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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Minnesota Timberwolves

- SIM, EU ADORO JOGAR BASQUETE!!!


Objetivo máximo: Chegar perto dos playoffs, surpreender alguns times grandes
Não seria estranho: Ficar em último no Oeste
Desastre: Draftar o Ricky Rubio mas ele não querer ir jogar lá. Espera... já foi.

Forças: Um elenco muito novo e eficiente na transição
Fraquezas: Falta de identidade, ninguém faz ideia do que está acontecendo, o elenco não faz sentido e quase todo mundo fede

Elenco:

.....
Técnico: Kurt Rambis

Quando assumiu o Wolves, Rambis sabia que era um projeto a longo prazo. Passaria ao menos 4 anos à frente da equipe, cuidando do desenvolvimento dos pirralhos e colocando em prática o complexo sistema de triângulos tão famoso graças ao sucesso do Lakers de Phil Jackson. A ideia era não se importar com vitórias, focar apenas no amadurecimento de cada jogador em particular e fazê-los jogar como um time. Mas Kurt Rambis teve muitas dificuldades em colocar em prática os triângulos. Al Jefferson e Kevin Love não conseguiram executar as movimentações juntos, batiam cabeça, ocupavam os mesmos espaços, e Kurt Rambis foi obrigado a colocar Love no banco, limitando um pouco os seus minutos - justamente o contrário do que foi proposto quando contrataram o técnico, que era dar minutos à pirralhada. Após 60 jogos com o novo técnico, Kevin Love não teve medo de colocar a culpa do péssimo desempenho do Wolves nas costas do treinador, já que a temporada estava acabando e não tinha um único jogador sequer que tivesse conseguido compreender o tal do esquema dos triângulos. Uma coisa é conhecer a fundo a tática, como é o caso de Kurt Rambis, e outra completamente diferente é saber explicar isso de um modo compreensível. Phil Jackson tem anos e anos de experiência e mostrou-se um excelente professor, enquanto Rambis está lidando apenas agora com o fardo de um elenco inteiro de crianças cheirando a talco, com inteligências limitadas, tentando aprender um dos esquemas táticos que mais dependem do entendimento e da reação dos jogadores.

Ainda no final de sua temporada de estreia, o Wolves já abandonava lentamente os triângulos em nome de um jogo mais veloz de contra-ataques. Nas ligas de verão, em que o técnico se viu obrigado a lidar apenas com novatos ou jogadores muito novos, os triângulos foram para as cucuias e o foco foi na velocidade e no contra-ataque. Não faz sentido ignorar os triângulos por completo, já que são a especialidade do Rambis, mas ficou bem claro que não dá pra pegar um elenco de novatos e fazê-los compreender o estilo. A abordagem deve ser mais lenta e Rambis deve colocar a molecadinha para correr mais. Os triângulos exigem criatividade enquanto os novatos assustados precisam de jogadas mais fixas e pré-estabelecidas, então o meio-termo será um jogo corrido, que use a velocidade e o atleticismo do time, com alguns elementos dos triângulos no jogo de garrafão.

...
Quando Al Jefferson foi mandado para o Jazz, ficaram claras as intenções do Wolves e escrevi um post a respeito que valhe a pena citar aqui:

"Quando o Wolves resolveu finalmente trocar o Kevin Garnett, parabenizei a franquia. Não tem nada mais horrível para um time da NBA do que ser exageradamente mediano, ter um elenco grotesco, uma baita estrela que consegue segurar as pontas, brigar desesperado por uma classificação para os playoffs e perder sem chances na pós-temporada. O formato da NBA é brutal com os medianos, com os times que não estão brigando por título e nem são ruins o bastante para conseguir bons jogadores no draft. (...)


Se o David Stern tem razão e nenhuma equipe da NBA conseguiu ter lucro nos últimos tempos, não faz sentido manter uma equipe que não vencerá títulos, te dá prejuízo e não tem esperanças de melhora. A melhor saída é feder bastante para conseguir boas escolhas de draft, encerrar todos os contratos longos e imbecis que foram assinados, esperar a pirralhada amadurecer, e então assinar grandes estrelas para formar um elenco decente. (...)

Imaginei que o Wolves, ao trocar o Garnett, conseguiria um núcleo bastante jovem com uma futura estrela em Al Jefferson, e que a reconstrução duraria pouco tempo. Era só esperar a pirralhada pegar o jeito e depois conseguir um ou outro jogador para fechar algumas posições. Mas não funcionou.


Por um lado, promessas como Corey Brewer demoraram demais para se firmarem na NBA. Por outro, Al Jefferson tornou-se uma estrela rápido demais, num elenco incapaz de acompanhá-lo. Como todo time apostando em novatos, algumas escolhas não deram muito certo, alguns jogadores não souberam jogar juntos. Foi então que o engravatado David Kahn apareceu para pisar no freio e fazer todo mundo entender que reconstruções não podem ser feitas às pressas. Basta ver o Pistons: ao demolir acertadamente um time em declínio que não ganharia mais nada, assinou correndo dois jogadores disponíveis na hora para não ficar com um elenco furado e deu no que deu, o time fede, não tem flexibilidade para assinar outros jogadores porque torrou tudo em dois meia-bocas, e está fadado a ficar entre os medianos por muito, muito tempo. Falha épica, já diriam os gringos. É melhor assumir a bosta, no famoso "pisou na merda abre os dedos", e deixar o time fedendo com calma do que correr e assinar qualquer um."

O Wolves virou exemplo de que não dá pra ter pressa. Se o Al Jefferson ficou bom demais, rápido demais, tem que mandar embora mesmo, não adianta ter um jogador fodão em meio a um elenco que ainda precisa de tempo demais para ficar sólido. Se o esquema de triângulos não entra na cabeça dos jogadores, use menos, seja mais maleável, e vá ensinando aos poucos. Se os times da NBA só dão prejuízo e não há perspectiva de ser campeão, pague salários pequenos, para jogadores jovens, e espere bons novatos. A única merda é que o Wolves drafta mal, mas isso é outra história.

Esse clima de "não pode ter pressa" foi perfeito para o Darko Milicic, que finalmente recebeu atenção, carinho, esperança e até desistiu de voltar para a Europa. Será o parceiro de garrafão do Kevin Love, que finalmente pode ser titular, é muito mais indicado para o sistema de triângulos, está destruindo na pré-temporada e já mostrou que valeu a pena se livrar do Al Jefferson. Outro que jogou bem na pré-temporada foi o Michael Beasley, que sofreu muita pressão no Heat porque o time queria vencer nos playoffs sob comando de Dwyane Wade e o pobre pirralho não tinha estrutura nenhuma, metido na erva idiota lá e incapaz de manter a defesa que o técnico Erik Spoelstra exigia. Sem esse tipo de pressão, conseguiu estufar o peito, recuperar a confiança e ser o líder do Wolves mostrando como é um fominha safado que se pudesse nunca passaria a maldita da bola.

O legal da ida do Al Jefferson para o Jazz é que a bola pode passar mais tempo nas mãos do resto da pirralhada, que precisa de experiência para subir de nível e virar outro Pokémon, então jogadores como o Corey Brewer podem evoluir seu jogo ofensivo e tentar conseguir um arremesso consistente. Só esperemos que o Beasley não vire um buraco-negro no ataque e acabe com isso. Se o Wolves quer vencer, o Beasley precisa arremessar muito, mas como vimos o objetivo do time ainda não é a vitória, e sim a criação de um padrão, de identidade, e a evolução dos jogadores. Na ala temos Beasley, Webster, Corey Brewer, o novato Wesley Johnson e até o armador Wayne Ellington, o importante é que alguém daí adquira as qualidades para ser titular absoluto da equipe. Até lá, as vitórias e as derrotas não importam.

Enquanto isso, a armação continua sendo muito limitada e tem sonhos eróticos com o Ricky Rubio. Com o Jonny Flynn contundido e fora da rotação por uns tempos, os únicos armadores puros da equipe são o Luke Ridnour, que é basicamente uma criança de 12 anos com anemia, e o Sebastian Telfair, que é um anão que acha que está numa quadra de rua. Os dois são divertidíssimos de ver em quadra, mas não defendem nem ponto de vista e têm como forte a correria. Me diverti bastante com o Wolves na pré-temporada porque o Ridnour corre e sabe dar os passes certos nos contra-ataques, Beasley é um fominha talentoso, o elenco é cheio de gente explosiva que só sabe correr para frente como o Corey Brewer, e o Kevin Love é um dos melhores passadores da NBA - de qualquer posição, não só de pivô. Se eles não ficarem tentando levar os triângulos muito a sério, podem ao menos ser um time divertido, que vale acompanhar em noites sem sono no League Pass, enquanto todo mundo vai amadurecendo, esperando outros novatos, o Ricky Rubio e um padrão de jogo. Meu único medo é que o Kevin Love fique também bom demais rápido demais, o que abortaria de novo o projeto. O Wolves agora tem uma espécie de luta contra o tempo: conseguir um elenco sólido antes que o Love dê o fora dali ou encha o saco. Veremos quão longe o Wolves está disso com o amadurecimento dos novatos nessa temporada, porque o Love já larga na frente: tem tudo para já ser All-Star agora, imediatamente.

domingo, 7 de março de 2010

A era dos veadinhos

Aquela ponto laranja na cabeça do Jennings é seu cabelo


Não resisti a colocar esse título ridículo, desculpem. Mas é que quando a gente vai se dar ao trabalho de falar do Bucks de novo? Entre os times que vivem grande fase na NBA, o Bucks é a maior surpresa. O Dallas tem 11 vitórias seguidas, mas era de se esperar já que o time já era bom e adicionou Caron Butler e Brendan Haywood. O Magic vive sua melhor fase na temporada, mas também não é surpresa já que o time tem um elenco recheado de talento, bastava o Vince Carter jogar o que sabe para eles deslancharem. Mas e o Bucks? Alguém realmente achava que eles tinham chance de playoff quando caíram para a nona colocação da conferência algumas semanas atrás?

Pra mim o Leste já estava bem decidido. Os 4 primeiros seriam Cavs, Magic, Hawks e Celtics. Depois viria o Raptors, que finalmente tinha aprendido a defender o bastante para vencer jogos de basquete em nível profissional, depois o Heat, que com o Wade não teria como ficar de fora dos playoffs e, para fechar, os bons times do Bulls e do Bobcats.

As coisas começaram a mudar quando o técnico (e chato) Scott Skiles resolveu fazer algumas mudanças no time. Insatisfeito com o aproveitamento cada vez pior dos arremessos de Brandon Jennings, chamou o garoto de lado e pediu para ele ser mais armador do que pontuador. Difícil pedir isso para o seu melhor pontuador que está cercado de jogadores irregulares no ataque como Luc Mbah a Moute, Carlos Delfino e Andrew Bogut. Mas acabou sendo uma decisão perfeita. Com o Jennings se preocupando mais em passar e usando sua habilidade na infiltração para os passes, o time começou a acertar mais bolas de três e Bogut começou a viver a melhor fase da carreira.

Embora o pivô australiano pareça ser ruim porque é, afinal, um pivô australiano, ele é bem talentoso no ataque. Ele funciona muito melhor em ataques velozes, onde pode usar sua agilidade, do que naquele ataque filmado pela supercâmera que o Bucks usava até um tempo atrás. Com o time mais dinâmico ele apareceu muito mais e tem sido a peça mais importante do ataque do Bucks nos últimos 20 jogos.

Nas últimas 20 partidas o Bucks tem 15 vitórias e 5 derrotas, um aproveitamento digno dos melhores times de toda a liga. E no meio dessa sequência é que houve aquele dia em que a NBA virou casa de swing e todo mundo foi trocado. Na putaria o Bucks acabou perdendo um sapato, a cueca furada, mas levou pra casa o John Salmons.

O Salmons não é nenhum deus, nunca vai ser um All-Star, não é grande defensor ou passador e nem é bonito. Mas sabe fazer uma coisa muito bem: pontos. E embora os pontos pareçam ser muito mais importantes que outra função como roubos ou tocos, quando você só faz pontos você entra na categoria de especialistas, como o Chris Andersen é um especialista em tocos ou o Quentin Richardson um especialista em bolas de 3. Da mesma maneira que os dois tocos por jogo do Andersen não serviriam de nada em um time que não defende, o Salmons não faria grande diferença em um time que já tem muitas opções de pontos, ele seria mais um. Mas no Bucks ele era exatamente o que eles precisavam!

Tem um tipo de arremesso que eu chamo de arremesso McDonald's. Sabe quando você vai sair com o pessoal e um quer ir na balada, outro no barzinho, outro no karaoke, outro no fliperama e como ninguém decide nada a última opção é um bom e velho McDonald's? Tem algumas posses de bola onde o armador não consegue nada, o pivô não consegue nada, ninguém fica livre e só resta uma última e básica opção, isolar alguém para dar um drible simples e arremessar. Todo time que se preza tem um cara pra fazer isso, mas o Bucks não tinha. Eles tentavam usar o Jennings, mas nem sempre ele conseguia ser esse cara porque ele já é o cara que estava tentando armar a jogada antes, que queria ir no karaoke e não conseguiu. Apareceu então o Salmons, um cara muito bom no arremesso depois do drible e que sabe chutar de três.

Com esses talentos o Salmons já chegou decidindo jogos no Bucks. O mala do Skiles claro que não deixou barato e soltou a pérola de que o Salmons tinha jogado bem "para alguém que não sabia o que estava fazendo em quadra". Algo como dizer "Você é muito inteligente, considerando que você é uma mulher". O negócio é ignorar, o Skiles é bem metódico com sua defesa e com como as coisas são feitas em quadra e qualquer jogador que chegasse no meio da temporada não saberia de nada disso, o importante é que o Salmons ajudou mesmo assim e só o fez por ser exatamente o que o time precisava.

Com essa sequência de vitórias o Bucks hoje já está perto do Raptors no quinto lugar do Leste! Deixou Heat, Bobcats e Bulls pra trás. Eu, sinceramente, torço para que nessa briga o Bulls fique de fora. Sou fã de Derrick Rose e Luol Deng mas o time tem que pagar pelas decisões que tomou. Trocaram Tyrus Thomas e John Salmons apenas para ter espaço salarial no ano que vem, mandou cada um para um rival direto na classificação para os playoffs e só pensou na próxima temporada o tempo todo, que se ferrem nessa então!

Espero que os times que tenham pensado nessa temporada sejam recompensados por isso e vão para os playoffs, até porque Bobcats e Bucks são dois times que lutam há anos por uma vaga na pós-temporada e fazem isso sem conseguir atrair nenhum nome de peso para seu elenco. São dois remanescentes da escola Pistons de se montar um time, com muitos role players e defesa. E para um playoff ter graça, precisa de todos os personagens, desde os times de puro ataque como o Suns, os chatos como o Spurs, os convencidos como o Lakers, os mal-encarados como o Nuggets e o pequeno trabalhador esforçado como Bucks e Bobocats.

Na sequência de 20 jogos o Bucks só teve duas derrotas inaceitáveis. Perdeu um jogo para o fraco Pistons e outro para o Rockets, não é que o Houston seja ruim, mas tomar 127 pontos em casa é motivo de vergonha. As outras derrotas foram para Hawks, Mavericks e Magic, todos times com melhor recorde, elenco e que jogaram em casa.

Já falei da mudança de estilo de jogo do Jennings, que favoreceu o Bogut, e da adição do Salmons, mas o segredo do sucesso desse time desde o primeiro jogo da temporada, o que segurou eles perto da zona dos playoffs mesmo nos momentos mais complicados do ano, foi a defesa. Atualmente o Bucks é o terceiro colocado no ranking de defesa que mede o número de pontos sofridos a cada 100 posses de bola, um número assustador para um elenco que não tem nenhum especialista em defesa. Talvez o Mbah a Moute esteja acima de média, mas o resto é Jennings, Bogut, Ridnour, Delfino, todos jogadores que passaram a carreira ouvindo que não defendiam bem, que eram soft, um jeito simpático de dizer que eles são mariquinhas.

Mas outro número me impressionou mais. O site Hoopdata tem os números de aproveitamento das equipes em todos os tipos de arremesso, desde os mais próximos da cesta até os mais distantes. O Bucks, sem ter nenhum bloqueador nato em seu elenco, é a sétima melhor equipe em defender os arremessos próximos à cesta. O Lakers, com Gasol e Bynum, fica atrás do Bucks na hora de defender os arremessos dados perto do aro, como os ganchos dos pivôs ou as infiltrações dos armadores. E dos 6 times que estão na frente do Bucks ainda podemos tirar o Pacers, que apesar do aproveitamento baixo dos seus adversários é um dos times que mais comete faltas e sofre pontos de lances livres, ou seja, o adversário não faz os pontos na bandeja mas faz no lance livre.

Para terminar, o Bucks é o quarto time que mais força turnovers em toda a NBA, atrás apenas de Celtics, Bobcats e do Warriors, que só é líder por jogar na defesa como se jogasse NBA Live, tentando roubar bolas o tempo inteiro e deixando o adversário dar 10 enterradas livres no processo.

Que fique claro que o Bucks merece muitos créditos por estar na situação em que está, parecia piada pensar no Bucks lutando pela quinta vaga do Leste no começo da temporada, mas mesmo assim devemos reconhecer que o time ainda é limitado. Aproveitei para falar deles agora porque a sequência de 20 jogos foi impressionante, mas será difícil manter o ritmo agora que pegam, em sequência, Celtics e Jazz e, na semana seguinte, Nuggets e Hawks. Mas provavelmente eles já estão jogando bem o bastante para relaxar um pouco e deixar a briga pela última vaga no Leste para Bobcats e Bulls. Na briga com Tyreke Evans, Stephen Curry e Darren Collison, o Jennings vai poder se gabar pelo menos de ser o primeiro deles a jogar um jogo de pós-temporada.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Incentivos fiscais

Foyle continua atrás de seu troféu de MVP


Já que estamos em época de assinar contratos na NBA, que tal falar desses contratos? Não o valor que o Lamar Odom quer, não de quanto o Blazers ofereceu pelo Paul Millsap, mas sim das bizarrices que podemos encontrar no meio das cláusulas contratuais dos jogadores da NBA.

Li um artigo nessa semana no NJ.com, um site de New Jersey, do Dave D'Alessandro em que ele fala sobre alguns dos "incentivos" mais esquisitos da NBA. O link para a matéria está aqui.

Não sei como o jornalista conseguiu essas informações, tentei muito achar outras na internet mas não tive sucesso, pelo menos as que ele disse já valem o texto. Por exemplo: o Baron Davis ganha 1 milhão de dólares de bônus se ele jogar pelo menos 70 jogos da temporada e levar o time a 30 vitórias.

Eu entendo perfeitamente que se queira dar um benefício a um jogador que já sofreu de contusões a carreira dele inteira para que ele se cuide mais, mostra que é uma preocupação do time. Mas incentivo em dinheiro? Que tal os 12 milhões por temporada que ele recebe? Não incentivam o bastante para ele no mínimo cuidar do físico? E pior, dos 70 jogos ele só precisa ganhar 30! Você vai pagar mais dinheiro para o melhor jogador do seu time se ele liderar a equipe a menos de 50% de aproveitamento? Só não digo que foi o dinheiro mais mal gasto da história porque o Baron Davis falhou e só jogou 65 jogos na temporada passada.

Enquanto alguns ganham incentivos para ficarem em forma, outros ganham para melhorar seu desempenho. O Matt Bonner, por exemplo, que tem a função básica de ser um bom arremessador no Spurs, tem seu benefício baseado no aproveitamento de seus arremessos. Até aí tudo bem, só foi bizarra a conta que eles fizeram para dar o bônus: a soma da porcentagem do seu aproveitamento dos arremesssos de quadra, de seu aproveitamento de lances livres e do seu aproveitamento na bola dos três pontos tem que dar mais de 169%. Quem teve essa idéia? A Carol?

Mas vamos lá: 49% de arremessos de quadra + 44% nas bolas de 3 + 73% nos lances livres = 166. Funhé. Se o Bonner tivesse um aproveitamento mais decente da linha do lance livre teria levado 100 mil dólares pra casa. Sério, isso parece mais gincana do Luciano Huck do que uma liga profissional de basquete.

Dei esses dois exemplos primeiro porque por mais estranhos que pareçam, eles fazem sentido. O Matt Bonner tem capacidade de somar os 169% mesmo que isso seja difícil e o Baron Davis realmente precisa jogar bastante para o Clippers ter alguma chance de ser chamado de time. Mas tem outros incentivos que são completas aberrações da natureza.

O Nick Collison, por exemplo, aquele ala de força reserva do Thunder que volta e meia é titular improvisado de pivô. Sabem quem é? Lembram? Então, ele ganhará 100 mil dólares a mais se for eleito o MVP da temporada! Ele teve média 8,2 pontos por jogo e 6,9 rebotes e tem um bônus para ser MVP no seu contrato. O Collison deveria pedir também um bônus bem gordo de jogador que mais evoluiu na temporada, já que é um prêmio garantido pra ele se vier o prêmio de MVP.

Mas na verdade o jogador não pede nada. Quem aparece com esses incentivos geralmente são os times, para exigir alguma coisa que acham essencial, ou o agente do jogador, pra ganhar uma grana extra. O agente do Collison, fui até procurar, é o Mike Higgins, um mago que conseguiu contratos de quase 7 milhões por ano para o Nazr Mohammed e 4,5 milhões para o Marcus Banks. O cara é realmente bom de lábia pra fazer passar umas coisas bizarras na NBA.

Sabe quem mais ganha dinheiro se for MVP? Adonal Foyle. Ele, que jogou um total de 63 minutos na temporada passada em Orlando e Memphis, ganharia meio milhão de dólares se fosse MVP. E deve ter ficado arrasado por não ter nem pisado na quadra nas finais do ano passado, quando já tinha voltado para o Magic, porque ganharia outros 500 mil se fosse o MVP das finais. Essa foi por pouco!

Desses incentivos listados na matéria eu conhecia só um, que ficou bastante famoso dois anos atrás, que é o do Larry Hughes. Na matéria do D'Alessandro está dito que o incentivo era de 1,6 milhão caso o seu time conseguisse 55 ou mais vitórias. Mas lembro de há 2 anos ter lido que o incentivo era de 2 milhões de dólares para 50 vitórias. De qualquer maneira, o cara ganha singelos 13 milhões de dólares para ser um jogador mediano e tem incentivos desse tamanho para fazer o mínimo que se espera de um cara com um contrato desse, vencer jogos.

Uma idéia até que boa é do Miami Heat. Seis dos seus jogadores recebem quase 20 mil dólares para aparecer para jogar nas Summer Leagues e participar do programa de condicionamento físico para a equipe. Pat Riley, conhecido por seus treinos físicos destruidores, não fica com dó de gastar dinheiro se for para ter seus jogadores em forma.

O Rafer Alston tem incentivos bacanas, mas que ele, coitado, nunca vai alcançar. 15 mil dólares para cada vez que for eleito jogador da semana, 50 mil se for o jogador do mês e 325 mil se for para um All-Star Game. Prefiro prêmios assim do que aqueles que indicam estatísticas, faz o cara tentar ser um jogador melhor e não um tarado por números à lá Ricky Davis.

Isso acontece com o Tony Battie, que ganha 100 mil verdinhas se jogar pelo menos 50 jogos e tiver média de 8 rebotes por jogo. Recebe mais 100 mil se jogar 50 jogos e tiver média de 5 lances livres por jogo. E pode levar ainda outros 100 mil se estiver na lista de jogadores ativos (os que jogam ou ficam de uniforme no banco) por pelo menos 50 jogos e o time passar para a segunda rodada dos playoffs. Em outras palavras: se você jogar deve pegar rebotes e ser agressivo no garrafão. Se não jogar, a gente só te perdoa se o time for longe.

Esses incentivos, que é um nome bem simpático e do bem para a graninha extra, fazem mais sentido quando são oferecidos para caras medianos, com salários menores. Incentivos pra quem ganha mais de 10 milhões já acho palhaçada. Caso do Carlos Boozer, que apesar dos 12 milhões por temporada ainda recebe um extra se jogar pelo menos 65 jogos, ter média de mais de 32 minutos por jogo e ficar entre os 12 melhores (de média ou total) em rebotes na temporada. Pô, mas isso não é o mínimo que você espera de um ala de força que é o cara mais bem pago da equipe?

Por último, mas não menos importante, está a premiação mais engraçada. Luke Ridnour, o cara que lutou bravamente para tentar ser titular sobre o Ramon Sessions, ganha 1,5 milhão de dólares se for eleito o jogador de defesa do ano! Sério? Eu juro vender minha alma pro diabo, correr pelado na parada gay e postar um vídeo dançando macarena se o Ridnour for o jogador de defesa do ano. Poderiam oferecer a vaga de General Manager do Bucks pra ele caso virasse o jogador de defesa do ano!

Ufa! Esses foram os exemplos dados pelo Dave D'Alessandro em sua matéria. E imagino que ainda existam muito mais que eu gostaria de saber como descobrir. E uma coisa que descobri fora da matéria é que esses incentivos podem sim acabar contando no limite do teto salarial das equipes. Todos os contratos passam pelas mãos da NBA e eles analisam esses incentivos para ver se deve valer ou não na conta do limite salarial.

Isso é bom para que não exista a maracutaia de, por exemplo, o Cavs oferecer um contrato mínimo para o LeBron e dar um bônus de 20 milhões de dólares se ele tiver média de pelo menos 10 pontos por jogo. Seria um jeito bem sacana de burlar a regra do teto salarial e a NBA está prevenida contra isso.

...
Eu aumento mas não invento
E já que o dia é de bizarrices... Ficaram sabendo que o Richard Jefferson largou a noiva quase no altar? Ligou pra todo mundo cancelando o casamento duas horas antes da cerimônia começar. E o pior era que a moreninha dele era bem firmeza.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Vida de reserva

Kirilenko e Odom têm muito em comum além da cara
de que estão com prisão de ventre



Há exatamente um ano atrás, escrevi um post sobre o Kirilenko. Na época, ele tinha reclamado maior envolvimento no ataque da equipe, alegou estar entediado e, com muito cuidado do técnico Jerry Sloan, voltava a ter uma boa produção. Na verdade, não durou muito. Não que ele tenha tido uma temporada horrível, veja bem, mas é que para o padrão do Kirilenko foi uma porcaria. O russo tem capacidade pra desequilibrar os jogos tanto no ataque quanto na defesa e ganha um salário grande o bastante para que ele leve o time nas costas sozinho, sirva café para os torcedores e ainda fique olhando os carros de todas as ruas de Utah pra ninguém roubar. Se bem que lá eles só devem andar a cavalo.

Mas, mantendo uma tradição anual, é hora de dizer que o Kirilenko parece estar de volta aos seus melhores momentos, pontuando como não fazia há anos, pegando rebotes agressivamente e dando tocos como se finalmente não estivesse entediado. O que será que aconteceu, tomou a "água do Jordan" do Space Jam e deu um golinho pro Shaq? Bem, o russo disse que é apenas uma questão de atitude. Que, agora, ele está mais maduro e mais tranquilo, que antes ficava preocupado com seu próprio desempenho, com o desempenho da equipe, tinha interesse em ajudar o time e desanimava sem a oportunidade de ajudar. Agora ele é um novo homem, mais zen, mais tranquilo, mais "vibe sussa", já diria a Coca-Cola.

Eu até acredito no discurso, mas até aí eu acredito também em alienígenas, o que não vem ao caso. Compreendo o papel do psicológico na produção em quadra, mas suspeito que a mudança de atitude do Kirilenko seja apenas de aceitar seu novo papel: reserva. O aumento de produção, desconfio, tem mais a ver com sua vinda do banco do que qualquer outra coisa.

O Kirilenko é um dos poucos jogadores capazes de jogar em qualquer posição, ele arma o jogo, arremessa de fora e joga dentro do garrafão. Só como pivô é que o negócio fica um pouco mais feio, mas ainda assim ele improvisa melhor como pivô do que muito pivô de verdade (Eddy Curry, estou olhando pra você - ou para a Lua, sempre me confundo). Mesmo com minutos de titular, ter um cara no banco de reservas capaz de jogar em qualquer posição e focar seja no ataque, seja na defesa, é um privilégio inacreditável. Não importa o andamento do jogo, Kirilenko pode entrar em quadra, se encaixar perfeitamente no que for estipulado e mudar completamente a partida, se necessário. Ele se torna uma peça importante de mudança, de ajuste, e enfrenta os primeiros reservas do time adversário. Ou seja, dá pra se sentir útil, receber mais a bola nas mãos e ainda enfrentar jogadores de banco ao invés de todos os titulares. Depois, ele não precisa nem sentar mais, descansar é para os fracos. Mas aqueles primeiros minutos de partida em que Kirilenko não está em quadra acabam sendo cruciais para seu desempenho e até mesmo para seu psicológico. Se ele se sente entediado ao lado de Deron Williams, Okur e Boozer, então que alguém dê uma sentadinha quando ele entrar. Depois, volta para a partida e o russo já está na empolgação. Todo mundo sai ganhando.

As últimas temporadas em que o Ginóbili vinha do banco de reservas apesar dos minutos de titular não foram apenas uma jogada de marketing para ele ganhar o prêmio de Melhor Sexto Homem da NBA. Até eu, que curto uma teoria da conspiração, tenho meus limites. O técnico do Spurs, Gregg Popovich, deve trocar o nome da esposa durante o sexo e chamá-la de "Vitória", tamanha a bitolação por vencer. Ele jamais deixaria o argentino no banco se não houvesse um motivo para isso. Versátil, Ginóbili se encaixa no que o jogo necessita, encendeia a partida, é agressivo e chuta o traseiro de adversários reservas. Depois, continua em quadra e joga os minutos decisivos como se fosse titular.

Outro jogador parecido com o Kirilenko é o Lamar Odom. Que ele tem talento, não se discute, mas suas atuações asquerosas nos playoffs deixaram marcas profundas em quem assistiu - diz a lenda que o Denis, em sua primeira visita a um psicólogo, gritou irracionalmente: "Odom!". Acontece que ele é um jogador que pode jogar em várias posições, que arma bem o jogo, mas que rende muito melhor quando tem a bola nas mãos e pode atacar jogadores mais baixos ou arremessar contra jogadores mais altos. Só que o arremesso dele é tão confiável quanto as pilhas "Durabell", o que é um perigo. O Denis já defendeu, na sua análise dos quintetos ideais para o Lakers, que o Odom venha do banco para ser um líder em quadra quando as outras estrelas sentam. O resultado até agora parece ser positivo, mesmo com os minutos do Odom sendo muito reduzidos e seus números caindo mais do que audiência de novela do SBT. Ter um jogador como ele no banco é o bastante para transformar um jogo, não importa o quanto você ache que o Odom feda. Nos playoffs, essa profundidade fará ainda mais diferença, e apenas o Lakers e o Jazz poderão levantar a mão e dizer que possuem uma arma dessas na reserva. O Spurs não vai poder porque, nesse ritmo, não vão nem para os playoffs. (Aliás, diz a lenda que a cirurgia do Ginóbili atrasou bastante porque, toda vez que tentavam encostar o bisturi nele, se jogava no chão desesperado, alegava esfaqueamento e cobrava dois lances livres. Às vezes, três.)

Num nível menor, outros jogadores também estão tendo bons momentos no banco de reservas até agora. Lembram-se do Ramon Sessions, o armador que surgiu do nada no final da temporada passada e deu 4 bilhões de assistências? Depois de arremessar pior do que o Odom na pré-temporada, virou reserva do Luke Ridnour. Com 17 pontos e 6 assistências de média, Sessions está jogando muito mais do que o titular, que aliás tem só uns 12 anos e dia desses devem descobrir a tramóia que ele aprontou para ser draftado mesmo assim. Isso significa que o Sessions deve virar titular em breve? Creio que não. Com muito mais recursos ofensivos, não faz muito sentido colocá-lo ao lado de Michael Redd e Richard Jefferson logo de cara, que devem ser os responsáveis pela pontuação. Que ele venha do banco, então, mesmo jogando mais minutos.

Tem um caso parecido no meu querido Houston Rockets. Quem lê o Bola Presa há mais de 10 minutos sabe que eu odeio o armador Rafer Alston. Ele não tem critério para quando arremessar ou não, é completamente inconstante e amalucado e exige tanto a bola nas mãos que acaba sendo importante demais para o time: quando ele acerta as bolas, o Houston ganha fácil, quando ele está num dia ruim, o Houston sofre. Diabos, num time com várias estrelas, ninguém quer o Rafer Alston agindo como se a budega fosse dele.

Com o tempo, ele até foi ficando mais calminho e atualmente é um dos poucos jogadores do elenco que coloca a bola nas mãos do Yao Ming constantemente. Mas seus arremessos ainda são forçados e ele mantém uma mentalidade de quem quer salvar o mundo e provar seu valor, o que em geral compromete. Eu sempre torci para que ele perdesse a vaga para o novato Aaron Brooks, muito melhor. Mas agora, mudei de idéia.

O Aaron Brooks é um dos jogadores mais rápidos da NBA (foi comparado com o Leandrinho numa transmissão um dia desses), bate para dentro d0 garrafão com muita habilidade e tem muito mais talento do que o Rafer Alston. Mas enquanto o Alston é maluco pelos arremessos de 3 pontos, o Brooks é maluco pelas infiltrações. Ele não é versado na arte de passar a bola. Só que com 19 minutos de jogo apenas, está humilhando o Alston em todos os sentidos. Ele faz mais pontos (10 de média) e arremessa melhor de 3 pontos e dentro do garrafão. Ótimo, um dia ele vai ser uma potência na NBA. Mas suas atuações têm tudo a ver com o fato de que ele está vindo do banco, enfrentando reservas e entrando para botar velocidade no jogo. Será que eu quero o Aaron Brooks batendo para dentro quando T-Mac, Yao e Artest estiverem em quadra? Não, eu quero ele pontuando quando alguém tiver que sentar, para manter o equilíbrio do time. Mesmo que ele esteja produzindo muito mais do que o Alston e deva roubar a vaga de titular muito em breve, torço para que ele se mantenha no banco. Algo me diz que ele vai me dar muita dor de estômago no quinteto titular.

Para finalizar, vale mencionar dois jogadores que foram parar no banco não por escolha tática, mas por ruindade mesmo. Darko Milicic sempre foi "o babaca que foi draftado antes do Carmelo Anthony", mas sempre teve potencial. Tinha tudo pra se estabelecer no Grizzlies sem pressões, obrigações e fora dos holofotes. Pois bem, no banco de reservas é que não tem holofotes mesmo. O novato Marc Gasol está fazendo a troca pelo seu irmão parecer menos idiota e se consolidou como o titular absoluto no garrafão. Na outra vaga, o calouro Darrel Arthur mandou o Darko para a reserva. Com mais de 7 pontos, 7 rebotes, 1 toco e 1 roubo de médias, o pirralho está surpreendendo e o Grizzlies se tornou o time mais bizarro da NBA: são três novatos titulares, já que OJ Mayo faz companhia aos outros dois.

No Warriors, o Ronny Turiaf ganhou uma boa grana pra levar ao time mais do que eles já tinham. Eu não entendi a contratação, critiquei na época, mas muita gente disse que tinha sido uma boa. Atuações incríveis na pré-temporada quase me fizeram morder a língua. Mas agora ele já é reserva do Brandan Wright depois de feder muito, e olha que o Don Nelson sempre preferiu enfiar um pé na orelha do que colocar o Wright pra jogar.

Com todas essas histórias, então, tem que ter bom senso. Às vezes, estar no banco é melhor, ajuda na produção e torna o cara ainda mais estrela - ninguém vai negar que o Ginóbili é um dos melhores no que faz só porque passa os dois minutos iniciais com a bunda numa cadeira. Mas tem horas que o banco é simples sinal de incompetência, marca óbvia de que a coisa está indo pelo caminho errado e que uma carreira cheia de potencial está prestes a terminar.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Pobre LeBron

Será que enquanto joga com as estrelas da seleção, LeBron James está
com saudades de sua relação íntima com Damon Jones?



O prato principal da rodada olímpica era o embate entre Estados Unidos e Grécia, o resto era aperitivo. Claro, tivemos atuações brilhantes de Kirilenko (apesar de outra derrota russa) e de Yao Ming, que era simplesmente alto demais mesmo para todos os jogadores angolanos empilhados uns em cima dos outros, errou apenas um arremesso e saiu de quadra com 30 pontos no currículo. Mas o importante mesmo era ver se os gregos representariam realmente o primeiro desafio para Kobe, LeBron e seus amigos.

O começo foi de fato bastante complicado para a seleção dos Estados Unidos, mas não exatamente graças à atuação grega. A arbitragem estava ligeiramente bêbada e marcou uma sensacional falta espírita em Dwight Howard - o pivô americano estava a um passo de distância de um grego que caiu sozinho de forma cômica e a falta foi marcada assim mesmo. Em algum lugar da China, o argentino Ginobili sorriu, orgulhoso. Na sequência, os árbitros marcaram um punhado de faltas altamente questionáveis em cima de Kidd, que foi parar no banco de reservas. O legal dessa seleção é que eles estão tão comprometidos, dispostos a manter o plano de jogo seja perdendo por 10, seja ganhando por 30, que as faltas fantasmas no máximo tiraram um sorrizinho irônico de Dwight (aquele humor sutil de que Tim Duncan nunca ouviu falar). Foi o técnico Mike Krzyzewsky quem mais se axaltou, tendo que até mesmo ser contido. Provavelmente estava mais bravo com o fato de que seu sobrenome parece um bêbado batendo aleatoriamente em várias teclas de computador.

Muita coisa se prometeu sobre a seleção americana: aprender a defender efetivamente por zona, não depender apenas de contra-ataques, movimento constante sem a bola. Pouco disso está efetivamente ocorrendo em quadra de modo que possamos afirmar que essa seleção é de fato muito diferente das outras que fracassaram nos jogos internacionais. Mas há algo ali, simples, que transforma derrotas em vitórias fáceis: constância, profundidade e comprometimento.

A Grécia começou atacando bem no garrafão, com passes precisos e um bom trabalho de costas para a cesta. Já as bolas de três pontos demoraram um pouco para cair. Mas para os americanos, não importava se as bolas estavam caindo ou não, mantiveram o mesmo comprometimento em vencer essa budega, o mesmo ritmo o tempo inteiro e talento demais no banco de reservas. Para jogadores acostumados com, às vezes, passar uma partida inteira de NBA dentro de quadra com quartos de 12 minutos cada, jogar uma partida de basquete internacional com quartos de 10 minutos é mamata. Descansando um bom tempo no banco, então, nem se fala. Kidd foi para o banco com 3 faltas mas ninguém sequer notou, afinal Chris Paul e Deron Williams estão prontos para manter a mesma intensidade e mentalidade na equipe. Aliás, como dizem alguns, é até melhor que Kidd saia logo: Chris Paul é, nessa altura de suas carreiras, melhor jogador. Dwight Howard anda fedendo um pouquinho, foi sentar no banco e passar um "Bom Ar" e o resultado foi Chris Bosh assumindo o jogo e chutando traseiro grego atrás de traseiro grego. Até o traseiro obeso do "Baby Shaq", o Sofoklis Schortsanitis (que costuma jogar bem contra os Estados Unidos mas dessa vez parecia ter engolido no café algum membro da comissão técnica) foi chutado sem piedade. Cada acerto, cada falta, seguida por gritos de comemoração. Parece um bando de Kevin Garnetts.

A pressão defensiva foi intensa e o ataque foi frenético, afinal mesmo contra a Grécia há material humano para jogar intensamente por umas 40 horas sem parar. Inevitavelmente, os gregos morderam a isca e começaram a correr também, abandonando o jogo de meia quadra e partindo para a porra-louquice. Ali, naquele instante ainda no primeiro tempo, assinaram seu atestado de derrota. Não demorou muito para que o jogo estivesse fora de controle, línguas gregas para fora em exaustão, e após uma sequência humilhante de tocos, os gregos passaram a pensar duas vezes antes de entrar no garrafão. É aquele medo que muda o plano de jogo, aquele pânico que taca qualquer chance de vitória pela janela, junto com os pulmões. No último quarto, os esquentadores de banco oficias dos Estados Unidos - Boozer, Prince, Michael Redd - puderam brincar um pouco sem preocupações, mas com a mesma seriedade do resto do grupo.

A seleção americana acertou a marcação do perímetro? Não, Papaloukas acertou bolas não contestadas. A seleção americana marcou por zona? Não, insistiu na defesa individual apesar da Grécia ter chutado 18 bolas de fora. As bolas de três pontos dos Estados Unidos caíram? Não, LeBron James deixou a pontaria em Cleveland e Kobe ainda forçou arremessos desnecessários. Não foi um jogo perfeito, nem de longe, mas foi um esforço coletivo de comprometimento com a vitória e nem por um segundo pareceu que os gregos poderiam ganhar coisa alguma, nem se abandonassem o basquete e fizessem um torneio de par ou ímpar.

O Chris Bosh foi a estrela do jogo, fazendo questão de lembrar pessoalmente que o banco de reservas pode até ser melhor do que o elenco titular, e que ele é muito mais versátil ofensivamente do que Dwight Howard. Mas LeBron e Dwyane Wade chutaram traseiros também. Se o Wade não está completamente recuperado, então quando ele estiver marcará 100 malditos pontos por jogo. LeBron está sendo um monstro na defesa, sempre na cobertura de seus companheiros, e teve um jogo completo apesar da falta de mira. Até Kobe jogou muito, apesar de muitas vezes fechar os olhos, achar que está em Los Angeles e arremessar de qualquer lugar. Às 11h15 do sábado, a Espanha será o time que terá que lidar com essa bizarra concentração de talento americano disposta a manter o mesmo ritmo durante toda uma partida.

No meio desse talento todo, LeBron James deve respirar aliviado e esquecer um pouco do Cavs. Quem acha que jogar nas Olimpíadas não é ficar de férias está negando o refresco psicológico que deve ser jogar ao lado de Wade e Kobe ao invés de jogar ao lado de Damon Jones e Varejão. Por isso mesmo, gostaria de saber se alguém na seleção americana ousou acabar com a tranquilidade mental de LeBron James avisando que seu time da NBA acabou de efetuar uma troca.

Foi um bacanal entre três equipes: o Bucks recebe Luke Ridnour, Damon Jones, Adrian Griffin; o Cavs recebe Mo Williams; e o maldito time da cidade de Oklahoma que ainda não tem uma porcaria de um nome recebe Joe Smith e Desmond Mason.

Deveria ser proibido um time sem nome fazer qualquer troca, é ridículo demais, então conforme prometido vou dizer que "o time outrora chamado Sonics" fez uma troca e pronto, que se danem os dirigentes de Oklahoma. Para eles, a troca é uma forma de se livrar do Ridnour, que exigia minutos mas perderia fácil uma partida contra uma cadeira, já que seria incapaz de defendê-la. Com Joe Smith e Desmond Mason o ex-Sonics consegue veteranos para dar uma força na pirralhada e depois ir embora.

Para o Bucks, trata-se de se livrar do Mo Williams. Não me entendam errado, ele é muito talentoso, excelente pontuador e competente passador. O único problema é que ele parece policial inglês, atira primeiro e pergunta depois. O clima em Milwaukee começou a ficar insuportável porque durante os momentos cruciais das partidas, Mo Williams se negava a passar a bola para a estrela Michael Redd e tentava resolver o jogo sozinho, como se fosse o único em quadra. Um débil mental desses com um contrato salgado se tornou descartável com o surgimento de Ramon Sessions, que assustou todo mundo com seu talento nos jogos finais da temporada passada. O único problema é que ele é um pirralho e não é saudável tacar muita responsa no colo dele, então Ridnour pode armar um pouco o jogo e segurar as pontas. Damon Jones, que é tão retardado quanto Mo Williams mas tem menos talento, pode continuar jogando nas partidas que não interessam.

Já para o Cavs a intenção óbvia é arrumar um pontuador para tirar o fardo de LeBron. Por várias vezes James precisou de alguém que tivesse os bagos necessários para dar um último arremesso quando ele não conseguia, porque em Cleveland todo mundo é cagão e prefere passar a bola para o Rei, mesmo se fosse o rei Roberto Carlos. Bem, Mo Williams é o cara certo para ter coragem de arremessar no final dos jogos e pontuar por si mesmo, mas você realmente quer um cara em seu time que, quando o troço esquentar, não vai passar a bola para sua grande estrela? Que diabos de plano é deixar a bola com um maluco instável justo agora que LeBron virou especialista em finalizar jogos?

Posso imaginar LeBron James lá na China sentado num canto de vestiário, olhando para Wade, Kobe, Chris Paul e Deron Williams, deprimido com o rosto escondido entre as mãos. Na sua cabeça, a verdade aterradora: depois de jogar com tantas estrelas talentosas e solidárias, resta a ele retornar a Cleveland. O respiro de alívio pela ida de Damon Jones vai ser substituído pelo choro de desespero: terá que jogar com Mo Williams. Pelo menos, deverá ter uma medalha de ouro para se consolar. Aposto que jogará com o dobro da intensidade contra a Espanha.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Draftados em 2003 - parte 2

O Gaines veio do Magic em troca de um pacote de bolachas Água e Sal


Continuamos nossa viagem pelo draft de 2003. Na primeira parte, alguns dos melhores jogadores da NBA na atualidade (e o gordo já esquecido do Michael Sweetney) figuraram nas 10 primeiras escolhas. Agora, na continuação, vamos analisar mais alguns nomes e rir na cara de alguns erros grotescos que vão ficar para sempre na história dos drafts.


11 - Mickael Pietrus (Golden State Warriors)

Quando foi draftado, alguns o chamavam de "o Jordan francês". Bem, para a defesa deles, podemos dizer que o Pietrus é tão bom no basquete quanto o Jordan era no beiseball. Pietrus sempre foi atlético e, dizem, cravava em cima de todo mundo na França. Nos Estados Unidos deve ter comigo Big Macs demais e nunca foi exatamente especial no quesito enterradas, mas manteve em parte seu atleticismo e mostrou grande talento na defesa. Lembro que em seu segundo ano o Warriors fedia bastante, tomava sacoladas e ele foi publicamente dizer que seu time não se esforçava e que ele não queria jogar com perdedores, ressaltando que se aquilo se mantivesse, pediria para ser trocado. Troféu "Damon Jones" pra ele para o jogador mais insignificante da NBA que se acha em condições de pedir para trocar de time.

Desde então o Warriors mudou um bocado, foi para os playoffs sob comando do técnico Don Nelson e o Pietrus não é um jogador essencial mas tem seu espaço. Assim que o Don Nelson chegou, Pietrus era titular porque, segundo o Nelson, era o único na equipe capaz de praticar qualquer tipo de defesa. Com o tempo o Don Nelson foi ficando mais e mais gagá, deixando essas besteiras de defesa para lá, e o Pietrus agora vem do banco. É sólido, tem seus minutos, e o Warriors pode fazer estrago nos playoffs. Pra mim eles são o time mais divertido da NBA, são tão ofensivos que beira ao ridículo. São como um palhaço de circo: diversão descompromissada que ninguém leva a sério. A não ser o Dallas, claro.

12 - Nick Collison (Seattle Sonics)

O Knicks queria tamanho, confundiu com gordura, e draftou o Sweetney, que tem açúcar até no nome. Se tivesse draftado o Collison, as coisas teriam sido um bocado diferentes. O rapaz é grande, reboteiro e tem um jogo muito refinado no garrafão, cheio de ganchos, giros e essas coisas que os fracotes que não nasceram com o físico do Dwight Howard precisam saber fazer. No Sonics, sofreu bastante por ser continuamente improvisado como pivô, e ainda é obrigado a jogar nessa posição quase todo o tempo. Como o time é o mais novo da NBA e fede bastante, o Collison nunca vai ganhar muita atenção, mas bem que merecia.

13 - Marcus Banks (Memphis Grizzlies)

Eu até desconfio que ele seja bom, mas só desconfio. Foi trocado na noite do draft para o Celtics, onde nunca teve chances. Foi trocado de novo para o Wolves em que teve uma temporada regular mas de que eu sequer me lembro. E então assinou com o Suns, que não é lá muito fã de usar essa coisa esquisita conhecida entre os humanos normais como "banco de reservas". Vi o Banks em quadra pelo Suns só um punhado de vezes e lembro de algumas boas atuações. É mais armador principal do que o Leandrinho e poderia ter mais minutos em quadra, deixando nosso Barbosa se preocupar menos em armar e mais em arremessar quando o Nash resolve sentar. Mas agora até o Grant Hill joga de armador principal às vezes, o negócio da moda em Phoenix é não usar reservas mesmo. Ainda assim, o Banks sempre vai ter grandes chances de ganhar um anel de campeão. Mas sem jogar não tem muita graça.

14 - Luke Ridnour (Seattle Sonics)

Na época do draft, lembro de ter lido, com essas palavras, que "o Ridnour não conseguiria defender nem uma cadeira". Fazia sentido, afinal o Ridnour sempre pareceu frágil e delicado, alguém que deveria estar jogando xadrez ao invés de enfrentando gigantes suados. Mas no ataque ele faz sua parte com excelente visão de jogo, velocidade e inteligência elevadas. Para compensar sua defesa sofrível, o Sonics dividia os minutos da armação entre ele e Earl Watson, que é um defensor acima da média. Como a tentativa de fundir os dois jogadores em um único e monstruoso ser híbrido falhou, dividir os minutos foi a única opção. Mas Ridnour foi jogando cada vez menos, cada vez menos, se machucou algumas vezes e agora ninguém sequer se lembra dele em Seattle. Delonte West, vindo do Boston Celtics, é bilhões de vezes melhor que ele e acabou roubando os minutos na armação. Na época, draftar o Ridnour parecia uma boa. Agora, é nitidamente um desperdício. Mas tudo bem, foi uma escolha boa em 2003. Como veremos a seguir, poderia ter sido muito pior.

15 - Reece Gaines (Orlando Magic)

Que time não quer um armador sólido, com notável carreira universitária, que faz de tudo em quadra e pode jogar tanto como armador principal quanto de armador arremessador? Por isso, lá foi o Magic feliz da vida escolher o Reece Gaines. Ele não é excelente em nada mas sabe fazer de tudo, vai ser uma boa! Lembro que naquele ano o site NBA.com criou um jogo novo que consistia em escolher um novato por dia e ver quem adivinhava aquele que jogaria melhor. Na capa da página desse jogo estavam quatro fotos de novatos, de quem esperava-se bons números na temporada. O Reece Gaines estava nessas fotos e essa é a única memória que tenho dele.

Jogou um punhado de jogos, nunca conseguiu fazer coisa alguma, passou por 3 times em apenas 2 anos e foi parar na Itália sem que ninguém sequer soubesse quem ele é. Uma das piores escolhas de todos os drafts enquanto Josh Howard e Leandrinho ainda podiam ter sido escolhidos. Mas, por pior que o Gaines fosse, ele ainda assim não foi a pior escolha do draft daquele ano. Que tal tentar a próxima?

16 - Troy Bell (Boston Celtics)

Um dos melhores armadores do basquete universitário, o recordista de pontos da história do Boston College, líder vocal em quadra, destruidor nos minutos finais das partidas. Um baita de um jogador. Nunca ouviu falar? Ah, isso é porque ele só jogou 6 partidas na NBA. Se você achava que o Olowokandi era o maior desastre de draft que você conhecia, e se pensou segundos atrás que Reece Gaines poderia tomar esse posto, aqui está Troy Bell para mudar definitivamente seu conceito. A foto do Bell está do lado da palavra "fracasso" na Wikipedia. O que diabos aconteceu com ele? O que havia de tão errado em seu jogo que só permitiu que entrasse seis vezes em quadra e nunca mais conseguir emprego nenhum na NBA, fadado à Liga de Desenvolvimento e, agora, ao basquete italiano? Nunca iremos saber.

Para os torcedores do Boston, a única coisa boa sobre o Troy Bell é que ele foi trocado na mesma noite do draft. Ele e a outra escolha do Celtics, Dahntay Jones, foram trocados pelas duas escolhas do Grizzlies, Marcus Banks e Kendrick Perkins. Ou seja, uma troca completamente inútil mas que acabou rendendo o pivô titular do Celtics de hoje em dia. Melhor que o Troy Bell, pelo menos.

17 - Zarko Cabarkapa (Phoenix Suns)

Europeu, grande, branco, arremessa de fora e não sabe defender. Muitos times apostaram nesses desconhecidos vindos do Velho Mundo com esperanças de conseguir o novo Dirk Nowitzki. Pra mesma posição, o Suns poderia ter escolhido o David West, um ala de força com talento comprovado no basquete universitário. Preferiram o Zarko que virou o décimo homem vindo do banco do Suns e, depois, o décimo homem do banco do Warriors. Aliás, o Suns é perito em desperdiçar escolhas de draft. Imagina só se eles tivessem o David West hoje em dia para ajudar no garrafão vindo do banco.

18 - David West (New Orleans Hornets)

Conte para seus filhos que David West e Brian Cook eram os alas de força mais bem cotados do basquete universitário e eles irão gargalhar na sua cara: quem diabos achou que o Cook sabia jogar esse tal de basquetebol? Para a sorte do Hornets, draftaram o West e deixaram o Cook ser o fracasso de outro time. David West foi comendo pelas beiradas, aos pouquinhos, conquistando minutos vindo do banco, e agora é titular absoluto, chuta um monte de traseiros e na temporada passada cansou de ganhar jogos com arremessos de último segundo da cabeça do garrafão. O Hornets tem uma das melhores campanhas do Oeste e, se não tivessem o Morris Peterson, até seriam um time respeitável. David West é uma das peças centrais da equipe e um dia talvez até alguém perceba que ele existe. Ganhar um título costuma ajudar.

19 - Aleksandar Pavlovic (Utah Jazz)

O Jazz precisa de um arremessador de 3 pontos desde os tempos de Moisés e o Pavlovic parecia uma boa opção. O único problema é que ele fedia quando chegou na NBA, não acertava nem o dedo no nariz, e o Jerry Sloan afundou ele no banco. Nem ligaram quando o Pavlovic foi escolhido no draft de expansão pelo Bobcats, depois sendo trocado para o Cavs. Quando o Pavlovic começou a jogar bem em Cleveland, perguntaram para o Sloan o que ele achava de seu crescimento. A resposta foi: "O quê, o Pavlovic ficou mais alto?" Rá, o Sloan deve ser leitor do Bola Presa!

O Pavlovic não é completo, está aprendendo a bater para dentro aos poucos, mas pelo menos ele tem culhões. Na temporada passada, quando o LeBron estava no banco e ninguém tinha as bolas para dar um arremesso sequer, o Pavlovic chamava a responsabilidade e fazia um monte de merda, mas pelo menos fazia. Alguém lá no Cavs acredita nele, pagam uma boa grana, lhe dão a vaga de titular e esperam que ele se torne algo grande um dia. Enquanto isso, o Jazz ainda precisa de alguém que saiba arremessar de fora. Bem feito.

20 - Dahntay Jones (Boston Celtics)

Ele sabe defender. Ele sabe enterrar. Mais alguma coisa? Dizem que também sabe fazer baliza, mas é só. Ele tem aquilo que impressiona técnicos nos treinos: raça, defesa, obediência. Mas não tem aquilo que é essencial para entrar numa quadra de basquete: talento. Ainda assim, sempre haverá lugar para ele na NBA. O que não falta é um time precisando de um jogador defensor para compor o elenco e nunca entrar em quadra. Infelizmente para ele, o Celtics o dispensou rápido demais e ele perdeu a maior chance de ganhar um anel sem sequer jogar e esfregar na cara do Malone. Com o Kings, que o contratou recentemente, o anel não vai vir tão cedo.

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Na futura terceira parte desse artigo, as últimas escolhas do primeiro round, incluindo Leandrinho Barbosa; as surpresas do segundo round; o "fenômeno" Lamp; e como seria essa lista se o draft pudesse ser refeito hoje em dia.