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domingo, 11 de abril de 2010

Tradução - Pegadinha do Mallandro

Depois de longo e tenebroso inverno voltamos a traduzir uma matéria gringa. Achei esse texto do Chris Tomasson no site NBA FanHouse e achei um tema bem divertido para esse domingo. Na matéria o jornalista trata de algumas brincadeiras ou pegadinhas que aconteceram nos últimos anos na NBA. Essas pegadinhas são típicas entre veteranos e novatos e rendem algumas boas histórias.


Não é nada muito profundo, o texto tem um formato meio careta e poderia fluir um pouco mais ao invés de cair no vício do excesso de pontos finais, mas é uma boa leitura para conhecer um pouco mais do mundo dos vestiários da NBA. O texto original pode ser lido aqui e já aviso que a tradução foi um pouco livre, já que não sou nenhum tradutor profissa (embora seja melhor que o tradutor do Google!).
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Pegadinha bem verdadeira com o torcedor do Warriors

Podem chamar o Devean George de um professor de pegadinhas. O jogador, com 11 anos de NBA, conheceu o lado ruim dessa área quando era um novato antes de sair distribuindo as suas próprias ao longo de sua carreira. O ala do Golden State Warriors já viu muita coisa até hoje, mas mesmo assim ficou surpreso quando descobriu a brincadeira que fizeram com o Kenyon Martin no Denver Nuggets no último 1º de abril. Ele não é só um dos jogadores com menos senso de humor na NBA como é também um veterano, tem 10 anos de liga.

"Ele é um veterano", disse George ao comentar a brincadeira em que o JR Smith encheu o carro do K-Mart com pipoca cheia de manteiga. "Você não faz essas brincadeiras com veteranos, isso é pegadinha pra novato. Por que eles estão fazendo isso com um veterano? Se eles tiverem problemas no vestiário é melhor não fazer isso".

E não acabou muito bem. Depois de ver o que haviam feito com ele, Martin correu em direção ao vestiário no jogo contra o Portland e exigiu saber quem tinha pego as chaves do seu carro para fazer isso. "Eu juro por Deus, cara, quando eu descobrir quem fez isso eu vou pegar esse cara". Martin disse quando entrou no vestiário, como está gravado nesse áudio postado pelo site TMZ. "Eu vou pegar quem fez isso, acreditem. É pessoal".

Coloquem essa brincadeira na categoria das pegadinhas que não serão lembradas pelo time nas conversas de vestiário, mas tudo bem, tem muitas outras feitas na história da NBA, a maioria contra novatos e algumas delas se tornaram lendárias.

Uma que ficou famosa foi no Lakers da década passada com Devean George. Quando ele era um novato em 99-2000, o Lakers foi jogar uma partida de pré-temporada em Little Rock, Arkansas. Depois do aquecimento o pivô Shaquille O'Neal e outros companheiros de time atacaram.

"Shaq, Glen Rice, John Salley e Ron Harper, todos esses caras me colaram no chão com uma fita adesiva e me deixaram lá. Eu não conseguia levantar, eles me colaram pra valer", contou George. Os jogadores saíram e, depois de 15 minutos, finalmente, um funcionário do ginásio achou George e cortou as fitas. E o Lakers devia ter um bom estoque de fitas adesivas, porque ainda tinha mais para George. "Nós o prendemos com fita em um daqueles carrinhos de hotel em Sacramento e o empurramos do Hall para o elevador e o mandamos até o Lobby", contou Rick Fox, então ala do Lakers.

Já em 2004-05 George era um veterano de seis anos com o Lakers. Era hora dele estar do outro lado das brincadeiras. O Lakers, naquela temporada, tinha um desconhecido novato chamado Tony Bobbitt. Em um jogo da pré-temporada, a atriz Lucy Liu estava sentada na primeira fileira do STAPLES Center e Bobbitt disse para seus companheiros de time que conhecia Liu e que ela estava olhando pra ele.

Alguns jogadores do Lakers, liderados por Vlade Divac e George, sabiam que Bobbitt estava mentindo, então entraram em ação. Chamaram um daqueles garotos que cuidam das bolas no ginásio e pediram para ele levar para Bobbitt um número de telefone dizendo que tinha sido enviado por Lucy Liu, quando na verdade era o número do celular de Divac. Uma funcionária do Lakers foi a encarregada de gravar a voz na secretária eletrônica do celular do pivô sérvio para sustentar a piada.

Não demorou para Bobbitt começar a deixar mensagens de voz e texto para Liu. Os jogadores do Lakers morriam de rir ao tentar ler as tentativas de poesia do Bobbitt, e respondiam como se fossem a atriz. "O time inteiro ficou envolvido", disse George. "Ele disse que tinha saído com ela e a gente sabia que era tudo mentira porque o celular era o do Divac". Logo os veteranos estavam próximos do clímax da brincadeira: Mandaram uma limosine para levar Bobbitt a um restaurante, fazendo pensar que Lucy Liu havia mandado o carro para eles se encontrarem.

Câmeras escondidas gravavam tudo. Quando Bobbitt estava na mesa com uma garrafa de champagne esperando por sua garota dos sonhos os seus companheiros de time apareceram.
"Nós aparecemos do nada e ele disse 'Ela está vindo'. E mandamos ele parar de mentir!". "Começou como uma brincadeira pequena mas foi crescendo e durou umas três ou quatro semanas, e ainda gravamos tudo em DVD. Quando caras de outros times vinham para Los Angeles eles apareciam perguntando 'Você tem um daqueles DVDs?' A gente chamou o vídeo de "Bobbitt Gone Wild"."

Esse é o único motivo para que alguém no Lakers lembre de Bobbitt. Ele foi dispensado em novembro de 2004 depois de apenas duas partidas com a equipe.

Quando isso aconteceu Shaq não estava mais no Lakers, havia sido trocado para o Heat, mas não há dúvidas de que ele ficou orgulhoso de continuar a tradição das brincadeiras no Lakers, onde ele era o líder das piadas. E depois de 3 anos e meio em Miami, Shaq levou suas pegadinhas para Phoenix e lá encontrou o ala Louis Amundson.

Amundson já estava no seu terceiro ano, oficialmente, mas com apenas 27 partidas jogadas nos seus primeiros dois anos, era praticamente um novato, uma vítima perfeita. O ala vivia na rua do US Airways Arena, o ginásio do Suns, e ia quase sempre de bicicleta para os treinos, o que chamou a atenção de O'Neal. "Ele pegava minha bicicleta todo dia e escondia. Virou uma brincadeira rotineira, ele deve ter feito isso umas 50 ou 60 vezes! Os seguranças às vezes me ajudavam a dizer que a bicicleta estava escondida e pendurada na parte de cima do ginásio.", disse o quase novato.

Louis Amundson queria uma vingança, mas o que fazer? "Eu queria fazer algo que não fizesse ele querer me matar. Pensei em colocar um leão da montanha (animal que também chamado de onça parda no Brasil) no carro dele, mas achei que não ia acabar bem".

Então ele teve uma idéia. Foi até uma agência dos Correios e pegou duas caixas gigantescas daqueles pequenos isopores usados para proteger produtos transportados em caixas. Então pegou a chave do carro de O'Neal no seu armário e colocou sua encomenda dentro do carro do Shaq, que ficou entupido de isopor até o topo. Por sorte uma equipe estava filmando o Shaq naquele dia para um reality show então sua reação pode ser vista no vídeo abaixo:



"Ele pareceu bastante surpreso", disse Amundson. "Mas ele brinca com as pessoas e sabe reconhecer uma boa brincadeira, ficou lá apenas tirando sarro com a equipe. Mas eu sabia que ia ter volta, quem faz brincadeira não gosta quando é a vítima." No dia seguinte de treino Shaq segurou o cabeludo Amundson e tentou cortar o seu rabo de cavalo. Louis disse que teve sorte de que o técnico Alvin Gentry o salvou! Esse vídeo mostra bem o temor que o Amundson viveu nesse dia, sabendo que viria uma resposta.

O duelo do Suns não foi a única brincadeira grande da última temporada. O então novato do Kings Jason Thompson foi vítima de uma pegadinha parecida, mas com pipocas, como aconteceu com Kenyon Martin.

Essa brincadeira da pipoca no carro começou no Grizzlies na temporada 2003-04, quando Danthay Jones não cumpriu sua obrigação de novato de levar Donuts para o resto do time e pagou por isso. "Eles encheram o meu Range Rover de pipoca, foi até o teto solar", contou Jones sobre a brincadeira feita por seus companheiros de time James Posey, Jason Williams, Lorenzen Wright e Bonzi Wells. "Eu saí do treino, abri a porta e não parava de cair pipoca para fora do carro. Não pude fazer nada senão rir".

Dantahy Jones riu apesar dos 150 dólares que teve que pagar para limpar o carro, e nem isso foi o bastante "O carro cheirou pipoca por um mês. Você ligava a ventilação e pedaços de milho voavam". No Kings a situação foi parecida. O novato Jason Thompson falhou na sua missão de entregar bagels para os veteranos. Pagou com pipoca.



"Foi uma surpresa", contou Thompson. "Os bagels estavam lá, eu apenas não fui entregá-los na mão deles, deixei uma secretária para levar por mim e os veteranos não gostaram dessa atitude. Quando eu saí achei que tinha apenas creme de barbear por fora do carro, mas olhei dentro e tinha muita pipoca!".

"E ainda estava no YouTube e teve um milhão de acessos! Mas agora posso rir daquilo tudo, na hora eu não achei graça mas depois de algumas semanas já tinha achado tudo aquilo engraçado".

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O jogo que significa tudo para mim

Kobe fez bico e acabou levando o prêmio de MVP para casa


Como o Denis anunciou, postaremos hoje uma homenagem ao ganhador de lavada do prêmio de MVP, Kobe Bryant. Trata-se de um texto escrito pelo próprio Kobe Bryant para a revista Dime há dois anos atrás, e que parece mostrar aspectos do tão amado e odiado Kobe que pouca gente conhece - e que com certeza acabaram levando-o a ganhar o prêmio de MVP num time que tem tudo pra (quem diria) levar o Oeste.

Essa é mais uma das minhas traduções que mantém o selo "Isiah Thomas" de qualidade, ou seja, embora algumas pessoas possam até gostar, encorajo sempre a leitura do original, especialmente pra quem assistiu tanto Friends e NBA na internet que até já manja dessa língua esquisita. Se as transmissões do Houston pelas TVs chinesas continuarem, por exemplo, muito em breve vou acabar traduzindo uns textos do chinês também, com o selo "Kwame Brown" de qualidade. Agora, com vocês, o MVP dessa temporada na língua de Camões.

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por Kobe Bryant

"Meu maior medo é não ganhar outro título. Mas medo é uma grande motivação. Eu estou determinado a levar esta organização de volta ao topo. As pessoas que antes me celebravam são as mesmas pessoas que agora duvidam de mim. Eles dizem que agora que não tenho Shaq não posso mais ganhar, que está tudo acabado. A única coisa com a qual verdadeiramente me preocupo é que minha energia e minha força de vontade às vezes são demais para meus parceiros de equipe lidarem. Será que eu espero demais deles? Como posso elevá-los a jogar com a mesma paixão que eu todas as noites?

O que me ajuda a entender e lidar com isso é o fato de que eu já estive na pele deles. Eu já joguei um papel de coadjuvante nesse time. Naquela época eu sabia quanta pressão Shaquille tinha nos ombros para ganhar um anel e eu também sabia que podia ajudar. Então eu estudei o jogo ofensivamente e especialmente defensivamente porque eu sabia que se eu pudesse incomodar no perímetro com ele fechando o garrafão, isso iria desmoralizar nossos oponentes mais do que qualquer coisa que pudéssemos fazer ofensivamente. Eu também sabia que os times em que ele havia jogado no passado não tinham alguém para fechar os jogos. Ninguém podia tomar conta do jogo no final ou acertar o arremesso da vitória ou fazer os lances livres cruciais. Aquelas eram as fraquezas de Shaq, então eu tive que melhorar e torná-las meus pontos fortes. Eu sabia que poderia trazer muito mais para a batalha, mas aquilo não era meu papel. Eu era um pontuador que se tornou um facilitador para que pudéssemos vencer. Mas agora eu me preocupo porque sei como foi difícil para mim aprender, quantas noites eu passei sem dormir e quantas críticas e rumores de troca eu tive que suportar antes de dominar meu papel. Isso é provavelmente pelo que meus parceiros de equipe estão tendo que passar. Tudo que posso fazer é rezar para que um dia nós alcancemos o mesmo nível de química e entendimento que existia entre eu, Shaq, Rick Fox, Derek Fisher, Hobert Horry e todos os outros jogadores com os quais já fui para a guerra.

Os medos que tenho são amenizados um pouco pela presença de Phil Jackson. Sem delongas: ele é o melhor técnico para o qual já joguei. Tudo que aprendi sobre o jogo pode ser rastrado vindo dele e de Tex Winter. Eles ensinam o jogo num nível tão mais profundo do que apenas a tática. O jogo é um ritmo, uma dança. Phil e Tex me ensinaram a sentir o jogo. Pensar o jogo sem pensar, vê-lo sem ver. Eles me ensinaram como me preparar. Como conceituar o espírito dos meus oponentes e atacá-los onde são fracos. Eu vi o quanto PJ fica preparado antes dos jogos, e como o líder dentro de quadra ele confia em mim para fazer o mesmo. Então eu faço todas as coisas que ele me ensinou antes do tapinha inicial e assim que a bola está no ar minha mente está tranquila e meu corpo está pronto para jogar. Eu encaro o outro time nos dois lados da quadra. Eu me orgulho em ser capaz de fazer isso. Eu ODEIO quando pontuam em cima de mim, até mesmo quando se trata de jogadores que alguns dizem ser "indenfensáveis". Eu não acredito quando dizem "Oh, aquele jogador está simplesmente quente hoje." Foda-se isso! Apague o traseiro dele, então.

Quando jogamos fora de casa e toda a torcida está me vaiando, isso não me incomoda em nada. O que eu penso é simples: "Quando esses fãs saírem do jogo eu quero que se lembrem do quanto eu lutei e da paixão e da energia com as quais joguei." Eu sempre joguei esse jogo com paixão. E eu sempre trabalhei duro. Quando eu assisti o filme Rudy eu lembro de ter pensado, "e se eu trabalhasse tão duro assim?" Deus me abençôou tanto física quanto intelectualmente para jogar esse jogo, então o que aconteceria se eu me esforçasse tanto quanto o personagem naquele filme? Eu amaria que as pessoas pensassem em mim como um cara talentoso que conseguiu mais do que sua capacidade permitia. Mesmo que aqueles fãs possam gritar "o Kobe fede" quando eles saem do ginásio, eu quero que eles saiam de lá com uma sensação diferente de quando entraram. Quando eles saírem, sairão com o entendimento de que acabaram de presenciar um jogador se doar completamente à sua paixão; eles acabaram de assistir um atleta sangrar cada gota de seu coração e de sua alma na quadra. E, com sorte, quando essa fase da minha vida estiver encerrada, eles irão me respeitar e me apreciar pelos anos que gastei dando tudo de mim ao jogo que significa tudo para mim."

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Torne-se lendário

Numa de nossas recentes coberturas ao vivo da série Suns e Spurs, eu e vários leitores aqui do Bola Presa nos deparamos pela primeira vez, através da transmissão americana, com um comercial de uma nova campanha televisiva dos tênis de Michael Jordan. Prometi que iria encontrar a propaganda e colocá-la aqui, acompanhada de mais uma de minhas questionáveis traduções.

Estou aqui para cumprir a promessa. Mas, para minha surpresa, a campanha é composta por quatro propagandas diferentes. Uma mais impressionante do que a outra, aliás. O que mais me fascinou a respeito dessa campanha ("Become Legendary", ou "Torne-se lendário") foi como ela incentiva a descoberta da identidade própria de cada um, não apenas de jogadores, mas de todos os indivíduos. Já bati bastante nessa tecla aqui no Bola Presa: eu fico terrivelmente incomodado em ver como jovens jogadores, novos talentos, são obrigados a perder suas identidades e estilos de jogo porque são exigidos a jogar - seja pelos técnicos, seja por comparações de torcedores ou da mídia - como grandes estrelas do passado. Trata-se de uma eterna busca pelo "vamos ver de novo" ao invés do "vamos ver o novo". Já escrevi aqui sobre como as comparações com o Jordan mudaram de fato o estilo de LeBron James, e postei recentemente sobre como deveríamos aproveitar a chance de ver LeBron jogar ao invés de compará-lo com outros astros. Pois essa campanha do Jordan parece falar justamente sobre isso, motivando cada um a ser único. Pra mim é um apelo, implícito, para que um dia as comparações terminem e possamos degustar a diferença, o novo, o original.

Acho que os comerciais falarão melhor por si mesmos. Para aqueles que em inglês só entendem "Big Mac" e "MVP", deixo aqui minha tradução, mas sempre reiterando que ela tem uma pitada de livre e outra pitada de meia-boca. A gente faz o que pode, né? Abaixo de cada vídeo, portanto, encontra-se sua devida tradução.

Com vocês, Michael Jordan.



"Isso não é sobre os tênis. É sobre saber para onde você vai, sem se esquecer de onde você veio. É sobre ter coragem para falhar. Não quebrar quando você está quebrado. Pegar tudo que lhe foi dado e tornar algo melhor. É sobre trabalho antes da glória, e o que está dentro de você. É fazer o que eles dizem que você não consegue. Isso não é sobre os tênis. É sobre o que você faz neles. É sobre ser quem você nasceu para ser."

...



"Olhe-me nos olhos. Tudo bem se você está assustado, eu também estou. Mas nós estamos assustados por razões diferentes. Eu estou assustado com o que eu não me tornarei, e você está assustado com o que eu poderia me tornar. Olhe pra mim, eu não vou me permitir terminar no lugar de que parti. Não vou me permitir acabar onde eu comecei. Eu sei o que está dentro de mim, mesmo que você não possa ver ainda. Olhe-me nos olhos. Eu tenho algo mais importante do que coragem, eu tenho paciência. Eu me tornarei aquilo que eu sei que sou."

...



"Não existem Cinderelas."

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"Talvez seja minha culpa. Talvez eu tenha levado vocês a acreditarem que foi fácil, quando não foi. Talvez eu tenha feito vocês pensarem que meus melhores momentos começaram na linha de lances livres, e não no ginásio. Talvez eu tenha feito vocês pensarem que todos os arremessos que dei foram para decidir jogos, que meu jogo foi construído através de flashes, ao invés de fogo. Talvez seja minha culpa que vocês não tenham visto que falhas me deram força, que a dor foi minha motivação. Talvez eu tenha levado vocês a acreditarem que basquete é um talento dado por Deus, e não algo pelo qual trabalhei - todos os dias de minha vida. Talvez eu tenha destruído o jogo. Ou talvez vocês estejam apenas arrumando desculpas."

terça-feira, 15 de abril de 2008

Ouça sua cabeça, siga seu coração

Rasheed olha com desaprovação para a minha tradução


Não, apesar da foto do Sheed, não se trata aqui da coluna "Both Teams Played Hard". Dessa vez, o post nem sequer é nosso, aqui do Bola Presa. Simplesmente nos deparamos recentemente com uma reportagem de Eric Adelson, para a revista da ESPN, e ficamos muito fascinados por ela. Como sei que alguns dos nossos leitores matam as aulas de inglês para ficar lendo o nosso blog, e também porque o Rasheed Wallace vem se tornando uma figura cada vez mais forte aqui no Bola Presa (basta olhar para cima e dar de cara com a foto do nosso novo template), resolvi traduzir o post e colocar aqui. Assim como fiz quando traduzi um post do blog do Arenas, deixo bem claro que o texto abaixo não é meu e, dizendo isso, espero conseguir até escapar da prisão. De todo modo, se eu for preso será por um bom motivo, porque a reportagem realmente chuta uns traseiros apesar de ser um pouco longa. Aconselho a ida até o final para conhecer o Rasheed, essa figura quase folclórica que caminha pela NBA. E se você pode ler o original em inglês, também aconselho, afinal minha tradução é ligeiramente livre e consideravelmente questionável. Mas acho que quebra bem o galho. Seja como for, deixo com vocês um pouco de Rasheed Wallace.
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por Eric Adelson

Ouça sua cabeça

Técnico Sheed. Diga em voz alta: Rasheed Wallace, técnico do Pistons. Imagine ele andando de um lado para o outro pela linha lateral, resmugando atrás de sua barba grisalha. Talvez com a gravata afrouxada ou seu palitó retirado, sua faixa de cabeça, que já é marca-registrada, há muito deixada de lado. Ali está o técnico Sheed ensinando os novatos como lidar com o corta-luz, defender jogadores maiores, interceptar linhas de passe. Ele está tão disponível para seus jogadores quanto está para os que vieram para o "summer camp", e ele sempre é um mentor para eles pessoalmente, um por um.

Foi durante um jogo contra o Jazz no começo dessa temporada que uma visão do ala de força, machucado e vestindo um blazer no banco, fez pela primeira vez o GM Joe Dumars cogitar: Como Wallace seria como técnico? Dumars, desde então, chegou até mesmo a sugerir para o grandalhão que ele fique com o time e agarre um apito quando se aposentar.

Técnico Sheed. Dê um minuto antes de pensar que seu mundo virou de cabeça para baixo.

"Ele é tão brilhante quanto é perspicaz", diz Dumars. "Ele irá liderar a liga em faltas técnicas, mas ele também sabe onde todo mundo deveria estar o tempo inteiro." O técnico Flip Saunders diz: "Ele tem todo o necessário para ser um grande técnico. Ele vê as coisas antes delas acontecerem. Bill Guthridge, que era assistente técnico na Carolina do Norte quando Wallace passou por lá, vê assim também. "Ele absorveu tudo. Ele estava ouvindo mesmo se o que estava sendo dito não era direcionado a ele. Ele tinha uma grande esperteza - quase uma esperteza digna de armadores principais." Até um ténico rival, Stan Van Gundy, concorda. "Ele é estremamente esperto, à frente de toda jogada. Ele não erra ajudas ou rotações defensivas. Ele sabe quando é tempo de arremessar e quando é tempo de passar. Nunca entendi porque ele não é um All-Star freqüente."

Wallace não é um All-Star freqüente porque ele é uma dor freqüente nos olhos dos engravatados da NBA e dos juízes. Mas apenas assista o homem jogar. Seus passes para quem está livre - braços extendidos acima da cabeça - são tirados diretamente de um manual de instruções. Seus corta-luz são perfeitos, pés plantandos bem separados e paralelos todas as vezes. E considerando que uma de suas responsabilidades é marcar os jogadores mais altos da liga, ele raramente se mete em problemas de faltas (faltas pessoais, pelo menos). Ele sempre absorveu nuances rapidamente. "Nós estávamos trabalhando numa jogada contra marcação por pressão," relembra Bill Ellerbee, técnico de Sheed no colégio Simon Gratz na Philadelphia. "Eu disse a ele que deixasse os armadores usarem-no como um poste. Nunca tive que dizer outra vez."

Recentemente, Wallace, 33, aconselhou duas das pessoas mais quietas que ele já conheceu - o antigo companheiro de equipe Ben Wallace e o atual companheiro de equipe Amir Johnson - a adentrarem na extrovertida arte da comunicação em quadra. "Ele me ensina", diz Johnson. "Você tem que olhar pra quadra, tem que ser o cara que fala." Ninguém (incluindo Saunders) é mais barulhento no banco do que Wallace, seja chamando um corta-luz ou dizendo para o ala Jason Maxiell ficar "reto e parado" ou assegurando Rip Hamilton de que sua movimentação para a cesta vai funcionar "o dia todo".

Anos atrás, na sua visita ao campus da Carolina do Norte, Wallace não perguntou onde ficava o melhor restaurante ou a melhor irmandade de garotas. Ele queria conhecer Chuck Stone, membro dos Tuskegee Airman que ajudou a fundar e foi o primeiro presidente da Associação Nacional de Jornalistas Negros, e que escreveu centenas de colunas desafiando o status quo e deu aulas na universidade de Chapel Hill. A mente de Wallace sempre vagou para muito além do jogo.

Então, para responder à pergunta do Dumar: como Wallare seria como técnico? Provavelmente muito bom, e possivelmente ainda melhor do que é como jogador. Wallace é super atento a tudo que acontece à sua volta. É um talento que seria muito útil para um técnico, mas que também pode às vezes trabalhar contra um jogador cuja missão principal é executar um pacote limitado de tarefas noite após noite. Saunders, por exemplo, diz que Wallace é "esperto demais para o seu próprio bem."

Chauncey Billups disse uma vez para Jim Rome que Wallace "é tão bom que fica entediado jogando contra alguns caras que não estão à sua altura." Ele nunca ficaria satisfeito levando uma vida de toco-em-toco de um homem de garrafão. Embora ele dificilmente arremessasse bolas de três pontos no colegial ou na faculdade, Wallace começou a arremessá-las em Portland - "um experimento", como ele chamou - e isso mudou seu jogo. Subitamente, ele era uma ameaça de qualquer lugar da quadra. Mas também fez dele uma potencial ameaça para seu próprio time.

Nos dias de hoje, esse time é um membro da elite da NBA. Mas vai para os playoffs com uma falha séria: jogo de garrafão. O Detroit ainda está para substituir caras como Ben Wallace e Mehmet Okur, e não ganhará outro título a não ser que alguém limpe o aro nos rebotes e levante um ataque que está subitamente perto do fundo da liga em pontos no garrafão. Esse alguém é Wallace.

O Pistons tem muitos arremessadores. E apesar de Sheed se considerar um "atirador" ("um arremessador arremessa, um atirador faz os arremessos"), isso não é capaz de substituir uma dieta diária de 12 rebotes. "Mais pro final do jogo", diz o ex-técnico do Pistons Larry Brown, "eu gostaria de vê-lo mais perto da cesta." Dumars concorda, admitindo que ver Wallace com suas costas para a cesta o faz pensar, "Por que ele não pode fazer isso 82 noites por ano?" Ellerbee diz que certa vez o alertou sobre nunca sair do garrafão. "Se eu fosse seu técnico, iria exigir mais. Mais rebotes, mais tocos. Nós precisamos de um pivô, não das outras merdas." O próprio Sheed admite, "Quem dera eu tivesse dado ouvido a ele."

Então talvez a melhor pergunta seja como Wallace seria sendo o técnico de si mesmo. Bem, ele diz que ficaria na posição 4 e que mandaria a si mesmo jogar no garrafão e arremessar de trás da linha de 3 pontos. Mas esse é Sheed, o jogador, falando.

O técnico Sheed com certeza faria melhor.

Siga seu coração

Agora que se senta em um vestiário rival, Ben Wallace pode falar livremente sobre Rasheed Wallace. "Se as explosões de fúria dele nos incomodavam?", ele repete, olhando para cima. "Nem um pouco. Quando ele ficava excitado, eu ficava pronto. Às vezes o time não entrava na partida de verdade até que ele tomasse uma falta técnica." Seus colegas de equipe, se estivessem sendo totalmente sinceros, teriam que admitir que também existiram momentos em que essas explosões indicaram o fim - como quando Sheed estourou depois de ser expulso em Cleveland do Jogo 6 das finais do Conferência Leste na temporada passada. A falta de auto-controle foi tolerada quando Rasheed veio para Detroit em 2004 como a peça que faltava, mas não vai rolar agora que ele é a peça principal. Wallace é o gerador emocional do Pistons, com o poder de deixar o time frio, esquentar as coisas ou então acalmá-las.

Não é preciso olhar muito longe para descobrir de onde vem sua motivação. Antes que seu filho mais novo desse o primeiro arremesso no ginásio do colégio que agora leva seu nome, Jackie Wallace levou seu filho para o técnico de basquete do colégio de Simon Gratz, na Philadelphia, e disse: "Se ele lhe causar algum problema, dê um soco nele." Ela era uma mãe solteira pobre demais para instalar um chuveiro em seu banheiro, mas era bastante rica em suas noções de certo e errado. E seu senso de justiça guia Rasheed como uma estrela no céu. "Ela deveria ter tido tudo melhor", Rasheed diz. "A vida não é justa, ponto final." Os irmãos de Rasheed, Mohammed e o tardio Malcolm, são homônimos de dois homens corretos e desencaixados que foram transformados em vilões antes de serem apreciados. Mas Rasheed faz esse papel tão bem quanto eles.

Apesar de ter mais dinheiro do que até mesmo pessoas ricas podem agarrar, Sheed já foi visto andando pelas ruas com buracos nos seus suéters - daí seu apelido "Homeless Harry" ("Harry Sem-teto", um mendigo que se tornou figura histórica para os americanos). E quando seus companheiros de time vestem roupas chiques, ele é conhecido por tirar as vestimentas de seus armários, pendurá-las na lousa branca, desenhar uma seta em direção às roupas e escrever, zombando enojado: "Vocês tão falando sério?!" Ele deixa seu cabelo crescer, cortando apenas quando volta para a Philadelphia, pelo mesmo barbeiro em que tem ido por anos. Ele raramente faz comerciais. "Eu poderia ter conseguido um comercial de bebida", Wallace diz, "mas isso não é pra mim." Ele se recusou a ser fotografado para essa matéria, dizendo que preferia dividir os holofotes com as outras estrelas do seu time, e durante os 20 minutos em que nos deu uma entrevista, raramente fez qualquer contato visual conosco.

Ao mesmo tempo em que não se veste com exagero e nem prostitui sua imagem, ele é obcecado por crianças e caridade. Wallace volta para sua velha vizinhança no verão para montar uma clínica de basquete, em que compra almoço para cada criança todos os dias. Quando o Pistons estava gravando um agradecimento natalino com "Jingle Bells" para passar nos telões do ginásio - um clipe que ainda recebe visitas no YouTube - Wallace foi rápido em se voluntariar. Nele, começa no fundo, cantando a letra como que por obrigação. Mas não demora muito, está tacando seus companheiros de equipe para todos os lados e pulando para frente para gritar, "Remix!" antes de se tornar uma máquina de "beat box" humana pelo resto da cena, tudo enquanto projeta sua cabeça como uma tartaruga tomando Ritalin: "JINGLE! Bé-Bé-Bé-BELLS!"

Que bom seria se aquele Sheed - feliz, quase em êxtase, da maneira em que ele é durante sua tradicional dança na reunião dos jogadores antes dos jogos - fosse o único Sheed. Ao invés disso, o cara é sempre derrubado na lona por aqueles que procuram sem parar por conspiração. Quando Wallace levou sua mulher para a Itália no verão passado, ele a preparou para encontros com racismo - "Eu esperava ser tratado de maneira injusta" - e o encontrou nos olhares cautelosos das atendentes nas lojas enquanto ele olhava por aí nos corredores de uma boutique. Esqueça o fato de que o que poderia estar chamando atenção eram seus 2,11 de altura ou sua fama global. Wallace foi procurando discriminação, e a encontrou. Às vezes sua paranóia é justificável... Wallace foi repreendido por comparar seus parceiros jogadores da NBA com escravos em 2003, mas o colunista William C. Rhoden do jornal New York Times recebeu elogios por seu livro "Forty Million Dollar Slaves" (Escravos de 40 Milhões de Dólares) sobre o mesmo tema.

Wallace tem uma reputação de falar o que lhe vem à cabeça - basta olhar para as 11 faltas técnicas nessa temporada, um número que o coloca entre os líderes da liga - mas talvez ele esteja apenas transmitindo a justiça de sua mãe Jackie. Quem mais poderia ter inspirado sua teoria de que a NBA tem "bonequinhas" que são protegidas a todo custo? "Eu posso aceitar a derrota", ele diz. "Mas não me venha com besteiras. Me dê um chacoalhão justo. Nós também somos parte dessa liga." Por "nós" ele quer dizer seus companheiros de time. Da última vez que checamos, a maioria deles é constituída por campeões, não párias.

A maioria dos atletas busca elogios e reconhecimento; Wallace reluta contra os dois. Nas Finais de 2005, foi pedido que todos os jogadores subissem num pódio durante as introduções logo antes das partidas; Wallace se recusou a fazê-lo antes do Jogo 1 e ficou sobre o pódio por menos de um segundo antes do Jogo 2. "Rasheed estava totalmente constrangido", diz Larry Brown. "Eu tive que implorar para que ele subisse. Eu quase tive que tomá-lo pela mão." Sua reação ao ser nomeado para o time do All-Star dessa temporada foi similar, com ele demonstrando quase tanta frustração pelo fato de ter que cancelar uma viagem com a família para as Bahamas quanto pelo fato de ser forçado a confrontar a possibilidade de que ele tenha se tornado uma das "bonequinhas" que ele despreza.

O fato é, Wallace deveria estar no Hall da Fama, mas não faz parte dele dominar - ser aquela estrela que só aparece uma vez a cada geração que seu talento lhe permitiria ser. Talvez isso explique porque ele demora tanto no perímetro ao invés de ser uma força muito maior no garrafão. Ele sempre se sentiu mais confortável do lado de fora olhando para dentro.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Traduzindo o Agente Zero

Como nosso leitor Vítor Sampaio pediu umas traduções das histórias do blog do Gilbert Arenas para quem não entende gringuês, resolvi (inspirado pelo comentário de outro Vitor, que me lembrou dessa história) traduzir um trecho de um post do mês passado, no blog antigo do Arenas.

Mais uma vez, fica só entre nós. O Arenas é bem-humorado e tudo mas não quero tomar uma sova. Lembrem-se: pirataria é crime, não assaltem outros navios.


Se o Arenas ficou bravo quando o Baron Davis roubou sua barba,
imagina o que ele vai fazer quando souber que peguei seu texto


Com vocês, Gilbert Arenas:

"Isso me lembra uma história.
É uma história pra se sentir bem, mais ou menos. Eu tinha um amigo no colegial chamado Eddie. Nós o chamávamos de "Asa de Galinha" porque ele era mais magro do que o Tayshaun Prince quando ele entrou na NBA.

Nós éramos em cinco e tínhamos nosso próprio timinho aos 14 anos. Bem, Eddie costumava dizer sempre que ele conseguia enterrar. Toda vez que a gente aparecia no parque e ele já estava lá ele dizia "Ei gente, eu enterrei hoje! Eu enterrei hoje!" E nós ficávamos todos "éeee, claaaaaro."

Isso continuou acontecendo por anos. Começou quando tínhamos 14 anos mas então fomos pro primeiro colegial, segundo, terceiro e em nenhum desses anos ele conseguia enterrar a bola.

Então quando eu fui para a faculdade, no verão antes de eu começar, recebi um telefonema. Meu amigo estava na linha e disse, "Ei, o Eddie falaceu." E eu disse, "O quê?! O que aconteceu?"

E ele começou a gargalhar.

Então eu perguntei, "Do quê diabos você está rindo?"

Ele falou, "É engraçado, mas não é engraçado."

"OK, dá pra você explicar porque diabos você tá rindo?!"

E ele, "Bem, nós estávamos jogando cinco contra cinco."

"Sei."

"E o Eddie subiu e enterrou e ficou tão contente que teve um colapso."

E quer saber de uma coisa? Eu esqueci completamente dele ter morrido e disse, "O Eddie enterrou?! Você tem que estar brincando. Ele realmente enterrou?!"

Eles disseram que ele realmente enterrou e que ficou tão feliz de finalmente ter enterrado na frente dos seus amigos que acabou falacendo. Ele morreu ali mesmo na quadra em que nós crescemos.

Pra um garoto que joga basquete, se eu tivesse que falecer, essa seria a maneira que eu gostaria de falecer - tipo se eu tivesse ganhado um campeonato e estivesse tão feliz que eu faleceria lá mesmo.

Essa é uma memória com a qual eu sempre posso conviver.

Ele não faleceu com um tiro ou com isso ou com aquilo. Ele faleceu fazendo algo que ele amava. Não foi uma história que me fez sentir mal quando eu ouvi pela primeira vez. Eu estava tão empolgado que ele finalmente tinha provado que estávamos errados e ele enterrou, e ele estava tão feliz de ter provado que estávamos errados e ele enterrou que ele faleceu por isso.

Seu jogador favorito era o Allen Iverson então nós enterramos ele com uma camiseta do Allen Iverson e eu ia até mesmo usar o número 3 quando fui pra faculdade, mas o número já estava sendo usado e eu tive que ir com o zero."

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Arenas retardado

Arenas faz um strip e mostra seu físico de jogador-de-videogame


Quem acha que o mundo de Gilbert Arenas se resume a blogar, jogar Halo (ele é um dos melhores do mundo na Xbox Live), NBA Live 08 (em que ele está na capa mas o jogo fede mesmo assim) e enfrentar novatos em partidas de paintball está bastante enganado. O sujeito é completamente maluco por treinos e perfomances em um nível tal que, às vezes, acaba mais se prejudicando do que ajudando.

Arenas estava tão preocupado com a contusão que, viciado que é nos pesos e bicicleta, acabou forçando demais o joelho. Não entendo patavinas de medicina, joelhos e nem de cinema iraniano, mas mesmo assim estava achando óbvio que algo estava errado com o ritmo em que o Arenas estava sendo obrigado a ter o joelho drenado. (não importa quão leigo eu seja, uma agulha tirando líquido do seu joelho o tempo todo não tem como ser bom sinal!) Jason Kidd percebeu o problema e pediu pessoalmente que Arenas conseguisse uma segunda opinião no joelho. Como esse novo exame não deu em nada, o Agente Zero se sentiu seguro para voltar ao mundo das grandes apresentações. Teve duas partidas em alto nível, alegadamente forçando o joelho, e então a dor voltou. Resultado: menisco rompido, carburador queimado ou seja lá o que for, essas coisas que não deixam o cara funcionar direito e que a gente não entende, tudo por excesso de esforço. Agora são 3 meses fora e os médicos obrigaram ele a não treinar o joelho até lá. Tá legal, é melhor algemarem ele na cama, então.

Descansar o joelho é algo que não passou pela cabeça de Arenas na primeira contusão. Ele pode até ter bastante tempo livre, mas apenas nos intervalos de seus 3 treinos diários, algo que o joelho não aguentou.

Para se ter idéia do grau de loucura do Arenas com relação aos treinos, ele decidiu após a primeira cirurgia no joelho que, para voltar à forma, converteria 100.000 arremessos em 73 dias. Segundo suas contas, ele estava com 69.7% de aproveitamento da linha de 3 e com 79.3% da linha de 3 universitária. Em menos de 30 dias teve que interromper o plano com apenas 50.000 arremessos convertidos porque o excesso de arremessos estava lhe causando tendinite. Eu tenho tendinite de passar tempo demais no computador clicando em boxscore e brigando com o SopCast, eu sou um retardado vagabundo. O Agente Zero é só retardado.

Outro fato surreal é que o Gilbert Arenas tem em seu porão uma tenda hiperbárica (?!) que simula a altitude do Colorado. Ele dorme lá de vez em quando para se acostumar com a altitude e melhorar seu condicionamente e seu fôlego. Que tal uma dessas para acostumar nossos jogadores de futebol a jogar na altitude da Bolívia, por exemplo? Aposto que o sonho do Arenas é uma tenda que aumente a gravidade, tipo Dragon Ball Z, e ele pode até conseguir. Ele tem o dinheiro e a débil mentalzisse necessária para isso.

Lembro-me que o próprio Arenas admitiu que a primeira coisa que fez quando seu companheiro Caron Butler veio para Washington na troca do Kwame Brown foi perguntar para ele como é que o Kobe e o Dwyane Wade treinavam, já que ele havia jogado tanto no Heat quanto no Lakers. "O que eles fazem de especial? Como eles ficaram assim?" (aliás, ao ver os 39 pontos do Butler ontem, como os fãs do Lakers se sentem em ter o Kwame e suas mãos de criança de 3 anos?)

Na temporada seguinte, Arenas contratou um cara do exército para treiná-lo todos os dias. O Agente Zero disse que queria acabar com o maldito que quase o matava com tantos exercícios, mas que valeu a pena. Rá, eu não ia durar nem no Tiro de Guerra...

E você aí, jogador frustrado, se perguntando por que diabos não conseguiu chegar na NBA. "Oras, eu sou como o Arenas: tenho uma boca grande, sou engraçado, tenho um blog, jogo videogame, fiz exército e tenho um joelho bichado!" Ah, mas você já converteu 50.000 arremessos na sua vida INTEIRA? Que tal em 30 dias? Tá, foi o que eu pensei.

Enquanto o Assassino do Leste fica de fora, o Wizards vai quebrando um galho com o Antonio Daniels de titular e reserva nenhum na armação (sem contar reserva nenhum de pivô, claro). O time de Washington perdeu as 5 primeiras partidas que disputou na temporada mas, desde então, ganhou 6 jogos seguidos. Desses 6, apenas 3 jogos tinham Arenas em quadra: duas atuações de alto nível (contra Wolves e Pacers) e uma mais ou menos (contra o Hawks). Sem o Gilbert jogando, o Wizards já ganhou do Blazers, do Sixers e do Bobcats ontem na prorrogação. Tá bom que esses times são um bando de pé-rapado, mas quando você começa a vencer sem sua maior estrela, é hora de começar a repensar as coisas. É como o Blazers, na temporada passada, que só ganhava quando o Randolph machucava, apesar das médias de 20 pontos e 10 rebotes dele. Agora, veja só, o Randolph mantém as suas médias mas seu Knicks só perde. Isso significa algo, não?

Em todo caso, torço para o Wizards aguentar sem o Arenas e torço para o time melhorar ainda mais quando o Arenas voltar. Eles têm que ir para os playoffs de qualquer jeito: Cavs e Wizards na pós-temporada já virou um clássico moderno do Leste.

Para terminar, deixo com vocês um trechinho traduzido do blog do Arenas de outubro do ano passado. Pretendo fazer mais isso, mas vocês têm que me prometer que não vão dizer nada para ninguém. Não quero nenhum advogado da NBA batendo na minha porta dizendo que tradução é violação de direitos autorais. É só ninguém me dedar que, quando perguntarem pra mim, vou dizer que já estava assim quando eu cheguei!

"Não sei o que estava pensando quando comprei um quebra-cabeças de 18.000 peças. A mulher me disse que eu levaria 4 anos para montar inteiro, eu fiquei tipo "rá, tá bom, eu posso montar em uns dois meses". Acho que não encontrei duas peças que tenham se encaixado ainda."