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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quando é a hora de mudar?

Por que separar um casal tão lindo? S2


Podemos até ser piegas e falar sobre a vida como um todo: afinal, quando é hora de mudar? Quando é hora de mudar de casa, emprego, namorada, faculdade ou corte de cabelo? Em todos os esportes, na NBA também, a pergunta sempre vem: quando é hora de mudar? Quando é hora de mandar tudo às favas e recomeçar, ou só trocar de técnico ou mudar metade do time? Para todas essas questões, porém, temo que resposta definitiva só temos depois de tentar. Somos uma sociedade que julga pelos resultados, principalmente quando se trata de esportes.

Faltam 17 dias para o último momento em que os times podem realizar trocas nessa temporada e o assunto das mudanças está bombando. Carmelo Anthony à parte, são inúmeros times pensando se devem ou não dar uma chacoalhada no elenco. O time mais comentado é o Lakers, não só porque o Lakers sempre é um dos times mais comentados não importa o que aconteça no mundo, mas porque o General Manager do time Mitch Kupchak disse com todas as letras que pensa em uma troca para mudar a equipe e ver se eles acordam a tempo de defender o título. Seguido dessa declaração veio a do Ron Artest dizendo, insatisfeito, que queria ser trocado, declaração essa que depois foi negada pelo jogador. Ou seja, disse-me-disse que a imprensa brasileira esportiva chamaria de "crise".

Não é tudo isso, claro, tem muito exagero, mas o que vale é a questão se o Lakers deveria mesmo mudar o time. Para responder isso eu prefiro lembrar de algumas histórias, semelhantes ou não, antes.

Começo com o Indiana Pacers. Eles começaram a temporada arrasando, vencendo Heat e Lakers fora de casa e com a marca de 11 vitórias e 10 derrotas em seus primeiros 21 jogos. O problema é que depois disso eles venceram apenas 7 jogos nos 28 seguintes, perdendo algumas partidas bem humilhantes e, pior, com um aproveitamento ofensivo (pontos a cada 100 posses de bola) pior que o do Cleveland Cavaliers. Sim, Cavs, aquele time que ganha menos que o Vasco e o Corinthians juntos. Escrevemos um post sobre o time nessa época, tentando explicar porque o Roy Hibbert, por exemplo, que começou a temporada como forte candidato a jogador que mais evoluiu, estava virando o vencedor do prêmio TPM de jogador mais inconstante da temporada.

A resposta que o time arranjou para essa queda de produção foi demitir o técnico Jim O'Brien, que também atende pelo nome de Don Nelson II. Suas 11 escalações diferentes nos primeiros 40 jogos sem nenhuma grande contusão para justificar começaram a irritar muito os jogadores, que não entendiam porque jogavam 40 minutos em um dia e 3 no outro. Os mais prejudicados eram Darren Collison, Paul George e Tyler Hasnbrough. O último chegou a se declarar finalmente livre depois da demissão do antigo chefe, e disse que "agora finalmente vai ser mais divertido". Não que ele seja titular agora, o assistente técnico e novo treinador Frank Vogel optou por deixar Josh McRoberts como o ala de força titular e Hansbrough como primeira opção do banco. Simplesmente saber com quem joga, quantos minutos e sua função muda tudo para os jogadores.

Mas mesmo com esses acessos de doideira, O'Brien foi o técnico que fez o Pacers um bom e veloz ataque mesmo com poucos bons jogadores nos últimos anos e uma das melhores defesas da liga nesse ano (8º lugar) mesmo sem o melhor elenco do mundo para essas funções. Para a diretoria então chegou a hora de pesar o que o técnico ofereceu nos últimos anos e como seu comportamento estava incomodando os jogadores, decidiram mandá-lo embora. Essa não foi difícil, O'Brien não é ruim como muita gente acredita mas não é indispensável. A mudança tem dado resultado, apesar de poucos jogos para medir tudo, é consenso geral na imprensa americana que os jogadores parecem felizes e motivados de novo, além do clima bem mais leve no vestiário segundo quem esteve lá. Era hora de mudar mesmo.

Uma história bem parecida aconteceu algum tempo antes ainda nessa temporada quando o Charlotte Bobcats mandou o Larry Brown embora. O cara é um gênio, um dos que melhor armou defesas na história da NBA e até hoje o único treinador a ter levado o Bobcats aos playoffs. Mas também é um mala sem alça que não dá a menor liberdade para os seus jogadores dentro de quadra, cobra sem parar, é ranzinza e usava esse tipo de roupa quando era técnico nos anos 70. Isso sempre provoca um ciclo em que os jogadores começam respeitando o Larry Brown, o amam quando o time começa a vencer, e depois o odeiam quando a rotina infernal se torna maior do que as vitórias. Foi assim em várias de suas equipes, até no vencedor Detroit Pistons de 5, 6 anos atrás. Sem contar o sentimento de que "a gente é bom e pode vencer sem ele" que cresce depois de um tempo.  Foi o que aconteceu no Bobcats e um dia depois de uma declarações pública bem agressiva do Stephen Jackson, o técnico foi demitido. Captain Jack disse que "Como um time estamos jogando muito mal. E no fim das contas é o trabalho do técnico nos preparar para o nosso trabalho que é entrar em quadra e jogar."

Esse caso não é tão óbvio como o do Pacers. Larry Brown faz bem mais diferença que o Jim O'Brien em um time, mas com todo mundo resmungando, o que era mais fácil, trocar Gerald Wallace e Stephen Jackson por pirralhos ou trazer um técnico mais gente fina e sorridente? Diz a lenda que eles até tentaram trocar o Wallace, mas sempre pediram coisas demais em troca e as negociações morriam rápido. Sem conseguir o que queriam para a troca, deram um pé na bunda do Brown e trouxeram Paul Silas, primeiro técnico do LeBron na NBA e que é conhecido por ter bom diálogo com os jogadores e ser bem liberal. O resultado foi um Bobcats mais motivado, com liberdade criativa no ataque e que pelo menos ainda não piorou tanto assim na defesa. Numericamente o time faz um pouco mais de pontos e toma um pouco mais, não é tanta diferença assim, mas ninguém mais reclama e o time voltou a vencer. Dá pra considerar a troca um sucesso, embora o time esteja condenado a não ir para lugar algum com esse elenco limitado.

Esses foram dois casos em que a mudança veio pelo elo mais fraco, o treinador, e que deu resultado mais porque os jogadores voltaram a jogar com vontade do que por questões técnicas e táticas. Vamos lembrar de outro time que mudou, mas que o fez radicalmente e via trocas. O Orlando Magic trocou peças importantes do time, incluindo titulares e os melhores reservas para refazer meio time. Em pouco tempo a defesa se manteve no (bom) mesmo nível e o ataque floresceu de maneira impressionante. Como citamos no último Filtro, todos os principais jogadores (tirando Arenas) tem aproveitamento de arremessos muito acima da média da NBA. O número de vitórias também cresceu e o risco gigantesco de trocar tanta gente no meio da temporada pode ser considerado um sucesso. Mas como nada é perfeito, com a contusão do Brandon Bass e sem Marcin Gortat no banco eles sentem falta de mais alguém forte no garrafão para ajudar Dwight Howard. E sem o carrapato do Mickael Pietrus para marcar o LeBron, King James meteu 51 pontos na fuça do Orlando. Sempre precisamos de tempo para ver todos os lados de mudanças tão drásticas.

Quem tentou mudar nessa temporada, portanto, vem tendo sucesso. Mas isso não quer dizer que o Lakers deve fazer o mesmo. O time não tem jogado tão mal quanto as pessoas tentam empurrar, o problema é quando tem jogado mal, o Lakers perdeu jogos importantes contra Celtics, Heat, Bulls e Spurs, por exemplo. Mas até contra o Heat e Celtics eles não jogaram mal durante toda a partida e na última contra o Spurs jogaram até muito bem, perdendo apenas por um pequeno vacilo ao deixar o Antonio McDyess dar um tapinha no rebote ofensivo no segundo final do jogo. O time não é perfeito, tem defeitos, mas teve também nos últimos três anos e venceu o Oeste mesmo assim. Além disso, se for trocar, vai trocar quem? Odom, Gasol e Bynum não estão jogando mal e Artest ninguém vai querer. Mandar o Phil Jackson embora acho que nem o torcedor mais louco cogita!

Com um elenco tão bom e que ganhou tantas coisas nos últimos anos eu acho muito precipitado tentar qualquer mudança abrupta no elenco, a não ser que alguém proponha uma troca do tipo Derek Fisher e uma foto autografada da Juju Panicat pelo Deron Williams e um abraço apertado. E depois da troca do Pau Gasol ninguém está muito a fim de dar coisas de graça para o Lakers. Se o time precisa jogar melhor contra os seus principais adversários, e precisa mesmo, os ajustes devem ser mínimos, táticos, não extraordinários. Para isso o Gasol precisa descansar mais, o Joe Smith precisa de mais minutos em quadra para os jogadores de garrafão terem um descanso, o Andrew Bynum precisa ser mais acionado no ataque e deixar de ser às vezes a quarta opção ofensiva e até algumas mudanças na rotação do time devam ser consideradas. Sabia que entre todos os quintetos usados pelo Lakers na temporada, os que envolvem o Luke Walton sempre tem bom aproveitamento ofensivo? Ele poderia ganhar mais tempo de quadra. O Matt Barnes também tem bons números, está fazendo falta e deve ser considerado já um bom reforço para os playoffs.

Eu vejo a maioria dos jogos do Lakers por ser torcedor e já vi muitos jogos horríveis deles nessa temporada, mas se tivesse que achar um meio termo entre todos esses jogos irregulares da equipe eu diria que se o banco de reservas jogar bem como jogou no primeiro mês da temporada o time está muito bem na fita. E quando o banco toma muitos pontos e o Lakers fica atrás no placar os titulares mudam o jeito de jogar e tudo vai por água abaixo. Quando o time está ganhando o Kobe está frio, calmo e joga o seu estilo de costurar a defesa, achar oponentes bem posicionados, envolver todo mundo e de repente o Lakers parece imparável. Mas se o Gasol está em um de seus dias de Cisne Negro (como diz o True Hoop) e nada cai pra ele, Kobe para de passar a bola, aí Artest erra meia dúzia de arremessos e o Kobe sente que ninguém está em um dia bom e ele que deve vencer sozinho. É a pior coisa para a equipe, não que ele não consiga marcar os seus pontos assim, ele marca e é lindo de assistir, mas não é coincidência que nessa temporada ele passou dos 35 pontos em 4 ocasiões e o time perdeu 3 desses jogos. E nos jogos em que tentou mais de 25 arremessos o Lakers perdeu 6 e venceu 4 (duas das vitórias sobre o poderoso Wolves).

Por favor não comecem com mais um ataque de loucura achando que a gente odeia o Kobe e quer menosprezá-lo. Busquem por tudo o que já falamos dele nesses três anos e vejam o quanto admiramos o seu talento e como sabemos que ele é espetacular e fora de série. Mas nesse caso, nessa temporada e nessas situações, ele não tem feito bem para o time. Simples assim. E vocês até podem interpretar isso de um jeito bonito, mostrando como ele é competitivo e tem vontade de vencer a qualquer custo (se é que isso é mesmo bonito).

E o problema do Kobe diz tudo sobre os problemas do Lakers. Não é porque existem defeitos a serem corrigidos que uma troca é a solução. O Kobe precisa mudar sua atitude em alguns jogos ou momentos de jogos, mas de jeito nenhum que vão trocar o homem. O mesmo serve para Pau Gasol, Lamar Odom e até o Ron Artest, quem viu o jogo ontem contra o Hornets percebeu como o Ron Ron ainda é um defensor fora de série. Para mim essa não é a hora de Mitch Kupchak tentar mostrar que é um grande General Manager e mudar tudo, mas é a hora do Phil Jackson se mexer e mostrar os talentos que já mostrou tantas vezes para motivar seus atletas e buscar alternativas táticas.

E só para não dizer que só demos exemplos de times que melhoraram mudando, como citei aqui Pacers, Magic e Bobcats, posso lembrar também do Boston Celtics, que decidiu não mudar. No ano passado o time parecia velho, cansado e penou para se classificar em quarto lugar no Leste, a mesma história do Lakers desse ano. Mas aí nos playoffs eles jogaram demais e só por uma inspiração divina do Ron Artest não ganharam o título. Eles poderiam ter trocado o contrato expirante do Ray Allen no meio da temporada passada ou até mesmo não ter renovado depois que ele esteve gelado como uma atuação da Vera Fisher nos últimos jogos das finais. Mas não, decidiram não só manter a base que tinha sucesso como também adicionaram, sem perder nada além de Tony Allen, e o time velho, com mais um ano nas costas e mais os quase 40 do Shaq, é ainda melhor do que antes.

Como eu disse no começo do texto, só dá pra saber o resultado da mudança quando se tenta ela. E é o tipo de coisa que temos a tendência de julgar pelo resultado porque o outro lado da história a gente só pode imaginar, mas mesmo assim considero esse caso do Lakers mais fácil que os outros. Pacers e Bobcats praticamente não tem nada a perder, o Magic era um time que precisava de mudança porque o time vencedor de 2009 já havia sofrido uma grande transformação (saída de Turkoglu por Vince Carter) e uma queda de produção nos playoffs do ano passado. O Lakers, ao contrário, vem de um título! O quanto seria precipitado (e inédito) um time bi-campeão ser desmontado ou remodelado só porque perdeu meia dúzia de jogos simbólicos na temporada regular? Sossega, Kupchak.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Pacers do mundo bizarro

Mike Dunleavy sempre foi conhecido pelas belas fotos


Quando comentei aqui sobre a idéia do LeBron James de diminuir o número de times na NBA (ele depois negou ter dito isso), dei o exemplo de como seria a liga sem seis times, um deles o Indiana Pacers. Nos comentários isso provocou a revolta de pelo menos um torcedor que disse que Indianápolis e todo o estado de Indiana eram muito importantes para o basquete e que isso não deveria nem ser cogitado.

Ele tem razão ao dizer que Indiana é um estado importante no basquete. O Pacers e principalmente o Indiana University Hoosiers têm história e tradição no basquete americano, mas isso não é o bastante. O Seattle Sonics tinha 40 anos de NBA e uma base de torcida enorme antes de acabar de vez. Os torcedores então não deveriam se focar tanto na tradição, a cultura americana não é tão apegada a isso, e se preocupar em melhorar sua situação econômica e basquetebolística. Sem saber dos detalhes econômicos do time, nos limitamos a comentar do elenco. E convenhamos, ter um bom time e atrair mais público, TV e jogos de playoff é um bom começo pra arrecadar bufunfa.

No preview da temporada eu disse que considerava o trio do Indiana Pacers com Darren Collison, Danny Granger e Roy Hibbert mais promissor que outros trios de times medíocres e jovens, no caso Wolves (Jonny Flynn, Kevin Love e Wesley Johnson) e Nets (Devin Harris, Derrick Favors e Brook Lopez). As coisas mudaram um pouco de figura quando, depois disso, o Wolves trocou pelo Michael Beasley e ele começou a jogar muito. Hoje prefiro o trio do Wolves, com Beasley e não Flynn, embora nessa temporada o Pacers seja um time melhor.

Não que esteja tudo como planejado, o Darren Collison, por exemplo, não está jogando no mesmo nível da temporada passada pelo Hornets, quando substituiu Chris Paul e foi um dos melhores novatos do ano. Número por número o jogador tem hoje 13 pontos por jogo e acabou a temporada passada com 12, mas o meu critério de comparação é com quando foi titular no Hornets, não reserva. Isso aconteceu nos últimos três meses de 2009-10 e suas médias foram: 21.6 pontos em fevereiro, 17 pontos em março e 19 pontos em abril. Nas assistências foram 8.3, 9.1 e 7.7. Nessa temporada ele tem apenas 4.3 assistências por jogo.

Mas por que diacho o Collison caiu tanto de produção? O Indiana Pacers é um dos times que joga em ritmo mais veloz na NBA, bem mais do que o Hornets, o que eu achei que fosse fazer o Collison se adaptar rápido, mas acabou sendo o contrário. Pode ser só impressão, mas eu acho que ele não funciona muito bem só chegando no ataque e distribuindo um passe preciso para a finalização, como faz o Steve Nash no Suns, por exemplo. Ele funcionava melhor em um ataque de meia quadra que explorava vários pick-and-rolls como no Hornets. O Pacers é um time mais de arremessadores e que deixa o garrafão só para o Roy Hibbert trabalhar, limitando o Darren Collison a arremessos mais distantes ao invés de ter espaço para infiltrações.

A falta de entendimento tático tem influenciado também a confiança do Collison, que muitas vezes aceita ser só um carregador de bola da defesa para o ataque, onde entrega para Danny Granger e Roy Hibbert jogarem como bem entenderem. A passividade do Collison fez ele perder espaço na rotação e não é incomum ver o TJ Ford e até o AJ Price jogando quartos períodos no lugar dele, o técnico Jim O'Brien disse que muitas vezes o Ford joga os finais de jogo por sua agressividade na defesa e experiência no ataque. Quando você perde vaga por causa da defesa furada do TJ Ford e sua "experiência" que faz com que ele tente os arremessos mais imbecis da história do basquete (JR Smith à parte) é porque a coisa tá feia. Às vezes acho que é uma mensagem do tipo "Seja agressivo como o TJ Ford, mas do jeito certo".

Mas é difícil culpar só o TJ Ford por tentar arremessos burros porque esse é um dos times que mais força bolas estúpidas na NBA e eu nem esqueci do Warriors! O Danny Granger arremessa bolas longuíssimas de três com muito tempo no relógio, o Roy Hibbert insiste nos arremessos de Ilgauskas ao invés de jogar perto da cesta e o Brandon Rush só tem um pouco do meu perdão porque ele tem aquela liberdade concedida a todos os grandes arremessadores para arremessar sempre que receber a bola. É o tipo de jogador que se não chutar quando tiver a chance sai do time (embora tenha saído melhor do que a encomenda na defesa individual). O novato Paul George é outro que tenta umas coisas inexplicáveis, mas com a desculpa de ser só um novato, ser um time veloz não justifica tantas bobagens.

O Hibbert e o Granger, aliás, são um caso estranho nessa temporada. Nos primeiros 16 jogos da temporada Granger teve média de 22.6 jogos e Hibbert 16.1. Nos 16 jogos seguintes eles caíram para 19.1 e 11.1 respectivamente, em rebotes o Hibbert ainda caiu de 9 para 7 por jogo. Quer um número pior? Hibbert tem acertado apenas 41% dos seus arremessos! Irgh! Para um ala isso já é ruim, para um pivô é péssimo e para quem começou a temporada tão bem é um colapso inexplicável. E embora eu reclame que ele chuta muito de longe, os números dizem que nos últimos jogos, quando seus números caíram, ele está até arremessando um pouquinho mais de perto. Apenas tem errado, simples assim. O blog especializado no Pacers "Eight Points, Nine Seconds" comenta melhor esses dados.

Com Granger e Hibbert atuando bem, o Pacers tem lugar na briga (medíocre) pelas últimas posições no playoff no Leste, mas com eles jogando como estão, já era. Até porque como alertamos no nosso preview, eles tem dois buracos nas posições 2 e 4 que ainda não foram preenchidos. O Brandon Rush foi o escolhido para algumas ocasiões, mas como ele é muito limitado, costuma vir do banco, deixando lugar para o Mike Dunleavy, o que seria uma boa se ele tivesse só dias inspirados, mas é irregular como uma TPM. Na posição 4 já tivemos o mesmo versátil Mike Dunleavy deixando o time baixo e cheio de arremessadores, o agressivo Josh McRoberts, que é empolgante mas pouco eficiente, e finalmente Tyler Hansbrough nos últimos dois jogos. De todos, o Psycho-T é o que eu acho que vai ficar no time titular porque combina as qualidades dos outros: é agressivo nos rebotes como McRoberts, e tem velocidade e um arremesso decente de meia distância para abrir a quadra como Dunleavy.

Um outro jogador que eu sempre comentei que poderia ganhar espaço é o novato Lance Stephenson, ídolo absoluto nos seus tempos de colegial e que acabou só saindo na segunda rodada do Draft desse ano (uma posição depois do Landry Fields). Mas ele não entra em quadra nem a pau, na sua volta para sua terra natal, Nova York, o NY Daily News entrevistou o garoto e parece que vai demorar para ele entrar em quadra mesmo. O time está tendo paciência com ele, mas ele é ainda, pra falar a verdade, um jogador de streetball. Ainda precisa aprender a se portar como armador, a participar coletivamente da defesa e tantas outras coisas. "Ele precisa trabalhar em todo o seu jogo. Em tudo", disse o técnico Jim O'Brien. Se um dia Stephenson estourar na NBA ele deve muito a essa comissão técnica cheia de paciência.

Ou seja, é um time com bons jogadores, mas todos com muitos defeitos que o fariam reservas na maioria dos bons times por aí. Mas como essa é a realidade do Pacers por muitos anos, alguma coisa tinha que ser feita e o Jim O'Brien, nunca conhecido por sua defesa, fez milagre. Hoje o Pacers é a sétima melhor defesa de toda a NBA! O segredo para essa mudança está na dupla pressão de perímetro e Roy Hibbert . O time rápido pressiona os adversários na linha dos três com defensores atléticos e rápidos (George, Granger e principalmente Posey), evitando penetrações, e o Hibbert, 6º da NBA em tocos, protege bem o garrafão. Os adversários do Pacers acertam em média 43% dos seus arremessos, é a terceira melhor marca da NBA, atrás apenas de Bulls e Heat. Na defesa do garrafão também estão em terceiro, atrás de Celtics e Magic.

A conclusão dessa análise do Pacers é que caímos no mundo bizarro. O Spurs é o time veloz que precisa arrumar sua defesa e tem um dos ataques mais velozes e envolventes da NBA e o Pacers do Jim O'Brien (meu deus!) se mantém na briga pelos playoffs por sua defesa e precisa acertar o ataque para ir longe. Se um dia eu largar o blog é porque estou achando tudo tão estranho que enlouqueci e estou no hospício.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Preview – 2010-11 / Indiana Pacers

Darren Collison mudou de time e Danny Granger parece um bubblehead


Objetivo máximo: Não ser mais uma piada na NBA
Não seria estranho: Continuar sendo uma piada
Desastre: Não conseguir achar um Nets para ser pior que eles

Forças: Danny Granger e jogadores jovens que parecem que vão dar em alguma coisa
Fraquezas: Poucos talentos individuais na defesa, time inexperiente, pouca confiança e, até o ano passado, falta de um armador

Elenco: Se deus existisse ele deixaria eu colar as planilhas como nos primeiros previews. Mas pelo jeito estamos sozinhos nesse mundo e vocês terão que clicar aqui pra descobrir os 15 da rotação Paceriana.

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Técnico: Jim O’Brien
Há algumas temporadas a gente fez a chamada “Semana dos Técnicos”, quando falamos de todos os treinadores de todos os times daquele ano. Sempre que vamos falar de um técnico repetido dou uma olhada lá para lembrar de alguns dados. Mas lendo o texto que o Danilo fez sobre o Jim O’Brien decidi simplesmente colá-lo aqui, ficou muito bom:

“Lembrar de Jim O'Brien é lembrar daqueles bons tempos em que o Celtics desafiava as leis da lógica e do bom senso e vencia jogos, mas sem ter um elenco que parece um All-Star Game e ganha anéis mesmo com o babaca do Doc Rivers. Naquela época, o Celtics era formado por Paul Pierce e Antoine Walker, quebrava todos os recordes em bolas de 3 pontos arremessadas e era muito divertido de assistir. Me sinto velho lembrando de um Antoine Walker retardado porém sensacional, que levava seu time às vitórias. Naquela época a gente podia atravessar a rua sem olhar para os lados e continuar se perguntando quando é que o Papa João Paulo II ia finalmente morrer.


Jim O'Brien era responsável por um ataque veloz, de contra-ataques, baseado no jogo de perímetro, arremessando muito de fora do garrafão. Seu assistente técnico, Dick Harter, era uma das maiores mentes defensivas do mundo desde os bons tempos do goleiro Zetti, do São Paulo. Juntos, levaram o elenco limitado do Celtics até a final do Leste em 2002, mas foi aí que o maluco do Danny Ainge começou a lascar com tudo. Trocou o Walker sem motivo nenhum, passou a obrigar a utilização de novatos sem talento e afundou o time de vez com trocas absurdas que sonhavam apenas com o futuro. Jim O'Brien, então, falou que estava saindo para comprar cigarros e nunca mais voltou.


Foi para o Sixers e levou o time para os playoffs imediatamente, com um ataque que deixou Iverson feliz da vida. Mas como a diretoria do time queria contratar Mo Cheeks (vá entender o porquê), mandou o pobre Jim embora. Passou um tempo como comentarista e então assumiu o Pacers na temporada passada, o pior Pacers para se ter nas mãos nos últimos tempos. Além de Jermaine O'Neal contundido, o time de Indiana é uma tentativa do dirigente Larry Bird de construir um colégio católico para moços politicamente corretos. Todo mundo que arruma encrenca ou tem uma vida fora das quadras conturbada foi, aos poucos, sendo trocado ou afastado. O resultado final é um time que perdeu talentos como Stephen Jackson e Ron Artest e tenta vencer com o branquelo do Troy Murphy, que já tem no nome a certeza de que tudo vai dar errado. Jamaal Tinsley, um jogador que tinha tudo para se dar bem no esquema ofensivo do técnico O'Brien, foi cada vez mais punido por sua conduta e pelas contusões, até chegar ao ponto atual: ele não tem sequer um armário no vestiário, mesmo ainda não tendo sido trocado ou mandado embora. Estão apenas fechando os olhos e fazendo pensamento positivo para que ele desapareça, no melhor esquema "O Segredo".

A dupla Jim O'Brien e seu assistente defensivo Dick Harter têm uma árdua tarefa nas mãos. O elenco do Pacers está em total reconstrução, tendo se livrado inclusive do Jermaine O'Neal, e agora só tem uma pivetada para cheirar a talco e participar da brincadeira. Mas Jim O'Brien é um ótimo professor de novatos e ensina um ataque espontâneo e livre em quadra. Com ele, o eterno fracasso Mike Dunleavy e a futura estrela Danny Granger (também conhecido no mundo do tracadilho como Granny Danger) tiveram o melhor ano de suas carreiras. O Pacers acabou muito bem a temporada, chegou a tentar pegar a oitava vaga no Leste apesar das contusões e da bagunça que estava acontecendo no time, e era um dos times mais divertidos de se assistir jogar. Eu gosto do O'Brien e coloco uma fé em seu ataque veloz e talento com a pirralhada.”

Pois é, a reconstrução do Pacers não foi nada boa e Jim O’Brien não teve grande sucesso com o time. Ele até conseguiu impor seu ritmo veloz, as bolas de três (duas características que fizeram florescer o jogo do Danny Granger), mas sempre faltaram muitas peças para fechar o time. Um armador, principalmente. E nem o assistente Dick Harter, que se aposentou ao fim da temporada passada, conseguiu arrumar a defesa. Tá bom que ter a 14ª melhor defesa da liga com o elenco que tinham no ano passado foi uma vitória homérica, mas não o bastante para alguém ter percebido isso.

É uma pena que Harter tenha parado, porque é possível que esse seja o primeiro ano que o Pacers tenha peças o bastante para montar um time decente desde que Jim O’Brien assumiu. Uma curiosidade de Harter é que ele já havia trabalhado no Pacers antes, em 2000, quando o time foi até a final da NBA contra o Lakers. Naquela época o Larry Bird era o técnico do time e creditou à defesa montada por Harter o fato do time ter ido tão longe.

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Se nesse ano eles não tem mais Harter, têm como assistentes dois jogadores dos bons tempos de O’Brien no Celtics: Vitaly Potapenko e Walter McCarty. Mas mais importante do que isso, agora eles tem um armador e um pivô. Para um time de basquete ter jogadores bons nessas duas posições, se não for como oxigênio e água, é pelo menos tão importante quanto sexo e chocolate na vida de um ser humano.

Perder os rebotes e as bolas de três do Troy Murphy não foi legal, mas receber em troca o Darren Collison, um dos melhores novatos do ano passado, o cara que conseguiu números de Chris Paul jogando no lugar do próprio CP3, foi um achado. Ele é veloz, tem visão de jogo e deve se adaptar ao esquema do Jim O’Brien em segundos. Só por não ser um retardado que não passa a bola e acha que chuta de três como o TJ Ford já seria uma melhora, mas eles foram além. O pivete tem potencial pra ir muito longe e vai ter todo o espaço e mordomias do mundo para melhorar o seu jogo em Indiana.

No pivô eles tem o promissor Roy Hibbert, que melhorando de pouquinho em pouquinho a cada ano finalmente se tornou um jogador bom. Como foi citado outro dia no nosso formspring, é um dos pivôs que mais dá trabalho para o Dwight Howard em toda NBA. Não prevejo nenhum All-Star Game num futuro próximo, mas ele tem bons movimentos de ataque, dá conta do recado na defesa e não se machuca o tempo inteiro, pra eles tá ótimo! Se você pedir pra qualquer torcedor que acompanha a NBA há pouco tempo para listar os 30 times da liga, ele vai falar o Pacers por último, certeza. Eles não chamam a atenção por absolutamente nada desde que Ron Artest e Stephen Jackson deram o fora.

A espinha dorsal do time está montada com Darren Collison na armação, Hibbert como pivô e Danny Granger na posição três. Falta o miolo das posições 2 e 4. A briga vai ser dura entre muitos jogadores medianos.

Para ser o parceiro de Collison pode-se optar por Danthay Jones, Brandon Rush ou Lance Stephenson. O primeiro, surpreendentemente, fez uma temporada muito boa no ano passado, juntando sua boa defesa com alguns bons jogos no ataque. É o mais cotado para começar o ano como titular, mas tem “RESERVA” tatuado na testa e em todo seu DNA. Brandon Rush é um daqueles caras que ganham vaga na NBA por terem sido bons arremessadores na faculdade mas que demoram para provar o rótulo. Não fez nada de espetacular no seu primeiro ano. E por fim temos Lance Stephenson, talvez o jogador mais talentoso (competindo com Devin Ebanks) do segundo round do draft desse ano, mas um que faz Larry Bird ter arrepios na presidência do time. Ele é bom, jogou bem nas ligas de verão e tudo, mas também empurrou a namorada escada abaixo e está tomando processo na cabeça. É um clássico garoto-problema que joga muito basquete. Chegou a ser proibido de entrar no time logo depois da confusão com a namorada, mas está jogando normalmente a pré-temporada, sempre vindo do banco e jogando poucos minutos.

Com três opções nada convincentes a escolha da pré-temporada tem sido... nenhum dos três. Tá, Rush foi o titular em um jogo, mas no resto o mesmo técnico que passou mais de um ano usando Mike Dunleavy como um ala de força, agora o usa como segundo armador. Não sei se vai dar certo. Era legal quando ele usava sua velocidade contra os alas de força mais pesados, mas Dunleavy não tem o estilo de jogo para usar sua altura contra os armadores baixinhos. Acredito que esse experimento não vá longe.

É mais provável que Dunleavy apareça na briga para ser o ala de força, que tem como concorrentes fortes Tyler Hansbrough e Josh McRoberts. O primeiro foi um dos melhores jogadores universitários dos últimos anos, mas na sua temporada passada, a de novato, jogou poucos jogos porque ele tinha uma contusão que ninguém sabia o que era. Sério! Como contei na temporada passada:

“Mas o destaque na área médica vai para o Tyler Hasnbrough. Ele só jogou 29 jogos na temporada, sua última partida foi em 16 de janeiro e desde então ninguém sabe o que ele tem. Alguns médicos dizem que é uma infecção no ouvido, mas ninguém tem certeza, o cara não pode ser curado porque não sabem o que tratar. Rumores dizem que o Dr. Foreman acha que é câncer, o Taub acha que é uma doença auto-imune, o House acha que o Hansbrough está mentindo e todo mundo sabe que não é Lúpus.”

Por passar tanto tempo longe das quadras o Psycho-T, segundo Jim O’Brien, está atrás de McRoberts na briga, mas ainda dá tempo de alcançar. O atual titular é bem limitado e só chama a atenção porque, apesar de ser um branquelo, dá umas enterradas alucinantes (veja o vídeo abaixo)! É um jogador bacana de ter no banco, mas ver ele no time titular é assumir que é um time limitadíssimo.



Na posição de palpiteiro que não assiste aos treinos eu posso dizer que eu usaria o Tyler Hansbrough como titular. Ele é ágil e rápido o bastante para se adaptar ao estilo do time e, apesar de meio baixo pra posição, sabe atuar de ala de força. Dentro das suas limitações é a melhor opção do elenco, além de precisar, depois do trágico ano passado, de minutos de jogo para se sentir mais à vontade entre os profissionais e jogar em um nível parecido com o que fazia em North Carolina. Se tem uma vantagem em estar em um time esquecido é poder se dar ao luxo de deixar o cara feder por uns jogos sem que ninguém repare e fique apontando o dedo.

Também não deixaria de fora a possibilidade deles voltarem a improvisar um jogador da posição três como ala de força. Não só Mike Dunleavy como o novato Paul George e o recém-adquirido James Posey são boas opções. Posey em especial já teve boas experiências marcando jogadores mais altos e tem bom arremesso de três, ideal para o esquema aberto e veloz de Jim O'Brien.

Para a posição de segundo armador acho que o negócio é botar o Danthay Jones de titular mesmo,  alguém precisa defender nesse time. Mas ficaria de olho no Lance Stephenson, há algumas semanas ele foi duramente criticado pelo O'Brien pela sua defesa, mas foi na defesa sem a bola. Ele, pelo jeito, marca muito bem no 1-contra-1 mas no coletivo ainda se posiciona mal e falha nas coberturas. Nada que não dê pra aprender. É o bastante para deixá-lo ainda no banco, mas ficando de olho no garoto.

Vai ser difícil para o Pacers sair do ostracismo ainda nesse ano, mas é o elenco mais promissor e talentoso que eles tem desde que desapareceram dos playoffs em 2006. Na briga dos piores times do ano passado eu até me arrisco a dizer que o trio Collison-Granger-Hibbert é mais promissor que Harris-Favors-Lopez do Nets ou Flynn-W.Johnson-Love do Wolves. Mas vai saber, o Carmelo Anthony nem deve saber que o Pacers existe pra cogitar ir pra lá no ano que vem.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Os caras maus

"E eu vou pra galera!"

Era 2004 e a temporada da NBA havia acabado de começar. Um dos times favoritos para ganhar o Leste era o Indiana Pacers, com jogadores como Reggie Miller, Jermaine O'Neal, Stephen Jackson, Ron Artest e Jamal Tinlsey. Era um time de defesa forte, dequeles dispostos a ganhar os jogos por um a zero com gol cagado no final. A rivalidade com o Pistons, de quem haviam perdido na Final do Leste da temporada anterior, era enorme. Aí o Ben Wallace sofreu uma falta e quis encher o Artest de porrada, o Ron Ron deitou debochadamente na mesa dos juízes, tacaram um copo de cerveja em sua cabeça, ele socou o torcedor errado, os jogadores entraram numa briga generalizada e tivemos a confusão mais famosa da história da NBA. Ron Artest pegou a maior suspensão de todos os tempos (tirando aquelas dadas por uso de substâncias ilegais) com 73 jogos de molho na temporada regular e mais 13 jogos nos playoffs, até maior do que a suspensão do Gilbert Arenas e seu famigerado caso da arma de fogo. Além dele, outros jogadores também foram suspensos pelo Pacers naquela briga: Jermaine O'Neal pegou 25 jogos de gancho, Stephen Jackson pegou 30, e Anthony Johnson ficou em casa por 5 partidas.

O mais engraçado é que o Pacers ainda foi para os playoffs naquela temporada, perdendo para o Pistons outra vez, mas nas semi-finais. Se não fossem pelas suspensões, aquele time teria feito ainda mais estrago nos playoffs e, apesar da aposentadoria de Reggie Miller, tinha tudo para ganhar um título nos anos seguintes. Mas a briga épica causou traumas profundos: enquanto Ron Artest se sentia culpado por ter destruído a maior chance de seu time até então e pedia para ser trocado afirmando que o Pacers estaria melhor sem ele, os engravatados do Pacers, liderados por Larry Bird, queriam reconstruir completamente a imagem do time e apagar do mapa os acontecimentos de 2004. De quebra, apagaram também do mapa qualquer possibilidade de ganhar um título pelas próximas décadas. Jamal Tinsley, famoso por se envolver em tiroteios em sua cidade natal e alegar que "acontece com todo mundo", tomou um gelo da franquia, perdeu o armário do vestiário, e está mofando em Indiana até que seu contrato termine. Stephen Jackson, que deu uns tiros pra cima depois de uma discussão na saída de um bar de strip-tease, foi trocado. Al Harrington, que depois de quase ser o melhor reserva do ano exigi virar titular, também foi trocado. Jermaine, envolvido na briga com o Pistons, foi o último a ser trocado para finalmente apagar os traços daquele grupo. Aos poucos o Pacers virou um time representado por Troy Murphy e Mike Dunleavy, dois sujeitos brancos, bonzinhos, dóceis e chatos. Nem preciso dizer que, desde então, a equipe de Indiana nunca mais ganhou sequer par-ou-ímpar.

Existe uma enorme preocupação em não colocar "maus exemplos" em grandes equipes da NBA, jogadores que podem arrumar encrenca, destruir a química do time, serem suspensos. De repente virou moda se livrar de qualquer cara que possa gerar dor de cabeça, que tenha problemas fora das quadras, que não seja bom menino. Quando menos percebemos, o Allen Iverson acordou desempregado enquanto jogadores bonzinhos mas sem nenhum talento são disputados a tapa por toda a liga. No momento em que o Kwame Brown ganhou um time e o Iverson começou a cogitar ter que ir jogar na China, deu pra ver que essa moda está indo longe demais. Por mais que o Kwame seja um cara legal, que dá vontade de passar a mão na cabeça, ele não vai tornar o Bobcats um time campeão. O Iverson, sim, já carregou times inteiros nas costas até uma final da NBA. O Artest, tão temido quando chegou ao Lakers porque "poderia pirar a qualquer momento e colocar tudo a perder", acabou de ganhar um título. Os bons jogadores às vezes são problemáticos e quem não quer lidar com isso vai ficar assinando Mike Dunleavys e Brian Cardinals (né, Mavs?) a vida inteira e montar uns troços insossos e fracassados como o Indiana Pacers dos últimos anos. Esse lance de "politicamente correto" vai transformar o planeta inteiro em mingau: docinho, inofensivo, sem gosto nem substância, fácil de engolir porque não tem nem que mastigar.

Curiosamente, um dos poucos passos contrários dos últimos tempos veio justamente do Pacers, que resolveu draftar o armador Lance Stephenson. O sujeito poderia ter sido facilmente draftado nas primeiras 10 escolhas, é um monstro no ataque, tem um jogo completo, e às vezes é fenomenal defensivamente. Mas acabou sendo escolhido na posição 40 simplesmente porque existem dúvidas sobre seu caráter dentro e fora das quadras. Teve passagem pela polícia ainda no colegial e, durante os jogos, tende a gritar com árbitros e companheiros, se empolga com o jogo, tenta sempre o lance mais espetacular ao invés do mais fácil. O medo de seu comportamento lembrou o pânico que cercava a contratação do Artest pelo Lakers, mesmo sabendo que um jogador tão espetacular estava saindo tão barato. Na posição 40, Lance Stephenson é uma baita pechincha - mesmo tendo, no mês passado, empurrado sua ex-namorada de um lance de escadas. Desde então, Stephenson não tem permissão para treinar com o resto dos seus companheiros, ficando confinado a treinos particulares até que o Pacers decida o que fazer. Mas gosto de pensar que os engravatados de Indiana não são completos débeis-mentais e que, portanto, sabiam dos riscos envolvidos no draft do Lance Stephenson. Treinos separados ou não, imagino que as temporadas de fracasso tenham forçado uma mudança de atitude simbolizada pelo draft de Lance. Se mandarem o garoto embora, como se cogita por aí, será a prova de que não aprenderam nada com os erros - e de que não leram o perfi dos jogadores que draftaram. Prefiro achar que estão dando uma atenção especial para o pirralho durante um momento difícil, dando conselhos e oferecendo estrutura e que, em breve, reintegrarão o armador à equipe.

Outro time que conseguiu uma pechincha dando uma olhada na baciada de "jogadores problemáticos" foi o Celtics. Com a nítida sensação de que essa será a última chance do elenco de ser campeão, e tendo que enfrentar o trio-fraldinha do Heat, o Celtics tá apelando pra qualquer coisa: mandinga, jogador velho, jogador novo, homem, mulher, e quantos jogadores-problema aparecerem. É por isso que Jermaine O'Neal, que o Pacers jogou fora, vai se unir ao Delonte West, que o Cavs mandou embora por culpa de um incidente em que ele foi preso andando de moto com mais armamentos do que o Rambo. Fiquei muito feliz com o despero do Celtics porque já estava crente de que o Delonte nunca mais ia conseguir um emprego nem no Mc Donald's apesar de ser um jogador excelente. Depois de anos abandonando jogos e treinos graças à sua depressão crônica e andando armado e paranóico pelas ruas de sua cidade natal, seria difícil achar um time que quisesse apostar no armador. Mas aí, pra piorar, o David Stern fez aquela merda que ele sempre faz, que é punir dentro da NBA por causa de uma punição fora dela, então o Delonte West tomou uma suspensão de 10 jogos depois de já ter sido punido pela justiça pelo seu porte de armas. Então qualquer time que aceite o armador tem que saber que, por 10 jogos, ele não poderá entrar em quadra. Convidativo, não?

Mesmo assim, o Celtics só tem a ganhar botando suas fichas no Delonte West. O jogador é inteligente em quadra, é bom arremessador, tem culhão para decidir e joga nas duas posições de armação. Torna o banco do Celtics imediatamente muito melhor, fazendo ainda melhor um papel que já foi de Eddie House, não importa quanto tempo fique suspenso e quantas motocicletas ele dirija por aí carregando lança-mísseis nas costas. Sua importância só será mesmo sentida nos playoffs, então a suspensão não vai ser grandes coisas. Do mesmo modo, Jermaine O'Neal torna o garrafão do Celtics bom o suficiente para que seja possível sonhar em enfrentar o garrafão do Lakers, mesmo que eventualmente ele acabe enchendo o Andrew Bynum de porrada ou se contundindo mais uma vez. Lance Stephenson tem tudo para tornar o Pacers, dono de um dos piores ataques da NBA, um time mais perigoso e talentoso, mesmo que empurre mulheres pelas escadas. É claro que ninguém gosta de gente escrota que anda por aí segurando metralhadoras e socando gurias, mas esses jogadores já foram presos, julgados e condenados, já fizeram serviço comunitário, já sofreram as consequências em suas vidas pessoais. Carregar isso para a NBA não apenas não faz um puto de um sentido, mas também torna os times piores, a liga pior, porque tira dele o mais importante: talento.

O Delonte West foi fundamental para o Cavs nas últimas temporadas, e em jogos decisivos apenas ele (e o Varejão, que não vale porque não tem cérebro) ousavam arremessar quando o LeBron ficava passando a bola. Tudo porque o Cavs topou lidar com os problemas do Delonte, lhe ofereceu tratamento psicológico e psiquiátrico, soube fazer concessões quando ele não queria (ou não conseguia) comparecer aos treinamentos, tentou ajudar o jogador ao invés de puní-lo. Sem LeBron na equipe, sabendo que eles precisam reconstruir, acho que não tiveram a paciência de manter o jogador e seus problemas, mas o Wolves poderia ter recebido o Delonte e tentado ajudá-lo, aproveitando-se de seu talento, ao invés de preferir despedir o jogador e sua imagem problemática. Azar. O apoio psicológico e psiquiátrico mudou a vida de Artest e permitiu que tanto ele quanto o Lakers saíssem vencedores com a parceria. Os times que não querem lidar com problemas e não estão dispostos a oferecer ajuda vão acabar draftando freiras ou comprando canários. E, certamente, vão feder muito, e por muito tempo. Se o Celtics tiver sucesso nessa derradeira temporada, ficará a lição: bons jogadores descobrem um jeito de funcionar juntos se tiverem o apoio necessário, e cabe às equipes da NBA fornecer essa estrutura. Se o Larry Bird não descobrir isso logo, o Pacers vai continuar com a cara sem sal do Mike Dunleavy, sem entender porque não conseguem ganhar bulhufas. Enquanto Allen Iverson continua lá fora, disposto a ganhar pouco, jogar em qualquer função, e ser o jogador sensacional que ele sempre soube ser. A China, que já recebeu o Marbury depois que ele foi bizarramente boicotado pela NBA, deve receber o Iverson logo. Torçamos para que não seja o mesmo destino de Lance Stephenson e Delonte West.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Trocando figurinhas

Darren Collison joga como o Chris Paul, se move como o Chris Paul, 
se veste como o Chris Paul, mas tem a cara do Rajon Rondo

Tudo começou com o Hornets tendo duas figurinhas repetidas. A gente bate nessa tecla faz um tempo por aqui, de que adianta ter seus dois melhores jogadores jogando na mesma posição sendo que eles não podem estar em quadra ao mesmo tempo? Isso é legal se o resto do time chuta traseiros, mas não, o Hornets tem um elenco muitíssimo limitado e não pode se dar ao luxo de ter um jogador tão bom no banco. Um dos dois precisava dar o fora, ser trocado por outros jogadores para serem titulares, e na minha cabeça sempre foi o Chris Paul por ser mais cobiçado e muito, muito mais caro. Quando ele começou a chorar as pitangas querendo ir para o Knicks, achei que era a hora finalmente do Hornets fazer a troca e comecei a pensar na terrível maldição que às vezes parece assolar as camisetas de NBA no Brasil, sempre que lançam uma camiseta aqui o cara é trocado (não faz muito tempo que fiquei babando numa camiseta do Chris Paul numa loja por aí). Mas parece que convenceram o Chris Paul a ficar, então o escolhido foi seu coleguinha pirralho de posição: Darren Collison.

Do Hornets a gente fala melhor amanhã, em outro post. O que importa é que o Collison vai para o Pacers, que fez até sacrifícios de carneiros para conseguir um armador qualquer. Quando escrevemos sobre cada um dos times que não foram para os playoffs, ainda na temporada passada, afirmei que o Pacers com um armador de verdade provavelmente estaria na elite do Leste. A equipe de Indiana é uma daquelas que caiu no famoso "conto do TJ Ford": você olha pra ele e vê um armador veloz, explosivo, com pulmão pra ir ali na Lua e voltar, mas quando coloca ele em quadra descobre que ele não passa a bola, enlouquece o resto da equipe, não toma uma única decisão correta e não tem qualquer coisa que lembre vagamente um arremesso. Muitos times se apaixonaram pelo TJ até descobrirem que ele te ganha um jogo e depois te perde dez, e nem adianta melhorar o elenco ao redor dele porque ninguém vai ver a cor da bola. Fora que ele se contunde o tempo inteiro porque não tem noção do que está fazendo, invade o garrafão como estiver, e o corpo dele não aguenta tanta porrada depois das lesões na coluna vertical que ele sofreu em quadra. A situação do TJ em Indiana ficou tão complicada que resolveram guardar ele no armário e não tirar mais. Não chegou ao absurdo que foi o Jamaal Tinsley, que um dia chegou pra trabalhar no Pacers e não tinha mais o nome dele em nenhum armário do vestiário, mas sempre deixaram claro que o TJ Ford não jogaria mais pela equipe. Acabaram voltando atrás, no desespero ele até entrou em quadra, mas o armador está oficialmente sendo oferecido em trocas desde que o homem inventou a roda. 

Se o TJ Ford fosse um pivô grandão, alguém teria aceitado a troca porque o talento dele é uma tentação mesmo, mas a fama de destruir equipes não pega nada bem justo numa geração que repentinamente ficou com fobia de sujeitos como Marbury e Allen Iverson. Uma década atrás o TJ Ford venderia milhões de camisetas e teria espaço em qualquer equipe da NBA, mas hoje em dia a mentalidade é outra e esses tipos são considerados cânceres a serem exterminados. Então, na falta de uma troca possível e depois de uma proposta pro Bobcats pelo DJ Augustin ter miado, o Pacers foi com tudo atrás do Darren Collison. Só tiveram que envolver outros dois times na parada e aí conseguiram, foi facinho.

O que o Pacers mandou foi o Troy Murphy, ala fodão que não muito tempo atrás teve seu talento roubado pelos Monstars, do "Space Jam". Ele tem um jogo muito refinado, arremessa de qualquer lugar da quadra - inclusive da linha de três pontos - com naturalidade, e é uma máquina de pegar rebotes. Tem dificuldades defensivas e não joga bem de costas para a cesta, mas seria útil em qualquer time. Quando chegou no Pacers, simplesmente desaprendeu a jogar basquete e sumiu da mídia, mas voltou aos poucos e ainda quebra um belo de um galho. O jogador de garrafão será mandado para o Nets, que precisava muito de um jogador da posição. No elenco atual do Nets, o novato Derrick Favors seria titular imediato ao lado de Brook Lopez. Por um lado é bem legal colocar um calouro direto no fogo e mandar um "se vira", dar moral, crédito, e deixar o cara feder bastante até pegar o jeito, como foi o que aconteceu com o Kevin Durant. Mas é que tem gente, como o Kwame Brown, que simplesmente desapareceria da NBA se fizessem algo desse tipo (tá explicado, o Kwame desapareceu mesmo). Não é todo mundo que tem cabeça pra aguentar a pressão de ser titular num time que só perde, como deve ser o Nets na temporada que vem, e ninguém quer queimar o jogador. O Troy Murphy garante que o Favors possa vir do banco ou então ser titular e jogar menos minutos, quando a coisa estiver mais pesada. Ao fim da temporada que vem o contrato do Troy Murphy vira farofa, o Favors já pode ser titular absoluto com uns pelinhos pubianos a mais no corpo, e o Nets ainda fica com espaço salarial para tentar - de novo - uma grande estrela para talvez salvar a franquia. Foi um plano seguro, de quem não tem pressa para ganhar mas que sabe exatamente o que está fazendo (ao contrário do Wolves, mas isso é outra história).

Já o Nets, pra participar dessa suruba, mandou o Courtney Lee para o Houston Rockets, que por sua vez mandou o Trevor Ariza para o Hornets. Como torcedor do Houston que assistiu a praticamente todas as partidas da equipe na temporada passada (e que bizarramente assistiu a uma caralhada de partidas do Nets pra entender o porquê deles federem tanto), posso dizer que estou muito feliz com a troca. Por mais fã que eu seja do Ariza, seu estilo de jogo era completamente descartável no Houston. Ele é um baita defensor, mas para estar em quadra exigia que o Shane Battier (um dos melhores, se não for o melhor, defensor da NBA) estivesse no banco. No setor ofensivo, lhe faltava domínio de bola para criar o próprio arremesso, coisa que o Kevin Martin passou a fazer, e seus arremessos de três são inconsistentes, ao contrário do novato Chase Budinger, que é um monstro no perímetro. As bolas de três são essenciais para o esquema tático do Houston e o Ariza sempre ficou desconfortável em quadra. Brilhava mesmo nos contra-ataques, e nisso deixará saudades, mas não muitas. O Courtney Lee também é espetacular nos contra-ataques, é um excelente defensor, e desde novato já se sentia mais à vontade para criar o próprio arremesso. Nos playoffs com o Magic, era normal ele ser o único jogador da equipe a ter coragem de arremessar nos primeiros minutos, e acabou recebendo o fardo de decidir um punhado de partidas (lembro dele errando um arremesso decisivo no final de uma partida das Finais contra o Lakers). É notório o quanto ele ficou puto de ser trocado para o Nets porque queria vencer, decidir jogos, estar nos playoffs, nunca aceitou estar na equipe de New Jersey e foi um dos que mais criticou o começo historicamente ruim de temporada do time, exigindo explicações do elenco e da comissão técnica. Ou seja, o Nets claramente se livrou dele porque ele é chato demais para ficar numa equipe que ainda pretende feder por mais uns anos. No Houston, vai criar o próprio arremesso, arremessar de três, jogar no contra-ataque e defender - e o melhor, nada disso é na mesma posição que o Shane Battier! Vai ser reserva do Kevin Martin e talvez até do Battier, em escalações mais baixas, e ainda terá minutos e oportunidade de ir para os playoffs. A troca é melhor do que parece para o Houston primeiro porque o Courtney Lee é melhor do que se imagina, é excelente ladrão de bolas e arremessador de três pontos, e segundo porque ele é mais barato do que o Ariza e o Houston já está acima do teto salarial. O Ariza não saiu caro, mas reassinar Luis Scola e Kyle Lowry era mais essencial e saiu uma pequena fortuna, foi preciso dar um jeito nas finanças.

O Ariza deve se sentir muito mais à vontade no Hornets com os contra-ataques puxados pelo Chris Paul e sendo o principal defensor da equipe. Não é nenhuma estrela para que o Chris Paul queira jogar em New Orleans até o fim da vida, mas é melhor do que o resto do elenco e o Hornets ainda conseguiu mandar para o Pacers, além do Darren Collison, o James Posey. O Posey fez fama no Celtics campeão uns anos atrás, porque ele é realmente um jogador sólido pra burro que ajuda qualquer equipe que queira ganhar um título - coisa que o Hornets não é nem nunca foi. Seu salário é grande demais para um simples carregador-de-pianos, mas será útil no Pacers se eles conseguirem ir para os playoffs. A equipe de Indiana sempre jogou numa correria excessiva (talvez fosse o simples fato de estar dentro do raio de 2 quilômetros da presença do TJ Ford) e não conseguia acionar as armas ofensivas que tem, nem o espetacular jogo de costas para cesta do Roy Hibbert. Eu sou todo apaixonadinho por essa nova safra de pivôs da NBA, porque além dos jogadores que estão mais na midia, como Dwight, Kaman, Bogut e Brook Lopez, ainda tem sujeitos como o Marc Gasol e o Roy Hibbert que podem ser os melhores da NBA na posição e a gente nem percebe direito. São todos muito técnicos, com pés rápidos e muita habilidade perto da cesta, e o Roy Hibbert (que já teve umas atuações monstruosas na temporada passada, tipo quando ele humilhou o Dwight Howard) é um dos melhores dessa safra. Com um armador de verdade, deve mostrar mais serviço e o Pacers passa a ser um time a ser levado a sério.

Meu único medo, no entanto, é com a qualidade do Darren Collison. Quando ele virou modinha na temporada passada todo mundo cravou ele como um dos melhores armadores dessa geração, e ele realmente chuta uns traseiros, mas grande parte da responsabilidade por isso era o esquema tático do Hornets. Analisei um pouco isso ainda na temporada passada, quando o garoto começou a explodir. Não é que o esquema do Hornets tenha feito o Collison bom, mas é que o Collison é bom para o esquema do Hornets. Por ser excelente ladrão de bolas, ter muita calma na hora de armar, cuidar bem da bola, ser um dos armadores mais rápidos da NBA e arremessar todo torto, se encaixava bem no papel do Chris Paul, em que ele passava o tempo inteiro com a bola nas mãos e só puxava contra-ataques depois dos roubos de bola. Se no Pacers a bola passar tempo demais nas mãos de Danny Granger e o time só jogar no contra-ataque, veremos algumas fraquezas do Collison expostas (como seu arremesso simplesmente quebrado), e algumas de suas melhores qualidades (como acalmar o jogo e tomar as decisões mais simples na hora de passar a bola) serão ignoradas. Se o Pacers não mudar o modo de jogar e simplesmente colocar o Darren Collison no meio daquela bagunça, ele será apenas um jogador normal. O truque é lhe dar a bola e não exigir que ele seja acionado para arremessar, mas será que o Granny Danger topa a brincadeira?

sábado, 27 de março de 2010

O pior do ano (mas não da história!)

Você também usaria se torcesse para o Nets. Ou se fosse feio como o Calvin Booth.

Não sei explicar direito o porque, mas assisti vários jogos do Nets nessa temporada. Não sei se é porque eu me sinto culpado por ser um pecador e acho que mereço ser punido, se é pra rir da desgraça alheia ou se é pra tentar entender como um time com um elenco daqueles consegue lutar até as últimas semanas da temporada para não ter a pior time de todos os tempos.

Talvez seja um pouco das três coisas, mas mais pela última. O Devin Harris está longe de ser o melhor armador da NBA e vai estar na lista do prêmio Monstars de jogadores que mais desaprenderam a jogar na temporada, mas ainda assim é um tremendo jogador, o Brook Lopez tem vaga garantida como pivô no All-Star Game todo ano, é só jogar em um time que não vença menos jogos que o Washington Generals. E sem contar jogadores bons e legais de assistir como Chris Douglas-Roberts, Courtney Lee, Yi Jianlian e o novato Terrence Williams, que dá algumas das enterradas mais legais da NBA atualmente. Tudo isso junto monta um time interessante, preciso assistir pra tentar achar uma explicação para o fato deles serem mais fedidos que o Rio Pinheiros.

Mas antes de explicar porque o time é ruim, gostaria de achar uma explicação sobre porque as pessoas vão até o ginásio do Nets, o IZOD Center, que dizem que fica perto de um lixão e longe de tudo, e pagam para assistir esse lixo de time (um time lixo do lado de um lixão, que mundo irônico, não?)? Eu estou em casa, entediado e sem muitas opções do que fazer, mas e eles? Será que o Nets tem uma Gaviões da Fiel que está com o time em qualquer situação (desde que o preço dos Tacos dentro do ginásio ainda seja bom)? Pode ser, mas toda torcida apaixonada assim cedo ou tarde vai começar a reclamar.

No começo da temporada ficou conhecida a foto de dois torcedores do Nets que apareceram em um jogo com um saco de papel na cabeça com os dizeres "0-18", indicando as 18 derrotas e nenhuma vitória do time no campeonato, e escondendo a cara de vergonha por ser um fã do Nets. Veja a foto aqui.

E eis que no jogo contra o Heat, três jogos atrás, apareceu mais um cara com um saco na cabeça, mas dessa vez sem nada escrito. É a foto que ilustra nosso post. Apenas ficou parado assistindo ao jogo e escondendo sua cara para que ninguém soubesse que ele torce para o Íbis da NBA. O episódio teria passado em branco se não fosse por um cara chamado Brett Yomark, o CEO do New Jersey Nets. Bravo com a atitude do torcedor, foi até ele e perguntou "Por que você está com um saco na cabeça?", a resposta foi curta, seca: "Porque é o Nets é tãaao bom". O cara de terno e gravata, chefe de operações e executivo importante do time perdeu a compostura, mostrou o dedo do meio para o torcedor e foi embora. Tudo do lado de um monte de jornalistas e outros torcedores.

Mas não é que a cobrança do torcedor e a polêmica em torno da reação do CEO foram seguidas de duas vitórias? Faltava motivação? Reclamação? Acho que o fato serviu para lembrar todos os jogadores que a temporada estava chegando no fim, a água estava chegando na bunda e que daqui a pouco quem teria que usar sacos na cabeça seriam eles, por estarem no pior time de todos os tempos.

Analisando o monte de jogos que eu assisti do Nets, a minha conclusão mais clara é a de que eles não são sempre ruins, mas não tem idéia de como ganhar um jogo. Durante três quartos eles são ruins como qualquer outro time ruim do Leste, como o Sixers ou o Knicks, mas no quarto período eles fazem uma bobagem atrás da outra e perderiam até para o time meu e do Danilo que disputava os saudosos Jogos Escolares de São Bernardo. Cansei de pensar que ia presenciar uma vitória do Nets e só ver eles forçando arremessos de três em horas impróprias e tomando cestas fáceis e bobas no minuto final. Qual a solução para um time assim?

O Bucks, que tinha sérios problemas ofensivos em quartos períodos, se arrumou trocando pelo John Salmons, que começou a tomar conta dos jogos nos minutos finais. Mas como o Nets não tinha a defesa do Bucks e nem tentou contratar ninguém, a solução era mais complicada, era vencer o jogo em três quartos. Foi o que fizeram contra o Kings.

Faltavam 12 jogos para o fim da temporada e nesses jogos eles precisavam de 2 vitórias para igualar a marca do Sixers de 1973, o time com menos vitórias em uma temporada na história, ou 3 para se livrar dessa sina. O jogo era em casa e o Kings estava sem Tyreke Evans, machucado, a chance era de ouro e eles aproveitaram. Jogaram os três primeiros períodos com uma baita vontade, com medo da marca histórica e bastou esse empurrãozinho para que entrassem no último quarto vencendo por 9. Com essa vantagem, em casa e contra um time que estava sem o jogador que faz tudo no último período não tinha como perderem.

O jogo seguinte foi contra o Detroit Pistons. Um jogo que eu não assisti porque tenho amor à vida. No nosso Twitter até desafiei as pessoas a assistirem os 48 minutos de jogo, sem trocar de canal e sem vomitar, duvido que alguém tenha conseguido. A partida era novamente em casa e contra um time que está numa fase horripilante. Dessa vez não vencerem em três quartos, muito pelo contrário, o melhor período foi justamente o último! Marcaram 38 pontos no período final, o Yi Jianlian dominou o fim da partida e eles defenderam tão bem durante todo o jogo que marcaram 21 pontos de contra-ataque, quase 10 a mais do que a média deles na temporada. E não dá pra não mencionar os 37 pontos do Brook Lopez, marca máxima da sua carreira.

Tá bom que o adversário foi um lixo, mas o mínimo que a gente esperava do Nets na temporada era isso, que eles tivessem um time bom o bastante para ganhar de outros times ruins. Só isso! Nada nunca vai explicar porque eles perderam de tantos times horríveis durante essa temporada, porque entregaram tantos jogos nos minutos finais. E essas duas vitórias seguidas contra times ruins só mostram que a maior parte do problema estava na cabeça dos jogadores, bastou um pouco de vontade, aquele "sentido de urgência" por vitórias que todo mundo buscou o melhor do seu jogo.

A melhora do Nets foi acompanhada da melhora de humor do CEO que mostrou o dedo para o fã com o saco na cabeça. Já na partida seguinte ele fez uma promoção no IZOD Center: Todo torcedor que tivesse um saco na cabeça seria abordado por funcionários do ginásio e ofereceriam para eles um pacote de presentes que tinha um poster do time, um pacote com cards da NBA e uma mensagem dizendo "Obrigado por nos deixar ver a sua cara. Esperamos vê-la mais vezes em partidas do New Jersey Nets". Quem tirasse o saco, levava o presente. Podem levar o case para suas aulas de marketing, crianças.

Hoje tem mais um jogo e mais um adversário em fase lamentável, o Bulls. Eu aposto em mais uma vitória do Nets, assim como aposto em mais vitórias deles até o fim da temporada. Nos seus jogos finais ainda pegam o Bulls mais uma vez e o Wizards, dá pra ganhar numa boa. Também apostaria que eles poderiam vencer o Pacers, mas não vou falar nada porque, sem ninguém perceber, o Pacers tem 5 vitórias seguidas! Atualmente é a maior sequência de vitórias do Leste e a segunda maior da NBA, perdendo apenas para as 6 seguidas do Suns.

Explicar a mini-ressurreição do Nets não foi fácil, mas eu tentei nesse post. A do Pacers eu nem me arrisco a chutar! O Indiana tem o segundo ritmo de jogo mais rápido da liga (perde só para o Warriors), mas tem só o 3º pior ataque da NBA, ou seja, é um Warriors que não sabe atacar. Além disso de uma zica Clipperiana que faz com que trocentos jogadores fiquem se machucando um atrás do outro e de maneira bizarra, foi primeiro o Mike Dunleavy, depois o TJ Ford, Jeff Foster e o Roy Hibbert conseguiu machucar a mandíbula!

Mas o destaque na área médica vai para o Tyler Hasnbrough. Ele só jogou 29 jogos na temporada, sua última partida foi em 16 de janeiro e desde então ninguém sabe o que ele tem. Alguns médicos dizem que é uma infecção no ouvido, mas ninguém tem certeza, o cara não pode ser curado porque não sabem o que tratar. Rumores dizem que o Dr. Foreman acha que é câncer, o Taub acha que é uma doença auto-imune, o House acha que o Hansbrough está mentindo e todo mundo sabe que não é Lúpus.

Para vocês que estão afim de um jogão entre dois times quentes, anotem aí, dia 10 de abril tem Nets x Pacers, você ousa perder essa partidaça? Tá, confesso, não conseguir manter a cara séria enquanto escrevia isso.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

8 ou 80 - Jogos apertados

Alguns jogos decisivos fazem a diferença


Há umas duas semanas o Washington Wizards passou por uma situação bizarra: perdeu 6 jogos seguidos por 4 pontos ou menos, nos dois jogos anteriores tinha vencido um por 4 pontos de diferença e o outro por 2.

Foram 8 jogos decididos nos detalhes, no último minuto do último período, 10% de uma temporada decidida em uma bola que roda no aro e não cai, em uma ou outra jogada de sorte. Esse caso do Wizards foi uma aberração, mas é estranho pensar que se o Wizards tivesse vencido todos esses jogos que teve chance de vencer estaria em 6º no Leste e não com a sexta pior campanha da NBA. Se tivesse dividido esses 6 jogos em 3 vitórias e 3 derrotas, algo já mais realista, estaria em 7º e indo para os playoffs.

O caso extremo do Wizards chama a atenção para a questão da importância de saber decidir esses jogos apertados. Afinal de contas, eles acontecem com frequência? Ter um jogador decisivo faz tanta diferença assim? Algum time teria algum recorde muito diferente se resolvesse melhor os jogos decididos por 3 pontos ou menos?

Começando pelo começo: até agora foram disputados 444 jogos na temporada regular da NBA. Destes, 69 (ou 15%) foram decididos por 3 pontos ou menos e 23 foram para a prorrogação. Em compensação, mais de 50% dos jogos da temporada, 256, foram decididos por 10 pontos ou mais.

Dá pra tirar como primeira conclusão que decidir jogos apertados não faz milagre. Ter um bom finalizador, um cara com sangue frio, não vai fazer o seu time pular de último para primeiro lugar. A maioria dos jogos são decididos por mais de 10 pontos e, assim, vencido por quem jogou melhor desde o primeiro minuto. Lógico, mas sempre bom ressaltar.

Como temos apenas os dois primeiros meses de temporada até agora, fui olhar para os números da temporada passada para ver se existe um padrão. No ano passado, nos 1.230 jogos da temporada regular, apenas 70 partidas (cerca de 5%) foram para a prorrogação, enquanto 171 (13%) foram decididas por 3 pontos ou menos de diferença.

Os números são parecidos com a temporada atual e parecem ser uma tendência na NBA. Porém, olhando os números da temporada passada vi um caso que mostra como essa pequena diferença causada pelos jogos decididos por pouco podem acabar fazendo alguma importante diferença.

Em quarto lugar, com mando de quadra, portanto, se classificou o Portland Trail Blazers, com 54 vitórias. Uma a mais do que o seu adversário sem mando de quadra, o Rockets, quatro vitórias na frente do Mavs, cinco na frente do Hornets e seis na frente do oitavo colocado, o Jazz. O Blazers teve 10 jogos decididos por 3 pontos ou menos e venceu 9 deles! Se tivesse tido 50% de aproveitamento, o que é bem comum na maioria dos times, teria quatro vitórias a menos e poderia até ter se classificado em 6º lugar, perdendo mando de quadra e pegando um adversário muito mais forte, o Spurs.

O pior time da temporada passada em decidir jogos foi o Kings. Dono também da pior campanha do ano passado, decidiu 16 jogos por 3 pontos ou menos e perdeu 14! Mas mesmo se tivesse vencido todos essas 14 partidas que perdeu por pouco teria acabado a temporada com 31 vitórias e ficado mais de 10 vitórias longe da zona de playoff. Por curiosidade, nesse ano, com Tyreke Evans comandando o time no fim dos jogos, o Kings decididu 5 jogos por pouco, venceu três e perdeu dois.

Juntando tudo isso acho que fica claro que saber decidir os jogos é aquela pitada final que um time bom precisa para virar ótimo. Um time ruim ainda é um time ruim mesmo se sabe jogar bem os últimos minutos, mas dentro da elite dos times bons, uma ou duas vitórias a mais fazem toda a diferença do mundo e para eles vale ter alguém que resolva a parada em jogos disputados.

Nessa temporada o time que mais teve jogos decididos por 3 pontos ou menos foi o Milwuakee Bucks, com 10. Destes o time do Brandon Jennings venceu apenas dois, mas mesmo assim ainda está dentro da zona de playoff. Será o preço de ter um novato com a bola na mão na hora de decisão? Outro time que confia num novato pra isso está melhor, o Kings. Como dissemos antes, tiveram 2 vitórias e 14 derrotas em jogos apertados no ano passado e nesse ano estão com as mesmas 2 vitórias mas apenas 3 derrotas.

Dos times com menos jogos decididos por pouco, dois são dos que tomam lavadas e um é o que os aplica. O Atlanta Hawks, o time com a segunda maior margem de pontos de média nas vitórias (8,5), decidiu apenas dois jogos por pouco, venceu um e perdeu um, recorde igual ao do Toronto Raptors. Já o Golden State Warriors, que ganha de muito quando as bolas caem e perde de muito quando não caem, decidiu dois jogos por pouco e não venceu nenhum.

Entre os times com poucos jogos decididos por pouco está o Indiana Pacers, com apenas 4 (duas vitórias, duas derrotas), o que é bem diferente da temporada passada, quando foi o time que mais decidiu jogos por 3 pontos ou menos. Foram 9 vitórias e 12 derrotas, somando 21 jogos (25% dos seus jogos na temporada) em jogos apertadíssimos.

Em prorrogações o líder é o Dallas Mavericks, com 5, três vitórias e duas derrotas. Atrás estão Lakers e Bucks, cada um disputando 4 prorrogações até agora, incluindo uma entre as duas equipes. O Lakers venceu as quatro que disputou e o Bucks venceu apenas uma. Nuggets, Suns, Wolves, Magic, Heat e Nets ainda não jogaram nenhum tempo extra na temporada.

Abaixo a lista do desempenho de todos os times até agora em jogos decididos por 3 pontos ou menos. Os times estão listados na ordem de classificação e tem o número de vitórias, seguido pelo de derrotas.

Conferência Leste
Celtics 4-2
Cavs 1-2
Magic 1-2
Hawks 1-1
Heat 3-1
Raptors 1-1
Bucks 2-8
Bobcats 2-4
-------
Bulls 4-3
Pistons 2-1
Knicks 0-4
Wizards 2-6
Pacers 2-2
76ers 4-4
Nets 1-4

Conferência Oeste
Lakers 5-0
Mavericks 5-0
Nuggets 3-1
Blazers 2-1
Suns 3-2
Spurs 1-2
Rockets 2-3
Jazz 3-1
------------
Thunder 1-3
Hornets 3-1
Grizzlies 2-1
Kings 3-2
Clippers 4-1
Warriors 0-2
Wolves 2-4

É interessante perceber como quase todos os clichês tem algum fundamento. Os times mais experientes e com um bom finalizador, como Lakers, Celtics e Mavs, tem ótimos resultados em jogos disputados, ao contrário de times muito jovens como o Thunder, o Warriors e o Bucks.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Melhor sem estrelas

Danny Granger sofre os males de ser tão próximo de Murphy (e sua lei)


Na noite de sábado, mais um time ruim teve que tentar superar a má fase sem sua principal estrela. Nós sabemos que com o Nets não deu muito certo, já que sem o Devin Harris o time fede ainda mais e acabou batendo o recorde de pior começo de temporada em todos os tempos, com 18 derrotas seguidas. Mas para o Kings, sem Kevin Martin, tudo anda dando bastante certo. É aquela famosa "Síndrome de Gilbert Arenas", em que para compensar a falta de seu melhor jogador o time marca mais, distribui mais a bola e acaba se saindo melhor do que se estivesse completo. O Houston Rockets, sem Yao Ming e sem Tracy McGrady, está se dando muito bem, obrigado. Dizem que o T-Mac está em plenas condições físicas de voltar às quadras mas o time está dando uma de garota difícil e deixando ele de escanteio, com medo de que sua volta estrague tudo.

Mas o Indiana Pacers existe por cupa do Danny Granger, não dá pra imaginar esse time sem ele. Na temporada passada ele flertou com o posto de cestinha da temporada por uns tempos, nessa temporada está entre os 10 primeiros em pontos - e é disparado o jogador que mais arremessa de três na NBA. Todo o ataque do Pacers passa por ele, mas ele sequer seria reconhecido na rua porque ninguém poderia se importar menos com o time de Indiana desde que o Reggie Miller virou o pior comentarista esportivo do planeta e o Jermaine O'Neal levou seu joelho paraguaio para outro lugar. Além de ter um nome capaz de gerar um belo trocadilho ("Granny Danger", algo como a "Vovó Perigo"), o jogo do rapaz é espetacular. Tem um alcance e uma facilidade de arremesso que lembra o Kobe, uma explosão física que lembra LeBron, e um cérebro que lembra o Zach Randolph, o que gera um monstro bizarro que faria sucesso em muitos zoológicos mas não ganharia muitos campeonatos de xadrez por aí.

O Danny Granger pontua até de olhos fechados, mas na maior parte do tempo ele é obrigado a isso porque não resta muita gente na equipe capaz de atacar a cesta. A maior prova disso é que Dahntay Jones, que fez carreira como jogador defensivo desde que entrou na NBA e nunca teve mais do que 7 pontos por jogo de média, está marcando 15 pontos por jogo nesse Pacers. No Nuggets, o Dahntay Jones era aquele caso típico de jogador titular que entra só para defender a estrela adversária e sai rapidinho para deixar alguém que sabe jogar basquete entrar em quadra. Se ele pontua tanto no Pacers é porque não tem muita gente melhor pra fazer o trabalho, o que é desesperador. O ponto positivo é que ele já é um dos favoritos para o prêmio de jogador que mais evoluiu na temporada, o que pelo menos vai colocar alguém desse time no mapa (o próximo plano era convencer alguém do elenco a posar pelado para calendários de borracharia).

Depois de uma sequência de 9 derrotas seguidas, com o Danny Granger enfrentando dores nos joelhos e no calcanhar que estão torrando seu saco desde a pré-temporada, finalmente o corpo dele resolveu adotar a tática Chris Paul de "esse time fede então vou ver o filme do Pelé" e rompeu um tendão. Serão meses fora, deixando o Pacers - que já é um time semi-nu e numa sequência terrível de derrotas - completamente pelado. Mas o exemplo do Kings parece ficar cada vez mais e mais comum: sem o Granger, o time colocou mais responsa nas costas de Mike Dunleavy, que acaba de voltar de uma contusão que o tirou de todo o começo de temporada, e também do novato Tyler Hansbrough, que teve excelente pré-temporada, e o negócio deu certo. Primeiro chutaram cachorro morto, dando uma surrinha no Nets, algo que eu e o Denis faríamos acompanhados de outros três macacos adestrados de circo. Mas depois venceram o Wizards numa partida importantíssima: ou essa partida afirma que o Pacers tem chances de jogar em alto nível sem o Granger e continuar se segurando pelas beiradas sonhando com uma oitava vaga no Leste, ou então ela afirma que o Wizards não tem qualquer chance de porcaria nenhuma, fede pra burro, e deveria desmontar e começar de novo.

É que por tantos anos ouvimos sem parar que o Wizards só fede porque o trio principal da equipe nunca está saudável, nunca jogam juntos, ou nunca rendem juntos. No sábado, os três jogaram demais: Jamison praticamente não errou arremessos, inclusive várias bolas de três, e acabou com 31 pontos; Caron Butler defendeu muito bem e terminou com 23 pontos; e o Gilbert Arenas finalmente fez algo digno de nota desde que fechou seu blog, acabando o jogo com um triple-double de 22 pontos, 10 rebotes e 11 assistências. E se não fosse o bastante, o Boykins ainda jogou demais, principalmente no quarto período, e terminou o jogo com 14 pontos. Continua impressionante como sempre ver esse anão infiltrando no garrafão e jogando até de costas para cesta, empurrando seus marcadores para dentro e enfiando um par de arremessos giratórios em suas fuças. Só que mesmo com todas essas atuações de gala, o Wizards conseguiu perder uma partida ganha, graças ao Arenas errando seus dois lances livres com 6 segundos para o fim do jogo com seu time vencendo por 1 ponto, e depois com o Haywood cometendo uma falta no Dunleavy com 0.1 faltando no cronômetro. Ao contrário do Arenas, Dunleavy converteu os dois e aí está o Pacers sem Granger numa sequência de duas vitórias.

Que desculpas o Wizards pode dar agora? Talvez a pressão atmosférica, o alinhamento de Júpiter com Saturno, ou então a cotação do dólar. Jamison já disse que botar a culpa no esquema tático é besteira, que eles entenderam perfeitamente o sistema desde a pré-temporada e que o técnico Flip Saunders está fazendo um excelente trabalho. O técnico é bastante defensivo e o Wizards inteiro provou que sabe defender (ao menos quando está sem o Arenas) em várias ocasiões, então não tinha como ser falta de defesa. O que acontece com essa equipe é inexplicável, se não bastasse eles serem amaldiçoados com a cota de trocentas contusões anuais, ainda perdem jogos fáceis mesmo quando todo mundo faz sua parte.

Aliás, o Arenas precisa começar a reconsiderar sua fama de ser matador nos segundos finais dos jogos - ao menos na linha de lances livres. Todo mundo lembra que o Wizards perdeu aquela série de playoff para o Cavs quando o LeBron passou pelo Arenas, na linha de lance livre, e disse que se o Arenas errasse o jogo estaria perdido porque o LeBron acertaria uma cesta final. Dito e feito, o Arenas fedeu e o LeBron ganhou o jogo numa cesta alucinante. Agora, outro jogo vai pro ralo em situação semelhante, e isso porque o Arenas acerta 80% dos lances livres em sua carreira. Nervos de aço uma ova, ninguém nesse Wizards amaldiçoado tem cabeça para segurar a crise.

Enquanto isso, o Pacers ganhou algum ânimo passando justamente o Wizards na tabela. Estão encostadinhos na oitava vaga, e pegam o Magic na segunda-feira. Como acompanhar o Kings empolgado valeu tanto a pena, e como o meu Rockets sem estrelas é - juro - o time mais divertido de se ver jogar na temporada, prometo dar uma espiada no Pacers. O Mike Dunleavy, eterno "o próximo Larry Bird", finalmente mostrou que sabia jogar basquete na temporada passada, só não durou muito tempo saudável. Se ele está de volta agora, e vindo de sua melhor partida no ano, merece atenção. Já o Wizards perdeu as 4 últimas partidas e já está começando a passar vergonha - a sorte deles é que ainda existe o Sixers na Conferência Leste. Se não bastasse a equipe da Philadelphia estar com a pior sequência de derrotas atual, com 12, ainda estão passando uns vexames ridículos. O Iverson fez sua "via sacra" da vergonha, passando por todos os times que o acolheram em sequência (Nuggets e Pistons) e perdendo feio nas duas vezes. Aliás, perder feio é pouco, o que o Rodney Stuckey fez com ele foi pior do que isso:



Esse é um belo sinal de que o tempo passa, o tempo voa, e a Poupança Bamerindos vai à falência. O que o Iverson fez ao Jordan agora é feito com ele. E o que o Arenas tanto se orgulhou de fazer, ganhando jogos no finalzinho, agora é o que ele toma na cabeça. O Wizards não tem muitas chances apesar do elenco incrível, mas todas as noites eles podem colocar a cabeça no travesseiro e agradecer: "pelo menos não somos o Sixers. Pelo menos não somos o Sixers."

Se as coisas continuarem tão feias, talvez seja a hora de tentar uma tática ousada que parece estar dando certo por aí: ficar sem a estrela. Talvez se o Arenas se machucar de novo, ou se o Iguodala tirar umas férias, dê um pouco certo. Veremos, de perto, até quando o truque funciona pro Pacers.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Preview da Temporada - Divisão Central

Só as cachorra!

A temporada começa hoje, terça-feira, então a gente aqui do Bola Presa está correndo contra o tempo. Ficamos na preguiça, coçando o saco e pesquisando atrizes pornôs, e aí de repente a temporada já está para começar e não temos todos os previews terminados. Então fique de olho, que até a noite dessa terça, antes da temporada começar, todos os previews estarão aqui para você poder acompanhar direitinho a primeira rodada do nosso ópio favorito.

Como sempre, os times são listados na ordem em que achamos que acabarão a temporada dentro de cada divisão, começando com o primeiro colocado e terminando com o último. A temporada "filme pornô" descreve como seria a temporada sonho de qualquer adolescente com espinhas na cara, enquanto a temporada "drama mexicano" descreve como seria a temporada horrorosa que só tua tia solteirona que passa o dia vendo novela poderia imaginar. Vamos lá!

Divisão Central

Cleveland Cavaliers
Temporada Filme Pornô: O LeBron James continua evoluindo mais rápido do que Pokémon, mas dessa vez com um jogador de garrafão que pelo menos gosta de ficar no garrafão, que é Shaquille O'Neal. Shaq se beneficia do basquete lento de meia quadra da equipe, e nem se preocupa em correr nos contra-ataques porque o LeBron cuida da velocidade depois do Shaq dar uma força na defesa. Delonte West volta da sua depressão querendo punir o mundo por ser tão idiota, e para isso chuta traseiros nas quadras de basquete se tornando o arremessador de três pontos de que a equipe precisa. Com Anthony Parker e Jamario Moon, o Cavs faz um time profundo demais para os adversários, Ilgauskas agradece os minutos de descanso no banco para se tornar o melhor pivô reserva da NBA, Leon Powe e JJ Hickson reforçam o garrafão, o Cavs bate o recorde de maior número de vitórias da história da NBA e LeBron é consagrado como sendo melhor do que o Jordan, provando até que tem um pinto maior.

Temporada Drama Mexicano: O Shaq deixa o jogo do Cavs mais lento, atrapalha as infiltrações do LeBron e começa a passar mais tempo no banco de reservas com a desculpa de que é pra "poupar seu físico pros playoffs". Delonte West amanhece numa forca e o time depende do Anthony Parker, que não acerta nenhum arremesso - assim como o Jamario Moon, que nunca soube arremessar. Sem ninguém efetivo na linha de três pontos, o LeBron tem que lidar com tudo sozinho e ainda puxar a orelha do Mo Williams, que só não parece fominha quando as coisas estão dando certo, mas é um maluco quando as coisas estão dando errado. O mundo percebe que por baixo do cabelo do Varejão existe apenas um alienígena que não sabe jogar basquete muito bem e aí, por precisar contar demais com os reservas, o Cavs perde na semi-final do Leste num jogo de azar em que o LeBron vai ser chamado de fracassado e ridículo e vai ter que lamber cocô de cabra dos tênis do Jordan.


Chicago Bulls
Temporada Filme Pornô: Com o Derrick Rose comandando a suruba, o time vai melhorar um absurdo apenas por causa de sua maior experiência com a NBA. Ninguém vai perceber que o Ben Gordon foi embora porque finalmente o John Salmons vai receber a admiração que merece, fazendo um trabalho muito mais completo, ajudando na pontuação, na defesa e nos rebotes. E aí quando chegarem os momentos decisivos, o Jannero Pargo vai arremessar como um maluco, deixar todo torcedor puto da vida, mas no fim vai dar certo e o Ben Gordon não vai fazer falta nem pra fechar os jogos e nem pra deixar torcedor nervoso. Os novatos James Johnson e Taj Gibson vão manter o nível altíssimo que mostraram na pré-temporada, ajudando dos dois lados da quadra, e junto com o melhor armador reserva da NBA, Kirk Hinrich, vão criar um dos times mais profundos que a NBA já viu, e tudo sem uma estrela, com o Derrick Rose bem humilde e jogadores brigadores como Joaquim Noah e Tyrus Thomas apenas fazendo o trabalho sujo. Todo mundo vai dizer que eles são o novo Pistons e aí eles perdem nas semi-finais do Leste para o LeBron pra provar que todo mundo acertou.

Temporada Drama Mexicano: Sem nenhuma estrela e com o Derrick Rose incapaz de levar sozinho a carga ofensiva do time, o Bulls se arrepende amargamente de ter se livrado do Ben Gordon, que era o único cara que sabia pontuar na equipe. O time inteiro fica arremessando de três pontos sem critério e os pivôs Noah e Tyrus Thomas mostram o mesmo defeito que a equipe tem há uma década: não sabem fazer pontos no garrafão. Com isso o time vai apanhando, o Derrick Rose tem que brincar de Tony Parker e ficar penetrando no garrafão, até ser acertado pela nova encarnação do cotovelo do Mutombo (pode ser o cotovelo do Pops Mensah-Bonsu) e ficar fora pelo resto da temporada, quando então o time é eliminado sem esforço na primeira rodada dos playoffs.


Indiana Pacers
Temporada Filme Pornô: Trepa bonita, bem feita, com posições sensacionais, apetrechos, várias raças, tamanhos e diversões - mas tudo filmado numa câmera vagabunda no fundo do quintal, com o dono da casa fazendo churrasco no fundo e o barulho do vizinho ensinando matemática para a filha. Divertido, quase imperdível, mas não é todo mundo que tem saco de ver um filme caseiro desses que obviamente deu errado. No mundo ideal, o Danny Granger vai ser um espetáculo, o cestinha da NBA, vai ganhar vários jogos sozinho, ser All-Star e vender milhões de camisetas. O Troy Murphy vai manter suas memórias de como jogar basquete acertando trocentas bolas de três pontos enquanto ainda lidera a NBA em rebotes, Dunleavy mostra que é mesmo o novo Larry Bird que esperamos há anos, e o Roy Hibbert se firma como o melhor pivô do Leste atrás apenas de Dwight Howard. O TJ Ford enferniza os adversários, não faz muita merda, o time parece o Suns de antigamente e eles fazem 200 pontos por partida sem nem pensar em defender, e tudo dá tão certo que eles conseguem a última vaga pros playoffs. No sufoco.

Temporada Drama Mexicano: O TJ Ford não tem cérebro, ele é uma máquina de correr, infiltrar, fazer merda e não saber arremessar mas tentar mesmo assim. Ele enlouquece o elenco, que não tem nenhum reserva decente, e continua em quadra mesmo assim. O Troy Murphy tem seu talento roubado pelos Monstars do "Space Jam" de novo (quem tem memória sabe que ele já teve seu talento roubado uma vez, e só foi devolvido sem alarde na temporada passada), o Dunleavy mostra que pode ser um baita jogador mesmo mas continua contundido como aconteceu na temporada anterior, e o Roy Hibbert ganha o prêmio de melhor Greg Oden do ano não conseguindo passar 30 segundos em quadra sem cometer dez mil faltas e ser expulso do planeta. Aí o time começa a reconstruir de novo até que alguém lembre que eles podem montar times legais se não forem atrás só de monges budistas que alimentem os gatinhos e ajudem velhinhas a atravessar a rua (dá saudade do Stephen Jackson, não dá, Pacers?).


Detroit Pistons
Temporada Filme Pornô: Filme de sexo hardcore com uma loira gigante peituda, um anão de pinto enorme, um travesti com olho de vidro e um urso. Como diabos isso pode dar certo? Mas talvez dê. O Pistons tem gente demais para posições de menos, com Will Bynum e Rodney Stuckey para jogar de armador e marcar trocentos pontos, Richard Hamilton e Ben Gordon para a outra vaga na armação, Tayshaun Prince e sua versão feita na máquina de clones chamada Austin Daye na ala, e Villanueva, Wilcox, Maxiell, DaJuan Summers e até o Kwame para jogar no garrafão. Todo mundo tem talento, e se isso encaixar direitinho pode ser um time com muita profundidade, muitas opções, muitos pontuadores, e um banco de reservas enorme com muita gente nova e cheia de energia. Dá pra levar a pirralhada para os playoffs se um milagre acontecer, e aí todo mundo ganha experiência e passa de nível.

Temporada Drama Mexicano: Não dou nem 5 minutos para o anão acabar cegando o travesti quando o urso subir na perna da loira gigante. Esse Pistons é uma bagunça e não vai dar certo nem de longe, é uma droga. Will Bynum e Stuckey são jogadores muitíssimo parecidos e deixa eu te dizer uma coisa, nenhum deles é grandes merdas não. O Rip Hamilton não sabe o que está fazendo nesse bacanal, não sabe se fica, se é trocado, se é reserva, se é titular, se fode ou se sai da moita, enquanto o garrafão é uma coleção de jogadores que não deram certo e que não tem qualquer tipo de técnica, como Wilcox e o Kwame Brown, que eventualmente antes de 2050 vai deixar de receber a confiança de técnicos e torcedores malucos. O Villanueva sabe jogar mas só se basquete virar um esporte individual como tênis, então essa tentativa apressada de reconstruir o time vai apenas queimar um monte de pirralhos enquanto o Ben Gordon recebe minutos para arremessar como um débil mental e o Pistons vai parar lá perto do último lugar do Leste.


Milwaukee Bucks
Temporada Filme Pornô: Sabe vídeo pornô de 15 segundos que a gente baixa da internet em sites gratuitos? Lembra do tempo em que a internet era apenas uma grande coleção desses vídeos em que você tinha que se satisfazer bem rapidinho? O Bucks vai ser um time rápido, veloz, de correria, com a delícia do Brandon Jennings armando o jogo com seus passes espetaculares, o Michael Redd mostrando toda sua técnica e profundidade no jogo ofensivo, e a nova aquisição Hakim Warrick enterrando como um maluco e indo parar nas melhores jogadas da semana. Mas vai durar pouco, como pornô de 15 segundos. Não dá pra assistir time que só perde, o garrafão depende unicamente do Bogut, vai ter horas em que o basquete do Bucks vai ser uma porcaria, e na melhor das hipóteses eles não ficam em último.

Temporada Drama Mexicano: O Joe Alexander tinha tudo para enterrar até derrubar alguma tabela na temporada, mas já começa machucado e deve passar meses fora. O Bogut é um bom pivô, embora limitado, e deve se machucar na primeira semana porque ele não consegue ficar saudável. E todos os reservas são horríveis, tornando o Bucks um dos times mais divertidamente frágeis da NBA. São a empregadinha que apanha do patrão, apanha feio, e mantém um sorriso no rosto porque vai tentar uma boa escolha de draft ano que vem e dar minutos pro Jennings deixar o time famoso no Top 10 de vídeos da NBA. Nada mais.