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segunda-feira, 30 de março de 2009

Milagre, Arenas voltou!

Arenas machuca a mão ao cumprimentar companheiros


Finalmente o Gilbert Arenas voltou!!! Ufa, demorou mais que o Fenômeno para fazer sua estréia na temporada mas finalmente sábado, contra o Detroit Pistons, o Agent Zero fez seu primeiro jogo oficial desde os playoffs da temporada passada. E pode-se dizer que com sucesso: apesar do arremesso ainda descalibrado, foram 15 pontos e 10 assistências.



Como nos finais de semana eu tento deixar de ser um fracasso completo e ter uma vida social, não consegui ver o jogo inteiro, mas vi o suficiente para ver que ele está de volta. E, mais importante, está diferente.

A primeira mudança importante é que agora o Arenas é um blogueiro aposentado. Ele anunciou semana passada que não atualizará mais o seu blog, o que deixa o Bola Presa oficialmente na condição de blog mais sensacional sobre NBA em toda o universo conhecido.
Mas sério, para o Arenas foi um passo grande abdicar do blog. Foi com ele que ele saiu do status de "apenas" ótimo jogador para o de super estrela e foi com o blog que ele conseguiu milhões de fãs que antes nem assistiam jogos do Washington mas que acabaram se divertindo com os causos e opiniões. Além disso, foi por lá que ele conseguiu não ser esquecido mesmo passando duas temporadas inteiras praticamente sem jogar.

Mas apesar de toda essa importância do blog pra ele, acho que foi importante ele ter desistido. Chegou um ponto na carreira dele que o blog estava mais dando trabalho do que rendendo bons frutos. Cada vez era mais comum ele ter que gastar muito espaço de um post novo só justificando o que ele tinha dito no post anterior e que tinha causado polêmica. Coisas divertidas como as provocações contra o Portland (quando ele jurou fazer 50 pontos), contra o Richard Jefferson (que ele tirou sarro por ir jogar na chata cidade de Milwaukee) ou mesmo seu desabafo quando foi cortado da seleção americana. Tudo o que era o máximo para nós leitores era cada vez mais dor de cabeça para o Arenas. Nas palavras dele mesmo:

"No começo era legal, mas depois virou uma faca de dois gumes. Suas palavras podem ser usadas contra você."

Com a fama que ele criou logo apareceram os caras odiando ele, claro. Ninguém odeia o Antoine Wright ou o Pops Mensah-Bonsu, as pessoas preferem odiar o Kobe, o LeBron e o Arenas, por algum motivo acham que isso faz sentido. Então a cada derrota do Wizards, a cada jogo ruim do Arenas e a cada mês machucado, já vinham dizendo que era para ele blogar menos e jogar mais. Como se tirar umas horinhas por semana pra escrever fosse o que deixasse o seu joelho pior ou a defesa do Wizards mais furada.

Por isso, por um lado a aposentadoria bloguística do Arenas é uma derrota do bom humor para os críticos esportivos chatos. A pressão de implicarem com tudo o que ele fala certamente deve ter ajudado o Arenas na hora de tomar a decisão de não escrever mais. Invariavelmente os blogs acabam porque as críticas são tão pesadas que tiram a diversão de blogar (que tem que ser divertido, afinal em 99% não é remunerado) ou porque não têm visitas e caem no esquecimento, o que não era o caso do Arenas. Em alguns casos, quando o blog é mais velho, ele também acaba porque o cara cansou de escrever tanto, mas o Arenas sempre disse gostar de postar, então essa não cola.

Mas já por outro lado a aposentadoria bloguística do Arenas foi uma boa jogada para ele. Depois de dois anos parado com uma contusão e em um time que é o pior da NBA, tudo o que ele não precisa é de mais pressão e de holofotes em cima dele. E o blog estava sendo isso, um holofote do tamanho do Glen Davis. No momento ele só precisa de preparo físico, de ritmo de jogo, precisa pegar confiança no joelho, em bater pra dentro e no arremesso, quase nada. Então, mais inteligente é se esconder num canto e usar esse último mês de temporada e a offseason para poder voltar com tudo na temporada que vem.

No começo do texto disse que o Arenas estava um jogador diferente, primeiro porque não é mais um jogador-blogueiro, e a segunda coisa que pareceu diferente no jogo de ontem é que agora ele está parecendo (baseado em um jogo ainda, eu sei) um armador de verdade.

Na partida de ontem ele foi um cara que tomou mais conta do jogo, não forçou tanto a barra em busca de arremessos e procurou os companheiros para o passe, por isso as 10 assistências. O que me lembrou um post do Arenas no blog dele em que ele diz que, se quisesse, poderia dar 10 assistências por jogo, que era algo bem fácil, mas que ele não dava porque não era a característica dele.

Segundo o Arenas, e na época eu concordei, pra quê pedir pro Kobe dar 10 assistências por jogo se o negócio dele é marcar pontos? Ou para quê exigir um arremesso de Ben Wallace se o negócio dele é defender? O negócio do Arenas é marcar pontos e é assim que ele iria jogar.

Como criador da ONG "Pintores pintam, arremessadores arremessam" que defende arremessadores chamados de fominhas mundo afora, como Ben Gordon, Sasha Vujacic e Marcelinho Machado, eu tive que concordar. Cada jogador faz o que sabe e o técnico que seja bom o bastante para encaixar essas peças em um time que funcione.

Acontece que o Arenas fazia o quê? Pontos usando sua velocidade de infiltração e arremessos com o espaço que ele tinha por causa de seu drible. Agora com o joelho zoado, cadê essa velocidade e esse drible? Será que vão voltar?

O Amar'e e o Nenê são bons exemplos de jogadores que voltaram bem depois de contusões sérias, o Grant Hill já é um exemplo da maioria que nunca mais volta a ser a mesma coisa. Considerando que o Arenas dificilmente voltará a ter a mesma explosão física de antes, já que sua sequência de contusões lembra mais o caso do Hill, talvez fosse a hora dele aproveitar que acha fácil dar 10 assistências por jogo e virar o armador-organizador de que o Wizards tanto precisa.

Com a pior campanha na temporada regular, o time da capital americana tem sérias chances de ficar com a primeira escolha do draft e levar o espetacular Blake Griffin pra casa. Com um garrafão com o Griffin de ala de força e Brendan Haywood voltando de contusão como pivô, o Wizards terá um forte garrafão (que ainda terá o promissor JaValle McGee no banco) e poderá usar o Jamison na posição 3, com o Butler na dupla de armação com o Arenas. É, no papel, um time que pode fazer estrago no Leste.

O Arenas foi diferente ontem, foi esse armador puro que eu acho ser aquilo de que o Wizards mais precisa, mas não sei se ele planeja continuar assim. Vamos saber assistindo aos jogos dele, não lendo seu blog.


Seleção Brasileira (do outro esporte)

Vocês viram a meleca que foi o jogo da seleção brasileira contra o Equador ontem? Irgh! Que time asqueroso. Eu não só convocaria melhor que o Dunga como eu já convoquei.

O Blog A Marca da Cal, do nosso leitor Kei, pediu para que eu convocasse minha seleção brasileira de futebol com seus 23 jogadores e eu fiz o difícil serviço. Complicado escolher o reserva de lateral-esquerda, complicado também chamar o Ronaldinho Gaúcho por falta de bons meias mas acho que montei um bom meio-campo com Lucas, Hernanes, Ramires e Kaká. E aí, o que você acha? Veja a minha seleção e me xingue no blog de lá e aqui também.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Traduzindo o Agente Zero

Como nosso leitor Vítor Sampaio pediu umas traduções das histórias do blog do Gilbert Arenas para quem não entende gringuês, resolvi (inspirado pelo comentário de outro Vitor, que me lembrou dessa história) traduzir um trecho de um post do mês passado, no blog antigo do Arenas.

Mais uma vez, fica só entre nós. O Arenas é bem-humorado e tudo mas não quero tomar uma sova. Lembrem-se: pirataria é crime, não assaltem outros navios.


Se o Arenas ficou bravo quando o Baron Davis roubou sua barba,
imagina o que ele vai fazer quando souber que peguei seu texto


Com vocês, Gilbert Arenas:

"Isso me lembra uma história.
É uma história pra se sentir bem, mais ou menos. Eu tinha um amigo no colegial chamado Eddie. Nós o chamávamos de "Asa de Galinha" porque ele era mais magro do que o Tayshaun Prince quando ele entrou na NBA.

Nós éramos em cinco e tínhamos nosso próprio timinho aos 14 anos. Bem, Eddie costumava dizer sempre que ele conseguia enterrar. Toda vez que a gente aparecia no parque e ele já estava lá ele dizia "Ei gente, eu enterrei hoje! Eu enterrei hoje!" E nós ficávamos todos "éeee, claaaaaro."

Isso continuou acontecendo por anos. Começou quando tínhamos 14 anos mas então fomos pro primeiro colegial, segundo, terceiro e em nenhum desses anos ele conseguia enterrar a bola.

Então quando eu fui para a faculdade, no verão antes de eu começar, recebi um telefonema. Meu amigo estava na linha e disse, "Ei, o Eddie falaceu." E eu disse, "O quê?! O que aconteceu?"

E ele começou a gargalhar.

Então eu perguntei, "Do quê diabos você está rindo?"

Ele falou, "É engraçado, mas não é engraçado."

"OK, dá pra você explicar porque diabos você tá rindo?!"

E ele, "Bem, nós estávamos jogando cinco contra cinco."

"Sei."

"E o Eddie subiu e enterrou e ficou tão contente que teve um colapso."

E quer saber de uma coisa? Eu esqueci completamente dele ter morrido e disse, "O Eddie enterrou?! Você tem que estar brincando. Ele realmente enterrou?!"

Eles disseram que ele realmente enterrou e que ficou tão feliz de finalmente ter enterrado na frente dos seus amigos que acabou falacendo. Ele morreu ali mesmo na quadra em que nós crescemos.

Pra um garoto que joga basquete, se eu tivesse que falecer, essa seria a maneira que eu gostaria de falecer - tipo se eu tivesse ganhado um campeonato e estivesse tão feliz que eu faleceria lá mesmo.

Essa é uma memória com a qual eu sempre posso conviver.

Ele não faleceu com um tiro ou com isso ou com aquilo. Ele faleceu fazendo algo que ele amava. Não foi uma história que me fez sentir mal quando eu ouvi pela primeira vez. Eu estava tão empolgado que ele finalmente tinha provado que estávamos errados e ele enterrou, e ele estava tão feliz de ter provado que estávamos errados e ele enterrou que ele faleceu por isso.

Seu jogador favorito era o Allen Iverson então nós enterramos ele com uma camiseta do Allen Iverson e eu ia até mesmo usar o número 3 quando fui pra faculdade, mas o número já estava sendo usado e eu tive que ir com o zero."

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Arenas retardado

Arenas faz um strip e mostra seu físico de jogador-de-videogame


Quem acha que o mundo de Gilbert Arenas se resume a blogar, jogar Halo (ele é um dos melhores do mundo na Xbox Live), NBA Live 08 (em que ele está na capa mas o jogo fede mesmo assim) e enfrentar novatos em partidas de paintball está bastante enganado. O sujeito é completamente maluco por treinos e perfomances em um nível tal que, às vezes, acaba mais se prejudicando do que ajudando.

Arenas estava tão preocupado com a contusão que, viciado que é nos pesos e bicicleta, acabou forçando demais o joelho. Não entendo patavinas de medicina, joelhos e nem de cinema iraniano, mas mesmo assim estava achando óbvio que algo estava errado com o ritmo em que o Arenas estava sendo obrigado a ter o joelho drenado. (não importa quão leigo eu seja, uma agulha tirando líquido do seu joelho o tempo todo não tem como ser bom sinal!) Jason Kidd percebeu o problema e pediu pessoalmente que Arenas conseguisse uma segunda opinião no joelho. Como esse novo exame não deu em nada, o Agente Zero se sentiu seguro para voltar ao mundo das grandes apresentações. Teve duas partidas em alto nível, alegadamente forçando o joelho, e então a dor voltou. Resultado: menisco rompido, carburador queimado ou seja lá o que for, essas coisas que não deixam o cara funcionar direito e que a gente não entende, tudo por excesso de esforço. Agora são 3 meses fora e os médicos obrigaram ele a não treinar o joelho até lá. Tá legal, é melhor algemarem ele na cama, então.

Descansar o joelho é algo que não passou pela cabeça de Arenas na primeira contusão. Ele pode até ter bastante tempo livre, mas apenas nos intervalos de seus 3 treinos diários, algo que o joelho não aguentou.

Para se ter idéia do grau de loucura do Arenas com relação aos treinos, ele decidiu após a primeira cirurgia no joelho que, para voltar à forma, converteria 100.000 arremessos em 73 dias. Segundo suas contas, ele estava com 69.7% de aproveitamento da linha de 3 e com 79.3% da linha de 3 universitária. Em menos de 30 dias teve que interromper o plano com apenas 50.000 arremessos convertidos porque o excesso de arremessos estava lhe causando tendinite. Eu tenho tendinite de passar tempo demais no computador clicando em boxscore e brigando com o SopCast, eu sou um retardado vagabundo. O Agente Zero é só retardado.

Outro fato surreal é que o Gilbert Arenas tem em seu porão uma tenda hiperbárica (?!) que simula a altitude do Colorado. Ele dorme lá de vez em quando para se acostumar com a altitude e melhorar seu condicionamente e seu fôlego. Que tal uma dessas para acostumar nossos jogadores de futebol a jogar na altitude da Bolívia, por exemplo? Aposto que o sonho do Arenas é uma tenda que aumente a gravidade, tipo Dragon Ball Z, e ele pode até conseguir. Ele tem o dinheiro e a débil mentalzisse necessária para isso.

Lembro-me que o próprio Arenas admitiu que a primeira coisa que fez quando seu companheiro Caron Butler veio para Washington na troca do Kwame Brown foi perguntar para ele como é que o Kobe e o Dwyane Wade treinavam, já que ele havia jogado tanto no Heat quanto no Lakers. "O que eles fazem de especial? Como eles ficaram assim?" (aliás, ao ver os 39 pontos do Butler ontem, como os fãs do Lakers se sentem em ter o Kwame e suas mãos de criança de 3 anos?)

Na temporada seguinte, Arenas contratou um cara do exército para treiná-lo todos os dias. O Agente Zero disse que queria acabar com o maldito que quase o matava com tantos exercícios, mas que valeu a pena. Rá, eu não ia durar nem no Tiro de Guerra...

E você aí, jogador frustrado, se perguntando por que diabos não conseguiu chegar na NBA. "Oras, eu sou como o Arenas: tenho uma boca grande, sou engraçado, tenho um blog, jogo videogame, fiz exército e tenho um joelho bichado!" Ah, mas você já converteu 50.000 arremessos na sua vida INTEIRA? Que tal em 30 dias? Tá, foi o que eu pensei.

Enquanto o Assassino do Leste fica de fora, o Wizards vai quebrando um galho com o Antonio Daniels de titular e reserva nenhum na armação (sem contar reserva nenhum de pivô, claro). O time de Washington perdeu as 5 primeiras partidas que disputou na temporada mas, desde então, ganhou 6 jogos seguidos. Desses 6, apenas 3 jogos tinham Arenas em quadra: duas atuações de alto nível (contra Wolves e Pacers) e uma mais ou menos (contra o Hawks). Sem o Gilbert jogando, o Wizards já ganhou do Blazers, do Sixers e do Bobcats ontem na prorrogação. Tá bom que esses times são um bando de pé-rapado, mas quando você começa a vencer sem sua maior estrela, é hora de começar a repensar as coisas. É como o Blazers, na temporada passada, que só ganhava quando o Randolph machucava, apesar das médias de 20 pontos e 10 rebotes dele. Agora, veja só, o Randolph mantém as suas médias mas seu Knicks só perde. Isso significa algo, não?

Em todo caso, torço para o Wizards aguentar sem o Arenas e torço para o time melhorar ainda mais quando o Arenas voltar. Eles têm que ir para os playoffs de qualquer jeito: Cavs e Wizards na pós-temporada já virou um clássico moderno do Leste.

Para terminar, deixo com vocês um trechinho traduzido do blog do Arenas de outubro do ano passado. Pretendo fazer mais isso, mas vocês têm que me prometer que não vão dizer nada para ninguém. Não quero nenhum advogado da NBA batendo na minha porta dizendo que tradução é violação de direitos autorais. É só ninguém me dedar que, quando perguntarem pra mim, vou dizer que já estava assim quando eu cheguei!

"Não sei o que estava pensando quando comprei um quebra-cabeças de 18.000 peças. A mulher me disse que eu levaria 4 anos para montar inteiro, eu fiquei tipo "rá, tá bom, eu posso montar em uns dois meses". Acho que não encontrei duas peças que tenham se encaixado ainda."