sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Draftados em 2003 - parte 2

O Gaines veio do Magic em troca de um pacote de bolachas Água e Sal


Continuamos nossa viagem pelo draft de 2003. Na primeira parte, alguns dos melhores jogadores da NBA na atualidade (e o gordo já esquecido do Michael Sweetney) figuraram nas 10 primeiras escolhas. Agora, na continuação, vamos analisar mais alguns nomes e rir na cara de alguns erros grotescos que vão ficar para sempre na história dos drafts.


11 - Mickael Pietrus (Golden State Warriors)

Quando foi draftado, alguns o chamavam de "o Jordan francês". Bem, para a defesa deles, podemos dizer que o Pietrus é tão bom no basquete quanto o Jordan era no beiseball. Pietrus sempre foi atlético e, dizem, cravava em cima de todo mundo na França. Nos Estados Unidos deve ter comigo Big Macs demais e nunca foi exatamente especial no quesito enterradas, mas manteve em parte seu atleticismo e mostrou grande talento na defesa. Lembro que em seu segundo ano o Warriors fedia bastante, tomava sacoladas e ele foi publicamente dizer que seu time não se esforçava e que ele não queria jogar com perdedores, ressaltando que se aquilo se mantivesse, pediria para ser trocado. Troféu "Damon Jones" pra ele para o jogador mais insignificante da NBA que se acha em condições de pedir para trocar de time.

Desde então o Warriors mudou um bocado, foi para os playoffs sob comando do técnico Don Nelson e o Pietrus não é um jogador essencial mas tem seu espaço. Assim que o Don Nelson chegou, Pietrus era titular porque, segundo o Nelson, era o único na equipe capaz de praticar qualquer tipo de defesa. Com o tempo o Don Nelson foi ficando mais e mais gagá, deixando essas besteiras de defesa para lá, e o Pietrus agora vem do banco. É sólido, tem seus minutos, e o Warriors pode fazer estrago nos playoffs. Pra mim eles são o time mais divertido da NBA, são tão ofensivos que beira ao ridículo. São como um palhaço de circo: diversão descompromissada que ninguém leva a sério. A não ser o Dallas, claro.

12 - Nick Collison (Seattle Sonics)

O Knicks queria tamanho, confundiu com gordura, e draftou o Sweetney, que tem açúcar até no nome. Se tivesse draftado o Collison, as coisas teriam sido um bocado diferentes. O rapaz é grande, reboteiro e tem um jogo muito refinado no garrafão, cheio de ganchos, giros e essas coisas que os fracotes que não nasceram com o físico do Dwight Howard precisam saber fazer. No Sonics, sofreu bastante por ser continuamente improvisado como pivô, e ainda é obrigado a jogar nessa posição quase todo o tempo. Como o time é o mais novo da NBA e fede bastante, o Collison nunca vai ganhar muita atenção, mas bem que merecia.

13 - Marcus Banks (Memphis Grizzlies)

Eu até desconfio que ele seja bom, mas só desconfio. Foi trocado na noite do draft para o Celtics, onde nunca teve chances. Foi trocado de novo para o Wolves em que teve uma temporada regular mas de que eu sequer me lembro. E então assinou com o Suns, que não é lá muito fã de usar essa coisa esquisita conhecida entre os humanos normais como "banco de reservas". Vi o Banks em quadra pelo Suns só um punhado de vezes e lembro de algumas boas atuações. É mais armador principal do que o Leandrinho e poderia ter mais minutos em quadra, deixando nosso Barbosa se preocupar menos em armar e mais em arremessar quando o Nash resolve sentar. Mas agora até o Grant Hill joga de armador principal às vezes, o negócio da moda em Phoenix é não usar reservas mesmo. Ainda assim, o Banks sempre vai ter grandes chances de ganhar um anel de campeão. Mas sem jogar não tem muita graça.

14 - Luke Ridnour (Seattle Sonics)

Na época do draft, lembro de ter lido, com essas palavras, que "o Ridnour não conseguiria defender nem uma cadeira". Fazia sentido, afinal o Ridnour sempre pareceu frágil e delicado, alguém que deveria estar jogando xadrez ao invés de enfrentando gigantes suados. Mas no ataque ele faz sua parte com excelente visão de jogo, velocidade e inteligência elevadas. Para compensar sua defesa sofrível, o Sonics dividia os minutos da armação entre ele e Earl Watson, que é um defensor acima da média. Como a tentativa de fundir os dois jogadores em um único e monstruoso ser híbrido falhou, dividir os minutos foi a única opção. Mas Ridnour foi jogando cada vez menos, cada vez menos, se machucou algumas vezes e agora ninguém sequer se lembra dele em Seattle. Delonte West, vindo do Boston Celtics, é bilhões de vezes melhor que ele e acabou roubando os minutos na armação. Na época, draftar o Ridnour parecia uma boa. Agora, é nitidamente um desperdício. Mas tudo bem, foi uma escolha boa em 2003. Como veremos a seguir, poderia ter sido muito pior.

15 - Reece Gaines (Orlando Magic)

Que time não quer um armador sólido, com notável carreira universitária, que faz de tudo em quadra e pode jogar tanto como armador principal quanto de armador arremessador? Por isso, lá foi o Magic feliz da vida escolher o Reece Gaines. Ele não é excelente em nada mas sabe fazer de tudo, vai ser uma boa! Lembro que naquele ano o site NBA.com criou um jogo novo que consistia em escolher um novato por dia e ver quem adivinhava aquele que jogaria melhor. Na capa da página desse jogo estavam quatro fotos de novatos, de quem esperava-se bons números na temporada. O Reece Gaines estava nessas fotos e essa é a única memória que tenho dele.

Jogou um punhado de jogos, nunca conseguiu fazer coisa alguma, passou por 3 times em apenas 2 anos e foi parar na Itália sem que ninguém sequer soubesse quem ele é. Uma das piores escolhas de todos os drafts enquanto Josh Howard e Leandrinho ainda podiam ter sido escolhidos. Mas, por pior que o Gaines fosse, ele ainda assim não foi a pior escolha do draft daquele ano. Que tal tentar a próxima?

16 - Troy Bell (Boston Celtics)

Um dos melhores armadores do basquete universitário, o recordista de pontos da história do Boston College, líder vocal em quadra, destruidor nos minutos finais das partidas. Um baita de um jogador. Nunca ouviu falar? Ah, isso é porque ele só jogou 6 partidas na NBA. Se você achava que o Olowokandi era o maior desastre de draft que você conhecia, e se pensou segundos atrás que Reece Gaines poderia tomar esse posto, aqui está Troy Bell para mudar definitivamente seu conceito. A foto do Bell está do lado da palavra "fracasso" na Wikipedia. O que diabos aconteceu com ele? O que havia de tão errado em seu jogo que só permitiu que entrasse seis vezes em quadra e nunca mais conseguir emprego nenhum na NBA, fadado à Liga de Desenvolvimento e, agora, ao basquete italiano? Nunca iremos saber.

Para os torcedores do Boston, a única coisa boa sobre o Troy Bell é que ele foi trocado na mesma noite do draft. Ele e a outra escolha do Celtics, Dahntay Jones, foram trocados pelas duas escolhas do Grizzlies, Marcus Banks e Kendrick Perkins. Ou seja, uma troca completamente inútil mas que acabou rendendo o pivô titular do Celtics de hoje em dia. Melhor que o Troy Bell, pelo menos.

17 - Zarko Cabarkapa (Phoenix Suns)

Europeu, grande, branco, arremessa de fora e não sabe defender. Muitos times apostaram nesses desconhecidos vindos do Velho Mundo com esperanças de conseguir o novo Dirk Nowitzki. Pra mesma posição, o Suns poderia ter escolhido o David West, um ala de força com talento comprovado no basquete universitário. Preferiram o Zarko que virou o décimo homem vindo do banco do Suns e, depois, o décimo homem do banco do Warriors. Aliás, o Suns é perito em desperdiçar escolhas de draft. Imagina só se eles tivessem o David West hoje em dia para ajudar no garrafão vindo do banco.

18 - David West (New Orleans Hornets)

Conte para seus filhos que David West e Brian Cook eram os alas de força mais bem cotados do basquete universitário e eles irão gargalhar na sua cara: quem diabos achou que o Cook sabia jogar esse tal de basquetebol? Para a sorte do Hornets, draftaram o West e deixaram o Cook ser o fracasso de outro time. David West foi comendo pelas beiradas, aos pouquinhos, conquistando minutos vindo do banco, e agora é titular absoluto, chuta um monte de traseiros e na temporada passada cansou de ganhar jogos com arremessos de último segundo da cabeça do garrafão. O Hornets tem uma das melhores campanhas do Oeste e, se não tivessem o Morris Peterson, até seriam um time respeitável. David West é uma das peças centrais da equipe e um dia talvez até alguém perceba que ele existe. Ganhar um título costuma ajudar.

19 - Aleksandar Pavlovic (Utah Jazz)

O Jazz precisa de um arremessador de 3 pontos desde os tempos de Moisés e o Pavlovic parecia uma boa opção. O único problema é que ele fedia quando chegou na NBA, não acertava nem o dedo no nariz, e o Jerry Sloan afundou ele no banco. Nem ligaram quando o Pavlovic foi escolhido no draft de expansão pelo Bobcats, depois sendo trocado para o Cavs. Quando o Pavlovic começou a jogar bem em Cleveland, perguntaram para o Sloan o que ele achava de seu crescimento. A resposta foi: "O quê, o Pavlovic ficou mais alto?" Rá, o Sloan deve ser leitor do Bola Presa!

O Pavlovic não é completo, está aprendendo a bater para dentro aos poucos, mas pelo menos ele tem culhões. Na temporada passada, quando o LeBron estava no banco e ninguém tinha as bolas para dar um arremesso sequer, o Pavlovic chamava a responsabilidade e fazia um monte de merda, mas pelo menos fazia. Alguém lá no Cavs acredita nele, pagam uma boa grana, lhe dão a vaga de titular e esperam que ele se torne algo grande um dia. Enquanto isso, o Jazz ainda precisa de alguém que saiba arremessar de fora. Bem feito.

20 - Dahntay Jones (Boston Celtics)

Ele sabe defender. Ele sabe enterrar. Mais alguma coisa? Dizem que também sabe fazer baliza, mas é só. Ele tem aquilo que impressiona técnicos nos treinos: raça, defesa, obediência. Mas não tem aquilo que é essencial para entrar numa quadra de basquete: talento. Ainda assim, sempre haverá lugar para ele na NBA. O que não falta é um time precisando de um jogador defensor para compor o elenco e nunca entrar em quadra. Infelizmente para ele, o Celtics o dispensou rápido demais e ele perdeu a maior chance de ganhar um anel sem sequer jogar e esfregar na cara do Malone. Com o Kings, que o contratou recentemente, o anel não vai vir tão cedo.

...
Na futura terceira parte desse artigo, as últimas escolhas do primeiro round, incluindo Leandrinho Barbosa; as surpresas do segundo round; o "fenômeno" Lamp; e como seria essa lista se o draft pudesse ser refeito hoje em dia.

3 comentários:

RV disse...

mt boa a coluna do both teams played hard...
mas sera q muggsy bogues tinha esses mesmos problemas q o boykins???
eu hein...
portlando 12 seguidas...
e meu philadelphia ganhou 8 das ultimas 11 partidas!!!!!!!!!!
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
vai intender esses times...

césar disse...

rv naum se eskeça do atlanta em 4o no leste (se atlanta fosse do oeste estaria em 10º hehe) haushauhsuahsu 8 vit nas ultimas 10 partidas... pena q ta perdendo pro dallas agora haushauhsu me amarro nesses times q do nada saem ganhando tudo!

Philipe disse...

muito boa essa seguda parte
tem cada jogador ruim...

abraços