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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Miami Heat, o retorno

Monstro de três cabeças

Antes da temporada passada começar, muito se especulava sobre como seria o Miami Heat de LeBron, Wade e Bosh. A equipe parecia estar investindo todas as fichas no que podemos chamar de "modelo Celtics": juntar três estrelas, colocar todo o foco na defesa, deixar que se virem como bem entenderem no ataque, e tapar os buracos da equipe com pivetes ou jogadores veteranos dispostos a receber salários minúsculos pela chance de ganhar um título. No caso do Celtics, a pivetada deu muito certo (Rondo, Perkins) e os vovôs continuam topando a brincadeira até hoje (Shaquille O'Neal ficou até onde deu, Jermaine O'Neal deve fazer o mesmo).

O modelo parecia perfeito para o Heat imitar, LeBron e Wade só falavam em defesa durante os primeiros treinamentos com o técnico Erik Spoelstra, o time apostou em um pirralho na armação (Mario Chalmers) e um no garrafão que só sabia defender (Joel Anthony), e os veteranos se acotovelaram pela chance de jogar: passaram pelo Heat em seu primeiro ano vovozinhos como Jerry Stackhouse, Ilgauskas, Dampier, Juwan Howard, Mike Bibby, Jamaal Magloire, Mike Miller e Eddie House (esse último, aliás, havia participado também desse modelo no Celtics). Não dava pra culpar o Heat, copiaram um modelo recentemente vencedor e, por não serem um grande mercado na NBA, aproveitaram o fato de que o Wade trouxe seus amiguinhos para finalmente se tornar um lugar interessante para jogadores veteranos. Afinal, como fica bem fácil de perceber, jogadores bons e velhos querem jogar em equipes boas, não nas franquias mais famosas.

O problema é que nenhuma cópia sai exatamente como o original, e já no primeiro mês de temporada dava pra ver os deslizes do projeto. O primeiro, e mais sério, era que a defesa simplesmente não funcionava como deveria. Contra equipes mais fracas, a defesa era sufocante e vencia o jogo sozinha como esperado, mas contra equipes dispostas a rodar a bola, atacar o garrafão, ou com pivôs um pouco mais competentes do que o normal, a defesa não conseguia acertar a rotação, cometia erros bobos, batia cabeça e acabava se frustrando, tentando tanto roubar bolas que acabava deixando jogadores completamente livres quando os roubos não aconteciam. No ataque a coisa também era bastante bagunçada e o time foi alvo de críticas, especialmente com aquele papo de que "não tem na equipe um armador de verdade pra botar ordem na casa". Na prática, o ataque do Heat era tão organizado ou mais do que aquele do Celtics que foi campeão em 2008, justamente porque jogadores tão talentosos sempre dão um jeito de pontuar mesmo que seja na marra - por isso o foco das duas equipes sempre foi na defesa e há um desdém de ambos com relação à parte ofensiva.

Mas o técnico nerd Erik Spoelstra resolveu não deixar o ataque à deriva. Com seus bilhões de números e estatísticas, constatou que o Heat usava sempre as mesmas jogadas no ataque e que eventualmente isso seria um problema. A solução que ele propôs é um tanto videogame: sempre que o Heat tivesse sucesso na defesa, conseguindo um roubo de bola, um toco ou um rebote defensivo, o ataque poderia fazer o que bem entendesse; mas toda vez que o Heat levasse uma cesta era obrigado a seguir uma das jogadas "não-convencionais" que o Spoelstra havia desenhado para variar o ataque. A tática deu certo o bastante, afinal o Heat chegou a uma Final de NBA, mas ela tem vários problemas. Primeiro, ela assume que os problemas defensivos do Heat eram uma questão de comprometimento, não de posicionamento e entendimento da função de cada um em quadra. Depois, ela arrancou completamente pela raíz a espontaneidade do ataque da equipe. O sucesso que o Heat tinha com jogadas de velocidade ou um pick-and-roll simples era imenso, mas nos momentos de aperto cansei de ver a equipe se embananando toda tentando colocar em prática alguma movimentação do Spoelstra na linha de fundo da quadra. LeBron James passou boa parte da série contra o Mavs, na Final, acionando Chris Bosh para arremessos de média distância - em parte porque o garrafão do Mavs intimidava qualquer infiltração, é verdade, mas em parte também porque não tinha permissão para jogar na velocidade como bem entendesse. Os contra-ataques com LeBron e Wade são fulminantes, eles adoram, se divertem, fazem dancinhas, mas são muito raros numa equipe que poderia fazer isso o tempo todo se quisesse. A equipe tentou tomar para si uma identidade que não lhe correspondia. E até que simulou razoavelmente bem esse papel, uma Final de NBA não cai no colo de ninguém, mas em nenhum momento pareceu algo natural, orgânico. Os jogadores foram tirados de sua zona de conforto, do modo em que renderiam mais, e com isso tiveram dificuldades em contribuir em algumas situações.

No ano passado, escrevi sobre a diferença entre essência e aparência na hora de definir a posição de um jogador, e para isso usei uma cena do Chaves que infelizmente foi tirada do ar. Coloco um vídeo similar abaixo para retomar aquela ideia:



Tem jogador que parece de tamarindo e tem jogador que é de tamarindo, como saber a diferença? Definimos uma coisa pelo modo que ela se apresenta a nós, por como nos parece, ou há um modo de descobrir o que ela verdadeiramente é, além das aparências? Essa questão filosófica é importante para nós graças a dois jogadores: LeBron James e Chris Bosh. Ambos parecem alas: LeBron é alto, forte, gosta de infiltrar e é pontuador; Bosh é magro, fisicamente fraco, e sempre se lesionou tendo que jogar de pivô no Raptors. Na essência, naquilo que eles verdadeiramente são, embora o Bosh seja considerado um ala de força exatamente como ele aparenta (mesmo tendo jogado de pivô improvisado no Raptors por toda a carreira), considero LeBron um armador puro (como jogava no colegial, e assim que entrou na NBA) e não um ala como insistem para que ele seja.

LeBron foi o armador principal do Heat na maior parte da temporada, com Mario Chalmers ou Mike Bibby em quadra apenas para marcar o armador adversário na hora de defender, e para arremessarem de três pontos na hora do ataque tendo em vista a falta de arremessadores que o Heat tem (e a inconsistência de LeBron e Wade na função). Armando, LeBron teve alguns problemas para manter o esquema semi-rígido do técnico Spoelstra, muitas vezes tendo que se conter ou se limitar no ataque para cumprir as jogadas estabelecidas. Por outro lado, LeBron simplesmente desapareceu nos momentos em que a armação foi passada para outra pessoa e teve que jogar de ala. Quando LeBron e Wade revezaram a armação, com um fazendo corta-luz para o outro na cabeça do garrafão, foi tudo fantástico, mas com LeBron isolado no perímetro o negócio desandou. Está na hora de admitirmos que LeBron é o armador dessa equipe - talvez até deixando que ele finalmente marque o armador adversário, agora que Shane Battier pode garantir a marcação na ala - e que está tudo bem ele assumir essa função. Como comentamos anteriormente, grande parte dos problemas do Heat na temporada passada foram tentar ser um time que eles não eram.

O caso do Bosh, no entanto, é mais complicado. Depois de uma vida inteira como pivô improvisado (e de uma franquia que se destruiu tentando conseguir pivôs melhores para deixar que sua estrela fosse para a ala, onde queria), finalmente Bosh conseguiu jogar como ala de força no Miami Heat. Em geral o pivô foi Joel Anthony, que todo mundo adora dizer quão ruim é mas que na verdade está no topo da NBA naquelas estatísticas difíceis de contabilizar e que ninguém dá a mínima, como sucesso no corta-luz, proteção nos rebotes (box-out), faltas de ataque sofridas, etc. Bosh conseguiu então realizar seu sonho e jogar longe da cesta, marcar jogadores mais fracos e usar mais seu arremesso - e foi um fracasso. O arremesso do Bosh é ótimo, mas não tão bom quanto seus movimentos embaixo da cesta; sua velocidade na defesa não fica tão evidente contra jogadores mais ágeis e que jogam mais fora do garrafão; sua capacidade de bater para dentro do garrafão no ataque fica diminuída enfrentando alas, mais capazes de acompanhar sua velocidade. Descobrimos que o Bosh só era genial (e sim, ele foi absurdamente genial nos seus tempos de Raptors) porque era rápido, leve, ágil e inteligente contra pivôs grandões e descoordenados.

A parte legal é que o Bosh percebeu tudo isso. Recentemente alegou que ter arremessado abaixo de 50% (teve 49% de aproveitamento na última temporada) e ter conseguido menos de 10 rebotes (foram 8) é algo inaceitável para ele, que ele tentou fugir de ser pivô e que isso sempre volta e pega ele de algum jeito, então que para essa temporada resolveu fazer diferente: adicionou 5 quilos de massa muscular durante a greve e está decidido a ser o pivô da equipe sempre que necessário. Isso é ótimo porque Udonis Haslem volta da contusão que lhe tirou quase toda a temporada passada, e os dois tem tudo para serem muito melhores juntos do que qualquer outra dupla de garrafão do Heat.

No caso do ataque pouco orgânico do Heat e do LeBron contido na armação, Spoelstra também percebeu o problema e oficialmente tirou as amarras. Não haverá mais jogadas chamadas pelo técnico, eles não terão a obrigação de fazer jogadas específicas caso sofram cestas, não terão que evitar as jogadas mais eficientes apenas para "não usá-las demais". Bosh, Wade e LeBron deram entrevistas dizendo que o ataque será livre, que seguirão o ritmo natural do jogo e usarão a experiência e a inteligência que possuem para fazer o que acharem melhor. Claro que com o foco na defesa, agora com mais tempo para que ela bata menos cabeça. É o "modelo Celtics", agora livre e solto, com permissão para correr a quadra e jogar no contra-ataque como todo mundo pensou que eles fariam. E com o Bosh de pivô se precisar, enfim.

E como o "modelo Celtics" não está completo sem veteranos topando a brincadeira, vamos seguir nossa análise das contratações da offseason e dar uma olhada em como os recém-contratados se encaixarão no Heat:

Mario Chalmers
Miami Heat - 12 milhões por 3 anos

Volta para o Heat o armador que não precisa quase nunca armar o jogo, mas cujo arremesso de três é muitas vezes o desafogo da equipe. Com LeBron e Wade sendo tão bons na infiltração, faltou para o time na temporada inteira uma bola consistente de três pontos para abrir espaço no garrafão. Mike Miller chegou à equipe só para isso, passou boa parte da temporada contundido e aí quando finalmente jogou, fedeu. Chalmers não é o melhor arremessador disponível, mas criou fama como o cara cheio de bagos que converte os arremessos de três nas horas mais importantes, e o Heat precisa disso. Quer dizer, é meio bizarro ter LeBron, Wade e Bosh e acabar passando a bola importante para o Chalmers, mas não deveria ser vergonha pra ninguém, o Super Mario Chalmers merece.

Shane Battier
Miami Heat - 20 milhões por 4 anos

A melhor contratação que o Heat poderia fazer na história da humanidade conhecida. Shane Battier é o cara que torna um time bom em um time fantástico, é a peça que falta em qualquer equipe que esteja às portas de ganhar um título. Assisti a ele desperdiçar seus talentos no meu Houston Rockets porque, olha que estranho, o Houston realmente achava que dava pra vencer um titulo e por isso seguraram o Battier a todo custo (aliás, ao custo do Rudy Gay, mas isso é outra história). Battier ainda é um dos melhores defensores de perímetro da NBA, é um ótimo defensor no garrafão, o melhor da liga em cavar faltas de ataque, é tão obediente taticamente que fica até chato, e ainda não compromete no ataque - tem um ganchinho confiável e uma bola de três pontos mortal na zona morta. O Heat finalmente terá uma bola da zona morta para acionar depois das infiltrações de Wade e LeBron, e nenhum dos dois terá que se matar parando a estrela adversária. Colocando Wade, LeBron e Battier em quadra (com LeBron jogando de armador, como deve ser), o perímetro fica espetacular; mas dá pra colocar o Battier de ala de força com o Bosh de pivô dependendo do adversário. Defende, joga várias posições e acerta bolas de três pontos, é tudo que o Heat precisava da vida. E o Celtics. E o Mavs. E o Lakers. E o...

James Jones
Miami Heat - 6 milhões por 3 anos

A necessidade que o Heat tem por arremessadores é enorme. LeBron e Wade nem arremessavam uns anos atrás, melhoram a cada temporada, e na última melhoraram o aproveitamento na marra, porque as defesas fecham o garrafão e deixam os dois chutarem. O problema é que com tanto espaço para o arremesso de três, faltam no Heat especialistas. O James Jones é tão especialista, mas tão especialista, que levou meses na temporada passada para fazer seu primeiro ponto dentro do garrafão. Ou seja, faz aquilo que precisa. Seria péssimo para o Heat perdê-lo, não existem muitos arremessadores disponíveis no mercado por um preço bacana, e o James Jones acabou saindo a preço de banana.

Eddy Curry
Miami Heat - 1 ano, 1 milhão

Como sabemos, o fato de que o Eddy Curry perdeu 30 quilos (trinta!) para jogar pelo Heat acabou mudando a estrutura do espaço-tempo e quase fez com que a temporada não acontecesse! O Curry já foi um jogador relevante, é muito sólido atacando embaixo da cesta, muito técnico, e muito, muito, muito gordo. Recebeu um contrato bilionário no Knicks mas nunca conseguiu ficar em forma, teve problemas pessoais bizarros (de assédio sexual a homicídio na família), foi ficando uma bola e então finalmente saiu da órbita da Terra, girando ao redor do planeta como uma lua pequena. Nos seus bons tempos era bom no ataque, ruim na defesa, e um dos piores reboteiros a já jogar basquete. O Heat tem problemas sérios com rebotes defensivos (especialmente com o Bosh jogando longe da cesta como ala de força, e com o Haslem machucado), então o Curry não acrescenta muito. Só é legal de ver um cara tentando retomar a carreira, correndo as tripas para fora, perdendo tanto peso e conseguindo um lugar numa equipe como o Heat. Na falta de gente de garrafão, terá sua chance. O problema é que não garantirá rebotes nem acompanhará a velocidade dos contra-ataques. Se estiver bem fisicamente, no entanto, é sempre uma ajuda nem que seja para fazer faltas no Dwight Howard. Vale também lembrar o quanto já zoamos o Zach Randolph por ser gordo e hoje em dia ele é tão bom reboteiro que parece ter cola nas mãos. Aliás, o Randolph também andou perdendo peso e até pegando umas ponte-aéreas nos treinos do Grizzlies. Se o Curry fizer isso também, aí já era a nossa temporada, o espaço-tempo, vai ter greve mundial dos seres humanos e a Lua vai se chocar contra a Terra.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sabadão com o Gugu

Faz carinha de quem tá gostando


(História bizarra do dia: Não sabíamos que nome dar ao post. Danilo pensou em "Sabadão Sertanejo" e eu disse "Ou Sabadão com o Gugu, que era o nome do programa depois que não era mais só sertanejo. Mas se for assim temos que colocar frases do Chico Xavier nos intervalos". Eis que então damos uma Googlada e descobrimos que demos esse mesmo nome no All-Star Saturday Night de 2008! Como bem disse o Danilo pra fechar, somos uma sátira mal feita de nós mesmos)

Esse fuso horário ainda me mata! Ontem fui dormir à uma da manhã no horário cipriota para depois acordar às 3 para assistir ao famoso sábado do All-Star Weekend. Quase não sobrevivi na primeira meia hora de papinho besta da transmissão gringa até que começasse tudo de verdade. Mas quer saber, quando acabou tudo às 6 da manhã eu estava tão excitado com o que tinha acabado de assistir que aí não conseguia nem pensar em ir para a cama. Melhor campeonato de enterradas de todos os tempos? Nos perguntaram isso já, acho que não, mas nem tudo precisa ser o melhor da história para ser do caralho.

O primeiro evento da noite foi o torturante Shooting Stars, que já teve algumas edições divertidas mas que em geral é um porre. Tão chato que eu juro que não está no nosso bolão porque eu esqueci completamente da sua existência, a gente tenta apagar da cabeça as coisas ruins, saca? Dependendo dos ex-jogadores que eles escolhem para participar é até divertido ver o cara lá em ação, brincar de nostalgia e de explicar para os leigos que assistem do seu lado quem é quem. Mas nesse ano escolheram a porcaria do Rick Fox e o resto são todos comentaristas da TV americana, uma panelinha tola e desnecessária. Seria fazer um All-Star do futebol brasileiro e na hora de chamar ex-jogadores só teria Casagrande e Caio Ribeiro.

Sem contar que, como disse o Danilo no Twitter ontem, o Shooting Stars é um jogo no estilo Passa-ou-Repassa. Não importa o que acontece durante todo o programa, vence o todo quem vence a última prova que vale 1 milhão de pontos. Nesse caso vence quem acerta mais rápido a bola do meio da quadra, um arremesso que ninguém treina, que não é divertido de assistir e que na verdade só me lembra pessoas que não jogam ou gostam de basquete. Quem joga de verdade nunca fica chutando do meio da quadra, é coisa do seu amigo que só joga futebol e aparece uma vez na vida na quadra tentando fazer algo impossível. É tão coisa de escola que até chamam meninas para participar, pra ver se impressionam alguma jogando basquete (sério, não funciona!). O time vencedor tinha a musa Coco Miller, o comentarista da NBA e ex-jogador mais ou menos Steve Smith e o Al Horford.

Depois dessa palhaçada veio o Skill Challenge, a disputa do sábado que mais atrai jogadores de nome além do jogo de domingo. Se nas bolas de três vemos uns role players aleatórios e no de enterradas já tivemos até o Gerald Green ganhando, no de habilidades é só estrela de verdade. Não sei porque isso acontece, mas até o amarelão do LeBron, que nunca teve as bolas de ir para o de enterradas, já participou da brincadeira. Nesse ano estavam lá Chris Paul, Russell Westbrook, Stephen Curry, John Wall e Derrick Rose.

Acabou sendo meio que uma decepção porque muitos erraram vários passes e arremessos, então mesmo sendo alguns dos armadores mais rápidos da NBA, tudo ficou meio empacado. O ápice da noite foi quando o CP3 errou a bandeja inicial do circuito, algo absolutamente inédito (e patético) na competição. O nível foi tão baixo na primeira rodada que o Steph Curry foi para a final contra o Westbrook mesmo depois de errar bastante. E aí na decisão finalmente algo digno de um cara rápido e com arremesso preciso como ele, passou por todos os obstáculos voando, acertou o tãaao temido arremesso de meia distância, o passe longo e fechou o circuito em 28.2 segundos, o melhor tempo do torneio desde que Deron Williams fez o recorde de 25.5 em 2008.

Parecia que o sábado não era mesmo o dia de grandes atuações quando começou o torneio de três pontos. Na primeira rodada o Daniel Gibson, que era a minha aposta para o Cavs finalmente ganhar algum troféu antes do LeBron James, passou vergonha e fez apenas 7 pontos, chegando a errar 10 bolas em sequência. A piada dele errar 26 em sequência ficou coçando na garganta durante todo o evento. Pelo menos para ele não se sentir sozinho o Kevin Durant, que nem deveria estar lá por não ser um especialista em três pontos, também fez papelão e mostrou que, repito, nem deveria estar lá por não ser especialista em três pontos, diacho. Até quem parecia em uma noite boa, como o Dorrell Wright, esfriou mais que aquela sua ex-namorada frígida depois dos primeiros arremessos. O nível baixíssimo deixou Paul Pierce, mesmo indo mal, ir para a final contra James Jones e Ray Allen.

E aí, pela primeira vez na temporada, deu Heat. Pierce foi mais ou menos, James Jones fez sólidos e bons 20 pontos e o Ray Ray mostrou que só é bom em quantidade de bolas de três pontos (opa, polêmica!). Brincadeira, ele só mostrou que não venceu uma brincadeira. O dia que essas brincadeiras de All-Star provarem alguma coisa a ciência se mata com um tiro na cabeça. O título de James Jones premia o jogador com a estatística mais bisonha da NBA: Ele tem 357 pontos na temporada e NENHUM foi feito dentro do garrafão. Isso tem que ser um recorde!

Ai chegou o campeonato de enterradas. A parte mais esperada da noite que é a mais legal de assistir e a mais chata de ler no dia seguinte, mas vamos nos esforçar para não sermos chatos como a maioria. Porque eu morro um pouco por dentro a cada campeonato mais ou menos em que alguém diz "Não é a mesma coisa como antigamente que tinha Michael Jordan e Dominique Wilkins" e tenho vontade de arrancar meus olhos fora quando depois de um campeonato bom dizem "O torneio de enterradas está de volta!!!". É como o rock ser salvo a cada nova boa banda que aparece. Não há nada para ser salvo e, surpresa, em alguns anos vai ser legal e em outros não. Não é biologia molecular, é fácil de entender.

Agora é hora de comentar cada enterrada, mas não vou fazer isso sozinho, o Danilo vai me ajudar. Uma por uma, jogador por jogador.

Serge Ibaka: O melhor último colocado da história! Até no antológico campeonato de enterradas do ano 2000 a gente teve gente ridícula como o Larry Hughes, mas nesse ano foi só alto nível.



Denis: Foi do lance livre MESMO, antes da linha pra dizer a verdade, não pisando em cima como o Jordan ou o Julius Erving! O problema foi que a enterrada não saiu muito forte, então o final foi um pouco decepcionante para um salto tão fantástico. Não foi inovadora, mas fez melhor do que quem havia tentado antes, merecia mais que os 45 pontos que recebeu.

Danilo: Achei uma das enterradas mais mal-amadas da noite, merecia nota máxima. Acertou de primeira, não precisou ir até Joanópolis pra pegar distância, não colocou fita-crepe no chão pra marcar a passada, e o mais importante: não pulou nem muito antes da linha (porque aí erraria) e nem muito depois como todo mundo faz porque acertar os passos é o diabo. Fez direitinho uma enterrada difícil pra burro, e daí que já tinham feito antes? Se valer só enterrada nova, vamos ter que voltar ao pessoal enterrando com roupa de sex-shop.



Denis: A segunda enterrada dele foi criativa e acabou por decidir o campeonato de enterradas. JaValle McGee disse que chegou ao fim do torneio sem idéias porque a sua para fechar a noite era fazer exatamente isso. Funhé. Ela foi bem impressionante também, a coordenação para tudo isso e a altura do salto são coisas de outro planeta. Mas mais legal foi ver que o pirralho de corte de cabelo patético não saiu do seu papel nem por uma fração de segundo!  Aproveita e já continua em Los Angeles, pivete!

Danilo: Foi bem executada, pena que não foi de primeira. Foi a primeira enterrada com teatrinho, personagens e falas no campeonato. Como eu comentei no Twitter, agora só falta ter anões e mulheres de biquini. Fora essa bobagem, também merecia mais carinho.


DeMar DeRozan: Se teve algum injustiçado na noite de ontem foi o DeRozan, embora eu ache que essa é uma palavra muito forte para uma brincadeira de enterradas.




Denis: Enterrada por baixo da perna vindo da lateral da quadra, não dá pra pedir muito mais do que isso. Se não é para nota máxima é para chegar perto.

Danilo: O legal é que saiu plasticamente bonita a enterrada, movimentação bacana no ar.



Denis: Essa foi simplesmente a melhor da noite! Não tem o que dizer. Foi de primeira, foi sem frescura, sem parafernalha, sem historinha, só jogou a bola pra cima, deu um salto lindo, fez uma pegada difícil e enterrou com força. Impecável.

Danilo: Saiu tudo perfeito, absolutamente tudo, é a enterrada que todo mundo deveria dar de exemplo para o campeonato desse ano.


JaValle McGee: A grande surpresa da noite. Ele dá enterradas legais durante o jogo, mas é sempre em ponte aérea, muitas delas bem desengonçadas. Não esperava absolutamente nada do gigante que quase se tornou o mais alto vencedor da história do torneio de enterradas.



Denis: É impressionante, é difícil de fazer até se você tiver duas cesta de só 2 metros de altura pra treinar no quintal de casa e jogar uma das bolas na tabela foi o charme estético que faltava. Perfeita. (Dwight Howard que parece não ter gostado muito...)

Danilo: Só dá pra fazer se você for o Dhalsim. Ou seja, genial.



Denis: Levar a mãe lá pra dar beijinho nos juízes foi apelação! Imagina o dia que o Kris Humphries levar a Kim Kardashian para pedir votos, ele vai ser um All-Star no ano que vem. Mas a enterrada foi boa! Três de uma vez eu juro que achava impossível! Apenas acho que é mais difícil do que bonito.

Danilo: O McGee é a versão cult desse campeonato de enterradas. O que ele faz é difícil, inviável, vai contra as leis do espaço-tempo. Depois que ele enterra você senta no chão e se questiona sobre a viabilidade da Física moderna. Vale nota máxima só porque é impossível. Mas a enterrada não é bonita, não é espetacular, não é nada além de prazer intelectual.



Denis: Todo ano tem uma enterrada como essa, que você olha e diz "legal, daria um 9" e quando você vê no replay diz "Puta que pariu dá um 11 e mais um carro pra ele".

Danilo: É bem isso, incrível como a enterrada do McGee é feita para ver no replay em câmera lenta, com a cabeça desviando da porrada na tabela. De novo, uma enterrada para apreciar intelectualmente depois, na hora pareceu normal.



Denis: Essa é pra usar em palestra empresarial dizendo: Sempre tenha um plano B.

Danilo: Funhé.


Blake Griffin: Deixar o voto popular decidir já deixava bem claro quem levaria o prêmio para casa. Griffin não foi mal, muito longe disso, mas ao mesmo tempo acho que a maioria esperava um pouco mais.



Denis: Essa é no meu estilo, sem efeito técnico, só algo diferente e bem executado. Foi a minha favorita dele em toda noite! Mal eu sabia que no fim das contas ele é quem ia fazer mais teatro no fim das contas.

Danilo: Talvez a enterrada mais plástica da noite, a mais bonita de ver quando aconteceu. E com um discurso de que "não tinha frescura", completamente oldschool.



Denis: A cara dele após a enterrada diz tudo, não era o que ele queria. Mas quando esse é o seu plano B que você faz quando não tem mais tempo é porque você é um jogador até que razoável. A primeira que ele tentou e errou era para acabar o campeonato na hora, porém, seria linda.

Danilo: Quando ele tentou da primeira vez e errou, com um giro fantástico, a torcida foi ao delírio e ele não conseguiu conter o riso, a enterrada era foda. Mas a água bateu na bunda e ele foi para um plano B bem melhor do que o do McGee, né?



Denis: O "Vince Carter revisited" dito pelo narrador já diz tudo. Foi o que Carter havia feito já em 2000, mas agora em um passe vindo da tabela. Não foi a melhor da noite, mas assim como Ibaka no lance livre ele pegou algo que já haviam feito antes e fez melhor.

Danilo: Quem é que tinha tentado fazer igual num campeonato de enterradas uns anos atrás e enfiou só a mão pra dentro, foi ridículo, e ainda quase tomou um capote? O Griffin fez com explosão um troço difícil e bonito de ver.



Denis: Quando me perguntam porque eu gosto de jornalismo eu costumo dizer que é porque a vida real sempre dá um chute no meio da bunda da ficção. Podemos criar quantas histórias de mentirinha a gente quiser, com dragões, ETs ou qualquer merda, mas no fim sempre alguma coisa bem real vai aparecer na nossa frente e deixar a gente boquiaberto. Um carro? Um coral? O clima no ginásio, todos de pé, a gritaria e todos correndo dentro da quadra foi um show surreal. Prefiro as enterradas mais simples, mas tenho que admitir que isso foi bem divertido e um ótimo encerramento de festa.

Danilo: Tem uma coisa importante sobre o campeonato de enterradas: ele é ao vivo. Não dá pra tentar pra sempre até acertar e depois editar o vídeo, não pra cortar você se esborrachando no chão tentando pular uma cadeira. O que conta é o que você faz na hora, na pressão, sendo visto por gente do mundo todo, num ginásio lotado. E como você empolga ou não essas pessoas com os recursos que tiver na hora. Depois a gente para e pensa que o coral foi brega, que ele pulou a parte mais baixa do carro, mas na hora foi um espetáculo, foi tão exagerado que ficou épico. O Blake Griffin tinha que acertar de primeira, não dava pra errar e tentar de novo, e ele não podia se arriscar a pular de costas ou por cima da parte mais alta do carro e quebrar os dentes em rede mundial. Pra começar, ele joga no Clippers e já é azarado o bastante, e além disso ele volta pro trabalho na segunda-feira, não dá pra arriscar muito, seria burrice. O Griffin já foi burro o bastante colocando o Baron Davis dentro do carro para lhe passar a bola, porque o passe poderia vir na hora errada, na altura errada, e tudo estaria perdido. Dava pra ter sido melhor? Dava. Ao vivo, com uma tentativa só, no ginásio de pé e berrando? Provavelmente não dava. Foi o clima perfeito, foi o bastante, e deu muito certo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Não farei uma piada com a frase "Houston, nós temos um problema"

Facepalm!

Quando o Houston Rockets, na temporada passada, estava chutando uns traseiros e surpreendendo todo mundo apesar da ausência de Yao Ming, o maior pânico do técnico Rick Adelman era que Tracy McGrady ficasse saudável novamente. Não importava que T-Mac fosse uma estrela, e que pudesse vencer um ou outro jogo sozinho - a dúvida diária sobre ele entrar em quadra ou não, dadas suas lesões constantes, não valia a pena. Nada é tão eficiente para acabar com um time do que lhe tirar a certeza da rotação, dos papéis em quadra e do padrão de jogo. Uma equipe que tem que jogar de um jeito diferente todas as noites não aguenta o tranco. Aquele Warriors do Don Nelson, em que os jogadores nunca sabiam se iam jogar, por quantos minutos, e em qual posição, era um pesadelo kafkaniano. Aposto que jogadores como o Marco Belinelli até hoje acordam chorando no meio da noite após um pesadelo em que o Don Nelson é contratado para treinar o Hornets. O Belinelli agora está muito bem obrigado, e o próprio Warriors é um time bastante diferente só de saber quem vai entrar em quadra.

Mesmo estando supostamente saudável, o Houston se livrou do T-Mac o mais rápido que conseguiu. Agora ele está lá no Pistons e mesmo jogando cada vez mais minutos ainda é uma dúvida constante, nunca dá pra saber se ele estará em condições de jogo. Somando isso ao fato que o Pistons não faz ideia se está tentando vencer ou se está reconstruindo o time, temos casos bizarros como o Austin Daye ser titular num dia e sequer entrar em quadra no outro. E os resultados são sempre catastróficos.

O Houston da temporada passada, sem T-Mac, não foi para os playoffs - mas foi por pouco. Com Kevin Martin na melhor forma física da carreira, as chances de se sair melhor nesse ano eram grandes. Mas aí o Houston passou a lidar com a volta de Yao Ming. Seria ridículo achar que o time piora com sua presença em quadra, pelo contrário, só de estar lá existindo e respirando, sem nem levantar os braços, o Yao Ming já faz o Houston um time melhor. Seu tamanho por si só altera infiltrações no garrafão defensivo e cria espaços ao ser marcado no garrafão ofensivo. Mas seus minutos limitados por ordens médicas (sempre os sugestivos 24 minutos por jogo) e a proibição de jogar em dias seguidos trouxe para o Houston aquele fantasma de Tracy McGrady.

Quando Yao está em quadra, o time precisa aproveitá-lo ao máximo, afinal ele terá que ir para o banco em breve. E isso é até bom, porque os passes chegam em sua mão e o time é realmente melhor quando as jogadas ofensivas se focam nele e em sua capacidade de passar a bola para o perímetro. Mas quando ele senta e não pode mais entrar em quadra, é como se o time inteiro precisasse encontrar um outro modo de jogar que tivesse esquecido durante o jogo. Os jogadores não estão envolvidos, as movimentações de bola precisam ser diferentes, é como começar um novo jogo no meio de outro. E aí, no jogo seguinte, caso seja um jogo em dia seguido, Yao está fora desde o começo da partida, então é preciso se acostumar com Brad Miller em quadra. Mas no jogo seguinte é o Yao Ming quem joga, e aí a bola tem que ir pra ele. E assim o Houston não tem padrão nem ofensivo, nem defensivo.

É claro que os problemas se extendem: com a saída de Trevor Ariza para dar espaço para Kevin Martin, a defesa de perímetro do time sofre um absurdo. Tirando Yao Ming, nenhum jogador do elenco é capaz de dar um único toco, então impedir infiltrações é ainda mais essencial - coisa que Kevin Martin e Aaron Brooks não conseguem fazer. Kyle Lowry, que é um defensor melhor na armação, passou todo o começo de temporada contundido. Quando voltou, Aaron Brooks já estava fora e assim permanecerá por mais um mês. E o próprio Yao Ming, quando começou a reclamar que deveria no mínimo voltar a jogar partidas em dias seguidos para não ferrar com a química do time, acabou torcendo o pé e ficando fora pra valer. E com o Yao nunca tem lesão simples, a torção deixou uma lasca de osso no pé dele, e o tempo de recuperação foi mais longo do que o esperado. O retorno deve ser no comecinho de dezembro.

Mas dentre todos esses problemas, o que mais afeta o Houston é mesmo a impossibilidade de criar uma rotação e um padrão de jogo definidos. As primeiras derrotas da equipe foram todas por muito pouco, nos minutos finais, em bolas decisivas. Era preciso manter um ritmo e deixar que o time aprendesse a fechar os jogos. Mas não, a rotação mudou tanto que a equipe não sabe mais o que precisa fazer para mudar o placar da noite anterior. Uma hora joga com Brad Miller, que arremessa de três e não defende, na outra joga com Chuck Hayes, que só defende mas é nanico, aí coloca o Jordan Hill em quadra, que consegue pular mas é desmiolado. Não seria surpresa uma hora dessas o Tiririca entrar em quadra e passarem a bola pra ele normalmente, como se nada estivesse acontecendo. Não basta apenas ficar esperando o Yao Ming voltar de contusão e rezar pra ele não se contundir de novo - o que já é difícil o bastante - porque quando ele estiver em quadra ainda haverá incerteza, minutos limitados, padrões diferentes de jogo. Nessas circunstâncias, a temporada do meu Houston provavelmente foi pelo ralo.

As coisas no Miami Heat são um tanto parecidas. Não tem ninguém com minutos limitados, mas assim que o time começou a mostrar fraquezas e precisava buscar um ritmo para engrenar, começou a ficar claro que quase todo mundo lá é quebra galho e não tem, ainda, papel definido. Culpa, em parte, das contusões. Mario Chalmers poderia ser titular na vaga do Carlos Arroyo, mas se machucou nas férias e ainda está fora de forma. Mike Miller poderia jogar de SF para que finalmente o LeBron pudesse ser escalado oficialmente como PG e resolveria, em parte, as dificuldades da equipe com o arremesso de três pontos, mas ele só volta no fim de dezembro. Udonis Haslem, que não decidiram ainda se é reserva do Bosh ou se joga ao lado dele, sofreu uma lesão séria no pé e agora pode estar fora por toda a temporada. E para tapar o buraco no garrafão, o Heat acaba de contratar Erick Dampier, que pega a temporada no meio e vai ter que correr tanto na parte física quanto na parte tática.

Todo mundo tinha aquela pergunta básica sobre o Heat, "quem é que vai decidir os jogos?", mas essa é menor das preocupações do elenco. Wade e LeBron continuam batendo cabeça no perímetro porque nenhum deles é um arremessador consistente de três pontos, e a resposta para isso nunca aparece porque uma hora o James Jones está em quadra, outra hora é o Eddie House quem tem mais minutos, tem hora que o Arroyo é que arremessa mas sempre com a incerteza sobre ter a posição porque ele não defende nem tem a função de armar o jogo, tem hora que é o Wade o responsável pela armação, o Mario Chalmers é sempre um dúvida se vai entrar ou não, e o Mike Miller continua lá lesionado e com cara de menina. Sabe como o Pacers deu um pau no Heat? Toda vez que LeBron e Wade fizeram o pick-and-roll, a marcação da equipe de Indiana deixou o armador livre e seguiu os jogadores de garrafão, fechando o caminho para a cesta. Pronto! Não requer prática tampouco habilidade! O treinador do Pacers, Jim O'Brien, chegou a dizer que se o Heat tivesse acertado alguns dos seus arremessos teria dado uma surra no Pacers, porque é sempre uma tática arriscada deixar jogadores tão bons constantemente livres para arremessar. Mas nessa equipe em que os coadjuvantes não têm papéis e rotações definidas, sem arremessadores de três designados, dá pra arriscar numa boa.

O meu Houston vai ter que tomar decisões duras que vão definir, agora, a carreira de Yao Ming. Quando voltar da nonagésima contusão de sua vida, jogará em dias seguidos? Continuará jogando apenas 24 minutos? Vale a pena arriscar a saúde de um jogador numa temporada praticamente perdida? Pior: vale a pena manter um jogador que pode arriscar sua saúde num time de temporada perdida? Como o contrato do Yao termina ao fim dessa temporada, o Houston precisa decidir até onde está disposto a seguir com essa bagunça - e começar a dar as respostas agora, o quanto antes, para definir o que fará mais para frente.

No caso do Heat, parte da solução para o problema é aguardar os jogadores voltarem de contusão, mas o mais importante é tomar um banho de água bem gelada. O time precisa de estabilidade na rotação e nas funções em quadra, mas como esperava estar vencendo tudo logo de cara e todo mundo quer arrancar o coitado do técnico Erik Spoelstra de lá para colocar seu chefe Pat Riley no lugar, cada hora o time acaba tentando um troço novo pra ver se funciona. Não dá pra criar um padrão se o técnico precisa fazer qualquer coisa pra vencer ou seu emprego vai pro saco, o cara nunca vai pensar em criar uma equipe a longo prazo, ele vai pensar é em pagar o leitinho das crianças. O Spoelstra é um bom técnico, ele só está com a cabeça a prêmio, um elenco cheio de buracos, lesões pra burro, e muita dificuldade de coordenar o ataque. E o problema é que, pra consertar o ataque, ele deixa de se focar na sua especialidade, que é a defesa, e aí o Heat se ferra ainda mais por culpa das falhas defensivas. É preciso respirar e se concentrar em coisas específicas e transformá-las em padrão. Vamos ganhar os jogos com a defesa e se focar só nisso? Vamos. Vamos tornar o James Jones o arremessador designado e deixar ele em quadra o tempo todo? Vamos. O buraco no garrafão ainda vai continuar, LeBron e Wade ainda vão sofrer com o arremesso, e o Mike Miller ainda vai ter cara de menina lesionado no banco de reservas, mas as coisas já iriam melhorar um bocado.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O resto do Heat


Anthony, Joel Anthony



Nós já analisamos a decisão do LeBron James, e depois o Danilo fez um especial analisando o ponto de vista de todas as estrelas do Miami Heat: Dwyane Wade, Chris Bosh e, claro, LeBron. Mas era natural perguntar sobre o resto do time. Afinal, o Miami Heat se livrou de todo mundo para poder abrigar as três estrelas, deixou apenas Mario Chalmers e Michael Beasley, e logo trocou Beasley por uma escolha de draft com o Wolves. Como eles iriam conseguir montar um time? Quem eles iriam conseguir? Bom, eles acabaram de montar, hora de ver se fizeram direito.

O começo do time está na única peça que nunca ameaçou sair de Miami, o Superintendente Mario Chalmers. O armador foi uma grata surpresa na temporada retrasada. Depois de ser campeão universitário acertando o arremesso mais importante do jogo do título, pensou-se que aquele seria seu grande momento, que era muito fraco para ser grande coisa na NBA, tanto que foi apenas a 34ª escolha no Draft!

Mas em pouco tempo provou o contrário e com bons treinos (e falta de concorrência, é verdade), foi titular em todos os jogos da sua campanha de novato. Suas bolas de três (aproveitamento de 42%), poucos erros (2 turnovers por jogo em mais de 30 minutos por jogo) e principalmente sua defesa e roubos de bola o tornaram um favorito do técnico Eric Spoelstra. Chalmers, como novato, foi o quarto maior ladrão de bolas da NBA com 2 por jogo e é um dos 48 jogadores da história da NBA a conseguir pelo menos 9 roubos de bola em uma partida.

O que parecia uma carreira promissora deu um enorme passo para trás na temporada passada. Ninguém sabe explicar bem o porquê, mas Mario Chalmers parecia não defender com a mesma eficiência e sua limitação no ataque cada vez incomodava mais. Ele se tornou apenas um arremessador (que acertava menos do que no seu primeiro ano) e não livrava o Dwyane Wade da responsabilidade de armar as jogadas. Por isso Eric Spoelstra tirou Chalmers do time titular, colocou Carlos Arroyo ou Rafer Alston e Chalmers despencou para meros 20 minutos por partida ou menos.

O desempenho de Carlos Arroyo, que ganhou um novo contrato, foi discreto. Ele não defende tão bem quanto Chalmers, mas não é batido com facilidade e compensa com bom controle de bola e de ritmo de jogo no ataque. O número de assistências do porto-riquenho não é alto, mas ele é o responsável por ditar a velocidade e o caminho do ataque, liberando D-Wade para se movimentar e achar a melhor posição para atacar.

O melhor jogador entre os dois é o Chalmers, por isso imagino que ele volte para essa temporada como titular, mas vai ser uma briga longa. Se o Chalmers não estiver calibrado de longa distância quando sobrar livre (o que vai acontecer bastante) e se não for bom o bastante para segurar a armação, deverá perder lugar. O negócio é que ele poderá perder a vaga para outro cara que não é o Arroyo. O carequinha deve ter sua chance, óbvio, mas existe uma boa e real possibilidade do armador titular ser outro dos contratados dessa offseason, Mike Miller.

O MM, além de força capilar fora de série, tem um exímio arremesso de longa distância. Com Bosh, Wade e LeBron agredindo a cesta, é de se esperar que os adversários organizem uma defesa com três zagueiros, quatro volantes e os atacantes voltando pra ajudar. Até porque embora tenham melhorado, nem LeBron e nem Wade são conhecidos pelos arremessos de longe. Para desafogar essa defesa eles foram atrás de arremessadores. James Jones será a opção do banco de reservas, um cara limitado mas com o talento que eles precisam, e o outro é o Mike Miller. O que faz a loirinha ter chances de ser titular é que ele já quebrou o galho na armação durante vários períodos da carreira. Às vezes por alguns jogos, outras vezes apenas durante uns pedaços do jogo, mas o importante é que tem experiência em conduzir a bola, driblar e passar. Sem contar que a responsabilidade poderia ser dividida com Dwyane Wade e LeBron James, que já têm mais horas de experiência armando o jogo do que a Hebe tem de televisão.

Todo mundo lembra do LeBron carregando a bola da defesa pro ataque e comandando o Cavs, como o Wade sempre fez no Heat, principalmente em quartos períodos. Os dois casos não são o ideal, mas podem ser feitos e liberariam o Mike Miller para ser um armador de ocasião que está lá para arremessar. Na defesa não haveria problema também porque o próprio Wade é veloz o bastante para marcar os armadores adversários, deixando o Mike Miller com os mais altos.

Como o Eric Spoelstra não foi muito de inventar mesmo quando tinha um elenco capenga e cheio de falhas, imagino que o Chalmers seja a primeira opção e o Arroyo a segunda, mas eventualmente Mike Miller vai jogar com o time titular e dependendo do resultado pode virar a formação ideal do Heat.

O outro buraco no time titular estava na posição de pivô. Para essa vaga eles renovaram o contrato do Joel Anthony e tiraram mais um jogador do Cavs, Zydrunas Ilgauskas, que por ter voltado ao Cavs no ano passado após ter sido trocado, pela forma que anunciou sua saída e pela carta que publicou agradecendo o povo de Cleveland, deve estar sendo um pouco menos odiado que LeBron.

No final da temporada passada o Joel Anthony foi titular absoluto. Foi naquele período de dois meses em que o Heat ganhou de todo mundo e ficou entre as três melhores defesas da NBA e entre os três com mais vitórias. O Anthony é tão útil para o ataque do Heat quanto eu sou para a questão da paz no Oriente Médio, mas foi uma fortaleza defensiva. Nos 16 jogos em que foi titular teve média de 5 rebotes e 2 tocos por jogo, além de ser muito bom no homem-a-homem.

Já o Ilgauskas todo mundo conhece, não é grande coisa na defesa porque é muito lento, mas compensa atrapalhando na altura, dando uns tocos e garantindo uns rebotes. O negócio do Big Z é no ataque, onde ele abre a defesa adversária com seu bom arremesso de meia distância e até eventuais bolas de três, como naquele jogo épico contra o Sacramento Kings quando acertou três bolas de 3 pontos só na prorrogação. Os arremessos do Ilgauskas são bons para forçar os pivôs a sairem do garrafão. Seria útil por exemplo para forçar o Dwight Howard a não ficar lá embaixo da cesta atrapalhando as infiltrações de Bosh, Wade e LeBron.

Claramente o Ilgauskas é a melhor opção ofensiva e o Joel Anthony a defensiva, saber quem vai ser o titular e depois quem vai ter mais tempo de quadra será importante para saber que tipo de time o Spoelstra está pensando em montar.

Assim como na armação há também a opção do improviso. Ao invés de Anthony, pura defesa, ou Ilgauskas, ataque, podem usar o Udonis Haslem. O jogador com mais tempo de Miami nesse elenco, junto com o Wade, sempre foi um líder dentro do vestiário da equipe e quase uma exigência do D-Wade para essa temporada. Haslem teve propostas mais lucrativas (dizem que do Jazz), mas não quis deixar seu time bem quando ele estaria mais forte do que nunca.

Com a presença do Bosh ele nunca vai ser titular na ala de força, e é pouco provável que arrisquem usá-lo como pivô sendo que tem apenas 2,03m de altura. Seria possível improvisar o Bosh, mas ele teria um ataque de choro e pediria para ser trocado na hora. Mas não duvide que Bosh e Haslem dividam minutos em quadra durante os jogos. O Haslem é um excelente defensor, mesmo quando enfrenta caras muito mais altos, mais ou menos como o Chuck Hayes faz no Houston Rockets. Se o pivô adversário não for nenhum monstro é possível que o Haslem entre em quadra na posição 5 mesmo sendo muito baixo. Além da boa defesa, ele tem um arremesso de meia distância que é automático, certeiro desde seu primeiro ano na NBA.

Tirando a altura, Haslem seria o cara ideal para jogar como pivô, por isso considero a chance do improviso, mas talvez apenas para alguns momentos do jogo. Meu palpite, hoje, seria que o Heat começa os jogos com Chalmers, Wade, LeBron, Bosh e Ilgauskas. Mas apostaria que eles terminam as partidas mais complicadas com Mike Miller, Wade, LeBron, Bosh e Haslem.

Além dos que brigam por vagas no time titular, o Heat foi buscar mais gente para completar o elenco. Eles tem agora o Eddie House, que pelo menos umas duas ou três vezes na temporada ou nos playoffs vai ganhar jogos sozinho com arremessos de três consecutivos, o Shavlik Randolph, um ala de força branquelo que é um bom reboteiro e deverá quebrar um galho de vez em quando e, ainda no grupo de estrelas do garbage time, que vão fazer a festa sempre que o time titular abrir 20 pontos de vantagem antes do quarto período, Kenny Hasbrouck, um armador que fez história por ser o primeiro a sair da Universidade de Sienna para a NBA e que eu nunca vi jogar na vida.

Como terceiro pivô eles contrataram o Jamaal Magloire, que eu acho um pedaço de carne desforme e imprestável. Em 11 anos de NBA ele foi bom em apenas duas temporadas, a 2002-03 e 03-04, ambas pelo New Orleans Hornets. Na segunda ele até conseguiu a proeza de ser um All-Star, tamanha era a falta de bons pivôs no Leste naquele ano (o Hornets foi do Leste até a entrada do Charlotte Bobcats na liga em 2004-05). E pior, ele ainda foi o cestinha do Leste com 19 pontos naquele All-Star Game! No vídeo abaixo ele aparece com uma enterrada, sofrendo um toco (que foi na descendente) do Shaq e fazendo uma falta grosseira no mesmo Shaq, que resultou em pontos para o Oeste e piada em frente às câmeras.



(nota sobre o vídeo: o passe de esquerda do Kidd para o Kenyon Martin no primeiro tempo é uma das assistências mais lindas que eu já vi na vida. É bom relembrar como T-Mac, Vince Carter e Allen Iverson eram bons)

Depois dessa boa (mas não de All-Star!) campanha, ele foi ganhando um contrato atrás do outro apenas vivendo do passado, nunca fez mais nada de útil na NBA. Tá bom que terceiros pivôs não costumam ser grande coisa, o Lakers foi campeão com o DJ Mbenga, mas o Heat poderia ter ido atrás de um que enganasse melhor.

Eu esperava que o Heat fosse conseguir mais jogadores de nome e experiência na busca para fechar o elenco, ao invés disso pegaram muita gente que pouco viu a cara dos playoffs. Mas assim como Rondo e Perkins encararam a novidade da pós-temporada em 2008 com naturalidade, no embalo do trio de líderes, acho que o Heat não terá problemas se LeBron, Wade e Bosh exercerem bem a liderança da equipe.

A liderança passa pelos treinos, discurso pré-jogo, atitude em quadra, toques e broncas nos momentos difíceis e em palavras de confiança e calma na hora certa. O Celtics tinha Garnett e Doc Rivers muito bem nesse papel de líder e assim o bom elenco não se perdeu. O Heat conseguiu as estrelas e agora as boas peças de apoio, falta testar a liderança.

...
Coloquei ontem no ar uma planilha com os elencos dos 30 times da NBA. Está separado por divisão e as equipes entre titulares, reservas e o resto que compõe o elenco. Talvez ainda faltem alguns jogadores e os times titulares são, por enquanto, palpites. Mas com o passar do tempo e da temporada vamos sempre atualizar com os ajustes necessários. Espero que seja útil para quem é curioso, pra consultar ou só para arrumar os elencos no seu NBA 2k10.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Primeiro dia para assinar cheques

Elton Brand, feliz da vida por abandonar o time mais macumbado de toda a NBA


Hoje foi o primeiro dia em que os times puderam abrir as carteiras e contratar Free Agents (não sabe o que significa isso, então dê uma olhada na aulinha da tia Juliana Silveira). Como sempre, os times não perdem tempo e tacam contratos multimilionários pra tudo quanto é lado, tornando o primeiro dia sempre confuso e movimentado. Como única certeza, ao menos na minha cabeça, estava o fato de que Baron Davis e Elton Brand se uniriam no time mais amaldiçoado da NBA, o Los Angeles Clippers. Como escrevi uns dias atrás, o Brand é um sujeito simpático e camarada que, após passar toda a última temporada contundido, deu todos os sinais possíveis de que continuaria no Clippers como "retribuição". Diz a lenda que ele, pessoalmente, disse esperar que seu time fosse atrás de Baron Davis para que os dois pudessem jogar juntos, e essa foi a primeira coisa que o time de Los Angeles fez. Com Baron Davis na equipe e uma oferta de mais de 70 milhões, tudo levava a crer que Brand ia se manter no mesmo time, certo? Certo? Errado. Esqueça todas as minhas alegações sobre o caráter do Brand, sobre sua lealdade com o time que deve estar em cima de um cemitério indígena, esqueça minha idéia de tomar um cafezinho com o sujeito "porque ele parece um cara legal". Algumas horas e 82 milhões de dólares depois, Elton Brand já estava tirando fotos com a camiseta do Philadelphia 76ers.

Oras, não tem como culpar o cara. Dedicou os melhores anos da sua carreira a uma equipe amaldiçoada demais para conseguir sequer se classificar para os playoffs, e suas médias altíssimas ficaram apagadas, isoladas do grande público porque ninguém dá a mínima para o Clippers. Talvez pudesse haver gente chamando Elton Brand de um dos melhores alas de força de todos os tempos se ele não tivesse gastado tanto tempo no primo pobre do Lakers. Ir para o Sixers é uma escolha coerente, interessante, e traz para o Brand um destaque merecido. Mas, diabos, não precisava ter iludido o pobre coraçãozinho do Clippers! Tá bom, você pode ir embora, falar que arranjou outra mulher, mas não precisa passar a última semana com sua futura ex dizendo que a ama e que vai passar o resto da sua vida com ela, né? Isso é um bocado cruel.

Não consigo deixar de sentir pena do Clippers. Faz parte da natureza humana torcer pelo mais fraco (por isso sempre digo que os torcedores do Spurs não são humanos) e finalmente a franquia menos favorecida de Los Angeles dava sinal de que daria a volta por cima, com chances de fazer barulho no Oeste. Parecia bom demais para ser verdade uma equipe formada por Baron Davis, o novato Eric Gordon, o segundo-anista Al Thornton, Elton Brand e Chris Kaman. Preocupado com a maldição do Clippers, eu já estava pensando nas contusões de Baron Davis, num acidente de avião, na explosão do ginásio da equipe. Mas aconteceu algo pior: Elton Brand caiu na real e deu o fora de lá antes que algo pudesse der errado.

Se por um lado é triste deixar um time jovem com Baron Davis e Chris Kaman, por outro lado Elton Brand está indo para um time com reais chances de escalar até o topo do Leste. Primeiro, porque é o Leste, oras, e lá até o Fluminense tem chance. Segundo, porque o time também é jovem, cheio de potencial, e liderado pelos Andrés, o Andre Miller e o Andre Iguodala. Quer dizer, isso se o Iguodala continuar no Sixers, o que deve acontecer mas, hoje em dia, não tem como ter certeza de nada. Se ficar, o Iggy poderá finalmente ser o Robin, cargo que lhe pertence. Não porque ele usa cuecas por cima da calça ou porque parece que vai posar para uma revista de pedofilia gay, mas porque ele é um jogador completo incapaz de criar o próprio arremesso. Com Elton Brand, Iggy não tem mais a obrigação moral de fazer tudo sozinho, de carregar o time nas costas, e pode descansar um pouco na cadeira. Tudo com um salário de estrela, claro, porque disso ele com certeza não abre mão. As viúvas do Iverson podem começar a salivar: um armador consciente em Andre Miller, um reserva explosivo em Louis Williams, um dos melhores carregadores de piano em Iguodala, um dos melhores alas de força de todos os tempos em Elton Brand (sim, eu acho, mas não espalhem por aí porque vai gerar polêmica), um ala jovem e competente em Thaddeous Young, e um pivô completamente sem talento mas bom defensor em Dalembert (oras, não se pode ter tudo!). Se eles deram trabalho pra burro nos playoffs sendo completamente medianos, como podem se sair com uma verdadeira estrela fazendo pontos no garrafão?

Destaque também para a troca que o Sixers teve que fazer para arrumar espaço salarial para tacar essa oferta na cabeça do Elton Brand. Mandaram para o Wolves o reserva Rodney Carney, o pivô veterano e imprestável Calvin Booth, uma escolha de primeira rodada de draft e ainda uns tufos de grana em troca de uma escolha de segunda rodada. Você leu bem, um pacote recheado em troca de uma mísera escolha de segunda rodada. Imagino o telefonema do Sixers: "Pelamordedeus, aceita esses jogadores aqui, a gente faz qualquer coisa, te mando até minha mulher, mas se a gente demorar mais cinco minutos podemos perder o Elton Brand."

Tá bom, o Sixers pode dar espetáculo nos playoffs do Leste. Mas e o Clippers, como fica? Elton Brand deu o fora e o reserva Corey Maggette, de quem eu gosto tanto, acabou de assinar um contrato de 5 anos por 50 milhões com o Warriors. O time de Golden State não precisava do milésimo ala, mas roubar um bom jogador do time que lhes roubou o Baron Davis deve ter um gostinho todo especial. Maggette tem um talento mutante para cavar faltas e criar pontos mesmo quando tudo mais está dando errado, o que é muito diferente do fetiche maluco de todo mundo no Warriors por ficar arremessando do meio da quadra, e por isso mesmo sua ajuda para a equipe será grande. Mas o time ainda não tem um armador (nem titular, nem reserva) e continua parecendo um time de pigmeus. Além disso, perdeu o reserva Mickael Pietrus.

O francês Pietrus era "o Jordan francês" quando foi draftado e não poupou declarações nos últimos anos reclamando não só da mentalidade derrotista da equipe mas também de seu papel de reserva. Por ser um bom defensor, Pietrus devia ser encarado no Warriors como aquele gordinho cheio de espinhas que senta no fundo da sala de aula jogando Pokémon. Com um contrato de 4 anos e 25 milhões de doletas oferecido pelo Magic, Pietrus finalmente poderá ser titular, arremessar de trás da linha de 3 pontos como sua origem em Golden State exige, e ainda jogar na defesa e não ser criticado por isso. Baita negócio pro francês.

Outro que mudou de time foi James Jones, que estava no banco do Blazers. O rapaz é um dos melhores arremessadores de 3 pontos de toda a NBA, mas seu arremesso é bastante seletivo, ele não chuta como um débil mental, e isso é raro. Acho uma pena o Blazers perder um arremessador como esses já que eles vão ser campeões da NBA pelos próximos 15 anos, mas eles têm talento o bastante para compensar essa perda. Para o James Jones, a ida para o Heat (com um contrato de 22 milhões por 5 anos) é uma chance de ter mais minutos, ser uma peça importante do elenco e, porque não, continuar vencendo. Esse novo Heat tem tudo para chutar uns traseiros. Para quem está acompanhando a Summer League de Orlando (seja ao vivo, seja aqui na nossa cobertura do Bola Presa), Michael Beasley começou com tudo e o também novato Mario Chalmers está parecendo um dos melhores calouros do ano. Amanhã, o Bola Presa continua de olho nele e nos outros participantes da primeira Liga de Verão do ano para você não perder nada!

Agora, depois de um primeiro dia tão movimentado no mundo dos Free Agents, poucos jogadores ainda estão sem equipe. O caso mais interessante é o Josh Smith, uma das estrelas do surpreendente Atlanta Hawks. Smith estava sendo agressivamente abordado pelo Sixers, incluindo visitas à Philadelphia, conversas com o prefeito, passeios pelas dependências da franquia. Com a chance de agarrar Elton Brand, o Sixers gritou um belo "foda-se o Josh Smith, quem precisa de mais um cara que só sabe defender e enterrar?" e deixou o fedelho para lá. Nos próximos dias, devemos descobrir o que acontecerá com ele. Continuará no Hawks ou será o bilionésimo ala do Warriors? O que você acha?

sábado, 12 de janeiro de 2008

Draftados em 2003 - parte 4

Lampe teve que abaixar o braço logo para ninguém perceber que ele fedia


Finalmente chegamos à última parte de nossa série de artigos sobre os draftados em 2003. Até agora, acompanhamos uma a uma as escolhas da primeira rodada, analisando o passado e o futuro de cada jogador. Alguns compõe o seleto grupo dos melhores da Liga, outros fazem parte do enorme grupo de jogadores que desapareceram sem deixar rastros.

Na primeira parte, analisamos as primeiras escolhas, que incluiam aquele tal de LeBron James, que dizem que é bom. Depois, na segunda parte, David West salvou o grupo do ostracismo total. Na terceira parte, Leandrinho e Josh Howard, as duas últimas escolhas da primeira rodada, fizeram os outros times se arrependerem mais do que a mãe do Gilberto Barros.

Na ansiosamente aguardada (por mim, pelo menos) última parte do artigo, veremos algumas escolhas selecionadas do segundo round. E, para finalizar, farei um exercício de imaginação: como seria o draft se acontecesse nos dias de hoje?


30 - Maciej Lampe (New York Knicks)

O Lampe era um dos jogadores europeus mais promissores de todo o draft. Se falava absurdos dele e seu potencial deixava todo mundo boquiaberto. Começou sendo cotado como uma das primeiras 5 escolhas, depois como uma das primeiras 10 e enfim estacionou como uma das primeiras 15 escolhas. O que o fazia cada vez mais despencar nos "mock drafts" (ou seja, nos drafts de mentirinha em que os especialistas chutam, e chutam mal) era o valor da recisão de seu contrato com seu clube europeu, o Real Madrid. Ainda assim, Lampe aparecia em todas as fotos conjuntas das "estrelas do draft" e era um consenso o fato de que já teria sido escolhido antes da 16a escolha.

Não foi o que aconteceu. O Lampe ficou lá, sentadinho na sala, vendo um a um os jogadores sendo chamados para apertar a mão sebosa do David Stern. Ver Cabarkapa, Pavlovic e Planinic sendo escolhidos antes dele deve ter lhe causado uma síncope e ele nunca mais seria o mesmo. Quando o primeiro round (e a chance de um contrato garantido) acabou, Maciej Lampe ainda não havia sido escolhido. Seu nome só foi anunciado para iniciar o segundo round, e a torcida de New York foi ao delírio. Era um jogador que poderia ter sido uma das dez primeiras escolhas e havia escorregado até a trigésima, direto para as mãos do Knicks. Lampe foi aplaudido, ovacionado, adorado, amado e até gritaram "gostoso!". Na platéia, um rapaz levantou uma placa com os dizeres "Light the Lampe", um trocadilho até que muito bom, levando em conta que todos os trocadilhos fedem.

Na entrevista logo após ter sido escolhido, Lampe tinha sangue nos olhos e parecia que sua cabeça estava preparando chá. Suas palavras foram furiosas e diretas: iria fazer cada um dos times da NBA se arrepender profundamente por ter deixado ele passar no primeiro round. Era uma jornada pessoal, uma busca por vingança, um jogador telentoso querendo acabar com a raça daqueles times muquiranas.

O Knicks pagou a multa, o Lampe foi imediatamente para a NBA, mas obviamente havia algo errado: como assim Isiah Thomas havia draftado alguém de que a torcida gostava? Como assim os fãs estavam feliz com a escolha? Era preciso fazer alguma coisa. Lampe foi trocado, junto com McDyess e duas escolhas de draft, pelo Marbury e o Hardaway, que aliás se saiu muito bem em mamar nas tetas do Knicks sem jogar.

No Suns, Lampe foi pouco utilizado mas dava seus primeiros sinais de feder. Foi então trocado para o Hornets, onde até teve mais chances mas fedeu do mesmo jeito, e aí foi para o Houston, onde marcou um total de 4 pontos em 4 partidas e desapareceu para nunca mais voltar. Vingança frustrada, moral destruída. E a multa de seu contrato salvou um punhado de times de cometer o maior engano de suas vidas.

31 - Jason Kapono (Cleveland Cavaliers)

Nada mal para uma escolha de segundo round. Trata-se de um jogador especialista que, aliás, tem a melhor média de aproveitamento em arremessos de 3 pontos de todos os tempos. Ele não chuta em grandes quantidades mas acerta o bastante para ser útil em qualquer equipe. O Bobcats arriscou, pegou o garoto no draft de expansão, e então o trocou para o Heat onde foi parte fundamental da equipe que foi campeã da NBA. O Pat Riley tentou de tudo para mantê-lo no time para essa temporada mas o Raptors desembolsou mais verdinhas e o Kapono resolveu ir para lá ser um homem rico no banco de reservas. Se bem que é melhor ser reserva no Raptors do que qualquer coisa no Heat, convenhamos. O Kapono foi perdendo seus minutos principalmente com a ascenção maluca do Jamario Moon, mas ele sempre vai ter seu espaço, sua função, e o Raptors tem potencial para acabar com o Leste assim que o Ray Allen estiver de cadeira de rodas e o Garnett só puder tomar purê de maçã no asilo.

32 - Luke Walton (Los Angeles Lakers)

Eu amo essa escolha. Vamos fazer uma pequena retrospectiva: Mike Sweetney foi a nona escolha, Reece Gaines a décima quinta, Troy Bell a décima sexta. O Lakers mesmo escolheu o Brian Cook na vigésima quarta posição. Quanto dinheiro indo pelo ralo, quantas escolhas desperdiçadas, quantos torcedores tendo que tomar anti-depressivos. E aí no segundo round, com a trigésima segunda escolha, o Lakers consegue draftar um jogador inteligente o bastante para ajudar qualquer equipe da NBA. Ele toma decisões espertas o tempo inteiro, passa a bola surrealmente bem, sempre sabe o que fazer e ainda pode cuidar das finanças da equipe sem nem usar uma calculadora. O cara é um gênio do ponto de vista do basquete cerebral. Se não tem a mão tão calibrada, se o físico é o de uma menina de pré-escola, isso nem vem ao caso. Sua mente, suas decisões, melhoram times inteiros.

Shaquille O'Neal ficou intrigado nos playoffs da temporada 2003-04 quando percebeu, e disse isso para a imprensa, que Luke Walton conseguia passar a bola para suas mãos como nenhum outro jogador jamais havia conseguido. Taí algo que eu colocaria no meu currículo. E já seria motivo o bastante para o Heat tentar uma troca, hoje em dia.

38 - Steve Blake (Washington Wizards)

Outro com um cérebro feito para o basquete. No Wizards, nunca teve muitas chances, mas assim que seu contrato acabou, foi para o Blazers jogar com seu amigo (de faculdade e também do Wizards) Juan Dixon. Lá começou a mostrar seu potencial como um armador cheio de fundamentos, habilidade em passar a bola e visão de jogo. Quando o Blazers o trocou por Jamaal Magloire, o Blake ficou revoltado. Por que diabos os times da NBA insistem em acreditar que o Magloire vai fazer alguma coisa em quadra? Blake então foi trocado para o Nuggets e fez miséria, mostrando-se ser a peça que faltava para o Nuggets de Iverson e Carmelo. Ele era o elo de ligação entre as estrelas, o general da equipe, e o time de Denver fez o possível para mantê-lo. Acontece que o Blake nunca queria ter saído de Portland, gostava da equipe, da cidade, dos amigos. Voltou para lá mesmo ganhando menos, mostrando-se um homem de princípios e também de visão: de alguma maneira estranha, sabia que a administração do Blazers estava ajeitando as coisas e que a equipe tinha futuro e poderia chegar aos playoffs ainda nessa temporada. Agora, o céu é o limite tanto para o Blake quanto para o Blazers. O que os outros times estavam pensando quando deixaram ele escorregar quase para a quadragésima escolha?

Aqui, acho que é hora de abrir um parênteses. Nosso amigo-leitor Sbubs escreveu em seu blog um post muito divertido sobre a "força nominal". Com ele em mente, fica bem claro que os times que não fazem a menor idéia de quem draftar apelam para a força do nome dos novatos. No segundo round, isso é ainda mais óbvio. São nomes demais, jogadores internacionais aos montes, então na dúvida o nome é que faz a diferença. O Steve Blake, um armador talentosíssimo, por exemplo, foi escolhido atrás de nomes como Sofoklis Schortsanitis (o tal do Baby Shaq que nunca sequer chegou a jogar na NBA) e Szymon Szewczyk (que eu adoraria saber pronunciar). Força nominal? Com certeza.

41 - Willie Green (Seattle Supersonics)

Imediatamente depois de draftado, foi trocado para o Sixers pelo outro novato Paccelis Morlende, outro caso de força nominal. Green não fez nada até agora mas o caso dele é engraçado. Nos raros momentos em que o Iverson se machucava, Willie Green entrava como titular e fazia trocentos trilhões de pontos. Quando o Iverson voltava e o Green ia para o banco, não conseguia fazer coisa alguma. Ele é um Ben Gordon do Mundo Bizarro, que só produz quando titular. Pode ter certeza que ele estava na mente dos responsáveis pelo Sixers quando a troca do Iverson precisava ser feita, e Louis Williams e Green podem ser a base do Sixers daqui uns anos. É claro que vai ser a pior base da NBA, mas pelo menos é alguma coisa. Pergunta qual é a base do Miami Heat, pergunta.

45 - Matt Bonner (Chicago Bulls)

Todo mundo quer o próximo branquelo gigante que arremesse de 3 pontos e muitos europeus vesgos e mancos já foram draftados sem nunca sequer jogar, tudo em busca dessa promessa. O Bonner, quem diria, é algo bem perto disso. Foi trocado para o Raptors que gostou de seu potencial mas o mandou para a Europa por um ano enquanto eles arrumavam espaço no time. Quando voltou, teve boas atuações. Seu jumper é bom, ele pode ser bem físico, mas é muito engraçado quando tenta bater bola.

Em todo caso, chamou a atenção do pessoal no Spurs, que definitivamente sabe reconhecer um talento quando vê um, e foi trocado pelo Nesterovic. Ganhar minutos no Spurs não é fácil mas o Bonner conquistou seu espaço, jogando muito bem quando o Duncan estava machucado e saindo do posto de jogador-de-final-de-partida-ganha para assumir o papel que o Horry, agora embebido em formol, executava. Bom para o Bonner que, depois de ser obrigado a passar um ano de cão na Itália, tem chances de ganhar um anel de campeão.

47 - Mo Williams (Utah Jazz)

Como o Zach Randolph seria se fosse um armador baixinho e magro? A resposta: Mo Williams. Ele faz seus pontos, dá suas assistências (tá bom, tá bom, o Randolph não daria assistências) e deixa sua marca no jogo e nos boxscores, mas o sujeito é completamente psicótico, perdido, um buraco negro. A bola chega em suas mãos e só sai se for terrivelmente necessário, ele acha que pode decidir todos os jogos e arremessa mesmo se tiver os melhores companheiros de time livres do seu lado. Perdi a conta do número de vezes em que ele tentou dar o último arremesso de jogos importantes com o Michael Redd livre do seu lado.

Tem gente que gosta dele, diz que ele joga demais, e não deixa de ser verdade, ele é bom pra burro. Mas é o cara que dá vontade de pedir uma medida judicial para prendê-lo caso chegue a menos de 500 metros do seu time. Mesmo sendo bom, deixo claro.

Vale mencionar que ele foi draftado depois de sujeitos como Sani Becirovic, Malick Badiane e Derrick Zimmerman, obviamente porque o nome "Mo Williams" não vale nem 10 centavos.

49 - James Jones (Indiana Pacers)

Coisa de louco, mas sempre gostei do James Jones e nem é por causa do nome visivelmente poderoso (e falso). No Pacers, mal jogou. No Suns, chegou a ter um papel bem definido como o cara biruta que vem do banco para chutar como um louco e às vezes se saia muito bem, mostrando potencial atlético, chutes calibrados e rebotes acima da média. No entanto, foi só no Blazers que ele conseguiu minutos de verdade, já que o Suns não gosta muito de reservas. Em Portland, seu papel de atirador vindo do banco é bem específico e James Jones brilha desempenhando a função, acertando mais da metade de seus arremessos de 3. Ele tem talento, é parte importante dessa equipe cheia de futuro e pode ter um anel mais participativo do que aquele que o Darko ganhou no Pistons.

51 - Kyle Korver (New Jersey Nets)

Se você precisa de um cara ultra-religioso que saiba arremessar de trás da linha de 3 pontos, esse é seu homem. Tanto pela pontaria de fora quanto pela religião, ele é perfeito para o Utah Jazz.

O segundo round costuma ter vários jogadores que são mais especialistas em alguma coisa ao invés de serem cheios de potencial e bons em tudo quanto é aspecto do jogo. Depois do Korver, os escolhidos foram Xue Yuyang, Rick Rickert e Andreas Glyniadakis, forças nominais sem nenhum talento. Então o Korver foi uma barganha porque tem talento, é muito competente naquilo que faz e, após a recente troca para o Jazz, até mostrou que sabe defender. O time de Utah precisa dele e Korver vai ter chances de se mostrar, adquirir a carga tática necessária para se jogar para o Jerry Sloan e pode florecer por lá tendo um papel importante para o resto do time, talvez até titular, quem sabe. O futuro, pelo menos, é melhor do que o passado.

...

Agora, a hora da verdade: minha lista com o draft refeito. Como os times teriam escolhido se pudessem olhar numa bola de cristal rumo ao futuro, sabendo como os jogadores se sairiam? Como o Isiah Thomas teria feito se soubesse o futuro e, além disso, tivesse um cérebro?

Caso você não concorde com minha lista, coloque a sua própria na caixa de comentários para todo mundo ver e opinar. Só não vale não colocar o LeBron em primeiro lugar, porque a polêmica resultante de tal ação iria sobrecarregar os servidores e tirar o blog do ar. Não queremos isso, queremos? Então lá vai minha lista:

1 - LeBron James (Cleveland Cavaliers)

2 - Carmelo Anthony (Detroit Pistons)

3 - Dwyane Wade (Denver Nuggets)

4 - Chris Bosh (Toronto Raptors)

5 - Chris Kaman (Miami Heat)

6 - Josh Howard (Los Angeles Clippers)

7 - David West (Chicago Bulls)

8 - Leandro Barbosa (Milwaukee Bucks)

9 - Nick Collison (New York Knicks)

10 - TJ Ford (Washington Wizards)

11 - Mo Williams (Golden State Warriors)

12 - Kirk Hinrich (Seattle Supersonics)

13 - Boris Diaw (Memphis Grizzlies)

14 - Luke Walton (Seattle Supersonics)

15 - Steve Blake (Orlando Magic)

16 - Jason Kapono (Boston Celtics)

17 - Darko Milicic (Phoenix Suns)

18 - Jarvis Hayes (New Orleans Hornets)

19 - Travis Outlaw (Utah Jazz)

20 - Luke Ridnour (Boston Celtics)

21 - Willie Green (Atlanta Hawks)

22 - Kendrick Perkins (New Jersey Nets)

23 - Mickael Pietrus (Portland Trail Blazers)

24 - James Jones (Los Angeles Lakers)

25 - Matt Bonner (Detroit Pistons)

26 - Carlos Delfino (Minessota Timberwolves)

27 - Kyle Korver (Memphis Grizzlies)

28 - Marcus Banks (San Antonio Spurs)

29 - Aleksandar Pavlovic (Dallas Mavericks)


Alguns times ficariam bastante interessantes. Que tal o Bulls, que tem até hoje problemas em fazer pontos no garrafão, com David West mostrando seu arsenal ofensivo? Que tal o Denver de Wade e Iverson, cobrando uns 3 milhões de lances livres por jogo? E o Boston Celtics com Ridnour como reserva do Rajon Rondo? Tudo isso sem falar, claro, no Pistons de Carmelo Anthony. Teria o experimento fracassado por duelo de egos ou seria o Pistons, agora, o time mais vencedor dos últimos anos?

Sem bolas de cristal que funcionem, continuaremos vendo drafts com as escolhas mais estapafúrdias que sumirão em poucos minutos. Que outras escolhas será que assombram para sempre os drafts de outros anos? Nossa série continua num próximo post, analisando outra turma de novatos. Deixe aí, na caixa de comentários, qual ano do draft você gostaria que fosse o tema de nossa próxima série de textos. Enquanto isso, vou colocar o Carmelo no Pistons do meu videogame e dar uma olhada no tipo de estrago que dá pra fazer...