Começamos hoje a seção que faz o preview de todos os times para a próxima temporada. Não vamos ter nenhuma ordem de postagem e iremos tentar brincar bem pouco de futurologia. Também podemos interromper os previews a qualquer momento para postar sobre outro assunto que pareça relevante.

Objetivo máximo: Título
Não seria estranho: Perder na semi-final do Leste para Heat, Magic ou Bulls
Desastre: Perder na primeira rodada dos playoffs
Forças: Elenco profundo, experiência em playoffs e entrosamento.
Fraqueza: Idade. Não perderiam se a liga fosse decidida no dominó.
Elenco (Veja todos os elencos da temporada aqui)
Boston Celtics | |||
Titulares | Reservas | Resto | |
PG | Rajon Rondo | Delonte West | Avery Bradley* |
SG | Ray Allen | Nate Robinson | Von Wafer |
SF | Paul Pierce | Luke Harangody* | Marquis Daniels |
PF | Kevin Garnett | Glen Davis | Semih Erden* |
C | Shaquille O'Neal | Jermaine O'Neal | Kendrick Perkins |
...
Técnico: Doc Rivers
Quem conhece o blog há algum tempo sabe que a gente não é muito fã do Doc Rivers. Até hoje os seus maiores méritos no Boston não foram as coisas que fez, mas as que deixou os outros assumirem para si. Em 2007-08, primeira temporada do trio Pierce-Allen-Garnett, Rivers deixou toda a parte defensiva sob a tutela de Tom Thibodeau (leia um pouco sobre ele nesse post). O resultado foi a melhor defesa daquela temporada e, digo lembrando do Pistons de 2004-2007, a melhor defesa que eu já acompanhei de perto na vida.
Naquele mesmo ano Doc Rivers foi feliz ao não querer inventar muito no ataque. Fez um sistema ofensivo simples que sabia usar bem os contra-ataques (que eram muitos, graças à forte defesa) e jogadas individuais dos talentosos Paul Pierce e Kevin Garnett.
Na temporada passada, com o ataque estagnado, muito por causa da idade e do desempenho irregular dos três veteranos, Rivers foi feliz ao entregar o ataque nas mãos de Rajon Rondo. Em algumas entrevistas ele disse que o armador tinha sinal verde para fazer o que queria com a bola na mão. E assim o ataque verde floresceu de novo. Com a ajuda de Thibodeau, que fez a vida de LeBron miserável naquela série contra o Cavs, chegaram de novo nas finais em 2010.
Nesse ano eles não tem mais Thibodeau, que é técnico do Bulls, para cuidar da defesa, mas tem um time que já aprendeu muito com ele nos últimos anos. E se Doc Rivers tem outro talento além de deixar quem sabe mais que ele trabalhar, é motivar. Com aqueles gritos e discursos inflamados ele faz o seu time render mais nos momentos mais importantes. O Heat pode ter seus talentos na flor da idade, mas vai ser duro enfrentar esse time sedento por vencer o novo trio de ferro.
Todo mundo sabia o que o título do ano passado significava para o Lakers como time: o primeiro título consecutivo de um time desde o tri do mesmo Lakers em 2000-01-02, a doce vingança sobre o Celtics que os destruíram em 2008 e o fim das acusações de time “soft”. Por isso, depois do jogo 7 da última final, perguntaram para Kobe Bryant, “Sabemos para o time, mas individualmente o que esse título significa pra você?” e a resposta foi na lata, sem pensar, “agora eu tenho um a mais que o Shaq”.
O dono do Celtics, Wyc Grousbeck (leia o perfil que fizemos dele aqui), disse que foi ao ouvir essas frases, no calor da derrota, que decidiu ir atrás do Big Fella. Claro que deve (ou deveria) ter pesado na contratação o fato do Shaq não estar cobrando caro, a contusão até janeiro do Kendrick Perkins e o fato do Celtics ter tido nos rebotes a sua maior fraqueza na última temporada, mas ficamos felizes com essa apimentada a mais na rivalidade.
Além de Shaq, chegaram ao time outro O’Neal, Jermaine, e Delonte West. Como novatos estão no time Avery Bradley, um armador reserva que parece ser bonzinho, Luke Harangody, que fez estrago nas Summer Leagues com suas bolas de 3, e Semih Erden, pivô turco que fez bons jogos no último Mundial.
Se estivéssemos em 2000, 2001 ou até 2003, o atual Celtics poderia ser visto jogando apenas uma vez por ano, numa cidade cheia de festas e um dia após um campeonato de enterradas. Isso porque há alguns anos atrás, Paul Pierce, Ray Allen, Kevin Garnett, Jermaine O’Neal e Shaq batiam cartão em All-Star Games. Hoje em dia nenhum deles está em seu auge, mas não deixa de assustar olhar todos no mesmo time. A grande missão de Doc Rivers com esse elenco é saber como usar um pouco de todo mundo de maneira eficiente. Na teoria daria pra usar Shaq, Jermaine e KG todos por um período não muito grande de tempo, assim ninguém cansa muito e se preserva para os playoffs, mas na prática não costumam ser muitos os times que conseguem jogar bem fazendo muitas substituições. Lembro do Shaq no ano passado em Cleveland jogando muito bem por um período e depois de “ser preservado” no banco voltava já sem ritmo, fora do jogo, e pouco contribuía. Na seleção brasileira já vimos muito disso também, excesso de rotação e ninguém entra no ritmo do jogo.
Não vou ficar aqui sugerindo as formações que eu gostaria de ver no Celtics, principalmente no garrafão, porque ainda nem vimos elas em ação, faremos isso durante a temporada. O Doc Rivers não é o técnico dos sonhos, mas é esperto o bastante para usar o tempo de treinamento antes da temporada para testar Garnett ao lado de Shaq, de Jermaine, os dois O’Neals juntos e a que eu mais espero, Shaq e Glen Davis no mesmo garrafão, o que pode mudar o pólo magnético da Terra.
Independente das escolhas, parece claro que o Celtics tem o garrafão com mais opções na NBA e é de lá que eles devem arrancar suas vitórias mais importantes. Quando Perkins voltar vão ser tantos jogadores de características diferentes que eles tem todas as ferramentas para parar Chris Bosh, Dwight Howard, Gasol-Bynum, Duncan-Splitter, Boozer-Noah e qualquer outro que apareça pela frente. Garnett e Jermaine são fortes mas sem perder a mobilidade, Glen Davis é pesado e rápido, Perkins é uma parede, Shaq uma parede mais velha e Erden parece ser capaz até de marcar alas de força.
Nem tudo é bom no mundo verde, porém. As contusões atrapalharam o time nos últimos anos e nessa temporada eles tem o Jermaine, é quase certo que ele vai se quebrar de alguma forma. Com outros se machucando talvez tenham dificuldade de criar um padrão de jogo até os playoffs. E também tem a questão da queda de qualidade dos seus jogadores. Rajon Rondo é espetacular, mas não dá sinal de que está aprendendo a arremessar e só tem piorado nos lances livres (vide final do ano passado), incomoda ter sempre essa característica do jogo explorada. Ray Allen é capaz de quebrar recordes de 3 pontos em um jogo e passar os outros em branco e, como diz muito bem esse post do Celtics Town, Paul Pierce tem ficado pior nos minutos decisivos das partidas.
Como todo time experiente, o Celtics deve levar a temporada regular em banho-maria, não se incomodando de acabar em primeiro ou quarto lugar. Vamos ver do que eles são realmente capazes apenas nas partidas mais simbólicas, como a da estréia contra o Miami Heat. Até vou perder a novela pra assistir!









