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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Preview 2010-11 / Boston Celtics

Começamos hoje a seção que faz o preview de todos os times para a próxima temporada. Não vamos ter nenhuma ordem de postagem e iremos tentar brincar bem pouco de futurologia. Também podemos interromper os previews a qualquer momento para postar sobre outro assunto que pareça relevante.


...



- Eu não sei arremessar


Objetivo máximo: Título
Não seria estranho: Perder na semi-final do Leste para Heat, Magic ou Bulls
Desastre: Perder na primeira rodada dos playoffs

Forças: Elenco profundo, experiência em playoffs e entrosamento.
Fraqueza: Idade. Não perderiam se a liga fosse decidida no dominó.

Elenco (Veja todos os elencos da temporada aqui)


Boston Celtics
Titulares
Reservas
Resto
PG
Rajon Rondo
Delonte West
Avery Bradley*
SG
Ray Allen
Nate Robinson
Von Wafer
SF
Paul Pierce
Luke Harangody*
Marquis Daniels
PF
Kevin Garnett
Glen Davis
Semih Erden*
C
Shaquille O'Neal
Jermaine O'Neal
Kendrick Perkins

...
Técnico: Doc Rivers

Quem conhece o blog há algum tempo sabe que a gente não é muito fã do Doc Rivers. Até hoje os seus maiores méritos no Boston não foram as coisas que fez, mas as que deixou os outros assumirem para si. Em 2007-08, primeira temporada do trio Pierce-Allen-Garnett, Rivers deixou toda a parte defensiva sob a tutela de Tom Thibodeau (leia um pouco sobre ele nesse post). O resultado foi a melhor defesa daquela temporada e, digo lembrando do Pistons de 2004-2007, a melhor defesa que eu já acompanhei de perto na vida.

Naquele mesmo ano Doc Rivers foi feliz ao não querer inventar muito no ataque. Fez um sistema ofensivo simples que sabia usar bem os contra-ataques (que eram muitos, graças à forte defesa) e jogadas individuais dos talentosos Paul Pierce e Kevin Garnett.

Na temporada passada, com o ataque estagnado, muito por causa da idade e do desempenho irregular dos três veteranos, Rivers foi feliz ao entregar o ataque nas mãos de Rajon Rondo. Em algumas entrevistas ele disse que o armador tinha sinal verde para fazer o que queria com a bola na mão. E assim o ataque verde floresceu de novo. Com a ajuda de Thibodeau, que fez a vida de LeBron miserável naquela série contra o Cavs, chegaram de novo nas finais em 2010.

Nesse ano eles não tem mais Thibodeau, que é técnico do Bulls, para cuidar da defesa, mas tem um time que já aprendeu muito com ele nos últimos anos. E se Doc Rivers tem outro talento além de deixar quem sabe mais que ele trabalhar, é motivar. Com aqueles gritos e discursos inflamados ele faz o seu time render mais nos momentos mais importantes. O Heat pode ter seus talentos na flor da idade, mas vai ser duro enfrentar esse time sedento por vencer o novo trio de ferro.
...

Todo mundo sabia o que o título do ano passado significava para o Lakers como time: o primeiro título consecutivo de um time desde o tri do mesmo Lakers em 2000-01-02, a doce vingança sobre o Celtics que os destruíram em 2008 e o fim das acusações de time “soft”. Por isso, depois do jogo 7 da última final, perguntaram para Kobe Bryant, “Sabemos para o time, mas individualmente o que esse título significa pra você?” e a resposta foi na lata, sem pensar, “agora eu tenho um a mais que o Shaq.

O dono do Celtics, Wyc Grousbeck (leia o perfil que fizemos dele aqui), disse que foi ao ouvir essas frases, no calor da derrota, que decidiu ir atrás do Big Fella. Claro que deve (ou deveria) ter pesado na contratação o fato do Shaq não estar cobrando caro, a contusão até janeiro do Kendrick Perkins e o fato do Celtics ter tido nos rebotes a sua maior fraqueza na última temporada, mas ficamos felizes com essa apimentada a mais na rivalidade.

Além de Shaq, chegaram ao time outro O’Neal, Jermaine, e Delonte West. Como novatos estão no time Avery Bradley, um armador reserva que parece ser bonzinho, Luke Harangody, que fez estrago nas Summer Leagues com suas bolas de 3, e Semih Erden, pivô turco que fez bons jogos no último Mundial.

Se estivéssemos em 2000, 2001 ou até 2003, o atual Celtics poderia ser visto jogando apenas uma vez por ano, numa cidade cheia de festas e um dia após um campeonato de enterradas. Isso porque há alguns anos atrás, Paul Pierce, Ray Allen, Kevin Garnett, Jermaine O’Neal e Shaq batiam cartão em All-Star Games. Hoje em dia nenhum deles está em seu auge, mas não deixa de assustar olhar todos no mesmo time. A grande missão de Doc Rivers com esse elenco é saber como usar um pouco de todo mundo de maneira eficiente. Na teoria daria pra usar Shaq, Jermaine e KG todos por um período não muito grande de tempo, assim ninguém cansa muito e se preserva para os playoffs, mas na prática não costumam ser muitos os times que conseguem jogar bem fazendo muitas substituições. Lembro do Shaq no ano passado em Cleveland jogando muito bem por um período e depois de “ser preservado” no banco voltava já sem ritmo, fora do jogo, e pouco contribuía. Na seleção brasileira já vimos muito disso também, excesso de rotação e ninguém entra no ritmo do jogo.

Não vou ficar aqui sugerindo as formações que eu gostaria de ver no Celtics, principalmente no garrafão, porque ainda nem vimos elas em ação, faremos isso durante a temporada. O Doc Rivers não é o técnico dos sonhos, mas é esperto o bastante para usar o tempo de treinamento antes da temporada para testar Garnett ao lado de Shaq, de Jermaine, os dois O’Neals juntos e a que eu mais espero, Shaq e Glen Davis no mesmo garrafão, o que pode mudar o pólo magnético da Terra.

Independente das escolhas, parece claro que o Celtics tem o garrafão com mais opções na NBA e é de lá que eles devem arrancar suas vitórias mais importantes. Quando Perkins voltar vão ser tantos jogadores de características diferentes que eles tem todas as ferramentas para parar Chris Bosh, Dwight Howard, Gasol-Bynum, Duncan-Splitter, Boozer-Noah e qualquer outro que apareça pela frente. Garnett e Jermaine são fortes mas sem perder a mobilidade, Glen Davis é pesado e rápido, Perkins é uma parede, Shaq uma parede mais velha e Erden parece ser capaz até de marcar alas de força.

Nem tudo é bom no mundo verde, porém. As contusões atrapalharam o time nos últimos anos e nessa temporada eles tem o Jermaine, é quase certo que ele vai se quebrar de alguma forma. Com outros se machucando talvez tenham dificuldade de criar um padrão de jogo até os playoffs. E também tem a questão da queda de qualidade dos seus jogadores. Rajon Rondo é espetacular, mas não dá sinal de que está aprendendo a arremessar e só tem piorado nos lances livres (vide final do ano passado), incomoda ter sempre essa característica do jogo explorada. Ray Allen é capaz de quebrar recordes de 3 pontos em um jogo e passar os outros em branco e, como diz muito bem esse post do Celtics Town, Paul Pierce tem ficado pior nos minutos decisivos das partidas.

Como todo time experiente, o Celtics deve levar a temporada regular em banho-maria, não se incomodando de acabar em primeiro ou quarto lugar. Vamos ver do que eles são realmente capazes apenas nas partidas mais simbólicas, como a da estréia contra o Miami Heat. Até vou perder a novela pra assistir!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Os últimos pitacos


Perkins vai mostrar sua elegância de terno no jogo 7 da final


Faltam poucas horas para o decisivo jogo 7 entre Lakers e Celtics e decidi vir aqui só para postar duas coisas: Um dado estatístico fantástico que encontrei e para comentar como será para o Celtics disputar a partida decisiva do campeonato sem o seu pivô titular, já que Kendrick Perkins machucou o joelho no jogo 6 e não poderá entrar em quadra.

Começo pela estatística. Ela foi publicada pelo David Biederman no site do Wall Street Journal e fala das reclamações de falta na série final. Não, não fala das marcações de faltas ou do número de lances livres cobrados, mas de números que medem quanto cada jogador reclama a cada falta que comete. O que não dá pra medir é quanto essa estatística é genial. O pessoal do Wall Street Journal assistiu a todos os cinco primeiros jogos da série (o texto foi publicado antes do jogo 6) e analisou falta a falta a reação dos jogadores de cada equipe.

Ao fim da análise eles chegaram à conclusão de que o Boston Celtics gritou, reclamou ou saiu correndo em desespero com as mãos na cabeça (no caso do Rasheed Wallace) em 48% das faltas marcadas contra eles. Já o Lakers foi bem mais bonzinho e reclamou apenas de 36% das faltas marcadas contra o time. Essa "vitória" dos verdes não é surpresa, ou vocês esperavam algo diferente do time que tem os dois líderes em faltas técnicas na temporada, Perkins e Rasheed, e mais o Garnett, o jogador com maior média de palavrões por jogo na história da NBA? Mas o que surpreende é que eles também fizeram o cálculo individual para saber que jogador mais reclamou, e sabe quem ganhou? Ray Allen.

O cara é um dos jogadores mais calmos e educados da liga mas bateu todo mundo na hora de reclamar, marcar o Kobe Bryant durante 5 jogos tem dessas coisas. O Ray Ray reclamou de 73% das faltas marcadas nele. Não dá pra levar a sério quem reclama tanto. No Lakers os maiores reclamões foram Kobe e Gasol, empatados com 50% de chiadeira. Mas não tenho dúvida de que o Kobe seria o líder, com 100%, se os números fossem por reclamações para pedir faltas. Alguém já viu ele acertar um arremesso e não olhar para os juízes com uma cara de homicida para dizer que sofreu uma falta durante o arremesso? Esses jogadores ficam tão previsíveis depois de quase 100 jogos na temporada.

Entre os titulares o santinho foi Andrew Bynum, que reclamou de apenas 15% das faltas marcadas sobre ele. Não sei se porque ele é bonzinho, se tinha medo de faltas técnicas ou se era porque o Kobe já começava a resmungar antes mesmo do Bynum ter a chance de começar. Abaixo estão os números completos:

LA Lakers _36%
Kobe Bryant 50%
Pau Gasol 50%
Derek Fisher 38%
Lamar Odom 27%
Ron Artest 23%
Andrew Bynum 15%

Boston Celtics_48%
Ray Allen 73%
Kendrick Perkins 68%
Rasheed Wallace 65%
Rajon Rondo 50%
Paul Pierce 36%
Kevin Garnett 32%

...
O outro assunto que eu quero tratar é essa contusão bem séria do Kendrick Perkins. Pelo que os últimos exames indicam, a contusão dele é tão grave que ele teria sido declarado fora de toda a temporada mesmo se tivesse acontecido em dezembro do ano passado! Imagina a dois dias do próximo jogo como está o estado do joelho do coitado! Assim que ele caiu e fez careta deu pra saber que era sério, se tem um cara que não faz careta e não reclama de dor ou faz charme é o Perkins, ele é de pedra.

Essa contusão é triste não só pelo jogador, mas pela série também. Se o Celtics acabar perdendo esse jogo, não vai faltar torcedor do Celtics dizendo "Se a gente tivesse o Perkins..." assim como em 2008 não faltou torcedor do Lakers dizendo "Se o Bynum não estivesse machucado...".

E na discussão sobre quanto falta fará Perkins nesse jogo, a resposta passa justamente pelo contundido de 2008, o Bynum. Todo mundo sabe que o joelho do pivô do Lakers não está grande coisa, ele está jogando com dores desde a série contra o Thunder e no jogo 6 nem atuou no segundo tempo por causa das dores, a situação dele é bem complicada também.

Provavelmente o Doc Rivers vai colocar o Rasheed Wallace no time titular e o revezar com o Glen Davis durante todo o jogo, com os dois revezando com o Kevin Garnett para formar a dupla de garrafão do Celtics. Shelden Williams só deve entrar em quadra se alguém tiver problemas de falta, mas mesmo assim será por poucos minutos. E o maior problema do Celtics é que nem Garnett, nem Rasheed e nem Glen Davis tem tamanho para marcar o Andrew Bynum. O pivô do Lakers mostrou isso em todos os jogos da série em que não se incomodou com o seu joelho. O único que conseguia pará-lo com consistência e o que o impedia de ser uma força nos rebotes ofensivos era o Perkins.

Portanto, se o Bynum superar as dores e jogar uma excelente partida, eu duvido que o Celtics consiga vencer a disputa no garrafão, a batalha dos rebotes e, logo, o jogo. Mas ainda há esperanças para o Boston, a julgar pelos últimos jogos e pelas dores do Bynum, a chance disso acontecer é bem pequena. O que é mais provável é que o Lamar Odom passe muito mais tempo em quadra fazendo dupla com o Pau Gasol, e aí pode estar o trunfo do Doc Rivers.

Durante essa série o Garnett começou bem mal mas depois melhorou bastante, só que mesmo com essa melhora eu ainda acho que o melhor jogador a marcar o Gasol durante toda a série foi o Rasheed Wallace. Ele foi perfeito tanto nos tocos como na hora de forçar o espanhol a não conseguir segurar o passe ao receber de costas para cesta. E esse matchup ainda deixaria o Garnett marcando o Odom, o KG é um dos poucos jogadores na NBA que consegue ser páreo para o Odom na combinação tamanho-velocidade-rebotes. Lembram de uma jogada no jogo 5 quando o Odom foi para o drible pra cima do KG, que quase ajoelhou no chão, bateu palmas e o marcou como se fosse o armador mais veloz do mundo? E ainda foi no mesmo jogo em que o Glen Davis, a outra opção do banco, dominou o Odom tanto no ataque quanto na defesa e nos rebotes.

Então defensivamente o Celtics pode não sentir tanta falta assim do Perk se o Lakers passar muito tempo usando o Odom, se o Bynum jogar bem é outra história. Mas e no ataque? O Perkins fazia muita diferença com bloqueios precisos e muitos rebotes ofensivos, o Rasheed nunca vai pegar um rebote de ataque porque se posiciona muito longe da cesta. Não ter esses rebotes pode ser desastroso para o Celtics, principalmente em momentos decisivos do jogo, mas nada que algumas bolas de 3 não compensem. Rasheed Wallace precisa estar com a mira precisa para não ser só um pedaço de carne ambulante no ataque. Se ele acertar serão pontos importantes e alguém do garrafão do Lakers sempre abrindo espaço para infiltrações para ficar de olho no Rasheed no perímetro.

Mesma coisa com o Glen Davis, já vimos nessa série como ele é capaz de mudar a cara de um jogo e logo depois zerar em pontos, vai depender de qual Big Baby vamos ver em quadra pra saber se o Celtics sente falta ou não do Perkins.

Para resumir, o Boston ainda tem muitas chances de vencer hoje. Muitas. Apesar da derrota destruidora no jogo anterior, o time não deve se abalar, afinal sofreu outras derrotas tão ou mais humilhantes nas séries contra Cavs e Magic e nas duas vezes ganhou a série. Mas é claro que a saída do Perkins deixa algumas perguntas em aberto, dúvidas que nenhum time gostaria de ter antes do jogo que vai decidir a temporada.

Em mais de um momento desses playoffs as transmissões da TV mostraram o Doc Rivers tentanto incentivar o seu time dizendo o seguinte: "Nós nunca perdemos uma série de playoff com esse quinteto inicial", querendo lembrar que venceram tudo em 2008 e quando perderam em 2009 não tinham Garnett. Não que o Doc Rivers quisesse que fosse desse jeito, mas o quinteto vai continuar invicto.

domingo, 13 de junho de 2010

Emoção demais, emoção de menos


Artest e Rasheed saem na unha pelo posto de mascote do Bola Presa

Quem acompanha o Bola Presa desde o comecinho sabe quais são os jogadores que mais nos rendem posts exclusivos: Yao Ming, no meu Houston, pelo seu fardo de carregar a cultura chinesa; e Kobe Bryant, no Lakers do Denis, pela sua paixão pelo basquete que chega ao ponto da nerdisse. Fica parecendo que escrevemos mais sobre os jogadores dos nossos times, mas no fundo é só acaso. Curiosamente, quem lidera nossa lista de posts individuais é, na verdade, Ron Artest - que jogava no Kings quando começamos a maratona de posts a seu respeito e que, ironia do destino, foi depois jogar no Houston e agora no Lakers. Damos sorte com nossos jogadores favoritos.

Ron Artest sempre foi, ao lado de Rasheed Wallace, um dos mascotes do Bola Presa. O Sheed estampou nosso primeiro template do blog e dá as caras na camiseta que fizemos do Bola Presa - que em breve devemos disponibilizar por aqui. Sua lendária coletiva de imprensa, em que respondeu a todas as perguntas com a frase "os dois times jogaram duro" porque estava sem saco, deu nome à nossa coluna com respostas para as perguntas dos leitores, entitulada "Both Teams Played Hard". Uma foto do Sheed ilustrava cada coluna, e ele continua estampado no nosso formspring, que segue respondendo às questões dos leitores e virou um sucesso absoluto (são mais de 3000 perguntas recebidas nesses 4 meses de existência). Além disso, o Sheed foi o tema de uma das pouquíssimas matérias gringas que traduzimos, um texto sobre sua inteligência trabalhar contra ele dentro de quadra - aliás, vale a leitura, são linhas espetaculares.

Ron Artest não ilustra templates ou camisetas por aqui, mas ganhou uma série de posts: primeiro quando mandou beijinhos para a torcida ao enfrentar o Pistons pela primeira vez desde que fora suspenso contra a equipe, depois quando passou um jogo inteiro se pegando com o Matt Harpring. Escrevemos quando ele bateu boca com o Kobe Bryant um jogo inteiro, colocando também uma entrevista em que Artest mostra todo o carinho e admiração que tem por Kobe. Listamos uma série de histórias sobre ele, da ligação para o torcedor que lhe tacou uma cerveja na cabeça à sua promessa ao Kobe, depois de invadir seu vestiário, de que um dia jogaria no Lakers para lhe ajudar a ganhar um título. Temos também dois posts curtos, um com o vídeo do Artest arremessando o tênis do Ariza e outro com sua aparição, de cuecas, num programa de televisão - admitindo ser formado em Matemática.

Nosso carinho pelos dois tem razões óbvias: além de serem jogadores engraçados e bem-humorados, coisa fundamental para os palhacinhos aqui do Bola Presa, também são jogadores humanos, emotivos, reais, dispostos a se expressar abertamente dentro de uma NBA que cada vez mais tenta sumir com as emoções e as opiniões através de multas, punições e suspensões (e que nessas finais apita falta até em que coça o nariz). Rasheed Wallace ainda lidera a NBA em faltas técnicas, mesmo com os minutos tão reduzidos, e Artest ainda arremessa bolas que não fazem nenhum sentido, deixando Kobe maluco, apenas para provar alguma coisa que está ali na cabeça dele.

O principal medo dos torcedores do Lakers quando Artest chegou à equipe era ele acabar com a química do time, dar uma de maluco, começar alguma pancadaria, arriar as calça do Paul Pierce. Medo real, mas desnecessário. Artest entendeu desde o primeiro segundo que o time não era dele, que sua função era defensiva, e que o Kobe estava de olho em tudo que ele fazia. A graça, no entanto, está no fato de que o Artest é de verdade e se diverte em quadra. Adora jogar fisicamente e quando topam a brincadeira, quando ele pode trombar no garrafão, se engalfinhar com alguém, roubar uma bola na raça ou dar um toco na base da força, seus pulos de alegria e socos no ar são um raro toque de energia em um elenco famoso por ser técnico demais, o magrelo nerd da classe. O que não falta para o Lakers são jogadores inteligentes, táticos, com habilidade apurada. Gasol é sem dúvidas o homem de garrafão mais técnico da NBA no momento, e Kobe é provavelmente o jogador mais técnico que esse planeta esférico já presenciou. Não que o Kobe não goste de jogar na força bruta (recentemente o Jeff Van Gundy estava comentando que o Lakers tem três dos jogadores que mais gostam de jogar fisicamente: Artest, Fisher e Kobe), mas é que Kobe é concentrado demais para permitir os jorros de euforismo que o Artest coloca pra fora como se fosse ganhador de Big Brother.

Assim como o Ben Wallace dizia que o Pistons às vezes não entrava no jogo até o Rasheed Wallace tomar uma falta técnica, tem vezes em que o Lakers não começa a defender com vontade até o Artest dar alguma trombada e começar a distribuir socos no ar de felicidade (estilo Raí). Sua importância vai muito além das funções defensivas e atinge justamente a maior deficiência do Lakers que perdeu para o Celtics na final de 2008: o Artest traz coração, jogo físico, socos no próprio peito, orgulho, empolgação, cara feia. Coisas que, dois anos atrás, eram marcas registradas do time de Boston.

O Celtics, por sua vez, tem tanto coração, orgulho e socos no peito, que o Rasheed Wallace acaba sendo quase desnecessário. Grande parte do elenco é absurdamente emotivo. Garnett, por exemplo, grita, berra, bebe o sangue de criancinhas e dá pancadas surreais de UFC em quem está lhe enchendo o saco.


O Glen Davis grita com ele mesmo, literalmente chora quando toma bronca (as lágrimas escorrem do rosto de nosso querido Ursinho Carinhoso) e está sempre pronto para sair na porrada com alguém. Kendrick Perkins reclama de todas as faltas da equipe, está sempre com cara de quem vai chorar ou ter um aneurisma cerebral, e é o segundo colocado em faltas técnicas na NBA (baita pentelho).

Rasheed Wallace está acostumado a ser o coração de suas equipes. Jogou a carreira inteira ao redor de cordeiros, então está sempre gritando, provocando, atiçando, tentando proteger os seus companheiros que trata como irmãozinhos menores débeis mentais. Sempre existiu nele um tanto de desinteresse pelo jogo, é comum dizerem que Rasheed poderia ter sido um dos melhores de todos os tempos mas ele não quer treinar, fazer sempre a mesma coisa em quadra ou obedecer os desenhos táticos. Mas o Celtics precisava disso, de uma força defensiva no garrafão, de um arremessador de 3 pontos, de um jogador inteligente para dar os passes certos, não de mais um para esquentar a cabeça e sair do jogo. Enquanto o Lakers era um tanto sem vida e desgostoso de confronto e jogo físico, o Celtics agora é um time emotivo demais, com gente falando demais e - principalmente - cometendo faltas técnicas demais.

O Rasheed Wallace chegou no Celtics anunciado como "mais um enorme talento para levar esse time a outro título", mas assim que pisou em quadra fora de forma, sem muita vontade de treinar e desinteressado - como sempre fica - por não se sentir parte de uma "família" (ele precisa ouvir Restart), tomou fria do resto da equipe. A frustração do Garnett com o Sheed era visível em sua cara de canibal faminto, e acho que a situação toda foi uma das maiores responsáveis pela queda de produção do Celtics durante a temporada regular. O Rasheed precisou entender, com muito custo, que fazia parte de algo, de uma última corrida desesperada a um anel com uma equipe disposta a sangrar por Garnett, Pierce e Allen, para então começar a render um pouco mais em quadra. Mas, infelizmente, o casamento não parece dar muito certo.

Toda a empolgação de Artest, que torna o Lakers um time mais humano, agressivo e eficiente, tem um preço. Primeiro, as limitações de arremesso do Artest foram exploradas constantemente nos playoffs, primeiro pela defesa perfeita do Thunder, depois pelo Jazz, e por fim pelo Suns e sua defesa por zona 2-3. Todas essas equipes deixaram Artest livre para o arremesso de 3 pontos, e ele insistiu em arremessar mesmo assim. Na série contra o Jazz, se enfiou num regime de treinamento de arremessos e acabou decidindo a série, é verdade, mas contra o Suns essa confiança no treinamento levou a momentos bizarros. No Jogo 5, Artest errou um arremesso de 3 pontos livre, recebeu o rebote ofensivo e, ao invés de esperar o cronômetro correr para garantir a vitória, resolveu arremessar de novo - e errar de novo, tipo a segunda convocação do Dunga. A humanidade do Artest lhe faz dar arremessos desnecessários apenas para provar que ele consegue, que ele andou treinando, ou então puxar contra-ataques estabanados só porque ele está empolgado com a trombada que recebeu na quadra de defesa. Esse preço, no entanto, é pequeno perto do equilíbrio que Artest traz à equipe. O Lakers é definitivamente, com ele, um time melhor.

Com o Sheed, o preço de tê-lo em quadra costuma ser alto demais. Suas falhas defensivas constantes são exploradas pelo ataque do Lakers e frustram um Celtics que se orgulha justamente de se focar na defesa. Seus arremessos de três pontos deixam o garrafão vazio, justamente quando a batalha dos rebotes é tão essencial para seu time. Seus arremessos caem um pouco, volta e meia dá um belo toco, sua defesa é cheia de truques de velhos experientes, mas o Celtics nunca é um time melhor por lhe ter em quadra. E a enorme qualidade emocional que Sheed traz às suas equipes, quando joga, é desnecessária no Celtics, é exagero. Quando ele recebe uma falta técnica, não é um motivo para o time se animar e entrar no jogo, é apenas desesperador porque é a milésima falta técnica que o Celtics recebeu no jogo. O Perkins já tomou uma, o Pierce já tomou outra, o Glen Davis vai tomar uma próxima, e a suposta animação do Sheed é apenas mais um cara reclamando demais e castigando o time com faltas técnicas e pontos fáceis para o adversário. No Jogo 4, lá estava o Ray Allen revirando os olhos tendo que impedir o Sheed de ser expulso de quadra. A fama do Wallace, por vezes merecida, faz com que as reações sejam punidas mais rápido e lhe deixa até mesmo mais propenso a ter faltas marcadas contra ele, especialmente numa série em que os árbitros querem coibir qualquer contato. Sobra pro Ray Allen ser babá de uma máquina de fazer faltas técnicas.

Do problema do Celtics com as faltas técnicas, falaremos mais tarde. Por enquanto, o que tentamos mostrar é que somos grandes fãs do Rasheed Wallace e do Artest, mas que eles se encaixam de maneira completamente oposta em suas equipes. Se ainda acho o Celtics favorito nessa série justamente por causa do coração, do desespero de ter que ganhar mais um título, do sacrifício que o time inteiro é capaz de fazer em nome disso (a ponto de um banco ruim ganhar um jogo na raça), o Rasheed não é necessário para essa empolgação. E, do outro lado, se alguém pode levar o Lakers a superar os corações do Celtics, esse alguém é justamente Ron Artest. Quando ele está empolgado e seu time entra na mesma "vibe" (só de usar essa palavra, uma espinha nasceu na minha testa), o Lakers tem grandes chances de vencer a batalha psicológica. No primeiro jogo da série, vimos um Artest que distribuía socos no ar, se pegando com o Paul Pierce nos primeiros segundos de jogo (os dois tomaram falta técnica), dando trombadas no Glen Davis, enquanto o Garnett parecia assustado e nervoso errando bolas embaixo da cesta, passando a bola ao invés de dar arremessos fáceis e faltando braço na hora de colocar a bola para dentro.

A série entre Magic e Celtics nos ensinou uma coisa: quando o time adversário consegue jogar com raça, de forma física, brigada e elétrica, o Celtics passa a ser aquilo que é por trás da máscara: um time de velhinhos. É importante para o Lakers ter um Gasol agressivo no garrafão e um Bynum que esteja ao menos em quadra e não com um joelho boiando num pote de formal, sem dúvidas, mas a agressividade fisica geral do time está nas mãos do Artest. Do outro lado, o melhor que o Rasheed pode fazer parece ser não tomar mais faltas técnicas. Pessoalmente, torço para que ele se erga e dê ao Celtics aquilo de que o time precisa, reforçando ainda mais um banco de reservas que pode mudar a cara da série, mas por enquanto ele está encostado: é apenas mais do mesmo. No Lakers, Artest é justamente a diferença. A derrota no Jogo 4 está sendo creditada à auxência de Bynum, mas que tal lembrar da partida ruim que fez Artest na defesa, tanto defendendo Pierce quanto no ataque e em empolgação? Vimos como Glen Davis humilhou Lamar Odom, seu defensor na maior parte do jogo, o tempo inteiro. Mas o que teria acontecido se um Artest empolgado tivesse ido marcar o "Big Baby" no garrafão? Artest pode defender quatro posições em quadra e, apesar da diferença física, pode dar muito trabalho para qualquer um, até mesmo a almôndega ambulante que é o Glen Davis. Bynum deve jogar o Jogo 5 hoje à noite, mas eu coloco a responsabilidade em outras mãos: nas de Rasheed, para o banco do Celtics continuar fazendo estrago e Bynum ser bem defendido; e nas de Artest, porque o Lakers precisa de emoção em quadra. E, como insiste cada vez mais Kobe e Phil Jackson, o Lakers só vai ganhar essa série se for na defesa. Caso um gordinho continue acabando com eles no garrafão, as chances de anel de campeão desaparecem.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Um gordo e um anão

Rasheed Wallace não acredita: o Glen Davis ganhou um jogo


O Lakers tem um fetiche bizarro: perder para equipes reservas. Contra o Suns, o Lakers conseguia se virar bem contra a equipe titular e apanhava mesmo era do banco, com Dragic e Leandrinho. Contra o Celtics, parece que o fetiche é ainda pior. No Jogo 4, Kobe segurou muito bem as pontas contra a equipe titular do Boston, mas quando os reservas mais-ou-menos entraram em quadra, o jogo mudou. O tempo foi passando e nada dos titulares voltarem, a vantagem do Celtics foi aumentando, e quando os titulares voltaram para a quadra (que, aparentemente, é contra quem o Lakers mais tem chances de vitória), já não dava mais tempo de virar o jogo.

No geral, a partida do Celtics foi bem o que esperávamos, com o time tomando várias medidas que eu havia sugerido aqui no Bola Presa: forçando ao máximo o ritmo de jogo, colocando mais a bola nas mãos do Rondo, pegando o garrafão do Lakers desprevenido na correria, e deixando o Paul Pierce menos com a bola. Curiosamente, isso não significou necessariamente usar menos o Pierce no ataque, como eu imaginava ser necessário. O ala do Celtics rendeu muito bem recebendo a bola em movimento, sendo acionado para receber pick-and-rolls na cabeça do garrafão, e carregou o ataque do time por um bom tempo sem no entanto ficar segurando a bola ou criando jogadas individuais. Quando ele começou a forçar mais o jogo, o resto do elenco entrou num entrosamento deles lá e o Pierce ficou de fora, tipo o gordinho nerd que senta na primeira carteira da classe. O primeiro arremesso do ala no segundo tempo veio com o quarto período bastante rodado, depois de um quarto inteiro sendo ignorado em seus insistentes pedidos pela bola.

Às vezes é triste não contar com um baita pontuador como é o caso do Paul Pierce, mas o Celtics conseguiu outra coisa muito mais valiosa no lugar: jogadas ofensivas. Ray Allen estava em mais um dia ruim (conforme ele vai ficando velhinho, os dias bons são a exceção, não a regra), Garnett recebeu mais atenção na defesa, Rondo foi bem marcado no garrafão e forçado a arremessar muito (coisa que ele dificilmente acerta, como sabemos), e o negócio estava feio. Justamente por isso, o Celtics foi obrigado a envolver todo mundo, aceitar contribuições de todos os lados e tomar mais conta da posse de bola, com carinho. Apesar das limitações técnicas, os reservas entraram num ritmo, como se fossem um time de verdade com um técnico de verdade (coisa que eles não são e nem tem), e aí o Paul Pierce ficou de lado, foi sentar, e coube aos titulares ficar na linha lateral torcendo com a toalhinha na cabeça.

Quer dizer, menos ao Ray Allen, que recebeu o cargo de babá do grupo e ficou em quadra. Por quase todo o quarto período, o Celtics manteve jogando uma série de jogadores mequetrefes e não muito inteligentes: Nate Robinson na armação, Tony Allen na ala, Glen Davis e Rasheed Wallace no garrafão. O coitado do Ray Allen é quem teve que acalmar os ânimos, impedir mais faltas técnicas, dar instruções de defesa e, como toda babá cuidando de crianças, enxugar baba. Pra quem não viu, abaixo tem o vídeo do Glen "Big Baby" Davis se babando inteiro:


O bebezão (que é tão criança, mas tão criança, que até pediu pra mudar de apelido, coisa que só pirralho faz e que é a mesma coisa do que pedir para o apelido pegar para sempre) não é um grande atleta, é lento, baixo, gordo, chato, mas compensa de muitas maneiras essa sua derrota na loteria genética, como dá pra ver no vídeo acima. Seu trabalho de pernas é incrível, seus pés se movimentam bem e com isso ele consegue sempre estar na frente do adversário, marcando com eficiência. Sua vontade é digna de um gordo atrás de pudim, se jogando em todas as bolas, trombando com todo mundo e sempre prestes a dar uma dentada em quem aparecer. E como ele é baixo demais para a posição e nunca vai conseguir alcançar o aro, seus pontos vem num excelente arremesso de meia distância e em uma série de movimentos refinadíssimos, super classudos, debaixo da cesta. É incrível como ele consegue passar alguns segundos no ar (a incríveis 5 centímetros de distância do chão) e mudar a bola de mãos, passá-la por debaixo do aro, finalizar com elegância. Tudo enquanto tromba, se arremessa, chora e belisca um sanduíche.

Quando entrou na NBA, fiquei fã do Glen Davis. É sempre legal ver um jogador gordo que consegue se sair tão bem, com movimentos tão refinados no garrafão. Mas agora odeio esse balofo porque ele se acha a última bolacha no pacote (e, portanto, está louco para se comer). Entendendo suas limitações e se aproveitando dos pontos fortes, ele poderia ser um excelente jogador, uma versão habilidosa e pontuadora do Chuck Hayes. Mas não, ele fica nessas de achar que seu jogo é espetacular, que ele é um gênio, que sua raça em quadra é épica e vai mudar a rotação da Terra. Talvez até mude mesmo, se ele continuar comendo.

Por mais birra que eu tenha com o "Big Baby", no entanto, sou obrigado a admitir que seu jogo foi exatamente do que o Celtics precisava. O joelho do Bynum, que está quase chegando no "nível Greg Oden de qualidade", está do tamanho de uma bola de tênis e tem que ser drenado constantemente. Quando ele está em quadra, o Lakers tem mais chances de vencer a luta pelos rebotes (que, até agora, sempre foi vencida pelo time que no fim sai com a vitória), pontuar no garrafão e vencer o jogo na defesa, como querem Kobe e Phil Jackson. Sem ele em quadra, por causa do joelho zoado, o Glen Davis resolveu jantar o garrafão do Lakers e conseguiu. No peso, no tranco e na vontade. Pau Gasol é outro homem, agora ele apanha e está feliz, ataca a cesta, defende de forma agressiva e deu canceira para o Garnett, mas sofreu demais ficando sozinho no garrafão como pivô. Quem passou a maior parte do tempo marcando o Glen Davis foi o Lamar Odom, que perto do "Big Baby" não passa de um palito de dentes. Vencendo a luta no garrafão, colocando a bola lá dentro e armando jogadas para serem finalizadas debaixo do aro, o Celtics parou de dar arremessos idiotas numa partida em que nenhuma das duas equipes conseguia pontuar com consistência - a não ser o Kobe, que roubou o talento do Ray Allen e deu pra meter uma bola de três atrás da outra.

Mas o banco do Celtics não é feito apenas pelo Glen Davis, embora ele pese mais do que o resto do banco inteiro. Tony Allen, por exemplo, marcou muito bem Kobe e dessa vez não passou nenhum segundo como armador na partida, o que é a melhor coisa que pode acontecer para o bom andamento do Universo. Nate Robinson, por sua vez, foi o responsável por armar o jogo na auxência de Rondo, que acabou ficando mais tempo no banco do que o normal. A intenção foi de correr com a bola desde o princípio, então o Rondo cansou logo e o Nate entra em quadra para fazer a mesma coisa, no velho pernas-para-que-te-quero.

O problema é que todos nós sabemos que o Nate Robinson não tem muito cérebro. Lembro de uma jogada na primeira vez em que ele entrou em quadra para o Celtics em que pegou a bola, ficou driblando de um lado para o outro, passou por trás da cesta, olhou para o aro e arremessou uma bola de três pontos terrível no estouro do cronômetro. Não deu nem aro e o Garnett prometeu usar seu sangue para temperar a salada do dia seguinte. No Jogo 4, o Nate manteve o plano de jogo de correr como um louco para repor a bola, mas por inúmeras vezes chegou na quadra de ataque e, com seu cérebro de ostra, não soube o que fazer com a bola. Aí parava a corrida, segurava a laranjinha e passava pro lado. De que adianta correr então?!

Mas, justiça seja feita, o Celtics fez muito bem para o Nate "The Great". Ver o Garnett no banco segura um pouco suas rédeas, a pressão de estar num time que precisa ganhar desesperadamente não lhe permite aquela vida impune do Knicks, em que ele podia fazer qualquer merda em quadra e achar engraçado. No Celtics ele precisa temer os mais velhos, que enchem muito o saco, precisa ganhar minutos porque o Doc Rivers nunca fez questão de lhe colocar em quadra (mesmo sem ninguém para ser reserva do Rondo), e está sendo assistido por todo mundo num time vencedor que quer vencer ainda mais. A "Família Celtics" (não confundir com a "Família Restart", que não desiste nunca) colocou responsabilidade na cabeça do Nate Robinson. Então ele é burro, não sabe o que fazer com a bola depois de correr tanto, mas joga com menos afobação, sabe passar a bola para dentro do garrafão, obedecer as ordens táticas e ataca a cesta quando necessário, além de ser um bom arremessador (se não deixarem ele arremessar sempre!).

O Rasheed Wallace, último homem do banco a compor o time que venceu a partida, não fez muita coisa, mas defendeu razoavelmente bem. Gritou, xingou, tomou falta técnica, ficou tão inconformado com uma marcação que até rendeu a cara mais engraçada do ano (a foto que ilustra o post foi tirada por mim mesmo no meio da transmissão, print screen legítimo, enquanto eu morria de rir da reação do Sheed). Com Garnett no banco, o Sheed acabou sendo o coração da equipe na defesa, embora eu ache o Rasheed desnecessário nesse time porque todo mundo já é muito emotivo. O Ray Allen teve que ajudar o Nate Robinson a dar os passes certos nas horas de branco, teve que cobrar do Glen Davis as falhas defensivas, e teve que impedir o Rasheed de ser expulso de quadra por causa das reações exageradas. Mas o conjunto inteiro deu muito certo, uma bola de 3 pontos do Sheed nos minutos finais praticamente decidiu o jogo, e acabou ficando como a cereja do bolo de um banco de reservas que acabou com o Lakers.

Em entrevista coletiva, Glen Davis e Nate Robinson disseram que passaram todo o quarto período esperando o momento de sair, como eles estão acostumados a ver acontecendo. Os minutos foram passando, eles não saíam e começaram a estranhar, olhando toda hora para o relógio. O Garnett ia entrar em quadra o tempo todo, mas aí o Glen Davis fazia alguma grande jogada e o Doc Rivers segurava o Garnett mais um tempo na lateral. Mérito do gordo que rendeu nos minutos que teve em quadra, mas grande mérito do Doc Rivers de ter deixado em quadra o time que deu certo (sem a frescura de ter que manter os melhores jogando mesmo quando não funciona) e mérito também do Garnett, que ao invés de exigir entrar em quadra, ficou lá do lado vibrando pelo gordinho que estava chutando traseiros. A entrevista coletiva de Nate e Glen Davis, inclusive, merece ser vista inteira porque é muito engraçada: tem o Big Baby com ar de que é o melhor jogador do planeta e merece ganhar uvas na boquinha, tem ele pedindo desculpas por cuspir e perguntando se caiu na repórter, e tem o Nate Robinson comparando eles dois com o Shrek e o Burro - simplesmente a melhor comparação da história, "Separados no Nascimento" instantâneo!

Já tinha postado aqui que, para mim, o Celtics é favorito na série porque todo jogador, não importa quão ruim seja, entende que precisa vencer em nome de Garnett, Allen e Pierce, que estão lá cobrando. O time tem a responsabilidade, a vontade, a energia, a emoção necessárias para vencer mesmo quando tudo parece que está dando errado. Às vezes é em excesso, como no caso das milhões de faltas técnicas (devo postar sobre isso dia desses), das reações do Rasheed, das frustrações de Glen Davis e Garnett que às vezes não conseguem entrar no jogo, ou do Paul Pierce que na animação enfiou uma muqueta na cara do juíz:


Se essa emoção não for em excesso, e se eles não se focarem apenas em transformar isso num jogo exclusivamente físico justamente quando o Lakers está se saindo tão bem na defesa e nas pancadas (especialmente com Bynum em quadra), dá pra transformar um banco ruim em um banco que ganha jogos. E séries. E um anel.

domingo, 6 de junho de 2010

Motivação

Doc Rivers está bem animado com o seu time

Sabe quem era a pessoa que mais acreditava no Lakers há 4 meses? Doc Rivers, o técnico do Boston Celtics. Em fevereiro desse ano, ao fim do jogo em que o Celtics enfrentou o Lakers pela temporada regular no STAPLES Center, Rivers pediu a todos os jogadores, assistentes e qualquer um que viajava com o time que desse 100 dólares para ele. Ele juntou 2.600 verdinhas, colocou em um envelope e escondeu no teto do vestiário do time visitante. Aí disse para a equipe: "Vocês podem ter esse dinheiro de volta, é só a gente voltar a jogar nesse ginásio".

A mensagem era clara. O Celtics só enfrenta uma vez por temporada o Lakers em Los Angeles, eles só voltariam para lá se classificassem para a final da NBA. E o Doc Rivers confiava que ela seria contra o Los Angeles Lakers, ou pelo menos não contou dos envelopes de dinheiro que deixou em Phoenix, Dallas ou San Antonio. Depois de algum tempo Rivers disse que fez aquilo só para impressionar e motivar seus jogadores, que passavam por dificuldades durante a temporada regular, mas que não acreditava que o dinheiro estaria lá depois de tanto tempo. "Achei que alguém iria encontrar o envelope quando fosse trocar uma lâmpada ou algo do tipo". Aqui tem o vídeo dele mostrando onde estava a grana.

Óbvio que não foi só isso, mas a motivação deu certo e os jogadores (exceto o pobre Eddie House, que foi trocado para o Knicks depois daquele jogo) receberam seu dinheiro de volta, eles estão na final da NBA. É mais um exemplo do que parece ser o grande talento do Doc Rivers, motivação.

Já discutimos aqui como parece ridículo quando comparam os trechos de áudio do Phil Jackson com o do Doc Rivers. De um lado é um dando instruções técnicas e táticas, do outro é gritaria cheia de "Vamo lá, a gente pode fazer isso". Um parecia um técnico e o outro um palestrante motivacional. Em 2008 já parecia assim e deu certo, mas não deixava de ser ridículo.


Um time não é feito só de motivação, mas o Celtics parece saber disso e não deixa toda a responsabilidade nas mãos do limitado Doc Rivers, é tudo bem dividido. Desde que o Big 3 se juntou é bem comum ver o Kevin Garnett falando sem parar em pedidos de tempo e mais recorrente ainda ver os jogadores mais experientes dando conselhos aos mais novos. Não tenho dúvida de que a evolução do Rondo de 2008 para o de 2010 tenha tido muito a ver com as horas de sermão e conselhos que ele ouviu de Sam Cassell, Paul Pierce, Ray Allen e Kevin Garnett. E é mais claro ainda ver a relação do Garnett com os seus companheiros de garrafão Kendrick Perkins e Glen Davis, os dois estão obedecendo e tomando broncas do KG o tempo todo e ambos evoluíram muito de dois anos pra cá. Tá bom que vez ou outra um deles chora com a gritaria, mas aprendem com isso da mesma forma.

Também existe a ajuda dos assistentes técnicos. Quem ganhou destaque nas últimas semanas foi Tom Thibodeau, que acertou ontem com o Chicago Bulls e irá assumir o time do Derrick Rose assim que a final for encerrada. Como disse bem o Danilo em um post da semana passada, ele foi o grande responsável por montar o sistema defensivo do Celtics que funciona tão bem há tanto tempo.

Com um time experiente, jogadores que se ajudam e bons assistentes, acaba não sendo tão ruim ter um técnico limitado mas que sabe motivar seus jogadores. Quer dizer, não acho que daria certo com qualquer time, mas dá certo com esse elenco que o Doc Rivers tem em mãos. Caras como o Paul Pierce, Kevin Garnett, Nate Robinson e Glen Davis são jogadores muito emotivos, que tem sua qualidade de jogo muito diretamente ligado à situação emocional do jogo, à rivalidade com o adversário, a provocações. O Paul Pierce em especial é aquele típico jogador à lá Dwyane Wade que basta tomar uma falta mais dura para entrar no jogo e começar a fazer a diferença.

O Garnett não é muito diferente e ele acaba de ganhar um combustível extra para o jogo 2. Olha o que o Pau Gasol disse após o primeiro jogo da final onde dominou o Garnett:

"Kevin Garnett perdeu um pouco da sua explosão física desde 2008. Agora ele é mais um arremessador. Antes ele tinha um primeiro passo muito, muito rápido e assim chegava mais na cesta, ele era mais agressivo. O tempo passa e todos nós sofremos com isso de uma maneira ou outra, mas ele ainda é um jogador espetacular, um competidor e vai vir com tudo no próximo jogo, pode contar com isso."

Graças à uma imprensa bem simpática, especialmente a de Boston, o depoimento chegou aos ouvidos do Garnett apenas como "Ele perdeu a explosão, não é mais o mesmo de antes".
O que causou um depoimento do Glen Davis que mostra bem a personalidade do KG:

"Ele não deveria ter dito aquilo. Vamos ver o que acontece, eu conheço o Kevin e estou convivendo com ele há 3 anos. Ele não foge de nenhum confronto, desejo boa sorte para o Pau Gasol".

Ui, que meda! Mas pior que acho que o Big Baby não falou isso pra assustar, acho que falou porque realmente acredita que o Garnett vai vir babando sangue como se tivesse que vingar a morte da família pra cima do Lakers e do Gasol na partida de hoje. É só reler a frase do espanhol para ver que ele não disse nada de mais, elogiou o KG o tempo inteiro, mas a simples constatação de que o estilo de jogo do adversário mudou pode causar uma revolução nessa série. Eu estou curioso e um pouco assustado esperando como será a atuação do ala do Celtics esta noite.

Motivação extra não vai adiantar nada se o domínio do Lakers for tão grande como na última partida, mas o Celtics não é fraco como pareceu no primeiro jogo, aliás ter parecido um time tão inferior será outra motivação para os verdes no fim das contas. Eles são um grupo emocional e irão se aproveitar de qualquer coisa para igualar a série. Sejam essas coisas verdades, mentiras, frases distorcidas, tanto faz, pode mandar que o Doc Rivers, futuro palestrante empresarial, transforma em motivação.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Celtics pagodeiro

Garnett versão Zé do Caixão: "você, você, e toooodos você!"


Assim que LeBron foi eliminado dos playoffs, Garnett não resistiu à oportunidade de lhe dar publicamente um conselho: não gastar toda sua carreira em uma tola lealdade. "Lealdade é algo que te machuca às vezes, porque você não pode ter sua juventude de volta. Posso dizer sinceramente que se eu pudesse voltar atrás e refazer minha situação, sabendo o que sei agora com essa organização, teria vindo para cá um pouco antes."

Kevin Garnett passou os melhores anos de sua carreira no Minnessota Timberwolves. Quando vi Garnett chutar traseiros, ser o melhor jogador da NBA, levantar comparações com Tim Duncan e se tornar meu jogador favorito, era lá que ele estava. Mas as críticas que recebia eram muito duras e cruéis. Como sempre, ninguém queria ouvir sobre o técnico incompetente que lhe treinou durante quase toda a carreira, o elenco limitado, os jogadores fominhas. O peso das derrotas caíam invariavelmente nas costas do Garnett, incapaz de vencer frente às circunstâncias. Mas ele queria vencer com aquela franquia que lhe trouxe à NBA, vencer em nome daqueles torcedores que lhe acompanharam desde que ele era um magrelo sem barba na cara jogando Pokémon, provar para o mundo e para si mesmo que poderia, com aquela estrutura meia-boca, vencer um campeonato. Essa fidelidade consumiu o auge de sua carreira, sempre batendo a cabeça contra a parede. Quando foi trocado para o Celtics, a primeira coisa que ele fez foi ficar puto da vida. Não queria vencer apenas por ter se enfiado num time melhor.

Mas rapidamente o resto do elenco, a comissão técnica e a estrutura do time de Boston mostraram algo para Garnett: é mais fácil vencer quando não se está sozinho. A fidelidade deve vir pela coisa certa. O Celtics rapidamente se tornou uma excelente banda de pagode, ou seja, um monte de gente com dor de corno. Pessoal que colocou a fidelidade no lugar errado, tomou chifre, e agora é fiel apenas aos outros marmanjos que sofreram a mesma coisa na pele. E o mundo nos ensina que poucas coisas são mais unidas do que um grupo de cornos.

Ray Allen teve sucesso moderado no Bucks com ajuda de Glen Robinson, e no Sonics com a ajuda de Rashard Lewis. Paul Pierce teve sucesso moderado no Celtics com a ajuda de Antoine "Cabeça de Lego" Walker. Mas os dois sabem que sucesso moderado e outro bom jogador de apoio não serve para bulhufas. O Ray Allen é um dos melhores arremessadores de três pontos que o planeta já viu, deve bater todos os recordes de bolas de 3 pontos, foi versátil o bastante para produzir mesmo sem seus arremessos, e mesmo assim tem gente constantemente perguntando se ele é bom de verdade, se ele foi importante para a NBA, querendo saber se ele é melhor que o Michael Redd. Kevin Garnett foi um dos jogadores mais espetaculares de todos os tempos, um dos mais eficientes da história, um dos poucos capaz de jogar em todas as posições da quadra, e tem gente o tempo inteiro achando que ele é "bonzinho" (qualidade que, se dita sobre um garoto por uma garota, significa que ela nunca, jamais, nem em um milhão de anos, dará para ele). O próprio Paul Pierce disse se considerar o melhor jogador de sua posição na NBA e a gente riu dele com razão. Os três são apenas espectros do que já foram, fantasmas, fotografia envelhecida. A declaração do Paul Pierce é o melhor exemplo disso, ele simplesmente não percebeu a passagem do tempo, gastando seus melhores anos com um Celtics confuso e desorganizado que não sabia se construia um time em volta do Pierce ou se reconstruia a equipe do nada. É fácil esquecer quão espetaculares foram esses três jogadores quando os vemos em quadra atualmente, um tanto limitados, às vezes se arrastando (principalmente nos poucos jogos em que o Magic conseguiu jogar fisicamente, coisa que o Lakers não fará). Aí está o Celtics, cansado, velho, e em mais uma final de NBA.

É preciso desmistificar um pouco esse time do Celtics, justamente para percebermos quão bom ele é. O trio formado por Pierce, Ray Allen e Garnett não é sombra do que já foi. No ataque, seus talentos nunca foram adequadamente aproveitados porque o Doc Rivers é o pior técnico que esse mundo já viu. As jogadas são quase todas isolações, o Garnett nunca recebe a bola o bastante, e é fácil o time se perder em longos períodos sem pontuar. Na defesa, gostaria de derrubar um pouco um mito: Garnett é essencial para essa defesa, coisa e tal, mas o real responsável por ela é Tom Thibodeau. O assistente técnico do Celtics é o responsável por toda a estratégia defensiva do time, cada mísero detalhe, montou o esquema tático do Houston retranqueiro que eu acompanhei tão de perto com o Jeff Van Gundy, e é de sua mente doentia que surgiu a defesa impecável que parou LeBron James. O Garnett é excelente defensor, sua energia em quadra contagia os jogadores e ele é um líder vocal, sempre berrando com todo mundo. Mas a defesa do Celtics não é criação sua como reza a lenda. Os que sabem da verdade, como o Bulls, o Hornets e o Nets, estão entrevistando o Thibodeau para dar-lhe finalmente um cargo de técnico principal. Ele merece.

O ataque do Celtics é desorganizado, a defesa é fruto de um assistente técnico e os três jogadores principais estão velhos, mais limitados, cansados e são frequentemente mal utilizados em quadra. Eis aí o Celtics desmitificado. Quem fica louvando esse time está assistindo uma equipe diferente daquela que eu vejo tão atentamente. E sabe por que eles são tão bons? Porque sabem das limitações. Garnett, Allen e Pierce sabem dos problemas que seus corpos reumáticos enfrentam e treinaram como loucos para chegar na melhor forma física possível. Garnett saiu do bisturi no joelho temporada passada e foi direto para um regime de treinamento intensivo com um cara famoso por treinar as estrelas que entrarão no draft da NBA. Os três só estão aí correndo nos playoffs porque sabem que não dá pra dar mole para o físico quando se é velhinho. Os três sabem que o ataque é mal feito, então tentam ganhar na defesa. E o principal: os três sabem que não vão ganhar sozinhos, como na época em que eram fiéis às suas equipes horríveis, então eles apostam no elenco. No elenco inteiro. O grande mérito dessa equipe do Celtics é ter três jogadores dentre os melhores de todos os tempos e vê-los confiando, por exemplo, em um pirralho: Rajon Rondo.

Lembra quando o Celtics era uma merda? Paul Pierce era titular junto com Delonte West na armação, Al Jefferson criança como ala e Marc Blount cocô como pivô. Os três foram trocados, então o Celtics viu dois reservas se tornarem titulares para tapar buraco: Rajon Rondo e Kendrick Perkins. Agora, é fácil ver os dois formando a dupla mais importante em quadra, um no ataque e outro na defesa. O trio de estrelas sabe ser coadjuvante. Como bom grupo de pagode, eles sabem como é tomar na orelha e estão dispostos a colocar a lealdade nesse time, seja quem for.

Quando o Lakers formou o lendário Fab Four com Shaq, Kobe, Malone e Gary Payton (e o time é lendário por ter perdido, claro), o Devean George fechava o quinteto titular e disse se contentar em ser apenas "uma pergunta pegadinha" em questionários de basquete no futuro. Se o Celtics é tão bom é porque ninguém faz parte de questionário-pegadinha do Mallandro, o Rajon Rondo é a estrela da equipe e ninguém tem vergonha de admitir. Garnett disse que foi super natural, ainda durante a temporada, aceitar que o ataque era colocar a bola nas mãos do Rondo e deixar que ele decida o que fazer. E na defesa, Perkins faz o trabalho que antes se louvava ser do Garnett - só que faz melhor.

O Celtics é tão ruim, mas tão ruim, que o Glen Davis precisa entrar para segurar o garrafão na defesa e acertar os arremessos que o Garnett muitas vezes nem tenta no ataque. Tony Allen precisa entrar para defender o perímetro quando o Pierce tá com os pulmões pra fora. Nate Robinson precisa entrar e armar o jogo quando o Rondo toma um capote e se arrebenta (e se o Celtics campeão podia jogar fácil sem armador nenhum, já que não tinha jogadas de ataque, dessa vez eles passam para o Rondo e assistem, então não rola ficar sem armador). Esses caras mais-ou-menos terem papéis importantes é o que torna o Celtics incrível. Todo mundo está disposto a receber ajuda seja de onde ela vier, nas condições em que ela vier. Todo mundo dá o máximo, durante os jogos e fora deles, para fugir do risco de não ser lembrado pela história por ter gastado os melhores anos em franquias horríveis.

Se o Celtics enfrentou uma crise no meio da temporada, despencando na tabela e dando fria digna de quinta série do ginásio no Rasheed Wallace, é porque nem todo mundo tem essa sensação de "água batendo na bunda" que assola Garnett, Pierce e Allen. Eles são velhos e se dedicaram, treinaram como loucos, dão espaço para quem quiser se destacar se a vitória vier, e aí o Glen Davis só faz merda e chora, o Rasheed Wallace aparece gordo, destreinado e desinteressado, e o Nate Robinson queima arremessos como se fosse pelada de domingo? Me dói muito dizer, mas o grande trio que entrará no "Hall da Fama" agora é apenas um conjunto de três jogadores normais, nada espetaculares. Mas aquilo que eles representam, aquilo que eles significam, faz Rasheed Wallace ter que entrar em forma, Glen Davis ter que segurar o choro, Nate Robinsonter que jogar como se fosse o Rondo. Ninguém quer estragar a última chance que esses três tem de deixar um legado. Eles exigem isso, obrigam isso, e assim que todo mundo entendeu (ao invés de achar que era implicância, chateação, motivo de choro), a crise do Celtics virou farofa. Os três jogadores "normais" fazem com que todos os outros tenham que ser espetaculares. Nem que seja na base do grito.

Allen Iverson também representa algo enorme, também poderia levar um time ao limite para salvar seu legado. Um reserva qualquer entenderia que precisa jogar demais se for a última chance do Iverson na carreira. Mas Iverson simplesmente não aceitaria a ajuda necessária, não teria a consciência de que está velho, com joelhos frágeis, mira descalibrada, e não teria a humildade de colocar o time nas mãos de Rondo, Perkins e Glen Davis. A grande vantagem do Celtics em cima do Lakers, maior do que qualquer mando de quadra, é o relógio: o tempo está passando e essa pode ser a última chance desse Celtics ganhar outro anel. Todo mundo em Boston está consciente da passagem do tempo. Enquanto o Lakers de Kobe sabe que pode vencer bastante nos próximos anos, para o Celtics a temporada tem gosto de última chance. Por isso, independente de quais jogadores estejam em quadra, qual tipo de defesa e qual a qualidade técnica do confronto, o Celtics é pra mim favorito. Quanto mais velho e acabado Garnett parecer em quadra, melhor e mais motivado essa equipe será. A ajuda virá de todos os lados.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dia de Clippers

A cara do Ray Allen explica a situação

Como conclusão ao jogo de ontem entre Magic e Celtics eu disse no Twitter que o Celtics estava vivendo o seu dia de Clippers, o time mais amaldiçoado da NBA em termos de azar, derrotas humilhantes e contusões. É estranho para o time mais vencedor a história da liga ter um dia desses, mas acontece nas melhores famílias.

O jogo começou com a série em 3 a 1 para o Celtics, que precisava de mais uma vitória fora de casa para se classificar para a final. Uma missão possível para um time que havia vencido seus últimos 4 jogos fora de Boston (2 contra o Cavs, 2 contra o Magic) e que claramente estava no domínio da série. Mesmo no jogo 4 em que o Magic venceu, não dá pra dizer que o time azul foi dominante. O jogo foi apertado, feio e decidido por alguns flashes de estrelismo de Dwight Howard e Jameer Nelson. O resto do Magic tinha jogado mal como em todos os outros jogos.

Mas dessa vez o Orlando começou diferente. Ou melhor, começou ruim igual aos outros, com três turnovers em menos de 2 minutos de jogo, mas passada essa marca, começaram a jogar bem demais. Vince Carter, Jameer Nelson e Rashard Lewis meteram bolas de 3 logo no começo do jogo e impulsionaram o resto do time a acertar suas bolas de longa distância. Foram 13 acertos em 25 tentativas. O Celtics ameaçou uma reação ainda no primeiro quarto, mas sempre a resposta vinha com bolas de três ou na defesa, com tocos espetaculares do Dwight Howard, que fez seu melhor jogo defensivo na série.

No ataque o Dwight estava bem, mas sendo bem menos envolvido do que nos jogos anteriores. Curiosamente é assim que o Magic joga melhor, quanto mais o Dwight pega na bola, menos o resto do time participa do jogo, menos a bola roda, mais o time é previsível e piores são os resultados. E chance para usar bastante o Dwight Howard não faltaram, já que a zica do Celtics começou quando o Kendrick Perkins, o único que consegue segurar o Dwight no 1-contra-1, foi expulso do jogo por duas faltas técnicas. Abaixo o vídeo das duas faltas com narração em chinês da saudosa Star Sports, nossa companheira dos tempos em que só dava pra ver NBA na internet com links bizarros da China.


A primeira falta técnica parece ter sido por causa de uma cotovelada depois que o seu braço escorregou e a segunda depois de uma reclamação exaltada. Duas faltas técnicas bem ridículas, mas justificadas em parte pelo histórico do Perk, líder em faltas técnicas nos playoffs e segundo colocado na mesma categoria na temporada regular. A segunda falta técnica causou a expulsão dele do jogo de ontem e teria causado também a suspensão dele para o próximo jogo, por ser a 7ª falta desse tipo na pós-temporada, mas hoje a NBA disse que ela foi retirada, garantindo o Celtics com seu quinteto titular completo para o jogo 6.

Dá pra analisar essa segunda técnica em cima do Perkins sob duas óticas: a primeira dizendo que ele foi injustiçado, já que além de ter razão em reclamar da marcação da falta, foi uma reação bem comum em um jogo da NBA. Por outro lado, porém, podemos dizer que não deveria ser uma reação normal em um jogo da NBA. Os juízes, cedo ou tarde, devem começar a ser mais duros com tantas reclamações e xingamentos que são obrigados a ouvir mesmo quando acertam as marcações. O ponto é que Perkins foi mais um chato reclamão ontem, grosseiro como é sempre, mas Dwight Howard, Vince Carter, Paul Pierce e o Rasheed Wallace também foram e não receberam falta técnica. Como diria o Arnaldo, "Faltou critério".

Mas a noite do Celtics estava longe de acabar, esse foi só o primeiro problema. Se não bastasse o jogo mais apagado de Rajon Rondo em muito tempo, que estava sendo engolido pelo Jameer Nelson, Paul Pierce não acertava um arremesso e ainda quase se machucou feio em mais uma falta dura de Dwight Howard nessa série:


Depois dele foi a vez do Glen Davis ser mais uma vítima de Dwight Howard. Sem querer, o pivô do Magic atingiu o rosto do Big Baby com seu fraco e delicado cotovelo. O resultado foi um nocaute digno dos melhores dias de Mike Tyson.


Mas não é só isso! Na compra de uma expulsão e uma concussão você leva uma segunda pancada na cabeça totalmente de graça! Dessa vez foi Marquis Daniels, que foi pro jogo e meteu a cabeça no peito do Marcin Gortat, o homem com o peito mais duro do mundo.


O engraçado é que a jogada não parece tão forte assim, mas o coitado não conseguiu voltar para o jogo e dizem que é dúvida para o jogo 6 em Boston. Outra dúvida? Rasheed Wallace. O único homem capaz de ter mais faltas técnicas que Perkins na temporada regular saiu do jogo com 6 faltas mas também com fortes dores nas costas. Imagina se a NBA tivesse mantido a suspensão no Perkins e eles fossem para o decisivo jogo 6 sem Rasheed, Glen Davis e Perkins? Seriam obrigados a usar Shelden Williams, o homem com o formato de cabeça mais estranho da NBA, e Brian Scalabrine para parar Dwight Howard! Para sorte deles a suspensão é que foi suspensa e os dois machucados garantiram que estarão em quadra. Vamos esperar e ver.

Apesar do cenário Clipperiano, o Celtics ainda chegou no último período com uma diferença pequena atrás do Magic, que acabou aumentando drasticamente quando Jameer Nelson e depois Rashard Lewis entraram em ação. O armador já tinha sido o herói da vitória na prorrogação do jogo 4, mas o que foi horrível para o Celtics foi ver o Rashard finalmente se sentindo à vontade no jogo. Como disse antes, o jogo 4 não havia sido trágico para os verdinhos porque eles ainda pareciam no controle, mas aquela derrota acabou acordando muitos jogadores do Magic que estavam apagados. Rashard Lewis foi o destaque do último período e antes dele Matt Barnes e Jason Williams também tiveram boas atuações. Se você colocar na conta que o JJ Redick é um dos poucos bons jogadores desde o jogo 1, vai perceber que só falta o Vince Carter parar de parecer o Adam Morrison em quadra para o Magic voltar a ter força total.

O dia de Clippers acontece com todo mundo, provavelmente o Celtics não vai ter tanto azar e tantas coisas contra eles no mesmo jogo de novo, mas bastou acontecer uma vez para deixar o Orlando Magic (e meio mundo!) acreditando que pode ser o primeiro time da história da NBA a virar uma série de 0-3 para 4-3.

Razões para isso eles tem. Agora falta apenas uma vitória fora de casa para igualar a série e levar a decisão para casa, com o Celtics contra a parede com medo de entrar para a história pelo pior dos motivos. E para acreditar que dava pra vencer esse jogo 6 o Magic precisava ver o que viu ontem à noite: Rashard Lewis em forma, Jameer Nelson enfrentando de igual pra igual o espetacular Rajon Rondo, a movimentação de bola funcionando e o Celtics finalmente não parecendo um time perfeito e invencível. Tá bom, ainda falta o Vince Carter começar a jogar, mas alguém ainda acha mesmo que o Magic precisa desesperadamente dele? Eu acho que não, se ele jogar bem, ótimo, eles ficam ainda melhores, mas se ele continuar apagado basta que o trio Nelson-Lewis-Dwight jogue bem para que o time ainda fique em altíssimo nível e com chances de bater o Celtics.

Para o jogo 6 eu não aposto no Celtics abalado, acho que eles são experientes o bastante para lidar com essa situação e esse é um grupo que costuma atuar bem sob pressão. A grande diferença mesmo é que essa será a primeira vez desde o jogo 1 que o Magic não entra em quadra sem confiança, finalmente eles tem um jogo bom para se espelhar. Embalados, tem tudo para jogar seu melhor basquete. Não vou tentar prever resultados porque seria impossível e ridículo, mas essa combinação de Celtics sob pressão, Magic confiante e jogo decisivo para os dois lados tem tudo para render uma das melhores partidas dessa pós-temporada. Nada mal para uma série que parecia acabada há alguns dias, não?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Problemas verdes

Garnett soca o próprio peito para intimidar os outros machos de sua espécie


O Boston Celtics começou a temporada vencendo o Cavs em Cleveland, um fato raro e difícil para qualquer time da NBA. O primeiro mês de temporada seguiu com o Celtics derrotando adversários com facilidade como fizeram nos últimos dois anos, parecia bem claro que no ano passado só não voltaram à final da NBA porque Kevin Garnett perdeu os playoffs, machucado.

Quando o KG se machucou de novo nessa temporada, o time voltou a cair de produção. Com um Leste bastante disputado eles perderam a liderança para o impressionante Cavs e foram ameaçados pelo também impressionante Hawks e pelo Orlando Magic, que todo mundo esperava bem mais mas que mesmo assim está lá no topo da conferência. Quando o Garnett voltou, todo mundo esperava ver o Celtics voltar a vencer e convencer de novo, aquele Celtics que perdia jogos seguidos em casa (foram 3 derrotas seguidas em Boston em determinado momento!) estava muito esquisito.

E o Garnett voltou numa hora em que o Celtics poderia fazer barulho na NBA, eram jogos contra Magic, Hawks e Lakers em sequência, três vitórias nesses jogos seria o bastante para colocar o Celtics de volta no topo de qualquer lista de melhores da temporada, mas ao invés disso o time perdeu as três partidas. Foi a quarta derrota na temporada para o Hawks, a terceira seguida para o Lakers e uma bela revanche do Orlando para vingar uma derrota do início de temporada. Pra completar a desconfiança, vieram duas vitórias bastante apertadas contra dois dos piores times da temporada, Wizards e Nets. Por melhor que seja o recorde e os números do Celtics, não precisa ser gênio pra ver que tem alguma coisa de errado por lá.

Outro dia eu disse que ainda acho o Celtics favorito para o título caso não sofra com contusões sérias e ainda acredito nisso. O elenco ainda é muito forte. Se em relação ao elenco do título de 2008 perderam James Posey, PJ Brown e tem KG e Ray Allen mais velhos, hoje tem mais um All-Star no Rajon Rondo, o Perkins muito mais desenvolvido e outros jogadores melhores do que eram dois anos atrás, como Tony Allen e Glen Davis. Elenco não é desculpa.

Eu vou listar aqui os quatro problemas que eu enxergo no atual momento do Boston Celtics. E adianto, os quatro podem ser resolvidos com o mesmo elenco, o mesmo técnico, sem trocas.

Turnovers
Com 1,9 ponto a menos de média do que no ano passado, o Celtics é o sexto pior time da NBA na comparação com o ano anterior. Dois pontos a menos por jogo parece pouco mas sua posição no ranking geral dessa estatística mostra como isso não é normal. O ataque do Boston realmente não é mais o mesmo de antes e o principal fator para isso acontecer é o excessivo número de turnovers, o Celtics é o sexto time que mais comete erros em toda NBA. Com mais TOs que o Celtics estão apenas times que jogam numa velocidade muito maior, como os três times que mais correm atualmente na NBA, Pacers, Warriors e Wolves. O motivo dos erros é relacionado a outro problema, o nosso próximo item.

Ataque em transição
O ataque em transição não é necessariamente o ponto de contra-ataque, mas sim o ataque veloz que usa da chegada rápida ao ataque para aproveitar a defesa mal montada do adversário. Às vezes o ataque pode demorar 10, 15 segundos, mas usa a chegada rápida ao ataque para criar matchups (os duelos pessoais) favoráveis ao time. O Celtics de 2008 era mestre em forçar o erro do adversário, pegar o rebote e partir em velocidade, quando o outro time ia ver tinha pivô tentando correr atrás do Ray Allen, armador tentando parar o Garnett no garrafão e todos os Celtics trocando passes em velocidade atrás de uma cesta fácil.

Com os duelos pessoais a favor, o Celtics vencia pela simplicidade. O ataque chegava a ser monótono de tão simples. Trocas de bolas básicas e alguns corta-luzes eram o bastante para criar a situação ideal de ataque.

Nessa temporada eles perderam muito do ataque de transição e assim têm que trabalhar mais vezes no ataque cinco-contra-cinco, exigindo que seus jogadores tentem jogadas mais elaboradas, difíceis e muitas vezes ações individuais, ou seja, situações mais propensas a erros e ao contra-ataque adversário.

Defesa e rebote
Chegamos então a um problema que não é exatamente um problema. Chamar a defesa do Celtics de problemática é uma ofensa pra quem assiste os outros 29 times da NBA, mas para o padrão que eles criaram para eles mesmos nos últimos anos é possível ver que o nível não é o mesmo.

Em comparação com o ano passado apenas o Warriors teve queda maior em número de rebotes por jogo. O Boston pega 3,4 rebotes a menos do que no ano passado e assim é o segundo pior time da NBA em rebotes por jogo, além de ser O pior em rebotes ofensivos por partida, com apenas 8 por jogo. Falta de rebotes ofensivos significa menos chances no ataque, menos confiança para os arremessadores e, lógico, menos pontos. A falta de rebotes de defesa dá mais chances para o adversário. Por melhor que seja a defesa do Celtics, com trocentas chances qualquer um faz pontos.

A defesa ainda é Top em qualquer outra categoria como número de pontos marcados pelo adversário (1º) , pontos marcados a cada 100 posses de bola (1º), aproveitamento dos arremessos do adversário (6º), pontos do adversário no garrafão (4º), etc. Por isso reafirmo que não é que a defesa seja ruim, mas que não é a mesma de antes e que só essa pequena piora pode ser a diferença entre chegar apenas à final da conferência ou ao título, principalmente em uma equipe que tem como base a sua defesa.

Confiança e relacionamento
Veja essa declaração do Rajon Rondo:
"Você consegue perceber a diferença no vestiário. Você não sente a mesma camaradagem do primeiro ano do time. No primeiro ano era um clima doido e ótimo no vestiário, agora não é mais a mesma coisa. Precisamos achar algum jeito de voltar ao que eramos antes."

Lembram do Lakers de Kobe e Shaq no começo dos anos 2000? Os dois se odiavam mas enquanto ganhavam títulos tava tudo certo, brigaram pra valer depois que começaram a perder. É sempre assim, em time que ganha todo mundo se entende, quando começam a perder um começa a achar problema na atitude do outro.

Apontar problemas é sempre mais fácil do que resolvê-los e nesse caso não é diferente, mas sei que um problema tem a ver com o outro. Os rebotes influenciam o ataque de transição e a defesa, os turnovers influenciam o ataque, a confiança do time e seu relacionamento influenciam a atitude do time em quadra para fazer tudo isso. Resolver um problema é começar a resolver os outros, a ordem dos tratores não altera o viaduto. Com vários meses para o fim da temporada, não é hora de tirar o Celtics da briga.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo semanal

Certas coisas deveriam parar no nosso filtro, mas passam...

Nasce aqui um novo espaço no Bola Presa, o Filtro Bola Presa. Não sei se ele vai ser duradouro ou não porque só com o tempo vou descobrir se ele é divertido de fazer e se vocês vão se divertir lendo, então não prometo nada, é uma experiência. Não venham me cobrar depois!

A idéia é um post semanal (a cada domingo ou segunda-feira, depende do meu tempo) para abordar alguns assuntos da semana que passou e que passaram em branco nos nossos posts enormes, ou seja, o que ficou preso no nosso filtro e agora jogamos no ralo.

Muita coisa acontece na NBA e nem tudo é importante o bastante para render um post inteiro aqui no blog. Aí acabamos comentando só no Twitter ou no tumblr e muita gente que não está por lá acha que a gente ignorou o assunto por completo. Aqui fazemos um apanhado de tudo e comentamos, combinado? Fechado? Estando bom para ambas as partes...
...

- O Hornets teve um mês de janeiro inesquecível. Venceu 11 partidas, 8 delas fora de casa, finalmente alcançou o oitavo lugar no Oeste, venceu o Grizzlies, em Memphis, sem Chris Paul e James Posey depois de estar perdendo por 21 pontos e... o Chris Paul precisa operar o joelho e ficará fora por um mês ou dois. C-c-c-c-combo breaker.

- No último sábado o Milwaukee Bucks enfrentou e venceu o Miami Heat. O Bucks é um time de ataque muito limitado mas que se garante no 9º lugar do Leste porque tem uma defesa bastante forte, resultado de ser treinado pelo chato do Scott Skiles. A defesa do time parou o Heat e até o Dwyane Wade, marcado pelo Charlie Bell.

Depois do jogo, o Brandon Jennings, celebrando a vitória, disse a pérola "Achamos nosso D-Wade Stopper, o Charlie Bell". "Stopper" poderia ser traduzido bem ao pé da letra como "parador", mas como essa palavra não existe, ficamos no "stopper" mesmo. Agora alguém imagina a fúria com que o Wade vai pra cima do Bell na próxima vez que eles se enfrentarem? Pobre do Bell! E o pior é que nem foi ele quem provocou. Da última vez que eu vi o Wade ser provocado foi quando ficou com a boca sangrando contra o Knicks, a resposta foram 46 pontos, 24 no último período.



- Depois de três meses de temporada o Turkoglu finalmente jogou uma partida boa. Tá bom que foi contra o Knicks e não contra o Cavs ou o Celtics, mas é um começo. Marcou 26 pontos, seu máximo na temporada, e foi entrevistado ao fim do jogo.

Repórter: Você ditou o ritmo do jogo desde o começo nessa noite, o que aconteceu de diferente?
Turkoglu: Bola.



É isso, essa foi a resposta. E foi seguida pelos 5 segundos mais constrangedores desde que o Dicésar falou no BBB que adora pegar nas bolas. Por que momentos constrangedores sempre tem que ter a ver com bolas? Mas se você pensar bem, o Turko disse tudo, o que importa na vida? Bola. Qual é a resposta pra tudo, é 42? Não, é bola. Bola. Pense nisso. Pense nas bolas.

- Alguém ainda vai continuar sendo chato ao dizer que o LeBron James não tem arremesso de longa distância? O único arremesso que eu não vejo o LeBron acertar com regularidade é aquele depois de um giro, quando ele começa a jogada de costas pra cesta, de resto ele acerta absolutamente tudo. Ontem foram 5 bolas de três em posses de bolas consecutivas contra o Clippers, algumas de uma distância pra dar inveja ao NBA Jam.



- O Clippers, sempre ele, conseguiu feitos impressionantes na última semana. Além do recorde de 11 bolas de 3 sofridas para o Cavs em apenas um período, e da cesta contra do Rasual Butler que aparece no vídeo acima, conseguiu perder do Nets e do Wolves na mesma semana. Bola, Clippers, bola.

- O Bulls sempre tem uma viagem nessa época do ano, quando um circo se apresenta em seu ginásio em Chicago, é o Circus Road Trip. Alguns times tem equivalentes, como o Spurs que viaja na época dos rodeios em San Antonio e o Lakers que viaja para o STAPLES Center poder abrigar o Grammy (Taylor Swift?)

Essa viagem costuma ser desastrosa para o Bulls, mas nesse ano foi estranha e espetacular. Começou com duas derrotas embaraçosas para Clippers e Warriors, mas depois o time venceu Suns, Spurs, Thunder, Rockets e Hornets. Foi a primeira vez em todos os tempos que um time venceu 5 jogos seguidos fora de casa contra times que tem mais vitórias do que derrotas.



- O Glen Davis ganhou status de grande jogador ao substituir com enorme qualidade o KG nos playoffs do ano passado. De lá pra cá, no entanto, só desgraça. Se machucou numa briga com um amigo, perdeu um tempão na temporada e quando voltou foi multado porque discutiu com um torcedor de Detroit (sempre em Detroit!) que o chamou de "moleque gordo" (não dá pra culpar o torcedor).

Em resposta a essas atitudes a direção do Celtics pediu que ele melhorasse sua atitude. Glen Davis assumiu os erros e disse que para começar iria abandonar o apelido "Big Baby" que ele tem desde os tempos de faculdade. Agora ele quer ser chamado de "Uno Uno", uma referência ao seu número de camiseta (11) e ao Ocho Cinco, jogador da NFL. Aqui no Bola Presa ele sempre será o Ursinho Carinhoso, mas o Turkoglu tenho certeza que o chamaria de "Bola".

8 ou 80 - O cantinho das estatísticas
As estatísticas daqui são coletadas em muitos lugares. Vários blogs e sites diferentes e algumas até buscadas por mim mesmo, mas a maioria é descoberta pelo Elias Sports Bureau. 


- E não é que o Leste melhorou? O Heat passou a temporada inteira em quinto lugar na conferência porque tinha o aproveitamento sempre um pouco maior do que 50%. Hoje o Heat continua com o mesmo aproveitamento (24 vitórias, 23 derrotas) mas caiu para oitavo! Resultado da incrível ascenção de Raptors, Bulls e Bobcats. Primeira vez em pelo menos dois anos que todos os 8 classificados para os playoffs no Leste têm mais vitórias do que derrotas.

- O Bobcats, inclusive, foi um dos destaques da última semana. Na segunda-feira passada era o quarto melhor time da NBA em casa e o quarto pior fora de casa, com apenas 3 derrotas fora de Charlotte. Em uma semana, no entanto, venceu Suns, Warriors e Kings e dobrou o número de vitórias longe de seus domínios.

- A derrota do Kings para o Bobcats foi só mais uma para a coleção do time. Depois de começar a temporada com 13 vitórias e 14 derrotas nos primeiros 27 jogos, o time caiu muito de produção e venceu apenas 3 das últimas 19 partidas.

- O que esperar do Hawks? Na mesma semana em que varreram o Celtics na temporada, com 4 vitórias em 4 jogos, eles perderam para o Orlando Magic e assim perderam pela terceira vez para o Dwight Howard em três jogos nesse ano. A soma das diferenças de pontos nas derrotas dá vergonhosos 67 pontos.

- Hasheem Thabeet, o pivô novato do Grizzlies que foi a segunda escolha do draft do ano passado, não é ruim como alguns acham. Ele foi escolhido antes de muita gente boa e não está pronto na NBA, mas a promessa de que ele será um bom defensor parece que eventualmente será cumprida. Ele tem média de 1,2 toco por jogo em 11 minutos de partida, isso dá 5,2 tocos a cada 48 minutos, mais do que qualquer outro jogador na NBA.

- Vamos fazer um jogo: alguém diz pra você que um armador titular da NBA marcou 52 pontos em um jogo e pede pra você adivinhar quem foi, quem você arriscaria? Chris Paul? Baron Davis? Deron Williams? Bom, faça você mesmo a sua lista. Na minha o Andre Miller só ficou na frente de Derek Fisher, Jason Kidd, Rafer Alson e Earl Watson, mas não é que ele saiu de um jogo contra o Rockets em que fez 2 pontos para fazer 52 contra o Mavs? Seu antigo recorde na carreira era de 37 pontos.

No vídeo abaixo todos os pontos. Interessante que ele fez isso acertando apenas uma bola de três e 7 lances livres, o resto foi só na manha, na habilidade, nos arremessos curtos e até em um gancho. É o cara mais old school de toda a NBA, de longe!