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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Mais liberdade

Michael Jordan atesta: nem ele daria certo jogando de ala de força

Quando o Stephen Jackson finalmente se viu livre do Warriors e foi trocado para o Bobcats, onde finalmente podia ser reconhecido por sua habilidade defensiva, outro jogador também adquiria uma sonhada liberdade com essa troca. O beneficiado foi Gerald Wallace, eternamente descontente no Bobcats por ter sempre que jogar dentro do garrafão. O Wallace foi escolhido pelo Bobcats no draft de expansão, uma espécie de fim de feira em que a equipe de Charlotte podia escolher os restos de qualquer equipe da NBA, um troço bastante sem dignidade tipo lamber o prato de alguém. Na época o Gerald Wallace jogava apenas um par de minutos no Kings, não havia espaço para ele (aquele time era bom demais e traz lágrimas saudosas aos nossos olhos) e então ficou na lista de sobras para ser escolhido pela franquia iniciante. O Bobcats fez ótimo negócio, se alguém prestasse atenção na equipe mais "blah" da NBA então o Gerald Wallace já teria recebido uns votos para defensor do ano várias vezes. Poucos jogadores são tão atléticos na defesa, tanto nos tocos quanto interceptando as linhas de passe, e sempre foi um excelente reboteiro para seus míseros 2,01m de altura. Apenas uma coisa sempre prejudicou a defesa do Wallace: jogar de ala de força.

Como o time foi montado com peças que estavam sobrando e poucas escolhas de draft, acabou saindo uma espécie de Frankenstein, tipo o atual Clippers (com a diferença de que o Clippers ficou assim por livre e espontânea vontade dos engravatados responsáveis). Então eles nunca tiveram um pivô na vida e acabaram improvisando o Emeka Okafor na posição. Na realidade ele deveria ser um ala, mas como só tinha ele para segurar as pontas, acabou virando o pivô titular por anos e anos a fio. Para fazer dupla de garrafão com ele também nunca teve ninguém, então o Gerald Wallace sempre teve que aturar a posição. A política no Bobcats sempre foi draftar os jogadores mais talentosos disponíveis vindos de times vencedores na universidade - o que acabou rendendo uma enorme quantidade de alas-armadores, baciada para vender pela dúzia. O time nunca ficou tão talentoso assim, a mentalidade vencedora dos draftados não dura muito em times que fedem, e os buracos que existiam no nascimento no time nunca foram arrumados. Ou seja, fodeu.

O Gerald Wallace amargou anos de garrafão sem reclamar, mas como todo mundo que já teve diarreia depois de comer feijoada sabe, o corpo uma hora reclama. Tomando porrada de jogadores muito maiores e mais pesados do que ele, acabou se contundindo em todas as suas 5 temporadas com o Bobcats. Lutar por rebotes contra caras que podem te usar de banquinho não é nunca uma boa ideia para o físico, e o estilo de jogo do Gerald Wallace também é, por si mesmo, bastante propenso a contusões. Como o arremesso nunca foi o forte, ele ataca muito a cesta, enterra muito, e está sempre sobrevoando o garrafão defensivo em algum toco na marcação por cobertura. Basta um punhado de vezes voando por todo lado e marcando o Duncan ou o Amar'e e a carreira de qualquer um vai pro pinico, provavelmente numa cadeira de rodas.

Quando a saúde do Gerald Wallace começou a definhar mais rápido do que carreira de Big Brother, o Bobcats enfim draftou alguém para ficar no garrafão com o Okafor: seu nome era Sean May. Não é difícil colocá-lo na lista de piores escolhas de draft de todos os tempos, a única dificuldade para isso seria o Sean May comer essa lista com azeite e sal. Sempre com problemas de peso, foi mandado pra rua rapidinho e o Bobcats continuou a ter o garrafão mais magricela da NBA. Na temporada passada, o Gerald Wallace enfim bateu o pé e disse que não jogaria nunca mais na vida de ala de força, que a sua saúde era mais importante do que o basquete. Uma decisão comparável ao viciado parando com a cocaína para aumentar as chances de ver seus filhos crescerem, principalmente se lembrarmos da força de alguns jogadores de garrafão nessa liga (o Dwight Howard come ônibus escolares no café da manhã).

Agora, o garrafão do Bobcats tem Tyson Chandler e Nazr Mohammed como pivôs. Eu ainda não entendo como o Mohammed caiu tanto na NBA se ele era tão bom na sua época de Knicks, quando ele era considerado o próximo grande pivô da liga e peça fundamental da equipe (tão fundamental quanto o Channing Frye, e olha o que aconteceu com os dois... acho que o pessoal em New York não tem muita paciência). A moral do Mohammed, então, não é muito alta e ele joga pouco, assim como o Chandler, que está sempre lesionado. Ainda assim, o Bobcats finalmente tem a profundidade necessária para afastar Gerald Wallace do garrafão - tudo culpa do Stephen Jackson.

O Wallace sempre foi o melhor jogador defensivo da equipe, disparado. Agora, a obrigação de marcar o melhor jogador adversário vai para o Stephen Jackson, que se diverte com a obrigação e finalmente sente que seu trabalho é admirado. Tanto ele quanto Gerald Wallace e Boris Diaw podem jogar nas duas posições de ala, além de quebrarem bons galhos na armação. Isso significa que o Bobcats tem três jogadores capazes de jogar como armadores, alas ou no garrafão, dependendo dos adversários, do bom humor e da pressão atmosférica. Com isso, o Stephen Jackson pode começar o jogo como armador arremessando como um louco, atuar como armador puro às vezes chamando as jogadas, de repente se tornar ala-armador na defesa e mais pra frente ir para o garrafão marcar algum ala de força ou jogar de costas para cesta. Enquanto isso, o Boris Diaw vai tapando os buracos toda vez que o Stephen Jackson muda de posição, sendo que já jogou até mesmo de pivô no Suns e tem experiência como armador principal no Hawks.

O Gerald Wallace participa desse troca-troca também, mas com moderação. No garrafão, não precisa jogar mais. Então ele pode ficar mais longe do aro arremessando, não precisa segurar jogadores muito maiores do que ele, e não coloca uma pressão tão grande no próprio corpo. Os resultados até agora são espetaculares: sem ter que brigar por posicionamento perto do aro, Gerald Wallace agora é o líder de rebotes da NBA. O líder. De rebotes. Você leu direito. São 12,3 rebotes de média por partida, além de um roubo e meio e praticamente um toco por jogo. São números que finalmente podem colocá-lo na briga de melhor defensor da temporada e, ao contrário do Dwight Howard, ele realmente é um bom defensor, olha que legal. O engraçado é que o Gerald só pode render tanto assim como defensor porque o Stephen Jackson está fazendo um excelente trabalho defensivo no garrafão e parando as estrelas adversárias - então não deveria ser ele o cotado para defensor da temporada? Foi ele quem torrou o saco do Carmelo Anthony ontem e permitiu que o Gerald Wallace se focasse no ataque, numa vitória bem categórica em cima do Denver Nuggets (aquele que fez xixi na festa da volta do Iverson ao Sixers).

Finalmente estamos falando de um time digno de alegria para o técnico Larry Brown: dois defensores expetaculares, tornando um ao outro ainda melhores. Desde que o Stephen Jackson chegou no Bobcats, foram 6 vitórias em 11 partidas, o que é mais da metade e é o suficiente para ficar lá no alto do Leste (na verdade, mesmo com o começo difícil, o Bobcats está em sétimo na tabela, empatado em número de vitórias com o surpreendente Bucks que está em sexto) . Nas últimas 8 partidas, foram 6 vitórias - incluindo uma sequência de 4 vitórias seguidas com direito a atropelar o Cavs. O time tem outra cara, outro ritmo, bons defensores, confiança no ataque. Uma das duas derrotas dos últimos 8 jogos foi contra o Celtics, então foi muito justificável. Mas a outra... bem, a outra foi contra o Nets - a primeira vitória da equipe na temporada depois de perder suas 18 primeiras partidas.

Não há justificativa para perder pro Nets, é como ser derrotado no vôlei por alguém sem braços. Mas pelo menos foi uma derrota para o Nets com técnico novo, Devin Harris de volta, Chris Douglas-Roberts titular e pontuando como um louco, e o Brook Lopez mostrando que é no momento o melhor pivô do Leste (se ele não for All-Star vai ser mais vergonhoso pra NBA do que na temporada passada quando o Al Jefferson acabou não sendo chamado). Esse mesmo Nets chutou o traseiro ontem do Bulls, então acho que dá pra dar um sorrisinho amarelo e tentar acreditar que não é uma derrota tão feia assim. O Nets mostrou contra o Bulls que não dá pra entrar de salto alto contra uma equipe que na verdade não fede tanto assim como a tabela mostra. Não há nenhuma dúvida de que a equipe de New Jersey vai ter mais de 9 vitórias e escapar do recorde de pior campanha de todos os tempos. Mas enquanto isso, o Bobcats parece dar passos decisivos rumo aos playoffs, com um Gerald Wallace líder em rebotes - e um Stephen Jackson responsável por isso. Quem achou que logo ele seria trocado errou feio: ele é agora a alma dessa equipe.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um Top 5 para ajudar Larry Brown

Marbury com cara de quem preferia uma lavagem intestinal


O Larry Brown é um dos técnicos mais vitoriosos da história da NBA, o que é digno de consideração. Além disso, para os que acreditam que é necessário respeitar os mais velhos, o Larry Brown merece todo o respeito do mundo por ter sobrevivido ao dilúvio da época de Noé. Ainda assim, não tem como negar que sua passagem pelo Knicks, com uma temporada de 59 derrotas, foi um dos maiores fracassos da história da humanidade, comparável apenas à carreira solo da Carla Perez.

Agora, Larry Brown tenta esquecer seu passado e colocar o Bobcats para funcionar, o que aparentemente não está funcionando. O time teve atuações deprimentes na pré-temporada e, pior, o técnico fodão parece estar cometendo os mesmos erros que cometeu no Knicks uns anos atrás. Para ajudar o bom velhinho que não tem lá muito tato com esses tais seres humanos, resolvi fazer um Top 5 com os principais erros que ele cometeu com o Knicks e que não devem se repetir se ele deseja montar um time vencedor.


1 - Enlouquecer seu PG titular

É como se a Super Nanny, a babá-maravilha que ensina os pais a cuidarem de seus filhos na televisão, entrasse na casa de uma família e, para começar, aloprasse a mãe. "Os filhos a gente vê depois, primeiro precisamos nos livrar dessa baranguinha, conseguir uma mulher de verdade." Nos mesmos moldes, Larry Brown é famoso por mostrar sua insatisfação com qualquer PG assim que assume qualquer time. E se você acha que PG é "Progressão Geométrica", você é um nerd, deveria parar de estudar um pouco e baixar pornografia no computador. Por "PG" eu me refiro ao armador principal, o responsável por chamar e conduzir as jogadas ofensivas.

O Larry Brown não admite nada além de perfeição quando se trata da armação e não tem vergonha de dizer isso. Quando estava no Sixers, levou o Iverson à loucura com críticas pessoais e cobranças insuportáveis, não tolerando o estilo individualista do armador. No Pistons, exigiu que o Billups alcançasse outro nível antes de deixá-lo em paz. No Knicks, criticou o Marbury sem descanso até que sua frágil mente quebrou e ele nunca mais foi o mesmo sujeito. Essa tática pirou por completo o Iverson mas, de fato, transformou seu modo de jogar para melhor. Allen Iverson foi MVP e atingiu uma Final de NBA, coisa que não deve repetir antes do fim do mundo. Billups se tornou um All-Star e agora é considerado um dos melhores armadores do jogo sendo que, antes, era um simples desconhecido. Marbury surtou e ano passado chegou até a abandonar o time.

Ou seja, as brigas e as ofensas funcionam de modo diferente para cada jogador, mas posso falar sem medo de errar quando afirmo que criam um clima ruim e cheio de conflito entre o técnico e o cérebro do time em quadra. Pode até dar certo a longo prazo, mas não é possível que não exista um modo de lidar com armadores sem que eles corram o risco de tentar suicídio. Depois do fracasso do Marbury, que pensou sinceramente em desistir do basquete depois de ter que lidar com o Larry Brown, era uma boa o velhinho pensar duas vezes antes de usar a tática novamente. Infelizmente, não foi o caso. A primeira coisa que fez ao assumir o Bobcats foi expressar sua incerteza quanto à armação da equipe e draftar um armador com a escolha de primeira rodada do time, apesar do Raymond Felton ser talentoso e titular.

Ótima mensagem o Felton deve ter recebido. Não basta ele ser o cara ignorado do trio de armadores do draft de 2005, enquanto todo mundo reza para Chris Paul e Deron Williams todas as noites como se fossem os deuses do basquete. Ray poderia receber tanta atenção quanto qualquer um dos dois se estivesse num time de verdade. (E com isso quero dizer que o Bobcats não é um time de verdade, é apenas uma ilusão de óptica. ) E para completar o Larry Brown chega para finalmente transformar esse time numa equipe competitiva e imediatamente drafta o armador DJ Augustin. Larry Brown, meu amigo, vamos tentar não mandar o Raymond Felton para um hospício, ok? Tente tratá-lo com carinho, ele pode ser o seu Deron Williams se você tiver um pouco de paciência e for gentil no comecinho.


2 - Humilhar seus jogadores na frente da imprensa

Quando o Marbury reclamou que queria arremessar mais no Knicks, o Larry Brown não foi conversar com o jogador. Ao invés disso, respondeu numa coletiva de imprensa. Quando Marbury foi reclamar que o "espírito de equipe" instituído por Larry Brown não estava gerando vitórias, o técnico foi responder para a imprensa. Quando o time, em coro, disse não compreender inteiramente seu papel em quadra, Larry Brown respondeu através da imprensa. As coisas chegaram a um ponto surreal: quando alguém do Knicks queria falar com o Larry Brown, era instruído pelos próprios responsáveis do Knicks a se dirigir para o departamento de Relações Públicas. Qualquer afirmação tinha que passar pela imprensa.

Para compreender essa bizarrisse, só usando muita imaginação e um pouco de efeito nuvem ("olha, parece um coelho; não, parece um ursinho; não, parece a Mallu Magalhães"). Dá pra imaginar que o Larry Brown queria que todas as afirmações tivessem uma repercussão na mídia de modo que todo jogador sentisse o peso sobre elas. Com a pressão e a crítica da mídia e dos torcedores, a tendência era de que os jogadores fossem abaixando a cabeça e parando de falar, aceitando mais as idéias do treinador. Era isso ou eles se sentiriam acuados e ofendidos e prefeririam jogar para Adolf Hitler. Em pouco tempo, o elenco abandonou Larry Brown e ele estava num barco vazio, dando ordens para o vento. Acabou demitido.

O técnico Phil Jackson adora dar umas duras em jogadores através da mídia. A bola da vez é o Lamar Odom, que é humilhado na frente dos jornalistas diariamente. A intenção do Phil é criar alguma espécia de ânimo no Lamar Odom que, de outro modo, é capaz de deitar no meio da quadra e tirar um cochilho - os playoffs passados estão aí para provar. Mas acontece que o Phil Jackson sabe lidar com as pessoas, ele conhece seus jogadores individualmente, entende como motivar cada um em particular. Larry Brown, por sua vez, sabe como pirar cada jogador em particular, fazendo-os preferir a morte. Deveria existir uma lei que o obrigasse a ficar afastado da imprensa, simplesmente para evitar a depressão clínica de seus jogadores.

Nas últimas semanas, com o Bobcats perdendo partidas horrorosas na pré-temporada, li trocentas declarações do Larry Brown aloprando seu próprio time. Algumas dizendo que eles não entravam no garrafão e que perdiam tempo arremessando de fora porque eram burros, outras dizendo que vencer ou perder não interessava, se o time jogasse com vontade já seria algo maior do que ele podia esperar. Minha nossa, ele é tão delicado quando a Edinanci Silva. Por favor, Larry Brown, se você não quer seu time envolvido num ritual de suicídio coletivo, fique longe dos microfones.


3 - Aloprar a rotação da equipe

Se a pergunta decisiva do Show do Milhão fosse quantas escalações diferentes o Larry Brown tentou com o Knicks durante a temporada, eu duvido que você acertaria. Foram mais de quarenta, acredite ou não. Sou péssimo em matemática mas ele deve ter tentado praticamente todas as possibilidades possíveis com todos os jogadores que tinha à disposição e ainda mais, deve ter colocado os sobrinhos para jogar e colocado o Marbury de pivô só para aumentar o número de tentativas.

Em nenhum momento o Knicks adquiriu uma identidade porque ninguém sabia seu papel, sua função, os minutos que teria em quadra. Nessas circunstâncias, todo mundo fica descontente: o cara que joga 20 minutos acha que iria jogar 40, o cara que nem entra em quadra não compreende porque não está jogando se foi até titular no jogo passado. Essa é uma boa tática se você está querendo arrumar um clima ruim no Big Brother, mas é uma maluquisse num time de basquete. É preciso escolher uma escalação e dar tempo para que seja testada, mudando-a com cuidado, aos poucos. Transformar a escalação de um jogo para o outro não só deixa todo mundo inseguro como também dá a impressão de que o técnico não faz a menor idéia do que está fazendo. O Larry Brown não sabia mesmo, mas é sempre melhor fingir que você sabe e que feder e ser humilhado está completamente dentro dos planos.

O Bobcats sofre justamente de uma falta de identidade. O time não sabe no que é realmente bom e os jogadores não sabem que papel deveriam ter. Jogadores como Matt Carroll e Nazr Mohammed ficam pulando do banco de reservas para o time titular o tempo inteiro. Gerald Wallace cada hora joga numa posição, até que finalmente deu um ultimato dizendo que nunca mais será ala de força, para o bem de sua saúde. O que o Bobcats precisa, então, é de uma escalação fixa por uns tempos, para ser alterada aos poucos. Mohammed ou Sean May devem ser titulares, mas nada de ficar mudando de um para o outro o tempo inteiro. Dê um pouco de estabilidade para as crianças, Larry Brown. Principalmente porque o Mohammed só precisa de alguém que acredite nele para que possa chutar uns traseiros, sério mesmo.


4 - Ter medo de mandar para o banco de reservas

Mesmo aloprando as escalações o tempo inteiro, Larry Brown teve problemas lidando com as estrelas mais bem pagas do time. Resolveu que não iria colocar o Marbury mais em quadra, mas ele ganhava demais para isso e eventualmente mudou de idéia. Curry deveria vir do banco mas foi titular a maior parte do tempo porque deveria ser estrela. O que faltou foi delimitar os papéis e saber colocar estrelas no banco de reservas se isso for o melhor para o time. Manu Ginóbili vem do banco e o mesmo pode acontecer com Lamar Odom na temporada que vem. Isso não é problema com técnicos que sabem lidar com o lado psicológico desses jogadores.

O Bobcats é um time profundo e jogadores talentosos terão que ficar no banco de reservas. É essencial que o Larry Brown saiba lidar com eles, deixá-los no banco, e não ficar recompensando boas atuações com vagas no time titular. É preciso ter bons reservas capazes de mudar o jogo. Se Gerald Wallace vier do banco, pode ser ainda mais útil para o time. Sem criar uma guerra na imprensa e informando os jogadores sobre seus papéis, o problema do banco pode até se resolver, mas ainda exige uma boa dose de tato e bom senso.


5 - Tentar ganhar agora

O Larry Brown assinou um contrato de 5 anos com o Knicks, o mais caro contrato da história dos técnicos. No entanto, quando a temporada estava indo para o saco, Larry Brown começou a se preocupar com seu pescoço e voltou atrás em um punhado de decisões sobre o Marbury, elenco titular e estilo de jogo. Não tenho dúvidas de que seu plano original era experimentar muito e feder por uns tempos até encontrar a fórmula certa para o futuro. Mas quando o time começou a feder demais, os bagos diminuíram e a necessidade de vencer imediatamente acabou falando mais alto. Foi justamente tentando ganhar na hora que o Knicks acabou se saindo ainda pior, estragando a base que estava sendo criada para o futuro.

A pressão para vitórias imediatas é parecida em Charlotte. O Bobcats é o time que deve surpreender já faz uns anos, mas a única surpresa é que eles nunca surpreendem. Fedem sempre, não se aproximam dos playoffs e também não ficam na última posição. Todo ano, a desculpa da pouca idade e experiência é utilizada, mas agora os jogadores já estão mais calejados e um técnico de elite está na brincadeira. A cobrança para que vençam imediatamente é enorme. O que o Larry Brown precisa fazer é ignorar isso e trabalhar a longo prazo. Basta assistir a um jogo deles da pré-temporada ou até dar uma espiada no elenco, não há meios desse time ser uma força real e concreta na NBA. O único modo é pensar no amanhã, criar um núcleo sólido, instaurar um clima diferente na equipe. Eles estão acostumados a perder, é completamente natural para eles, alguns acham que ganhar é sair de quadra sem ter quebrado os dois pés. Então Larry Brown deve se focar numa mudança de atitude aos poucos, não com vitórias acima de tudo. Resta saber se ele terá 5 anos para formar essa equipe da base, ou se dormirá na praça outra vez se o time feder demais de uma hora para outra.

Se feder demais, poderemos ver se Larry Brown estará repetindo os mesmos erros de antes, ou se seguiu uns conselhos e as derrotas são porque o time é uma porcaria. Em todo caso, a evolução desse Bobcats tem tudo para ser uma das coisas mais divertidas das próximas temporadas. Principalmente, claro, quando o Raymond Felton for visto com uma cueca na cabeça tentando pular de uma ponte. DJ Augustin provavelmente será o próximo.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Humanos

Eddie House, em um momento Manu Ginobili, finge ser atingido por uma granada


A NBA tem dessas coisas: às vezes, os times mais meia-bocas é que têm exatamente a fórmula perfeita para vencer as melhores equipes da Liga. Na temporada passada, Gilbert Arenas e Baron Davis tiveram uma conversa telefônica sobre as chances de cada um nos playoffs. Arenas dizia que o Warriors poderia até pegar a 8a vaga no Oeste mas que eles não conseguiriam avançar para a próxima rodada. A resposta do Baron Davis foi categórica: "Se enfrentarmos o Mavs, podemos ganhar." O Arenas achou engraçado, quis saber o motivo, mas o Baron Davis não soube explicar. "Eu não sei, a gente simplesmente sabe como ganhar deles." Poucos meses depois, a profecia de Davis se mostrava real. Por algum motivo qualquer, o Warriors era especialista em vencer o Dallas Mavericks. Poderiam perder para qualquer um, mas para eles o time de Dallas era mamata.

Do sucesso do Golden State Warriors, muita coisa conseguiu ser absorvida por outros times, como o modo de marcar Dirk Nowitzki, por exemplo. Marcá-lo muito de perto, de maneira física, impede Dirk de arremessar imediatamente e o obriga a coloca a bola no chão, passando ou batendo para dentro. Assim, suas principais virtudes são anuladas e suas deficiências são exploradas. Stephen Jackson faz essa marcação com maestria, esfolando o pobre alemão, mas as outras equipes da NBA, agora, tentam fazer o mesmo.

Nessa temporada, o Blazers é que tem a fórmula perfeita para vencer o Jazz. O motivo responsável, diz a lenda, é uma impecável defesa por zona que obriga o time de Utah a arremessar de fora. Das 4 partidas entre os dois times, o Blazers ganhou 3. Aliás, eles não aguentam mais jogar um contra outro, graças a esse calendário mequetrefe da NBA que coloca trocentos jogos entre as mesmas equipes num intervalo ridiculamente curto de tempo. Mas, deixando isso de lado, podemos dizer com certa segurança que o pavor que o Mavs sofreria ao ver que teria que enfrentar o Warriors nos playoffs de novo seria exatamente o mesmo do Utah descobrindo que enfrentará o Blazers. Tem coisas que não se explica.

Talvez ainda seja cedo para arriscar, mas ouso dizer que o time mais-ou-menos que descobriu a forma para enfrentar o Celtics é, dentre todos os times possíveis, justamente o Bobcats. Mas eu não faço nem idéia de qual fórmula é essa. Da primeira vez em que as equipes se enfrentaram, o Celtics só ganhou graças a uma falha bizarra do Jason Richardson e uma cesta espírita do Ray Allen no estouro do cronômetro. Agora, da segunda vez, Ray Allen estava contundido e o Celtics precisou do outro Allen, o Tony, aquele que é tão burro que se contundiu seriamente na temporada passada numa enterrada em que o jogo nem estava mais valendo. Comparar o Ray Allen com o Tony Allen é como comparar a beleza da Alinne Moraes com a beleza do Vinícius de Moraes, por exemplo.

O Bobcats resolveu usar dois armadores principais (se é que o Jeff McInnis pode ser chamado de armador, ou de jogador, ou de ser humano) e teve uma atuação monstro do Jason Richardson com 34 pontos, provavelmente tentando compensar a cagada do último confronto. Mas quem realmente deitou e rolou em cima do time de Boston foi, quem diria, o Nazr Mohammed. Bem, eu avisei que ele iria chutar uns traseiros agora que se livrou do banco amaldiçoado do Pistons, e é justamente o que está acontecendo. Nos últimos 5 jogos, suas médias são de 17 pontos e 11 rebotes. Se você escutou o que o titio Danilo te disse, seu time de fantasy está colhendo os frutos agora do mesmo jeito que o Bobcats colheu a vitória em cima do Celtics.

O pessoal em verde agora finalmente descobriu que é humano. Um time fracassado pode vencê-los, pode ter um estilo de jogo que encaixa perfeitamente com as fraquezas do Boston. Assustados depois da derrota, passaram um sufoco desgraçado para virar o jogo contra o Nets no último período. E, em seguida, perderam para o Wizards num jogo em que ninguém nos dois times acertaria nem o dedo no nariz. Parece que a humanidade do Celtics começa a ficar óbvia e eles deixam de ser os monstros do começo da temporada. Eles sofrem, como a maioria dos outros times, com a falta de profundidade na hora das contusões. A derrota para o Bobcats foi sem Ray Allen, a para o Wizards foi sem o Rajon Rondo. Nas duas, Tony Allen estava lá para incomodar o nariz de todo mundo, fedendo pra burro. Que o Celtics é de botar medo, ninguém ainda duvida, mas fica cada vez mais claro que eles precisam de todo mundo saudável. Que eles podem ser vencidos. E que estudar fitas dos jogos contra o Bobcats é indispensável.

O time de Charlotte, aliás, depois de vencer o Celtics, ainda levou o jogo contra o Pistons para a prorrogação e a partida contra o Cavs para a segunda prorrogação. Contra o Pistons, era a vingança de Mohammed. "Ah, eu poderia estar sendo All-Star no Leste e vocês me deixaram aqui aprisionado, com a bunda afundada na marca que o Darko deixou na cadeira?" Os 19 pontos, 13 rebotes e 3 tocos do Mohammed vão garantir que o Pistons se lembre dele por algum tempo, enquanto as aquisições Brezec e Herrmann mal tiveram chance de participar da brincadeira. Se gostam de suas carreiras, é melhor que dêem o fora de Detroit rápido.

Já contra o Cavs, os 21 pontos e 15 rebotes do Mohammed quase garantiram a vitória se não fosse por partidas insanas de LeBron e Varejão. Foram 31 pontos, 8 assistências, 3 tocos, 4 roubos e 19 rebotes para LeBron. Dezenove. Vá lá, releia os números do senhor James, eu espero. Pronto? Esse é o tipo de partida que faz a gente se beliscar enquanto está assistindo, e que faz alguns blogueiros baterem a cabeça contra a parede de arrependimento por não terem visto o jogo. Não tem sensação mais frustrante do que acordar no dia seguinte, abrir o boxscore e descobrir que você perdeu o LeBron fazendo chover e o Varejão com 16 pontos e 18 rebotes. É como perder o Big Brother justo naquele dia em que uma das gostosas "paga peitinho".

O LeBron pode não ser humano, mas o resto do Cavs é, e a ajuda do Varejão é mais do que "uma forcinha", é essencial para qualquer esperança do time em repetir a campanha da temporada passada. Se alguém em Cleveland ainda se lembra da "polêmica Varejão", vai fingir que esqueceu e ficar bem quietinho na platéia para não ser linchado. O Varejão voltou numa forma física tão impecável que até parece que o tempo longe da equipe foi melhor para seu condicionamente. Eu também queria melhorar o físico não jogando, afinal ficar deitado no sofá é minha especialidade.

O Cavs parece enfim engrenar e mostrar melhoras, enquanto o Celtics se mostra um time defensável. Vai ser legal ver como os dois estarão quando chegar a hora de se enfrentarem nos playoffs. Mas, pessoalmente, depois de ter vibrado loucamente naquela série história entre Mavs e Warriors, eu não vou torcer para assistir um Cavs e Celtics. Vou torcer é pelo milagre do Bobcats conseguir a 8a vaga no Leste, e aí ver que tipo de coisa Mohammed e seus amigos são capazes de aprontar contra o elenco mais assustador da NBA.

- Numa nota triste, nosso brazuca Nenê Hilário anunciou que se afastará do Denver Nuggets por tempo indeterminado para cuidar de um problema médico ainda não revelado. Pelo tom do Nenê, do técnico e de seus companheiros de equipe, a coisa parece séria mas Nenê se mostrou grato de ter descoberto a tempo de iniciar um tratamento. Acho que todos nós meio que podemos adivinhar do que se trata, portanto. Piadas sobre peso à parte, o Nenê abriu as portas da NBA aos jogadores brasileiros, foi um desbravador, e seu boicote à seleção brasileira, seguido por seu retorno recheado de críticas à comissão técnica, abriu caminho para a chegada de um técnico gringo à nossa seleção. Numa hora difícil dessas, acho essencial que o Nenê possa ler, durante sua recuperação, mensagens de carinho e admiração que o levem a acreditar numa melhora e num retorno às quadras. Mensagens para ele podem ser enviadas nesse link aqui e acho que todos nós temos algo a dizer para aquele que fez tanto pelo nosso esporte favorito. Dizer que ele é bem melhor que o Kenyon Martin já é um começo. Vamos lá, não custa nada escrever. Da nossa parte aqui no Bola Presa, enviamos os mais sinceros votos de melhoras para o Nenê. Tomara que o Denver não tenha que usar o Najera por muito tempo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Banco de talentos

O banco do Pistons é uma prisão



Há alguns posts atrás, o Charles comentou sobre o Jarvis Hayes, que em seus 15, 16 minutos por jogo sempre marca muitos pontos e se destaca no Pistons. Logo depois, o Sbub comentou sobre o Mohammed, recém trocado pelo Pistons para o Bobcats, que virou uma máquina de rebotes em Charlotte. E associando as duas coisas resolvi falar sobre o banco de reservas do Detroit Pistons, o maior desperdiçador de talentos de toda NBA.

Talvez usar o termos "desperdiçar" possa parecer forte demais, vamos apenas dizer que eles são tão bons que não se dão ao trabalho de usar o banco. A base titular com Billups, Hamilton e cia. é tão bem entrosada e funciona tão bem que eles jogam muitos e muitos minutos sem dar muita chance aos reservas. E a estratégia (em grego 'strateegia', em latim 'strategi'...) tem dado muito certo. O Detroit é um time vencedor, chegou em duas finais da NBA, seu estilo de jogo não cansa em excesso os jogadores (por isso o Suns PRECISA de um banco de reservas melhor) e com isso os jogadores não ficam com a língua no chão depois de jogar muito. Mas acontece também deles muitas vezes não precisarem jogar muito já que o Pistons é o segundo, apenas atrás do Celtics, na margem de pontos em relação aos adversários, ou seja, é muito garbage time pra gente ver Amir Johnson e Arron Afflalo enfrentando os reservas dos outros times.

Mas pera aí! Então os reservas têm pouco ou muito tempo? Eles têm um bom tempo. Mas nunca quando a coisa interessa! O ponto é esse, quando o jogo é importante, quando o jogo tá pau a pau, os reservas nem encostam na bola. Entram um por vez pra dar descanso rápido a um dos titulares e já era. Jogar mesmo, pegar ritmo, só quando o jogo tá decidido.

Com essa forma de pensar, o time tem ido longe na NBA, não se pode criticar, mas ao mesmo tempo eles assistiram incríveis talentos sair do time em busca de mais espaço, e viram muitos jogadores desconhecidos por lá virarem grandes jogadores. Vamos conhecer alguns:


Mike James: Alguém lembra dele no Pistons? Eu demorei muito pra lembrar. Ele jogou metade da temporada 2003-04 por lá e teve média de apenas 19 minutos por jogo. Não sou grande fã do Mike James, ele mesmo já disse ser obcecado por suas estatísticas e parece se importar mais com elas do que com o time, mas o cara tem talento e o Pistons poderia tê-lo usado melhor para descansar o Billups.

Nazr Mohammed: Esse foi bem recente. Chegou como o substituto de Ben Wallace e meia temporada depois estava atochado no banco de reservas brincando de Darko. Entrava só para mostrar pro outro time que o jogo tava ganho. Foi trocado há algumas semanas para Charlotte Bobcats e em pouco mais de 24 minutos de jogo já está com média de quase 9 rebotes por jogo e fez vários double-doubles. Ele não é um all-star mas já mostrou no Atlanta e até no Knicks que tem talento, acho que ele tem o perfil do Pistons e poderia ter médias incríveis de rebotes por lá se dada a chance, mas não deram, colocaram o Webber no lugar dele e ele afundou.

Carlos Arroyo: Se o Mike James não teve muita chance de ser reserva do Billups por meia temporada, o Arroyo não teve por duas. Acho que o Billups tem no seu contrato algo que diz que só o Lindsay Hunter pode entrar no lugar dele e mais ninguém. O Arroyo, o mesmo que destruiu os americanos nas Olimpíadas de 2004 e que é titular merecido do Orlando agora, teve uma incrível média de 12 minutos por jogo na sua última temporada em Detroit.

Darko Milicic: Se Mohammed era usado para mostrar para os adversários que o jogo estava ganho, Darko era usado para mostrar que o jogo havia sido ganho, tinha sido uma lavada, tinha sido bem fácil e eles estavam rindo da sua cara. Nas finais de 2004 eu me revoltava, já que sou torcedor do Lakers, quando o Darko entrava. Aquilo era humilhação demais! Mas o fato é que muitas vezes o Darko tinha um bom garbage time, dava seus tocos, pegava uns rebotes, acertava umas cestas e... ué, é isso o que ele ainda faz hoje, não é? Ele nunca vai justificar ser uma segunda escolha, mas é bom jogador e quando tem seus minutos no Grizz (e quando tinha em Orlando) sempre se mostrou útil, com boa média de tocos e rebotes. No Pistons acho que nunca jogou um jogo com diferença menor de 10 pontos entre os dois times em disputa.

Carlos Delfino:
Eu não gostava muito do Delfino. Quando ele chegou na NBA eu vi gente dizendo que ele ia ser melhor que o Ginobili e isso me faz lembrar de quando o Arinélson era o próximo grande jogador do Santos. O Delfino nunca chegou perto das expectativas mas ao mesmo tempo você via que ele era mal aproveitado no Pistons, o coitado entrava, dava dois arremessos e saia, parecia que ele tinha pressa em jogar porque sabia que ia sair logo e isso atrapalhava muito. Nesse ano, no Raptors, ele é outro cara. Muito mais calmo e se sentindo parte do time ele até jogou vários minutos como armador principal do time quando o Calderon senta e o TJ Ford vê o jogo do hospital. E ele arma bem, até! Com vários jogos muito bons já na temporada, ele é peça importante no Raptors e você fica imaginando como ele seria útil dando um tempo de descanso para Hamilton e Prince.

Mehmet Okur: Provavelmente o melhor jogador a não jogar pelo Pistons. Ele estava lá, ficava no banco e volta e meia tinha um jogo em que ele acabava sendo mais bem utilizado. Lembro de um jogo em que ele simplesmente matou o Lakers só porque o Shaq se recusava a sair do garrafão para marcar as bolas de 3 pontos dele. Mesmo assim, o máximo de média que teve foi de 22 minutos por jogo, e muito por causa dos 33 jogos em que foi titular ainda na era pré-Sheed. Depois que o Sheed chegou, ele afundou no banco e de lá foi para o Utah, onde, de repente, estava com médias de quase 20 pontos por jogo.


Com o Jarvis Hayes, que nosso amigo Charles citou, a situação é igual mas é diferente. É igual porque ele é um cara de talento e que tem poucas oportunidades, mas é diferente porque ele que era free agent e topou ir para lá mesmo sabendo desse histórico todo do banco do Pistons. Não quero chamar o Hayes de burro com isso também, ele não estava numa situação fácil, nos seus anos de Wizards, além de provar que tinha certo talento para marcar pontos, mostrou mais ainda que tinha talento para se machucar, e fez uma fama de ser de vidro. Muitos times não ofereceram coisas boas pra ele e quando o Pistons apareceu com uma proposta ele abraçou, mas não dúvido que no fim do contrato ele busque uma vaga em um time em que seja mais participativo. Outro que tem talento, embora seja meio Mike James no fato de só querer fazer pontos e nada mais, é o Flip Murray. Esse tá encostadão no Pistons e dizem que uma troca deve acontecer em breve para tirá-lo de Detroit.

Agora é a hora que o espertalhão aparece e diz: "Ei, Denis, seu torcedor do Lakers cabeçudo! E o Maxiell? Ele é reserva e joga, seu bundão!". Pois é, o Maxiell é um caso que deu certo, assim como o McDyess. Ano passado o McDyess era reserva do Webber e mesmo assim jogava sempre no quarto período só porque o Webber é mais amarelão que o Stojakovic e o Dirk juntos. Com isso ele tinha minutos, e minutos importantes. Nesse ano o McDyess é titular, tem seu tempo em quadra, mas em vários dias o Maxiell entra, entra bem e fica no jogo. Não vou dizer que ele é a exceção que confirma a regra porque isso é brega. Mas é verdade, ele é a exceção que confirma a regra, pronto, falei!


Notas:

- A relação entre os titulares e os reservas do Pistons, apesar da briga por minutos, é boa, como vemos na bela canção interpretada pelo titular Sheed e os reservas Jason Maxiell, Amir Johson e Will Blalock. Ouça e veja AQUI.

- A prorrogação do jogo de ontem do Suns foi feia. De um lado, o Suns parecia bem perdido sem o Nash doente, o Leandrinho provou mais uma vez que ao mesmo tempo em que faz pontos com a mesma facilidade com que corre quando fez 16 pontos só no terceiro quarto, também tem muita dificuldade em ser o armador principal, com alguns turnovers feios. Mas pior que ele de armador foi o Tinsley, que durante a prorrogação não passou a bola uma vez sequer. E não é jeito de falar! Ele partiu pra cima e arremessou todas as bolas, podem até conferir o play-by-play se vocês quiserem. A única cesta que não foi dele na prorrogação foi um rebote ofensivo que o Mike Dunleavy Jr. pegou. Rebote de um chute do Tinsley, claro. Vitória merecida do Suns.

- Ontem o Lakers detruiu o Hornets e Kobe depois do jogo disse que o papel dele no time não é mais o de fazer 35 pontos por jogo, é apenas de estar lá para quando o time estiver em dificuldade e precisar de um empurrão. Quem diria que um dia ele falaria isso? E pior que não é da boca pra fora, vendo o jogo é o que acontece mesmo!

- Lembra do post com a foto da mina firmeza do Garnett? Que tal a mina do Okur? Eu pegava fáaaacil.

- Bem no dia em que o Danilo falou que o Yao Ming deixou de ser "soft" para enterrar na cabeça das pessoas, o china fez isso aqui com o Malik Rose. Uau!

sábado, 15 de dezembro de 2007

Mohammed, o próximo Shaq

Apesar de não ter a fama de Curry e Randolph, Mohammed pelo menos conseguia sair do chão


O que não falta na NBA é jogador surgindo e sendo rotulado "o próximo (insira nome de um jogador fodão aqui)". Só com os "próximos Jordans" dava pra juntar todo mundo e montar um grupo de pagode.

Na temporada 2004-05, uma temporada depois do Nazr Mohammed ter chegado em New York, a troca que o havia trazido estava sendo festejada a torto e a direito. O pessoal chegado numa bola de cristal via no Mohammed o próximo pivô dominante da NBA na geração pós-Shaq. Embora razoavelmente baixo (2,08 m para um pivô é complicado se você pensar que ele tem 20 cm a menos que o Yao Ming), sua altura parecia o bastante para uma conferência Leste que não tinha pivô nenhum que prestasse. Ele dominou um belo punhado de jogos, volta e meia conseguia uns números absurdos e parecia ter um futuro promissor trazendo atleticismo para o garrafão do Knicks. Tinha quase uma média de double-double (11 pontos, 8 rebotes) acertando mais da metade de seus arremessos em minutos estranhamente reduzidos (28 por partida). Quem diria, o Isiah parecia ter acertado ao menos uma vez.

Provavelmente temendo que tomar uma decisão certa colocasse em risco todo o continuum do espaço tempo, Isiah resolveu fazer merda para tentar salvar a humanidade.

Num espaço de tempo de 24 horas, Isiah Thomas trocou pelo contrato milionário do Maurice Taylor (algo tão festejado pelos fãs do Houston quanto a troca do Cook foi festejada pelos fãs do Lakers ou a ida do Gustavo Nery foi festejada pelos fãs do São Paulo) e, como se não bastasse tamanha cagada, mandou o Mohammed para o Spurs em troca do Malik Rose e duas escolhas de draft (que vieram a ser Mardy Collins, o pequeno imprestável, e David Lee, que é bom pra burro mas isso foi só sorte).

Em entrevista a respeito, o biruta do Isiah disse que como a maioria dos times não tinha pivôs no Leste e estavam usando alas improvisados, ele achou melhor trocar o Mohammed por "jogadores de mais talento" e improvisar um ala como pivô. Muito mais talento mesmo, parabéns para ele. Malik Rose e Maurice Taylor foram facilmente esquecidos embora mamem loucamente nos cofres do Knicks e somam juntos meia dúzia de minutos jogados nesses últimos anos. Tudo para deixar os fãs do Knicks bem felizes. Aliás, vale a pena dar uma olhada na reação dos torcedores de New York em fóruns na época dessas trocas. Como é que o Isiah durou até hoje?

O Mohammed mostrava sinais de dominar no Leste, atraiu a atenção do Spurs e foi ganhar anéis em San Antonio. Acontece que não existe nada mais secundário no Spurs do que pivô, são sempre uns jogadores bucha-de-canhão, em geral dois, que fazem apenas o trabalho sujo. Na época, a dupla era Nesterovic e Nazr Mohammed. Atualmente, é Oberto é Francisco Elson.

O Spurs gostou do trabalho de Mohammed, tentou reassiná-lo por uma bagatela mas ele foi tentado a assinar com o Pistons que havia acabado de perder o Big Ben. Se o Mohammed deixasse o afro crescer e parasse de acertar arremessos, poderia ser um bom imitador do Ben Wallace em concursos de talento. Para mim e para outros manés sem nada pra fazer da vida além de comentar NBA, o Pistons parecia ter assinado um substituto razoável que poderia, quem sabe, voltar a dominar alguns jogos pelo Leste.

Mas tem umas coisas que a gente nunca entende, tipo o Udrih ser reserva a vida toda no Spurs e depois ser um excelente titular no Kings, e o Mohammed por algum motivo foi fadado a ser reserva no Pistons. O Chris Webber foi pra lá, os minutos foram ficando escassos e aí ninguém mais nem se lembra do Nazr, até porque isso não é um nome, é um barulho.

Ontem eu me lembrei do Nazr Mohammed de novo mas foi à força, não foi espontâneamente enquanto eu andava na rua mascando chiclete. O motivo foi a troca entre Pistons e Bobcats. O time de Detroit mandou o Mohammed em troca de Walter Herrmann e Primoz Brezec.

O Bobcats estava desesperado por um cara grande. Eles querem poder usar o Okafor como ala ao invés de pivô e tentaram assinar até o Varejão. No desespero, estavam usando um tal de Ryan Hollins, um pivô novato grande e tão talentoso quanto a cadeira na qual estou sentado agora. E o Brezec, que já foi titular em anos passados, foi perdendo a vaga aos poucos por falta de produção mesmo. Ou seja, pra quem está desesperado por um pivô, o Mohammed pode bem ser uma boa e vem para ser titular imediatamente. Só tem que dar uma limpadinha nele primeiro que deve estar cheio de poeira e se bobear tem também um pouco de mofo.

Pro Pistons a troca é basicamente econômica: eles pagavam uma grana gorda prum cara que eles não gostavam de usar, mesmo com ele pegando 14 rebotes em apenas 17 minutos num jogo umas semanas atrás. Então pronto, agora eles liberaram espaço na folha de pagamento e podem até assinar um jogador veterano (Chris Webber, alguém?) sem ultrapassar o limite dessa vez. Fora isso, o que vem de brinde é lucro. Herrmann é talentoso e teve atuações impressionantes pelo Bobcats no fim da temporada passada. Mas aí foi perdendo minutos aos poucos até ser esquecido no banco. Alguma coisa de muito errado aconteceu, mas vamos deixar o Pistons descobrir sozinho o que é. Já o Brezec é um pivô branco e grande que tem seus momentos mas em geral fede e pode ser muito bem aproveitado para pegar potes no alto do armário ou limpar em cima da geladeira.

Mais uma troca de uns jogadores fuleiros que deixa todos os envolvidos felizes. Mas o Mohammed merece uma fezinha, vai. Será titular e pelo menos pode ajudar o seu time de fantasy se você precisa muito de rebotes. E, quem sabe, ele não vira afinal um pivô dominante no Leste até ser mastigado, engolido, digerido e excretado pelo Dwight Howard? Para os fãs do Bobcats, não custa nada sonhar.