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quinta-feira, 11 de março de 2010

Deu tudo errado

Jonny Flynn é a cara da breguice


Todo mundo fala do Clippers como time amaldiçoado e todos tem inúmeras razões para isso. Também dizem que agora o time B de Los Angeles passou parte de sua maldição para o Blazers, que sofre com uma contusão atrás da outra. Primeiro foi Oden, depois Pryzbilla, depois Outlaw, Webster, Rudy Fernandez, Brandon Roy e a última foi que o Pryzbilla precisa operar o joelho de novo porque se machucou ao tomar um tombo no chuveiro! Um tombo no chuveiro, não tem como fazer piada com isso porque o fato já é mais engraçado e patético que qualquer coisa que eu possa falar, a realidade sempre supera o humorista. Vale pelo menos lembrar um velho post com as contusões mais bizarras da NBA.

Ninguém na liga chega perto de Clippers e Blazers na hora do azar, isso é claro, mas se hoje existe um time que luta pelo terceiro lugar é o Timberwolves. Eles também entram no clube dos times que tem talento, que parecem fazer a coisa certa, mas que depois, por qualquer razão, essas decisões parecem as mais erradas possíveis.

Vamos resgatar o Wolves ao fim da temporada passada. Mais uma temporada ridícula, mas que serviu para consolidar Al Jefferson como um dos melhores pivôs da NBA (ano passado houve quem defendesse que o pivô só não foi para o All-Star Game pelas poucas vitórias do Wolves, mais ou menos o que houve com Brook Lopez nesse ano). Depois de vir como uma mera aposta na troca de Kevin Garnett, um cara que ninguém sabia se conseguiria render como pivô ou só como ala de força, Jefferson provou não só que era bom mas que conseguia ser bom toda noite. O time fedia e perdia, mas sempre com uma boa atuação do pivô. No caminho ele até desenvolveu um dos melhores "fakes" de um pivô na NBA. O fake não é aquele perfil ridículo que você tem no Orkut, é quando o jogador finge que vai arremessar mas não arremessa, um bom exemplo está nesse vídeo, onde ele engana o Yao Ming umas três vezes.

Sem contar que o cara tem um grande coração, vocês já viram quando ele beijou o Tim Thomas na boca depois que o Thomas, seu adversário, acertou uma bola de 3? Al Jefferson, o último romântico.



Além da ascenção e consolidação de Jefferson, a temporada passada serviu para todo mundo perceber que Kevin Love seria um dos poucos americanos brancos a vingar na liga. No começo pareceu uma decisão estranha ter trocado OJ Mayo por ele no dia do draft, mas alguns meses depois e Kevin Love já estava sendo a máquina de rebotes que é até hoje. Ao lado de outro branquelo, o David Lee, é um dos jogadores que você já conta com um double-double antes do cara pisar na quadra.

Essa temporada era para simbolizar uma nova franquia. Eles tinha uma dupla de garrafão bem sólida com Jefferson e Love para construir um time em volta, tinham escolhas boas de draft e ainda trocaram de General Manager, mandando embora Kevin McHale e contratando David Kahn, e um novo técnico, Kurt Rambis. Jogadores bons, jovens, garrafão forte e novo técnico era tudo para apostar no Wolves para ser o que Thunder e Grizzlies estão sendo.

Eu não conhecia o Kahn, mas gostei dele por ele ser o manager mais aberto que já apareceu na NBA. Lembro que não economizou entrevistas quando chegou, no dia do draft, e ainda mandou uma carta aos fãs do time (aquela meia dúzia de viúvas do Garnett) explicando todas as suas ações. E, para nossa surpresa, elas até que faziam sentido.

Uma dessas decisões era a contratação do Kurt Rambis, o cara mais brega da história da NBA. Ele tinha sido assistente técnico do Phil Jackson por anos e era muito cotado para ser o herdeiro do Zen Master no Lakers quando ele se aposentasse, mas preferiu assumir o risco de pegar um time que estava começando do zero. A escolha de Rambis, pelo o que Kahn disse (alguém consegue ler esse nome sem lembrar do Gengis Khan ou do Shao Khan?), foi porque se interessava em implantar o sistema de triângulos que o Rambis ajudava a aplicar no Lakers. Porém, ao mesmo tempo, o novo Manager disse que no dia do draft escolheu dois armadores, Jonny Flynn e Ricky Rubio, porque queria copiar a combinação de Isiah Thomas e Joe Dumars que o Pistons do fim dos anos 80 usava.

Essa indecisão entre estilos de jogo parecia o primeiro sinal de que a temporada do Wolves poderia não dar certo, mas acabou não dando em nada porque outra coisa deu errado. Não dá pra usar os dois armadores juntos se eles nem estão no mesmo país. Ter a sorte de conseguir draftar o jogador mais esperado dos últimos anos veio seguida do azar de o pirralho espanhol decidir passar mais tempo na Espanha. O experimento Flynn-Rubio ficou adiado por pelo menos um ano, talvez dois e talvez para nunca, já que dizem que é possível que o Wolves troque os direitos do Rubio antes que ele vá para os EUA.

Kahn, Love, Jefferson, Rambis e Flynn. Tudo parecia lindo e promissor até começar a cheirar mal. Vamos por partes:

Al Jefferson: Mesmo talentoso e romântico, ele fedeu nessa temporada. Começou muito devagar e por um tempo achamos que era porque ele não fez pré-temporada, afinal estava voltando de contusão e parecia ainda fora de forma. Mas o tempo foi passando, passando e agora, a um mês do fim da temporada, ele só jogou no mesmo nível da temporada passada um punhado de vezes, uma decepção. Só não vai ganhar o prêmio Monstars de jogador que mais involuiu na temporada porque o outro Jefferson, o Richard, conseguiu ser pior. Se ano passado ele era talvez o melhor pivô do Oeste, nessa temporada ficou atrás de, no mínimo, Nenê, Kaman e Bynum.

David Kahn: Errou ao chegar no dia do draft antes de ter escolhido um técnico, depois falhou (tá bom que não foi só culpa dele, mas falhou) ao não conseguir trazer Rubio para a NBA. Depois ainda deu o azar de a sua outra escolha, Jonny Flynn, não estar nem perto de ser o melhor armador do draft. Muitos acreditavam nisso na época da escolha e até por isso não dá pra jogar toda a culpa no Kahn, mas é no mínimo um baita azar que, alguns meses depois, Flynn seja cotado para ter um futuro menos promissor que Steph Curry, Brandon Jennings, Ty Lawson e Darren Collison, todos outros armadores principais escolhidos depois de Flynn. Lawson chegou até a ser escolhido pelo Wolves e trocado por uma escolha futura.

Jonnt Flynn: Como acabei de dizer, está longe de ser o melhor armador do draft, mas nem é pelo ranking entre os novatos que ele decepciona. Mesmo sem comparar com outros e só olhando a sua atuação no Wolves, parece que ele não se achou dentro da equipe. Às vezes segura demais a bola, às vezes quer ser herói no final dos jogos e por muitas vezes lembra o lado ruim do TJ Ford por ter uma velocidade absurda e não saber usar isso para mudar o jogo. Talvez acabe sendo melhor que outros armadores de sua classe, mas é hoje, ao lado de Jrue Holiday, o armador mais cru, despreparado para a NBA, do Draft 2009.

Kevin Love: Até o que está dando certo, dá errado. Love continua jogando bem, sendo um ótimo passador, reboteiro e tudo mais, mas não conseguiu se entrosar direito com Al Jefferson e acabou sendo opção do técnico para o banco de reservas. Com isso Love divide menos tempo com Jefferson e deixa o quinteto que vem do banco um pouco mais forte. Uma solução até inteligente, mas até onde vai o Wolves se Love e Jefferson não sabem jogar juntos? Em entrevista recente Love jogou boa parte da culpa no técnico Kurt Rambis.

Kurt Rambis: Sempre sobra para o técnico. Como havíamos previsto no começo da temporada, aplicar o sistema de triângulos em um time jovem como o Wolves seria um desafio. O Señor Amor jogou a culpa no técnico porque disse que hoje, depois de mais de 60 jogos na temporada, o time ainda não sabe direito o que fazer em quadra. Não sabe como se movimentar, quando vão receber a bola, nada, um bando de gente perdida como vestibulandos em dúvida entre Direito, Artes Plásticas e Engenharia Química.

O Sistema de Triângulos é um conjunto de movimentações básicas dos jogadores, e nessa movimentação costumam existir poucas jogadas desenhadas e fechadas, em geral é um ataque que funciona reagindo às ações da defesa. Então costuma funcionar com jogadores que sabem ler a defesa, que sabem explorar bons matchups, que tem paciência e que não se desesperam esperando o momento e o lugar certo para atacar. Ao contrário disso, o Wolves é um time apressado, que pensa pouco e que tem o terceiro maior ritmo de jogo da NBA, é muita correria para poder dar certo.

Como se não bastasse o ataque ser perdido, a defesa é um lixo. Em pontos sofridos a cada 100 posses de bola o time tem a 3ª pior defesa da NBA. Para se ter uma idéia de como o Rambis não sabe mais o que fazer com esse time, no último jogo contra o Nuggets ele mandou Kevin Love marcar o Carmelo Anthony! Love olhou assustado para o treinador e respondeu "Você tem certeza?". Carmelo Anthony acabou cestinha do jogo e o Nuggets venceu.

Se haviam expectativas altas para tanta gente e tudo deu errado, é ainda mais irônico que o lado positivo dessa temporada tenha sido um jogador por quem não se dava mais nada, Corey Brewer. O ala foi espetacular naquele time da Florida bi-campeão universitário e esperava-se muito dele na NBA. Acabou passando anos sendo um cara apenas mediano e nessa temporada explodiu. Enterrou na cabeça do Derek Fisher, teve muitos jogos acima dos 20 pontos e começou a mostrar um pouco do potencial defensivo que tinha na sua carreira universitária.

Outro destaque positivo dessa temporada, embora bem menor que Brewer, é Darko Milicic. O "Human Victory Cigar" foi contratado como uma aposta final de David Kahn, ele disse que sempre achou que Darko tinha algum talento e queria dar uma última chance para ele, que já disse que deve voltar para a Europa na próxima temporada. Em poucos jogos pelo Wolves o Darko já foi titular, defendeu bem, pegou vários rebotes e tem mostrado ser bem útil. Não sei se ele vai se sentir bem o bastante para querer ficar na NBA, mas não dá pra dizer que foi uma aposta ruim, até porque eles só perderam o Brian Cardinal pra isso. O grande problema do Darko foi mesmo aquele draft onde ele foi a segunda escolha. Se ele fosse o pivô regular que é e tivesse sido escolhido na posição 40 do draft ele seria considerado hoje um ótimo reserva com potencial para ser titular em alguns times. Melhor ser reserva bom do que ser uma piada ambulante, certeza disso.

Com essa temporada do Wolves no lixo fica a pergunta para a próxima temporada. Dará certo da próxima vez? Difícil prever, tudo depende do time entender melhor seu esquema tático, defender melhor e da vinda de Rubio para os EUA. Mas o futuro não é tão negro assim, na pior das hipóteses eles tem todos esses jovens bons jogadores para trocar e começar tudo de novo, dessa vez torcendo para que a medalha de bronze da maldição da NBA já tenha mudado de mãos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Uma carta aos fãs (se é que eles existem)

Infelizmente o Kurt Rambis não será tão estiloso no banco do Wolves

Não é sempre que vemos isso, mas o novo General Manager do Timberwolves, David Kahn, fez uma carta aos torcedores da equipe em que explica como e porque escolheu Kurt Rambis como novo técnico da equipe.

O Kahn, apesar de algumas coisas já questionáveis que fez, do nome de vilão do Mortal Kombat e de goleiro alemão, está se saindo um dos managers mais comunicativos e interessantes dos últimos tempos. Ele não tem Twitter, não tem blog, mas sempre que questionam alguma atitude sua ele vai à imprensa dar a resposta. Logo no dia do draft explicou porque pegou tantos armadores, depois sempre foi atualizando a situação do Ricky Rubio e divulgou até as promessas de titularidade e minutos por jogo que tem feito para o espanhol.

Não sei exatamente se isso é bom ou ruim. Pra gente é bom, vendo as justificativas dos caras que tomam as decisões fica mais fácil dar uma opinião. Mas para ele não sei se essa super exposição é boa. Responder às críticas e questionamentos implicam em mais críticas e mais questionamentos que podem um dia transformar questões triviais em assuntos grandes. Para sorte dele, ele faz isso no Wolves e ninguém tá lá se importando muito com o que o Wolves faz ou deixa de fazer. Ter a mesma atitude no Knicks poderia ser mais problemático.

A primeira atitude questionável do David Kahn no comando do Wolves foi quando draftou Ricky Rubio e Jonny Flynn, ambos armadores, no draft. A sua justificativa era que ele achava que os dois, apesar de só jogarem na posição 1, poderiam jogar juntos, como jogavam Joe Dumars e Isiah Thomas no Pistons do começo dos anos 90.

Na teoria tá beleza, na prática não agradou muito o Ricky Rubio, que, receoso, talvez prefira passar mais tempo na Europa se enchendo de grana e sendo um jogador importante em seu time. Outra coisa é que na época o Wolves não tinha técnico e tinha dificuldade para achar um que agradasse, depois dessa escolha e das declarações do Kahn, a busca teria que ser por um técnico que também acreditasse que dois armadores jogando juntos pudesse dar certo. Pelo número de times que fazem isso regularmente na NBA, não seria tão fácil.

A busca durou meses e meses. Passou por inúmeros nomes até chegar em três finalistas: Mark Jackson, ex-armador do Pacers que atualmente é comentarista na TV, Elston Turner, ex-jogador dos anos 80 e assistente técnico do Houston Rockets, e por fim Kurt Rambis, ex-jogador do Lakers multi-campeão dos anos 80 ao lado de Magic, Kareen e cia. e que até a temporada passada trabalhava como assistente técnico do Phil Jackson no Lakers.

Até uma semana atrás o Mark Jackson parecia liderar a corrida. Eu não acreditava no Rambis porque, como o Danilo disse um tempo atrás, dizia-se que ele poderia herdar o cargo de técnico do Lakers na temporada que vem se o Phil Jackson se aposentasse, o que é bem provável.

Porém, o David Kahn conseguiu convencer o Rambis a abandonar a expectativa de treinar um time pronto pela chance de ser o responsável por erguer uma franquia quase que do zero. Nas palavras de Kahn em sua carta:

"Estou completamente confiante de que Kurt é o homem certo para ajudar a nos transformar em um time que possa brigar pelo título. Kurt foi treinado pelo Pat Riley e trabalhou com o Phil Jackson, os dois melhores técnicos da história da NBA. Ele está preparado para isso."

Depois disso o Kahn lista as três coisas que o candidato à vaga teria que preencher para ganhá-la. Curiosamente acho que essa era a única vaga no mundo que não pedia "pró-atividade", "saber trabalhar em grupo" e "Pacote Office".

Vamos analisar as três coisas que ele diz na carta:

1- Eu quero que nossa franquia se torne líder em desenvolvimento de jogadores, e o desenvolvimento do jogador começa com o técnico. É seu trabalho executar essa função.

Mesmo se o Rubio não vier agora, o time ainda se baseia em Al Jefferson, Kevin Love, Jonny Flynn e Corey Brewer. Ou seja, alguém que não se comprometesse a desenvolver jovens jogadores estaria entrando numa completa fria.

2- Nós seremos um time rápido, de velocidade. Sim, haverá momentos em que teremos que confiar no Al Jefferson e em um ataque de meia-quadra, mas nossa identidade será a de um time de velocidade e contra-ataque.

Como jogador, Kurt foi membro do Lakers dos tempos do "Showtime". Aquele time era veloz e mesmo assim sabia usar o jogo de meia-quadra quando necessário. Eles também jogavam uma defesa espetacular. Kurt está comprometido a colocar esse estilo de jogo.

Na teoria é perfeito. Usar como base um dos times de mais sucesso na história da NBA, um time que venceu 5 títulos nos anos 80 e que tinha defesa forte, velocidade e jogo de meia-quadra. Para a velocidade eles tem Flynn, Rubio e até o Kevin Love, que fez um tremendo sucesso no basquete universitário com seu "outlet pass", aquele passe que o cara dá quando pega o rebote e já liga direto o ataque lá na frente.

O jogo de meia quadra passa todo nas mãos do Al Jefferson, um dos melhores pivôs da NBA atualmente. Uns bons arremessadores do lado dele podem fazer um bom estrago também (de arremessador nato eles tem o Quentin Richardson, mas estão dizendo que o Q-Rich pode ser trocado de novo nessa semana, seria a quarta vez que ele seria trocado desde a temporada passada!).

Achei bem legal o time se basear no Lakers dos anos 80. É realmente admirável que um time coloque um padrão tão alto como parâmetro. Pode parecer e ser um objetivo bem irreal, mas melhor se espelhar em um time espetacular e não conseguir do que se contentar em ser um time mediano. Se não desanimar com as derrotas e com a distância astronômica que estão hoje de um título, vai ser um desenvolvimento legal de assistir.

3- Os minutos distribuídos entre nosso núcleo jovem nos próximos dois anos devem ser feitos pensando no futuro e não apenas no curto prazo. Isso quer dizer que o técnico deve colocar os jovens jogadores para jogar constantemente e deixá-los aprender com seus erros, mesmo que isso signifique sacrificar uma vitória ou duas no caminho.

Essa é a parte mais importante de toda a carta e deve ter sido a que recebeu mais ênfase nas entrevistas para a vaga. Quando um pivete faz muita bobagem em quadra é normal uma chiadeira da torcida, o desespero no técnico e a falta de confiança do jogador. Mas quando se tem um time jovem é importante deixar eles lá se virando na fria que criaram.

Acho que o Rambis não deve ter problema com isso porque o Phil Jackson, com quem trabalhava até outro dia, é um grande adepto da filosofia de deixar os jogadores se virarem. No Lakers ele não pede tempo depois de tomar enterrada ou bola de três e não substitui a cada burrada. Ele gosta de ver como cada jogador se vira em situações adversas. E isso será importante para a pivetada do Wolves.

O Kahn só foi simpático e mentiroso demais ao dizer que essa insistência em jogar sempre os garotos podem render "uma derrota ou duas". Na verdade vão resultar em umas 20 derrotas ou 30, mas tudo bem, ele não pode ser tão sincero assim em uma carta para a torcida.

Ano passado já dizia que, entre os piores, o Wolves era o de futuro mais promissor. Será mais ainda se o Ricky Rubio vier logo, mas de qualquer forma, com o espanhol ou não, ainda mantenho a minha opinião. Dos times fracos é o único que tem um pivô que domina jogos e um dos únicos com um plano de desenvolvimento organizado e com um técnico que, ao menos pelo que parece, não será mandado embora se vitórias não aparecerem logo de cara.

Vingança
Curiosamente o Kurt Rambis herdará a vaga de técnico deixada pelo Kevin McHale. Os dois eram rivais mortais nos anos 80 quando McHale jogava pelo Celtics e Rambis pelo Lakers. Você quer saber o quanto eles eram rivais? Dê uma olhada então na página Anti-McHale criada no site kurtrambis.com e no vídeo abaixo:

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Mais um time do futuro

Sorria, você não está mais no Celtics


Nós falamos, repetimos e falamos de novo sobre o futuro promissor do Blazers. E sem precisar perder dinheiro ou pés em apostas, acertamos, o Blazers está aí jogando muito com todos os seus meninos de fralda provando que são bons mesmo. Então como o Blazers é muito semana passada, vou pedir para vocês abrirem os olhos para outro time que, por incrível que pareça, tem um futuro promissor. É o Timberwolves.

Antes que vocês pulem o texto inteiro para ir nos comentários me xingar, já explico, não estou dizendo que eles têm talento parecido com o do Blazers, nem um banco de reservas tão talentoso ou que está a alguns anos de títulos. Podem deixar que vou deixar tudo mais claro.

O princípio do futuro promissor do Wolves está em sua estrela, Al Jefferson. Todos os times ruins da liga têm uma superestrela em quem confiam e querem montar o time em volta: o Thunder tem o Durant, o Memphis tem Gay e Mayo, o Clippers tem o Baron Davis e o Knicks, bem, o Knicks tem o LeBron, fazer o quê?

Tirando o LeBron platônico do Knicks, o melhor jogador desses todos é, pra mim, o Al Jefferson. O rapaz é uma potência ofensiva sem tamanho, pega rebotes com facilidade e parece estar evoluindo a cada segundo que passa, ele deve comer talento no café da manhã. E não estou fazendo propaganda do chocolate (embora seja uma delícia e você deva comprar já!). Mas falando sério, não sou daquele tipo de gentinha que fica vendo jogo do Wolves o tempo inteiro, afinal eu gosto de basquete, mas cada vez que eu tomo coragem e vejo, o Al Jefferson parece melhor, é legal ver aquele moleque com potencial do Boston virar um jogador de verdade.

Sabiam que apenas ele, Dwight Howard e o Chris Bosh estão com médias superiores a 20 pontos e 10 rebotes por jogo? E hoje em dia qualquer um que está na mesma frase que o Chris Bosh já é um All-Star.

Quem sabe que o Al Jefferson é tão bom assim são todos os torcedores do Suns. No ano passado, o Suns conseguiu a proeza de perder duas vezes para o Wolves, sendo que nessas duas vitórias o Al Jefferson teve média de 35 pontos por jogo! O perigo é tanto que o Terry Porter, técnico do Suns, descansou o Shaq no jogo de antes de ontem só para ele entrar descansado contra o Wolves. Ele tinha usado a mesma tática contra o Bucks, já que segundo ele o Andrew Bogut sempre dava dor de cabeça pro Suns.

A tática deu certo por um lado, o Suns ganhou e o Al Jefferson saiu com 6 faltas, mas falhou por outro, já que o jogo foi apertado e o "Big Al" fez 28 pontos e pegou 17 rebotes, 12 deles ofensivos.

Então aí está um bom motivo para acreditar no futuro do Wolves, eles têm um jogador muito bom e de uma posição difícil de achar, um pivô, já que mesmo improvisado ele joga por lá. Do lado dele está o Kevin Love, que embora tenha o lado negativo de ter vindo numa troca pelo OJ Mayo- que é muito melhor-, é um bom jogador apesar de ser branco e pode muito bem se firmar como o Robin do Al Jefferson.

O risco maior da troca foi deixar as outras posições no limbo. Enquanto o Mike Miller é uma boa aposta para os arremessos de longe, foi como se o Wolves estivesse contando muito com a evolução do Sebastian Telfair, Randy Foye e Corey Brewer. O que, digamos, é uma aposta um pouco menos segura do que apostar em um título cor-de-rosa no Brasileirão desse ano. Mas, aos poucos, parece que a aposta vem dando resultado.

O Telfair nunca vai ser aquela superestrela que o Portland achava quando o draftou, mas é bom, assim como o Brewer definitivamente não é o cara que parecia que ia ser quando brilhou no título da NCAA pela Universidade da Florida mas é aceitável. Mas tudo isso pode ser esquecido se o Randy Foye virar um jogador mais regular, de preferência regularmente bom.

Quando ele joga bem, o time joga bem. Eles têm um arremessador fenômenal com o Mike Miller, um garrafão forte e bons coadjuvantes como o Ryan Gomes e o Craig Smith, é um elenco implorando por um bom armador. Os melhores jogos do Wolves no ano sempre tiveram uma boa atuação do Foye ou do Telfair.

E você deve estar se perguntando "E desde quando o Wolves tem jogo bom?". Pois saiba que nesse ano eles tiveram boas atuações sim, o problema é que eles sempre, sempre, perdem no final.

Contra o Thunder, na única vitória do Thunder na temporada, os dois times jogaram bem mal, mas o Wolves liderava até o quarto período, quando perdeu de 18 a 12 e o jogo por 88 a 85. Nesse jogo o Wolves não fez um pontinho sequer nos últimos 2 minutos e 41 segundos de partida.

Depois veio aquele jogo em que eles tomaram 55 pontos do Tony Parker. O jogo foi para duas prorrogações, o Telfair deu 10 assistências, mas eles não aguentaram o tranco dos tempos extras e tomaram pau.

Na semana seguinte eles perderam duas vezes para o Portland, uma por 4 pontos de vantagem e a outra por 5, para o Warriors por 3 pontinhos e por fim para o Nuggets por 6 de diferença graças a uma cesta fantástica do Billups no final do jogo. Depois disso veio aquela vitória sensacional de 26 pontos de diferença sobre o Pistons, em Detroit, com a melhor atuação do Foye na temporada.

Ou seja, o Wolves é um time bom. E vendo eles jogarem é possível ver que eles sabem o que estão fazendo em quadra, e é o mais simples possível. Pick-and-roll o tempo inteiro com o Al Jefferson para usar ele o máximo possível, quando não dá, o Foye ou o Telfair batem para dentro em busca de arremessos de longe.

Nos jogos que eu vi, a jogada que mais aconteceu foi a do armador atacar pela zona morta e, quando chega embaixo da cesta, passar para um arremessador livre de fora. Com Al Jefferson e Love lá dentro, sempre sobrava alguém de longe. Mais simples impossível, certo? E ainda acho que eles poderiam usar mais o Kevin Love na cabeça do garrafão para fazer aqueles passes estilo Brad Miller/Pau Gasol para quem corta em direção à cesta, nada é mais legal que um cara de garrafão passando bem a bola! Tá, sexo é mais legal, admito.

O time joga corretamente, apenas 8 times na NBA inteira cometem menos turnovers, tem bons jogadores jovens e um pivô sensacional. Acho que o começo está aí, pronto para ser desenvolvido. Eles só precisam melhorar mesmo a qualidade dos arremessos de longa distância (tirando o Mike Miller, todo mundo é de lua) e arranjar alguém que tenha sangue frio para decidir os jogos pra eles no final, porque amarelar no quarto período até para o Thunder é palhaçada.

Quem sabe em 2010 não sobra alguém pro Wolves? Afinal 2010 é o ano da salvação de todos os times, até o Corinthians vai contratar Free Agents e ganhar a Libertadores.
A NBA deveria fazer duas séries rápidas de playoff entre Lakers e Celtics e decretar que 2010 chegou, seria mais fácil.


Dois vídeos:

Comentaram na Dime sobre um drible lindo do Jamal Crawford no Ray Allen ontem e eu fui conferir, falaram que ele tinha feito o Ray Allen cair e que tinha sido um drible sensacional. Eu só achei que o Ray Ray caiu pra pedir falta, nada de mais. Vocês acham o quê?



Esse outro vídeo é um rap de um branquelo sobre NBA. Ele fala primeiro sobre a doença da velhice que ataca o LeBron e o Greg OLDen e depois diz que o MVP dessa temporada se chamará Chris, ou Bosh ou Paul. Eu só não coloco o player aqui porque ele dá play sozinho sempre que você abre a página, mas clica aí que vale a pena.

LINK VIDEO

Será que ele esqueceu do Chris Quinn ou só não tinha uma rima pra ele?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Preview da Temporada - Divisão Noroeste

Se eu fosse de Utah essa seria uma de minhas 8 esposas


Eba!!! Falta só um dia para começar a temporada! Juro que não sabia mais o que fazer nesse blog. Nem uma enquete nova eu sou capaz de criar, mas tudo bem, tudo acaba amanhã quando começa a coisa mais maravilhosa do planeta depois da Alinne Moraes, a temporada regular da NBA! 82 jogos de amor, ódio, intrigas e traição num enredo de tirar o fôlego.

Mas cumprimos nossas obrigações morais de terminar nosso preview da temporada. Como já explicamos, somos obrigados pela União Internacional dos Sites de Basquete de fazer um preview da temporada. A única liberdade que eles dão é de como fazer as previsões, pode ser no chute, tarô, borrão de café e, se você tiver contatos, leitura da mão dos jogadores.

Eu, como não sou bobo, fui atrás de mesma mulher que fez a amarração que fez minha namorada voltar pra mim depois da minha última cagada, e ela deu desconto na hora de fazer as previsões. Ela me garantiu que nesse ano o Kobe vai jogar bem, o Dwight Howard vai enterrar, o Rasheed vai tomar falta técnica, o Josh Howard vai falar besteira e que eu estou com mal olhado.

Mas vamos ao que interessa:


Utah Jazz

Motivos para assistir:
O Jazz é o mesmo há uns 20 anos. Por um lado isso é bom, porque é um estilo de jogo bem eficiente e que rende jogadas bonitas, mas é sempre mais do mesmo. Um mesmo que eu adoro, principalmente por causa do Deron Williams, que não me importa se é melhor, pior ou igual ao Chris Paul, o que interessa é que o moleque é muito, muito bom e dá gosto de ver.

Sou fã de armadores, acho que por ser um armador frustrado, com menos visão de jogo que o saudoso Gilmar Fubá do Corinthinas e um passe tão bom quanto o do Zach Randolph (essa é pegadinha, porque ele não passa a bola, pegou, malandro?). Mas mesmo preferindo os baixinhos, sobra tempo para assistir uns grandalhões mostrarem o que sabem fazer. E entre os gradalhões, dois em especial são de encher os olhos: Tim Duncan e Carlos Boozer. Nada contra Yao, Amaré, Garnett e Dwight, e nada a favor do Spurs, mas eu ainda fico impressionado em ver como o Duncan e o Boozer, apesar de serem muito fortes, conseguem jogar tão bem com tanta finesse, tanto estilo. O Boozer consegue ser um trombador brutamonte e uma lady ao mesmo tempo dentro do garrafão, é até difícil de explicar e eu não vou me dar ao trabalho de desenhar.

Mas se você não entendeu, melhor, mais um motivo para você ver o Jazz jogar e ficar de olho aberto para cada jogada do Homem do Alasca, Carlos Boozer.

Motivos para não assistir:
Algumas coisas na vida não enjoam nunca. Entre elas estão Coca-Cola, sexo, mortadela e Pink Floyd. Mas o Utah Jazz, infelizmente, não está na lista e eu entenderia perfeitamente se você disser que se ver mais um pick-and-roll vai vomitar.

Se você é daqueles entusiastas do streetball também não espere enterradas mirabulantes, as jogadas bonitas serão, no máximo, um daqueles crossovers secos que o Deron sabe fazer muito bem ou um toco do Kirilenko, se ele estiver afim de jogar, claro, porque tem dia que parece que ele prefere ficar em casa comendo Danoninho.


Portland Trail Blazers

Motivos para assistir:
Depois de tantos textos lambendo o saco do Blazers eu ainda preciso dar motivos para ver o Blazers jogar? Bom, o Rudy Fernandez vai ser o estrangeiro favorito de muito americano com aquele estilo de jogo agressivo e plástico. Ele já é um show à parte.

O Brandon Roy, depois de só dois anos de profissional, já está na elite da elite dos jogadores da NBA e só ele estar presente em quadra já é motivo para ver o Blazers jogar. E ainda tem o Greg Oden, que mesmo que não seja tudo o que dizem, e eu acho que vai ser, vale a pena nem que seja só pela curiosidade de ver como o vovô joga.

E depois de tanto puxa-saquismo Blazeriano do Bola Presa, você TEM QUE assistir eles jogarem, nem que seja para secar os caras e dizer que você sempre soube que não ia dar em nada.

Motivos para não assistir:
Se você é daqueles do contra que não gostam de alguma coisa só porque está na moda, então não assista.

Antes que qualquer um venha falar que o Blazers não está na moda porque é tradicional, digo que no ano 2000, no auge do hype daquele álbum "1", Beatles era modinha. Estar na moda é ser o queridinho de todo mundo, seja lá por qual motivo, não tem nada a ver com ter história, tradição ou merdas do tipo.

Então se for um desses malas que não sabe abraçar uma boa modinha e que deixa de gostar de alguma coisa só porque está na capa da Capricho, Veja, Carta Capital e Superinteressante ao mesmo tempo, não perca tempo vendo o Blazers, vai te dar coceira e você não vai conseguir aproveitar o bom basquete que eles vão jogar.


Denver Nuggets:

Motivos para assistir:
O Nenê parece que está saudável e fez isso com o pobre Jamario Moon:



O Kenyon Martin é uma máquina programada para enterrar. O Carmelo faz 30 pontos por jogo mesmo com dor de barriga, o Iverson é um dos melhores jogadores de todos os tempos e o JR Smith, volta e meia, ilumina nossa vida com seus mometos de brilhantismo:




Ver o Denver jogar é celebrar a esperança. Você sabe que pode ver muita bobagem, muito turnover, um técnico ignorado, mas no meio disso tudo estão jogadores fora de série.


Motivos para não assistir:
Se o Blazers está naquela fase de encantamento, onde só se enxerga um futuro promissor, o Nuggets está naquela fase onde todo mundo está perdendo as esperanças. O time parecia ter um elenco fora de série e ano após ano só passa vergonha nos playoffs. Depois ainda mandaram o Marcus Camby em troca de um Toddynho vencido. Se você disser que não vai ver o Nuggets porque suas esperanças de ver o time vencedor foram para o ralo e você cansou de sofrer, vou entender perfeitamente.


Minnessota Timberwolves

Motivos para assistir:
Tá, vou forçar a barra. Mas se você gosta de um bom jogador de garrafão, vai gostar de ver o Al Jefferson em ação. Mas não prometo nada, porque o time é tão ruim que às vezes a bola nem chega redonda nele e o time apanha demais, deixando o jogo sem graça.

Mas você também pode apelar para a esperança. O Kevin Love parece que vai ser muito bom e o Randy Foye tá pegando as manhas da coisa, talvez junto com o Al Jefferson formem um jovem trio empolgante. Que perdem de todo mundo e são companheiros de time do Brian Cardinal, mas empolgante.

Você também pode ver o Wolves contra o Suns. Inexplicavelmente no ano passado foi contra o Suns que o Wolves fez seus melhores jogos, vencendo acho que 2 dos 3 duelos entre as equipes.

Motivos para não assistir:
Repito, são companheiros de time do Brian Cardinal. Pra que dar moral pra um time que tem ele no elenco? Pra mim já basta, mas se você quer mais eu posso mostrar esse vídeo do Corey Brewer. Nada em especial contra ele, mas é o tipo de coisa que você vê em jogos do Wolves hoje em dia:




Oklahoma City Thunder

Motivos para assistir:
O Kevin Durant foi novato do ano na temporada passada com todos os méritos e nesse ano deve passar facilmente dos 20 pontos por jogo. O Jeff Green terminou bem a temporada passada e o Russell Westbrook é um armador, digamos, promissor.

Pronto, acaba aí. Eles tem alguns bons jogadores novos, se você quiser ver eles num time desorganizado e perdendo, fique à vontade. Eu não vou ver, até porque mesmo o Durant, que é talentoso pra diabo, não é daqueles que dá gosto de ver jogar, como o Brandon Roy que eu citei hoje mesmo.

Você pode ver o primeiro minuto do primeiro jogo, só pra dizer que viu a estréia do Thunder para o seu filho. Mas eu vou dizer que boicotei a estréia do Thunder, sou um homem de princípios.

Motivos para não assistir:
É o Thunder!!! Eles afanaram o simpático Sonics. Precisa de mais motivos? Como defensor da moral, dos bons costumes e da família brasileira hoje no Brasil, eu não vou ficar dando audiência (pirata via internet) para esse afanadores de time!
Em nome de Gary Payton, amém.

Tá, vou falar a verdade. Se os afanadores de time tivessem o Kobe, o Amaré, o Chris Bosh e o Wade no elenco eu até abandonava um pouco do meu orgulho. Mas isso fica entre nós.



Revista Eletrônica é o Brasil na Libertadores

O Bola Presa foi formalmente convidado e aceitou fazer uma coluna na Revista Eletrônica "Lance Livre". A revista está ainda tomando formas, tem seus erros e acertos mas tem futuro promissor.

Entre no site deles, baixe o primeiro número, leia nossa coluna e diga para eles o que acharam da revista e para nós o que acharam da coluna Bola Presa.

E que comece a temporada logo!

domingo, 25 de maio de 2008

Ganhar quando dá na telha

Feio, mas limpinho


Eu choraminguei um bocado sobre a importância de Sam Cassell nas possibilidades de vitória do Boston Celtics. Bem, aí está, nosso armador com cabeça de alien finalmente está de volta e embora tenha jogado menos de 10 minutos na partida, sua atuação foi sólida o suficiente para deixá-lo com um sorriso na cara. Além de comprovar seu retorno às quadras pelo que, eu espero, seja o restante dos playoffs, trazendo liderança, sangue frio e capacidade ofensiva do banco de reservas, a volta de Cassell foi a coroação de uma noite em que os mais-ou-menos do Celtics é que fizeram a diferença.

Além do velho armador que, para mim, é um dos melhores que existem jogando de costas para a cesta, o Boston teve atuações poderosas de Kendrick Perkins, James Posey e, pra variar, Rajon Rondo. Sério, o Rondo não deveria ser ruim? Na temporada passada ele dava sinais de que seria um armador excelente no futuro, completo, mas mesmo assim ele não deveria estar salvando o Boston durante toda a temporada com arremessos decisivos, bandejas impossíveis e rebotes oportunos, muito menos agora, nos playoffs. É como eu sempre digo, o Rajon Rondo ser bom simplesmente não deveria valer.

O Kendrick Perkins também me assusta às vezes, principalmente no primeiro quarto das partidas. Quantas bilhões de vezes as primeiras jogadas ofensivas do Celtics nos jogos acabam com Perkins pontuando? Se as partidas fossem feitas apenas de "primeiros quartos", o pivô do Celtics seria MVP. Mas na noite de ontem, seu jogo foi eficiente durante toda a partida e sua dedicação na defesa realmente incomodou o Pistons. Enquanto isso, James Posey teve uma partida agressiva tanto na defesa quanto no ataque e aí está, a soma de tudo isso é o bastante para Ray Allen e Paul Pierce poderem feder à vontade.

No entanto, alguém do Mc Trio (lanche, refri e batatas) precisava brilhar para garantir a vitória. Na noite de ontem, o astro foi Kevin Garnett. Ele dominou o jogo no ataque e na defesa e transformou o modo do Celtics jogar, com passes rápidos e precisos, até parecia às vezes que o Boston tinha jogadas ensaiadas. Embora Ray Allen tenha salvado o time um punhado de vezes e Paul Pierce tenha colocado o Jogo 7 contra o Cavs nas costas, o Celtics é mesmo o time do Garnett. É ele quem dita o ritmo na defesa e seu jogo é surrealmente constante. Os erros no quarto período também são constantes, mas se você é fã do cara como eu, você releva.

O quarto período, aliás, é a casa do Pistons. A noite foi terrível para os Pistões, deu tudo errado. Como diriam os Mamonas Assassinas, se desse uma chuva de Xuxa, cairia Pelé no colo do time de Detroit. Mas mesmo tomando um pau e perdendo por mais de 20 pontos, conseguiram encostar no finalzinho. Volto a lembrar, o Corey Brewer foi draftado antes do Stuckey? Estagiário do Bola Presa, confirma aí pra mim, quantos votos pra novato do ano o Stuckey ganhou? Bem, o estagiário está ocupado escaneando a nova Playboy, mas o Rodney Stuckey chuta uns traseiros mesmo. Arremesso inconsistente, alto e veloz para um armador principal, rei de fazer cestas enquanto sofre faltas. Acrescente aí umas "faltas fantasmas" e pronto, temos um Dwyane Wade depois da dengue.

Foi com Stuckey em quadra e mais uma atuação agressiva de Rip Hamilton que a diferença que foi de 24 pontos caiu para 9 nos minutinhos finais. Quem souber que tipo de defesa o Pistons estava usando ganha uma foto da Preta Gil autografada. Você disse "defesa por zona"? Então deixe seu endereço nos comentários para receber a foto. Só para variar, uma defesa aplicada e muito, muito agressiva (às vezes parecia que o Stuckey era amigo do Ryan Gracie) fez o ataque do Celtics parecer amador. Até o Billups, que fedeu o jogo inteiro e passou muito tempo jogando Game Boy no banco, escolheu o quarto período para cravar uma cesta de 3. Tudo flui melhor quando o Pistons joga no dado e decide defender pra valer.

O Billups parece ainda sentir a contusão no pulso, não é o mesmo de sempre, e o Pistons precisa de sua agressividade no ataque. Mas eu não tenho explicação para a agressividade na defesa só aparecer no final do jogo. Nessa série, parece que estamos assistindo dois times que só jogam quando estão afim, tipo garota mimada. A sorte, ao meu ver, é de Lakers e Spurs. Um deles vai para as Finais da NBA querendo jogar todos os jogos pra valer. Para Pistons e Celtics, contra o Oeste, jogar quando der na telha não será o bastante.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

De volta do além

Duelo de gerações: quando um estava nascendo, o outro já via Castelo Rá-tim-bum


Como coloquei na previsão da série, o duelo entre Hamilton e Ray Allen era uma das grandes diversões do confronto entre Pistons e Celtics. Um Ray Allen envolvido no ataque poderia cansar Hamilton na defesa, enquanto o Hamilton correndo como um hamster em sua gaiola que não tem nada melhor pra fazer da vida além de girar sua rodinha acabaria expondo a idade de Allen e suas limitações defensivas. Para a sorte de nós, seres humanos que assistimos basquete em nossas gaiolas ao invés de correr em rodinhas, tanto Ray Allen quanto Rip Hamilton fizeram de tudo no ataque e deram um show memorável.

Sim, Billups jogou demais e foi muito mais agressivo do que no primeiro jogo da série, embora ainda contundido, Paul Pierce ainda está no clima "eu chutei o traseiro de LeBron James e posso acertar qualquer arremesso quando eu bem entender" e Garnett jogou como MVP mesmo errando arremessos decisivos que serão lembrados por todos aqueles sujeitos que comem meleca e acham ele pior que o Duncan. Mas, ao menos para mim, as histórias da noite foram Hamilton e Ray Allen.

Faça quinhentas temporadas impecáveis e todos vão comentar sobre como, apesar de ter 530 anos, você não mostra nenhum sinal de envelhecimento. Passe duas semanas sem acertar nenhum arremesso e então, repentinamente, todos dirão que a idade enfim te alcançou e você é um velho acabado, destinado a usar boina, fumar cachimbo e assistir Hebe Camargo. Shaquille O'Neal já foi transformado pela mídia em porteiro idoso de boate, e a pós-temporada do Celtics transformou Ray Allen num frequentador de bingos. Todo mundo falando em idade, criando milhares de desculpas, caçando pistas de que os Monstars tenham visitado Boston, mas bastou um pouco de confiança do técnico Doc Rivers, maior envolvimento no ataque e uma mudança na atitude para Ray Allen voltar ao que sempre fora. A partida de Allen não foi impecável, mas fez os olhos de todos os fãs de basquete brilharem simplesmente por mostrar que ele está vivo, que seu talento ainda não é coisa do passado, da época em que todo mundo tinha internet discada do IG e e-mail do BOL. A cesta de três que Ray Allen acertou nos segundos finais, cortando a diferença para 3 pontos mesmo com o Celtics já praticamente não tendo mais chances de empatar, foi um atestado de volta do além: Allen chutou bem marcado, pressionado, com Rasheed em sua cara, sua bola fez um arco surreal que foi contra todas as leis da física e deu só rede, chuá, resultando num Ray Allen feliz, sorridente com o próprio feito. Foi uma das bolas de 3 pontos mais maravilhosas que eu já vi na vida mas acho que ninguém achou isso, afinal, não encontrei no YouTube. E sabe como dizem, se não está na internet, não existe.

Infelizmente, para ele, seu decreto de retorno ao basquete de alto nível foi estragado por uma atuação surpreendente de Rip Hamilton. Já estamos acostumados com o modo com que Rip joga: correndo como um débil-mental pela quadra, recebendo corta-luz de todo mundo, recebendo a bola e arremessando com certa liberdade. Sempre imaginei o Hamilton sendo usado por um técnico burro, que não criasse as condições para ele jogar dessa maneira, e sempre pude vê-lo apodrecendo no banco do Cavs ou do Bucks sendo considerado um jogador mediano. Mas Hamilton ontem tirou a noite para arrancar essa visão da minha cabeça e jogou uma monstruosidade fora do seu esquema padrão de jogo, criando seus próprios arremessos, batendo para dentro, cobrando dezenas de lances livres e acertando uma infinidade de floaters, aquele arremesso com uma mão só em que você só solta a bola por cima da defesa. Como assim o Hamilton domina a arte dos floaters? Talvez eu tenha visto jogos do Pistons de menos, mas juro que não imaginava que ele tivesse essa capacidade. Agora consigo ver Hamilton jogando para um técnico burro, mas o que importa é que ele tem tudo para ser campeão com um técnico inteligente, que lhe dá milhares de opções no ataque. Como diabos o Celtics vai marcar Hamilton criando seu próprio arremesso enquanto Billups é agressivo no ataque?

A defesa do Celtics, aliás, me parece cada vez mais aquelas histórias absurdas que quando se conta pela décima vez, acabamos acreditando, tipo o Sérgio Mallandro ter comido as Mallandrinhas. No fundo, olhando bem, você percebe que o Mallandro não conseguiria nem dar as mãos pra uma delas, e que a defesa do Celtics é distraída e desaparece do jogo por longos períodos. Como caímos no conto do vigário de que essa era a melhor defesa presente na NBA nos últimos anos? Foram as estatísticas, os números? A defesa do Pistons, de ontem e de hoje, dá um pau nessa do Celtics. E mesmo sendo cedo demais para afirmar, não vejo a equipe de Boston sendo capaz de defender todas as armas do Pistons de modo eficiente o bastante para vencer uma partida fora de casa. Ou seja, acho que já era.

O Detroit tem tantas armas ofensivas, somadas a uma defesa tão bem treinada, que uma vitória do Celtics do asno do Doc Rivers seria uma ofensa ao deus do basquete. Nesse Pistons, as coisas são tão bem planejadas e estruturadas que o Rodney Stuckey, quando entra em quadra, parece fazer parte do esquema tático desde o princípio dos tempos e joga com um veterano. Aliás, o Stuckey foi a 15a escolha do draft passado. O que o Wolves de Corey Brewer (7a escolha) deve estar pensando sobre isso, por exemplo?

Do outro lado, o veteraníssimo Sam Cassell parece um novato quando entra em quadra pelo Celtics, um time que não tem um jogo direcionado ao armador principal. Mas mesmo assim, ainda que tenha errado todos os seus arremessos contra o Cavs, Cassell merece uma nova chance. Sequer entrou em quadra nessa série e até o Tony Allen jogou na noite de ontem. O que diabos o Doc Rivers está pensando? O Leon Powe não entra mais, o Sam Cassell tá de castigo e o Tony Allen está jogando. Esse é um mundo bizarro, mesmo. O caso do Cassell lembra o do Ray Allen, já que estão acusando-o de estar velho embora sem aparentar, tipo o falecido Beto Carreiro, que mesmo na cova parece ter 20 anos, e eu adoraria ver o velho armador ter uma noite como a de Allen, dando a volta por cima, mostrando que o talento está lá, apesar de tudo.

Se o Celtics quer ter alguma chance de ser campeão do Leste terá que vencer, pela primeira vez nos playoffs, uma partida fora de casa. Se alguém acha que seria possível fazer isso sem Ray Allen e Cassell, está completamente maluco. Bem, um deles já está de volta. Agora só falta o outro.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Novo endereço!

A bola presa continua a mesma, mas o endereço... quanta diferença!


Com um pé nos playoffs e nossa cobertura megalomaníaca engatilhada, é hora de anunciarmos nossa primeira grande novidade. Agora, o Bola Presa entrou para o mundo moderno dos "ponto com"! Além de que, com o endereço e o template novos parecemos até um site de verdade, sabe o que mais isso significa?

Chega de procurar o Bola Presa no Google porque sua memória é pior que o recorde do Knicks! Chega de caçar um link por aí porque você está de ressaca na segunda-feira e não lembra do endereço nem a pau! Chega de ficar tentando ditar "blogspot" por telefone para aquele seu priminho analfabeto! Agora, até mesmo o burro do Kwame Brown vai ser capaz de lembrar do nosso endereço:


www.bolapresa.com

Espalhe a boa nova! Conte para seus amigos imaginários, comente com a gostosa da sua vizinha quando você não souber o que dizer para quebrar aquele silêncio constrangedor no elevador, responda "bolapresa.com" quando você não souber a resposta na prova de matémática da escola! Agora o endereço é tão fácil que qualquer coisinha já é motivo para sair falando!

Vale lembrar que o endereço antigo também continua valendo, então se você é preguiçoso como o Randolph, pode manter o velho endereço nos seus favoritos que ele vai funcionar normalmente.

Com isso, completamos agora nossa lavagem de espírito rumo aos playoffs: demos adeus ao nosso endereço antigo, ao nosso visual mequetrefe, e também à temporada regular.

Só espero que não estejamos dando adeus à temporada regular do mesmo modo que o novato Corey Brewer deu na noite de ontem:



Com Wolves e Corey Brewer agora para trás, pensando no próximo draft, preparem-se para conferir os playoffs no seu (olha que chique) BolaPresa.com! Divirtam-se!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Latem mas não mordem

Destrua sua ex-equipe em 3 lições básicas


Ontem a rodada estava recheada de grandes jogos: o Suns enfrentava o Cavaliers que está em boa fase, Magic e Pistons se enfrentavam sonhando com o título do Leste, meu Houston enfrentava a série de 12 vitórias seguidas do Blazers em casa, Lakers e Mavericks faziam o confronto que, se a temporada regular acabasse hoje, seria uma série de playoff. Mas na hora de escolher o jogo que iria assistir, eu sabia que nenhum desses se compararia a outro: Kevin Garnett e seu Celtics enfrentando, pela primeira vez, sua ex-equipe de Minessota.

Todo o jogo podia ser resumido ali, na expressão no rosto de Sebastian Telfair no quarto período: olhos raivosos, dentes à mostra, pescoço tenso, prestes a latir, grunhir e uivar. O Wolves era um bando de loucos raivosos em busca de vinçança, auto-estima e dignidade. Cada vez que o Telfair estripava o Rajon Rondo, era mais do que basquete. Era uma tentativa de provar que, apesar de ter sido praticamente demitido do Celtics e impedido de jogar por problemas extra-quadra, tinha talento para ser titular de um time com Allen, Garnett e Pierce com reais chances de título. Cada bandeja certa de Telfair exprimia a angústia de ter sido mandado embora a preço de banana enquanto Rondo é titular e está prestes a ganhar um anel.

Além dele, Al Jefferson, Ryan Gomes e Gerald Green também tinham algo a provar. Mas provar que trocar todos eles pelo Garnett foi um erro é mais difícil do que provar que o Michael Jackson é inocente. Difícil mas, como no caso do célebre amigo das criancinhas, não impossível.

Com o jogo prestes a começar, nada do Garnett aparecer na quadra. Pelo jeito, era uma dor aguda e esquisita no estômago que ninguém sabia do que se tratava. Oras, para mim é óbvio que se tratava da consciência. Do Grilo Falante. Da dúvida dura e cruel: "devo arrasar por completo o time em que passei toda minha carreira?"

Finalmente, Garnett resolveu entrar em quadra para chutar uns traseiros. Mas em poucos minutos de jogo já ficou bastante óbvio que ele estava em quadra, na verdade, para impedir que os traseiros dos seus companheiros de Celtics fossem chutados. Pode não ter sido a melhor atuação do Wolves, vários jogadores tiveram uma partida capenga, mas a agressividade e a intensidade foram inegáveis. O Gerald Green, em especial, mostrou sinais de talento que eu não tinha visto antes. Atacou a cesta, teve jogadas interessantes, atléticas, vigorosas. Não acertou nada, é um grosso, mas a gente releva. Al Jefferson e Ryan Gomes tiveram partidas sólidas, especialmente na defesa, e enquanto isso Telfair humilhava Rondo dos dois lados da quadra: fez 18 pontos em um punhado de bandejas fáceis e marcou Rajon de modo a tornar sua vida um inferno. Como resultado, o Wolves passou praticamente o jogo inteiro na frente. Garnett saiu de quadra com a tal dor no estômago no quarto período e quando voltou, faltando 2 minutos para o final do jogo, seu time perdia por 5 pontos. Telfair acabara de fazer uma bandeja acrobática e rosnava com dentes afiados para a torcida. A família do Marbury (já que Telfair é seu primo) não bate muito bem da cabeça.

Até os dois minutos finais, a intensidade dos jogadores vingativos do Wolves estava à flor da pele. A defesa da equipe funcionava como em poucas vezes durante a temporada, evitando rebotes ofensivos adversários que haviam sido rotina em todas as suas outras partidas. Marcações duplas muito bem feitas no final do jogo garantiam a vantagem no placar.

Aí caiu a ficha. O Wolves percebeu que suas vitórias e derrotas são espelhadas com as do Celtics: 7 vitórias e 34 derrotas para os lobinhos, 34 vitórias e 7 derrotas para os de-verde. O Wolves se tocou que não deveria estar ganhando, que aquilo era um momento histórico, um marco, um feito de homens crescidos. Poderia ser uma virada na temporada rumo aos playoffs, uma vingança merecida aos dirigentes do Celtics que os subestimaram, um jogo para dar um reconhecimento merecido à equipe e talvez até melhores ofertas de times ou salários para os jogadores. Que vitória! Que vitória!

Pensar em algo assim é exatamente o tipo de coisa que acaba com a vontade de ganhar e a substitui pelo medo de perder. Garnett voltou para a quadra, no sacrifício, e o Wolves estava desesperado com a possibilidade da derrota - ainda que vencendo o jogo por 5 pontos. Entraram num declínio pior do que o Miami Heat quando percebeu que o Shaq tinha 62 anos. Nos dois minutos finais, ninguém no Wolves conseguiu fazer uma cesta sequer enquanto metodicamente permitiram ao Celtics (que, aliás, fazia péssima partida) pegar uns 568 rebotes ofensivos seguidos. Num pedido de tempo, o novato Corey Brewer foi cobrar o lateral mas estava com tanto medo que acho que até vi um pouco de xixi escorrendo pelas suas pernas. Não conseguiu passar a bola, não pediu tempo e estouraram-se os 5 segundos. Bola desperdiçada, eis que o Celtics pegou mais 237 rebotes ofensivos em sequência para, enfim, assumir a liderança com uma cesta de (quem diria!) Kendrick Perkins, o cestinha do Celtics. Mais um tempo para o Wolves, mais um medroso mijão incapaz de colocar a bola em jogo. A mocinha da vez foi o Jaric, que pelo menos tem dois neurônios a mais que o Brewer e conseguiu pedir tempo. Na terceira tentativa o Wolves enfim colocou a bola em quadra e a alegria foi tão grande que até nublou a importância de se pensar em uma jogada planejada. Al Jefferson sobrou isolado no improviso, recebeu marcação dupla e passou a bola destrambelhado para o Telfair que não conseguiu dominá-la porque Garnett se tacou como um débil mental para cima dela, conseguindo o roubo de bola.

Como fã do Garnett que sou, fiquei meio triste de vê-lo comemorando o roubo de bola vencedor levantando o nome "Celtics" de sua camisa e mostrando para a torcida. Foi o tipo de coisa para machucar bastante os testículos dos fãs de Minessota, mas como o KG foi nobre o bastante para aguentar anos e mais anos por lá mesmo com times mequetrefes sem nunca, jamais, pedir para ser trocado, acho que está tudo bem extravasar um pouco.

No time perdedor, o desânimo era mais do que avassalador, era constrangedor. A equipe foi derrotada pelo desespero, pelo pavor, pela infantilidade. Se havia alguma chance de melhorar a auto-estima dos jogadores, essa chance durou menos do que popularidade de ganhador de Big Brother. Sebastian Telfair, Al Jefferson e Ryan Gomes são talentosos e uma das melhores bases jovens de qualquer time da NBA hoje em dia. Mas eles são uma base sem moral alguma, formados em ambientes que só perdem jogos atrás de jogos desde que entraram na Liga. Que tipo de fundação pode ser criada na derrota? Ninguém no Wolves sabe como é vencer e, justamente por isso, o time entrou em parafuso nos 2 minutos que o separava da vitória. O que fazer com um time desses, com tanto potencial mas incapaz, ainda, de conseguir as vitórias necessárias para moldar a equipe em uma franquia futuramente vencedora?

Eu sou um chato que insiste em dizer de 5 em 5 minutos para pessoas aleatórias nos elevadores e nos pontos de ônibus que eu acredito no Wolves desde que a troca do Garnett aconteceu. Que eu boto fé nessa pirralhada, que eles podem vencer um dia e que (como o Blazers provou) eles podem vencer agora mesmo apesar da pouca idade. Talvez o primeiro passo fosse um técnico novo para dar uma nova abordagem, dar uma nova esperança para esses jovens e, acima de tudo, ensiná-los como jogar defesa de forma menos patética.

Aquele Hawks jovem demais, com mais alas do que escola de samba, só agora está dando resultado e tem chances enormes de ir aos playoffs dessa vez. O Timberwolves tem ainda mais talento, melhor espalhado entre várias posições diferentes. A dupla Al Jefferson e Randy Foye, que aliás ainda não jogou nessa temporada por estar machucado, é uma base que faria o Hawks de anos atrás babar de inveja: ter um armador excelente apoiado por uma presença dominante no garrafão é a fórmula dos campeões.

Uma vitória em cima do Celtics poderia ter sido o primeiro passo para que esse time acreditasse em suas condições, e acho que esse derrota dolorida mostrou fraquezas que atormentarão essa meninada como as histórias da Loira do Banheiro atormentaram a minha geração. Fico preocupado com as repercussões que essa derrota terá em suas mentes pelo resto da temporada e, até mesmo, pelo resto de suas carreiras. Mas ainda assim acredito em suas capacidades. Esse é um time que estará em seu auge em alguns anos e será apenas uma questão de mentalidade: estarão preparados para vencer ou perderão para sempre sem sequer repor a bola em quadra? Vão ficar só latindo para sempre ou vão morder alguém eventualmente?

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

"Both teams played hard"

"Diga fotoloooguiiii!"


Voltamos com nossa coluna "Both teams played hard", em que respondemos suas perguntas com a mesma graciosidade de Rasheed Wallace. Nessa semana, perguntas sobre o Wolves, basquete nacional e europeu. Ou seja, se você não ler, não estará perdendo muita coisa.

Se você tiver alguma pergunta para nós, basta usar a caixa de comentários dessa coluna e ter a paciência zen-budista de esperar mais uma semana. Fique à vontade, também, para comentar nossas respostas ou nos enviar fotos "fotolooooguiiii" de sua irmã bonita. Sinta-se em casa. Agora, vamos às perguntas.

Leandro:

gostaria de dar uma sujestao de fazer uns tópicos comparando times da euroliga e da nba(os melhores e os piores tbm). afinal sao nesses lugares que estao os melhores times do mundo,os esquemas taticos mais interessantes e tudo mais.
mas é isso..

Denis:
Tem razão, a Euroliga tem esquemas táticos interessantes, ótimos jogadores com muito talento e inteligência. Lá quem comanda o basquete não está interessado só em show, enterradas e em faturar em cima de atuações individuais de jogadores fominhas. Lá nunca ninguém vai fazer 81 pontos ou coisa do tipo. Lá o negócio é sério e os jogadores são disciplinados.
Por isso que eu tô pouco me fodendo pra Euroliga e logo não tenho conhecimento o bastante pra comparar nada. Mas já comparei com tênis e futeba, quer mais o quê?!


Charles:
Oq o Wolves tem pra comemorar a não ser a Adriana Lima ?
Que um dia o Jefferson pode ser um bom jogador ? Tipo quase um "Michael Jackson" ? Ou o campeão das enterradas, Gerald Green que tá jogando menos de 10 minutos por jogo?

Danilo:
Eu sou suspeito pra falar porque boto fé nesse Wolves desde o dia da troca. Olha, o Al Jefferson não vai ser o Michael Jordan, mas também não me venha com "que um dia ele pode ser um bom jogador". Agora, nesse instante, nesse milésimo de segundo, agorinha mesmo, o Al Jefferson pode chutar o traseiro da imensa maioria dos alas-pivôs da NBA. Ele tem médias de 20 pontos e 12 rebotes por jogo (fora 1 assistência, 1 roubo e 1 toco), é o quarto em rebotes e o quinto em double-doubles (17 em 23 jogos) além de ser o único jogador, junto com o Dwight Howard, a ter pelo menos uma partida com 30 pontos e 20 rebotes nessa temporada. Ele domina um punhado de jogos, melhorou enormemente da linha de lance livre e faz tudo isso muitas vezes tendo que ser improvisado de pivô, o que obviamente não é sua praia. E o principal de tudo é que ele pode ir aí na sua casa te dar uma baita de uma sova se você não acreditar.

O resto do time é muito inconsistente porque o Ratliff, que é o único cara experiente da equipe, tem idade para ser o pai de todos os outros jogadores. Ao invés de vestiário, o Wolves deveria ter um fraldário.

O Gerald Green-campeão-de-enterradas é o próximo Kobe Bryant, você não sabia? Pelo menos é o que se dizia quando ele foi draftado. O Kobe pessoalmente deu uns conselhos pro Green e talvez um dia ele esteja marcando 81 pontos por aí. Meu palpite pessoal é que em algumas temporadas ele vai ter desaparecido da NBA por completo e estará sendo campeão de enterradas na Europa, onde o pessoal costuma fazer besteira na hora de enterrar.

Fora isso, o resto do time tem bastante potencial. O Sebastian Telfair, apesar de primo do Marbury, parece ser menos débil mental e até gosta de passar a bola, com médias de mais de 6 assistências por jogo como titular. Randy Foye é um baita armador que estaria fazendo barulho se não estivesse machucado. Craig Smith é o "Paul Millsap versão Wolves", sensacional se vindo do banco. Corey Brewer é novato, faz xixi na cama, mas é um baita reboteiro e ainda vai ser uma estrela nessa liga (se não for, e o Al Jefferson não for All-Star um dia, vou ter perdido uma baita de uma grana em apostas por falar demais). McCants está aprendendo a usar o banheiro sozinho agora, o jumper está ficando consistente e o garoto realmente sabe pontuar. Ryan Gomes é um dos meus role players favoritos, faz de tudo em quadra, limpa panela, lava cueca suja com freiada e não reclama.

Ou seja, o time fede bastante mas tem potencial para ser vencedor daqui umas duas ou três décadas. O único problema de ficar botando fé em times jovens-porém-talentosos é que eles podem acabar como o Hawks. Mas os fãs dos lobinhos não precisam ser tão pessimistas, não estar em Atlanta já é um bom começo para comemorar. E montar um time em volta de um cara grande como o Al Jefferson é bem diferente de montar um time em volta do Joe Johnson. Quando vocês ganharem uma equipe da NBA de Natal, crianças, lembrem do conselho máximo do mundo do fantasy: "draftem grande". E se a equipe der lucro, lembre-se do conselho e manda uma graninha pra cá. Obrigado.

Renzo:
Na onda do leandro, solto o petardo.


Lineup 1:
PG - Smush Parker
SG - Allan Houston
SF - Penny Hardaway
PF - Tio Charles Oakley
C - Baby

Dois veteranos, um fóssil, dois jovens fracassados.

Como esse time se sairia ATUALMENTE em nossa combalida
Liga Nacional (BRASIL)?????

Certamente, sem graça não seria...
rs

Considerando a Liga Nacional do ano passado...

Na minha opinião, seriam campeões derrotando Franca apertado na final, fechando o jogo com uma bela ponte aérea de Smush para Tio Oakley, matando por ataque cardíaco 200 pessoas na arquibancada... hahaha

Os idosos Penny Hardaway e Allan Houston certamente se tornariam semideuses
por aqui... rs

Denis:
O Allan Houston ainda consegue chutar de 3? Se sim, ele seria um semideus aqui. O Penny Hardaway ainda chuta de 3? Se sim, ele seria um semideus por aqui. E considerando a idade dos jogadores que disputam o nosso Nacional, eles estariam se sentindo em casa. O único problema é que jogador americano que vem pra cá costuma morrer hoje em dia.

Aliás, outra coisa, vai ter campeonato nacional? Ou vão ter dois campeonatos e um monte de gente vai ficar de briguinha por aí? O basquete daqui é um saco, você começa a se apegar a um time e no ano seguinte ele não existe ou não disputa um campeonato. Na situação que está, certo é o Baby que vai pra Rússia.

domingo, 18 de novembro de 2007

Como se divertir vendo um jogo da NBA - Parte 2

Até o fim do texto eu vou falar mal do Eddy Curry de novo, aguardem...



Estou carente de NBA. Nesses últimos dois dias, por causa de uns problemas aqui, não consegui assistir aos jogos e fiquei tendo que saber de tudo o que aconteceu nas gordas rodadas de sexta e sábado em melhores momentos e boxscores. Isso acaba comigo. Estou mal acostumado, é como tirar a bebida de um bêbado por um fim de semana.

Sem confiança para falar dos jogos que aconteceram e eu não vi e pensando no que eu poderia ter visto, vou continuar meu texto sobre como se divertir vendo um jogo da NBA.


Lição 2: Acompanhe apenas um jogador ou tipo de jogador.

No último texto falamos sobre acompanhar um duelo. Como muita gente até concordou, é divertido demais, mas o ruim é que não dura o jogo inteiro. Já vi por exemplo tanto Kobe como T-Mac não marcarem um ao outro em duelos Lakers x Rockets para não se desgastarem fisicamente na defesa e nem correrem risco de entrar em problemas de falta. Eu não gosto muito dessa tática, principalmente quando o Lakers pegava o Heat e o Phil Jackson mandava o Smush Parker marcar o Wade. Não dava nadinha certo...

Mesmo no duelo Kaman-Ilgauskas que eu citei no texto anterior. Durante um grande período do jogo um dos dois estava no banco e eu fiquei sem duelo pra ver. Para resolver isso, você escolhe apenas um jogador pra ver, ou melhor ainda, um tipo de jogador. Vamos aos exemplos:


A. Escolha seu jogador favorito e olhe só para ele

Ninguém vai achar que você é viado só porque você não tira o olho daquele negão sarado com os músculos marcados. Pode olhar à vontade. Se você gosta do Dwight Howard, não tire o olho dele. Veja se é ele que cobra o lateral quando o time toma a cesta, veja em que velocidade ele parte para o ataque, veja se ele se preocupa primeiro em se postar no garrafão para receber a bola ou se ele se preocupa em usar seu corpo para fazer um corta-luz para outro arremessador. Veja se ele faz as duas coisas de maneira alternada. Garanto, se você é fã do Dwight, você vai se divertir.

Se você gosta de um scorer como Kobe, Arenas, Melo ou Kevin Martin (ele é um dos cestinhas da NBA, não posso fazer nada) veja como eles se comportam para conseguir todos esses pontos. Eles se movimentam só para buscar arremessos (Melo), pegam a bola e fazem tudo sozinhos (Kobe, Arenas) ou simplesmente têm jogadas desenhadas das quais eles participam e acabam em arremessos seus (Kevin Martin)?

Uma observação que eu recomendo é o Shawn Marion. Afinal, como um cara que não tem jogadas desenhadas para ele consegue 20 pontos por jogo? Vendo de perto você vai ver como em alguns contra-ataques, alguns rebotes ofensivos, alguns arremessos que acabam em sua mão, ele consegue, discretamente, ter médias altíssimas de pontos.


B. Escolha um jogador em uma situação diferente

Essa é a opção em que você escolhe um "tipo" de jogador. Com "tipo" quero dizer um jogador que tem uma situação que não é comum aos demais na quadra. Pode ser um estrangeiro acostumado a jogar na Europa, um novato ou até um jogador voltando de longa contusão.

Assistir novatos é uma diversão enorme pra mim. É interessante ver a adaptação, o nervosismo e o talento bruto brotando desses jogadores. Outro dia assisti Lakers x Wolves e acompanhei o drama de Corey Brewer. Na universidade da Florida deu pra ver que o cara é talentoso e um ótimo defensor, mas em LA ele foi incumbido de marcar ora Kobe Bryant, ora Lamar Odom. Pobre novato. Kobe abusou de dribles, depois jumpers, depois inflitrações. Depois de algumas posses de bola Brewer não sabia mais o que marcar em Kobe e acabou substituído. Voltou depois pra marcar Odom, que com caracteristicas bem diferentes de Kobe, deixou o Brewer mais perdido ainda tentando marcar seu jogo de garrafão. Deu dó em algumas horas mas fiquei feliz, obviamente foi um dia marcante pra Brewer e já no segundo tempo, quando ele tinha como adversários jogadores como Maurice Evans, ele já parecia bem mais confiante.

Estrangeiros são interessantes de assistir mesmo, acho muito parecido com acompanhar jogadores que passam anos em um time e depois mudam. Dá pra ver que eles sabem jogar mas simplesmente se sentem fora de casa. O desconforto é tanto que algumas vezes eles erram coisas simples, vejam só quantos jogos o Juan Carlos Navarro e o Luis Scola demoraram pra desencantar nessa temporada. Foram ter grandes jogos só nessa última sexta-feira. É, o dia que eu não vi os jogos... merda.


C. Escolha alguém que jogue na sua posição de jogo

Essa é para os jogadores frustrados como eu. Se você não joga uma peladinha, essa dica não tem tanto valor assim. Eu com meus enormes 1,78 de altura só pude jogar como armador principal ou segundo armador, o SG. Me sentia mais à vontade como SG porque simplesmente não sabia o que fazer quando era armador. Pra resolver isso pensei em assistir só os armadores em vários jogos da NBA, desde Jason Kidd até Earl Watson, não ia tirar o olho deles.

Isso não me fez virar um grande armador, óbvio, já disse que sou um jogador ruim e frustrado. Mas me fez ver a posição de armador com outros olhos, comecei a entender mais os pré-requisitos, o que eles fazem a cada jogo e como a função do armador varia de esquema pra esquema. Em times como o Suns, por exemplo, o armador é essencial. Botar o Marcus Banks pra correr lá põe tudo a perder. Já o Lakers, cujos triângulos se baseiam no posicionamento e no toque de bola de toda a equipe, pede um tipo de armador muito diferente, com mais arremesso de fora e sem a necessidade de velocidade.

Se você é pivô ou ala de força você TEM QUE assistir outros de sua posição. O garrafão não é um lugar fácil de se jogar e só com tamanho você não vai se garantir. É só ver como o Yao se saia em sua primeira temporada e hoje em dia; o tamanho é o mesmo mas os recursos dele é que mudaram. Hoje ele tem jumper, gancho, velocidade nas pernas, sabe se posicionar mais perto da cesta. Observe tudo isso em um jogo e garanto que você vai aprender alguma coisa e se divertir, quanto mais você entende de basquete mais você gosta. Garanto.


Notas
Mesmo sem ter assistido aos jogos, não resisto e tenho alguns comentários a fazer:

- Com medo de Yi Jianlian roubar a vaga de LeBron, KG ou Paul Pierce no All-Star Game por causa da votação chinesa, a solução da NBA foi bem simples: ele não está na cédula de votação.

- Kidd está com médias de 11 pontos, 9,3 rebotes e 10 assistências. Com mais jogos como o de sexta-feira, pegando 19 rebotes, ele garante uma média de triple-double por pelo menos uns dias.

- Eu até falei de pivôs nesse texto e nem xinguei o Eddy Curry! O que está acontecendo comigo? Só pra não perder o hábito, vai: contra o Nuggets ontem, Curry pegou DOIS rebotes contra VINTE do Marcus Camby.