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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Começou!



Belo movimento, JJ, aqui estão 120 milhões de dólares


Lembra quando anos e anos atrás a gente falava "Quando o LeBron for um Free Agent..." ou nos últimos meses quando toda troca tinha como objetivo "abrir espaço salarial para assinar grandes nomes em 2010"? Pois é, depois de tanto falar no futuro, virou presente.

Hoje, dia 1º de julho de 2010, começa a temporada de Free Agents mais esperada da história da NBA. Sem brincadeiras ou exageros, nunca se falou tanto sobre um período de contratações como esse. Não à toa, claro. Entre Free Agents restritos (aqueles que depois de receber uma proposta, podem ter ela igualada pelo seu antigo time) e irrestritos (os que são praieiros, guerreiros, solteiros e podem curtir com quem quiser), são MUITOS (em Caps Lock mesmo) os jogadores que podem mudar a cara das franquias com grana sobrando. Querem nomes?

Raymond Felton, Carlos Boozer, Amar'e Stoudemire, Ray Allen, Paul Pierce, Dirk Nowitzki, LeBron James, Chris Bosh, Dwyane Wade, John Salmons, Derek Fisher, Brandan Haywood, Richard Jefferson, David Lee, Tyrus Thomas, Chris Duhon Luke Ridnour, Matt Barnes, Randy Foye, Ryan Gomes, JJ Reddick, Brad Miller e, ufa, a estrela da classe de 2010 de Free Agents: Brian Scalabrine.

Vamos tomar muito cuidado nessa cobertura para não perder nosso tempo e sua paciência comentando boatos. A todo momento surgem pessoas lá na gringolândia que tem certeza absoluta que o LeBron vai para Chicago. Um minuto depois com certeza que ele vai para o Heat junto com Wade e Bosh. Comentar tudo isso seria muita idiotice. Embora eventualmente a gente possa brincar de "já pensou se...", o nosso foco vai ser comentar e analisar o que já temos de concreto.

E embora faça menos de um dia que o período de Free Agency começou, já temos coisas para comentar!

A primeira notícia, na verdade, aconteceu no primeiro minuto do dia, quando os times tinham autorização oficial da NBA para começar as negociações. Sem perder tempo o Atlanta Hawks quebrou todos os seus porquinhos, juntou as moedas, se prostituiu e ofereceu um contrato máximo para o Joe Johnson continuar na equipe. São 120 milhões de dólares por 6 anos de contrato. Alguns sites dizem que o contrato é um pouco menor e de 5 anos, mas, de qualquer forma, grana pra cacete em um contrato para além do fim do mundo.

O Joe Johnson ainda não respondeu à proposta e nada indica que ele tenha pressa em fazer isso, já que outros times (Knicks, Celtics, Nets, Clippers, Mavs) estão interessados no jogador. O legal do Hawks oferecer esse contrato monstruoso para o Joe Johnson é que agora é nossa hora de julgar os valores do atleta, e me sinto muito poderoso e superior nessa situação!

Na última temporada o Hawks manteve o bom time que foi à 2ª rodada dos playoffs em 2009, apenas adicionando o melhor reserva da temporada, Jamal Crawford. Assim a temporada regular do time melhorou, mas nos playoffs aconteceu a mesma coisa: varrida na 2ª rodada. E foi a varrida mais feia da história dos playoffs, a com maior média de diferença de pontos do vencedor sobre o perdedor, uma surra. Nessa série decisiva o Joe Johnson foi anulado por Matt Barnes e Mickael Pietrus e acabou com média ridícula de 12 pontos por jogo.

Ou seja, se o Hawks continuar com o Joe Johnson por essa grana toda, provavelmente (para não dizer com certeza absoluta) o time vai ser exatamente o mesmo do ano passado. Mesmo com o Celtics ainda mais velho e talvez sem Ray Allen e o Cavs possivelmente sem LeBron, alguém arrisca dizer que com o mesmo elenco o Hawks vai mais longe? Esse time tem alguma chance de título de conferência? Eu adoro esse time do Hawks e vários de seus jogadores, mas não apostaria 10 centavos nisso. Para JJ, aceitar esse contrato pode ser um sinal de amor e lealdade ao time de Atlanta, mas também um certo conformismo em aceitar ser rico, reconhecido e nunca ter chance de ir longe na pós-temporada. E já disse rico?

Se ele negar, no entanto, vai mostrar aquela sede de vencer que todo veterano cansado de ver os amiguinhos ganharem anéis sentem. Depois de anos sendo o líder do Hawks, o mais perto que JJ já chegou de uma final foi quando era coadjuvante do Suns em 2005. Deve bater uma saudade de jogar ao lado de Nash, Amar'e e jogar partidas emocionantes de final de conferência. Em entrevistas no último mês o próprio jogador até disse não se incomodar em deixar de ser a estrela de um time desde que essa equipe seja boa e vitoriosa.

Para o Hawks eu acho que eles não tinham muita saída. Pelo Joe Johnson ser um jogador deles, têm o direito de oferecer um novo salário gigante como esse mesmo com o time acima do teto salarial, mas caso eles não consigam, o time continua acima do limite e sem espaço para assinar qualquer outro jogador. A situação era bem simples, ou ofereciam um contrato gordo e sedutor para o JJ, ou ficavam sem nada e ninguém, não tem plano B. Entre ser um time mediano no Leste ou despencar e voltar a ser o saco de pancadas que era antes do Johnson chegar, preferiram a primeira opção.

Daqui alguns anos é bem capaz que eles se arrependam, que dê vontade de reconstruir tudo e trocar o salário monstro do JJ, mas é muito mais lucrativo ter um bom time que vai para os playoffs, mesmo que perca por lá, do que ter um saco de pancadas. Isso é comum na NBA, já vimos vários times oferecerem contratos gigantes para jogadores que todo mundo sabia que não merecia só pelo medo de ficar de mãos abanando. A conta bancária do Michael Redd tá aí pra provar isso.

Outro time que já entrou em ação no primeiro dia de contratações foi o Timberwolves. O General Manager David Kahn honrou mais uma vez a sua marca registrada de conseguir vários jogadores da mesma posição no mesmo dia. No ano passado foi aquela enxurrada de armadores no draft, nas escolhas desse ano foram alas e na Free Agency já são 2 pivôs em pouco mais de 12 horas. Parabéns, Kahn!

O primeiro é Nikola Pekovic, escolhido pelo Wolves no draft de 2008 e que estava jogando (muito bem) no Panathinaikos da Grécia. Acho muito difícil prever como esses pivôs europeus vão render na NBA (é uma velocidade de jogo diferente, garrafão diferente, adversários diferentes, arbitragem, etc, etc.) mas hoje acordei otimista. Acho que foi uma contratação boa e barata para um time que estava atrás de pivôs para liberar o Al Jefferson para sua posição natural de ala de força.

O outro pivô já estava no time e havia sido motivo de muitos elogios do próprio Al Jefferson justamente por tê-lo deixado sair do pivô. Darko Milicic, a antológica segunda escolha do draft de 2003 e uma das maiores piadas da última década, continua na NBA. Recebeu um contrato de 20 milhões de dólares divididos em 4 anos para ficar no Wolves. Na última temporada o Darko chegou no Wolves no meio do campeonato e não fez feio. Está longe de dominar jogos e é capaz de zerar alguns jogos no ataque, mas é um defensor acima da média. Apesar de tanta gente odiá-lo pela expectativa em cima dele quando chegou na liga, tem obviamente talento o bastante para ser útil na NBA.

Com um garrafão de Pekovic, Darko, Al Jefferson e Kevin Love, o Wolves está reforçado na área pintada, fica só em aberto a questão do entrosamento e da distribuição dos minutos. Love nunca se entendeu dentro de quadra com Jefferson e parece ser bom demais para ser um mero reserva com 20 minutos por jogo. A que tudo indica, muita coisa ainda deve mudar no Wolves. Eles agendaram duas visitas com Free Agents nessa semana, Rudy Gay e David Lee. Os dois são de posições que o time já tem muitos jogadores, então a possibilidade de trocas estarem nos planos é grande. Vamos aguardar qual vai ser o próximo movimento (provavelmente uma cagada envolvendo muitos jogadores da mesma posição) de David Kahn.

Para terminar, o terceiro time que já se mexeu no primeiro dia de Free Agency foi o Milwuakee Bucks, sem dúvida o time mais ativo das últimas semanas. Já trocaram para ter Corey Maggette e Chris Douglas-Roberts na última semana, draftaram uns jogadores com bom potencial para fazer parte da rotação e hoje assinaram um contrato de 32 milhões de dólares (por 5 anos) com o Drew Gooden. E ainda há notícias (ou boatos, depende do seu nível de ceticismo) de que as negociações para uma renovação com o John Salmons estão bem encaminhadas. Nada de confirmado, no entanto.

Eu gostei da contratação. O Drew Gooden nunca foi genial na sua carreira, mas nunca comprometeu os times por onde passou, só ajudou. É contratado para acertar arremessos de média distância, pegar rebotes e eventualmente até cobre um pivô por alguns minutos. Sua carreira só não deslanchou nunca porque ele é mais trocado que o Quentin Richardson e esposas do Fábio Jr juntos. O coitado já passou por 9 times em 8 anos de NBA: Grizzlies, Magic, Cavs, Mavs, Clippers, Spurs, Wizards, Bulls e Kings.

É um jogador bom e até bem completo, falta apenas defender um pouco melhor. Mas se o técnico Scott Skiles fez o Bogut virar um dos líderes da NBA em tocos e o Ridnour defender, pode fazer outro milagre com Gooden.

domingo, 21 de março de 2010

Punidos

O Rose só está sorrindo porque ainda não olhou pra trás


Com a data limite para trocas se aproximando, o Chicago Bulls foi um dos times que se mexeu para conseguir dinheiro e tentar contratar uma estrela na temporada que vem. São tantas estrelas terminando contratos ao fim dessa temporada que até minha mãe está juntando uns trocados pra ver se consegue trazer alguma delas para ajudar na cozinha. O plano, no entanto, é bastante complicado. Já escrevi aqui sobre como o Knicks, que está apostando todas as suas fichas nas próximas contratações, tem grandes chances de ficar chupando o dedo (e chance nenhuma de contratar o LeBron, por exemplo). Não é das melhores ideias confiar tanto numa grande contratação, especialmente quando você tem algo a perder. Se for o Nets, aí tudo bem, deixa eles até demolirem o ginásio pra tentar contratar alguém que saiba jogar basquete. Mas quando você se livra de um jogador bom, que ajuda o seu time, apenas para ganhar umas verdinhas e investir temporada que vem, colocando em risco essa temporada que acontece agora, aí o deus do basquete pune.

O Jazz, por exemplo, se livrou do ótimo novato Eric Maynor e do então titular Ronnie Brewer só para salvar umas moedas no porquinho. Eles vão para os playoffs, é bem possível que até tenham mando de quadra, mas esse lance de se livrar de jogadores a troco de nada não vai sair barato. Se não rolar uma eliminação na primeira rodada dos playoffs, pode apostar que o Boozer vai embora na temporada que vem e o Jazz não vai conseguir contratar ninguém com o dinheiro, pra aprenderem a não ser idiotas (e a não ter torcedores tão chatos, mas isso não vem ao caso). Já o Bulls está sendo punido pelo deus do basquete de maneira mais imediata: sequer vai aos playoffs esse ano.

Primeiro foi a troca do Tyrus Thomas, que mesmo tendo enfrentado várias contusões ao longo da temporada, pelo menos era um corpo atlético no garrafão do Bulls distribuindo tocos e enterradas a torto e a direito. No seu lugar, vieram dois armadores (Flip Murray e Acie Law) que não seriam nem figurantes na "Turma do Didi". Depois veio a troca que merecia mais punição: John Salmons foi para o Bucks enquanto o Bulls recebeu os contratos expirantes de Hakim Warrick e Joe Alexander. O Warrick é até bom, não me entendam mal, mas ele é um tanto baixo e não defende bulhufas, enquanto o Joe Alexander sequer jogou na temporada graças a uma série de contusões. O coitado do John Salmons não merecia ser mandado embora só pra economizar 5 milhões, dinheiro que hoje em dia não compra nem um Big Mac com batatas grandes e um suco de frutas vermelhas (o McDonald's fica cada vez mais caro, é ridículo, e só paro de difamá-los quando resolverem mandar dinheiro para minha conta - é tipo quando a máfia cobra por proteção, só que na área da propaganda).

O John Salmons já pode fazer parte oficialmente do "Clube Drew Gooden" para bons jogadores que, apesar de serem valiosos para qualquer time, são mandados de time para time como se fossem uma gonorreia que ninguém quer pegar. O Salmons tinha chutado traseiros no Kings com a contusão do Kevin Martin na temporada passada, mas assim que o Martin voltou lá foi o Salmons de volta para o banco, quase nem entrando mais em quadra. Lembro de ler uma reclamação do Salmons na imprensa, ele não pedia mais minutos, exigia simplesmente "respeito". Bonito. Loguinho foi mandado para o Bulls com uma cartinha de "era um ótimo jogador mas nossos planos são outros". Porque, claro, os planos do Kings são perder.

No Bulls o Salmons foi a garantia de que o time poderia manter o poder ofensivo mesmo com a saída da porcaria do Ben Gordon, que agora foi feder em outro lugar, e ainda tinha o bônus do Salmons saber defender, pegar rebotes e passar a bola (ou seja, ele é um mamífero bípede que joga basquete, não um anão com compulsão por arremessos). Não é espetacular em nada, mas é um bom pontuador e tem atuações sólidas, constantes. Nem que fosse pra ter no banco, era uma peça valiosa para o elenco muitas vezes inconstante e cheirando a bunda de bebê do Bulls. Mas não, apesar de jogar bem durante toda a temporada, foi mandado para o Bucks que precisava de alguém para substituir o Redd, contundido.

Desde que o Salmons chegou no Bucks, o time ganhou 14 partidas e perdeu apenas duas, disparando com certa folga para o quinto lugar do Leste. O Denis escreveu sobre como o Bucks é uma das maiores surpresas do ano e um dos times mais embalados dessa fase final de temporada (o que contrasta com a gente, que nesse final de temporada fica desinteressado, esperando os playoffs, e o Bola Presa ganha algumas teias de aranha porque a vida aperta - somos como formigas fazendo as coisas correndo antes do inverno dos playoffs chegar, com a diferença que ao invés de trabalhar juntando comida, em geral vamos dormir. Talvez a melhor comparação fosse com ursos hibernando, mas enfim, deixa pra lá).

Já o Bulls sem Salmons e Tyrus Thomas tomou em cheio uma punição divina: Luol Deng (que poderia ser substituído pelo Salmons) se contundiu e deve ficar fora o resto da temporada; Joaquim Noah, último pivô da equipe, após a saída do Tyrus Thomas, com menos de 400 anos de idade (Brad Miller, estou olhando pra você) passou 9 jogos contundido; e como cereja do bolo de merda o Derrick Rose ainda passou 4 jogos fora.

O Bulls perdeu todos os 4 jogos sem o Derrick Rose e todos os 9 jogos sem o Noah. Ao todo, foram 10 derrotas seguidas, algo que não acontecia desde 2001, quando o Eddy Curry ainda era novinho e não tinha engolido as Torres Gêmeas do World Trade Center (ele engoliria no final daquele ano, os aviões foram só computação gráfica). O recorde total sem o John Salmons é de 5 vitórias e 11 derrotas, o bastante para que eles sejam chutados para fora da zona de playoff sem muitas chances de retorno - principalmente porque o Salmons está num concorrente direto ganhando partida atrás de partida.

Alguém precisa me explicar porque jogadores tão valiosos, que cumprem bem suas funções, são tão menosprezados e mandados embora de seus times o tempo inteiro. Parece que a NBA se tornou um pouco obcecada demais com estrelas. Mais do que montar bons times e ganhar dinheiro indo para os playoffs, lotando ginásios com times vencedores, a NBA agora prefere investir em grandes estrelas que rendam camisetas, outdoors, lotem ginásios - e percam mesmo assim. Até mesmo do ponto de vista empresarial, pensem em quanta grana o Bulls não vai perder ao deixar de ir para os playoffs. Seriam várias transmissões de TV, ginásios lotados, torcedores empolgados comprando produtos e enfiando cachorro-quente nas orelhas (costuma acontecer depois da terceira cerveja). O Bobcats pode ser o time mais sem graça do mundo, mas eles provavelmente estarão nos playoffs e sua maior estrela é o dono, na arquibancada, balançando a cabeça em desaprovação com as cagadas da equipe (vi o Jordan no ginásio, indignado, nas últimas duas partidas da equipe - duas derrotas). O Houston sem estrelas estaria nos playoffs se estivesse no Leste, mas aí é só dor de cotovelo mesmo, que meu time não vai conseguir alcançar o Blazers no Oeste nem fodendo. Mas o ponto aqui é que nesse desespero por tornar as equipes da NBA rentáveis em período de crise, talvez fosse mais prudente montar times sólidos com bons carregadores de piano e um bom técnico do que ficar economizando grana para dar um contrato biliardário para alguém na temporada que vem e torcer para ganhar dinheiro com propaganda de suco com bolhas dentro. Isso, claro, se as estrelas que querem contratos biliardários toparem ir jogar por lá. Se fosse pra escolher um time, eu iria preferir o Bucks (com um jovem núcleo e experiência nos playoffs) do que o Bulls, capengando pela tabela. O mesmo vale para o Knicks, claro, por que uma estrela se sujeitaria a um time tão pelado, sem jogador nenhum em nenhuma área? A essas equipes, resta apostar no poder da cidade, do mercado, do jogador querer ganhar uma grana com propagandas, lotar ginásios mesmo com um time que fede. Essa seria a única chance do Knicks, afinal, como mostra esse vídeo aqui, Cleveland é uma cidade tão porcaria que virou até piada. Mas, como diz o vídeo, ao menos eles não são Detroit. O mesmo vale na NBA: pior do que ter dinheiro guardado e rezar para uma estrela ir jogar pra você, é ter gastado todo o dinheiro num par de jogadores mequetrefes. Pois é, Bulls e Knicks: pelo menos vocês não são o Detroit.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Agora ou nunca

Jamison é um prato cheio pra quem gosta de fazer montagens pornográficas

Na terça-feira falamos sobre a troca que o Wizards fez mandando o Caron Butler para Dallas, ontem falamos do Clippers mandando o Marcus Camby para Portland e ontem à noite foi a vez dos dois times, contando com a ajuda do Cavs, terminarem o desmonte de suas equipes pensando no mercado de Free Agents do ano que vem.

No começo da noite passada Danny Ferry, general manager do Cleveland Cavaliers, ligou uma última vez para Steve Kerr, manager do Phoenix Suns, para saber como estava a situação de Amar'e Stoudemire. Ao saber que de lá não ia sair mais nada, decidiu partir para a segunda opção e fechou uma troca com o Washington Wizards e o Los Angeles Clippers. No saldo final da troca o Wizards perdeu Antawn Jamison e em troca recebeu Zydrunas Ilgauskas, Al Thornton e uma escolha de draft do Cavs, que por sua vez perdeu Ilgauskas e levou pra Cleveland Antawn Jamison e o armador Sebastian Telfair. O Clippers perdeu Thornton e recebeu em troca o Drew Gooden, que, trocado mais uma vez, pelo segundo dia seguido, é o novo Quentin Richardson da NBA.

Vamos analisar essa troca por partes:

Cleveland Cavaliers
Apesar da melhor campanha da NBA, o Cleveland sentia que precisava mudar alguma coisa para chegar ao título, um aprendizado da temporada passada quando terminaram a temporada regular com o maior número de vitórias e depois caíram diante do Orlando Magic porque não tinham ninguém para marcar o Rashard Lewis na defesa e ninguém com bolas no saco para chamar o jogo no ataque além do LeBron James.

Com essa troca o Cavs consegue um cara muito parecido com o Rashard Lewis, que não só poderá marcá-lo como poderá fazer o mesmo estrago no ataque. Jamison é um dos poucos alas de força que tem um arremesso preciso de longa distância sem perder o poder ofensivo dentro do garrafão. Lá perto da cesta ele não é um cara de força, mas com sua finesse consegue os pontos que quer. Imagino que no Cavs ele possa ser útil dos dois jeitos, pode ficar longe da cesta abrindo espaço para as infiltrações do LeBron e para o trabalho do Shaq, enquanto pode ir lá dentro quando estiver sendo marcado por alguém mais baixo.

Essa estratégia de deixar um arremessador do lado do Shaq para se aproveitar da atenção que o pivô chama lá perto da cesta já estava sendo usada quando o técnico Mike Brown colocava Shaq e Ilgauskas ao mesmo tempo em quadra. Até dava certo, mas o time ficava muito lento e apanhava de garrafões mais jovens e atléticos. Com Jamison, muito mais veloz que o Big Z, esse problema fica amenizado.

Apesar de consagrado como ala de força, o Jamison é ágil e rápido o bastante para jogar na posição 3, isso daria ainda mais opções para o Cavs enfrentar qualquer outro tipo de oponente. Podem montar um time alto e rápido com Mo Williams, LeBron, Jamison, Hickson e Varejão, ou um time baixo e cheio de arremessadores e um pivozão no meio com Mo, Delonte West, LeBron, Jamison e Shaq. Ou seja, Jamison é um cara talentoso, experiente e versátil que chega em um time que já tinha jogadores o bastante para montar várias formações diferentes capazes de se adaptar a qualquer time da NBA.

Se no ano passado faltava alguém para lidar com Rashard Lewis e os matchups estranhos do Magic, agora não tem mais essa desculpa. Se na última derrota faltou gente experiente para chamar o jogo além do LeBron, agora eles tem toneladas de experiência com Jamison e Shaq. Podem dizer que o Jamison era a segunda opção, mas acho que era melhor do que a primeira. Se o Cavs pegasse o Amar'e eles reuniriam a dupla Stoudemire e Shaq no garrafão, uma dupla que já não deu certo no ano passado em Phoenix, não existia razão para dar certo dessa vez. Além disso teriam que mandar o promissor JJ Hickson para o Suns, uma das condições primordiais da troca, e nessa com o Wizards eles só perderam o Ilgauskas, que ainda poderá ser dispensado do Washington e voltar para Cleveland daqui 30 dias.

Washington Wizards
Um fato curioso dessa troca é que a discussão está na mesa há semanas e o Wizards estava muito relutante em fazê-la. Não porque não queriam perder o Jamison, mas porque não queriam ajudar tanto o Cavs a serem campeões devido à rivalidade entre as duas equipes que se criou nos últimos anos. Não deve ser legal ajudar um rival mesmo, mas o Wizards deve ter pensado que a rivalidade já é coisa do passado já que eles nem conseguem mais ir para os playoffs perder do Cavs.

Falou mais alto a vontade de limpar o máximo de espaço salarial para a temporada que vem. Já que ninguém quer o Gilbert Arenas, que troquem todo o resto que ainda tem valor de mercado e comecem do zero.

Quem ficou bastante magoado com tudo isso foi o próprio Antawn Jamison. Ele tinha uma relação bastante profunda com a franquia, desde os donos, torcedores, cidade, até com o resto dos jogadores e funcionários. Era o capitão da equipe, o mais experiente e foi a voz dos jogadores e elo entre eles e a torcida e direção da equipe durante todo o escândalo do Arenas com o Javaris Critentton e suas armas. Ontem, ao saber da troca, perguntaram pra ele se tinha alguma mensagem para os fãs, ele respondeu apenas "Eu amo mais eles do que eles me amam".

É interessante essa reação do Jamison um dia depois do Camby também ter ficado triste de ter saído do Clippers. Nos dois casos são jogadores muito bons que estavam afundando com equipes terríveis e foram trocados para potências de suas conferências. Mesmo assim os dois não esconderam a tristeza de deixar um time e uma cidade com quem tinham profunda relação. Claro que não vão reclamar de finalmente voltar a vencer alguns joguinhos (e talvez um campeonato), mas é legal ver a relação que alguns jogadores criam com seus times.

Em termos de basquete o Wizards é hoje um time pior do que era antes da troca, claro, mas é uma chance da pivetada ter minutos de sobra pra mostrar quem deve ou não continuar no time. Ontem o pivô JaValle McGee, que herdou a titularidade do Brendan Haywood, e o Andray Blatche, que é o novo titular no lugar do Jamison, fizeram grandes partidas. Randy Foye e Nick Young tem a chance de suas carreiras agora também.

A troca foi feita por questões de dinheiro e a partir de agora a equipe tem para o ano que vem apenas 7 contratos garantidos: Gilbert Arenas, Randy Foye, Andray Blatche, Nick Young, JaValle McGee, Quinton Ross e o outro cara que chegou na troca, Al Thornton, que, assim como os outro jovens da equipe, terá meia temporada para se firmar na equipe depois de ficar encostado no Clippers.

Isso significa que eles tem um contrato monstro com o Arenas, um bando de pivete barato e um bom espaço para contratar pelo menos um cara espetacular. Se é que algum cara espetacular quer se arriscar nesse time que deu errado até com 3 All-Stars jogando ao mesmo tempo.

Los Angeles Clippers
A troca do Al Thornton é um grande mistério. Ele jogou muito no seu primeiro ano como novato, jogou melhor ainda no ano passado e nesse ano ficou completamente de lado no Clippers. Perdeu a vaga de titular, seus minutos e números despencaram e, de repente, o manager Mike Dunleavy disse que eles estavam fazendo de tudo para trocá-lo afim de liberar espaço salarial.

Conseguiram fazer isso ontem e ao mesmo tempo se livraram do contrato do Sebastian Telfair. Os dois juntos somavam pouco mais de 5 milhões de dólares em salário, são jovens e bons, não é como se os dois carregassem contratos imbecis como o do Jared Jeffries ou do Eddy Curry, juro que não entendo o desespero de se livrar tão rapidamente de um jogador que até outro dia era uma peça tão valiosa em troca de nada além de espaço salarial.

Em dois dias o Clippers perdeu Marcus Camby e Al Thornton e em troca só ganhou a chance de poder oferecer contratos enormes na próxima offseason. Mas e daí? Quantos Free Agents bons você já viu com vontade de ir para o Clippers? No passado recente eu só lembro do Baron Davis, e dizem que foi só porque ele queria ficar perto do estúdio de cinema que ele comprou em Los Angeles. Assim como dissemos ontem em relação à troca do Camby, o Clippers perdeu com o Thornton uma boa chance de receber em troca escolhas de draft ou jogadores novos para reconstruir o time.

O resumo dessa troca é que dois times fizeram mudanças para desmontar o resto de seus times ruins e se preparar para a próxima offseason, o outro já tinha a melhor campanha da liga e conseguiu adicionar um All-Star em troca de um pivô reserva, um fatality. Se o Cavs for campeão, que mande pelo menos uma réplica do anel para Wizards e Clippers, se não for campeão, aí adeus LeBron. Se nem com um elenco monstruoso ele consegue alguma coisa por lá, é bem provável que vá embora.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Botão do apocalipse

Caron Butler chora uma lágrima de sangue pelos seus companheiros do Wizards


Durante o fim de semana do All-Star, o Wizards resolveu apertar o botão do apocalipse. Com 17 vitórias e 33 derrotas, o time tem a segunda pior campanha do Leste e a quarta pior de toda a NBA. A equipe aturou o Gilbert Arenas contundido por muito tempo com a esperança de que, com ele de volta, pudesse competir pelo título do Leste. Afinal, Arenas, Jamison e Caron Butler são todos All-Stars e não é qualquer time que consegue ter tantas estrelas juntas ao mesmo tempo. Mas nessa temporada o Wizards aprendeu duas coisas: a primeira é que contar com o Arenas é impossível, porque ou ele vai estar contundido ou vai ter caído numa piscina de xarope, bebido água da privada ou colocado pó-de-mico na cueca de algum companheiro de equipe. A segunda coisa é que nas raras vezes em que Arenas, Butler e Jamison estão juntos em quadra, eles simplesmente não são muito bons. Falta de química, entrosamento, esforço, defesa, não faltam razões para o fracasso de um trio que parece nunca ter entendido o papel de cada um em quadra e que nunca se levou muito a sério. Vendo que não adiantava esperar pela volta do Arenas, então, o Wizards criou um par de bagos, esgotou a paciência, apertou o botão do apocalipse e resolveu se livrar dos jogadores. Como o Arenas ganha 16 milhões e o Jamison ganha 11 milhões (e vai ganhar 15 num contrato que dura ainda mais duas temporadas, fora essa) só sobrou o Caron Butler para interessar algum time na NBA.

Com o Butler no mercado, o Mavs ficou com água na boca. Adicionar o Gooden e o Shawn Marion não adiantou bulhufas particularmente porque o resto do time não defende grandes coisas e porque o Josh Howard cai de produção mais e mais a cada ano. Não faz muito tempo ele era um pontuador excelente com momentos geniais na defesa, com roubos e tocos decisivos e potencial ilimitado. Mas depois de sua polêmica afirmação de que fumava maconha nas férias, problemas com a torcida do Mavs e uma complicada cirurgia no tornozelo durante as férias, ele nunca mais foi o mesmo, joga sem vontade e parece um jogador comum com um salário muito gordo. Trocá-lo por um ladrão de bolas (talvez o melhor de toda a NBA) com mais talento ofensivo que o Josh Howard não foi uma decisão difícil, até o Isiah Thomas conseguiria acertar nessa.

De brinde, o Wizards ainda mandou DeShawn Stevenson, que está velho, se acha a última bolacha do pacote, mas ainda é um defensor razoável, e o Brandon Haywood, que é um ótimo defensor no garrafão e tem tudo para acompanhar melhor o ritmo do Mavs no jogo de transição. O atual pivô do time, Erick Dampier, tem cada vez mais problemas nos joelhos e precisa ser poupado em jogos seguidos, então a chegada do Haywood é essencial para o garrafão do Mavs. O Dampier até que quebra um belo de um galho, especialmente com a ajuda de Jason Kidd (que faz qualquer um render melhor no ataque), e bem provavelmente vai continuar sendo o titular da equipe. Mas o Haywood vai acabar tendo mais minutos do que ele, porque embora nunca tenha sido um gênio nos rebotes, sempre teve um bom tempo de bola e pés bem rápidos na defesa. O pessoal em Dallas já fala de planos de usar os dois ao mesmo tempo contra garrafões mais fortes, o que torna a equipe muito mais versátil.

Para isso, o Mavs teve que perder também o Drew Gooden, mas ele não faz falta para a equipe. O Gooden é muito bom, mas o coitado sempre teve que jogar improvisado a vida inteira. No Grizzlies, equipe que o draftou, tinha que jogar de ala-armador porque não tinha outro mané para ocupar a vaga (o coitado teve que aprender a arremessar de três, sem sucesso), no Cavs e no Mavs tinha que quase sempre jogar de pivô para tapar buraco. Seu jogo sofre muito embaixo da cesta, ele prefere ficar nos arremessos de média distância, mas no Mavs seu talento nos arremessos era meio inútil frente à quantidade de arremessadores na equipe, especialmente o Nowitzki que também joga fora do garrafão sempre que pode. O resultado era o Gooden sendo pago para brigar por rebotes e defender o aro, coisa que ele não faz muito bem e que Haywood vai executar com muito mais facilidade. O Mavs manda também o Quinton Ross, bom defensor de perímetro, e o James Singleton, um ala brigador para dar pancada quando tiver briga com a torcida ou quando alguém não pagar uma dívida.

Pro Wizards, a troca é para começar de novo. Os contratos de Ross e Singleton são praticamente simbólicos e, assim como os contratos de Drew Gooden e Josh Howard, terminam nessa temporada. De repente, com apenas uma troca, o time entra na brincadeira para contratar alguém na imensidão de estrelas que estarão desempregadas ao fim dessa temporada. É um excelente ano para reconstruir, tendo em vista a quantidade de talento disponível, e o Wizards vai ter uma graninha para tentar a sorte. E, por enquanto, só pra não perder demais, fica torcendo para o Josh Howard mostrar que todo o potencial que se via nele não foi ilusão de óptica.

Na tentativa de reconstruir a equipe antes que se diga parangaricutirimirruaru, o Jamison também está disponível para ser trocado e, se conseguirem mandá-lo por mais contratos expirantes, o Wizards vai poder construir um time inteirinho novo com a grana. Mas vai ter que ser em volta do Arenas, porque dele não vai dar pra se livrar. Já cogitam que o Jamison vá para o Cavs ou para o Celtics, por exemplo.

Essa é uma daquelas trocas que pode parecer um assalto, mas que deixa os dois lados felizes. O Mavs se transformou num time muito mais forte. Agora Shawn Marion, Butler e Haywood podem tornar o Mavs uma equipe mais defensiva, Butler vai render tudo aquilo que se esperava de Josh Howard no ataque para desafogar Nowitzki (que não é das estrelas mais constantes em pontos), e o garrafão fica mais versátil porque terá dois jogadores capazes de brigar lá dentro, ao invés de ter um ala improvisado. Ainda acho que não é o bastante para que o Mavs pense em título, mas a aquisição de Haywood é essencial para um eventual confronto com Lakers e Nuggets, donos de um garrafão que faz todo o resto do Oeste fazer xixi na cama. O Mavs tem agora um elenco muito mais forte do que tinha na temporada passada, prova de que seu dono Mark Cuban não poupa verdinhas em busca de um título. O teto salarial dessa temporada é de 57 milhões, e o Mavs passa a pagar 90 milhões! São mais de 30 milhões acima do limite, o que resulta em 30 milhões a mais gastos só com multas (daria pra estacionar uma caralhada de carros fora da vaga). Com o esquema tático favorecendo um pouco mais Jason Kidd e um elenco cada vez mais grandioso ao seu lado, esse Mavs deve ser levado a sério, ao contrário de ser um time invisível que todo mundo sabe que não dá em nada como era até pouco tempo atrás. Ainda não acredito, sou um incrédulo infiel sujo, mas quero mais é que essa equipe prove que estou enganado. Agora, ao menos levo o time a sério. Vai demorar um pouco para todas as peças encaixarem, Haywood e Butler não conseguiram treinar com a equipe ainda, e nesse Oeste mais disputado do que mulher sem gonorreia no carnaval é bem capaz que percam várias posições na tabela, mas para os playoffs estarão firmes e fortes. Enquanto o Wizards assiste tudo em casa, tentando garantir que o Arenas não apronte nenhuma e convencendo alguma outra estrela para jogar com o armador. Vai ser difícil, mas pelo menos foi corajoso - melhor do que o Pistons que não decide se renova ou não renova, manteve o Hamilton e torrou a grana antes de poder brincar na temporada que vem. Funhé.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Fuçando no lixão

Esse gesto, na língua para surdos, significa "Eu fedo"


Tentando salvar umas verdinhas, essa é a época do ano em que os times mandam um punhado de jogadores para o olho da rua. Equipes em busca das últimas peças para compor seus elencos para os playoffs costumam, então, dar uma olhada no que foi jogado fora, no que não deu para aproveitar, e ver se há algum resto ali que dê para usar de alguma forma. Em geral é um trabalho degradante de revirar o lixo, melecar as mãos, deparar-se com um ou outro Kwame Brown no meio da sujeira e ficar enojado, mas volta e meia tem alguma coisa que vale a pena. Vamos, então, dar uma olhada no lixão e ver o que alguns times optaram recentemente por levar para casa!


Sem Amar'e Stoudemire, que cedo ou tarde ainda vai ter que usar um olho de vidro, o Suns definitivamente sente falta de uma presença física no garrafão e é obrigado a colocar, ao lado de Shaq, jogadores mais mirrados como Grant Hill ou Matt Barnes. No meio de um monte de papel higiênico usado, então, o Suns encontrou um pouco de estrume descartado pelo Nets: trata-se de Stromile Swift.

Não dá pra acreditar que mais alguém tenha coragem de oferecer um contrato para ele, é assustador. Assim como tem gente que passa a vida inteira ainda acreditando no Kwame Brown, no Isiah Thomas e no Gustavo Nery, parece que nunca se esgota a esperança de que o Swift torne-se finalmente um bom jogador. É sempre aquele velho caso do apreço pelo potencial, e basta dar uma olhada no Stromile para perceber que todas as ferramentes físicas estão lá, de verdade. Toda temporada parecia que ele finalmente deslancharia, e as enterradas violentas e pontes-aéreas sensacionais pareciam apenas uma prévia de algo que se tornaria a norma, não a exceção. Foram anos e anos fedendo no Grizzlies, sempre com enterradas incríveis e partidas medíocres, mas uma hora ele iria jogar pra valer, afinal é muito novo, muito inexperiente. Até que o Grizzlies aparentemente se encheu e o contrato acabou.

Meu Houston Rockets, então, precisava desesperadamente de uma presença física para jogar ao lado de Yao Ming, e adivinha quem estava dando sopa? Confesso que entrei na empolgação, eu era jovem, ingênuo e ainda achava que a Sandy era virgem, então vibrei com a contratação do Stromile Swift na certeza de que ele tinha muito potencial e seria a peça que complementaria perfeitamente o jogo mais técnico e comedido do pivô chinês.

Bem, com o Swift na equipe o Houston começou a aparecer em vários Top 10 de jogadas semanais, com enterradas monstruosas seguidas sempre daquele sinal de "sou da paz" que ficou característico. Quem acompanha pelo YouTube, então, acha que está tudo ótimo, mas quem acompanha de perto nunca viu um jogador tão inútil em quadra. Ele é a versão jogador de basquete da Angela Bismarck cantando, e sempre com esse papo de que "está se aperfeiçoando", de que "está aprendendo". Coisa nenhuma, em matéria de técnica ele é o mesmo jogador desde seu primeiro minuto na NBA.

Meu Rockets se livrou rapidinho dele, junto do novato Rudy Gay, em troca do defensor e pau-pra-toda-obra Shane Battier, e embora eu não queira falar sobre essa troca (imagina só ter o Rudy Gay nesse time ao invés do T-Mac zumbi!) fiquei bem feliz na época por ter me livrado do Swift. Na verdade, ainda fico feliz hoje, talvez até tenha valido a pena. O engraçado é que a troca mandou o coitado justamente de volta para o Grizzlies, o que é engraçado porque supostamente eles deveriam saber a merda que estavam recebendo. Quando a palavra "potencial" está em jogo, parece que os times têm memória curta, mas é claro que não deu certo.

Talvez no Nets, então, com Jason Kidd, ele pudesse se tornar o novo Kenyon Martin, aquele cara que fede mas tem os dotes físicos para pegar ponte-aérea atrás de ponte-aérea e até parecer bom. Até o Mikki Moore fez a carreira dele assim, eu também poderia, mas o Stro não conseguiu. Afundou no banco e deixou até de ser estrela de YouTube (embora seu currículo por lá seja extenso, vale muito a pena conferir). Já faz mais de 8 anos que ele é "jovem e cheio de potencial", acho que chega uma hora em que você olha para a cara do sujeito e percebe que ele tem rugas e uns cabelos brancos, fica meio ridículo. Ainda assim, o Suns deve achar que ainda vale uma tentativa.

Ironicamente, se eu tivesse que imaginar ele dando certo num lugar, seria no Suns. O que não quer dizer nada, claro, porque se eu tivesse que imaginando ele dando certo com algum jogador seria com o Kidd, e nós sabemos que não funcionou. Até poderia dizer que o "Stro Show" (apelido cheio de força nominal, aliás) vai ajudar de leve o Suns, enterrar aqui e ali e tapar uns buracos. Mas eu é que não cometo o mesmo erro duas vezes, vai ser um fracasso retumbante assim como o Kwame Brown foi (ou está sendo?) em sua nova chance com o Pistons. Quem fede, fede.


Outro jogador em quem eu botei fé no Rockets foi o Luther Head. Apesar da inconsistência, dá para ver nele o potencial para se tornar um pontuador respeitado e um bom atirador da linha de três pontos. Por alguns minutos, eu até conseguia imaginar meu Houston reconstruindo o elenco em cima dele e do Yao, o que hoje mataria qualquer um de dar risada. Baixo demais, péssimo defensor, incapaz de armar o jogo, não existe posição em que Luther Head se encaixe. Pior ainda é sua mecânica pouco ortodoxa de arremesso, em que ele se taca para frente na hora de arremessar mesmo quando está livre (uma versão inversa do Ben Wallace, que sempre se taca para trás mesmo quando não faz sentido) e parece lhe exigir muito fisicamente. Depois de um punhado de arremessos ele está exausto e pequenas variações na mecânica já causam erros grosseiros. Definitivamente, nem um pouco confiável para alguém que só faria carreira se marcasse uns 20 pontos por jogo. Considere ele uma versão do Ben Gordon mas com as pilhas terminando antes do quarto período. Bem inútil, não é mesmo? Por isso, o Rockets mandou o sujeito embora, economizou uma grana, e agora o Miami Heat acaba de assiná-lo. Os arremessos de três pontos são uma clara deficiência da equipe, que acaba dependendo demais do Daequan Cook, e o Luther Head pode ajudar um pouco. Com o Wade armando o jogo, o Head pode jogar na posição 1 e não comprometer a equipe na armação, o que parece uma boa idéia. No meio do lixo, até que o Heat saiu no lucro. O único problema é que o empresário do Luther Head recusou outras propostas porque procurava garantias de que seu cliente iria ter minutos consideráveis em quadra, o que sempre é uma dor de cabeça: se ele sentar nos playoffs (diabos, o Heat vai pros playoffs!), será que vai arrumar encrenca com a comissão técnica?


Melhor ainda se saiu o Cavs, que recuperou o Joe Smith, mandado embora pelo time-outrora-conhecido-como-Sonics. Há pouco tempo atrás, ainda no Bulls, por diversas vezes ele era o melhor jogador em quadra com seu arremesso de meia distância consistente e bastante técnica no garrafão. Quando foi trocado para Cleveland, trouxe poder ofensivo para o banco de reservas e ganhou seu espaço. Ele é praticamente a antítese do Ben Wallace ou do Anderson Varejão, por ser meio mole mas versátil na parte ofensiva. Sem Ben Wallace e desesperado por alguém de mais de 20 centímetros no garrafão capaz de levantar os braços, o Joe Smith caiu dos céus. Além do mais, já tendo passado um bom tempo com o time, não terá que aprender os esquemas táticos (até porque eles não existem mesmo) e já tem certa química com o resto do elenco, tanto dentro quanto fora das quadras. Parece uma adição pequena, mas o Cavs precisava da possibilidade de ter um reserva capaz de assumir a carga ofensiva do Ilgauskas quando ele vai pro banco, já que Varejão e o novato JJ Hickson acham que "arremesso" é coisa de baseball. O banco passa a ser mais versátil, completo, e o Ben Wallace nem faz tanta falta assim, pra ser bem sincero. Não há nada que ele acrescente à equipe que não esteja lá em outras formas, e por isso acho que o Joe Smith será muito mais importante - e eficiente.


Outro jogador que o Cavs tentou contratar foi o Drew Gooden. Ele também já passou um bom tempo no Cavs e se encaixaria muito bem naquilo de que o time precisa: rebotes e arremessos de meia distância. Não conte com o Gooden para trabalhar ofensivamente dentro do garrafão, mas para efetuar o papel do Ilgauskas, ou seja, corta-luz na cabeça do garrafão, uma ameaça constante nos arremessos se deixado livre e rebotes ofensivos, o ala seria perfeito. Aliás, ele é inclusive bom demais para estar aí no meio de tanto lixo, sem emprego, bebendo nos bares e dizendo pra mulher que estava procurando trabalho. Acontece que o Kings, como deu a entender nas últimas trocas, parece cada vez mais interessado em deixar a pirralhada, especialmente o surpreendente Jason Thompson e o pivô-que-chuta-de-três Spencer Hawes, suar as pitangas. Seria bastante razoável deixar o Gooden no time até o final da temporada e tentar assiná-lo por menos grana então, quando o contrato acabar, mas acho que o Kings pensou duas coisas: primeiro, que o Gooden iria querer dar o fora dali bem rapidinho; segundo, que o Gooden tem mais de 12 anos. É uma abordagem audaciosa mas respeitável: "já que a gente está fedendo, então vamos feder de verdade e ter só meninada por aqui". Admiro o núcleo jovem do Kings, a limpeza que eles estão fazendo nas finanças é incrível, e agora um time que parecia fadado a ser mediano pela próxima década tem espaço para nascer de novo. É triste ver o Kings, que foi um dos times mais legais dos últimos tempos, lascado e nas últimas colocações? É claro que é, mas dá para ver alguma esperança. Assim, lá se foi o Gooden para a sarjeta.

Acontece que o Drew Gooden, por ser bom demais para o resto do estrume, está sendo abordado por muitas e muitas equipes. Além do Cavs, estão na briga o Mavs (que precisa de toda ajuda que puder arrumar para se fincar à oitava vaga para os playoffs) e o Spurs, que parece ser o favorito. Vários lugares, inclusive, dão como certa a ida de Gooden para San Antonio, e faz bastante sentido. O Spurs sempre faz estragos com uma dupla de garrafão composta por Duncan e mais algum bípede, basta haver algum pouco talento. Nessa temporada, com a contusão do Frabricio Oberto, o outro bípede ao lado de Duncan é o Matt Bonner, obviamente a maior mudança no Spurs desde que o Tim Duncan esboçou um sorriso uns 4 anos atrás. Em geral, o complemento no garrafão deles é sempre alguém para pegar rebotes, marcar duro e abusar no corta-luz, coisas em que Matt Bonner deixa muito a desejar. Ao invés disso, cria um perigo na linha de três pontos, alarga a defesa retirando marcadores do garrafão e converte seus arremessos quando livre. Parece ótimo, tem funcionado bem, mas é obviamente um desvio perigoso da tática que o Spurs emprega de modo tão eficaz na última década. Seria legal ter o Matt Bonner no banco para utilizar essa formação nos jogos em que for necessária, mas é preciso alguém capaz de dar umas cotoveladas e pegar uns rebotes embaixo da cesta. O Drew Gooden parece se encaixar muito bem dentro dessa necessidade e, quando fecho meus olhos, consigo vê-lo nitidamente acostumado com a parte tática da equipe e recebendo um anel de campeão no uniforme do Spurs. Também consigo ver a Mara Maravilha pelada puxando meu pé de noite, e não consigo saber o que me assusta mais; provavelmente o Gooden campeão. Malditos anos ímpares em que o Spurs sempre ganha tudo!

Faz sentido para ambas as partes e é bem possível que o Gooden, se ganhar um anel e tiver minutos consideráveis, continue sua carreira no Spurs pelas próximas temporadas. Pior do que ver o San Antonio ainda mais forte, no entanto, seria a situação ainda mais complicada para o nosso Tiago Splitter conseguir um espaço na NBA. É culpa do Kings, custava segurar o Gooden um pouco mais? Por que todo mundo demite jogadores-lixo mas deixa os melhores, de graça, para o Spurs e para o Celtics? É nessa hora em que aparecem os times grandes de verdade, em que todos os jogadores querem estar, e os times mequetrefes, dos quais todos os jogadores querem fugir. O Clippers, por exemplo, deve acorrentar seus jogadores nas camas para que não escapem durante a noite, enquanto o Spurs sempre consegue melhorar o elenco enquanto boceja, sem que nenhuma gota de suor tenha que cair para isso. Mundo injusto.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Quatrilho

Brad Miller tem fobia de garrafão


O último dia em que as trocas são permitidas na NBA é sempre, no sentido Alexandre Frota da expressão, o maior troca-troca. Todos os times colocam em prática seu jeitinho brasileiro e deixam tudo para a última hora, às vezes até para o último segundo. Parece que todo mundo mantém aquela esperança de que vai arrumar uma barbada, tipo Kwame Brown por Pau Gasol, até o horário limite. Quando nada parecido surge vindo do nada, os dirigentes acabam topando as trocas mais realistas e cheias de jogadores mequetefes no horário limite, para não sair com as mãos abanando.

O Denis listou todas as trocas anunciadas ao fim do horário permitido, analisando cada uma. Restaram apenas as trocas de mais peso, envolvendo quatro times, uma mais ou menos influenciando na outra. Podemos comparar com um relacionamento complicado de dois casais em que rola umas puladinhas de cerca entre eles que acabam influenciando a relação de todos. Então vamos dar uma olhada nesse quatrilho com cara de bacanal analisando, com calma, um time de cada vez.


O Kings está de olho na crise mundial que tinha acabado de forçar o Hornets a tentar trocar o Tyson Chandler mas, como vimos no post anterior, o Thunder voltou atrás. Ou seja, a equipe de Sacramento está interessada em economizar umas verdinhas e, ao mesmo tempo, manter o núcleo jovem da equipe. O primeiro passo foi mandar uma escolha de 2º round do draft para o Celtics em troca de Sam Cassell e um monte de grana. Foi dinheiro suficiente para enfiar o salário do Cassell nas orelhas dele e mandá-lo de volta para o seu planeta, e ainda sobrou por volta de meio milhão de doletas. O Kings também ficou sabendo que o salário do terrorista aposentado Shareef Abdur-Rahim vai ser quase integralmente pago pelo seguro, já que ele pendurou as chuteiras na temporada passada. Para completar, o Kings mandou Brad Miller e John Salmons para o Bulls em troca de Drew Gooden e do Nocioni. Financeiramente, o contrato do Nocioni é mais longo do que os outros, mas ele é um daqueles casos estranhos em que o contrato vai ficando mais barato com o passar dos anos. O Gooden encerra o contrato na próxima temporada e pode topar renovar o contrato por menos grana, se não quiser vai pra rua e ninguém no Kings vai dar muita importância. Economizando uma grana louca, a equipe de Sacramento ainda aproveita para colocar a molecada pra jogar: o pivô Spencer Hawes era bom demais para ficar no banco mas seu estilo de jogo era parecido demais com o do Brad Miller para os dois ficarem ao mesmo tempo em quadra. É legal ter um pivô branco que joga na habilidade, não enterra e sabe arremessar de três pontos, mas se você já tem um, pra que vai querer outro? É figurinha repetida, precisa trocar com algum coleguinha no intervalo. Já o John Salmons nunca foi apreciado no Kings, ele tem bons números, segurou as pontas na equipe nessa temporada quando o Kevin Martin se contundiu, mas todo mundo que acompanha o time sabe que o Salmons monopoliza o jogo e não sabe jogar em equipe. Sua saída dá mais minutos para o Francisco Garcia, que vem jogando cada vez melhor depois de uma boa Liga de Verão. O Kings só precisava que alguém caísse no conto do vigário do Salmons, e esse time foi o...

Bulls, que pelo menos leva junto um pivô de verdade, experiente e eficaz. Mas é um pivô que gosta de jogar no perímetro! Qual é o problema do Bulls que eles são incapazes de arrumar alguém que saiba fazer pontos no garrafão? Primeiro trocam pelo Ben Wallace (que só pontua se for cesta contra), depois draftam o Joaquim Noah (que tem todo o poder ofensivo de sua versão cover, o Anderson Varejão), e agora trocam pelo Brad Miller, que odeia contato físico e prefere ficar nos arremessos a uma distância segura da cesta. Minha nossa, tem time que nunca aprende. Mas a troca foi excelente para a parte financeira: o contrato do Miller vira farofa justamente na temporada 2010, em que o Bulls estará em sérias condições de assinar um par de estrelas. E se o Ben Gordon, na temporada que vem, pedir outra vez um contrato zilionário, o Bulls pode simplesmente mandar ele passear e dar a vaga para o Salmons sem muito peso na consciência, economizando trilhões. Mas para garantir a saúde financeira, o Bulls ainda tinha em mente se livrar de dois armadores que não teriam minutos com a volta do Kirk Hinrich. Um deles, o Thabo Sefolosha, foi para o Thunder em troca de uma escolha de primeiro round no draft que vem. O outro, Larry Hughes, ganha 12 milhões nessa temporada e 13 milhões na próxima. Quem aceitaria esse contrato bizarro? É aí que entra o...

Knicks, que aceitou o Larry Hughes e mandou em troca o gordo do Jerome James, o preguiçoso do Tim Thomas e o quebra-galho do Anthony Roberson. Achei engraçado porque o técnico Mike D'Antoni parecia gostar muito do Tim Thomas, afinal ele arremessava de três, corria bastante e nunca se esforçou pra defender, aliás ele nunca se esforçou muito em coisa nenhuma porque jogar basquete dá o maior trabalho, sabe como é. O Jerome James não joga desde os seus tempos de Sonics, e provavelmente só conseguirá chegar em Chicago carregado por um caminhão dos bombeiros, e se abrirem um buraco na parede para ele entrar no ginásio. Financeiramente a troca é idêntica para os dois lados, tanto em salários quanto em duração, então na prática é apenas uma preferência por posições: o Knicks precisava de um armador que jogasse na posição 2 e soubesse infiltrar, o Bulls precisava de alguém para tomar os minutos do Nocioni como reserva do Luol Deng. Pensando apenas em 2010 e na chance de conseguir LeBron James, o Knicks só pode fazer trocas que não comprometam em nada a folha salarial, então preferiram trocar peças parecidas apenas para dar uns ajustes no elenco. Outra troca nesse mesmo estilo foi mandar o Malik Rose, que sequer joga, em troca do Chris Wilcox, do...

Time-outrora-conhecido-como-Sonics. Como a troca do Chandler pelo Wilcox não deu certo, acho que receber o ala de volta ia ser muito constrangedor. A última coisa que um time tão jovem e com tanto potencial precisa é de um veterano reclamando porque quase foi trocado, fazendo cara de bunda no vestiário e jogando sem vontade. Ele é físico, corre bastante e vai se dar bem no Knicks até seu contrato acabar, é bem melhor do que o mané do Malik Rose que vem em seu lugar. O contrato dos dois termina na próxima temporada e, embora o Rose tenha até certo talento em seu meio metro de altura, acho que será apenas um "empréstimo" até o fim da temporada regular. Na pior das hipoteses ele pode ficar contando histórias de seus tempos de Spurs e ensinar para a pirralhada como é a sensação de, como é o nome daquele troço esquisito mesmo, ah sim, "vencer". O Thunder, que tem cinco escolhas de primeira rodada no draft dos próximos dois anos, se deu ao luxo de abrir mão de uma delas pelo Thabo Sefolosha, que aí sim deve ficar com o time por mais do que uma temporada. O suíço defende e infiltra bem, é excelente em rebotes para sua posição, e se saiu bem em um punhado de chances no Bulls. Lá, não teve espaço no meio da coleção de armadores, mas no Thunder pode se sair bem como reserva, é jovem, cheio de potencial, e uma boa escolha para um time cheirando a talco.


São quatros times, um trocou com um que trocou com o outro que trocou com o primeiro, mas resumindo, todos estão querendo garantir a saúde de suas finanças num momento de crise econômica, ter espaço na folha salarial para 2010 e pensar no futuro. Nenhum time ficou drasticamente melhor ou arrumou suas falhas: o Bulls não fará pontos no garrafão, o Kings não terá ninguém físico, o Knicks não terá um defensor e o Thunder não terá uma forma de escapar de sua maldição que o faz perder todos os jogos no último segundo (recentemente, foi mais uma derrota para o Nuggets, com outra bola decisiva do Carmelo). Mas todas essas trocas apontaram uma nova tendência de economia e planejamento para o futuro. Talvez, em breve, possamos ver alguns resultados, mas por enquanto foi tudo meio morno. Mais importante do que essas trocas foram as não-trocas: Amar'e continua no Suns, Vince Carter continua no Nets e T-Mac continua no Houston. Achei bom para os três times, e acho que eles terão sucesso imediato. Mas disso a gente fala em breve.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A falta de opção do Bulls

Derrick Rose (ou um cara parecido com ele de capuz)


F
az um tempo, algum leitor nosso que eu esqueci o nome (João Pedro, ele me lembrou nos comentários!) me pediu para fazer um post sobre seu amado Chicago Bulls com sugestões de escalações, assim como eu fiz com o Lakers e o Danilo fez com o Portland Trail Blazers.

Na época eu não topei porque a temporada não tinha nem uma semana de vida e eu queria ver o Derrick Rose em ação e saber como seria o Bulls do Vinny Del Negro. Assisti alguns jogos e ainda acho difícil fazer esse post, o time ainda não tem uma identidade e tem problemas graves que não há escalação que resolva. Mas pra mostrar que somos legais com nossos leitores e até pelo desafio de fazer esse post sobre o Bulls, aqui está ele. Ou melhor, aqui está o irmão adotado dele. Ficou diferente do proposto.

No primeiro jogo da temporada, o Vinny Del Negro usou uma escalação com Rose, Sefolosha e Luol Deng, com Hinrich, Gordon e Nocioni vindo do banco.
Se me dessem os dois trios anotados em um papel antes do primeiro jogo da temporada e pedissem para eu adivinhar qual era o titular e qual era o reserva, eu não saberia como responder!

Um trio tem o Rose, que realmente é ótimo mas que no primeiro dia da temporada não tinha provado nada ainda, e o Sefolosha, o pior jogador desses seis, então cheirava a banco. Mas por outro lado por que o Nocioni seria titular no lugar do Deng? Sério, eu não saberia responder.

Hoje vendo o Derrick Rose ser, com poucas semanas de experiência, o melhor jogador do time, fica mais fácil adivinhar, onde ele estiver é o time titular e pronto. Mas a verdade é que qualquer combinação que comece com o Rose e siga com Hirnich, Gordon, Deng, Hughes ou Nocioni faria sentido, todos são bons, ninguém é uma mega estrela e todos tem defeitos.

Então, escolher quem? E pior, como completar o time no garrafão? Com Aaron Gray, Tyrus Thomas, Drew Gooden e Joakim Noah temos exatamente o mesmo problema! Nenhum deles é um lixo, ninguém é de se jogar fora, mas nenhum é alguém realmente confiável, alguém que vai salvar sua pele num dia em que os armadores estiverem mal.

Por isso digo que o elenco do Bulls é muito bom. Tirando talvez o Cedric Simmons e, para alguns, o Sefolosha, o time não tem jogadores ruins. Mas, ao mesmo tempo, o time não tem jogadores muito bons. São 12 jogadores que jogam quando estão afim, 12 mulheres de eterna TPM que você não sabe se estão num dia feliz e bem-humorado ou num dia deprimente e horripilante (e sem sexo!).

A solução mais óbvia, pra mim, são trocas. O elenco não é ruim e pode até conseguir um relativo sucesso com esses jogadores, mas eu não manteria assim, ficar com esse elenco é se conformar em ter um time mediano.

O foco principal seria buscar algum jogador de garrafão com poder ofensivo. Sim, até o Randolph tá valendo na atual situação! Faz pelo menos uns 3 anos que todo mundo diz que o Bulls precisa de alguém ofensivo no garrafão e eles conseguiram a proeza de contratar, draftar ou trocar apenas por variações do mesmo tema: Ben Wallace, Tyrus Thomas, Joakim Noah e Drew Gooden. Ter o Gooden como melhor pivô ofensivamente é tão bom quanto ter o Herrera como melhor atacante, só serve para a segundona.

Mas como eu ainda não ganhei status o bastante para ser manager de times (meu time de fantasy ostenta a última colocação na Liga Bola Presa), vou comentar as escalações feitas pelo próprio Vinny Del Negro.

Segundo o 82games.com, o quinteto mais usado pelo Del Negro até agora foi Rose, Sefolosha, Deng, Thomas e Gooden. Ironicamente é o time com piores resultados. Tem média de 0,92 pontos a cada posse de bola, a segunda pior marca entre os quintetos do Bulls, e sofre 1,05 pontos por posse de bola, outra marca ruim.

Esse quinteto tem características defensivas, mas só no papel, já que o Sefolosha não tem jogado bem defensivamente como já jogou na passado. Além disso, o Tyrus Thomas não é tão bom quanto os seus tocos querem dizer, são números enganadores. Esse quinteto acaba sendo um time que não ataca e que finge defender.

Segundo os números, o quinteto de maior sucesso é Rose, Gordon, Nocioni, Thomas e Noah. Foram poucos minutos jogados nesses 10 jogos, mas o critério é bem simples, é ainda o princípio Scott Skiles de Bulls. Um armador rápido, capaz de costurar a defesa com infiltrações, dois arremessadores prontos para receber os passes e dois pivôs que só participam do jogo na defesa, contestando todos os arremessos e atacando os rebotes. Assim como na era Skiles, essa formação é boa quando os arremessos estão caindo e um poço bem fundo quando o Gordon não acorda inspirado.

Se você acha que o Bulls deve arremessar menos de longe nesses dias pouco inspirados e que deveria bater pra dentro, saiba que a formação do Bulls que mais joga dentro da área pintada é a Hirinch-Gordon-Nocioni-Thomas-Noah, seguida de perto pelo quinteto idêntico, mas com Rose no lugar de Hinrich. Os times que menos atacam a cesta são os que usam o Gooden como pivô: como todo mundo que enjôou de ver ele na ESPN nas transmissões do Cavs sabe, o Gooden vive por causa de seu arremesso, não faz mais nada no ataque.

Queria saber o que os torcedores do Bulls acham a respeito, já que visão de torcedor sempre é bem mais crítica e diferente, mas acho que esse Bulls do Del Negro ainda não tem cara depois de 10 jogos. O que até pode ser bom! Nos jogos que eu vi ele variou bastante as formações e está em busca da fórmula certa. Se daqui a 50 jogos ele ainda estiver trocando tudo o tempo inteiro em busca da tal fórmula é porque ele está perdido e/ou desesperado, mas para um começo de temporada é até bom. Sinal de que ele não é cabeça dura, o que é uma revolução para a era pós-Skiles, aquele careca que não deixava ninguém usar faixa na cabeça.

Atualização:
Tava relendo o post e vi que eu falei, falei, mas não dei nenhuma sugestão de escalação. Então vão aí duas:

1. Rose, Gordon, Nocioni, Gooden, Noah

O Rose é imbatível, está aí por ser o melhor jogador do time. Acho que seu estilo de jogo deve ser o mais agressivo possível, sempre usando sua velocidade ou força. Se ele deve arremessar pouco ou bastante, depende da marcação que recebe, mas deve sempre ser uma ameaça no garrafão adversário para criar os arremessos de fora.

E é pelos arremessos de fora que eu escolho Gordon e Nocioni, os dois melhores arremessadores do time atualmente. E sou fã do Nocioni na defesa, ele não é tão bom quanto a dupla Chicão e William mas a sua falta de orgulho, sempre se jogando em jogadas difíceis sem medo de tomar enterrada na cabeça, é algo que eu acho sensacional. Muita estrelinha por aí nem pula nas bolas com medo de aparecer no YouTube passando vergonha.
Para o garrafão eu peguei a melhor opção ofensiva, Gooden, e a melhor defensiva, Noah. Nenhum dos dois é um primor em cada uma das áreas mas acho que é a combinação que mais se completa.


2. Rose, Hughes, Deng, Gooden, Noah

Apesar de tudo o que se passou em Cleveland, o Larry Hughes tem algum talento debaixo daquele monte de dólares e jóias. Com o Ben Gordon na sua reserva ele não precisa se preocupar em se poupar e pode ser um defensor agressivo, dando a defesa de perímetro que faria o Bulls um time ainda melhor na defesa.
Colocar o Deng no lugar do Nocioni deixaria o time com uma opção a mais de jogador que sabe criar seu próprio arremesso, suprindo a ausência do Gordon.

Mas de qualquer forma, prefiro a primeira opção, com o Larry Hughes vindo do banco junto com o Hinrich e o Deng, que, por mim, seria trocado.


Cena bizarra em Los Angeles!

Pressionado por Odom e "The Machine", o Tayshaun Prince capotou em cima de um cara e uma mulher na primeira fila do STAPLES Center. Resultado: o cara de cabelo descolorido não larga a mão do Prince, enquanto a garota faz uma careta e parece dar uma fungada no cangote do Prince como se ele fosse uma linda morena.



No fórum do InsideHoops fizeram um GIF com essa cena, que em câmera lenta fica muito mais engraçada.


8 ou 80

Sabe a melhor coluna sobre basquete no planeta, a "8 ou 80" do BasketBrasil? Ela está de volta e fala sobre o nosso amado Spurs. Leia lá e veja como o autor estava completamente correto quando escreveu: Bowen saiu do time, Spurs melhorou a defesa, as vitórias voltaram.
Esse cara que faz a coluna é um gênio, pena que está em último na Liga de Fantasy.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O dilema da primeira escolha

A possibilidade de ser draftado apenas com a terceira escolha leva Beasley a fazer gestos obcenos


Já faz um tempo desde que tivemos uma real polêmica sobre quem seria a primeira escolha de um draft da NBA. Em 2007, não havia muitas dúvidas de que o Blazers escolheria Greg Oden. Em 2006, Andrea Bargnani era garantido na primeira escolha do Raptors. Em 2005, Bogut era unanimidade para ir para o Bucks. Só em 2004 consigo me lembrar de discussões acaloradas debatendo se o Orlando Magic escolheria Dwight Howard ou Emeka Okafor. O que, aliás, hoje parece uma grande piada.

No draft de 2008, que ocorrerá no dia 26 de junho, finalmente temos uma dúvida verdadeira sobre quem será chamado com a primeira escolha, pertencente ao Chicago Bulls. Se Michael Beasley era unanimidade há poucos meses atrás, agora Derrick Rose está listado no topo da lista na grande maioria dos sites especializados. Então vamos dar uma olhada nas duas figuras e no que a noite do dia 26 nos reserva.

Bem, antes de mais nada, o Bulls fede. Por um tempo até pareceu que não, deram uma enganada, foram para os playoffs, mas aí tudo ficou bem claro: eles fedem pra valer. Jamais vi um time tão incapaz de jogar dentro do garrafão, com 500 jogadores diferentes entrando em quadra para arremessar de 3 pontos. É como se todo mundo no Bulls tivesse fobia de garrafão, e por uns tempos até pareceu questão psiquiátrica mesmo. O time chegou ao ridículo de ter como suas principais armas debaixo da cesta Luol Deng e Andres Nocioni, dois jogadores cujo ponto forte é justamente o jogo de perímetro mas ao menos não se recusam a chegar perto do aro às vezes, pra variar. É como se o Rogério Ceni fosse o único jogador do São Paulo que fosse pro ataque, saca?

Com tamanha deficiência no ataque à cesta, as defesas adversárias passaram a focar na proteção do perímetro e viram o Bulls se desintegrar por completo, passando até vergonha. De repente, todas as falhas do elenco estavam mais expostas do que a bunda da Carla Perez e até time Dente de Leite sabia o que fazer para derrotar a equipe de Chicago. Com tudo indo ladeira abaixo, o que restou para o Bulls foi o famoso ditado "pisou na merda, abre os dedos". Desistiram de vez da temporada, trocaram de técnico e se livraram do Ben Wallace em troca de um jogador que - pasmem! - pelo menos aceitava chegar perto do aro: Drew Gooden. Vamos contar até dez para que os leitores que perceberam o quanto é engraçado chamar o Gooden para resolver o problema de pontos no garrafão parem de gargalhar. Pronto, pronto, passou.

Sendo bem sincero, o Gooden teve ótimas atuações no Bulls, o elenco subiu de produção com sua presença em quadra, mas dá pra levar a sério como esperança do time um sujeito que usa esse cabelo e essa barba?

Isso nos leva imediatamente ao Michael Beasley. Possível primeira escolha no draft, o ala é um pontuador e reboteiro nato, um monstro ofensivo, uma arma letal tanto de frente quanto de costas para a cesta. No perímetro, Beasley pode arremessar de trás da linha dos 3 pontos como todo e qualquer membro do Bulls (deve ser pré-requisito pra jogar por lá). Dentro do garrafão, seu jogo é refinadíssimo e seu ganchinho de esquerda é estiloso e letal. Além disso, tem ímãs nas mãos quando o assunto é rebotes ofensivos, sabendo se posicionar magistralmente bem em quadra. Um Carmelo Anthony no ataque, mais atlético e hábil nos rebotes. Bem, pelo menos pra mim, a comparação com o Carmelo é um elogio, embora para alguns hoje em dia seja pior do que xingar a mãe.

O que pra mim parece ser um casamento perfeito com o Bulls, resolvendo o problema de garrafão instantâneamente, começou a ser questionado por alguns motivos. Para começar, tem a coisa da altura. Alguém lembra do draft do ano passado em que ninguém conseguia dizer com certeza quantos anos tinha o calouro Yi Jianlian? Existiam milhões de teorias da conspiração dizendo que o governo chinês tinha sumido com a certidão dele, que ele na verdade tinha 30 anos, ou que então era um andróide ou coisas assim. A altura do Beasley é a mesma coisa e cada um diz um número diferente. Ele achava ter 2,08 mas muitos diziam que ele tinha 2,06. Na medição oficial, parece que o sujeito tem míseros 2,03. Bah, isso é ridículo, ele deve ser o anãozinho de sua turma de amigos! Um jogador que quer ser ala de força na NBA e que supostamente poderia jogar improvisado de pivô tem pouco mais de 2 metros? É o fim dos tempos, como diria seu avô (o seu, o meu e o de todo mundo).

Além disso, questiona-se muito a dedicação de Beasley aos treinos, sua paixão pelo esporte, sua atitude fora das quadras e sua vontade de jogar na defesa. Eu pessoalmente acho tudo isso uma besteira. Ele às vezes parece realmente desinteressado mas é porque ele domina o jogo no nível universitário de modo tão brutal que parece ficar até meio entediado. Acredito que bastarão alguns jogos intensos e umas cravadas na cabeça dele para que o rapaz comece a pegar gosto pela coisa e se dedicar mais aos treinos. Na parte defensiva, dizem que o Beasley nem sequer fazia de conta que estava defendendo no colegial, e que agora já marca bem ao menos no mano-a-mano. Não é um Ron Artest da vida mas mostrou progresso, o que é bom sinal. Se souber levantar os braços na defesa, já vai ser melhor do que o Carmelo, vai.

Mas essas dúvidas foram, aos poucos, deixando Beasley de escanteio em nome de outro jogador: Derrick Rose. O armador é um daqueles casos raríssimos que tem tesão de verdade por passar a bola. No mundo dos Mo Williams, JR Smiths e Jannero Pargos, alguém que prefere passar a bola ao invés de arremessar parece surreal, história de pescador. Rose é um passador genial, atlético pra burro, capaz de saltar sobre 12 carros e enterrar na cabeça de qualquer um, reboteiro, excelente na defesa e tão rápido quanto o Euller, o filho do vento. Não é um grande arremessador mas é simplesmente inacreditável quando bate para a cesta, acertando bolas incríveis mesmo depois de sofrer contato, tipo o Dwyane Wade. Um armador principal, reboteiro, bom defensor, que ama passar a bola, não sabe arremessar e enterra? É como um Jason Kidd que sai do chão, muita apelação!

Eu consigo entender porque o Bulls parece estar tão apaixonado pelo Rose. Como se não bastasse, o jovem armador é tranquilo, bitolado em treinamentos, se dá bem com técnicos e colegas de equipe, bom moço, lava as mãos antes das refeições e até passa fio dental. Se o Beasley virar um gordo nanico que não gosta de treinar nem defender, enquanto Derrick Rose vira o novo Jason Kidd tornando todos seus companheiros de equipe melhores, o Bulls vai ficar com aquela cara de "putz, escolhi o Kwame Brown" e ficar com a mão amarela, como quem solta pum. Não tenho dúvidas de que Rose é tentador e será uma estrela sem a menor sombra de dúvidas.

Mas mesmo assim, eu juro que vou vomitar se o Bulls escolher mais um armador. O Gooden e sua barba de Fidel Castro vão continuar sendo a única força da equipe no garrafão, inutilizando Ben Gordon, Deng e Nocioni no perímetro? Até acredito que Rose possa se tornar uma estrela maior e mais completa do que Beasley, mas às vezes é preciso deixar isso de lado e escolher quem fornece à sua equipe aquilo que ela mais precisa.

Quer uma prova disso? O Miami Heat. Não é nenhum segredo que o Heat quer Derrick Rose para fazer uma dupla monstruosa com Dwyane Wade. Dá pra imaginar quantos lances livres por jogo os dois cobrariam batendo para dentro do garrafão um depois do outro? Os jogos do Miami iriam durar 8 horas cada um, vai ser um porre. Além do que, somando a dupla a Shawn Marion, temos imediatamente um dos contra-ataques mais mortais da NBA. É de salivar, né? Mas e se o Bulls escolher mesmo Derrick Rose? Se for o caso, tudo indica que o Heat não deve pegar o Beasley. Eles estão perdidamente apaixonados por OJ Mayo, o armador que não é lá muito fã de passar a bola mas que é um arremessador fantástico e um dos maiores talentos ofensivos que um draft já viu. Ele e Wade seriam uma combinação perfeita, tipo arroz e feijão, queijo e goiabada, abobrinha e molho de tomate. (como assim, você não gosta?) Tudo porque o Miami prefere pegar um jogador que se encaixe no elenco ao invés do maior talento disponível. Mas se o Heat pegar o Mayo com a segunda escolha, então onde o Beasley vai parar?

Parece loucura que um jogador tão especial (e não no sentido Telethon da palavra) como Beasley, cotado por tanto tempo para ser a primeira escolha do draft, acabe indo parar lá na terceira escolha, mas é um cenário perfeitamente possível. Eu ainda acho que o Bulls deveria escolhê-lo, mas se eles não resistirem ao Rose e o Heat pegar o jogador que se encaixa melhor na equipe ao invés do melhor talento, Michael Beasley vai acabar parando tá em Minessota. Há rumores de que o Heat pode draftar o Beasley e trocar imediatamente Udonis Haslem, o tipo de coisa que nunca acontece e, quando rola de verdade, nunca é anunciado como boato antes. De todo modo, de uma coisa podemos ter certeza: o pessoal lá no Wolves deve estar torcendo muito para que o OJ Mayo vá mesmo jogar em Miami. Dá pra imaginar como seria um time com Beasley e Al Jefferson? Já dá água na boca para a temporada que vem e insônia até o draft começar.

Até lá, vamos brincar de tentar adivinhar a ordem das escolhas, mas dessa vez estamos frente a uma verdadeira incógnita, com vários cenários possíveis. O resto do draft é o de menos, no fundo. Por enquanto, vou quebrando a cabeça: quais devem ser as três primeiras escolhas?

domingo, 2 de março de 2008

Separados no Nascimento - Especial dos Leitores!

Estes são iguais só no estilo


Infelizmente não é um post dizendo com quem vocês, nossos leitores, se parecem na NBA. Nós ainda não conhecemos os rostos de nosso amáveis, fiéis e adorados leitores, mas se você parecer com alguém da NBA, mande sua foto pra gente que você aparece aqui.

Na verdade, esse post é uma compilação de todas as sugestões de separados no nascimento que vocês mandaram pra gente nos últimos meses. Mas como muitas vezes as sugestões vieram em pequenos comentários soltos por aí, talvez eu tenha deixado passar vários, mas tudo bem, aí é só você comentar de novo nesse post, dizendo os dois caras parecidos e me xingando por ter ignorado você.

E depois que vocês comentarem bastante e eu atualizar esse post inúmeras vezes, vamos fazer uma enquete perguntando quem teve a melhor sacada, quem é a dupla mais parecida. Dessa vez não terá prêmio nenhum, afinal não somos milionários, mas vale o espírito esportivo, o jogar pelo prazer de jogar, pelo gosto de vencer honestamente (bonito, não? O Bowen pensa assim).
Para não repetir as coisas que a gente já disse, dêem uma olhada nos Separados do Nascimento já postados aqui no Bola Presa:

Jason Kapono e Novak Djokovic
Phil Jackson e O cara do KFC
Lamar Odom e Patrick Vieira
Oleksyi Pecherov e Stewie, do Família da Pesada

Ah, e outra coisa: qualquer comparação ridícula e que não tenha nada a ver, a culpa não é nossa! É dos leitores que mandaram. Pronto, agora que livrei minha cara, podemos continuar.

Começamos pelo Cassyus, leitor que nos pediu para colocar o Sandro Goiano, do Grêmio e do Drew Gooden, do Bulls.


Eu não sei se eles são tão parecidos assim, mas com certeza não são iguais no estilo de jogo. Ninguém na NBA parece o Sandro Goiano, ninguém dá carrinho com as duas pernas como ele na liga.


Já o Leonardo Studart nos mandou um e-mail com essas duas fotos abaixo, comparando o nosso famoso Zach Randolph com uma Tartaruga Ninja.

Sempre chamei o Richard Jefferson de Tartaruga Ninja, mas aceitei essa! A foto foi muito bem escolhida.

Agora é a vez do V.Giannini, que sugeriu duas coisas:
Primeiro é o praticamente aposentado Othella Harrington e o ator Cuba Gooding Jr.

Vocês não sabem como é chato e difícil achar fotos boas do Othella Harrington!

O segundo é o técnico Mike D'Antoni e o ator John Cleese


O leitor LPS, que em um post no começo do ano comentou dizendo que apostava a camiseta do Miami dele que o Lakers não ia pros playoffs, disse, tempos depois, que o chato cantor Sean Kingston era a cara do Zach Randolph.



Uma que até já postamos algum tempo atrás foi a sugestão do Rodrigo Lakers, que mandou o Fernandão, do Inter-RS e o Luis Scola, do Rockets.





No úlltimo "Both Teams Played Hard" foi a vez do Eric sugerir a semelhança entre o armador Jason Kidd e o Lincoln Burrows do Prison Break, o ator Dominic Purcell.


E ficando ainda no mundo das séries americanas que fazem sucesso enrolando a gente por anos e anos com mistérios e problemas que se recusam a serem resolvidos, vamos à última dupla.
Sugerido pelo leitor e vencedor da promoção do All-Star Game, o senhor Di-w, estão o espanhol Jose Calderon e o Sylar do Heroes, o ator Zachary Quinto.



Por enquanto é isso, pessoal. É só vocês mandarem mais sugestões que eu vou atualizando esse post aqui. Quando tivermos umas dez sugestões, aí a gente pára e coloca pra votação.

E se vocês puderem mandar o link com as fotos, agradeço. Adoro o Google mas passar horas no Google Imagens não é lá meu programa de domingo favorito. Ainda mais de mau humor depois que o Corinthians perdeu levando um gol daquele Valdívia $#@$#%#!!! Ufa, desabafei.

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Atualizando!
Recebemos inúmeras sugestões por email e pelos comentários e vamos atualizar aos poucos com as sugestões de todo mundo, mesmo com as do lps que apelou e buscou em outros sites ao invés de usar sua intuição!! Tá perdoado lps, como leitor fiel que sempre comenta, está perdoado!

Vamos começar com uma do Rodrigo Lakers, que mandou uma ótima, o Boris Yeltsin, ex-presidente manguaceiro da Rússia e o técnico que não bebe mas às vezes até parece, Don Nelson.


Outro que eu sempre quis colocar mas nunca achei as fotos certas é a que o V.Giannini disse, Carlos Boozer, do Jazz e o zagueiro Alex, do Chelsea, ex-Santos.

Depois tem mais!