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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Preview 2010-11 / Boston Celtics

Começamos hoje a seção que faz o preview de todos os times para a próxima temporada. Não vamos ter nenhuma ordem de postagem e iremos tentar brincar bem pouco de futurologia. Também podemos interromper os previews a qualquer momento para postar sobre outro assunto que pareça relevante.


...



- Eu não sei arremessar


Objetivo máximo: Título
Não seria estranho: Perder na semi-final do Leste para Heat, Magic ou Bulls
Desastre: Perder na primeira rodada dos playoffs

Forças: Elenco profundo, experiência em playoffs e entrosamento.
Fraqueza: Idade. Não perderiam se a liga fosse decidida no dominó.

Elenco (Veja todos os elencos da temporada aqui)


Boston Celtics
Titulares
Reservas
Resto
PG
Rajon Rondo
Delonte West
Avery Bradley*
SG
Ray Allen
Nate Robinson
Von Wafer
SF
Paul Pierce
Luke Harangody*
Marquis Daniels
PF
Kevin Garnett
Glen Davis
Semih Erden*
C
Shaquille O'Neal
Jermaine O'Neal
Kendrick Perkins

...
Técnico: Doc Rivers

Quem conhece o blog há algum tempo sabe que a gente não é muito fã do Doc Rivers. Até hoje os seus maiores méritos no Boston não foram as coisas que fez, mas as que deixou os outros assumirem para si. Em 2007-08, primeira temporada do trio Pierce-Allen-Garnett, Rivers deixou toda a parte defensiva sob a tutela de Tom Thibodeau (leia um pouco sobre ele nesse post). O resultado foi a melhor defesa daquela temporada e, digo lembrando do Pistons de 2004-2007, a melhor defesa que eu já acompanhei de perto na vida.

Naquele mesmo ano Doc Rivers foi feliz ao não querer inventar muito no ataque. Fez um sistema ofensivo simples que sabia usar bem os contra-ataques (que eram muitos, graças à forte defesa) e jogadas individuais dos talentosos Paul Pierce e Kevin Garnett.

Na temporada passada, com o ataque estagnado, muito por causa da idade e do desempenho irregular dos três veteranos, Rivers foi feliz ao entregar o ataque nas mãos de Rajon Rondo. Em algumas entrevistas ele disse que o armador tinha sinal verde para fazer o que queria com a bola na mão. E assim o ataque verde floresceu de novo. Com a ajuda de Thibodeau, que fez a vida de LeBron miserável naquela série contra o Cavs, chegaram de novo nas finais em 2010.

Nesse ano eles não tem mais Thibodeau, que é técnico do Bulls, para cuidar da defesa, mas tem um time que já aprendeu muito com ele nos últimos anos. E se Doc Rivers tem outro talento além de deixar quem sabe mais que ele trabalhar, é motivar. Com aqueles gritos e discursos inflamados ele faz o seu time render mais nos momentos mais importantes. O Heat pode ter seus talentos na flor da idade, mas vai ser duro enfrentar esse time sedento por vencer o novo trio de ferro.
...

Todo mundo sabia o que o título do ano passado significava para o Lakers como time: o primeiro título consecutivo de um time desde o tri do mesmo Lakers em 2000-01-02, a doce vingança sobre o Celtics que os destruíram em 2008 e o fim das acusações de time “soft”. Por isso, depois do jogo 7 da última final, perguntaram para Kobe Bryant, “Sabemos para o time, mas individualmente o que esse título significa pra você?” e a resposta foi na lata, sem pensar, “agora eu tenho um a mais que o Shaq.

O dono do Celtics, Wyc Grousbeck (leia o perfil que fizemos dele aqui), disse que foi ao ouvir essas frases, no calor da derrota, que decidiu ir atrás do Big Fella. Claro que deve (ou deveria) ter pesado na contratação o fato do Shaq não estar cobrando caro, a contusão até janeiro do Kendrick Perkins e o fato do Celtics ter tido nos rebotes a sua maior fraqueza na última temporada, mas ficamos felizes com essa apimentada a mais na rivalidade.

Além de Shaq, chegaram ao time outro O’Neal, Jermaine, e Delonte West. Como novatos estão no time Avery Bradley, um armador reserva que parece ser bonzinho, Luke Harangody, que fez estrago nas Summer Leagues com suas bolas de 3, e Semih Erden, pivô turco que fez bons jogos no último Mundial.

Se estivéssemos em 2000, 2001 ou até 2003, o atual Celtics poderia ser visto jogando apenas uma vez por ano, numa cidade cheia de festas e um dia após um campeonato de enterradas. Isso porque há alguns anos atrás, Paul Pierce, Ray Allen, Kevin Garnett, Jermaine O’Neal e Shaq batiam cartão em All-Star Games. Hoje em dia nenhum deles está em seu auge, mas não deixa de assustar olhar todos no mesmo time. A grande missão de Doc Rivers com esse elenco é saber como usar um pouco de todo mundo de maneira eficiente. Na teoria daria pra usar Shaq, Jermaine e KG todos por um período não muito grande de tempo, assim ninguém cansa muito e se preserva para os playoffs, mas na prática não costumam ser muitos os times que conseguem jogar bem fazendo muitas substituições. Lembro do Shaq no ano passado em Cleveland jogando muito bem por um período e depois de “ser preservado” no banco voltava já sem ritmo, fora do jogo, e pouco contribuía. Na seleção brasileira já vimos muito disso também, excesso de rotação e ninguém entra no ritmo do jogo.

Não vou ficar aqui sugerindo as formações que eu gostaria de ver no Celtics, principalmente no garrafão, porque ainda nem vimos elas em ação, faremos isso durante a temporada. O Doc Rivers não é o técnico dos sonhos, mas é esperto o bastante para usar o tempo de treinamento antes da temporada para testar Garnett ao lado de Shaq, de Jermaine, os dois O’Neals juntos e a que eu mais espero, Shaq e Glen Davis no mesmo garrafão, o que pode mudar o pólo magnético da Terra.

Independente das escolhas, parece claro que o Celtics tem o garrafão com mais opções na NBA e é de lá que eles devem arrancar suas vitórias mais importantes. Quando Perkins voltar vão ser tantos jogadores de características diferentes que eles tem todas as ferramentas para parar Chris Bosh, Dwight Howard, Gasol-Bynum, Duncan-Splitter, Boozer-Noah e qualquer outro que apareça pela frente. Garnett e Jermaine são fortes mas sem perder a mobilidade, Glen Davis é pesado e rápido, Perkins é uma parede, Shaq uma parede mais velha e Erden parece ser capaz até de marcar alas de força.

Nem tudo é bom no mundo verde, porém. As contusões atrapalharam o time nos últimos anos e nessa temporada eles tem o Jermaine, é quase certo que ele vai se quebrar de alguma forma. Com outros se machucando talvez tenham dificuldade de criar um padrão de jogo até os playoffs. E também tem a questão da queda de qualidade dos seus jogadores. Rajon Rondo é espetacular, mas não dá sinal de que está aprendendo a arremessar e só tem piorado nos lances livres (vide final do ano passado), incomoda ter sempre essa característica do jogo explorada. Ray Allen é capaz de quebrar recordes de 3 pontos em um jogo e passar os outros em branco e, como diz muito bem esse post do Celtics Town, Paul Pierce tem ficado pior nos minutos decisivos das partidas.

Como todo time experiente, o Celtics deve levar a temporada regular em banho-maria, não se incomodando de acabar em primeiro ou quarto lugar. Vamos ver do que eles são realmente capazes apenas nas partidas mais simbólicas, como a da estréia contra o Miami Heat. Até vou perder a novela pra assistir!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Os velhinhos

Glen Davis e Jermaine O'Neal não resistem a um beijinho


Torcedor tem memória curta, todo mundo sabe disso. Fica claro até aqui no Bola Presa, em que mantemos uma sólida média de 6 posts por semana durante toda a temporada e na offseason, que deveria ser o mais perto que conseguimos de "férias", tem gente reclamando quando passamos alguns dias (em pleno fim de semana!) sem postar. No Celtics, a amnésia foi ainda maior. Depois de uma temporada aos trancos e barrancos, perdendo jogos fáceis e despencando pela tabela, ninguém mais acreditava que eles pudessem ser reais candidatos ao título do Leste, muito menos então de toda a NBA. O time foi criticado por ser velho demais, cansado, sofrer com lesões, não ter um técnico decente, não ter adicionado jogadores bons o bastante para o banco, ter se acomodado e comer meleca de nariz. Foi aos poucos vencendo um jogo nos playoffs, dois, três, ganhou o Leste e deu sufoco para o Lakers na grande Final. Aí ninguém lembrava que eles tinham fedido na temporada regular, era claro que eles eram favoritos, como alguém pode duvidar de um time com Garnett, Pierce e Allen?

O Celtics fez tudo direitinho para enganar a memória da torcida. Se tivessem chutado traseiros na temporada regular e acabado no topo do Leste, mas aí fedido nos playoffs e sido eliminados logo de cara, todo mundo só se lembraria que o elenco está velho demais e que nem adianta tentar de novo. Como foi exatamente ao contrário, o que ficou na memória de todo mundo foi um time que sabe crescer na hora certa e vai com certeza dar sufoco no Lakers e no Heat na temporada que vem. Com essa certeza na cabeça, fez todo o sentido do mundo dar novos contratos para Paul Pierce e Ray Allen. O óbvio era manter o time e tentar mais uma vez logo depois de ter chegado até a Final e perdido com honra.

Ou seja, o Ray Allen é um baita de um cagado! Suas atuações nos playoffs, salvas raríssimas exceções, foram as que mais mostraram como o elenco do Celtics ficou mais velho do que a "Praça é Nossa". Após dominar um jogo, era possível ver como o time inteiro era incapaz de correr ou jogar fisicamente no próximo, exausto, com a língua de fora. Dependeram de jogadores novos mas limitados para segurar as pontas enquanto o Ray Allen ficava boiando no formol. Não dá pra negar que o trio do Celtics é espetacular, mas o corpo humano tem dessas coisas estranhas: a idade chega de repente, de um dia para o outro. O Garnett treinou excessivamente em suas férias, Ray Allen teve seu corpo muito exigido pela falta de um bom arremessador reserva, e o resultado foi que os dois desmoronaram repentinamente depois de um temporada inteira em que pareciam querer uma coisa e o corpo respondia outra, com atraso. Mais ou menos como o Yao Ming e o Ilgauskas devem se sentir dentro daqueles corpos enormes que parecem estar se locomovendo debaixo d'água.

Vibrei muito com o Celtics durante os playoffs inteiros e a sensação na Final contra o Lakers era de tristeza para mim: parecia nitidamente ser a última chance de Pierce, Garnett e Ray Allen ganharem mais um anel de campeões. Como os três, com suas limitações tão brutalmente expostas por times que jogaram de forma física e veloz, poderiam aguentar mais 82 jogos em uma temporada regular para então jogar os playoffs mais uma vez com a pirralhada adversária correndo e distribuindo trombadas de novo? A alegria por ver Artest ganhando um campeonato foi logo eclipsada pela angústia de ver um time que morria ali, ainda em quadra, enterro em pleno ginásio. Se tivessem fôlego de chegar no banheiro já seria muito. O Glen Davis ainda tinha a vantagem de que, gordo, poderia ir rolando.

Muito se falou sobre o Celtics ser desmontado, começar uma reconstrução, trazer reforços de peso, se livrar do contrato do Ray Allen e suas atuações risíveis nos playoffs. Mas todo mundo se esqueceu do ar cansado e do cheiro de asilo da equipe porque misteriosamente eles seguiram vencendo time após time até a Final. O Ray Allen seria um desses jogadores vovôs que de uma temporada para a outra só recebe ofertas pequenas e em geral para ser reserva (tipo o Shaq), mas o sucesso do Celtics na pós-temporada, bem a hora em que importava, escondeu sua decadência. Ray Allen poderia ajudar qualquer equipe da NBA por um salário módico, mas no Celtics lhe ofereceram um contrato de 20 milhões de dólares por duas temporadas. Menos do que ele ganhava antes, mas muito mais do que ele merece ganhar hoje em dia. Deu sorte.

Paul Pierce também topou um contrato novo menor do que ganhava antes. Ao invés de algo em torno de 20 milhões por temporada, ganhará 15 milhões, mas como expliquei antes foi apenas para garantir um contrato longo baseado nas antigas regras salariais, ou seja, garantir o leitinho e os diamantes das crianças. É uma boa pagar menos por um jogador de elite como Pierce, mas por outro lado insisto que em muitas ocasiões seu estilo de jogo é prejudicial ao Celtics - e especialmente ao Rajon Rondo, que se torna cada vez mais a grande estrela da equipe.

O Ray Allen é um jogador inteligente pra burro e que coloca medo nas defesas adversárias mesmo quando está fedendo. Sabe se posicionar para forçar a defesa para fora do garrafão, infiltra com bastante habilidade e é um defensor acima da média. Kevin Garnett sabe organizar o posicionamento defensivo da equipe, motivar os novatos, ameaçar de morte quem fizer cagada, beber o sangue dos bebês recém-nascidos dos adversários, e não compromete negativamente seu time mesmo em seus piores momentos, simplesmente por saber fazer coisas demais em quadra. Paul Pierce pode ser meio fominha, esquece o cérebro na gaveta às vezes, mas ainda é um dos melhores pontuadores da NBA e certamente é o jogador mais forte fisicamente em sua posição, algo que sempre ajuda quando ele não está andando de cadeira de rodas. Então seria um absurdo dizer que o Celtics já era e que renovar seus contratos foi uma cagada. Digamos apenas que pode não ter sido uma atitude muito realista - e certamente foi uma atitude pouquíssimo corajosa. A culpa nem é dos coitados, que envelhecem como todo ser humano e se dedicam vinte vezes mais do que qualquer um para estar em plena forma física, mas a temporada da NBA é ridiculamente longa. De um jeito retardado. Quando carinha quizer reclamar que passamos uns dias sem postar, pensa no tamanho da maldita temporada regular da NBA que acompanhamos de perto todos os dias e de como todo mundo precisa de férias, vamos ler um livro, bater um gaminho, dar uma namorada! O trio do Celtics não tem como estar fisicamente preparado para esse grau de desgaste físico principalmente após uma temporada em que todo mundo aprendeu que basta dar umas cabeçadas para os vovôs desmancharem. Negar que esse time não tem como se manter ileso fisicamente é negar uma realidade gritante. Manter esse time pode ser sensato, mas é covarde assim que admitirmos que eles não tem pernas para serem campeões da NBA.

No garrafão, vai faltar ainda mais perna com a saída de Kendrick Perkins. Apesar de ser feito de tijolos, o pivô contundiu o joelho na série contra o Lakers e só deve voltar às quadras, se tudo der certo, lá pelo meio de fevereiro do ano que vem (se aprendemos algo sobre a memória dos fãs, ele só vai voltar quando ninguém mais lembrar dele). Rasheed Wallace também não estará na temporada que vem porque se aposentou acertadamente. Percebeu não apenas que a idade chegou e seu físico está lhe deixando na mão com dores terríveis nas costas (coisa de velho no bingo, ou do Tracy McGrady), mas também que ele não estava motivado, não tinha saco pra aturar uma temporada inteira com o Garnett queirando cortar seu pescoço. Jogava por seus amigos no Pistons, mas não fez amizades em Boston. Foi realista e percebeu que não dá pra enfrentar o tempo ou o tesão que temos ou não temos pelas coisas. Que descanse em paz.

Pro garrafão do Celtics não virar geleia, o grande reforço foi a contratação de Jermaine O'Neal. Quem chega agora nem imagina que o cara já foi uma das maiores promessas da NBA, chutando traseiros diariamente e ganhando um salário exorbitante porque parecia que podia render ainda muito mais.



Só que uma lesão no joelho nunca mais lhe permitiu jogar com a mesma intensidade, sua evolução foi interrompida e tornou-se um jogador completamente diferente. Ficou velho, lento, jogando cada vez mais longe do garrafão, e tudo isso é muito engraçado porque ele sempre - sempre! - teve cara de bebê de comercial da Pampers, parecia que nunca ia envelhecer. Sua passagem pelo Raptors e pelo Heat foram até que animadoras, porque ele provou que não é o Saci Pererê, tem duas pernas, consegue andar de um lado para o outro e tem capacidade de ser um excelente reserva em algumas equipes por aí. Não vai revolucionar o Celtics mas vai dar uma força enquanto todo mundo espera o Kendrick Perkins. Até que se machuque, claro, porque o Jermaine é como se fosse o Clippers de um homem só, sempre alguma coisa em seu corpo tem que dar errado.

Entendo que a solução mais fácil, após o retorno súbito da esperança dos torcedores do Celtics (que estavam quase se conformando com o fim do time ao término da última temporada), era manter o mesmo elenco. O buraco no garrafão tinha que ser tapado e o Jermaine O'Neal estava lá dando sopa e topou uma graninha singela, de 12 milhões por 2 temporadas. Entendo também que são jogadores motivados, inteligentes, capazes de causar suadouro e botar medinho em qualquer time da NBA. Mas parece que eles estão apenas colecionando vovôs numa tentativa desesperada de me fazer sentir velho! Eu vi o Garnett em seu auge no Wolves, sendo fácil um dos melhores alas de força de todos os tempos; eu vi o Jermaine O'Neal no Pacers dominando jogos e sendo o mais valioso ala de sua geração, eu vi Ray Allen no Sonics levando um time nas costas sendo o melhor arremessador de três da história. E agora, diabos, o Sonics nem existe mais, o Jermaine precisa de bengala, o Garnett parece que vai desmontar às vezes como se fosse feito de Lego.

Torço por todos eles, acho nobre e justo que tentem de novo por uma última vez, e acho hilário que tenham adicionado ao elenco justamente outro jogador na mesma condição, em fim de carreira com um corpo que desiste do basquete antes que o cérebro aceite a derrota. Quero demais que se despeçam em grande estilo, com um anel de campeão. Mas a verdade é que ganharam todos contratos grandes demais, o time perdeu a chance de adicionar novas peças, e a reconstrução que estará nas costas de Rajon Rondo foi adiada e por isso será mais difícil de ser efetuada. Esse time não vencerá o Lakers estando um ano mais velho, com um Perkins voltando de contusão e uma chance gigantesca de que algum jogador fundamental do elenco esteja na enfermaria. Ou dois, ou três. Já mencionei que eles contrataram o Jermaine O'Neal? É possível que uma meia dúzia de jogadores morra de gripe ou osteoporose.

Coloquem o Celtics na lista de favoritos, não percam de jeito nenhum seus confrontos com o Lakers e muito menos com o Heat, em que o trio de velhinhos tentará ensinar alguma coisa para o trio de pirralhos. Mas não exagerem na hora de levar esse time a sério. Quando estiverem perdendo tudo na temporada regular vale lembrar que isso não significa nada, são apenas jogadores cansados, com um dos piores técnicos da NBA, que acabaram de perder o grande estrategista responsável pelo seu fantástico esquema defensivo (Tom Thibodeau foi ser técnico do Bulls) e que estão se poupando. Quando estiveram ganhando tudo na pós-temporada, vale lembrar também que não aguentarão tantos jogos, que o corpo vai desistir cedo ou tarde, que eles já foram espetaculares e agora nos emocionam apenas com um esforço desmedido e monstruoso que tenta nos provar que nada é impossível - enquanto, infelizmente, não conseguem vencer a natureza. A velha geração passou grande parte do tempo apanhando sozinha, solitária, sem chances reais de ganhar um título, e só foram se juntar quando já era tarde demais e o físico não funciona mais. A nova geração aprendeu mais cedo. Talvez não funcione, talvez os velhinhos ainda possam nos surpreender. Mas cada vez mais, o Celtics é uma corrida contra o tempo. E, para mim, esse tempo já terminou.

sábado, 17 de julho de 2010

Os reis - Parte 3: Chris Bosh

Encerramos hoje (para alegria de alguns, que não aguentam mais ver a gente falando nisso) uma série de 3 artigos sobre o novo Miami Heat. Cada um deles foca um dos três jogadores que acabam de assinar com a equipe (LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh), analisando o que essa superequipe significa para cada um, para suas carreiras, e como decidiram tornar essa união possível. O primeiro artigo foi sobre Dwyane Wade e seu posto soberano no Heat. O segundo foi sobre LeBron James, seus tempos de colegial e como isso pode ter influenciado sua escolha. Para finalizar, o terceiro artigo abaixo aborda Chris Bosh, sua maldição por ter que jogar de pivô e sua invisibilidade em Toronto que tenta, agora, ser deixada para trás.

Bosh parece um dinossauro, tem pescoço de brontossauro, e por isso não deveria sair do Raptors

No ano em que o Chris Bosh entrou na NBA, era uma droga conseguir acompanhar jogos do Raptors. As transmissões na internet eram escassas e a TV religiosamente ignorava a franquia fracassada do Canadá, que nem é país de verdade, para transmitir jogos do LeBron James novato e do Denver Nuggets com Nenê e Carmelo Anthony (especialmente a TV brasileira, que tem um patriotismo bizarro e nos forçou a assistir por muito tempo um dos piores quintetos da história da NBA, que era aquele Nuggets com o brasileiro ainda novato, irch). A maioria das coisas que sabíamos de Bosh era de "ouvir dizer", até ele jogar o All-Star Game com os outros novatos. A primeira vez que ele tocou na bola fora do garrafão e bateu para dentro com uma série de dribles secos, rápidos e bem executados, fui à loucura. Seu físico lembrava o de Kevin Garnett nos primeiros anos na liga, ou seja, um magrelo anoréxico de braços gigantescos, mas com mãos é pés rápidos, talento para sair driblando, arremesso consistente e muito confortável de frente para a cesta, como se fosse um armador que comeu muito Neston quando era criança e cresceu demais. Fiquei imaginando que colocar aquele sujeito dentro de um garrafão deveria ser um crime punido com cadeira elétrica. Se não fosse pelos seus 2,08m de altura, ninguém jamais teria considerado tal heresia. Mas num time sem tamanho, Bosh não apenas foi colocado perto do aro - ele virou o pivô da equipe.

Para se ter uma ideia, é o equivalente a colocar uma garotinha de 4 anos no seu vestidinho de aniversário para enfrentar, várias vezes por semana, escoceses gordos que arremessam toras de madeira e comem carne crua. Os primeiros anos de Bosh foram cruéis, com as dificuldades de adaptar-se à liga - que afligem a todos os pirralhos - somadas às dificuldades de jogar fora de sua posição natural, ganhar físico rapidamente e apanhar mais do que a Rihanna dos brutamontes no garrafão. Mesmo que a NBA tenha sofrido nos últimos anos com uma imensa falta de pivôs, Bosh sempre teve que jogar contra jogadores muito mais fortes, mais físicos e na maioria das vezes mais altos do que ele. Conforme se distanciava do aro para poupar o físico e usar melhor seus recursos ofensivos, como arremessos e infiltrações, mais o Raptors sofria com a falta de uma presença física lá dentro, especialmente para os rebotes ofensivos.

A situação era tão ruim para o Bosh que o Raptors, em desespero, escolheu um pivô no draft muito antes do que ele merecia, apenas para suprir a necessidade. Era o brasileiro Baby, um dos piores pivôs a ter pisado numa quadra da NBA, e ali se dava o primeiro passo da maldição de Chris Bosh. Seu desenvolvimento dependia de que pudesse jogar em sua posição natural como ala de força, e o Raptors destruiu-se como franquia apenas para tentar reparar essa impossibilidade: com contratações, trocas ou mudando o estilo do time para jogar com o Bosh no garrafão sem prejudicá-lo tanto, o time foi pelo ralo junto com o físico, a felicidade e o rendimento do pivô improvisado.

A lista de fracassos do Raptors nas tentativas de acomodar Bosh é imensa. Além de Baby, no mesmo ano contrataram Aaron Williams, que vinha de uma boa temporada alimentado pelos passes de Jason Kidd, e é claro que ele não deu certo sem o armador que faz a carreira (e o salário) de tantos jogadores por aí. Com a chegada de Bryan Colangelo, engravatado que administrava o Suns e resolveu ir brincar no Canadá, Baby foi imediatamente trocado pelo Kris Humphries, um pivô que nunca deu certo mas ao menos quebra um galho na defesa. Colangelo trouxe também Nesterovic, o pivô de ombros largos e cabeça minúscula, com cérebro de estegossauro, que foi campeão no Spurs mas só faz o trabalho sujo, não sabe sequer amarrar os cadarços. O pirralho Charlie Villanueva, que estava chutando traseiros e na briga por ser novato do ano, ganhava cada vez mais minutos em quadra e forçava, com isso, Bosh a jogar de pivô. Após muitas reclamações, embasadas nas lesões cada vez mais frequentes que assolavam o corpo combalido do pivô improvisado, Villanueva foi trocado pelo armador TJ Ford apenas para que Bosh ficasse contentinho. Mas o armador não apenas era feito de vidro e sofreu sérias lesões durante sua estadia em Toronto (uma delas, na coluna, com risco de lhe encerrar a carreira) como também, mesmo saudável, nunca deve ter passado a bola uma vez sequer para o Chris Bosh porque é um fominha safado. Depois da ida de Villanueva, veio o pivô Jake Voskhul, que me obrigou até a ver como escreve o nome dele no Google, vinha de uma temporada razoável no Suns e foi uma das aquisições mais risíveis na história da franquia. Quando Jermaine O'Neal foi trazido ao elenco, a única ajuda legítima que Bosh recebeu no garrafão em toda sua carreira, contusões tiraram o vovô das quadras por muito tempo e Jermaine foi rapidamente trocado para liberar espaço salarial em uma temporada que já estava completamente perdida mesmo.

Não faltou esforço em Toronto por parte de Bryan Colangelo. Por vezes, fez o possível para trazer ao menos algum pivô para a equipe e colocar Bosh na ala. Por outras, frente ao fracasso absoluto dos pivôs que frequentaram o elenco (era tanto cara ruim que seria melhor usar o Rajon Rondo de pivô), tentou tornar o Raptors uma cópia paraguaia do Suns, com o Bosh jogando de pivô num sistema de jogo veloz, de correria, que permitisse aos jogadores de garrafão atacar o aro ao invés de ter que jogar de costas para ele, enfrentando marcadores maiores e mais pesados, como fazia Amar'e Stoudemire em Phoenix. Nunca deu muito certo em parte porque sempre faltou ao time um armador que pudesse impor esse estilo de jogo (TJ Ford sabe correr, mas só para a frente e alguém tem que ficar perto de sua orelha para avisar que a quadra acabou), mas também porque Bosh continuava sofrendo com o abuso físico de ter que defender pivôs maiores e ser recebido com pouca delicadeza no garrafão pelos defensores adversários. Desde sua segunda temporada na NBA, nunca chegou nem perto de jogar todas as partidas graças a lesões físicas, com exceção da temporada em que jogou ao lado de Jermaine O'Neal, em que conseguiu resistir a 77 jogos.

É por isso que as reclamações constantes de Bosh nunca foram tidas como "estrelismo": elas sempre foram justificadas. Chris Bosh é um jogador auto-centrado, de vida pública bastante restrita, longe de quaisquer polêmicas ou debates. Sempre se deu bem com a vida no Canadá, longe dos grandes centros comerciais, da falação da mídia e da badalação dos fãs americanos. Declarou seu amor ao estilo de vida canadense um sem número de vezes, dando todas as indicações de que se manteria no Toronto Raptors assim que surgisse a oportunidade. Mas nunca parou de avisar, em tom de reclamação, que só teria como ficar no time se montassem ao seu redor uma franquia vencedora - em que ele pudesse jogar de ala, não de pivô. Chororô que lhe virou marca registrada.

O ego de Bosh sempre foi uma coisa bastante confusa. Sua postura tranquila e humilde de morador canadense que não se importa de morar longe da atenção da mídia convive com uma postura de estrela que constantemente afirma não ser um jogador para "fechar um elenco", mas sim uma estrela em volta de quem franquias deveriam ser construídas. É possível entender um pouco isso. Quando ele era novato ninguém tinha como acompanhar seus jogos, longe das grandes televisões, mas agora é fácil pela internet e nosso amado League Pass. Só que para o público em geral, mesmo nos Estados Unidos, que depende em grande parte da televisão para acompanhar a liga, Bosh ainda é um desconhecido. Tratam-no como um jogador secundário, um cara "bonzinho" no garrafão, e não lhe ajuda a imagem em nada o fato de que continua, ano após ano, jogando fora de sua posição de origem. Bosh ganha mais peso, mais músculos, mais massa, aprende a dar e receber porrada, mas não dá pra esconder a verdade: ele é magro, fraco e desconfortável frente ao impacto, para força física não existe silicone ou batonzinho que possa dar uma disfarçada. Nas raríssimas ocasiões em que podemos ver - pela internet - o Bosh jogando como ala durante frações de uma partida, é como se o céu abrisse e os anjos tocassem vuvezelas: ele é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores jogadores da NBA. Mesmo tranquilo, humilde, brincando no Canadá com os ursos e os guardas florestais, deve ser bastante chato não ser reconhecido como merece graças a simples ignorância. Um jogador de seu calibre deveria, ao menos, estar nos playoffs constantemente para ter o mínimo de exposição na mídia e mostrar seu lugar. Mas em 2006-07, depois das trocentas alterações que o Bryan Colangelo fez ao elenco, o Raptors acabou em terceiro no Leste e foi facilmente eliminado pelo Nets em decadência. No ano seguinte, acabaram em sexto e foram eliminados pelo Magic, que começava a se tornar uma potência. Depois, nunca mais. Assim como aconteceu com o Cavs de LeBron, que fez as trocas mais estapafúrdias do mundo para mostrar serviço e nunca adiantou, o Raptors trouxe bons jogadores mas nunca sanou a principal deficiência, alguém no garrafão para ajudar Bosh. E, assim como Dwyane Wade, Bosh sabe como é estar num time fracassado, com apenas uma estrela, que sofre miseravelmente apenas para conseguir alcançar os playoffs.

A amizade com Wade vem desde que se reuniram pela primeira vez para jogar pela seleção americana. Sempre saíram juntos no Canadá, nas visitas do Heat a Toronto, e decidiram assinar contratos menores de extensão com suas equipes por partilharem do medo de ficar em times que fediam. Haviam se divertido tanto jogando juntos na seleção que não queriam mais ficar em times derrotados segurando o peso sozinhos. Dizem que, durante anos, Bosh alimentou a certeza de que iria jogar com Wade caso o Raptors não se transformasse. Quando a última temporada terminou, toda a esperança do Toronto Raptors de ter Bosh de volta não era nada além de aparência, aquela fé obrigatória que deve-se ter frente aos fãs para aparentar que, no mínimo, "a gente fez o que podia para manter o jogador". Era muito óbvio que ele sairia, e todos os amigos da dupla Bosh e Wade - LeBron James e Amar'e inclusos - sabiam que os dois jogariam juntos em algum lugar. Flertaram bastante com o Chicago Bulls apenas porque lá o Bosh sabia que não teria nunca mais que jogar de pivô, deixando a função para o Joaquim Noah. Por fim, preferiram ficar no Miami Heat apenas pela possibilidade de que o LeBron se juntasse a eles.

A decisão beneficiou Wade por lhe manter a casa, a praia, a camiseta, o título de prata da casa, maior estrela, queridinho da torcida. Para o LeBron, foram prometidas vagas de emprego para amigos, privilégios no ginásio para familiares, e uma franquia vencedora com planejamento e que há pouco ganhou um título de NBA mesmo com um elenco mequetrefe. Para o Bosh não poderia ser diferente e promessas também foram feitas: só assinou com a equipe quando Pat Riley lhe prometeu, pessoalmente, que ele não teria que jogar de pivô nunca mais.

A promessa de posição basta. Aquele papinho de que "sou bom o bastante para que times sejam construídos ao meu redor" é coisa de quem quer atenção, provar que é bom, não é um ego absurdamente gigante que vai devorar o Heat - embora seja um pouco perigoso. Deve ser suficiente que ele possa jogar na posição em que ele domina, como ala-pivô, constantemente em rede nacional, em televisões de todo o mundo, e possa mostrar para o público que pode ganhar alguns jogos por conta própria. Não tenho dúvidas de que vai surpreender muita gente, eventualmente sendo realmente melhor que Wade ou LeBron, e é apenas disso que ele precisa para reforçar sua auto-estima e colocar-se entre os grandes depois de tanto tempo exilado no Canadá. Ao contrário do que se imagina, ajuda muito o fato de que Miami não é um grande centro basquetebolístico e que Bosh terá mais chances de poder ir ao mercado comprar papel-higiênico - no Canadá ele podia andar de um lado para o outro sem problemas, ir ao shopping, ter uma vida comum (lembro até que o Matt Bonner, em seus tempos de Raptors, ia para o ginásio de trem). Fazer isso em New York seria impossível, em Chicago seria muito difícil, e tornou Miami ainda mais atraente.

Muito se fala sobre os três egos eventualmente acabarem implodindo Miami. Curiosamente, acho que o maior perigo está justamente no Bosh, que ainda sente que precisa se afirmar como jogador, provar quem ele é e o que sabe fazer. LeBron e Wade já são consagrados, amados-idolatrados-salve-salve, só lhes falta vencer (ou voltar a vencer). Quem pode exagerar a mão e exigir mais a bola, ou entrar em crise caso tenha que jogar de pivô, é o Bosh. Por sorte, seu comportamento em quadra sempre foi exemplar e silencioso. Não é um líder vocal, não fala com os companheiros, não dá ordens, não dá broncas, não pede a bola. Joga com uma seriedade que aprendeu com Kevin Garnett, joga cada vez mais defensivamente como seu grande ídolo do Celtics, e vai ser uma múmia em quadra enquanto LeBron grita e dança e Wade comanda o time no gogó. Os problemas podem aparecer apenas nos vestiários, e com o tempo. O essencial para evitar um desastre será um elenco que coloque um pivô ao lado de Bosh e um técnico que saiba colocar a bola em suas mãos, porque dificilmente ele irá pedir por ela sozinho.

Vamos falar mais sobre ele mais tarde, mas Erik Spoelstra é um excelente técnico, novo, descolado, disponibilizando os esquemas táticos do Heat para serem vistos em seus iPhones. Arma bem seus times, é excelente desenhando jogadas, sabe se comunicar bem especialmente com as novas gerações de jogadores (tem apenas 39 anos, é uma ninfeta), e saberá dividir bem a quantidade de tempo que a bola passará nas mãos de cada jogador. O curioso é que LeBron e Bosh tiveram dois dos piores técnicos da história da NBA: Sam Mitchell em Toronto e Mike Brown em Cleveland, então a dupla vai ter orgasmos múltiplos por ser treinada por um técnico de verdade. Pode até ser que o Pat Riley, um dos melhores técnicos de todos os tempos e atual engravatado-mór do Heat, assuma esse time. Mas a verdade é que sequer será necessário, e vai ser muito mais divertido ver essa molecada sendo treinada por um técnico moleque como eles. A felicidade de Bosh e sua participação nas jogadas de ataque está em boas mãos. Só falta agora ao Pat Riley arrumar um ou dois pivôs para quebrar um galho.

Seus tempos no Raptors lhe fizeram invisível para a maior parte dos torcedores, o que pode ser uma maravilha para caras como Kwame Brown e Darko Milicic (que não conseguem jogar sob pressão), mas foram prejudiciais para um jogador tão bom quanto Bosh. Sinceramente, acho ele o ponto mais importante desse novo Miami Heat e muita gente sequer percebe. Seu talento é absurdo, ele é de fato um dos melhores jogadores da NBA, se jogar fora do garrafão vai provar que chuta traseiros e deve ganhar muitos, muitos jogos dominando sozinho. Por outro lado, é nele que encontramos as maiores chances de descontentamento, seja por jogar de pivô (por enquanto o elenco não tem outro pivô), seja por não tocar na bola o bastante, já que ele sente ter muito a provar. Além disso, suas contusões são excessivamente constantes, uma fascite plantar adquirida com o excesso de tempo como pivô no Raptors deve perseguir-lhe por toda a carreira, e as maiores chances de contusão são suas. Aí está o ponte forte e o ponto fraco desse Miami: Chris Bosh é bom o bastante para deixar de ser invisível e se tornar um dos três reis, tão soberano quanto os outros, mas suas contusões e sua situação nos bastidores vão decidir se esse império cairá ou não.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tá quente, mas não fervendo

enterrada na cara > mão na cara


O leitor Jarson nos mandou um e-mail outro dia reclamando que ainda não tínhamos falado do Miami Heat, que vive ótimo momento e é um dos destaques do começo de temporada. Respondi que não dá pra falar do começo de todo mundo. Começo de temporada tem muito assunto e não dá tempo de falar de tudo, precisamos escolher uma coisa e, logo, excluir outra. Mas não dá pra culpar o cara, o Heat deve ser até agora, talvez junto com o Mavs, o time que mais superou expectativas nas primeiras semanas de temporada.

Esperei então o jogo de ontem entre Heat e Cavs. O duelo de LeBron e Wade seria um baita desafio para o time do Miami poder provar se está mesmo evoluindo para a elite do Leste ou se o bom começo era apenas uma fase.

O melhor do jogo foi o primeiro quarto. Os dois times estavam jogando como se fosse playoff, com os titulares em quadra até o final do período, vibração, discussão, pressão da torcida e jogadores agressivos. Essa última característica, aliás, foi a que mais me impressionou. Todo mundo que pegava a bola, Wade e LeBron em especial, ia pra cima com uma sede de jogo de 7 de final. E as defesas não aliviaram, indo para os tocos como se a teoria do Jeff Van Gundy estivesse valendo. Pra quem não viu no nosso Twitter, o ex-técnico e atual comentarista/comediante disse na última quarta-feira que achava que não deveria ter limites de faltas individuais na NBA. “As pessoas pagaram para ver o Dwight Howard jogar, não para vê-lo no banco”. Um argumento americano demais para o meu gosto, mas divertido.

Ainda no primeiro quarto, o Dwyane Wade destruiu a moral e honra do Anderson Varejão. Depois de um toco do Jermaine O’Neal no LeBron, o Wade puxou o contra-ataque e simplesmente ignorou a presença do brazuca por lá. Não temos nem um mês de temporada e essa enterrada, junto com a do Andre Iguodala e com a do Travis Outlaw já formam três fortes candidatas a enterradas do ano.


O primeiro quarto então acabou com uma infiltração do LeBron, uma bola de 3 do Wade e uma bola no estouro do cronômetro do LeBron. Um espetáculo, os melhores 18 segundos da temporada, provavelmente. Tá bom que nenhum time se dispôs a dobrar a marcação nas duas estrelas em momento algum, mas tá beleza, perdoamos em prol do show.

A partir do segundo quarto o jogo foi esfriando aos poucos com o Cavs no comando. É muito difícil ganhar do Cavs quando, além do LeBron, o Mo Williams está inspirado. Se ele continuar acertando bolas de longa distância como acertou nos últimos dois jogos já podem dar o troféu pra eles. Nunca vi o cabeça de azeitona jogando tanto como nos últimos dois jogos.

E foi por causa da qualidade do Cavs que o Heat não venceu. Apesar da derrota o Heat não jogou mal. No nosso preview da temporada dissemos que o Heat só tinha chances de melhorar em relação ao ano passado se seus jovens jogadores se superassem, já que não há nenhum nome novo no elenco. Pois o Michael Beasley, depois de uma offseason pra lá de tumultuada, digna de Delonte West e Golden State Warriors, está jogando muita bola. Parece que já está sabendo melhor como jogar sem ter tanto a bola na sua mão como tinha na faculdade.

Além dele o Mario Chalmers é um armador mais seguro do que no ano passado, embora muitas vezes ele seja discreto demais para poder dar espaço (e a bola) para o Dwyane Wade brilhar. Às vezes acho que o Heat poderia usar mais o Arroyo ao lado do Wade, para ser uma ajuda e deixar o Super Mario junto dos reservas, para comandar o show. Ele tem boa visão de jogo, sabe infiltrar, tem bom passe, é um desperdício deixar ele sem a bola.

Além dos dois, os veteranos estão mostrando um jogo melhor em relação ao da temporada passada. Não apostaria um centavo nisso há algumas semanas, mas Jermaine O’Neal, Udonis Haslem e Quentin Richardson estão mil vezes melhores do que no ano passado. O Haslem já fez 4 doubles-doubles em 8 jogos nessa temporada. Seus números são melhores nessa temporada, em que sempre atuou como reserva, que os da temporada passada, em que sempre foi titular e jogava até mais minutos.

O Jermaine O’Neal está corrigindo o grande problema do Heat na temporada passada, a defesa de garrafão. Ano passado ele tentou isso e acabou sendo o jogador que mais tomou enterradas na cabeça em toda a temporada, nesse ano está com mais sucesso e parece bem fisicamente, pelo menos até sua próxima contusão.

Por último o Quentin Richardson é candidato forte, ao lado do Erick Dampier, ao troféu Bobby Simmons de jogador que só joga em ano de contrato. Depois de ter passado por mais mãos que minha amiga Amanda do colégio, o Quentin finalmente ficou no Heat e agora parece que quer provar que tem algum valor na liga além de ser um salário expirante. Embora tenha ido bem mal no jogo de ontem (ir mano a mano com o LeBron não é matchup ideal para o rapaz), ele tem jogado bem.

O saldo final é que o Heat está vivendo a sua temporada pornô se formos seguir nosso método de preview da temporada. Mas como já dissemos lá, mesmo esse melhor caso só significa, no fim das contas, uma vaga na segunda rodada dos playoffs. O time é bom, joga bem, o Wade foi feito à imagem e semelhança do todo-poderoso (tem jogada mais mortal do que quando ele recebe a bola na linha de 3 e um nanossegundo depois está na cesta?), mas nem isso basta para o Heat brigar por coisa muito grande.

Nota: Coisa parecida com tudo isso que falamos do Heat pode ser dita sobre o Phoenix Suns. Eles estão bem, melhoraram mais que o esperado, mas ainda não estão a ponto de ameaçar nenhum dos grandes de cada conferência. O Suns não tem chance contra ninguém que tenha um pivô bom e que não caia na armadilha da correria. Ontem contra o Lakers foi um massacre com direito a show do Andrew Bynum.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

De volta para o futuro

Brian Cardinal mostra o ano em que ele vai dormir na rua: 2010


A temporada da NBA está prestes a começar, dia 27 de outubro, mas antes mesmo do início da primeira partida já tem gente olhando desesperado para o futuro, para a temporada que começa lá em outubro de 2010. Tudo porque vamos acompanhar agora o último ano de contrato de uma série de estrelas que assinarão novos contratos para a temporada 2010. Ou seja, tudo quanto é time mequetrefe já está sonhando em poder contratar jogadores como Joe Johnson, Rajon Rondo, Paul Pierce, Ray Allen, LeBron James, Shaquille O'Neal, Dirk Nowitzki, Kobe Bryant (se não assinar uma extensão com o Lakers), Rudy Gay, Dwyane Wade, Michael Redd, Amar'e Stoudemire, Manu Ginóbili, Richard Jefferson, Chris Bosh e Carlos Boozer (isso sem falar nos jogadores mais-ou-menos cotados, como Iverson, LaMarcus Aldridge, David Lee, Al Harrington, Udonis Haslem, Yao Ming bichado, Tracy McGrady bichado, Luis Scola, Josh Howard, Kenyon Martin e Tyson Chandler, por exemplo).

É tanto nome importante que, se todos eles assinarem com novos times, a NBA vai parecer uma liga completamente nova. É quase como gibi de super-herói quando zera a numeração, tem várias mudanças, é legal pra quem é pirralho começar a acompanhar, mas no fundo continua a mesma coisa. Algumas equipes, no entanto, dependem dessa safra de 2010 para renascerem. O caso mais evidente é o Knicks, que planejou tudo para que os contratos de quase todo o elenco terminem em 2010 para que possam usar essa grana para contratar novas estrelas e começar a equipe de novo. Muito se fala dos jogadores que poderão ser assinados, das possibilidades do LeBron assinar com o Knicks, e a gente também vai falar muito disso porque está no nosso contrato de dono de blog de basquete começado com a letra "B". Mas agora vamos tentar uma coisa um pouquinho diferente: de volta a falar no futuro, vamos dar uma olhada nos maiores contratos que acabam nessa temporada e não vão fazer falta, liberando um monte de dinheiro para suas equipes gastarem como quiserem em 2010. Esses contratos antes eram grandes cagadas, burrisses, "no que diabos eu estava pensando pra pagar trocentos milhões pra esse babaca?", mas agora eles são espaço salarial esperando pra acontecer e vários times vão brigar por eles. É tipo ver gente se estapeando por cocô, é bizarro mas tem seu charme.


Quentin Richardson ($9.352.500)
Tem uns velhos por aí que dizem com orgulho que são da época do Wilt Chamberlain. Eu sou outro tipo de velho, sou um velho da época em que o Quentin Richardson era um bom jogador e tinha o apelido carinhoso de "Quentinho", excelente nome para personagem de um musical gay. Antigamente ele era um bom arremessador, reboteiro e parte essencial do Suns que jogava na correria. Agora, foi trocado mais vezes desde a temporada passada do que horário de programa do SBT: passou por Clippers, Grizzlies, Wolves e foi parar no Heat. Deram uma mentidinha por lá dizendo que ele será útil para a equipe de Miami com seus arremessos de fora, mas a verdade é que o contrato dele vira farofa e permite à equipe contratar uma estrela para jogar ao lado do Wade (ou então contratar duas estrelas caso o Wade vá embora).

Larry Hughes ($13.655.268)
Quando jogava ao lado do Arenas, o Hughes era incrível. Jogava bem na defesa, pegava muitos rebotes, interceptava linhas de passe e atacava a cesta com agressividade. Era perfeito pro Wizards, enquanto ele se ocupava de infernizar o garrafão, o Arenas ficava arremessando como maluco. O salário de estrela não foi tão absurdo, mas era um daqueles casos de jogador que só funciona num esquema de jogo único. No Cavs, em que era essencial ter arremessadores, o Hughes provou que nunca tinha tacado uma bola para cima. Lesões na mão também comprometeram suas infiltrações, e aí o desastre estava feito: ficou rico e ruim. Tem gente tentando descobrir se o técnico D'Antoni vai dar minutos para o Hughes no Knicks, mas a verdade é que ninguém se importa, ele está lá apenas para depois ir embora e deixar o dinheiro para contratar o LeBron. Quase todo o elenco do Knicks é composto por jogadores que a equipe não quer, apenas está esperando o contrato expirar. É sempre legal de assistir jogadores que sabem como são queridos e que têm futuro na equipe, com isso o Knicks tem tudo pra dar certo - na série B do Brasileirão.

Bobby Simmons ($10.560.000)
Ele fedia, mas aí no último ano de contrato jogou bem pelo Clippers, e todos nós sabemos como é difícil jogar bem numa equipe tão amaldiçoada. Com isso, ganhou o prêmio de jogador que mais evoluiu na temporada e um contrato gordo com o Bucks, que descobriu que gordo era o próprio Simmons também. Nunca mais jogou porcaria nenhuma, teve atuações horrendas pelo Nets nos últimos anos, e ainda assim embolsa dez milhões de verdinhas pra enfiar nas orelhas. Podemos esperar muito do novato Terrence Williams nessa temporada, porque não há qualquer intenção de colocar o Simmons pra jogar sendo que ele está lá só para ir embora mesmo.

Jerome James ($6.600.000)
Mais um caso de jogador que produziu só no último ano de contrato, mas esse é mais ridículo porque o Jerome era uma droga e só produziu num par de jogos de playoffs, quando se saiu bem marcando o Duncan. Com isso, o ganhador do Prêmio Nobel da Física, senhor Isiah Thomas, ofereceu um contrato enorme para o pivô - que aparentemente gastou tudo em comida. Se apresentou ao time obeso, se contundiu em todas as pré-temporadas porque o único movimento seguro para ele é telefonar pro disk-pizza, e nunca entrou em quadra. Legal hoje em dia é reler o Isiah dizendo que o Jerome era o melhor pivô defensivo da NBA - e pensar que o Bulls, que trocou por ele só pra se livrar do contrato, vai ganhar uma grana pra investir ano que vem.

Mark Blount ($7.962.500)
Era pra ser o pivô do futuro do Celtics, tiveram paciência, investiram, treinaram, aceitaram, e até que ele começou a mostrar que talvez um dia desse certo. Mas aí surgiu o Kendrick Perkins e, antes que qualquer um pudesse imaginar do que o Perkins seria capaz, o Blount foi perdendo espaço até ser mandado para o Wolves, que acreditou que ele seria o pivô que complementaria Garnett. Não é que não tenha dado certo, é que deu tão errado que o Garnett até saiu da equipe depois pra jogar no Celtics - ou seja, o Blount foi uma das melhores coisas que aconteceram para o time de Boston, e tudo isso porque ele fede. Agora, é o Heat quem tem a bomba na mão apenas esperando o contrato acabar.

Jermaine O'Neal ($22.995.000)

O coitado do Jermaine já foi um dos alas de força mais legais da NBA, um dos mais talentosos e certamente o que tem mais cara de bebê. Era pra estar por aí dominando a liga como Duncan, Garnett e o resto da elite, mas os joelhos e a porcaria do Pacers não deixaram. O contrato dele é de estrela que carrega o time todo nas costas, e por um tempo foi até verdade, mas agora é uma vitória quando ele ao menos consegue entrar em quadra. Ainda é um bom jogador, quebra um baita de um galho, principalmente para o Heat que não tem um pivô desde que o Shaq debandou. Mas por 23 milhões o Jermaine teria que ser o melhor pivô do Universo e ainda descobrir a cura do câncer! Com o fim do contrato do Jermaine, do Quentinho e do Blount, o Heat pode reconstruir o time por completo - se o Wade sair, aí dá até pra pegar toda essa grana, desistir da NBA e comprar a Alinne Moraes.

Darko Milicic ($7.500.000)
Já escrevemos aqui que essa temporada é a última chance do Darko, se não der certo agora com o Knicks, jogando de frente pra cesta e na correria como ele sempre sonhou, então é melhor ele ir ver o filme do Pelé mesmo. Mas no fundo o Knicks nem se importa: se ele jogar bem e topar renovar por uma miséria, ótimo, tão no lucro; mas se ele jogar mal e não der certo, o salário do Darko soma-se com o do Hughes para garantir a vinda de um LeBron da vida.

Tracy McGrady ($23.239.561)
Como torcedor do Houston, sou o primeiro a dizer que o T-Mac chuta traseiros, domina partidas, é excelente mesmo quando decide armar o jogo e merece um salário de estrela. Mas ele nunca jogou uma temporada completa na vida dele, graças às lesões, e só participou de 35 partidas na temporada passada - e todas elas sentindo dores e tendo que se poupar. Nessa temporada o Houston está sem o Yao Ming, que também virou farofa, e precisa de alguém pra segurar as pontas. Que tal o McGrady? Nada feito: apesar de estar treinando pesado e prometer voltar com a melhor forma física da carreira, seu retorno só está previsto para o meio da temporada. Até lá o astro do time é o Trevor Ariza, que nessa pré-temporada não acertou nem o nome da mãe, enquanto o T-Mac leva 23 milhões pra casa. O Houston quase deu certo, mas não deu, é tipo o Sérgio Mallandro - parecia que ia engrenar e aí foi apresentar pegadinha e sumiu. Tá na hora de usar essa grana pra reconstruir e criar um time que, no mínimo, consiga ficar de pé pra entrar em quadra.

Brian Cardinal ($6.750.000)
Deixei meu favorito pro final. O Cardinal sempre foi um jogador qualquer, desses que está aí só para ser mandado em pacotões de troca de jogadores. Problemas pra conseguir um time, teve que ir jogar um pouco na Europa, mas aí teve uma temporada mais-ou-menos com o Warriors e um par de jogos realmente bons. Era o último ano de contrato e ele seguiu os passos do Jerome James e do Bobby Simmons, impressionando alguém só quando a água bate na bunda. Mas o Grizzlies foi burro o bastante para dar 7 milhões para um jogador que teve DOIS jogos bons - e que, pior ainda, é branco e careca! Essa contratação leva o famoso "selo Isiah Thomas de qualidade", mas pelo menos o contrato dele acaba esse ano e o Wolves economiza uma graninha pra dar pro Ricky Rubio quando ele deixar de frescura e quiser ser milionário na NBA.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Enterrada pra mais de metro

Tem LeBron 8 vezes nesse post


Tem mais alguém entediado com essa offseason ou sou só eu? Que coisa mais chata não ter basquete pra assistir. Quando meu Timão ainda tava arrebentando eu podia fugir pro futebol, agora nem isso, sou obrigado a ver os porcos em primeiro e os bambis crescendo.

Na falta de assunto, além de ficar falando de futebol, fico caçando notícias e fatos curiosos pra comentar. Mas até agora as notícias mais importantes são boatos não confirmados, como as contratações do Ramon Sessions e do Jason Williams (sim, aquele) pelo Knicks. Nada além disso.

Pelo menos um outro entediado com a offseason fez o favor de organizar as 100 melhores enterradas da temporada! Top 10 é coisa de boiola, todo mundo sabe, Top 100 que é coisa de macho. A VIP sabe muito bem disso e por isso faz um Top 100 de mulheres anualmente.

Como enterrada e mulher nunca é demais, primeiro entre aqui para votar na Alinne Moraes e na Sra. Jaric e depois acompanhe os vídeos! São 4 vídeos com as 100 enterradas divididas em ordem decrescente.







Espero que você tenha sido esperto o bastante para botar uma música de fundo e não ficar ouvindo esse troço repetitivo pra cacete que o cara colocou. A lista reúne mesmo as melhores enterradas da temporada, não consigo lembrar de nenhuma boa que tenha ficado de fora. Apenas a ordem que é muito questionável! Como exemplo podemos usar apenas um jogador, o Pau Gasol. A enterrada dele sobre o Birdman que está na posição 80 é milhões de vezes mais bonita e mais difícil do que a que o próprio Gasol sofre do Nicolas Batum, que é a posição 36.

Mas tudo bem, o importante é assistir e aproveitar o show. Pra coisa ficar mais divertida, vão alguns comentários e estatísticas do listão:

-Jermaine O'Neal é o que mais toma enterradas na cabeça, 7 vezes. Em segundo aparecem Pryzbilla e, claro, o Yao, com 3 enterradas na fuça.

-Amar'e é outro que aparece bastante, 4 vezes como protagonista e 2 como vítima.

-O time que mais aparece é o Denver Nuggets, 4 enterradas do Kenyon Martin, 4 do Nenê, 3 do Danthay Jones e 2 do JR Smith.

-Quem mais aparece enterrando, disparado, é o LeBron. São 8 cravadas!

- Em segundo, com 4 enterradas, estão os já citados Amar'e, Martin, Nenê e também Andre Iguodala. Vince Carter chega perto com 3 aparições.

- A aparição mais bisonha é a de Luke Walton, que é a enterrada de número 89.

...
Se é pra matar tempo em dia de falta de assunto, nada mal ver tanta enterrada, certo?

Mas um assunto que a gente teria para abordar nessa semana entediante no basquete seria o Basketball Show, o jogo beneficente organizado pelo Varejão.

A partida acontecerá domingo no Maracanãzinho e terá vários jogadores da seleção brasileira e da NBA. Da seleção teremos os irmãos Machado, Varejão, Leandrinho, Alex, Splitter e alguns outros. Da NBA teremos a eterna promessa Amir Johnson, o mediano Keith Bogans, Devin Brown, Drew Gooden e as grandes estrelas do jogo, Shawn Marion e Danny Granger (que aparecem junto na enterrada número 4). Ainda teremos o técnico do Cavs, Mike Brown, e acabou de ser confirmada a presença do pivô Ryan Hollins.

Nossa intenção era falar de tudo isso direto do Rio de Janeiro, com a primeira cobertura in loco da história do Bola Presa, mas a organização do evento negou nossas credenciais! Não nos levam a sério mesmo! Por que será?

Achamos que o grande número de visitas do Bola Presa, nossos 2 anos de vida e nossos inúmeros e fiéis leitores iriam ajudar no processo de conseguir as credenciais, mas não deu em nada. Perdemos nossa chance de esbarrar a Alinne Moraes nas praias cariocas.
Se você está revoltado com isso poderia mandar um email para a organização do evento (bsb2009@mpcriocomunicacao.com) e mostrar sua indignação. Se conseguirmos ir pra lá fazemos uma promoção-relâmpago dando uma camiseta da NBA para um dos que enviaram um e-mail nos defendendo! À luta, irmãos!

domingo, 3 de maio de 2009

Escola de porrada

O bom basquete tem classe, técnica e dedo no olho


Duas séries da primeira rodada desses playoffs foram ao épico, aguardado e sonhado jogo 7. Teríamos então dois jogos inesquecíveis, que dariam significado às nossas vidas, assunto pelos próximos anos e uma razão para os netos não caçoarem da gente por termos vivido na era do Kwame Brown. Nós, pobres fanáticos, lutamos desesperadamente por links que ficam cada vez mais difíceis de encontrar, em canais que são tirados do ar a cada 5 minutos e sites que expulsam os espectadores por haver uma cota para cada país. Deixamos de lado as namoradas, o cachorro morrendo de sede, o desfile de lingeries da Luciana Gimenez, a saída com os amigos bêbados de que a gente sempre se arrepende. Alô, Alinne Moraes? Não, nada feito, hoje tem jogo 7 entre Bulls e Celtics! Você sabia que nenhum time havia jogado 7 prorrogações num playoff, somando todas as séries, e Bulls e Celtics jogaram 7 apenas na primeira rodada? Você sabia que foram 4 jogos com prorrogações, recorde absoluto dos playoffs? Desculpa, Alinne Moraes, seria legal passar na sua casa, mas eu tenho história para presenciar. No dia seguinte? Nada feito, tem Dwyane Wade, em uma série sem dono em que nunca houve mudança de liderança após o primeiro quarto, qualquer um pode vencer! Bem, talvez possamos sair depois do primeiro quarto, então.

E foi aí que... funhé.

Bulls e Celtics começou com tudo, mas a recuperação da equipe de Boston ainda no segundo período decidiu o jogo. O John Salmons jogou como um pedaço de cocô, Brad Miller e Noah deram umas porradas e passaram muito tempo sentados, e o Ben Gordon até tentou colocar o jogo no bolso mas errou a bola que cortaria a vantagem do Celtics para 3 nos minutos finais. Foram quinhentas bolas imbecis arremessadas como sempre, mas dessa vez duas bolas importantíssimas dele simplesmente não caíram e seu cheque multibilionário foi parar em uma instituição de caridade.

No fundo, o jogo não deu nem pro cheiro. Com a melhor série de primeira rodada de todos os tempos, nos acostumamos a ver qualquer diferença desaparecer num punhado de bolas de sorte, e toda vez que um time precisava desesperadamente de um arremesso, o Ben Gordon e o Ray Allen estavam lá. Dessa vez, quando a bola foi parar nas mãos do Gordon num ângulo muito similar à bola lendária que ele já havia acertado na série, o aro impediu a cesta e alguma coisa morreu no fundo dos nossos corações. Fomos lembrados repentinamente que estávamos assistindo seres humanos e aquilo era apenas uma partida de basquete, não mágica sendo feita. Na bola anterior, o Ben Gordon tinha dado uma airball num arremesso de três pontos relativamente livre. Algumas posses de bola depois, errou grotescamente o arremesso que era a última esperança do Bulls. Foi como descobrir que não existia Coelhinho da Páscoa. Como diria Chico Xavier, "Fodeu".

Me sinto até envergonhado de pegar no pé do Ben Gordon pela milésima vez, porque ele me proporcionou alguns dos momentos mais memoráveis da minha vida basquetebolística, mas sua falta de inteligência em quadra ganha e perde jogos. Dessa vez, perdeu, e a bola que deveria estar nas mãos do Derrick Rose foi parar nas mãos do Gordon porque nos acostumamos a ver arremessos ridículos que nunca deveriam ser dados mas caíam como se fosse a coisa mais natural do mundo. Em grande parte, claro, porque o elenco fede. Não vamos sentar aqui e fingir que o Bulls é um timaço, por favor. As trocas tornaram o time mais profundo, o Derrick Rose é o calouro do ano, existe tamanho e atleticismo no garrafão, mas diabos, a equipe ainda é aquele mesmo time limitado e jovem demais que ninguém acreditava ser capaz de arranhar o todo-poderoso Boston Celtics, a Alinne Moraes do mundo do basquete. Se o Bulls participou da melhor série de primeira rodada da história, é em parte porque o Ben Gordon estava lá para ser ridículo e moderadamente bem-sucedido, com os culhões (e o cheiro das verdinhas por perto) para dar os arremessos que o resto da pirralhada não teri coragem, ou que o resto do elenco simplesmente não teria o talento para arriscar.

É com incrível mérito que o Chicago se despede dessa temporada. Se a chegada anterior aos playoffs tinha sido rotulada de "pura sorte", provaram que esse elenco só precisa de uma arrumadinha para dar cansaço à elite da liga. Eles são sempre jovens demais, sempre falta alguma peça, mas diabos, não era esse o mesmo problema do Hawks que também levou o Celtics para o jogo 7 nos playoffs passados e agora reinam?

Times jovens que enfrentam o Celtics e dão muito, muito trabalho, acabam acreditando em si mesmos e entrando com grande confiança na temporada seguinte. O Hawks escalou o Leste, então o Bulls pode fazer o mesmo. Não falta muito para que esse time se encontre, os problemas são óbvios e conhecidos há muito tempo, só falta decidir o que fazer com o Ben Gordon, mas seres humanos não deveriam ser obrigados a tomar esse tipo de decisão. O negócio é deixar para a moeda.

E esse Hawks, que amadureceu horrores com a derrota para o Celtics nos playoffs passados, chutou o traseiro do Miami Heat. O negócio é o seguinte: enfrentar o Boston é sempre uma lição sobre luta-livre, vale-tudo, dor, sangramento, chute no saco, cotoveladas no queixo e ódio, muito ódio. Hawks e Celtics foi uma série regada a trocentos confrontos, discussões, faltas flagrantes e expulsões. Acho que tem a ver com o Garnett, que devora criancinhas no café da manhã, mas mesmo sem ele na série contra o Bulls, houve muita confusão e a cota obrigatória de pancadaria e empurra-empurra. Esse Hawks que aprendeu como é bater e como é apanhar no clima de playoff - em que tiro de canhão não é falta (a não ser no Ginóbili e no Dwyane Wade) - entrou na temporada regular mordendo. Os meninos viraram homens bárbaros cabeludos e sanguinários comendo carne crua e assistindi "Linha Direta", coisa de macho. Tornaram-se um dos times mais odiáveis da NBA e, vejam só, ensinaram aquilo que aprenderam para o pobre Miami Heat. Wade já foi campeão da NBA, tem um anel no dedo e tudo, mas não me lembro de ver ele apanhando tanto quanto nessa série. As costas rapidinho começaram a reclamar, doloridas, e boa parte do elenco do Heat se fingiu de morto no chão só pra não ter que levantar e apanhar de novo. Depois de 6 jogos, o técnico do Heat, Erick Spoelstra, alertou que já poderia dizer com garantia que não restava nenhuma amizade entre qualquer jogador das duas equipes. Todos oficialmente se odiavam e estava muito claro que, se algum jogo ficasse disputado, ia dar merda. Mas não deu - a verdade é que nenhum jogo foi disputado, sempre quem ganhava tivera um jogo um jogo fácil.

O jogo 7 acabou sendo outro "funhé" porque não deu nem pro cheiro, o Hawks foi mais físico, agressivo, motivado e filhodaputa desde o segundo inicial. E é claro que o Heat, na hora mais importante da temporada, não podia contar com Jermaine O'Neal. Troço mais óbvio impossível, o Jermaine até conseguiu ficar saudável na temporada regular, dar uma força, colocar o Heat em outro nível, fingir que a equipe tinha um garrafão, mas como assim ele estaria em quadra quando a equipe precisa dele? Impossível, a saúde teria que falhar - especialmente numa série em que tomou tanta porrada de um Hawks que queria assar todo mundo no espeto. O time ficou na mão e, como previsto, a equipe que ganhou o primeiro quarto acabou levando o jogo fácil, fácil. Deveria ter saído de casa logo ao fim do primeiro período.

Ainda assim, palmas também para o Heat, que foi cuspido, desacreditado e chamado de boboca mas conseguiu se posicionar bem no Leste e durar até um jogo 7. Pensar que essa equipe ganhou 15 jogos na temporada passada é ridículo, o Wade voltou melhor do que nunca, uma máquina de dar tocos, acertando bolas de três pontos (mas tentando elas em excesso), sendo o cestinha da NBA, e levando a equipe a 43 vitórias sem o tal do Shaquille O'Neal. O Jermaine ainda chegou com o bonde andando (não o do Tigrão, por favor), então na prática o Wade ganhou 43 jogos com o Joel "Zé Ruela" Anthony de pivô e um novato, o Superintendente Mario Chalmers, armando o jogo para ele. Patético. Pensar nisso deixa bem claro quem deveria ser o maldito MVP da temporada, esse time é tão ruim que me dá até vontade de ir ao banheiro!

Dois jogos 7 muito dos meia-bocas me arrancaram a vida social, me deram sono, mas permitiram que duas equipes muito jovens partisses dessa temporada de formas honradas. O Bulls e o Heat com certeza aprenderam a ser mais físicos, bater mais e jogar com mais vontade. Tudo cortesia, direta ou indireta, do Boston Celtics. No fundo, é o estilo de jogo que cria vencedores.

Vale lembrar que os verdinhos suaram contra o Hawks na temporada passada e, bem, como dizer, foram meio que campeões. Não quero dizer que o mesmo vá acontecer, longe disso, mas não dá pra descartar o time logo de cara, por mais cansados e sem-Garnett-zados que eles estejam. Se o Eddie House conseguiu ganhar o jogo 7 com quatro bolas de três pontos arremessadas com toda a inteligência de um orangotango no cio, o Cavs pode ter problemas caso venham a se enfrentar. Avisem o dentista do LeBron James, porque Hawks e Bulls sabem a verdade: dentes vão cair nessa série. O pau vai rolar solto, e o primeiro jogo do Celtics na segunda rodada é contra o Magic às 21h da segunda-feira. A próxima fase dos playoffs já começou, com o Nuggets dando um pau no Mavs, e o negócio está ficando sério. Os playoffs continuam a toda, e a gente aqui no Bola Presa corre atrás, sempre que a Alinne Moraes dá um tempo e pára de ligar pra gente. Coisa chata.

terça-feira, 3 de março de 2009

Duelo de titãs

No quesito estilo eu sou mais o chapéu do Wade


Entrei em um concurso para o título de post mais clichê de todos os tempos, acham que eu me sai bem com o "Duelo de titãs"? De qualquer forma, é um título mais que apropriado para o confronto entre LeBron James e Dwyane Wade na noite de ontem.

Antes do jogo já estavam anunciando como um duelo pessoal imperdível, que prometia fortes emoções. Eu praticamente ignorei porque eu acho uma furada esses anúncios de jogos que só dão ênfase na estrela de cada time. Na maioria dos casos uma estrela acaba nem marcando a outra e os jogos só têm graça mesmo quando os times estão no mesmo nível, o que não é o caso de Cavs e Heat, em que o time do LeBron é muito melhor.

Porém, como as outras opções de jogos não eram muito boas, fui ver Cavs e Heat mesmo. Nada ia me fazer ver o Thunder jogando sem Kevin Durant e Jeff Green. Tá bom que depois eu fui ver o finzinho pra ver com meus olhos se era verdade que eles estavam trucidando o Mavs com direito a triple-double do Russell Westbrook. Alguém também acha que o Durant e o Green são o problema do Thunder como o Iverson é o do Pistons? Pra mim isso é bem óbvio agora. Dispensem o Durant!!! (e mandem ele pro meu Lakers)

Voltando às estrelas: Me animei quando na introdução do jogo a transmissão local me lembrou de um duelo memorável entre LeBron e Wade, em 2007, quando o Wade marcou 21 dos seus 41 pontos no quarto período e destruiu o Cavs mesmo com uma atuação monstruosa do LeBron: 47 pontos, 12 rebotes e 10 assistências. Se históricamente Kobe e LeBron fazem jogos sem graça quando se enfrentam, LeBron e Wade costumam brilhar um contra o outro.



E valeu a pena assistir o jogo. O Heat parece um time mais completo depois da troca do Shawn Marion, com o Jermaine O'Neal eles tem um jogador dentro do garrafão que recebe bons passes das infiltrações do Wade e o Jamario Moon parece que joga no Heat há uns 3 anos de tão bem que se adaptou ao esquema de defesa agressiva no perímetro e velocidade no ataque. Com isso, além das atuações boas dos dois, o jogo como um todo foi bem jogado. Com muitos turnovers pela velocidade da partida, mas mesmo assim bem jogado e muito divertido.

Comecemos idolatrando o LeBron James. Como já é de praxe, ele deu umas enterradas de video game em cima da defesa inteira do Heat e deu uns quatro passos em uma tentativa de bandeja, ou seja, vimos o que esperávamos ver do LeBron. Mas seus 42 pontos só vieram na verdade porque ele estava em um de seus bons dias nas bolas de 3 pontos. Foram 6 acertadas em 7 tentadas, sem contar as duas que ele sofreu falta tentando o arremesso no primeiro tempo, foram então 24 pontos conseguidos em bolas de 3.

Eu não consigo descrever como seria o LeBron se ele tivesse essa consistência nas bolas de 3. Provavelmente ele poderia, se quisesse (e provavelmente não quer), ter média de mais de 40 pontos por jogo. E eu falo sério, o cara já teve mais de 30 de média quando tinha um arremessinho vagabundo de meia distância! Na revista Dime desse mês ele disse que quer ser o melhor jogador de todos os tempos, eu não quero entrar no mérito da discussão porque falar que alguém pode ser melhor que o Jordan em um blog de basquete é como rasgar uma foto do Papa no meio do Vaticano, mas eu não apostaria contra o LeBron nessa empreitada, embora saiba do longo caminho que ele tem que traçar ainda.

Para quem quer saber, o LeBron atualmente tem 33% de aproveitamento nas bolas de 3. Nada de espetacular mas também não é horrível, o maior problema na verdade é que tem dia que ele acerta 8 bolas, como contra o Bucks, e tem dia em que os arremessos de 3 são tão confiáveis quanto lances livres do Ben Wallace.

Alguém lembra que logo depois do draft de 2003 os jogos entre Cavs e Nuggets eram transmitidos para o mundo todo porque a grande rivalidade que a NBA estava impondo pra gente era entre LeBron e Carmelo Anthony? Enfiavam goela abaixo do público uma sucessão de jogos em dias importantes envolvendo os dois mas acho que agora eles já desistiram, perceberam que naquele draft, se tem alguém que pode com o LeBron é o Dwyane Wade.

A sequência de jogos do Wade é histórica: 50 pontos contra o Orlando, 16 assistências contra o Detroit e depois de um jogo mais ou menos (20 pontos, 10 assistências) contra o Atlanta, 46 pontos, 10 assistências e com direito a 24 pontos no quarto período contra o Knicks.

O legal desse jogo contra o Knicks é que o Heat estava tomando uma sova até o momento em que o Danilo Gallinari, sem querer, acertou uma cotovelada na boca do Wade, que ficou sangrando e nem levou a falta. E se tem uma dica que eu daria para meus jogadores se fosse técnico seria "Tem jogadores que é melhor deixar na deles". Então não diga que o LeBron é superestimado, não se chame de Kobe-Stopper e não dê uma cotovelada na boca do Wade. Veja como ele sozinho trucidou o Knicks:



Depois da cotovelada o Wade entrou em modo Bersek e o jogo já era. Se eu estivesse no Knicks tinha pedido pra cagar e ia embora. Em um determinado momento o Wade fez mais uma cesta e saiu gritando "This is my house!" ("aqui é a minha casa!" em mau português). Por causa disso, ontem no jogo contra o Cavs o time distribuiu cartazes com a foto do Wade gritando e a frase dele ao lado para a torcida ostentar durante a partida. Marketeiros faturando em cima de um momento emocionante. Eu queria esse cartaz pra pendurar no meu quarto!

O Wade teve seu principal momento no jogo no terceiro período, quando liderou o time a vencer o quarto por 27 a 18. O quarto período começou também a favor do Heat, que abriu 11 pontos e aí apagou. Segundo o LeBron, chegou uma hora em que ele virou para o Mo Williams e disse "Agora é com nós dois". E foi. O Mo jogou muito bem e fez 15 dos seus 30 pontos nos últimos 7 minutos de partida, o LeBron terminou o serviço colocando algumas das suas bolas de 3 pra acabar com as esperanças do Heat, que pareceu um time amador nos últimos 5 minutos de jogo.

Depois de altos e baixos, o saldo final foi de 42 pontos, 8 rebotes, 4 assistências e 6 bolas de 3 para o LeBron. 41 pontos, 7 rebotes, 9 assistências e 7 roubos para o Wade. Como dá pra ver na tabela que o Rebote colocou hoje, foi o quarto jogo de LeBron e Wade com 40 pontos em seus 18 confrontos diretos, com 9 vitórias pra cada lado.

No duelo de times acabou vencendo o melhor time. Por mais que o Heat esteja melhorando, o Cavs é muito mais time principalmente porque sabe defender. E foi defendendo, forçando turnovers e arremessos horríveis, que conseguiram segurar o Heat no quarto período. O Wade, que cortou a defesa inteira do Heat em busca de cestas e assistências o jogo inteiro, passou o quarto período dando arremessos contestados de meia distância. E não porque ele queria isso, mas porque era a única coisa que era possível fazer contra aquela defesa. Mérito total do Cavs e do ridículo do técnico Mike Brown.

O que aprendemos hoje, crianças? O que marca para os fãs são esses duelos pessoais e as atuações monstruosas das estrelas, mas são as coisas mais chatas e sem graça que ganham os jogos. Opa, mas aprendemos isso umas dez vezes com o Spurs, não ontem. Então vamos parar de falar dessas coisas chatas. Melhor curtir os melhores momentos do jogo e calar a boca.