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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Miami Heat, o retorno

Monstro de três cabeças

Antes da temporada passada começar, muito se especulava sobre como seria o Miami Heat de LeBron, Wade e Bosh. A equipe parecia estar investindo todas as fichas no que podemos chamar de "modelo Celtics": juntar três estrelas, colocar todo o foco na defesa, deixar que se virem como bem entenderem no ataque, e tapar os buracos da equipe com pivetes ou jogadores veteranos dispostos a receber salários minúsculos pela chance de ganhar um título. No caso do Celtics, a pivetada deu muito certo (Rondo, Perkins) e os vovôs continuam topando a brincadeira até hoje (Shaquille O'Neal ficou até onde deu, Jermaine O'Neal deve fazer o mesmo).

O modelo parecia perfeito para o Heat imitar, LeBron e Wade só falavam em defesa durante os primeiros treinamentos com o técnico Erik Spoelstra, o time apostou em um pirralho na armação (Mario Chalmers) e um no garrafão que só sabia defender (Joel Anthony), e os veteranos se acotovelaram pela chance de jogar: passaram pelo Heat em seu primeiro ano vovozinhos como Jerry Stackhouse, Ilgauskas, Dampier, Juwan Howard, Mike Bibby, Jamaal Magloire, Mike Miller e Eddie House (esse último, aliás, havia participado também desse modelo no Celtics). Não dava pra culpar o Heat, copiaram um modelo recentemente vencedor e, por não serem um grande mercado na NBA, aproveitaram o fato de que o Wade trouxe seus amiguinhos para finalmente se tornar um lugar interessante para jogadores veteranos. Afinal, como fica bem fácil de perceber, jogadores bons e velhos querem jogar em equipes boas, não nas franquias mais famosas.

O problema é que nenhuma cópia sai exatamente como o original, e já no primeiro mês de temporada dava pra ver os deslizes do projeto. O primeiro, e mais sério, era que a defesa simplesmente não funcionava como deveria. Contra equipes mais fracas, a defesa era sufocante e vencia o jogo sozinha como esperado, mas contra equipes dispostas a rodar a bola, atacar o garrafão, ou com pivôs um pouco mais competentes do que o normal, a defesa não conseguia acertar a rotação, cometia erros bobos, batia cabeça e acabava se frustrando, tentando tanto roubar bolas que acabava deixando jogadores completamente livres quando os roubos não aconteciam. No ataque a coisa também era bastante bagunçada e o time foi alvo de críticas, especialmente com aquele papo de que "não tem na equipe um armador de verdade pra botar ordem na casa". Na prática, o ataque do Heat era tão organizado ou mais do que aquele do Celtics que foi campeão em 2008, justamente porque jogadores tão talentosos sempre dão um jeito de pontuar mesmo que seja na marra - por isso o foco das duas equipes sempre foi na defesa e há um desdém de ambos com relação à parte ofensiva.

Mas o técnico nerd Erik Spoelstra resolveu não deixar o ataque à deriva. Com seus bilhões de números e estatísticas, constatou que o Heat usava sempre as mesmas jogadas no ataque e que eventualmente isso seria um problema. A solução que ele propôs é um tanto videogame: sempre que o Heat tivesse sucesso na defesa, conseguindo um roubo de bola, um toco ou um rebote defensivo, o ataque poderia fazer o que bem entendesse; mas toda vez que o Heat levasse uma cesta era obrigado a seguir uma das jogadas "não-convencionais" que o Spoelstra havia desenhado para variar o ataque. A tática deu certo o bastante, afinal o Heat chegou a uma Final de NBA, mas ela tem vários problemas. Primeiro, ela assume que os problemas defensivos do Heat eram uma questão de comprometimento, não de posicionamento e entendimento da função de cada um em quadra. Depois, ela arrancou completamente pela raíz a espontaneidade do ataque da equipe. O sucesso que o Heat tinha com jogadas de velocidade ou um pick-and-roll simples era imenso, mas nos momentos de aperto cansei de ver a equipe se embananando toda tentando colocar em prática alguma movimentação do Spoelstra na linha de fundo da quadra. LeBron James passou boa parte da série contra o Mavs, na Final, acionando Chris Bosh para arremessos de média distância - em parte porque o garrafão do Mavs intimidava qualquer infiltração, é verdade, mas em parte também porque não tinha permissão para jogar na velocidade como bem entendesse. Os contra-ataques com LeBron e Wade são fulminantes, eles adoram, se divertem, fazem dancinhas, mas são muito raros numa equipe que poderia fazer isso o tempo todo se quisesse. A equipe tentou tomar para si uma identidade que não lhe correspondia. E até que simulou razoavelmente bem esse papel, uma Final de NBA não cai no colo de ninguém, mas em nenhum momento pareceu algo natural, orgânico. Os jogadores foram tirados de sua zona de conforto, do modo em que renderiam mais, e com isso tiveram dificuldades em contribuir em algumas situações.

No ano passado, escrevi sobre a diferença entre essência e aparência na hora de definir a posição de um jogador, e para isso usei uma cena do Chaves que infelizmente foi tirada do ar. Coloco um vídeo similar abaixo para retomar aquela ideia:



Tem jogador que parece de tamarindo e tem jogador que é de tamarindo, como saber a diferença? Definimos uma coisa pelo modo que ela se apresenta a nós, por como nos parece, ou há um modo de descobrir o que ela verdadeiramente é, além das aparências? Essa questão filosófica é importante para nós graças a dois jogadores: LeBron James e Chris Bosh. Ambos parecem alas: LeBron é alto, forte, gosta de infiltrar e é pontuador; Bosh é magro, fisicamente fraco, e sempre se lesionou tendo que jogar de pivô no Raptors. Na essência, naquilo que eles verdadeiramente são, embora o Bosh seja considerado um ala de força exatamente como ele aparenta (mesmo tendo jogado de pivô improvisado no Raptors por toda a carreira), considero LeBron um armador puro (como jogava no colegial, e assim que entrou na NBA) e não um ala como insistem para que ele seja.

LeBron foi o armador principal do Heat na maior parte da temporada, com Mario Chalmers ou Mike Bibby em quadra apenas para marcar o armador adversário na hora de defender, e para arremessarem de três pontos na hora do ataque tendo em vista a falta de arremessadores que o Heat tem (e a inconsistência de LeBron e Wade na função). Armando, LeBron teve alguns problemas para manter o esquema semi-rígido do técnico Spoelstra, muitas vezes tendo que se conter ou se limitar no ataque para cumprir as jogadas estabelecidas. Por outro lado, LeBron simplesmente desapareceu nos momentos em que a armação foi passada para outra pessoa e teve que jogar de ala. Quando LeBron e Wade revezaram a armação, com um fazendo corta-luz para o outro na cabeça do garrafão, foi tudo fantástico, mas com LeBron isolado no perímetro o negócio desandou. Está na hora de admitirmos que LeBron é o armador dessa equipe - talvez até deixando que ele finalmente marque o armador adversário, agora que Shane Battier pode garantir a marcação na ala - e que está tudo bem ele assumir essa função. Como comentamos anteriormente, grande parte dos problemas do Heat na temporada passada foram tentar ser um time que eles não eram.

O caso do Bosh, no entanto, é mais complicado. Depois de uma vida inteira como pivô improvisado (e de uma franquia que se destruiu tentando conseguir pivôs melhores para deixar que sua estrela fosse para a ala, onde queria), finalmente Bosh conseguiu jogar como ala de força no Miami Heat. Em geral o pivô foi Joel Anthony, que todo mundo adora dizer quão ruim é mas que na verdade está no topo da NBA naquelas estatísticas difíceis de contabilizar e que ninguém dá a mínima, como sucesso no corta-luz, proteção nos rebotes (box-out), faltas de ataque sofridas, etc. Bosh conseguiu então realizar seu sonho e jogar longe da cesta, marcar jogadores mais fracos e usar mais seu arremesso - e foi um fracasso. O arremesso do Bosh é ótimo, mas não tão bom quanto seus movimentos embaixo da cesta; sua velocidade na defesa não fica tão evidente contra jogadores mais ágeis e que jogam mais fora do garrafão; sua capacidade de bater para dentro do garrafão no ataque fica diminuída enfrentando alas, mais capazes de acompanhar sua velocidade. Descobrimos que o Bosh só era genial (e sim, ele foi absurdamente genial nos seus tempos de Raptors) porque era rápido, leve, ágil e inteligente contra pivôs grandões e descoordenados.

A parte legal é que o Bosh percebeu tudo isso. Recentemente alegou que ter arremessado abaixo de 50% (teve 49% de aproveitamento na última temporada) e ter conseguido menos de 10 rebotes (foram 8) é algo inaceitável para ele, que ele tentou fugir de ser pivô e que isso sempre volta e pega ele de algum jeito, então que para essa temporada resolveu fazer diferente: adicionou 5 quilos de massa muscular durante a greve e está decidido a ser o pivô da equipe sempre que necessário. Isso é ótimo porque Udonis Haslem volta da contusão que lhe tirou quase toda a temporada passada, e os dois tem tudo para serem muito melhores juntos do que qualquer outra dupla de garrafão do Heat.

No caso do ataque pouco orgânico do Heat e do LeBron contido na armação, Spoelstra também percebeu o problema e oficialmente tirou as amarras. Não haverá mais jogadas chamadas pelo técnico, eles não terão a obrigação de fazer jogadas específicas caso sofram cestas, não terão que evitar as jogadas mais eficientes apenas para "não usá-las demais". Bosh, Wade e LeBron deram entrevistas dizendo que o ataque será livre, que seguirão o ritmo natural do jogo e usarão a experiência e a inteligência que possuem para fazer o que acharem melhor. Claro que com o foco na defesa, agora com mais tempo para que ela bata menos cabeça. É o "modelo Celtics", agora livre e solto, com permissão para correr a quadra e jogar no contra-ataque como todo mundo pensou que eles fariam. E com o Bosh de pivô se precisar, enfim.

E como o "modelo Celtics" não está completo sem veteranos topando a brincadeira, vamos seguir nossa análise das contratações da offseason e dar uma olhada em como os recém-contratados se encaixarão no Heat:

Mario Chalmers
Miami Heat - 12 milhões por 3 anos

Volta para o Heat o armador que não precisa quase nunca armar o jogo, mas cujo arremesso de três é muitas vezes o desafogo da equipe. Com LeBron e Wade sendo tão bons na infiltração, faltou para o time na temporada inteira uma bola consistente de três pontos para abrir espaço no garrafão. Mike Miller chegou à equipe só para isso, passou boa parte da temporada contundido e aí quando finalmente jogou, fedeu. Chalmers não é o melhor arremessador disponível, mas criou fama como o cara cheio de bagos que converte os arremessos de três nas horas mais importantes, e o Heat precisa disso. Quer dizer, é meio bizarro ter LeBron, Wade e Bosh e acabar passando a bola importante para o Chalmers, mas não deveria ser vergonha pra ninguém, o Super Mario Chalmers merece.

Shane Battier
Miami Heat - 20 milhões por 4 anos

A melhor contratação que o Heat poderia fazer na história da humanidade conhecida. Shane Battier é o cara que torna um time bom em um time fantástico, é a peça que falta em qualquer equipe que esteja às portas de ganhar um título. Assisti a ele desperdiçar seus talentos no meu Houston Rockets porque, olha que estranho, o Houston realmente achava que dava pra vencer um titulo e por isso seguraram o Battier a todo custo (aliás, ao custo do Rudy Gay, mas isso é outra história). Battier ainda é um dos melhores defensores de perímetro da NBA, é um ótimo defensor no garrafão, o melhor da liga em cavar faltas de ataque, é tão obediente taticamente que fica até chato, e ainda não compromete no ataque - tem um ganchinho confiável e uma bola de três pontos mortal na zona morta. O Heat finalmente terá uma bola da zona morta para acionar depois das infiltrações de Wade e LeBron, e nenhum dos dois terá que se matar parando a estrela adversária. Colocando Wade, LeBron e Battier em quadra (com LeBron jogando de armador, como deve ser), o perímetro fica espetacular; mas dá pra colocar o Battier de ala de força com o Bosh de pivô dependendo do adversário. Defende, joga várias posições e acerta bolas de três pontos, é tudo que o Heat precisava da vida. E o Celtics. E o Mavs. E o Lakers. E o...

James Jones
Miami Heat - 6 milhões por 3 anos

A necessidade que o Heat tem por arremessadores é enorme. LeBron e Wade nem arremessavam uns anos atrás, melhoram a cada temporada, e na última melhoraram o aproveitamento na marra, porque as defesas fecham o garrafão e deixam os dois chutarem. O problema é que com tanto espaço para o arremesso de três, faltam no Heat especialistas. O James Jones é tão especialista, mas tão especialista, que levou meses na temporada passada para fazer seu primeiro ponto dentro do garrafão. Ou seja, faz aquilo que precisa. Seria péssimo para o Heat perdê-lo, não existem muitos arremessadores disponíveis no mercado por um preço bacana, e o James Jones acabou saindo a preço de banana.

Eddy Curry
Miami Heat - 1 ano, 1 milhão

Como sabemos, o fato de que o Eddy Curry perdeu 30 quilos (trinta!) para jogar pelo Heat acabou mudando a estrutura do espaço-tempo e quase fez com que a temporada não acontecesse! O Curry já foi um jogador relevante, é muito sólido atacando embaixo da cesta, muito técnico, e muito, muito, muito gordo. Recebeu um contrato bilionário no Knicks mas nunca conseguiu ficar em forma, teve problemas pessoais bizarros (de assédio sexual a homicídio na família), foi ficando uma bola e então finalmente saiu da órbita da Terra, girando ao redor do planeta como uma lua pequena. Nos seus bons tempos era bom no ataque, ruim na defesa, e um dos piores reboteiros a já jogar basquete. O Heat tem problemas sérios com rebotes defensivos (especialmente com o Bosh jogando longe da cesta como ala de força, e com o Haslem machucado), então o Curry não acrescenta muito. Só é legal de ver um cara tentando retomar a carreira, correndo as tripas para fora, perdendo tanto peso e conseguindo um lugar numa equipe como o Heat. Na falta de gente de garrafão, terá sua chance. O problema é que não garantirá rebotes nem acompanhará a velocidade dos contra-ataques. Se estiver bem fisicamente, no entanto, é sempre uma ajuda nem que seja para fazer faltas no Dwight Howard. Vale também lembrar o quanto já zoamos o Zach Randolph por ser gordo e hoje em dia ele é tão bom reboteiro que parece ter cola nas mãos. Aliás, o Randolph também andou perdendo peso e até pegando umas ponte-aéreas nos treinos do Grizzlies. Se o Curry fizer isso também, aí já era a nossa temporada, o espaço-tempo, vai ter greve mundial dos seres humanos e a Lua vai se chocar contra a Terra.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / New York Knicks

 Cadê a Alicia Keys?

Objetivo máximo: Vão dizer que é ir para os playoffs, eu finjo que acredito
Não seria estranho: Não passar nem perto dos playoffs
Desastre: Feder a ponto do Carmelo Anthony ou do Chris Paul desistirem de ir para lá

Forças: Um ataque veloz e equilibrado
Fraquezas: Não defendem nem ponto de vista e não tomam boas decisões em quadra

Elenco:














.....
Técnico: Mike D'Antoni

Pra variar, relembremos nossa tradicional "Semana dos Técnicos":

O bigodinho mais famoso da NBA tornou-se praticamente uma lenda com a filosofia de "7 segundos ou menos", ou seja, a idéia de que as melhores oportunidades para pontuar acontecem nos primeiros 7 segundos de posse de bola. Na prática, isso significa correr como um maluco e arremessar o mais depressa possível. Parece estranho mas é uma tática funcional e responsável por formar um dos times mais velozes e divertidos de se assistir nos últimos anos.

A tática de D'Antoni é especialmente efetiva contra times mais fracos, sem identidade, que acabam sendo pegos na correria e tentam devolver na mesma moeda. Marcando trocentos pontos num ataque balanceado, evita-se que times com menos talento consigam manter o mesmo ritmo, mesmo que não exista esforço na defesa. Com isso, o Suns de D'Antoni chutou centenas de traseiros na NBA, aniquilando com facilidade os adversários mais frágeis mas suando contra adversários de peso. Ao enfrentar equipes equilibradas que joguem de maneira lenta e cadenciada, protegendo a posse de bola, a técnica de correr e arremessar (run 'n gun) de D'Antoni encontra graves problemas para funcionar. A encarnação na Terra da entidade cósmica do basquete lento e cadenciado é o Spurs de Gregg Popovich, que aniquilou ano após ano os "7 segundos ou menos", até que o Suns resolveu seguir em outro caminho.

Sempre insisti que o ataque do D'Antoni não é uma farsa, um sonho de criança, por ignorar a defesa e tentar vencer só no ataque. Na verdade, o plano dos "7 segundos ao menos" camufla uma série de limitações defensivas de suas equipes, pois obriga os adversários a jogarem rapidamente e tomarem decisões piores no ataque. Quando seu time não tem nenhum grande defensor nem consegue colocar em prática uma defesa coletiva, o melhor modo de lidar com isso é atacando em velocidade e forçando o adversário a fazer o mesmo. As defesas de Suns e do Knicks seriam ainda piores se um técnico defensivo assumisse e estipulasse um ataque lento, como vimos no Suns de Terry Porter. No entanto, precisei concordar um pouco com os odiadores do D'Antoni quando o Amar'e disse que, no Suns, nunca havia feito um único treino defensivo com  seu técnico. Nenhum! Dá pra acreditar num troço desses? Uma coisa é deixar a defesa em segundo plano se o ataque for melhor negócio, outra completamente diferente é ignorar a defesa por completo, jogar na privada e dar descarga. Às vezes, quando vejo o Knicks jogando, dá pra imaginar que realmente eles nunca nem brincaram de defender nos treinos, mas prefiro acreditar que isso é apenas exagero do Amar'e e ruindade dos jogadores.

A tática ofensiva do D'Antoni, no entanto, é bem menos efetiva no Knicks do que chegou a ser no Suns. O problema principal que o técnico enfrenta é a incapacidade que o time tem de tomar boas decisões em quadra. Ao contrário do que se imagina, atacar o mais rápido possível não significa dar qualquer arremesso de costas no meio da quadra como seu colega débil mental que não sabe fazer bandeja fica tentando na aula de Educação Física. É preciso saber onde colocar a bola para que surja a oportunidade de arremesso mais simples e rápida, e ter paciência quando ela não aparecer. O Knicks às vezes parece entender bem a ideia da coisa, mas em outros momentos apenas se afoba e tropeça nas próprias pernas, em parte pela falta de um armador que possa ser a voz de D'Antoni em quadra. Essas dificuldades sempre colocam em questão a viabilidade do esquema tático do D'Antoni em qualquer equipe, e sua capacidade de tentar outra coisa e se adaptar. Na temporada passada, o D'Antoni já foi mais maleável com a correria e o Knicks já se focou menos nos contra-ataques e mais em jogadas individuais de meia quadra, com foco no pick-and-roll, mas é óbvio que o técnico usa isso como útimo recurso apenas porque o time não consegue manter em alto nível o projeto inicial. Mas a chegada de Amar'e, que sempre floresceu nesse esquema tático do D'Antoni, pode lhe dar uma boa sobrevida e é capaz que o técnico experimente voltar um pouco à correria.

...

Quando analisou a chegada de Raymond Felton e de Amar'e ao Knicks, o Denis escreveu um post detalhado e gigaaaaante sobre o time que deixo aqui para ser lido na íntegra e mesmo assim colo quase inteiro aqui embaixo para todos aqueles que tem preguiça de dar um mísero clique com o mouse:


Para muita gente o dia da decisão do LeBron James de ir para Heat foi o símbolo do fracasso do Knicks nos últimos anos. Todos sabem que o time de Nova York passou pelo menos as últimas duas ou três temporadas mais preocupado em abrir espaço na folha salarial do que pensando em basquete de verdade, com LeBron sendo o alvo principal do plano. E pior,Wade Bosh eram as opções seguintes! Depois de tanto tempo, ficar com sua quarta opção é foda. É como passar anos planejando o casamento com a Alinne Moraes e na hora colocar a aliança no dedo da Wanessa Camargo.

No caso do Knicks até que era uma mulher mais gatinha que a Uanessa, o Amar'e Stoudemire é uma mina bem firmeza pra falar a verdade, mas uma que enjoa rápido. Como já dissemos no post em que comentamos a sua contratação, o Knicks fez a sua parte em garantir pelo menos uma grande estrela para não passar em branco. Quem se arriscou mesmo foi o Stoudemire, que corria o risco de não receber ajuda e ficar mais longe de títulos do que estava em Phoenix. E no fim das contas foi o que aconteceu. O Knicks perdeu a maior parte dos seus alvos e teve que se esforçar para colocar pelo menos alguns jogadores decentes em volta da sua nova estrela.

A maior contratação foi o Raymond Felton. O armador fez boas temporadas no Bobcats nos últimos anos, mas eu fui uma das muitas pessoas que esperava muito mais dele depois de vê-lo ter grandes atuações no seu ano de novato em 2005-06. No seu primeiro ano ele teve média de quase 12 pontos por jogo, nada mal, mas nunca conseguiu superar a casa dos 14. Nas assistências subiu variou de 5 a 7. Ele nunca foi ruim, mas também não foi espetacular como parecia que poderia ser. E ainda falhou em ser o líder do Bobcats. Quando o Larry Brown chegou em Charlotte, quis fazer com que Felton fosse o que o Billups foi naquele time do Pistons que ele treinou e foi campeão em 2004, alguém que controlasse a bola, o ritmo de jogo e chamasse o jogo nos momentos decisisvos. Ele até tentou e chegou a ter bons momentos de quarto período, mas o time só deslanchou quando o Stephen Jackson foi contratado e assumiu esse posto. Na defesa o líder sempre foi Gerald Wallace. Ray Felton era, em suma, o terceiro melhor jogador de um time que nunca foi mais do que o sétimo melhor time da conferência mais fraca da NBA.

Outra questão importante sobre o Felton é como ele vai se encaixar no time do técnico Mike D'Antoni. Mas para isso a gente precisa saber qual vai ser o esquema que o D'Antoni planeja usar. No seu primeiro ano de NY ele mandou o time correr como fazia no Phoenix Suns, era o segundo time mais veloz da NBA com 97,6 posses de bola por jogo. Depois de algumas derrotas humilhantes, resolveu se controlar um pouco e na temporada passada o time era outro. Com um pouco mais de jogo de meia quadra e apelando mais para os pick-and-rolls do que para os contra-ataques, foi apenas o oitavo time mais rápido, com 94 posses de bola por jogo. O que ninguém sabe é se o D'Antoni fez essa mudança porque acredita mais nela ou porque não tinha as peças para fazer diferente. E agora com Felton e Amar'e, vai decidir voltar ao plano anterior ou manter um time ainda rápido, mas um pouco mais controlado?

O time mais rápido passa por um armador rápido. Não tenho dúvidas de que um dos motivos (impossível saber todos) que fez o D'Antoni repensar o seu plano tático foi a incapacidade de fazer o Chris Duhon render em alto nível. Jogar na velocidade não é só ser rápido na corrida, é pensar, passar, driblar, infiltrar e tomar decisões inteligentes enquanto se corre. Steve Nash é o melhor da NBA nisso, Duhon era um rapazinho esforçado. O Felton é um meio termo. Ele sabe jogar na transição, fazia muito bem essas jogadas de contra-ataque com o Gerald Wallace no Bobcats, mas não é um jogador veloz. Eu vejo ele agindo bem em situações típicas de contra-ataque, como bolas roubadas ou tocos, mas não acho que ele tem a capacidade de fazer como o Nash de transformar qualquer posse de bola em um contra-ataque só com um pique e alguns passes longos e precisos.

Se o D'Antoni pensar como eu, o Knicks do ano que vem deve ser mais parecido com o da temporda 2009-10 do que com o de 2008-09, um time mais devagar. Espero que isso tenha sido levado em consideração na hora da contratação do Felton, que é mais um daqueles jogadores que são bons se você souber o que pedir deles.

Mas se a questão do tempo do jogo é um problema, o pick-and-roll não é. (...) Essa é a jogada que fez o Amar'e fazer 80% dos seus pontos na carreira, é onde ele mostra o seu melhor jogo. E nos últimos anos ainda foi capaz de fazer o pick-and-pop, que é quando, ao invés de correr para a cesta, quem faz o corta-luz fica parado para realizar o arremesso. Quando comentamos a sua contratação, pedimos um armador que soubesse fazer bem essa jogada, e Felton sabe. Sendo um bom passador (mas espere passes mais óbvios que os do Nash) e sendo, ao mesmo tempo, uma ameaça na infiltração e no arremesso vindo do drible, ele tem as ferramentas para fazer a jogada mais básica do basquete.

A outra conquista do Knicks nessa offseason foi ter conseguido um sign-and-trade com o David Lee. Um sign-and-trade é quando você assina com um jogador que era seu e virou Free Agent, caso do Lee com o Knicks, e logo depois o troca para o time que o jogador desejava ir. É um jeito do time não perder o seu jogador por nada e do time que recebe o jogador de abrir mais espaço salarial para receber um novo jogador. A troca foi com o Golden State Warriors, que mandou Kelenna Azubuike (eleito por mim no nosso formspring o jogador mais bonito da NBA), Ronny Turiaf (o melhor dançarino) e Anthony Randolph, um ala que já disputou duas temporadas da NBA e nunca foi citado numa frase sem a palavra "potencial" do lado. Típico caso do jogador que mistura partidas ótimas com outras medíocres e deixa todo mundo com um gostinho de que de lá pode sair alguma coisa interessante. Darius Milesestá aí para mostrar o perigo de jogadores assim, e Rajon Rondo para mostrar que de vez em quando os caras deslancham mesmo, e vão até mais longe do que se imaginava. Escolha o seu lado.

Para o Knicks, de novo, foi só uma saída para não sair com nada. Eles tiveram a chance de manter o Lee desde o ano passado, mas sempre se recusaram a oferecer uma extensão de contrato decente para que isso não prejudicasse o espaço salarial do time, agora pagam por isso. Perderam seu melhor jogador nos últimos anos, alguém que poderia jogar ao lado do Amar'e Stoudemire e que já se sabia que se dava bem em qualquer esquema do D'Antoni, para ganhar um monte de resto do Warriors. Azubuike, além de gatinho, sabe fazer seus pontos. Acho bem possível que ele acabe até virando titular nesse time, por falta de opções na posição 2, mas não deve estar para os planos em longo prazo do time.

O Turiaf pode dar certo demais no time. Basta uma de suas danças típicas depois de uma enterrada do Amar'e, para que ele vire um favorito da torcida e alguns tocos e rebotes ofensivos para que se torne a primeira opção do banco de reservas entre os jogadores de garrafão. Já o Anthony Randolph pode dar muito certo se conseguir ser mais regular nos seus melhores dias. Ele é bem alto, tem 2,10m, mas uma mobilidade e velocidade absurda. Para ele, sem dúvida alguma, seria melhor que o time fosse o mais veloz possível, pouquíssimos jogadores da sua altura conseguem acompanhá-lo na transição, e ele ainda é muito fraco tecnicamente para criar jogadas próprias no 1 contra 1 no jogo de meia quadra.

Outro problema é que ele joga na posição 4 e não tem chance alguma de ser pivô por ser muito magrelo. Se ele for ser titular, força Amar'e a jogar de pivô, coisa que ele já fez mas que reclamou de fazer a vida inteira, não seria surpresa se tivesse uma cláusula no contrato dele exigindo que ele fosse um ala de força. Isso sem contar a total incapacidade do Stoudemire de marcar jogadores mais altos que ele. Minhas dúvidas sobre como os dois podem funcionar juntos me fazem achar que Randolph vai vir do banco e que esse banco, se achar o armador certo, pode ser um time mais rápido que a equipe titular.

Talvez já pensando em um pivô que não seja o Eddy Curry para atuar ao lado de Amar'e, eles contrataram o russo Timofey Mozgov, que jogava no Khimki Moscou e na seleção russa. Eu não conhecia nada do jogador, mas pesquisando eu vi vários vídeos dele e recomendo esse que mostra os melhores momentos dele pela seleção russa enfrentando a Grécia. Acho que esse vídeo resume bem que é o Mozgov, um jogador que consegue ser ágil para o seu tamanho, 2.16m, tem um bom tempo para o toco, mas que dificilmente fará pontos na NBA que não sejam de rebotes ofensivos. Talvez o Knicks só queira ele para isso mesmo, um parceiro defensivo para o Amar'e, alguém para jogar 20 minutos por jogo. Se o plano foi esse, parece que foi uma boa contratação, mas melhor esperar para ver uns jogos dele antes."

Vale acrescentar ao post do Denis que o preview do Knicks e do Nuggets não foram os dois últimos porque não gostamos dos times ou algo parecido. Apenas enrolei os dois ao máximo porque a qualquer momento o Carmelo Anthony poderia ser trocado e ir parar em New York, e eu é que não ia ficar fazendo preview de novo, nem dei conta de lidar com esses aqui! Mas o ponto principal é que o Knicks não consegue ficar satisfeito. Sonhavam com LeBron, Wade, Amar'e, conseguiram só o terceiro. Abriram mão das últimas temporadas para concertar uma série de erros financeiros da última década e achavam que poderiam começar de novo com novas estrelas - que não vieram. Agora, frente a essa fracasso (ainda que a equipe já tenha melhorado muito), já sonham com Carmelo e com Chris Paul e se dizem dispostos a trocar qualquer um da equipe para que isso aconteça. O primeiro passo para isso já foi dado: Eddy Curry, o pivô gordo que literalmente desapareceu nas férias e botaram a polícia para encontrá-lo (como alguém perde um gordo daquele tamanho?), já recebeu parte do seu salário anual adiantado para que seja mais fácil trocá-lo ou mandá-lo embora. Seu contrato termina ao fim da temporada e enfim o Knicks vai ter dinheiro novamente para ir atrás de Carmelo, Chris Paul e o diabo a quatro. 

Por melhor que seja esse Knicks de agora, ele está me cheirando a bagunça (jogadores que precisam correr junto com jogadores que rendem melhor correndo menos, etc) e a temporada jogada no lixo para, pra variar, esperar os jogadores que podem ser conseguidos na temporada seguinte. Se o Carmelo deixar o pessoal do Knicks chupando o dedo, será que uma hora eles aprendem a se concentrar no presente e tentar montar um time com as peças disponíveis?

segunda-feira, 29 de março de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo fenomenal

Benny The Bull conseguiu um terno digno de Craig Sager para entrevistar Craig Sager


E aí pessoal, tudo certo? Semana passada não tive tempo de fazer o Filtro Bola Presa, um apanhado de todas as notícias e estatísticas relevantes que não viraram posts, o que quer dizer que tenho muita coisa para postar no Filtro de hoje. Então vamos lá, sem enrolar muito nessa introdução, nem vou perder linhas e linhas comentando do desfecho do Jorge na novela. Vocês acreditam que ele deve acabar com a Ariane e não com a Mirna ou a Paixão? Um absurdo! Ele devia ficar com a Mirna e casar com ela no último capítulo junto com o casório da Luciana com o Miguel, só pra mãe deles assistir um filho casando com uma puta e o outro com a aleijada.


- A EA Sports vai lançar um novo NBA Jam! É, aquele jogo onde duplas de jogadores da NBA se enfrentam, pulam até o teto para enterrar, a bola pega fogo, todo mundo tem a cabeça maior que a do Shelden Williams e o narrador grita BOOM SHAKALAKA! Tirando o saudosismo de quem jogou isso com 10 anos de idade no seu Mega Drive, por que alguém jogaria esse jogo?


- Veja essa notícia sobre o Stephon Marbury e sua aventura no basquete profissional chinês. Não é um triste resumo de toda sua carreira?
"Marbury foi eleito o MVP do All-Star Game da Liga Chinesa de Basquete com uma partida de 30 pontos e 10 assistências. Em 15 jogos com o Shanxi Zhongyu Kyllins ele também atingiu o recorde de assistência do campeoanto com média de 9.6 por jogo. Contudo o seu time não conseguiu uma vaga para os playoffs".

No nosso Tumblr eu já tinha postado na semana passada um trecho do All-Star Game Amarelo onde o Marbury acerta 3 bolas de 3 seguidas de muito longe!


- No último sábado o novato Rodrigue Beaubois do Mavs destruiu o Warriors com 40 pontos. Ele acertou 9 bolas de 3 na partida, foi apenas o terceiro jogador a temporada a acertar tantas bolas de 3 num jogo. Os outros dois foram do Nuggets, JR Smith acertou 10 contra o Hawks e o Chauncey Billups fez 9 em uma partida contra o Lakers.

Foi a segunda maior pontuação de um novato na temporada. O líder ainda é Brandon Jennings, que fez 55 pontos também contra a fortíssima defesa do Warriors.

- Os 55 pontos do Jennings ainda são a maior marca de toda a temporada para todos jogadores, e apenas um dos três que passou de 50 nesse ano. Os outros são Andre Miller, que marcou 52 contra o Mavs e Carmelo Anthony, que fez 50 contra o Knicks.

Essa marca de apenas 3 partidas com um jogador marcando 50 pontos é muito baixa para os padrões da NBA. Em 08-09 foram 11 jogos com mais de 50 pontos, em 07-08 tivemos 5 e na temporada 06-07 foram simplesmente 18 partidas com alguém fazendo pelo menos 50 pontos.

- O Atlanta Hawks conseguiu na última semana não ser varrido pelo Orlando Magic na temporada. E fez isso com uma enterrada no último segundo do Josh Smith! O jogo também marcou a classificação matemática do Hawks para os playoffs, o que significa a primeira aparição do Jamal Crawford na pós-temporada em toda a sua carreira. Coincidência macabra que essa classificação aconteceu no jogo número 666 da carreira do Crawford! Não precisamos de mais provas para concluir que ele vendeu a alma para o diabo para ter o talento que tem.

Mas o melhor momento do Hawks nas últimas semanas foi esse momento Serginho entre Josh Smith e Mike Bibby. Alguém consegue explicar esse vídeo?


- Já perguntaram uma centena de vezes no nosso Both Teams Played Hard se houve um fim de carreira tão melancólico como o do Allen Iverson. Para quem quer saber, o site streetlevel fez uma lista com as aposentadorias mais decepcionantes da história da NBA.

- Acho que o Gilbert Arenas concorda comigo que "O homem da pistola de ouro" é um dos melhores filmes do 007 apesar do nome parecer mais uma produção do Brasileirinhas. Olha só a arma que ele tinha no vestiário!



- O Phoenix Suns é líder da NBA em produção de vídeos. Já tivemos Avatar, o Leandrinho cantando Lionel Richie e até um vídeo mostrando que o Jared Dudley tem "as mãos mais atléticas da história". O mais novo trabalho deles é sobre estatística, eles contaram quantos "high-fives", como eles chamam o nosso "toca aí", ele dá durante um jogo.

Pra quem não pode ver o vídeo porque está no trabalho chato, eu conto: Ele deu 239 'tocaís' numa partida! O Leandrinho chega a dizer no vídeo que machucou o pulso por culpa de tantos cumprimentos durante o jogo, genial.



- Mas não vamos ser ridículos, o melhor vídeo da semana que o Phoenix Suns produziu foi essa enterrada do Amar'e Stoudemire no Anthony Tolliver.


- Na ótima música "Empire State of Mind" o Jay-Z canta um verso que chamou a atenção de muita gente que gosta da NBA. Ela diz "If Jeezy is paying LeBron, I'm paying Dwyane Wade", em português "Se Jeezy está pagando LeBron, eu estou pagando Dwyane Wade".

No nosso Both Teams Played Hard um cara comentou que isso tinha a ver com o preço que os caras pagam por cocaína, mas fui mais longe pra saber mais. Acontece que usam lá nos EUA o número das camisetas dos jogadores da NBA para dizer quanto pagam pelo quilo de cocaína no mercado. Quilo esse que, segundo o último World Drug Report da ONU, tem o preço médio de 28 mil dólares.

O rapper Jeezy, em sua horrível música 24-23, diz que "antes pagava Kobe (24) e agora pago LeBron (23)". Usando a gíria para dizer que antes pagava 24 mil mas comoé malandro agora paga 23 mil pelo quilo. Como resposta o Jay-Z, fodão como sempre, diz que paga só um Dwyane Wade, um mísero número 3. Achei até um gráfico muito engraçado que comenta a situação:



8 ou 80 - O cantinho das estatísticas desnecessárias
Hoje estou com uma coleção gigantesca de números imbecis, vamos lá!

- Em uma coluna "8 ou 80" que postei um tempão atrás ainda no BasketBrasil, mostrei as estatísticas que colocavam o Carmelo Anthony como um dos melhores, senão O melhor, arremessador em bolas decisivas. Na época ele tinha 13 bolas vencedoras nos segundos finais! Mas o curioso é que nenhuma das bolas era um buzzer-beater (aquela bola que entra com o cronômetro já encerrado, leia mais sobre esse e outros termos em inglês aqui)!

Mas nessa semana o Melo conseguiu seu primeiro buzzer da carreira, vencendo o Toronto Raptors no estouro do cronômetro depois de um rebote ofensivo heróico do Nenê. Veja o vídeo aqui.

- Na última quarta-feira o Rajon Rondo empatou com o Nate Archibald pelo recorde de mais jogos com pelo menos 15 assistências em uma temporada na história do Celtics. No jogo seguinte ele igualou o máximo de sua carreira com 18 assistências e agora detém o recorde sozinho. E olha que pra ter recordes no Celtics não é fácil, já passou muita gente boa por lá!

- Na derrota para o Lakers na semana passada o Tim Duncan acertou apenas 2 de 11 arremessos que tentou. Foi a terceira vez nos últimos 20 jogos que o Duncan acertou menos de 20% de seus arremessos, coisa que ele só tinha feito 6 vezes em 947 jogos na sua carreira. Alguém imaginou que ele ia ficar velho tão rápido?

- Essa derrota para o Lakers foi a 40ª partida entre Tim Duncan e Kobe Bryant em temporadas regulares. É o maior número de confronto entre dois jogadores pelos mesmos times. Em seguida aparecem os confrontos Duncan-Nowitzki, com 39 jogos e Kobe-Nowitzkicom 38. Nesses 40 jogos o Spurs venceu 21 e o Lakers 19.

- Semana passada o Gerald Wallace fez um jogo de 17 pontos e 19 rebotes, foi a 7ª vez na temporada que ele conseguiu pelo menos 15 pontos e 15 rebotes numa partida. Nenhum outro jogador com a sua altura, 2,01m, ou menor conseguiu sequer um jogo com esses números nessa temporada.

- Na segunda-feira passada o Spurs venceu o Thunder, mas no caminho tomou 45 pontos do Kevin Durant. Foi a primeira vez que um jogador marcou pelo menos 45 pontos contra o Spurs desde 1999, quando Allen Iverson marcou 46. Foi a sequência mais longa da história da NBA sem deixar um jogador marcar 45 ou mais pontos.

Agora o Pistons, com 617 jogos, tem a maior sequência em atividade. A última vez que eles tomaram pelo menos 45 pontos foi quando T-Mac marcou 46 no natal de 2002.

- Essa é pra quem tem saudade da gente zoando os gordinhos do Bola Presa! O Brook Lopez conseguiu a proeza de marcar 26 pontos e pegar apenas um mísero rebote na derrota do Nets para o Heat na semana passada. A última vez que um pivô tinha marcado mais de 20 pontos e pego só um rebote em um jogo tinha sido em 2007 com, claro, o saudoso Eddy Curry! Ah, ele era um especialista em não pegar rebotes!

- Na derrota de ontem do Kings para o Cavs o Beno Udrih se tornou o segundo jogador a conseguir um triple-double ao enfrentar LeBron James. Curiosamente o primeiro havia sido também um armador do Kings, Mike Bibby, em 2005.

- O novato Darren Collison se tornou ontem o segundo jogador na temporada a conseguir um jogo tentando pelo menos 10 arremessos e não errando nenhum. Ele chutou 10 bolas na derrota para o Blazers e acertou todas, o primeiro tinha sido Dwight Howard com aproveitamento de 11-11 contra o Rockets. A pergunta que não quer calar é porque não tentaram mais arremessos...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Para o Knicks, nada

T-Mac acabou de chegar ao Kicks mas
entendeu: o reforço não está chegando


Toda vez que o Cavs enfrenta o Knicks, não se fala em outra coisa além da possibilidade do LeBron jogar pela equipe de New York na temporada que vem. Seu contrato termina nessa temporada e ele será uma das trocentas estrelas disponíveis em 2010 para as quais o Knicks se preparou por anos - foram trocas, acordos e muito dinheiro gasto para se livrar de jogadores, tudo para consegur espaço salarial para oferecer dois contratos máximos e devolver à equipe algumas estrelas. Todo esse trabalho para arrumar as cagadas feitas por Isiah Thomas, que no entanto ainda se fará sentir na temporada que vem: Eddy Curry, o pivô que é tão gordo que não consegue passar pela porta do ginásio e agora dorme no vestiário do Knicks, tem a opção de continuar na equipe e receber 11 milhões de dólares pra não fazer absolutamente nada. Nenhum gordo do planeta recusaria essa oportunidade, então o time praticamente não terá jogadores para a temporada que vem, já que foi tudo programado para os contratos se encerrarem a tempo de contratar LeBron, mas Eddy Curry estará lá desviando o eixo de rotação da Terra.

Quando LeBron foi jogar contra o Knicks no começo da temporada, os engravatados da equipe cuidaram para que fosse um espetáculo de recrutamento: esconderam o Eddy Curry no porão, colocaram pôsteres gigantes do LeBron por toda a cidade, chamaram toda a equipe de baseball da cidade (de que o LeBron, fã do esporte, é torcedor), colocaram quinhentas celebridades no ginásio e trataram o jogador do Cavs como rei. "Sim, senhor, é claro que você pode dar essa enterrada". Se ele matasse alguém em alguma jogada, provavelmente o pessoal do Knicks pediria para ele autografar o cadáver.

É claro que o LeBron chutou o traseiro gordo do Knicks, com 33 pontos (só errou 5 dos seus 17 arremessos), 8 rebotes, 9 assistências e 3 roubos de bola. Saiu de quadra com uma vitória fácil, se sentiu mais desejado do que capa da Playboy, e para o Knicks pareceu uma vitória: estavam mais perto de ter convencido LeBron a jogar lá na temporada seguinte. Em fevereiro, os times se encontraram de novo, dessa vez em Cleveland. Parece que o LeBron tem um prazer mórbido em chutar a bunda de quem o idolatra, cuspir na cara do Knicks só porque sabe que eles vão beber sua saliva com um sorriso. É um estranho prazer de garota idolatrada no ginásio que ama pisar nos nerds coitados que se masturbam pensando nela enquanto escrevem poeminhas de amor. Não consigo pensar em melhor explicação para os 47 pontos, 8 rebotes, 8 assistências, 5 roubos e 6 bolas de três pontos que o LeBron enfiou no Knicks em outra vitória fácil. Mas nem isso se compara com a última partida entre as duas equipes na temporada, que aconteceu nessa segunda-feira: ao fim do primeiro tempo, o Cavs vencia por 42 pontos (segundo a matemática bizarra de alguns analistas esportivos, a equipe de Cleveland poderia ter acabado o jogo ganhando por 84.)

LeBron quase nem precisou jogar, saiu de quadra com modestos 22 pontos, 7 rebotes, 7 assistências, 2 roubos e 2 tocos. Coisa pouca. Mas o mais importante do jogo, e o maior motivo pelo qual LeBron vai continuar chutando o traseiro do Knicks ao invés de ir jogar na equipe na temporada que vem, foi o resto do elenco que permitiu essa vitória mamata. Durante a partida, Shaquille O'Neal operava o dedo que ele deslocou alguns dias atrás (aliás, muito engraçado como o dedo dele, que é do tamanho de um tronco de árvore, virou farofa no meio de uma jogada e o Shaq saiu de quadra mascando chiclete como se nada tivesse acontecido), ou seja, o garrafão do Cavs está subitamente desfalcado. E quem se importa? Uma das aquisições mais esquecidas dessa temporada foi o Leon Powe, que o Cavs roubou do Celtics, e que é um milhão de vezes melhor do que o Rasheed Wallace no momento, até porque não lhe falta intensidade enquanto o time de Boston está tropeçando no próprio desânimo. A rotação do garrafão do Cavs sem Shaq, então, teve Leon Powe, que é um trator; JJ Hickson, que joga cada dia melhor; Antawn Jamison, dominando nos rebotes e sendo menos hostilizado em Cleveland desde que o Ilgauskas falou que volta logo; além de Anderson Varejão, que começa a ser cogitado como um dos melhores reservas da NBA. É um garrafão bom o bastante para que todos nós façamos um minuto de silêncio em homenagem à aposentadoria do Shaq.

Os tempos do pivô ainda não acabaram, ele teve alguns grandes jogos ofensivos recentemente, mostra que consegue pontuar quando acionado, e se sai bem na defesa contra os melhores pivôs da NBA, mesmo que aos trancos e barrancos. Como o próprio Shaq fez questão de lembrar, o Dwight Howard recebeu ajuda para dobrar a marcação no O'Neal em todos os jogos, enquanto o Shaq marca o Howard no mano-a-mano. Shaq pode não ter tido os melhores resultados do planeta marcando o Dwght, mas o fato de que ele consegue quebrar um galho contra ele sem a necessidade de uma marcação dupla torna a defesa do Cavs muito melhor por poder se focar em outros jogadores. Mas Shaq deve ter minutos limitados para desempenhar essas funções, seu time não precisa dele em quadra por muito tempo. JJ Hickson e Varejão tornam o time mais rápido, versátil e atlético, e o Cavs pode jogar em alto nível com qualquer um deles em quadra a qualquer momento de uma partida. É bom que o Shaq vá conseguir voltar a tempo dos playoffs, mas se não conseguisse não seria um grande problema. O Cavs é atualmente o time mais versátil da NBA, e um dos mais profundos também.

Sem patriotismo, já que não ligamos para linhas imaginárias desenhadas no chão, o Varejão é um dos grandes responsáveis pela profundidade do elenco. Antes seu contrato parecia gordinho para um jogador limitado que só era capaz de se focar na defesa (e ainda com certa dificuldade), mas agora parece preço de banana porque o Varejão cada vez mais se mostra uma arma confiável no ataque. Eu sei lá o que aconteceu, mas ele voltou da seleção brasileira com uma nova confiança embaixo do aro e uma coleção de movimentos muito lapidados e sutis. Antes o LeBron fazia uma imensidão de pick-and-rolls com o Varejão mas tinha receio de colocar a bola em suas mãos porque ele partia estabanado para a cesta em velocidade, mas agora ele tem ganchos bonitos, reverses eficientes e não tenta mais colocar a bola no chão como fazia antes. Mesmo sem ser um defensor excelente, sempre soube como ser um defensor eficiente, e agora o mesmo acontece no ataque. Cada vez mais Varejão se mostra eficiente, fazendo as coisas que sabe fazer, mesmo as menores como deslocar levemente um adversário no momento certo, e camuflando as coisas que não sabe fazer por não forçar o jogo em cima delas. Não dá pra ser Melhor Sexto Homem da NBA porque ele não transforma jogos, não é uma estrela vindo do banco, mas é indispensável para a equipe. É exatamente o que um time como o Cavs precisa: jogadores eficientes e especializados que possam complementar uma estrela como LeBron James. Não adianta cercá-lo de estrelas se ele não puder ter a bola em suas mãos, o que interessa é um time que possa receber a bola nos lugares certos e ser eficiente com ela nas poucas oportunidades que surgirem. O Cavs tem um ataque limitado, se foca muito na defesa e durante muito tempo parecia fazer trocas apenas por fazê-las, pra ver se mudava um pouco os ares da equipe. Mas agora temos um elenco perfeitamente montado em volta de LeBron que levou anos para ficar pronto e permite que ele faça tudo aquilo que sabe fazer de melhor, inclusive passar a bola ao invés de dominar o jogo sozinho. Esse é o time com que LeBron James será campeão.

Isso é justamente o que o Knicks não pode oferecer. Dinheiro para contratar duas estrelas garantiria LeBron e mais alguém, e absolutamente nada ao redor deles. O Warriors e o Clippers nos ensinaram que um time de basquete não é uma junção aleatória de estrelas para ver se dá certo, mas sim um esquema tático específico com jogadores que possam desempenhar bem cada função pretendida. O LeBron estará melhor num elenco mais-ou-menos mas bem construído do que num time com outras estrelas juntadas ao acaso. Levaria anos até que o Knicks juntasse os jogadores necessários para formar uma equipe coesa capaz de desempenhar bem um esquema vencedor (ou seja, que defenda), e o LeBron não vai perder esse tempo.

Se não fosse o suficiente, ainda há mais um problema para os planos do Knicks - e, pra falar a verdade, para os planos de todos os times que se destruíram para poder contratar estrelas para a temporada que vem. De tempos em tempos, um conjunto de regras decididas coletivamente na NBA expira, então todas as criancinhas vestem suas gravatas, sentam numa mesa enorme e decidem quais vão ser as novas regras da brincadeira. O último acordo, de 2005, aumentou o teto salarial das equipes, diminuiu as multas por ultrapassar o teto, aumentou a participação dos jogadores nos lucros dos times, diminuiu a duração máxima dos contratos dos jogadores, diminuiu o aumento anual dos salários, aumentou o número de testes anti-doping e obrigou os jogadores a terem 19 anos para poder participar do draft. O acordo vence em 2010, então outro terá que ser feito para 2011. Mas David Stern, o homem-entediado, agora parece ter razão em alguma coisa (toda vez que isso acontece, algum terremoto abala a Terra): as equipes da NBA somaram prejuízos de 400 milhões de dólares esse ano fiscal, mais da metade das equipes estão na merda financeira nessa temporada, a crise engoliu todo mundo e alguma coisa precisa mudar. Boatos dizem que as propostas incluem uma diminuição drástica no teto salarial das equipes, redução das bonificações dos contratos dos jogadores, menos garantias contratuais, taxas mais severas. Tudo para mudar a mentalidade da liga e trazer os salários de volta à realidade, ao invés de achar que no mundo lá fora tá todo mundo enfiando ouro nas orelhas. Da última vez que esse acordo ameaçou diminuir os salários, em 1998, os jogadores entraram em greve. Dessa vez, no entanto, os jogadores estão participando das discussões, LeBron, Carmelo e Wade participaram da reunião preliminar, e está todo mundo ciente de que mudanças são necessárias. Uma greve é possível mas improvável, mas de todo modo os salários e contratos serão menores em 2011.

Isso significa que em 2010 todos os jogadores tentarão assinar os maiores, mais gordos e mais longos contratos que conseguirem, porque aí seus contratos ainda valerão pelas regras antigas. Nessa hora, vale lembrar que os times que podem oferecer os contratos mais longos são, pelas regras, justamente os times que já possuem o jogador, então provavelmente veremos um monte de gente reassinando com suas equipes. O mais provável é que jogadores como LeBron, Bosh e até o Wade fiquem onde estão e garantam seus contratos gigantes enquanto ainda podem. Até mesmo Kobe Bryant, que tem um contrato que vai até 2011 mas pode encerrar nessa temporada se ele quiser, deve optar por terminar o contrato só pra poder fazer um novo e se aproveitar das regras atuais. Mas é óbvio que ele vai assinar de novo com o Lakers, não tem nem o que discutir. Com elencos melhores já montados, a possibilidade de contratos maiores antes de uma crise que cortará custos, e a chance de lutar por um anel de campeão mais cedo, é bem provável que as grandes estrelas fiquem onde estão. O Knicks vai ter trabalho para caçar alguém, mas certamente não conseguirá abocanhar LeBron ou Kobe. Resta sonhar, desde já, com algum prêmio de consolação.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Última chance

Darko se segura como pode, mas ainda fede


A pior coisa que poderia ter acontecido para o Darko Milicic era ter sido draftado pelo Detroit Pistons. O time já chutava traseiros, linha laços muito fortes entre os jogadores e não estava nem um pouco interessado em dar minutos para um pirralho bem cru que precisava amadurecer em quadra. Mofando no banco, Darko foi campeão com média de uns 5 minutos por partida - e isso porque só entrou num terço dos jogos. Não dá pra saber como teria sido se o Pistons tivesse draftado Carmelo Anthony, talvez por já ter chegado na NBA como um jogador mais preparado ele tivesse conquistado mais minutos em quadra, mas é bem possível que por não defender bulhufas ele acabasse mofando no banco. O problema é que o Darko precisava aprender a jogar, seu ataque sempre foi limitadíssimo, e sem minutos ele estava fadado a desaparecer do mundo do basquete.

Quando fugiu para o Magic, passou a ter mais minutos e mostrar uma produção consistente. Dava pra ver o potencial que explicava uma segunda escolha do draft, mas ainda tão cru que até se desenvolver o mundo já teria terminado com o colapso decorrente da morte do Silvio Santos. Mas como potencial é o que liga, o Grizzlies acreditou e contratou, só não decidiu o que ia fazer com o pobre Darko. Titular ou reserva? Atacar ou defender? Desenvolver ou mandar embora? Pra agora ou pro futuro? Pra comer aqui ou pra viagem? Sem saber o que fazer, o Darko escolheu aquilo que faz melhor: feder.

Assinado agora pelo Knicks, Darko tem um esquema que encaixa com seu estilo de jogo, fazendo com que ele corra, use seu físico e jogue de frente para a cesta. Tem um técnico louco que se finge de desesperado porque "alguém tem que defender no time", e que está disposto a bancar o Darko nessa função. Tem um time sem pretenções de coisa alguma mas que receberá a atenção de todo mundo. E a promessa de um lugar numa equipe que irá se transformar na temporada que vem, assinando grandes estrelas. Ou seja, a situação é a melhor possível para o Darko, o mais distante que ele já chegou daquele Detroit Pistons em que nem peidar ele podia. Ele ainda fede, a gente sabe, mas é a última chance que ele terá na NBA. Se der errado, o próximo time que assiná-lo é a mulher do padre.

Existe outro jogador exatamente nessa mesma situação no Knicks. Inicialmente acreditava-se ser uma lua pequena, presa pela gravidade da Terra, causando alguns eclipses solares. Depois, cogitou-se a possibilidade de ser apenas um meteoro, vagando lentamente pelo Universo e colidindo com a Terra sem muito estardalhaço. No entanto, conforme o tamanho do meteoro foi crescendo em nossa atmosfera, mais estudos mostraram-se necessários. Pesquisas recentes apontam que trata-se apenas de um jogador de basquete chamado Eddy Curry.

Daftado com uma quarta escolha, o Curry recebeu toda a paciência e apoio do Bulls. Era a época em que os fãs estavam enchendo o saco de saudade do Jordan, e o Bulls só empilhava pirralhos para tentar reconstruir uma equipe antes dos anos três mil. Os fãs não tinham paciência, mas o Curry foi se transformando num pivô respeitável, embora incapaz de levantar os braços para pegar um rebote. Quando acabou seu contrato, meio queimado com os torcedores, arrumou uma troca com o Knicks (vamos todos tirar um momento de nossas vidas para rir do que o Bulls recebeu naquela troca: Tim Thomas, o homem que não gosta de jogar basquete; Jermaine Jackson, o homem que foi demitido em seguida e tem o nome do irmão do Michael Jackson; e Michael Sweetney, o gordo que rolou sua vida pra fora da NBA).

Quando as coisas começaram a dar certo para o Curry, sua forma física foi pro saco. Apareceu para a pré-temporada gordo, lento e com dores nos joelhos. Com o D'Antoni assumindo a equipe, o único jeito do Curry jogar obeso assim seria se ele aprendesse a rolar muito rápido, ou se ele ficasse apenas no ataque, versão basquetebolística do Romário. Quando apareceu pelo segundo ano seguido fora de forma no ínicio de temporada, Curry foi parar no fim do banco de reservas e, sabe como é, gordo deprimido só fica ainda mais gordo. Na temporada passada, se não bastasse ele não ter minutos de jogo, sentir o joelho e estar obeso, ainda teve que lidar com o assassinato de sua ex-namorada e de seu filho, a perda de sua casa graças a dívidas (casa que havia sido assaltada um ano antes) e um processo por assédio sexual, aberto pelo seu motorista particular. Não é bolinho não, embora certamente o Curry tenha comido muitos bolinhos pra esquecer. Foi um ano lastimável para ele e o surpreendente seria que fosse capaz de jogar basquete com tanta coisa acontecendo na vida. Só de pensar já dá desânimo de viver num mundo tão deprimente.

Mas o Eddy Curry está de volta, perdeu vinte quilos e tem planos de perder mais dez até a temporada começar. Mesmo que ele não consiga um lugar no ataque velocidade-da-luz do D'antoni (o Curry é, no máximo, um Cavaleiro de Prata), se ele conseguir entrar um pouco que seja em quadra, com certa regularidade, já será o bastante para que ele tenha chances de ser trocado e comece de novo em outra equipe, novos ares, novas expectativas. Do jeito que está, a carreira do Curry acabou. Com uns minutinhos aqui, outros ali, ele pode ganhar a oportunidade de um recomeço. Darko e Curry são dois pivôs no Knicks, ou seja, posições meio ingratas para um técnico que prefere usar um anão de cuecas dentro do garrafão, mas os dois estão jogando pelas suas carreiras. Será uma temporada bacana de acompanhar.

Curiosamente, existe um outro pivô ligado ao Knicks que também tem em jogo suas últimas chances de ter uma carreira na NBA. Channing Frye foi draftado pelo Knicks com a oitava escolha e foi uma enorme surpresa. Mostrou ter um jogo muito refinado, com arremessos de média e longa distância e muita graça perto da cesta (graça de bailarina, não graça Ari Toledo, por favor). Foi titular um bom tempo e todo mundo considerava o jogador uma das grandes sacadas do Isiah Thomas, que draftou o moço e bancou sua presença em quadra ao lado do Eddy Curry. Funcionava bem, um jogava bem dentro do garrafão e o outro fora, eles se complementavam. Mas o mais interessante é como os dois se complementavam para formar a pior dupla de garrafão defensiva de todos os tempos, perdendo até para Nenê e Juwan Howard naquele finado Nuggets que tinha nosso brasileiro ainda novato - e ainda magro.

Mas o Frye teve uma ótima temporada e começou a ser alvo de propostas de troca. O Isiah Thomas deixou bem claro que o Frye era intocável, uma das estrelas jovens da equipe e em volta da qual o time seria construído. Nenhuma troca seria boa o bastante. Só que o Channing Frye se contundiu na primeira temporada e voltou lento e fora de forma para a segunda. Piorou em todos os quesitos, começou a mostrar que era apenas um novato assustado, e a torcida do Knicks caiu matando porque não tinha mais paciência com o burro do Isiah Thomas. A torcida queria jogadores de verdade, experientes, comprovados, não um novato que caía de produção de uma temporada para a outra. Foi assim que o Frye foi trocado pelo Zach Randolph, naquela famosa troca em que o Blazers melhorou muitíssimo ao perder seu maior cestinha. O Blazers é um time esperto, com planejamento, e não havia espaço para o Frye - o objetivo era só se livrar do Randolph, que é bom pra burro mas afunda qualquer equipe. A equipe é profunda demais e o Frye nunca teve chances por lá, relegado ao banco. De intocável, estrela do futuro, caiu para ser eleito o melhor décimo cara num banco de reservas de uma equipe que começa com "B" e acaba com "lazers" (famoso troféu, esse).

Até que o Suns sem Shaq resolveu apostar no garoto. Qualquer um que consiga trocar uma lâmpada serve, altura é o que pega. O único pivô da equipe é o Amar'e, que não é um pivô, então a gente sabe que o negócio tá feio. O Robin Lopez, que é tão secundário que seu nome é até Robin, pode conseguir uns minutinhos mas não apenas tem reserva tatuado na testa como também se contundiu e deve passar as próximas 6 semanas fora das quadras. O Channing Frye chega na equipe, então, não para ser um reserva com vários minutos. Ele chega para ser titular.

O técnico do Suns, Alvin Gentry, avisou que o Frye destruiu nos treinos, impressionou todo mundo e vai ser o pivô titular. Mas só no papel, porque o pivô de verdade vai ser o Amar'e Stoudemire, com o Frye jogando de ala. Segundo o Gentry, no boxscore vai aparecer o Amar'e de ala e o Frye de pivô só para o mala do Amar'e não reclamar o tempo inteiro de ter que ser pivô. Ou seja, o Stoudemire é um porre.

Assim como Darko e Curry, o Frye tem uma situação que pode salvar sua carreira. Seria triste que qualquer um dos três virasse farofa porque têm muito potencial e sabem jogar basquete, só precisam de um pouco de sorte (e de um pouco de regime, né, Curry?). Todos vamos acompanhar o Knicks de perto nessa temporada, em que está em jogo a chance da equipe de contratar LeBron James. Mas talvez o mais legal de ver seja o Suns e seu novo pivô titular, tentando provar que o Isiah Thomas não é um burro completo, apenas um tanto imbecil e incompetente. E burro, claro.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Está chegando a temporada das trocas

Mais ou menos nessa mesma época do ano passado, o Gasol estava indo para o Lakers, o Kidd para o Dallas, Shaq para o Suns e aquela palhaçada toda de trocas que transformaram a temporada passada em provavelmente a com mais trocas de All-Stars na história da NBA.

Esse ano deve ser diferente em quantidade, não devemos ver tanta gente boa assim mudando de time, mas devemos ver sim algumas trocas. Os times não resistem e ao chegar a data-limite de trocas em fevereiro, alguns times insatisfeitos mexem algumas peças em busca de um elenco melhor para ir aos playoffs ou de espaço salarial nas próximas temporadas.

Boatos e suposições são a base da imprensa esportiva americana, então material pra gente ficar imaginando não falta. Vamos dar uma olhada no que dizem por lá pra ver o que deve acontecer, o que não deve, e o que deve acontecer mas não deveria.


Shawn Marion por Jermaine O'Neal

Engraçado dizer isso mas o que falta para o Heat ser hoje um time de primeira linha no Leste é o O'Neal. Não o bichado do Jermaine, mas o velho do Shaq! O Heat tem uma dupla boa na armação com Chalmers e o Wade fazendo temporada de MVP. Na ala tem o sempre sólido e jamais espetacular Haslem e o Marion, que está tão inconsistente quanto o Beasley. Se o Shaq estivesse em forma e motivado como está hoje no Suns, o Heat poderia usar um time com o Beasley de titular na posição 3, o Shaq de pivô e o Heat seria candidato a título do Leste.


Como o Suns não deve aceitar o Marion de volta pelo Shaq, uma solução é o outro O'Neal. O time ficaria melhor do que é hoje, sem dúvida, o Danilo já até falou sobre isso aqui no blog, citando o dia em que o Yao arrasou o Heat só porque ele é grande. Com o Jermaine lá o Heat teria alguém pra jogar de pivô. Mas será que o Jermaine ia durar quanto tempo até se machucar? E mesmo se não se machucar, iria jogar bem o bastante pra levar o Heat até onde? Será que faria o Heat ser mais do que é hoje, sexto no Leste? Acho que não.

Com ou sem Jermaine, o Heat é time pra perder na primeira rodada dos playoffs. Melhor seria manter o Marion, deixar ele sair como Free Agent no fim da temporada e usar o espaço salarial pra pegar alguém melhor. Ou ainda arranjar algum outro pivô que esteja dando sopa por aí.


Shawn Marion por Brad Miller ou Chris Kaman

Dizem que o Kings quer se livrar do Brad Miller enquanto ele tem algum valor para conseguir bons jogadores ou salários expirantes em troca. Eles tem o promissor Spencer Hawes no banco que é um clone em desenvolvimento do Brad Miller, então podem se dar ao luxo de trocar um pivô. O único problema é que no ano que vem o Marion dá o fora de lá e ninguém vai pegar o lugar dele no Kings, nem por um salário enorme.
Nenhum jogador de renome jamais expressou algum desejo de jogar no Kings. Cidade pequena é assim mesmo, acontece. É ou não é, Botucatu?

Já o Clippers está numa cidade grande, o que atraiu o Baron Davis e pode atrair outros trouxas que não sabem que jogar no Clippers pode causar câncer. Então, para eles, ter o salário expirante do Marion é uma boa, eles podem se livrar dele na temporada que vem e usar o espaço salarial para contratar jogadores para o banco de reservas, já que o time titular com Baron Davis, Eric Gordon, Thornton, Randolph e Camby é bem promissor.

O Clippers ainda tem o bônus de ter achado até um reserva para o Camby, o novato DeAndre Jordan. O pivete era bem cotado no draft mas depois de alguns testes desastrados caiu para a segunda rodada, aí nunca teve tempo de quadra e só conseguiu virar titular porque ele é o único pivô que não está de muletas. A experiência tem dado certo: ontem foram 20 rebotes contra você-sabe-quem, 23 pontos, 12 rebotes e 4 tocos contra o Lakers e 8 pontos, 10 rebotes e 6 tocos contra o Wolves.

Mas uma dica para o Clippers: se acabar sobrando dinheiro pra temporada que vem, contratem alguma equipe médica que não tenha se formado só jogando Operação da Estrela.


Larry Hughes para o Wizards

Eu não gosto do Larry Hughes. Ele não sabe arremessar, se acha uma estrela e ganha um salário descomunal. Mas se tem um lugar onde ele realmente jogou bem foi no Wizards.

Com Hinrich e Gordon no time, o Bulls não precisa do Hughes, isso é óbvio. E em um time com Jamison, Butler e (um dia, um dia...) o Arenas, o Hughes pode se focar em defesa e infiltrações, não em arremessos, como ele teve que fazer no Cavs e agora no Bulls. Pra mim a troca não faz sentido só porque o Wizards não tem nada pra oferecer para o Chicago, mas se eles aceitaram uma Pringles, figurinhas repetidas do álbum do Paulistão e o coração fraco do Etan Thomas, seria uma boa para o Wizards deixar de ser o pior time da NBA e se tornar o segundo pior.


Pistons troca Allen Iverson ou Tayshaun Prince

Eu ficaria muito feliz se o Pistons trocasse o Iverson. Seria uma maneira deles admitirem que fizeram uma das piores trocas que um time poderia fazer! Falando sério, dá angústia ver esse Pistons jogar. Eles não sabem defender, atacam só na individualidade e não usam nenhuma das principais qualidades dos seus jogadores.

O Prince sempre foi um ótimo defensor porque ele era capaz de marcar qualquer um que joga na posição 2 ou 3. Ele é mais alto que praticamente todo mundo dessas posições mas não deixa a desejar em velocidade e agilidade. Agora com medinho de deixar uma estrela por muito tempo no banco, em inúmeras ocasiões o Prince joga na posição 4, marcando Nowitzkis, Duncans e Al Jeffersons da vida. Aí, ao invés dele ser um trunfo na defesa, vira um ponto fraco.

Pior é ver o Hamilton jogando 1-contra-1 como se ele fosse o rei do drible ou o Iverson driblando todos os adversários enquanto o resto do time fica parado assistindo. Esse time é um desastre que só vai ser arrumado com alguma troca. Eu não trocaria o Prince, o problema do time está no excesso de gente na armação. Ou melhor dizendo, excesso de jogadores bons mas que não combinam na armação. Stuckey, Iverson e Hamilton juntos é como um ataque com Romário, Edmundo e Sávio, bom no papel e terrível no campo.

Uma solução seria trocar o Iverson por um pivô, já que o Rasheed é ala de força e perde valor sendo improvisado na posição 5. As opções de novo seriam novamente Brad Miller, Jermaine O'Neal e Chris Kaman. Mas não há nenhum boato de que o Iverson deva sair em troca de um pivô, isso é só especulação minha mesmo. Mas ainda que não seja por um desses pivôs, o Iverson tem que sair de lá, ele não tem nada a acrescentar para o Pistons.


Stephon Marbury para o Celtics

A notícia de hoje é que o Marbury já tem um acordo verbal com o Celtics e que é só dar certo a sua saída do Knicks que ele vai para o time verde. O problema é esse "só dar certo" que já dura um tempão.

Para o Knicks, acho que o melhor seria acabar logo com isso. Mais cedo ou mais tarde, seja por salário ou por buyout, eles tem que pagar uma grana preta que tiraria muita empresa da crise para o bolso do Marbury. Então que paguem logo e que ele dê o fora de lá pra seguir sua vida.

Para o Marbury é perfeito. Ele sai de um lugar onde chegou como capitão do time de futebol que come a cheerleader e sai como um fracassado do clube de matemática (e que é ruim em matemática!) e vai para outro onde é amigo do capitão do time de futebol, o que quer dizer que ele não vai jogar mas que vai ser amigão de quem joga, vai pegar a amiga feia da gostosinha que o Garnett traçar.

Só é ruim para um dos lados: o do Celtics. Para que mexer no que está dando certo e colocar um cara conhecido por destruir elencos no time? Mesmo que ele seja um cara legal como foi com o Leandrinho em seus tempos de Suns, ele é o tipo de jogador que acaba com o time dentro da quadra. Ele não é um bom armador, ele não envolve seus companheiros e eu paro de ver NBA se ele ganhar um anel de campeão. O Celtics tem o Rondo que é muito mais útil para o time do que o Marbury jamais foi para Nets, Suns ou Knicks, e tem a máquina de três pontos do Eddie House no banco, além do Cassell que pode entrar nos playoffs se for preciso. Pra que Marbury?


Mike Miller trocado pelo Wolves

O Mike Miller foi peça fundamental na troca de OJ Mayo por Kevin Love. Foi dito abertamente por ambas as partes que se o Grizzlies não tivesse colocado o Miller na troca, hoje o Love estaria fazendo a dupla mais homossexual da liga com o Rudy Gay.

Mas o tempo passou e o Mike Miller não justificou a importância. Hoje ele concorre cabeça a cabeça com o Rip Hamilton e o Luol Deng como jogador que mais involuiu na temporada. São as piores médias da carreira em quase todos os quesitos, um desastre.

Alguns explicam essa queda devido a ele jogar no lixo do Wolves e que em uma situação melhor, em um time melhor, ele estaria mais motivado pra jogar, daí os rumores de troca. Para o Wolves não sei se é uma boa, já que o valor do Mike Miller está bem baixo, mas talvez dê pra conseguir uns bons pivetes pra reconstruir o time com trocas.



Esses são os caras mais falados, mas a verdade é que as trocas que acontecem são sempre as mais imprevistas, as que ninguém ficou mastigando antes na imprensa. Então esperem por trocas inusitadas no próximo mês. Provavelmente até envolvendo esses mesmos caras citados no post, mas com outros times, por outros jogadores.


Ok! Ok! Eu aumento mas não invento!

Dos gordinhos, quem foi para o Clippers foi o Zach Randolph, mas parece que foi o Eddy Curry. Ninguém na liga hoje é mais zicado que o pivô do Knicks.

1- Ele está machucado desde o começo da temporada. Voltou, jogou alguns minutos de um jogo, sofreu com as dores e está de volta à lista de contundidos.

2- Foi acusado por um motorista de limosine de assédio sexual.

3- Sua ex-namorada, mãe de seu filho de 9 meses, foi assassinada ontem.

Só falta ele não ser chamado para o All-Star Game agora...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Como andam nossos gordinhos favoritos

- McDonald's ou Burger King?


Todo mundo que acompanha o Bola Presa com um mínimo de atenção conhece nossos gordinhos favoritos. Com todo o respeito pelo Faustão, Jô Soares, João Gordo, Ronaldo Fenômeno e Preta Gil, os nossos favoritos são Zach Randolph e Eddy Curry.

Desde que foram unidos no Knicks para formar o garrafão mais pesado, lento, preguiçoso e frágil da NBA, eles foram motivos das nossas piadas, que só aumentaram quando o time de Nova York contratou o Mike D'Antoni para ser o técnico da equipe.

Uma coisa era óbiva desde o começo. Não havia a menor chance do garrafão titular ser formado pelos dois se o D'Antoni quisesse usar qualquer coisa similar ao sistema de jogo veloz e ofensivo que ele usava no Suns, a única coisa que seria igual seria a incapacidade de defender, já que os dois não defenderiam nem se ganhassem 10 milhões de dólares pra isso. E eles ganham mais de 10 milhões pra isso, mas não vem ao caso.

O que agravava mais o caso é que o reserva dos dois era o David Lee, que sempre pareceu o cara ideal para o garrafão do D'Antoni. Então um dos dois ia ter que sair. Quem saiu foi o Eddy Curry e a solução foi fácil, já que ele machucou o joelho. O Randolph então foi titular junto com o Lee no começo da temporada.

Para minha surpresa, o Randolph se deu muito bem! E pensando melhor, ele foi feito para jogar com o D'Antoni. Eu sempre pensei no lado físico, que ele era gordo e preguiçoso e não ia aguentar a correria, mas ignorei todas as outras habilidades do rapaz.

O que ele gosta é de marcar pontos e pra isso ele aprendeu a arremessar de todos os lugares da quadra, se posiciona bem pra isso e não passa a bola. Então ele é ideal para finalizar as jogadas com rapidez: ele vai para o ataque, recebe a bola e finaliza. Pronto e ponto! Não precisa defender porque ninguém defende mesmo e ainda ajudava com os rebotes defensivos porque isso ele sempre soube fazer. O resultado foi que em 11 jogos como um Knick nessa temporada, ele teve média de 20 pontos e 12 rebotes.

Mas aí veio a troca para o Clippers visando aquele diabo do verão de 2010 que vai revolucionar a história da NBA, acabar com o aquecimento global, mudar os conceitos da física, da química, da matemática e vai reacelerar a economia. Então nunca vimos Randolph e Cury juntos no run and gun.

Mas vamos ver pelo menos o Curry, e começou ontem. Finalmente ele se recuperou de contusão e jogou poucos minutos nessa última quinta contra o Dallas. Por mais que o Curry tenha algum talento ofensivo, claramente ele não pertence a esse sistema de jogo, o que dá a entender que ele deveria ficar no fundo do banco, certo?

Errado. O Curry ganha pouco menos de 9 milhões de dólares nessa temporada e ganha mais de 10 nas próximas duas. E nessas duas temporadas ele tem aquele "player option", que quer dizer que ele só vira Free Agent se ele mesmo decidir encerrar o contrato. Agora, por que um ser humano racional desistiria de ganhar 10 milhões de dólares? Eu topava fazer um pornô com o Kid Bengala por 10 milhões! E ainda mais o Curry, que não deve estar recebendo muitas propostas parecidas de outros times na liga.

Com o perdão da piada, o Curry virou então um peso para o Knicks. Não se encaixa no esquema do time e ainda atrapalha contratações para os próximos dois anos, os dois anos com mais possibilidades para deixar o time com alguma chance de ser campeão. A solução para isso é achar um time que queira o Curry para si, alguém que tope pagar tantos milhões para ele pelos próximos anos mesmo sabendo que ele gosta mais de lasanha do que de basquete e que vai comer (oops) 10 milhões do espaço salarial no fatídico 2010.

Para enganar/sacanear/ferrar um time e empurrar o Curry para ele, o outro time tem que achar que o Curry é bom e tal time só vai achar isso se o Curry entrar em quadra. Então eu aposto que cada vez mais o Curry vai entrar em quadra e o tempo todo vão jogar a bola pra ele e que todo mundo vai fazer box out para os rebotes sobrarem livres pro Eddy. Com esse esforcinho extra talvez ele tenha umas médias impressionantes, uma atuação fora de série contra Thunder ou Warriors e talvez assim algum time se interesse por ele.

Mas com sorte o Curry até pode achar um lugar em que ele seja útil de verdade e não uma piada. Deu certo com o Randolph. Ele foi para o Clippers e lá ele se encontrou na situação perfeita ao lado do Marcus Camby. O Camby é capaz de dar 10 tocos e pegar 20 rebotes num mesmo jogo sem fazer um ponto, já o Randolph é capaz de fazer 30 pontos, meter bolas de 3 e nem fazer uma falta de tanto medo de jogar na defesa. Os dois juntos são, em corpos separados, um Tim Duncan sem a cara de bobo.

Tudo o que o Randolph não faz ele tem o Camby atrás pra fazer pra ele. Na soma dos papéis o Clippers tem dentro de seu garrafão todos os tipos de habilidade divividos em dois bons jogadores. E ainda pra completar, ao jogar com o Baron Davis e um Clippers veloz, ele tem uma situação parecida com a que ele se deu bem no Knicks do D'Antoni.

A situação só não é perfeita porque ele está no Clippers, logo ele está machucado e amaldiçoado. Assim como o Baron Davis, o Kaman e o próprio Camby, todos amiguinhos de enfermaria.

Para o Curry, eu imagino como uma situação boa atualmente o Heat. O time do Wade precisa de alguém que faça pontos dentro do garrafão e com o Wade e o Chalmers batendo pra dentro como doidos, vão sobrar bolas pro Curry só botar pra dentro. E assim como o Camby é para o Randolph, acho que o Haslem pode ser um bom complemento para o Curry pegando rebotes. E também tem o fato do Heat já estar se acostumando a não ter um bom garrafão defensivo e com isso eles jogam botando pressão nos armadores, cortam linhas de passe e forçam turnovers.

É um cenário meio irreal porque para isso o Heat deveria mandar na troca algum salário grande como o do Shawn Marion e não sei se é bom negócio deixar o Wade sem Marion e com o Curry do lado na hora dele decidir se fica no Heat ou não em 2010. Mas como exercício de imaginação, é em um time assim que nosso gordinho favorito se daria bem.