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quinta-feira, 24 de março de 2011

Um mês depois

JR Smith não entende esse troço de "coletividade" que comentam agora no vestiário


Muita atenção está sendo dada para o fato do Denver Nuggets estar com uma campanha muito melhor do que a do New York Knicks depois da troca do Carmelo Anthony. Mas eu só não sei se as pessoas estão dizendo isso para zoar com o Knicks, já que todo mundo ultimamente parece ter criado um gostinho especial em odiar equipes que fazem tudo por superestrelas, ou se é porque realmente achavam que o Knicks seria melhor que o Nuggets. Eles não eram antes, não são agora e não dá pra saber se serão no futuro.

O Knicks deixou bem claro nessa troca que o que eles queriam era juntar Carmelo Anthony com Amar'e Stoudemire, o resto do time eles dariam um jeito de conseguir depois. O único jogador além de Amar'e que eles não estavam dispostos a mandar era o Landry Fields, de resto topariam mandar tudo e foi o que fizeram. Danilo Gallinari, Wilson Chandler, Raymond Felton e Timofey Mozgov todos foram titulares no time durante toda ou algum período da temporada em Nova York, não dá pra perder todo um time assim de uma vez no meio do campeonato e esperar que tudo vai ficar bem. O plano deles era para o futuro e só no futuro vamos poder julgar com mais convicção se a decisão foi boa ou ruim, tudo vai depender de novas contratações no próximo ano e de treino, muito treino.

Um dos problemas do Knicks nos últimos jogos tem sido o desempenho no quarto período, e não é por acaso e nem porque seus jogadores são amarelões, muito pelo contrário; Chauncey Billups, Carmelo e Amar'e tem milhares de cestas importantes e decisivas nas suas carreiras para provar que sabem resolver no final. O que acontece é que com poucos treinos nesse primeiro mês de parceria eles só tem as jogadas individuais para apelar e assim fica mais fácil do adversário defender. Temos que lembrar que é no último período em que as defesas costumam ser mais fortes e é quando os times usam as suas jogadas de segurança. Que jogada de segurança tem um time que pouco treinou? Sem contar que existe o problema bem comum de equipes que tem muitos jogadores bons, todos acham que podem resolver no 1-contra-1 e se restringem a isso. Jogadores mais ou menos podem não ter treinado junto com ninguém, mas não acham que vão vencer jogos sozinhos como pensam Billups, Carmelo e Amar'e no Knicks ou LeBron e Wade no Heat, por exemplo.

Por outro lado, o Nuggets tinha tudo para melhorar. Perdeu dois jogadores bons mas ganhou outros quatro bons para as mesmas posições, sem contar que deu mais espaço para outros que já estavam lá só esperando atenção. O Ty Lawson agora pode brilhar com mais minutos e as loucuras individualistas do JR Smith parecem machucar menos o time quando ele é o único maluco individualista no elenco. Na parte tática o técnico George Karl disse que a adaptação dos novos jogadores foi fácil porque eles já conheciam muitas das jogadas e porque ele manda todo mundo sempre correr muito e jogar fácil no contra-ataque, ou seja, sem bíblias de jogadas complexas para eles aprenderem, a transição de equipe é mais tranquila. Alguém poderia argumentar que o Nuggets também deveria ter problema nos finais de partida por ter treinado pouco, mas duas coisas explicam porque isso acontece com o Knicks e não com eles:

1- O Nuggets está vencendo fácil, com diferenças gigantescas de pontos. Alguns quartos períodos eles só tiveram que administrar uma boa vantagem. Poucas vezes tiveram que lidar com jogos duros de meia quadra com adversários fortes.

2- Quando tiveram, como ontem contra o Spurs, realmente tiveram dificuldade no ataque e acabaram chutando bolas forçadas de longe. Mas compensaram defendendo muito bem! Nesse último mês o Nuggets tem números defensivos, como o de pontos sofridos a cada 100 posses de bola, muito parecidos com o Chicago Bulls, que é o Once Caldas da NBA. O Knicks, em compensação, tem uma defesa pior desde que Melo e Billups chegaram.

Números e tática à parte (só por um parágrafo), o fator psicológico tem sido importante nessa embalada que o time de Denver deu. Enquanto muita gente esperava um desmanche, ocorreu o oposto. Nenê afirmou que quer fazer carreira em Denver e negocia uma extensão de contrato, eles não trocaram imediatamente Gallinari e Chandler como especulado na época e disseram aos dois que fazem parte do futuro da equipe, mesma coisa que aconteceu com JR Smith. A saída do Carmelo criou uma sensação de alívio e união. A perda de uma estrela por várias vezes já uniu equipes, isso acontece o tempo todo. Aconteceu ano passado com a contusão do Andrew Bogut no Bucks, acontece agora com o Grizzlies sem Rudy Gay até o fim da temporada, aconteceu quase 10 anos atrás quando Antonio Davis liderou uma sequência impressionante de vitórias que levou o Raptors sem Vince Carter aos playoffs. E, por que não, foi esse sentimento que fez o Cavs sem LeBron James começar a temporada jogando tão bem. Se o elenco não fosse tão ruim e minado por contusões e se aquele jogo contra o Heat tivesse tido um resultado diferente, certamente não seriam a piada que são hoje. Em esportes competitivos e com tantos times com jogadores bons, coisas como motivação podem fazer toda a diferença.

O Dean Oliver, autor do livro Basketball on Paper, importantíssimo para o mundo das estatísticas de basquete, trabalhava com o Denver Nuggets no começo da temporada até sair do emprego semanas antes da troca do Melo para trabalhar na ESPN. Ele lembra em um artigo para o TrueHoop de uma declaração do dono do Nets, Mikhail Prokhorov, dizendo que só tentar trocar pelo Melo já havia custado muitas derrotas a seu time. A insegurança causada por ver tantos nomes diferentes envolvidos em trocas fazia o time não se concentrar e não render. Assim o Nets venceu apenas 10 jogos nas primeiras 12 semanas de temporada, então o russo disse que iria desistir de Carmelo e o time respondeu vencendo 7 das próximas 13 partidas, isso antes de conseguir o Deron Williams.

Já o Nuggets, na análise de Oliver, rendeu bem até o dia 15 de dezembro, como se nada tivesse acontecido. Essa data marcava o dia em que muitos Free Agents do último verão americano, como Raymond Felton, poderiam ser envolvidos em trocas. O Nuggets venceu 15 de 24 jogos até então. Aí os rumores começaram a ficar mais reais e o bicho pegou. Como funcionário do time, Oliver viu tudo de perto e disse que o clima no vestiário era diferente depois que os rumores ficavam mais reais e principalmente quando passaram a envolver o Chauncey Billups, herói da torcida. Nesse período o Nuggets teve 12 vitórias e 10 derrotas, com números defensivos que beiravam os piores da liga. Como já mostramos ontem, eles embalaram de novo depois da troca com 11 vitórias e 4 derrotas desde que Melo saiu.

Sem Carmelo Anthony para controlar a bola, a mídia, as atenções e os holofotes, os outros jogadores viram isso como a chance deles de brilhar e montar um time vencedor e coletivo. George Karl passou a fazer discursos enfatizando o jogo em equipe e a dedicação que cada um dava dentro de quadra, e o resultado é um time mais focado na defesa, mais esforçado, que batalha mais em quadra e que joga mais do que assiste. Voltando aos números, com Carmelo o Nuggets tinha 54% de suas cestas vindas de assistências, agora esse número subiu para 63%. É mais gente passando a bola e menos gente resolvendo por conta própria.

Também não podemos esquecer da profundidade que esse elenco tem agora. Se pensarmos no que já vimos de todos no elenco do Nuggets nos últimos anos, é bem fácil admitir que Lawson, Afflalo, Gallinari, Kenyon Martin, Nenê, Felton, JR Smith, Al Harrington e Wilson Chandler podem ter, facilmente, pelo menos uns 12 pontos por jogo. Isso dá 108 pontos por partida sem ninguém precisar acordar muito inspirado. Claro que não dá pra dividir assim tão racionalmente, mas o que eu quero dizer é que com esse elenco eles sempre vão ter opções de ataque e podem se adaptar a qualquer estilo de defesa ou sobreviver a alguém em um dia ruim. Eles perderam um cara que resolvia bem no fim dos jogos, mas ganharam muita gente que resolve em muitas outras situações. A teoria de que não dá pra ser campeão sem uma estrela pode ir contra o que eu vou dizer, mas o Nuggets é um time melhor hoje e os jogadores que recebeu foram tão bons que era uma troca que faria sentido mesmo se o risco de perder o Carmelo ao fim da temporada não existisse.

O George Karl já deu muitas entrevistas nos últimos anos e até nas últimas semanas dando a entender que não gostava do desinteresse que o Carmelo mostrava em algumas partidas, principalmente na defesa, e nem de como ele muitas vezes jogava as táticas no lixo para resolver sozinho. Isso influenciava o time de uma maneira negativa. Agora Karl vê ele mesmo como o líder da equipe e as suas atitudes cobrando defesa e coletividade têm dado resultado em quadra.

No fim das contas dá pra dizer que a troca só teve vencedores, quer dizer, pelo menos todo mundo conseguiu o que queria: O Carmelo ir para Nova York, o Knicks uma estrela de nome e o Nuggets um time de basquete melhor.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Perguntas e respostas: a troca do Carmelo Anthony

Carmelo e Amar'e: trutas

A troca do Carmelo Anthony é a troca com mais assuntos paralelos que eu já vi na minha vida. Mais de 200 dias depois da primeira notícia de que ele estava querendo ir para o New York Knicks, Melo finalmente conseguiu ter seu desejo atendido. No meio do caminho estão envolvidos o futuro do Knicks, do Nuggets, outros 11 jogadores, o Minnesota Timberwolves, Isiah Thomas, a relação entre o presidente do Knicks James Dolan com o manager Donnie Walsh e o técnico Mike D'Antoni, e o homem mais misterioso da NBA, William Wesley. Ou seja, como uma boa novela ela dura quase um ano e tem diferentes núcleos e personagens, é a NBA aprendendo com Manoel Carlos.

São tantas perguntas e questões para entender essa megalomania que decidimos que só com um FAQ para responder tudo. Tudo relacionado ao Knicks fui eu, Denis, quem respondeu. Ao Nuggets e ao Wolves foi o Danilo. A decisão foi feita por sorteio e aprovada por nossos advogados (adoramos eles!).



Q: Amigos do Bola Presa, quem foram todos os envolvidos na troca? Abs 


New York Knicks recebe: Carmelo Anthony, Chauncey Billups, Shelden Williams, Anthony Carter, Renaldo Balkman (Denver Nuggets) e Corey Brewer (Minnesota Timberwolves)

Denver Nuggets recebe: Raymond Felton, Danilo Gallinari, Timofey Mozgov, Wilson Chandler (NY Knicks) e Kosta Koufos (Minnesota Timberwolves). Também recebem uma escolha de 1º round de Draft do Knicks (2014) e duas 2º round (2012, 2013, do Warriors que estavam com o Knicks). O Nuggets também recebe 17 milhões de dólares em "trade exceptions"

Minnesota Timberwolves recebe: Eddy Curry, Anthony Randolph (NY Knicks). Também recebem uma escolha de 2º round do Denver Nuggets.



Q: Epa, mas o que é essa tal de "Trade Exception" que você citou? É de comer? Aposto que você já explicou dez vezes mas eu nunca leio os posts inteiros. 

Uma trade exception é um "Vale Salary-Cap" que pode ser usado pelo time para usar em outras trocas para igualar salários. Se o Nuggets quiser mandar um jogador que ganha 5 milhões por outro que ganha 7 milhões eles podem deixar tudo igual usando essa trade exception. É uma mão na roda para times que estão planejando movimentações no elenco e foi criada no governo Lula.

Q: Carmelo Anthony e Amar'e Stoudemire juntos? Como isso vai dar certo?

Essa é uma excelente pergunta, amigo assinante. Dependendo de como você enxergar pode parecer uma idéia bisonha e por outro lado parece perfeita, tudo depende de como o Mike D'Antoni vai montar o time, qual vai ser o esquema tático e tudo mais. Tanto Amar'e como Carmelo são bons o bastante para simplesmente receber a bola em uma jogada de isolação e tirar pontos disso, mais ou menos como o Heat faz de vez em quando (47 minutos por jogo) com Wade e LeBron. É o jeito mais fácil e apelão de conseguir pontos, mas quando não dá certo com o Heat eles tem uma puta defesa para compensar, já o Knicks e o Carmelo...

E o problema das isolações é que o esquema tático do Mike D'Antoni é justamente o oposto disso tudo! Ele é o cara que gosta de ver o seu time rodar muito a bola, de passar ao invés de individualizar e de só concentrar a bola na mão de um jogador se ele for o armador do time, sempre com ele se movimentando entre corta-luzes.

Q: Então o Carmelo vai se adaptar ao D'Antoni ou o contrário? Quem manda na relação?

É o que eu quero saber também! Como já vimos na seleção americana, o Carmelo Anthony pode ser muito útil para o seu time mesmo quando não concentra a bola na sua mão o tempo todo. Nas Olimpíadas de 2008 muitas vezes a gente mal percebia ele em quadra, com a bola controlada por Kidd, Kobe, Wade e LeBron, e no fim das contas ia ver as estatísticas e ele era o cestinha. Com boa movimentação e sabendo pontuar de todos os lugares da quadra ele estava sempre contribuindo com ótimo aproveitamento.

O problema é que na seleção ele tinha todos esses nomes de peso para jogar enquanto ele só pontuava, no Knicks vai ser quem? Corey Brewer, Toney Douglas e Landry Fields? Amar'e Stoudemire também não é nenhum Tim Duncan na hora de encontrar seus companheiros livres para o arremesso, só faz o óbvio. Carmelo vai precisar tocar mais na bola e quando ele faz isso ele não movimenta a bola como seu técnico idealiza. A última opção é Chauncey Billups comandando o show e distribuindo a bola.

Q: Billups? Você está ousando insinuar que o cerebral Chauncey Billups, o coração do Pistons de 2004, o time mais em câmera lenta da história, irá ser o líder de um Run and Gun?

A minha primeira reação também foi de "é mais fácil a Deborah Secco ganhar o Oscar por 'Surfistinha'", mas para e pensa: Embora nossa memória do Billups sempre remeta ao Pistons campeão de 2004, ele está faz tempo no Nuggets e eles também são um time que jogam com extrema velocidade. O Knicks, aliás, é o segundo com mais posses de bola por jogo e o Nuggets vem logo atrás em terceiro. E em termos de eficiência ofensiva, onde o Knicks é oitavo, o Nuggets é o primeiro. Eu lembro de quando o Billups foi trocado para o Nuggets e eu disse aqui que a troca só daria certo se houvesse um entendimento das duas partes. Ou Billups se adaptaria à correria do Nuggets, ou o time aprenderia a lidar com o fato de ter um armador que gosta de mandar no jogo. Acabou sendo um pouco dos dois, Billups mandava e segurava a bola, principalmente logo no começo quando chegou, mas não deixou de impôr a velocidade. Bisonhamente deu certo. Só temos que lembrar que nesse ano o Billups não está jogando tão bem assim e que cedo ou tarde a idade pesa.

Então por mais estranho que seja, acho que sim, o Billups pode comandar esse ataque sem fazer o time perder tanta velocidade como a gente imagina. Se o D'Antoni confiar o time a ele e deixar Melo e Stoudemire não jogarem tanto assim sozinhos (talvez só no último período), o time pode manter a identidade do seu técnico e ter suas estrelas rendendo ao mesmo tempo.


Q: Tá bom, estou começando a me animar com o Knicks, mas não foi uma aquisição muito cara?

Sim, foi MUITO cara, um asburdo de cara. É daquelas compras em que o produto é bom, de qualidade, funciona, mas mesmo assim bate aquele peso na consciência toda vez que você lembra o quanto custou. Eles mandaram 3/5 de um time titular que estava atuando muito bem junto e mais um bom reserva, todos jovens, com bons contratos e vivendo o melhor momento de suas carreiras por uma estrela e o Billups em fim de carreira. Eles abandonaram tudo isso por esse sonho de ter mais uma superestrela ao lado do Amar'e Stoudemire, sem dúvida vivemos uma era em que os times estão montando elencos na estratégia do "mande até a alma por uma estrela e pesque veteranos depois".

Q: Soa como algo terrível, mas não está dando certo por aí?

Se você considerar que os principais adversários do Knicks no Leste são o Celtics e o Heat, que fizeram a mesma coisa, dá pra entender a inspiração. Mas a grande diferença no caso do Knicks é que talvez não precisasse ser tão caro. Desde o começo da novela o Carmelo deixou bem claro que queria jogar no Knicks, não em Nova York com o Nets, queria o Knicks. Recusou todas as ofertas do Nets e não levou muito a sério propostas do Rockets, Warriors ou Mavericks. Eu acredito que em qualquer um desses times ele iria deixar seu contrato acabar e então virar Free Agent, a pressão dele mesmo (e de outras partes, que veremos depois) para ele jogar no Knicks era enorme, eu acho que ele iria mesmo que isso significasse um salário menor.

No fim das contas o Knicks perdeu para o próprio desespero, pressa e história recente de fracassos. Preferiram mandar até as calças pela certeza de ter o Carmelo Anthony, não quiseram correr mais riscos esperando. Imagina perder o Melo porque não quiseram incluir o Timofey Mozgov ou uma escolha de 2º round na troca, eles nunca iriam se perdoar.

Q: Polêmica no Mesa Redonda, é verdade que o Mike D'Antoni não queria que o time fosse desmontado assim?

O que foi divulgado pela imprensa americana é que o D'Antoni não estava nem um pouco satisfeito em ver o time que ele montou ser dilacerado em nome de uma estrela. E se você ver como o George Karl, técnico do Nuggets, não parecia lá muito triste de ver o Melo ir embora dá pra entender a posição do técnico. Ele tinha feito o Felton jogar o melhor basquete da sua vida, foi quem fez, pouco a pouco, o Wilson Chandler um jogador completo em relação ao cara cru que chegou na NBA; e foi influência direta na escolha do Danilo Gallinari no dia do Draft. Era um time com sua identidade que foi desfeito enquanto sua voz não foi ouvida na hora de dar a confirmação na troca.


Q: Então foi o General Manager Donnie Walsh o responsável por essa limpeza no elenco?

Aí que entra a parte divertida da coisa: Também não! A negociação tinha entrado em mais um impasse porque o Nuggets estava pedindo o Timofey Mozgov além de todo o resto e o Knicks estava se sentindo assaltado, o Donnie Walsh, com o apoio do D'Antoni, não queria enviar o russo até porque mesmo o resto dos jogadores já era demais pra eles. Aí o presidente da equipe James Dolan interviu dizendo para colocar o russo e mais qualquer coisa que pedissem para conseguir o Carmelo de uma vez por todas.

Não é nada comum ver presidentes interferindo assim no trabalho do General Manager, muito menos no trabalho de um cara como o Donnie Walsh, que pegou o Knicks afundado em contratos horripilantes da Era Isiah Thomas (Jerome James, Eddy Curry, Jamal Crawford, Stephon Marbury, nenhuma escolha de Draft) e conseguiu zerar as contas da equipe, abrir espaço salarial, contratar Amar'e Stoudemire e começar uma boa reconstrução. E o pior, segundo informações do repórter Adrian Wojnarowski do Yahoo!, uma das influências na cabeça do presidente James Dolan é o mesmo Isiah Thomas, que planeja voltar ao time!!!


Q: Que porra é essa? Isiah Thomas de volta para o Knicks depois de toda merda que já fez?

O James Dolan é muito próximo do Isiah Thomas, que já quase conseguiu um emprego no Knicks na temporada passada e só desistiu por pressões de Walsh e de outras pessoas lá dentro, mas o contrato do General Manager acaba ao fim dessa temporada e James Dolan pode decidir não renovar e achar um novo nome. Isiah Thomas espera que seja ele.

Segundo Wojnarowski, Walsh, por exemplo, nunca quis colocar Felton, Gallinari e nem mesmo Billups na troca, mas foi forçado a isso pelo presidente. Ele, por sua vez, tem usado Isiah Thomas como um consultor informal, os dois são bem amigos e fontes próximas dizem que é Isiah quem dita as coisas de fundo. A contratação de Carmelo, a saída de Gallinari e Felton seriam vitórias de Isiah Thomas para voltar ao poder em Nova York.

Q: E, por favor, quem poderá impedir essa desgraça?!

A oposição que também quer mandar no Knicks é um dos nomes mais misteriosos da NBA, William Wesley, conhecido (mas não muito) pelo apelido de Worldwide Wes. Já se referiram mais de uma vez a ele como "o homem mais poderoso do basquete", o que é bizarro já que pouquíssimas pessoas conhecem ele! Eu não sabia até um ano atrás quando um leitor nosso mandou um e-mail com uma história sobre o cara.

Ele é a definição de low profile e oficialmente não está associado a nada e nem a ninguém, mas tem seus contatos em todos os cantos, o mais importante deles é o seu amigo Leon Rose, empresário de Carmelo Anthony, Chris Paul, Eddy Curry e LeBron James. Lembram da minhoca plantada na cabeça do CP3 no começo da temporada dizendo para ele exigir uma troca? Wes teve sua influência lá. Curry no Knicks? Também. Carmelo no Knicks? Com certeza absoluta, seu empresário Leon Rose não queria ver seu jogador em qualquer outra franquia e usou a negação da extensão de contrato para podar as melhores ofertas enviadas ao Nuggets.

Q: E como Worldwide Wes influencia o Knicks?

Como eu disse ele nunca se envolve diretamente com as coisas, apenas conhece todo mundo e influencia suas decisões. Como disse o jornalista Henry Abbott depois de uma extensa pesquisa sobre um cara que recusa qualquer entrevista, "Se você olhar de perto todas as forças do mundo do basquete em todos os níveis - AAU (Associação de Atletas Universitários) que leva os jogadores às universidades, agentes interessados em achar clientes, as empresas de calçados interessadas em garotos propaganda, técnicos, donos de times, executivos, jogadores - todos tem uma coisa em comum: William Wesley".

E no Knicks ele tem Mark Warkentien como consultor de Donnie Walsh e Allan Houston, ex-jogador e atual assistente do General Manager do time. Worldwide Wes quer um desses dois assumindo no lugar de Walsh, não Isiah Thomas.

Q: Entre os dois, qual é melhor para o Knicks?

O Isiah Thomas já teve sua chance como técnico e como General Manager e teve, nos dois casos, a passagem mais desastrada de qualquer pessoa que eu já vi na NBA. Resultados patéticos, trocas que nunca fizeram sentido, relação péssima com torcida e atletas, um desastre do começo ao fim.

Por outro lado Worldwide Wes é daqueles caras que só pensam no benefício próprio e em agradar à sua panelinha. Ele vai botar toda sua turma de influência e seus jogadores onde quiser. Canalha, cafajeste ou só mais um megalomaníaco na NBA, não sei, mas ele tem muita influência sobre o Chris Paul. Talvez isso fale mais alto que qualquer outra coisa.

Q: Tudo isso para falar de uma troca! E eu aqui com preguiça de ler esses posts gigantes. Dá uma resumida aí, valeu a pena para o Knicks?

A troca valeu para conseguir o Carmelo Anthony, só. A história da NBA mostra que times com só um ou nenhum jogador fora de série, estrelas, ganham uma vez a cada dez milhões de anos, então eles foram para o home run. Trocaram a base sólida, os bons jogadores, o médio, pela chance do espetacular. Combina com o espírito nova-iorquino de se achar o centro do mundo e não se contentar em ser um bom time, dão tudo só pela chance de ser o melhor.

Mas sem dúvida é um risco. Hoje o elenco é raso, tem um banco de reservas ridículo e terão que trabalhar para descobrir o que Melo e Amar'e precisam a mais para funcionar juntos e ir buscar isso na próxima temporada. Aí vem a questão de quem irá procurar, já que eles arruinaram o clima entre a direção do time e o General Manager e isso talvez possa até levar o técnico Mike D'Antoni embora em um futuro próximo. Para os que não gostam dele é um alívio, para os que gostam fica o medo do que vem a seguir: Talvez Isiah Thomas escolhendo ele mesmo como o mais preparado disponível (de novo!) ou o Worldwide Wes retribuindo algum favor a alguém que não esteja a altura do cargo.

O New York Knicks voltou a ser relevante de novo nessa temporada, com essa troca volta a ser o centro das atenções no mundo do basquete. Os próximos meses irão dizer se pelo motivo certo.

...


Q: E o Nuggets, não podia conseguir um troço melhor em troca do Carmelo, tipo uma superestrela?

Na verdade o Nuggets teve é muita sorte de conseguir o que conseguiu. Quando se troca uma estrela que está encerrando seu contrato, é muito difícil conseguir valor igual em troca. Em geral o time troca sua estrela admitindo a derrota e tendo que aceitar apenas jogadores secundários e escolhas de draft. Mas, ainda que o Nuggets tenha recebido propostas melhores pelo Carmelo, o time não podia aceitar o que mais lhe interessasse. Isso porque qualquer time só faria a troca com o Nuggets se houvesse a confirmação de que o Carmelo assinaria um novo contrato ou uma extensão, ou seja, era o Carmelo quem decidia para onde ser trocado.

Q: Então o Carmelo é um safado filho de uma quenga?

Danilo: Na verdade não, a única safadeza aqui é do Nuggets. Para o Carmelo, a coisa é simples: seu contrato termina e, se ele não quer continuar jogando pelo Nuggets, sai ao fim da temporada e assina com o time que ele preferir. É isso que está previsto nas regras e é isso que deveria acontecer - acaba o contrato do Carmelo, ele assina com o Knicks e todos vivem felizes para sempre. O Nuggets, no entanto, ficaria sem sua estrela (assim como aconteceu com o Cavs) e apenas o espaço salarial para contratar outro jogador, mas quem iria querer jogar num Nuggets sem estrelas? O que o Nuggets fez, então, é uma brecha no sistema, um migué, um jeitinho brasileiro: trocar o Carmelo antes do fim do contrato e receber qualquer merda em troca pra não ficar de mãos abanando. Nada mais justo, no entanto, que o Carmelo escolha o time para o qual quer ir como seria o normal.

Q: Mas por que o Nuggets não trocou só o Carmelo e enfiou o Billups junto na troca?

Danilo: O Nuggets era um dos 5 times que mais gastava com salários na NBA, ou seja, tinha gastos de time que quer ser campeão. Sem o Carmelo, o time admite implicitamente que não dá pra manter o time com o mesmo rendimento e não faria sentido então manter os mesmos gastos. Apenas parte do salário do Billups é garantido para a próxima temporada (3 milhões), então o time que quiser se livrar dele pode pagar esse grana e pronto. Para mantê-lo, o salário seria de mais de 14 milhões, algo impensável para o Nuggets agora. Então eles aproveitam e mandam o Billups embora agora, poupando a grana que teriam que pagar para ele até o fim da temporada. Por estar acima do limite salarial, o Nuggets já paga mais de 13 milhões de taxas. Mandando o Billups junto com o Carmelo eles ficam abaixo do limite e chegam a economizar quase 25 milhões de dólares só esse ano! Para um time que não tem mais chances de ser campeão e passou os últimos 5 anos endividando até as calças para tentar um título, é uma economia que não dá para ignorar.

Q: É verdade que o Nuggets vai trocar os jogadores que conseguiu com o Knicks?

Danilo: Existe a possibilidade, mas ela é muito difícil. Os engravatados do Nuggets se mostraram muito tristes de não conseguir uma extensão com o Carmelo, mas estão felizes com os jogadores jovens e baratos que conseguiram. Wilson Chandler é uma versão light do Carmelo Anthony, aprendeu a arremessar de três nessa temporada, sabe jogar dentro do garrafão de costas para a cesta, e é melhor defensor do que o Carmelo. Danilo Gallinari é um excelente arremessador que vem mostrando ser capaz em outras áreas, Tomfey Mozgov e Kosta Koufos são pivôs com potencial para um futuro projeto de reconstrução, e Raymond Felton é bom o bastante para garantir que Ty Lawson possa continuar vindo do banco de reservas e prosseguir em seu desenvolvimento gradual. O mais importante é que são todos jogadores muito baratos - o mais caro é o Felton e seus 7 milhões de salário que duram apenas até o fim da próxima temporada. O Nuggets agora tem talento, várias escolhas de draft para reconstruir o time, vários role players competentes, e espaço salarial para tentar uma nova estrela ou economizar dinheiro até que o time possa render alguma coisa.

Q: Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor e quero saber se o Nenê agora vai ter um papel central no Nuggets

Danilo: O Nenê disse esperar uma extensão de contrato, já que ele só continua no Nuggets na temporada que vem se ele quiser, o próximo ano do contrato é escolha do jogador. É capaz que o Nuggets até extenda o contrato, mas ao ver a folha salarial do Nuggets percebemos que os únicos jogadores mais caros do que o Raymond Felton e seus 7 milhões de salário são o Kenyon Matin (16 milhões injustos, mas que acabam nessa temporada) e o Nenê (11 milhões). Se o time feder e entrar em processo de reconstrução total, cuidando da pirralhada e esperando as escolhas de draft, não faz sentido pagar o maior salário da equipe para o Nenê. Meu palpite é de que ele só terá o contrato renovado e um papel importante na equipe se o time se sair, desde já, muito melhor do que o esperado e acharem que não precisa fazer uma reconstrução total. Vamos descobrir isso, e analisar a fundo o modo de jogo do novo Nuggets, assim que os jogadores fizerem sua estreia pela equipe.

Q: Para quê o Nuggets vai usar as player exceptions, que parecem vale-CD?

Danilo: Com elas o Nuggets pode mandar um jogador muito barato, com salário risível, em troca de um jogador muito caro. Uma delas, de 17 milhões, permite mandar qualquer mané com salário de novato em troca do jogador mais caro do planeta. Mas esse tipo de troca só acontece se algum time quiser se livrar de seu jogador caro para começar um processo de reconstrução, o que é raro. Se o próprio Nuggets estiver em processo de reconstrução, para quê vai querer um jogador caro pra burro? Essas player exceptions são mais para fazer a troca funcionar do ponto de vista burocrático do que úteis de verdade. Serão usadas caso os jogadores adquiridos sejam trocados, o Nets está interessado, mas por enquanto parece bastante improvável de acontecer.

Q: Por que o Wolves entrou na troca?

Danilo: O Knicks não tinha espaço salarial para receber o Carmelo, então tinha que se livrar do contrato expirante do Eddy Curry de mais de 10 milhões. O Wolves, abaixo do teto salarial, agarrou a chance de receber o jogador - e o Knicks ainda mandou um incentivo financeiro para o Wolves usar e pagar uma parte do seu salário nessa temporada (caso queiram mandar o Curry embora, após um regime que lhe permitisse ao menos passar pela porta de saída). Pela ajudinha do Wolves, outras trocas aconteceram: o Knicks mandou o Anthony Randolph, que eles conseguiram nessa temporada achando que seria um jovem gênio e sequer recebeu minutos de jogo, e o Wolves mandou o Corey Brewer, que é um defensor atlético excelente para ser role player em time vencedor, mas que era cada vez mais desnecessário no Wolves. Além disso, o Nuggets mandou uma escolha de segunda rodada do draft em troca do Kosta Koufos, o pivô que eles nunca usavam porque são apaixonados pelo Darko. Ou seja, o Wolves se aproveitou da brincadeira apenas para dar uma chance ao Anthony Randolph, jogador de potencial que estava apodrecendo no Knicks, do mesmo modo que eles já fizeram com o Darko Milicic e têm orgulho disso.

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Se você tiver mais alguma pergunta pode mandar nos comentários. Só não prometemos responder logo, afinal temos uma troca do Deron Williams já comentada e agendada para entrar no ar amanhã de manhã!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O fundo do poço

Foteeenha de dias mais felizes

Ao fim do primeiro mês de temporada, o Cavs tinha conquistado 7 vitórias e 10 derrotas. Não era nem sombra daquele Cavs que esteve sempre no topo do Leste nos anos anteriores, mas era um número de vitórias respeitável, digno, daqueles que dá pra levar pra jantar e apresentar para os nossos pais sem vergonha. As limitações do elenco eram óbvias, mas o técnico Byron Scott é um gênio e os jogadores pareciam estar se adaptando rápido aos novos papéis. Já tinha gente falando que o JJ Hickson poderia levar o prêmio de jogador que mais evoluiu na temporada, fruto de um aumento de produção digno de quem assumiu a carga de ser a nova cara da franquia. O Cavs era um time ruim, claro, mas com alguns jogadores talentosos, jovens, um técnico competente e vontade de provar para o mundo que eles poderiam sobreviver sem LeBron James.

Enquanto isso, o Heat demorava pra engrenar e enquanto o planeta tacava cocô no LeBron e em sua decisão de ir jogar na praia, o Cavs se alimentava das dificuldades de sua ex-estrela. Quanto pior o Heat jogava, mais ânimo o Cavs tinha para superar suas dificuldades. Até que os dois times se enfrentaram, o Cavs entrou pronto para matar-pilhar-destruir, a torcida vaiou LeBron o quanto conseguiu, e o Heat simplesmente massacrou o adversário. Comentei na época sobre como o ódio ao LeBron em Cleveland havia unido todo o elenco do Heat para defender seu companheiro, e desde então o time parece ter se encontrado, percebeu que o jogo coletivo pode significar fazer turnos ("uma hora vou eu, outra hora vai você") e que o entrosamento maior precisa estar na defesa. Agora o Heat está solidamente lá no topo do Leste e ninguém mais questiona se eles vão ou não dar certo.

Já o Cavs, depois do forte golpe no ego, desmoronou como ex-namorada que viu o amor de sua vida se dando bem na balada - e de quebra lhe cuspindo na testa. O Cavs perdeu seu objetivo, seu ânimo, deixou de  se alimentar das dificuldades alheias, e tornou-se incapaz de superar as próprias. Depois de perder para o Heat, o Cavs perdeu 19 partidas e ganhou apenas uma, contra o Knicks, que só por isso deveria ficar de castigo. Antes o Cavs tinha um recorde bom o bastante pra ir pros playoffs porque o Leste fede, agora eles são o pior time de toda a NBA. Disparado.

No papel, o time não parece tão ruim, mas é preciso lembrar que ele foi inteiramente formado ao redor de LeBron James e, mesmo assim, sem muito critério. Nunca foram jogadores que se encaixavam ou faziam sentido juntos, eram apenas trazidos para mostrar serviço para o LeBron, para tentar aumentar o nível do time como fosse possível. A diretoria nunca poupou esforço ou dinheiro para trazer reforços, mas também nunca teve muito tutano. O conjunto acabou dando certo basicamente porque seus papeis eram limitados e a única parte tática era defensiva. Levou muito tempo até que os assistentes técnicos dessem um padrão ofensivo para o Cavs, e mesmo assim sempre foi gritante a queda de nível toda vez que LeBron passava a bola. Sem ele, mesmo os jogadores mais talentosos agora estão expostos como nunca estiveram, e ao invés do papel secundário precisam assumir jogadas e responsabilidades. Agora enfrentam marcações exclusivas, dupla marcação, precisam criar o próprio arremesso. Mo Williams nunca foi um armador nato, levou seus companheiros do Bucks à loucura até que tiveram que trocá-lo para salvar o clima na equipe, e agora sua afobação no ataque e sua dificuldade para chamar jogadas fica evidente, esfregada na nossa cara. Não tem o LeBron armando o jogo para camuflar.

No par de vezes nas últimas temporadas em que o LeBron não jogou pelo Cavs, contundido, sempre fiquei surpreso em ver como o elenco conseguia se virar bem sem ele, mas era um tipo de jogo completamente diferente. Todos os carregadores de piano, secundários até o osso, davam o sangue uns pelos outros. O que sempre impressionou no Cavs é que ele era um time incrivelmente unido, em que todo mundo sabia seu lugar, sua importância e seu papel. Foi esse tipo de compreensão e união que segurou o Cavs no começo dessa temporada, mas quando a moral foi derrubada, a fraqueza do elenco foi escancarada.

É injusto dizer que esse time fede demais e que portanto o LeBron jogava sozinho nas últimas temporadas, que fez tudo por si só. A maioria desses jogadores do Cavs funciona bem como especialista que vem do banco, como defensor, como arremessador parado, essas coisas essenciais para qualquer time ser campeão. Era um time bom porque tinha gente disposta jogar em volta de uma única estrela e sabia fazer isso muito bem. Mas, sem a estrela, estão todos fora de seu ambiente natural e precisam fazer coisas que não podem fazer. Eles não fedem tanto assim com uma estrela, são limitados mas eficientes no esquema tático certo, mas sem uma estrela eles são um elenco para apanhar um bocado. Um bocado, mas não tanto.

O golpe na moral ao perder para o Heat em casa e ver LeBron sair sorrindo feliz da vida e começar a ganhar um jogo atrás do outro foi muito forte, mas o golpe na saúde dos jogadores foi ainda maior. Toda equipe sofre com lesões, mas no caso do Cavs isso é ainda pior. O LeBron saiu do Cavs quando restavam poucos jogadores sem contrato na NBA, então não havia ninguém para contratar. Fora que a grana em Cleveland é muito curta, em parte pela dificuldade econômica da cidade, mas também porque os dirigentes toparam um monte de contratos gigantes e idiotas (como o do Varejão e o do Jamison, por exemplo) simplesmente para manter ao lado do LeBron a estrutura necessária para vencer. Mas sem uma estrela, não adianta pagar 7 milhões no Varejão e não ter grana para reconstruir o time. E, mesmo com grana, os jogadores da NBA preferem escapar de Cleveland agora, já que não há mais chances de título, a economia lá é ruim e a cidade é uma droga. Com isso, o Cavs teve que usar seus antigos reservas como atuais titulares, e qualquer lesão significa que os jogadores mais zé-ninguém do mundo terão que entrar em quadra. E as lesões vieram a rodo.

O Varejão está fora da temporada com uma lesão no tornozelo adquirida nos treinamentos, e ele vinha sendo o melhor jogador da equipe - o que já mostra como o time é uma porcaria. Não que o Varejão seja horrível, sua defesa tem sido impressionante (o que ele fez com o Dwight Howard nessa temporada não foi bolinho não) e sua energia é essencial para a moral dessa equipe, mas ele é o típico jogador secundário que você encaixa num time pra fazer o trabalho que ninguém quer fazer. Fora ele, o Cavs também está sem o Daniel Gibson (típico arremessador especialista pra vir do banco, mas que no Cavs atual teve que ser titular), sem Joey Graham (que fede mas também já foi titular porque não tinha ninguém pra colocar no lugar do LeBron), sem Leon Powe (que tem "reserva do Celtics" tatuado na testa) e sem Anthony Parker, único desses que se for titular não vai fazer o Universo chorar, pelo menos.

Isso quer dizer que, para enfrentar o Lakers, esse Cavs que já fede, que já não tem moral ou vontade nenhuma, e que perdeu 21 de seus últimos 22 jogos, ainda estava completamente desfalcado e teve que usar uma série de jogadores muito ilustres: Manny Harris foi titular (novato que foi de mal ser usado para jogar mais de 40 minutos por jogo), Samardo Samuels tentou 12 arremessos e só acertou um (vai ver que tentou tanto por causa de sua grande força nominal) e Alonzo Gee foi o cestinha do time com 12 pontos (famoso Alonzo Gee, que está em seu terceiro time em apenas duas temporadas). Esses jogadores fazem caras como Ryan Hollins parecerem famosos como estrelas do rock. Perto desses jogadores, ex-BBB é uma baita celebridade. Se alguém souber qual é a cara de qualquer um deles sem colar no Google, ganha um prêmio.

Samardo Samuels, meu deus, Samardo Samuels. Parece nome de jogador inventado de videogame. Parece nome falso de traficante procurado pela polícia. Não me surpreenderia se ele fosse apenas um torcedor do Cavs sorteado para participar do jogo porque não tinha mais ninguém pra entrar em quadra. Se o Samardo Samuels pode, eu também posso. Vamos fazer uma campanha para que os leitores do Bola Presa possam substituir o Samardo Samuels no elenco do Cavs, cada dia vai um leitor e entra em quadra, e vamos revezando pra todo mundo ficar feliz. E o Cavs sai ganhando, certeza de que se eu ficar arremessando de três do meio da quadra eu acerto uma bola em 12 tentativas!

Não é estranho, portanto, que esse elenco tenha marcado apenas 57 pontos contra o Lakers - e tomado 112. É o maior cacete que eu vi nos últimos anos, a coisa mais humilhante depois do capote no Globocop, e o recorde do Lakers em limitar o número de pontos do oponente. Antes do LeBron ser draftado, a torcida do Cavs levava placas de "percam por LeBron" para o ginásio, mas o time pelo menos fingia que estava jogando basquete. Não colocavam o Samardo Samuels na quadra! É claro que o Cavs já está pensando na primeira escolha do draft pra temporada que vem, mas colocar o Samardo Samuels é o equivalente a jogar a toalha no boxe, é desistir sem tentar, é entregar o jogo. Se um jogador mediano entrar em quadra sozinho e arremessar todas as bolas só ele durante o jogo todo, faz mais de 57 pontos fácil.

O Cavs, vergonhosamente, fica para nós como um exemplo do que acontece quando um time constrói ao redor de uma única estrela - e perde essa estrela sem trocá-la. Mesmo o Mavs sem Nowitzki e sem Caron Butler consegue segurar melhor as pontas. O Cavs foi mal montado, aos trancos e barrancos, e jamais teve um "plano B". Quando o Celtics montou várias defesas especiais para parar LeBron nos playoffs (que eu analisei na época aqui), não havia nada pensado, programado, planejado ou ensaiado para manter o time funcionando. Nenhuma contratação visava tapar um buraco específico. Apenas foram agrupando, agrupando, agrupando. Montaram um circo incapaz de se encaixar e que não tem mais cabeça para superar essas cagadas.

Quanto o Nets flertava na temporada passada com a pior campanha da história da NBA, comentei aqui que o elenco não era tão ruim, que eles tinham algumas grandes partidas, que não era motivo para bater um recorde histórico de ruindade. Mas é que depois das primeiras derrotas o time praticamente desistiu, começou a ficar frustrado, via as lesões acontecendo e tinha ainda menos vontade de entrar em quadra. Perder entra na cabeça dos jogadores e come seus cérebros, você se acostuma, entra em quadra como um zumbi, esquece que era possível vencer. Esse Cavs entrou nesse buraco, e sequer quer sair dele. Vai feder, tomar surras históricas, colocar o Samardo Samuels em quadra, marcar 57 pontos, e esperar começar tudo de novo no draft. Mas o processo de reconstrução vai ser longo, tem que se livrar do Jamison, do Mo Williams (que já está enlouquecendo os companheiros de novo), decidir se vale a pena manter o Varejão num time em que ele é inútil ou conseguir umas escolhas de draft em troca. Só esperemos que esse processo de reconstrução não culmine em mais um time construído apenas em volta de uma futura escolha do draft. Porque já vimos que isso não dá certo, e uma hora você acaba tendo nas mãos apenas Samardo Samuels. Samardo Samuels. Samardo Samuels.

A lição serve para o Nuggets também. Eles tentaram uma série de trocas para colocar o talento necessário ao redor de Carmelo Anthony para levá-lo a um título, e não foi um erro, o Nuggets teve altos e baixos mas é um time de respeito. Mas se perderem Carmelo por nada, como aconteceu com o Cavs e LeBron, terão apenas um time de jogadores secundários e especialistas, ninguém para manter um padrão de jogo, e o Billups será um jogador bom mas incapaz de levar qualquer coisa nas costas sozinho, velho demais para participar de uma reconstrução, e caro demais para permitir novas contratações. Mesmo melhor montado do que o Cavs, o Nuggets despencaria para um buraco muito rápido. Melhor do que ficar torcendo para o Carmelo reassinar é admitir a derrota, fazer uma troca por pivetes e escolhas de draft, se livrar do Billups, do Kenyon Martin, e começar de novo sem maiores dificuldades. Sem Samardo Samuels.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Denver Nuggets

"É a TUA mãe, aquela..."


Objetivo máximo: Uma final de Conferência
Não seria estranho: Se classificar no sufoco para os playoffs e rodar na primeira rodada
Desastre: Perder Carmelo Anthony e afundar na tabela

Forças: Um ataque muito forte
Fraquezas: Uma defesa capenga e um banco duvidoso, sem profundidade

Elenco:













.....
Técnico: George Karl

A passagem de Karl pelo Nuggets é cheia de altos e baixos. Sua fama foi sempre de treinar grandes ataques, equilibrados e com muitas armas ofensivas, mas só teve sucesso quando conseguiu montar defesas pelo menos decentes (como o Bucks de Glenn Robinson) e às vezes espetaculares (como o Sonics de Gary Payton). No Nuggets, teve muitos problemas de equilibrar o ataque, que era extremamente individualista (do tipo "quem pegar chuta"), e nunca conseguiu nada que sequer lembrasse uma defesa na equipe. Quando lidou com o Nuggets de Carmelo Anthony e Allen Iverson, a incapacidade de deixar os dois jogadores felizes e equilibrar as movimentações ofensivas fez com que perdesse o controle do time. Dizem que ninguém ouvia mais o técnico, JR Smith estava cansado de ficar no banco e ser mal aproveitado (já que o treinador não suportava seus arremessos sem critério), e o emprego do George Karl ficou por um fio. Apenas com a saída de Iverson e a chegada de Billups os engravatados e os jogadores resolveram dar uma última chance ao Karl, deixar que ele tentasse começar de novo. Com a liderança de Billups em quadra, Karl conseguiu montar um time mais organizado capaz de respeitar seu plano de jogo, JR Smith passou a ser bem utilizado em momentos importantes (e tirado do jogo quando seus erros custavam muito caro) e até a defesa ficou ao menos respeitável.

Quando foi diagnosticado com câncer na garganta, o carinho e a admiração dos jogadores do Nuggets ficaram muito claras em suas homenagens. O Nuggets passou a agir como um grupo que havia resistido às maiores adversidades e agora estava pronto para ser campeão, e grande parte do mérito estava no fato de que George Karl nunca parou de aprender, tanto na parte tática quanto no seu relacionamento com os jogadores. Seu plano de jogo agora é mais maleável, mas ele também é mais respeitado. Seu Nuggets estava em segundo lugar do Oeste quando Karl teve que se auxentar para tratar o câncer, e a pancada no time inteiro foi monumental: despencaram na tabela e foram eliminados dos playoffs. Já não se questiona mais a importância do técnico, que parece cada vez mais atingir com a experiência o equilíbrio ideal entre ataque e defesa, mas tem sempre que se virar com o excesso de contusões de seus jogadores também experientes (que é eufemismo para "velhinhos de joelho frágil").

....
Mais uma vez, recorro a um post bem recente do Denis sobre o Nuggets e a possível saída de Carmelo:

"Enquanto a maioria dos times gastou seu precioso tempo de offseason buscando novas contratações, o Nuggets se preocupou basicamente em segurar Carmelo Anthony. Ao contrário dos seus companheiros de Draft de 2003, Dwyane Wade, Chris Bosh e LeBron James, quando Carmelo fez seu último contrato, fez um maior que o dos amiguinhos. Dá pra entender, enquanto os outros três estavam em franquias que naquela época despertavam dúvidas, o Melo estava muito bem no Nuggets, que é no mínimo um bom time desde sua chegada.

Isso quer dizer que se todos viraram Free Agents agora, Melo será somente daqui a um ano e ver todos esses grandes jogadores mudando de time para ter a chance de ganhar um título deve ter dado um cagaço monstruoso no time de Denver. Já ofereceram mais de uma vez extensões de contrato de mais 3 anos e 65 milhões de dólares.

(...)

Entre os times que devem ir pra cima do Melo com tudo estão o New York Knicks e o New Jersey Nets. O Knicks não gastou tudo o que podia nesse verão americano e para a temporada que vem ainda tem, finalmente, o fim do contrato do Eddy Curry, que só não é maior do que a barriga do pivô. Já o Nets também não gastou tudo o que podia e acabou de trocar por Troy Murphy, cujo contrato também se encerra na próxima temporada. E não é só porque os dois podem pagar que eles são fortes concorrentes, tem também o apelo emocional. Carmelo Anthony nasceu em Nova York, gosta da cidade e até fez universidade em Syracuse, lá pertinho. Ir para qualquer um dos time seria voltar para casa. O Knicks é o time mais famoso, glamuroso e conhecido, e o Nets deve se mudar para o Brooklyn dentro de alguns anos, exata região onde nasceu Melo.

Deu pra entender porque o Nuggets está desesperado para conseguir essa extensão, né? Faz muito sentido ele sair após a próxima temporada. E ainda tem mais: o Nuggets é um time experiente, com jogadores que ou estão no auge ou já estão passando dele. Nenê ainda está em plena forma com 28, mas Kenyon Martin e Chauncey Billups, dois pilares da equipe, não são garantia de saúde e jogo em alto nível por muito mais tempo. 

Por essas tentações de novos ares é que eu acho que o Carmelo não deve e nem vai assinar essa extensão, criando no Nuggets uma sensação de urgência parecida com a que existiu no Cavs no ano passado. E também, como o time do LeBron no ano passado, existem chances reais de título, embora vá ser bem difícil.

Depois da dificuldade que deram para o Lakers na final do Oeste de 2009, o Nuggets entrou como um dos favoritos na temporada passada. Durante meio ano sustentou esse título por ficar em segundo no Oeste, ganhando de vários outros times grandes da liga, incluindo o próprio Lakers em Los Angeles. Mas no meio da temporada a maionese desandou. Primeiro foi a contusão do Kenyon Martin, o melhor jogador de defesa do time e grande reboteiro. Depois foi a volta do câncer do treinador George Karl, que teve que se ausentar durante muitas partidas, inclusive toda a série de playoffs contra o Jazz, quando tomaram uma surra de 4 a 1.

Os dois estão de volta para essa temporada, por isso não existe razão para não dizer que o time vai continuar sendo um dos melhores, mas a saída deles evidenciou algumas deficiências do time. Chauncey Billups já foi considerado o melhor armador da NBA na sua época de Pistons, mas claramente começa a viver a sua vagarosa decadência. Ele ainda é fora de série, mas no meio do caminho tem jogos discretíssimos, ele não consegue ganhar jogos quando dá na telha como fazia no Pistons, e na defesa, onde sempre foi ótimo, as pernas não acompanham mais. É só ver o baile que ele tomou do Deron Williams na última pós-temporada. Já que os dois são sempre comparados, foi o equivalente do Deron para o que o Chris Paul fez com o pobre vovô do Jason Kidd nos playoffs de 2008. Pois é, uma hora a juventude nos alcança e é hora de virar comentarista de TV, Chris Webber tá na NBA TV todo dia pra comprovar isso.

Em vários jogos em que o Billups não dava conta do recado, o Ty Lawson deu. Quando suas bolas não caíam, o JR Smith dava os arremessos mais imbecis da história do basquete (e eventualmente acertava) para dar a vitória ao Denver. Isso mostra que o time é bom, grande, mas que eventualmente depende de jogadores não muito confiáveis. É um time forte, mas como o Billups de hoje em dia, deixa sempre aquela dúvida no ar.

Outra questão que a contusão do K-Mart deixou clara foi a falta de profundidade do garrafão. Nenê, Chris Andersen e Kenyon Martin são o trio mais físico, tatuado e mal encarado da NBA na atualidade. Fazem uma rotação interessante e todos jogam nas duas posições do garrafão, mas e quando alguém se machuca? Dois são titulares e acabou. Sem banco para cobrir alguém cansado ou com problemas de falta. Isso machucou muito a equipe na temporada passada e para resolver o problema contrataram dois jogadores, o Shelden Williams e o Al Harrington.

Tem gente que até gosta do Shelden Williams, acho que o Danilo é um deles, mas eu acho um cara que não sabe fazer porcaria nenhuma numa quadra de basquete. A intenção de contratar um cara de garrafão foi boa, a escolha péssima. Sem querer pegar no pé do Shelden só porque o formato da sua cabeça me ofende, mas o DJ Mbenga seria mais útil. Já o Al Harrigton foi uma ótima adição. Ele arremessa de três e abre o jogo como o Linas Kleizafez tão bem pelo Nuggets naquela campanha de 2009, sabe jogar de ala de força e quebra um galho nos rebotes. Não sei se gostaria de ver ele de titular em algum time, mas como reserva e em especial nesse time veloz que é o banco do Nuggets, ele é pefeito. Imagina eles correndo com Ty Lawson, JR Smith, Al Harrington e Chris Andersen ao mesmo tempo? Tem tudo para dar dor de cabeça para os bancos das outras equipes.

O Nuggets fez pouco para essa temporada, mas as peças estão lá para irem longe de novo. O armador experiente, o garrafão forte, um bom defensor de perímetro (o ótimo Arron Afflalo), o banco de reservas talentoso, um técnico experiente e que conhece o time e a estrela/cestinha, Carmelo Anthony. Fácil esquecer deles depois dos playoffs ridículos do ano passado, mas vamos dar mais uma chance. Embora seja, provavelmente, a última."


Aproveito a deixa para defender o Shelden Williams, que para mim é um bom reboteiro, se posiciona bem na quadra, e poderia render muito melhor no ataque se tivesse a oportunidade. Na pré-temporada ele rendeu muito bem, e disse que o George Karl lhe incentivou a ser mais agressivo e atacar a cesta, coisa que ele não fazia desde os tempos de faculdade e que por isso seu cérebro tem dificuldade de associar as palavras "bola" e "pontuar". É legal ver o George Karl disposto a dar minutos, oportunidade e confiança até para jogadores mais-ou-menos que são tacados de um lado para o outro por aí. Se o Shelden Williams render um pouco, torna a rotação de garrafão do Nuggets ainda mais forte e versátil. Ele pode jogar de pivô, assim como Al Harrington pode jogar de ala de força, e o Nuggets ganha um time absurdamente veloz e ofensivo para quando a defesa já estiver na merda mesmo. A equipe é inteligente, os jogadores agora sabem que papel desempenham, e há mais espaço para novos jogadores cheguem para tapar os buracos na rotação da equipe assim como o Ty Lawson fez na temporada passada. Dá pra aproveitar a experiência do elenco para chegar a uma Final do Oeste se não houverem contusões ou cânceres à vista, mas a situação do Carmelo pode colocar tudo a perder. 

Como disse antes, deixei o preview do Nuggets por último porque o Carmelo pode ser trocado a qualquer momento agora. Ainda há a esperança de convencer o jogador a ficar, mas tudo isso depende dos resultados no começo da temporada. A chance de que a situação do Carmelo incomode os outros jogadores, fazendo-os pensar que a temporada não vale pra nada porque ele vai dar o fora de lá, é enorme. Se for o caso e o time começar a desandar, aí é que o Carmelo vai querer se pirulitar dali e a temporada vai mesmo pro saco. O ideal seria essa situação ser resolvida logo, mas se não trocarem o Carmelo vão ter que torcer para que vitórias iniciais animem o elenco. Mesmo que convençam Carmelo a ficar, essa pode ser uma das últimas chances de título desse elenco como o conhecemos, então vamos torcer para que dê tudo certo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Última chance?

Sem saber se o Nuggets continuará um bom time, 
Carmelo faz como no banheiro: senta e espera


Enquanto a maioria dos times gastou seu precioso tempo de offseason buscando novas contratações, o Nuggets se preocupou basicamente em segurar Carmelo Anthony. Ao contrário dos seus companheiros de Draft de 2003, Dwyane Wade, Chris Bosh e LeBron James, quando Carmelo fez seu último contrato, fez um maior que o dos amiguinhos. Dá pra entender, enquanto os outros três estavam em franquias que naquela época despertavam dúvidas, o Melo estava muito bem no Nuggets, que é no mínimo um bom time desde sua chegada.

Isso quer dizer que se todos viraram Free Agents agora, Melo será somente daqui a um ano e ver todos esses grandes jogadores mudando de time para ter a chance de ganhar um título deve ter dado um cagaço monstruoso no time de Denver. Já ofereceram mais de uma vez extensões de contrato de mais 3 anos e 65 milhões de dólares.

O jogador ainda não aceitou e acho que nem deve aceitar. Não sou ninguém pra falar pra alguém recusar tanto dinheiro, mas é que ele não estaria recusando, mas adiando. Se ele acertar essa extensão fica "preso" ao Nuggets por mais três anos, torcendo para que o time volte a evoluir depois da queda de qualidade que teve a partir do meio da temporada passada. Se não aceitar, ganha mais um ano para analisar a situação do Nuggets e dos outros times que possam vir a oferecer outros contratos milionários. A não ser que aconteça um desastre e o joelho do Carmelo esfarele como o do Shaun Livingston, é certeza que ele vai receber ofertas riquíssimas daqui a um ano, não tem porque aceitar agora apenas por medo. E ele nem tem um histórico de contusões para temer alguma coisa mais grave.

Entre os times que devem ir pra cima do Melo com tudo estão o New York Knicks e o New Jersey Nets. O Knicks não gastou tudo o que podia nesse verão americano e para a temporada que vem ainda tem, finalmente, o fim do contrato do Eddy Curry, que só não é maior do que a barriga do pivô. Já o Nets também não gastou tudo o que podia e acabou de trocar por Troy Murphy, cujo contrato também se encerra na próxima temporada. E não é só porque os dois podem pagar que eles são fortes concorrentes, tem também o apelo emocional. Carmelo Anthony nasceu em Nova York, gosta da cidade e até fez universidade em Syracuse, lá pertinho. Ir para qualquer um dos time seria voltar para casa. O Knicks é o time mais famoso, glamuroso e conhecido, e o Nets deve se mudar para o Brooklyn dentro de alguns anos, exata região onde nasceu Melo.

Deu pra entender porque o Nuggets está desesperado para conseguir essa extensão, né? Faz muito sentido ele sair após a próxima temporada. E ainda tem mais: o Nuggets é um time experiente, com jogadores que ou estão no auge ou já estão passando dele. Nenê ainda está em plena forma com 28, mas Kenyon Martin e Chauncey Billups, dois pilares da equipe, não são garantia de saúde e jogo em alto nível por muito mais tempo. Difícil concorrer por exemplo com o Nets de Derrick Favors e Brook Lopez ou o Knicks de Amar'e Stoudemire e Danilo Gallinari. Por fim, mais um ingrediente que deve ter mexido com a cabeça do jogador do Nuggets são os boatos dizendo que apesar da contratação de Raymond Felton, o Knicks planeja um novo armador para a próxima temporada. Chris Paul é o primeiro e principal alvo (já contamos como ele está doido para ganhar um título e mantém uma relação estremecida com o Hornets) e Tony Parker é o segundo, até a Eva Longoria, deliciosa mulher do francês, já está alimentando os rumores dizendo que adoraria o marido jogando em Nova York. Só espero que decidam logo pra eu saber se troco ou não o George Hill no meu time de fantasy!

Por essas tentações de novos ares é que eu acho que o Carmelo não deve e nem vai assinar essa extensão, criando no Nuggets uma sensação de urgência parecida com a que existiu no Cavs no ano passado. E também, como o time do LeBron no ano passado, existem chances reais de título, embora vá ser bem difícil.

Depois da dificuldade que deram para o Lakers na final do Oeste de 2009, o Nuggets entrou como um dos favoritos na temporada passada. Durante meio ano sustentou esse título por ficar em segundo no Oeste, ganhando de vários outros times grandes da liga, incluindo o próprio Lakers em Los Angeles. Mas no meio da temporada a maionese desandou. Primeiro foi a contusão do Kenyon Martin, o melhor jogador de defesa do time e grande reboteiro. Depois foi a volta do câncer do treinador George Karl, que teve que se ausentar durante muitas partidas, inclusive toda a série de playoffs contra o Jazz, quando tomaram uma surra de 4 a 1.

Os dois estão de volta para essa temporada, por isso não existe razão para não dizer que o time vai continuar sendo um dos melhores, mas a saída deles evidenciou algumas deficiências do time. Chauncey Billups já foi considerado o melhor armador da NBA na sua época de Pistons, mas claramente começa a viver a sua vagarosa decadência. Ele ainda é fora de série, mas no meio do caminho tem jogos discretíssimos, ele não consegue ganhar jogos quando dá na telha como fazia no Pistons, e na defesa, onde sempre foi ótimo, as pernas não acompanham mais. É só ver o baile que ele tomou do Deron Williams na última pós-temporada. Já que os dois são sempre comparados, foi o equivalente do Deron para o que o Chris Paul fez com o pobre vovô do Jason Kidd nos playoffs de 2008. Pois é, uma hora a juventude nos alcança e é hora de virar comentarista de TV, Chris Webber tá na NBA TV todo dia pra comprovar isso.

Em vários jogos em que o Billups não dava conta do recado, o Ty Lawson deu. Quando suas bolas não caíam, o JR Smith dava os arremessos mais imbecis da história do basquete (e eventualmente acertava) para dar a vitória ao Denver. Isso mostra que o time é bom, grande, mas que eventualmente depende de jogadores não muito confiáveis. É um time forte, mas como o Billups de hoje em dia, deixa sempre aquela dúvida no ar.

Outra questão que a contusão do K-Mart deixou clara foi a falta de profundidade do garrafão. Nenê, Chris Andersen e Kenyon Martin são o trio mais físico, tatuado e mal encarado da NBA na atualidade. Fazem uma rotação interessante e todos jogam nas duas posições do garrafão, mas e quando alguém se machuca? Dois são titulares e acabou. Sem banco para cobrir alguém cansado ou com problemas de falta. Isso machucou muito a equipe na temporada passada e para resolver o problema contrataram dois jogadores, o Shelden Williams e o Al Harrington.

Tem gente que até gosta do Shelden Williams, acho que o Danilo é um deles, mas eu acho um cara que não sabe fazer porcaria nenhuma numa quadra de basquete. A intenção de contratar um cara de garrafão foi boa, a escolha péssima. Sem querer pegar no pé do Shelden só porque o formato da sua cabeça me ofende, mas o DJ Mbenga seria mais útil. Já o Al Harrigton foi uma ótima adição. Ele arremessa de três e abre o jogo como o Linas Kleiza fez tão bem pelo Nuggets naquela campanha de 2009, sabe jogar de ala de força e quebra um galho nos rebotes. Não sei se gostaria de ver ele de titular em algum time, mas como reserva e em especial nesse time veloz que é o banco do Nuggets, ele é pefeito. Imagina eles correndo com Ty Lawson, JR Smith, Al Harrington e Chris Andersen ao mesmo tempo? Tem tudo para dar dor de cabeça para os bancos das outras equipes.

O Nuggets fez pouco para essa temporada, mas as peças estão lá para irem longe de novo. O armador experiente, o garrafão forte, um bom defensor de perímetro (o ótimo Arron Afflalo), o banco de reservas talentoso, um técnico experiente e que conhece o time e a estrela/cestinha, Carmelo Anthony. Fácil esquecer deles depois dos playoffs ridículos do ano passado, mas vamos dar mais uma chance. Embora seja, provavelmente, a última.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Repeteco

Kobe, assim como Mavs e Nuggets, choram mais uma vez


Todos nós sabemos que o Oeste é tão difícil quanto conseguir dar uns amassos na Alinne Moraes, e por isso mesmo temos motivos para esperar séries disputadas, partidas imprevisíveis, jogos inteiros sendo decididos em alguma mudança tática, com um time vencendo um jogo apenas para perder o próximo graças a alguma sacada conquistada na prancheta ou a um arremesso de último segundo. Se o Phil Jackson tomou um nó tático num jogo, o que esperamos é que ele resolva os problemas e volte com o time mudado, vença a partida, e então permita ao Thunder tentar criar um novo nó tático na partida seguinte. Em séries disputadas, esperamos um jogo de xadrez mas com menos gente nerd (deixemos os nerds apenas cuidando dos blogs), com vitórias e derrotas intercalando-se até o final da série, em que todos os conhecimentos adquiridos sobre as estratégias dos adversários são postos à prova.

Mas não foi exatamente isso que aconteceu nas partidas mais recentes da Conferência Oeste. Vantagens táticas conseguidas pelos times mais fracos acabaram se repetindo. Três times sem mando de quadra (Thunder, Spurs e Jazz) conseguiram duas vitórias seguidas, e a sensação é que conseguirão emplacar mais uma. Sabe aquela história de que um golpe de um Cavaleiro do Zodíaco não funciona duas vezes contra o mesmo adversário? Pois bem, se funcionou duas vezes - sem qualquer tipo de resposta ou solução do adversário - então por que não funcionaria três?

Quando comentei sobre a primeira vitória do Thunder em cima do Lakers, fiquei pagando pau para o técnico Scott Brooks. Não por ele ser gatinho, mas porque sua leitura do Lakers foi de dar inveja. Com um garrafão mais fraco, a solução foi colocar seus pivôs apenas para impurrar Gasol e Bynum para longe da cesta, deixar os rebotes a cabo de outros jogadores, e dobrar a marcação sempre que a bola chega no garrafão. No ataque, a decisão do Thunder foi de correr o máximo que der, atacar a cesta para cavar faltas sempre que possível, e aumentar ao máximo o ritmo de jogo. Como resultado, o Lakers passa a também jogar com velocidade, fica desencorajado a jogar dentro do garrafão e aí começa a dar arremessos rápidos de três pontos. Foi uma grande sacada perceber que arremessar de fora é o grande ponto fraco da equipe e explorá-lo. Além disso, cabe ao Westbrook atacar a cesta porque o Lakers não tem um armador que saiba defender, e ao Durant marcar o Kobe no final do jogo, quando as bolas ficam apenas na sua mão. Perfeito.

Para o jogo seguinte, o Phil Jackson sabia que a solução seria jogar dentro do garrafão o máximo possível, para evitar os arremessos de três pontos e punir os pivôs meia-boca do Thunder. No começo do jogo o plano se manteve, mas a frustração com a marcação dupla foi levando Gasol cada vez mais pra longe da cesta, o Bynum perdeu uma bola, e aí o time inteiro vai inconscientemente desistindo do plano de jogo e arremessando cada vez mais de longe. Perderam feio a partida, o técnico Scott Brooks é um gênio, e agora - como eu disse no nosso Twitter - todos os técnicos da NBA estão sentados em casa, com cara de bunda, tentando entender o porquê de não terem pensado nessa estratégia para vencer o Lakers antes. O Kobe pode estar machucado, Bynum pode não estar em plenas condições físicas, mas essa estratégia para frustrar o Lakers deveria ter sido usada por cada uma das equipes da NBA durante a temporada. Phil Jackson é um dos melhores técnicos da história, mas se a sua resposta a essa tática deu tão errado no último jogo, não vejo como dará certo na partida de amanhã. Mais do que nunca, acredito no Thunder eliminando o Lakers - mesmo que pareça tão difícil.

Na série entre Spurs e Mavs, o time de San Antonio não ganhou as duas partidas seguidas do mesmo jeito, mas parece ter conseguido uma consistência dentro da própria equipe. Quando analisei os problemas da temporada do Spurs, botei a culpa no Popovich - não por ele ser um treinador ruim, mas por seu esquema tático ser muito rígido e exigir jogadores que o elenco atual não possui. O time precisava basicamente de um bom defensor, bastante físico, que pudesse arremessar de três pontos (de preferência da zona morta). Como Richard Jefferson não é esse jogador e só brilha nos contra-ataques, acabou se afundando na rigidez do esquema tático do Popovich. Mas eis que, então, a contusão de Tony Parker acabou revelando o talento de George Hill.

A princípio ele era apenas um cosplayer de Tony Parker, ou seja, se fantasiava do armador francês em concursos de animes e mangás e tentava descolar uns prêmios, sem no entanto poder comer a Eva Longoria. No Spurs, apenas puxava contra-ataques solitários e volta e meia dava um tear drop típico do Parker (aquele arremesso com uma mão só, por cima da marcação adversária no garrafão). Mas o Popovich se apaixonou pela disciplina do rapaz, por sua vontade em quadra, e pela capacidade defensiva. Aos poucos ele foi deixando a fantasia de Parker de lado e foi se tornando único, ganhando mais responsabilidades na defesa e treinando cada vez mais arremessos. Na vitória do Jogo 3, o Spurs usou Parker, Ginóbili e George Hill ao mesmo tempo, forçando o técnico Rick Carslile a usar Kidd, Barea e Terry ao mesmo tempo, como vimos na análise da partida feita pelo Denis. Na vitória do Jogo 4, em que Parker teve um jogo muito fraco, quem venceu a partida foi mesmo o George Hill. Sabe como? Com arremessos de três pontos da zona morta. É isso mesmo: ele deixou de ser cosplayer do Tony Parker para virar cosplayer do Bruce Bowen.

Na última vitória do Spurs, George Hill foi o cestinha do jogo com 29 pontos - e 5 bolas de três pontos certeiras da zona morta. Mais bizarro do que isso, George Hill acabou marcando o Nowitzki em uma série de posses de bola, trabalhando como o Bowen em desequilibrar a linha da cintura do alemão e forçá-lo a cortar para um dos lados, onde a marcação dupla do Spurs pode obrigá-lo a parar. O Spurs sempre teve a melhor rotação defensiva de toda a NBA, já faz quase uma década. Nenhum time se recupera tão bem após fazer uma marcação dupla e ver a bola rodando em busca de um arremessador livre. O Spurs faz bem a rotação, sempre pega o cara que está livre e obriga a movimentação de bola a começar de novo. Ao fazer o Nowitzki bater para dentro, e portanto chegar mais perto do garrafão, o Spurs decidiu dobrar sempre, e aí a rotação defensiva fez um ótimo trabalho impedindo os arremessos. O alemão não ficou à vontade, os arremessadores do Dallas reiniciavam a movimentação ofensiva, e o Spurs desafiou o Mavs a jogar debaixo da cesta - sendo que eles não querem acionar Dampier e Haywood de modo nenhum, ainda mais com a insistência em jogar com três armadores em quadra ao mesmo tempo.

Ontem nada deu certo para o Spurs, o Duncan teve a pior partida da carreira, o Parker não acertava nada, o Ginóbili não calibrou a mira, mas foi a marcação dupla, a rotação defensiva e o trabalho de George Hill que garantiram o jogo. O jovem armador destruiu na defesa, nas bolas da zona morta e deu até uma cotovelada para deixar o Bruce Bowen orgulhoso. Além dele, mais sangue novo apareceu dentro do rígido esquema de Popovich: o ala nanico mas brigador DeJuan Blair lutou por rebotes, salvou bolas importantes e fez o trabalho do Duncan quando nosso cara-de-nada favorito não estava nos seus melhores momentos. A gente já sabe: se o Spurs tem uma partida de merda, em que tudo dá errado, e eles saem de quadra com a vitória (graças à defesa e às bolas de três da zona morta), é porque vão ganhar a série. Não tem nem conversa, o Mavs não tem muita chance contra essa equipe que agora acha ter as peças certas.

O bizarro é que, ainda que o Tony Parker seja muito melhor que o George Hill (o Parker está sempre nas listas de melhores armadores da NBA, e pra mim é, junto com o Monta Ellis, o melhor a finalizar dentro do garrafão), o George Hill é atualmente muito mais útil para o Spurs do que o armador francês. Jogue o Parker no lixo, lhe dê umas férias, tranque-o num quarto escuro com a Eva Longoria dentro, e o Spurs ainda ganhará do Mavs se tiver o George Hill. Nesse esquema tático do Popovich, é muito mais importante aquilo que o Hill traz à mesa, enquanto o Parker pode salvar jogos mas é, comparativamente, descartável. Outros podem pontuar, o Spurs precisa é de defeza e zona morta. Deram a sorte de que o George Hill, ainda que baixinho, é forte pra burro e treina como um débil mental. Disse estar arremessando milhares de bolas da zona morta em treinos particulares, e isso é algo que o Parker nunca conseguiu fazer. Não tem como não odiar o Spurs, até quando dá tudo errado, dá certo. Conseguiram a peça de que precisavam na hora certa, quando nós, pobres mortais, achávamos que a contusão do Tony Parker afundaria o time. Coisa nenhuma, é agora que eles parecem ter os primeiros minutos de consistência tática na temporada.

A gente também achou que o Jazz ia virar farofa com as contusões, mas no fundo isso apenas forçou o time a se focar mais em Boozer, Deron Williams e Paul Millsap. Todo mundo sabe que, num mundo ideal em que a Alinne Moraes andasse pelada, o Millsap seria titular em algum time da NBA. Com tantas lesões, Millsap ao menos ganhou mais espaço na equipe, e puniu duramente o Nuggets no garrafão. Aliás, o Jazz conseguiu expor as grandes fraquezas do Nuggets, coisas que a gente não desconfiava: o garrafão e o psicológico.

É uma espécie de lugar comum dizer que o garrafão do Nuggets é um dos mais fortes da NBA. No entanto, Nenê, Kenyon Martin e Chris Andersen são limitados no ataque. A defesa perto da cesta é o ponto forte dos três, mas Kenyon Martin está seriamente limitado - e o Jazz joga cada vez mais fora do garrafão. O Deron Williams está jogando melhor do que nunca, e o foco do Nuggets é claramente pará-lo. A equipe de Denver tem optado por dobrar a marcação, o que abre espaço para os arremessos do Boozer, e obriga os pivôs do Nuggets a saírem um pouco do garrafão - tanto para impedir os pick-and-rolls com o Deron quanto para o jogo refinado de meia-distância do Carlos Boozer. Se o Martin estivesse em melhores condições, poderia até marcar mais tempo o próprio Deron Williams, mas em suas atuais condições físicas cabe a ele ficar só olhando enquanto o melhor armador dos playoffs trucida o Nuggets. Deixando de lado todo o patriotismo que nós achamos tão idiota, posso falar também que o Nenê mostra que fede pra valer quando precisa marcar alguém no corpo-a-corpo fora do garrafão. Quando ele é colocado no Boozer, não consegue evitar cortes para dentro e nem os arremessos constantes. O Chris Andersen também é daqueles defensores fajutos, que dá tocos na cobertura mas não segura ninguém no mano-a-mano. O resultado é que na batalha do garrafão, ninguém do Nuggets pontua lá dentro, e na defesa Deron Williams e Carlos Boozer tiram os jogadores de garrafão do Nuggets de sua zona de conforto.

Mas pior do que isso é o lado psicológico. Já comentei antes que o JR Smith é um daqueles clássicos jogadores que joga muito melhor quando seu time está na frente. Seus arremessos sem critério machucam mais o Nuggets quando o time está atrás do placar e precisa de cestas fáceis e com alta porcentagem de aproveitamento. Por outro lado, esses arremessos quando o time está na frente são o que falta para terminar de aniquilar o adversário, e se eles não caem não chegam a deixar o Nuggets atrás no placar. O Jazz está jogando essa série com muito mais vontade e agressividade do que o Nuggets, com um monte de jogadores nada a ver tentando mostrar serviço e provar que a temporada não vai pro saco só por culpa de algumas contusões. A garra do Jazz é óbvia na briga por rebotes, na defesa, e nas séries de pontos seguidos que surgem de repente durante a partida, fruto apenas de algumas bolas recuperadas, rebotes ofensivos e defesa mordendo. Com isso o Nuggets fica repentinamente atrás no placar - e aí o time, assim como o JR Smith, deixa de jogar.

O JR Smith, depois de tantos conflitos com o técnico George Karl, sequer tem coragem de forçar seus arremessos idiotas quando o time está perdend nos playoffs. O resto do time acaba seguindo o mesmo padrão, e sobra para o Carmelo e para o Billups jogarem de verdade. A sensação, quando o Jazz passa à frente, é de que o Nuggets simplesmente desiste - principalmente na defesa. Falta ao Nuggets aquela calma de "time superior", aquela certeza de que sairá de quadra com a vitória não importa de quantos pontos estejam perdendo no meio do jogo. Essa calma era a marca registrada do Pistons campeão da NBA que tinha Billups na armação, e é notável a frustração do armador com a postura do Nuggets em quadra. É fato que o Billups conseguiu colocar um orgulho no time, uma calma de time vencedor, mas nada disso se aplica quando o time está perdendo. Na última partida o Jazz começou o terceiro período com uma força absurda, fez uns 10 pontos seguidos, o Nuggets simplesmente desistiu e de repente perdia por 16 pontos uma partida que tinha liderado com tranquilidade. Dali em diante o jogo foi apenas desistência, com um Billups frustrado sequer querendo envolver os companheiros, e um Carmelo Anthony puto da vida tentando resolver sozinho no ataque enquanto berra com seus colegas de equipe. Não dá pra negar a vontade de Billups e Carmelo de vencer essa série, mas o resto do time tem preguiça. Jogam maravilhosamente bem quando estão na frente, desistem quando estão atrás. Basta ao Jazz jogar com vontade e forçar uma sequência de pontos para que o Nuggets inteiro venha abaixo.

Também vejo o Nuggets com poucas chances de se recuperar das duas últimas surras que tomou do Jazz. Tanto o Thunder quanto o Spurs e o Jazz parecem ter alcançado aquele grau de compreensão do adversário que nos leva a nem acreditar que a série possa ter outro fim que não a vitória deles. A outra série do Oeste, entre Blazers e Suns, é a única cheia de altos e baixos e que vai ter um final surpreendente. As séries do Leste também estão bem surpreendentes, até mesmo com uma vitória heróica do Dwyane Wade sozinho (tinha uns outros caras em quadra, mas eles não jogavam basquete) em cima do Celtics para manter o time vivo na série. Do mesmo modo, o Bucks conseguiu uma vitória em casa fácil fácil em cima do Hawks e joga hoje novamente tentando empatar a série. Amanhã daremos uma olhada, então, no lado Leste, depois de acompanhar Bucks e Hawks hoje de noite e gritar loucamente "fear the deer" - ou, em hilário português, "tema a rena"!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Playoffs!



Finalmente acabou a temporada regular! O negócio já estava arrastado há algum tempo e eu não aguentava mais! A briga entre o Bulls e o Raptors até pareceu interessante por um tempo, mas no fim era a briga entre dois times piores do que deveriam ser pra saber quem vai ser varrido pelo Cavs. E o ápice dessa briga, o duelo entre os dois times no último domingo, foi uma lavada tão humilhante do Bulls que nem o Galvão Bueno conseguiria fingir que o jogo estava interessante.

No Oeste a briga era uma briga de cegos. Todo mundo queria ganhar, melhorar sua posição, mas ninguém tinha certeza se isso era bom ou ruim. Era útil desgastar os seus jogadores ou descansá-los? Afinal todo os times estão em níveis muito próximos e os confrontos eram mais importantes do que a posição real, ou alguém duvida que foi melhor para o Suns ficar em terceiro e pegar o Blazers que pode jogar sem o Brandon Roy do que ganhar o segundo lugar do Mavs e ter que enfrentar (perder de novo para) o Spurs?

Outra coisa que vai ser bem legal de ver nesse começo de playoff, até para pensar sobre isso em outras temporadas, é quanto é importante a reta final da temporada regular. Podemos observar por exemplo como será o desempenho coletivo do Cavs, que não teve LeBron nos últimos jogos e que deve ter a votla do Shaquille O'Neal, será que o entrosamento vai estar perfeito? Eles tinham demorado meses até começar a se acertar na temporada. É possível que isso custe uma derrota ou duas nas primeiras rodadas?

Mas o caso mais interessante e emblemático desse questionamento é o embate entre o Boston Celtics e o Miami Heat. O Celtics tem o pior desempenho de todos os 16 classificados nas últimas 10 partidas da temporada, foram 3 vitórias e 7 derrotas, e só um desses jogos tiveram Paul Pierce, Ray Allen e Kevin Garnett no banco de reservas. Por outro lado o Heat é o time com melhor campanha nos últimos 10 jogos, 9 vitórias e só 1 derrota. Não à toa o time do Wade conseguiu fugir do oitavo lugar do Leste e voltou ao quinto, posição que mantinha no começo da temporada.

Nesses últimos 10 jogos o Heat tem o 4º lugar na NBA inteira em aproveitamento de arremessos (50,2%), é a segundo time que sofre menos pontos (94 pontos, apenas o Bobcats foi melhor), é o primeiro, empatado com o Magic, em permitir menos assistências do time adversário, o segundo em roubos de bola por partida e o segundo em aproveitamento de arremessos do adversário.
Não é difícil fazer a conta, né? Quarto lugar no seu aproveitamento e segundo em não permitir o acerto do adversário, pode-se dizer com tranquilidade que o Miami Heat foi o melhor time da NBA nas últimas 10 partidas da temporada regular.

O Celtics do Oeste é o Denver Nuggets. Aos poucos foi perdendo o posto que parecia certo de segunda força da conferência e acabou ficando em quarto lugar. Nem com a volta do Kenyon Martin, pilar defensivo do time, eles conseguiram voltar ao nível anterior. Como o Celtics, não é absurdo dizer que eles perdem na primeira rodada e nem que eles chegam na final de conferência. Por outro lado o Heat do Oeste é o Phoenix Suns, que venceu 8 dos seus últimos 10 jogos e conseguiu vitórias categóricas sobre adversários fortes, de playoff, como Thunder, Nuggets e Jazz. Se há algum tempo parecia que o Suns estava fadado a mais uma eliminação precoce, hoje chega voando à pós-temporada.

Esse post foi só pra falar de algumas coisas que estavam no ar e não conseguimos tratar antes. Essa semana tem sido corrida pra nós e pedimos desculpas pela falta de posts, mas estamos resolvendo tudo e os playoffs vão ter uma cobertura intensa! Hoje ou amanhã ainda deve ter um post do Danilo sobre o fim da temporada regular e teremos até sábado os Prêmios Alternativos do Bola Presa da Temporada (lembrem dos prêmios do último ano aqui), um preview (com palpite, para quebrarmos a cara!) de cada uma das oito séries de playoff de primeira rodada dos playoffs e a primeira das 4 promoções de playoff que nós e a adidas estamos organizando!

E para terminar, algumas coisas que deveriam estar no Filtro dessa semana se ele já não tivesse sido postado. É, está fora de lugar mas vocês não vão se arrepender:

Por que, Artest? Por que, Mbenga? Que diabo de aposta vocês perderam?!?!?!

Será que a Jogada Bola Presa do Ano veio na última semana da temporada? E ainda vai ser do nosso muso inspirador Rasheed Wallace? Perfeito!



E para terminar, deixamos para o último dia da temporada regular a resposta que todo mundo queria saber. A pergunta que nos recusamos a responder por anos e anos... quem é melhor, Kobe ou LeBron? A resposta está no vídeo abaixo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Decisivos

- Não acredito, eles me pagam mais de 10 milhões e eu fedo!
- Não esquenta, pelo menos você tem cabelo!


Nos playoffs passados, Ben Gordon fez a humanidade valer a pena. Erros grotescos como a Playboy da Mara Maravilha ou a invenção da uva passa foram perdoados pela possibilidade de assistir à série entre Bulls e Celtics ir até o decisivo Jogo 7, ter quatro partidas com prorrogações e um total de sete prorrogações ao longo da série, tudo recorde absoluto. O Ben Gordon foi um dos grandes responsáveis por fazer o Bulls segurar tão firme nas pequenas chances de eliminar o Boston Celtics, e simplesmente colocou alguns dos jogos da série no bolso sozinho, acertando um punhado de arremessos sem sentido. Na primeira partida que ele comandou, já avisei que o rapaz estava garantindo um salário gordo na temporada que vem de algum time tolo o bastante para morder a isca. Depois, ainda teve o arremesso mais fantástico de sua carreira. Mas no jogo decisivo, o sétimo, nada deu certo, os arremessos não caíram e o Celtics venceu uma partida fácil, fácil.

Assim que reclamei do contrato obeso mórbido que o Ben Gordon assinou com o Pistons, muita gente não entendia o motivo para eu odiar tanto assim o talentoso armador. Do mesmo modo, tem gente que até hoje quer saber o porquê do meu ódio pelo Rafer Alston, mesmo ele estando há tanto tempo longe do meu Houston Rockets e minha frequência cardíaca tendo diminuído bastante por causa disso. A resposta é bastante simples: no basquete, as vitórias e as derrotas são causadas por uma infinidade de fatores. Às vezes, perde-se por culpa de um trabalho ruim nos rebotes, de uma marcação fraca, da falta de movimentação de bola. São todos motivos aceitáveis e que podem ser arrumados de um jogo para o outro, ou até mesmo no decorrer das partidas. Um fator que você não quer ter para uma derrota, no entanto, é o jogo de um dos seus jogadores secundários.

Quando Kobe Bryant joga bem, por exemplo, as chances do Lakers vencer sobem muito. Quando ele joga mal, no entanto, não existe uma derrota praticamente certa. O jogo do Lakers é bastante equilibrado, depende da atuação de vários jogadores e todos eles contribuem para a vitória. Isso retira um pouco da responsabilidade de um jogador único - mesmo que ele seja, como no caso do Kobe, o jogador mais importante da equipe. Imaginem então o caso do Houston, em que há uma tentativa de espalhar por todo o elenco as responsabilidades ao longo das partidas. Se um jogador não está bem, todos os outros seguram as pontas, fazem o seu trabalho, seguem com o plano de jogo. As vitórias e as derrotas ficam nas costas de todos os jogadores.

Ben Gordon e Rafer Alston são jogadores decisivos. Ao tê-los na equipe, na maioria das vezes são eles que decidirão se seu time vencerá ou perderá. Acabam acertando arremessos absurdos, bolas de três pontos, salvando jogos no final e vencem partidas sozinhos. Mas também erram todos os arremessos, forçam no ataque, exageram no ritmo de jogo, e perdem jogos sozinhos. Quando o Rafer Alston começava a arremessar, não importava quão equilibrado fosse o ataque do Houston, toda a responsabilidade ficava nas mãos do armador. Isso porque o excesso de arremessos quebrava o ritmo da equipe, todo mundo era obrigado a ficar assistindo, o esquema de jogo ia pela janela e o Rafer Alston tirava do bolso a possibilidade de acertar 8 bolas de três seguidas e ser o herói do jogo. Ou errar todas as 8 bolas e fazer o time perder de vez. Qual das duas opções vocês acham que acontecia com mais frequência?

Algumas estrelas são jogadores decisivos nesse sentido, ou seja, que acabam decidindo se o time vencerá ou perderá. O exemplo mais claro era o Kevin Durant nas temporadas passadas. Mas que outra escolha o Thunder tinha, afinal? O time era jovem demais, fedia demais, e sua futura estrela precisava de experiência. Além do mais, é melhor colocar a responsabilidade nas mãos do jogador mais talentoso do que nas mãos de todo um elenco que, cheirando a bumbum de nenê, vai desapontar constantemente. Mas não dá para ter um jogador decisivo desses que seja seu segundo, terceiro ou até quarto melhor jogador. Você tem outros dois ou três caras melhores do que ele, e no fundo quem decide o andamento do jogo é o maluco que arremessa mais? Não me parece uma decisão muito inteligente.

Já vi o Ben Gordon ganhar muitas partidas, levar jogos para a prorrogação, acertar arremessos finais. Mas também já vi o Gordon perder jogos sozinho porque ele não tem seleção de arremessos, critério ou inteligência: apenas arremessa, às vezes cai, às vezes não cai, não há muito mais em seu jogo que ele possa fazer. Peguemos um fominha clássico, como o Gilbert Arenas, e fica fácil de ver como dificilmente as derrotas acabam sendo por sua culpa. Já vi ele estragar tudo, mas em geral sabe parar quando a merda está muito grande e dar responsabilidades para outros jogadores, envolver o time, passar a bola. Ben Gordon não pode fazer isso por uma limitação de talento, ele não sabe armar, não sabe defender, é limitado em seu jogo. Já no caso do Rafer Alston, é apenas uma limitação de cérebro: ele não tem nenhum.

Esses jogadores decisivos para o bem e para o mal acabam só se dando bem quando dois fatores muito importantes aparecem juntos: vir do banco de reservas, e estar num time muito forte, com tanto talento que seja mais difícil interferir no resultado de um jogo negativamente. Só consigo imaginar um jogador desse tipo que esteja nesse contexto: JR Smith. Levou muito, muito, muito tempo para o técnico George Karl aprender a usá-lo. A princípio o técnico apenas brigava com o JR, afundava ele no banco, dava multas, puxava a orelha. Depois entendeu que basta limitar os minutos para que, assim, limite-se sua influência na partida. A matemática é bem fácil: se o jogador arremessa todas as malditas bolas que chegam à sua mão, então basta limitar seus minutos em quadra para que ele arremesse menos bolas. O JR fica nas rédeas apenas no que se refere ao seu tempo de jogo, não adianta tentar domá-lo para arremessar menos ou ter cérebro, ele sempre enterrará como um maluco mesmo sem perceber que o jogo não está valendo ou arremessará de três mesmo sem perceber que está tentando na cesta errada. Gênio.

O momento correto de usar o JR, que o George Karl levou tempo para aprender, também deve muito ao elenco forte do Nuggets. É que esses jogadores decisivos acabam sendo muito mais efetivos quando seus times já estão na frente do placar. Não importa quão absurdo seja o Ben Gordon em finais de jogos disputados ou prorrogações. Se o Bulls tivesse elenco para abrir uma pequena vantagem no terceiro período e o Ben Gordon acertasse os arremessos retardados que às vezes caem, a diferença ficaria gigante e não seriam mais necessários arremessos impossíveis nos segundos finais. O Ben Gordon poderia voltar para o banco, com sua missão terminada, e a vitória estaria garantida. Caso seus arremessos idiotas não caíssem, o time não se afundaria num buraco sem saída porque antes estava na liderança e, no máximo, teria perdido os pontos de vantagem. Bastaria colocar o Gordon de volta no banco e começar de novo a tentar galgar outra vantagem, sem precisar de uma recuperação impossível.

Isso acontece com uma frequência absurda no Nuggets. Quando o time está na frente no segundo tempo, o JR Smith entra em quadra e começa seu festival de arremessos que fariam um orangotango corar com tamanha falta de bom senso. Se esses arremessos caem (e muitas vezes caem, ele é bom e tem uma mecânica de arremesso linda), a vantagem vai para a estratosfera e o Nuggets pode ir descansar. Se os arremessos não caem, o JR Smith respira no banco e o resto do elenco tenta segurar um pouco a vantagem. Depois, se houver tempo hábil, repete-se o experimento. Esse é um dos grandes motivos do Nuggets ser um time tão forte, com tantos recursos, e que de repente, sem aviso, abre enormes diferenças no placar. Cansei de ver times que, perdendo por 10, começam a esboçar uma reação - para então tomarem quatro bolas de 3 pontos do JR Smith e passarem a perder por 20 num intervalo muito pequeno de tempo. É um meio de arrancar o coração de times tentando se recuperar, fritá-lo na manteiga e comer com alecrim.

Esse é também um dos motivos para o Ben Gordon ter dado tão, tão errado no Pistons. Lá, que o elenco fede, as atuações do Gordon são ainda mais decisivas do que eram no Bulls, então seus jogos ruins viram estragos que não podem ser desfeitos. Como ele não defende necas, quando seus pontos não estão lá para compensar, a sua presença em quadra nem vale a pena. Para impedir o desastre, os minutos do Ben Gordon vão sendo mais e mais limitados, com jogadores menos decisivos como Hamilton e Will Bynum ganhando prioridade. O pior disso tudo foi uma entrevista recente do Gordon sobre essa que é a pior temporada da sua carreira, com apenas 13 pontos por jogo, menos de 2 rebotes e aproveitamento de 30% nas bolas de três, todas piores marcas desde que entrou na NBA. O armador colocou um pouco da culpa de suas atuações fracas nas contusões, mas admitiu que está com dores assim como muitos outros jogadores de muitos outros times nessa temporada imbecil de 82 jogos. O motivo real para seu desempenho seria então, para ele, a rotação do time, que não o favorece. Reclamou de minutos, de vir do banco, de ter poucas oportunidades. Ou seja, reclamou de não poder decidir os jogos - mesmo que, num time como o Pistons, não dê pra se dar ao luxo de deixar o terceiro melhor jogador do time (talvez quarto) decidir as partidas para o bem ou para o mal. Não era o Pistons que se gabava de ter um jogo totalmente coletivo?

Está aí justamente o que separa Rafer Alston e Ben Gordon do único que deu certo, JR Smith. O Gordon passou a carreira reclamando de começar os jogos no banco de reservas, exigia mais minutos e mais arremessos. Rafer Alston não se conformava de não ser titular, foi trocado trocentas vezes, e ao invés de perceber que seus serviços não eram muito bem aceitos, resolveu dar uma de estrelinha e ir pra casa quando o técnico do Heat, Erik Spoelstra, colocou ele no banco em uma partida e lhe tirou a vaga de titular na outra. Existem uns malucos que só arremessam, isso não é problema. Existem também uns malucos que só defendem, uns que só pegam rebote, uns que só passam a bola, uns que só enterram. O importante é entender as próprias limitações, saber até onde é possível ir, e encontrar uma situação adequada com um técnico que possa utilizá-lo bem. O JR Smith está na situação perfeita, mas o mais importante é que ele não acha que deve ser titular, jogar todos os minutos. Faz a única coisa que sabe quando decidem que ele pode fazê-lo. E é por isso que esse Nuggets, atualmente, parece ser o único capaz de retirar o Lakers de um possível título no Oeste. Muitas armas, forte garrafão, e alguém que vem do banco não para para salvar jogos, mas para esticar vantagens.