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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

8 ou 80: Eficiência e tipos de arremesso - Parte 2

Nowitzki deveria ser o único jogador do mundo a poder arremessar dessa posição


Essa é a segunda parte de um especial de estatísticas sobre diferentes tipos de arremesso e quem são os jogadores mais eficientes em cada um deles. Na parte 1 analisamos os arremessos próximos ao aro e os dividimos em enterradas, bandejas, tapinhas e ganchos. E agora na parte 2 vamos falar de arremessos de média distância e chutes de 3 pontos.

Como informado na primeira parte, todos os dados foram computados pelo pessoal do Golden State of Mind, blog gringo sobre o Golden State Warriors. Ele usou dados do HoopData e dos play-by-play das partidas da última temporada para elaborar a lista.

Comecemos com as bolas de 3 pontos. A conta usada pelo pessoal para elaborar a lista é confusa, mas com um bom propósito. Leva-se em conta quatro coisas: (1) o número de arremessos de 3 pontos tentados pelo jogador,  (2) o número de arremessos tentados por jogadores da mesma posição, (3) a comparação de aproveitamento do jogador em relação a outros da mesma posição, e (4) a média do jogador em comparação ao resto da liga em aproveitamento geral de arremessos, o eFG%.

Finalizando a parte chata de entender, o eFG% é o "Effective Field Goal Porcentage", um número que tenta nivelar o nível de aproveitamento de arremessos entre os jogadores que arremessam mais de 3 pontos e os que chutam mais de 2. Explico: Um jogador finaliza um jogo com 4/10 arremessos sendo dois deles de 3 pontos, outro jogador acaba com 5/10 só em dois pontos, ambos fizeram 10 pontos em 10 arremessos e assim acabam com um eFG% de 50%. O importante é tentar entender que é uma lista que se esforçou para igualar as situações diferentes e as posições distintas que cada jogador atua e ver quem, no fim das contas, consegue ser mais eficiente nos arremessos de longe.

A primeira lista é a dos titulares, logo em seguida a dos melhores reservas. E não esqueçam, "PSAMS" é o número que define a lista, é o resultado da conta comentada acima.



Interessante ver que o Mike Bibby contando apenas os seus números no Atlanta Hawks acabou em 1º lugar, mas sabia que se contasse os números no tempo de Heat (não teve jogos o bastante para entrar na lista) ele também seria o líder? Isso faz a gente duvidar um pouco da conta, porque vimos que o Bibby jogou mal, mas na frieza dos números ele teve o melhor aproveitamento de três pontos na carreira na última temporada! 44% no geral, 45% só no tempo de Heat. Pode ter jogado mal em todas as outras áreas, errado os arremessos mais importantes, mas no geral fez o que foi pedido: acertou bolas de longa distância melhor do que ninguém.

O resto da lista surpreende pouco, Ray Allen e Chauncey Billups estão entre os melhores arremessadores da NBA faz tempo, não importa que conta tentem fazer para medir. Outros jogadores são reflexos e ao mesmo tempo responsáveis por equipes que na última temporada fizeram a festa da linha dos 3 pontos, como Spurs (com Richard Jefferson, Matt Bonner e Gary Neal) e Warriors (com Reggie Williams, Vlad Radmanovic e Steph Curry). Surpresa mesmo foi o Charlie Villanueva estar aí! Vai ver que de 3 ele acerta, erra quando tenta arremessos longos de 2 pontos com marcação dupla e ainda 20 segundos de posse de bola, sua marca registrada.

Quer saber quem são os piores de 3 pontos entre os titulares? Aí vai a surpresa:


Não surpreende ver vários caras que acertam menos bolas de 3 pontos do que você acerta papelzinho no lixo do escritório, caras como Gerald Henderson, Eric Bledsoe, Sonny Weems e o Tony Allen nem deveriam tentar esses arremessos. Mas que tal o arremessador menos eficiente ser o Joe Johnson? Por essa eu não esperava mesmo sabendo que ele vinha da pior porcentagem de acerto da sua carreira (27%), o que pegou pra ele foi acertar bem menos que o normal e continuar tentando como nos bons tempos em que acertava quase 40%. Aliás, ele teve um ano no Phoenix Suns em que fez 47% de suas tentativas!

Assim como JJ, outros nomes na lista estão aí porque esbanjam de prestígio em seus times. Os técnicos dão toda a liberdade do mundo para que Kobe Bryant, Dwyane Wade, Baron Davis e Tyreke Evans arremessem quando dá na telha. Não deveria ser assim, é verdade, mas também temos que lembrar que esses são os jogadores responsáveis por carregar o time nas costas nos jogos e momentos mais difíceis, algumas dessas bolas de 3 são no desespero, quando mais ninguém no time consegue chutar.

Os dois que não se encaixam nessa desculpa esfarrapada das estrelas é Travis Outlaw e Trevor Ariza, eles são coadjuvantes. O negócio é que o Ariza defende bem, sabe infiltrar, rouba bolas, puxa contra-ataque, pode ser eficiente mesmo (ou principalmente) sem as bolas de longe. Agora o que o Outlaw vai fazer da vida se decidir arremessar menos? Malabares na rua? De todos da lista de menos eficientes é o que menos pode ajudar em outras áreas. Veremos agora aos piores entre os reservas:


Existem nessa lista alguns bons arremessadores que pecam pelo exagero. É só ver a quantidade de arremessos a cada 100 posses de bola de Rudy Fernandez, CJ Miles e Leandrinho. A cada 10 posses de bola disputadas pelo espanhol ele chuta uma de três pontos! Se o Ray Allen não faz isso deveria ser proibido para outro jogador chegar a esse número.

Um dado curioso na divisão por posições. Entre os pivôs apenas Andrea Bargnani e Spencer Hawes tentam mais de 1 arremesso de 3 pontos a cada 100 posses de bola. O italiano lidera a lista de aproveitamento e o americano é o último. Para ver mais detalhes por posição e as listas completas dos 3 pontos é só clicar nesse link.

Passemos agora para os arremessos de meia distância, um arremesso que não deveria existir no seu time a não ser que você tenha Dirk Nowitzki no elenco. Ok, posso estar forçando a barra, mas veja que números impressionantes: A média de eFG% (expliquei acima!) da NBA é de 49,8%, é portanto a média de arremessos certos em geral (todos, desde bandejas até chutes com uma mão no meio da quadra) da liga como um todo. Mas de todos os 150 jogadores analisados pela pesquisa (atletas com mais de 40 jogos na temporada e mais de 25 minutos por jogo), apenas Dirk tem média superior a esses 50% nos arremessos de meia distância! O arremesso de meia distância é, no fim das contas, o pior tipo de arremesso da NBA.

Esse número assustador criou um impasse na hora de fazer a conta que define o ranking. Os jogadores que arremessam menos que a média de sua posição deveriam, portanto, serem beneficiados por isso? Afinal estão privando o time de um arremesso ruim. A solução encontrada pelo pessoal do Golden State of Mind foi fazer duas contas. Uma penaliza jogadores que tentam arremesso de meia distância, já que tirou a chance de um companheiro de time dar um chute melhor, a outra ignora esse fato e apenas compara o número do atleta com a média geral de acerto de arremessos de meia distância, 39%.

As listas abaixo são resultados de uma média entre os dois resultados. A primeira é com os melhores arremessadores de meia distância da NBA:


O Dirk Nowitzki não é só muito bom, ele está anos-luz à frente do segundo colocado, Al Horford. O alemão começou na NBA como um arremessador de três pontos, mas foi no arremesso de meia distância que ele achou o seu nicho. É praticamente o único especialista de verdade nesse tipo de arremesso e vimos nos últimos playoffs como é difícil defender o cara. O Elton Brand aparece em 3º e acredito que se fizessem essa lista uns 10 anos atrás ele poderia muito bem estar em primeiro, no seu auge ele tinha um arremesso quase germânico dessa distância.

Não surpreende ver na lista alas de força especialistas no pick-and-pop: David West, Kevin Garnett, Luis Scola e Brandon Bass, por exemplo. É uma jogada muito eficiente e que os times desses jogadores costumam usar em momentos decisivos das partidas, o aproveitamento deles mostra a razão. Temos também alguns especialistas em três pontos entre os melhores, como Steve Nash, Steph Curry, Ray Allen e Sasha Vujacic. Cada um tem seu motivo, mas o mais interessante parece ser o Ray Allen, que por causa da sua idade parece querer correr menos e fazer jogadas parecidas com a que sempre faz, usando os bloqueios dos companheiros, mas agora em um espaço reduzido. Corre menos, se desgasta menos e continua com alto aproveitamento.

Abaixo os piores em arremessos de meia distância:


Eu nunca vou ficar surpreso em uma lista que tem o Andray Blatche como o pior, seja ela qual for. O cara conseguiu uns números de destaque no ano passado, mas não passa em nenhuma prova de um número "avançado". Faz pontos porque força demais a barra, mas não sabe usar sua habilidade direito: não tem inteligência, físico e muito menos arremesso de meia distância. Investir nesse cara é o pior negócio que o Wizards pode fazer. Melhor é continuar insistindo no John Wall que, infelizmente, também está entre os piores. Quando a fase é ruim...

Outro que aparece na lista é o DeMarcus Cousins, que no ano passado chamamos a atenção aqui no blog por estar arremessando demais de meia distância depois de se destacar no basquete universitário como jogador puro de garrafão, que conquistava os seus pontos na força, embaixo da cesta. Precisa não ter medo dos pivôs da NBA e buscar seus pontos lá dentro. Mesma coisa vale para jogadores bons de infiltração como Tyreke Evans e Trevor Ariza, eles não são pivôs mas conseguem seus pontos em infiltrações, têm arremessos muito pouco confiáveis de qualquer canto da quadra.

Talvez surpreenda na lista a presença do Russell Westbrook, que conquistou um bom arremesso de meia distância depois do seu tempo de seleção americana. Mas ele tenta tanto esse chute, em situações tão imbecis, que não surpreende que essa estatística o tenha punido. Ao contrário do resto da lista, Westbrook tem bom chute, só precisa forçar menos e arremessar em melhores situações.

Para mais detalhes das listas e o ranking por posições, acesse esse link. Que tal o LeBron James ter o melhor número entre os jogadores da posição 3? Se até em arremesso de meia distância ele consegue ficar na frente de Kevin Durant, Paul Pierce, Luol Deng, Carmelo Anthony e Rudy Gay, como o pessoal ainda vai ter coragem de dizer que ele nem é tão bom assim? Vamos torcer contra, mas admitindo que ele é fora de série. Há alguns anos esse era o defeito dele, hoje ele não só melhorou como está entre os principais da liga.

Na parte final da série, mais curta, analisaremos os melhores nos lances livres e comentaremos a lista que soma todos os tipos de arremessos para saber quem, no geral, foram os pontuadores mais eficientes e completos da NBA na última temporada.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dois esquecidos

Fotos que fazem sentido não são mais tendência


Ontem eu estava muito interessado em assistir à partida entre o Philadelphia 76ers e o Memphis Grizzlies, para mim o grande jogo da noite. Tá bom que depois tive que me contentar em assistir ao excelente  Pacers x Heat na reprise, já sabendo do resultado e tudo o que aconteceu (tipo o D-Wade pegando fogo até começar a ser marcado pelo pirralho Paul George), mas não me arrependo tanto da minha decisão. Foi um belo jogo de duas das melhores equipes dos últimos meses na NBA. E, acredite, não é mais uma ironia nossa.

Se contarmos os jogos da NBA desde o Natal (25 de dezembro que eu me lembre) até hoje, o Grizzlies tem a terceira melhor campanha do Oeste, atrás apenas de Lakers e Spurs. E pense, já estamos no dia 16 de fevereiro, são quase dois meses, um terço da temporada, sendo um dos melhores times de uma conferência difícil e competitiva. Já o Sixers atravessa mais uma mudança de sistema tático, mas parece que está se achando. Também desde o Natal eles tem 15 vitórias e 11 derrotas, nada fora de série mas que se destaca na feia disputa pelas últimas colocações do Leste e que impressiona pela excelente defesa que o time adquiriu sob o comando de Doug Collins.

Começo pelo Sixers, um time bem estranho pelo número de jogadores que podem jogar em mais de uma posição e pela quantidade de mudanças táticas que tem feito ao longo da temporada. Depois de vê-los jogando algumas vezes nesse ano eu ainda não sei definir se o Louis Williams é um armador ou um segundo armador, ou se o Andre Iguodala é mesmo um point-forward ou se é exagero da imprensa americana. O Thaddeus Young é ala de força ou é só no papel? O Elton Brand joga de pivô mesmo sem ser pivô? Minha aposta é que o Sixers confunde os adversários por serem um time muito esquisito.

A formação inicial deles tem Jrue Holiday, Jodie Meeks, Andre Iguodala, Elton Brand e Spencer Hawes. No começo da temporada Jason Kapono, Andres Nocioni e Evan Turner estiveram na posição de Meeks, mas no fim das contas perceberam que era o calouro mais improvável que dava as bolas de três que o time precisava sem comprometer na defesa. As bolas de três eram essenciais para o time ter um jogo de meia uadra com mais opções, já que eles viviam de forçar turnovers e correr nos contra-ataques. Por um tempo a estratégia deu certo, mas não muito, o Iguodala era uma máquina de turnovers e o jogo se concentrava muito na mão dele. Decidiram então dar mais trabalho para o promissor novato Jrue Holiday e o time melhorou junto com a queda dos números do Iguodala, que passou a se focar mais na defesa e participar menos do ataque. Só era acionado mesmo nos contra-ataques, que apesar de não serem mais o foco ainda são ponto forte do time, terceiro da NBA na categoria. Foi nessa época que o Elton Brand, com alguns anos de atraso, começou a dar o resultado que o Sixers imaginava quando o tinha contratado: bons arremessos de meia distância, rebotes ofensivos e força embaixo da cesta. Na prática mesmo ele é o pivô do time enquanto o Spencer Hawes se movimenta mais em volta do garrafão mesmo sendo mais alto.

Mas de uns 10 jogos pra cá o time mudou de novo, com o Iguodala mais participativo e dando quase 8 assistências por jogo nesse período. Voltaram a dizer que ele é o tal point-forward, o ala que joga armando o time, o que resultou na queda dos números do Holiday. Mas eu não acho que é bem assim. Se eu fosse explicar rapidamente como joga o Sixers hoje, diria que eles jogam sem nenhum armador. Eles se baseiam em muita movimentação sem a bola e passes. É comum ver alguém segurando a bola na cabeça do garrafão e esperando alguém passar por alguns corta-luzes para receber a bola, quando ele recebe procura Elton Brand no garrafão ou espera alguém sair de outro corta para um passe. Não fosse os acessos de individualismo do Louis Williams quando vem do banco, eu diria que é o time que menos dribla na NBA.

Muitas vezes é o Andre Iguodala o cara que fica na cabeça do garrafão distribuindo os passes, o que resulta em muitas assistências (meu time de fantasy agradece), mas chamar isso de armar o jogo acho um pouco demais. Acho que é resquício da fama do técnico Doug Collins de usar alas para armar o jogo (fazia isso com Grant Hill no Pistons, por exemplo). Mas outras vezes é o Jrue Holiday, volta e meia até o Hawes recebe na cabeça do garrafão e por aí vai, é um jogo de passes em geral, sem alguém tomando conta do ataque. O curioso é que se você olhar os números individuais parece que tanto Holiday como Iguodala estão piores, mas os resultados do time estão cada vez melhores, é puro trabalho em equipe. O time que só fazia pontos na velocidade agora tem jogadas de meia quadra desenhadas, arremessadores de três (além de Meeks, até Holiday quando não está segurando a bola) e jogo dentro do garrafão com Brand novamente em boa fase.

Durante o jogo isso muda um pouco, principalmente com os reservas em quadra. Thaddeus Young e Louis Williams ainda jogam no esquema de velocidade e atacar a cesta a qualquer custo que reinava até o ano passado. É a síndrome de Jamal Crawford, tipo de coisa péssima para ser um plano de jogo mas que é perfeito para alguns minutos vindo do banco.

Mas o segredo do time mesmo tem sido a defesa. Nos últimos 15 jogos eles só deixaram o adversário chutar acima dos 50% de aproveitamento duas vezes e nos últimos 4 jogos seguraram os oponentes a 39% de aproveitamento, com o equivalente a 88 pontos a cada 100 posses de bola, número assustador que se fosse mantido por toda a temporada seria digno de melhor defesa da liga. Em números gerais eles tem a 9ª melhor defesa da NBA, mas considerando aí os dois primeiros meses que não foram grande coisa. Eles estão no Top 10 na maioria dos números defensivos, com destaque para o 6º lugar em bolas de três feitas pelo adversário por jogo. Sem contar a defesa individual, o trabalho de Iguodala sobre Manu Ginóbili foi essencial para a vitória sobre o Spurs, a mais importante do Sixers na temporada até agora. De repente o time parece ter futuro de novo e a ânsia de trocar Iggy ou Brand parece contida.

Porém, no jogo de ontem o Sixers foi vítima da sua própria armadilha. Sofreu 18 pontos de contra-ataques do Grizzlies, o 5º melhor time nessa categoria, duas posições atrás do Sixers, que só conseguiu emplacar 10. A principal razão foram os turnovers, a sufocante defesa de Memphis, que é a que mais força erros por jogo, manteve a sua média causando 16 desperdícios. A maioria veio no primeiro período, quando Mike Conley (mais de 2.7 roubos por jogo nos últimos 10 jogos) e Tony Allen (quase líder da história da NBA em porcentagem de roubos de bola) fizeram da vida do Sixers um inferno. A melhora de Conley e a chegada de Allen podem ser considerados os principais motivo da melhora defensiva da equipe que era só a 19ª melhor da NBA no ano passado e hoje é a 8ª em pontos cedidos a cada 100 posses de bola.

Ofensivamente o Grizzlies é quase o mesmo, os números são parecidos e o sistema também. Talvez agora o Mike Conley (cuja a milionária extensão parece bem menos burra do que todo mundo imaginava) seja mais participativo e o OJ Mayo tenha perdido muito espaço, mas a estrutura é a mesma. Eles basicamente vão empurrando a defesa adversária cada vez mais pra perto do garrafão, todos os passes são para chegar perto da cesta. Com isso Marc Gasol e Zach Randolph fazem uma sincronizada dança em que às vezes se posicionam bem embaixo da tabela para finalizar, outras na cabeça do garrafão para fazer jogo de dupla um com o outro ou simplesmente só abrem espaço para as infiltrações de outros jogadores. Se a infiltração dá errado lá estão os dois para pegar rebotes ofensivos, uma das principais armas do time, que não só rende novos arremessos como impede contra-ataques velozes. Nosso gordinho-mór Zach Randolph, aliás, é o segundo da NBA em rebotes de ataque com 4.7 por jogo (é muita coisa!), atrás por 0.1 de Kevin Love. 

Aliás, eu nunca vou enjoar de dizer como a ida para Memphis mudou a vida dele. É incrível como aquele jogador fominha e preguiçoso dos tempos de Portland e Nova York mudou. Ele luta pelos rebotes de ataque, dobra a marcação na defesa, rouba bolas e até (estou segurando a lágrima) passa a bola quando recebe marcação dupla! Nunca achei que ia viver para ver o dia em que Z-Bo lideraria um jogo (não só o seu time) em assistências como ontem, foram 7 e sem nenhum turnover. Você coloca ele do lado do Marc Gasol que é um grande passador e os dois fazem estragos na defesa adversária no maior estilo Gasol (o mais velho) e Bynum ou Odom no Lakers.

O grande desafio para o Grizzlies agora é manter o mesmo nível desses últimos dois meses. Eles acharam um padrão de jogo e uma rotação em que até em jogos sem Zach Randolph e sem Rudy Gay sobreviveram e venceram adversário difíceis. Como não acredito em maré de sorte tão demorada, apostaria que eles são pra valer. E a dificuldade do ano passado em segurar jogos quando estavam vencendo por muito acabou com a melhora de defesa.

Mas mesmo que o time continue vencendo, vá para os playoffs e faça bonito, não dá pra não pensar no futuro. Esse não é um time ainda completamente pronto e precisa melhorar. Como fazer no ano que vem quando Zach Randolph e Marc Gasol são Free Agents e os problemas financeiros da equipe podem impedir que se renove com os dois? E que pecado seria perder um deles e continuar pagando 5 milhões de dólares pelo OJ Mayo e mais 5 pelo Hasheem Thabeet? Nada contra os dois, o Mayo é um jogador que faz um pouco de tudo e teria espaço em muitos times da NBA, mas nesses 10 jogos em que estava suspenso não fez falta alguma ao time. Eles tem o regular Sam Young, o excelente defensor Tony Allen e ainda o novato Xavier Henry, que não faz feio sendo um segundo ou terceiro reserva. Ou seja, pra quê Mayo? Ele é o tipo de empregado que sai de férias e aí a empresa percebe que não precisa dele.

Já o Thabeet todo mundo sabe, o moleque foi para a NBA muito jovem, muito cru e nem é usado. O time já se dá bem sem ele e não vai fazer falta. Equipes que podem se interessar por esses dois não faltam, o Nets, vendo o fracasso de Travis Outlaw e finalmente percebendo (espero!) que Anthony Morrow não é bom o bastante para ser titular em um time de alto nível, adoraria o Mayo. Enquanto isso o Rockets está varrendo a NBA atrás de um novo pivô, talvez não fosse uma má idéia apostar no pirralho, botar ele pra treinar na offseason e ver no que dá. É melhor arriscar do que continuar com essa defesa horrível que tem hoje. E ainda tem outros times, é só vasculhar e trocar. Talvez trocar os dois por jogadores mais baratos ou contratos expirantes seja a única alternativa para o Grizzlies, que demorou tantos anos para voltar a ser um time relevante, não virar abóbora de novo no ano que vem.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Insistência premiada

Afflalo melhorou até na arte de sair em fotos estranhas


Pessoal, como disse essa semana, a coisa anda corrida no fim do semestre e os posts vão ser mais escassos nessa semana, mas aos poucos vão saindo. Até o fim de semana tem Filtro e uma promoção de Natal da adidas. E agradecemos a todos que comentaram sobre as camisetas, vamos pensar em alguns modelos e postar aqui no blog para vocês escolherem as que a gente vai colocar pra vender. Quer dizer, se a gente conseguir botar pra vender, é melhor não prometer nada antes de saber os preços. Vai que o Cavs é campeão antes da gente vender camisetas. Nunca brinque com a maldição de Dan Gilbert!

O post de hoje é uma continuação desse aqui. Antes tinha falado dos jogadores que tinham melhorado em relação à temporada passada depois de mudar de time (aliás, perdão por ter esquecido do metamorfoseado Marco Belinelli!), agora vou falar dos que melhoraram ficando no mesmo lugar, venceram pela insistência (a palavra bonita usada para designar a teimosia).

Talvez a história mais impressionante e interessante sobre os que ficaram no mesmo lugar já tenha sido contada aqui, é a do Richard Jefferson. Ele recebeu um ultimato do técnico Gregg Popovich, ou treinava como um desgraçado e melhorava o seu jogo ou já poderia começar a pensar em mudar de time. Resolveu treinar, hoje tem um arremesso de três maravilhoso e está ajudando o Spurs a ser o melhor time desse primeiro quarto de temporada. Para ler a história inteira sobre a mudança do Richard Jefferson, clique aqui.

Mas é interessante notar algo que não falei naquele post, que é como o Spurs está jogando diferente dos últimos anos. Dos últimos muitos anos. Explico, o Spurs é o terceiro melhor ataque da temporada até agora e a oitava melhor defesa. É a primeira vez desde que Tim Duncan chegou ao time, em 1997, que o Spurs é melhor ranqueado no ataque do que na defesa. Pra quem acompanha a NBA há pouco tempo pode parecer normal, mas quem viu o Spurs desses últimos quase 15 anos acha isso uma aberração. O Spurs atacando mais do que defendendo é insano como ver o Barcelona retranqueiro, no mínimo. E tem o ritmo de jogo, eles são hoje o 10º time mais veloz da NBA, nas outras temporadas da "Era Duncan" (adoro chamar períodos esportivos de "Era", me sinto falando de algo importante. Meu Corinthians só perdeu o Brasileirão por causa da "Era Adílson Batista") o Spurs ficou duas vezes com o 19º ataque mais veloz e depois disso sempre depois da casa dos 20, algumas vezes beirando as últimas posições.

A mudança de um jogo lento e defensivo para um mais focado na velocidade e no ataque devem ser levados em consideração também na hora de explicar porque o Richard Jefferson melhorou tanto em comparação à temporada anterior.

Outro que tem melhorado também é o Elton Brand. Nos números a mudança é discreta: Passou de 13 para 15 pontos de média, melhorou em dois rebotes e em 3% no aproveitamento dos arremessos. Mas na prática ele tem jogado muito melhor, o novo Sixers do técnico Doug Collins está deixando a bola menos tempo na mão do Andre Iguodala (o que não ajuda meu sofrido time de fantasy) e tentando envolver mais o Elton Brand. Depois de dois anos patéticos (e muito bem pagos) o ala está finalmente parecendo mais confortável em quadra, tem feito ótimas partidas em que participa do jogo e até tem jogadas desenhadas pra ele. É finalmente a opção que o time buscava no jogo de meia quadra, já que passaram os últimos anos vivendo só dos contra-ataques.

O problema é só que isso não é o bastante. Embora a defesa do Sixers seja aceitável, o ataque ainda é um dos piores da NBA. Sim, o Jrue Holiday melhorou, o Elton Brand melhorou e mesmo assim eles são bem ruins, é esse o tamanho do buraco em que está o Sixers. O problema parece ser mesmo as peças que não se encaixam e a solução acaba sendo fazer coisas idiotas como deixar o Thaddeus Young no banco para colocar o Jason Kapono só pela necessidade de ter pelo menos um arremessador em quadra, é perda absurda de talento para cobrir alguns buracos. E pior, Brand está jogando bem, mas não o bastante para que algum outro time se sinta tentado a pegar o seu contrato que ainda tem esse e mais dois anos de duração e quase 18 milhões por temporada. Elton Brand parecia destinado a não funcionar no Sixers, mas melhorou, uma pena que ainda não justifica um décimo do que recebe.

Merece atenção pela evolução também o Nate Robinson. Critiquei a troca do Eddie House por ele no ano passado porque não via o que o Nate poderia acrescentar que o House não fazia. Os dois são jogadores que sempre entram e, no linguajar americano esportivo, em referência ao beisebol, vão para o home run. Eles não tentam rebatidas simples e seguras para fazer o time andar, querem o mais difícil e valioso. Quando dá certo são os heróis do jogo, quando dá errado, é patético. A diferença está no estilo, Eddie House faz isso com bolas de três, Nate Robinson faz engolindo a bola só pra ele.

No entanto, ele mudou nessa temporada. Não é o Jason Kidd que parece dar um sorriso de Mona Lisa toda vez que descobre um jeito de finalizar uma jogada sem precisar arremessar, mas o Nate está passando a bola, entendendo o ataque do Celtics e servindo mesmo como um bom reserva para o Rajon Rondo. Parece ser o típico caso do jogador que chegou no meio da temporada e não entendia nada, mas que agora, depois de um training camp e tempo de estudo, conseguiu sacar o que estava fazendo em quadra. E nunca pensei que ia dizer que o Nate Robinson sabe o que faz em quadra, ele é o cara que arremessou contra a própria cesta só por diversão!



Mas acho que o meu favorito nessa brincadeira de pokémon de quem mais evoluiu é o Arron Afflalo. Ele precisa agradecer ao papai do céu (ou ao Joe Dumars) todos os dias por ter sido mandado do Pistons para o Nuggets em troca de fraldas usadas e um vale CD (também conhecido como uma escolha de 2º round de 2011).

No Pistons ele estaria brigando por posição com o Richard Hamilton e o Ben Gordon em um time que está completamente perdido e historicamente investe em jogadores velhos ao invés de apostar na pirralhada. E ao invés disso está em um time que precisava de um jogador com a suas características para o time titular e está no playoff todo ano. Quando ele chegou em Denver só pediram que ele defendesse bem o ala-armador adversário e, eventualmente, acertasse uns arremessos de três quando ficasse livre. No ano passado, seu primeiro ano no Nuggets, ele subiu de 16 para 27 minutos por jogo e dobrou sua média de pontos de 4 para 8. Foi um ótimo defensor e teve um aproveitamento de 43% nas bolas de 3 pontos, número de especialista.

Se ele só continuasse assim já seria muito bom e ele teria meu voto no inexistente prêmio Gilberto Silva de Role Player do ano. Mas não, ele melhorou ainda mais. Aos poucos o Chauncey Billups está piorando com a idade, o Carmelo Anthony, dependendo do seu humor, pode ser só mais um cara na quadra ou a melhor máquina ofensiva da NBA, e entre esses altos e baixos o Afflalo viu uma chance para chamar o jogo e ser mais que um simples arremessador. Ainda acerta suas bolas de longe, são 42% de aproveitamento nesse começo de temporada, mas aumentou o número de arremessos próximos à cesta (de 0,3 para 1,2 por jogo) e no aro (de 1,8 para 2,2), melhorando significativamente o aproveitamento nessas posições. Com isso sua média de pontos subiu de novo, de 8.8 para 12.8 por jogo. Ele também melhorou nos rebotes e dobrou sua média de tocos, de 0,4 para 0,8 por jogo. Parece pouco, mas para alguém de 1,96m e segundo armador, beirar a média de 1 toco por jogo é algo especial. Entre os jogadores da sua posição ele só fica atrás de Dwyane Wade (1,05) e Chicão Garcia (0,9).

Ou seja, o Afflalo invadiu partes do jogo que não eram lugar dele até o ano passado e tem surpreendido todo mundo por estar fazendo isso de maneira tão confiante e eficiente. Outro dia vi ele fazer várias infiltrações e puxando contra-ataques como quem sempre tivesse feito isso. É tão bizarro como ficar vendo o Kevin Love meter uma bola de três atrás da outra. Uma coisa é saber fazer, outra é fazer bocejando. Se o Melo sair mesmo do Denver em um futuro próximo eu espero que o Afflalo ganhe ainda mais espaço e melhore ainda mais seu jogo e estatísticas.

Alguns outros jogadores melhoraram sem mudar de time, mas ao contrário dos citados aqui, eles não estão exatamente na mesma situação de antes. Mesmo ficando na mesma franquia, estão em outras realidades. No Toronto Raptors, por exemplo, a evolução nítida de Sonny Weems, Reggie Evans e Andrea Bargnani se dá em muito porque agora eles tem mais tempo de quadra e mais responsabilidades nas mãos. Mesma coisa com Andray Blatche e JaValle McGee no Wizards, desde o fim da temporada passada eles receberam as duas vagas no garrafão do time e é natural que estejam melhorando. São novos, tem talento e pouco a pouco vão melhorando, embora ainda não o bastante para fazer o Wizards botar medo em alguém.

Mas dentre todos os que melhoram e os que foram citados nesse texto, só um tem uma chance clara e real de mostrar seu basquete melhorado no All-Star Game, o destruidor de brasileiros Luis Scola. E o engraçado é que eu acho que ele não mudou em nada o seu jogo dele em relação aos últimos anos, é o mesmo Scola de sempre. As mesmas qualidades e defeitos estão lá, mas agora o time finalmente se tocou do quão bom esse safado é. E ele também ganhou mais confiança e tem atacado mais o adversário. O resultado são os mesmos minutos de antes, o mesmo aproveitamento, mas os arremessos tentados aumentaram, os lances livres dobraram e sua média de pontos subiu de 16 para 21 por partida! O talento para ser um All-Star na NBA não é novidade pra quem já viu o Scola jogar na Europa e pela seleção argentina, mas só agora virou realidade nos EUA e ainda com um fator importante na América, apoio estatístico: 21 pontos e 9 rebotes por jogo é número de respeito. Entre os alas de força só Dirk Nowitzki e Amar'e Stoudemire pontuam melhor que Scola. Falta só o time ganhar um pouquinho mais dos seus jogos.

O assunto é bem grande e daria pra achar mais jogadores que estão melhorando, mas teremos mais chance para isso ao longo da temporada. Falaremos da evolução do Shannon Brown quando comentarmos do Lakers e da melhora do Joakim Noah (já posso dizer que ele é um dos melhores passadores entre os pivôs sem assustar ninguém?) quando falarmos do novo Bulls com Carlos Boozer.

O próximo post é para comentar o oposto, quem piorou. Mas preciso de mais tempo para meditar e entender porque Tyreke Evans, Darren Collison, Jason Thompson e Robin Lopez me fizeram ir no Google descobrir se a palavra "involuir" existe nos dicionários.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Philadelphia 76ers

-Vêm nimim! 

Objetivo máximo: Ter alguma perspectiva de futuro
Não seria estranho: Continuar se condenando por gastar tanto dinheiro com o Elton Brand
Desastre: Evan Turner não dá em nada e o time despenca na tabela

Forças: Time muito forte nos contra-ataques e roubos de bola
Fraquezas: Todos os quesitos do basquete que não são roubos e pontos de contra-ataque

Elenco:








.....
Técnico: Doug Collins


De todas as mudanças de técnico dessa offseason essa foi a decisão que me deixou mais frustrado. Não porque eu não goste do Sixers ou do Doug Collins, mas é que ele era, de longe, o meu comentarista favorito na TV americana. O Jeff Van Gundy faz uns comentários hilários, é verdade, mas o Doug Collins entende muito de basquete e cada jogo comentado por ele era uma aula. Muitas coisas que eu comento aqui aprendi ouvindo ele nos últimos anos.

Mas acho que essas pessoas que sempre viveram nas quadras não conseguem passar muito tempo fora delas. Vocês lembram desse post onde, no finalzinho, eu conto a história da final olímpica de 1972 quando a URSS venceu os EUA num jogo muito polêmico? Quem acerta os últimos lances livres a favor dos EUA é o Doug Collins, que um ano depois foi a primeira escolha do Draft de 73 pelo mesmo Sixers que defende hoje.

Sua carreira como jogador sofreu muito com contusões e foi encerrada precocemente por elas, mas no meio do caminho ele foi um bom jogador, sempre beirando os 20 pontos por jogo e foi peça importante do Sixers campeão do Leste em 1979. Por ser novidade na época em que sua carreira já acabava, o armador Doug Collins só deu um arremesso de três em toda carreira. E errou.

Logo depois que se aposentou foi para a vida de técnico, começou em nível universitário e em 1986 se tornou técnico do Chicago Bulls. Lá treinava os pivetes Michael Jordan e Scottie Pippen. O resultado foi bom e o time foi longe, alcançando a final do Leste em 1989, mas a derrota na beira da Final deixou o manager do time achando que talvez fosse a hora de dar uma chance para o assistente técnico de Collins, o estreante Phil Jackson. Analisando mais de vinte anos depois dá pra dizer que foi uma boa decisão.

Ele montou um bom time no seu emprego seguinte, com o Pistons de 1995 a 1998, mas novamente não alcançou a final da NBA, embora o time tivesse até potencial pra isso. Passou três anos como comentarista até ser chamado por Michael Jordan, que o queria como técnico na sua volta ao basquete no Wizards. Lá ele passou bem longe dos playoffs e Collins ainda foi peça importante no desastre que foi o começo da carreira de Kwame Brown, como vocês devem lembrar.

Depois desse fracasso homérico ele ficou quase dez anos longe das quadras, só comentando jogos. O pior é que não é que ele queria assim, tentou vagas no Bucks duas vezes e no Bulls e nunca conseguiu o emprego. Quando você é dispensado duas vezes pelo time do veadinho é porque a coisa tá feia! Mas o Sixers estava desesperado por alguém que fizesse o Elton Brand jogar e o Collins tem uma história grande na franquia. Mas isso quer dizer que vai dar certo? Discutiremos na análise do time, logo depois de ver o Tyrus Thomas quase matar o Doug Collins no ano passado.



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O elenco do Sixers não é de todo mal. Tem jogadores bons em todas as posições e fez o que pôde na offseason para corrigir alguns problemas. O Elton Brand e até o meu querido Iguodala talvez recebam grana demais para não serem jogadores que carregam o time nas costas, e ter os dois tira a chance do Sixers contratar qualquer outro grande jogador num futuro próximo por causa do teto salarial. Era ainda pior com o salário monstro do Samuel Dalembert, mas o contrato do haitiano de repente ficou atrativo por estar no seu último ano e eles o mandaram para o Kings em troca de Andres Nocioni e Spencer Hawes.

Essa troca já foi a primeira visando uma necessidade do time, arremessos de três pontos. O mesmo motivo levou o Sixers a buscar o Jason Kapono, branquelo que não sabe o que é basquete mas é um dos melhores arremessadores de três da história da NBA. No ano passado o Sixers teve o nono pior aproveitamento de bolas de três da NBA, 34%. Eles chegam para complementar um time que só tinha jogadores com força física, velocidade e que marcam pontos na correria, atacando a cesta. Caras como Iguodala, Marreese Speights e Thaddeus Young.

Esses caras formaram um time limitado, mas bom, há dois anos, quando tinham a oitava melhor defesa da NBA, o que dava muitas chances de contra-ataque. No ano passado, quando tiveram a sexta pior defesa, as chances diminuíram e as deficiências no jogo de meia quadra ficaram ainda mais evidentes. Elas se resumiam a deixar o Iguodala bater a bola até ver no que ia dar ou em todo mundo ficar parado vendo o Elton Brand errar um arremesso forçado.

O desafio do Doug Collins é pegar esses bons jogadores que eu citei, juntar com o promissor armador Jrue Holiday, que além da força nominal jogou muito no fim da temporada passada e ainda mais nas Summer Leagues, e Evan Turner, segunda escolha no Draft, jogador que parece muito bom, mas que jogou bem mal na mesma liga de verão que seu companheiro de time se destacou. Como juntar tudo isso e criar uma identidade para o time? Que estratégia usar em um elenco escolhido no shuffle?

Se formos buscar na história de Doug Collins vamos encontrar três times bem parecidos. Tanto o Bulls dos anos 80, o Pistons dos 90 e o Wizards dos 2000 eram times lentos e que concentravam a bola na mão de um jogador central, que era o responsável por ou decidir a jogada ou dar a assistência no final. Era tudo na mão de um jovem Jordan, de Grant Hill ou do Jordan-velho. Deu certo com os dois primeiros e errado com o último, já que colocar um time nas mãos de um idoso nunca dá certo antes da categoria Masters.

Se ele tentar isso no Sixers vai ser um desastre. Andre Iguodala já fez isso nos últimos anos e para cada ponto e assistência que ele dá são 7 turnovers. Para um ala ele tem bom controle de bola e bom passe, é o meu LeBron James Jr na Liga de Fantasy, mas precisa errar muito mais para fazer bem menos que o King James. E fazer o coitado do pivete do Jrue Holiday ter essa responsabilidade é demais. Em um time em que sua maior estrela é um role player de luxo essa estratégia tem tudo pra dar muito errado, ainda mais se ele tentar dar um ritmo lento para esses jogadores que só sabem jogar de patins.

Por outro lado o mesmo Doug Collins recebeu no Bulls o apelido de "Play-a-Day Collins" porque ele aparecia todos os dias com novas idéias, táticas e jogadas novas para seus jogadores aprenderem. Ele é um nerd do basquete e estuda muito o jogo. Não quer dizer que seja um bom técnico por isso, mas manja do assunto. Se ele usar todo o seu conhecimento e criatividade para testar, testar e testar diferentes esquemas táticos e jogadas até encaixar nesse time, talvez dê certo. Não acho que vá dar playoffs logo de cara, mas o que eles mais querem hoje é perspectiva de futuro. Não querem continuar se achando um time encalhado em contratos gigantescos, condenados a serem ruins até o contrato do Elton Brand acabar e o Iggy fugir como Free Agent. 

Sucesso para eles seria ver o Elton Brand jogar metade do que jogava no Clippers, o Andre Iguodala atuando ainda em alto nível mas errando menos e a dupla Jrue Holiday e Evan Turner se mostrando capaz de formar uma dupla titular entrosada. Com todos funcionando junto dá pra pensar em alguma coisa para depois.

domingo, 4 de julho de 2010

Por uns trocados

O jogador com as melhores fotos do mundo vai agora para o Wizards


A moda agora é, além de namorar pelado - como diria o poeta -, fazer trocas imbecis para liberar espaço salarial e contratar alguma mega estrela ultra-poderosa que mudará o equilíbrio do mundo e descobrirá a cura para o câncer. Enquanto nos dedicávamos a analisar a grande Final, a vitória do Lakers, o draft e cada uma das escolhas, e explicar como funcionam as regras de teto salarial na NBA pra todo mundo poder acompanhar as novas contratações, um monte de pequenas trocas aconteceram. A imensa maioria apenas para isso, diminuir a folha de pagamento pra então bancar uma, duas, até três estrelas juntas e tornar o time uma espécie de Liga da Justiça, mas sem os pentelhos dos Supergêmeos e aquele macaquinho desnecessário, por favor. Algumas poucas foram trocas sem motivações financeiras, e por isso são as menos imbecis, sem um time mandando cocô e conseguindo uma Alinne Moraes. Vamos dar uma olhada em todas essas trocas:

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Heat manda Eric Bladsoe (escolha 18 do draft) e Daequan Cook pro Thunder em troca de Dexter Pittman (escolha 32 do draft)

Na minha opinião, uma das trocas mais engraçadas que eu já vi e perfeita para exemplificar o desespero das equipes por espaço salarial, na ânsia por contratar uma renca de estrelas. Resumindo, o que o Heat fez foi pegar sua escolha de primeira rodada de um draft bastante profundo e interessante, juntar com o melhor arremessador de três da equipe (poderíamos até mesmo dizer que era o único) e que nem ganhava tanto dinheiro assim, e mandá-lo em troca de um jogador obscuro da segunda rodada com problemas de peso e que muito provavelmente nem vai jogar pela equipe. Ou seja, o tipo de troca que você só faz se está afim de ser demitido.

O que o Heat quer é apenas economizar: o contrato do Eric Bladsoe, armador escolhido na primeira rodada, é garantido - basta draftar para você ser obrigado a lhe pagar salário todo ano. Dexter Pittman, escolhido na segunda rodada, não tem salário garantido e pode ser mandado embora, sem multas, caso o Heat prefira. Daequan Cook era bom nos arremessos mas um tanto limitado, foi trocado para o Heat não ter que arcar com suas despesas. E o resultado foi que a equipe de Miami ficou com apenas 3 jogadores com contrato para a temporada que vem: Michael Beasley, o ala que começou sua carreira na NBA fumando maconha após a palestra de "bem-vindos novatos" e até agora não mostrou serviço; Mario Chalmers, o armador com nome de encanador que tem "reserva" escrito na testa mas foi obrigado a ser titular porque não tem ninguém melhor; e James Jones, arremessador de três atlético que não joga nada mas sempre ganha uma chance em algum lugar por parecer ter bastante potencial (e força nominal). Parece um absurdo ter apenas três jogadores garantidos para a temporada seguinte, e o Heat concorda, porque depois dessa troca, a primeira coisa que fizeram foi mandar o James Jones embora, pagar as multas e não ter mais que lidar com isso. Agora são, oficialmente, apenas DOIS jogadores na equipe. Todo o resto da grana pode ir para as estrelas disponíveis, montando um time do zero. Sorte do Thunder que, espertinho, usou o espaço salarial limitado que tinha guardado para contratar um pivô e preferiu usar para fazer trocas com times desesperados pela febre "oh meu deus, preciso contratar o LeBron James". Tanto Bladsoe quando Cook tornarão o banco do Thunder, que era bem meia-boca, algo digno de nota.

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Nets manda Yi Jianlian e verdinhas para o Wizards em troca de Quinton Ross

Não tenho como mentir, sou um fã do Yi Jianlian. Pode ser o fetiche por chineses com mais de 2,10m de altura, pode ser o fetiche por asiáticos com cara de bobo, não sei exatamente, mas sou fascinado pelo Yi a ponto de nem perceber que ele é uma farsa. Basta vê-lo treinar para ficar encantado: o chinês é veloz, atlético, tem bom trabalho de pernas, uma mecânica de arremesso maravilhosa que dá inveja até no Nowitzki, arremessa de três com precisão, joga de costas para a cesta, distribui tocos, corre com a bola. Mas basta vê-lo num jogo de verdade para ficar horrorizado: toma decisões idiotas na quadra, defende como se seu corpo fosse feito de gelatina, tem fobia de entrar no garrafão, comete faltas bobas e vive machucado (todos os asiáticos da NBA devem ser contrabandeados de Taiwan). É uma excelente ideia ter o Yi Jianlian no seu time, ele é um bom jogador, com muito potencial, alto para a sua posição, excelente arremessador. Só que é uma péssima ideia colocá-lo em quadra, porque ele não rende nada. Além disso, ganhará mais de 4 milhões na próxima temporada. O Nets cansou do chinês, está com medo do produto quebrar de vez na sua mão, e trocou por um defensor experiente que ganha apenas 1 milhão. Na prática, isso significa mais espaço para assinar com uma estrela (eles ainda sonham com LeBron) e a vaga de titular garantida para o novato Derrick Favors. Seria mesmo bem idiota deixar qualquer um deles no banco de reservas, porque tanto Yi quanto o pirralho precisam de minutos para evoluir.

Para o Wizards, que conseguiu uma grana enorme para gastar com jogadores graças à decisão de se livrar de todo mundo no meio da temporada passada, o Yi Jianlian é mais do que um jogador com potencial que pode dar certo um dia: ele garante audiência. Se o Wizards quer se livrar da fama da "Era Arenas", começar de novo e dar uma nova cara à equipe, nada melhor do que ter o novato John Wall para atrair os fãs ocidentais, e o Yi Jianlian para atrair os fãs que jogam Pokémon. A China é tão apaixonada por seus jogadores que chegaram a criar um canal apenas para transmitir os jogos do Bucks (do Bucks, meu deus, do Bucks, aquele time que nem os moradores de Milwaukee assistem!), então o que não vai faltar para o Wizards serão camisetas vendidas e jogos televisionados tanto nos Estados Unidos quanto no resto do planeta.

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Nets manda Chris Douglas-Roberts para o Bucks por uma escolha de segunda rodada em 2012

Olha o Nets se livrando de mais gente a troco de nada! O Chris Douglas-Roberts era um daqueles casos estranhos de jogador que chuta traseiros no universitário mas que todo mundo desconfia de que não dará certo na NBA. Nunca entendi muito bem o motivo, mas a verdade é que ninguém nunca entendeu também, nem mesmo os próprios times que preferiram não draftá-lo. O rapaz demorou um pouco para pegar o jeito no Nets, porque a posição era de Vince Carter, mas quando o processo de reconstrução saiu do armário (a gente sabe que eles estão se refazendo faz uns 10 anos, mas só agora decidiram assumir para a mamãe e pro papai), Douglas-Roberts teve mais oportunidades e mostrou todo o potencial que tem como pontuador nato. O problema é que ele teve incidentes com o técnico, chegando a acusar o Lawrence Frank de amador (oras, ele apenas foi sincero), reclamou demais da situação calamitosa do Nets, e pra piorar ele ainda ganha um salário - ainda que de menos de 1 milhão - num time que quer se livrar de todo mundo pra poder contratar as estrelas badaladas. Perfeito para o Bucks, que aproveitou a chance de conseguir um excelente pontuador para a posição mais deficiente da equipe (já que Michael Redd está sempre de cadeira de rodas e  John Salmons provavelmente deixaria o time). Como trocaram também por Maggette e John Salmons deve renovar o contrato, o Bucks foi de não ter nenhum desgraçado para pontuar na posição para ter três carinhas que só sabem fazer isso da vida. Nada mal, aproveitaram muito bem a "febre LeBron James".

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Wolves manda Luke Babbitt (escolha 16 do draft) e Ryan Gomes para o Blazers em troca de Martell Webster

O Blazers precisava de Martell Webster para arremessar de três, pegar rebotes e ser o titular da equipe, mas é como dizem: foi se contundir, perdeu o lugar. Quando voltou, o coitado do Webster encontrou uma infinidade de armadores e alas que faziam a mesma coisa que ele, mas a maioria tinha dois joelhos. A troca foi óbvia, porque ele era descartável para a equipe e o Wolves é um time burro de dar pena que está, aparentemente e sem que saibamos o porquê, colecionando jogadores da mesma posição com as mesmas características. Funhé.

A única cagada dessa troca, por parte do Blazers, foi mandar o Ryan Gomes embora. O ala é um dos meus jogadores favoritos, joga muito bem nas duas posições de ala, improvisa como pivô se necessário, e faz absolutamente um pouco de tudo. Em algumas escalações comicamente horríveis, de dar vontade de ir no banheiro, já vi o Ryan Gomes armando o jogo, passando bem a bola, tendo que pegar todos os rebotes, se tacando no chão, arremessando de três, jogando de costas para a cesta, jogando só na defesa, jogando só no ataque, e cozinhando um molho de abóbora. Ele é um dos típicos jogadores "carregadores de piano", mas sem ser brutamontes. Ao invés de engolir ônibus escolares no café da manhã como Carl Landry, Jason Maxiell ou Paul Millsap, o Ryan Gomes é fino e educado, inteligente e cheio de finesse. Um lorde. O Blazers se livrou dele apenas porque, se demitido antes da próxima temporada, não teria que pagar multas, e a tentação de economizar dinheiro foi grande demais para um time que já é profundo. Mas o Ryan Gomes brilharia justamente num time profundo que seja vencedor e queira ser campeão. Fica minha torcida para que ele arrume um emprego entre os candidatos a título.

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Sixers manda Samuel Dalembert para o Kings em troca de Spencer Hawes e Andres Nocioni

Uma das únicas trocas que não foram exatamente financeiras e em que os dois times saem ganhando. O Sixers passou um tempão achando que iria dar muito certo quando tivesse alguém de garrafão. A equipe era uma droga, ninguém arremessava de três, ninguém pontuava de costas para a cesta, mas por algum motivo eles se saíam bem e davam um trabalhinho nos playoffs. A solução óbvia para arrumar o time e torná-lo um candidato a ser campeão do Leste era assinar o Elton Brand, um dos melhores e mais consistentes jogadores de garrafão que a NBA já viu (é até engraçado dizer isso agora que ele ficou consistentemente ruim). Ninguém sabe explicar muito bem, mas o Elton Brand - um monstro absurdo tanto no ataque quanto na defesa - simplesmente não deu certo na equipe. Todo mundo fica inventando explicações malucas, alegando que ele ocupa um espaço no garrafão que o Iguodala usa para infiltrar, que ele bate cabeça com o Dalembert porque os dois só rendem de verdade debaixo do aro, que ele teve seu talento roubado pelos Monstars do filme "Space Jam", essas coisas. O Sixers decidiu, então, tentar fazer alguma coisa a respeito ao invés de chorar na calçada: como não dá pra trocar o contrato gigantesco do Elton Brand porque agora ele fede e os outros times sabem disso, a ideia foi trocar o Dalembert, que nunca foi grandes merdas mas é excelente em tocos, por um pivô que possa defender e atacar um pouco mais longe do aro. No ataque, o Elton Brand se ateve a arremessos de média-distância porque o Dalembert é incapaz de pontuar um passo longe da cesta. O Spencer Hawes parece perfeito pra arrumar tudo isso: é bom em tocos mas joga melhor afastado do aro, arremessa muito bem deixando espaço para Iguodala infiltrar e o Brand jogar onde gosta, e além de tudo isso ainda é um belo arremessador de três pontos, coisa que ninguém no Sixers parece ser. Prevejo uma melhora imediata na equipe, mas se esse experimento bizarro revitalizar a carreira do Elton Brand, aí terá sido uma troca genial e o Sixers passa a ser levado a sério de novo.

O Kings não fazia muita questão de manter o Spencer Hawes desde que ele se negou a jogar uma Summer League na temporada passada, contrariando a vontade do técnico. Ficou meio de escanteio, foi perdendo espaço na equipe e agora trocaram sem dó. Além disso, o Kings criou uma fama (justificada) de ser um time mole, fraco fisicamente, técnico porém "delicado". Ou seja, aquele nerd inteligente e talentoso que apanha dos coleguinhas e fica preso no armário. O pivô do Kings por muitos anos foi o Brad Miller, excelente arremessador e passador mas que é fraco como uma criança, e o Spencer Hawes parecia ter vindo dessa mesma fábrica de crianças sardentas, altas, fracas e branquelas. Para a nova cara do Kings, nada melhor do que gente que esteja disposta a dar cabeçadas e beber uma taça ou duas de sangue antes do almoço. O Dalembert é o ideal, vai trazer uma defesa física e agressiva ao garrafão do Kings que eles não tem há uma década, e ele curte um sanguinho (seu apelido é "Dalembeast", que se traduzirmos como "Dalembesta" fica até mais verossímel porque o pivô é, além de um montro, bastante burro). Já o caso do Nocioni é um mistério pra mim. O Kings sempre usou o argentino como tapa-buraco. Se alguém está cru e precisa vir do banco, se alguém contundiu, se alguém perdeu o cachorro, se alguém tá com manha e não quer sair da cama e inventou que está levando a mãe no hospital, coloca o Nocioni no lugar. Sempre jogou bem, dava as cabeçadas que ninguém mais na equipe dava, mas o Kings nunca valorizou, sempre manteve como substituto genérico. Fizeram a mesma coisa com o John Salmons, que encheu o saco até sair de lá e deu tão certo com o Bucks na temporada passada, onde valorizaram seu trabalho. Não entendo o motivo do Nocioni ser tão desprezado em Sacramento, mas espero que no Sixers ele seja bem usado graças à sua versatilidade e arremessos de três pontos. 

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Warriors manda Corey Maggette e Jerome Jordan (escolha 44 do draft) para o Bucks em troca de Charlie Bell e Dan Gadzuric

O Bucks está, além montando o time de uma vez com trocas e contratações-relâmpago, desfazendo cagadas anteriores. O Warriors está tentando desfazer algumas, também, para então poder fazer cagadas novas como sempre. O lance com o Charlie Bell é o mais triste: ele teve uma temporada boa, recebeu uma oferta de contrato do Heat, e aceitou sem pensar duas vezes. Disse estar louco para sair de Milwaukee, que não queria mais jogar lá, e pediu diretamente para os engravatados que não igualassem a proposta (ele era um Free Agent restrito, ou seja, o Bucks poderia tê-lo de volta caso pagasse um contrato igual ao que o Heat ofereceu). Aí o Bucks foi lá, cobriu a oferta, manteve o Charlie Bell muito descontente, e nunca mais colocou o cara em quadra. Seu papel passou a ser limitadíssimo, ninguém mais conseguia lembrar o que o Bell tinha feito de tão especial no ano anterior, e ficou preso no banco para sempre, ganhando seus quase 4 milhões de doletas. Dan Gadzuric também era um jogador com salário enorme mas muito mal aproveitado, ele sempre foi excelente em tocos, mas lhe faltaram os minutos (e a qualidade ofensiva) para poder render mais em quadra.

Os dois vão para o Golden State, saindo de um castigo para ir para outro. Só sabem defender e nunca terão espaço na rotação do Don Nelson. Por outro lado, Corey Maggette deve estar comemorando a fuga do manicômio que é a equipe do Warriors. Por lá, nunca teve regularidade nem nos minutos nem no papel em quadra, já jogou em tudo quanto é posição, foi obrigado a jogar até no garrafão, e nunca teve a permissão de fazer aquilo que faz melhor. O Bucks, por sua vez, é um time que precisa justamente do que o Maggette faz: pontos na marra, na base da força, quando nada mais está funcionando. E nós que acompanhamos o Bucks nos playoffs sabemos, nunca tem nada funcionando no ataque do time. O Maggette sabe pegar a bola e bater para dentro, cavar faltas e dar um jeito de pontuar mesmo contra as defesas mais complicadas. Já foi o jogador que mais cobrava lances livres na NBA e era normalmente chamado de "buraco negro" porque toda vez que recebia a bola, batia para dentro e a bola não voltava mais. No Bucks, vai dar muito certo. O time inteiro defende e não sabe o que fazer no ataque, querem tocar pra alguém que faça milagre. Mesmo quando o Maggette não fizer milagre (ele é fominha e fede um bocado às vezes), ninguém vai ter coragem de reclamar, vão pelo menos respirar aliviados de que ele pelo menos tentou alguma coisa. Diabos, até eu vou respirar aliviado de que tentaram algo, o Bucks parece mais perto de fazer uma cesta-contra do que de pontuar contra os adversários às vezes. O único problema é que o técnico do Bucks, Scott Skiles, é notoriamente o mais chato da NBA, o mais exigente nos treinamentos, e ele não tem medo de se recusar a usar jogadores que não se esforcem pelo time. Já o Don Nelson é um dos treinadores mais tranquilos, nunca fica bravo e sequer dá treinos. Quando o Baron Davis saiu do Warriors e foi para o Clippers, disse que ficou assustado com os treinamentos em Los Angeles, porque no Warriors não tinha nada nunca e a vida era mais fácil e divertida (parece uma merda jogar para um time que só perde, mas espera até você chegar em um com treinamentos duros e diários, no qual você precisa se esforçar, e vamos ver se a opinião não muda). Sair de um lugar tão relaxado pra pegar justo o técnico mais mala da NBA pode acabar rendendo ao Maggette mais castigos no banco do que ele pode imaginar...

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Cobrimos as principais trocas dos últimos tempos, agora nos próximos dias será hora de falar das contratações. Vários jogadores andaram assinando (ou reassinando) contratos, vamos dar uma olhada em cada um deles e aproveitar para explicar as mudanças contratuais que devem ocorrer e levaram jogadores como Richard Jefferson a abrir mão de seus gigantescos contratos atuais. Até lá!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Férias curtas

Este blog estourou a cota permitida de fotos do Iverson
para o ano, então trocamos por um pudim


Estamos de volta com nosso já tradicional post semanal sobre o Allen Iverson, o máximo de atenção já dado a um jogador que não entra em quadra desde que o Arenas abriu um blog para falar bobagem (e que o Eddy Curry foi acusado de assédio sexual pelo seu motorista particular). Não faz muito tempo, acompanhamos o Iverson sendo assinado pelo Grizzlies, reclamando do seu papel na equipe depois do seu primeiro jogo, e depois anunciando sua aposentadoria mequetrefe após ter pedido dispensa do time por razões familiares. O Denis sabia que esse lance de se aposentar era marmelada e imaginou que seria apenas um "ano sabático", uma folga para voltar às quadras na temporada que vem. Mas não tinha como imaginar que seria, na verdade, uma "semana sabática", não deu tempo do Iverson nem ir fazer as compras do mês pra encher a geladeira e ele já assinou um contrato com o Sixers.

A coisa lá na Philadelphia anda um tanto feia. O time está entre os últimos do Leste, na frente apenas do Knicks, que fede, e do Nets, que ainda não ganhou partida alguma na temporada e tenta hoje, contra o Dallas, não bater o recorde de pior início de todos os tempos. Na temporada passada o Sixers já não era grandes merdas, o Elton Brand não encontrou seu lugar na equipe e passou muito tempo contundido, mas o Andre Miller segurava as pontas na armação o bastante para o time não desmoronar. Para salvar a pátria, pelo menos dois novos talentos mostraram que dariam bem certo na NBA: Thaddeus Young e o magrelo do Marreese Speights. Mas com o Andre Miller escolhendo virar reserva no Blazers para jogar com um time de futuro desesperado por alguém que tenha idade pra fazer a barba, o Sixers virou farofa. O Louis Williams teve que assumir a armação, mas ele tem reserva escrito na testa, não passa de uma estrela de Ligas de Verão e pensa que armar o jogo significa atacar a cesta. É claro que, sem o Andre Miller, o Elton Brand não vê mais a cor da bola, tem as piores médias de sua carreira em qualquer quesito estatístico, e teve seu talento engolido pelos Monstars. Volta e meia ele ainda quebra um galho, mas a verdade é que o pirralho do Speights está jogando muito melhor do que ele em todos os sentidos - quer dizer, até quebrar o joelho e ficar os próximos 2 meses fora. Mas o Speights corre mais, se encaixa melhor nos contra-ataques da equipe, e mantém o foco nos rebotes que o Elton Brand deveria trazer para a equipe. No fundo, é um casamento muito melhor com o Dalembert, do ponto de vista atlético e técnico, do que o Brand poderia ser.

Além disso, até a mãe do Iguodala sabe que ele é um jogador para completar uma equipe, fazer todo o trabalho sujo, defender, ser a segunda arma ofensiva. Carregando todo o ataque de um time que só sabe correr e não tem jogadas de meia quadra, o negócio fica um pouco feio para o rapaz, que precisa forçar demais o jogo. O Louis Williams ajuda a pontuar, é verdade, mas compromete um bocado o fluxo da equipe. Sua evolução tem sido notável nas últimas temporadas, mas ele ainda não está pronto para carregar um time que tanto se focava na liderança inteligente do Andre Miller. Ou seja, o Louis Williams até tem as manhas, só não é muito inteligente e precisa de tempo para amadurecer seu jogo. O fato de que ele vai passar dois meses fora das quadras com uma mandíbula quebrada, tomando sopa de canudinho, também não ajuda muito.

O Iverson volta ao Sixers não por saudade, carinho, encaixe. Ele era apenas o melhor armador disponível para substituir um jogador mais-ou-menos que vai passar o próximo par de meses fazendo cocô mole. É claro que, para o Iverson, é mais simples voltar para o Sixers, em que ele fez sua carreira e tem ainda torcedores apaixonados, do que começar de novo em outro time qualquer. Mas parece ser o fardo dele, agora, só ter chance nos times mais capengas do planeta. O Sixers está em crise, desmontando, tentando entender o ataque do novo técnico Eddie Jordan em que os armadores têm papeis bem distintos do que estamos acostumados a ver por aí. O Iverson não deve demorar para pegar o jeito, os armadores do Eddie Jordan tem uma tendência a arremessarem muito, e ele deve ser titular desde o primeiro minuto. A torcida vai apoiar, sabendo que se ele fizer merda o contrato dura só esse ano, e todo mundo vai poder reciclar a camiseta velha e empoeirada do Iverson que estava mofando no armário.

No Grizzlies, o Iverson tinha a chance de levantar a franquia, tanto em vitórias quanto em atenção (ingressos, camisetas vendidas, e principalmente posts no Bola Presa, já que somos agora a nona econômia do mundo), mas não teve os minutos e preferiu ir secar gelo. No Sixers, a chance de salvar uma franquia que está caindo pelas beiradas volta mais uma vez, só que com oportunidades reais de jogo. Pelo menos, se der errado dessa vez será por culpa do Iverson e do seu jogo, não de assuntos fora das quadras. Já está na hora de escrevermos menos sobre ele e de vermos o cara jogar um pouquinho mais (vídeos velhos no Youtube não vale). Espero poder, da próxima vez que um post citar o Iverson em algum grau, poder ao menos falar que ele está chutando traseiros ou que ele fede, ao invés de ficar dizendo qual o próximo time que cogita ter o vovôzinho em seu elenco.

Por enquanto, aposto que as coisas vão dar razoavelmente certo. A situação é ideal para o Iverson tentar se superar, o time precisa de um pontuador urgentemente, não dá para ficar muito pior (a não ser que o Sixers vire o Nets), e quando o Louis Williams voltar a comer coisas sólidas, provavelmente vai pro banco de reservas onde é seu lugar. Toda vez que um reserva desses acaba virando titular, o mundo fica um lugar mais triste - temos que convir que as coisas andam bem melhores no planeta desde que o Tyronn Lue parou de ser titular em qualquer time em que ele acaba indo parar.

A nova estreia do Iverson é na segunda-feira, contra o Nuggets. Em Denver ninguém sente muita falta do coitado, porque o Billups é a prova viva e encarnada de que mais vale um jogador mais-ou-menos que se encaixa no time do que uma estrela fantástica que não sabe o que está fazendo. Com sorte, o Iverson se encaixará melhor nessa equipe do que naquele Nuggets. O Iguodala é um jogador secundário, e a verdade é que o Elton Brand também - todos os seus anos de estrela no Clippers nunca deram em merda nenhuma. Talvez com esse forte elenco de apoio, Iverson possa ser a estrela que ele sabe ser, só que com uns 20 anos a mais em cada perna do que seria o ideal. Se não der certo, aí é tchau e abraço, meu amigo. Ou é sucesso absoluto no Sixers, ou então é década sabática pra você, criança. Já estou com saudades.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Feliz dia da mentira!

Mentiiiira


Hoje é dia primeiro de abril e eu como um blogueiro nível Superpop (de um ranking que vai de Zorra Total até Família da Pesada) tenho que escrever alguma coisa que tenha a ver com esse dia.

Aliás, não sei quem teve a bendita/maldita idéia de fazer um dia da mentira. Era pra celebrar a mentira ou para chamar a atenção de todos alertando que a mentira existe (surpresa!)? De qualquer forma, acabou virando uma espécie de Dia mundial do humor barato ou dia em que qualquer mané do escritório se mete a engraçadinho dizendo "Cara, casei!" ou "Você viu quem morreu?".

Em homenagem ao humor ruim em todo mundo e em homenagem à nobre arte da mentira gratuita, um post do Bola Presa com 5 verdades que pareceriam mentiras no começo da temporada e 5 coisas que parecem mentiras mas que eu garanto que ainda vão acontecer.


5 verdades que pareceriam mentiras no começo da temporada

1. O Thunder é um dos times mais promissores da NBA
Pois é, pois é, o time que no começo da temporada era alvo da discussão "Qual é o pior time da história da NBA" hoje é um dos mais promissores. O Russell Westbrook joga muito, o Jeff Green é o melhor jogador que ninguém lembra que existe da liga (depois daquele que eu não lembrei na hora de escrever esse texto), e o Kevin Durant evolui seu jogo a cada gole de Gatorade que toma.

Pra completar, eles contrataram os bons Nenad Krsitc e Thabo Sefolosha e ainda mandaram o lixo do PJ Carlesimo embora e botaram um técnico que coloca a molecada pra correr e jogar na transição. Hoje eles jogam na velocidade, são um time delicioso de ver jogar e são o quarto time que mais enterra na NBA. Nesse ano tiveram um recorde de 7 vitórias e 7 derrotas em janeiro e 7 vitórias e 8 derrotas em março. Nada mal para um dos piores times da história.

2. O Sixers é melhor sem o Elton Brand
Essa pareceria uma mentira deslavada. Todos aqueles blogueiros metidos a entendidos de basquete primeiro dizem que só falta um cara de garrafão para o Sixers e agora vão dizer que o time funciona melhor sem esse cara?

É isso mesmo. A maior contratação da offseason da NBA foi um fracasso maior que a carreira de apresentadora da Irís Stefanelli. Mas claro que a eterna Siri tem sua beleza, digamos, exótica, que compensa tudo ao assistirmos ela vender câmera digital no TV Fama.

Pra mim não cola essa história do Brand fechar o garrafão para as infiltrações do Iguodala ou dele atrapalhar os contra-ataques. Mas é fato que quando fazem marcação dupla ele não tem um arremessador de longe pra passar a bola. De qualquer forma: FAIL.

3. O Don Nelson passará mais da metade da temporada sem fazer experiências na hora de escalar o time
Eu sei, ainda parece mentira. Mas vou explicar: há uma semana mais ou menos, o folclórico técnico do Warriors deu uma entrevista dizendo que agora, como a temporada já está perdida, ele iria começar a fazer experiências com formações diferentes no time titular.

Ou seja, quando um cara é titular e joga 40 minutos e no outro ele não entra, não era uma experiência. Quando um cara é titular e sai depois de 2 minutos e não volta, não é uma experiência maluca. Quando usa 5 escalações diferentes em 5 jogos seguidos não é uma experiência pirada. Quando ele chama uma cara da D-League e bota ele com função de melhor jogador do time ele não estava testando nada.

Em 74 jogos até agora foram 44 times titulares diferentes!!! E ele disse que ia começar a experimentar coisas novas há uma semana. Quem parece uma mentira é esse técnico.

4. O Andrew Bynum vai machucar o joelho em um jogo contra o Memphis Grizzlies
Essa tem cara de pegadinha do João Kléber. Já imagino a notícia sendo dada pro Kobe com câmera escondida, a cara dele de "Vou ser obrigado a arremessar 32 bolas por jogo, que droga" e o JK interropendo o programa dizendo "pára! pára! pára!". Só depois iam revelar que era uma pegadinha e que nunca que o Bynum machucaria de novo o joelho contra o mesmo time na mesma época do ano com a mesma promessa de voltar logo no começo dos playoffs.


5. O Suns não vai para os playoffs
O time que tem Steve Nash, Amar'e Stoudemire e Shaquille O'Neal não vai para os playoffs? Pfff... Se o Suns não for para os playoffs, nunca mais votem no Maluf.

Sério, pareceria mentira de político alguém dizer isso. A saída do D'Antoni poderia até ser sentida, mas o time tinha a proposta de melhorar na defesa e continuar com o ataque destruidor. No elenco tinha um prêmio de sexto homem, dois novatos da temporada, três troféus de MVP, 3 de MVP das finais, uma caralhada de aparições no primeiro time da NBA e ainda o Louis Amundson que é a menina mais bonita da NBA depois da Andrea (Bargnani) e da Lindsay (Hunter).

Se eu apostasse no Suns fora dos playoffs eu teria me demitido do blog no começo da temporada.


5 coisas que parecem mentiras mas que eu garanto que ainda vão acontecer

1. O Bobcats vai ser um dos melhores times do Leste nos próximos 2 anos
Nunca duvide do Larry Brown, ele já levou o Clippers para os playoffs e um time com o Iverson para a final da NBA, e o Bobcats tá jogando demais nesse fim de temporada. O Boris Diaw merecia vencer o prêmio de jogador que mais evoluiu de novo (após ter ganho o troféu Steve Francis de jogador que mais involuiu na temporada passada).

2. O Nash vai jogar no Knicks
Ele está insatisfeito no Suns, o time não tem futuro e o Knicks está louco pelo seu contrato expirante. Ele vai lá na próxima temporada e depois reassina por um salário menor para vir o LeBron James jogar ao seu lado e do cara que fez o Nash parecer um MVP, Mike D'Antoni.

3. O Greg Oden vai ser um bom jogador
Tá cada vez mais difícil acreditar nisso, eu sei, mas já espero que nos playoffs ele dê sinais que vai ser um puta pivozão na NBA. Não vai ser uma escolha melhor do que o Durant, que fique claro, mas ele vai ter uma carreira boa em breve. Selo Bola Presa de garantia nessa aposta!

4. O Bynum vai machucar o joelho em janeiro do ano que vem em um jogo contra o Memphis Grizzlies.
Alguém aposta contra? Eu aposto um pé do Danilo, um sorvete de damasco e uma latinha de chá verde que ele se machuca de novo.

5. O Houston Rockets vai passar da primeira rodada dos playoffs
O time é bom, é organizado e tem boas chances de não cruzar com o Utah Jazz (está para o Rockets como o Bobgatos está para o Lakers) e, mais importante, não terá o pé frio (e o joelho quebrado) do T-Mac.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Brand é o novo Arenas

Elton Brand cantarola o sucesso "Beijinho doce"


Se o Nowitzki não tivesse um arremesso tão certeiro eu estaria falando aqui da oitava vitória seguida do Sixers. Mas ao invés disso, vou falar do time que venceu 'apenas' 7 dos últimos 8 jogos. E desses 7 , três foram vitórias sobre Spurs, Hawks e Portland por mais de 15 pontos de vantagem. Com o Spurs ainda teve o bônus de 3 bolas de três no estouro do cronômetro do primeiro, segundo e terceiro período.

Será que o Sixers teve essa sequência de jogos tão bons só porque o Elton Brand estava de fora ou foi coincidência? Tem muita gente já chamando o Elton Brand de o novo Arenas, a estrela que, apesar do talento, mais atrapalha o time do que ajuda.

Eu já sempre discordei que o Arenas atrapalhava o Wizards e agora acho que o Elton Brand não atrapalha o Sixers. O que acontece é que o Sixers usou nesses jogos em que o Elton Brand estava com o ombro deslocado a mesma formação que usou com sucesso na temporada passada. Era um modelo que já era conhecido por todos e conhecido como muito bom!

Esse modelo é um small ball que usa o Iguoadala na posição 3 e o Thaddeus Young na posição 4, com apenas o Dalembert no meio do garrafão. Na defesa essa formação funciona bem porque todos os jogadores são atléticos, então eles atacam os pick-and-rolls, atacam as linhas de passe e assim forçam turnovers. Com os erros dos adversários ou rebotes, o time sai em disparada no ataque. E acredite, você não iria querer marcar um ataque com Andre Miller, Iguodala e Young correndo como se não houvesse amanhã.

Uma das grandes limitações do Sixers, com qualquer formação, é o arremesso de longa distância, mas com essa formação menor, quem ganha espaço na posição 2 é o Willie Green, um dos poucos no time que não ficariam desempregados se proibissem cestas dentro do garrafão. Então, além dos benefícios do time menor, eles tem mais arremesso.

Quando o Elton Brand está no time a coisa é diferente, o Willie Green sai, o Iguodala vai para a posição 2 e o Green senta a bunda no banco. Até aí tudo bem, o que impede um time de correr só porque tem um cara mais pesadinho na equipe? O Iggy não está amarrado a uma corrente no Elton Brand. Mas acontece que por ordem do técnico, é pelo Brand que o ataque do Sixers começa. Então ao invés de correr (e o Sixers corre no ataque mesmo quando não é contra-ataque) eles jogam mais devagar esperando o Elton Brand se posicionar e aí tacam a bola pra ele.

Eu não sou técnico nem nada mas posso dizer: isso é burrice! Sabe por que o Duncan tem o Finley, Mason e Bonner do seu lado? Ou por que o Garnett tem Ray Allen, Pierce e Eddie House? Ou por que o Lakers campeão do começo da década tinha Fisher, Fox e Horry ao lado do Shaq? Simples, porque jogadores dominantes no garrafão atraem atenção e deixam caras livres pro arremesso. Ao mesmo tempo que bons arremessadores deixam espaço para os pivôs trabalharem melhor.

No caso do Sixers, o Elton Brand deixa livre para o chute os dois Andres e o Young. Os três não são bons arremessadores. E já li por aí também que o Brand em quadra ocupa muito o garrafão e com isso o Iguodala não consegue infiltrar. E desde quando um bom pivô atrapalha os alas do seu time na hora de infiltrar? Só acontece se estão muito desentrosados.

Por causa dessas histórias, já dizem que o Sixers errou ao contratar o Elton Brand e que tacaram dinheiro no lixo. Agora pensa bem, desde quando contratar um dos melhores alas de força da última década é um erro? O erro é não saber usá-lo, não é tê-lo no time. E isso já custou o emprego do técnico Mo Cheeks.

Durante um momento na temporada, o Sixers tentou usar o Willie Green junto com o Brand, deixando o Thaddeus Young no banco. É a formação que eu mais gosto, deixando o Young vir do banco junto com Louis Williams e a Vera Verão da NBA, Reggie Evans.

A formação não rendeu os mesmos resultados que esse time de agora mas é questão de paciência. Todos os times campeões desde 99 até o ano passado tem várias coisas em comum: todos tinham jogadores fortes no garrafão (Shaq, Duncan, Wallaces, Garnett), todos tinham arremessadores (Kerr, Horry, Fisher, Billups, Okur, J-Will, Ray Allen), todos tinham jogadores que conseguiam invadir o garrafão com infiltrações (Ginobili, Kobe, Prince, Hamilton, Wade, Pierce) e todos tinham grandes jogadores de defesa (Duncan, Robinson, Bowen, Kobe, Shaq, Posey, Ben Wallace). Em poucas palavras: se você quer ser campeão, você precisa ter um pouco de tudo, não dá pra abdicar de nada.

Se você consegue um cara bom de garrafão como o Brand, você não desiste dele, você simplesmente aprende a usar de acordo com as características do time. Se o time é veloz, que continue veloz. Se não precisa tanto assim do Brand pra ser eficaz, que use ele menos minutos ou que ele arremesse menos, mas abdicar dele é se iludir com um sucesso mediano, é aceitar ser uma equipe que nunca vai passar da primeira rodada dos playoffs.

No jogo de hoje contra o Dallas, por exemplo, em vários momentos o Sixers precisou do Brand. Pra começar eles precisavam de alguém pra encarar o Nowitzki, que simplesmente almoçou a defesa do Phila. E no ataque o Brand fez falta durante um apagão que o ataque sofreu no quarto período. Quando a correria não funciona você precisa de uma segunda opção e o Elton Brand deve ser essa segunda opção. É estranho ter um cara que ganha tanto dinheiro pra ser a segunda opção? É. Mas o Orlando paga 17 milhões para o Rashard Lewis ser a quarta opção ofensiva deles e está dando tudo certo pro Magic.

O Elton Brand está de volta nessa semana e vai pegar um time embalado. Para muita gente é a hora de ver se o Elton Brand faz parte da equipe ou não. Mas eu não me enganaria com alguns resultados fracos, o time começou mal a temporada e precisa de adaptação. A longo prazo eles não vão se arrepender de ter contratado o Elton Brand. Palavra de quem tem certeza de que o Orlando não vai ser campeão.

Para ver a cesta do Nowitzki que encerrou a sequência do Sixers, é só dar uma olhada no resumão do jogo:




Eu aumento mas não invento! OK, OK!

Dwyane Wade é o mais novo divorciado da NBA. Ele acabou o casamento com Siovaughn Wade, mãe de seus filhos, e está pegando agora a modelo Gabrielle Union, uma moreninha bem firmeza! Até aí tudo bem, vários jogadores, talvez por serem pessoas normais, se divorciam. Mas no caso do Wade a coisa tá preta. A ex-mulher está acusando o Wade de ter abandonado os filhos, cometido adultério e até de ter contaminado ela com doenças venéreas. Baguio pesado! E as acusações chegaram ao ouvido do Wade no dia do seu aniversário.

Parabéns, Wade!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Mentira tem perna curta

"Como assim vão me demitir porque eu fedo?
Quer dizer que não sabiam?"



Quando, pouco antes da temporada começar, fizemos uma análise de todos os técnicos da NBA, apontamos a Divisão Atlântica como o lar dos incompetentes. Para mim, o técnico Sam Mitchell podia ser apontado como o pior de toda a liga, enquanto Mo Cheeks não se encontrava muito longe, sendo um dos técnicos mais invisíveis quando seu time está em quadra. Os dois levaram suas respectivas equipes para os playoffs e, após serem chamados de burros e incompetentes, foram consagrados "gênios incompreendidos" e receberam total apoio dos dirigentes. Foram extensões contratuais, milhões de dólares indo parar em seus bolsos, discursos de que todos acreditavam em seus trabalhos técnicos que agora estavam dando resultado. Legal, e eu sou a Vovó Mafalda. Um punhado de meses depois, os dois estão no olho da rua.

Eu queria muito compreender o critério por trás das demissões, de verdade. Nenhum dos dois técnicos tinha qualquer talento, isso todo mundo sabe, e a melhor coisa a se fazer era colocar ambos para vender cachorro-quente. Mas frente aos resultados de certo modo positivos, os dirigentes se comprometeram com os trabalhos, assinaram embaixo, deram aquele clássico soquinho no queixo seguido por um "continue assim". Pois bem, "continuar assim" foi justamente o que Sam Mitchell e Mo Cheeks fizeram. Como demitir alguém que está fazendo exatamente a mesma porcaria que fazia antes, e pelo qual foi tão elogiado, aliás? A impressão que dá é de que os responsáveis pelas franquias não fazem a menor idéia do que estão fazendo, apenas acompanham os resultados e julgam baseados inteiramente nos números. E não em números difíceis, como "posses de bola por 48 minutos", mas apenas no número de vitórias e derrotas - talvez no número de torcedores por partida também, vá lá. Isso é até normal, o objetivo das franquias é dar lucro, ninguém é bonzinho e financia uma equipe de basquete porque isso traz alegria para o mundo ou é uma linguagem que permite a ampla expressão de seus membros constituintes. Seria como dizer que o objetivo do McDonald's é alegrar as crianças e espalhar a arte gastronômica como forma de comunicação. Pois é, o Joâo Kléber também só queria tornar o mundo um lugar melhor, pobre gênio imcompreendido.

Mas justamente por visar ao lucro é que mais atenção deveria ser dada ao que diabos os técnicos estão fazendo em quadra. Se colocassem um gorila de circo no Raptors que passasse os jogos comendo bananas e trepando em cima do banco de reservas, e o time chegasse aos playoffs, seria ridículo parabenizar-lhe por isso - pior ainda seria lhe oferecer uma extensão de contrato. O que dizer, então, da demissão do gorila caso o time desse errado na temporada seguinte? Sua ação no time (comer bananas) sempre foi a mesma e provavelmente eu tive mais influência nos resultados da equipe quando tirei meu pijama pela manhã do que ele.

No caso do Mo Cheeks, ainda há o agravante de ninguém ter percebido o desastre óbvio que se aproximava. Nenhuma estrela jamais conseguiu se encaixar em um time seu, de Rasheed Wallace a Allen Iverson, basicamente porque seu estilo de jogo parece ser invariavelmente coletivo para alguns, ridiculamente inexistente para outros. Ele tornou a meia tonelada de jogadores secundários do Sixers um conjunto coeso, mas era óbvio que a chegada de uma estrela obrigaria que ele mudasse sua tática e explorasse as novas possibilidades, coisa que ele nunca seria capaz de fazer. De certo modo, Elton Brand foi o atestado de óbito de Mo Cheeks por vários motivos: a princípio, porque o obrigou a utilizar-se de uma estrela; depois, porque o time deixou de ser uma porcaria que surpreendeu todo mundo para se tornar um time de verdade que supostamente deveria ser capaz de vencer. Convenhamos, vencer sem querer é muito mais fácil do que vencer quando você precisa mostrar resultados. O técnico quebra-galho será Tony DiLeo, que pelo menos não terá muita responsabilidade de vencer porque pegou o bonde andando. Se ele tem chances eu não faço idéia, afinal escrevo sobre NBA mas tenho mais o que fazer na minha vida do que digitar o nome desse pentelho no Google.

Também não faço idéia de quem seja o novo técnico do Raptors, o Jay Triano, que era assistente técnico da equipe (e tem nome de boxeador latino). Mas assim é que é bom, a gente julga o trabalho do cara na prática, não graças ao seu nome ou resultados passados, o que também é uma excelente desculpa para esconder a preguiça de ir pesquisar sobre alguém que pode ser mandado embora em 15 minutos. Mas vale dizer que suas poucas alterações no time me pareceram muito bem-vindas. Antes de mais nada, colocar o Jason Kapono pra jogar já é motivo de alegria. Militantes dos Direitos Humanos festejaram a libertação de Kapono do fim do banco do Raptors, onde ele apodrecia vivendo a pão e água. Sua situação não era tão ruim quanto a do Belinelli ou do JJ Redick, que estão escravizados e utilizados como pesos de papel em suas equipes, mas também era bem feia. Sam Mitchell não faz a menor idéia de como utilizar jogadores unidimensionais, especialistas em fazer apenas uma coisa, e os arremessos de fora do Kapono foram abandonados no banco graças à sua dificuldade nas outras funções - ainda que tenha sido peça fundamental naquele Heat que foi campeão da NBA. É verdade que o Anthony Parker está contundido e abriu uma vaga, mas Kapono está tendo minutos que nunca teve em Toronto e nem teria com o Mitchell, sem contar que Jamario Moon retornou à escalação titular. Com isso Bargnani voltou ao banco, o que compromete sua temporada de claros aprendizados, mas o italiano ainda é inconstante demais e seu amadurecimento não pode ser feito às pressas. Na verdade, tem que ser secundário frente ao elenco do Raptors que deveria poder vencer agora, e tem que se preocupar mais em encontrar um equilíbrio entre Bosh e Jermaine O'Neal do que qualquer outra coisa. Ser técnico em Toronto parece fácil porque ninguém dos Estados Unidos presta atenção no Canadá, e os torcedores do Raptors estão mais interessados em hockey e em chegar em casa sem serem atacados por ursos. Mas esse elenco é na verdade uma bomba para o próximo técnico: bom demais para ficar fora dos playoffs, limitado demais para ser campeão do Leste, apesar da obrigação de vencer imediatamente. Essa é uma zona perigosa de mediocriedade que fada times ao fracasso. A intenção declarada alguns anos atrás de se tornarem "o Suns do Leste" pode na verdade ser uma maldição e apontar os problemas presentes e futuros: o eterno "quase-chegamos-lá". Quem pegar os dinossaurinhos roxos vai ter que decidir se esse será o modelo a ser seguido, se eles correrão, se defenderão, se apostarão em Jermaine O'Neal, ou se já é hora de se preocupar com uma possível partida de Chris Bosh e, portanto, começar tudo de novo.