quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Arenasgate

(não esquecer da piada com 'run and gun')


Eu não estava muito afim de falar desse caso do Gilbert Arenas até hoje. Eram dois motivos principais: o primeiro é que ele tem pouco a ver com basquete e é de basquete que eu gosto, depois porque eram tantas versões da mesma história que eu não sabia no que acreditar. Só que a história diz respeito ao Gilbert Arenas, um dos jogadores que a gente mais comentou nesses 2 anos e meio de Bola Presa e agora tem um fato bem concreto pra comentar: ele foi suspenso por tempo indeterminado pelo David Stern.

Para quem está bem por fora, o que aconteceu foi que saiu uma notícia dizendo que o Gilbert Arenas teria quatro armas de fogo guardadas em seu armário no Verizon Center, o ginásio do Wizards. Como a lei de posse de arma de fogo é bem dura em Washington, o caso começou a ser investigado pela polícia e pipocaram informações de que seria proibido ter armas de fogo em locais com a chancela da NBA. O Arenas respondeu que tinha as armas em casa, mas que, com medo de tê-las perto dos filhos pequenos, levou-as para o ginásio.

O caso foi sendo investigado quando surgiu uma outra história, de que o Arenas teria apontado a arma, descarregada, para o companheiro de time Javaris Critentton, aquele armador reserva que era do Lakers, foi para o Grizzlies na troca do Gasol e depois para o Wizards. E foi depois disso que as mais diferentes histórias começaram a aparecer.

Uma das histórias diz que o Arenas apontou a arma para o Critentton, que teria ficado assustado. Outra diz que o Arenas e o Critentton certa vez brigaram por causa de uma aposta em jogos de carta e como resposta (de brincadeira) o Arenas teria deixado três armas no armário do seu colega com um bilhete pedindo para que ele escolhesse uma delas. Também existem versões da história onde o Critentton teria sua própria arma de fogo no vestiário, essa carregada, e teria apontado ela para o joelho recém-operado do Arenas no meio dessa discussão/brincadeira/provocação sobre as apostas em jogos de carta.

A confusão já era grande mas a NBA não tinha tomado nenhuma providência. David Stern disse que estava acompanhando o caso de perto mas que ia esperar qualquer decisão da polícia, que ainda investiga o caso, para decidir se daria uma punição e qual seria ela. Tudo parecia se encaminhar para esse desfecho, o Arenas até soltou para a imprensa um pedido de desculpas muito bem escrito pelo seu advogado em que falava ter errado, exagerado na brincadeira e tudo isso que a gente conta pra diretora da escola.

Só que no dia seguinte apareceu o Arenas de sempre, o de verdade. Bocudo, incosequente e, por que não, um bocado burro. Ao invés de ficar quieto por um tempo e deixar o assunto esfriar, ele passou o dia comentando o caso no seu Twitter, criticando todo mundo da imprensa que tinha falado mal dele e insistindo que ele só tinha feito uma brincadeira. Para terminar, fez essa brincadeira antes do jogo do Wizards contra o Sixers.


Tá bom, eu ri um bocado quando vi ele fazendo a arma com a mão. Mas não é porque foi engraçado que não foi burro. Logo depois do jogo o David Stern soltou uma nota dizendo que o "Sr. Arenas" não estava em condição de participar de jogos da NBA e que por isso estava suspenso por tempo indeterminado. E ainda assustou com o trecho "está claro que as ações do Sr. Arenas vão resultar numa punição substancial ou, talvez, até algo pior". Já se diz em proibí-lo de continuar na NBA ou de cancelar seu contrato zilionário com o Wizards.

Digo que o Arenas foi burro porque todo mundo sabe que o David Stern é pirado quando o assunto é o comportamento dos jogadores. Ele já suspendeu jogadores por 10 jogos quando os problemas judiciais deles tinham acontecido na offseason e nada tinham a ver com basquete, foi o responsável pelo patético código de vestimenta que obriga todos os jogadores a aparecerem de roupa social quando não vão jogar. É o David Stern que insiste em mostrar os jogadores fazendo ações de caridade no intervalo de todos os jogos e foi ele quem pediu para a Getty Images tirar do ar, ontem, a foto que eu postei aí em cima com o Arenas apontando suas armas de dedo. Se ele pegou pesado com as roupas, imagina o que ele iria fazer quando o assunto é realmente sério? Essa punição estava muito óbvia e o Arenas continuou provocando.

Ainda acho que muita gente na imprensa americana pegou pesado demais com o Arenas. O caso nem estava bem explicado (quer dizer, ainda não está) e já estavam crucificando ele, tratando-o como o pior dos criminosos. Mas, apesar de não concordar com os exageros, dá pra entender como eles nasceram: por que um cara vai ter quatro objetos cuja função é tirar a vida de outros seres humanos guardados no seu local de trabalho? As armas já fazem parte da nossa cultura, tem gente que é apaixonada por arma como outras são por carros ou basquete, mas não podemos esquecer que, no fundo, a função da arma é matar. O exagero ainda é exagero, mas é explicável.

A notícia mais recente do caso é que o Arenas estava tentando limpar a barra do Javaris Critentton. A versão foi contada pelo New York Post e parece encaixar com as outras contadas antes. Segundo o Post, o Critentton perdeu uma aposta num jogo de cartas para o pivô JaValle McGee e ficou bravo por uma discussão sobre as regras do jogo, o Bourré (que além de cidade da França, dança e música do Jethro Tull, é um jogo de cartas típico dos EUA).

O Arenas então começou a tirar sarro do seu colega que tinha perdido o jogo, dizendo que se não pagasse a aposta iria ter seu carro explodido (uma boa piada, convenhamos, eu teria dito que iria entregar um peixe na casa dele). Aí, ainda no avião, o Javaris teria dito para o Arenas que iria atirar no joelho dele (isso já foi pegar no ponto fraco!). Dias depois, no vestiário, o Arenas deixou suas armas no armário do Critentton com um bilhete dizendo "escolha uma" e disse que só estava deixando o trabalho do seu colega mais fácil. O armador, porém, respondeu algo como "Não precisa, eu tenho a minha" e mostrou sua arma carregada.

Não se sabe se ele chegou a apontar para o Arenas, se todo mundo riu, se eles se abraçaram, sei lá, não contaram nada depois disso. Mas falaram que o Arenas disse para o seu companheiro de time que iria assumir a responsabilidade pelo fato, encerrar isso e deixar o Critentton, que não tem nome, mídia e nem a mesma grana, longe disso. Acontece que o caso ficou grande demais e a história real acabou saindo. Ou seja, além do problema da posse de arma, de tê-las dentro de um lugar da NBA e ter sido suspenso pelo David Stern, o Arenas terá que lidar com o fato de ter mentido para a polícia, o que nunca é bom negócio nas séries policiais que eu vejo na TV.

Nos EUA o caso tem sido tratado bastante pela sua veia racial. O Stephen A. Smith da ESPN fez um artigo grande, até comentado no Rebote, dizendo que "idiotas como Gilbert Arenas estão envenenando a cultura negra". Mas nesse caso eu concordo com outro americano, o (negro) Austin Burton, que disse: "Se fosse o Brad Miller apontando seu rifle de caça para o Aaron Gray em Chicago ele seria suspenso também". Esse caso de armas em um local de trabalho é sério e não tem nada a ver com cor da pele, acho que chama mais a atenção pelo Arenas ser um jogador conhecido e polêmico do que por ser negro. Mas só estando nos EUA para entender um pouco melhor como eles lidam com a questão racial por lá.

Esse caso acaba sendo o marco de uma temporada que vinha sendo um grande anti-clímax para o Wizards e para o Arenas. Ele finalmente voltou depois de dois anos e meio parado mas o time não consegue vencer de jeito nenhum. O Arenas está até com bons números (22 pontos e 7,5 assistências, máximo da carreira) mas que não estão fazendo diferença na hora de vencer jogos, ao contrário, ele se destacou mais na temporada pelas bolas perdidas e lances livres errados em momentos decisivos dos jogos.

Convenhamos que o Jazz precisou de bem menos pra começar a oferecer seus jogadores em trocas. Esse caso é mais do que simbólico para o Wizards começar uma reestruturação geral em seu time. Caron Butler e Antawn Jamison ainda tem muito valor de troca na liga, Andray Blatche e Brendan Haywood são talentos que podem interessar muita gente e se o contrato do Arenas for realmente encerrado pela NBA, o espaço que isso deixaria na folha salarial do Wizards os colocaria na briga por Free Agents no ano que vem.

Acredito até que o Wizards deve estar torcendo demais para isso acontecer. Com o desempenho do time nesse ano, os 111 milhões investidos no Gilbert Arenas parecem um belo dinheiro jogado no lixo e a família Pollin, que comanda a equipe desde que o patriarca Abe Pollin morreu no começo dessa temporada, está indignada com os fatos e com o comportamento do Arenas perante eles, parece que não ficariam nem um pouco tristes de ver o Arenas longe de Washington. Ironia cruel do destino que foi o velho Abe Pollin que, muitos anos atrás, devido à grande violência na cidade de Washington, resolveu trocar o nome do time de Bullets (balas) para Wizards (magos).

Se por acaso Arenas continuar, vai ser um clima esquisito. O ambiente ficaria pesado e eles não teriam muito o que fazer, como seriam capazes de trocar aquele salário monstruoso? Que equipe iria poder e querer bancar? O ano que era pra ser o da volta de Gilbert Arenas foi o da infame volta do Washington Bullets.

12 comentários:

Anônimo \o\ disse...

Falem sobre a evolução do Kevin durant desde que ele entrou na nba e sobre o thunder como um todo pois me simpatizo com tal time. Thanks =)

Denis disse...

Assim que o dinheiro cair na nossa conta realizaremos o serviço. Obrigado!

Anônimo disse...

"Assim que o dinheiro cair na nossa conta realizaremos o serviço. Obrigado!"

Huuahauhauhauaa

Pelo visto não vou ver os textos sobre os esquemas táticos dos times da NBA. Mas nem por isso a resposta deixou de ser engraçada.

Huhuahauhauhauhauhauauhua

Sobre o texto do Arenas, cabei de comentar algo sobre isso, em outro blog. Para min a questão é justamente o porte de armas numa arena esportiva e no seu local de trabalho, por mais brincadeira que seja, e por mais hilário que tenha sido ainda é na minha opinião uma completa falta de sanidade que merece punição exemplar.

Heverton Elias

Unknown disse...

Nem no Portland JailBlazers nego apontava arma um para o outro..

Nem com o Pippen jogando no mesmo time do Barkley eles apontaram armas um pro outro... auehauehaehu

Arenas vai se fuder de forma sensacional e talvez tenha seu contrato rescindido... tá fudido !

Em tempo: Jethro Tull é maneiro paks

Diego disse...

Acho que a música Bourée é o JS Bach e regravada pelo J-Tull, não?

Diego disse...

é do* JS Bach

Denis disse...

Diego, eu conhecia como música do Jetrho Tull, não pesquisei mais a fundo. Mas agora que você disse eu fui atrás e você tem razão, o Jethro fez uma versão da música do JS Bach.

Abraços!!

Fabantas disse...

Gosto do Arenas, ótimo armador e um cara divertido,
mas quando ele apontou os dedos para os colegas, foi como uma cuspida na cara do David Stern.

O Agent Zero cavou a própria cova naquele momento, mas sei lá ser banido da NBA, como alguns americanos querem, por causa desse episódio das armas é forçar a barra demais, o certo era ele ser suspenso pelo resto da temporada, tava de bom tamanho.

Vitor Hugo disse...

Com Arenas com armas... O que o Ron Artest terá que fazer pra chamar a atenção da liga pra ele de novo? ;/

Anônimo disse...

Eu acho que o Arenas tá jogando Halo demais.

Unknown disse...

num país onde se vende munição no supermercado não se pode ter uma arma no armario do local de trabalho?

coerência nunca foi nem será o forte dos estadunidenses

PauloRJ disse...

Denis, eu li nos sites americanos que o Arenas ficou devenda US$ 25k e o Javaris estava cobrando ele...

Sem dúvida o Arenas foi muito burro...o caso do Delonte West foi tão grave quanto mas ele continua jogando porque botou a viola no saco e ficou na dele.....já o Arenas quis mostrar a viola para todo mundo....aí pegou uma suspensão do Stern, que gosta de falar para todo mundo que a maior viola da NBA é dele...e quem botar a viola de fora vai conhecer a viola do Stern...