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domingo, 15 de agosto de 2010

O mesmo circo

 O Clippers é sempre assim, cada um olhando prum lado, tipo os seios da Yasmin Brunet


Ah, o Clippers, a piada favorita de qualquer fã da NBA. O time amaldiçoado, fundado em cima de um cemitério indigena, e que tornou-se nas últimas temporadas apenas um circo que se finge de equipe de basquete. Tem palhaço, elefante, malabares, todos são bons e talentosos, mas a única coisa que os une é estarem debaixo do mesmo toldo. O quê Chris Kaman e Baron Davis têm em comum? Fora as contusões constantes graças à lendária maldição do Clippers, nada. Sempre fico surpreso quando vejo que no fim das contas o primo pobre do Lakers conseguiu montar um baita time bacana, cheio de talento, mas sempre dou risada quando vejo que a equipe simplesmente não encaixa. Mas dou risada assim, com carinho, porque não tem como odiar o Clippers. Também não tem como gostar, claro, é o time mais "nada" da NBA, o equivalente grupal da cara do Duncan, e na nossa pesquisa Bola Presa até agora só um únici coitado se disse torcedor da franquia, mas no fundo todo mundo torce para que a equipe dê ao menos um pouquinho certo. Mania de torcer pelo mais coitado, pelo mais fraco, pelo mais pobre. Sucesso é sempre um troço chato, já diria o Spurs da última década.

A temporada passada do Clippers foi para o ralo antes mesmo de começar, quando a primeira escolha do draft, Blake Griffin, quebrou o joelho ainda numa partida mequetrefe de pré-temporada. É tipo se o LeBron James acabasse de chegar na NBA e o joelho desmanchasse, já pensou como seria aquele Cavs? O Clippers até que tentou segurar as pontas, mas o resto do garrafão também começou a morrer, com uma lesão do Marcus Camby. Não demorou muito e o Camby foi trocado para o Blazers, que tem uma maldição própria que só ataca seus pivôs (coitado do Camby, que fica pulando de uma maldição para a outra). Em troca, o Clippers recebeu Travis Outlaw e Steve Blake, dois jogadores que não quiseram continuar - e nem eram muito bem-vindos mesmo. O único ala de verdade da equipe, Al Thornton, um dos jogadores mais promissores do elenco, começou a perder minutos, tomou fria do técnico, ninguém nunca falou sobre isso, e de repente ele foi trocado pelo Drew Gooden, que também não quis continuar no Clippers nessa temporada. Esse é o Los Angeles Clippers: as pessoas querem sair enquanto há tempo, e os caras bons são trocados por porcaria nenhuma e ninguém vem a pública explicar o que está acontecendo.

O resultado não foi apenas uma equipe desencaixada, mas também uma esburacada. Na armação, Baron Davis só busca o ataque, corre pra frente como um louco o mais rápido possível, e ou arremessa de três ou tenta uma enterrada. Na posição 2, Eric Gordon é um dos melhores arremessadores da NBA, mas não tem altura nem velocidade lateral para defender razoavelmente os armadores adversários. No garrafão, Chris Kaman é um dos pivôs mais habilidosos da NBA, ambidestro, refinado embora tenha cara de que nunca tenha comido com talheres na vida e prefira usar um tacape, mas quando corre parece que está dentro de um aquário. Blake Griffin pode ser uma estrela sensacional na liga mas quebrou antes mesmo de chegar, dá até pra pedir o dinheiro de volta. E o outro jogador de garrafão, DeAndre Jordan, tem potencial pra burro mas é cru, despreparado, pirralho. Então, quem usar na posição 3? Quem nesse time defende? Eles devem correr pra aproveitar o Baron Davis, arremessar pra usar Eric Gordon, ou jogar de forma cadenciada para usar Chris Kaman no garrafão? Eles são um time velho, chefiado por Baron Davis, que deve adicionar mais veteranos rumo a um título (mesmo sem nunca nem chegar nos playoffs) ou devem se focar nos pirralhos e construir em volta de Blake Griffin e DeAndre Jordan, tendo paciência e não tentando vencer ainda? Ninguém sabe. A única certeza é que o dono do circo, o engravatado Donald Sterling, é racista, odeia mexicanos, foi processado trocentas vezes, preso por assédio sexual, e coloca pessoalmente anúncios nos jornais procurando garotas para trabalhar no ginásio do Clippers para, então, tentar traçar todas no famoso "teste do sofá", imortalizado pelo João Kléber. Bacana, e você achava que só tinha zé-ruela tomando conta do futebol brasileiro.

Para tapar os buracos do time com a saída de Steve Blake, que foi ser feliz no Lakers, e do Travis Outlaw, fominha talentosíssimo que foi encher as orelhas de dinheiro no Nets, o Clippers apostou no draft, ou seja, parece que optaram pela renovação do elenco. Mas o Al-Farouq Aminu teve partidas muito fracas nas Summer Leagues, parece estar muito cru, tem um arremesso amador, e por enquanto só rende correndo, no contra-ataque. Já o Eric Bladsoe, tido como o melhor armador disponível no draft, mostrou que só sabe abaixar a cabeça e correr pra frente, é excelente pontuador, mas não espere que ele segure o jogo ou passe a bola. Ou seja, dois jogadores imaturos que, pra variar, não se encaixam com Kaman e Eric Gordon. E aí, de repente, o Clippers me surpreendeu: contrariando a aposta nos pirralhos, gastou suas verdinhas restantes contratando apenas veteranos, dois jogadores muito bons que são bastante ignorados pela liga. Primeiro foi o Randy Foye, um dos raros armadores da NBA que conseguem jogar com igual naturalidade nas duas posições de armação, e que sabem tanto correr quanto segurar o jogo. Foye não é o grande pontuador que se esperava quando foi draftado, mas é inteligente e tem um jogo bastante consistente, ideal para vir do banco e cumprir qualquer função. Depois veio a contratação do Ryan Gomes, um dos meus jogadores favoritos na NBA simplesmente porque ele faz de tudo, até cozinha e passa roupa. O Ryan Gomes pode jogar nas duas posições de ala, defende bem, tem um arremesso confiável de três pontos, sabe o que fazer de costas para a cesta e sempre procura passar a bola ao invés de tentar o próprio arremesso. Quando tinha muitos minutos no Wolves, ele era sempre um "quase triple-double" esperando pra acontecer, fazendo um pouquinho de tudo e mantendo o time sob controle, sempre naqueles 6 rebotes, 6 assistências, e uns 7 pontos (é como o LeBron James seria se fosse desnutrido ou um anão). No Wolves, um cara desses é tido como inútil, ele não pontua, não ganha jogos, é só mais um. No Lakers ou no Celtics, ele seria um deus, seriam feitos sacrifícios em sua homenagem, bebês nasceriam com seu nome, porque ele é exatamente o que faz times serem campeões. Ele tornaria qualquer banco de um time vencedor em algo poderoso, quase como um Ron Artest que defende pior mas tem um cérebro não-lesionado dentro da caixa craniana. Ou seja, o Clippers adicionou dois jogadores experientes que podem jogar múltiplas posições e que são ideiais para completar elencos vencedores e permitir que possam dar o próximo passo rumo ao título. Espera, quando foi que o Clippers achou que precisava torrar todo o seu dinheiro contratando peças para o banco de reservas apenas para completar o elenco? Que eu me lembre, eles eram um time horrível que não vai aos playoffs há anos e que tem um monte de novato cru que só ficará assadinho daqui uma década.

Eu sei lá o que o Clippers está fazendo, e a verdade é que eu nem deveria me importar, afinal a maioria dos jogadores vai se lesionar, bater o carro, ter filhos indesejados e pegar gonorreia. O toque final na completa falta de sentido, atração final do espetáculo circense, foi a contratação do Brian Cook. Lembram? O cara que um dia foi comparado com o David West, santa heresia, e que na verdade é só um corpo grande e lento que arremessa - e mal - de três pontos? O Phil Jackson gritou tanto com ele no Lakers que eu pensei que seu cérebro tinha derretido pelos ouvidos, mas pelo jeito ele ainda consegue se levantar, andar e receber cheques. Vai entender.

Ainda assim, enquanto a gente ri do absurdo, o elenco do Clippers é divertidíssimo como todo circo, reality show ou eleição democrática sabe ser. O quinteto titular deve ter Baron Davis, Eric Gordon, Ryan Gomes, Blake Griffin e Chris Kaman. O time é rápido, lento, ofensivo, defensivo, agressivo, passivo, arremessador, sem arremesso, tudo ao mesmo tempo. Vai dizer que não dá muita vontade de espiar? Todo mundo tem, ao menos, a obrigação de ver o Blake Griffin jogar para saber se ele mereceu ser a primeira escolha do draft. Por não ter jogado nenhuma partida na temporada passada, ele entra nessa como novato, pode jogar o All-Star de novatos e tudo, e primeiras escolhas sempre são divertidas de acompanhar. Fora isso, o DeAndre Jordan impressionou muita gente na Summer League com bons movimentos de pés e ganchos refinados no garrafão, deve ter aprendido com o Chris Kaman, e deve ser uma bela surpresa assim que o Kaman invariavelmente se machucar de novo. Mas o grande destaque desse time deve ser mesmo o Eric Gordon. Apesar de estar ainda correndo o risco de ser cortado, Gordon está na seleção americana que vai participar do Campeonato Mundial agora no fim de agosto e todo mundo está dizendo que, ao menos nos treinos, ele é o melhor arremessador da seleção. Levando em conta companheiros como Danny Granger e Kevin Durant, isso quer dizer muita coisa. Eric Gordon tem arremesso quase automático, deve funcionar maravilhosamente bem no basquete da FIBA em que a linha de três é mais próxima do aro, e está pronto para ter uma temporada definitiva para se sagrar pelo Clippers. Não vai fazer muito além de pontuar, mas deve fazer isso com uma rara combinação de distância nos arremessos e força física para dar umas trombadas.

Em breve vamos acompanhar de perto a seleção americana no Mundial, dando uma olhada em como as estrelas da NBA vão se sair e o que suas atuações podem significar para suas equipes. Mas, por enquanto, vale espiar o Eric Gordon. Se ele for cortado da seleção é só porque não tem ninguém lá alto o bastante para pegar geleia em cima do armário e o Eric Gordon é um anão, mas se ele ficar vai fazer muito estrago nas defesas por zona adversárias. Assim como fará estrago pelo Clippers, mesmo se esse time, pra variar, não fizer nenhum sentido jogando junto.

domingo, 4 de julho de 2010

Por uns trocados

O jogador com as melhores fotos do mundo vai agora para o Wizards


A moda agora é, além de namorar pelado - como diria o poeta -, fazer trocas imbecis para liberar espaço salarial e contratar alguma mega estrela ultra-poderosa que mudará o equilíbrio do mundo e descobrirá a cura para o câncer. Enquanto nos dedicávamos a analisar a grande Final, a vitória do Lakers, o draft e cada uma das escolhas, e explicar como funcionam as regras de teto salarial na NBA pra todo mundo poder acompanhar as novas contratações, um monte de pequenas trocas aconteceram. A imensa maioria apenas para isso, diminuir a folha de pagamento pra então bancar uma, duas, até três estrelas juntas e tornar o time uma espécie de Liga da Justiça, mas sem os pentelhos dos Supergêmeos e aquele macaquinho desnecessário, por favor. Algumas poucas foram trocas sem motivações financeiras, e por isso são as menos imbecis, sem um time mandando cocô e conseguindo uma Alinne Moraes. Vamos dar uma olhada em todas essas trocas:

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Heat manda Eric Bladsoe (escolha 18 do draft) e Daequan Cook pro Thunder em troca de Dexter Pittman (escolha 32 do draft)

Na minha opinião, uma das trocas mais engraçadas que eu já vi e perfeita para exemplificar o desespero das equipes por espaço salarial, na ânsia por contratar uma renca de estrelas. Resumindo, o que o Heat fez foi pegar sua escolha de primeira rodada de um draft bastante profundo e interessante, juntar com o melhor arremessador de três da equipe (poderíamos até mesmo dizer que era o único) e que nem ganhava tanto dinheiro assim, e mandá-lo em troca de um jogador obscuro da segunda rodada com problemas de peso e que muito provavelmente nem vai jogar pela equipe. Ou seja, o tipo de troca que você só faz se está afim de ser demitido.

O que o Heat quer é apenas economizar: o contrato do Eric Bladsoe, armador escolhido na primeira rodada, é garantido - basta draftar para você ser obrigado a lhe pagar salário todo ano. Dexter Pittman, escolhido na segunda rodada, não tem salário garantido e pode ser mandado embora, sem multas, caso o Heat prefira. Daequan Cook era bom nos arremessos mas um tanto limitado, foi trocado para o Heat não ter que arcar com suas despesas. E o resultado foi que a equipe de Miami ficou com apenas 3 jogadores com contrato para a temporada que vem: Michael Beasley, o ala que começou sua carreira na NBA fumando maconha após a palestra de "bem-vindos novatos" e até agora não mostrou serviço; Mario Chalmers, o armador com nome de encanador que tem "reserva" escrito na testa mas foi obrigado a ser titular porque não tem ninguém melhor; e James Jones, arremessador de três atlético que não joga nada mas sempre ganha uma chance em algum lugar por parecer ter bastante potencial (e força nominal). Parece um absurdo ter apenas três jogadores garantidos para a temporada seguinte, e o Heat concorda, porque depois dessa troca, a primeira coisa que fizeram foi mandar o James Jones embora, pagar as multas e não ter mais que lidar com isso. Agora são, oficialmente, apenas DOIS jogadores na equipe. Todo o resto da grana pode ir para as estrelas disponíveis, montando um time do zero. Sorte do Thunder que, espertinho, usou o espaço salarial limitado que tinha guardado para contratar um pivô e preferiu usar para fazer trocas com times desesperados pela febre "oh meu deus, preciso contratar o LeBron James". Tanto Bladsoe quando Cook tornarão o banco do Thunder, que era bem meia-boca, algo digno de nota.

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Nets manda Yi Jianlian e verdinhas para o Wizards em troca de Quinton Ross

Não tenho como mentir, sou um fã do Yi Jianlian. Pode ser o fetiche por chineses com mais de 2,10m de altura, pode ser o fetiche por asiáticos com cara de bobo, não sei exatamente, mas sou fascinado pelo Yi a ponto de nem perceber que ele é uma farsa. Basta vê-lo treinar para ficar encantado: o chinês é veloz, atlético, tem bom trabalho de pernas, uma mecânica de arremesso maravilhosa que dá inveja até no Nowitzki, arremessa de três com precisão, joga de costas para a cesta, distribui tocos, corre com a bola. Mas basta vê-lo num jogo de verdade para ficar horrorizado: toma decisões idiotas na quadra, defende como se seu corpo fosse feito de gelatina, tem fobia de entrar no garrafão, comete faltas bobas e vive machucado (todos os asiáticos da NBA devem ser contrabandeados de Taiwan). É uma excelente ideia ter o Yi Jianlian no seu time, ele é um bom jogador, com muito potencial, alto para a sua posição, excelente arremessador. Só que é uma péssima ideia colocá-lo em quadra, porque ele não rende nada. Além disso, ganhará mais de 4 milhões na próxima temporada. O Nets cansou do chinês, está com medo do produto quebrar de vez na sua mão, e trocou por um defensor experiente que ganha apenas 1 milhão. Na prática, isso significa mais espaço para assinar com uma estrela (eles ainda sonham com LeBron) e a vaga de titular garantida para o novato Derrick Favors. Seria mesmo bem idiota deixar qualquer um deles no banco de reservas, porque tanto Yi quanto o pirralho precisam de minutos para evoluir.

Para o Wizards, que conseguiu uma grana enorme para gastar com jogadores graças à decisão de se livrar de todo mundo no meio da temporada passada, o Yi Jianlian é mais do que um jogador com potencial que pode dar certo um dia: ele garante audiência. Se o Wizards quer se livrar da fama da "Era Arenas", começar de novo e dar uma nova cara à equipe, nada melhor do que ter o novato John Wall para atrair os fãs ocidentais, e o Yi Jianlian para atrair os fãs que jogam Pokémon. A China é tão apaixonada por seus jogadores que chegaram a criar um canal apenas para transmitir os jogos do Bucks (do Bucks, meu deus, do Bucks, aquele time que nem os moradores de Milwaukee assistem!), então o que não vai faltar para o Wizards serão camisetas vendidas e jogos televisionados tanto nos Estados Unidos quanto no resto do planeta.

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Nets manda Chris Douglas-Roberts para o Bucks por uma escolha de segunda rodada em 2012

Olha o Nets se livrando de mais gente a troco de nada! O Chris Douglas-Roberts era um daqueles casos estranhos de jogador que chuta traseiros no universitário mas que todo mundo desconfia de que não dará certo na NBA. Nunca entendi muito bem o motivo, mas a verdade é que ninguém nunca entendeu também, nem mesmo os próprios times que preferiram não draftá-lo. O rapaz demorou um pouco para pegar o jeito no Nets, porque a posição era de Vince Carter, mas quando o processo de reconstrução saiu do armário (a gente sabe que eles estão se refazendo faz uns 10 anos, mas só agora decidiram assumir para a mamãe e pro papai), Douglas-Roberts teve mais oportunidades e mostrou todo o potencial que tem como pontuador nato. O problema é que ele teve incidentes com o técnico, chegando a acusar o Lawrence Frank de amador (oras, ele apenas foi sincero), reclamou demais da situação calamitosa do Nets, e pra piorar ele ainda ganha um salário - ainda que de menos de 1 milhão - num time que quer se livrar de todo mundo pra poder contratar as estrelas badaladas. Perfeito para o Bucks, que aproveitou a chance de conseguir um excelente pontuador para a posição mais deficiente da equipe (já que Michael Redd está sempre de cadeira de rodas e  John Salmons provavelmente deixaria o time). Como trocaram também por Maggette e John Salmons deve renovar o contrato, o Bucks foi de não ter nenhum desgraçado para pontuar na posição para ter três carinhas que só sabem fazer isso da vida. Nada mal, aproveitaram muito bem a "febre LeBron James".

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Wolves manda Luke Babbitt (escolha 16 do draft) e Ryan Gomes para o Blazers em troca de Martell Webster

O Blazers precisava de Martell Webster para arremessar de três, pegar rebotes e ser o titular da equipe, mas é como dizem: foi se contundir, perdeu o lugar. Quando voltou, o coitado do Webster encontrou uma infinidade de armadores e alas que faziam a mesma coisa que ele, mas a maioria tinha dois joelhos. A troca foi óbvia, porque ele era descartável para a equipe e o Wolves é um time burro de dar pena que está, aparentemente e sem que saibamos o porquê, colecionando jogadores da mesma posição com as mesmas características. Funhé.

A única cagada dessa troca, por parte do Blazers, foi mandar o Ryan Gomes embora. O ala é um dos meus jogadores favoritos, joga muito bem nas duas posições de ala, improvisa como pivô se necessário, e faz absolutamente um pouco de tudo. Em algumas escalações comicamente horríveis, de dar vontade de ir no banheiro, já vi o Ryan Gomes armando o jogo, passando bem a bola, tendo que pegar todos os rebotes, se tacando no chão, arremessando de três, jogando de costas para a cesta, jogando só na defesa, jogando só no ataque, e cozinhando um molho de abóbora. Ele é um dos típicos jogadores "carregadores de piano", mas sem ser brutamontes. Ao invés de engolir ônibus escolares no café da manhã como Carl Landry, Jason Maxiell ou Paul Millsap, o Ryan Gomes é fino e educado, inteligente e cheio de finesse. Um lorde. O Blazers se livrou dele apenas porque, se demitido antes da próxima temporada, não teria que pagar multas, e a tentação de economizar dinheiro foi grande demais para um time que já é profundo. Mas o Ryan Gomes brilharia justamente num time profundo que seja vencedor e queira ser campeão. Fica minha torcida para que ele arrume um emprego entre os candidatos a título.

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Sixers manda Samuel Dalembert para o Kings em troca de Spencer Hawes e Andres Nocioni

Uma das únicas trocas que não foram exatamente financeiras e em que os dois times saem ganhando. O Sixers passou um tempão achando que iria dar muito certo quando tivesse alguém de garrafão. A equipe era uma droga, ninguém arremessava de três, ninguém pontuava de costas para a cesta, mas por algum motivo eles se saíam bem e davam um trabalhinho nos playoffs. A solução óbvia para arrumar o time e torná-lo um candidato a ser campeão do Leste era assinar o Elton Brand, um dos melhores e mais consistentes jogadores de garrafão que a NBA já viu (é até engraçado dizer isso agora que ele ficou consistentemente ruim). Ninguém sabe explicar muito bem, mas o Elton Brand - um monstro absurdo tanto no ataque quanto na defesa - simplesmente não deu certo na equipe. Todo mundo fica inventando explicações malucas, alegando que ele ocupa um espaço no garrafão que o Iguodala usa para infiltrar, que ele bate cabeça com o Dalembert porque os dois só rendem de verdade debaixo do aro, que ele teve seu talento roubado pelos Monstars do filme "Space Jam", essas coisas. O Sixers decidiu, então, tentar fazer alguma coisa a respeito ao invés de chorar na calçada: como não dá pra trocar o contrato gigantesco do Elton Brand porque agora ele fede e os outros times sabem disso, a ideia foi trocar o Dalembert, que nunca foi grandes merdas mas é excelente em tocos, por um pivô que possa defender e atacar um pouco mais longe do aro. No ataque, o Elton Brand se ateve a arremessos de média-distância porque o Dalembert é incapaz de pontuar um passo longe da cesta. O Spencer Hawes parece perfeito pra arrumar tudo isso: é bom em tocos mas joga melhor afastado do aro, arremessa muito bem deixando espaço para Iguodala infiltrar e o Brand jogar onde gosta, e além de tudo isso ainda é um belo arremessador de três pontos, coisa que ninguém no Sixers parece ser. Prevejo uma melhora imediata na equipe, mas se esse experimento bizarro revitalizar a carreira do Elton Brand, aí terá sido uma troca genial e o Sixers passa a ser levado a sério de novo.

O Kings não fazia muita questão de manter o Spencer Hawes desde que ele se negou a jogar uma Summer League na temporada passada, contrariando a vontade do técnico. Ficou meio de escanteio, foi perdendo espaço na equipe e agora trocaram sem dó. Além disso, o Kings criou uma fama (justificada) de ser um time mole, fraco fisicamente, técnico porém "delicado". Ou seja, aquele nerd inteligente e talentoso que apanha dos coleguinhas e fica preso no armário. O pivô do Kings por muitos anos foi o Brad Miller, excelente arremessador e passador mas que é fraco como uma criança, e o Spencer Hawes parecia ter vindo dessa mesma fábrica de crianças sardentas, altas, fracas e branquelas. Para a nova cara do Kings, nada melhor do que gente que esteja disposta a dar cabeçadas e beber uma taça ou duas de sangue antes do almoço. O Dalembert é o ideal, vai trazer uma defesa física e agressiva ao garrafão do Kings que eles não tem há uma década, e ele curte um sanguinho (seu apelido é "Dalembeast", que se traduzirmos como "Dalembesta" fica até mais verossímel porque o pivô é, além de um montro, bastante burro). Já o caso do Nocioni é um mistério pra mim. O Kings sempre usou o argentino como tapa-buraco. Se alguém está cru e precisa vir do banco, se alguém contundiu, se alguém perdeu o cachorro, se alguém tá com manha e não quer sair da cama e inventou que está levando a mãe no hospital, coloca o Nocioni no lugar. Sempre jogou bem, dava as cabeçadas que ninguém mais na equipe dava, mas o Kings nunca valorizou, sempre manteve como substituto genérico. Fizeram a mesma coisa com o John Salmons, que encheu o saco até sair de lá e deu tão certo com o Bucks na temporada passada, onde valorizaram seu trabalho. Não entendo o motivo do Nocioni ser tão desprezado em Sacramento, mas espero que no Sixers ele seja bem usado graças à sua versatilidade e arremessos de três pontos. 

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Warriors manda Corey Maggette e Jerome Jordan (escolha 44 do draft) para o Bucks em troca de Charlie Bell e Dan Gadzuric

O Bucks está, além montando o time de uma vez com trocas e contratações-relâmpago, desfazendo cagadas anteriores. O Warriors está tentando desfazer algumas, também, para então poder fazer cagadas novas como sempre. O lance com o Charlie Bell é o mais triste: ele teve uma temporada boa, recebeu uma oferta de contrato do Heat, e aceitou sem pensar duas vezes. Disse estar louco para sair de Milwaukee, que não queria mais jogar lá, e pediu diretamente para os engravatados que não igualassem a proposta (ele era um Free Agent restrito, ou seja, o Bucks poderia tê-lo de volta caso pagasse um contrato igual ao que o Heat ofereceu). Aí o Bucks foi lá, cobriu a oferta, manteve o Charlie Bell muito descontente, e nunca mais colocou o cara em quadra. Seu papel passou a ser limitadíssimo, ninguém mais conseguia lembrar o que o Bell tinha feito de tão especial no ano anterior, e ficou preso no banco para sempre, ganhando seus quase 4 milhões de doletas. Dan Gadzuric também era um jogador com salário enorme mas muito mal aproveitado, ele sempre foi excelente em tocos, mas lhe faltaram os minutos (e a qualidade ofensiva) para poder render mais em quadra.

Os dois vão para o Golden State, saindo de um castigo para ir para outro. Só sabem defender e nunca terão espaço na rotação do Don Nelson. Por outro lado, Corey Maggette deve estar comemorando a fuga do manicômio que é a equipe do Warriors. Por lá, nunca teve regularidade nem nos minutos nem no papel em quadra, já jogou em tudo quanto é posição, foi obrigado a jogar até no garrafão, e nunca teve a permissão de fazer aquilo que faz melhor. O Bucks, por sua vez, é um time que precisa justamente do que o Maggette faz: pontos na marra, na base da força, quando nada mais está funcionando. E nós que acompanhamos o Bucks nos playoffs sabemos, nunca tem nada funcionando no ataque do time. O Maggette sabe pegar a bola e bater para dentro, cavar faltas e dar um jeito de pontuar mesmo contra as defesas mais complicadas. Já foi o jogador que mais cobrava lances livres na NBA e era normalmente chamado de "buraco negro" porque toda vez que recebia a bola, batia para dentro e a bola não voltava mais. No Bucks, vai dar muito certo. O time inteiro defende e não sabe o que fazer no ataque, querem tocar pra alguém que faça milagre. Mesmo quando o Maggette não fizer milagre (ele é fominha e fede um bocado às vezes), ninguém vai ter coragem de reclamar, vão pelo menos respirar aliviados de que ele pelo menos tentou alguma coisa. Diabos, até eu vou respirar aliviado de que tentaram algo, o Bucks parece mais perto de fazer uma cesta-contra do que de pontuar contra os adversários às vezes. O único problema é que o técnico do Bucks, Scott Skiles, é notoriamente o mais chato da NBA, o mais exigente nos treinamentos, e ele não tem medo de se recusar a usar jogadores que não se esforcem pelo time. Já o Don Nelson é um dos treinadores mais tranquilos, nunca fica bravo e sequer dá treinos. Quando o Baron Davis saiu do Warriors e foi para o Clippers, disse que ficou assustado com os treinamentos em Los Angeles, porque no Warriors não tinha nada nunca e a vida era mais fácil e divertida (parece uma merda jogar para um time que só perde, mas espera até você chegar em um com treinamentos duros e diários, no qual você precisa se esforçar, e vamos ver se a opinião não muda). Sair de um lugar tão relaxado pra pegar justo o técnico mais mala da NBA pode acabar rendendo ao Maggette mais castigos no banco do que ele pode imaginar...

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Cobrimos as principais trocas dos últimos tempos, agora nos próximos dias será hora de falar das contratações. Vários jogadores andaram assinando (ou reassinando) contratos, vamos dar uma olhada em cada um deles e aproveitar para explicar as mudanças contratuais que devem ocorrer e levaram jogadores como Richard Jefferson a abrir mão de seus gigantescos contratos atuais. Até lá!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Latem mas não mordem

Destrua sua ex-equipe em 3 lições básicas


Ontem a rodada estava recheada de grandes jogos: o Suns enfrentava o Cavaliers que está em boa fase, Magic e Pistons se enfrentavam sonhando com o título do Leste, meu Houston enfrentava a série de 12 vitórias seguidas do Blazers em casa, Lakers e Mavericks faziam o confronto que, se a temporada regular acabasse hoje, seria uma série de playoff. Mas na hora de escolher o jogo que iria assistir, eu sabia que nenhum desses se compararia a outro: Kevin Garnett e seu Celtics enfrentando, pela primeira vez, sua ex-equipe de Minessota.

Todo o jogo podia ser resumido ali, na expressão no rosto de Sebastian Telfair no quarto período: olhos raivosos, dentes à mostra, pescoço tenso, prestes a latir, grunhir e uivar. O Wolves era um bando de loucos raivosos em busca de vinçança, auto-estima e dignidade. Cada vez que o Telfair estripava o Rajon Rondo, era mais do que basquete. Era uma tentativa de provar que, apesar de ter sido praticamente demitido do Celtics e impedido de jogar por problemas extra-quadra, tinha talento para ser titular de um time com Allen, Garnett e Pierce com reais chances de título. Cada bandeja certa de Telfair exprimia a angústia de ter sido mandado embora a preço de banana enquanto Rondo é titular e está prestes a ganhar um anel.

Além dele, Al Jefferson, Ryan Gomes e Gerald Green também tinham algo a provar. Mas provar que trocar todos eles pelo Garnett foi um erro é mais difícil do que provar que o Michael Jackson é inocente. Difícil mas, como no caso do célebre amigo das criancinhas, não impossível.

Com o jogo prestes a começar, nada do Garnett aparecer na quadra. Pelo jeito, era uma dor aguda e esquisita no estômago que ninguém sabia do que se tratava. Oras, para mim é óbvio que se tratava da consciência. Do Grilo Falante. Da dúvida dura e cruel: "devo arrasar por completo o time em que passei toda minha carreira?"

Finalmente, Garnett resolveu entrar em quadra para chutar uns traseiros. Mas em poucos minutos de jogo já ficou bastante óbvio que ele estava em quadra, na verdade, para impedir que os traseiros dos seus companheiros de Celtics fossem chutados. Pode não ter sido a melhor atuação do Wolves, vários jogadores tiveram uma partida capenga, mas a agressividade e a intensidade foram inegáveis. O Gerald Green, em especial, mostrou sinais de talento que eu não tinha visto antes. Atacou a cesta, teve jogadas interessantes, atléticas, vigorosas. Não acertou nada, é um grosso, mas a gente releva. Al Jefferson e Ryan Gomes tiveram partidas sólidas, especialmente na defesa, e enquanto isso Telfair humilhava Rondo dos dois lados da quadra: fez 18 pontos em um punhado de bandejas fáceis e marcou Rajon de modo a tornar sua vida um inferno. Como resultado, o Wolves passou praticamente o jogo inteiro na frente. Garnett saiu de quadra com a tal dor no estômago no quarto período e quando voltou, faltando 2 minutos para o final do jogo, seu time perdia por 5 pontos. Telfair acabara de fazer uma bandeja acrobática e rosnava com dentes afiados para a torcida. A família do Marbury (já que Telfair é seu primo) não bate muito bem da cabeça.

Até os dois minutos finais, a intensidade dos jogadores vingativos do Wolves estava à flor da pele. A defesa da equipe funcionava como em poucas vezes durante a temporada, evitando rebotes ofensivos adversários que haviam sido rotina em todas as suas outras partidas. Marcações duplas muito bem feitas no final do jogo garantiam a vantagem no placar.

Aí caiu a ficha. O Wolves percebeu que suas vitórias e derrotas são espelhadas com as do Celtics: 7 vitórias e 34 derrotas para os lobinhos, 34 vitórias e 7 derrotas para os de-verde. O Wolves se tocou que não deveria estar ganhando, que aquilo era um momento histórico, um marco, um feito de homens crescidos. Poderia ser uma virada na temporada rumo aos playoffs, uma vingança merecida aos dirigentes do Celtics que os subestimaram, um jogo para dar um reconhecimento merecido à equipe e talvez até melhores ofertas de times ou salários para os jogadores. Que vitória! Que vitória!

Pensar em algo assim é exatamente o tipo de coisa que acaba com a vontade de ganhar e a substitui pelo medo de perder. Garnett voltou para a quadra, no sacrifício, e o Wolves estava desesperado com a possibilidade da derrota - ainda que vencendo o jogo por 5 pontos. Entraram num declínio pior do que o Miami Heat quando percebeu que o Shaq tinha 62 anos. Nos dois minutos finais, ninguém no Wolves conseguiu fazer uma cesta sequer enquanto metodicamente permitiram ao Celtics (que, aliás, fazia péssima partida) pegar uns 568 rebotes ofensivos seguidos. Num pedido de tempo, o novato Corey Brewer foi cobrar o lateral mas estava com tanto medo que acho que até vi um pouco de xixi escorrendo pelas suas pernas. Não conseguiu passar a bola, não pediu tempo e estouraram-se os 5 segundos. Bola desperdiçada, eis que o Celtics pegou mais 237 rebotes ofensivos em sequência para, enfim, assumir a liderança com uma cesta de (quem diria!) Kendrick Perkins, o cestinha do Celtics. Mais um tempo para o Wolves, mais um medroso mijão incapaz de colocar a bola em jogo. A mocinha da vez foi o Jaric, que pelo menos tem dois neurônios a mais que o Brewer e conseguiu pedir tempo. Na terceira tentativa o Wolves enfim colocou a bola em quadra e a alegria foi tão grande que até nublou a importância de se pensar em uma jogada planejada. Al Jefferson sobrou isolado no improviso, recebeu marcação dupla e passou a bola destrambelhado para o Telfair que não conseguiu dominá-la porque Garnett se tacou como um débil mental para cima dela, conseguindo o roubo de bola.

Como fã do Garnett que sou, fiquei meio triste de vê-lo comemorando o roubo de bola vencedor levantando o nome "Celtics" de sua camisa e mostrando para a torcida. Foi o tipo de coisa para machucar bastante os testículos dos fãs de Minessota, mas como o KG foi nobre o bastante para aguentar anos e mais anos por lá mesmo com times mequetrefes sem nunca, jamais, pedir para ser trocado, acho que está tudo bem extravasar um pouco.

No time perdedor, o desânimo era mais do que avassalador, era constrangedor. A equipe foi derrotada pelo desespero, pelo pavor, pela infantilidade. Se havia alguma chance de melhorar a auto-estima dos jogadores, essa chance durou menos do que popularidade de ganhador de Big Brother. Sebastian Telfair, Al Jefferson e Ryan Gomes são talentosos e uma das melhores bases jovens de qualquer time da NBA hoje em dia. Mas eles são uma base sem moral alguma, formados em ambientes que só perdem jogos atrás de jogos desde que entraram na Liga. Que tipo de fundação pode ser criada na derrota? Ninguém no Wolves sabe como é vencer e, justamente por isso, o time entrou em parafuso nos 2 minutos que o separava da vitória. O que fazer com um time desses, com tanto potencial mas incapaz, ainda, de conseguir as vitórias necessárias para moldar a equipe em uma franquia futuramente vencedora?

Eu sou um chato que insiste em dizer de 5 em 5 minutos para pessoas aleatórias nos elevadores e nos pontos de ônibus que eu acredito no Wolves desde que a troca do Garnett aconteceu. Que eu boto fé nessa pirralhada, que eles podem vencer um dia e que (como o Blazers provou) eles podem vencer agora mesmo apesar da pouca idade. Talvez o primeiro passo fosse um técnico novo para dar uma nova abordagem, dar uma nova esperança para esses jovens e, acima de tudo, ensiná-los como jogar defesa de forma menos patética.

Aquele Hawks jovem demais, com mais alas do que escola de samba, só agora está dando resultado e tem chances enormes de ir aos playoffs dessa vez. O Timberwolves tem ainda mais talento, melhor espalhado entre várias posições diferentes. A dupla Al Jefferson e Randy Foye, que aliás ainda não jogou nessa temporada por estar machucado, é uma base que faria o Hawks de anos atrás babar de inveja: ter um armador excelente apoiado por uma presença dominante no garrafão é a fórmula dos campeões.

Uma vitória em cima do Celtics poderia ter sido o primeiro passo para que esse time acreditasse em suas condições, e acho que esse derrota dolorida mostrou fraquezas que atormentarão essa meninada como as histórias da Loira do Banheiro atormentaram a minha geração. Fico preocupado com as repercussões que essa derrota terá em suas mentes pelo resto da temporada e, até mesmo, pelo resto de suas carreiras. Mas ainda assim acredito em suas capacidades. Esse é um time que estará em seu auge em alguns anos e será apenas uma questão de mentalidade: estarão preparados para vencer ou perderão para sempre sem sequer repor a bola em quadra? Vão ficar só latindo para sempre ou vão morder alguém eventualmente?

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

"Both teams played hard"

"Diga fotoloooguiiii!"


Voltamos com nossa coluna "Both teams played hard", em que respondemos suas perguntas com a mesma graciosidade de Rasheed Wallace. Nessa semana, perguntas sobre o Wolves, basquete nacional e europeu. Ou seja, se você não ler, não estará perdendo muita coisa.

Se você tiver alguma pergunta para nós, basta usar a caixa de comentários dessa coluna e ter a paciência zen-budista de esperar mais uma semana. Fique à vontade, também, para comentar nossas respostas ou nos enviar fotos "fotolooooguiiii" de sua irmã bonita. Sinta-se em casa. Agora, vamos às perguntas.

Leandro:

gostaria de dar uma sujestao de fazer uns tópicos comparando times da euroliga e da nba(os melhores e os piores tbm). afinal sao nesses lugares que estao os melhores times do mundo,os esquemas taticos mais interessantes e tudo mais.
mas é isso..

Denis:
Tem razão, a Euroliga tem esquemas táticos interessantes, ótimos jogadores com muito talento e inteligência. Lá quem comanda o basquete não está interessado só em show, enterradas e em faturar em cima de atuações individuais de jogadores fominhas. Lá nunca ninguém vai fazer 81 pontos ou coisa do tipo. Lá o negócio é sério e os jogadores são disciplinados.
Por isso que eu tô pouco me fodendo pra Euroliga e logo não tenho conhecimento o bastante pra comparar nada. Mas já comparei com tênis e futeba, quer mais o quê?!


Charles:
Oq o Wolves tem pra comemorar a não ser a Adriana Lima ?
Que um dia o Jefferson pode ser um bom jogador ? Tipo quase um "Michael Jackson" ? Ou o campeão das enterradas, Gerald Green que tá jogando menos de 10 minutos por jogo?

Danilo:
Eu sou suspeito pra falar porque boto fé nesse Wolves desde o dia da troca. Olha, o Al Jefferson não vai ser o Michael Jordan, mas também não me venha com "que um dia ele pode ser um bom jogador". Agora, nesse instante, nesse milésimo de segundo, agorinha mesmo, o Al Jefferson pode chutar o traseiro da imensa maioria dos alas-pivôs da NBA. Ele tem médias de 20 pontos e 12 rebotes por jogo (fora 1 assistência, 1 roubo e 1 toco), é o quarto em rebotes e o quinto em double-doubles (17 em 23 jogos) além de ser o único jogador, junto com o Dwight Howard, a ter pelo menos uma partida com 30 pontos e 20 rebotes nessa temporada. Ele domina um punhado de jogos, melhorou enormemente da linha de lance livre e faz tudo isso muitas vezes tendo que ser improvisado de pivô, o que obviamente não é sua praia. E o principal de tudo é que ele pode ir aí na sua casa te dar uma baita de uma sova se você não acreditar.

O resto do time é muito inconsistente porque o Ratliff, que é o único cara experiente da equipe, tem idade para ser o pai de todos os outros jogadores. Ao invés de vestiário, o Wolves deveria ter um fraldário.

O Gerald Green-campeão-de-enterradas é o próximo Kobe Bryant, você não sabia? Pelo menos é o que se dizia quando ele foi draftado. O Kobe pessoalmente deu uns conselhos pro Green e talvez um dia ele esteja marcando 81 pontos por aí. Meu palpite pessoal é que em algumas temporadas ele vai ter desaparecido da NBA por completo e estará sendo campeão de enterradas na Europa, onde o pessoal costuma fazer besteira na hora de enterrar.

Fora isso, o resto do time tem bastante potencial. O Sebastian Telfair, apesar de primo do Marbury, parece ser menos débil mental e até gosta de passar a bola, com médias de mais de 6 assistências por jogo como titular. Randy Foye é um baita armador que estaria fazendo barulho se não estivesse machucado. Craig Smith é o "Paul Millsap versão Wolves", sensacional se vindo do banco. Corey Brewer é novato, faz xixi na cama, mas é um baita reboteiro e ainda vai ser uma estrela nessa liga (se não for, e o Al Jefferson não for All-Star um dia, vou ter perdido uma baita de uma grana em apostas por falar demais). McCants está aprendendo a usar o banheiro sozinho agora, o jumper está ficando consistente e o garoto realmente sabe pontuar. Ryan Gomes é um dos meus role players favoritos, faz de tudo em quadra, limpa panela, lava cueca suja com freiada e não reclama.

Ou seja, o time fede bastante mas tem potencial para ser vencedor daqui umas duas ou três décadas. O único problema de ficar botando fé em times jovens-porém-talentosos é que eles podem acabar como o Hawks. Mas os fãs dos lobinhos não precisam ser tão pessimistas, não estar em Atlanta já é um bom começo para comemorar. E montar um time em volta de um cara grande como o Al Jefferson é bem diferente de montar um time em volta do Joe Johnson. Quando vocês ganharem uma equipe da NBA de Natal, crianças, lembrem do conselho máximo do mundo do fantasy: "draftem grande". E se a equipe der lucro, lembre-se do conselho e manda uma graninha pra cá. Obrigado.

Renzo:
Na onda do leandro, solto o petardo.


Lineup 1:
PG - Smush Parker
SG - Allan Houston
SF - Penny Hardaway
PF - Tio Charles Oakley
C - Baby

Dois veteranos, um fóssil, dois jovens fracassados.

Como esse time se sairia ATUALMENTE em nossa combalida
Liga Nacional (BRASIL)?????

Certamente, sem graça não seria...
rs

Considerando a Liga Nacional do ano passado...

Na minha opinião, seriam campeões derrotando Franca apertado na final, fechando o jogo com uma bela ponte aérea de Smush para Tio Oakley, matando por ataque cardíaco 200 pessoas na arquibancada... hahaha

Os idosos Penny Hardaway e Allan Houston certamente se tornariam semideuses
por aqui... rs

Denis:
O Allan Houston ainda consegue chutar de 3? Se sim, ele seria um semideus aqui. O Penny Hardaway ainda chuta de 3? Se sim, ele seria um semideus por aqui. E considerando a idade dos jogadores que disputam o nosso Nacional, eles estariam se sentindo em casa. O único problema é que jogador americano que vem pra cá costuma morrer hoje em dia.

Aliás, outra coisa, vai ter campeonato nacional? Ou vão ter dois campeonatos e um monte de gente vai ficar de briguinha por aí? O basquete daqui é um saco, você começa a se apegar a um time e no ano seguinte ele não existe ou não disputa um campeonato. Na situação que está, certo é o Baby que vai pra Rússia.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Fazendo faxina

Antoine Walker tem cabeça de boneco de Lego


Eu tenho que admitir, antes de mais nada: gosto do Walker. Eu me divertia loucamente com seus tempos de Boston Celtics, em que ele e Paul Pierce competiam para ver quem arremessava mais bolas de três pontos por jogo e ainda assim chegaram longe nos playoffs. O Walker em geral não tem muito cérebro e cai na tentação de arremessar tudo que cai em suas mãos (mas eu duvido que ele arremesse fora o seu salário!) mas quando consegue manter a cabeça, pode ser um jogador excelente. Jogou bastante de point-forward, ou seja, sendo um ala que atua como armador. Ele sabe mesmo iniciar jogadas, passa bem a bola, arremessa bem de fora, sabe jogar de costas pra cesta. E o motivo principal do meu aprezo por ele, claro: quando faz alguma jogada bacana, ele bota pra rolar sua dancinha característica!

É claro que o Walker é aquele jogador legal quando não está no seu time, tipo o Gustavo Nery. Parece que joga muito, mas quando está defendendo a equipe para a qual você torce, dá pra perceber finalmente como ele é desmiolado e consegue foder tudo. Como não sou nem torcedor do Celtics nem do Heat, me dou ao direito de gostar do moço.

Com razões, Pat Riley não concorda comigo. Deve ficar de saco cheio toda vez que o Walker dá um arremesso que faria uma criança de 2 anos morrer de rir. Deve ficar puto da vida quando o Walker sai correndo nas pontas dos pés com seu jeito de gordinho e acaba avacalhando o contra-ataque. E deve ficar ainda mais revoltado quando, depois de uma temporada medíocre, o Walker aparece completamente fora de forma e acima do peso. Ainda mais pro Pat Riley, que é maluco com essas coisas. Lembram que na temporada passada ele suspendou alguns jogadores no meio da temporada porque não estavam com o índice de massa corporal adequado? Riley deve ter feito parte dos Vigilantes do Peso quando jovem...

O Walker virar farofa era só questão de tempo - no Heat é que ele não iria ficar.

Enquanto isso, na terra dos Lobinhos, o Minessota limpava a cozinha para começar tudo de novo. Agora a prioridade é cuidar do talento da garotada e centrar o time no Al Jefferson, que vem respondendo bem. Tem médias de 22 pontos e 11 rebotes nos últimos 3 jogos, anda dominando garrafões, chutando traseiros e vai ser All-Star, estou avisando. Mas acontece que essa pirralhada toda tem que ficar em paz, sem nenhum vovô revoltadinho ficar torrando a paciência lembrando dos tempos em que se brincava de pião na rua.

Vamos ser honestos, o Ricky Davis até que se comportou muito bem no seu tempo no Wolves. Mas acontece que o sujeito tem encrenca tatuado na testa. E, lembrem-se, ele é o cara que arremessou contra a própria cesta para "completar" seu triple-double. Não é exatamente o tipo de cara que você quer ao redor das suas jovens e ingênuas estrelas...

Eu estava aqui achando estranho: o Wolves limpou todo mundo e vai deixar o Ricky Davis? E o Marc Blount, que não fede nem cheira mas que tinha problemas com o Al Jefferson na época em que os dois eram dente-de-leite no Celtics? Vai ficar por lá?

Demorou mas não falhou: os dois agora são passado. Foram mandados para o Heat para terminar a limpeza da casa. Mas na troca, acabou vindo alguma sujeira junto. A troca foi Ricky Davis e Marc Blount por Antoine Walker, Michael Doleac, Wayne Simien, uma escolha de draft e verdinhas, muitas verdinhas.

Doleac é apenas um velhinho para contar histórias de quando não existia linha de 3 pontos. Ele até pode dar uma força no garrafão, mas vai ajudar a pirralhada e se aposentar logo. Wayne Simien tem tamanho, potencial, está só em seu 3o ano e se esperava pelo menos uma temporada razoável dele no Heat dessa vez. Pode ser útil desde que não roube minutos do Ryan Gomes, meu ídolo B. Já a escolha do draft é de primeiro round, nada mal. Boa troca.

O problema é o Walker.

O cara me aparece obeso, com seu contrato gordo, sua cabeça de Lego, e a dúvida que passamos a ter é a seguinte: ele vai ser usado no Wolves? Vai tirar minutos do novato Corey Brewer, em quem se aposta tanto? Vai jogar no garrafão e roubar minutos do Ryan Gomes e Craig Smith, jovens cheios de potencial? Ou vai ficar de terninho, bem comportado, jogando peteca até seu contrato acabar? Não é preciso ser um gênio para saber que o Wolves não vai optar por extender seu contrato, que desse modo acabará no ano que vem. Mas e até lá? Veremos ou não o Cabeça de Lego em quadra?

Como o nosso leitor Clayton bem disse, o Wolves sem o Ricky Davis deverá ser o pior time da sua divisão. Mas será que não é exatamente o que o time queria, pensando já no draft do ano que vem? Será que eles não ficaram com medo de ganhar demais?

Se o medo for ganhar muito, então talvez vejamos o Walker bastante tempo em quadra. Ele com certeza arrumará um jeito de fazer seu time perder. E com direito a muitas dancinhas enquanto estraga com tudo.