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quinta-feira, 24 de março de 2011

Um mês depois

JR Smith não entende esse troço de "coletividade" que comentam agora no vestiário


Muita atenção está sendo dada para o fato do Denver Nuggets estar com uma campanha muito melhor do que a do New York Knicks depois da troca do Carmelo Anthony. Mas eu só não sei se as pessoas estão dizendo isso para zoar com o Knicks, já que todo mundo ultimamente parece ter criado um gostinho especial em odiar equipes que fazem tudo por superestrelas, ou se é porque realmente achavam que o Knicks seria melhor que o Nuggets. Eles não eram antes, não são agora e não dá pra saber se serão no futuro.

O Knicks deixou bem claro nessa troca que o que eles queriam era juntar Carmelo Anthony com Amar'e Stoudemire, o resto do time eles dariam um jeito de conseguir depois. O único jogador além de Amar'e que eles não estavam dispostos a mandar era o Landry Fields, de resto topariam mandar tudo e foi o que fizeram. Danilo Gallinari, Wilson Chandler, Raymond Felton e Timofey Mozgov todos foram titulares no time durante toda ou algum período da temporada em Nova York, não dá pra perder todo um time assim de uma vez no meio do campeonato e esperar que tudo vai ficar bem. O plano deles era para o futuro e só no futuro vamos poder julgar com mais convicção se a decisão foi boa ou ruim, tudo vai depender de novas contratações no próximo ano e de treino, muito treino.

Um dos problemas do Knicks nos últimos jogos tem sido o desempenho no quarto período, e não é por acaso e nem porque seus jogadores são amarelões, muito pelo contrário; Chauncey Billups, Carmelo e Amar'e tem milhares de cestas importantes e decisivas nas suas carreiras para provar que sabem resolver no final. O que acontece é que com poucos treinos nesse primeiro mês de parceria eles só tem as jogadas individuais para apelar e assim fica mais fácil do adversário defender. Temos que lembrar que é no último período em que as defesas costumam ser mais fortes e é quando os times usam as suas jogadas de segurança. Que jogada de segurança tem um time que pouco treinou? Sem contar que existe o problema bem comum de equipes que tem muitos jogadores bons, todos acham que podem resolver no 1-contra-1 e se restringem a isso. Jogadores mais ou menos podem não ter treinado junto com ninguém, mas não acham que vão vencer jogos sozinhos como pensam Billups, Carmelo e Amar'e no Knicks ou LeBron e Wade no Heat, por exemplo.

Por outro lado, o Nuggets tinha tudo para melhorar. Perdeu dois jogadores bons mas ganhou outros quatro bons para as mesmas posições, sem contar que deu mais espaço para outros que já estavam lá só esperando atenção. O Ty Lawson agora pode brilhar com mais minutos e as loucuras individualistas do JR Smith parecem machucar menos o time quando ele é o único maluco individualista no elenco. Na parte tática o técnico George Karl disse que a adaptação dos novos jogadores foi fácil porque eles já conheciam muitas das jogadas e porque ele manda todo mundo sempre correr muito e jogar fácil no contra-ataque, ou seja, sem bíblias de jogadas complexas para eles aprenderem, a transição de equipe é mais tranquila. Alguém poderia argumentar que o Nuggets também deveria ter problema nos finais de partida por ter treinado pouco, mas duas coisas explicam porque isso acontece com o Knicks e não com eles:

1- O Nuggets está vencendo fácil, com diferenças gigantescas de pontos. Alguns quartos períodos eles só tiveram que administrar uma boa vantagem. Poucas vezes tiveram que lidar com jogos duros de meia quadra com adversários fortes.

2- Quando tiveram, como ontem contra o Spurs, realmente tiveram dificuldade no ataque e acabaram chutando bolas forçadas de longe. Mas compensaram defendendo muito bem! Nesse último mês o Nuggets tem números defensivos, como o de pontos sofridos a cada 100 posses de bola, muito parecidos com o Chicago Bulls, que é o Once Caldas da NBA. O Knicks, em compensação, tem uma defesa pior desde que Melo e Billups chegaram.

Números e tática à parte (só por um parágrafo), o fator psicológico tem sido importante nessa embalada que o time de Denver deu. Enquanto muita gente esperava um desmanche, ocorreu o oposto. Nenê afirmou que quer fazer carreira em Denver e negocia uma extensão de contrato, eles não trocaram imediatamente Gallinari e Chandler como especulado na época e disseram aos dois que fazem parte do futuro da equipe, mesma coisa que aconteceu com JR Smith. A saída do Carmelo criou uma sensação de alívio e união. A perda de uma estrela por várias vezes já uniu equipes, isso acontece o tempo todo. Aconteceu ano passado com a contusão do Andrew Bogut no Bucks, acontece agora com o Grizzlies sem Rudy Gay até o fim da temporada, aconteceu quase 10 anos atrás quando Antonio Davis liderou uma sequência impressionante de vitórias que levou o Raptors sem Vince Carter aos playoffs. E, por que não, foi esse sentimento que fez o Cavs sem LeBron James começar a temporada jogando tão bem. Se o elenco não fosse tão ruim e minado por contusões e se aquele jogo contra o Heat tivesse tido um resultado diferente, certamente não seriam a piada que são hoje. Em esportes competitivos e com tantos times com jogadores bons, coisas como motivação podem fazer toda a diferença.

O Dean Oliver, autor do livro Basketball on Paper, importantíssimo para o mundo das estatísticas de basquete, trabalhava com o Denver Nuggets no começo da temporada até sair do emprego semanas antes da troca do Melo para trabalhar na ESPN. Ele lembra em um artigo para o TrueHoop de uma declaração do dono do Nets, Mikhail Prokhorov, dizendo que só tentar trocar pelo Melo já havia custado muitas derrotas a seu time. A insegurança causada por ver tantos nomes diferentes envolvidos em trocas fazia o time não se concentrar e não render. Assim o Nets venceu apenas 10 jogos nas primeiras 12 semanas de temporada, então o russo disse que iria desistir de Carmelo e o time respondeu vencendo 7 das próximas 13 partidas, isso antes de conseguir o Deron Williams.

Já o Nuggets, na análise de Oliver, rendeu bem até o dia 15 de dezembro, como se nada tivesse acontecido. Essa data marcava o dia em que muitos Free Agents do último verão americano, como Raymond Felton, poderiam ser envolvidos em trocas. O Nuggets venceu 15 de 24 jogos até então. Aí os rumores começaram a ficar mais reais e o bicho pegou. Como funcionário do time, Oliver viu tudo de perto e disse que o clima no vestiário era diferente depois que os rumores ficavam mais reais e principalmente quando passaram a envolver o Chauncey Billups, herói da torcida. Nesse período o Nuggets teve 12 vitórias e 10 derrotas, com números defensivos que beiravam os piores da liga. Como já mostramos ontem, eles embalaram de novo depois da troca com 11 vitórias e 4 derrotas desde que Melo saiu.

Sem Carmelo Anthony para controlar a bola, a mídia, as atenções e os holofotes, os outros jogadores viram isso como a chance deles de brilhar e montar um time vencedor e coletivo. George Karl passou a fazer discursos enfatizando o jogo em equipe e a dedicação que cada um dava dentro de quadra, e o resultado é um time mais focado na defesa, mais esforçado, que batalha mais em quadra e que joga mais do que assiste. Voltando aos números, com Carmelo o Nuggets tinha 54% de suas cestas vindas de assistências, agora esse número subiu para 63%. É mais gente passando a bola e menos gente resolvendo por conta própria.

Também não podemos esquecer da profundidade que esse elenco tem agora. Se pensarmos no que já vimos de todos no elenco do Nuggets nos últimos anos, é bem fácil admitir que Lawson, Afflalo, Gallinari, Kenyon Martin, Nenê, Felton, JR Smith, Al Harrington e Wilson Chandler podem ter, facilmente, pelo menos uns 12 pontos por jogo. Isso dá 108 pontos por partida sem ninguém precisar acordar muito inspirado. Claro que não dá pra dividir assim tão racionalmente, mas o que eu quero dizer é que com esse elenco eles sempre vão ter opções de ataque e podem se adaptar a qualquer estilo de defesa ou sobreviver a alguém em um dia ruim. Eles perderam um cara que resolvia bem no fim dos jogos, mas ganharam muita gente que resolve em muitas outras situações. A teoria de que não dá pra ser campeão sem uma estrela pode ir contra o que eu vou dizer, mas o Nuggets é um time melhor hoje e os jogadores que recebeu foram tão bons que era uma troca que faria sentido mesmo se o risco de perder o Carmelo ao fim da temporada não existisse.

O George Karl já deu muitas entrevistas nos últimos anos e até nas últimas semanas dando a entender que não gostava do desinteresse que o Carmelo mostrava em algumas partidas, principalmente na defesa, e nem de como ele muitas vezes jogava as táticas no lixo para resolver sozinho. Isso influenciava o time de uma maneira negativa. Agora Karl vê ele mesmo como o líder da equipe e as suas atitudes cobrando defesa e coletividade têm dado resultado em quadra.

No fim das contas dá pra dizer que a troca só teve vencedores, quer dizer, pelo menos todo mundo conseguiu o que queria: O Carmelo ir para Nova York, o Knicks uma estrela de nome e o Nuggets um time de basquete melhor.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Perguntas e respostas: a troca do Carmelo Anthony

Carmelo e Amar'e: trutas

A troca do Carmelo Anthony é a troca com mais assuntos paralelos que eu já vi na minha vida. Mais de 200 dias depois da primeira notícia de que ele estava querendo ir para o New York Knicks, Melo finalmente conseguiu ter seu desejo atendido. No meio do caminho estão envolvidos o futuro do Knicks, do Nuggets, outros 11 jogadores, o Minnesota Timberwolves, Isiah Thomas, a relação entre o presidente do Knicks James Dolan com o manager Donnie Walsh e o técnico Mike D'Antoni, e o homem mais misterioso da NBA, William Wesley. Ou seja, como uma boa novela ela dura quase um ano e tem diferentes núcleos e personagens, é a NBA aprendendo com Manoel Carlos.

São tantas perguntas e questões para entender essa megalomania que decidimos que só com um FAQ para responder tudo. Tudo relacionado ao Knicks fui eu, Denis, quem respondeu. Ao Nuggets e ao Wolves foi o Danilo. A decisão foi feita por sorteio e aprovada por nossos advogados (adoramos eles!).



Q: Amigos do Bola Presa, quem foram todos os envolvidos na troca? Abs 


New York Knicks recebe: Carmelo Anthony, Chauncey Billups, Shelden Williams, Anthony Carter, Renaldo Balkman (Denver Nuggets) e Corey Brewer (Minnesota Timberwolves)

Denver Nuggets recebe: Raymond Felton, Danilo Gallinari, Timofey Mozgov, Wilson Chandler (NY Knicks) e Kosta Koufos (Minnesota Timberwolves). Também recebem uma escolha de 1º round de Draft do Knicks (2014) e duas 2º round (2012, 2013, do Warriors que estavam com o Knicks). O Nuggets também recebe 17 milhões de dólares em "trade exceptions"

Minnesota Timberwolves recebe: Eddy Curry, Anthony Randolph (NY Knicks). Também recebem uma escolha de 2º round do Denver Nuggets.



Q: Epa, mas o que é essa tal de "Trade Exception" que você citou? É de comer? Aposto que você já explicou dez vezes mas eu nunca leio os posts inteiros. 

Uma trade exception é um "Vale Salary-Cap" que pode ser usado pelo time para usar em outras trocas para igualar salários. Se o Nuggets quiser mandar um jogador que ganha 5 milhões por outro que ganha 7 milhões eles podem deixar tudo igual usando essa trade exception. É uma mão na roda para times que estão planejando movimentações no elenco e foi criada no governo Lula.

Q: Carmelo Anthony e Amar'e Stoudemire juntos? Como isso vai dar certo?

Essa é uma excelente pergunta, amigo assinante. Dependendo de como você enxergar pode parecer uma idéia bisonha e por outro lado parece perfeita, tudo depende de como o Mike D'Antoni vai montar o time, qual vai ser o esquema tático e tudo mais. Tanto Amar'e como Carmelo são bons o bastante para simplesmente receber a bola em uma jogada de isolação e tirar pontos disso, mais ou menos como o Heat faz de vez em quando (47 minutos por jogo) com Wade e LeBron. É o jeito mais fácil e apelão de conseguir pontos, mas quando não dá certo com o Heat eles tem uma puta defesa para compensar, já o Knicks e o Carmelo...

E o problema das isolações é que o esquema tático do Mike D'Antoni é justamente o oposto disso tudo! Ele é o cara que gosta de ver o seu time rodar muito a bola, de passar ao invés de individualizar e de só concentrar a bola na mão de um jogador se ele for o armador do time, sempre com ele se movimentando entre corta-luzes.

Q: Então o Carmelo vai se adaptar ao D'Antoni ou o contrário? Quem manda na relação?

É o que eu quero saber também! Como já vimos na seleção americana, o Carmelo Anthony pode ser muito útil para o seu time mesmo quando não concentra a bola na sua mão o tempo todo. Nas Olimpíadas de 2008 muitas vezes a gente mal percebia ele em quadra, com a bola controlada por Kidd, Kobe, Wade e LeBron, e no fim das contas ia ver as estatísticas e ele era o cestinha. Com boa movimentação e sabendo pontuar de todos os lugares da quadra ele estava sempre contribuindo com ótimo aproveitamento.

O problema é que na seleção ele tinha todos esses nomes de peso para jogar enquanto ele só pontuava, no Knicks vai ser quem? Corey Brewer, Toney Douglas e Landry Fields? Amar'e Stoudemire também não é nenhum Tim Duncan na hora de encontrar seus companheiros livres para o arremesso, só faz o óbvio. Carmelo vai precisar tocar mais na bola e quando ele faz isso ele não movimenta a bola como seu técnico idealiza. A última opção é Chauncey Billups comandando o show e distribuindo a bola.

Q: Billups? Você está ousando insinuar que o cerebral Chauncey Billups, o coração do Pistons de 2004, o time mais em câmera lenta da história, irá ser o líder de um Run and Gun?

A minha primeira reação também foi de "é mais fácil a Deborah Secco ganhar o Oscar por 'Surfistinha'", mas para e pensa: Embora nossa memória do Billups sempre remeta ao Pistons campeão de 2004, ele está faz tempo no Nuggets e eles também são um time que jogam com extrema velocidade. O Knicks, aliás, é o segundo com mais posses de bola por jogo e o Nuggets vem logo atrás em terceiro. E em termos de eficiência ofensiva, onde o Knicks é oitavo, o Nuggets é o primeiro. Eu lembro de quando o Billups foi trocado para o Nuggets e eu disse aqui que a troca só daria certo se houvesse um entendimento das duas partes. Ou Billups se adaptaria à correria do Nuggets, ou o time aprenderia a lidar com o fato de ter um armador que gosta de mandar no jogo. Acabou sendo um pouco dos dois, Billups mandava e segurava a bola, principalmente logo no começo quando chegou, mas não deixou de impôr a velocidade. Bisonhamente deu certo. Só temos que lembrar que nesse ano o Billups não está jogando tão bem assim e que cedo ou tarde a idade pesa.

Então por mais estranho que seja, acho que sim, o Billups pode comandar esse ataque sem fazer o time perder tanta velocidade como a gente imagina. Se o D'Antoni confiar o time a ele e deixar Melo e Stoudemire não jogarem tanto assim sozinhos (talvez só no último período), o time pode manter a identidade do seu técnico e ter suas estrelas rendendo ao mesmo tempo.


Q: Tá bom, estou começando a me animar com o Knicks, mas não foi uma aquisição muito cara?

Sim, foi MUITO cara, um asburdo de cara. É daquelas compras em que o produto é bom, de qualidade, funciona, mas mesmo assim bate aquele peso na consciência toda vez que você lembra o quanto custou. Eles mandaram 3/5 de um time titular que estava atuando muito bem junto e mais um bom reserva, todos jovens, com bons contratos e vivendo o melhor momento de suas carreiras por uma estrela e o Billups em fim de carreira. Eles abandonaram tudo isso por esse sonho de ter mais uma superestrela ao lado do Amar'e Stoudemire, sem dúvida vivemos uma era em que os times estão montando elencos na estratégia do "mande até a alma por uma estrela e pesque veteranos depois".

Q: Soa como algo terrível, mas não está dando certo por aí?

Se você considerar que os principais adversários do Knicks no Leste são o Celtics e o Heat, que fizeram a mesma coisa, dá pra entender a inspiração. Mas a grande diferença no caso do Knicks é que talvez não precisasse ser tão caro. Desde o começo da novela o Carmelo deixou bem claro que queria jogar no Knicks, não em Nova York com o Nets, queria o Knicks. Recusou todas as ofertas do Nets e não levou muito a sério propostas do Rockets, Warriors ou Mavericks. Eu acredito que em qualquer um desses times ele iria deixar seu contrato acabar e então virar Free Agent, a pressão dele mesmo (e de outras partes, que veremos depois) para ele jogar no Knicks era enorme, eu acho que ele iria mesmo que isso significasse um salário menor.

No fim das contas o Knicks perdeu para o próprio desespero, pressa e história recente de fracassos. Preferiram mandar até as calças pela certeza de ter o Carmelo Anthony, não quiseram correr mais riscos esperando. Imagina perder o Melo porque não quiseram incluir o Timofey Mozgov ou uma escolha de 2º round na troca, eles nunca iriam se perdoar.

Q: Polêmica no Mesa Redonda, é verdade que o Mike D'Antoni não queria que o time fosse desmontado assim?

O que foi divulgado pela imprensa americana é que o D'Antoni não estava nem um pouco satisfeito em ver o time que ele montou ser dilacerado em nome de uma estrela. E se você ver como o George Karl, técnico do Nuggets, não parecia lá muito triste de ver o Melo ir embora dá pra entender a posição do técnico. Ele tinha feito o Felton jogar o melhor basquete da sua vida, foi quem fez, pouco a pouco, o Wilson Chandler um jogador completo em relação ao cara cru que chegou na NBA; e foi influência direta na escolha do Danilo Gallinari no dia do Draft. Era um time com sua identidade que foi desfeito enquanto sua voz não foi ouvida na hora de dar a confirmação na troca.


Q: Então foi o General Manager Donnie Walsh o responsável por essa limpeza no elenco?

Aí que entra a parte divertida da coisa: Também não! A negociação tinha entrado em mais um impasse porque o Nuggets estava pedindo o Timofey Mozgov além de todo o resto e o Knicks estava se sentindo assaltado, o Donnie Walsh, com o apoio do D'Antoni, não queria enviar o russo até porque mesmo o resto dos jogadores já era demais pra eles. Aí o presidente da equipe James Dolan interviu dizendo para colocar o russo e mais qualquer coisa que pedissem para conseguir o Carmelo de uma vez por todas.

Não é nada comum ver presidentes interferindo assim no trabalho do General Manager, muito menos no trabalho de um cara como o Donnie Walsh, que pegou o Knicks afundado em contratos horripilantes da Era Isiah Thomas (Jerome James, Eddy Curry, Jamal Crawford, Stephon Marbury, nenhuma escolha de Draft) e conseguiu zerar as contas da equipe, abrir espaço salarial, contratar Amar'e Stoudemire e começar uma boa reconstrução. E o pior, segundo informações do repórter Adrian Wojnarowski do Yahoo!, uma das influências na cabeça do presidente James Dolan é o mesmo Isiah Thomas, que planeja voltar ao time!!!


Q: Que porra é essa? Isiah Thomas de volta para o Knicks depois de toda merda que já fez?

O James Dolan é muito próximo do Isiah Thomas, que já quase conseguiu um emprego no Knicks na temporada passada e só desistiu por pressões de Walsh e de outras pessoas lá dentro, mas o contrato do General Manager acaba ao fim dessa temporada e James Dolan pode decidir não renovar e achar um novo nome. Isiah Thomas espera que seja ele.

Segundo Wojnarowski, Walsh, por exemplo, nunca quis colocar Felton, Gallinari e nem mesmo Billups na troca, mas foi forçado a isso pelo presidente. Ele, por sua vez, tem usado Isiah Thomas como um consultor informal, os dois são bem amigos e fontes próximas dizem que é Isiah quem dita as coisas de fundo. A contratação de Carmelo, a saída de Gallinari e Felton seriam vitórias de Isiah Thomas para voltar ao poder em Nova York.

Q: E, por favor, quem poderá impedir essa desgraça?!

A oposição que também quer mandar no Knicks é um dos nomes mais misteriosos da NBA, William Wesley, conhecido (mas não muito) pelo apelido de Worldwide Wes. Já se referiram mais de uma vez a ele como "o homem mais poderoso do basquete", o que é bizarro já que pouquíssimas pessoas conhecem ele! Eu não sabia até um ano atrás quando um leitor nosso mandou um e-mail com uma história sobre o cara.

Ele é a definição de low profile e oficialmente não está associado a nada e nem a ninguém, mas tem seus contatos em todos os cantos, o mais importante deles é o seu amigo Leon Rose, empresário de Carmelo Anthony, Chris Paul, Eddy Curry e LeBron James. Lembram da minhoca plantada na cabeça do CP3 no começo da temporada dizendo para ele exigir uma troca? Wes teve sua influência lá. Curry no Knicks? Também. Carmelo no Knicks? Com certeza absoluta, seu empresário Leon Rose não queria ver seu jogador em qualquer outra franquia e usou a negação da extensão de contrato para podar as melhores ofertas enviadas ao Nuggets.

Q: E como Worldwide Wes influencia o Knicks?

Como eu disse ele nunca se envolve diretamente com as coisas, apenas conhece todo mundo e influencia suas decisões. Como disse o jornalista Henry Abbott depois de uma extensa pesquisa sobre um cara que recusa qualquer entrevista, "Se você olhar de perto todas as forças do mundo do basquete em todos os níveis - AAU (Associação de Atletas Universitários) que leva os jogadores às universidades, agentes interessados em achar clientes, as empresas de calçados interessadas em garotos propaganda, técnicos, donos de times, executivos, jogadores - todos tem uma coisa em comum: William Wesley".

E no Knicks ele tem Mark Warkentien como consultor de Donnie Walsh e Allan Houston, ex-jogador e atual assistente do General Manager do time. Worldwide Wes quer um desses dois assumindo no lugar de Walsh, não Isiah Thomas.

Q: Entre os dois, qual é melhor para o Knicks?

O Isiah Thomas já teve sua chance como técnico e como General Manager e teve, nos dois casos, a passagem mais desastrada de qualquer pessoa que eu já vi na NBA. Resultados patéticos, trocas que nunca fizeram sentido, relação péssima com torcida e atletas, um desastre do começo ao fim.

Por outro lado Worldwide Wes é daqueles caras que só pensam no benefício próprio e em agradar à sua panelinha. Ele vai botar toda sua turma de influência e seus jogadores onde quiser. Canalha, cafajeste ou só mais um megalomaníaco na NBA, não sei, mas ele tem muita influência sobre o Chris Paul. Talvez isso fale mais alto que qualquer outra coisa.

Q: Tudo isso para falar de uma troca! E eu aqui com preguiça de ler esses posts gigantes. Dá uma resumida aí, valeu a pena para o Knicks?

A troca valeu para conseguir o Carmelo Anthony, só. A história da NBA mostra que times com só um ou nenhum jogador fora de série, estrelas, ganham uma vez a cada dez milhões de anos, então eles foram para o home run. Trocaram a base sólida, os bons jogadores, o médio, pela chance do espetacular. Combina com o espírito nova-iorquino de se achar o centro do mundo e não se contentar em ser um bom time, dão tudo só pela chance de ser o melhor.

Mas sem dúvida é um risco. Hoje o elenco é raso, tem um banco de reservas ridículo e terão que trabalhar para descobrir o que Melo e Amar'e precisam a mais para funcionar juntos e ir buscar isso na próxima temporada. Aí vem a questão de quem irá procurar, já que eles arruinaram o clima entre a direção do time e o General Manager e isso talvez possa até levar o técnico Mike D'Antoni embora em um futuro próximo. Para os que não gostam dele é um alívio, para os que gostam fica o medo do que vem a seguir: Talvez Isiah Thomas escolhendo ele mesmo como o mais preparado disponível (de novo!) ou o Worldwide Wes retribuindo algum favor a alguém que não esteja a altura do cargo.

O New York Knicks voltou a ser relevante de novo nessa temporada, com essa troca volta a ser o centro das atenções no mundo do basquete. Os próximos meses irão dizer se pelo motivo certo.

...


Q: E o Nuggets, não podia conseguir um troço melhor em troca do Carmelo, tipo uma superestrela?

Na verdade o Nuggets teve é muita sorte de conseguir o que conseguiu. Quando se troca uma estrela que está encerrando seu contrato, é muito difícil conseguir valor igual em troca. Em geral o time troca sua estrela admitindo a derrota e tendo que aceitar apenas jogadores secundários e escolhas de draft. Mas, ainda que o Nuggets tenha recebido propostas melhores pelo Carmelo, o time não podia aceitar o que mais lhe interessasse. Isso porque qualquer time só faria a troca com o Nuggets se houvesse a confirmação de que o Carmelo assinaria um novo contrato ou uma extensão, ou seja, era o Carmelo quem decidia para onde ser trocado.

Q: Então o Carmelo é um safado filho de uma quenga?

Danilo: Na verdade não, a única safadeza aqui é do Nuggets. Para o Carmelo, a coisa é simples: seu contrato termina e, se ele não quer continuar jogando pelo Nuggets, sai ao fim da temporada e assina com o time que ele preferir. É isso que está previsto nas regras e é isso que deveria acontecer - acaba o contrato do Carmelo, ele assina com o Knicks e todos vivem felizes para sempre. O Nuggets, no entanto, ficaria sem sua estrela (assim como aconteceu com o Cavs) e apenas o espaço salarial para contratar outro jogador, mas quem iria querer jogar num Nuggets sem estrelas? O que o Nuggets fez, então, é uma brecha no sistema, um migué, um jeitinho brasileiro: trocar o Carmelo antes do fim do contrato e receber qualquer merda em troca pra não ficar de mãos abanando. Nada mais justo, no entanto, que o Carmelo escolha o time para o qual quer ir como seria o normal.

Q: Mas por que o Nuggets não trocou só o Carmelo e enfiou o Billups junto na troca?

Danilo: O Nuggets era um dos 5 times que mais gastava com salários na NBA, ou seja, tinha gastos de time que quer ser campeão. Sem o Carmelo, o time admite implicitamente que não dá pra manter o time com o mesmo rendimento e não faria sentido então manter os mesmos gastos. Apenas parte do salário do Billups é garantido para a próxima temporada (3 milhões), então o time que quiser se livrar dele pode pagar esse grana e pronto. Para mantê-lo, o salário seria de mais de 14 milhões, algo impensável para o Nuggets agora. Então eles aproveitam e mandam o Billups embora agora, poupando a grana que teriam que pagar para ele até o fim da temporada. Por estar acima do limite salarial, o Nuggets já paga mais de 13 milhões de taxas. Mandando o Billups junto com o Carmelo eles ficam abaixo do limite e chegam a economizar quase 25 milhões de dólares só esse ano! Para um time que não tem mais chances de ser campeão e passou os últimos 5 anos endividando até as calças para tentar um título, é uma economia que não dá para ignorar.

Q: É verdade que o Nuggets vai trocar os jogadores que conseguiu com o Knicks?

Danilo: Existe a possibilidade, mas ela é muito difícil. Os engravatados do Nuggets se mostraram muito tristes de não conseguir uma extensão com o Carmelo, mas estão felizes com os jogadores jovens e baratos que conseguiram. Wilson Chandler é uma versão light do Carmelo Anthony, aprendeu a arremessar de três nessa temporada, sabe jogar dentro do garrafão de costas para a cesta, e é melhor defensor do que o Carmelo. Danilo Gallinari é um excelente arremessador que vem mostrando ser capaz em outras áreas, Tomfey Mozgov e Kosta Koufos são pivôs com potencial para um futuro projeto de reconstrução, e Raymond Felton é bom o bastante para garantir que Ty Lawson possa continuar vindo do banco de reservas e prosseguir em seu desenvolvimento gradual. O mais importante é que são todos jogadores muito baratos - o mais caro é o Felton e seus 7 milhões de salário que duram apenas até o fim da próxima temporada. O Nuggets agora tem talento, várias escolhas de draft para reconstruir o time, vários role players competentes, e espaço salarial para tentar uma nova estrela ou economizar dinheiro até que o time possa render alguma coisa.

Q: Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor e quero saber se o Nenê agora vai ter um papel central no Nuggets

Danilo: O Nenê disse esperar uma extensão de contrato, já que ele só continua no Nuggets na temporada que vem se ele quiser, o próximo ano do contrato é escolha do jogador. É capaz que o Nuggets até extenda o contrato, mas ao ver a folha salarial do Nuggets percebemos que os únicos jogadores mais caros do que o Raymond Felton e seus 7 milhões de salário são o Kenyon Matin (16 milhões injustos, mas que acabam nessa temporada) e o Nenê (11 milhões). Se o time feder e entrar em processo de reconstrução total, cuidando da pirralhada e esperando as escolhas de draft, não faz sentido pagar o maior salário da equipe para o Nenê. Meu palpite é de que ele só terá o contrato renovado e um papel importante na equipe se o time se sair, desde já, muito melhor do que o esperado e acharem que não precisa fazer uma reconstrução total. Vamos descobrir isso, e analisar a fundo o modo de jogo do novo Nuggets, assim que os jogadores fizerem sua estreia pela equipe.

Q: Para quê o Nuggets vai usar as player exceptions, que parecem vale-CD?

Danilo: Com elas o Nuggets pode mandar um jogador muito barato, com salário risível, em troca de um jogador muito caro. Uma delas, de 17 milhões, permite mandar qualquer mané com salário de novato em troca do jogador mais caro do planeta. Mas esse tipo de troca só acontece se algum time quiser se livrar de seu jogador caro para começar um processo de reconstrução, o que é raro. Se o próprio Nuggets estiver em processo de reconstrução, para quê vai querer um jogador caro pra burro? Essas player exceptions são mais para fazer a troca funcionar do ponto de vista burocrático do que úteis de verdade. Serão usadas caso os jogadores adquiridos sejam trocados, o Nets está interessado, mas por enquanto parece bastante improvável de acontecer.

Q: Por que o Wolves entrou na troca?

Danilo: O Knicks não tinha espaço salarial para receber o Carmelo, então tinha que se livrar do contrato expirante do Eddy Curry de mais de 10 milhões. O Wolves, abaixo do teto salarial, agarrou a chance de receber o jogador - e o Knicks ainda mandou um incentivo financeiro para o Wolves usar e pagar uma parte do seu salário nessa temporada (caso queiram mandar o Curry embora, após um regime que lhe permitisse ao menos passar pela porta de saída). Pela ajudinha do Wolves, outras trocas aconteceram: o Knicks mandou o Anthony Randolph, que eles conseguiram nessa temporada achando que seria um jovem gênio e sequer recebeu minutos de jogo, e o Wolves mandou o Corey Brewer, que é um defensor atlético excelente para ser role player em time vencedor, mas que era cada vez mais desnecessário no Wolves. Além disso, o Nuggets mandou uma escolha de segunda rodada do draft em troca do Kosta Koufos, o pivô que eles nunca usavam porque são apaixonados pelo Darko. Ou seja, o Wolves se aproveitou da brincadeira apenas para dar uma chance ao Anthony Randolph, jogador de potencial que estava apodrecendo no Knicks, do mesmo modo que eles já fizeram com o Darko Milicic e têm orgulho disso.

.......

Se você tiver mais alguma pergunta pode mandar nos comentários. Só não prometemos responder logo, afinal temos uma troca do Deron Williams já comentada e agendada para entrar no ar amanhã de manhã!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / New York Knicks

 Cadê a Alicia Keys?

Objetivo máximo: Vão dizer que é ir para os playoffs, eu finjo que acredito
Não seria estranho: Não passar nem perto dos playoffs
Desastre: Feder a ponto do Carmelo Anthony ou do Chris Paul desistirem de ir para lá

Forças: Um ataque veloz e equilibrado
Fraquezas: Não defendem nem ponto de vista e não tomam boas decisões em quadra

Elenco:














.....
Técnico: Mike D'Antoni

Pra variar, relembremos nossa tradicional "Semana dos Técnicos":

O bigodinho mais famoso da NBA tornou-se praticamente uma lenda com a filosofia de "7 segundos ou menos", ou seja, a idéia de que as melhores oportunidades para pontuar acontecem nos primeiros 7 segundos de posse de bola. Na prática, isso significa correr como um maluco e arremessar o mais depressa possível. Parece estranho mas é uma tática funcional e responsável por formar um dos times mais velozes e divertidos de se assistir nos últimos anos.

A tática de D'Antoni é especialmente efetiva contra times mais fracos, sem identidade, que acabam sendo pegos na correria e tentam devolver na mesma moeda. Marcando trocentos pontos num ataque balanceado, evita-se que times com menos talento consigam manter o mesmo ritmo, mesmo que não exista esforço na defesa. Com isso, o Suns de D'Antoni chutou centenas de traseiros na NBA, aniquilando com facilidade os adversários mais frágeis mas suando contra adversários de peso. Ao enfrentar equipes equilibradas que joguem de maneira lenta e cadenciada, protegendo a posse de bola, a técnica de correr e arremessar (run 'n gun) de D'Antoni encontra graves problemas para funcionar. A encarnação na Terra da entidade cósmica do basquete lento e cadenciado é o Spurs de Gregg Popovich, que aniquilou ano após ano os "7 segundos ou menos", até que o Suns resolveu seguir em outro caminho.

Sempre insisti que o ataque do D'Antoni não é uma farsa, um sonho de criança, por ignorar a defesa e tentar vencer só no ataque. Na verdade, o plano dos "7 segundos ao menos" camufla uma série de limitações defensivas de suas equipes, pois obriga os adversários a jogarem rapidamente e tomarem decisões piores no ataque. Quando seu time não tem nenhum grande defensor nem consegue colocar em prática uma defesa coletiva, o melhor modo de lidar com isso é atacando em velocidade e forçando o adversário a fazer o mesmo. As defesas de Suns e do Knicks seriam ainda piores se um técnico defensivo assumisse e estipulasse um ataque lento, como vimos no Suns de Terry Porter. No entanto, precisei concordar um pouco com os odiadores do D'Antoni quando o Amar'e disse que, no Suns, nunca havia feito um único treino defensivo com  seu técnico. Nenhum! Dá pra acreditar num troço desses? Uma coisa é deixar a defesa em segundo plano se o ataque for melhor negócio, outra completamente diferente é ignorar a defesa por completo, jogar na privada e dar descarga. Às vezes, quando vejo o Knicks jogando, dá pra imaginar que realmente eles nunca nem brincaram de defender nos treinos, mas prefiro acreditar que isso é apenas exagero do Amar'e e ruindade dos jogadores.

A tática ofensiva do D'Antoni, no entanto, é bem menos efetiva no Knicks do que chegou a ser no Suns. O problema principal que o técnico enfrenta é a incapacidade que o time tem de tomar boas decisões em quadra. Ao contrário do que se imagina, atacar o mais rápido possível não significa dar qualquer arremesso de costas no meio da quadra como seu colega débil mental que não sabe fazer bandeja fica tentando na aula de Educação Física. É preciso saber onde colocar a bola para que surja a oportunidade de arremesso mais simples e rápida, e ter paciência quando ela não aparecer. O Knicks às vezes parece entender bem a ideia da coisa, mas em outros momentos apenas se afoba e tropeça nas próprias pernas, em parte pela falta de um armador que possa ser a voz de D'Antoni em quadra. Essas dificuldades sempre colocam em questão a viabilidade do esquema tático do D'Antoni em qualquer equipe, e sua capacidade de tentar outra coisa e se adaptar. Na temporada passada, o D'Antoni já foi mais maleável com a correria e o Knicks já se focou menos nos contra-ataques e mais em jogadas individuais de meia quadra, com foco no pick-and-roll, mas é óbvio que o técnico usa isso como útimo recurso apenas porque o time não consegue manter em alto nível o projeto inicial. Mas a chegada de Amar'e, que sempre floresceu nesse esquema tático do D'Antoni, pode lhe dar uma boa sobrevida e é capaz que o técnico experimente voltar um pouco à correria.

...

Quando analisou a chegada de Raymond Felton e de Amar'e ao Knicks, o Denis escreveu um post detalhado e gigaaaaante sobre o time que deixo aqui para ser lido na íntegra e mesmo assim colo quase inteiro aqui embaixo para todos aqueles que tem preguiça de dar um mísero clique com o mouse:


Para muita gente o dia da decisão do LeBron James de ir para Heat foi o símbolo do fracasso do Knicks nos últimos anos. Todos sabem que o time de Nova York passou pelo menos as últimas duas ou três temporadas mais preocupado em abrir espaço na folha salarial do que pensando em basquete de verdade, com LeBron sendo o alvo principal do plano. E pior,Wade Bosh eram as opções seguintes! Depois de tanto tempo, ficar com sua quarta opção é foda. É como passar anos planejando o casamento com a Alinne Moraes e na hora colocar a aliança no dedo da Wanessa Camargo.

No caso do Knicks até que era uma mulher mais gatinha que a Uanessa, o Amar'e Stoudemire é uma mina bem firmeza pra falar a verdade, mas uma que enjoa rápido. Como já dissemos no post em que comentamos a sua contratação, o Knicks fez a sua parte em garantir pelo menos uma grande estrela para não passar em branco. Quem se arriscou mesmo foi o Stoudemire, que corria o risco de não receber ajuda e ficar mais longe de títulos do que estava em Phoenix. E no fim das contas foi o que aconteceu. O Knicks perdeu a maior parte dos seus alvos e teve que se esforçar para colocar pelo menos alguns jogadores decentes em volta da sua nova estrela.

A maior contratação foi o Raymond Felton. O armador fez boas temporadas no Bobcats nos últimos anos, mas eu fui uma das muitas pessoas que esperava muito mais dele depois de vê-lo ter grandes atuações no seu ano de novato em 2005-06. No seu primeiro ano ele teve média de quase 12 pontos por jogo, nada mal, mas nunca conseguiu superar a casa dos 14. Nas assistências subiu variou de 5 a 7. Ele nunca foi ruim, mas também não foi espetacular como parecia que poderia ser. E ainda falhou em ser o líder do Bobcats. Quando o Larry Brown chegou em Charlotte, quis fazer com que Felton fosse o que o Billups foi naquele time do Pistons que ele treinou e foi campeão em 2004, alguém que controlasse a bola, o ritmo de jogo e chamasse o jogo nos momentos decisisvos. Ele até tentou e chegou a ter bons momentos de quarto período, mas o time só deslanchou quando o Stephen Jackson foi contratado e assumiu esse posto. Na defesa o líder sempre foi Gerald Wallace. Ray Felton era, em suma, o terceiro melhor jogador de um time que nunca foi mais do que o sétimo melhor time da conferência mais fraca da NBA.

Outra questão importante sobre o Felton é como ele vai se encaixar no time do técnico Mike D'Antoni. Mas para isso a gente precisa saber qual vai ser o esquema que o D'Antoni planeja usar. No seu primeiro ano de NY ele mandou o time correr como fazia no Phoenix Suns, era o segundo time mais veloz da NBA com 97,6 posses de bola por jogo. Depois de algumas derrotas humilhantes, resolveu se controlar um pouco e na temporada passada o time era outro. Com um pouco mais de jogo de meia quadra e apelando mais para os pick-and-rolls do que para os contra-ataques, foi apenas o oitavo time mais rápido, com 94 posses de bola por jogo. O que ninguém sabe é se o D'Antoni fez essa mudança porque acredita mais nela ou porque não tinha as peças para fazer diferente. E agora com Felton e Amar'e, vai decidir voltar ao plano anterior ou manter um time ainda rápido, mas um pouco mais controlado?

O time mais rápido passa por um armador rápido. Não tenho dúvidas de que um dos motivos (impossível saber todos) que fez o D'Antoni repensar o seu plano tático foi a incapacidade de fazer o Chris Duhon render em alto nível. Jogar na velocidade não é só ser rápido na corrida, é pensar, passar, driblar, infiltrar e tomar decisões inteligentes enquanto se corre. Steve Nash é o melhor da NBA nisso, Duhon era um rapazinho esforçado. O Felton é um meio termo. Ele sabe jogar na transição, fazia muito bem essas jogadas de contra-ataque com o Gerald Wallace no Bobcats, mas não é um jogador veloz. Eu vejo ele agindo bem em situações típicas de contra-ataque, como bolas roubadas ou tocos, mas não acho que ele tem a capacidade de fazer como o Nash de transformar qualquer posse de bola em um contra-ataque só com um pique e alguns passes longos e precisos.

Se o D'Antoni pensar como eu, o Knicks do ano que vem deve ser mais parecido com o da temporda 2009-10 do que com o de 2008-09, um time mais devagar. Espero que isso tenha sido levado em consideração na hora da contratação do Felton, que é mais um daqueles jogadores que são bons se você souber o que pedir deles.

Mas se a questão do tempo do jogo é um problema, o pick-and-roll não é. (...) Essa é a jogada que fez o Amar'e fazer 80% dos seus pontos na carreira, é onde ele mostra o seu melhor jogo. E nos últimos anos ainda foi capaz de fazer o pick-and-pop, que é quando, ao invés de correr para a cesta, quem faz o corta-luz fica parado para realizar o arremesso. Quando comentamos a sua contratação, pedimos um armador que soubesse fazer bem essa jogada, e Felton sabe. Sendo um bom passador (mas espere passes mais óbvios que os do Nash) e sendo, ao mesmo tempo, uma ameaça na infiltração e no arremesso vindo do drible, ele tem as ferramentas para fazer a jogada mais básica do basquete.

A outra conquista do Knicks nessa offseason foi ter conseguido um sign-and-trade com o David Lee. Um sign-and-trade é quando você assina com um jogador que era seu e virou Free Agent, caso do Lee com o Knicks, e logo depois o troca para o time que o jogador desejava ir. É um jeito do time não perder o seu jogador por nada e do time que recebe o jogador de abrir mais espaço salarial para receber um novo jogador. A troca foi com o Golden State Warriors, que mandou Kelenna Azubuike (eleito por mim no nosso formspring o jogador mais bonito da NBA), Ronny Turiaf (o melhor dançarino) e Anthony Randolph, um ala que já disputou duas temporadas da NBA e nunca foi citado numa frase sem a palavra "potencial" do lado. Típico caso do jogador que mistura partidas ótimas com outras medíocres e deixa todo mundo com um gostinho de que de lá pode sair alguma coisa interessante. Darius Milesestá aí para mostrar o perigo de jogadores assim, e Rajon Rondo para mostrar que de vez em quando os caras deslancham mesmo, e vão até mais longe do que se imaginava. Escolha o seu lado.

Para o Knicks, de novo, foi só uma saída para não sair com nada. Eles tiveram a chance de manter o Lee desde o ano passado, mas sempre se recusaram a oferecer uma extensão de contrato decente para que isso não prejudicasse o espaço salarial do time, agora pagam por isso. Perderam seu melhor jogador nos últimos anos, alguém que poderia jogar ao lado do Amar'e Stoudemire e que já se sabia que se dava bem em qualquer esquema do D'Antoni, para ganhar um monte de resto do Warriors. Azubuike, além de gatinho, sabe fazer seus pontos. Acho bem possível que ele acabe até virando titular nesse time, por falta de opções na posição 2, mas não deve estar para os planos em longo prazo do time.

O Turiaf pode dar certo demais no time. Basta uma de suas danças típicas depois de uma enterrada do Amar'e, para que ele vire um favorito da torcida e alguns tocos e rebotes ofensivos para que se torne a primeira opção do banco de reservas entre os jogadores de garrafão. Já o Anthony Randolph pode dar muito certo se conseguir ser mais regular nos seus melhores dias. Ele é bem alto, tem 2,10m, mas uma mobilidade e velocidade absurda. Para ele, sem dúvida alguma, seria melhor que o time fosse o mais veloz possível, pouquíssimos jogadores da sua altura conseguem acompanhá-lo na transição, e ele ainda é muito fraco tecnicamente para criar jogadas próprias no 1 contra 1 no jogo de meia quadra.

Outro problema é que ele joga na posição 4 e não tem chance alguma de ser pivô por ser muito magrelo. Se ele for ser titular, força Amar'e a jogar de pivô, coisa que ele já fez mas que reclamou de fazer a vida inteira, não seria surpresa se tivesse uma cláusula no contrato dele exigindo que ele fosse um ala de força. Isso sem contar a total incapacidade do Stoudemire de marcar jogadores mais altos que ele. Minhas dúvidas sobre como os dois podem funcionar juntos me fazem achar que Randolph vai vir do banco e que esse banco, se achar o armador certo, pode ser um time mais rápido que a equipe titular.

Talvez já pensando em um pivô que não seja o Eddy Curry para atuar ao lado de Amar'e, eles contrataram o russo Timofey Mozgov, que jogava no Khimki Moscou e na seleção russa. Eu não conhecia nada do jogador, mas pesquisando eu vi vários vídeos dele e recomendo esse que mostra os melhores momentos dele pela seleção russa enfrentando a Grécia. Acho que esse vídeo resume bem que é o Mozgov, um jogador que consegue ser ágil para o seu tamanho, 2.16m, tem um bom tempo para o toco, mas que dificilmente fará pontos na NBA que não sejam de rebotes ofensivos. Talvez o Knicks só queira ele para isso mesmo, um parceiro defensivo para o Amar'e, alguém para jogar 20 minutos por jogo. Se o plano foi esse, parece que foi uma boa contratação, mas melhor esperar para ver uns jogos dele antes."

Vale acrescentar ao post do Denis que o preview do Knicks e do Nuggets não foram os dois últimos porque não gostamos dos times ou algo parecido. Apenas enrolei os dois ao máximo porque a qualquer momento o Carmelo Anthony poderia ser trocado e ir parar em New York, e eu é que não ia ficar fazendo preview de novo, nem dei conta de lidar com esses aqui! Mas o ponto principal é que o Knicks não consegue ficar satisfeito. Sonhavam com LeBron, Wade, Amar'e, conseguiram só o terceiro. Abriram mão das últimas temporadas para concertar uma série de erros financeiros da última década e achavam que poderiam começar de novo com novas estrelas - que não vieram. Agora, frente a essa fracasso (ainda que a equipe já tenha melhorado muito), já sonham com Carmelo e com Chris Paul e se dizem dispostos a trocar qualquer um da equipe para que isso aconteça. O primeiro passo para isso já foi dado: Eddy Curry, o pivô gordo que literalmente desapareceu nas férias e botaram a polícia para encontrá-lo (como alguém perde um gordo daquele tamanho?), já recebeu parte do seu salário anual adiantado para que seja mais fácil trocá-lo ou mandá-lo embora. Seu contrato termina ao fim da temporada e enfim o Knicks vai ter dinheiro novamente para ir atrás de Carmelo, Chris Paul e o diabo a quatro. 

Por melhor que seja esse Knicks de agora, ele está me cheirando a bagunça (jogadores que precisam correr junto com jogadores que rendem melhor correndo menos, etc) e a temporada jogada no lixo para, pra variar, esperar os jogadores que podem ser conseguidos na temporada seguinte. Se o Carmelo deixar o pessoal do Knicks chupando o dedo, será que uma hora eles aprendem a se concentrar no presente e tentar montar um time com as peças disponíveis?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um time médio


Pois é, tem gente que fica feliz de ir pro Knicks


Para muita gente o dia da decisão do LeBron James de ir para Heat foi o símbolo do fracasso do Knicks nos últimos anos. Todos sabem que o time de Nova York passou pelo menos as últimas duas ou três temporadas mais preocupado em abrir espaço na folha salarial do que pensando em basquete de verdade, com LeBron sendo o alvo principal do plano. E pior, Wade e Bosh eram as opções seguintes! Depois de tanto tempo, ficar com sua quarta opção é foda. É como passar anos planejando o casamento com a Alinne Moraes e na hora colocar a aliança no dedo da Wanessa Camargo.

No caso do Knicks até que era uma mulher mais gatinha que a Uanessa, o Amar'e Stoudemire é uma mina bem firmeza pra falar a verdade, mas uma que enjoa rápido. Como já dissemos no post em que comentamos a sua contratação, o Knicks fez a sua parte em garantir pelo menos uma grande estrela para não passar em branco. Quem se arriscou mesmo foi o Stoudemire, que corria o risco de não receber ajuda e ficar mais longe de títulos do que estava em Phoenix. E no fim das contas foi o que aconteceu. O Knicks perdeu a maior parte dos seus alvos e teve que se esforçar para colocar pelo menos alguns jogadores decentes em volta da sua nova estrela.

A maior contratação foi o Raymond Felton. O armador fez boas temporadas no Bobcats nos últimos anos, mas eu fui uma das muitas pessoas que esperava muito mais dele depois de vê-lo ter grandes atuações no seu ano de novato em 2005-06. No seu primeiro ano ele teve média de quase 12 pontos por jogo, nada mal, mas nunca conseguiu superar a casa dos 14. Nas assistências subiu variou de 5 a 7. Ele nunca foi ruim, mas também não foi espetacular como parecia que poderia ser. E ainda falhou em ser o líder do Bobcats. Quando o Larry Brown chegou em Charlotte, quis fazer com que Felton fosse o que o Billups foi naquele time do Pistons que ele treinou e foi campeão em 2004, alguém que controlasse a bola, o ritmo de jogo e chamasse o jogo nos momentos decisisvos. Ele até tentou e chegou a ter bons momentos de quarto período, mas o time só deslanchou quando o Stephen Jackson foi contratado e assumiu esse posto. Na defesa o líder sempre foi Gerald Wallace. Ray Felton era, em suma, o terceiro melhor jogador de um time que nunca foi mais do que o sétimo melhor time da conferência mais fraca da NBA.

Outra questão importante sobre o Felton é como ele vai se encaixar no time do técnico Mike D'Antoni. Mas para isso a gente precisa saber qual vai ser o esquema que o D'Antoni planeja usar. No seu primeiro ano de NY ele mandou o time correr como fazia no Phoenix Suns, era o segundo time mais veloz da NBA com 97,6 posses de bola por jogo. Depois de algumas derrotas humilhantes, resolveu se controlar um pouco e na temporada passada o time era outro. Com um pouco mais de jogo de meia quadra e apelando mais para os pick-and-rolls do que para os contra-ataques, foi apenas o oitavo time mais rápido, com 94 posses de bola por jogo. O que ninguém sabe é se o D'Antoni fez essa mudança porque acredita mais nela ou porque não tinha as peças para fazer diferente. E agora com Felton e Amar'e, vai decidir voltar ao plano anterior ou manter um time ainda rápido, mas um pouco mais controlado?

O time mais rápido passa por um armador rápido. Não tenho dúvidas de que um dos motivos (impossível saber todos) que fez o D'Antoni repensar o seu plano tático foi a incapacidade de fazer o Chris Duhon render em alto nível. Jogar na velocidade não é só ser rápido na corrida, é pensar, passar, driblar, infiltrar e tomar decisões inteligentes enquanto se corre. Steve Nash é o melhor da NBA nisso, Duhon era um rapazinho esforçado. O Felton é um meio termo. Ele sabe jogar na transição, fazia muito bem essas jogadas de contra-ataque com o Gerald Wallace no Bobcats, mas não é um jogador veloz. Eu vejo ele agindo bem em situações típicas de contra-ataque, como bolas roubadas ou tocos, mas não acho que ele tem a capacidade de fazer como o Nash de transformar qualquer posse de bola em um contra-ataque só com um pique e alguns passes longos e precisos.

Se você não é de ver jogos do Bobcats, achei um mix legal com os melhores momentos do Felton. Mas cuidado, já fizeram um mix até do Jerome James mostrando que ele era bom. É só um vídeo, não tire todas as suas conclusões dele. É só pra ter uma idéia mesmo.


Se o D'Antoni pensar como eu, o Knicks do ano que vem deve ser mais parecido com o da temporda 2009-10 do que com o de 2008-09, um time mais devagar. Espero que isso tenha sido levado em consideração na hora da contratação do Felton, que é mais um daqueles jogadores que são bons se você souber o que pedir deles.

Mas se a questão do tempo do jogo é um problema, o pick-and-roll não é. Para quem não sabe o que é um pick-and-roll, recomendo o vídeo abaixo, que explica a jogada ao falar de como ela era usada no Phoenix Suns, quase o tempo todo justamente com Amar'e Stoudemire.


Essa é a jogada que fez o Amar'e fazer 80% dos seus pontos na carreira, é onde ele mostra o seu melhor jogo. E nos últimos anos ainda foi capaz de fazer o pick-and-pop, que é quando, ao invés de correr para a cesta, quem faz o corta-luz fica parado para realizar o arremesso. Quando comentamos a sua contratação, pedimos um armador que soubesse fazer bem essa jogada, e Felton sabe. Sendo um bom passador (mas espere passes mais óbvios que os do Nash) e sendo, ao mesmo tempo, uma ameaça na infiltração e no arremesso vindo do drible, ele tem as ferramentas para fazer a jogada mais básica do basquete.

A outra conquista do Knicks nessa offseason foi ter conseguido um sign-and-trade com o David Lee. Um sign-and-trade é quando você assina com um jogador que era seu e virou Free Agent, caso do Lee com o Knicks, e logo depois o troca para o time que o jogador desejava ir. É um jeito do time não perder o seu jogador por nada e do time que recebe o jogador de abrir mais espaço salarial para receber um novo jogador. A troca foi com o Golden State Warriors, que mandou Kelenna Azubuike (eleito por mim no nosso formspring o jogador mais bonito da NBA), Ronny Turiaf (o melhor dançarino) e Anthony Randolph, um ala que já disputou duas temporadas da NBA e nunca foi citado numa frase sem a palavra "potencial" do lado. Típico caso do jogador que mistura partidas ótimas com outras medíocres e deixa todo mundo com um gostinho de que de lá pode sair alguma coisa interessante. Darius Miles está aí para mostrar o perigo de jogadores assim, e Rajon Rondo para mostrar que de vez em quando os caras deslancham mesmo, e vão até mais longe do que se imaginava. Escolha o seu lado.

Para o Knicks, de novo, foi só uma saída para não sair com nada. Eles tiveram a chance de manter o Lee desde o ano passado, mas sempre se recusaram a oferecer uma extensão de contrato decente para que isso não prejudicasse o espaço salarial do time, agora pagam por isso. Perderam seu melhor jogador nos últimos anos, alguém que poderia jogar ao lado do Amar'e Stoudemire e que já se sabia que se dava bem em qualquer esquema do D'Antoni, para ganhar um monte de resto do Warriors. Azubuike, além de gatinho, sabe fazer seus pontos. Acho bem possível que ele acabe até virando titular nesse time, por falta de opções na posição 2, mas não deve estar para os planos em longo prazo do time.

O Turiaf pode dar certo demais no time. Basta uma de suas danças típicas depois de uma enterrada do Amar'e, para que ele vire um favorito da torcida e alguns tocos e rebotes ofensivos para que se torne a primeira opção do banco de reservas entre os jogadores de garrafão. Já o Anthony Randolph pode dar muito certo se conseguir ser mais regular nos seus melhores dias. Ele é bem alto, tem 2,10m, mas uma mobilidade e velocidade absurda. Para ele, sem dúvida alguma, seria melhor que o time fosse o mais veloz possível, pouquíssimos jogadores da sua altura conseguem acompanhá-lo na transição, e ele ainda é muito fraco tecnicamente para criar jogadas próprias no 1 contra 1 no jogo de meia quadra.

Outro problema é que ele joga na posição 4 e não tem chance alguma de ser pivô por ser muito magrelo. Se ele for ser titular, força Amar'e a jogar de pivô, coisa que ele já fez mas que reclamou de fazer a vida inteira, não seria surpresa se tivesse uma cláusula no contrato dele exigindo que ele fosse um ala de força. Isso sem contar a total incapacidade do Stoudemire de marcar jogadores mais altos que ele. Minhas dúvidas sobre como os dois podem funcionar juntos me fazem achar que Randolph vai vir do banco e que esse banco, se achar o armador certo, pode ser um time mais rápido que a equipe titular.

Talvez já pensando em um pivô que não seja o Eddy Curry para atuar ao lado de Amar'e, eles contrataram o russo Timofey Mozgov, que jogava no Khimki Moscou e na seleção russa. Eu não conhecia nada do jogador, mas pesquisando eu vi vários vídeos dele e recomendo esse que mostra os melhores momentos dele pela seleção russa enfrentando a Grécia. Acho que esse vídeo resume bem que é o Mozgov, um jogador que consegue ser ágil para o seu tamanho, 2.16m, tem um bom tempo para o toco, mas que dificilmente fará pontos na NBA que não sejam de rebotes ofensivos. Talvez o Knicks só queira ele para isso mesmo, um parceiro defensivo para o Amar'e, alguém para jogar 20 minutos por jogo. Se o plano foi esse, parece que foi uma boa contratação, mas melhor esperar para ver uns jogos dele antes.

Depois de analisar prós e contras de cada contratação, temos atualmente esse elenco do Knicks:

PG: Raymond Felton / Toney Douglas
SG: Kelenna Azubuike / Bill Walker
SF: Danilo Gallinari / Wilson Chandler
PF: Amar'e Stoudemire / Anthony Randolph / Ronny Turiaf
C: Timofey Mozgov / Eddy Curry

É um time melhor que o do ano passado, disparado. Também com ótimas opções na posição de ala de força, obrigando alguns deles a atuarem como pivôs durante um tempo do jogo, o que pediria um time mais veloz, o que, por sua vez, não é o que pede ter Raymond Felton no time. Confuso? Um pouco, mas só pro Knicks não perder sua identidade.

Mas apesar do time estar melhor, é longe do time dos sonhos que eles planejaram montar. Com esse elenco e com todos se acertando aos poucos em um esquema tático e uma rotação certa, dá pra imaginar eles indo para os playoffs, mas não passando da primeira rodada.

Antes que isso pareça decepcionante demais, o torcedor pode continuar sua brincadeira eterna de pensar no futuro. Afinal a offseason ainda não acabou mas o Knicks certamente está pensando na do ano que vem. Para a próxima temporada eles tem a liberação dos 11 milhões do contrato do Curry, quase 4 milhões do Azubuike, e Turiaf tem a opção de sair do seu contrato e virar Free Agent. Eles obviamente pensaram nisso na hora de aceitar os dois na troca do David Lee e já miram no ano que vem a tentação de levar para lá Carmelo Anthony. Basta que Melo não acerte uma extensão de contrato com o Nuggets e que tope ir para perto de onde foi campeão universitário. É um plano ainda distante, mas realista. E se nesse ano eles atrairam pouca gente de nome, talvez Felton, Amar'e, Gallinari e uma campanha regular nesse ano seja o bastante para levar Carmelo pra casa.

Depois de tudo isso você pode escolher como avaliar a offseason do Knicks e a nota final vai depender de quanto você é ambicioso. Se você esperava um time fora de série feito do nada como o Miami, a nota é baixíssima. Se você esperava uma evolução em comparação com o time do ano passado, a nota é boa. Se você ainda for um otimista e perceber que já no próximo ano existe uma janela para mais contratações boas, o cenário é ainda melhor. Eu acho que foi um ótimo primeiro passo para colocar o Knicks de volta entre os bons times e fora do grupo das piadas da NBA, mas ainda faltam grandes jogadores para fazer o difícil salto do grupo mediano para a elite.

Golden State Warriors
Uma rápida análise do time que foi citado aqui nesse post, o Warriors. Eles perderam Azubuike, Turiaf e Randolph e ainda podem perder Anthony Morrow, mas ganharam David Lee, o que pode ser mais valioso que todos os outros juntos. São poucos os jogadores de garrafão que dão conta de jogar em alto nível mesmo no ritmo alucinado imposto pelo técnico Don Nelson, mas o Warriors tem dois deles no elenco: Lee e Andris Biendris. Deve ser a primeira vez que o Warrios pode colocar dois jogadores altos em quadra, dois reboteiros natos e ainda assim continuar um bom time na velocidade. Sem contar que Lee ainda sabe arremessar de meia distância e fazer boas jogadas de dupla com Monta Ellis ou Stephen Curry.

Esse garrafão mais forte pode ser o que faltava para o time ser mais regular. Ninguém duvida que o Warriors pode vencer qualquer time da NBA, mas eles também podem perder de todos por 30 pontos de diferença. Mais rebotes e mais jogadores altos podem significar também mais regularidade. Mas para fechar o time seria importante manter Morrow, um dos melhores arremessadores de três pontos da NBA.

Outro contratado foi Dorrell Wright, ex-Heat. Muito irregular, é a cara do seu novo time. Com muita explosão física pode ser bom nem que seja para vir do banco de reservas, onde irá concorrer por minutos com aquele monte de jogador não draftado que o Don Nelson acha pela vida. Vai ser, de novo, um time divertido de acompanhar. Deveria ter um anel de entretenimento na NBA, seria do Warriors todo ano.

...
As Summer Leagues terminaram e faremos um apanhado geral delas ainda essa semana. Até lá!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Indústria da Boataria

Amaré de castigo no cantinho da disciplina


Já comentamos algumas vezes como a indústria da boataria faz a imprensa esportiva americana viver. Com o tempo você pega as manha dos baguio e sabe separar o que é válido do que não é válido, vale dar uma olhadinha no que tem se dito na última semana porque envolve nomes importantes.

O boato mais bizarro de ontem saiu da ESPN.com, dizendo que o Bobcats enviaria Raymond Felton, Sean May e Nazr Mohammed em troca do bad boy Jamal Tinsley, além da máquina de rebotes ofensivos Jeff Foster e de algum outro jogador, que poderia ser Stephen Graham ou o novato Brandon Rush. Ok, o Larry Brown no começo da temporada não era fã do Felton, mas dê uma razão lógica para essa troca existir e eu prometo dançar macarena de sunga na próxima parada gay.

O Felton é melhor que o Tinsley, que é em todos os sentidos o tipo de armador que o Larry Brown iria querer esmagar a cabeça na primeira semana de convivência: só defende quando quer, é preguiçoso em quadra, não tem arremesso, vive com encrenca fora das quadras. E pra que o Foster se eles já tem Okafor e Diop? Sério, tem uns boatos que me aparecem e eu não sei da onde vêm. Se isso virar verdade eu retiro todos os elogios que já fiz ao Bobcats. E olha que não é fácil criticar um time que tem acertado todas, até o Radmanovic já chegou jogando muito bem lá. Larry Brown é gênio.

Mas isso é mais um daqueles boatos, um que já passou de ser boato para se tornar realidade é que Amaré Stoudemire está para ser trocado. O Suns teve uma conversa a portas fechadas com todos seus jogadores e técnico, lavaram roupa suja e uma das conclusões dessa conversa é que mudanças serão feitas e que elas começarão pelo Stoudemire.

Eu não quero nem imaginar quantas vezes já tocou o telefone do GM do Suns, o Steve Kerr, desde que essa notícia saiu, não é todo dia que um cara desse nível está pra ser trocado. O próprio Amaré já falou sobre o caso e disse que não sabe se a troca ocorrerá mesmo mas que é bem possível, que ele está preparado e que não deixará de jogar duro pelo Suns enquanto estiver lá. E isso ele tem cumprido direitinho, tem jogado do jeito que sempre jogou, mesmo insatisfeito internamente, em todas as partidas nas últimas semanas.

Até agora as propostas que parecem ter atraído mais o Suns são três:

1. Com o Miami Heat em troca do contrato expirante do Shawn Marion e mais o Michael Beasley. Mas pessoas próximas ao Suns dizem que não há interesse em pegar o Marion de volta e que existem outros jogadores que eles gostariam mais de ter do que o Beasley. Parece que essa troca só rola em último caso.

2. Com o Chicago Bulls em troca de Thabo Sefolosha, Drew Gooden, Tyrus Thomas e algumas escolhas de draft. Essa troca é ótima para o Bulls, não dá nem pra medir quanto. Eles mandam praticamente só reservas e recebem em troca a força de garrfão que eles correm atrás há anos. Para o Suns é que eu não entendo, eles dizem que preferem o Tyrus Thomas ao Beasley mas isso não faz um puto de um sentido! Se eles fizerem essa troca, são um time morto que se suicidou já dentro do caixão, se é que essa frase faz algum sentido.

3. Com o Blazers em troca de LaMarcus Aldridge, Jerryd Bayless e Raef LaFrentz. Se essa proposta realmente existiu como a CBS anuncia, me surpreende que o Suns ainda não tenha aceitado. O contrato do LaFrentz acaba na próxima temporada liberando 12,7 milhões de dólares. O Bayless é finalmente um reserva jovem e talentoso para o Nash e o LaMarcus Aldridge tem como principais talentos tudo que faltava para o Amaré: defesa e jogo de meia-distância.

O Amaré reclamou que com o Shaq em quadra ele não podia bater pra dentro do garrafão e tinha que ficar arremessando de longe, que é o que o Aldridge faz tão bem. Enquanto o Amaré é o rei do pick-and-rolls, (quando você faz o corta-luz e corre em direção a cesta) Aldridge é um dos melhores, ao lado de Garnett, Rasheed e David West, no pick-and-pop (quando você faz o corta-luz e continua no perímetro para o arremesso)

Troca perfeita para o Suns e boa também para o Blazers, que terá um garrafão assustador no ataque com Amaré e assustador na defesa com Oden. Bayless é bom mas não é essencial em um time que já tem Steve Blake e Sergio Rodriguez.

Como já dissemos aqui um trilhão de vezes, muitas trocas acontecem do nada, sem nada vazar antes para a imprensa americana, então esses boatos não são lá dos mais confiáveis, mas como o próprio jogador já disse que houve essa conversa dentro da equipe e que só não haverá troca se realmente não for achada uma situação boa para o Phoenix, acho que é válida a discussão.


Enquanto isso na sala dos arqui-rivais...


















Um exemplo de notícia bem menos confiável é essa: O Spurs entrou em contato com o Nets para saber o que deveriam fazer para conseguir o Vince Carter. Como o contrato do VC é muito grande, a troca é praticamente impossível. Mas esses boatos malucos servem para outras coisas, mesmo que não consigam nunca o Carter, a ligação parece que aconteceu mesmo e isso quer dizer que o Spurs está correndo atrás de mudanças finais no elenco.

Por acaso (e falta de outros bons jogos), assisti recentemente justamente a partida entre o Nets do Carter e o Spurs. Eu não sabia que dava pra se divertir em um jogo do Spurs mas ontem eu consegui. Os duelos entre Devin Harris e Tony Parker na armação e Brook Lopez e Tim Duncan no garrafão foram fantásticos.

Antes do jogo mostraram uma entrevista em que o Brook Lopez disse que se espelha muito no Duncan para aperfeiçoar o seu jogo. Agora ele está devendo uns 200 contos de duas horas de aula particular. Meu deus, o Duncan passeou em cima do Lopez! Foram cestas de tantas maneiras diferentes que eu me dou chibatadas toda vez que eu penso que um dia acreditei que o Garnett pudesse ser melhor que o Duncan. Mas não dá, o Duncan é o melhor jogador de garrafão que eu já vi na vida.

Quer dizer, no jogo de ontem eu tive a impressão de que o Parker e o Harris fizeram mais pontos no garrafão que o Duncan, mas isso não conta, os dois são aberrações da natureza que irão se enfrentar de novo no sábado no Skill Challenge.

Usei o jogo para prestar atenção na rotação do Spurs, no estilo de jogo deles, pra ver um motivo para eles estarem atrás do Carter. Afinal, por que ele e não outros tantos jogadores que estão disponíveis para troca segundo seus times, como o Felton, Rasheed Wallace, Shawn Marion, Chris Kaman, dentre outros?

Uma resposta foi fácil: Parker, Ginobili, Roger Mason e George Hill ocupam as duas posições na armação durante todo o jogo, eles não precisam de mais ninguém. Em alguns momentos, principalmente em finais de jogo, o Mason até joga junto de Manu e Parker, mas só porque ele é o novo Robert Horry.

No garrafão está o primeiro problema. O Duncan joga de pivô e arregaça lá, mas o parceiro dele é o Matt Bonner. E por mais que o Matt Bonner esteja em uma fase muito boa, ele ainda é só o Matt Bonner! É só o ruivinho engraçado que arremessa de três o tempo inteiro (e acerta). É importante ter um cara assim no time, diria que é essencial ter arremessadores no time, mas ter o Matt Bonner como titular quer dizer alguma coisa e não é alguma coisa boa.

Fuçando as estatísticas da NBA, descobri que só o Orlando arremessa mais bolas de três que o Spurs e não fiquei surpreso, afinal Bonner, Ginobili, Mason e Finley estão em quadra durante muito tempo e, tirando o Manu, arremessar de três é tudo o que sabem fazer. Ao mesmo tempo que o time é mortal por causa disso, eles não têm muitas outras opções caso precisem de um plano B.

A posição 3 é a mais carente do time. Começa o jogo com o Finley por lá, depois passam Ginobili meio improvisado, o velho Bowen por poucos minutos e o Udoka só em dia de alinhamento dos planetas. O Vince Carter, então, seria alguém para jogar nessa carente posição 3, mantendo o time com muitas bolas de 3 e ainda tendo alguém que sabe fazer mais coisas, como bater pra dentro e criar jogadas vindo do drible.

Essa deficiência do Spurs, que fica escondida em tantos jogos por causa do talento incrível da trio de ferro do time, foi exposta ontem contra o pobre Raptors. Sim, o Spurs foi capaz de perder para o Raptors sem Bosh e Calderon! É como perder para a Adriana Behar e Shelda sem a Adriana Behar e Shelda em quadra. Todos os jogadores do Spurs não chamados Tony, Emanuel e Tim nesse jogo somaram 17 pontos! 9 do Roger Mason e 8 do resto do time. É muito pouco e o Popovich sabe disso, não é porque o Spurs está em segundo no Oeste que eles estão prontos para o título.

Aí fica a dúvida para o Spurs: o time tem dois quase-buracos, nas posições 3 e 4. Por que a preferência em buscar o Carter ao invés de um cara de garrafão? Vejo o Spurs evoluindo mais com Rasheed ou Kaman do que com o Carter, mesmo com o jogador do Nets sendo mais talentoso. Mas quem sou eu pra falar alguma coisa? O Spurs sempre acerta, eles vão acabar fazendo a troca certa.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O primeiro acerto do Jordan

Mais vale um Diaw e um Bell na mão do
que um Jason Richardson voando



Lembram no ano passado quando o Utah Jazz trocou uma figurinha repetida pelo Kyle Korver? A troca passou despercebida no meio de uma temporada em que figurões como Gasol, Kidd, Devin Harris e Shaquille O'Neal foram trocados, mas no fim das contas se mostrou uma das trocas mais eficazes. Para o Sixers, serviu como peça fundamental para liberar o espaço salarial necessário para assinar Elton Brand e manter Andre Iguodala; para o Jazz era a peça que faltava para o time deslanchar.

Se não me engano, não tenho os números certos aqui, o Jazz teve o segundo melhor recorde do Oeste na temporada passada contando desde o momento da chegada do Korver. O time estava feito e só precisava de um retoque para se tornar uma potência.

O caso mais parecido que aconteceu nesse ano é o do Bobcats. A troca em questão é a do Jason Richardson por Boris Diaw e Raja Bell. A princípio não tem muito a ver com a do Jazz, já que o Bobcats se livrou de seu principal cestinha, mas tem muito a ver porque era um time que precisava corrigir pequenos defeitos para entrar nos eixos e fez isso com jogadores medianos.

O Bobcats começou a temporada com esperanças, afinal tinha um elenco com bons jogadores, como Richardson, Gerald Wallace, Felton e Okafor, e que agora teriam como tutor o renomado técnico Larry Brown. Como todo começo de trabalho, a coisa foi difícil, principalmente porque o foco de todos os times do Larry Brown é defesa e muita gente no Bobcats achou que "defesa" era alguma gíria velha que o Larry Brown dizia querendo dizer "percam jogos!".

Com o tempo o time foi criando identidade e começou a figurar entre as melhores defesas da NBA, mas ainda faltava alguma coisa e começaram os boatos de troca. No começo se falava muito em mandar o Felton, que o Larry Brown não parecia gostar muito, por um pivô, pra deixar o Okafor jogando na posição quatro. Mas tempo vai, tempo vem, e o Larry Brown se tocou que pivô não aparece tão fácil e que não ia ser fácil trocar o Felton sendo que seu próprio técnico não dava muito valor pra ele.

A solução foi trocar quem tinha nome no time, o J-Rich. A troca rendeu o especialista em defesa Raja Bell, além do Boris Diaw, grande passador, mas que cravava com a sua chegada o Okafor na posição cinco, de pivô, para o resto da temporada.

Eu achei estranha a troca na hora, achei que o Bobcats ia virar um daqueles times que só defende e acaba perdendo jogos de 70 a 60. Também achei que o Diaw nunca iria se dar bem em um time focado na defesa e que ia acabar virando reserva rapidinho. Errei.

O Boris Diaw está jogando demais, o Raja Bell está jogando muito bem e os dois juntos estão ajudando mais o ataque do Bobcats do que o Jason Richardson jamais ajudou.

Assim como o Joe Johnson era no seus tempos de Suns, o J-Rich no Bobcats era um cara de talento extraordinário mas que na prática servia apenas como arremessador. E arremessador por arremessador, por que não o Raja Bell que ainda defende e ganha menos? E com mais qualidade defensiva e aproveitamento de bolas de 3 quase igual. Em 14 jogos pelo Bobcats nessa temporada, o Richardson acertou 27 bolas de 3, em 13 jogos o Bell acertou 20. Considerando a quantidade de chutes que cada um tenta, a diferença é mínima.

Já o Boris Diaw renasceu ao chegar em Charlotte. Ao invés de ser aquele cara emburrado e preguiçoso que víamos em Phoenix, vemos um cara que participa ativamente do ataque e que defende com gosto, formando uma improvável boa dupla de garrafão com o Okafor.

Em Phoenix, o Diaw estava com médias de 8,3 pontos, 3,8 rebotes e 2,1 assistências. No Bobcats os números pularam para 14 pontos, 7, 1 rebotes e 5,1 assistências, números quase iguais àqueles que o fizeram o jogador que mais evoluiu na temporada 2005-06. Além disso, o Diaw trouxe um arremesso de três que eu nunca vi ele ter! Seus 42% de aproveitamento são o melhor dele na carreira e quase 10% superior ao que ele tinha no Suns!

Temos então no Bobcats o Felton, que agora não só se dá melhor com o Larry Brown como é o cara de confiança para acertar as bolas decisivas (vale ver a bola dele contra o Pistons); o Raja Bell, que é quem marca o melhor jogador adversário e chuta as bolas de 3 que eram do Richardson; e o Gerald Wallace, que não precisa mais gastar suas faltas marcando o melhor adversário e participa mais da defesa nas coberturas, o que ele melhor sabe fazer.

Já no garrafão tem Diaw e Okafor. O francês tem um talento excepcional para passes e faz todo mundo participar mais do ataque, até o próprio Okafor, que recebe muitos passes naquele esquema high-low, que é quando um dos pivôs recebe a bola na cabeça do garrafão e passa para o outro que está embaixo da cesta, jogada que o Lakers faz bastante com Odom, Gasol e Bynum.

No banco ainda tem o novato DJ Augustin, que tem jogado demais da conta e que, por incrível que pareça, se dá muito bem quando joga ao lado do Felton, sem precisar ser necessariamente só reserva dele.

Com isso, o Bobcats é um time perfeito? Não. Provavelmente nunca vai ser, mas se você tiver a chance de ver eles jogarem, veja, é bem divertido ver como o time funciona muito bem. E temos que dar os parabéns porque eu nunca na minha vida iria imaginar que trocar o cestinha da equipe por Bell e Diaw, que pareciam em decadência, pudesse ser a melhor coisa para um time.

Antes da troca o Bobcats estava com um uma campanha de 6 vitórias e 14 derrotas. Desde a troca são 9 vitórias e 11 derrotas, mas se você considerar que 4 dessas derrotas foram num espaço de 6 dias logo depois da troca, sem a chance de um treino sequer, dá pra dar um desconto. Nos últimos 10 jogos são 5 vitórias e 5 derrotas. Entre as vitórias, times grandes como Celtics e Blazers. Entre as derrotas, uma sofrida por dois pontos contra o Spurs.

Nesse Leste em que todo mundo menos o Wizards tem chance de playoff, não me surpreenderia se o Bobcats arrancasse uma oitava vaga. Entre eles e o Nets, Bucks, Bulls, Knicks e Raptors, são os Cats o melhor time atualmente. Acho que essa troca nem foi idéia dele, foi do Larry Brown, mas finalmente o Jordan acertou uma na sua carreira nos bastidores.


Números:

O Bobcats é o time que menos marca pontos por jogo, com 91,2. Ainda precisa de muita melhora, mas lembro que o Pistons campeão de 2004 com o mesmo Larry Brown tinha apenas o 18° melhor ataque da NBA.

A defesa daquele Pistons era a segunda melhor da NBA, o Bobcats de hoje tem a 9° melhor defesa.

Em pontos sofridos em contra-ataque, o Bobcats sobe para a quinta colocação, são apenas 10,4 pontos sofridos em contra-ataque por jogo. O líder é o Pistons com 9,9.

A maior deficiência do Bobcats está dentro do garrafão, é apenas a 11ª melhor defesa quando se conta apenas pontos tomados no garrafão, que são 37,1 por jogo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Preview da temporada - Divisão Sudeste

Orlando é um time gostoso de ver

Como todo site de basquete que se preza, faremos um preview da temporada da NBA. "Preview" para quem não sabe é uma mistura de recapitulação do que aconteceu nos últimos meses com o que nossas poderosas mentes projetam para o futuro. Ou seja, a soma de coisas que vocês já sabem com coisas que nós aqui achamos que tentamos adivinhar, uma ciência exata.

Foi no preview do ano passado, quando o Bola Presa ainda era algo como um projeto de participante do BBB, que tinha sua beleza mas ainda não os quinze minutos de fama, em que eu disse que o Bulls seria o campeão do Leste. Como o Derrick Rose está aí pra provar, eu errei, mas fui motivo de piada durante toda temporada. Então curta nossos previews como uma piada do futuro, será mais divertido assim.

O formato que escolhemos é o de dar motivos para assistir ou não assistir aos jogos desse time na temporada. Afinal existem mutretas internéticas para acompanhar qualquer jogo que você quiser pela internet, mas assistir quem? O Clippers ou o Pacers? O Lakers ou o Bulls? O Spurs ou... brincadeira, claro que você não vai assistir ao Spurs.

Os previews estão divididos por divisão e colocamos os times na ordem em que acreditamos que será a classificação depois dos 82 jogos.


Orlando Magic

Motivos para assistir:
Se você gosta de bolas de três e de enterradas, esse é o time certo para se assistir. No ano passado, o Orlando Magic foi o segundo time que mais arremessou bolas de 3 em toda a NBA, mais do que o Suns e atrás só do Warriors. Foram 25,3 bolas de 3 tentadas por jogo! Imagina se o Antoine Walker jogasse lá! Também é legal para ver enterradas porque o Dwight Howard foi o líder, disparado, em enterradas na temporada passada. Foram 267 enterradas, mais de 3 por jogo e 59 enterradas a mais do que o segundo colocado, Amaré Stoudemire. Assistir ao Magic é ver um jogo de NBA Live com pessoas de carne e osso.

Como curiosidade, será legal também ver como o Magic lida com o JJ Redick. Ele vive enchendo o saco porque quer dar o fora de lá e ir para um lugar em que tenha minutos de jogo. Não é irônico que o chamado "melhor arremessador do mundo" por muita gente (não o Damon Jones) não tem espaço no time que mais arremessa de 3? De qualquer forma, o Magic não atendeu seu pedido de troca e disse que nesse ano ele terá sua chance de finalmente brilhar na NBA.

Motivos para não assistir: O motivo para não assistir ao Magic é o mesmo motivo de assistir. Eles são aquela mesma coisa sempre! Depois do terceiro jogo assistindo a um festival de bolas de 3, a coisa fica meio cansativa.

Mas a verdade é que tudo depende também do nível de inspiração do Jameer Nelson. Se começar o jogo e ele estiver jogando bem, pode esperar uma atuação divertida do time do Mickey, com ele inspirado o time joga em velocidade e o jogo flui mais fácil. Mas quando o Jameer Nelson joga mal, aí sai de baixo, aí a coisa é menos criativa do que Feira de Ciências de 5° série e as bolas de 3 são quase um estupro de tão forçadas.

Outro lado ruim de ver o Magic é que para impedir o Dwight Howard de enterrar a bola, os times costumam bater nele, ou seja, o jogo fica lento e você perde minutos preciosos da sua vida assistindo a um cara de 2,15m ficar amassando o aro.


Miami Heat

Motivos para assistir:
O Miami vai acabar na frente do Wizards sim, e se der tudo certo é capaz até de ameaçar o Orlando no título do Sudeste. O motivo desse meu otimismo é o principal motivo para se ver o Miami Heat: Dwyane Wade.

Na minha vida de futurólogo da NBA eu aprendi algumas coisas. Uma das mais importantes é: nunca aposte contra LeBron James, Dwyane Wade, Kobe Bryant e Tim Duncan. O LeBron levou aquele Cavs para as finais da NBA, o Kobe fez 81 pontos em um jogo e o Duncan acerta até bola de 3 quando interessa. O Wade, por sua vez, despedaçou o Pistons e depois virou praticamente sozinho uma final contra o Mavs em 2006. Eles não são imbatíveis, mas é melhor não apostar contra.

O Wade saudável como estava nas Olimpíadas já é motivo pra ver todos os jogos do Heat, mas além disso tem mais gente por lá que é boa. O Shawn Marion é o faz-tudo que se encaixa em qualquer time e está em ano de contrato, ou seja, ele vai jogar mesmo pra poder continuar ganhando uma fortuna. E ainda tem o Beasley, que é o cara que mais faz parecer fácil o difícil ato de marcar pontos. Ele dá uns arremessos aqui, outros ali, faz umas infiltrações, ganchos, enterradas, ele faz tudo e faz parecer fácil. Mesmo que não seja um jogador completo, já pode beirar os 20 pontos por jogo em sua primeira temporada.

Motivos para não assistir:
O Heat tem um elenco estranho, são três jogadores fora de série (se o Beasley realmente der certo), o Haslem que é um ótimo jogador de apoio e o resto é de talento duvidável. Seja duvidável porque o cara tem cara de uma criança de 10 anos (Chris Quinn) ou porque tem o joelho tão forte quanto o de uma criança de 5 (Shaun Livingston).

Isso pode significar que as jogadas espetaculares do Wade podem ser exceções em um time sem qualquer entrosamento. Vale lembrar que a idéia inicial é usar o Marcus Banks como armador principal, o que pode dar bem errado. O técnico Eric Spoelstra disse que planeja usar um esquema ofensivo parecido com o usado pela seleção americana nas Olimpíadas de Pequim. Pode ser bom, porque era um esquema que usava bastante velocidade e contra-ataques, mas dava certo com o Kobe, Kidd, LeBron e cia. Será que dá certo com o Mark Blount?

Saiba dos riscos quando você for assistir ao Heat. Pode vir show dos Beatles ou show da Rita Lee tocando Beatles, são coisas bem diferentes.


Washington Wizards

Motivos para assistir:
Eu não acredito no Wizards nessa temporada, até pensei duas vezes em colocar eles na frente do Hawks! A que ponto chegamos! Mas vou confiar que quando o Arenas voltar, em dezembro ou janeiro, ele volte de uma vez por todas e o Wizards seja um time decente o bastante para ficar na frente do Atlanta.

Mas mesmo se eles não se recuperarem, é um time até legal de se ver jogar. Além do Caron Butler, que é espetacular, tem o DeShawn Stevenson fazendo suas palhaçadas, o Nick Young tentando ser o Kobe, o Pecherov que parece o Stewie do Família da Pesada e ainda pode ficar tentando descobrir como funciona a porcaria da Princeton Offense. Pura diversão!

Ou você fica vendo seus DVDs da Vivi Fernandes até o Arenas voltar. É mais fácil.

Motivos para não assistir:
Enquanto o Arenas não voltar você nem precisa justificar se não quer ver um jogo do Wizards, a gente entende e deixa quieto. Mas mesmo quando o Arenas voltar a coisa pode ser meio feia.

Nos playoffs do ano passado, quando o Agente Zero voltou, ele estava claramente fora de forma e completamente sem entrosamento com os companheiros. Imagina ele de novo sem passar por uma pré-temporada, sem treinar e junto com o Etan Thomas, que também não joga há mais de uma temporada e irá lutar com um novato pela vaga de titular deixada pelo contundido Brendan Haywood.

Dá pra imaginar o nível de entrosamento que esse time vai ter com os dois em quadra? O negócio pode até dar certo, mas até lá vai ser feio. Recomendo cautela para os menores de 16 anos.


Atlanta Hawks

Motivos para assistir:
Te dou dois motivos para assistir ao Hawks: Josh Smith e Joe Johnson.

Há umas duas temporadas o técnico do Hawks, Mike Woodson, disse que o Joe Johnson era tão bom quanto o Kobe, só não tinha o reconhecimento da imprensa. Acho que ele exagerou um pouco, mas ele vale o ingresso sim, o cara é pura finesse, uma maravilha de ver jogar, um dos jogadores mais completos da NBA.

Já o Josh Smith não é nada de finesse, é muita força. E você tem que concordar que o Josh Smith é especialista nas duas coisas que mais fazem os torcedores pularem da cadeira no meio de um jogo, as enterradas e os tocos. O cara é uma máquina de dar tocos quando alguém acha que vai para uma bandeja sozinha no contra-ataque.

Se você realmente se importa com o Hawks, o que eu duvido, você ainda pode acompanhar a evolução do fenômeno reboteiro Al Horford, do segundo-anista Acie Law e até ver como o Mike Bibby se comporta agora que ele está no último ano do seu contrato. Mas só faça isso se não tiver namorada, um video-game ou uma peteca, senão é perda de tempo.

Motivos para não assistir:
Ué, é o Hawks. Mas tudo bem, dou três motivos para você não ver jogos do Hawks então:

-Você gosta de basquete
-Você tem bom senso
-Você não assiste nada que envolva o Zaza Pachulia

Brincadeiras à parte, quem acompanhou a série contra o Boston nos playoffs do ano passado sabe como o Hawks pode ser em um jogo um time empolgante e no jogo seguinte parecer um time juvenil que te dá desgosto de viver.


Charlotte Bobcats

Motivos para assistir:
Pegue tudo o que eu disse acima do Josh Smith e troque o nome por "Gerald Wallace", é a mesma coisa mas com mais chances de contusão.

Além dele tem o Okafor, que nunca foi tão bom quanto deveria ser mas sempre toma uma enterrada bonita na cabeça. A versão 3.0 do Mbenga é legal de assistir pelo motivo errado, mas é legal.

Além disso, tem a volta do Adam Morrison, que obviamente nunca vai dar certo na NBA mas que tem o bigode mais firmeza da história da liga. Sim, bigodes são motivos pra ver um jogo, assim como eu só vejo o Celtics jogar pra ver que penteado o Scott Pollard está usando.

Motivos para não assistir:
Vai dar errado. Eu não estou torcendo para eles se ferrarem, mas essa experiência com o Larry Brown parece aqueles casamentos de artista que você já começa a contar os dias para o divórcio assim que vê os dois recém-casados na Caras. Outro dia ele já deu uma entrevista dizendo que os armadores DJ Augustin e Ray Felton estão se esforçando muito para respeitar o sistema ofensivo, mas que eles estão se esforçando tanto que não tá dando certo, eles têm que se soltar mais.

Aí quando eles se soltarem mais o cara vai dar um piti e vai brigar com todo mundo. Aí o Gerald Wallace vai ter dor nas costas, o Okafor vai torcer o pé, o Adam Morrison já voltou a sentir dor no joelho, o Sean May está gordo, o Matt Carroll é coleguinha de classe do Chris Quinn e o ginásio vai ser atacado por terroristas que vão acusar o Nazr Mohammed de ter traído o movimento.

Então o Larry Brown vai repetir uma frase que ele já disse antes mesmo da temporada começar: "Eu deveria ter me aposentado", que foi o que ele disse, em tom de brincadeira (ainda), depois daquele jogo em que o Bobcats perdeu o primeiro período por 40 a 9.