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domingo, 20 de junho de 2010

Resultado da Promoção das Finais

Tá, eu sei que falei que o resultado ia sair ontem, mas eu minto. Fazer o quê? Sou homem, está no meu DNA. Também sou preguiçoso e fiquei vendo Copa do Mundo. Acontece.


Mas voltemos logo à promoção. São 7 prêmios, lembram? Três camisetas do Lakers, três do Celtics e mais uma especial da Final. A idéia inicial era ter dois vencedores, um para cada time e o que estava torcendo para o time vencedor, no caso o Lakers, levava a da Final também. Mas muita gente pediu que a gente distribuisse mais o prêmio, dando para 7 pessoas diferentes.

Cogitamos essa possibilidade, mas decidimos não acatá-la por completo porque a promoção não foi tão bem aceita. Quando pedimos frases ou palpites sempre recebemos toneladas de palpites, já as fotos vieram em número bem menor, não rendendo tantas fotos merecedoras de prêmio. Decidimos então ficar no meio termo e premiar 4 pessoas. O maior vencedor é o que torceu para o Lakers e mandou a melhor foto. Ele leva duas camisetas do Lakers (que ele vai escolher) e mais a da final. Depois o que ficou em segundo na do Lakers leva a camiseta que sobrou. A mesma coisa acontece com os torcedores do Celtics, mas sem a camisa da Final, claro.


Então vamos, finalmente, aos vencedores.

Guilherme, do site Net Esportes. Ele mandou a melhor foto da promoção. Sua mesa de computador sem o teclado, vendo o jogo e torcendo para o Lakers, com pizza, batatinhas, coca-cola e a melhor iluminação de foto que recebemos. Esse estilo de jogo perfeito do Guilherme rendeu pra ele duas das camisetas do Lakers (que ele vai escolher!) e mais a especial da Final! Parabéns!


O prêmio de consolação do Lakers fica para o Carlos Henrique, que gastou suas caretas para imitar o jogador com maior média de caretas per jogo da liga, Pau Gasol.


Pelo lado de quem estava torcendo pelo Boston Celtics a melhor foto foi uma montagem genial do Eduardo Ferreira, que vai ter que dar um jeito de dividir suas duas camisetas com mais duas pessoas, o Artur Rauen e o Felipe Jr. Duas camisetas para três pessoas, vai dar briga? Sei lá, não temos nada a ver com isso!


Por fim, quem leva a camiseta que o Eduardo não escolher é o Carlos de Medeiros. A sua foto é uma das mais toscas, mas também uma das mais engraçadas! Ele pendurou a própria namorada no aro, ficou embaixo tomando uma enterrada imaginária, mandou o ex-chefe bater a foto e desenhou uma bola ridícula no paint. Simplesmente um gênio a ser descoberto. Aguardo o Carlos na próxima Bienal.


É isso, pessoal. Agradeço de verdade a todos que se deram ao trabalho de nos mandar uma foto ou montagem, foi uma promoção bem divertida. Aos vencedores, parabéns! Entraremos em contato ainda hoje para que vocês passem o endereço e escolham os prêmios.

E a partir de segunda o assunto é o Draft da NBA. Com uma possível nova promoção, avisaremos quando tivermos certeza.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O post do título


"I got Wheaties!"


O jogo 7 entre Lakers e Celtics parecia embaçado, difícil de ver, de tão pesado que era o clima dentro de quadra. Nervosismo e tensão não são coisas físicas, mas pareciam ter criado corpo durante o jogo de ontem. Nunca foi tão óbvio ver as emoções dos jogadores. Foi completamente diferente do último jogo 7 que a NBA tinha presenciado, a disputa entre San Antonio Spurs e Detroit Pistons em 2005. A atmosfera do jogo estava tão diferente que até a torcida do Lakers, geralmente blasé, com mais celebridades e ricos do que torcedores e que só pega no tranco, esteve ativa, barulhenta e vibrante desde o primeiro momento do primeiro quarto até o fim do jogo, quando explodiu com a conquista do 16º título da história da franquia.

Esse jogo embaçado, difícil de assistir, fez ele ser percebido de quatro maneiras diferentes:
1- Um jogo histórico e um dos mais tensos da história para os torcedores do Lakers
2- Um jogo histórico e traumático para os torcedores do Celtics
3- Um jogo roubado para os torcedores idiotas que não sabem perder do Celtics
4- Um jogo feio e com muitos erros para quem só estava lá pra ver um jogo de basquete

Eu, torcedor assumido do Lakers, me encaixo no primeiro grupo, mas entendo quase todos os outros. Derrotas assim são traumáticas e o jogo foi cheio de erros, não foi um espetáculo do basquete. Só não aceito dizer que foi roubado. Apesar de alguns erros (para os dois lados, diga-se de passagem), foi a melhor arbitragem desses 7 jogos da final.

A grande polêmica da arbitragem foi que o Lakers bateu 20 lances livres no último período, mas não é que o Lakers ganhava os arremessos toda vez que tentava infiltrar, mal se conseguia penetrar com duas defesas tão apertadas, mas é que o Celtics fez muitas faltas idiotas e já nos primeiros minutos do último período tinha ultrapassado o limite de faltas no período.

Assim até faltas tolas em rebotes viraram lances livres para o Lakers, simples assim. Posso listar várias faltas imbecis que custaram o jogo ao Celtics: o Kobe pegou um rebote de defesa e na queda o Rondo tentou roubar a bola dele, cometendo uma falta completamente imbecil. Em outro lance o Gasol tinha 1 segundo para fazer um arremesso difícil quando o Garnett pulou para o toco e caiu inteiro em cima do espanhol, falta clara que nem o próprio KG reclamou. Em outro momento a defesa inteira do Boston estava no lado esquerdo do Ray Allen, que marcava o Kobe individualmente, então ele dá o lado aberto para o Kobe, que infiltra e sofre uma falta clara do Paul Pierce para evitar a cesta. Após fazer uma boa marcação pressionada o Boston obriga o Gasol a sair driblando do campo de defesa, então Paul Pierce acha que é uma hora de cavar falta de ataque e se joga na frente do espanhol. Sem sucesso. Ele se moveu quando viu que o Gasol passava por ele e o Lakers ganhou mais dois lances livres.


Só nessa sucessão de lances que eu descrevi (e ainda tiveram outros tão idiotas quanto, muitos em rebotes) o Lakers ganhou 8 lances livres. Se o Celtics não tivesse ultrapassado o limite de faltas, teriam sido somente 2. Considerando os 32% de aproveitamento do Lakers nos arremessos, duvido que as jogadas que tiveram falta teriam acabado em cesta.

Já do outro lado o Lakers não deu pontos de graça para o Celtics, fez o time verde merecer cada cesta. Mas aí valeu uma das melhores performances defensivas da história recente do Lakers. Todos os jogadores marcaram muito bem e mesmo trocando a marcação a cada pick-and-roll, os grandalhões seguraram os armadores do Celtics. Nunca havia visto tanta dedicação defensiva do Lakers num jogo, em especial no último período. Também pesou o fato do Celtics ter tomado algumas decisões bastante questionáveis ofensivamente, nem sempre escolhendo o melhor arremesso. E às vezes custou para eles confiar muito nos arremessos e não tentar as infiltrações, partindo para dentro talvez desse para pelo menos arrancar uns lances livres.

Há alguns dias comentei das estatísticas de rebotes e afirmei que venceria os últimos dois jogos o time que vencesse a batalha dos rebotes, era o que essa série estava indicando. E foi assim, o Lakers ganhou com sobra os rebotes nos últimos dois jogos e levou o caneco. Mas no mesmo post eu tinha postado uma outra estatística interessante sobre a defesa do Celtics: Em 20 ocasiões durante a temporada e pós-temporada o Celtics havia segurado seu oponente a um aproveitamento abaixo dos 40% e em todos (TODOS!) os jogos os verdes ganharam. A exceção foi ontem, quando o Lakers venceu apesar de acertar apenas 32% de seus arremessos.


E o Lakers não compensou o aproveitamento baixo com muitas bolas de 3, acertou apenas ridículas 4 de 20 tentativas. Também não foi nenhum espetáculo na linha de lance livre, acertando só 67% das tentativas. Então como conseguiram o milagre de superar uma desvantagem que chegou a 13 pontos na metade do terceiro período? Além da defesa fora de série, foram 37 cobranças de arremessos livres. Mesmo com aproveitamento baixo, foram 25 pontos só nesse quesito. Em um jogo com placar tão baixo (83-79) faz toda a diferença. O Celtics cobrou apenas 17 lances livres (acertou 15) e teve 40% de aproveitamento dos arremessos.

Pode-se dizer, portanto, que no jogo mais nervoso da temporada o Lakers foi nervoso e precipitado no ataque durante boa parte do jogo, mas melhorando aos poucos e nunca nervoso demais na defesa. Já o Celtics foi nervoso e precipitado dos dois lados da quadra. Apenas no começo do terceiro quarto é que atacou com mais calma e paciência, explorando os bons jogos de Garnett e Rasheed Wallace no ataque. Nunca a batida frase "Ganhou quem errou menos" fez tanto sentido num jogo, e olha que eu queria morrer antes de usar essa frase aqui no Bola Presa.


Agora que falamos do jogo, que tal falar de atuações individuais? Há muito a se falar de muita gente nesse jogo 7. Vamos lá:

Kobe Bryant: Como torcedor do Lakers eu já enjoei de ver o Kobe jogar e sempre tenho mais medo do que confiança nele em jogos muito importantes. Não que ele seja ruim em momentos decisivos, longe disso, está mais perto de ser o melhor, mas é que sua cabeça pira antes desses jogos muito esperados. Ele é mortal quando começa os jogos caminhando, tranquilo e vai ficando com cara de assassino durante o decorrer da partida. Quando ele sabe da importância do jogo, tem o hábito de já começar o primeiro minuto de jogo hiper-ativo, assim se cansa mais rápido e, nervoso, toma más decisões durante a partida.

Claro que ele não é um dos melhores jogadores da história à toa, também deu pra enjoar de ver ele começar o jogo como um doido e depois conseguir colocar a cabeça no lugar e voltar a ser o jogador frio e matador que nos acostumamos a ver. Mas de qualquer jeito eu sempre fico com um pé atrás nesses jogos que ele quer vencer tanto, mas tanto, que acaba atrapalhando a si mesmo.

Ontem foi um caso desse e nas entrevistas pós-jogo ele mesmo admitiu que queria tanto vencer o jogo que isso acabou indo contra ele. Não foram poucas as vezes em que ele nem tentou executar uma jogada, apenas driblou em excesso até forçar um arremesso sem direção. Até o seu arremesso estava saindo mais reto e forte que o normal, ao contrário do mais arqueado e suave que ele costuma soltar.

Durante o jogo ele conseguiu colocar um pouco da cabeça no lugar, fez um segundo tempo um milhão de vezes melhor que o primeiro e mesmo fazendo uma das piores partidas de playoff que eu já vi ele fazer, foi decisivo. Quando ele viu que mesmo mais calmo os seus arremessos não estavam caindo, tratou de confiar mais em seus companheiros, passou um pouco mais a bola de lado e ficou buscando situações de infiltração para conseguir faltas. Além disso foi espetacular na defesa marcando Rondo, às vezes correndo atrás de Ray Allen e principalmente ganhando todos os rebotes. Foram 15 rebotes, 11 defensivos e 4 de ataque. Quando alguém ia imaginar 15 rebotes e um aproveitamento de só 6-24 arremessos do Kobe em um jogo assim? É como se o deus do basquete olhasse e pensasse "E se o Lakers tivesse o Ben Wallace ao invés do Kobe, será que eles ganhariam?". Ganharam

Tirando todas as tiradas já antológicas do Artest, o Kobe disse a melhor frase das entrevistas de ontem. Um repórter perguntou qual era o significado pessoal daquele título, ignorando a importância dele para o time. Kobe respondeu sem pensar por mais de um segundo: "Agora eu tenho um a mais que o Shaq". Clássico.

Ray Allen: O Ray Ray é Free Agent ao fim dessa temporada e existe uma grande discussão em Boston sobre se vale a pena ou não manter o veterano. E, se for manter, por qual salário? Ele não deve sair barato. Ao fim do primeiro tempo do jogo 2 da final, quando Ray já tinha 7 bolas de 3 convertidas no jogo, o comentarista e ex-técnico Jeff Van Gundy disse "Se eu fosse do Boston Celtics assinava um contrato novo com ele agora no vestiário". Será? No resto da série ele não conseguiu acertar mais a pontaria e ontem não foi exceção: acertou 3 de 14 arremessos. Se serve de prêmio de consolação, fez um bom trabalho defensivo em cima de Kobe Bryant em todos os jogos.

Pau Gasol: Não foi bem nos lances livres, teve aproveitamento baixo dos arremessos e não fez sua melhor partida na série. Mas quem ousa usar "Gasol" e "soft" na mesma frase de novo? Quando Kobe estava mal o ataque o Lakers confiou nele e ele respondeu sendo a principal arma ofensiva do Lakers no quarto período. E com 9 rebotes ofensivos (mais do que o Celtics inteiro) foi quem deu a maioria das segundas chances do Lakers pontuar. Kobe, ao receber o troféu de MVP das finais (merecido pelo conjunto da obra, não pelo jogo 7, claro) fez questão de agradecer ao espanhol por toda a ajuda.

Rasheed Wallace: Poderia ter sido o herói da noite de ontem. Entrou como titular no lugar de Kendrick Perkins e fez todo mundo voltar a se perguntar pela milésima vez: Rasheed, por que você tem fobia de garrafão quando é tão bom lá? Nunca saberemos. Pecou ao cometer muitas faltas bobas no último quarto, mas fez um bom jogo. Depois do jogo o Doc Rivers disse que acha que esse pode ter sido o último jogo da carreira do grande Sheed.

Lamar Odom: Não jogou bem durante quase toda a série, mas se redimiu com bons jogos 6 e 7. No jogo de ontem foi ele quem me deu esperança de que o Lakers poderia virar mesmo com o Kobe jogando mal. Ele ameaçou tocar para o Kobe numa jogada em que ele sempre passa para o Kobe, aí no meio do caminho desistiu, partiu para cima de Garnett e fez uma bandeja bem difícil. Foi a prova de que o Lakers estava afim de ganhar e não afim de esperar o Kobe ganhar pra eles.

Paul Pierce e Rajon Rondo: Mesmos comentários para os dois. Até que foram mais frios que o resto dos jogadores em quadra ontem, mas os dois também entraram na onda das faltas bobas no meio do quarto período quando era hora de tomar cuidado e não mandar o Lakers para a linha de lance livre. Os dois também tinham que ter liderado o ataque do time quando este estagnou em pontos. Foram bem, mas não o bastante.

E finalmente... Ron Artest: Contei essa história um tempo atrás e bastante gente lembrou dela ontem no Twitter. Em 2008, logo após o jogo 6 da final quando o Lakers perdeu para o Celtics, o Ron Artest, ainda jogador do Sacramento Kings, invadiu o vestiário do Lakers, foi até o Kobe e disse "Eu ainda vou te ajudar a ganhar um título". No ano seguinte ele acabou trocado para o Rockets, mas depois, finalmente, foi para o Lakers e cá está ele, campeão ao lado de Kobe e justamente contra o mesmo Celtics.

A atuação do Artest durante a série e durante todos os playoffs (para não dizer a temporada toda) foi bem irregular. Mas nos momentos decisivos ele estava sempre lá fazendo a coisa certa. Quando o Thunder complicou com o Lakers na primeira rodada ele estava lá para anular Kevin Durant, quando o Suns ameaçou na final do Oeste ele apareceu com a cesta decisiva no jogo 5 e trocentas bolas de 3 no jogo 6.

Na final foi a vez de marcar Paul Pierce como eu nunca tinha visto alguém defender. Foi bem durante toda a série, mas nesse jogo 7 foi especial, não desgrudou do ala do Celtics por um segundo e não deixou que ele desse um único arremesso fácil. Os pontos que ele fez foi por mais puro merecimento, porque o Artest estava lá com a mão na cara, roubando bolas, atrapalhando, sendo um pentelho. Posso dizer com certeza e sem nenhum exagero por torcer para o Lakers que foi uma das mais brilhantes atuações individuais na defesa que eu já vi na minha vida.

Só por isso ele já teria sido o melhor jogador em quadra. Mas calhou dele marcar 11 pontos só no segundo período, quando mais ninguém conseguia um pontinho sequer no Lakers. Depois ainda fez mais no terceiro quarto quando o Lakers começou a reação para cortar os 13 pontos de diferença e, para terminar, fez uma bola de 3 surreal (com direito a beijinhos para a torcida depois do acerto) como resposta a uma outra bola de 3 dificílima que o Rasheed Wallace tinha acabado de acerta no minuto final de jogo.

E como se não bastasse ser o melhor em quadra, foi o melhor fora dela também. Logo depois do jogo ele foi entrevistado pela repórter Doris Burke da ESPN e ao invés de responder às perguntas delas, abraçou-a e começou a agradecer pra todo mundo. A mulher, os filhos, a família, aos camaradas da quebrada e, a jóia da coroa, a sua psiquiatra! Que outro jogador da história da NBA seria capaz de agradecer à psiquiatra depois do título que não fosse o Ron Artest? Depois ainda anunciou que sua carreira de rapper continua, agora vai lançar uma música escrita há um ano chamada "Champion".


Mas era só o começo! Depois teve a entrevista coletiva, que começou com ele gritando e vibrando "Eu tenho Wheaties!", fazendo referência à caixa de cereais que estava sobre a bancada da entrevista. O Wheaties é um cereal matinal conhecido por ser "o café da manhã dos campeões" e por estampar sempre grandes atletas nas suas caixas.

Depois ele ameaçou ir embora porque as pessoas que estavam lá não pareciam animadas como ele. Aí chamou a família inteira para acompanhá-lo e apresentou todo mundo um por um, dedando, no caminho, os familiares que estavam felizes por ter acabado de conhecer o Kobe. Então ouviu a primeira pergunta, falou sem parar e disse "esqueci completamente qual era sua pergunta". E prosseguiu falando sobre qualquer coisa que viesse à sua cabeça.

Em um dos trechos mais legais da entrevista ele faz uma declaração de amor ao Jeff Foster! Sim, aquele pivô branquelo que pega muito rebote ofensivo no Pacers. Ele disse que aquele cara faz qualquer coisa pelo time. O Artest chegou no assunto quando disse que tinha sido muito egoísta e infantil no começo da sua carreira e tinha perdido uma grande oportunidade de ser campeão naquele time que tinha Jamaal Tinsley, Stephen Jackson, Jermaine O'Neal, Jeff Foster e o próprio Artest. Contou que se sente mal até hoje quando encontra os ex-companheiros porque acha que ele mesmo estragou a chance dos outros de ganhar um anel de campeão. Por isso não acreditava que teria outra chance e que não poderia desperdiçar a chance quando teve.

Assistam a uma das entrevistas mais fantásticas que você vai ver depois de um título. E, sem dúvida alguma, a mais maluca.


Qual foi a sua cena favorita? A minha foi no final quando ele comenta sua bola de três no final do jogo dizendo "O Kobe me passou a bola! Ele nunca me passa a bola. Uhu! Kobe me passou a bola". E completa com "Eu podia ouvir o Phil Jackson dizendo para eu não chutar. Ele é o Zen Master, ele fala no seu ouvido de longe, eu podia ouvir ele dizendo 'Ron, não chute, não chute'. Mas eu disse, tanto faz, arremessei e acertei".

Sasha Vujacic: Jogou 4 minutos e acertou dois lances livres decisivos. Você está na história, The Machine!

O resultado da promoção das Finais sai amanhã, sábado!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Os últimos pitacos


Perkins vai mostrar sua elegância de terno no jogo 7 da final


Faltam poucas horas para o decisivo jogo 7 entre Lakers e Celtics e decidi vir aqui só para postar duas coisas: Um dado estatístico fantástico que encontrei e para comentar como será para o Celtics disputar a partida decisiva do campeonato sem o seu pivô titular, já que Kendrick Perkins machucou o joelho no jogo 6 e não poderá entrar em quadra.

Começo pela estatística. Ela foi publicada pelo David Biederman no site do Wall Street Journal e fala das reclamações de falta na série final. Não, não fala das marcações de faltas ou do número de lances livres cobrados, mas de números que medem quanto cada jogador reclama a cada falta que comete. O que não dá pra medir é quanto essa estatística é genial. O pessoal do Wall Street Journal assistiu a todos os cinco primeiros jogos da série (o texto foi publicado antes do jogo 6) e analisou falta a falta a reação dos jogadores de cada equipe.

Ao fim da análise eles chegaram à conclusão de que o Boston Celtics gritou, reclamou ou saiu correndo em desespero com as mãos na cabeça (no caso do Rasheed Wallace) em 48% das faltas marcadas contra eles. Já o Lakers foi bem mais bonzinho e reclamou apenas de 36% das faltas marcadas contra o time. Essa "vitória" dos verdes não é surpresa, ou vocês esperavam algo diferente do time que tem os dois líderes em faltas técnicas na temporada, Perkins e Rasheed, e mais o Garnett, o jogador com maior média de palavrões por jogo na história da NBA? Mas o que surpreende é que eles também fizeram o cálculo individual para saber que jogador mais reclamou, e sabe quem ganhou? Ray Allen.

O cara é um dos jogadores mais calmos e educados da liga mas bateu todo mundo na hora de reclamar, marcar o Kobe Bryant durante 5 jogos tem dessas coisas. O Ray Ray reclamou de 73% das faltas marcadas nele. Não dá pra levar a sério quem reclama tanto. No Lakers os maiores reclamões foram Kobe e Gasol, empatados com 50% de chiadeira. Mas não tenho dúvida de que o Kobe seria o líder, com 100%, se os números fossem por reclamações para pedir faltas. Alguém já viu ele acertar um arremesso e não olhar para os juízes com uma cara de homicida para dizer que sofreu uma falta durante o arremesso? Esses jogadores ficam tão previsíveis depois de quase 100 jogos na temporada.

Entre os titulares o santinho foi Andrew Bynum, que reclamou de apenas 15% das faltas marcadas sobre ele. Não sei se porque ele é bonzinho, se tinha medo de faltas técnicas ou se era porque o Kobe já começava a resmungar antes mesmo do Bynum ter a chance de começar. Abaixo estão os números completos:

LA Lakers _36%
Kobe Bryant 50%
Pau Gasol 50%
Derek Fisher 38%
Lamar Odom 27%
Ron Artest 23%
Andrew Bynum 15%

Boston Celtics_48%
Ray Allen 73%
Kendrick Perkins 68%
Rasheed Wallace 65%
Rajon Rondo 50%
Paul Pierce 36%
Kevin Garnett 32%

...
O outro assunto que eu quero tratar é essa contusão bem séria do Kendrick Perkins. Pelo que os últimos exames indicam, a contusão dele é tão grave que ele teria sido declarado fora de toda a temporada mesmo se tivesse acontecido em dezembro do ano passado! Imagina a dois dias do próximo jogo como está o estado do joelho do coitado! Assim que ele caiu e fez careta deu pra saber que era sério, se tem um cara que não faz careta e não reclama de dor ou faz charme é o Perkins, ele é de pedra.

Essa contusão é triste não só pelo jogador, mas pela série também. Se o Celtics acabar perdendo esse jogo, não vai faltar torcedor do Celtics dizendo "Se a gente tivesse o Perkins..." assim como em 2008 não faltou torcedor do Lakers dizendo "Se o Bynum não estivesse machucado...".

E na discussão sobre quanto falta fará Perkins nesse jogo, a resposta passa justamente pelo contundido de 2008, o Bynum. Todo mundo sabe que o joelho do pivô do Lakers não está grande coisa, ele está jogando com dores desde a série contra o Thunder e no jogo 6 nem atuou no segundo tempo por causa das dores, a situação dele é bem complicada também.

Provavelmente o Doc Rivers vai colocar o Rasheed Wallace no time titular e o revezar com o Glen Davis durante todo o jogo, com os dois revezando com o Kevin Garnett para formar a dupla de garrafão do Celtics. Shelden Williams só deve entrar em quadra se alguém tiver problemas de falta, mas mesmo assim será por poucos minutos. E o maior problema do Celtics é que nem Garnett, nem Rasheed e nem Glen Davis tem tamanho para marcar o Andrew Bynum. O pivô do Lakers mostrou isso em todos os jogos da série em que não se incomodou com o seu joelho. O único que conseguia pará-lo com consistência e o que o impedia de ser uma força nos rebotes ofensivos era o Perkins.

Portanto, se o Bynum superar as dores e jogar uma excelente partida, eu duvido que o Celtics consiga vencer a disputa no garrafão, a batalha dos rebotes e, logo, o jogo. Mas ainda há esperanças para o Boston, a julgar pelos últimos jogos e pelas dores do Bynum, a chance disso acontecer é bem pequena. O que é mais provável é que o Lamar Odom passe muito mais tempo em quadra fazendo dupla com o Pau Gasol, e aí pode estar o trunfo do Doc Rivers.

Durante essa série o Garnett começou bem mal mas depois melhorou bastante, só que mesmo com essa melhora eu ainda acho que o melhor jogador a marcar o Gasol durante toda a série foi o Rasheed Wallace. Ele foi perfeito tanto nos tocos como na hora de forçar o espanhol a não conseguir segurar o passe ao receber de costas para cesta. E esse matchup ainda deixaria o Garnett marcando o Odom, o KG é um dos poucos jogadores na NBA que consegue ser páreo para o Odom na combinação tamanho-velocidade-rebotes. Lembram de uma jogada no jogo 5 quando o Odom foi para o drible pra cima do KG, que quase ajoelhou no chão, bateu palmas e o marcou como se fosse o armador mais veloz do mundo? E ainda foi no mesmo jogo em que o Glen Davis, a outra opção do banco, dominou o Odom tanto no ataque quanto na defesa e nos rebotes.

Então defensivamente o Celtics pode não sentir tanta falta assim do Perk se o Lakers passar muito tempo usando o Odom, se o Bynum jogar bem é outra história. Mas e no ataque? O Perkins fazia muita diferença com bloqueios precisos e muitos rebotes ofensivos, o Rasheed nunca vai pegar um rebote de ataque porque se posiciona muito longe da cesta. Não ter esses rebotes pode ser desastroso para o Celtics, principalmente em momentos decisivos do jogo, mas nada que algumas bolas de 3 não compensem. Rasheed Wallace precisa estar com a mira precisa para não ser só um pedaço de carne ambulante no ataque. Se ele acertar serão pontos importantes e alguém do garrafão do Lakers sempre abrindo espaço para infiltrações para ficar de olho no Rasheed no perímetro.

Mesma coisa com o Glen Davis, já vimos nessa série como ele é capaz de mudar a cara de um jogo e logo depois zerar em pontos, vai depender de qual Big Baby vamos ver em quadra pra saber se o Celtics sente falta ou não do Perkins.

Para resumir, o Boston ainda tem muitas chances de vencer hoje. Muitas. Apesar da derrota destruidora no jogo anterior, o time não deve se abalar, afinal sofreu outras derrotas tão ou mais humilhantes nas séries contra Cavs e Magic e nas duas vezes ganhou a série. Mas é claro que a saída do Perkins deixa algumas perguntas em aberto, dúvidas que nenhum time gostaria de ter antes do jogo que vai decidir a temporada.

Em mais de um momento desses playoffs as transmissões da TV mostraram o Doc Rivers tentanto incentivar o seu time dizendo o seguinte: "Nós nunca perdemos uma série de playoff com esse quinteto inicial", querendo lembrar que venceram tudo em 2008 e quando perderam em 2009 não tinham Garnett. Não que o Doc Rivers quisesse que fosse desse jeito, mas o quinteto vai continuar invicto.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Para quem vier

Miguxos

Deu Lakers num jogo mamata que foi dominado desde o primeiro segundo. Dica: ganhou o time que pegou mais rebotes (algo me diz que o Denis já desconfiava que isso fosse acontecer). Depois de tanta gente ter certeza absoluta de que o Celtics ia ganhar fácil a série, depois gente com certeza de que o Lakers ia ganhar fácil a série, depois com certeza de que o Celtics ia levar no Jogo 6, vou me dar o maravilhoso direito de ignorar qualquer mané que alegue certeza de que Lakers ou Celtics vão vencer essa Final. Certeza mesmo, a gente só tinha que Kendrick Perkins e Rasheed Wallace seriam eventualmente suspensos por estourar o limite de faltas técnicas. Era inevitável, bastava tomar uma e o Perkins, líder em faltas técnicas da NBA, estaria fora, e eram 6 jogos para isso acontecer. Doc Rivers disse que não tinha como escapar, que em algum momento da série iria acontecer e ele teria que lidar com isso. Não aconteceu.

Também me dou o direito, depois de ver tantos fãs dos dois times afirmando indignados que foram roubados pela arbitragem - às vezes no mesmo jogo um fã de cada lado era capaz de se dizer assaltado - de mandar todo mundo ir catar coquinho. Defesa, má pontaria e rebotes, rebotes, principalmente os rebotes, influenciaram muito mais do que qualquer carinha sendo ruim com um apito na boca. Agora é aquele momento em que você simplesmente senta, assiste e admira - aconteça o que acontecer. De preferência, nem torça. Seria como torcer diante do Grand Canyon, de um quadro de Picasso ou da Alinne Moraes. Depois de uma temporada imensa (que, como sempre repetimos, é longa demais, precisava ser menor), uma dura pós-temporada e uma série final com 6 jogos, o que sobra é o espetáculo. A gente resmungou da falta de qualidade de algumas séries, da disparidade técnica de alguns times (Hawks, cof, cof), mas agora fomos presenteados com o melhor jogo que poderia acontecer na temporada. Mesmo se for um lixo, tá valendo: pelo menos ele aconteceu.

Kevin Garnett, Ray Allen e Paul Pierce merecem esse título. Será, provavelmente, a última chance de cada um dos três conseguir mais um anel (o Rondo vai ter a vida inteira para colecioná-los). Ser campeão duas vezes, com um intervalo de apenas uma temporada entre elas - onde haverá para sempre um asterisco dizendo "Garnett se contundiu" - colocará os três devidamente na história, e dará especialmente ao Garnett a munição necessária para enfrentar as próximas 4 décadas de comparações com o Tim Duncan. Talvez, com sua carreira consagrada por dois campeonatos em Boston, a história resolva se lembrar melhor de seus tempos espetaculares no Wolves, bater as palmas merecidas e salvar uns vídeos de YouTube para os nossos filhos. Ele aguentou tanta merda, caladinho, sem jamais pedir para ser trocado, que apenas um título parece prêmio de consolação, não o sucesso que merece. Mesma coisa com Paul Pierce, que será lembrado pelos torcedores do Celtics principalmente pelos times horríveis que ele conseguiu classificar para os playoffs quando estava no seu auge, tão desperdiçado com um elenco que não decidia se reconstruia ou se continuava. Outro anel em Ray Allen, por sua vez, lhe permitiria figurar também fora dos livros de recordes, onde temo que ele fique esquecido para sempre na pagininha das bolas de trêss.

Kobe, Gasol e Artest merecem esse título. Terão outras chances de ganhar um anel, é verdade, mas a imagem dos três sofrerá muito com a derrota. Gasol foi o líder de um Grizzlies que classificava para os playoffs mas que nunca ganhou um jogo sequer na pós-temporada, dando-lhe a fama de "soft", fracote, amarelão. Já perdeu um campeonato para o Celtics e seu jogo físico, e uma derrota agora pode causar uma terrível amnésia na população da Terra, de modo que esquecerão como o Gasol não tem mais medo do contato e é o melhor jogador de garrafão da atualidade. Artest fez de tudo nessa temporada para deixar para trás a fama de presepeiro, e todos nós sabemos que sua fama (e os times sem resultado em que jogou) nunca permitram que fosse aplaudido como o incrível jogador que é, perdendo espaço para defensores piores só que mais bem comportados. Kobe, por sua vez, precisa desse anel para diminuir o ódio de tantos torcedores indignados com as comparações entre ele e os melhores de todos os tempos. Ninguém entende que ele pode ser, que talvez seja, e que deveríamos estar aproveitando essa oportunidade. Já vejo na minha frente a quantidade de textos e comentários sobre o Kobe feder por não conseguir decidir um Jogo 7 como "você sabe quem" faria.

Às vezes acontece de um time estar enfrentando outro menos qualificado, ou que não precisa tanto do título, que é meio cagado, só tem uma estrela, venceu por contusão do adversário. Não é o caso aqui. Por isso, se o seu time vencer essa série, resista à tentação pós-esporro de diminuir o adversário, chamar o Garnett de amarelão, o Gasol de "soft", o Kobe de "falta-arroz-e-feijão". Todas essas estrelas, mais do que merecerem o título, precisam dele. Vai ser triste o bastante ver que alguém não vai levá-lo pra casa.

Pra quem acompanhou toda a temporada aqui no Bola Presa, com tantos posts enormes, piadinhas infames, análises, números e uma dedicação desgraçada, esse Jogo 7 vai ser um prêmio para todos nós: os leitores, que acompanharam com afinco esperando apenas esse momento; e a gente, que escreveu como uns condenados esperando aquele delicioso momento final do último post da temporada.

Para comemorar e esperar a final, que começa amanhã às 22h, não se esqueça de participar da promoção Bola Presa/adidas. São 7 prêmios diferentes: 3 camisetas do Lakers, 3 camisetas do Celtics e 1 camiseta especial das Finais. Veremos quantos ganhadores teremos dependendo de quantos participantes teremos na promoção. Lembrem-se que para participar você deve mandar uma foto relacionada com NBA ou as finais, então pegue sua câmera, seu celular, sua tia gorda que comprou aquela puta câmera digital só pra se exibir, ou então pegue uma foto pronta na internet e edite no Paint, não importa, apenas participe. Vocês tem até o final do Jogo 7 para participar! Em breve, teremos os vencedores. E também, o que é mais importante, finalmente um campeão dessa temporada da NBA. Já estou triste pelos perdedores, mas eufórico pela chance de ver esse espetáculo. Obrigado, deus do basquete que nos assustou com uns joguinhos bem fajutos: temos um Jogo 7. É como diria o menininho-ex-fã-de-Restart: "Sério!".

terça-feira, 15 de junho de 2010

Os rebotes vão decidir


Rebote: basquete-arte


Quando tudo parecia mudado, eis que bastou uma ou duas partida pra gente voltar dois anos na máquina do tempo. Até daria pra começar o post dizendo que não é só no Brasil e não é só no futebol que não se tem memória, que é tudo presente, mas isso não vem ao caso. O que acontece é que qualquer reação, até as mais exageradas, são motivadas por acontecimentos reais.

Estou falando, claro, de todas as declarações de que o Lakers é um time que não consegue fazer frente ao jogo físico do Celtics. Que o Lakers é, no termo usado à exaustão nos EUA, um time 'soft'. Algo que a gente aqui no Brasil, sem a mesma delicadeza, chamaria de "fresco" ou "de mulherzinha". No site da NBA já vi pelo menos uns dois ou três colunistas dizendo que o legado desse time do Lakers está em jogo nos próximos jogos, que perdendo essa série será como atestar que não mudou nada desde 2008 e que o time ainda é muito fresco e sempre vai perder para times que joguem com mais força física, com mais vontade, que vão para o contato físico.

Eu concordo apenas em parte com isso. Não acho que o Lakers está perdendo por causa de falta de vontade ou porque o Celtics é um time com mais raça. Acho que o Celtics tem a vantagem de 3 a 2, antes de mais nada, porque jogou 3 jogos em casa contra só 2 do Lakers. E depois disso, por mais uma única e simples razão: rebotes. Em especial os rebotes ofensivos.

Os rebotes tem sido decisivos nessa série. Em todos os cinco jogos, quem teve mais rebotes venceu o jogo e em 4 dos 5 jogos (sendo o último jogo a exceção) quem teve mais rebotes ofensivos levou a partida também. O jogo passado pode ter sido uma exceção porque o Celtics teve um aproveitamento ofensivo estranho, por um lado passou boa parte do jogo acertando mais de 60% dos seus arremessos, por outro cometeu o maior número de turnovers nessa série. Ou seja, ou era cesta ou era erro, sem chance para rebotes de defesa ou ataque.

Ao contrário de 2008, o Lakers tem sim um time muito físico e que joga bem na defesa, o que forçou o Celtics a um aproveitamento baixo nos 4 primeiros jogos, e o Celtics é bem conhecido por sua defesa, também forçando o Lakers a jogadas forçadas. O resultado de jogos assim são partidas com muitos rebotes e quem tem controle deles tem mais chance de arremesso, o que é essencial quando o aproveitamento é tão baixo.

No primeiro jogo Andrew Bynum e Pau Gasol tomaram conta do garrafão, mas nos últimos jogos a combinação de Perkins e Garnett nos rebotes defensivos e Glen Davis e Rajon Rondo nos ofensivos está matando o Lakers. E é o domínio dos rebotes que impulsiona questões essenciais no esquema de jogo das duas equipes: só com os rebotes de ataque o Lakers consegue dominar o garrafão e só com os rebotes de defesa o Celtics consegue puxar contra-ataques rápidos.

A principal mudança na questão dos rebotes que fez o Celtics parecer o melhor time da série nos últimos jogos foi que o Doc Rivers mandou todo mundo atacar os rebotes de ataque em qualquer jogada. Mesmo os rebotes em que o Lakers parece ter domínio aparece alguém do Celtics lá para pular junto, tentar um tapinha pra fora ou até um roubo. Nem sempre dá certo, mas quando dá é uma posse de bola a mais, o que tem feito a diferença numa série que tem, depois de 5 jogos somados, um placar de 464 para o Celtcis a 462 para o Lakers. Nada mal uma diferença de 2 pontos depois de 240 minutos de jogo, hein?

Esse ataque aos rebotes do Lakers também força o Lakers a perder tempo. São vários segundos de posse de bola perdidos na luta pelo rebote, na conquista do espaço e no passe para o armador começar a jogada. Isso complementa bem a defesa agressiva do Celtics, que força o Lakers a sair do garrafão para pegar a bola. No jogo passado não foi raro ver o Lakers começar a montar sua jogada com apenas uns 14 ou 12 segundos sobrando no relógio de 24 segundos. Com tão pouco tempo para enfrentar uma defesa tão forte foi quase impossível colocar Gasol e Bynum em situação de cesta, obrigando o Kobe a arremessar mais do que o normal e sempre em situações que ele não gostaria de arremessar.

Mas como ele é um extraterrestre que usou seus talentos de outro planeta para se infiltrar no nosso povo e nos influenciar sendo um ídolo do esporte, o Kobe foi retardado o bastante para marcar 19 pontos só no terceiro período e impedir o Lakers de ser destruído pelo Celtics. Um período de 19 pontos em uma situação normal significaria vitória do Lakers, em um jogo em que o ataque não conseguia nada, serviu só para segurar a diferença na casa dos 8 pontos.


Esse ataque aos rebotes de ataque, por fim, anula também o jogo de transição do Lakers. Ele não é mortal e veloz como o liderado pelo Rajon Rondo do outro lado, mas com um ritmo mais moderado é capaz de criar as situações ideais para o ataque do Lakers. É na saída rápida que o Gasol se estabelece mais perto da cesta, que saem as pontes-aéreas para o Bynum ou que o Odom mostra o seu lado mais criativo e pontuador.

Não quero tirar a importância das chamadas "hustle plays" que todo mundo está comentando na imprensa americana, dando a vantagem para o Celtics. Essas jogadas são aquelas ganhadas na raça, na vontade: uma bola no chão que alguém pula, um toco conseguido por ter pulado com mais vontade, uma bola que ia sair e alguém voou para conseguir salvar. São jogadas que dão moral para o time e que colocam a torcida no jogo, não dá pra negar, mas que são essenciais mesmo por conseguirem mais posses de bola para o time que as conquista. E enquanto essas jogadas são mais raras, os rebotes estão lá em toda santa posse de bola, também rendendo novas posses.

Podem falar de nervosismo, tradição, maldição, ataque, defesa, contra-ataque, turnovers, banco de reservas, bolas de 3, jogadores 'soft', posição da lua, horóscopo, qualquer coisa. Tudo isso é importante e pode decidir um jogo, mas depois de 5 jogos acho que ficou bem claro que os dois times se equivalem na soma dessas características. O que tem sido decisivo são os rebotes: como eu disse antes, quem ganhou a batalha dos rebotes ganhou o jogo e não vejo porque seria diferente no jogo de hoje e em um eventual jogo 7.

...

8 ou 80 na Final
Já que eu acho que um número, o de rebotes, pode definir o título, é hora de alguns números interessantes da série decisiva

- No jogo 2 Andrew Bynum teve 7 tocos e Pau Gasol, 6. Foi a primeira vez desde que a NBA começou a contar o número de tocos em 1973 que dois companheiros de time tiveram mais de 5 tocos em um jogo da Final.

- Mas nem tudo é perfeito no mundo da defesa de garrafão de LA. O Lakers teve 28 tocos nos primeiros três jogos da série, nos últimos dois somou apenas 4.

- Ray Allen acertou 8 arremessos de três no jogo 2 da Final, um recorde da história das Finais. Nos outros jogos ele tentou 18 arremessos de três pontos e não acertou nenhum.

- Já Kobe teve seu recorde de bolas de 3 em um jogo de playoff no jogo 4, com 6 acertos. Porém, no mesmo jogo, teve seu recorde de erros, 7.

- O jogo 4 teve uma estatística bizarra: nenhuma enterrada.

- O mesmo jogo 4 marcou apenas a quarta vez nos últimos 25 anos que um time venceu um jogo da final sem que seu cestinha fizesse mais de 20 pontos. Paul Pierce foi o cestinha do Celtics com 19 pontos. As outras duas vezes aconteceram com o Spurs em 2007, Pistons em 2005 e Rockets em 1994.

- No jogo 4, Andrew Bynum jogou 32 minutos e não pegou nenhum rebote de defesa. A última vez que ele havia jogado pelo menos 25 minutos sem ter conseguido um rebote defensivo foi no dia 23 de fevereiro de 2007 contra, surpresa, o Boston Celtics.

- O Lakers não chegou aos 40% de aproveitamento no jogo 5. Foi a vigésima vez na temporada que o Celtics segurou o adversário abaixo dessa marca, nunca perdendo um jogo quando isso aconteceu.

- As 12 assistências do Lakers no jogo 5 foram a segunda pior marca do time em toda a temporada.

- Kobe Bryant marcou 23 pontos seguidos para o Lakers entre o fim do segundo quarto e metade do terceiro no jogo 5. Foi a primeira vez que um jogador marcou mais de 20 pontos seguidos pelo seu time desde que LeBron James fez 25 pontos seguidos contra o Pistons na final do Leste de 2007.

domingo, 13 de junho de 2010

Emoção demais, emoção de menos


Artest e Rasheed saem na unha pelo posto de mascote do Bola Presa

Quem acompanha o Bola Presa desde o comecinho sabe quais são os jogadores que mais nos rendem posts exclusivos: Yao Ming, no meu Houston, pelo seu fardo de carregar a cultura chinesa; e Kobe Bryant, no Lakers do Denis, pela sua paixão pelo basquete que chega ao ponto da nerdisse. Fica parecendo que escrevemos mais sobre os jogadores dos nossos times, mas no fundo é só acaso. Curiosamente, quem lidera nossa lista de posts individuais é, na verdade, Ron Artest - que jogava no Kings quando começamos a maratona de posts a seu respeito e que, ironia do destino, foi depois jogar no Houston e agora no Lakers. Damos sorte com nossos jogadores favoritos.

Ron Artest sempre foi, ao lado de Rasheed Wallace, um dos mascotes do Bola Presa. O Sheed estampou nosso primeiro template do blog e dá as caras na camiseta que fizemos do Bola Presa - que em breve devemos disponibilizar por aqui. Sua lendária coletiva de imprensa, em que respondeu a todas as perguntas com a frase "os dois times jogaram duro" porque estava sem saco, deu nome à nossa coluna com respostas para as perguntas dos leitores, entitulada "Both Teams Played Hard". Uma foto do Sheed ilustrava cada coluna, e ele continua estampado no nosso formspring, que segue respondendo às questões dos leitores e virou um sucesso absoluto (são mais de 3000 perguntas recebidas nesses 4 meses de existência). Além disso, o Sheed foi o tema de uma das pouquíssimas matérias gringas que traduzimos, um texto sobre sua inteligência trabalhar contra ele dentro de quadra - aliás, vale a leitura, são linhas espetaculares.

Ron Artest não ilustra templates ou camisetas por aqui, mas ganhou uma série de posts: primeiro quando mandou beijinhos para a torcida ao enfrentar o Pistons pela primeira vez desde que fora suspenso contra a equipe, depois quando passou um jogo inteiro se pegando com o Matt Harpring. Escrevemos quando ele bateu boca com o Kobe Bryant um jogo inteiro, colocando também uma entrevista em que Artest mostra todo o carinho e admiração que tem por Kobe. Listamos uma série de histórias sobre ele, da ligação para o torcedor que lhe tacou uma cerveja na cabeça à sua promessa ao Kobe, depois de invadir seu vestiário, de que um dia jogaria no Lakers para lhe ajudar a ganhar um título. Temos também dois posts curtos, um com o vídeo do Artest arremessando o tênis do Ariza e outro com sua aparição, de cuecas, num programa de televisão - admitindo ser formado em Matemática.

Nosso carinho pelos dois tem razões óbvias: além de serem jogadores engraçados e bem-humorados, coisa fundamental para os palhacinhos aqui do Bola Presa, também são jogadores humanos, emotivos, reais, dispostos a se expressar abertamente dentro de uma NBA que cada vez mais tenta sumir com as emoções e as opiniões através de multas, punições e suspensões (e que nessas finais apita falta até em que coça o nariz). Rasheed Wallace ainda lidera a NBA em faltas técnicas, mesmo com os minutos tão reduzidos, e Artest ainda arremessa bolas que não fazem nenhum sentido, deixando Kobe maluco, apenas para provar alguma coisa que está ali na cabeça dele.

O principal medo dos torcedores do Lakers quando Artest chegou à equipe era ele acabar com a química do time, dar uma de maluco, começar alguma pancadaria, arriar as calça do Paul Pierce. Medo real, mas desnecessário. Artest entendeu desde o primeiro segundo que o time não era dele, que sua função era defensiva, e que o Kobe estava de olho em tudo que ele fazia. A graça, no entanto, está no fato de que o Artest é de verdade e se diverte em quadra. Adora jogar fisicamente e quando topam a brincadeira, quando ele pode trombar no garrafão, se engalfinhar com alguém, roubar uma bola na raça ou dar um toco na base da força, seus pulos de alegria e socos no ar são um raro toque de energia em um elenco famoso por ser técnico demais, o magrelo nerd da classe. O que não falta para o Lakers são jogadores inteligentes, táticos, com habilidade apurada. Gasol é sem dúvidas o homem de garrafão mais técnico da NBA no momento, e Kobe é provavelmente o jogador mais técnico que esse planeta esférico já presenciou. Não que o Kobe não goste de jogar na força bruta (recentemente o Jeff Van Gundy estava comentando que o Lakers tem três dos jogadores que mais gostam de jogar fisicamente: Artest, Fisher e Kobe), mas é que Kobe é concentrado demais para permitir os jorros de euforismo que o Artest coloca pra fora como se fosse ganhador de Big Brother.

Assim como o Ben Wallace dizia que o Pistons às vezes não entrava no jogo até o Rasheed Wallace tomar uma falta técnica, tem vezes em que o Lakers não começa a defender com vontade até o Artest dar alguma trombada e começar a distribuir socos no ar de felicidade (estilo Raí). Sua importância vai muito além das funções defensivas e atinge justamente a maior deficiência do Lakers que perdeu para o Celtics na final de 2008: o Artest traz coração, jogo físico, socos no próprio peito, orgulho, empolgação, cara feia. Coisas que, dois anos atrás, eram marcas registradas do time de Boston.

O Celtics, por sua vez, tem tanto coração, orgulho e socos no peito, que o Rasheed Wallace acaba sendo quase desnecessário. Grande parte do elenco é absurdamente emotivo. Garnett, por exemplo, grita, berra, bebe o sangue de criancinhas e dá pancadas surreais de UFC em quem está lhe enchendo o saco.


O Glen Davis grita com ele mesmo, literalmente chora quando toma bronca (as lágrimas escorrem do rosto de nosso querido Ursinho Carinhoso) e está sempre pronto para sair na porrada com alguém. Kendrick Perkins reclama de todas as faltas da equipe, está sempre com cara de quem vai chorar ou ter um aneurisma cerebral, e é o segundo colocado em faltas técnicas na NBA (baita pentelho).

Rasheed Wallace está acostumado a ser o coração de suas equipes. Jogou a carreira inteira ao redor de cordeiros, então está sempre gritando, provocando, atiçando, tentando proteger os seus companheiros que trata como irmãozinhos menores débeis mentais. Sempre existiu nele um tanto de desinteresse pelo jogo, é comum dizerem que Rasheed poderia ter sido um dos melhores de todos os tempos mas ele não quer treinar, fazer sempre a mesma coisa em quadra ou obedecer os desenhos táticos. Mas o Celtics precisava disso, de uma força defensiva no garrafão, de um arremessador de 3 pontos, de um jogador inteligente para dar os passes certos, não de mais um para esquentar a cabeça e sair do jogo. Enquanto o Lakers era um tanto sem vida e desgostoso de confronto e jogo físico, o Celtics agora é um time emotivo demais, com gente falando demais e - principalmente - cometendo faltas técnicas demais.

O Rasheed Wallace chegou no Celtics anunciado como "mais um enorme talento para levar esse time a outro título", mas assim que pisou em quadra fora de forma, sem muita vontade de treinar e desinteressado - como sempre fica - por não se sentir parte de uma "família" (ele precisa ouvir Restart), tomou fria do resto da equipe. A frustração do Garnett com o Sheed era visível em sua cara de canibal faminto, e acho que a situação toda foi uma das maiores responsáveis pela queda de produção do Celtics durante a temporada regular. O Rasheed precisou entender, com muito custo, que fazia parte de algo, de uma última corrida desesperada a um anel com uma equipe disposta a sangrar por Garnett, Pierce e Allen, para então começar a render um pouco mais em quadra. Mas, infelizmente, o casamento não parece dar muito certo.

Toda a empolgação de Artest, que torna o Lakers um time mais humano, agressivo e eficiente, tem um preço. Primeiro, as limitações de arremesso do Artest foram exploradas constantemente nos playoffs, primeiro pela defesa perfeita do Thunder, depois pelo Jazz, e por fim pelo Suns e sua defesa por zona 2-3. Todas essas equipes deixaram Artest livre para o arremesso de 3 pontos, e ele insistiu em arremessar mesmo assim. Na série contra o Jazz, se enfiou num regime de treinamento de arremessos e acabou decidindo a série, é verdade, mas contra o Suns essa confiança no treinamento levou a momentos bizarros. No Jogo 5, Artest errou um arremesso de 3 pontos livre, recebeu o rebote ofensivo e, ao invés de esperar o cronômetro correr para garantir a vitória, resolveu arremessar de novo - e errar de novo, tipo a segunda convocação do Dunga. A humanidade do Artest lhe faz dar arremessos desnecessários apenas para provar que ele consegue, que ele andou treinando, ou então puxar contra-ataques estabanados só porque ele está empolgado com a trombada que recebeu na quadra de defesa. Esse preço, no entanto, é pequeno perto do equilíbrio que Artest traz à equipe. O Lakers é definitivamente, com ele, um time melhor.

Com o Sheed, o preço de tê-lo em quadra costuma ser alto demais. Suas falhas defensivas constantes são exploradas pelo ataque do Lakers e frustram um Celtics que se orgulha justamente de se focar na defesa. Seus arremessos de três pontos deixam o garrafão vazio, justamente quando a batalha dos rebotes é tão essencial para seu time. Seus arremessos caem um pouco, volta e meia dá um belo toco, sua defesa é cheia de truques de velhos experientes, mas o Celtics nunca é um time melhor por lhe ter em quadra. E a enorme qualidade emocional que Sheed traz às suas equipes, quando joga, é desnecessária no Celtics, é exagero. Quando ele recebe uma falta técnica, não é um motivo para o time se animar e entrar no jogo, é apenas desesperador porque é a milésima falta técnica que o Celtics recebeu no jogo. O Perkins já tomou uma, o Pierce já tomou outra, o Glen Davis vai tomar uma próxima, e a suposta animação do Sheed é apenas mais um cara reclamando demais e castigando o time com faltas técnicas e pontos fáceis para o adversário. No Jogo 4, lá estava o Ray Allen revirando os olhos tendo que impedir o Sheed de ser expulso de quadra. A fama do Wallace, por vezes merecida, faz com que as reações sejam punidas mais rápido e lhe deixa até mesmo mais propenso a ter faltas marcadas contra ele, especialmente numa série em que os árbitros querem coibir qualquer contato. Sobra pro Ray Allen ser babá de uma máquina de fazer faltas técnicas.

Do problema do Celtics com as faltas técnicas, falaremos mais tarde. Por enquanto, o que tentamos mostrar é que somos grandes fãs do Rasheed Wallace e do Artest, mas que eles se encaixam de maneira completamente oposta em suas equipes. Se ainda acho o Celtics favorito nessa série justamente por causa do coração, do desespero de ter que ganhar mais um título, do sacrifício que o time inteiro é capaz de fazer em nome disso (a ponto de um banco ruim ganhar um jogo na raça), o Rasheed não é necessário para essa empolgação. E, do outro lado, se alguém pode levar o Lakers a superar os corações do Celtics, esse alguém é justamente Ron Artest. Quando ele está empolgado e seu time entra na mesma "vibe" (só de usar essa palavra, uma espinha nasceu na minha testa), o Lakers tem grandes chances de vencer a batalha psicológica. No primeiro jogo da série, vimos um Artest que distribuía socos no ar, se pegando com o Paul Pierce nos primeiros segundos de jogo (os dois tomaram falta técnica), dando trombadas no Glen Davis, enquanto o Garnett parecia assustado e nervoso errando bolas embaixo da cesta, passando a bola ao invés de dar arremessos fáceis e faltando braço na hora de colocar a bola para dentro.

A série entre Magic e Celtics nos ensinou uma coisa: quando o time adversário consegue jogar com raça, de forma física, brigada e elétrica, o Celtics passa a ser aquilo que é por trás da máscara: um time de velhinhos. É importante para o Lakers ter um Gasol agressivo no garrafão e um Bynum que esteja ao menos em quadra e não com um joelho boiando num pote de formal, sem dúvidas, mas a agressividade fisica geral do time está nas mãos do Artest. Do outro lado, o melhor que o Rasheed pode fazer parece ser não tomar mais faltas técnicas. Pessoalmente, torço para que ele se erga e dê ao Celtics aquilo de que o time precisa, reforçando ainda mais um banco de reservas que pode mudar a cara da série, mas por enquanto ele está encostado: é apenas mais do mesmo. No Lakers, Artest é justamente a diferença. A derrota no Jogo 4 está sendo creditada à auxência de Bynum, mas que tal lembrar da partida ruim que fez Artest na defesa, tanto defendendo Pierce quanto no ataque e em empolgação? Vimos como Glen Davis humilhou Lamar Odom, seu defensor na maior parte do jogo, o tempo inteiro. Mas o que teria acontecido se um Artest empolgado tivesse ido marcar o "Big Baby" no garrafão? Artest pode defender quatro posições em quadra e, apesar da diferença física, pode dar muito trabalho para qualquer um, até mesmo a almôndega ambulante que é o Glen Davis. Bynum deve jogar o Jogo 5 hoje à noite, mas eu coloco a responsabilidade em outras mãos: nas de Rasheed, para o banco do Celtics continuar fazendo estrago e Bynum ser bem defendido; e nas de Artest, porque o Lakers precisa de emoção em quadra. E, como insiste cada vez mais Kobe e Phil Jackson, o Lakers só vai ganhar essa série se for na defesa. Caso um gordinho continue acabando com eles no garrafão, as chances de anel de campeão desaparecem.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Um gordo e um anão

Rasheed Wallace não acredita: o Glen Davis ganhou um jogo


O Lakers tem um fetiche bizarro: perder para equipes reservas. Contra o Suns, o Lakers conseguia se virar bem contra a equipe titular e apanhava mesmo era do banco, com Dragic e Leandrinho. Contra o Celtics, parece que o fetiche é ainda pior. No Jogo 4, Kobe segurou muito bem as pontas contra a equipe titular do Boston, mas quando os reservas mais-ou-menos entraram em quadra, o jogo mudou. O tempo foi passando e nada dos titulares voltarem, a vantagem do Celtics foi aumentando, e quando os titulares voltaram para a quadra (que, aparentemente, é contra quem o Lakers mais tem chances de vitória), já não dava mais tempo de virar o jogo.

No geral, a partida do Celtics foi bem o que esperávamos, com o time tomando várias medidas que eu havia sugerido aqui no Bola Presa: forçando ao máximo o ritmo de jogo, colocando mais a bola nas mãos do Rondo, pegando o garrafão do Lakers desprevenido na correria, e deixando o Paul Pierce menos com a bola. Curiosamente, isso não significou necessariamente usar menos o Pierce no ataque, como eu imaginava ser necessário. O ala do Celtics rendeu muito bem recebendo a bola em movimento, sendo acionado para receber pick-and-rolls na cabeça do garrafão, e carregou o ataque do time por um bom tempo sem no entanto ficar segurando a bola ou criando jogadas individuais. Quando ele começou a forçar mais o jogo, o resto do elenco entrou num entrosamento deles lá e o Pierce ficou de fora, tipo o gordinho nerd que senta na primeira carteira da classe. O primeiro arremesso do ala no segundo tempo veio com o quarto período bastante rodado, depois de um quarto inteiro sendo ignorado em seus insistentes pedidos pela bola.

Às vezes é triste não contar com um baita pontuador como é o caso do Paul Pierce, mas o Celtics conseguiu outra coisa muito mais valiosa no lugar: jogadas ofensivas. Ray Allen estava em mais um dia ruim (conforme ele vai ficando velhinho, os dias bons são a exceção, não a regra), Garnett recebeu mais atenção na defesa, Rondo foi bem marcado no garrafão e forçado a arremessar muito (coisa que ele dificilmente acerta, como sabemos), e o negócio estava feio. Justamente por isso, o Celtics foi obrigado a envolver todo mundo, aceitar contribuições de todos os lados e tomar mais conta da posse de bola, com carinho. Apesar das limitações técnicas, os reservas entraram num ritmo, como se fossem um time de verdade com um técnico de verdade (coisa que eles não são e nem tem), e aí o Paul Pierce ficou de lado, foi sentar, e coube aos titulares ficar na linha lateral torcendo com a toalhinha na cabeça.

Quer dizer, menos ao Ray Allen, que recebeu o cargo de babá do grupo e ficou em quadra. Por quase todo o quarto período, o Celtics manteve jogando uma série de jogadores mequetrefes e não muito inteligentes: Nate Robinson na armação, Tony Allen na ala, Glen Davis e Rasheed Wallace no garrafão. O coitado do Ray Allen é quem teve que acalmar os ânimos, impedir mais faltas técnicas, dar instruções de defesa e, como toda babá cuidando de crianças, enxugar baba. Pra quem não viu, abaixo tem o vídeo do Glen "Big Baby" Davis se babando inteiro:


O bebezão (que é tão criança, mas tão criança, que até pediu pra mudar de apelido, coisa que só pirralho faz e que é a mesma coisa do que pedir para o apelido pegar para sempre) não é um grande atleta, é lento, baixo, gordo, chato, mas compensa de muitas maneiras essa sua derrota na loteria genética, como dá pra ver no vídeo acima. Seu trabalho de pernas é incrível, seus pés se movimentam bem e com isso ele consegue sempre estar na frente do adversário, marcando com eficiência. Sua vontade é digna de um gordo atrás de pudim, se jogando em todas as bolas, trombando com todo mundo e sempre prestes a dar uma dentada em quem aparecer. E como ele é baixo demais para a posição e nunca vai conseguir alcançar o aro, seus pontos vem num excelente arremesso de meia distância e em uma série de movimentos refinadíssimos, super classudos, debaixo da cesta. É incrível como ele consegue passar alguns segundos no ar (a incríveis 5 centímetros de distância do chão) e mudar a bola de mãos, passá-la por debaixo do aro, finalizar com elegância. Tudo enquanto tromba, se arremessa, chora e belisca um sanduíche.

Quando entrou na NBA, fiquei fã do Glen Davis. É sempre legal ver um jogador gordo que consegue se sair tão bem, com movimentos tão refinados no garrafão. Mas agora odeio esse balofo porque ele se acha a última bolacha no pacote (e, portanto, está louco para se comer). Entendendo suas limitações e se aproveitando dos pontos fortes, ele poderia ser um excelente jogador, uma versão habilidosa e pontuadora do Chuck Hayes. Mas não, ele fica nessas de achar que seu jogo é espetacular, que ele é um gênio, que sua raça em quadra é épica e vai mudar a rotação da Terra. Talvez até mude mesmo, se ele continuar comendo.

Por mais birra que eu tenha com o "Big Baby", no entanto, sou obrigado a admitir que seu jogo foi exatamente do que o Celtics precisava. O joelho do Bynum, que está quase chegando no "nível Greg Oden de qualidade", está do tamanho de uma bola de tênis e tem que ser drenado constantemente. Quando ele está em quadra, o Lakers tem mais chances de vencer a luta pelos rebotes (que, até agora, sempre foi vencida pelo time que no fim sai com a vitória), pontuar no garrafão e vencer o jogo na defesa, como querem Kobe e Phil Jackson. Sem ele em quadra, por causa do joelho zoado, o Glen Davis resolveu jantar o garrafão do Lakers e conseguiu. No peso, no tranco e na vontade. Pau Gasol é outro homem, agora ele apanha e está feliz, ataca a cesta, defende de forma agressiva e deu canceira para o Garnett, mas sofreu demais ficando sozinho no garrafão como pivô. Quem passou a maior parte do tempo marcando o Glen Davis foi o Lamar Odom, que perto do "Big Baby" não passa de um palito de dentes. Vencendo a luta no garrafão, colocando a bola lá dentro e armando jogadas para serem finalizadas debaixo do aro, o Celtics parou de dar arremessos idiotas numa partida em que nenhuma das duas equipes conseguia pontuar com consistência - a não ser o Kobe, que roubou o talento do Ray Allen e deu pra meter uma bola de três atrás da outra.

Mas o banco do Celtics não é feito apenas pelo Glen Davis, embora ele pese mais do que o resto do banco inteiro. Tony Allen, por exemplo, marcou muito bem Kobe e dessa vez não passou nenhum segundo como armador na partida, o que é a melhor coisa que pode acontecer para o bom andamento do Universo. Nate Robinson, por sua vez, foi o responsável por armar o jogo na auxência de Rondo, que acabou ficando mais tempo no banco do que o normal. A intenção foi de correr com a bola desde o princípio, então o Rondo cansou logo e o Nate entra em quadra para fazer a mesma coisa, no velho pernas-para-que-te-quero.

O problema é que todos nós sabemos que o Nate Robinson não tem muito cérebro. Lembro de uma jogada na primeira vez em que ele entrou em quadra para o Celtics em que pegou a bola, ficou driblando de um lado para o outro, passou por trás da cesta, olhou para o aro e arremessou uma bola de três pontos terrível no estouro do cronômetro. Não deu nem aro e o Garnett prometeu usar seu sangue para temperar a salada do dia seguinte. No Jogo 4, o Nate manteve o plano de jogo de correr como um louco para repor a bola, mas por inúmeras vezes chegou na quadra de ataque e, com seu cérebro de ostra, não soube o que fazer com a bola. Aí parava a corrida, segurava a laranjinha e passava pro lado. De que adianta correr então?!

Mas, justiça seja feita, o Celtics fez muito bem para o Nate "The Great". Ver o Garnett no banco segura um pouco suas rédeas, a pressão de estar num time que precisa ganhar desesperadamente não lhe permite aquela vida impune do Knicks, em que ele podia fazer qualquer merda em quadra e achar engraçado. No Celtics ele precisa temer os mais velhos, que enchem muito o saco, precisa ganhar minutos porque o Doc Rivers nunca fez questão de lhe colocar em quadra (mesmo sem ninguém para ser reserva do Rondo), e está sendo assistido por todo mundo num time vencedor que quer vencer ainda mais. A "Família Celtics" (não confundir com a "Família Restart", que não desiste nunca) colocou responsabilidade na cabeça do Nate Robinson. Então ele é burro, não sabe o que fazer com a bola depois de correr tanto, mas joga com menos afobação, sabe passar a bola para dentro do garrafão, obedecer as ordens táticas e ataca a cesta quando necessário, além de ser um bom arremessador (se não deixarem ele arremessar sempre!).

O Rasheed Wallace, último homem do banco a compor o time que venceu a partida, não fez muita coisa, mas defendeu razoavelmente bem. Gritou, xingou, tomou falta técnica, ficou tão inconformado com uma marcação que até rendeu a cara mais engraçada do ano (a foto que ilustra o post foi tirada por mim mesmo no meio da transmissão, print screen legítimo, enquanto eu morria de rir da reação do Sheed). Com Garnett no banco, o Sheed acabou sendo o coração da equipe na defesa, embora eu ache o Rasheed desnecessário nesse time porque todo mundo já é muito emotivo. O Ray Allen teve que ajudar o Nate Robinson a dar os passes certos nas horas de branco, teve que cobrar do Glen Davis as falhas defensivas, e teve que impedir o Rasheed de ser expulso de quadra por causa das reações exageradas. Mas o conjunto inteiro deu muito certo, uma bola de 3 pontos do Sheed nos minutos finais praticamente decidiu o jogo, e acabou ficando como a cereja do bolo de um banco de reservas que acabou com o Lakers.

Em entrevista coletiva, Glen Davis e Nate Robinson disseram que passaram todo o quarto período esperando o momento de sair, como eles estão acostumados a ver acontecendo. Os minutos foram passando, eles não saíam e começaram a estranhar, olhando toda hora para o relógio. O Garnett ia entrar em quadra o tempo todo, mas aí o Glen Davis fazia alguma grande jogada e o Doc Rivers segurava o Garnett mais um tempo na lateral. Mérito do gordo que rendeu nos minutos que teve em quadra, mas grande mérito do Doc Rivers de ter deixado em quadra o time que deu certo (sem a frescura de ter que manter os melhores jogando mesmo quando não funciona) e mérito também do Garnett, que ao invés de exigir entrar em quadra, ficou lá do lado vibrando pelo gordinho que estava chutando traseiros. A entrevista coletiva de Nate e Glen Davis, inclusive, merece ser vista inteira porque é muito engraçada: tem o Big Baby com ar de que é o melhor jogador do planeta e merece ganhar uvas na boquinha, tem ele pedindo desculpas por cuspir e perguntando se caiu na repórter, e tem o Nate Robinson comparando eles dois com o Shrek e o Burro - simplesmente a melhor comparação da história, "Separados no Nascimento" instantâneo!

Já tinha postado aqui que, para mim, o Celtics é favorito na série porque todo jogador, não importa quão ruim seja, entende que precisa vencer em nome de Garnett, Allen e Pierce, que estão lá cobrando. O time tem a responsabilidade, a vontade, a energia, a emoção necessárias para vencer mesmo quando tudo parece que está dando errado. Às vezes é em excesso, como no caso das milhões de faltas técnicas (devo postar sobre isso dia desses), das reações do Rasheed, das frustrações de Glen Davis e Garnett que às vezes não conseguem entrar no jogo, ou do Paul Pierce que na animação enfiou uma muqueta na cara do juíz:


Se essa emoção não for em excesso, e se eles não se focarem apenas em transformar isso num jogo exclusivamente físico justamente quando o Lakers está se saindo tão bem na defesa e nas pancadas (especialmente com Bynum em quadra), dá pra transformar um banco ruim em um banco que ganha jogos. E séries. E um anel.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dois Celtics diferentes

Paul Pierce faz manha: só sai do chão quando puder
arremessar todas as bolas e ganhar um PS3

Depois de acertar apenas 2 dos 11 arremessos que tentou no Jogo 2 das Finais, Paul Pierce diminuiu o trabalho defensivo do Ron Artest, dizendo que o ala do Lakers não era o culpado pela sua falta de mira. Pierce afirmou que os erros haviam sido culpa dele mesmo, que o Artest não estava fazendo nada de especial. A princípio, achei que ele estava apenas sendo escrotinho como sempre, diminuindo o adversário. Mas agora estou começando a acreditar: a culpa é mesmo do Paul Pierce. Não apelas pela falta de mira, mas também pela derrota em casa do Celtics no Jogo 3.

Estou longe de ser um daqueles odiadores birutas do Paul Pierce, pelo contrário, gosto muito do jogo do sujeito e sempre fiquei feliz de vê-lo assumir a responsabilidade no Celtics, como se a casa fosse dele e seus amigos estivessem apenas visitando. Mas os jogos dessa final estão deixando uma coisa cada vez mais clara: existem dois Boston Celtics completamente diferentes. Um é o que aparece quando o time puxa o contra-ataque e coloca a bola nas mãos do Rajon Rondo. O outro é o que aparece no jogo de meia-quadra e que é, quase invariavelmente, comandado por Paul Pierce. Nem preciso dizer qual desses times chuta traseiros e qual deles fede um bocado e corre o risco de perder a série.

Quando o Celtics consegue puxar um contra-ataque após um rebote defensivo, a movimentação ofensiva é impecável. Rajon Rondo recebe a bola e parte para a quadra de ataque. O garrafão do Celtics se mata na corrida, sempre deixando Bynum e Gasol para trás, e constantemente Garnett e Kendrick Perkins conseguem uma bandeja fácil, ponte-aérea ou ao menos cavar uma falta. A defesa de transição do Lakers não é das melhores, surge a dúvida de quem deve marcar quem, quem deve cobrir quem, e o garrafão fica exposto. Aí, quando o Lakers começa a correr desesperado na defesa para fechar o caminho para o aro, surge Ray Allen. É muito legal ver seu treinamento em quadra antes dos jogos, e um dos movimentos mais treinados é uma corridinha tranquila vinda do meio da quadra, uma freiada na linha de três pontos, e um arremesso rápido e certeiro dali. O Ray Allen é o melhor arremessador de três pontos em transição atualmente e, ao contrário do Mavs que costuma só fazer isso, o garrafão veloz do Celtics abre espaço para os arremessos em contra-ataque - que por sua vez abrem mais espaço para o garrafão, ou seja, a defesa em transição do Lakers é um cobertor curto demais.

O curioso é que mesmo quando o contra-ataque não funciona e o Lakers consegue se posicionar defensivamente, forçando o Celtics a ter que construir uma jogada, a bola estar nas mãos do Rondo já é lucro. É como se ele se sentisse no direito de atacar a cesta (e fazer uma cagada, que seja) por ter perdido a chance de um contra-ataque, tipo uma compensação. O Celtics é um time muito melhor com o Rondo atacando a cesta, mesmo quando dá errado, e também funciona muito bem quando ele resolve acionar Garnett no garrafão e o Ray Allen vindo de um corta-luz.

Nós sabemos que Ray Allen fedeu na última partida, errando todos os seus arremessos, mas vida de arremessador é assim. Um dia você acerta todos, bate recorde da linha de três pontos, e no outro erra tudo e teu time vai pro saco. É normal, bola de três não é confiável. Por isso arremessadores que não sabem quando parar prejudicam tanto os seus times, como Rafer Alston, JR Smith e até (em nível internacional) o Marcelinho Machado. Quando os arremessos caem o cara é herói, venceu o jogo, mas quando não caem jogou a partida no lixo porque não consegue fazer mais nada. Arremessadores precisam de cérebro para saber quando parar, saber não forçar arremessos, envolver os companheiros, saber forçar a reação da defesa mesmo quando os arremessos não estão caindo. Na pior das hipóteses, esses arremessadores precisam de bons técnicos que saibam sentar seus traseiros quando as coisas não estão dando certo para que o time não saia prejudicado. Ray Allen tem cérebro e, por mais bizarro que pareça, sua partida horrorosa nível Preta Gil não prejudicou o Celtics tanto assim simplesmente porque os arremessos não foram forçados ou desnecessários. Uma hora ele vai fazer exatamente a mesma coisa e os arremessos vão cair, então o Lakers precisa sempre marcá-lo, sempre, não importa se os arremessos caem ou não (ao contrário do Rafer Alston, por exemplo, que você pode deixar livre num dia ruim porque você sabe que é melhor que ele arremesse porque o time vai pro saco). Mesmo errando tudo, o Lakers temeu Ray Allen e isso é essencial para forçar a defesa a se mexer.

O Garnett também veio de partidas horríveis, o primeiro jogo foi patético de um jeito triste, vou até queimar o filme daquela partida para que meus filhos não saibam que aconteceu. Mas ele é inteligente e sabe o que fazer de um jogo para o outro, o que mudar, forçando a velocidade do time, fazendo pontos fáceis nas costas de Gasol e Bynum, e dessa vez levando a bola em direção ao Gasol, e não pra longe dele. É que o Gasol é muito mais comprido do que o Garnett e está destruindo nos tocos, então o Garnett estava tentando arremessar por cima dele através de giros, se jogando para trás, indo na direção oposta à cesta. Mas ele logo entendeu que os juízes estão apitando qualquer peidinho, se alguém pensar na mãe do adversário toma falta só pela intenção, se pensar nela pelada está expulso, então Garnett entendeu que dá pra ir em direção ao Gasol sem problemas, criando contato no garrafão, porque vai receber mais faltas do que tomar tocos. O espanhol também não é burro e entendeu a arbitragem, então tentou contestar menos as investidas do Garnett e acabou criando espaço para o ala do Celtics usar seus movimentos elegantes debaixo do aro.

Não tem erro: puxando contra-ataques, ou pelo menos saindo rapidamente com a bola na linha de fundo após tomar uma cesta, o Rondo pode atacar a cesta, Ray Allen pode fazer seus arremessos de transição ou em movimentação, mesmo que eles não caiam, e o Garnett pode ser acionado no garrafão para se aproveitar da arbitragem e equilibrar as coisas perto do aro. É simples. Quando o Rajon Rondo sentar, quem precisa entrar é o Nate Robinson, que está imitando bem o Rondo, atacando a cesta e passando muito bem a bola para os jogadores de garrafão. Nada de colocar o Tony Allen armando, porque ele não tem confiança de bater bola na frente de Fisher ou Kobe e acaba dando a bola para o Pierce para não se comprometer. E aí a merda começa.

Quando o Celtics não corre, quando não aumenta o ritmo da partida, quando o Rondo não fica com a bola nas mãos, quando o Tony Allen está armando, as jogadas do Cetics se resumem a uma coisa: dar a bola para o Paul Pierce e assistir. O Garnett estava chutando traseiros no Jogo 3 e mesmo assim passou longos minutos sem receber a bola olhando para o Pierce enquanto o time afundava. Uma hora fiquei esperando que o Garnett tirasse uma cruzadinha do calção e começasse a preencher. Pontos fáceis dos minutos iniciais de jogo começaram a ser substituídos por arremessos contestados do Paul Pierce, o garrafão ficou abandonado, e o Celtics parou de cobrar lances livres. Ali eu já sabia que o time ia perder e fiquei torcendo para o Pierce voltar para o banco rapidinho, ou ter um aneurisma.

O engraçado disso é que o Artest saiu com 2 faltas logo no começo do terceiro jogo, então o Pierce estava sendo marcado pelo Luke Walton (que sozinho tem mais cérebro do que o Knicks inteiro somado, mas não defende necas). Não importa, a dificuldade do Pierce está sendo, como ele afirmou, independente da marcação. Seus arremessos de média distância não caem, suas infiltrações estão estabanadas e os arremessos de três são forçados, mesmo quando entram. Aqui, o resultado não interessa, o Pierce pode errar todos os arremessos ou então acertar quase metade deles, como foi no Jogo 3. O que importa é que o Celtics fica estagnado, sem garrafão, sem ameaças da linha de três para abrir o caminho para a cesta, sem armação de jogadas.

O que o Celtics precisa fazer para igualar a série é forçar a correria o tempo inteiro, sem parar, esquecer que eles são velhinhos e abusar da cadeira de rodas. Só isso garante a bola nas mãos do Rondo, coloca o Paul Pierce em segundo plano (onde ele prejudica menos e, também, pode produzir mais), pega a defesa do Lakers desprevenida, usa melhor as bolas de transição do Ray Allen, facilita os pontos no garrafão, e força o Lakers a cair nessa armadilha e repor a bola com velocidade. O Rajon Rondo é um excelente ladrão de bola nas reposições de linha de fundo, então se o Lakers repor sempre rápido, entrando na brincadeira da correria, o Rondo sai de quadra com um punhado de roubos de brinde pra colocar no currículo. Se o Lakers quer (e está conseguindo) vencer a série na defesa, é hora do Celtics dar um jeito de não ter que enfrentar a defesa deles. Roubos de bola, correria, e outro ponto fundamental: cometer menos faltas.

Se toda vez que o Lakers bater para dentro o Celtics cometer faltas, o jogo fica truncado e a reposição de bola é lenta e pega a defesa do Lakers já montada. Mesmo tomando cestas fáceis, é melhor não cometer as faltas e enfrentar o time de Los Angeles do outro lado desmontado, com falhas de marcação. Por mais bizarro que seja dizer isso, o Celtics precisa ser menos agressivo, mais mole, e mais veloz. Se não dá na força, o Celtics é inteligente e experiente o bastante para saber vencer de outros jeitos. Só precisa dar uma fria maior no Paul Pierce, ou então lhe fazer um implante de cérebro (já pensou o Pierce com o cérebro do Luke Walton? A medicina deveria tentar). Se o Pierce tiver um grande jogo, marcar 30 pontos, o Celtics vai vencer, mas na próxima partida sua monopolização do jogo vai levar a uma derrota, e o time de Boston não pode se dar ao luxo de ficar subindo e descendo. Os próximos jogos são em casa e o Celtics precisa vencer os dois seguintes, sem erro. Hoje à noite, veremos se os vovôs conseguem botar isso em prática.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Feio mas limpinho

Ufa, não era só eu que queria beijar o Fisher ontem

Podemos eleger a partida de ontem como a mais feia de uma final desde aquela série entre Spurs e Nets em 2003? Podemos? Eu já votei. Emoção não faltou, longe disso, minha gastrite pode dizer como o jogo de ontem foi sofrido do primeiro até o último minuto, mas é impressionante como estamos muito longe de ver os dois times jogarem o seu melhor.

Se no jogo 2 nós assistimos o Celtics vencer fora de casa mesmo com um dos piores jogos da vida do Kevin Garnett e o Paul Pierce completamente anulado, ontem foi a vez do Lakers vencer em um jogo ruim de Kobe Bryant (10-29 arremessos), Pau Gasol (13 pontos) e Ron Artest (2 pontos). Aliás, Andrew Bynum (9 pontos, 10 rebotes) também não foi tão bom como no jogo 2. A pergunta que não quer calar é: como diabos o Lakers venceu o jogo 3?

Depois de muito pensar, cheguei a três respostas: defesa, banco de reservas e Derek Fisher. Pois é, o mundo mudou muito desde 2008.

A defesa foi a responsável por fazer o Lakers vencer um jogo marcando menos de 100 pontos. Até um tempo atrás os jogos com placares mais baixos favoreciam o Celtics, mas hoje o Lakers consegue vencer partidas comandadas pelas defesas. O maior diferencial de uma equipe forte na defesa sobre uma focada no ataque é que o setor ofensivo vive de altos e baixos, as defesas costumam ser mais estáveis. Então, se não dá pra controlar que o Kobe, Gasol e Artest serão bons todos os dias no ataque, pelo menos são sempre bons na defesa.

Nos últimos dois jogos Artest foi tão útil quanto eu ou você no ataque do Lakers. Ou até pior, já que eu estou com zero turnovers até agora nessa série final. Mas em compensação são dois jogos seguidos em que o Paul Pierce não consegue embalar uma sequência de bons arremessos. Mas o que talvez tenha sido tão decisivo quanto a defesa do Lakers foi a mão de gelo do Ray Allen. Depois de quebrar o recorde de bolas de 3 em uma final ele conseguiu a proeza de errar todos (T-O-D-O-S) os seus arremessos. Nenhum acerto em 13 tentativas, sendo 8 de três pontos. E o Lakers não mudou a marcação sobre ele, não foi tão fácil como no jogo anterior, mas não faltaram bolas de três livres com o seu marcador parado no peito suado do Kendrick Perkins.


O único que não parou na defesa do Lakers foi, finalmente, Kevin Garnett. Devem ter dado cogumelo do sol para o rapaz e ele foi para a primeira partida em casa renovado e parecendo bem mais ágil. Aí, ao invés de ficar dando arremessos longos e sem direção, foi pra cima de Gasol e fez diversas cestas bonitas, técnicas, no maior estilo vintage Garnett. O Phil Jackson foi esperto ao colocar mais no fim do jogo o Andrew Bynum para marcá-lo, pelo menos a altura do pivô do Lakers diminuiu um pouco o ímpeto ofensivo do KG. E ao mesmo tempo o Gasol ficou marcando e sendo marcado pelo Glen Davis, o jogador mais regular do Celtics nessa série, que estava dando muito trabalho até ter que sair do jogo por estar tomando muitas cestas do espanhol.

O segundo aspecto do Lakers foi o banco de reservas. Não que eles tenham sido geniais e comandando o jogo à lá banco do Suns, quem me dera poder trocar de esloveno com o Phoenix, mas no pouco tempo que jogaram no fim do primeiro quarto e no começo do segundo fizeram a diferença do jogo. Foi com Jordan Farmar, Shannon Brown e principalmente Lamar Odom, que resolveu parar de amarelar, que o Lakers abriu 17 pontos de vantagem sobre o Celtics. Desse momento pra frente o jogo foi sempre feio e amarrado, mas com o Lakers no controle porque soube conservar essa vantagem.

O mais próximo que o Celtics chegou de empatar foi no quarto período, quando a vantagem ficou em dois pontos em algumas posses de bola, mas aí apareceu o Derek Fisher. O arremesso é um dos mais esquisitos da NBA, ele parece não fazer bandeja e não só parece como é realmente velho. Mas e daí? Parece que como bom vovô de NBA ele sacou que temporada regular não vale nada, o que importa e fica na memória das pessoas são os playoffs. Aí, como se não bastasse já ter marcado muito bem Deron Williams e Steve Nash, voltou a acertar arremessos importantes em todas as séries. Alguns não são decisivos, de último minuto, mas quem está vendo o jogo sabe como são essenciais. Ele é aquele cara que faz um arremesso difícil quando o ataque não consegue funcionar, o que acerta uma bola de 3 no último período para responder uma bola de 3 do adversário.

Em uma entrevista ele disse que gosta de tentar arremessos decisivos porque são eles que importam, é para eles que todo jogador treina por tantas e tantas horas, dias, meses e anos. Mas eu valorizo outra coisa além dessa tal coragem do Fisher. Coragem para dar arremessos decisivos não é difícil ter, tenho certeza de que o Nate Robinson, o JR Smith e até o Sasha Vujacic tem, o negócio é que o Fisher acerta esses arremessos. É impressionante a precisão dele quando não pode errar.

O quarto período do Lakers ontem tinha tudo pra ser um desastre. A diferença de 17 tinha caído pra 2, o Kobe resolveu ser burro e parar de tentar infiltrar (não estava errando as infiltrações, nem estava tentando) e não acertava um dos arremessos contestados que tentava, Artest é Papai Noel no ataque, não existe, e Gasol e Bynum estavam bem marcados. Com a bola na mão e o relógio de 24 segundos se aproximando do fim, o Fisher resolveu ser agressivo. E assim marcou 15 pontos, 11 no último quarto. Incluindo a jogada decisiva, uma bandeja com falta a menos de um minuto do fim jogo que abriu 7 pontos de vantagem para o Lakers.

Aqui os melhores momentos do Fisher no 4º período:


Mas os dois minutos finais não tiveram só o Fisher como protagonista, tiveram também a juizada. Eles conseguiram errar três vezes seguidas em menos de 30 segundos e ainda precisam agradecer por terem sido salvos pelo replay duas vezes. Primeiro marcaram uma posse de bola para o Celtics quando o Garnett tinha sido o último a tocar na bola, viram o replay e corrigiram. No ataque seguinte deram bola do Lakers quando a bola tinha tocado no Odom, a TV salvou os juízes mais uma vez. Aí a terceira foi uma palhaçada: a bola tocou por último no Odom antes de sair para fora depois de um lance livre errado do Perkins, mas o Odom só não conseguiu segurar a bola porque sofreu uma falta do Rondo, que deu um tapa na mão do ala do Lakers. Mas acontece que a regra diz que o replay não permite aos juízes corrigirem marcações de falta, só de posse de bola. E aí deram bola para o Celtics.

Para a sorte dos juízes, o Garnett não foi muito inteligente nessa posse de bola. Quando o Ray Allen partia para a cesta para tentar diminuir a diferença, KG deu um empurrão no Gasol, que se jogou no chão como um bom aprendiz exagerado do Ginóbili e deram a falta de ataque. Os juízes sabiam que tinham errado e estavam babando por uma chance para compensar, o que o Garnett tinha na cabeça para dar o motivo? Fair Play?

Até agora os jogos tem sido decididos por que time consegue ter menos jogadores em dias péssimos e pelos que tem seus poucos bons jogadores pegando fogo no fim das partidas. Aguardo ansiosamente pelo dia em que os dois times vão conseguir ter todos os seus jogadores em um bom dia, talvez só assim para vermos com um pouco mais de clareza qual é o melhor time da final.

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