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sábado, 21 de janeiro de 2012

Lakers e Knicks: Elencos ricos e errados

Aproveitamento de arremesso dessa foto: 8/57


Dois dos times com mais torcida, mais fãs e mais "haters" estão com um começo cambaleante de temporada. São o New York Knicks e o Los Angeles Lakers. Os dois tem diversas coisas em comum: estão rendendo menos do que o esperado, são formados por um trio de grandes jogadores, o ataque não flui em nenhum caso e os dois times tem um All-Star que quer resolver os problemas sozinho arremessando por jogo o que o Ben Wallace arremessa em uma temporada. Ultimamente eles também tem tido em comum o fato de toda culpa cair nas costas de seus técnicos.

Vamos começar com o Lakers. O novo técnico Mike Brown prometeu duas coisas para essa temporada. Uma era um esquema tático que iria misturar algumas jogadas do triângulo ofensivo que levou o time aos dois últimos títulos (não como se usassem em toda jogada também, que fique claro) e algumas jogadas que o próprio Mike Brown viu em execução quando era assistente técnico de Greg Popovich no Spurs. Ele usaria Pau Gasol e Andrew Bynum como Pop usou Tim Duncan e David Robinson. A outra promessa era de melhorar o time defensivamente.

Uma delas ele conseguiu, a segunda. O Lakers, assim como no ano passado, tem a 6ª defesa mais eficiente da NBA. Mas em números gerais melhorou no aproveitamento dos arremessos do adversário (43% para 41%) e em bolas de 3 pontos (33% para 31%). Também permite 6 pontos a menos e força mais turnovers. Mas a melhora não tem dado tanto resultado porque o ataque piorou demais. Sim, às vezes usam os triângulos, mas pouco e sem muita eficiência. Assim como têm dificuldade em usar os dois pivôs o número de vezes que gostariam.

E acho que existe um bom motivo para as duas coisas não estarem dando certo: Tanto o triângulo como o uso da dupla Gasol/Bynum exigem que um dos jogadores do time esteja posicionado no pivô, de costas próximo à cesta. Os outros jogadores devem se movimentar em volta disso ou simplesmente se afastar e dar espaço. É o chamado espaçamento da quadra, posicionamento dos atletas de uma forma que atrapalhe a defesa adversária a fazer seu trabalho. O espaçamento só dá certo se esses jogadores se posicionarem em um local onde são um risco ao adversário, obrigando um marcador a se afastar de quem tem a bola para defender uma possível ameaça. Em outras palavras, se o Metta World Peace continuar com 12% de aproveitamento nas bolas de 3 pontos o seu marcador sempre vai deixá-lo livre para embolar a defesa sobre os pivôs.

E embora o outrora conhecido como Ron Artest seja o pior, o resto do elenco não se salva. O Lakers já não era lá uma maravilha no ano passado, com 35% de acerto nas bolas de 3, mas nesse ano caiu para 25%! O que vemos no ataque do Lakers é um time que não tem velocidade para sair no contra-ataque, que não tem bolas de 3 para espaçar a quadra e nem um armador bom o bastante para ser uma real ameaça no pick-and-roll. E mesmo quando Kobe Bryant tenta ser o homem do pick-and-roll, a defesa tem dobrado nele e ajudado no pivô, deixando alguém livre na linha dos 3 pontos com a certeza do erro. Não jogo a culpa em Pau Gasol ou Andrew Bynum, é simplesmente muito difícil marcar pontos em um ataque devagar e embolado.

O Kobe Bryant tentou fazer o que pode para ajudar. Em alguns jogos tentou ser herói e usou a estratégia Allen Iverson: Vocês defendem tudo e eu ataco sozinho arremessando bolas que se qualquer outro jogador tentar fica no banco pra sempre. Venceu alguns jogos contra times mais fracos, mas contra os fortes não chegou nem perto. Nos últimos dois jogos (contra Heat e Magic) tentou ficar mais sem a bola, se movimentou sem ela e forçou menos o jogo individualmente. Foi mais eficiente, aumentou seu aproveitamento e chutou menos bolas. O Lakers continuou mal da mesma forma, não mudou nada. O buraco é mais embaixo.

Segundo os boatos da imprensa americana o Lakers ainda insiste em querer trocar por Dwight Howard. Certamente não seria ruim ter aquela potência toda ao lado de Kobe, mas não resolveria os problemas que o time tem hoje. A não ser que por um milagre divino o Ryan Anderson viesse junto na troca (um favor improvável do Orlando Magic) o time continuaria sem ameaça de longa distância. Iriam dobrar a marcação no Dwight Howard assim como fazem no Andrew Bynum e a produtividade dele iria cair. Se o Kobe vai mesmo jogar mais tempo sem a bola, deveriam procurar um armador, assim como um ala que chuta de três pontos. O problema? Mandar quem em troca disso tudo? Que time em sã consciência vai querer Steve Blake, Metta World Peace, Troy Murphy ou o assassino Josh McRoberts para mandar alguém de qualidade? Ninguém. Tem outros times por aí precisando das mesmas coisas e com peças de troca mais interessantes.

Restam para o Lakers duas opções: A primeira é trocar Pau Gasol ou Andrew Bynum por alguém numa tática cobertor curto. Resolve-se a armação ou o chute de longa distância piorando o garrafão (era o que a troca Gasol/Odom por Chris Paul pretendia). A segunda é colocar Matt Barnes e outros jogadores para arremessar 900 bolas de 3 pontos por dia e ver se eles aprendem. Com um bom aproveitamento nos tiros de longe o time não vai virar o melhor ataque da liga, mas tudo vai ficar mil vezes mais fácil.

Agora o Knicks. O problema é o mesmo? Pior que é. Vocês devem pensar "Não, imagina. O Knicks tem uma defesa ridícula, Carmelo e Amar'e não marcam ninguém! Como é a mesma coisa que o Lakers?". Pois veja bem, o Knicks tem atualmente a 11ª melhor defesa de toda a NBA. Pois é, eu também não esperava. Volta e meia o Amar'e deixa uns caras passarem batidosou faz várias faltas bobas, o Carmelo não sai na ajuda de ninguém, mas o time tem se adaptado bem e permite apenas 101 pontos a cada 100 posses de bola, 10 a menos que na última temporada.

Não é uma defesa perfeita ou sufocante, isso é óbvio. Vimos ontem como não tiveram resposta pra o Brandon Jennings, mas estão na parte de cima da tabela nesse quesito, beirando o Top 10 da liga. Seria o bastante para eles se o ataque fosse como todos imaginaram que seria. Ano passado eram o 7º melhor ataque da NBA com 110 pontos a cada 100 posses de bola, nesse ano são apenas o 24º time ofensivo da liga, com 98 pontos a cada 100 posses. A queda é absurda.

A teoria ainda é a mesma do ano passado. O Mike D'Antoni manda seu time ser veloz e eles ainda são o 3º com mais posses de bola por jogo, mas a execução está péssima. O culpado é o excesso de jogadas de isolação, ou seja, com os jogadores indo no mano a mano. D'Antoni pede que Carmelo Anthony comande boa parte do ataque, sendo o jogador com a bola em pick-and-rolls. Mas ele faz isso com Tyson Chandler, não com Amar'e Stoudemire, que se posiciona do outro lado da quadra para o arremesso de meia distância. O resultado é que Melo não é um grande passador e dificilmente faz boas jogadas com Chandler (uma ou outra ponte aérea que vai pro Top 10 mas não resolve nada) e Amar'e é pouco usado. Sem confiança para passar, Melo tenta resolver sozinho. Quando passa para Stoudemire, este faz sua jogada mano a mano com quem o marca. É simplesmente o pior jeito de usar essas duas estrelas.

Vejam esses números: O Knicks é o time que mais faz jogadas de isolação na NBA, fazendo em 16% de todas as suas posses de bola. Porém faz apenas 0.67 pontos a cada uma dessas posses, a 3ª pior marca entre todos os times. O aproveitamento dos arremessos nessas situação é de apenas 29.3%, o pior entre as 30 equipes da NBA. Não faz sentido insistir naquilo em que você é o pior.

Outra tentativa foi de deixar a bola na mão dos armadores do time para eles tentarem construir jogadas. Primeiro Toney Douglas e agora o novato Iman Shumpert. Douglas tem tomado decisões horríveis e logo perdeu a vaga para Shumpert, que também não sabe o que faz no ataque, mas compensa com forte defesa e roubos de bola. A dupla Shumpert e Landry Fields tem sido responsável pela melhora defensiva, mas no ataque só atrapalham. O novato não é armador nato e muitas vezes, sem saber para quem passar, tenta resolver sozinho e arremessa demais.

É bem fácil jogar a culpa no técnico Mike D'Antoni, mas a culpa não é só dele, não é como se ele pedisse para forçarem jogadas de isolação, isso é o oposto do que ele gosta, aliás. Pense em um técnico de futebol ofensivo, que gosta de montar times com 3 atacantes e meias que sabem passar a bola e avançar. Aí a diretoria vai lá e contrata o Williams do Flamengo que não sabe dar um passe de 3 metros e chama Souza e Aloísio Chulapa pra fazer a dupla de ataque. Como o cara vai montar o time dele? Das duas uma, ou vai tentar fazer os jogadores se adaptarem ao jeito dele, o que provavelmente não dará certo por falta de talento, ou vai fazer o que não sabe. E como disse o Larry Brown na clínica que deu aqui no Brasil"nunca ensine para seus jogadores algo que você não sabe". Mike D'Antoni não é o Rick Carlisle, ele não é uma enciclopédia de basquete pronto para fazer jogadas de todo o tipo, ele tem um estilo de jogo, uma filosofia e o Knicks sabia disso quando o contratou.

E insisto nessa questão do estilo porque já estão colocando a culpa nele em coisas que não tem nada a ver. Quando eles perderam para o Suns cornetaram o D'Antoni porque ele pediu para o pivô e o armador sempre trocarem no pick-and-roll do Steve Nash com o Marcin Gortat, ou seja, ficou Tyson Chandler marcando Nash e Shumpert ou Fields acompanhavam o pivô polonês. "Um absurdo" que foi justamente a tática usada pelo Spurs em diversos momentos de todas as vezes em que eles eliminaram o Suns nos anos áureos do armador canadense. Com Duncan marcando Nash eles fechavam ângulos para passe e o forçavam a jogar sozinho. Muitas vezes ele arremessava na cara de Duncan e fazia, mas a longo prazo valia a pena. Dava certo também porque Tony Parker não ficava isolado contra Stoudemire, a ajuda vinha de todos os lados. Ou seja, é uma estratégia perfeitamente normal se bem executada. E, como já afirmamos antes, a defesa do Knicks tem melhorado nesse ano desde que o assistente técnico Mike Woodson chegou com essa responsabilidade.

O ponto é que os olhinhos do time brilharam com a chance de contratar Carmelo Anthony e depois com a possibilidade de ter um pivô que já levou um time ao título em Tyson Chandler. São bons jogadores, claro, mas não tem nada a ver com o estilo de jogo de D'Antoni e ainda não se entrosaram entre si. Para o Knicks sair desse marasmo as soluções podem ser duas: Uma é demitir o D'Antoni e achar um técnico que saiba o que fazer com o elenco (Phil Jackson e Larry Brown já são nomes sonhados), a outra é uma troca que traga um armador que saiba conduzir o time. Baron Davis pode ser ele, mas ainda demora para voltar da contusão, e outro ponto é o mesmo do Lakers, trocar quem? Eles não vão trocar seus queridos Melo ou Chandler, e Stoudemire tem uma cláusula de contrato em que pode vetar qualquer troca com o seu nome. O mais provável é que D'Antoni tenha vida curta no banco de Nova York.

Não quero com esse post defender D'Antoni e Mike Brown, que já critiquei durante anos por serem limitados. Têm o defeito de justamente não saber se adaptar ao elenco e precisar das coisas muito certinhas para darem certo. Mas pense bem, se eu que sou um blogueiro idiota sei disso, vai dizer que Knicks e Lakers não sabiam? Apostaram e não deram as peças necessárias. No caso do Lakers é ainda pior, já que tiraram Lamar Odom dizendo que era a primeira parte de uma troca maior que nunca aconteceu, o elenco é pior do que aquele que já ralou um bocado sob o comando de Phil Jackson no último ano, cobrar um time pronto para o título e ainda sem tempo de treino é pedir demais.

Lakers e Knicks, dois times grandes que, ao lado do Boston Celtics, eram exemplos de como equipes de mercado grande conseguiam se fortalecer mais do que os de cidade pequena, mas estão na sombra de Indiana Pacers, Philadelphia 76ers e Denver Nuggets até agora nesse começo de temporada e as perspectivas de melhora não são das mais animadoras.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mais do que um defensor

Quem sabe defender, dá uma risadinha

Quando Kendrick Perkins foi trocado no meio da temporada passada, tudo levava a crer que o Celtics se sairia normalmente sem ele. Perkins era um bom jogador, pivô titular da equipe, mas não era nenhum gênio - até porque paredes sólidas de tijolos não costumam ser geniais. Havia passado todo o começo da temporada fora, contundido, e o Celtics nem por um segundo pareceu sentir sua ausência. Até, claro, ele ser trocado e a equipe inteira desandar como um bolo tirado do forno antes da hora.

Fizemos trocentos posts analisando aquela troca, as mudanças táticas que a saída do Perkins causou, os remendos que o Celtics fez para tentar tapar o buraco, mas a verdade é que o real estrago não aconteceu no campo tático, mas naquele campo intangível do emocional, do simbólico, do motivacional. A "família Celtics" foi desfeita e tudo aquilo que o Perkins representava, como âncora defensiva de uma equipe que se gabava justamente de sua defesa, virou farofa. Não foi a morte do Celtics, aos poucos a equipe até encontrou outros caminhos para refazer sua identidade, mas até hoje tem torcedor da franquia querendo voltar no tempo e matar  o Danny Ainge antes dele efetuar essa troca.

O Perkins permitia um estilo de jogo, representava um estilo de jogo, que ia muito além do seu simples talento individual. Mesmo no Thunder, equipe para o qual foi trocado, nunca teve grandes atuações e não passou de um jogador discreto em quadra - mas levou uma mentalidade defensiva, uma cara de quem iria proteger seus companheiros frente a qualquer contato mais agressivo do adversário, uma postura de quem vinha de time grande e podia chamar seus companheiros para dar bronca caso perdessem um jogo por bobagem. Repito: ele não é um grande jogador, teve uma temporada bem meia-boca, mas representa bem mais do que o seu talento em quadra deda à primeira vista.

Retomei o "caso Perkins" porque ele explica muito do que está acontecendo com outro jogador: Tyson Chandler escolheu sair do Mavs, onde acabou de ser campeão, para ir jogar com Amar'e e Carmelo em New York, com um contrato de 56 milhões por 4 anos. É tanta grana, mas tanta grana, que a contratação acabou virando uma bagunça só para conseguir fazer com o que valor funcionasse. Como o Knicks não tinha espaço na folha salarial, o Chandler teve que assinar com o Mavs, que podia oferecer esse contrato gigante porque estava reassinando o jogador. Aí o Knicks usou a anistia no Billups (que, até um dia antes, seria o armador titular da equipe) e teve que se livrar do pivô Ronny Turiaf. Mas o Mavs não queria o Turiaf, então entrou em cena um daqueles times oportunistas que estão abaixo do teto salarial - no caso, o Wizards - e aceitou o Turiaf só pra troca poder acontecer, levando como brinde 3 milhões de verdinhas do Knicks além de duas escolhas de segunda rodada do draft. O Mavs, por sua vez, levou de presente uma "trade exception", que é uma espécie de vale-compra que pode ser usado em trocas por jogadores que custam mais caro do que aqueles que você está mandando - e que na prática o Mavs usou para conseguir o Lamar Odom do Lakers, mas dessa troca a gente fala outra hora. Ou seja, Wizards e Mavs se beneficiaram nessa bagunça apenas porque o Knicks fez questão de levar pra casa o Tyson Chandler por uma quantia surreal de verdinhas. Ele deve ser genial, não é mesmo?

Não, não é. Mas o que ele tornou possível em Dallas lembra o que o Perkins simbolizava em Boston. O Mavs da última década foi um time muito focado na parte ofensiva e que sempre teve problemas na defesa, especialmente no garrafão. Quando Avery Johnson assumiu a equipe em 2006 e levou o Mavs a uma Final de NBA, o foco na defesa transformou a equipe e mostrou que, embora faltassem os talentos individuais para formar uma defesa realmente competente, sobrava vontade e dedicação tática ao elenco inteiro. Tyson Chandler foi o talento individual defensivo que tanto faltou à equipe durante anos, mas acima disso ele mostrou que o esforço defensivo coletivo da equipe seria recompensado, que esse esforço teria um motivo para existir com a presença de Chandler embaixo do aro. Aquele esforço que sabíamos que o Mavs poderia efetuar, mas que não deu em nada, parecia mais justificável quando a pressão defensiva acabava afunilando o ataque adversário em direção à envergadura imponente do Chandler no garrafão. O Mavs continuou a ser aquele time de sempre, sem grandes estrelas defensivas no perímetro, com o Jason Kidd ancião quase de cadeira de rodas não conseguindo acompanhar os armadores adversários, mas o esforço e o comprometimento que mostraram culminou em título. Vale lembrar que nos playoffs contra o Mavs, Kobe conseguiu apenas um par de bandejas durante toda a série - o Mavs sabia que a dedicação na defesa resultaria no Tyson Chandler tendo a possibilidade de parar e intimidar qualquer infiltração no garrafão.

Tyson Chandler jogou por outras equipes e mesmo deixando claro suas capacidades, nunca teve um impacto tão grande nas partidas ou no funcionamento de uma equipe. Calhou de cair numa equipe que precisava dele, exatamente daquilo que ele era capaz de entregar, de representar tudo aquilo de que o Mavs precisava, e de mudar a mentalidade defensiva de uma equipe inteira - assim como o Perkins fez no Thunder. Mesmo na parte ofensiva o Mavs era a situação perfeita para o Chandler, que fez a festa nos passes de Jason Kidd assim como fazia nos passes de Chris Paul, só tendo que pular e enterrar sem movimentações complexas de costas para a cesta que ele nunca soube executar.

Quando o Knicks monta o circo para poder oferecer 14 milhões por ano para o Tyson Chandler, não está querendo um jogador cujo talento corresponda a esse valor. Está querendo comprar a mudança de postura, a presença, a justificativa para um esforço defensivo coletivo. O técnico Mike D'Antoni sempre focou exclusivamente no ataque, Amar'e Stoudemire sequer finge tentar defender, e o Carmelo Anthony até se esforçou em alguns momentos no Knicks, mas não consegue esconder que é um defensor medíocre. A esperança é de que Chandler mude tudo isso, que ele seja a presença defensiva que tire o Knicks das 10 piores defesas da liga sem, no entanto, comprometer no ataque porque pode acompanhar o resto do elenco na correria e finalizar em transição.

O único problema é que o Knicks não é o Thunder e nem o Mavs. Tyson Chandler não foi contratado pelo seu talento individual, ele não pode ser uma força defensiva solitária na defesa e com isso ter algum impacto no time. Seria necessário comprometimento de todo o elenco, esforço, obediência tática na defesa - coisas que o Knicks, mesmo se quisesse, não conseguiria ter. Pelo menos não sem comprometer o esquema ofensivo desenhado por D'Antoni. A intenção do Knicks é compreensível, eles precisam defender melhor especialmente no garrafão, mas a situação é muito diversa daquela em que Chandler fez a diferença e em que mereceria, forçando a barra, os 14 milhões por ano. Dificilmente sua presença será tão marcante quanto foi para o Dallas, o investimento foi muito maior do que ele pode oferecer realmente à equipe, mas é uma atitude desesperada de um time consciente de que só vai chegar em algum lugar com um sistema defensivo mais elaborado.

Com a mesma intenção, o Knicks contratou o ex-técnico do Hawks, Mike Woodson, para ser o responsável pelo sistema defensivo. O Hawks de Woodson tinha uma defesa forte e gostava de partir em velocidade para o ataque, então deve casar bem com aquilo que o Knicks pretende fazer. Jared Jeffries também assinou novamente com a equipe para manter seu papel de único defensor consistente do elenco - em muitos momentos, cabia ao Jeffries defender quem fosse, armador ou pivô, e o pior é que ele nem é tão bom defensor assim. O salário é pequeno, num contrato de apenas um ano (ao invés do contrato gigante ridículo que havia assinado com o Knicks na época do Isiah Thomas cuidando das finanças), então o Knicks faz bem de mantê-lo. Woodson e Jeffries são, ao menos, a garantia de que Tyson Chandler não será o único responsável por tornar o Knicks uma equipe defensivamente respeitável.

Para balancear e impedir o Universo de entrar em colapso, o Knicks também contratou um jogador puramente ofensivo, Mike Bibby, que está velho e pedindo arrego e mesmo assim teve uma temporada respeitável no Heat no papel de arremessador ocasional - armava pouco, defendia bulhufas, não forçava nenhum arremesso, mas manteve um aproveitamento bem alto quando acionado. O próprio Bibby disse que sempre sonhou em jogar para o D'Antoni, que seu estilo é perfeito para o treinador, e realmente acho que a união dos dois seria perfeita - uns 5 anos atrás, claro. No estado em que está, Bibby ainda será útil, especialmente agora que o Billups teve que ser jogado fora como modess usado, mas deve render mesmo apenas como arremessador eventual que vem do banco. Deve armar mais o jogo do que armava no Heat, mas nada  digno de nota, até porque o D'Antoni anda comentando que vai tentar usar o Carmelo mais tempo na armação nessa temporada, e Toney Douglas deve ser o armador titular.

Mas um time com Bibby vovô, Carmelo armando e Amar'e no garrafão não tem como ser transformado simplesmente com a chegada de Tyson Chandler. Será preciso um longo trabalho com Woodson e um comprometimento de gente que, em toda carreira, nunca pareceu capaz disso. Defesa não é só vontade, é compreensão, é costume, cacoete. Chandler e Perkins encabeçam uma lista de pivôs que recebem contratos gigantescos porque se imagina que possam mudar toda a mentalidade de suas equipes, transformar todo mundo em um defensor exemplar. Mas há tanta responsabilidade dos outros jogadores, da comissão técnica, da situação, que nem sempre essas apostas bilionárias podem dar certo. Se der, o Knicks dá o passo definitivo rumo à relevância nos playoffs, enfim, após décadas gastando mais do que qualquer outro time e não ganhando necas. Mas se der errado, é só mais um pivô de contrato milionário que ganha uma quantia que não tem nada a ver com os próprios talentos - e vai estar mais relacionada com a esperança de que Carmelo e Amar'e se empenhem em defender como fizeram Jason Kidd e Nowitzki. Não é esperança demais em cima de um simples pivô enquanto o D'Antoni e sua defesa pífia continuam intocáveis? Aos poucos o Knicks tenta mudar velhos hábitos, mas precisa encontrar um modo de conciliar essa vontade de ser defensivamente imponente e a presença de D'Antoni - que, no fundo, é o responsável por Carmelo e Amar'e (e agora Bibby) quererem jogar no Knicks.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Perguntas e respostas: a troca do Carmelo Anthony

Carmelo e Amar'e: trutas

A troca do Carmelo Anthony é a troca com mais assuntos paralelos que eu já vi na minha vida. Mais de 200 dias depois da primeira notícia de que ele estava querendo ir para o New York Knicks, Melo finalmente conseguiu ter seu desejo atendido. No meio do caminho estão envolvidos o futuro do Knicks, do Nuggets, outros 11 jogadores, o Minnesota Timberwolves, Isiah Thomas, a relação entre o presidente do Knicks James Dolan com o manager Donnie Walsh e o técnico Mike D'Antoni, e o homem mais misterioso da NBA, William Wesley. Ou seja, como uma boa novela ela dura quase um ano e tem diferentes núcleos e personagens, é a NBA aprendendo com Manoel Carlos.

São tantas perguntas e questões para entender essa megalomania que decidimos que só com um FAQ para responder tudo. Tudo relacionado ao Knicks fui eu, Denis, quem respondeu. Ao Nuggets e ao Wolves foi o Danilo. A decisão foi feita por sorteio e aprovada por nossos advogados (adoramos eles!).



Q: Amigos do Bola Presa, quem foram todos os envolvidos na troca? Abs 


New York Knicks recebe: Carmelo Anthony, Chauncey Billups, Shelden Williams, Anthony Carter, Renaldo Balkman (Denver Nuggets) e Corey Brewer (Minnesota Timberwolves)

Denver Nuggets recebe: Raymond Felton, Danilo Gallinari, Timofey Mozgov, Wilson Chandler (NY Knicks) e Kosta Koufos (Minnesota Timberwolves). Também recebem uma escolha de 1º round de Draft do Knicks (2014) e duas 2º round (2012, 2013, do Warriors que estavam com o Knicks). O Nuggets também recebe 17 milhões de dólares em "trade exceptions"

Minnesota Timberwolves recebe: Eddy Curry, Anthony Randolph (NY Knicks). Também recebem uma escolha de 2º round do Denver Nuggets.



Q: Epa, mas o que é essa tal de "Trade Exception" que você citou? É de comer? Aposto que você já explicou dez vezes mas eu nunca leio os posts inteiros. 

Uma trade exception é um "Vale Salary-Cap" que pode ser usado pelo time para usar em outras trocas para igualar salários. Se o Nuggets quiser mandar um jogador que ganha 5 milhões por outro que ganha 7 milhões eles podem deixar tudo igual usando essa trade exception. É uma mão na roda para times que estão planejando movimentações no elenco e foi criada no governo Lula.

Q: Carmelo Anthony e Amar'e Stoudemire juntos? Como isso vai dar certo?

Essa é uma excelente pergunta, amigo assinante. Dependendo de como você enxergar pode parecer uma idéia bisonha e por outro lado parece perfeita, tudo depende de como o Mike D'Antoni vai montar o time, qual vai ser o esquema tático e tudo mais. Tanto Amar'e como Carmelo são bons o bastante para simplesmente receber a bola em uma jogada de isolação e tirar pontos disso, mais ou menos como o Heat faz de vez em quando (47 minutos por jogo) com Wade e LeBron. É o jeito mais fácil e apelão de conseguir pontos, mas quando não dá certo com o Heat eles tem uma puta defesa para compensar, já o Knicks e o Carmelo...

E o problema das isolações é que o esquema tático do Mike D'Antoni é justamente o oposto disso tudo! Ele é o cara que gosta de ver o seu time rodar muito a bola, de passar ao invés de individualizar e de só concentrar a bola na mão de um jogador se ele for o armador do time, sempre com ele se movimentando entre corta-luzes.

Q: Então o Carmelo vai se adaptar ao D'Antoni ou o contrário? Quem manda na relação?

É o que eu quero saber também! Como já vimos na seleção americana, o Carmelo Anthony pode ser muito útil para o seu time mesmo quando não concentra a bola na sua mão o tempo todo. Nas Olimpíadas de 2008 muitas vezes a gente mal percebia ele em quadra, com a bola controlada por Kidd, Kobe, Wade e LeBron, e no fim das contas ia ver as estatísticas e ele era o cestinha. Com boa movimentação e sabendo pontuar de todos os lugares da quadra ele estava sempre contribuindo com ótimo aproveitamento.

O problema é que na seleção ele tinha todos esses nomes de peso para jogar enquanto ele só pontuava, no Knicks vai ser quem? Corey Brewer, Toney Douglas e Landry Fields? Amar'e Stoudemire também não é nenhum Tim Duncan na hora de encontrar seus companheiros livres para o arremesso, só faz o óbvio. Carmelo vai precisar tocar mais na bola e quando ele faz isso ele não movimenta a bola como seu técnico idealiza. A última opção é Chauncey Billups comandando o show e distribuindo a bola.

Q: Billups? Você está ousando insinuar que o cerebral Chauncey Billups, o coração do Pistons de 2004, o time mais em câmera lenta da história, irá ser o líder de um Run and Gun?

A minha primeira reação também foi de "é mais fácil a Deborah Secco ganhar o Oscar por 'Surfistinha'", mas para e pensa: Embora nossa memória do Billups sempre remeta ao Pistons campeão de 2004, ele está faz tempo no Nuggets e eles também são um time que jogam com extrema velocidade. O Knicks, aliás, é o segundo com mais posses de bola por jogo e o Nuggets vem logo atrás em terceiro. E em termos de eficiência ofensiva, onde o Knicks é oitavo, o Nuggets é o primeiro. Eu lembro de quando o Billups foi trocado para o Nuggets e eu disse aqui que a troca só daria certo se houvesse um entendimento das duas partes. Ou Billups se adaptaria à correria do Nuggets, ou o time aprenderia a lidar com o fato de ter um armador que gosta de mandar no jogo. Acabou sendo um pouco dos dois, Billups mandava e segurava a bola, principalmente logo no começo quando chegou, mas não deixou de impôr a velocidade. Bisonhamente deu certo. Só temos que lembrar que nesse ano o Billups não está jogando tão bem assim e que cedo ou tarde a idade pesa.

Então por mais estranho que seja, acho que sim, o Billups pode comandar esse ataque sem fazer o time perder tanta velocidade como a gente imagina. Se o D'Antoni confiar o time a ele e deixar Melo e Stoudemire não jogarem tanto assim sozinhos (talvez só no último período), o time pode manter a identidade do seu técnico e ter suas estrelas rendendo ao mesmo tempo.


Q: Tá bom, estou começando a me animar com o Knicks, mas não foi uma aquisição muito cara?

Sim, foi MUITO cara, um asburdo de cara. É daquelas compras em que o produto é bom, de qualidade, funciona, mas mesmo assim bate aquele peso na consciência toda vez que você lembra o quanto custou. Eles mandaram 3/5 de um time titular que estava atuando muito bem junto e mais um bom reserva, todos jovens, com bons contratos e vivendo o melhor momento de suas carreiras por uma estrela e o Billups em fim de carreira. Eles abandonaram tudo isso por esse sonho de ter mais uma superestrela ao lado do Amar'e Stoudemire, sem dúvida vivemos uma era em que os times estão montando elencos na estratégia do "mande até a alma por uma estrela e pesque veteranos depois".

Q: Soa como algo terrível, mas não está dando certo por aí?

Se você considerar que os principais adversários do Knicks no Leste são o Celtics e o Heat, que fizeram a mesma coisa, dá pra entender a inspiração. Mas a grande diferença no caso do Knicks é que talvez não precisasse ser tão caro. Desde o começo da novela o Carmelo deixou bem claro que queria jogar no Knicks, não em Nova York com o Nets, queria o Knicks. Recusou todas as ofertas do Nets e não levou muito a sério propostas do Rockets, Warriors ou Mavericks. Eu acredito que em qualquer um desses times ele iria deixar seu contrato acabar e então virar Free Agent, a pressão dele mesmo (e de outras partes, que veremos depois) para ele jogar no Knicks era enorme, eu acho que ele iria mesmo que isso significasse um salário menor.

No fim das contas o Knicks perdeu para o próprio desespero, pressa e história recente de fracassos. Preferiram mandar até as calças pela certeza de ter o Carmelo Anthony, não quiseram correr mais riscos esperando. Imagina perder o Melo porque não quiseram incluir o Timofey Mozgov ou uma escolha de 2º round na troca, eles nunca iriam se perdoar.

Q: Polêmica no Mesa Redonda, é verdade que o Mike D'Antoni não queria que o time fosse desmontado assim?

O que foi divulgado pela imprensa americana é que o D'Antoni não estava nem um pouco satisfeito em ver o time que ele montou ser dilacerado em nome de uma estrela. E se você ver como o George Karl, técnico do Nuggets, não parecia lá muito triste de ver o Melo ir embora dá pra entender a posição do técnico. Ele tinha feito o Felton jogar o melhor basquete da sua vida, foi quem fez, pouco a pouco, o Wilson Chandler um jogador completo em relação ao cara cru que chegou na NBA; e foi influência direta na escolha do Danilo Gallinari no dia do Draft. Era um time com sua identidade que foi desfeito enquanto sua voz não foi ouvida na hora de dar a confirmação na troca.


Q: Então foi o General Manager Donnie Walsh o responsável por essa limpeza no elenco?

Aí que entra a parte divertida da coisa: Também não! A negociação tinha entrado em mais um impasse porque o Nuggets estava pedindo o Timofey Mozgov além de todo o resto e o Knicks estava se sentindo assaltado, o Donnie Walsh, com o apoio do D'Antoni, não queria enviar o russo até porque mesmo o resto dos jogadores já era demais pra eles. Aí o presidente da equipe James Dolan interviu dizendo para colocar o russo e mais qualquer coisa que pedissem para conseguir o Carmelo de uma vez por todas.

Não é nada comum ver presidentes interferindo assim no trabalho do General Manager, muito menos no trabalho de um cara como o Donnie Walsh, que pegou o Knicks afundado em contratos horripilantes da Era Isiah Thomas (Jerome James, Eddy Curry, Jamal Crawford, Stephon Marbury, nenhuma escolha de Draft) e conseguiu zerar as contas da equipe, abrir espaço salarial, contratar Amar'e Stoudemire e começar uma boa reconstrução. E o pior, segundo informações do repórter Adrian Wojnarowski do Yahoo!, uma das influências na cabeça do presidente James Dolan é o mesmo Isiah Thomas, que planeja voltar ao time!!!


Q: Que porra é essa? Isiah Thomas de volta para o Knicks depois de toda merda que já fez?

O James Dolan é muito próximo do Isiah Thomas, que já quase conseguiu um emprego no Knicks na temporada passada e só desistiu por pressões de Walsh e de outras pessoas lá dentro, mas o contrato do General Manager acaba ao fim dessa temporada e James Dolan pode decidir não renovar e achar um novo nome. Isiah Thomas espera que seja ele.

Segundo Wojnarowski, Walsh, por exemplo, nunca quis colocar Felton, Gallinari e nem mesmo Billups na troca, mas foi forçado a isso pelo presidente. Ele, por sua vez, tem usado Isiah Thomas como um consultor informal, os dois são bem amigos e fontes próximas dizem que é Isiah quem dita as coisas de fundo. A contratação de Carmelo, a saída de Gallinari e Felton seriam vitórias de Isiah Thomas para voltar ao poder em Nova York.

Q: E, por favor, quem poderá impedir essa desgraça?!

A oposição que também quer mandar no Knicks é um dos nomes mais misteriosos da NBA, William Wesley, conhecido (mas não muito) pelo apelido de Worldwide Wes. Já se referiram mais de uma vez a ele como "o homem mais poderoso do basquete", o que é bizarro já que pouquíssimas pessoas conhecem ele! Eu não sabia até um ano atrás quando um leitor nosso mandou um e-mail com uma história sobre o cara.

Ele é a definição de low profile e oficialmente não está associado a nada e nem a ninguém, mas tem seus contatos em todos os cantos, o mais importante deles é o seu amigo Leon Rose, empresário de Carmelo Anthony, Chris Paul, Eddy Curry e LeBron James. Lembram da minhoca plantada na cabeça do CP3 no começo da temporada dizendo para ele exigir uma troca? Wes teve sua influência lá. Curry no Knicks? Também. Carmelo no Knicks? Com certeza absoluta, seu empresário Leon Rose não queria ver seu jogador em qualquer outra franquia e usou a negação da extensão de contrato para podar as melhores ofertas enviadas ao Nuggets.

Q: E como Worldwide Wes influencia o Knicks?

Como eu disse ele nunca se envolve diretamente com as coisas, apenas conhece todo mundo e influencia suas decisões. Como disse o jornalista Henry Abbott depois de uma extensa pesquisa sobre um cara que recusa qualquer entrevista, "Se você olhar de perto todas as forças do mundo do basquete em todos os níveis - AAU (Associação de Atletas Universitários) que leva os jogadores às universidades, agentes interessados em achar clientes, as empresas de calçados interessadas em garotos propaganda, técnicos, donos de times, executivos, jogadores - todos tem uma coisa em comum: William Wesley".

E no Knicks ele tem Mark Warkentien como consultor de Donnie Walsh e Allan Houston, ex-jogador e atual assistente do General Manager do time. Worldwide Wes quer um desses dois assumindo no lugar de Walsh, não Isiah Thomas.

Q: Entre os dois, qual é melhor para o Knicks?

O Isiah Thomas já teve sua chance como técnico e como General Manager e teve, nos dois casos, a passagem mais desastrada de qualquer pessoa que eu já vi na NBA. Resultados patéticos, trocas que nunca fizeram sentido, relação péssima com torcida e atletas, um desastre do começo ao fim.

Por outro lado Worldwide Wes é daqueles caras que só pensam no benefício próprio e em agradar à sua panelinha. Ele vai botar toda sua turma de influência e seus jogadores onde quiser. Canalha, cafajeste ou só mais um megalomaníaco na NBA, não sei, mas ele tem muita influência sobre o Chris Paul. Talvez isso fale mais alto que qualquer outra coisa.

Q: Tudo isso para falar de uma troca! E eu aqui com preguiça de ler esses posts gigantes. Dá uma resumida aí, valeu a pena para o Knicks?

A troca valeu para conseguir o Carmelo Anthony, só. A história da NBA mostra que times com só um ou nenhum jogador fora de série, estrelas, ganham uma vez a cada dez milhões de anos, então eles foram para o home run. Trocaram a base sólida, os bons jogadores, o médio, pela chance do espetacular. Combina com o espírito nova-iorquino de se achar o centro do mundo e não se contentar em ser um bom time, dão tudo só pela chance de ser o melhor.

Mas sem dúvida é um risco. Hoje o elenco é raso, tem um banco de reservas ridículo e terão que trabalhar para descobrir o que Melo e Amar'e precisam a mais para funcionar juntos e ir buscar isso na próxima temporada. Aí vem a questão de quem irá procurar, já que eles arruinaram o clima entre a direção do time e o General Manager e isso talvez possa até levar o técnico Mike D'Antoni embora em um futuro próximo. Para os que não gostam dele é um alívio, para os que gostam fica o medo do que vem a seguir: Talvez Isiah Thomas escolhendo ele mesmo como o mais preparado disponível (de novo!) ou o Worldwide Wes retribuindo algum favor a alguém que não esteja a altura do cargo.

O New York Knicks voltou a ser relevante de novo nessa temporada, com essa troca volta a ser o centro das atenções no mundo do basquete. Os próximos meses irão dizer se pelo motivo certo.

...


Q: E o Nuggets, não podia conseguir um troço melhor em troca do Carmelo, tipo uma superestrela?

Na verdade o Nuggets teve é muita sorte de conseguir o que conseguiu. Quando se troca uma estrela que está encerrando seu contrato, é muito difícil conseguir valor igual em troca. Em geral o time troca sua estrela admitindo a derrota e tendo que aceitar apenas jogadores secundários e escolhas de draft. Mas, ainda que o Nuggets tenha recebido propostas melhores pelo Carmelo, o time não podia aceitar o que mais lhe interessasse. Isso porque qualquer time só faria a troca com o Nuggets se houvesse a confirmação de que o Carmelo assinaria um novo contrato ou uma extensão, ou seja, era o Carmelo quem decidia para onde ser trocado.

Q: Então o Carmelo é um safado filho de uma quenga?

Danilo: Na verdade não, a única safadeza aqui é do Nuggets. Para o Carmelo, a coisa é simples: seu contrato termina e, se ele não quer continuar jogando pelo Nuggets, sai ao fim da temporada e assina com o time que ele preferir. É isso que está previsto nas regras e é isso que deveria acontecer - acaba o contrato do Carmelo, ele assina com o Knicks e todos vivem felizes para sempre. O Nuggets, no entanto, ficaria sem sua estrela (assim como aconteceu com o Cavs) e apenas o espaço salarial para contratar outro jogador, mas quem iria querer jogar num Nuggets sem estrelas? O que o Nuggets fez, então, é uma brecha no sistema, um migué, um jeitinho brasileiro: trocar o Carmelo antes do fim do contrato e receber qualquer merda em troca pra não ficar de mãos abanando. Nada mais justo, no entanto, que o Carmelo escolha o time para o qual quer ir como seria o normal.

Q: Mas por que o Nuggets não trocou só o Carmelo e enfiou o Billups junto na troca?

Danilo: O Nuggets era um dos 5 times que mais gastava com salários na NBA, ou seja, tinha gastos de time que quer ser campeão. Sem o Carmelo, o time admite implicitamente que não dá pra manter o time com o mesmo rendimento e não faria sentido então manter os mesmos gastos. Apenas parte do salário do Billups é garantido para a próxima temporada (3 milhões), então o time que quiser se livrar dele pode pagar esse grana e pronto. Para mantê-lo, o salário seria de mais de 14 milhões, algo impensável para o Nuggets agora. Então eles aproveitam e mandam o Billups embora agora, poupando a grana que teriam que pagar para ele até o fim da temporada. Por estar acima do limite salarial, o Nuggets já paga mais de 13 milhões de taxas. Mandando o Billups junto com o Carmelo eles ficam abaixo do limite e chegam a economizar quase 25 milhões de dólares só esse ano! Para um time que não tem mais chances de ser campeão e passou os últimos 5 anos endividando até as calças para tentar um título, é uma economia que não dá para ignorar.

Q: É verdade que o Nuggets vai trocar os jogadores que conseguiu com o Knicks?

Danilo: Existe a possibilidade, mas ela é muito difícil. Os engravatados do Nuggets se mostraram muito tristes de não conseguir uma extensão com o Carmelo, mas estão felizes com os jogadores jovens e baratos que conseguiram. Wilson Chandler é uma versão light do Carmelo Anthony, aprendeu a arremessar de três nessa temporada, sabe jogar dentro do garrafão de costas para a cesta, e é melhor defensor do que o Carmelo. Danilo Gallinari é um excelente arremessador que vem mostrando ser capaz em outras áreas, Tomfey Mozgov e Kosta Koufos são pivôs com potencial para um futuro projeto de reconstrução, e Raymond Felton é bom o bastante para garantir que Ty Lawson possa continuar vindo do banco de reservas e prosseguir em seu desenvolvimento gradual. O mais importante é que são todos jogadores muito baratos - o mais caro é o Felton e seus 7 milhões de salário que duram apenas até o fim da próxima temporada. O Nuggets agora tem talento, várias escolhas de draft para reconstruir o time, vários role players competentes, e espaço salarial para tentar uma nova estrela ou economizar dinheiro até que o time possa render alguma coisa.

Q: Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor e quero saber se o Nenê agora vai ter um papel central no Nuggets

Danilo: O Nenê disse esperar uma extensão de contrato, já que ele só continua no Nuggets na temporada que vem se ele quiser, o próximo ano do contrato é escolha do jogador. É capaz que o Nuggets até extenda o contrato, mas ao ver a folha salarial do Nuggets percebemos que os únicos jogadores mais caros do que o Raymond Felton e seus 7 milhões de salário são o Kenyon Matin (16 milhões injustos, mas que acabam nessa temporada) e o Nenê (11 milhões). Se o time feder e entrar em processo de reconstrução total, cuidando da pirralhada e esperando as escolhas de draft, não faz sentido pagar o maior salário da equipe para o Nenê. Meu palpite é de que ele só terá o contrato renovado e um papel importante na equipe se o time se sair, desde já, muito melhor do que o esperado e acharem que não precisa fazer uma reconstrução total. Vamos descobrir isso, e analisar a fundo o modo de jogo do novo Nuggets, assim que os jogadores fizerem sua estreia pela equipe.

Q: Para quê o Nuggets vai usar as player exceptions, que parecem vale-CD?

Danilo: Com elas o Nuggets pode mandar um jogador muito barato, com salário risível, em troca de um jogador muito caro. Uma delas, de 17 milhões, permite mandar qualquer mané com salário de novato em troca do jogador mais caro do planeta. Mas esse tipo de troca só acontece se algum time quiser se livrar de seu jogador caro para começar um processo de reconstrução, o que é raro. Se o próprio Nuggets estiver em processo de reconstrução, para quê vai querer um jogador caro pra burro? Essas player exceptions são mais para fazer a troca funcionar do ponto de vista burocrático do que úteis de verdade. Serão usadas caso os jogadores adquiridos sejam trocados, o Nets está interessado, mas por enquanto parece bastante improvável de acontecer.

Q: Por que o Wolves entrou na troca?

Danilo: O Knicks não tinha espaço salarial para receber o Carmelo, então tinha que se livrar do contrato expirante do Eddy Curry de mais de 10 milhões. O Wolves, abaixo do teto salarial, agarrou a chance de receber o jogador - e o Knicks ainda mandou um incentivo financeiro para o Wolves usar e pagar uma parte do seu salário nessa temporada (caso queiram mandar o Curry embora, após um regime que lhe permitisse ao menos passar pela porta de saída). Pela ajudinha do Wolves, outras trocas aconteceram: o Knicks mandou o Anthony Randolph, que eles conseguiram nessa temporada achando que seria um jovem gênio e sequer recebeu minutos de jogo, e o Wolves mandou o Corey Brewer, que é um defensor atlético excelente para ser role player em time vencedor, mas que era cada vez mais desnecessário no Wolves. Além disso, o Nuggets mandou uma escolha de segunda rodada do draft em troca do Kosta Koufos, o pivô que eles nunca usavam porque são apaixonados pelo Darko. Ou seja, o Wolves se aproveitou da brincadeira apenas para dar uma chance ao Anthony Randolph, jogador de potencial que estava apodrecendo no Knicks, do mesmo modo que eles já fizeram com o Darko Milicic e têm orgulho disso.

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Se você tiver mais alguma pergunta pode mandar nos comentários. Só não prometemos responder logo, afinal temos uma troca do Deron Williams já comentada e agendada para entrar no ar amanhã de manhã!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O prêmio de consolação que deu certo


A gente tem o poder de elogiar um time e vê-lo perder na rodada seguinte. Ou falar mal de um jogador e ele meter 30 pontos no mesmo dia. Não costumamos estar tão errados assim, às vezes é só naquele dia mesmo, pra tirar uma com a nossa cara. Foi o que aconteceu com o Mavs que perdeu do Bucks bem quando o Danilo fez um post explicando a espetacular sequência de 12 vitórias seguidas do time de Dallas. Mas não se preocupem torcedores do Mavs, nossa zica dura pouco e perder do Bucks não é tão ruim quanto parece. Os veadinhos tem a quinta melhor defesa da NBA! Seu recorde negativo de 10 vitórias e 13 derrotas só existe porque são o segundo pior ataque. Quando conseguem colocar a bola dentro daquele anel laranja que fica pendurado num quadrado de vidro, eles são um ótimo time. Dá pra reclamar que jogaram uma vantagem de 18 pontos no lixo (em casa!), que sofreram com o Hack-a-Haywood e que fizeram uma cesta contra, mas nem tudo é perfeito, né?

Tem time muito mais satisfeito e com números piores na tabela, como o NY Knicks, e é deles que vamos falar e zicar hoje. A satisfação da torcida do Knicks, eufórica ultimamente mesmo sendo uma das mais pentelhas dos Estados Unidos, é explicado pelo enorme fracasso da franquia nos últimos 10 anos. Em 1999 eles se classificaram em sétimo para os playoffs mas mesmo assim venceram o Leste e foram até a final, em que tomaram de 4 a 1 para o Spurs. Nos anos seguintes, de 2000 até hoje, possuem o pior aproveitamento da NBA (perderam 62% dos seus jogos) ao mesmo tempo em que foram o time que mais gastou dinheiro com salários e técnicos. É como pagar mais que todo mundo por um videogame e levar pra casa um 3DO.

Com um desastre atrás do outro eles resolveram se focar em LeBron James. Passaram as últimas temporadas só acumulando contratos expirantes para chegar em 2010 com chance de levar o jogador mais humilde da NBA para a cidade mais humilde dos EUA. Não deu certo. Perderam para Miami não só LeBron como Wade, mas levaram um prêmio de consolação que muito time venderia a mãe para ter: Amar'e Stoudemire. E no desespero por um armador pagaram mais do que qualquer um pagaria pelo Raymond Felton. Essa offseason era pra ser a virada do Knicks, mas acabou sendo um "Fizemos o nosso melhor e ainda estamos em obras".

Mas a verdade é que o resultado tem saído maior do que muita gente (eu estou nessa!) esperava. Explico todas as razões.

Em uma matéria da faculdade, ainda no Brasil, fiz um projeto de como seria uma revista Bola Presa de basquete. Ficou bem legal e a matéria principal, que fiz só para o meu professor que não sabe nada de basquete ler, era sobre o Amar'e Stoudemire. Questionava se valeria a pena um time investir nele e colocava em questão os argumentos daqueles que acham que ele é um dos melhores jogadores da NBA e os que acham que ele é mais um produto da Steve Nash Ltda. Eu, desinteressante como sou, me colocava no meio termo. Ninguém tem mais de 25 pontos por jogo em uma temporada (como ele já teve duas vezes) só porque tem um armador bom. E era só ver os jogos dele (a segunda metade da temporada passada tem vários exemplos bons) pra ver como nem tudo o que ele fazia era produto de jogada do Nash. A maioria era, claro, mas quando se joga com o Nash é assim!

Mas eu ficava ainda em cima do muro porque achava que ele não era muito eficiente quando segurava muito a bola ou tentava comandar o jogo sozinho. É o tipo de jogador que tem que fazer cortas e brigar por um bom posicionamento para então receber a bola e fazer o que ele sabe fazer, pontos. Portanto, não era que Amar'e precisava do Nash, mas sim de um bom armador, qualquer um, não necessariamente um gênio.

No começo da temporada os meus medos se mostraram verdade, o Amar'e estava fazendo sua tonelada usual de pontos mas do pior jeito possível. Recebia a bola longe da cesta e demorava um tempão até conseguir infiltrar ou arremessar. Era um ataque sem padrão tático e sem a velocidade que o técnico Mike D'Antoni gosta de ver em seus times. O resultado numérico foi um Knicks que não assustava ninguém e que tinha melhores números quando Amar'e estava fora de quadra. Mesmo quando ele marcava 30 pontos acabava com -5 ou -10 nos "net points" ou "plus/minus", o número que conta o placar do jogo só quando certo jogador está em quadra. Era um típico caso de buraco-negro que lembrava os tempos de Zach Randolph no Blazers e no mesmo Knicks.

Mas com o tempo a coisa foi mudando, bem aos poucos, jogo a jogo. No começo os números do "plus/minus" ainda não favoreciam muito o Amar'e, mas ele já estava fazendo a diferença no quarto período dos jogos e o Knicks começou a vencer e não parou mais. São hoje oito vitórias seguidas e 13 nos últimos 14 jogos, e nesses oito jogos seguidos o STAT marcou mais de 30 em todos as partidas, um recorde da franquia e o primeiro jogador da NBA a conseguir pelo menos 8 jogos seguidos com mais de 30 desde que Kobe Bryant conseguiu 9 vezes seguidas na temporada 2005-06.

As duas últimas partidas foram simbólicas também para o Amar'e, ele não só fez jogadas decisivas no fim dos jogos como os números começaram a contribuir também. Na difícil vitória contra o Nuggets, o time esteve +16 com Amar'e em quadra e -12 com ele fora, antes, contra o Wizards, +13 com e -7 sem ele. Mas não vamos ficar presos nos números, o time agora consegue procurar ele em quadra mas sem se prender a isso. Eles fazem suas jogadas e não jogam em função do seu pivô. Ao invés de assistir ao Amar'e, jogam o basquete veloz que devem jogar e o acionam quando é a melhor opção. Eu outras palavras, estão entrosados.

E já que estão entrosados temos que falar dos outros jogadores que fizeram possível a gente falar bem do Knicks pela primeira vez em tanto tempo. Tudo começa com Raymond Felton, o armador que, nas sábias palavras de um analista do site FanHouse, "parece melhor jogador em 20 jogos pelo Knicks do que em 5 anos pelo Bobcats". Isso define o que é o Felton nessa temporada. Esqueça tudo o que já comentamos sobre ele nos últimos anos, é um novo jogador, mais agressivo (+4 arremessos tentados em relação ao ano passado), melhor arremessador (melhor marca na carreira em arremessos de quadra e segunda melhor em três pontos) e melhor em pontos, 18 por partida, 4 a mais que no ano passado. Também tem os melhores números em assistências, 8,7, contra 5,6 na temporada anterior, e em roubos, 2 por jogo, 8º melhor em toda a NBA. O aumento no número de assistências e de arremessos tentados mostra como ele tem uma função muito mais importante e que fica mais com a bola na mão no Knicks. No Bobcats ele distribuía a responsabilidade de armar as jogadas com Stephen Jackson e Boris Diaw, que são bons passadores, mas em New York ele tem a chance de comandar o show por conta própria e ainda pode jogar em velocidade. Ele não é nenhum Ty Lawson correndo mas se sente mais confortável no jogo de transição do que no basquete burocrático de meia quadra que o técnico Larry Brown usava em Charlotte.

Outra coisa que o Felton tem no Knicks que não tinha em Charlotte? Sorte:



Algumas pessoas tem criticado o Danilo Gallinari nessa temporada, mas acho que o jogo dele só tem muito problema pra quem tinha a expectativa de que ele seria um jogador completo e espetacular. Ele não é isso e acho que nunca vai ser, mas é um ótimo arremessador e até melhorou levemente o seu aproveitamento em arremessos perto do aro. É um role player que faz bem o seu papel e que não compromete porque quando está em um mal dia pode ser rapidamente substituído pelo Wilson Chandler, que faz a melhor temporada da sua carreira. Chandler é um dos vários bons candidatos ao prêmio de 6º homem da temporada com média de 17,5 pontos, 6 rebotes e 37% de aproveitamento nos três pontos, quase 10% melhor que na temporada passada! Ele dobrou o número de tentativas de três por jogo em relação ao ano passado, deixou de atacar o aro como antes e tem se estabelecido no time como um arremessador, usando o espaço que ter um pivô dominante como o Amar'e Stoudemire abre.

Por fim merece muito destaque o Landry Fields. Ele foi escolhido no segundo round do Draft e até dissemos aqui que ele deveria mofar na D-League. Não é à toa, os dois maiores sites que analisam universitários que vão para a NBA, o NBADraft.net e o DraftExpress, não colocavam o Fields nem entre os 60 draftados. O NBADraft.net dizia que ele era o 93º melhor jogador inscrito! 6 meses depois ele está recebendo o prêmio de novato do mês na frente de Evan Turner e John Wall. Pode-se questionar o prêmio, mas só de estar na discussão é uma surpresa, ele estar na NBA é uma surpresa, oras!

Ele tinha todas as características de jogadores que fracassam na NBA: Com 2,01m ele tem altura para jogar em diversas posições, na universidade jogava nas posições 2, 3 e 4, mas assustou alguns scouts da NBA ao se destacar mais na 4, como ala-pivô. Sem chance dele entrar num garrafão da NBA com esse tamanho. Também tinha o problema dele ter tido três anos discretos antes de brilhar no basquete universitário como Senior e, por fim, era bom em tudo mas não era especialista em nada. No segundo round do Draft os times costumam buscar especialistas (defensor, arremessador, reboteiro) ou algum cara de 19 anos que possa ser preparado para o futuro. Fields não era ruim em nada mas não era espetacular em nada e já tinha 22 anos. Ele tinha tudo pra dar errado.

Porém, observar talentos juvenis não é uma ciência exata e surpreendentemente ele está conseguindo repetir as atuações "all-around" em nível profissional. 10 pontos por jogo, 7,6 rebotes (excelente número para alguém de sua posição) e um roubo por jogo, sem contar os 52% de aproveitamento. Ele não força arremessos, é muito bom nos rebotes, erra pouco, defende muito bem e faz o trabalho sujo que o David Lee fazia até o ano passado como corta-luz, rebotes ofensivos, acompanhar o contra-ataque para aproveitar uma bola que sobre na sua mão, recuperação de bolas perdidas, etc.

Com a ascensão de todos esses jogadores, o Knicks saiu do nível de mediocridade que lhe era característico na última década e hoje parece um legítimo time de playoff no Leste. Mas depois disso aparecem duas perguntas:
1. Essa sequência de vitórias foi algo real ou um golpe de sorte?
2. O time precisa ainda de uma mudança drástica para realmente ir longe?

1. Eu não acredito que tenha sido um golpe de sorte, eles jogaram realmente um bom basquete, mas também abusaram de um calendário que os ajudou. Durante as 13 vitórias em 14 jogos, enfrentaram times em má fase como Clippers, Kings, Nets, Wolves, Raptors, Wizards e Bobcats. Além de pegar os bons Warriors e Hornets em seus piores momentos na temporada. Vitória impressionante mesmo foi a última sobre o Nuggets! Não é culpa do Knicks pegar esses adversários um atrás do outro e isso não desvaloriza o feito deles, a primeira sequência de 8 vitórias da franquia desde 1995, mas se nos próximos 14 jogos eles ficarem com 7-7 não vejam como uma aberração também.

2. O Donnie Walsh, presidente do Knicks, disse essa semana: "Se você acha que o time é bom o bastante você não faz nenhuma troca bombástica, se achar que não é o bastante você faz. Eu ainda não decidi o que eu acho sobre o nosso time".

Ele provavelmente vai se decidir até o fim do mês. Hoje o Knicks pega o Celtics e até o fim do mês enfrenta o Miami Heat, Orlando Magic e o Chicago Bulls, todos os times do Leste que estão hoje à frente do Knicks. Se o time tiver sucesso contra todos esses, talvez eles não façam nenhuma loucura atrás de Carmelo Anthony, mas se tomar um sarrafo atrás do outro é possível que alguma coisa mude, eles não parecem estar satisfeitos em voltar a ser um time de playoff, o plano do Knicks é mais ambicioso.

Um plano poderia ser esperar até a temporada terminar e simplesmente assinar com o Carmelo Anthony, que já deixou bem claro pra todo mundo que gostaria de jogar no Knicks. Parece o cenário perfeito porque assim eles não perdem nada fazendo uma troca, só ganham o Melo por nada. Mas a coisa não é tão fácil quanto parece. Primeiro porque o Nets está se equipando para continuar atrás de Melo, hoje já conseguiu mais duas escolhas de 1º round (de Lakers e Rockets, em uma troca que vamos analisar mais pra frente e enviou Joe Smith para o Lakers, Terrence Williams para o Rockets e Sasha Sharapova para o Nets) para mandar para o Denver junto com Derrick Favors em troca do ala. Depois porque o Carmelo quer assinar a sua extensão de contrato antes da temporada acabar, para não correr o risco de ganhar menos do que podia com o novo acordo financeiro entre a liga e os jogadores. O jogador prefere o Knicks sobre o Nets, mas entre ganhar muito mais dinheiro no Nets e menos no Knicks ele pode mudar de idéia.

Tem também uma terceira questão importante: O time pode precisar de mais peças para brigar com os times do topo do Leste, mas esse cara é o Carmelo Anthony? Afinal, o que ele traria para o Knicks são pontos e um poder de decisão no quarto período. Mas o Knicks é o quarto melhor ataque da NBA em pontos a cada 100 posses de bola, o segundo em total de pontos e Felton e Amar'e estão se virando mais do que bem nos quarto períodos fazendo o bom e velho pick and roll. Eles tem vários pontuadores, já falamos aqui de Gallinari e Chandler, não seria melhor buscar outro tipo de jogador?

O Knicks ainda é uma defesa fraca, é apenas o 24º melhor time da liga em pontos sofridos a cada 100 posses de bola e é o terceiro time que mais sofre pontos no garrafão, atrás apenas dos patéticos Raptors e Suns, que nem deveriam contar na lista porque eles não tem idéia do que é defender um garrafão. Entre Melo e um bom ala de força ou pivô para jogar ao lado de Amar'e, o que o Knicks precisa mais? É uma questão pra pensar durante o jogo de hoje contra o Celtics. Sim, eu sei que somar nossa zica de falar de um time e ele perder logo no dia que esse time enfrenta o melhor time do Leste é apelação. Mal aê, Knicks.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / New York Knicks

 Cadê a Alicia Keys?

Objetivo máximo: Vão dizer que é ir para os playoffs, eu finjo que acredito
Não seria estranho: Não passar nem perto dos playoffs
Desastre: Feder a ponto do Carmelo Anthony ou do Chris Paul desistirem de ir para lá

Forças: Um ataque veloz e equilibrado
Fraquezas: Não defendem nem ponto de vista e não tomam boas decisões em quadra

Elenco:














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Técnico: Mike D'Antoni

Pra variar, relembremos nossa tradicional "Semana dos Técnicos":

O bigodinho mais famoso da NBA tornou-se praticamente uma lenda com a filosofia de "7 segundos ou menos", ou seja, a idéia de que as melhores oportunidades para pontuar acontecem nos primeiros 7 segundos de posse de bola. Na prática, isso significa correr como um maluco e arremessar o mais depressa possível. Parece estranho mas é uma tática funcional e responsável por formar um dos times mais velozes e divertidos de se assistir nos últimos anos.

A tática de D'Antoni é especialmente efetiva contra times mais fracos, sem identidade, que acabam sendo pegos na correria e tentam devolver na mesma moeda. Marcando trocentos pontos num ataque balanceado, evita-se que times com menos talento consigam manter o mesmo ritmo, mesmo que não exista esforço na defesa. Com isso, o Suns de D'Antoni chutou centenas de traseiros na NBA, aniquilando com facilidade os adversários mais frágeis mas suando contra adversários de peso. Ao enfrentar equipes equilibradas que joguem de maneira lenta e cadenciada, protegendo a posse de bola, a técnica de correr e arremessar (run 'n gun) de D'Antoni encontra graves problemas para funcionar. A encarnação na Terra da entidade cósmica do basquete lento e cadenciado é o Spurs de Gregg Popovich, que aniquilou ano após ano os "7 segundos ou menos", até que o Suns resolveu seguir em outro caminho.

Sempre insisti que o ataque do D'Antoni não é uma farsa, um sonho de criança, por ignorar a defesa e tentar vencer só no ataque. Na verdade, o plano dos "7 segundos ao menos" camufla uma série de limitações defensivas de suas equipes, pois obriga os adversários a jogarem rapidamente e tomarem decisões piores no ataque. Quando seu time não tem nenhum grande defensor nem consegue colocar em prática uma defesa coletiva, o melhor modo de lidar com isso é atacando em velocidade e forçando o adversário a fazer o mesmo. As defesas de Suns e do Knicks seriam ainda piores se um técnico defensivo assumisse e estipulasse um ataque lento, como vimos no Suns de Terry Porter. No entanto, precisei concordar um pouco com os odiadores do D'Antoni quando o Amar'e disse que, no Suns, nunca havia feito um único treino defensivo com  seu técnico. Nenhum! Dá pra acreditar num troço desses? Uma coisa é deixar a defesa em segundo plano se o ataque for melhor negócio, outra completamente diferente é ignorar a defesa por completo, jogar na privada e dar descarga. Às vezes, quando vejo o Knicks jogando, dá pra imaginar que realmente eles nunca nem brincaram de defender nos treinos, mas prefiro acreditar que isso é apenas exagero do Amar'e e ruindade dos jogadores.

A tática ofensiva do D'Antoni, no entanto, é bem menos efetiva no Knicks do que chegou a ser no Suns. O problema principal que o técnico enfrenta é a incapacidade que o time tem de tomar boas decisões em quadra. Ao contrário do que se imagina, atacar o mais rápido possível não significa dar qualquer arremesso de costas no meio da quadra como seu colega débil mental que não sabe fazer bandeja fica tentando na aula de Educação Física. É preciso saber onde colocar a bola para que surja a oportunidade de arremesso mais simples e rápida, e ter paciência quando ela não aparecer. O Knicks às vezes parece entender bem a ideia da coisa, mas em outros momentos apenas se afoba e tropeça nas próprias pernas, em parte pela falta de um armador que possa ser a voz de D'Antoni em quadra. Essas dificuldades sempre colocam em questão a viabilidade do esquema tático do D'Antoni em qualquer equipe, e sua capacidade de tentar outra coisa e se adaptar. Na temporada passada, o D'Antoni já foi mais maleável com a correria e o Knicks já se focou menos nos contra-ataques e mais em jogadas individuais de meia quadra, com foco no pick-and-roll, mas é óbvio que o técnico usa isso como útimo recurso apenas porque o time não consegue manter em alto nível o projeto inicial. Mas a chegada de Amar'e, que sempre floresceu nesse esquema tático do D'Antoni, pode lhe dar uma boa sobrevida e é capaz que o técnico experimente voltar um pouco à correria.

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Quando analisou a chegada de Raymond Felton e de Amar'e ao Knicks, o Denis escreveu um post detalhado e gigaaaaante sobre o time que deixo aqui para ser lido na íntegra e mesmo assim colo quase inteiro aqui embaixo para todos aqueles que tem preguiça de dar um mísero clique com o mouse:


Para muita gente o dia da decisão do LeBron James de ir para Heat foi o símbolo do fracasso do Knicks nos últimos anos. Todos sabem que o time de Nova York passou pelo menos as últimas duas ou três temporadas mais preocupado em abrir espaço na folha salarial do que pensando em basquete de verdade, com LeBron sendo o alvo principal do plano. E pior,Wade Bosh eram as opções seguintes! Depois de tanto tempo, ficar com sua quarta opção é foda. É como passar anos planejando o casamento com a Alinne Moraes e na hora colocar a aliança no dedo da Wanessa Camargo.

No caso do Knicks até que era uma mulher mais gatinha que a Uanessa, o Amar'e Stoudemire é uma mina bem firmeza pra falar a verdade, mas uma que enjoa rápido. Como já dissemos no post em que comentamos a sua contratação, o Knicks fez a sua parte em garantir pelo menos uma grande estrela para não passar em branco. Quem se arriscou mesmo foi o Stoudemire, que corria o risco de não receber ajuda e ficar mais longe de títulos do que estava em Phoenix. E no fim das contas foi o que aconteceu. O Knicks perdeu a maior parte dos seus alvos e teve que se esforçar para colocar pelo menos alguns jogadores decentes em volta da sua nova estrela.

A maior contratação foi o Raymond Felton. O armador fez boas temporadas no Bobcats nos últimos anos, mas eu fui uma das muitas pessoas que esperava muito mais dele depois de vê-lo ter grandes atuações no seu ano de novato em 2005-06. No seu primeiro ano ele teve média de quase 12 pontos por jogo, nada mal, mas nunca conseguiu superar a casa dos 14. Nas assistências subiu variou de 5 a 7. Ele nunca foi ruim, mas também não foi espetacular como parecia que poderia ser. E ainda falhou em ser o líder do Bobcats. Quando o Larry Brown chegou em Charlotte, quis fazer com que Felton fosse o que o Billups foi naquele time do Pistons que ele treinou e foi campeão em 2004, alguém que controlasse a bola, o ritmo de jogo e chamasse o jogo nos momentos decisisvos. Ele até tentou e chegou a ter bons momentos de quarto período, mas o time só deslanchou quando o Stephen Jackson foi contratado e assumiu esse posto. Na defesa o líder sempre foi Gerald Wallace. Ray Felton era, em suma, o terceiro melhor jogador de um time que nunca foi mais do que o sétimo melhor time da conferência mais fraca da NBA.

Outra questão importante sobre o Felton é como ele vai se encaixar no time do técnico Mike D'Antoni. Mas para isso a gente precisa saber qual vai ser o esquema que o D'Antoni planeja usar. No seu primeiro ano de NY ele mandou o time correr como fazia no Phoenix Suns, era o segundo time mais veloz da NBA com 97,6 posses de bola por jogo. Depois de algumas derrotas humilhantes, resolveu se controlar um pouco e na temporada passada o time era outro. Com um pouco mais de jogo de meia quadra e apelando mais para os pick-and-rolls do que para os contra-ataques, foi apenas o oitavo time mais rápido, com 94 posses de bola por jogo. O que ninguém sabe é se o D'Antoni fez essa mudança porque acredita mais nela ou porque não tinha as peças para fazer diferente. E agora com Felton e Amar'e, vai decidir voltar ao plano anterior ou manter um time ainda rápido, mas um pouco mais controlado?

O time mais rápido passa por um armador rápido. Não tenho dúvidas de que um dos motivos (impossível saber todos) que fez o D'Antoni repensar o seu plano tático foi a incapacidade de fazer o Chris Duhon render em alto nível. Jogar na velocidade não é só ser rápido na corrida, é pensar, passar, driblar, infiltrar e tomar decisões inteligentes enquanto se corre. Steve Nash é o melhor da NBA nisso, Duhon era um rapazinho esforçado. O Felton é um meio termo. Ele sabe jogar na transição, fazia muito bem essas jogadas de contra-ataque com o Gerald Wallace no Bobcats, mas não é um jogador veloz. Eu vejo ele agindo bem em situações típicas de contra-ataque, como bolas roubadas ou tocos, mas não acho que ele tem a capacidade de fazer como o Nash de transformar qualquer posse de bola em um contra-ataque só com um pique e alguns passes longos e precisos.

Se o D'Antoni pensar como eu, o Knicks do ano que vem deve ser mais parecido com o da temporda 2009-10 do que com o de 2008-09, um time mais devagar. Espero que isso tenha sido levado em consideração na hora da contratação do Felton, que é mais um daqueles jogadores que são bons se você souber o que pedir deles.

Mas se a questão do tempo do jogo é um problema, o pick-and-roll não é. (...) Essa é a jogada que fez o Amar'e fazer 80% dos seus pontos na carreira, é onde ele mostra o seu melhor jogo. E nos últimos anos ainda foi capaz de fazer o pick-and-pop, que é quando, ao invés de correr para a cesta, quem faz o corta-luz fica parado para realizar o arremesso. Quando comentamos a sua contratação, pedimos um armador que soubesse fazer bem essa jogada, e Felton sabe. Sendo um bom passador (mas espere passes mais óbvios que os do Nash) e sendo, ao mesmo tempo, uma ameaça na infiltração e no arremesso vindo do drible, ele tem as ferramentas para fazer a jogada mais básica do basquete.

A outra conquista do Knicks nessa offseason foi ter conseguido um sign-and-trade com o David Lee. Um sign-and-trade é quando você assina com um jogador que era seu e virou Free Agent, caso do Lee com o Knicks, e logo depois o troca para o time que o jogador desejava ir. É um jeito do time não perder o seu jogador por nada e do time que recebe o jogador de abrir mais espaço salarial para receber um novo jogador. A troca foi com o Golden State Warriors, que mandou Kelenna Azubuike (eleito por mim no nosso formspring o jogador mais bonito da NBA), Ronny Turiaf (o melhor dançarino) e Anthony Randolph, um ala que já disputou duas temporadas da NBA e nunca foi citado numa frase sem a palavra "potencial" do lado. Típico caso do jogador que mistura partidas ótimas com outras medíocres e deixa todo mundo com um gostinho de que de lá pode sair alguma coisa interessante. Darius Milesestá aí para mostrar o perigo de jogadores assim, e Rajon Rondo para mostrar que de vez em quando os caras deslancham mesmo, e vão até mais longe do que se imaginava. Escolha o seu lado.

Para o Knicks, de novo, foi só uma saída para não sair com nada. Eles tiveram a chance de manter o Lee desde o ano passado, mas sempre se recusaram a oferecer uma extensão de contrato decente para que isso não prejudicasse o espaço salarial do time, agora pagam por isso. Perderam seu melhor jogador nos últimos anos, alguém que poderia jogar ao lado do Amar'e Stoudemire e que já se sabia que se dava bem em qualquer esquema do D'Antoni, para ganhar um monte de resto do Warriors. Azubuike, além de gatinho, sabe fazer seus pontos. Acho bem possível que ele acabe até virando titular nesse time, por falta de opções na posição 2, mas não deve estar para os planos em longo prazo do time.

O Turiaf pode dar certo demais no time. Basta uma de suas danças típicas depois de uma enterrada do Amar'e, para que ele vire um favorito da torcida e alguns tocos e rebotes ofensivos para que se torne a primeira opção do banco de reservas entre os jogadores de garrafão. Já o Anthony Randolph pode dar muito certo se conseguir ser mais regular nos seus melhores dias. Ele é bem alto, tem 2,10m, mas uma mobilidade e velocidade absurda. Para ele, sem dúvida alguma, seria melhor que o time fosse o mais veloz possível, pouquíssimos jogadores da sua altura conseguem acompanhá-lo na transição, e ele ainda é muito fraco tecnicamente para criar jogadas próprias no 1 contra 1 no jogo de meia quadra.

Outro problema é que ele joga na posição 4 e não tem chance alguma de ser pivô por ser muito magrelo. Se ele for ser titular, força Amar'e a jogar de pivô, coisa que ele já fez mas que reclamou de fazer a vida inteira, não seria surpresa se tivesse uma cláusula no contrato dele exigindo que ele fosse um ala de força. Isso sem contar a total incapacidade do Stoudemire de marcar jogadores mais altos que ele. Minhas dúvidas sobre como os dois podem funcionar juntos me fazem achar que Randolph vai vir do banco e que esse banco, se achar o armador certo, pode ser um time mais rápido que a equipe titular.

Talvez já pensando em um pivô que não seja o Eddy Curry para atuar ao lado de Amar'e, eles contrataram o russo Timofey Mozgov, que jogava no Khimki Moscou e na seleção russa. Eu não conhecia nada do jogador, mas pesquisando eu vi vários vídeos dele e recomendo esse que mostra os melhores momentos dele pela seleção russa enfrentando a Grécia. Acho que esse vídeo resume bem que é o Mozgov, um jogador que consegue ser ágil para o seu tamanho, 2.16m, tem um bom tempo para o toco, mas que dificilmente fará pontos na NBA que não sejam de rebotes ofensivos. Talvez o Knicks só queira ele para isso mesmo, um parceiro defensivo para o Amar'e, alguém para jogar 20 minutos por jogo. Se o plano foi esse, parece que foi uma boa contratação, mas melhor esperar para ver uns jogos dele antes."

Vale acrescentar ao post do Denis que o preview do Knicks e do Nuggets não foram os dois últimos porque não gostamos dos times ou algo parecido. Apenas enrolei os dois ao máximo porque a qualquer momento o Carmelo Anthony poderia ser trocado e ir parar em New York, e eu é que não ia ficar fazendo preview de novo, nem dei conta de lidar com esses aqui! Mas o ponto principal é que o Knicks não consegue ficar satisfeito. Sonhavam com LeBron, Wade, Amar'e, conseguiram só o terceiro. Abriram mão das últimas temporadas para concertar uma série de erros financeiros da última década e achavam que poderiam começar de novo com novas estrelas - que não vieram. Agora, frente a essa fracasso (ainda que a equipe já tenha melhorado muito), já sonham com Carmelo e com Chris Paul e se dizem dispostos a trocar qualquer um da equipe para que isso aconteça. O primeiro passo para isso já foi dado: Eddy Curry, o pivô gordo que literalmente desapareceu nas férias e botaram a polícia para encontrá-lo (como alguém perde um gordo daquele tamanho?), já recebeu parte do seu salário anual adiantado para que seja mais fácil trocá-lo ou mandá-lo embora. Seu contrato termina ao fim da temporada e enfim o Knicks vai ter dinheiro novamente para ir atrás de Carmelo, Chris Paul e o diabo a quatro. 

Por melhor que seja esse Knicks de agora, ele está me cheirando a bagunça (jogadores que precisam correr junto com jogadores que rendem melhor correndo menos, etc) e a temporada jogada no lixo para, pra variar, esperar os jogadores que podem ser conseguidos na temporada seguinte. Se o Carmelo deixar o pessoal do Knicks chupando o dedo, será que uma hora eles aprendem a se concentrar no presente e tentar montar um time com as peças disponíveis?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Última chance?

Sem saber se o Nuggets continuará um bom time, 
Carmelo faz como no banheiro: senta e espera


Enquanto a maioria dos times gastou seu precioso tempo de offseason buscando novas contratações, o Nuggets se preocupou basicamente em segurar Carmelo Anthony. Ao contrário dos seus companheiros de Draft de 2003, Dwyane Wade, Chris Bosh e LeBron James, quando Carmelo fez seu último contrato, fez um maior que o dos amiguinhos. Dá pra entender, enquanto os outros três estavam em franquias que naquela época despertavam dúvidas, o Melo estava muito bem no Nuggets, que é no mínimo um bom time desde sua chegada.

Isso quer dizer que se todos viraram Free Agents agora, Melo será somente daqui a um ano e ver todos esses grandes jogadores mudando de time para ter a chance de ganhar um título deve ter dado um cagaço monstruoso no time de Denver. Já ofereceram mais de uma vez extensões de contrato de mais 3 anos e 65 milhões de dólares.

O jogador ainda não aceitou e acho que nem deve aceitar. Não sou ninguém pra falar pra alguém recusar tanto dinheiro, mas é que ele não estaria recusando, mas adiando. Se ele acertar essa extensão fica "preso" ao Nuggets por mais três anos, torcendo para que o time volte a evoluir depois da queda de qualidade que teve a partir do meio da temporada passada. Se não aceitar, ganha mais um ano para analisar a situação do Nuggets e dos outros times que possam vir a oferecer outros contratos milionários. A não ser que aconteça um desastre e o joelho do Carmelo esfarele como o do Shaun Livingston, é certeza que ele vai receber ofertas riquíssimas daqui a um ano, não tem porque aceitar agora apenas por medo. E ele nem tem um histórico de contusões para temer alguma coisa mais grave.

Entre os times que devem ir pra cima do Melo com tudo estão o New York Knicks e o New Jersey Nets. O Knicks não gastou tudo o que podia nesse verão americano e para a temporada que vem ainda tem, finalmente, o fim do contrato do Eddy Curry, que só não é maior do que a barriga do pivô. Já o Nets também não gastou tudo o que podia e acabou de trocar por Troy Murphy, cujo contrato também se encerra na próxima temporada. E não é só porque os dois podem pagar que eles são fortes concorrentes, tem também o apelo emocional. Carmelo Anthony nasceu em Nova York, gosta da cidade e até fez universidade em Syracuse, lá pertinho. Ir para qualquer um dos time seria voltar para casa. O Knicks é o time mais famoso, glamuroso e conhecido, e o Nets deve se mudar para o Brooklyn dentro de alguns anos, exata região onde nasceu Melo.

Deu pra entender porque o Nuggets está desesperado para conseguir essa extensão, né? Faz muito sentido ele sair após a próxima temporada. E ainda tem mais: o Nuggets é um time experiente, com jogadores que ou estão no auge ou já estão passando dele. Nenê ainda está em plena forma com 28, mas Kenyon Martin e Chauncey Billups, dois pilares da equipe, não são garantia de saúde e jogo em alto nível por muito mais tempo. Difícil concorrer por exemplo com o Nets de Derrick Favors e Brook Lopez ou o Knicks de Amar'e Stoudemire e Danilo Gallinari. Por fim, mais um ingrediente que deve ter mexido com a cabeça do jogador do Nuggets são os boatos dizendo que apesar da contratação de Raymond Felton, o Knicks planeja um novo armador para a próxima temporada. Chris Paul é o primeiro e principal alvo (já contamos como ele está doido para ganhar um título e mantém uma relação estremecida com o Hornets) e Tony Parker é o segundo, até a Eva Longoria, deliciosa mulher do francês, já está alimentando os rumores dizendo que adoraria o marido jogando em Nova York. Só espero que decidam logo pra eu saber se troco ou não o George Hill no meu time de fantasy!

Por essas tentações de novos ares é que eu acho que o Carmelo não deve e nem vai assinar essa extensão, criando no Nuggets uma sensação de urgência parecida com a que existiu no Cavs no ano passado. E também, como o time do LeBron no ano passado, existem chances reais de título, embora vá ser bem difícil.

Depois da dificuldade que deram para o Lakers na final do Oeste de 2009, o Nuggets entrou como um dos favoritos na temporada passada. Durante meio ano sustentou esse título por ficar em segundo no Oeste, ganhando de vários outros times grandes da liga, incluindo o próprio Lakers em Los Angeles. Mas no meio da temporada a maionese desandou. Primeiro foi a contusão do Kenyon Martin, o melhor jogador de defesa do time e grande reboteiro. Depois foi a volta do câncer do treinador George Karl, que teve que se ausentar durante muitas partidas, inclusive toda a série de playoffs contra o Jazz, quando tomaram uma surra de 4 a 1.

Os dois estão de volta para essa temporada, por isso não existe razão para não dizer que o time vai continuar sendo um dos melhores, mas a saída deles evidenciou algumas deficiências do time. Chauncey Billups já foi considerado o melhor armador da NBA na sua época de Pistons, mas claramente começa a viver a sua vagarosa decadência. Ele ainda é fora de série, mas no meio do caminho tem jogos discretíssimos, ele não consegue ganhar jogos quando dá na telha como fazia no Pistons, e na defesa, onde sempre foi ótimo, as pernas não acompanham mais. É só ver o baile que ele tomou do Deron Williams na última pós-temporada. Já que os dois são sempre comparados, foi o equivalente do Deron para o que o Chris Paul fez com o pobre vovô do Jason Kidd nos playoffs de 2008. Pois é, uma hora a juventude nos alcança e é hora de virar comentarista de TV, Chris Webber tá na NBA TV todo dia pra comprovar isso.

Em vários jogos em que o Billups não dava conta do recado, o Ty Lawson deu. Quando suas bolas não caíam, o JR Smith dava os arremessos mais imbecis da história do basquete (e eventualmente acertava) para dar a vitória ao Denver. Isso mostra que o time é bom, grande, mas que eventualmente depende de jogadores não muito confiáveis. É um time forte, mas como o Billups de hoje em dia, deixa sempre aquela dúvida no ar.

Outra questão que a contusão do K-Mart deixou clara foi a falta de profundidade do garrafão. Nenê, Chris Andersen e Kenyon Martin são o trio mais físico, tatuado e mal encarado da NBA na atualidade. Fazem uma rotação interessante e todos jogam nas duas posições do garrafão, mas e quando alguém se machuca? Dois são titulares e acabou. Sem banco para cobrir alguém cansado ou com problemas de falta. Isso machucou muito a equipe na temporada passada e para resolver o problema contrataram dois jogadores, o Shelden Williams e o Al Harrington.

Tem gente que até gosta do Shelden Williams, acho que o Danilo é um deles, mas eu acho um cara que não sabe fazer porcaria nenhuma numa quadra de basquete. A intenção de contratar um cara de garrafão foi boa, a escolha péssima. Sem querer pegar no pé do Shelden só porque o formato da sua cabeça me ofende, mas o DJ Mbenga seria mais útil. Já o Al Harrigton foi uma ótima adição. Ele arremessa de três e abre o jogo como o Linas Kleiza fez tão bem pelo Nuggets naquela campanha de 2009, sabe jogar de ala de força e quebra um galho nos rebotes. Não sei se gostaria de ver ele de titular em algum time, mas como reserva e em especial nesse time veloz que é o banco do Nuggets, ele é pefeito. Imagina eles correndo com Ty Lawson, JR Smith, Al Harrington e Chris Andersen ao mesmo tempo? Tem tudo para dar dor de cabeça para os bancos das outras equipes.

O Nuggets fez pouco para essa temporada, mas as peças estão lá para irem longe de novo. O armador experiente, o garrafão forte, um bom defensor de perímetro (o ótimo Arron Afflalo), o banco de reservas talentoso, um técnico experiente e que conhece o time e a estrela/cestinha, Carmelo Anthony. Fácil esquecer deles depois dos playoffs ridículos do ano passado, mas vamos dar mais uma chance. Embora seja, provavelmente, a última.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O primeiro da fila


O painel do Madison Square Garden já puxa o saco do novo ídolo da cidade


O LeBron James é chamado de King James (Rei James) desde que entrou na NBA, mas nunca deve ter se sentindo tão rei quanto nas últimas semanas. Ninguém esqueceu a partida patética que ele fez no jogo 5 contra o Celtics nos últimos playoffs, mas parecem ter superado o trauma. Todos tem noção que atualmente ninguém tem a combinação talento-força-idade como LeBron . Quem é tão bom fisicamente não tem o mesmo talento, quem tem talento parecido não está no auge da forma física como ele. Pode-se discutir se ele é o melhor do mundo (e não vamos entrar nessa briga, vocês sabem), mas é inquestionável que ele é o jogador com mais valor comercialmente.

Justamente por tudo isso ser de conhecimento geral é que o mundo dos Free Agents estava estagnado até ontem. Tirando algumas contratações menores e jogadores decidindo ficar no mesmo time, ninguém de grande nome tinha decidido para onde ia. Estavam todos esperando LeBron, que disse que até o fim dessa semana anuncia sua decisão.

Eis que então um deles resolve furar a fila e ser o primeiro. Tomando coragem foi lá Amar'e Stoudemire e aceitou a oferta do New York Knicks: 100 milhões de doletas por 5 anos de contrato. Foi o primeiro a ter as bolas de escolher um time antes do amiguinho decidir. Quando tava todo mundo de sunguinha olhando a piscina gelada, o Amar'e saiu correndo e deu uma bomba na água.

Foi corajoso e até inesperado, mas foi inteligente? Ele deveria ter feito isso? E o Knicks? Os anos e anos de derrotas apenas administrando contratos para chegar em 2010 com espaço na folha salarial vale a pena por Amar'e? Vamos responder uma coisa de cada vez.

...
Valeu a pena para o Knicks?
Para ter certeza absoluta vamos ter que ver o time que o Knicks vai colocar em volta dele, mas temos que admitir que Stoudemire foi um bom começo. Ele não é deus e já cansamos de apontar defeitos nele, como às vezes querer resolver tudo sozinho, não ser um grande reboteiro para sua posição e principalmente ser um defensor muito irregular, mesclando boas e más atuações, o que dá mais impressão de preguiça do que de falta de capacidade técnica. Mas tudo bem, não dava só pra contratar jogadores sem falhas e entre defeitos e qualidades, ele é ótimo.

Não é apenas pelo Stoudemire ser um grande jogador que a contratação foi importante, mas também para que o Knicks não saia de mão abanando na offseason, o que era uma possibilidade real. LeBron poderia muito bem ir para o Bulls ou ficar em Cleveland, Wade e Bosh podem se juntar em Miami, Amar'e poderia querer não se separar de Nash, e Boozer ficar em Utah com um time já pronto para mais uma pós-temporada. Joe Johnson não iria querer ficar sozinho em NY e toparia (como já topou de verdade) ficar em Atlanta e o Knicks ficaria sozinho, com muito dinheiro no bolso e implorando para que David Lee ficasse no time para eles não passarem vergonha no ano que vem.

Como nada disso estava ou está longe de ser um absurdo, foi importante garantir um jogador mesmo antes da decisão de LeBron ou Wade. Com defeitos e qualidades, Amar'e Stoudemire é sem dúvida alguma o melhor jogador a estar no elenco do Knicks desde o o final dos anos 90. Stephon Marbury teve um ou dois anos bons no Knicks mas mesmo ele na sua melhor forma não era tão bom quanto o STAT.

Existe ainda o lado positivo da boa relação e do entrosamento de Amar'e com o técnico Mike D'Antoni. Foi com ele que Stoudemire teve várias de suas melhores temporadas na NBA e se consagrou como grande jogador, ele é, aliás, um dos poucos jogadores de garrafão da liga que conseguem jogar ainda melhor no esquema de velocidade que o D'Antoni gosta de utilizar. Se nesse esquema até o David Lee, muito mais limitado no ataque, conseguia marcar muitos pontos, Amar'e fará uma festa. Em compensação ele nunca vai ter aquelas médias assustadoras de rebotes do Lee e nem a mesma determinação e raça defensiva.

Agora que eles já tem um grande jogador faltam mais duas peças para fazer o time crescer e nem precisa ser o LeBron James (se for, claro, melhor!).

1- Um bom companheiro de garrafão. Eu gostaria de ter visto o Amar'e indo para o Bulls porque lá ele teria todas as suas falhas defensivas disfarçadas pelo Joakim Noah, que é tão ruim no ataque que faria o Amar'e parecer um Michael Jordan de 2,10m. Seria uma dupla perfeita, veloz, completa. No Knicks é bem capaz que Stoudemire tenha que atuar de novo como pivô, muito perto da cesta, coisa que ele já disse não gostar. Também prefiro ele mais longe, podendo usar seu confiável arremesso de meia distância e tendo espaço para dar um drible antes de atacar a cesta.

Mas se ele joga mais longe como ala de força, quem é o pivô no Knicks? O único pivô sob contrato que eles tem hoje é o Eddy Curry. Preciso comentar alguma coisa? Se ele conseguir largar o vício de donuts, resolver seus problemas na justiça e cuidar do problema cardíaco que já teve, tá ótimo. Para o Knicks dá pra correr atrás de Tyrus Thomas, Brendan Haywood ou outro jogador via troca. Se não fizer isso vão se repetir todos aqueles mesmos problemas que ele já tinha no Suns (time baixo, defesa de garrafão péssima, falta de rebotes, blá, blá, blá).

2- Um companheiro de pick-and-roll. Aí sim é uma coisa que pode-se repetir do Suns, alguém para trabalhar a jogada mais manjada (e ainda sim difícil de parar) do basquete. Não precisa ser necessariamente um armador principal, pode ser o Wade ou o LeBron mesmo, mas ele precisa de alguém para fazer esse jogo de dupla, é assim que Stoudemire se consagrou e como ele joga o seu melhor basquete.

Até acho que o Danilo Gallinari pode fazer isso de vez em quando, ele pode ser muito mais do que um simples arremessador nesse time e sabe controlar bem a bola, mas não pode ser o principal responsável. Pode ser Wade, LeBron ou até Felton, mas o Knicks precisa de alguém para fazer o Amar'e render tudo o que pode.


Valeu a pena para Amar'e Stoudemire?
Ao contrário do trio LeBron, Wade e Bosh, não eram todos os times que estavam dispostos a abrir o cofre e encher o bolso do Stoudemire de verdinhas. Muita gente na NBA ainda acredita que ele só é o que é graças ao Steve Nash e que nunca poderia, sozinho, carregar um time muito longe. Por isso ele tem muita sorte do Knicks acreditar nele e topar assinar esse contrato mesmo antes de conseguir qualquer outro jogador. A situação normal seria conseguir uma estrela maior e contratar o Amar'e para fechar o time.

Eu acho difícil opinar sobre como seria o Amar'e sem o Nash porque ele só jogou seu ano de novato sem o canadense do lado. Difícil adivinhar, mas se eu fosse um General Manager estaria nesse grupo mais receoso que vê Amar'e mais como uma segunda opção ofensiva do que como um líder de franquia. E nem é tanto por causa da preguiça na defesa, mas porque acho que ele tem pouca visão de jogo. Para liderar um time você recebe a bola em mãos o tempo inteiro, todo ataque da equipe passa pelas mãos desse líder e Amar'e sabe fazer uma coisa: cesta. Seja arremessando ou batendo pra dentro. Ele é um dos melhores do planeta nisso, mas precisa de alguém dosando o número de vezes que recebe a bola. Não é como Garnett, Duncan ou Nowitzki, que não tem a mesma fúria ofensiva mas que compensam sabendo quando só devem chamar a atenção e fazer a bola rodar.

Como o ego do Stoudemire é inflado e ele sempre se achou o melhor jogador do mundo, deve ter ficado muito feliz com a oferta e topou na hora. Deve estar sorrindo de orelha a orelha com a chance de ter um time sendo construído ao seu redor. Mas e agora, como será esse time à sua volta? Com algumas contratações ruins (especialidade do Knicks!) ele pode se ver amarrado a um elenco sem nenhuma criatividade. E aí será que valeu a pena se separar do Nash e daquele forte time do Suns que há pouco tempo quase derrotou o Lakers?

Apesar de admirar a coragem do Amar'e e achar legal alguém finalmente não ficar só esperando o LeBron, era mais inteligente ter esperado. Caso Wade e Bosh se juntem em Miami e LeBron continue em Cleveland, o Amar'e poderia ter recebido uma proposta tão milionária quanto a do Knicks pelo Bulls e ir lá ser o salvador da pátria. Com Derrick Rose teria seu parceiro de pick-and-roll, em Noah um pivô e ainda o Luol Deng de brinde. Aí se por acaso o LeBron decidisse ir para o Knicks, ele iria para Nova York.

Amar'e Stoudemire foi corajoso, fez um negócio que vai deixar ele até sair do aluguel e comprar uma kitnet, mas assumiu um risco desnecessário ao entrar em um time pelado e sem elenco definido.

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Para acompanhar as movimentações atualizadas dos Free Agents, veja nossa planilha da Off-Season 2010.

Para entender como funciona o sistema de teto salarial da NBA leia o nosso Tutorial do Salary Cap: Parte 1 e Parte 2.