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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Saída pela direita
O Nets nem é tão ruim assim. No ano passado dissemos como o time era promissor, e quando eles apertaram o botão do apocalipse e trocaram Vince Carter para o Magic, apoiamos a decisão e cheguei a afirmar que a equipe não passaria muito tempo fora dos playoffs. No entanto, eles estão prestes a fazer história: perdendo para o Mavs na quarta-feira, o Nets terá o pior início de temporada de todos os tempos, tendo perdido suas 18 primeiras partidas.
Devin Harris, estrela do time, lesionou feio a virilha e só jogou 7 partidas na temporada. Yi Jianlian, que impressionou a imprensa com seus treinos públicos em New York durante suas férias, ferrou o joelho e está fora por tempo indeterminado. Jarvis Hayes jogou muito bem na pré-temporada mas lesionou o punho nos primeiros dois minutos da estreia do Nets na temporada (isso é que eu chamo de ejaculação precoce) e não jogou desde então. Keyon Dooling e Tony Battie, que vieram na troca do Carter, se machucaram na pré-temporada e ainda não jogaram oficialmente pelo Nets. Chris Douglas-Roberts, que finalmente estava se tornando a arma ofensiva que se esperava dele na noite do draft, pegou gripe suína. O Courtney Lee, que ficou tão puto de ser trocado pelo Magic que jurou vingança contra toda a humanidade, também se machucou e passou uns jogos fora. O Bobby "só jogo em ano de contrato" Simmons ficou gripado e não jogou, mas pelo menos era uma gripe comum. Até o Eduardo Najera, que é tão secundário que nem as lesões lembram dele, acabou contundindo as costas. O Trenton Hassel teve problemas pessoais e passou um tempo afastado. Ou seja, o Nets está mais amaldiçoado do que o set do "Poltergeist".
O time chegou ao cúmulo de jogar apenas com o Brook Lopez da lista de titulares, e apenas dois jogadores no banco de reservas. Todo o resto do elenco estava de terno, fazendo o Nets parecer mais uma reunião de executivos ou vendedores de seguro do que um time de basquete. Tendo isso em vista, não é surpresa que tenham perdido tanto. Já vi time pior jogando e ganhando uma vez ou outra, esse Nets só tem um azar descomunal que lembra bastante o Clippers e sua lendária maldição. Mas é claro que o técnico, o Lawrence Frank, não ajuda. A gente sempre bateu na tecla de que ele era um dos piores técnicos da NBA (o que imediatamente coloca ele na lista de prováveis ganhadores do prêmio de Melhor Técnico do Ano, vai entender!), jovem demais, nerd demais e incapaz de lidar com a equipe. Estava na hora de mandar o sujeito empilhar coquinho na descida, mas ao menos tiveram a decência de se livrar dele antes que seu nome ficasse para sempre como o dono do recorde de pior começo de temporada.
Os atuais recordistas são o Clippers de 1999 e o Heat de 1988, com 17 derrotas para começar a temporada com o pé esquerdo. Quando o Nets perdeu sua décima sexta partida, o Lawrence Frank ganhou o respiro de que precisava: foi demitido, escapou do recorde negativo, fugiu pela famosa saída pela direita. Quem assumiu o Nets contra o Lakers fora de casa, na certeza óbvia de que iria igualar o recorde, foi um técnico interino de que nunca lembraremos o nome, tipo os oitocentos novos presidentes de Honduras. Ou seja, o fardo da vergonha ficou meio diluído e ninguém vai ter sua foto na Wikipedia do lado do verbete "fracasso".
Mas agora o negócio começa a ficar sério: se perder a próxima partida, dessa vez contra o Mavs, o pobre-coitado do Nets vai ter o pior começo de temporada já visto pelo homem. Essa sim é uma vergonha que faria até o Clippers corar constrangido, e é preciso ao menos uma tentativa de evitar o vexame. Para isso, assume o Nets o Kiki Vandeweghe. Além do nome filho-da-mãe que exige uma consulta no Google toda vez que se quer escrever, um fato curioso sobre o Kiki é que ele é justamente o responsável pelo pior time que eu já vi jogar.
Infelizmente não tenho muitas memórias basquetebolísticas em 1988, mas eu acompanhava NBA a fundo em 1999 quando o Clippers igualou o recorde de 17 derrotas para começar a temporada. O problema é que naquela época não era tão fácil acompanhar partidas pela internet, ainda havia até aquela coisa bizarra conhecida como "net discada", o modem fazia barulho ao se conectar, quase como se fosse uma robô prenha dando a luz, e a gente ficava nas mãos basicamente das transmissões para a tevê brasileira. Isso significava, na época, que a gente só via jogos da chatisse do Spurs, ninguém em sã consciência iria transmitir para o Brasil uma partida do Clippers. Isso quer dizer que aquele Clippers pode ter sido um dos piores times de todos os tempos e eu infelizmente não pude ver o elenco jogar. Por isso, o pior time que já presenciei foi o Nuggets de 2002: o Nenê tinha acabado de ser draftado e a televisão brasileira adorava a ideia de mostrar o novato tupiniquim. O resultado foi uma tortura em massa que deve ter afastado milhares de brasileiros do basquete e causado uma série de suicídios coletivos, porque aquele Nuggets fedia demais! A estrela do time era Juwan Howard, que seria terceira opção ofensiva em qualquer timezinho razoável, e todos os outros jogadores desapareceram em pouquíssimo tempo, incluindo um dos maiores desastres da história do draft da NBA, o lendário Nikoloz Tskitishvili, o "Skita". Draftado antes do Nenê, o pivô da Geórgia faz o Kwame Brown parecer um gênio do basquete e da física quântica.
O Kiki Vandeweghe montou aquele Nuggets terrível, mas também draftou Carmelo Anthony e levou o time para os playoffs. Mas como o elenco nunca melhorava e a torcida queria sua cabeça, acabou indo pra rua, para enfim ser acolhido pelo Nets para dar palpite na reconstrução do time. Por mais polêmico que o cara seja, por mais que ele feda, conseguiu pegar o pior time que eu já vi jogar e levar para os playoffs alguns anos depois. Era exatamente do que o Nets precisava. Mas agora, no desespero, ele assumirá o cargo de técnico do Nets - um nome ao menos conhecido o bastante para receber o peso de perder para o Mavs, e que talvez tenha um nome a zelar o suficiente para tentar impedir o desastre. Ele não tem experiência como técnico, embora tenha sido assistente no Dallas por uns tempos, mas o negócio dele é reconstruir, cuidar da meninada e lidar com jovens talentos. Foi ele quem lidou pessoalmente com o Nowitzki no começo de carreira, e o Nets precisa mesmo se focar mais na parte administrativa, indo com calma com os jovens talentos, do que se preocupando com um baita técnico de ponta para ganhar partidas agora. Olha, já foram 17 partidas pelo ralo em sequência, a temporada já foi pras cucuias, não resta nada para o time além de sentar na guia, chorar as pitangas, tomar uma pinga e esperar pela próxima escolha de draft. Então, que se lasquem as próximas partidas, o negócio é cuidar do núcleo jovem e tentar não queimar ninguém nem permitir que a depressão se instaure no ambiente fracassado do time. Convencer todo mundo de que as derrotas são normais, de que em dois anos eles vão estar nos playoffs, que as lesões foram apenas azar. E impedir, a todo custo, que a décima oitava vitória seguida venha. Esses garotos não merecem seus nomes injustamente na história da NBA, eles não fedem o bastante e isso pode complicar suas pretensões futuras.
É por isso que não importa quantos jogos bons estejam passando na quarta-feira, quantas estrelas estejam em quadra, o jogo a se assistir é o Nets e Mavs. Se o Kiki conseguir uma vitória, será um feito histórico de um time que não merecia se lascar tanto e que em um par de anos estará maduro e brigando com os grandes. E se o Nets perder, será uma chance de ver história sendo feita, algo que maculará para sempre o ânimo dessa equipe. Não perca história sendo feita, você não quer ficar como eu, lamentando não ter assistido o Clippers de 1999, não é mesmo?
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Danilo
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segunda-feira, 21 de julho de 2008
Cabeça de jogador
Eu tive uma conversa quase filosófica com o Danilo algum tempo atrás. Filosófica mas sobre NBA, claro. Ficamos tentando entender como funciona a cabeça de um jogador da NBA, afinal a maioria deles encara o basquete e a liga de forma diferente da que nós, fãs. Para eles a NBA é o local de trabalho, os times são empresas e empresas que ficam em lugares dos EUA que eles gostam, não gostam ou onde têm alguma história. Além disso, eles vêem o lance do dinheiro e da fama de forma diferente da nossa. Imagino que a maioria dos nossos leitores não saiba como é não ter dinheiro e, de repente, se ver em posição de ganhar milhões e milhões de dólares por jogar 82 jogos de basquete assistidos em quase todos os países do planeta.
Acho que essa discussão é bastante válida nesses meses sem temporada porque é agora que os jogadores estão decidindo (ou estão decidindo por eles) onde e por quanto vão jogar.
Primeiro tem a parte da grana, que até já falamos aqui outras vezes na época da contratação do Baron Davis e do Elton Brand, mas é realmente uma questão importante para o jogador de basquete da NBA. Eles encaram o dinheiro que recebem não só como uma chance de viver bem para o resto da vida, mas como uma medida do valor deles como jogadores e de importância junto à franquia. Então não é importante receber apenas um bom dinheiro para o cara fazer até os netos viverem na boa, é importante receber de acordo com o que o cara representa para o time. Logo, o Chris Paul deve receber mais que o Tyson Chandler, que deve receber mais que o Morris Peterson. O Duncan recebe mais que o Tony Parker, que recebe mais que o Bruce Bowen e ainda pega a Eva Longoria.
Não é raro os contratos de dentro do time servirem como parâmetro para um novo contrato, para que o melhor ganhe mais e o pior menos. Quando isso não é respeitado até cria uma discussão na mídia e entre os fãs, afinal por que pagam tanto pelo Erick Dampier se o DeSagana Diop jogava mais tempo que ele? Ou por que oferecer mais dinheiro pelo Nenê do que pelo Marcus Camby se o Camby era mais importante que o Nenê no antigo garrafão do Denver? A disucssão veio à tona nas últimas semanas porque tem gente revoltada que o Antawn Jamison ganha mais grana que o Caron Butler, o mais mal pago do trio de Washington. Se bem que eu me sinto mal de chamar de "mal pago" alguém que ganha 8 milhões de dólares em um ano.
Também há a competição entre jogadores de times diferentes. Diz a lenda (isso nunca é confirmado da boca dos atletas) que o Zach Randolph tinha acertado um bom contrato com o Blazers e ia assiná-lo quando descobriu que o Pau Gasol tinha assinado um contrato ainda melhor com o Grizzlies. Então o Randolph se recusou a aceitar aquele contrato e disse que ele tinha que ganhar mais do que o Gasol por ser melhor do que ele. Pra mim é uma atitude ridícula, ele até pode se achar melhor que o Gasol, mas mudar o contrato por causa disso é idiota. Se todo mundo na NBA quisesse ganhar mais que o Brian Cardinal (em torno de 7 milhões por ano) os times iam à falência.
Também bastante discutido, principalmente entre os Free Agents irrestritos, que podem ir para qualquer time, é a cidade em que vão jogar. Assim que saíram as notícias de que o Baron Davis não iria continuar no Warriors, os times cogitados para ficar com o armador eram Kings, Clippers e até o Lakers, tudo porque o Baron Davis é do estado da Califórnia e já deixou bem claro que gosta de morar lá e porque também é envolvido na indústria de cinema, que é concentrada em Los Angeles. No fim das contas ele topou ir para o Clippers mesmo.
Outro caso famoso é o do Shaquille O'Neal, que disse que adora lugares quentes, de clima bom e que não tenha muito frio, neve pra ele nem pensar. Ele conseguiu isso. Jogou nos dois times da ensolarada Flórida (Miami e Orlando), no calor da Califórnia com o Lakers e agora está no deserto do Arizona com o Suns. Azar do Jazz e do Nuggets, em cidades frias pra burro, e do Portland e do Sonics, que ficam (ou ficavam) em cidades conhecidas pelas suas chuvas. Nunca tiveram a chance de ter o Shaq em seus times. O assunto da onde os jogadores moram veio à tona também na semana passada quando o Gilbert Arenas tirou sarro do seu companheiro de Universidade do Arizona, Richard Jefferson, porque ele estava indo para o Bucks. Aqui as palavras do Arenas:
"Richard Jefferson vai para Milwaukee... HAHAHA! Cara, isso é engraçado. Quando eu ouvi eu comecei a dar risada. Cara, como eu ri. E você sabe por que? Porque todo jogador odeia Milwaukee. Ninguém quer morar lá. Desculpe, Milwaukee, de pegar tão pesado com vocês, mas ninguém na NBA quer morar aí. Para ele sair de New Jersey, ou melhor de Nova York, porque ele morava lá, para ir para Milwaukee é como... bom, vamos dizer que não vai combinar com ele. Foi muito engraçado quando ouvi essa notícia, mas pelo menos o Yi Jianlian deve estar feliz. "
Vai ver que é por isso que o Bucks tem essa coisa de manter por lá os jogadores que dizem até publicamente que não querem jogar com eles. O Bucks deve ter noção de que se eles forem esperar alguém que realmente quer jogar com eles, o time não vai ter o elenco mínimo no dia que começar a temporada. E o Yi deve estar feliz mesmo, ele sempre disse que queria morar em uma cidade com alguma colônia chinesa e com o Nets ele estará ao lado de Nova York, que tem mais chinês do que táxi.
Mas um outro tema, o que eu acho mais interessante de todos, é saber qual é a ambição do jogador, saber o que ele quer de sua carreira.
Não é lei, mas o padrão mostra que primeiro o jogador quer entrar na NBA em algum time em que ele tenha tempo de quadra. O time pode ser bom, ruim ou médio, se ele tiver tempo pra mostrar que é bom, ótimo. Depois que ele provou o que é, a tendência é o jogador buscar o contrato mais lucrativo possível. Já li sobre jogadores que tem medo de se machucar ou de, de repente, perder espaço na NBA, então para eles o mais importante é conseguir o contrato mais longo e lucrativo possível. Por fim, quando o jogador vê que sua carreira está indo para o fim, ele tenta buscar o que não tem ainda. Então se ele não tem um título, vai para um time com chance de título. Se nunca jogou na cidade em que nasceu, tenta ir para lá, se quer ser técnico, vai para onde ele será aceito como auxiliar técnico, caso do Sam Cassell, que considera ir para o Denver para ser treinado pelo seu amigo George Karl. Não acho que o Denver seja um bom lugar para aprender algo sobre ser técnico de basquete, mas beleza, quem sou eu pra questionar o que o Cassell faz, não é?
Mas acontece que para alguns, a carreira não é tão comum assim e durante ela o jogador tem que fazer escolhas não tão óbvias. São reações que inicialmente causam espanto mas que pensando bem, dá pra entender.
O primeiro caso é o do Tyronn Lue. Ele acabou de assinar com o Milwaukee Bucks, sim, o time em que ninguém quer jogar. E não foi por desespero não, ele não corria o risco de ficar desempregado. O Suns o queria como reserva do Nash e até ouvi uns rumores de que o Miami, que precisa desesperadamente de um armador, além do Celtics e do Kings, queriam seus trabalhos, mas não, ele preferiu ir para o Bucks. Depois de tantos anos rodando pela NBA, principalmente em times ruins, era de se esperar que o Lue escolhesse ir para um time de mais prestígio para aparecer na TV, jogar os playoffs, ganhar jogos e até tentar ganhar um anel de campeão. Mas ao invés disso ele foi para um time que não está nem perto de um título e que já tem Mo Williams e o promissor Ramon Sessions em sua posição.
O motivo foi tempo. O Suns e todos os outros times usaram esse atrativo do título, dos playoffs para o Lue, mas ofereciam sempre o contrato mínimo por um ano. Apesar de não serem fontes oficiais, dizem que o Bucks ofereceu mais dinheiro e um contrato de 3 anos de duração. Depois de ser um andarilho em times ruins, o Lue decidiu se firmar financeiramente. Ainda em um time ruim, infelizmente.
Outro caso bem interessante é o do Jarvis Hayes. Ele foi draftado pelo Wizards e lá em Washington passou os primeiros anos de sua carreira, mostrou que era talentoso, que sabia marcar pontos mas também foi bastante irregular e se machucou bastante. Virou Free Agent, foi para o Pistons, foi muito bem na temporada vindo do banco e era peça importante como reserva de Hamilton e Prince. Mas então, de repente, já que era Free Agent de novo, assinou com o New Jersey Nets.
Até aí nada de mais, mas depois descobriram que ele tinha recebido propostas do San Antonio Spurs e do New Orleans Hornets. Ele poderia ser um reserva importante, que entraria em todo jogo em dois dos melhores times da liga, mas ao invés disso preferiu ir para o Nets, que está claramente em reformulação e pensando em ganhar de verdade somente em 2010, depois de tentar pegar o LeBron. E pior, financeiramente as propostas eram muito parecidas.
O motivo é bem claro, em New Jersey ele tem muitas chances de ser titular. Com Richard Jefferson foram da equipe, Trenton Hassell não sendo lá tudo isso e o Bostjan Nachbar sondado por times europeus e pelo Hawks, o Hayes praticamente não tem competição para ser peça importantíssima na equipe. Aqui está o que ele disse:
"No fim das contas a oportunidade de ir para um time e ter a chance de realmente jogar era algo que eu não podia deixar passar."
Achei muito legal a atitude dele. Ao invés de se contentar em ser um coadjuvante em times bons como Pistons, Hornets e Spurs, ele preferiu jogar basquete pra valer, por mais minutos possíveis, no fraco Nets.
Muito legal ver que mesmo que eles pareçam pessoas diferentes, que enxerguem as coisas de forma bem diferente, às vezes dá pra encontrar uns caras com quem a gente se identifica, que mesmo nesse mar de dinheiro, fama e busca pela glória, consagração e imortalidade na história da liga, alguns queiram somente ir lá e jogar o máximo de basquete possível.
E você, o que faria? Se recebesse propostas financeiramente iguais, iria para o time a um passo do título, onde provavelmente seria segunda ou terceira opção do banco, ou iria para um time fraco onde, pela primeira vez na carreira profissional, teria chance de ser titular?
Vídeo: Jerome James
Não tem nada a ver com o assunto mas assim que eu vi esse vídeo eu precisei colocar ele aqui. É um mix de jogadas do grande, gordo, grosso e patético pivô do New York Knicks, Jerome James. É a prova final de que até sua tia gorda que aperta suas bochechas no Natal pode parecer um bom jogador com a edição de vídeo certa.
Defenestrado por
Denis
por volta das
18:29
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Banco de talentos
Há alguns posts atrás, o Charles comentou sobre o Jarvis Hayes, que em seus 15, 16 minutos por jogo sempre marca muitos pontos e se destaca no Pistons. Logo depois, o Sbub comentou sobre o Mohammed, recém trocado pelo Pistons para o Bobcats, que virou uma máquina de rebotes em Charlotte. E associando as duas coisas resolvi falar sobre o banco de reservas do Detroit Pistons, o maior desperdiçador de talentos de toda NBA.
Talvez usar o termos "desperdiçar" possa parecer forte demais, vamos apenas dizer que eles são tão bons que não se dão ao trabalho de usar o banco. A base titular com Billups, Hamilton e cia. é tão bem entrosada e funciona tão bem que eles jogam muitos e muitos minutos sem dar muita chance aos reservas. E a estratégia (em grego 'strateegia', em latim 'strategi'...) tem dado muito certo. O Detroit é um time vencedor, chegou em duas finais da NBA, seu estilo de jogo não cansa em excesso os jogadores (por isso o Suns PRECISA de um banco de reservas melhor) e com isso os jogadores não ficam com a língua no chão depois de jogar muito. Mas acontece também deles muitas vezes não precisarem jogar muito já que o Pistons é o segundo, apenas atrás do Celtics, na margem de pontos em relação aos adversários, ou seja, é muito garbage time pra gente ver Amir Johnson e Arron Afflalo enfrentando os reservas dos outros times.
Mas pera aí! Então os reservas têm pouco ou muito tempo? Eles têm um bom tempo. Mas nunca quando a coisa interessa! O ponto é esse, quando o jogo é importante, quando o jogo tá pau a pau, os reservas nem encostam na bola. Entram um por vez pra dar descanso rápido a um dos titulares e já era. Jogar mesmo, pegar ritmo, só quando o jogo tá decidido.
Com essa forma de pensar, o time tem ido longe na NBA, não se pode criticar, mas ao mesmo tempo eles assistiram incríveis talentos sair do time em busca de mais espaço, e viram muitos jogadores desconhecidos por lá virarem grandes jogadores. Vamos conhecer alguns:
Mike James: Alguém lembra dele no Pistons? Eu demorei muito pra lembrar. Ele jogou metade da temporada 2003-04 por lá e teve média de apenas 19 minutos por jogo. Não sou grande fã do Mike James, ele mesmo já disse ser obcecado por suas estatísticas e parece se importar mais com elas do que com o time, mas o cara tem talento e o Pistons poderia tê-lo usado melhor para descansar o Billups.
Nazr Mohammed: Esse foi bem recente. Chegou como o substituto de Ben Wallace e meia temporada depois estava atochado no banco de reservas brincando de Darko. Entrava só para mostrar pro outro time que o jogo tava ganho. Foi trocado há algumas semanas para Charlotte Bobcats e em pouco mais de 24 minutos de jogo já está com média de quase 9 rebotes por jogo e fez vários double-doubles. Ele não é um all-star mas já mostrou no Atlanta e até no Knicks que tem talento, acho que ele tem o perfil do Pistons e poderia ter médias incríveis de rebotes por lá se dada a chance, mas não deram, colocaram o Webber no lugar dele e ele afundou.

Carlos Arroyo: Se o Mike James não teve muita chance de ser reserva do Billups por meia temporada, o Arroyo não teve por duas. Acho que o Billups tem no seu contrato algo que diz que só o Lindsay Hunter pode entrar no lugar dele e mais ninguém. O Arroyo, o mesmo que destruiu os americanos nas Olimpíadas de 2004 e que é titular merecido do Orlando agora, teve uma incrível média de 12 minutos por jogo na sua última temporada em Detroit.
Darko Milicic: Se Mohammed era usado para mostrar para os adversários que o jogo estava ganho, Darko era usado para mostrar que o jogo havia sido ganho, tinha sido uma lavada, tinha sido bem fácil e eles estavam rindo da sua cara. Nas finais de 2004 eu me revoltava, já que sou torcedor do Lakers, quando o Darko entrava. Aquilo era humilhação demais! Mas o fato é que muitas vezes o Darko tinha um bom garbage time, dava seus tocos, pegava uns rebotes, acertava umas cestas e... ué, é isso o que ele ainda faz hoje, não é? Ele nunca vai justificar ser uma segunda escolha, mas é bom jogador e quando tem seus minutos no Grizz (e quando tinha em Orlando) sempre se mostrou útil, com boa média de tocos e rebotes. No Pistons acho que nunca jogou um jogo com diferença menor de 10 pontos entre os dois times em disputa.
Carlos Delfino: Eu não gostava muito do Delfino. Quando ele chegou na NBA eu vi gente dizendo que ele ia ser melhor que o Ginobili e isso me faz lembrar de quando o Arinélson era o próximo grande jogador do Santos. O Delfino nunca chegou perto das expectativas mas ao mesmo tempo você via que ele era mal aproveitado no Pistons, o coitado entrava, dava dois arremessos e saia, parecia que ele tinha pressa em jogar porque sabia que ia sair logo e isso atrapalhava muito. Nesse ano, no Raptors, ele é outro cara. Muito mais calmo e se sentindo parte do time ele até jogou vários minutos como armador principal do time quando o Calderon senta e o TJ Ford vê o jogo do hospital. E ele arma bem, até! Com vários jogos muito bons já na temporada, ele é peça importante no Raptors e você fica imaginando como ele seria útil dando um tempo de descanso para Hamilton e Prince.
Mehmet Okur: Provavelmente o melhor jogador a não jogar pelo Pistons. Ele estava lá, ficava no banco e volta e meia tinha um jogo em que ele acabava sendo mais bem utilizado. Lembro de um jogo em que ele simplesmente matou o Lakers só porque o Shaq se recusava a sair do garrafão para marcar as bolas de 3 pontos dele. Mesmo assim, o máximo de média que teve foi de 22 minutos por jogo, e muito por causa dos 33 jogos em que foi titular ainda na era pré-Sheed. Depois que o Sheed chegou, ele afundou no banco e de lá foi para o Utah, onde, de repente, estava com médias de quase 20 pontos por jogo.Com o Jarvis Hayes, que nosso amigo Charles citou, a situação é igual mas é diferente. É igual porque ele é um cara de talento e que tem poucas oportunidades, mas é diferente porque ele que era free agent e topou ir para lá mesmo sabendo desse histórico todo do banco do Pistons. Não quero chamar o Hayes de burro com isso também, ele não estava numa situação fácil, nos seus anos de Wizards, além de provar que tinha certo talento para marcar pontos, mostrou mais ainda que tinha talento para se machucar, e fez uma fama de ser de vidro. Muitos times não ofereceram coisas boas pra ele e quando o Pistons apareceu com uma proposta ele abraçou, mas não dúvido que no fim do contrato ele busque uma vaga em um time em que seja mais participativo. Outro que tem talento, embora seja meio Mike James no fato de só querer fazer pontos e nada mais, é o Flip Murray. Esse tá encostadão no Pistons e dizem que uma troca deve acontecer em breve para tirá-lo de Detroit.
Agora é a hora que o espertalhão aparece e diz: "Ei, Denis, seu torcedor do Lakers cabeçudo! E o Maxiell? Ele é reserva e joga, seu bundão!". Pois é, o Maxiell é um caso que deu certo, assim como o McDyess. Ano passado o McDyess era reserva do Webber e mesmo assim jogava sempre no quarto período só porque o Webber é mais amarelão que o Stojakovic e o Dirk juntos. Com isso ele tinha minutos, e minutos importantes. Nesse ano o McDyess é titular, tem seu tempo em quadra, mas em vários dias o Maxiell entra, entra bem e fica no jogo. Não vou dizer que ele é a exceção que confirma a regra porque isso é brega. Mas é verdade, ele é a exceção que confirma a regra, pronto, falei!
Notas:
- A relação entre os titulares e os reservas do Pistons, apesar da briga por minutos, é boa, como vemos na bela canção interpretada pelo titular Sheed e os reservas Jason Maxiell, Amir Johson e Will Blalock. Ouça e veja AQUI.
- A prorrogação do jogo de ontem do Suns foi feia. De um lado, o Suns parecia bem perdido sem o Nash doente, o Leandrinho provou mais uma vez que ao mesmo tempo em que faz pontos com a mesma facilidade com que corre quando fez 16 pontos só no terceiro quarto, também tem muita dificuldade em ser o armador principal, com alguns turnovers feios. Mas pior que ele de armador foi o Tinsley, que durante a prorrogação não passou a bola uma vez sequer. E não é jeito de falar! Ele partiu pra cima e arremessou todas as bolas, podem até conferir o play-by-play se vocês quiserem. A única cesta que não foi dele na prorrogação foi um rebote ofensivo que o Mike Dunleavy Jr. pegou. Rebote de um chute do Tinsley, claro. Vitória merecida do Suns.
- Ontem o Lakers detruiu o Hornets e Kobe depois do jogo disse que o papel dele no time não é mais o de fazer 35 pontos por jogo, é apenas de estar lá para quando o time estiver em dificuldade e precisar de um empurrão. Quem diria que um dia ele falaria isso? E pior que não é da boca pra fora, vendo o jogo é o que acontece mesmo!
- Lembra do post com a foto da mina firmeza do Garnett? Que tal a mina do Okur? Eu pegava fáaaacil.
- Bem no dia em que o Danilo falou que o Yao Ming deixou de ser "soft" para enterrar na cabeça das pessoas, o china fez isso aqui com o Malik Rose. Uau!
Defenestrado por
Denis
por volta das
13:44
14
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