre Miller, o Suns deve passear nessa série. O Blazers é um timaço mas é impensável vê-los vencendo uma série inteira de playoffs sem o Roy.

O que o Blazers precisa fazer para vencer a série:
Milagre. Durante 7 jogos eles precisam dar um jeito de segurar o melhor ataque do final da temporada regular, o Steve Nash inspiradíssimo e principalmente o Amar'e Stoudemire, que foi o melhor jogador de garrafão do final da temporada, com sobras. Ao mesmo tempo em que fazem isso precisam que caras como LaMarcus Aldridge, Martell Webster e Andre Miller chamem a responsabilidade ofensiva em todos os momentos do jogo, até no quarto período, quando era o Brandon Roy que mandava no time.

Em alguns jogos, principalmente em casa, vemos o LaMarcus Aldridge levando vantagem no garrafão ofensivo ou o Webster acertando trocentas bolas de 3 pontos, mas terão que fazer isso com consistência, não vai ter folga. Também precisarão contar com a ajuda dos jogadores do banco, como o Jerryd Bayless e Rudy Fernandez. Não tenho dúvida de que todos eles são bons, mas lembra nos playoffs do ano passado contra o Rockets como a maioria desses mesmos jogadores caiu demais de produção e ficou tudo nas costas do Roy? Não dá pra apostar que vão fazer muito diferente nessa temporada.

Previsão de resultado: Suns 4 x 1 Blazers. Pode ser 4 a 2 se os coadjuvantes do Blazers atuarem melhor do que no ano passado, porque vontade para vencer não falta pra eles mesmo com mil contusões. Mas não é o bastante contra o Suns que está na sua melhor fase dos últimos anos.

Preview dos playoffs - parte 3

Domingo, dia de sujar a roupa com molho de tomate e de acompanhar a estréia de mais 8 times nos playoffs de 2010. Ontem analisamos as séries entre Cavs/Bulls e Bucks/Hawks na parte 1 e Celtics/Heat e Nuggets/Jazz na parte 2. Começamos hoje com os dois primeiros jogos da rodada, Lakers/Thunder e Magic/Bobcats.


Vamos ao trabalho, crianças!

Los Angeles Lakers x Oklahoma City Thunder


O que o Lakers precisa fazer para vencer:
Foram 4 jogos na temporada entre as duas equipes, o Lakers venceu 3 partidas bem disputadas e tomou uma sacolada na última. Em todos os jogos o Thunder usou a mesma tática, colocou o ótimo Thabo Sefolosha grudado no Kobe e sempre dobrou a marcação quando qualquer um dos pivôs do Lakers chegava perto da cesta.

A pressão no Kobe fazia ele não conseguir passar muito tempo com a bola na mão e a marcação dupla no garrafão forçava turnovers e passes para fora, para arremessos de 3 pontos, parte do jogo que o Lakers não tem feito bem em toda a temporada. O caminho para superar essas dificuldades é a paciência. A marcação dupla muitas vezes força um passe para fora, mas se as bolas não caírem de novo, o time pode colocar a bola de novo no garrafão ou ir para a infiltração, ou tentar um pick-and-roll, são inúmeras as possibilidades. O Lakers tem muitos jogadores bons, quase todos bem versáteis e o sistema de triângulos pede que o time seja esperto e saiba ler a defesa antes de movimentar a bola. É só seguir o script e não se desesperar que o Lakers leva a série sem dores de cabeça.

O problema é que nos jogos da temporada regular, mesmo com as vitórias, o Lakers não manteve a calma. O time ficou muito frustrado com a defesa pentelha do Thunder e forçou muitos arremesses e jogadas individuais sem sentido. A movimentação de bola, junto com o estabelecimento do jogo de garrafão (que passa pela volta do Bynum de contusão), vão decidir se o Lakers vai sofrer ou não contra o jovem time dos ladrões de franquia.

O que o Thunder precisa fazer para vencer:
O Lakers tem mais talento, mais elenco e um garrafão infinitamente superior, a primeira coisa que o Thunder precisa fazer é dar um jeito de não ser trucidado nos rebotes. Não adianta nada defender bem se o Lakers tiver duas ou três chances a cada posse de bola. Nisso o Nick Collison e o Serge Ibaka vão ter que se superar, senão já era.

Mas não é só em defender o poderoso ataque do Lakers que o Thunder terá problemas. O Kevin Durant é lindo, é fantástico, foi o jogador mais jovem da história a ser o cestinha de uma temporada e todos nós amamos ele, mas nos 4 jogos contra o Lakers nessa temporada a sua média não foi de 30 pontos, mas de "apenas" 25. Somente nos jogos contra Mavs, Magic e Rockets ele teve números piores que esses. E o aproveitamento de 19% nas bolas de 3 é o pior entre todas as equipes! Ou seja, Ron Artest está merecendo seu salário. No primeiro jogo entre os dois times em especial, o Durant estava fazendo chover até começar o quarto período, quando o Artest não deixou ele respirar. Se o Thunder quer ter uma chance de ser o Warriors da vez, o Durant tem que arranjar um jeito de superar a marcação do Ron Ron, seja lá que jeito seja esse.

Por fim, uma boa saída para os momentos em que o Durant estiver com dificuldades para marcar seus pontos é usar bastante o Russell Westbrook. O Lakers tem problemas em marcar armadores rápidos porque o Derek Fisher é um senhor de idade e o Westbrook não é só veloz como bem forte e pode lidar com o garrafão forte do Lakers. As infiltrações dele também podem ser um bom jeito de deixar outros jogadores livres, único jeito de envolver caras como Collison e Sefolosha, importantes na defesa, também no ataque.

Previsão de resultado: Lakers 4 x 1 Thunder. O time é jovem, bom, empolgante e merece toda a babação de ovo que tem recebido, mas nenhum time sem pivô vai derrotar o Lakers nesses playoffs. E tiveram azar em pegar um dos melhores marcadores do Durant logo na sua estréia nos playoffs, deve dar Lakers.


Orlando Magic x Charlotte Bobcats


O que o Magic precisa fazer para vencer:
Sabe contra quem o Dwight Howard fez a sua única cesta de três na carreira? Contra o Bobcats. Sabe contra quem o Dwight tem maior média de rebotes em toda a carreira? Contra o Bobcats, 15,2 por jogo. Também é contra o Bobcats a quarta maior média de pontos do Superman e é o Bobcats um dos 5 times a sofrer com aproveitamento de mais de 60% dos arremessos do Dwight ao longo de sua carreira.

Não sei o motivo dessa fixação, mas o Dwight sempre trucidou com o Bobcats desde o seu primeiro ano. Ele chegou na NBA em 2004 como primeira escolha, a segunda foi o Emeka Okafor, do Bobcats, e esperavam uma grande rivalidade entre os dois. Mas não deu certo, o Dwight levou isso a sério mas o Okafor nunca teve chance, foi sempre um massacre. Em 24 jogos entre as duas equipes desde que Dwight e Bobcats chegaram na NBA foram 16 vitórias do Orlando Magic.

Quero dizer com isso tudo que o Magic tem o número do Bobcats, eles sabem o que fazer contra o time desde sempre e não vão ter grandes problemas pra fechar essa série. O Vince Carter vai ter dificuldades contra a marcação do Stephen Jackson e do Gerald Wallace, o Rashard Lewis não vai achar um garrafão lento pra poder abusar, mas eles souberam lidar com isso até hoje e ninguém no Bobcats tem a menor idéia de como segurar o Dwight Howard. O Magic foi o melhor time da NBA nos últimos três meses e só precisa jogar do mesmo jeito, com a mesma dedicação defensiva e ataque paciente para passar para a próxima fase.

O que o Bobcats precisa fazer para vencer:
A que tudo indica, o Tyson Chandler, eterno machucado, pode estar de volta para a primeira partida de playoff da história do Bobcats. A presença dele, junto com a do Nazr Mohammed, é essencial para o Bobcats conseguir frustrar o Dwight Howard no ataque. Se eles conseguirem encher bastante o saco dele e forçar o pivô do Orlando àqueles jogos em que ele só tenta uns 7, 8 arremessos, está ótimo.

Porque sem a presença dele no ataque o Magic é forçado a usar suas armas de perímetro, como Jameer Nelson, Vince Carter e Rashard Lewis, jogadores que vão estar sendo marcados pela elite defensiva do Bobcats, Ray Felton, Stephen Jackson e Gerald Wallace. O Bobcats não vai conseguir ir longe se cair no ritmo rápido do ataque do Magic, precisa defender forte e deixar o ritmo no estilo Larry Brown, bem devagar e com o ataque lento e bem pensado.

No setor ofensivo uma coisa é certa, eles não vão longe sem o Stephen Jackson. Se ele não estiver em um dia bom, pode esquecer, se resolver carregar o time nas costas, eles tem uma chance. Mas como ninguém leva um time nas costas por 7 jogos, eventualmente outros caras vão ter que ajudar, seja o Gerald Wallace nos contra-ataques, o Felton com seu jogo meio preguiçoso ou até o DJ Augustin, melhor arremessador de 3 da equipe que aos poucos vai ganhando minutos. O Magic não é famoso pela defesa como é pelas bolas de 3 pontos mas mesmo assim defende muito bem, é certamente uma das três melhores defesas da NBA, a movimentação de bola e a calma no ataque vão ser muito importantes para o ataque do Bobcats não empacar.

Previsão de resultado: Magic 4 x 1 Bobcats. O Bobcats é bom demais em casa e talvez até consiga vencer os dois jogos em Charlotte, mas o Magic está jogando com tanta confiança nos últimos meses que acho que vão se dedicar e jogar com cuidado o bastante para nem dar chance do Bobcats se animar muito.