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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

8 ou 80 - Uma das piores partidas da história

Só assim pra dizer que o Magic atropelou o Celtics

Ontem o Orlando Magic enfrentou o Boston Celtics e marcou apenas 56 pontos. Perdeu o jogo, claro! Na partida-desastre converteu apenas 16 arremessos (12 de 2 pontos, 4 de 3 pontos), acertou 24.6% de seus arremessos e cometeu 23 turnovers. É claro que tanta desgraça junta é tão rara quando terremoto, seguido de tsunami seguido de desastre nuclear. Mas acontece.

- O Orlando Magic fez apenas 20 pontos no segundo tempo inteiro, 10 pontos em cada período. O pior quarto da temporada até agora foi do Los Angeles Lakers, que marcou apenas 7 no 3º período contra o Dallas Mavericks. O Magic ficou perto de igualar a marca duas vezes no mesmo jogo.

- Desde a temporada 1985-86, que é o material que o Basketball-Reference.com deixa disponível para pesquisa, apenas 9 equipes acabaram um jogo com 56 pontos ou menos. Os condenados foram o Bulls (em 1999), Nuggets (2002, o ano trágico quando tiveram o pior recorde da NBA), Pacers (98), Bucks (2011, contra o mesmo Celtics), Raptors (2003), Jazz (99, com Malone e Stockton em quadra) e o Heat por TRÊS vezes (2000, 01, 08)

- As marcas do Jazz de Malone e do Magic de Dwight Howard surpreendem porque estão misturadas com alguns times medíocres. O Denver Nuggets de 2002 foi o pior time da NBA naquele ano, o Nenê era novato, titular, e além dele o time tinha Juwan Howard e um bando de mané que nem sobreviveu à NBA após aquele ano. Eu chamo de "O Nuggets de Vincent Yarbrough". Lembram dele? Pois é.

O Heat de 2008 tinha Wade, mas ele e muita gente estavam machucados durante muito tempo. Eles chegaram a ter um elenco recheado de caras fracos da D-League. O time que entrou em quadra naquele dia tinha Chris Quinn, Ricky Davis, Daequan Cook, Mark Blount e Earl Barron. Quem mais arremessou no jogo foi Cook, fez 3/19 arremessos.  Já o Bulls de 99 é aquele pós-Jordan, em que todo mundo se aposentou ou deu o fora e sobrou só o pobre Toni Kukoc. O boxscore do jogo chega a dar depressão.

- Mas o Orlando Magic não marcou apenas poucos pontos, todo o resto foi horrível. Se você pesquisa os times que tiveram aproveitamento de 25% ou menos em arremessos, a lista cai para 5 times além do Magic. E todos marcaram pelo menos 60 pontos em seus jogos. A exceção, claro, é aquele jogo do Bulls citado acima. Eles marcaram 49 pontos acertando 23% de seus arremessos.

- Os 23 turnovers em um jogo são bem mais comuns, mas não a ponto de não chamar a atenção. Na temporada passada, dos 1.230 jogos disputados, em apenas em 37 ocasiões um dos times cometeu pelo menos 23 desperdícios de bola. O recorde foi de 28 do Phoenix Suns contra o Memphis Grizzlies em um jogo com duas prorrogações. Também com 28, empatado mas sem tempo extra, o mesmo Orlando Magic em uma derrota para o Indiana Pacers.

- Agora vamos somar tudo. Quantas vezes um time marcou 56 pontos ou menos, com 23 turnovers ou mais e chutou 25% ou menos em um jogo da NBA desde 1985? A resposta é 1: O Orlando Magic da última noite. Foi uma das piores atuações de um time em todos os tempos. E ainda tem um bônus. Nenhum time acertou tão poucos arremessos em um jogo desde 1985. Até aquele Bulls acertou 19 arremessos na partida, só 16 é a primeira vez.

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Sobre o 8 ou 80
Uma coluna diária que analisa apenas os números da rodada. São estatísticas colhidas nos sites da ESPN, NBA, Elias Sports Bureau, HoopData, 82games.com e Basketball-Reference.com.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O que fazer com Dwight Howard


Dwight Howard tem cosquinha

Minha relação com o Dwight Howard é cheia de altos e baixos: já cansei de criticar o pivô pela falta de evolução no seu jogo, mas já cansei de babar pela sua recente capacidade de mudar os rumos de uma partida sozinho. Tem sido assim entre nós mesmo antes dele entrar na NBA: com os relatos de olheiros antes do seu draft, fiquei preocupado com os avisos de que ele era muito sério e religioso, mas assim que se acostumou com as quadras da NBA fiquei fascinado com o modo como ele se diverte em quadra. Sua capacidade atlética sempre foi impressionante, mas o avanço de aspectos básicos do seu jogo é mais lento do que o Ilgauskas correndo embaixo d'água.

Hoje em dia, mesmo com nossa relação de novela mexicana, já não posso mais negar que Dwight Howard seja o melhor pivô da NBA, independente de quais defeitos possa ter em quadra. O que eu posso negar, e com prazer, é a função de Dwight nesse Orlando Magic e as premissas básicas do time. Por isso é que, antes de mais nada, é importante colocarmos na mesa as facilidade e as dificuldades do pivô para sabermos como funciona a parceria entre o Magic e ele.

Pra começar, Dwight Howard não é um grande defensor individual. Quando outros pivôs jogam de costas para ele, Dwight é facilmente enganado, comete muitas faltas e tem certa dificuldade em manter sua posição. Mas com sua capacidade atlética alienígena e velocidade lateral absurda, é um excelente defensor na cobertura, bloqueando ou ao menos alterando grande parte dos arremessos de jogadores que partem em direção à cesta ou que passaram pelos outros defensores. Não vou entrar nos méritos do Dwight merecer ou não o prêmio de melhor defensor da NBA, basta apenas que entendamos que ele joga bem um tipo de defesa e é bastante fraco em outro. Cabe ao Magic, portanto, saber explorar isso. Jogadores grandes mas pouco atléticos, como Yao Ming era, são excelentes para defender o aro quando o resto da equipe afunila a defesa em dua direção. Dwight, ao contrário, é excelente quando a defesa não leva os jogadores para ele, permitindo que ele venha do lado oposto para bloquear os arremessos. Disso percebemos que o Magic se beneficiaria de uma defesa por zona que permitisse ao Dwight se movimentar para os dois lados do garrafão cobrindo os outros defensores. Não é o que acontece no Magic dos últimos anos.

No ataque, o Dwight é uma força da natureza (como um tsunami ou a Alinne Moraes) quando briga por rebotes ofensivos e pontua em seguida, quando recebe passes logo abaixo da cesta ou então acima do aro, e quando recebe a bola em movimento após fazer um corta-luz na cabeça do garrafão. Nessas situações o pivô pode usar sua explosão, pular por cima de seus defensores ou então ganhar espaço com sua força física antes de pular para pontuar. Quando está de costas para a cesta, ou com um pé para fora do garrafão, aí ele encontra sua kryptonita: seus insistentemente treinados arremessos usando a tabela não são nem um pouco confiáveis, seus movimentos batendo em direção à cesta geram muitos desperdícios de bola e acima de tudo lhe falta uma visão de jogo capaz de passar a bola para o perímetro quando a marcação aperta. O que concluímos com isso, crianças? Que isolar o Dwight Howard com um pé fora do garrafão é furada, que ele não pode ser o principal foco do ataque, e que é verdadeiramente efetivo quando recebe bolas apenas quando bem posicionado abaixo do aro ou nos rebotes ofensivos.

No entanto, esse Magic não foi criado com isso em mente - e mesmo assim tem tido enorme sucesso, o que é assustador. Vale uma breve retrospectiva: quando Dwight começou a ser fodão, especialistas começaram a dizer que faltava apenas um grande arremessador de três pontos para tornar o Magic um forte candidato ao título. Com isso em mente os engravatados começaram a investir em vários jovens arremessadores e ofereceram uma grana absurda para o Rashard Lewis, na época um excelente arremessador que segurava o Sonics nas costas junto com o Ray Allen. O contrato de 124 milhões por 6 anos foi absurdo, mas as equipes pagam qualquer coisa por aquela última peça que finalmente levará o time ao anel de campeão. Na temporada seguinte à chegada do Rashard Lewis, o Magic foi campeão do Leste, mesmo com o Rashard não jogando lá grandes merdas, e perdeu para o Lakers na grande final. Com um jogador dominante no garrafão e bons arremessadores, faltava então um jogador capaz de criar o próprio arremesso para decidir os jogos no final, tarefa que Dwight não conseguia executar. Contrataram o Vince Carter, que havia transformado sua imagem na liga, e que era capaz de dar os arremessos finais. Mesmo com o Carter atrapalhando o ritmo da equipe às vezes e não tendo medo de dar uns arremessos idiotas, o Magic chegou na final do Leste de novo e perdeu para o Celtics.

O Magic não insiste nunca no mesmo erro, sempre muda alguma coisa. Trocaram então por Jason Richardson e Gilbert Arenas, fortalecendo o perímetro e em busca sempre de alguém capaz de criar o próprio arremesso. Aí o time foi um desastre, perdeu na primeira rodada dos playoffs passados, e pior de tudo é que foi para o Hawks, que nem é uma equipe de basquete de verdade.

A equipe de Orlando tem bagos de jumentinho, sem medo de arriscar, de contratar, de trocar. Percebe suas falhas e tenta conseguir peças que arrumem o que está quebrado. Mesmo com alguns problemas óbvios, conseguia chegar longe nos playoffs porque é um baita time, mas isso não basta. Ao chegar na Final da NBA mas perder feio feio, resolveu colocar tudo em risco para aumentar sua chances de título. Não é um time disposto a ficar no "quase". Genial, ponto pra eles, eu também queria ter oito testículos quando eu crescer. O único problema é que eles mudam tudo, menos a base em que a equipe foi formada: um jogador forte no garrafão que abra espaço para arremessadores. E o Dwight Howard não é o jogador ideal para esse estilo de jogo pelos motivos que vimos acima: dificuldade em colocar a bola nas mãos dos arremessadores e dificuldade de criar pontos de costas para a cesta.

Como resultado disso, temos um time que usa demais os arremessos de três pontos. Quando a bola chega no Dwight e gera desperdícios (ou então, cada vez mais frequentemente, lances livres errados porque todo mundo aprendeu que é melhor encher o Dwight de porrada), o elenco perde o ritmo e começa a despencar no placar. É normal que o perímetro então acabe segurando a bola, esperando o momento certo de um chute de três, acione pouco o Dwight e acabe até perdendo as melhores chances de usar o pivô, quando ele consegue espaço abaixo do aro, afinal os jogadores são todos arremessadores e não armadores capazes de reagir às defesas. É um efeito dominó: bolas de três pontos são inconstantes, podem vencer um jogo ou perdê-lo de um minuto para o outro, e não são o arremesso certo quando você precisa de uma bola de segurança em um jogo disputado nos playoffs. Como todo mundo no Magic está focado nos arremessos de três, o Dwight se acha o mais indicado para essa "bola de segurança" e portanto quer receber a bola no final dos jogos, quer ser mais acionado no ataque, quer ser o foco ofensivo. Quando isso acontece, no entanto, o resto do elenco fica lá no perímetro olhando e o Magic perde sua maior arma, que são os arremessos de longe.

O Dwight está de saco cheio, já há duas temporadas dizendo que não é usado ofensivamente como gostaria. Mas nas vezes em que foi usado, o Magic se desmonta e é um time muito mais frágil, que comete muitos erros, de ritmo truncado e sem jogo no perímetro. Nesse modelo, o Dwight sempre vai estar descontente: ou ele recebe pouco a bola e o time ganha mas é inconstante, ou ele recebe mais a bola e o time é mais fácil de ser vencido.

Contra equipes com garrafão muito fraco, como o Houston, o Bobcats ou o Raptors atuais, o Dwight pode vencer o jogo sozinho numa boa, como fez nessa temporada. Mas contra as equipes de garrafão mais forte, e por 7 jogos no caso dos playoffs, o Dwight simplesmente não pode receber a bola constantemente no ataque sem sua equipe ser punida duramente. As derrotas do Magic até agora na temporada  vieram para a marcação do Kendrick Perkins e ontem para o Pistons, com Ben Wallace e Jonas Jerekbo.
Mas o Dwight Howard está descontente ao ponto de pedir para ser trocado. Se quiser, o pivô pode encerrar o seu contrato ao fim dessa temporada e aí dar o fora para um lugar em que ele se sinta mais querido e melhor utilizado no ataque. O que o Magic pode fazer então?

A situação é ainda pior porque o trauma de perder Shaquille O'Neal ainda é fresco na carne. Draftado em 1992, Shaq levou o Magic para uma final da NBA (em que perderam feio para o Rockets de Hakeem) e para uma outra final do Leste (em que perderam feio para o Bulls de Jordan). Depois disso, em 96, o contrato de Shaq terminou e ele se pirulitou para o Lakers onde julgava ter mais chances de título e supostamente não teria que dividir o papel de líder da equipe com ninguém (no Magic, havia um jovem Penny Hardaway). O Magic levou uma década para se recuperar da saída do Shaq, e foi justamente com a chegada de outro pivô dominante e bonachão, que os levou de novo a uma derrota na final do Leste e outra na final da NBA. Coincidência? E você que pensava que o mundo real não era igual a novela da Globo...

Manter o Dwight a todo custo, tentando convencê-lo de que esse elenco atual pode ser campeão em breve,  é o que o Magic decidiu fazer. Ignorou seus pedidos de troca, estreitou a comunicação com o jogador, e está focado na atual temporada. Mas e se der tudo errado e o Dwight der o fora ao fim da temporada? E se o Dwight fizer o que fez Shaquille O'Neal, ou LeBron James com o Cavs, que foi um trauma mais recente? O Magic fica sem nada a não ser um bizarro elenco formado apenas de arremessadores. Para evitar esse tipo de coisa é que o Nuggets trocou Carmelo Anthony e o Hornets trocou Chris Paul, ninguém quer sair com as mãos abanando como saiu o Cavs.

O Magic só tem duas coisas que pode fazer. A primeira é trocar o Dwight até a data limite permitida para trocas na NBA, que será 15 de março nessa temporada. Ofertas por ele já estão na mesa, especialmente uma do Nets que incluiria o jovem pivô Brook Lopez. Outras ofertas devem aparecer, especialmente de times novos e ruins, mas o Dwight pode dizer que não assinará contrato com essas equipes, e aí o Magic não conseguirá trocá-lo. O pivô já avisou que gostaria de ir para os times de sempre, Knicks e Lakers, mesmo se esses times não tiverem nada especial para mandar em troca. É claro que as duas equipes podem esperar o contrato do Dwight acabar para que ele vá para lá por livre e espontânea vontade, mas sempre há a chance de um time aleatório conseguir uma troca e convencer o Dwight a ficar, como aconteceu com o Clippers e o Chris Paul. O Magic pode esperar até a data limite para que times desesperados façam melhores ofertas, mas se nada bom surgir é possível que Knicks e Lakers não mandem nada esperando que o Dwight vá para lá sozinho na temporada que vem.

Outro problema de trocar o Dwight é que o Magic não é uma equipe em reconstrução, pelo contrário, é uma equipe preparada para disputar títulos imediatamente. O Magic está atolado em contratos longos com jogadores secundários e arremessadores, tudo na crença de que o Dwight fique para sempre como força no garrafão. Sem Dwight, o que fazer com esse monte de jogador mais-ou-menos e essa coleção imensa de arremessadores? É por isso que faria sentido para o Magic não trocar por pirralhada, como é o costume, mas sim por outra presença no garrafão - talvez uma que até se adeque mais a esse esquema "isolar um pivô lá embaixo para abrir espaço para os arremessos". Andrew Bynum seria perfeito (embora oficialmente o Lakers diga que nunca, nunca, nunca ofereceu Bynum por Dwight) e, para mim, Brook Lopez seria fantástico nesse esquema. Ele sabe criar o seu espaço, tem um arremesso de média distância completamente mortal, e poderia ser isolado ali com um pé para fora do garrafão onde o Magic insiste em isolar o Dwight. Na defesa o Brook Lopez é muitíssimo pior, quase medonho, mas se sairia muito bem no esquema atual do Magic de só usar o pivô como um cara grande lá embaixo para intimidar as infiltrações. A oferta do Nets parece permitir que o Magic mantenha o esquema atual, as chances de título, e o Brook Lopez até se encaixa melhor nessa bagunça que o Magic quer fazer. O maior obstáculo para essa troca é que o Brook Lopez quebrou o pé direito e deve voltar muito próximo da data limite para trocas - mas andei lendo por aí que ele não deveria voltar antes de junho, e que se estiver em quadra antes será algo perigoso e forçado apenas para tentar a tal troca pelo Dwight. O Magic teria que trocar sabendo que essa temporada foi pro saco, que o Brook Lopez não está em condições. Se for pra fazer isso, então é melhor trocar agora mesmo, imediatamente, e jogar a temporada no lixo mesmo em busca de uma escolha de draft.

Se não trocar o Dwight, que é outra opção possível, o Magic precisa ir longe nos playoffs para provar para o pivô que ele está no lugar certo. Como fazer isso? Muita coisa precisa mudar. A primeira, e mais óbvia, é instaurar uma defesa por zona constante, o tempo todo mesmo, que permita ao Dwight ser verdadeiramente a maior força defensiva da NBA. Mesmo que leve uma temporada inteira para que ela funcione direito, seria algo mortal nos playoffs - e seria particularmente eficaz contra o Heat, atualmente o pior time em aproveitamento contra essa defesa. No ataque, todo o foco precisa mudar. O Dwight não deve mais ser isolado, e a bola não deve ficar girando no perímetro. O Magic precisa virar um time de pick-and-rolls constantes, como era o Suns de D'Antoni, com Jameer Nelson e Turkoglu atacando a cesta sem parar com corta-luz do Dwight, e soltando a bola para ele quando o espaço existir. Os arremessadores de três estarão a postos para o espaço criado pelo pick-and-roll, e não pelas movimentações de costas do Dwight Howard. Ryan Anderson é melhor do que o Rashard Lewis jamais foi nessa equipe e precisa ser envolvido no ataque, com jogadas para ele e o Dwight apenas nos rebotes. É uma mudança bem drástica de estilo de jogo, o Dwight precisa topar não ser isolado o tempo todo, mas vai perceber logo que receberá bem mais a bola do que jamais imaginou se seu jogo se concentrar em corta-luz na cabeça do garrafão. Resumindo: para o Magic ter reais chances e ter alguma chance do Dwight ficar, é preciso mudar de técnico. Adeus, Stan Van Gundy, você fede. Se o seu estilo de jogo continuar sendo executado, é melhor você se acostumar com a ideia de executá-lo com o Brook Lopez. Com o Dwight, o negócio é esse: defesa por zona e corta-luz. O resto pode até levar a equipe a uma outra final da NBA, mas de uma coisa temos certeza: não será o bastante.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A fantasia de um mundo sem patrão

O Itaquerão da Flórida


Hoje aconteceu mais uma reunião entre a Associação dos Jogadores e os donos de equipes da NBA. O clima para antes do encontro era ótimo, o pessoal dos boatos já dizia que o Derek Fisher, presidente da Associação, já havia mandado até mensagens para os jogadores dizendo para eles irem se preparando fisicamente para a temporada, notícia que ele desmentiu depois. De qualquer forma os dois lados pareciam mais dispostos do que antes e existia um ar de otimismo.

Mas o final não foi de conto de fadas. Derek Fisher e Billy Hunter, o advogado que negocia em nome dos jogadores, saíram da reunião dizendo que poucos progressos foram feitos e que não existe razão para achar, hoje, que o Training Camp e a Pré-Temporada vão ocorrer no final de Setembro e começo de Outubro como previsto. Se a temporada começar na hora certa, será com o sacrifício dessas duas fases. Pelo jeito alguns avanços foram feitos nas questões econômicas, mas que além delas ainda existem questões da estrutura e formato da liga (que também influenciam a questão econômica) que os jogadores não aprovaram.

As razões e ambições dos dois lados a gente já discutiu aqui. Falamos da briga entre a divisão da renda, do hard cap/soft cap, garantia de salários e tudo mais. E já que falamos dos problemas, que tal agora uma solução? Propostas de novos formatos pipocam a toda hora, mas um deles foi o que mais me chamou a atenção e o que vou reproduzir aqui. É uma liga sem donos, criada pelos jogadores e gerenciada por eles com o apoio de governos municipais.

A proposta nasceu em um texto do economista David Berri, e vale a pena um parênteses para falar sobre o cara. Ele é formado em Economia e é especializado em esportes, ganhou fama ao escrever o livro "The Wages of Win", que analisa de forma racional, econômica e estatística os 4 grandes esportes americanos: Beisebol, Basquete, Hóquei e Futebol Americano. Lá o autor discorre, por exemplo, sobre o quanto a folha salarial influencia nas vitórias de um time de beisebol, o quanto o desempenho de um quarterback define o sucesso de um time de futebol americano e, no basquete, ele cria uma nova maneira de medir o quanto um jogador, individualmente, contribui para a vitória da sua equipe, é o "Wins Produced", que é algo impossível de entender e mais ainda de explicar, mas os resultados podem ser vistos aqui. O importante é que ela vai completamente contra as formas acumulativas de medir eficiência, aquelas que simplesmente somam pontos, rebotes, assistências e outros números que vemos no box score.

Todo mundo vê David Berri como alguém que analisa a NBA da forma mais diferente possível. Concordando ou não, é interessante que ele tenta ver o esporte por outra perspectiva que vai além do lugar comum que jornalistas e comentaristas esportivos veem. Provavelmente por ele ser um economista, não alguém da imprensa ou ex-atleta, claro.

No texto que Berri fez para o Huffington Post, ele dispara a pergunta: Os jogadores e as cidades dos EUA realmente precisam dos donos?

A primeira coisa que ele traz à tona são histórias conhecidas: A mudança do Sacramento Kings para Anaheim, que quase aconteceu na temporada passada, e que é muito parecida com a história do fim do Seattle Sonics e sua mudança para Oklahoma City. Nos dois casos a NBA pressionou as franquias para a construção de novos ginásios, construções maiores, com mais lugares, ingressos mais caros e maior área de entretenimento e alimentação. Em outras palavras, mais formas dos torcedores saírem de casa e ir lá torrar dólares mesmo que o time seja ruim.

Mas tanto o Sonics como o Kings não tinham dinheiro para bancar arenas milionárias e foram então correndo atrás da prefeitura da cidade atrás de financiamento. A de Seattle votou e decidiu que não iria gastar dinheiro público com arenas esportivas para uso de equipes privadas, já a de Sacramento, onde o prefeito é o ex-jogador da NBA Kevin Johnson, decidiu tirar a mão do bolso e prometer que vai construir um novo ginásio em um futuro próximo, fazendo a NBA e os donos da franquia, os irmãos Maloof (façam vocês as piadas), esquecerem temporariamente a ideia de mudar de cidade.

Não são fatos isolados, isso aconteceu mais vezes. O Orlando Magic tinha uma das arenas mais velhas da liga, então logo a NBA pressionou o time e cidades como Oklahoma City (na época sem o Thunder), Kansas City e Las Vegas estavam babando para pegar o Magic. Então a franquia foi falar com a prefeitura da cidade e negociaram uma maneira da cidade bancar o projeto: Dos 450 milhões de dólares que o ginásio custou, o Magic pagou 50 milhões, a prefeitura e uma nova taxa cobrada em hotéis da cidade (se você é um turista que foi pra Disney, ajudou a pagar) bancaram o resto. Como compensação a cidade recebeu uma parte dos direitos de nome (Amway Center, que custou 40 milhões à empresa de vendas diretas) e 1 milhão de dólares por ano pelos próximos 30 anos do Orlando Magic.

E tem mais: A arena do Charlotte Bobcats foi 100% paga com dinheiro público, assim como as do Memphis Grizzlies, Phoenix Suns e Oklahoma City Thunder. A do San Antonio Spurs foi 85% paga pela prefeitura, a do Houston Rockets 81% e a do Dallas Mavericks, 50%. Todas essas arenas construídas nos últimos 10 anos.

Isso está soando bem familiar, não é? Estádios da Copa do Mundo estão sendo feitos pelo governo para depois serem entregues a clubes privados e Andrés Sanchez está sorrindo em algum lugar. Os argumentos usados aqui são os mesmos usados lá: fará bem para a cidade, dará lucros para todos a longo prazo, irá movimentar a economia da região, gerar empregos e etc, etc, etc que ouvimos de todos os políticos que decidem bancar a brincadeira.

Esse assunto é tratado em dois outros textos que li recentemente, um é o já citado Soccernomics, livro que é um Wages of Win do futebol, e em uma matéria da revista piauí sobre a Copa do Mundo da África do Sul, "A Copa do Cabo ao Rio" da Daniela Pinheiro. Ela até cita o Soccernomics no texto dela quando o assunto é a construção de obras em cidades que vão sediar Olimpíadas ou Copas do Mundo. Ambos os textos concluem que o custo de infraestrutura e construção de obras sempre supera a receita da competição, e que o tal aquecimento da economia da região (cidade, bairro, entorno da arena) é impossível de medir já que as projeções são sempre feitas a longo prazo e, logo, influenciadas por outras trocentas mil coisas. Como saber se a economia de Phoenix foi beneficiada pela arena nos últimos 10 anos se a crise econômica mascarou tudo?

Existe, portanto, algum lado bom em sediar uma Copa do Mundo ou, no caso dos Estados Unidos, ter uma franquia da NBA em sua cidade? Sim. De acordo com pesquisas realizadas nas cidades com essas características dá pra ver que a população local fica mais feliz, que o sentimento de patriotismo ou bairrismo aumenta e que a auto-confiança da cidade transparece. Vale a pena pelo intangível, não por questões econômicas. O Soccernomics chega a ir além ao mostrar que seleções nacionais disputando grandes torneios e equipes que criam identificação com cidadãos de sua cidade são capazes de prevenir suicídios.

Voltamos então à questão de uma liga criada pelos jogadores. As cidades já gastam muito com os times e os jogadores são o material imprescindível para a qualidade do espetáculo, onde entram os donos na história? Como bem lembra o David Berri, no capitalismo os donos entram com o capital (prédios, instalações, maquinário) e os trabalhadores com a sua força de trabalho, a renda depois é distribuída entre as duas partes. Mas na NBA o governo está bancando uma parte enorme do capital (os ginásios onde eles jogam, a parte mais cara de ser um time) e o resto (viagens, salários) podem ser pagos por qualquer fonte de renda, como direitos de TV que os jogadores receberiam em sua totalidade se fossem donos das próprias equipes. Outra coisa, na NBA os trabalhadores não podem ser substituídos por quaisquer outros, é um negócio completamente diferente se você trocar o Kobe Bryant pelo Nezinho no Los Angeles Lakers. 

A ideia, portanto, é: Os jogadores, unidos, procuram um grupo de cidades que não tem times de basquete profissional e oferecem a ideia de uma liga. As cidades bancam o ginásio, os jogadores entram com sua força de trabalho. O lucro gerado por ingressos, TVs e produtos é distribuído entre os jogadores da maneira que eles acharem mais justa (isso dá pano para discussão, mas aí é jogador contra jogador até virar uma Revolução dos Bichos, pelo menos) e outra parte vai de compensação para a cidade, que está investindo na sua população, como já o faz, mas dessa vez até recebendo financeiramente em troca, já que não existe o dono do time para tirar um pedaço.

Essa liga perderia coisas muito importantes, primeiro o nome "NBA", uma marca muito forte ao redor do mundo, além dos direitos à história da liga (nada mais de clipe de abertura das finais com cenas do Michael Jordan fazendo falta de ataque no Byron Russell) e de outras marcas famosas como Los Angeles Lakers e Chicago Bulls. Seria como começar do zero, o dinheiro seria menor, mas quem é fã de basquete provavelmente não iria deixar de assistir se, no fim das contas, mesmo em outros uniformes, estivessem Kobe Bryant, LeBron James, Tim Duncan, Derrick Rose e Kevin Garnett dentro de quadra.

Porém, mais do que o funcionamento e rendimento dessa liga, que poderia ser até temporária na minha opinião, o David Berri argumenta que seria uma forma dos jogadores mostrarem na prática o seu lado e sua importância. Que eles podem viver sem os donos, mas que os donos não podem viver sem os jogadores, e assim ganhar espaço e apressar as negociações.

A criação da liga em si é ainda uma fantasia. Não deve chegar perto de acontecer a não ser que a temporada seja realmente cancelada, e mesmo assim eu vejo mais os jogadores indo para a Europa ou China do que se dando ao trabalho de criar uma liga própria. Mas o mérito do raciocínio do David Berri é questionar o quanto os jogadores realmente necessitam dos donos e trazer à tona a questão da ajuda pública para esses times. Trazer as cidades para a questão foi importante, mas por enquanto, como o exemplo de Sacramento mostrou, os prefeitos ainda são obedientes aos donos para não ter que arcar com o mico de dizer a seus eleitores que deixaram o seu time querido fugir da cidade.

A greve parece que vai ser longa, bastante tempo pra gente divagar sobre esses assuntos.

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Algum assunto que você quer ver abordado aqui no Bola Presa? Faça sua sugestão nos comentários. Não prometemos obedecer, claro, mas não custa tentar.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Mulher Invisível

Dwight Howard também quer ser trocado pelo Jeff Green, e
 promete que iria sorrir bem mais que o Kendrick Perkins

Na partida de ontem entre Bulls e Pacers, Derrick Rose teve mais uma atuação incrível para levar o Bulls à vitória, com 36 pontos. Muita coisa deu errado para a equipe de Chicago, no entanto. Depois que o Tyler Hansbrough fez a festa em cima da defesa pobre do Carlos Boozer no Jogo 1, o técnico Tom Thibodeau fez questão de mudar a movimentação defensiva no garrafão, o que foi um desastre. Boozer passou a marcar mais fora do garrafão, onde ele é péssimo e sempre pula em qualquer ameaça de arremesso, e Noah passou a ser responsável pela ajuda defensiva dos dois lados. O resultado foi uma defesa muito pior, cheia de erros na ajuda, na rotação, uma atuação estabanadíssima do Noah, e um Boozer que estava tentando, tadinho, e que é muito pior quando tenta. Ainda assim, com um dos pilares do Bulls desmoronado (e precisando ser reconstruído para a próxima partida), o esquema tático permitiu que Derrick Rose desse 25 arremessos, cobrasse 13 lances livres e saísse vitorioso. Aí está a vitória do esquema de Tom Thibodeau mesmo quando algo dentro do seu esquema dá errado. O elenco foi montado para algo específico e consegue manter as pontas do plano geral mesmo se algo menor, algum componente do todo, for pela privada.

É o oposto do que acontece no Orlando Magic. Dwight Howard teve uma das atuações mais dominantes de um jogador de garrafão nos últimos anos, com 46 pontos, 19 rebotes, 22 lances livres cobrados, e tudo isso contra um time em péssima fase, sem as peças necessárias para vencer uma série, e mesmo assim o Magic saiu derrotado. É algo que eu insisto aqui faz muito tempo: quanto mais o Dwight Howard toca na bola, pior o Magic fica. E isso não é culpa do gigante sorridente, mas do esquema tático e do modo que esse elenco foi formado.

Todo mundo que acompanha o Bola Presa sabe que eu pego no pé do Dwight desde seu segundo ano na NBA, simplesmente porque o jogo dele demorou demais para evoluir e ficava claro que ele estava satisfeito com o que já tinha. Foi apenas quando começou a receber menos a bola e pedir mais posses de bola no ataque que os treinos foram se intensificando e seu jogo começou a ficar sólido. Demorou muito, mas agora é hora de dar os méritos devidos ao rapaz. Seu jogo dentro do garrafão não é genial, ele sempre será duro, como se o Dwight fosse o Robocop, porque não é fruto de entendimento do jogo, mas sim de repetição mecânica em treinamentos. Mas seu posicionamento no garrafão melhorou tanto, tanto, que seus movimentos de cara com torcicolo são agora muito eficientes. É legal ver que no começo de seu treinamento com o Patrick Ewing, os movimentos que o Dwight tentava fazer embaixo da cesta eram refinados, cheios de giros e ganchos complexos, além de um arremesso de média distância, e sempre davam errado. Agora esses movimentos foram reduzidos ao mínimo necessário para que funcionem, são duros, rápidos, curtos, sem frescura ou habilidade. Casam perfeitamente com as possibilidade do Dwight, são mais eficientes para ele, e tornaram o pivô uma grande arma ofensiva. Agora finalmente podemos dizer que ele tem uma série de movimentos que são seus, que funcionam, que lhe são naturais e que não exigem esforço. Parabéns, Dwight! Mas quanto mais ele usa esses movimentos, mais o Magic perde.

A lógica é simples. Alguns times são montados para funcionar no modelo do que se chama de "inside-out", ou seja, a bola entra no garrafão e se não houver uma cesta simples essa bola é mandada para o perímetro, de onde vem um arremesso de longa distância ou um passe de volta para o garrafão. É um excelente modo de trazer a defesa para perto do aro, abrir espaço para os arremessadores, e não permitir que a defesa se comprometa apenas com uma parte da quadra. O Magic foi claramente construído com isso em mente, mas há um sério problema: Dwight é terrível passando a bola, por uma série de motivos. Pra começar, seus movimentos no garrafão são mecânicos, decorados, ele apenas executa ao invés de reagir. Ele não é capaz de ler a defesa, reconhecer uma marcação dupla, proteger a bola de um ladrão, passar para o jogador que corta em direção à cesta. Não, ele apenas faz o movimento que aprendeu e se tiver marcação dupla, tripla, um leão ou os Power Rangers, ele simplesmente vai tentar concluir o movimento na base da força e da explosão. Para piorar, o Dwight tem clara dificuldade quando está mais longe da cesta, com um dos pés pra fora do garrafão e quando precisa começar a jogada de costas para seu marcador. É nessas horas em que seus movimentos são mais robóticos, com giros programados, e portanto são os momentos em que ele tem mais dificuldade de interromper o movimento e passar a bola (é como se fosse videogame ruim, tipo NBA Live, e depois de colocar um comando você não tem mais como voltar atrás). O problema é que ficar de costas para o marcador com um pé fora do garrafão é o momento em que os pivôs ficam sempre mais vulneráveis a ter a bola roubada ou a receber marcação dupla, tornando o Dwight um jogador muito propenso a desperdiçar a bola e não concluir seus passes.

Se o Magic foi criado para ser um time de "inside-out", a bola deveria sair do Dwight e chegar nos arremessadores de três, que devolveriam para o Dwight caso a marcação chegasse. Mas o Dwight perde bolas demais e não consegue efetuar os passes, criando uma cisão. Os arremessadores não confiam no Dwight, não procuram o pivô no ataque, e acabam arremessando sob marcação. Quando acontece do pivô receber a bola, ela não volta para o perímetro, então se o Dwight for eficiente os arremessadores acabam saindo do jogo, ficam só assistindo. O Magic é claramente um time montado para ter um pivô cercado por 4 arremessadores, mas ao invés de funcionarem como um sistema único, funcionam como partes isoladas. Quando uma dessas partes joga, a outra assiste. A solução, com esse elenco, eu já disse aqui: Dwight não pode ser estrela e ficar recebendo a bola de costas para a cesta pra finalizar. Deve interferir no jogo através da defesa, dos tocos, dos desvios de bola, e fazer apenas cestas fáceis comuns a todos os pivôs, ou seja, em rebotes ofensivos ou passes de armadores que tentaram infiltrar. Se ele receber a bola demais, o resto do time desaparece.

Se o Magic tivesse jogado normalmente contra o Hawks, ignorando o Dwight Howard, eles teriam ganhado a partida por 400 pontos - e tudo por causa do Howard. Ele teria vencido o jogo na defesa, tapando o garrafão, teria conseguido rebotes de ataque, teria feito cestas simples embaixo do aro que sobrariam pra ele assim meio sem querer. Não teria marcado 46 pontos, sairia com no máximo 16, mas a série estaria liquidada. Dentro desse Magic, o Dwight só deveria ser acionado quando consegue posição exatamente debaixo do aro, empurrando o seu defensor na marra, e aí não corre o risco de marcação dupla ou de ter que passar a bola. Justiça seja feita, o pivô tem cada vez mais conseguido estabelecer essa posição embaixo da cesta. O problema é que surge um paradoxo bizarro: nessas situações ele quase nunca recebe um passe.

Em geral, quando uma jogada é chamada para o Dwight, ele vai receber com um pé fora do garrafão e aí começa a movimentação ofensiva. Mas o posicionamento adquirido debaixo do aro não é algo que pode ser chamado, é algo que simplesmente acontece devido ao posicionamento da defesa, da força física do adversário, e em geral acontece no meio de uma jogada de ataque que não envolva o pivô. Cabe aos armadores reconhecerem esse posicionamento privilegiado, parar a jogada na metade e mandar pro Dwight. É simples. Mas o Magic não tem armadores puros, o Jameer Nelson e o Gilbert Arenas estão lá para ser arremessadores. O Turkoglu é o melhor em acionar o Dwight nessas situações, fato, mas o elenco inteiro está meio perdido em quadra, porque a função de todo mundo é arremessar e eles não sabem muito bem como, nem quando, porque tem gente demais para isso. O próximo arremesso é do J-Rich, do Nelson, do Arenas, do Turkoglu, ou do Ryan Anderson? As jogadas não são orgânicas, não são reações a movimentações do adversário, e por isso dificilmente alguém reagirá ao posicionamento do Dwight debaixo do aro. Por três vezes no jogo contra o Hawks, Dwight Howard conseguiu o espaço necessário para uma cesta fácil e não recebeu a bola - recebeu, sim, uma violação de 3 segundos no garrafão. Então mesmo nos jogos em que o Dwight está sendo constantemente acionado, como foi nessa partida em que marcou 46 pontos, ele não recebe a bola nas ocasiões em que deveria, simplesmente porque o time é mais travado que garota frígida, fica tentando achar um arremesso de três à força e não sabe nunca quem deve ser o arremessador da vez.

Curiosamente, o Dwight Howard tem todos os atributos para ser um jogador de pick-and-roll graças à sua velocidade, sua impulsão e sua facilidade em correr pela quadra, mas o Magic é um dos times da NBA que menos usa a jogada. E pior, usa apenas para criar espaço para o Jameer Nelson (o Synergy Sports deda: 60% das vezes a jogada é com ele), e é sempre procurando um arremesso, a bola não vai para o Dwight. O Magic foi criado como um time para arremessadores de três e um pivô, e não terá pick-and-rolls enquanto o técnico for Stan Van Gundy.

A princípio, eu achei que a volta de Turkoglu faria com que o Dwight fosse acionado nas horas certas. Achei que Gilbert Arenas, que gosta de criar o próprio arremesso, seguraria mais a bola e exploraria o Dwight só quando necessário. Mas não: Arenas não sabe usar pick-and-rolls nunca, e foi relegado ao cargo de simples arremessador; e Turkoglu aciona cada vez mais Dwight de costas para a cesta, onde a bola nunca voltará ao perímetro, onde o Dwight sofre inúmeras faltas (comprometendo o time tanto com seu baixo aproveitamento quanto na interrupção do ritmo de jogo), e onde ele perde mais bolas para a marcação. Aliás, vale lembrar: Dwight errou 8 lances livres contra o Hawks, dos 22 que tentou. O aproveitamento é bom para ele, mas é péssimo para o time e atrapalha demais o ataque se o time adversário tiver vários jogadores de garrafão para ficar só descendo a porrada nele. E o Hawks tem, por isso não tem medo de descer o sarrafo no pivô. Some a isso o fato que o Dwight desperdiçou 8 bolas (incluindo as três violações de 3 segundos no garrafão por não receber a bola) e fica  fácil ver que o time perde muito para que ele seja capaz de marcar 46 pontos.

É nessa hora que a comparação com o Derrick Rose é tão frutífera: o Bulls é montado para que o Rose possa arremessar oito mil bolas, a própria mãe, e dance a macarena, porque o resto do elenco está ali parasuporte, para segurar na defesa, para aliviar nos arremessos quando ele passa para fora. O Magic é construído para que o Dwight faça aquilo que ele não sabe fazer, que é passar a bola, e ignora aquilo que ele faz de melhor, que é o posicionamento embaixo da cesta e o pick-and-roll. Antes eu culpava o Dwight, agora tenho pena dele. Seu jogo tem vários pontos altos, mas nesse elenco, com esse técnico, a melhor coisa que pode fazer é mudar de super-herói e virar a Mulher-Invisível. O Magic só vai ganhar se não deixar o Dwight marcar 46 pontos nunca mais nessa série. Nunca. Mais.

O pior é que do jeito que está, o Magic ainda assim é bom o bastante para chegar numa Final de NBA. Há uma bagunça entre os arremessadores, ninguém tem papel definido, o Dwight não pode ser acionado, mas com leves ajustes dá para criar um esquema vencedor - e mesmo assim vai ser um esquema idiota porque não usa bem as potencialidades de ninguém nesse elenco. Com uma repensagem desse esquema tático, dá pra criar uma potência de novo, mas aí vai esbarrar sempre nisso: qual vai ser o papel do Dwight? Quantas bolas por jogo ele pode arremessar, e de que lugar da quadra? Que tipo de elenco de suporte ele precisa para poder ter carta branco como Derrick Rose? Ou será que ele simplesmente aceitaria ser secundário, tocar pouco na bola, e vencer os jogos na defesa? Desconfio que não e, portanto, será sempre mais difícil encontrar lugar para jogar em plenas condições. Não que um dia ele vá parar na Turquia, mas talvez nunca vejamos ele fazendo aquilo que poderia fazer de melhor, e isso pra mim é tão triste quanto a Turquia - ter que ver o Super-Homem brincando de Mulher-Invisível pra vida toda.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

De volta pra casa

O Turkoglu é o da esquerda

A situação do Turkoglu no Suns era a maior furada. Tudo que ele sabia fazer era redundante na equipe, e tudo aquilo de que a equipe precisava era justamente o que o turco não podia fazer. O Turkoglu não é nenhum gênio, mas ele é um baita de um jogador se você colocar a bola em suas mãos e deixar que ele arme o jogo, distribua a bola quando quiser, infiltre para criar o próprio arremesso e fuja do garrafão para arremessar de três. No Suns, apenas a parte dos arremessos de três poderia ser utilizada, porque o responsável por segurar a bola e armar o jogo é o soberano Nash, e o time precisava desesperadamente de uma presença no garrafão - nem que fosse apenas na defesa, vai. O turco simplesmente não se encaixava no Suns, assim como não tinha se encaixado no Raptors. Quando postei sobre o jogador um tempo atrás, disse que ele não tinha esperanças de encontrar um lar já que parecia combinar apenas com o estilo de jogo do seu ex-time, o Magic, de onde havia saído para entupir as orelhas de dinheiro.

Mas como diz o filósofo Badauí, "o mundo dá voltas" e eis que o Turkoglu voltou para o Magic em uma troca gigante, que comentamos bastante aqui. Apesar da bagunça, de tanta gente nova, de perder dois titulares e de não conseguir treinar com o novo elenco, o Magic ganhou 11 de suas últimas 16 partidas desde a troca. Todo mundo esperava que os novos jogadores batessem cabeça, que o Arenas apontasse uma arma para alguém ou trocasse a água de todo mundo por xixi, que demorasse para o técnico Stan Van Gundy encontrar um novo padrão de jogo e uma rotação definida. Mas foi tudo mais simples do que parecia, em parte porque o técnico com cara de pizzaiolo foi bastante conservador e tentou manter tudo o mais próximo possível de como era, mas também em parte porque o Turkoglu se sentiu novamente em casa.

As médias do turco não lembram as dos seus antigos momentos no Magic, agora o time é forrado de pontuadores e Turkoglu não tem mais que segurar o ataque nas costas com 20 pontos por jogo, mas só de ter a bola nas mãos e voltar a armar já podemos ver seus olhinhos brilhando. E a melhora da equipe ao colocar a armação nas mãos do turco é gigante simplesmente por um motivo: ele consegue acionar o Dwight Howard embaixo da cesta. Quando a armação cabe ao Jameer Nelson, por exemplo, a impressão é sempre de que a prioridade é o arremesso. De fato, sobra espaço para arremessar (especialmente após algum corta-luz do Dwight) e, quando a marcação aperta no armador, em geral isso significa que outro arremessador está livre para receber a bola. Quando a equipe precisa de agressividade, o que se cobra é que Jameer Nelson ataque mais a cesta, segurando mais a bola e assumindo a responsabilidade. Dwight Howard só é acionado então no início das jogadas quase como um plano secundário, em geral com apenas um pé dentro do garrafão, de costas para a cesta. Quando o jogo se aproxima do final, sequer é acionado porque - como eu insisto em dizer, enchendo o saco do pivô - não consegue converter lances livres, sofre faltas constantemente, e tende a perder a bola tentando infiltrar no garrafão. Não tenho nenhuma dúvida de que, no final dos jogos, o Magic é um time melhor sem Dwight em quadra. Mas o Turkoglu mudou tudo isso com sua capacidade de colocar a bola nas mãos do Dwight embaixo da cesta (ou em cima dela, numa quantidade enorme de pontes-aéreas). Num elenco de arremessadores e pontuadores que não confiam em seu pivô para definir jogos, o Turkoglu surpreende com passes longos, altos, que colocam Dwight de frente para a cesta sempre em possibilidade de finalização. Não é à toa que o Turkoglu tem agora a melhor média de assistências da carreira, e que a média de pontos do Dwight tem subido cada vez mais (é de quase 30 pontos nós últimos 5 jogos).

O problema não é bem o tipo de jogador que o Dwight Howard é, mas que tipo de jogador ele e seus companheiros pensam que ele é. Se continuarem achando que ele pode jogar de costas para a cesta fora do garrafão, acertando arremessos longos usando a tabela e ganchos em movimento, batendo bola para cima da marcação, teremos apenas a constatação de suas dificuldades, da falta de evolução em seu jogo e de como ele compromete uma equipe no ataque nos momentos importantes de um jogo apertado. Admitir os problemas do jogo do Dwight é o primeiro passo para explorar suas qualidades e saber usá-lo de forma correta, algo que o Turkoglu parece perceber agora. O Dwight tem que receber mais a bola, mas no alto, dentro do garrafão, nas costas dos defensores - e não fora do garrafão pra tentar imitar o Duncan.

Esse Magic que aciona o Dwight Howard em melhores situações de arremesso é muito mais eficiente. Quanto mais a defesa adversária se preocupa com o miolo do garrafão, mais difícil é dobrar a marcação no pivô com eficiência e mais espaço sobra para os arremessadores. Jameer Nelson agora tem carta branca para arremessar o quanto quiser, especialmente quando o Turkoglu assume a armação, e Jason Richardson já nasceu arremessando a placenta na lata de lixo, para ele o esquema tático do Magic é muito natural. A única coisa mais diferente nesse grupo é a entrada do Brandon Bass como titular no garrafão, algo de que eu gosto bastante mas que muda o desenho do Magic em quadra mais do que o Van Gundy acha saudável. Seu forte é o jogo de meia distância, algo que falta no Magic e que o técnico abomina, mas que funciona muito bem especialmente com o turco cuidando da armação. Mas o time sempre pode voltar para o esquema tático antigo simplesmente colocando o Ryan Anderson em quadra, que sempre foi um clone do Rashard Lewis e agora com mais minutos conseguiu provar que pode manter os mesmos números do seu sósia mais famoso (e mais caro). O Ryan Anderson também é um especialista em três pontos que alarga a marcação e abre mais espaço para o Dwight, não demanda a bola e quebra um galho na defesa. Com a falta de treinos e as mudanças tantas no elenco, toda vez que o Stan Van Gundy quer voltar a um ar retrô, à segurança dos bons e velhos tempos, coloca o Ryan Anderson na quadra. É uma espécie de estabilidade nostálgica que tem funcionado bem e ainda joga na cara do Rashard Lewis o quanto ele era desnecessário pra esse Magic que pode colocar qualquer outro arremessador de três mais altinho para ocupar seu lugar.

Quem ainda não se encaixou no grupo foi o Arenas, mas o Van Gundy também não está muito disposto a arriscar a estabilidade do elenco para dar mais minutos ao armador. A prioridade é não colocar Jameer Nelson e Arenas juntos em quadra, para assim garantir a armação do Turkoglu que vem dando resultado e os minutos do JJ Redick, que finalmente ganhou a confiança do técnico nos arremessos e na defesa. Uma escalação mais baixa, que colocaria Arenas em quadra junto com os outros tantos armadores, é cada vez mais deixada de lado para que o Ryan Anderson possa jogar mais e mais minutos e manter o padrão tático do Magic de uns tempos atrás. Resta ao Arenas, então, aproveitar os minutos limitados e decidir se ele será armador ou arremessador, porque a dúvida tem tornado seu jogo bastante inseguro e inconsistente. Com mais tempo de time tudo deve ficar mais confortável para ele, mas nunca chegará ao nível de conforto que o Turkoglu experimenta ao estar em um esquema tático que se aproveita de todas as suas qualidades e camufla todas as suas dificuldades. Esse é o tipo de coisa que faz a carreira de um jogador, que lhe garante contratos milionários, que faz a gente achar o jogador espetacular, até que de repente mude de time para uma situação diferente e todos os seus defeitos sejam expostos e nos deixem com cara de otário. Toda essa bobagem de "que jogador é melhor, Deron Williams ou Chris Paul" nunca leva em conta que os esquemas táticos são, em geral, os grandes responsáveis pelo rendimento de um jogador. Coloque o Deron no Hornets e o Chris Paul no Jazz e subitamente teremos dois jogadores muito piores do que estamos acostumados a ver.

Um exemplo ótimo para isso é o Tracy McGrady. Já foi um dos melhores jogadores do planeta nos seus tempos de Magic e de Houston, até que durante uma de suas trilhões de lesões o Houston se tornou um time veloz, de contra-ataques, de jogo coletivo, sem ninguém segurando a bola, e aí a simples ideia de que o T-Mac pudesse voltar às quadras dava calafrios na espinha do técnico Rick Adelman. Nas poucas vezes em que pisou na quadra após a lesão, T-Mac ainda parecia um bom jogador, mas lento, sem explosão, com a bola nas mãos - incapaz de acompanhar o ritmo da equipe ou de manter o jogo fluindo. Parecia um velhinho caquético tomando purê de maçã na veia. Quando foi mandado para o Knicks, parecia ainda mais lento no esquema do Mike D'Antoni, e a tendência da equipe em arremessar de três apenas expôs seus problemas com o arremesso de média distância. Era um jogador acabado. Mas floresceu meio sem querer no esquema tático como um excelente passador.

É praticamente impossível julgar tudo aquilo que um jogador sabe e não sabe fazer fora de um esquema tático que não favoreça cada coisa em especial. Um jogador pode parecer um bom arremessador de três, mas num esquema que foque nisso podemos descobrir que ele estava limitado a um tipo específico de arremesso, apenas em contra-ataques, por exemplo. Agora está na moda dizer que o Carmelo Anthony é "unidimensional", ou seja, que só sabe fazer uma única coisa: pontuar. Como saber que ele não seria diferente em um esquema que lhe pedisse para passar a bola ou jogar mais dentro do garrafão? Tracy McGrady já foi chamado constantemente de "fominha" e agora vê a carreira dando novamente sinais de vida justamente porque está jogando como armador no Pistons. T-Mac está mais lento, não tem mais a impulsão que tinha nos arremessos e nem a potência para invadir o garrafão e cravar na cabeça de todo mundo, mas ele é um jogador inteligente e sabe colocar a bola onde quer. Em qualquer equipe ele seria usado como um pontuador e então sua lentidão seria exposta, tornando-o imprestável. No Pistons, em que nenhum dos armadores tem como foco passar a bola (Rodney Stuckey e Will Bynum atacam a cesta, Ben Gordon arremessa até a mãe), Tracy McGrady é o mais perto que se pode conseguir de um armador puro, e aí não precisa de velocidade ou de potência - o Nash não nos ensinou que dá pra ser o melhor armador da NBA sem sequer sair do chão? O que vemos no McGrady agora é sua inteligência, sua visão de jogo, seus macetes de jogador velho que sabe como encontrar espaços, forçar contato, cavar faltas. Sua carreira só não foi para a privada porque o Pistons não faz sentido e é um time em reconstrução disposto a dar 30 minutos por noite para um jogador lesionado de mais de 30 anos, e numa posição em que ele ainda pode brilhar apenas porque o elenco inteiro não tem um único armador capaz de armar o jogo.

O que não faltou nos últimos tempos foi gente metendo o pau no Turkoglu, dizendo que ele fedia. Não é o caso. Seus únicos grandes momentos no Raptors foram quando deixaram que ele jogasse como jogava no Magic, e aí vimos que ele pode render um bocado. Para o Raptors não valia a pena desmontar o esquema tático por um único jogador, e fazer o mesmo no Suns seria podar o jogo do Nash, que é a grande estrela. Se o carinha chegou na NBA, se assinou um contrato milionário, é porque é capaz de render em alto nível em alguma situação, em algum esquema tático. Cabe às equipes ter a noção de que o cara não vai ser bom em qualquer time, é preciso saber ler exatamente quais são as qualidades maximizadas pelo esquema. Se isso não for feito, vai ter ainda muito time contratando o Turkoglu e descobrindo, de um dia para o outro, que ele é apenas um turco que se movimenta em câmera lenta. Do mesmo jeito que vai ter gente insistindo que o Dwight tem que aprender a arremessar de fora, usando a tabela.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Bagos gigantes

Sam Cassell mostra o tamanho das bolas do Magic, 
que trocou dois de seus jogadores titulares

O Magic sempre mostrou que é um time disposto a arriscar. Quando o elenco parecia ter futuro e os comentários eram de que, com um grande arremessador de três pontos, eles seriam capazes de lutar pelo título, juntaram todas as moedinhas e ofereceram tudo que tinham disponível para o Rashard Lewis - na época um dos arremessadores mais badalados da NBA. O contrato foi ridículo, somando 124 milhões de dólares em 6 anos, e dá pra ter ideia do absurdo fazendo uma visita a esse site aqui, que calcula em tempo real quanto o Rashard Lewis ganhou no mundo real a partir do momento em que você entrou na página (adianto, é mais de 1 dólar por segundo). O jogador não vale tudo isso, nunca fez grandes coisas pela equipe, mas quanto você estaria disposto a pagar por um jogador que pode ser a última peça para vencer um anel? Na temporada seguinte à sua contratação, o Magic se tornou campeão do Leste e perdeu na Final da NBA para o Lakers. Não dá pra criticar a decisão.

Com a derrota, vieram novos papos. Supostamente o que faltava para ganhar o título era, então, alguém capaz de criar o próprio arremesso, decidir os jogos no final, encontrar uma bola de segurança que não fosse um arremesso de três forçado. Fizeram uma troca para conseguir Vince Carter, jogador longe de seu auge e com fama de fominha. Foi arriscado, mas o Magic preferiu apostar na imagem que o Carter construíra no ano anterior como tutor da pirralhada do New Jersey Nets. O sucesso do Carter foi moderado, por vezes parecia estragar o ritmo da equipe, por outras salvava o jogo, mas o Magic com ele chegou novamente à final do Leste - desse vez perdendo para o Celtics.

Não é estranho, portanto, que um time que chegou a duas finais de Conferência em anos consecutivos esteja sempre envolvido em tantos boatos de troca. Estão sempre dispostos a arriscar, a acrescentar uma peça final, a mudar o elenco vencedor para conseguir dar um passo a mais. É por isso que a resposta a uma fase de derrotas nessa temporada foi trocar vários jogadores - aquisições, como as de Carter e Lewis, arriscadas mas inteligentes. O Magic não tem aquela postura bizarra do Cavs da era LeBron, que trocava apenas por trocar e formou um circo de horrores, em Orlando as trocas tem uma visão de conjunto, um plano definido de qual é a identidade do time. Só trocam por quem se encaixa na brincadeira.

O primeiro passo do Magic nessa maratona de trocas anunciadas hoje foi se livrar do Rashard Lewis. Não que ele feda, como muita gente anda sugerindo recentemente. Longe disso, ele é um bom jogador, mas seu contrato vai até 2013 lhe pagando mais de 20 milhões por temporada bem quando o Magic não precisa mais de arremessadores. Todo mundo no elenco, até o garoto da água e a mãe do Dwight Howard, arremessam de três mesmo durante o sono. O processo de montar um elenco eficiente no perímetro que teria o Rashard Lewis como peça final deu tão certo, mas tão certo, que agora o Lewis é descartável. Já não fará nenhuma falta.

Em seu lugar, o Wizards manda nosso canalha favorito, Gilbert Arenas. Nos últimos anos Arenas sofreu com uma lesão, depois com a lesão resultante dele tentar voltar cedo demais para as quadras, depois com a lesão resultante dele treinar demais para se reabilitar mais rápido, e depois com a punição por ter feito uma piada com armas de fogo no vestiário (que ele ainda não engoliu muito bem e diz ter sido julgado injustamente). Faz tanto tempo que ele não pisa numa quadra de basquete que até dá pra esquecer que, uns anos atrás, ele era um dos jogadores mais fodões da NBA, cotado para ser MVP, marcando 60 pontos nos times com os quais tinha birra, e dando mais de 10 assistências por jogo em sua volta às quadras só pra provar que, se quisesse, teria fácil média de double-double como armador. Arenas era tão bom que recebeu um contrato de 111 milhões e um elenco de apoio de respeito para tentar um título do Leste, mas todo mundo do elenco se lesionou numa hora ou em outra (e quando estavam saudáveis perdiam pro Cavs de LeBron nos playoffs) e agora já era, desistiram do projeto, desmontaram o time, e já é tarde demais para o Arenas voltar e tentar fazer valer o contrato gigantesco Ele merecia esse contrato quando o Wizards queria ganhar naquela hora e acreditava em títulos, agora estão reconstruindo em volta do John Wall e o Arenas não apenas ganha dinheiro demais e é bom demais, mas também rouba minutos do novato John Wall porque jogam basicamente na mesma posição. Para o Wizards é melhor se livrar do Arenas por qualquer outro jogador que seja de outra posição e dê ideia de recomeço, de que o John Wall é a estrela, e se tiver um contrato mais curto é brinde. O Rashard Lewis tem um contrato um ano mais curto, não é metido a estrela (nem nunca foi, tem "jogador secundário" escrito na testa), e não vai roubar minutos do John Wall, pronto, tá ótimo. Enquanto isso o Arenas está jogando cada vez melhor, recuperando a forma, e pode criar o próprio arremesso como se esperava que o Carter fizesse na temporada passada. Fora que, como já provou que sabe passar a bola como armador principal, pode substituir Jameer Nelson numa das trocentas contusões anuais do garoto.

É claro que o Arenas pode pregar uma peça e envenenar a água de Orlando, exagerar e querer dar todos os arremessos finais do meio da quadra enquanto grita algo absurdo como "Colher!", e segurar demais a bola, mas é mais um risco para o Magic que simplesmente vale a pena. O Arenas tenta começar de novo e deixar as polêmicas para trás, vai querer ser bom moço na nova equipe, está cada vez em melhores condições de jogo e tem potencial para voltar a ser jogador digno de papo sobre MVP. Se fizer merda e forçar muito o jogo, não vai ser nada que o Carter já não tenha feito tantas vezes no último ano, com a vantagem de que o Arenas é mais versátil e pode jogar nas duas posições de armação.

Essa troca, além disso, permitiu que o Orlando fosse ainda mais além com seus bagos gigantes. Com a chegada do Arenas, ficaram livres para enviar o Carter para o Suns. Aproveitaram para enviar dois jogadores de valor mas que, assim como Rashard Lewis, eram cada vez mais inúteis na equipe: Mickael Pietrus e Marcin Gortat. O Pietrus era importante na equipe graças à sua defesa e às bolas de três, mas desde que o JJ Redick passou a defender o bastante para conseguir ficar em quadra e teve atuações memoráveis nos playoffs, tem tido prioridade. Já o Gortat nunca foi muito usado mesmo, mas ele teve alguns momentos brilhantes em quadra, mesmo que raros, e o Magic resolveu lhe dar um salário gordinho só para impedir que os outros times interessados contratassem o rapaz (sabe como é, pivô é raro hoje em dia). No Magic faltam oportunidades porque o Dwight Howard é o dono absoluto do garrafão e o Brandon Bass joga cada vez melhor, em especial porque ele tem um arremesso de média distância consistente e aí não bate cabeça com o Dwight. No fim, valeu a pena investir no Gortat porque ele agora virou moeda de troca, só isso. Nenhum desses jogadores, no momento, fará falta para o Magic. O risco está mesmo é no que eles recebem em troca.

Em troca de Gortat, Pietrus, Carter e uma escolha de primeiro round no draft, o Suns mandou Jason Richardson e Hedo Turkoglu, além do Earl Clark (que só vai junto porque deve ter entrado no avião sem querer). Pra mim, Jason Richardson é o jogador perfeito para o Magic atual. Sua temporada pelo Suns tem sido fantástica, seus arremessos andam precisos, seu basquete anda eficiente como nunca, ele cria o próprio arremesso, e tudo isso sem exigir a bola nas mãos. Até chega a forçar o jogo, especialmente no primeiro período (dizem que se ele domina o primeiro quarto, é certeza de que terá um jogo fodão), mas nunca segurando demais o jogor. J-Rich joga bem sem a bola em mãos, se posiciona bem no perímetro e está sempre cortando para a cesta. É o jogador ideal para continuar a tradição de arremessos de três do Magic, um especialista no quesito que já liderou a NBA mais de uma vez em bolas de 3 convertidas, mas capaz de se virar quando o perímetro não estiver funcionando - e tudo isso sem comprometer a rotação de bola e o ritmo da equipe. Com o Hedo Turkoglu o negócio é diferente, ele também arremessa bem de três mas segura muito mais a bola, gosta de jogar como armador, e agora o Magic parece ter excesso de gente assim. Mas mesmo que o turco tenha minutos limitados, já deve valer a pena. Postei no começo da temporada sobre como o estilo do Turkoglu não se encaixava com o Suns de modo algum, que ele não tinha como render lá, e que sofrera com a mesma questão em Toronto. No estilo do Magic, pelo contrário, o Turkoglu parece um bom jogador, usa suas principais qualidades. Então mesmo que seus minutos fiquem restritos pela presença de Brandon Bass, Jameer Nelson, Jason Richardson e Gilbert Arenas, será no mínimo um jogador que pode render um pouco ao invés daquela lástima que ele era no Suns, em que não rendia nada. O jogador foi salvo e o Magic ganha de volta um reforço que deve estar muito grato e já conhece todo o andamento da equipe. É arriscado porque o contrato do turco é enorme e ele pode bater cabeça com outros jogadores, mas é tentador conseguir por um preço baixo um jogador que você sabe que vai render muito mais justamente no estilo de jogo da sua equipe - e que não rende nada em nenhum outro lugar.

Pro Suns, é um alívio se livrar do Turkoglu e receber o Marcin Gortat é um motivo para ver alegria na vida outra vez. Hakim Warrick quebra um belo galho no garrafão ofensivo mas falta alguém que possa sequer se fingir de pivô desde que o Robin Lopes se contundiu. Se o Gortat for mesmo aquilo que se supunha e puder dominar na defesa enquanto contribui no ataque com enterradas e jogo físico, o Suns nem fica com tanta saudade do Amar'e e para de tomar um pau de qualquer jogador com mais de um metro e meio de altura. E se o Gortat for um jogador limitado e souber apenas levantar os braços, o garrafão do Suns também já fica imediatamente melhor - estavam numa situação tão ruim que se um torcedor sorteado fosse jogar de pivô, seria lucro. Para isso perdem J-Rich numa temporada magistral, o que é uma pena, mas o Carter tem ao menos em teoria a possibilidade de tapar o buraco. Precisa de entrosamento com o Nash, soltar a bola, correr um bocado, mas o Carter já começa se encaixando no time em um aspecto básico: ele nunca defendeu bulhufas mesmo.

O Wizards deu o último passo necessário em sua reconstrução - que pra mim foi, até agora, impecável e relâmpago - se livrando de seu melhor jogador e dando espaço para John Wall, e o Suns ainda se debate para conseguir um garrafão pós-Amar'e e vai tentar tapar o buraco do J-Rich enquanto tenta descobrir se pode sonhar com alguma coisa enquanto ainda possuem o Nash. São todas mudanças significativas, mas quem mais tinha a perder com tudo isso era o Magic, porque o Suns e o Wizards fediam enquanto o Magic é um timaço que vem de duas finais de Conferência. A equipe de Orlando tem testículos de jumentinho para arriscar a esse ponto, e pra mim só apostou em coisas que valem a pena - mesmo se derem errado.

Jameer Nelson já está confirmado como titular (enquanto não se contundir, ele nunca joga mais de 70 partidas numa temporada), Arenas já avisou que está sussa de vir do banco, então o resto do quinteto inicial deve ter Jason Richardson (no papel de Vince Carter) e Turkoglu (no papel de Rashard Lewis), com o garrafão reforçado por Brandon Bass. Subitamente o time mantém as características usuais, sua identidade como um time de arremessadores, mas todo mundo sabe criar o próprio arremesso e o garrafão fica mais forte. Gilbert Arenas pode vir do banco armando o jogo e, claro, criando as próprias situações de cesta, ao lado de JJ Redick, e nos momentos cruciais de jogo o quinteto pode ter Jameer Nelson, Arenas, J-Rich, Turkoglu de ala (como teve que jogar no Suns) e Dwight no garrafão. Lembra quando ninguém no Magic queria decidir? E a bola parecia batata quente? O Turkoglu passou a criar cestas mesmo que a contragosto, o Jameer Nelson aprendeu a bater para dentro e forçar pontos, Arenas tem história como um dos jogadores mais decisivos de sua geração, e o Jason Richardson sabe muito bem criar espaço para si mesmo. É um Magic irreconhecivel.

Passei muito tempo não levando esse Magic a sério, meio como se eles fossem um Mavericks do Leste, sabendo que eles poderiam chegar a uma Final de NBA e esfregar minha cara no troféu e mesmo assim eu sempre iria achar que tudo ia dar merda. É que acho difícil ter medo de times que se baseiam nos arremessos de três porque eles são inconstantes e é preciso ter uma bola de segurança pra quando tudo o mais falha, pra quando a água bate na bunda. Pois agora eles tem, ao menos no papel, tudo o que é necessário. Devem chegar a mais uma final de Conferência, mesmo com os inevitáveis problemas de entrosamento que surgirão nos próximos meses. E, mesmo se der tudo errado, aplaudo os bagos dos engravatados de Orlando. Essa equipe que arrisca e inova já tem, pra mim, muito mais valor do que qualquer equipe de sucesso que bate na trave e não tem coragem de mudar os rumos. Quero ser igual ao Magic quando eu crescer.

Outras equipes, como Lakers, Nets e Rockets, fizeram trocas recentemente e vamos comentar delas nos próximos dias (sei que estamos meio devagar, prometo que a gente engrena ainda esse ano). Mas pegar um time vencedor, com chances de título, e mandar embora peças tão importantes para trazer jogadores polêmicos é coisa para poucos. Só por isso, já merecia que desse certo. Bem que o Arenas poderia tentar não andar nos vestiários armado dessa vez só pra ajudar um pouco.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Mavericks e a zona

 Nowitzki conta para o árbitro que está chovendo


No sábado, o Dallas Mavericks teve o melhor primeiro quarto que eu já vi na vida - chegando a vencer por 29 a 4 em cima do coitadinho do Utah Jazz. O primeiro quarto espetacular não mostra apenas quão bom esse Mavs realmente é, ele nos mostra também - assim como nos mostra a reação do Jazz no mesmo jogo - a importância das defesas por zona na NBA.

Para quem não viu, os melhores momentos da partida estão aí abaixo:



Confesso que, já faz muito tempo, não sou um fã das movimentações ofensivas do Mavs. Nunca entendi times que preferem terminar contra-ataques com arremessos de três, e o ataque sempre se baseou muito na isolação de jogadores mesmo com um armador épico como o Jason Kidd em quadra. Eu reclamava bastante por aqui no blog de como o Kidd era mal utilizado, que ele ficava entediado num canto sendo obrigado a passar para o lado, e que o técnico Rick Carlisle, mesmo sendo um baita nerd de basquete, não tinha conseguido se utilizar da inteligência do armador. Mas as coisas no Mavs mudaram bastante no ataque graças a uma única mudança drástica - que foi do outro lado da quadra, na defesa.

Escrevi uns meses atrás sobre como tem gente por aí achando que a NBA não usa defesa por zona - o que é um engano enorme - mas que as regras da NBA incentivam os jogadores a infiltrarem, ao contrário do que acontece na FIBA, em que as bolas de três (e as defesas por zona) são regra absoluta. A NBA é a liga de basquete em que menos se arremessa de três no mundo, as regras privilegiam o jogador que ataca a cesta e procura o contato, as jogadas acabam tentando isolar jogadores para que infiltrem, e a defesa por zona tende a ser menos usada. Ainda assim, todos os times usam em vários momentos de todas as partidas com sucessos variados. Mas nenhum time usa a defesa por zona de modo integral, durante todos os minutos de todas as partidas, como o Dallas Mavericks tem feito nessa temporada.

Foi-se o tempo em que o Dallas, por não ter defesa ("D", como é carinhosamente chamada em inglês), era chamado de "Allas Mavericks". Assim que o Don Nelson deu o fora e o Avery Johnson assumiu a equipe, o Mavs deixou de ser uma peneira para se tornar uma defesa bastante respeitável. É claro que as deficiências individuais sempre comprometeram a defesa da equipe como um todo (faltava um pivô, Nowitzki tem problemas para defender o garrafão, Jason Kidd hoje em dia só defende as linhas de passe), mas nada que impedisse a defesa de ser sólida e muito distante daquele projeto-de-Warriors que era o Mavs da era Don Nelson.

Aquela mentalidade defensiva instaurada por Avery Johnson (que é muito melhor técnico do que lhe dão crédito) é o que tornou possível a defesa por zona em tempo integral de Rick Carlisle, um projeto ousado para a NBA atual. O Mavs inteiro se mostra comprometido com a defesa a um ponto tal que as deficiências individuais simplesmente desaparecem. Na prática, funciona assim: Jason Kidd marca individualmente o jogador que arma o jogo e que, portando, detém a bola. Mas dois jogadores marcam as laterais do jogador que arma o jogo, dois passos para trás do perímetro. As infiltrações ficam muito complicadas porque o jogador passa a enfrentar três marcadores, e os arremessos do perímetro são inibidos pela marcação homem-a-homem do armador do Mavs. O que sobra, claro, é um corredor paralelo à linha de fundo embaixo da cesta, em que os jogadores adversários podem transitar livremente e receber a bola sem dificuldade. Quando o Celtics usou essa mesma defesa nos playoffs passados para parar LeBron James, a solução para esse "corredor" era descer a porrada em quem recebesse a bola lá embaixo, forçando o Shaq a cobrar trocentos lances livres (já que ele fede no quesito). No caso do Mavs, a solução é, quem diria, Tyson Chandler. Todo mundo adora dizer que ele não sabe bem amarrar os próprios cadarços, mas a verdade é que ele nasceu para defesas por zona. Sua velocidade lateral garante a proteção dos dois lados do garrafão e torna o Mavericks um pesadelo de se enfrentar perto do aro. A solução contra a zona do Mavericks é amontoar o garrafão e ter que arremessar de fora, no espaço entre dois defensores - o que também significa, na prática, que existem dois defensores bem próximos tentando cheirar o seu pescoço. Contra o Jazz, a defesa por zona do Mavs anulou a movimentação ofensiva da equipe e pavimentou o caminho para o 29 a 4 inicial.

Mas o mais curioso, para mim, é como essa paixão pela defesa por zona no Mavs teve resultados positivos no ataque. O Mavs sempre gostou do jogo de perímetro, mas agora eles jogam em todas as partidas como se estivessem sempre enfrentando defesas por zona, procurando arremessar ao máximo. Isso porque usar a zona de modo tão eficiente também lhe ensina como vencê-la. O Mavs agora dá passes muito rápidos, gira a bola no perímetro, encontra os jogadores livres, e isola o mínimo possível. Dirk Nowitzki, contra o Jazz, acertou 10 de seus 12 arremessos, poderia ter arremessado mais umas 20 vezes, mas prefere não interromper a rotação da bola e premiar os companheiros de equipe livres. Quer aprender a vencer a defesa por zona do Mavs? Veja o Mavs jogar. Não dá pra um jogador sequer forçar arremessos, não dá pra centralizar o jogo, tem que colocar a bola nas mãos de todo mundo, passar o mais rápido possível, e sempre premiar com um arremesso o jogador que ficar sozinho contra a zona. Mesmo que ele seja ruim. Lembra de como a defesa por zona do Thunder deixava sempre o Artest livre na zona morta porque o arremesso dele fedia? Funcionou um jogo, funcionou dois, mas uma hora o Artest treinou e os arremessos caíram e o Lakers venceu a série. Simples assim.

Vale ressaltar, no entanto, que o Jazz conseguiu empatar o jogo com o Mavs no quarto período justamente porque passou a usar uma defesa por zona também. Foi antes de acabar o primeiro período ainda, uma defesa 3-2 focada no perímetro, e o Mavs teve problemas em estabelecer o ritmo que colocou no começo do jogo. Falta ainda para o Mavs um jogo forte de garrafão, uma jogada de segurança perto da cesta, e eu costumo insistir que é difícil levar a equipe a sério - especialmente nos playoffs - se a jogada de segurança, no final dos jogos, for um arremesso de longe, contestado, ou uma isolação para arremesso da cabeça do garrafão. É o mesmo motivo pelo qual não levo o Orlando Magic a sério (já que no final dos jogos não dá pra passar a bola para o Dwight Howard, que sofre a falta e não converte os lances livres). A dificuldade de jogar próximo à cesta ainda está lá no Mavs, mas a evolução do Nowitzki até mesmo nesse sentido é bem clara. O alemão não é apenas um dos melhores jogadores da NBA na atualidade, ele é um dos melhores de todos os tempos e ainda não atingiu seu ápice. Sua defesa melhora a cada dia, sua inteligência em defesas por zona só agora vem à tona, e seu ataque fica cada vez mais diversificado e agressivo próximo à cesta. Ele corre como se tivesse duas pernas esquerdas, mas e daí, seu jogo é eficiente e meu filho vai ter a mesma mecânica de arremesso que ele (vou fazer maratona de vídeos do Nowitzki e dar surra de chibata se ele arremessar como o Leandrinho, que parece um garçom segurando uma bandeja). Cada vez mais o Dirk sabe aproximar a bola do aro nas jogadas importantes e sua habilidade nos lances livres coloca medo nas defesas de descer o sarrafo. Mas ainda falta um bocado para que isso seja uma tendência na equipe e o Mavs consiga efetuar essas jogadas com naturalidade.

Me dou ao direito de ficar sempre com um pé atrás com o Mavericks enquanto o foco for exageradamente no perímetro, mas também me deu ao direito de babar no basquete que eles estão jogando agora. E babar muito, nível Alinne Moraes de babação. É a melhor defesa de se assistir em toda a NBA, e o ataque é muito mais inteligente do que foi nas últimas temporadas - o Jason Kidd até parece ser bem utilizado, o que é um milagre que já vale nossa admiração. Não fico mais tendo um aneurisma cerebram de ver o Kidd tendo que isolar o Shaw Marion de costas para a cesta ou o Caron Butler atrás da linha de três. Vencer 12 partidas seguidas não é acaso, nunca, e a contagem positiva só tende a continuar. Dia 20 de dezembro enfrentam o Heat, que vem de 8 vitórias seguidas, e vai ser legal ver como o ataque fraco de perímetro da equipe de Miami vai enfrentar a defesa por zona do Mavericks. Jogão, e o Mavs agora entra sempre como favorito. Não dá nunca pra respirar aliviado contra equipes com defesas fortes, e a fama do Mavs como melhor defesa por zona da NBA já está bem difundida. As equipes precisam se preparar para enfrentar a zona e acabam dando menos atenção para outros aspectos do jogo. O Mavs agora, finalmente, bota medo nos adversários - coisa que em geral nunca acontece em times sem jogadores físicos e que atacam pouco a cesta.

Mas voltando ao empate do Jazz contra o Mavs no finalzinho do jogo, vale também ressaltar que não foi apenas a defesa por zona que o Jazz colocou em prática a responsável por igualar o jogo. Grande parte da responsabilidade foi de Deron Williams colocando a bola debaixo do braço e resolvendo decidir sozinho. Parece que em todo começo de jogo do Jazz, o time acha que ainda tem o Carlos Boozer e começa com o jogo de corta-luz e arremessos de média distância com os jogadores de garrafão. As bolas não caem, a tática não funciona, e aí o Deron Williams começa a resolver sozinho. Infiltrando mais (já que é atualmente o armador mais forte da liga) cria espaços para os jogadores de garrafão; arremessando mais, a defesa vai para o perímetro e os jogadores de garrafão têm mais espaço para atuar. Paul Millsap e Al Jefferson possuem arremessos razoáveis, mas não são o Carlos Boozer, não molham as calças de alegria com um arremesso livre da cabeça do garrafão. Quanto mais ativo o Deron Williams é em quadra, mais Millsap e Al Jefferson podem ser ativos embaixo da cesta, onde realmente se destacam. Todas as reações históricas que o Jazz andou fazendo nessa temporada concordam nisso: o Jazz engrena quando o Deron Williams resolve ser o dono da budega.

Nesse ponto, aquela velha comparação do Deron Williams com o Chris Paul é praticamente impossível. Dia desses nos perguntaram no formspring o motivo do Chris Paul ser "passivo", não decidir os jogos sozinho como faz o Deron Williams. Pra começar, eles são jogadores muito diferentes. O Deron gosta mais de arremessar, é mais físico, procura o contato. O Chris Paul prefere a velocidade, os contra-ataques, é mais distribuidor. Mas, como sempre insistimos, a diferença sempre está ligada também aos companheiros de equipe, ao resto do elenco - nenhum jogador entra em quadra sozinho. Contra o Sixers, ontem, Chris Paul atacou a cesta (acertou 8 dos 12 arremessos, todas as duas bolas de 3 e os 7 lances livres que tentou) e passou mais tempo com a bola nas mãos - e a derrota foi vergonhosa. Na temporada passada, antes da contusão, o Chris Paul já estava pontuando como um maluco (chegou a ter mais de 30 pontos por jogo) na tentativa de evitar as derrotas constantes, e isso simplesmente não funciona. Parece absurdo, mas o elenco do Hornets é tão limitado que o único jeito de fazer com que saia de quadra com a vitória é minimizar as limitações e se aproveitar de suas qualidades. O Jazz é um timaço, o garrafão é forte, eles podem comer pelas beiradas, receber poucas bolas, viver de rebotes de ataque. O Hornets fede, se você não garantir que o Belinelli vai ter a bola naquele canto exato da quadra, ele não vai te render nada, bulhufas, não vai nem te pagar um refrigerante. O que o Chris Paul precisa fazer é garantir que todo mundo vai render ao máximo, porque ninguém ali naquele elenco é capaz de render sozinho, todo mundo é só carregador de piano. Eu avisei, quando o Trevor Ariza chegou em New Orleans, que ele não iria fazer nada sozinho, seria apenas mais um coadjuvante na equipe - isso porque eu o vi no meu Houston Rockets recebendo a responsa de criar o próprio arremesso e simplesmente sentando na calçada para chorar. Chris Paul tem que fazer todo o trabalho pesado para que os outros brilhem. Não vai dar certo sempre, mas é melhor do que o Chris Paul botar a bola debaixo do braço e assistir aos seus companheiros definhando até a morte, à espera da derrota certa.

Justamente por isso a defesa por zona também tem sido tão importante para o Hornets. O elenco limitado, quando se compromete com algo e joga em conjunto, consegue ser mais forte defensivamente. A defesa por zona exige trabalho coletivo, e maximiza a capacidade de Chris Paul de interceptar as linhas de passe e puxar contra-ataques. O problema é que a defesa por zona do Hornets é vulnerável no perímetro e, talvez por isso, só vem sendo usada nos minutos finais dos quartos (em geral nos 5 minutos finais do quarto perído), que é quando os times têm mais medo de arremessar (e motivo pelo qual o Mavericks precisa de jogadas embaixo da cesta para fechar os jogos, e o Magic depende tanto das infiltrações do Jameer Nelson). O que falta para o Hornets, claro, é encontrar uma consistência no ataque que permita ao time chegar aos minutos finais do quarto período com chances de vitória, algo que dificilmente acontecerá com o Chris Paul se focando apenas em pontuar.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dwight Howard e eu: um caso de amor

Dwight é pego pelos bagos

Já faz muito tempo que não tenho medo de descer a lenha no Dwight Howard. Seus movimentos perto do aro são estabanados, lhe falta uma jogada de segurança, é completamente ineficaz fora do garrafão, incapaz de passar a bola para companheiros livres, tem dificuldade em se desmarcar, é um defensor muito fraco no mano-a-mano e tem escolhas bastante questionáveis de posicionamento nos rebotes defensivos. Mas o que mais incomoda não são todas as limitações, naturais para um jogador que chegou à NBA completamente cru, pirralho de tudo, mas sim sua incapacidade de evoluir. Durante as férias sempre surge um ou outro vídeo do Dwight treinando com alguém, de Patrick Ewing a Hakeem Olajuwon, mas é sempre algo curto, raro, e os movimentos que Dwight aprende nunca são utilizados durante as partidas de verdade. Vez ou outra ele dá um arremesso usando a tabela e todo mundo molha as calças de alegria de ver como ele evoluiu e se tornará o novo Tim Duncan, mas então ele passa o jogo inteiro sem tentar de novo. Sua cota de arremessos usando a tabela foi cumprida, aí ele pode voltar a ser o jogador sem habilidade que conhecemos até que volte a dar esse arremesso mais uma vez no ano seguinte.

Agora, finalmente, sou obrigado a mudar de ideia. Dwight voltou bastante diferente para essa temporada depois de uma série intensiva de treinamentos com o Olajuwon. Os arremessos usando a tabela são mais frequentes, os ganchos mais eficientes, e embora todos os times da NBA ainda tentem empurrá-lo para fora do garrafão, Dwight já consegue render nessas situações. Está conseguindo receber mais a bola e agora não é completamente ignorado no quarto período, quando o Magic inteiro se borrava de medo de entregar a bola em suas mãos e ver ele perdendo a bola de forma idiota vez após vez. Os problemas nos rebotes defensivos e sua dificuldade em passar a bola ainda estão lá, mas ver que Dwight evoluiu seu jogo me enche de alegria. Não tem nada mais ridículo do que um jogador que pode ser espetacular mas se considera "trabalho terminado" e quer dominar a NBA do jeito que está. Saber que ele, enfim, está treinando é o bastante para que eu lhe trate com um pouco mais de carinho.

Ontem, contra o Heat, pude comprovar a evolução no jogo do Howard, como se movimenta mais no ataque, recebe mais a bola e tem uma maior gama de possibilidades com a bola em mãos. Sorri de orgulho do meninão, até que o jogo se encaminhava para o final e desceram a porrada nele uma vez. Duas vezes. Três vezes. E o Dwight errou lance livre atrás de lance livre, enquanto a cada posse de bola o Heat chegava um pouco mais perto no placar. O que fazer, se você é um jogador do Magic? Dwight está chutando traseiros, destruindo o garrafão do Heat, e está completamente livre embaixo do aro. Mas se você passar a bola para ele, algum jogador do Miami vai pular no seu pescoço e o pivô do Magic vai cobrar mais lances livres, provavelmente errando as duas tentativas ou no máximo acertando uma delas. Se o Heat for para o ataque e converter, a diferença cairá novamente em pelo menos 1 ponto. E agora?

Quando a água começou a bater na bunda, o Magic simplesmente passou a fingir que o Dwight Howard não estava em quadra. Nada de lhe passar a bola no fim do jogo! Antes era porque ele fazia merda com a bola em mãos, agora é porque lhe enchem de porrada, ele não consegue finalizar com o contato e vai errar todos os lances livres. Sério, parece que um time com o Dwight sempre será punido por colocar a bola em suas mãos. A vitória em cima do Heat veio quando o Jameer Nelson resolveu colocar a bola no bolso, ignorar o pivô, e infiltrar naquele garrafão de manteiga do adversário.

É legal ver que o Dwight andou aprendendo e é um melhor jogador do que era na temporada passada, mas insisto: o Magic é muito melhor quando não passa a bola para ele. Deixem que ele se foque na defesa, nos rebotes ofensivos, no corta-luz para outros jogadores, em congestionar o garrafão. Quanto mais ele toca na bola, menos ela roda para os arremessadores do Magic e maior a chance de que ou cometa um desperdício ou sofra a falta. Talvez contra alguns times seja até legal que o Dwight sofra faltas para que o garrafão adversário tenha que se poupar no banco (como aconteceu com o Pacers, que estava se segurando na atuação fantástica do Roy Hibbert até que ele cometeu a quarta falta e teve que sentar), mas contra o Heat não adianta. Como todo o garrafão da equipe de Miami fede, tanto faz se estão em quadra Joel Anthony, Ilgauskas, Magloire ou Juwan Howard, então todo mundo ficou livre para dar uns pontapés no Dwight. Todo time que for esperto fará o mesmo, e o Heat só não empatou o jogo nos minutos finais porque se negou algumas vezes a fazer falta intencional toda vez que o Dwight tocasse na bola em qualquer lugar da quadra.

O pivô do Magic ainda é um grande jogador, mas nos jogos importantes e nos momentos decisivos ele torna seu time pior quando não se limita às coisas mais básicas. O Heat deveria ter explorado isso ainda mais, mas no momento estão preocupados demais em jogar algo que lembre minimamente basquete. Arrisco dizer que eles tem a pior defesa de pick-and-rolls de toda a NBA na atualidade, e se o Dwight tivesse ficado em quadra apenas fazendo o "pick" com o Jameer Nelson, o jogo teria sido muito mais fácil. Como aprendizado para o Magic, ao menos, tivemos Brandon Bass. Seus arremessos de média distância e seu ataque a cesta tornam o time mais versátil. Não importa se o Dwight é estrela ou não, simpático ou não,aprendendo ou não: seu papel precisa ser limitado, especialmente nos fins de jogos, e o Brandon Bass precisa ganhar mais espaço e mais minutos. A não ser, é claro, que o Dwight apareça na temporada que vem acertando tudo quanto é lance livre. Apenas me garanto o direito de não acreditar em contos-de-fada.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Orlando Magic

Sorriso pra conquistar as mina, essas linda


Objetivo máximo: Voltar à final da NBA, dessa vez sem parecer zebra, e vencer o campeonato
Não seria estranho: Parar na final de conferência
Desastre: Ser eliminado por qualquer time do Leste que não seja Heat ou Celtics

Forças: Melhores opções de bolas de três e o melhor pivô da liga no mesmo time
Fraquezas: Desde a saída de Turkoglu não tem ninguém que seja o líder do time em quartos períodos

Elenco: 









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Técnico: Stan Van Gundy

Como acontece hoje com o Erik Spoelstra, Stan Van Gundy foi uma criação de Pat Riley no Miami Heat, o próximo grande jovem técnico da NBA. O pizzaiolo oficial da NBA foi eleito para o cargo do Heat quando eles tinham um time jovem e sem identidade, tinham o Dwyane Wade novato, Lamar Odom ainda como promessa mal sucedida, Caron Butler no seu segundo ano e os experientes e já em decadência Eddie Jones e Brian Grant. Com esse time limitado eles foram até a segunda rodada do Leste e tinham um time muito bem montado, funcionando só na armação do Lamar Odom, um timaço pela falta de recursos.

No ano seguinte o Heat conseguiu Shaquille O'Neal, viraram o centro das atenções do mundo do basquete e Pat Riley começou a ficar com a mão coçando para assumir o time. Bastou perder uma série de playoffs bem difícil contra o fortíssimo Pistons em 2005 e algumas reclamações do Shaq no ano seguinte para dar um pé na bunda do Van Gundy. O curioso foi que oficialmente o técnico não foi demitido, mas pediu para sair alegando que precisava passar mais tempo com a família. Claaaaro, e eu li os termos de uso antes de instalar o programa. Pat Riley assumiu o time, venceu o título de 2006 e entrou para a história.

Já Van Gundy foi para o outro time da Florida e começou a montar outro bom time. Curiosamente esse Orlando é muito diferente do Miami Heat de Lamar Odom e do Heat de Shaq. O bigodudo monta times bons e não tem um esquema que ele usa sempre, apenas sabe interpretar o elenco que tem nas mãos e montar o melhor time possível. O seu experimento de colocar o maior número possível de arremessadores de três ao lado de Dwight Howard tem dado certo há anos e agora estão a alguns detalhes de disputar o título.

Talvez o lado ruim do treinador seja a sua atitude no banco de reservas. Está sempre gritando (embora sempre pareça estar sem voz) e não parece passar a confiança necessária nos momentos mais difíceis dos jogos. O Shaq, por exemplo, já o chamou de "Mestre do Pânico" e disse que era por causa dessa atitude que ele não iria ganhar nada na NBA. Abaixo um vídeo com o melhor das gritarias, caras e bocas do Super Mario.


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O Orlando Magic não mudou muito em relação ao ano passado. Eles perderam o Matt Barnes, é verdade, e com isso alguma defesa de perímetro, mas conseguiram trazer Quentin Richardson e pelo menos a qualidade nas bolas de três continua intacta. E com Mickael Pietrus ainda no elenco eu acho que nem vão perceber que o Barnes saiu. O resto do elenco é o mesmo, dois novatos sem nome, Daniel Orton e Stanley Robinson, chegaram, junto de Chris Duhon, que era ruim demais para ser titular no Knicks mas como reserva está muito mais do que bom.

A grande questão para o time está nos pequenos detalhes. Foi o que faltou para ganhar do Lakers na final de 2009 e o que faltou para bater o Celtics em 2010. Como fazer listas é o jeito mais fácil e amador de escrever, vamos fazer uma com os detalhes que o Magic precisa cuidar para chegar ao título.

- O Celtics provavelmente vai se poupar na temporada regular pela idade dos seus jogadores e pelos problemas físicos que tem tido ano após ano, o Heat talvez demore para embalar enquanto acha o entrosamento certo com o time totalmente reformulado. O Magic precisa se aproveitar disso para pular na frente e ganhar vantagem na tabela. Em séries disputadas de playoff o mando de quadra pode acabar decidindo tudo. Eu, por exemplo, acho que o Celtics teria vencido no ano passado se o jogo 7 da final tivesse sido em Boston.

- A gente critica muito o Dwight Howard, em geral por dois motivos. O primeiro é porque colocamos o padrão muito alto e se ele não for tão bom quanto Patrick Ewing, Shaq ou Hakeem Olajuwon, é um fracassado que só tem força física. A outra razão é porque somos todos jogadores fracassados cansados de falar "Ah, se eu tivesse essa altura eu tava na NBA", só respeitamos os baixinhos.

Dwight Howard não é o pivô mais técnico, não é o melhor no ataque, mas juntando todas as características é o mais completo e o que mais obriga os outros times a fazer ajustes. Ele é ótimo e ponto. Mas talvez precise de mais aulas com o The Dream para melhorar ainda mais, é muito raro um time ser campeão sem ter uma superestrela jogando muito acima da média. Dwight é o cara que precisa ser ainda melhor do que já é.

- Eu não gosto de como o Orlando Magic joga os quartos períodos. Eles evitam colocar a bola na mão do Dwight Howard porque sabem que ele vai sofrer a falta e errar os lances livres, então concentram tudo na mão do Vince Carter, que não é dos caras que toma as melhores decisões nesse momento. O Vinsanity nunca procura o passe, não funciona muito bem no pick-and-roll e o time que chega onde chega pelo jogo coletivo e movimentação de bola constante vira um time parado e individualista no momento mais difícil do jogo.

Acho que eles deveriam confiar a bola no Jameer Nelson, eventualmente, em caso de nada funcionar, deixar o Carter brincar com sua individualidade e não ter medo de dar a bola no Dwight. Lembro do Shaq sempre acertando os arremessos livres importantes no tri-campeonato do Lakers e dizendo "quando importa eu acerto". Dêem a chance para o Dwight mostrar que sabe fazer o mesmo, ele tem que pelo menos tentar, senão tirem o cara de quadra de uma vez.

Se o Magic conseguir o mando de quadra por todo playoff, tiver Dwight Howard jogando melhor do que está acostumado a jogar e eles não cagarem com tudo no fim dos jogos eu coloco o Orlando Magic com mais chances que Celtics ou qualquer time do Oeste que não seja o Lakers na briga pelo título, é um timaço.