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quinta-feira, 24 de março de 2011

Um mês depois

JR Smith não entende esse troço de "coletividade" que comentam agora no vestiário


Muita atenção está sendo dada para o fato do Denver Nuggets estar com uma campanha muito melhor do que a do New York Knicks depois da troca do Carmelo Anthony. Mas eu só não sei se as pessoas estão dizendo isso para zoar com o Knicks, já que todo mundo ultimamente parece ter criado um gostinho especial em odiar equipes que fazem tudo por superestrelas, ou se é porque realmente achavam que o Knicks seria melhor que o Nuggets. Eles não eram antes, não são agora e não dá pra saber se serão no futuro.

O Knicks deixou bem claro nessa troca que o que eles queriam era juntar Carmelo Anthony com Amar'e Stoudemire, o resto do time eles dariam um jeito de conseguir depois. O único jogador além de Amar'e que eles não estavam dispostos a mandar era o Landry Fields, de resto topariam mandar tudo e foi o que fizeram. Danilo Gallinari, Wilson Chandler, Raymond Felton e Timofey Mozgov todos foram titulares no time durante toda ou algum período da temporada em Nova York, não dá pra perder todo um time assim de uma vez no meio do campeonato e esperar que tudo vai ficar bem. O plano deles era para o futuro e só no futuro vamos poder julgar com mais convicção se a decisão foi boa ou ruim, tudo vai depender de novas contratações no próximo ano e de treino, muito treino.

Um dos problemas do Knicks nos últimos jogos tem sido o desempenho no quarto período, e não é por acaso e nem porque seus jogadores são amarelões, muito pelo contrário; Chauncey Billups, Carmelo e Amar'e tem milhares de cestas importantes e decisivas nas suas carreiras para provar que sabem resolver no final. O que acontece é que com poucos treinos nesse primeiro mês de parceria eles só tem as jogadas individuais para apelar e assim fica mais fácil do adversário defender. Temos que lembrar que é no último período em que as defesas costumam ser mais fortes e é quando os times usam as suas jogadas de segurança. Que jogada de segurança tem um time que pouco treinou? Sem contar que existe o problema bem comum de equipes que tem muitos jogadores bons, todos acham que podem resolver no 1-contra-1 e se restringem a isso. Jogadores mais ou menos podem não ter treinado junto com ninguém, mas não acham que vão vencer jogos sozinhos como pensam Billups, Carmelo e Amar'e no Knicks ou LeBron e Wade no Heat, por exemplo.

Por outro lado, o Nuggets tinha tudo para melhorar. Perdeu dois jogadores bons mas ganhou outros quatro bons para as mesmas posições, sem contar que deu mais espaço para outros que já estavam lá só esperando atenção. O Ty Lawson agora pode brilhar com mais minutos e as loucuras individualistas do JR Smith parecem machucar menos o time quando ele é o único maluco individualista no elenco. Na parte tática o técnico George Karl disse que a adaptação dos novos jogadores foi fácil porque eles já conheciam muitas das jogadas e porque ele manda todo mundo sempre correr muito e jogar fácil no contra-ataque, ou seja, sem bíblias de jogadas complexas para eles aprenderem, a transição de equipe é mais tranquila. Alguém poderia argumentar que o Nuggets também deveria ter problema nos finais de partida por ter treinado pouco, mas duas coisas explicam porque isso acontece com o Knicks e não com eles:

1- O Nuggets está vencendo fácil, com diferenças gigantescas de pontos. Alguns quartos períodos eles só tiveram que administrar uma boa vantagem. Poucas vezes tiveram que lidar com jogos duros de meia quadra com adversários fortes.

2- Quando tiveram, como ontem contra o Spurs, realmente tiveram dificuldade no ataque e acabaram chutando bolas forçadas de longe. Mas compensaram defendendo muito bem! Nesse último mês o Nuggets tem números defensivos, como o de pontos sofridos a cada 100 posses de bola, muito parecidos com o Chicago Bulls, que é o Once Caldas da NBA. O Knicks, em compensação, tem uma defesa pior desde que Melo e Billups chegaram.

Números e tática à parte (só por um parágrafo), o fator psicológico tem sido importante nessa embalada que o time de Denver deu. Enquanto muita gente esperava um desmanche, ocorreu o oposto. Nenê afirmou que quer fazer carreira em Denver e negocia uma extensão de contrato, eles não trocaram imediatamente Gallinari e Chandler como especulado na época e disseram aos dois que fazem parte do futuro da equipe, mesma coisa que aconteceu com JR Smith. A saída do Carmelo criou uma sensação de alívio e união. A perda de uma estrela por várias vezes já uniu equipes, isso acontece o tempo todo. Aconteceu ano passado com a contusão do Andrew Bogut no Bucks, acontece agora com o Grizzlies sem Rudy Gay até o fim da temporada, aconteceu quase 10 anos atrás quando Antonio Davis liderou uma sequência impressionante de vitórias que levou o Raptors sem Vince Carter aos playoffs. E, por que não, foi esse sentimento que fez o Cavs sem LeBron James começar a temporada jogando tão bem. Se o elenco não fosse tão ruim e minado por contusões e se aquele jogo contra o Heat tivesse tido um resultado diferente, certamente não seriam a piada que são hoje. Em esportes competitivos e com tantos times com jogadores bons, coisas como motivação podem fazer toda a diferença.

O Dean Oliver, autor do livro Basketball on Paper, importantíssimo para o mundo das estatísticas de basquete, trabalhava com o Denver Nuggets no começo da temporada até sair do emprego semanas antes da troca do Melo para trabalhar na ESPN. Ele lembra em um artigo para o TrueHoop de uma declaração do dono do Nets, Mikhail Prokhorov, dizendo que só tentar trocar pelo Melo já havia custado muitas derrotas a seu time. A insegurança causada por ver tantos nomes diferentes envolvidos em trocas fazia o time não se concentrar e não render. Assim o Nets venceu apenas 10 jogos nas primeiras 12 semanas de temporada, então o russo disse que iria desistir de Carmelo e o time respondeu vencendo 7 das próximas 13 partidas, isso antes de conseguir o Deron Williams.

Já o Nuggets, na análise de Oliver, rendeu bem até o dia 15 de dezembro, como se nada tivesse acontecido. Essa data marcava o dia em que muitos Free Agents do último verão americano, como Raymond Felton, poderiam ser envolvidos em trocas. O Nuggets venceu 15 de 24 jogos até então. Aí os rumores começaram a ficar mais reais e o bicho pegou. Como funcionário do time, Oliver viu tudo de perto e disse que o clima no vestiário era diferente depois que os rumores ficavam mais reais e principalmente quando passaram a envolver o Chauncey Billups, herói da torcida. Nesse período o Nuggets teve 12 vitórias e 10 derrotas, com números defensivos que beiravam os piores da liga. Como já mostramos ontem, eles embalaram de novo depois da troca com 11 vitórias e 4 derrotas desde que Melo saiu.

Sem Carmelo Anthony para controlar a bola, a mídia, as atenções e os holofotes, os outros jogadores viram isso como a chance deles de brilhar e montar um time vencedor e coletivo. George Karl passou a fazer discursos enfatizando o jogo em equipe e a dedicação que cada um dava dentro de quadra, e o resultado é um time mais focado na defesa, mais esforçado, que batalha mais em quadra e que joga mais do que assiste. Voltando aos números, com Carmelo o Nuggets tinha 54% de suas cestas vindas de assistências, agora esse número subiu para 63%. É mais gente passando a bola e menos gente resolvendo por conta própria.

Também não podemos esquecer da profundidade que esse elenco tem agora. Se pensarmos no que já vimos de todos no elenco do Nuggets nos últimos anos, é bem fácil admitir que Lawson, Afflalo, Gallinari, Kenyon Martin, Nenê, Felton, JR Smith, Al Harrington e Wilson Chandler podem ter, facilmente, pelo menos uns 12 pontos por jogo. Isso dá 108 pontos por partida sem ninguém precisar acordar muito inspirado. Claro que não dá pra dividir assim tão racionalmente, mas o que eu quero dizer é que com esse elenco eles sempre vão ter opções de ataque e podem se adaptar a qualquer estilo de defesa ou sobreviver a alguém em um dia ruim. Eles perderam um cara que resolvia bem no fim dos jogos, mas ganharam muita gente que resolve em muitas outras situações. A teoria de que não dá pra ser campeão sem uma estrela pode ir contra o que eu vou dizer, mas o Nuggets é um time melhor hoje e os jogadores que recebeu foram tão bons que era uma troca que faria sentido mesmo se o risco de perder o Carmelo ao fim da temporada não existisse.

O George Karl já deu muitas entrevistas nos últimos anos e até nas últimas semanas dando a entender que não gostava do desinteresse que o Carmelo mostrava em algumas partidas, principalmente na defesa, e nem de como ele muitas vezes jogava as táticas no lixo para resolver sozinho. Isso influenciava o time de uma maneira negativa. Agora Karl vê ele mesmo como o líder da equipe e as suas atitudes cobrando defesa e coletividade têm dado resultado em quadra.

No fim das contas dá pra dizer que a troca só teve vencedores, quer dizer, pelo menos todo mundo conseguiu o que queria: O Carmelo ir para Nova York, o Knicks uma estrela de nome e o Nuggets um time de basquete melhor.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Denver Nuggets

"É a TUA mãe, aquela..."


Objetivo máximo: Uma final de Conferência
Não seria estranho: Se classificar no sufoco para os playoffs e rodar na primeira rodada
Desastre: Perder Carmelo Anthony e afundar na tabela

Forças: Um ataque muito forte
Fraquezas: Uma defesa capenga e um banco duvidoso, sem profundidade

Elenco:













.....
Técnico: George Karl

A passagem de Karl pelo Nuggets é cheia de altos e baixos. Sua fama foi sempre de treinar grandes ataques, equilibrados e com muitas armas ofensivas, mas só teve sucesso quando conseguiu montar defesas pelo menos decentes (como o Bucks de Glenn Robinson) e às vezes espetaculares (como o Sonics de Gary Payton). No Nuggets, teve muitos problemas de equilibrar o ataque, que era extremamente individualista (do tipo "quem pegar chuta"), e nunca conseguiu nada que sequer lembrasse uma defesa na equipe. Quando lidou com o Nuggets de Carmelo Anthony e Allen Iverson, a incapacidade de deixar os dois jogadores felizes e equilibrar as movimentações ofensivas fez com que perdesse o controle do time. Dizem que ninguém ouvia mais o técnico, JR Smith estava cansado de ficar no banco e ser mal aproveitado (já que o treinador não suportava seus arremessos sem critério), e o emprego do George Karl ficou por um fio. Apenas com a saída de Iverson e a chegada de Billups os engravatados e os jogadores resolveram dar uma última chance ao Karl, deixar que ele tentasse começar de novo. Com a liderança de Billups em quadra, Karl conseguiu montar um time mais organizado capaz de respeitar seu plano de jogo, JR Smith passou a ser bem utilizado em momentos importantes (e tirado do jogo quando seus erros custavam muito caro) e até a defesa ficou ao menos respeitável.

Quando foi diagnosticado com câncer na garganta, o carinho e a admiração dos jogadores do Nuggets ficaram muito claras em suas homenagens. O Nuggets passou a agir como um grupo que havia resistido às maiores adversidades e agora estava pronto para ser campeão, e grande parte do mérito estava no fato de que George Karl nunca parou de aprender, tanto na parte tática quanto no seu relacionamento com os jogadores. Seu plano de jogo agora é mais maleável, mas ele também é mais respeitado. Seu Nuggets estava em segundo lugar do Oeste quando Karl teve que se auxentar para tratar o câncer, e a pancada no time inteiro foi monumental: despencaram na tabela e foram eliminados dos playoffs. Já não se questiona mais a importância do técnico, que parece cada vez mais atingir com a experiência o equilíbrio ideal entre ataque e defesa, mas tem sempre que se virar com o excesso de contusões de seus jogadores também experientes (que é eufemismo para "velhinhos de joelho frágil").

....
Mais uma vez, recorro a um post bem recente do Denis sobre o Nuggets e a possível saída de Carmelo:

"Enquanto a maioria dos times gastou seu precioso tempo de offseason buscando novas contratações, o Nuggets se preocupou basicamente em segurar Carmelo Anthony. Ao contrário dos seus companheiros de Draft de 2003, Dwyane Wade, Chris Bosh e LeBron James, quando Carmelo fez seu último contrato, fez um maior que o dos amiguinhos. Dá pra entender, enquanto os outros três estavam em franquias que naquela época despertavam dúvidas, o Melo estava muito bem no Nuggets, que é no mínimo um bom time desde sua chegada.

Isso quer dizer que se todos viraram Free Agents agora, Melo será somente daqui a um ano e ver todos esses grandes jogadores mudando de time para ter a chance de ganhar um título deve ter dado um cagaço monstruoso no time de Denver. Já ofereceram mais de uma vez extensões de contrato de mais 3 anos e 65 milhões de dólares.

(...)

Entre os times que devem ir pra cima do Melo com tudo estão o New York Knicks e o New Jersey Nets. O Knicks não gastou tudo o que podia nesse verão americano e para a temporada que vem ainda tem, finalmente, o fim do contrato do Eddy Curry, que só não é maior do que a barriga do pivô. Já o Nets também não gastou tudo o que podia e acabou de trocar por Troy Murphy, cujo contrato também se encerra na próxima temporada. E não é só porque os dois podem pagar que eles são fortes concorrentes, tem também o apelo emocional. Carmelo Anthony nasceu em Nova York, gosta da cidade e até fez universidade em Syracuse, lá pertinho. Ir para qualquer um dos time seria voltar para casa. O Knicks é o time mais famoso, glamuroso e conhecido, e o Nets deve se mudar para o Brooklyn dentro de alguns anos, exata região onde nasceu Melo.

Deu pra entender porque o Nuggets está desesperado para conseguir essa extensão, né? Faz muito sentido ele sair após a próxima temporada. E ainda tem mais: o Nuggets é um time experiente, com jogadores que ou estão no auge ou já estão passando dele. Nenê ainda está em plena forma com 28, mas Kenyon Martin e Chauncey Billups, dois pilares da equipe, não são garantia de saúde e jogo em alto nível por muito mais tempo. 

Por essas tentações de novos ares é que eu acho que o Carmelo não deve e nem vai assinar essa extensão, criando no Nuggets uma sensação de urgência parecida com a que existiu no Cavs no ano passado. E também, como o time do LeBron no ano passado, existem chances reais de título, embora vá ser bem difícil.

Depois da dificuldade que deram para o Lakers na final do Oeste de 2009, o Nuggets entrou como um dos favoritos na temporada passada. Durante meio ano sustentou esse título por ficar em segundo no Oeste, ganhando de vários outros times grandes da liga, incluindo o próprio Lakers em Los Angeles. Mas no meio da temporada a maionese desandou. Primeiro foi a contusão do Kenyon Martin, o melhor jogador de defesa do time e grande reboteiro. Depois foi a volta do câncer do treinador George Karl, que teve que se ausentar durante muitas partidas, inclusive toda a série de playoffs contra o Jazz, quando tomaram uma surra de 4 a 1.

Os dois estão de volta para essa temporada, por isso não existe razão para não dizer que o time vai continuar sendo um dos melhores, mas a saída deles evidenciou algumas deficiências do time. Chauncey Billups já foi considerado o melhor armador da NBA na sua época de Pistons, mas claramente começa a viver a sua vagarosa decadência. Ele ainda é fora de série, mas no meio do caminho tem jogos discretíssimos, ele não consegue ganhar jogos quando dá na telha como fazia no Pistons, e na defesa, onde sempre foi ótimo, as pernas não acompanham mais. É só ver o baile que ele tomou do Deron Williams na última pós-temporada. Já que os dois são sempre comparados, foi o equivalente do Deron para o que o Chris Paul fez com o pobre vovô do Jason Kidd nos playoffs de 2008. Pois é, uma hora a juventude nos alcança e é hora de virar comentarista de TV, Chris Webber tá na NBA TV todo dia pra comprovar isso.

Em vários jogos em que o Billups não dava conta do recado, o Ty Lawson deu. Quando suas bolas não caíam, o JR Smith dava os arremessos mais imbecis da história do basquete (e eventualmente acertava) para dar a vitória ao Denver. Isso mostra que o time é bom, grande, mas que eventualmente depende de jogadores não muito confiáveis. É um time forte, mas como o Billups de hoje em dia, deixa sempre aquela dúvida no ar.

Outra questão que a contusão do K-Mart deixou clara foi a falta de profundidade do garrafão. Nenê, Chris Andersen e Kenyon Martin são o trio mais físico, tatuado e mal encarado da NBA na atualidade. Fazem uma rotação interessante e todos jogam nas duas posições do garrafão, mas e quando alguém se machuca? Dois são titulares e acabou. Sem banco para cobrir alguém cansado ou com problemas de falta. Isso machucou muito a equipe na temporada passada e para resolver o problema contrataram dois jogadores, o Shelden Williams e o Al Harrington.

Tem gente que até gosta do Shelden Williams, acho que o Danilo é um deles, mas eu acho um cara que não sabe fazer porcaria nenhuma numa quadra de basquete. A intenção de contratar um cara de garrafão foi boa, a escolha péssima. Sem querer pegar no pé do Shelden só porque o formato da sua cabeça me ofende, mas o DJ Mbenga seria mais útil. Já o Al Harrigton foi uma ótima adição. Ele arremessa de três e abre o jogo como o Linas Kleizafez tão bem pelo Nuggets naquela campanha de 2009, sabe jogar de ala de força e quebra um galho nos rebotes. Não sei se gostaria de ver ele de titular em algum time, mas como reserva e em especial nesse time veloz que é o banco do Nuggets, ele é pefeito. Imagina eles correndo com Ty Lawson, JR Smith, Al Harrington e Chris Andersen ao mesmo tempo? Tem tudo para dar dor de cabeça para os bancos das outras equipes.

O Nuggets fez pouco para essa temporada, mas as peças estão lá para irem longe de novo. O armador experiente, o garrafão forte, um bom defensor de perímetro (o ótimo Arron Afflalo), o banco de reservas talentoso, um técnico experiente e que conhece o time e a estrela/cestinha, Carmelo Anthony. Fácil esquecer deles depois dos playoffs ridículos do ano passado, mas vamos dar mais uma chance. Embora seja, provavelmente, a última."


Aproveito a deixa para defender o Shelden Williams, que para mim é um bom reboteiro, se posiciona bem na quadra, e poderia render muito melhor no ataque se tivesse a oportunidade. Na pré-temporada ele rendeu muito bem, e disse que o George Karl lhe incentivou a ser mais agressivo e atacar a cesta, coisa que ele não fazia desde os tempos de faculdade e que por isso seu cérebro tem dificuldade de associar as palavras "bola" e "pontuar". É legal ver o George Karl disposto a dar minutos, oportunidade e confiança até para jogadores mais-ou-menos que são tacados de um lado para o outro por aí. Se o Shelden Williams render um pouco, torna a rotação de garrafão do Nuggets ainda mais forte e versátil. Ele pode jogar de pivô, assim como Al Harrington pode jogar de ala de força, e o Nuggets ganha um time absurdamente veloz e ofensivo para quando a defesa já estiver na merda mesmo. A equipe é inteligente, os jogadores agora sabem que papel desempenham, e há mais espaço para novos jogadores cheguem para tapar os buracos na rotação da equipe assim como o Ty Lawson fez na temporada passada. Dá pra aproveitar a experiência do elenco para chegar a uma Final do Oeste se não houverem contusões ou cânceres à vista, mas a situação do Carmelo pode colocar tudo a perder. 

Como disse antes, deixei o preview do Nuggets por último porque o Carmelo pode ser trocado a qualquer momento agora. Ainda há a esperança de convencer o jogador a ficar, mas tudo isso depende dos resultados no começo da temporada. A chance de que a situação do Carmelo incomode os outros jogadores, fazendo-os pensar que a temporada não vale pra nada porque ele vai dar o fora de lá, é enorme. Se for o caso e o time começar a desandar, aí é que o Carmelo vai querer se pirulitar dali e a temporada vai mesmo pro saco. O ideal seria essa situação ser resolvida logo, mas se não trocarem o Carmelo vão ter que torcer para que vitórias iniciais animem o elenco. Mesmo que convençam Carmelo a ficar, essa pode ser uma das últimas chances de título desse elenco como o conhecemos, então vamos torcer para que dê tudo certo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Avaliação anual de pivetes

- Agora segurar novato com as duas mãos é falta, professor?


Ontem foram divulgados os times de novatos e dos sophomores (os jogadores de segundo ano) que irão se enfrentar na noite de sexta-feira do fim de semana das estrelas. Os times são os seguintes:

Novatos: Stephen Curry (Warriors), Jonny Flynn (Wolves), Brandon Jennings (Bucks), Tyreke Evans (Kings), James Harden (Thunder), Taj Gibson (Bulls), Omri Casspi (Kings), Jonas Jerebko (Pistons) e DeJuan Blair (Spurs)

Sophomores: Derrick Rose (Bulls), Russell Westbrook (Thunder), Eric Gordon (Clippers), OJ Mayo (Grizzlies), Danilo Gallinari (Knicks), Michael Beasley (Heat), Kevin Love (Wolves), Marc Gasol (Grizzlies) e Brook Lopez (Nets)

A primeira parte da nossa função de pitaqueiro é ver quem faltou. No time dos novatos eu senti falta do Ty Lawson, que vem jogando muito como reserva do Billups no Nuggets, ele está sendo melhor que o James Harden como sexto homem do Thunder, por exemplo. Sua ausência, porém, é facilmente explicada. O draft de 2009 teve armadores demais! O time já tem Curry, Flynn, Jennings e Evans. Além do Lawson podemos apontar ainda o Darren Collison, Eric Maynor, Jrue Holiday e AJ Price com boas temporadas até agora! Esses últimos nem estão jogando tão bem para merecer uma vaga no jogo, mas é assustador o número de bons armadores desse ano, e isso porque o Rubio amarelou e ficou na Espanha!

O excesso de armadores acabou prejudicando também os ala-armadores, os jogadores da posição 2. Provavelmente Curry e Evans vão dividir essa posição no jogo e com isso arrancaram a vaga de outros bons novatos como Wesley Matthews, DeMar DeRozan e Terrence Williams. Os três tem sido bons mas nem chegam perto do nível dos armadores, os dois últimos farão falta por causa do show, mas não mereciam mesmo uma vaga. Em compensação o DeRozan estará lá no intervalo do jogo para disputar uma vaga no campeonato de enterradas com o Eric Gordon.

Nada contra o Eric Gordon, mas ele é só um ótimo arremessador e não deveria estar lá. Ele mesmo disse que só esperava ser chamado para o campeonato de três pontos! Essa disputa deveria ser apenas entre novatos, com o DeRozan enfrentando o Terrence Williams. Vocês viram as duas enterradas dele na vitória (VITÓRIA!!!) do Nets sobre o Clippers (ah, era o Clippers...)?


Já o time dos sophomores é muito forte. Muito forte! Forte mesmo, tipo raios gama. A gente não botava tanta fé na classe dos novatos do ano passado mas eles saíram melhor que a encomenda. Se considerarmos o time titular com Rose, Mayo, Gallinari, Love e Lopez, isso quer dizer que o time reserva seria Westbrook, Gordon, Beasley e Gasol. São só 4 jogadores porque só 9 são chamados para o jogo, mas garanto que só os 4 em quadra já venceriam os novatos. Pela qualidade dos jogadores e por ter jogadores de mais de uma posição, acho que os sophomores vão manter a tradição e levar o jogo.

Entre as principais ausências do time dos sophomores estão a dupla do Kings Jason Thompson e Donte Greene, o Roy Hibbert, que é forte candidato a jogador que mais evoluiu na temporada, o George Hill do Spurs e até a Lady GaGa da NBA, o Ersan Ilyasova.

E já que estamos falando dos caras que foram novatos na temporada passada, é hora de relembrar de um post meu do ano passado. Na verdade eu nem lembrava que eu tinha feito essa porcaria, mas o nosso leitor João Inácio lembrou e me avisou. O post é esse aqui. Nele eu crio várias categorias para medir a qualidade dos atletas (desde Mega Estrelas até Pedaços de Carne Desformes e Imprestáveis) e digo onde cada novato irá se encaixar dentro de 5 anos.

Como sei que vocês não vão clicar pra ler o post antigo, vou postar aqui as partes mais importantes, onde explico as categorias e depois coloco os novatos do ano passado em cada uma delas.

.....
"1.Mega Estrelas: São aqueles jogadores que vão jogar bem todo dia, que vão liderar franquias, que vão vender doces, biscoitos, tênis e celulares com seu nome, serão entrevistados pela Angélica e vão participar de vários All-Star Games.
Exemplos: LeBron James, Kobe Bryant, Tim Duncan, Chris Paul.

2. Estrelas Light: Sem áçucar, a estrela de soja só é uma estrela dependendo do desempenho do time na temporada. O cara só é cotado para participar do All-Star Game se o time está bem. Geralmente esse atleta é mais discreto e não é unanimidade entre os fãs, apesar de serem excelentes.
Exemplos: Antawn Jamison, David West, Pau Gasol, Stephen Jackson.

3.Caolho em terra de cego: Caolho em terra de cego é rei, mas ainda é caolho e não pega mulher. Esse tipo de jogador é muito melhor que a maioria da NBA mas ainda não pode se achar tudo isso.

São os jogadores que obviamente tem muito talento mas que nunca vão ser cogitados para liderar um time a uma campanha vitoriosa como uma primeira opção, são aqueles caras que só funcionam sendo a terceira opção do time. Em geral são jogadores que sofrem um certo preconceito porque um dia acharam que eles seriam Estrelas Light, ou sofrem pressão porque são novos e acham que podem virar uma Mega Estrela.
Exemplos: Lamar Odom, Rajon Rondo, Josh Howard, Richard Jefferson, Jose Calderon.

4. Role Player Integral: Cheio de gordura mas sem ser o Zach Randolph são aqueles caras que têm um papel específico no time e que sempre fazem esse papel muito bem. Eles são os jogadores limitados mas que, o que sabem fazer, fazem com perfeição. Costumam ser o sexto-homem de um bom time.
Exemplos: Shane Battier, Eddie House, Travis Outlaw, James Posey, Roger Mason

5. Role Player Desnatado: Se não tiver integral vai desnatado mesmo. Têm a mesma função dos role players integrais mas são incompetentes demais para serem regulares e confiáveis. É o tipo de jogador que joga bem em casa e mal fora ou bem contra time ruim e mal contra time bom.(Edit: Hoje eu chamo esses jogadores simplesmente de Radmanovics.)
Exemplos: Sasha Vujacic, Jared Jeffries, DeSagana Diop, JJ Barea

6. Zé Alguém: São aqueles caras que você sabe que estão na NBA, que participam dos jogos, mas que em um jogo disputado e que vale alguma coisa nunca vão estar em quadra nos momentos finais a não ser que algo bizarro aconteça (muitas contusões, muitos jogadores eliminados por falta, chantagem atômica).
Exemplos: Hilton Armstrong, Ryan Hollins, Charlie Bell, Trenton Hassell

7. Pedaço de carne desforme e imprestável: É aquele tipo de jogador que entra ano, sai ano e por algum milagre divino o cara continua com contrato. Na prática é só um pedaço de carne desforme e imprestável que nunca entra em quadra, só esquenta banco, entrega gatorade, aplaude e depois da temporada arranja outro time pra fazer a mesma coisa. Eles estão na liga mas não jogam.
Exemplos: Sean Marks, Mark Madsen, Brian Cardinal, Lorenzen Wright

Só saberemos ao certo onde cada um dos novatos desse ano vai se encaixar daqui um tempo, mas eu como blogueiro isento da responsabilidade de falar coisa com coisa, posso dar meus palpites de como será o status dos jogadores draftados em 2008 daqui umas 5 temporadas baseado no que vi nessa de 2008-09.

1. Mega Estrelas: Derrick Rose e OJ Mayo
2. Estrelas Light: Brook Lopez, Michael Beasley, Russell Westbrook, DJ Augustin, Greg Oden
3. Caolhos em terra de cego: Kevin Love, Eric Gordon, Jason Thompson, Jerryd Bayless, Rudy Fernandez
4. Role Player integral: Danilo Gallinari, Courtney Lee, George Hill, Nicolas Batum, DeAndre Jordan, Mario Chalmers, Marc Gasol
5. Role Player desnatado: Brandon Rush, Mareese Speights, Roy Hibbert, JaValle McGee, Ryan Anderson, Darrell Arthur, Luc Mbah a Moute, Mike Taylor, Anthony Morrow
6. Zé Alguém: Joe Alexander, Robin Lopez, Anthony Randolph, Donte Greene, Chris Douglas-Roberts, Kyle Weaver
7. PCDI: Kosta Koufos, Goran Dragic
0. Estarão fora da NBA: Alex Ajinca, DJ White, JR Giddens
................

A minha previsão era para os próximos cinco anos, então não posso dizer o que acertei e o que errei com toda a certeza, mas bastou um ano para que eu, um cara de opiniões fortes, mudasse totalmente de idéia sobre vários jogadores.

Acho, por exemplo, que subestimei Jason Thompson e Kevin Love. Os dois alas de força são melhores do que eu imaginava e tem tudo para subir um nível e virarem Estrelas Light a base de soja. Já o Michael Beasley causa cada vez mais duvidas em mim, o cara obviamente tem muito talento mas desaparece das partidas mais do que o saudoso Souza que jogava no meio campo do Corinthians nos anos 90.

Um que está em baixa mas que eu acho que não errei é o DJ Augustin. Ele tem cada vez menos espaço na rotação do Bobcats (que, convenhamos, nem tem banco de reservas!) mas é só porque ele é treinado pelo Larry Brown e com o Larry Brown ou você defende bem ou você vale menos que um absorvente usado. O Disque Jóquei Agostinho não é um grande defensor mas é rápido, tem bom passe, ótimo arremesso de três e se estivesse no Knicks estaria jogando muito. Ainda tem muita carreira pela frente.

Errei feio com o Danilo Gallinari. Achei que ele acabaria sendo só um arremessador mas agora que seus problemas nas costas são passado, o galináceo tá jogando muito bem. Sabe puxar contra-ataque, controla bem a bola e sabe até infiltrar bem. No fim das contas o Knicks agradece quando ele resolve jogar como um cara completo e não só como um clone branco do Rashard Lewis. Gallinari, assim como o surpreendente Marc Gasol (quem diria que aquele desengonçado faz mais que pegar rebotes?), também subiram um nível na minha lista.

Mas onde errei mesmo foi na previsão dos "Zé Alguém". Donte Greene está se saindo um ótimo defensor e importante peça do Kings, o Anthony Randolph parece que vai ser um bom jogador quando se livrar das garras do Don Nelson, o Chris Douglas-Roberts finalmente conseguiu começar a jogar na NBA o que jogava na universidade, e o Robin Lopez, para minha surpresa, não é só um Brook Lopez ruim de um universo paralelo onde todo mundo é cabeludo (lembram do episódio do South Park onde todo mundo no universo paralelo tinha barba? Aquilo era humor.)

Por fim, errei também com o Goran Dragic. Aquele moleque inseguro que parecia que ia se mijar a cada vez que entrava em quadra hoje é a arma mais confiável do banco do Phoenix Suns. Bastaram alguns jogos razoáveis para ele se sentir mais confortável e jogar o que prometiam que ele iria jogar há um ano e meio atrás. Outro dia meteu 24 pontos só no primeiro tempo contra o Jazz. Ele é, no mínimo, um role player desnatado.

Se em um ano eu errei tanta coisa, nem quero ver daqui a quatro anos! Mas tudo bem, o importante é que vocês leitores esqueçam de todas as bobagens que a gente fala e continuem nos lendo porque somos engraçadinhos e temos o abdome definido. Vamos agora brincar de prever o futuro dos novatos dessa temporada? Afinal, pisou na merda, abre os dedos.

1. Mega Estrelas: Tyreke Evans e Brandon Jennings
2. Estrelas Light: Stephen Curry
3. Caolhos em terra de cego: Ty Lawson, Jonny Flynn, Omri Casspi, James Harden
4. Role Player integral: Jordan Hill, DeMar DeRozan, Hasheem Thabeet, Terrence Williams, Chase Budinger, Jonas Jerebko, DeJuan Blair
5. Role Player desnatado: Earl Clark, Jrue Holiday, Tyler Hasnbrough, Rodrigue Beaubois, Wesley Matthews, Marcus Thornton, Darren Collison, Eric Maynor, Jeff Pendegraph
6. Zé Alguém: James Johnson, Jon Brockman
7. PCDI: Gerald Henderson, Austin Daye
0. Estarão fora da NBA: BJ Mullens

Não coloquei Blake Griffin e Ricky Rubio na lista porque eles nunca jogaram na NBA, mas boto muita fé no futuro dos dois. Aqui ainda tenho um pouco de dúvidas sobre o Brandon Jennings, mas acredito que seus altos e baixos são mais porque ele é um novato do que por falta de talento. Com Flynn, Harden e Casspi fui cauteloso mas gostaria de ver pelo menos um deles continuar melhorando seu jogo para ganhar pontos de experiência e subir de level antes do último chefão.

Entre os desnatados ainda precisamos de tempo para ver Earl Clark e Tyler Hansbrough na NBA, os dois são os mais cotados para subirem nessa lista até o ano que vem.

Sobre o Tyreke Evans eu falo mais tarde no post em que vamos comentar os reservas do All-Star Game que serão divulgados hoje à noite. Sim, é isso mesmo o que vocês estão pensando, já confessei um dos meus votos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sixers além do Iverson



Como o Danilo disse no post do pudim, nossa cota de fotos do Iverson por temporada já foi ultrapassada antes do fim do primeiro mês da temporada, então comecei o post com um vídeo. É sério que me sinto meio mal de falar tanto de um cara só em uma liga com 30 times jogando toda noite, mas a verdade verdadeira é que o Iverson é a grande história desse começo de temporada. E se você viu o vídeo acima, entendeu o porquê.

A sua introdução para o público, com ele quase chorando, seguido do beijo no logo do Sixers, foi o momento mais emocionantes que eu já vi na NBA desde aquele jogo do Derek Fisher pelo Jazz quando ele chegou no meio do terceiro período porque estava na cirurgia da filha e acabou sendo o cara decisivo para o Utah contra o Warriors.

Se você segurou as lágrimas, disse que era uma coisinha no seu olho e reparou bem, viu que quando o jogo começou o Iverson parecia uma menina de 15 anos no dia em que ia perder a virgindade de tão nervoso que estava. Não parava de pular, batia palmas e na sua primeira ação ofensiva errou uma bandeja por pura afobação, logo depois teve um jumper livre, perto da cesta, e errou de novo, fazendo sua primeira cesta no rebote e o ginásio veio abaixo! Como a Dime descreveu bem, pareceu um orgasmo coletivo.

Não sei se vocês viram, mas no vídeo acima só quatro jogadores são anunciados. Isso porque mesmo com todo o auê em cima do Iverson, ainda deixaram o Andre Iguodala para ser anunciado. E com razão.

Quando o Iverson fez sua primeira cesta e a torcida ficou com as pernas bambas, quem já tomava conta da bagaça era o Iggy. Uma enterrada monstruosa no seu primeiro lance, outra ainda mais alucinante depois, bolas de 3, infiltrações, o Carmelo Anthony anulado, roubo de bolas e acabou o primeiro tempo com 18 pontos. Teriam sido 21 se essa bola alucinante no maior estilo Diego Souza tivesse sido feita antes do estouro do cronômetro do primeiro tempo. Diga-se de passagem, essa foi a jogada mais NBA Jam da temporada! Daquelas quando você acerta muito, a bola pega fogo e aí você acerta de qualquer lugar da quadra.

Além de melhor ala, cestinha e melhor cara com as iniciais A.I. no time, o Iguodala era, na prática, o armador principal da equipe. Ele ficava com a bola na mão fora da linha dos três, o Iverson e o Thaddeus Young se movimentavam sem a bola e Brand e Dalembert ficavam no garrafão, fazendo uma formação bem esquisita de se ver. E com o passar dos minutos esse time bizarro que vinha de 9 derrotas seguidas foi chamando mais atenção do que a presença do Iverson.

Mas o problema do Sixers é que esses cinco rapazes são os cinco melhores jogadores do elenco. Sim, eles precisam de arremessadores, mas quem você tira pra deixar o lixo do Kapono em quadra? Eles precisam de um armador mais distribuidor, mas você vai tirar o Iverson ou o Iggy para usar o Royal Ivey (até o Jrue Holiday machucou)? Não tem jeito, esses cinco caras que não combinam formam o melhor quinteto possível para o Sixers.

Outro exemplo: o Thaddeus Young rende mais quando joga de ala de força, perto da cesta, e usa sua velocidade contra jogadores mais altos. Mas vai tirar o Brand pra isso e colocar quem no lugar? Por causa dessas limitações todas que entra técnico e sai técnico (foram dois na temporada passada e mais o Eddie Jordan agora) e o esquema do time é o mesmo: defesa e contra-ataque quando possível e jogadas de isolação no ataque de meia quadra.

Como não dá pra contra-atacar o tempo inteiro, o que a gente mais via era o Iguodala no 1-contra-1, seguido do Young no 1-contra-1, pra depois vir o Elton Brand no 1-contra-1 e, juro, até o Dalembert se arriscou algumas vezes, cena forte que as crianças não podem ver. O Dalembert merece um pouco de crédito porque ontem foi um monstro nos rebotes e, no primeiro tempo, com 6 tocos, comandou a defesa do Sixers. Mas não tem jeito, ele é muito, muito, muito limitado. Eu de pivô, no auge do meu 1,78m de altura, incomodaria mais no garrafão ofensivo com o meu ganchinho de Kareem Abdul-Jabbar dos oompa-loompas.

Esse jogo simples e individual serviu durante quase três períodos, o Sixers estava jogando com uma energia contagiante, de playoff, lutando por toda bola. Claramente motivada pela presença do Iverson e por uma torcida presente e atuante. Mas se Iverson é uma injeção de ânimo no Sixers, o Chauncey Billups é uma injeção de gelo no Nuggets. Com o Carmelo no banco por feder, o Billups liderou o time no quarto período com muita defesa, inteligência, frieza e contra-ataques, para o Sixers morrer pelo próprio veneno.

A inteligência foi o que mais chamou a atenção. Começou com o Nuggets dobrando a marcação sempre que o Iguodala pegava na bola, o que tirou o único espírito criativo da equipe. A bola então ou ficava na mão de quem não sabia o que fazer ou na do exausto Iverson, que já no fim do terceiro período não se aguentava de pé. Ele até conseguiu segurar o time na liderança por uns minutos, cavando algumas faltas, mas foi muito pouco.

Do outro lado o Nuggets começou a abusar de todas as falhas do Sixers. O Billups jogou de costas pra cesta, no garrafão, usando sua força contra o Iverson. Aí o Eddie Jordan colocou o Iguodala marcando o Billups (pra fazer o Iggy parecer ainda mais um armador principal) e o Iverson ficou marcando o fantástico novato Ty Lawson, que aí abusou da velocidade contra o AI. Do outro lado era sempre o Dalembert que sobrava livre nas dobras. Quando a gente foi ver, o Nuggets estava numa sequência de 19 a 2 e o jogo estava ganho.

Pode parecer que o fantasma do mote "O Iverson encanta, marca pontos e o Billups vence jogos", voltou, mas seria simplista demais encarar esse jogo assim. O time do Nuggets é muito melhor e mais completo do que o Sixers e o normal teria sido uma derrota até mais humilhante. O Philadelphia precisa é se preocupar em achar um esquema tático em que todos os seus bons jogadores funcionem juntos, esse é o problema e é o mesmo há anos. Ou então que façam uma troca envolvendo esses caras.

Com o Iverson podem ficar tranquilos. Ele não é a salvação mas só ajuda. Em alguns momentos ficou bem claro como eles se beneficiaram de ter mais uma ameaça ofensiva na equipe, alguém que sabe infiltrar. Sem contar que ele parece entender que não é mais o mesmo pontuador de antes e procurou bastante passar a bola. A emoção da presença do Iverson vai passar aos poucos e para ele ter o fim de carreira que merece no time que ama, eles precisam mudar muito.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sobrevivemos

Ty Lawson não vê a hora de vestir mais roupinha azul-bebê


Estávamos todos pirando, eu sei. Precisando tanto de basquete que nos sujeitamos a assistir até Copa América feminina, em que os times são tão ruins que não conseguem fazer mais de 40 pontos no Brasil. Assistimos futebol e vibramos nas cobranças de lateral porque pelo menos tem alguém segurando uma bola com as mãos. Arrancamos as folhas de calendário durante a noite, sonâmbulos, na esperança de que o tempo passe mais rápido até a próxima temporada. Mas resistimos, sobrevivemos, seguramos firme, e agora somos recompensados: começa hoje a pré-temporada da NBA.

Às 22h, começa Utah Jazz e Denver Nuggets. Se vai ter transmissão pelo site da NBA? Pela televisão gringa? Pela internet? Não sabemos. Mas é claro que procuraremos com afinco e qualquer eventual link aparecerá no chat do Bola Presa para quem quiser acompanhar. Mesmo se não encontrarmos nada, mesmo se não der pra acompanhar a partida, pelo menos dormirei feliz sabendo que tem basquete de qualidade acontecendo em algum lugar, já é uma tranquilidade, uma esperança pelo mundo.

É claro que não se trata de um jogo de verdade e os titulares vão só pra fazer presença mesmo, jogam um punhado de minutos e depois correm para o banco com cara de "meu deus, estou até suando, deveria ter corrido menos". A não ser os jogadores que estão fora de forma e precisam perder peso, tipo o Andre Miller, que falhou no teste físico do Blazers. Esses gordinhos devem jogar vários minutos em parte como punição, em parte pra ver se dá pra arrumar o estrago. Mas os jogadores que mais veremos são os novatos, as novas aquisições das equipes e os jogadores mais-ou-menos tentando uma vaga no elenco. É a chance de conhecer a fundo aquele jogador da sua equipe que só vai entrar nos segundos finais dos jogos. Pega bem com os amigos, o mané entra em quadra só pra cobrar linha de fundo e você pode dizer "o sujeito tem potencial, excelente arremesso de média distância, mas não sabe defender". Só dá pra saber esse tipo de coisa acompanhando pré-temporada mesmo, é tipo uma Contigo das celebridades "B".

Na partida de hoje, aconselho todo mundo a não tirar os olhos do Ty Lawson. Draftado na décima oitava escolha pelo Wolves (o terceiro armador draftado pela equipe na mesma noite!), foi trocado para o Nuggets por uma escolha de draft futura. O Denver conseguiu na mamata finalmente um reserva para o Billups, cheio de potencial e que não aparece por aí todos os dias. Se escolher ficar na equipe pelos próximos anos, até assume o Nuggets quando o Billups for fazer tricô e jogar bingo. Hoje, como é pré-temporada, o Lawson deve passar a maior parte do jogo em quadra e a gente pode acompanhar de perto o poder do rapaz, que fez com que todo mundo desse o Denver como um dos times mais "safado-filha-da-mãe" da noite do draft, escapulindo com um baita armador mesmo entrando no draft sem nenhuma escolha para ser feita naquela noite (na análise do draft do Denis, o Denver Nuggets recebeu o sensacional selo "Thriller").

O draftado do Jazz, outro armador que vai ser reserva metade da vida, também estará em quadra um tempão hoje. Trata-se de Eric Maynor, que o Denis também comenta em sua análise do draft. Aprendendo com o Deron Williams, o garoto está numa boa situação - isso se ficar conformado com ser titular apenas em caso de morte, diarreia e pré-temporada.

Para esperar até a partida de hoje, vale dar uma passada pelo blog "Quarto Quarto", lá no Portal da MTV. O blog é formado pelo pessoal da MTV, o finado blog NBA Champions, o autor da teoria da força nominal Sbub e o Bola Presa, unindo seus poderes para invocar o Capitão Planeta (vaaaaai, Planeta!). O Denis passou por lá para apontar as coisas legais para acompanhar nessa pré-temporada e dá pra ir degustando até Nuggets e Jazz enfim matar nossa vontade de basquete. Na barra lateral do Bola Presa você também encontra um link para o "Quarto Quarto", para ficar sempre ligado no que acontece por lá.

Amanhã tem mais jogos d pré-temporada, mais novatos, mais jogadores mais-ou-menos, e o melhor, tem até post podendo falar de basquete de verdade! Essa lágrima aqui? Não é nada, não é nada, estou só descascando cebolas.