segunda-feira, 21 de abril de 2008
Prêmios Alternativos Bola Presa - 07/08
Nossa cobertura dos playoffs está a toda. Se você já está tão acostumado com um post diário no Bola Presa quanto com um cafezinho pela manhã, é hora de descobrir que pode rolar a barra lateral do seu browser até o fim: estamos postando várias vezes por dia! Por enquanto, comentamos sobre os jogos que já aconteceram entre Rockets e Jazz, Cavs e Wizards, e também entre Lakers e Nuggets e Pistons e Sixers, tudo logo abaixo. Se você está sem tempo para assistir aos jogos e para ler tantos posts aqui no Bola Presa, deveria então também reservar um tempinho para ler as dicas do Denis de como aproveitar os playoffs. Se você tem uma namorada, a leitura é essencial.
Enquanto aguardamos os jogos desta noite, vamos atender um pedido. Nossos leitores Renzo e Vitor sugeriram, já faz um tempo, que fizessemos uma premiação alternativa aqui no Bola Presa ao invés dos prêmios tradicionais, ultra-manjados como o de Melhor Sexto Homem do Ano que o Ginóbili acabou de levar para casa mesmo tendo minutos de titular. Então, enquanto Wizards e Cavs não começa, vamos dar uma olhada nos Prêmios Bola Presa que daremos ao fim de cada temporada. Se você tem mais sugestões de prêmios ou discorda dos nossos ganhadores, basta usar a caixa de comentários.
...
1. Jogada "Bola Presa" do ano:
Vejam como nosso grande ídolo Zach Randolph leva o prêmio, mostrando toda sua habilidade no drible, no controle de bola, na distância de arremesso, na frieza para decidir e no talento para envolver seus colegas de equipe. Randolph, o prêmio de jogada do ano vai para você:
2. Troféu Kareem Rush para melhor atuação de um jogador ruim:
Na final do Oeste de 2004, Kareem Rush acertou seis bolas de 3 e com isso deu o título do Oeste para o Lakers em cima do Wolves. Em sua homenagem, damos um troféu homônimo para a melhor atuação de jogador ruim. Com 35 pontos e 9 assistências contra o Warriors, levando nas costas um Bulls completamente desfalcado naquela partida, Chris Duhon leva o prêmio, deixando para atrás nosso desconhecido do mês passado Matt Bonner (25 pontos e 17 rebotes como titular contra o Warriors, substituindo Tim Duncan, contundido). Pensamos em deixar os 41 pontos e 9 rebotes do Linas Kleiza contra o Jazz concorrerem ao prêmio, mas a verdade é que ele é bom demais para isso, como mostrou no Jogo 1 dos playoffs contra o Lakers.
3. Troféu Lonny Baxter para jogador que só jogou na liga de verão:
O Troféu Lonny Baxter, que leva o nome do legendário jogador que sempre teve atuações geniais nas ligas de verão mas que nunca era chamado para jogar por time nenhum na temporada regular, é dado para aquele jogador que se destaca antes da temporada começar e não tem um minutinho sequer quando as coisas estão realmente valendo. Quem leva o troféu para casa é o italiano Marco Belinelli, que teve médias de 22.8 pontos por jogo nas ligas de verão e menos de 3 pontos por partida na temporada regular, passando a maior parte da temporada comendo macarrão no banco de reservas.
4. Troféu Isiah Thomas de troca do ano:
Em homenagem ao homem que fez trocas genias para obter estrelas como Malik Rose, Mo Taylor, Marbury, Steve Francis, Curry e Zach Randolph, enquanto se livrava de trocentas escolhas de draft, Nazr Mohammed, Kurth Thomas, Trevor Ariza e Channing Frye, damos o prêmio que leva seu nome para a melhor troca do ano. O GM do Memphis Grizzlies, Chris Wallace, leva o troféu por mandar Pau Gasol para o Lakers em troca de Kwame Brown, Javaris Crittenton, duas escolhas de primeiro round e Marc Gasol, irmão de Pau. Na cabeça de Chris Wallace, "essa foi a melhor troca que apareceu", e ele diz ter trocado Gasol por, na prática, quatro escolhas de primeiro round e mais um contrato expirante. Uau. Incrível como ninguém percebeu isso, o Lakers foi realmente roubado nessa!
5. Troféu Grant Hill para o bixado do ano:
Grant Hill jogou 4 partidas em sua primeira temporada pelo Orlando Magic, 14 partidas na segunda temporada, 29 na terceira e nenhuma partida na quarta temporada. O troféu que leva o seu nome vai para o jogador que não fica saudável nem com reza brava. Na disputa, Yao Ming, que jogou apenas 55 jogos nessa temporada (e 48 na passada); Elton Brand, que jogou apenas 8 partidas, todas no final da temporada; e Andrew Bynum, que jogou somente 35 jogos. Por ter 20 anos de idade e ter sido anunciado para voltar em 2 meses, depois com 5 jogos antes de terminar a temporada regular, depois com apenas 2 jogos, depois no primeiro round dos playoffs, e agora só numa futura semi-final de Conferência, o prêmio vai para o jogador do Los Angeles Lakers Andrew Bynum! Parabéns!
6. Troféu Darius Miles para atuação surpresa na última semana:
Em 2005, Darius Miles jogou a última partida da temporada depois de sofrer durante todo o ano com contusões. Saiu de quadra com 47 pontos, 12 rebotes, 4 roubos, 5 tocos, apenas um turnover, tendo acertado 19 de 33 arremessos e 8 de 14 lances livres. Depois disso, praticamente nunca mais fez nada relevante, mal conseguindo voltar para a quadra e sendo finalmente liberado pelo Blazers semana passada, possivelmente na última nota de sua carreira. O prêmio baseado na última atuação de Darius Miles em 2005 vai para o novato Ramon Sessions, que chocou a todos com 20 pontos, 8 rebotes e 24 assistências. Outros concorrentes ao prêmio foram Quincy Douby, do Kings, com 32 pontos (11 de 22 arremessos certos, 3 bolas de três pontos e 7 lances livres certos em 7 tentados) além do novato do Bulls Aaron Gray, com 19 pontos, 22 rebotes e todos os 9 de seus lances livres convertidos na última partida da temporada.
7. Troféu Royal Ivey para jogador titular que jogou menos minutos na temporada:
Na temporada 2005-06, Royal Ivey foi titular em 66 jogos apesar de ter apenas 13 minutos por partida. Nessa temporada, quem leva o troféu para casa é Morris Peterson, o armador mequetrefe do Hornets, que foi titular em 76 jogos com médias de apenas 23 minutos. Outros concorrentes incluem o ala do Cavs, Sasha Pavlovic, com 45 jogos como titular em também 23 minutos por partida, e o armador do Sixers, Willie Green, que começou 74 jogos com apenas 26 minutos por partida.
8. Troféu Shawn Bradley de melhor cravada na cabeça:
Se o Shawn Bradley já foi o melhor pivô para tomar enterradas na cara e viver no YouTube, o atual pivô reserva do Lakers e ex-desconhecido do mês do Bola Presa, DJ Mbenga, quer tomar esse posto para si. Ele leva o prêmio nessa temporada pelo conjunto da obra, tomando cravadas na cabeça toda vez que entra em quadra, e pode até ter seu nome no troféu um dia. Escolhemos, abaixo, a melhor enterrada que ele sofreu para celebrar a entrega do troféu, mas não deixem de ver também as cravadas que tomou de Shaq e Okafor.
9. Troféu Chris Crawford para jogador que desapareceu na temporada:
Alguém se lembra de Chris Crawford, ala do Atlanta Hawks na temporada 2003-04? Com Shareef Abdur-Rahim contundido, Crawford levou o time sozinho depois do intervalo para o All-Star Game, com médias de quase 19 pontos por jogo em 36 minutos por partida (jogava apenas 8 minutos antes do All-Star). Muitos se impressionaram com seu potencial mas na temporada seguinte ele não conseguiu assinar um novo contrato e desapareceu por completo da NBA. Nessa temporada, quem desapareceu foi Tarance Kinsey, do Grizzlies, que perdeu seu contrato e não está mais na NBA depois de ter tido excelentes atuações na segunda metade da temporada passada, incluindo dois jogos em que marcou 28 pontos.
10. Troféu Brad Miller para maior aumento de produção depois de ser escolhido All-Star:
Lembra quando o Brad Miller jogava no Pacers, fedia e todo mundo aloprou o moço quando ele foi escolhido para o All-Star Game? Depois disso ele começou a jogar demais e foi novamente All-Star, só que dessa vez no Oeste com médias absurdas em pontos, rebotes e assistências. O ganhador do troféu nessa temporada é David West, que foi zoado até pela mãe quando foi convocado para o All-Star Game mas desde então subiu todas as suas médias, fazendo quase 23 pontos por jogo com 8.5 rebotes desde que participou da brincadeira em fevereiro.
11. Troféu Ronaldo Fenômeno de volta mais frustrada:
O prêmio, auto-explicativo, vai para o retorno às quadras que deu mais errado na temporada. Os dois concorrentes são Penny Hardaway, que tentou voltar a jogar justo no Miami Heat, e Chris Webber, que tentou correr com a molecadinha do Warriors. Enquanto a do Penny foi mais ridícula porque ele não jogava basquete há anos e foi no maior estilo "não tem mais ninguém então vai você mesmo", ele até que teve umas boas partidas antes de ser mandado para a rua. Já o Chris Webber achou que tinha joelhos para jogar na equipe mais porra-louca da NBA e 15 minutos depois, cuspindo os pulmões para fora, anunciou o fim da sua carreira do modo mais patético possível. O prêmio, então, fica nas mãos do Chris Webber e sua falta de noção de realidade.
12. Troféu Zach Randolph de melhor jogador em time que só perde:
O gordinho favorito de 9 entre cada 10 leitores do Bola Presa tinha quase 24 pontos e 10 rebotes de média por jogo pelo Blazers na temporada passada, enquanto seu time tinha apenas 32 vitórias e exorbitantes 50 derrotas. Nessa temporada, o Blazers terminou com 41 vitórias e 41 derrotas, nada mal. O prêmio do cara-de-Quico desse ano vai para Al Jefferson, com médias de 21 pontos e 11 rebotes, enquanto o Wolves acabou com 22 vitórias e 60 derrotas, seguido por Jason Richardson, com médias de 22 pontos e 5 rebotes no Bobcats, que teve 32 vitórias e 50 derrotas.
...
Chegamos ao fim da premiação para essa temporada! Voltamos com os mesmos prêmios e mais alguns novos na temporada que vem. Agora, de volta com nossa programação normal de playoffs!
Defenestrado por
Denis
por volta das
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sexta-feira, 28 de março de 2008
O legado de C-Webb
Quando o Chris Webber anunciou que iria voltar a atuar nessa temporada pelo Warriors, eu fiz um texto bem otimista sobre sua volta. Mas não podia ter errado mais.
Sua volta foi um desastre, atuou em apenas 9 jogos e em todos jogou pouco tempo e mal. Parecia fora de forma e não só porque todo mundo corre no Warriors, ele parecia lento mesmo, perderia uma corrida para o Ilgauskas, até. Depois ele parou de entrar, alegaram contusões e por fim ele disse que as dores no tornozelo voltaram e que sua carreira está acabada. De certa forma esse final resume um pouco a imagem que Chris Webber deixará para trás para a maioria das pessoas, a do cara que sempre ameaçou, chegou perto, animou todo mundo com seu talento mas na hora H sempre acontecia alguma coisa para atrapalhar.
Primeiro foi o fato que mais o marcou até hoje. Estava ele na Universidade de Michigan. Melhor jogador universitário do ano, futura primeira escolha no draft e no jogo final da NCAA, o do título. Com o time perdendo por 73 a 71 e com 11 segundos faltando no relógio, Webber pediu um tempo. Tempo que não existia, todos os de Michigan já haviam sido pedidos. O resultado foi uma falta técnica que decidiu o jogo a favor de North Carolina. Isso perseguiu ele por toda a carreira. Seu nome veio à tona rapidinho nas finais de 2006, quando o Josh Howard fez a mesma coisa em um dos jogos contra o Miami Heat.
Já na NBA ele foi a primeira escolha do draft, pelo Orlando, e aí foi trocado para o Warriors, onde foi o novato do ano e, depois de ter brigado com o técnico Don Nelson, foi para o Washington Bullets. Foi uma decepção a troca dele do Warriors já que o time era muito forte e tinha tudo para engrenar, logo no primeiro ano de Webber já tinham voltado aos playoffs.
Então a missão de Webber foi a de levar dessa vez o Washington de volta aos playoffs, o que ele também conseguiu, era a primeira vez em nove anos que a equipe ia para os playoffs.
Mas o auge da carreira de Webber foi no Kings, quando liderou um dos times mais fantásticos da década, talvez o melhor, competindo com o atual Phoenix Suns e o Dallas do ano passado, a não ter ganho um título. Era um ataque hipnotizante, bons passadores em todas as posições e que jogava em uma velocidade fora do comum. Por anos foi o time mais bonito a ser assistido em toda NBA, com Webber sendo escolhido até para o primeiro time da NBA no fim da temporada 2001.
Mas mais uma vez Webber não transformou esse sucesso em título. Foram 3 anos seguidos sendo eliminados pelo Lakers de Shaq e Kobe, a rivalidade mais forte da liga na época.
Em 2002 o Kings teve sua grande chance quando levou a série para o jogo 7 em Sacramento. Uma entrevista com o Kobe antes do jogo mostrava como as coisas estavam encaminhadas para uma vitória do time de Sacramento.
Repórter: Nenhum time do Lakers já venceu um jogo 7 fora de casa, nenhum time venceu fora de casa a final de conferência ou da NBA fora de casa, por que será diferente para esse Lakers?
Kobe: É um bom desafio, não é?
E o Lakers levou o desafio a sério e ganhou a partida, o Oeste e a NBA toda. Mais uma vez, Chris Webber tinha chegado muito perto e deixado passar.
Sua última chance de ganhar um título foi no ano passado, com o Pistons, mas como todos vocês se lembram bem, eles foram destruídos pelo LeBron e pelas bolas de três do Boobie Gibson. E como fato mais negativo ainda, o técnico Flip Sauders costumava deixar McDyess, ao invés de Webber, em quadra nos minutos finais, dando ainda mais combustível para a fama de amarelão de C-Webb.
Webber é um dos seis jogadores da história da NBA a ter média na carreira de pelo menos 20 pontos, 9 rebotes e 4 assistências. Os outros são Elgin Baylor, Larry Bird, Wilt Chamberlain, Billy Cunningham e o ainda ativo Kevin Garnett. Os quatro primeiros estão no Hall da Fama do basquete e Garnett provavelmente estará. Mas e Webber?
Em uma pesquisa no site da ESPN, quase 70% das pessoas acreditam que ele não deve ir para o Hall da Fama e já ouvi gente até dizendo que ele vai acabar caindo no esquecimento pela falta de títulos. Mas será que isso é justo?
Eu sei que o esporte é um jogo que tem como objetivo a vitória, logo, a vitória pode ser vista como a coisa mais importante do jogo, mas a verdade é que já existe um prêmio para a vitória. Na NBA o prêmio é o troféu de campeão e o anel para os jogadores, o cara é um vitorioso, leva pra casa o anel e pronto. O Hall da Fama, imagino, deveria ser para homenagear grandes indivíduos que com seu talento ajudaram a tornar o esporte algo mais gostoso de assistir, algo mais espetacular, deveria se homenagear quem foi inovador, ou seja, homenagear os melhores talentos no esporte.
E Chris Webber foi um dos melhores no jogo. Se ele não ganhou títulos, isso pode ser por inúmeros motivos, talvez porque só times com Michael Jordan, Hakeen Olajuwon, Shaquille O'Neal ou Tim Duncan (tirando o Pistons de 2004) conseguriam vencer títulos desde que Webber chegou na liga, e todos esses venceram pelo menos 2 e com isso deixaram muita gente de talento sem anel nenhum.
Vamos então deixar Barkley, Malone, Stockton, Kemp, Webber, Dirk, Iverson, todos de lado só porque eles eram piores que Jordan ou que Shaq e Kobe juntos? Acho que Webber já foi punido por não vencer quando ele mesmo relembra as chances que teve e não conseguiu aproveitar, mas na hora de apenas analisar o talento bruto do jogador, Webber foi um dos melhores em sua posição e é por isso que ele deveria ser lembrado para sempre.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Novas caras
A data limite para trocas nessa temporada está para se concretizar em poucas horas e vários times já mudaram de cara até agora. Continuo aguardando a troca LeBron para o Houston em troca de Steve Francis e 32 escolhas de draft. Enquanto isso não acontece, como se saíram os times que apresentaram suas caras novas?
Ontem, Shaq estreou pelo Suns enfrentando seu antigo coleguinha e rival, Kobe Bryant (parece coisa saída diretamente da novela mexicana Rebeldes, ou ainda da falecida Amigas e Rivais). Para os que aposentaram o Shaq antes da hora, Diesel mostrou que ainda tem fôlego e que não atrapalhou o jogo correria do Suns como se imaginava. O único detalhe, coisinha pouca, é que Shaq não saiu de quadra com a vitória, o que sempre pode atrapalhar as tentativas de deixar uma boa impressão (Nowitzki que o diga). Kobe Bryant jogou pra burro e aquele tal mindinho machucado que podia vir até a precisar de cirurgia parece a maior balela dos últimos tempos. Quem faz 41 pontos com um dedo machucado? Kobe acertou arremessos de todos os lugares e engoliu vivo o time do Suns, não havia muito a se fazer. Shaq demorou um pouco para pegar o jeito mas se saiu assustadoramente bem, correndo bastante, se tacando no chão atrás de bolas perdidas e, curiosamente, começou a se sair realmente bem no jogo só no quarto período, justamente quando seu fôlego deveria estar acabando. "Estou em melhor forma física do que eu imaginava", soltou o pivô. Isso me lembra uma afirmação recente no departamento médico do Suns, dizendo que as lesões do Shaq não eram problemas estruturais das pernas e joelhos, e sim tecido "não exercitado". Ou seja, chamaram na cara dura, ao mesmo tempo, os médicos do Heat de burros, o departamento físico do Heat de incompetente, e o Shaq de gordo preguiçoso! Mas quem se importa, os homens que salvaram o Grant Hill de uma vida de contusões agora fizeram Shaq correr para cima e para baixo na quadra em um quarto período.
O mais importante sobre o Suns é que eles continuam capazes de marcar 124 pontos por jogo, mesmo sem Shawn Marion e com a presença de Shaq em quadra. O problema é ter tomado 130 pontos do Lakers, claro, mas a presença de O'Neil no garrafão deve ajudar na defesa quando todos estiverem entrosados. Além disso, Shaq exige atenção redobrada de seus marcadores, o que libera Amaré para agir. Seus 37 pontos mostram o que ele pode fazer quando não é marcado pelos pivôs adversários.
O início do Shaq em Phoenix foi tão divertido que por uns segundos ele até pareceu aquele dos velhos tempos. Que tal essa bela cravada na cabeça?
O Suns só não saiu vencedor porque o Lakers também resolveu mudar de cara e Pau Gasol parece que joga com Kobe desde os tempos do Rá-tim-bum na TV Cultura. Ele parece dominar o conceito dos triângulos e o maior favorecido é, estranhamente, Lamar Odom. Como terceira opção ofensiva ele parece florescer e agora não creio que ninguém em Los Angeles pense em trocá-lo. Pelo menos não nessa temporada, até porque não dá mais tempo.
Outro time com jogador novo é o Hawks, que já jogou duas partidas com Mike Bibby como armador principal. Contra o Lakers, Bibby jogou pouco graças a vários problemas com faltas, mas sua atuação no primeiro quarto me deixou empolgado. Ele dá passes simples e eficientes e parece que instaura no time uma calma, uma vontade de dar um passe a mais. É uma coisa quase sobrenatural que muita gente vai dizer que andei bebendo, claro. Enfrentando seu ex-time na noite de ontem, Bibby esteve mais preocupado em arremessar e foi mortal, acertando 6 dos 10 arremessos que tentou, incluindo 4 bolas de três pontos. Acho que era bem o que o Hawks esperava, alguém que acertasse seus arremessos de fora e soubesse tranquilizar o time no ataque. Do outro lado, o Kings não pareceu sentir muito a falta do Bibby, afinal eles passaram tanto tempo com o Bibby contundido que não deviam nem mais lembrar da cara do sujeito, e seu armário devia ser usado para guardar as meias sujas do resto da equipe. O esloveno Beno Udrih, que o Spurs trocou por uma bolacha de água e sal, tomou as rédeas do Kings com 18 pontos e 10 assistências. E o Artest, que por alguma razão não acha o Bibby um sujeito muito camarada, está tão feliz que até deve ter esquecido do fracasso de seu CD de rap. Artest tem, nos últimos 5 jogos, médias de 25 pontos, 7 rebotes, 4 assistências e 3 roubos, além de estar aproveitando mais de 50% de seus arremessos de dois e de três pontos. Será mesmo que o Kings pretende trocar alguém que está jogando nesse nível e que, sem o Bibby, parece estar feliz em Sacramento? Aliás, quais as chances de deixar o Artest feliz?! Melhor aproveitar enquanto dura.
Ontem também foi a estréia do Kidd no Mavs. Dirk estava todo contente e disse que, ao jogar com Nash, aprendeu a importância das assistências precisas que trazem a bola no momento certo, e que isso enfim voltaria com Kidd na equipe. O começo foi promissor, com a ponte-aérea de Kidd para Josh Howard logo no primeiro lance do jogo. Mas o Kidd se atrapalhou um bocado na defesa. Não que Devin Harris seja um grande defensor, mas ser jovem e rápido certamente ajudaria a não ser massacrado sem piedade por Chris Paul: foram 31 pontos, 11 assistências e 9 roubos de bola. Kidd teve mais desperdícios de bola (6) do que assistências (5) e colocar Eddie Jones como titular ao lado de Jason Kidd começa a parecer uma boa idéia para ao menos dar uma apertada na defesa. Mas que tal alguém com menos de 82 anos no Mavs capaz de defender um armador adversário? Acho que Kidd, Eddie Jones e Devean George não se encaixam nessa descrição...
O Nets sem Jason Kidd botou o barco nas mãos do Marcus Williams, que teve 25 pontos, 4 rebotes e 4 assistências. O garoto sempre chutou uns traseiros e muita gente dizia que ele seria titular ainda como novato em qualquer time que não contasse com Kidd ou Nash no quinteto titular. É hora do fedelho passar Hipoglós e provar que só jogou 2 minutos nos últimos anos porque Jason Kidd é um alienígena. Eu aqui, pessoalmente, torço para que Marcus Williams e Devin Harris joguem juntos, sem um ser o reserva do outro. Devin Harris talvez seja o jogador mais veloz de toda a NBA, bate para dentro como um débil mental, mas ao ouvir a frase "passe a bola" seu cérebro compreende "esconda a bola dentro da camiseta e corra para a cesta". Com os dois armadores juntos, acredito que o Nets ficaria mais balanceado. O problema é que colocar Carter e Jefferson junto com eles em quadra tornaria o time muito baixo. Talvez seja uma idéia para o futuro, quando o Carter estiver vendendo churros na rua, aposentado (diz a lenda que mais da metade dos jogadores da NBA que se aposentam vão à falência).
Com tantas caras novas que mudaram consideravelmente times importantes, o Warriors certamente vai ganhar o prêmio de aquisição mais inútil da temporada. Que diabos de diferença Chris Webber está fazendo para o time de Golden State? Quando ele está em quadra, o time piora significativamente. Quando ele vai para o banco, o time subitamente melhora. Pra mim, isso é um clássico caso clínico conhecido como Complexo de Marbury e Webber deveria ser afundado no banco antes que o pior aconteça. Sorte do Warriors que todo o resto parece funcionar perfeitamente. Baron Davis meteu a cesta da vitória contra o Celtics e Monta Ellis continua a ser um monstro. Ele tem médias de 26 pontos por jogo nesse mês de fevereiro e o mais absurdo: sem acertar uma única bola de 3 pontos. Existe algum armador na Liga capaz de fazer tantos pontos sem nunca sequer arremessar de fora do arco?
Outras trocas aconteceram agora há pouco. O Spurs mandou Brent Barry e Francisco Elson, além de uma escolha de draft, em troca do Kurt Thomas do Sonics. Desde que o Damon Stoudemire chegou, Brent Barry havia se tornado dispensável. Kurt vem para fazer parte do sensacional Clube de Pivôs Veteranos Role-Players do Spurs, um clube cheio de jogadores mais-ou-menos que se saem muito bem e acabam sendo campeões. Kurt Thomas defende, faz o trabalho sujo, pega rebotes e acerta cirurgicamente os arremessos de meia distância depois de fazer o corta-luz. Para o Sonics também é uma boa porque o time é novo e o Thomas é velho, o que não dá muito certo. Se você já teve que dançar com uma velha num baile de terceira idade, sabe do que eu estou falando. Além disso, nessa semana a diretoria do Sonics anunciou que Robert Swift iria ganhar progressivamente mais e mais minutos, rumo à vaga de titular. Loucura ou não, Kurt Thomas estava no caminho do pirralho mais estiloso da NBA.
Para finalizar, meu Houston acabou de se livrar do Mike James! Está ouvindo esses fogos de artifício? Está ouvindo esses gritos de felicidade? Está ouvindo essa rolha voando? Sou eu. Mike James e Bonzi Wells vão para o Hornets em troca de Bobby Jackson, um reserva mais do que decente para a armação do meu Rockets. Mas, como fã, dessa troca eu comento mais depois.
A festa de trocas é sempre divertida e o LeBron não está contente de estar de fora dessa. Depois de alegadamente ter cravado na cara do Dirk como punição por terem levado o Kidd para Dallas, LeBron fez triple-doubles em 100% dos jogos pós-All-Star. Foram dois triples seguidos até agora. Se eu fosse o Cavs, não trocava ninguém não. É melhor um LeBron puto da vida que faça triple-doubles todos os dias do que um reforço meia-boca, tipo o Larry Hughes.
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sábado, 9 de fevereiro de 2008
Vida após Marion
O Suns com que todos nós estamos acostumados não consegue ganhar do Hornets. Com Marion na equipe, eram duas derrotas para o time de New Orleans só nessa temporada.
O Suns que conhecemos tem problemas graves para vencer o aprendiz de porra-louca Sonics. Com Marion em quadra, eram duas vitórias: uma por 106 a 99, a outra por 104 a 96.
Como está se saindo, então, o Suns sem Shawn Marion, trocado, e sem o Shaq, ainda sem condições de jogo? Como é o mundo em que o Suns simplesmente tem um jogador fundamental a menos?
A resposta: é a mesma coisa.
Sem ainda ter conseguido vencer o Hornets nessa temporada, o Suns levou, sem Marion, a última partida entre as duas equipes para a segunda prorrogação. Com o Chris Paul acabando com o jogo, com 42 pontos, 9 assistências e 8 roubos (!), a reação natural do Suns seria colocar o Shawn Marion, versátil como é, para marcar e anular o armador adversário. Em seu lugar, mandaram o também versátil Grant Hill, e pronto: sabemos agora que ele pode efetuar muito bem esse papel. Acho que ele nunca passou tempo o bastante saudável para que percebessemos que ele é um grande defensor.
Todo o habitual estava lá, como sempre: os milhões de pontos de contra-ataque, as bolas de 3 chovendo como loucas, um ala multi-uso marcando o armador adversário que estava pegando fogo. E a derrota habitual, claro. Stojakovic acertou um arremesso absurdo que, depois de muito assistir, decidi que ele sequer olhou para a cesta e nem fazia idéia de onde o aro estava. No entanto, saber onde o aro está é para os fracos, e o Peja saiu vitorioso pela segunda vez na temporada na casa do Phoenix Suns.
E que tal contra o Sonics? Depois de vitórias tão apertadas porque o Suns tem problemas esquisitos com a correria do Sonics (aliás, o Suns deveria processar o time de Seattle por plágio!), o placar da partida de ontem (103 a 99) mostra que tudo continua igual no Arizona. Apesar da partida dominante de Amaré Stoudemire, o Suns só saiu com a vitória porque o Sonics levou essa coisa de imitação longe demais. Vocês ainda se lembram do fracassado do Webber pedindo um tempo que seu time não possuia na final do campeonato universitário e, com isso, perdendo o jogo? Pois é, Wally Szczfdghfdzerbiak imitou direitinho e, com seu time perdendo por apenas 1 ponto na noite de ontem, pediu um tempo que não tinha, tomou a falta técnica e perdeu o jogo, envergonhado, dizendo que agora sabia como o Webber se sentiu. Oras, eu sei como o Webber e você se sentiram! Se sentiram BURROS. E nem preciso fazer igual para saber. Vale dar uma assistida:
É claro que o Nach acertou o lance livre da falta técnica e estava tudo encerrado. Aliás, o Suns acertou todos os seus lances livres ontem, todos os TRINTA E DOIS. Talvez haja algum tipo de aura mágica na equipe e o Shaquille O'Neal nunca mais erre um lance livre sequer. Talvez existam duendes. Talvez a Vovó Mafalda fosse mesmo mulher.
Para não dizer que, por enquanto, o Suns é exatamente igual apesar de não ter Shawn Marion, algumas pequenas coisinhas mudaram. O famoso DJ Morango, dos morros cariocas direto para o banco de Phoenix, vem tendo mais minutos nas duas últimas partidas. O garoto aproveitou bem as chances até agora e não tenho muitas dúvidas de que ele será em pouco tempo o legendário reserva do Nash que a torcida sempre aguardou desde os tempos de Moisés. Outro que está jogando mais minutos e faz o trabalho sujo, em especial nos rebotes ofensivos, é o Brian Skinner. Parece que, na marra, o Suns percebeu que as pessoas que ficam sentadas naquele tal de banco de reservas têm permissão para entrar em quadra, numa estranha manobra conhecida como "substituição".
Shaq deve estreiar em breve e veremos como ele se encaixa nessa equipe. Mas se ele passar muito tempo descansando, contundido ou com excesso de faltas, os sinais iniciais mostram que o Suns deverá ser basicamente como era antes. Ou seja, continuarão ganhando dos times chinfrins e perdendo das grandes potências. Numa série de 7 jogos contra o Spurs, todos nós sabemos o que isso significa...
Defenestrado por
Danilo
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
De volta às origens
Está confirmado. Chris Webber está de volta ao Golden State Warriors.
Pra quem acompanha NBA há pouco tempo e não gosta de ler histórias antigas da liga, ou só tem memória fraca (tipo o Muricy, que não lembra que o Carlos Alberto não joga nada!), eu explico. Em 1993, Chris Webber foi a primeira escolha do draft, pelo Orlando Magic. Mas o Magic não queria Webber jogando com Shaq, então no seu segundo ano eles queriam um armador e mandaram o recém-escolhido para o Golden State Warriors em troca de Penny Hardaway.
Webber então foi para a ensolarada California jogar sua primeira temporada na NBA no Warriors, sob o comando do técnico Don Nelson. Sim, o mesmo Don Nelson de agora. Contando a história até agora parece que a volta de Webber é uma história bonita, que ele quer apenas encerrar a carreira onde começou com o técnico que deu sua primeira oportunidade. Seria bonito mesmo, mas não é bem assim.
Naquela temporada de 93-94, Webber foi destruidor, teve médias de 17,5 pontos, 9,1 rebotes e algumas atuações monstruosas. Ele foi o novato do ano e o Warriors voltava aos playoffs. Mas as coisas andavam mal nos bastidores. Don Nelson queria porque queria que Webber fosse um jogador de garrafão, que jogasse lá embaixo da cesta e servisse para atrair a atenção dos marcadores e liberar o arremesso de fora. Também queria que Webber pegasse muitos rebotes e fizesse seus pontos lá embaixo. Webber, por sua vez, sabia do seu talento como passador, como ala, e queria jogar lá fora, participar da correria e tudo mais. Não rolou a temporada inteira e os dois não paravam de se bicar.
No fim da temporada parecia que tudo ia voltar ao normal já que o Warriors tinha contratado um pivô e isso naturalmente levaria Webber à posição de ala de força. Mas o relacionamento desgastado entre técnico e jogador levou Webber a ser trocado para Washington.
No ano passado, quando o Warriors estava na luta para finalmente voltar aos playoffs, coisa que não aconteceu desde a saída de Webber, já se falava sobre finalmente quebrar "A maldição de Webber" que assolava o pessoal de Oakland há mais de 10 anos. Como sabemos, a maldição foi quebrada e o Warriors, de brinde, ainda derrotou o Mavs.
Depois dessa história trágica, uma reconciliação 12 anos depois? Sei lá, é esquisito. É como alguém fugir de casa brigado com os pais, sofrer, ralar, passar fome e aí, 12 anos depois, quando já está bem de vida, com casa, emprego e bufunfa, querer voltar pra casa dos pais. A mesma casa, os mesmos pais com quem brigava. Mais uma vez, esquisito.
Outra coisa curiosa é que Chris Webber tinha dito que estava buscando um time que lutasse pelo título, já que ele queria encerrar sua carreira ganhando pelo menos um anel. Cogitou-se o sempre candidato Mavs, o Pistons, que está a uma série contra o Boston ou o Cavs de vencer a conferência, e até o Lakers que, com Bynum e Kobe, é um time que pode chegar longe. E tinha o Warriors. Ele foi contra a lógica e escolheu o time com o pior recorde dentre estes e o time que dizem que ele tem menos a ver, o que ele menos se encaixaria. E o único com um técnico com quem ele brigou.
Acho que a única resposta que eu entenderia é se ele falasse que é pelo desafio e pela emoção que é voltar a um lugar em que as coisas deram errado e fazer tentar dar certo. Meio como quando o Phil Jackson tinha dito que era impossível treinar o Kobe, que ia embora e depois voltou para o Lakers até para provar pra ele mesmo que era possível. Vai ver que Webber quer provar que pode jogar com Don Nelson, vai ver que ele se sente em dívida com o Warriors, vai ver que ele não queria ser uma peça de reposição de luxo em alguns times já montados. Não só talvez seja isso como eu espero que ele tenha pensado nisso tudo.
No lado prático, na quadra, sinceramente acho que pode dar certo. Webber não tem nem um terço do físico que tinha antes, não aguenta a correria. Mas a verdade é que ele não precisa ficar em quadra 40 minutos por jogo. O Webber pode ser importante em muitos aspectos: o mais óbivo é na liderança, muitos times contratam caras velhos porque eles ajudam nas horas difíceis e Webber pode fazer isso. Já dentro da quadra, ele pode ajudar pelo simples motivo de ser muito inteligente.
Para correr no esquema do Don Nelson nao é só saber chutar de 3 ou correr, isso ajuda, claro, isso vai colocá-lo pelo menos na rotação. Mas pode ver que quando o bicho pega, nos momentos decisivos, a bola é confiada a quem tem mais cabeça. Dificilmente o jogo não é decidido por Baron Davis e Stephen Jackson. Até quando um arremesso decisivo é dado por outro, geralmente é uma jogada de um dos dois que acaba nas mãos de um terceiro. Webber pode ser mais um desses caras que pode ter a bola na mão em momentos importantes do jogo (e momentos importantes existem desde o primeiro quarto até o último) para tomar as decisões corretas.
Outra coisa que Webber pode ajudar é no jogo de meia-quadra do Warriors. Sabemos que ele mal existe, mas em algumas posses de bola eles são obrigados a trabalhar mais um pouco e ter um cara que joga no garrafão, tem um bom passe e um bom arremesso de meia-distância faz muita diferença. O Suns que o diga com o Grant Hill.
Pra terminar, a pergunta que fica: tá, Webber está motivado a voltar, ele pode se encaixar no run and gun de Don Nelson. Mas e o técnico, o que pensa disso tudo?
"Meu medo é que nosso time não seja forte o bastante nos playoffs caso o Webber não venha. Se ele vier será melhor para o time, para a relação dele comigo e para os jogadores do time. Ele pode fazer muitos de nossos jogadores jogarem melhor e fazer esse time melhor."
Se ele disse, quem somos nós pra discordar, né?
(esse post é em homenagem aos ZERO leitores que, segundo a enquete, torcem para o Warriors)
Defenestrado por
Denis
por volta das
15:30
7
Jogadores frustrados já comentaram
Labels: don nelson, kobe, phil jackson, warriors, webber




