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sábado, 31 de maio de 2008

Confronto merecido

Ganhar o Leste é fichinha pra quem jogava playoff no Oeste pela porcaria do Wolves


A gente merecia, né? Dois grandes jogos, um para fechar a Conferência Oeste e, ontem, um para fechar a Conferência Leste. Nada de lavada dessa vez, nada de jogo fácil ou de tanta emoção quanto o Duncan colecionando selos. A última partida entre Pistons e Celtics foi a partida que nos lembraremos dessa série para sempre, em que os dois times se legitimaram como verdadeiros merecedores de estar numa final. E o Boston, depois da vitória de ontem, vai enfrentar o Lakers como o real merecedor da honra.

Depois de falar tão mal do Celtics nesses playoffs, não vou fazer um soneto de amor para o time só porque eles ganharam o Leste, mas vou admitir que eles são realmente a equipe que nos dará a melhor final da NBA possível. O time vive de altos e baixos, mas os altos são realmente altos. Naqueles raros momentos em que o Celtics está passando a bola na medida certa - nem de menos, nem demais - e os arremessos estão caindo, em que o elenco mantém a agressividade nos dois lados da quadra, eles formam de verdade uma potência a ser batida, alguém que encarará de igual para igual o Los Angeles Lakers. Se tivermos sorte, esses momentos de pico no Celtics vão durar bastante para que tenhamos duelos épicos. Se tivermos azar, o Boston afundará novamente num ataque passivo, que vive de isolações, em que os arremessos de 3 pontos não caem, com uma defesa que não acerta uma rotação sequer e com reservas que ora entram e contribuem, ora vão na padaria comprar um cigarro pro técnico Doc Rivers. São essas duas faces do Celtics que me preocupam e que podem comprometer o espetáculo. Tudo que eu quero são confrontos disputados, de alto nível, que levem a um Jogo 7. É pedir demais, Papai Noel? Não custa te lembrar que você ainda está me devendo uma Alinne Moraes, que eu pedi ano passado e ainda não chegou.

Eu também queria um Jogo 7 entre Pistons e Celtics, confesso, mas fiquei feliz com o nível da partida de ontem e com a possibilidade de que aquele Boston seja a regra - e não a exceção - nas Finais. Mas proponho, já que não teremos NBA até quinta-feira que vem, que a Liga faça uma melhor de 5 jogos apenas entre Kevin Garnett e Rasheed Wallace. O confronto entre os dois ontem foi simplesmente insano e eu estava apenas esperando um deles puxar a faca. A marcação de um no outro foi muito, muito intensa, até o limite do que pode ser considerado falta. A brincadeira estava tão divertida que por vários minutos passei a ignorar o resto do jogo, me focando apenas nos dois batalhando por posição no garrafão. Por várias posses de bola consecutivas, tanto Garnett quanto Sheed não tocavam na bola durante o ataque, já que o outro não permitia - negando espaço no garrafão, tomando a frente, desviando os passes. Os times começaram a ignorar os dois lá, já que um anulava completamente o outro. É como dois Cavaleiros de Ouro que se enfrentam: seus poderes se anulam e a batalha durará 1001 dias, ou algo assim. Sempre achei o conceito legal mas nunca entendi porque as batalhas do desenho sempre duravam no máximo uns 2 episódios.

Com os times cuidando das suas vidas e deixando o pau comer solto entre KG e Sheed, a coisa estava satisfatória para ambas as partes. Até os juízes se meterem no meio. Marcaram uma falta do Rasheed Wallace que não fazia sentido, levando em conta tudo que estava acontecendo entre os dois o tempo todo, na quadra inteira. O Sheed foi à loucura, xingou pra burro, ainda que tomando uma falta técnica fosse ficar de fora de um possível Jogo 7. A narração gringa da ESPN criticou muito o Sheed por não calar a boca, mas não é difícil entender o lado dele, já que a marcação da falta foi aleatória, inconsistente e, pior: acabou com a brincadeira. Do outro lado da quadra, os juízes compensaram marcando uma falta em KG e com isso, em segudos, a disputa entre os dois não tinha mais credibilidade, não dava pra saber se eles podiam ou não continuar com o nível de intensidade, os dois começaram a perder minutos com o excesso de faltas e antes que pudessemos falar "paranguaricutirimirruaru" o Sheed perdeu completamente o controle. O jogo havia se tornado uma daquelas besteiras típicas da arbitragem se metendo demais, o Pistons precisava desesperadamente de uma vitória, Sheed sabia que a NBA (e o mundo) queriam ver o Celtics na Final e, pra piorar, nenhum de seus arremessos entrava. A partir daí Sheed se perdeu e quando voltou a ser eficaz de costas para a cesta, no final do jogo, já era tarde demais. Apesar de ter virado o jogo, o Pistons perdeu a liderança no único momento em que não havia mais tempo de correr atrás.

Mais uma vez, muito do mérito do Celtics vai para os coadjuvantes. Quando o time passa bem a bola, ao invés de isolar Garnett e Pierce e rezar para que os arremessos contestados de Ray Allen caiam, sobra muito espaço para o resto do elenco contribuir. Na noite de ontem, a contribuição foi mais defensiva do que qualquer outra coisa. Perkins teve mais uma partida sólida na defesa do garrafão e James Posey não apenas converteu os arremessos na hora certa como também se saiu muito bem na marcação de Billups e garantiu um roubo de bola no minuto final que selou a partida. Ainda me lembro quando o Posey era o melhor jogador daquele "o pior Denver Nuggets de todos os tempos" (que tinha o Nenê novato como titular ao lado de Juwan Howard, o cestinha, e os finados Vincent Yarbrough e Rodney White na armação) em que ele era um grande talento no ataque, disputado por várias equipes da NBA. Nas mãos de Doc Rivers, virou esquentador de banco, assim como o Leon Powe que perde espaço na mesma proporção em que joga cada vez melhor. Mas são eles que, quando contribuem, mantém o Celtics sólido na defesa, consistente no ataque, e deixam as estrelas brilharem.

Rajon Rondo sempre salva um jogo ou outro e muito do sucesso do Celtics acaba nas mãos dele porque ele é sempre o jogador que é deixado livre durante as marcações duplas. Seu nível de agressividade e sua pontaria têm uma importância tão grande no jogo que é complicado pensar que ele acabou de sair das fraldas. Ainda assim, gostaria que ele fosse mais agressivo e fosse com mais frequência para cima da cesta. É muito comum um contra-ataque puxado pelo Rondo ser abortado porque ele não tem culhão de bater para dentro, apenas pára e coloca a bola nas mãos de outra pessoa. Eu sei, se ele fosse para a cesta e errasse, todo mundo cairia matando, eu até entendo. Por enquanto, ele continua comendo pelas beiradas, mas não há dúvidas de que ele será grande um dia. Armador principal, excelente reboteiro, bom nas assistências e com um arremesse bem mequetrefe - é tipo um Jason Kidd que caiu da escada.

Torço para ver Powe, Cassel, Rondo e Posey tendo grandes atuações contra o Lakers, tudo em nome de um grande espetáculo. Vamos esperar ver um time consistente que aprendeu com os erros do passado (por passado, entenda a semana passada) e que esteja disposto a lutar para valer contra Kobe e seus amigos ao invés de se contentar com o título do Leste. Se depender do Garnett, que sequer sorriu com a vitória de ontem, o troféu do Leste vai ser tacado na privada ou então enfiado na orelha de quem se der por satisfeito com ele. O anel de campeão da NBA é o que importa para o Garnett e o que aconteceu até agora foi só aquecimento. Eles terem jogado 7 partidas contra o Hawks foi só pra treinar uns arremessozinhos, sabe como é.

Do lado dos perdedores, torço para que exista muita calma. Sei que deve ser complicado para o Pistons chegar pela zilionésima vez na Final do Leste, perder e ter que começar tuuuudo de novo na temporada seguinte, com aquele ar de "mas que puta tédio, não podemos pular para os playoffs logo de uma vez?". Mas eu confio no Detroit para encarar o tédio e tentar de novo por mais uns 2 ou 3 anos, até que não seja mais tão fácil chegar lá no topo. Até lá, rezo para que o elenco seja mantido, que o Rasheed não seja crucificado por amar demais o jogo, e que talvez eles consigam um técnico que dê mais minutos para Rodney Stuckey, Jason Maxiell e Amir Johnson. Porque eu, pra variar, não consigo entender porque o Maxiell comanda num jogo, sequer entra no outro, o Stuckey passa de titular para garoto da água, e o Amir Johnson sequer entra em quadra enquanto o Ratliff "Mutombo cover" ganha minutos importantes. Doc Rivers, Flip Saunders, Rick Adelman, são todos técnicos famosos e eu sou só um blogueiro na terra do futebol e do samba, eles devem ter razão e eu sou muito burro. Muito. Burro.

Fique colado no Bola Presa nessa semana enquanto esquentamos os motores para a grande final entre Lakers e Celtics, incluindo o novo template para comemorar o confronto tão antecipado. Além disso, colocaremos nossas primeiras previsões para o próximo draft e nossa tradicional coluna de perguntas e respostas "Both Teams Played Hard". Não percam!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Máquina de fazer Jason Maxiells

Dois outros Jason Maxiells se enfrentam em quadra


Existe por aí, na NBA, uma máquina capaz de fazer Jason Maxiells em série. São centenas deles, produzidos em linha de montagem, circulando pelas ruas dos Estados Unidos, fazendo compras, comendo Big Macs. No entanto, a grande maioria deles tem empregos menores. Vários, após serem criados pela tal máquina, viraram caixas de supermercado, atendentes de telemarketing e seguranças de boate. Mas alguns estão jogando na NBA, já que felizmente alguns times já perceberam a importância de ter um Jason Maxiell no time.

Não estou falando apenas do Pistons, que teve nele a grande razão da vitória de ontem contra o Celtics, mas também de outras equipes da Liga: Houston, Wolves, Jazz. Meu amado Rockets fez um Jason Maxiell com a máquina de fazer Maxiells e batizou-o de "Carl Landry", um dos principais fatores da sequência de vitórias histórica durante a temporada. Já o Utah Jazz batizou sua cópia de "Paul Millsap", essencial no domínio do garrafão que levou o time dos mórmons chorões para o segundo round dos playoffs. E o Wolves, que amarga os últimos lugares da Liga, também tem sua cópia, chamada por eles de "Craig Smith", e que deve ser importante na recuperação da equipe de Minessota.

Eu adoraria saber o motivo que leva os outros times da NBA a não pegarem a máquina de fazer Maxiells emprestada para criar uma cópia para eles. Várias equipes alegam, seja durante o draft, as summer leagues ou os períodos de contratação, que jogadores assim são baixos demais para o garrafão da NBA, que eles serão dominados por jogadores mais altos e mais físicos. Preferem tentar jogadores mais altos e sem talento, e o que temos é um belo punhado de Patrick O'Bryants e Kwame Browns andando pelos ginásios enquanto cópias rejeitadas do Jason Maxiell engraxam sapatos nas ruas e ganham trocados como figurantes do Teste de Fidelidade do João Kléber. A vida não é fácil para esses alas de força com altura abaixo da média. Mas a vida dos times que apostam em seus talentos é bastante fácil depois de que percebem que tipo de ajuda estão recebendo.

Muita gente, ao apontar os motivos da vitória do Pistons ontem em cima do Celtics, vai falar sobre McDyess e Rip Hamilton, e com certa razão. A defesa-supostamente-poderosa do Celtics deixou McDyess livre para uma infinidade de arremessos de média distância e ele dominou nos rebotes, enquanto Hamilton mostra um jogo cada vez mais agressivo e surpreende mais e mais esse blogueiro que vos escreve. Mas mesmo assim, o real fator decisivo da noite foi o homem feito em linha de montagem. Maxiell trouxe uma intensidade defensiva para o Pistons, desde o primeiro segundo em que enfiou os pés na quadra, que acabou com o jogo imediatamente. Suas jogadas na defesa, sua explosão no ataque e sua paixão à flor da pele, decidiram o jogo logo no começo, deixando apenas uma carcaça de Celtics apodrecendo para o resto do elenco acabar de matar.

O Maxiell e suas cópias são jogadores físicos, intensos, que dão cabeçadas até em disputa de par-ou-ímpar. Contra o ataque desestruturado do Celtics, colocar um cara desses em quadra é uma humilhação, é ter a certeza de que os jogadores de Boston vão fugir, correr, chorar e errar todos seus arremessos. Até o Kevin Garnett, que come carne crua no café da manhã, queria voltar pro colo da mamãe. Duvida? Então dê uma olhada no vídeo abaixo e repare, dá até pra ver umas gotinhas amarelas escorrendo pelas pernas do KG.



E não é como se fosse a primeira vez, vale dar uma olhada no que o Maxiell já fez com o Garnett nessa série. Ele é simplesmente demais para o Celtics, principalmente se dita o ritmo para uma defesa forte de todo o resto do elenco. Aliás, se eu ganhasse um centavo para cada vez que digo que o ataque do Celtics é terrivelmente desorganizado, eu teria, tipo... uns 7 centavos.

O Pistons tira uns cochilos longos, às vezes, e ontem deixou o Celtics vivo no jogo tempo demais, ao invés de acabar logo com a brincadeira dando o golpe final, um "me dê sua força Pégasus" ou um "Cosmic Laser", pra quem lembra do golpe que o Jaspion dava usando o robô Daileon pra liquidar o inimigo. Dava para ter ganhado por uns 50 pontos ao invés de ficar dando mole. E se parece que eu estou puxando muito a sardinha para o lado de Detroit, vale lembrar que eu acho que ficar dando chance para o Celtics ao invés de liquidar a fatura pode custar caro demais. Num possível jogo 7, aposto minhas fichas no Boston simplesmente porque alguém lá pode fazer 80 pontos pra encerrar com tudo. Se o Pistons quer levar essa, é bom que aprenda com o Jason Maxiell e jogue com intensidade total desde o primeiro segundo, todos os jogos. Ou então será tarde demais e só vão ter intensidade no banheiro, em dia de caganeira.

Também torço para que os outros times olhem o Pistons e sua cópia do Maxiell e aprendam a lição. Da próxima vez que um ala de força dominar no basquete universitário e for parar no segundo round do draft porque é "baixo demais", vou vomitar. Mas feliz, porque pelo menos o meu Houston Rockets já garantiu o seu. Carl Landry, eu te amo!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Banco de talentos

O banco do Pistons é uma prisão



Há alguns posts atrás, o Charles comentou sobre o Jarvis Hayes, que em seus 15, 16 minutos por jogo sempre marca muitos pontos e se destaca no Pistons. Logo depois, o Sbub comentou sobre o Mohammed, recém trocado pelo Pistons para o Bobcats, que virou uma máquina de rebotes em Charlotte. E associando as duas coisas resolvi falar sobre o banco de reservas do Detroit Pistons, o maior desperdiçador de talentos de toda NBA.

Talvez usar o termos "desperdiçar" possa parecer forte demais, vamos apenas dizer que eles são tão bons que não se dão ao trabalho de usar o banco. A base titular com Billups, Hamilton e cia. é tão bem entrosada e funciona tão bem que eles jogam muitos e muitos minutos sem dar muita chance aos reservas. E a estratégia (em grego 'strateegia', em latim 'strategi'...) tem dado muito certo. O Detroit é um time vencedor, chegou em duas finais da NBA, seu estilo de jogo não cansa em excesso os jogadores (por isso o Suns PRECISA de um banco de reservas melhor) e com isso os jogadores não ficam com a língua no chão depois de jogar muito. Mas acontece também deles muitas vezes não precisarem jogar muito já que o Pistons é o segundo, apenas atrás do Celtics, na margem de pontos em relação aos adversários, ou seja, é muito garbage time pra gente ver Amir Johnson e Arron Afflalo enfrentando os reservas dos outros times.

Mas pera aí! Então os reservas têm pouco ou muito tempo? Eles têm um bom tempo. Mas nunca quando a coisa interessa! O ponto é esse, quando o jogo é importante, quando o jogo tá pau a pau, os reservas nem encostam na bola. Entram um por vez pra dar descanso rápido a um dos titulares e já era. Jogar mesmo, pegar ritmo, só quando o jogo tá decidido.

Com essa forma de pensar, o time tem ido longe na NBA, não se pode criticar, mas ao mesmo tempo eles assistiram incríveis talentos sair do time em busca de mais espaço, e viram muitos jogadores desconhecidos por lá virarem grandes jogadores. Vamos conhecer alguns:


Mike James: Alguém lembra dele no Pistons? Eu demorei muito pra lembrar. Ele jogou metade da temporada 2003-04 por lá e teve média de apenas 19 minutos por jogo. Não sou grande fã do Mike James, ele mesmo já disse ser obcecado por suas estatísticas e parece se importar mais com elas do que com o time, mas o cara tem talento e o Pistons poderia tê-lo usado melhor para descansar o Billups.

Nazr Mohammed: Esse foi bem recente. Chegou como o substituto de Ben Wallace e meia temporada depois estava atochado no banco de reservas brincando de Darko. Entrava só para mostrar pro outro time que o jogo tava ganho. Foi trocado há algumas semanas para Charlotte Bobcats e em pouco mais de 24 minutos de jogo já está com média de quase 9 rebotes por jogo e fez vários double-doubles. Ele não é um all-star mas já mostrou no Atlanta e até no Knicks que tem talento, acho que ele tem o perfil do Pistons e poderia ter médias incríveis de rebotes por lá se dada a chance, mas não deram, colocaram o Webber no lugar dele e ele afundou.

Carlos Arroyo: Se o Mike James não teve muita chance de ser reserva do Billups por meia temporada, o Arroyo não teve por duas. Acho que o Billups tem no seu contrato algo que diz que só o Lindsay Hunter pode entrar no lugar dele e mais ninguém. O Arroyo, o mesmo que destruiu os americanos nas Olimpíadas de 2004 e que é titular merecido do Orlando agora, teve uma incrível média de 12 minutos por jogo na sua última temporada em Detroit.

Darko Milicic: Se Mohammed era usado para mostrar para os adversários que o jogo estava ganho, Darko era usado para mostrar que o jogo havia sido ganho, tinha sido uma lavada, tinha sido bem fácil e eles estavam rindo da sua cara. Nas finais de 2004 eu me revoltava, já que sou torcedor do Lakers, quando o Darko entrava. Aquilo era humilhação demais! Mas o fato é que muitas vezes o Darko tinha um bom garbage time, dava seus tocos, pegava uns rebotes, acertava umas cestas e... ué, é isso o que ele ainda faz hoje, não é? Ele nunca vai justificar ser uma segunda escolha, mas é bom jogador e quando tem seus minutos no Grizz (e quando tinha em Orlando) sempre se mostrou útil, com boa média de tocos e rebotes. No Pistons acho que nunca jogou um jogo com diferença menor de 10 pontos entre os dois times em disputa.

Carlos Delfino:
Eu não gostava muito do Delfino. Quando ele chegou na NBA eu vi gente dizendo que ele ia ser melhor que o Ginobili e isso me faz lembrar de quando o Arinélson era o próximo grande jogador do Santos. O Delfino nunca chegou perto das expectativas mas ao mesmo tempo você via que ele era mal aproveitado no Pistons, o coitado entrava, dava dois arremessos e saia, parecia que ele tinha pressa em jogar porque sabia que ia sair logo e isso atrapalhava muito. Nesse ano, no Raptors, ele é outro cara. Muito mais calmo e se sentindo parte do time ele até jogou vários minutos como armador principal do time quando o Calderon senta e o TJ Ford vê o jogo do hospital. E ele arma bem, até! Com vários jogos muito bons já na temporada, ele é peça importante no Raptors e você fica imaginando como ele seria útil dando um tempo de descanso para Hamilton e Prince.

Mehmet Okur: Provavelmente o melhor jogador a não jogar pelo Pistons. Ele estava lá, ficava no banco e volta e meia tinha um jogo em que ele acabava sendo mais bem utilizado. Lembro de um jogo em que ele simplesmente matou o Lakers só porque o Shaq se recusava a sair do garrafão para marcar as bolas de 3 pontos dele. Mesmo assim, o máximo de média que teve foi de 22 minutos por jogo, e muito por causa dos 33 jogos em que foi titular ainda na era pré-Sheed. Depois que o Sheed chegou, ele afundou no banco e de lá foi para o Utah, onde, de repente, estava com médias de quase 20 pontos por jogo.


Com o Jarvis Hayes, que nosso amigo Charles citou, a situação é igual mas é diferente. É igual porque ele é um cara de talento e que tem poucas oportunidades, mas é diferente porque ele que era free agent e topou ir para lá mesmo sabendo desse histórico todo do banco do Pistons. Não quero chamar o Hayes de burro com isso também, ele não estava numa situação fácil, nos seus anos de Wizards, além de provar que tinha certo talento para marcar pontos, mostrou mais ainda que tinha talento para se machucar, e fez uma fama de ser de vidro. Muitos times não ofereceram coisas boas pra ele e quando o Pistons apareceu com uma proposta ele abraçou, mas não dúvido que no fim do contrato ele busque uma vaga em um time em que seja mais participativo. Outro que tem talento, embora seja meio Mike James no fato de só querer fazer pontos e nada mais, é o Flip Murray. Esse tá encostadão no Pistons e dizem que uma troca deve acontecer em breve para tirá-lo de Detroit.

Agora é a hora que o espertalhão aparece e diz: "Ei, Denis, seu torcedor do Lakers cabeçudo! E o Maxiell? Ele é reserva e joga, seu bundão!". Pois é, o Maxiell é um caso que deu certo, assim como o McDyess. Ano passado o McDyess era reserva do Webber e mesmo assim jogava sempre no quarto período só porque o Webber é mais amarelão que o Stojakovic e o Dirk juntos. Com isso ele tinha minutos, e minutos importantes. Nesse ano o McDyess é titular, tem seu tempo em quadra, mas em vários dias o Maxiell entra, entra bem e fica no jogo. Não vou dizer que ele é a exceção que confirma a regra porque isso é brega. Mas é verdade, ele é a exceção que confirma a regra, pronto, falei!


Notas:

- A relação entre os titulares e os reservas do Pistons, apesar da briga por minutos, é boa, como vemos na bela canção interpretada pelo titular Sheed e os reservas Jason Maxiell, Amir Johson e Will Blalock. Ouça e veja AQUI.

- A prorrogação do jogo de ontem do Suns foi feia. De um lado, o Suns parecia bem perdido sem o Nash doente, o Leandrinho provou mais uma vez que ao mesmo tempo em que faz pontos com a mesma facilidade com que corre quando fez 16 pontos só no terceiro quarto, também tem muita dificuldade em ser o armador principal, com alguns turnovers feios. Mas pior que ele de armador foi o Tinsley, que durante a prorrogação não passou a bola uma vez sequer. E não é jeito de falar! Ele partiu pra cima e arremessou todas as bolas, podem até conferir o play-by-play se vocês quiserem. A única cesta que não foi dele na prorrogação foi um rebote ofensivo que o Mike Dunleavy Jr. pegou. Rebote de um chute do Tinsley, claro. Vitória merecida do Suns.

- Ontem o Lakers detruiu o Hornets e Kobe depois do jogo disse que o papel dele no time não é mais o de fazer 35 pontos por jogo, é apenas de estar lá para quando o time estiver em dificuldade e precisar de um empurrão. Quem diria que um dia ele falaria isso? E pior que não é da boca pra fora, vendo o jogo é o que acontece mesmo!

- Lembra do post com a foto da mina firmeza do Garnett? Que tal a mina do Okur? Eu pegava fáaaacil.

- Bem no dia em que o Danilo falou que o Yao Ming deixou de ser "soft" para enterrar na cabeça das pessoas, o china fez isso aqui com o Malik Rose. Uau!