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terça-feira, 29 de março de 2011

Vencendo sem querer

Leandro e Leonardo


Depois de muito tempo, finalmente o Leste é capaz de nos dar água na boca. Alguns dos melhores times da NBA estão lá, muitas estrelas foram trocadas para equipes do Leste, três equipes da conferência possuem mais de 50 vitórias e é completamente plausível (pra não dizer provável) que uma delas leve o título da NBA esse ano. Os playoffs no Leste serão incríveis, como será que o Celtics se sairá sem Perkins, como o trio do Heat reagirá à pressão, será que o Derrick Rose segura a onda, ainda dá tempo do Magic se acostumar com a mudança do elenco? Mas não podemos esquecer que essa empolgação com o Leste esconde uma verdade terrível: a conferência ainda fede.

Knicks e Indiana, atualmente donos das últimas duas vagas para os playoffs, possuem mais derrotas do que vitórias. O Sixers provavelmente manterá a sexta vaga apenas igualando o número de vitórias e derrotas. O Bobcats, que é um time que simplesmente desistiu da vida e quer se reconstruir (assumidamente nos moldes do Thunder), periga conseguir uma vaga nos playoffs mesmo tendo 10 derrotas a mais do que vitórias, chegou ao ponto deles pensarem em colocar o Stephen Jackson de molho no banco pro resto da temporada porque senão vão se classificar sem querer e ficar em pior situação ainda no draft. Isso significa que a elite do Leste (Bulls, Heat e Celtics) enfrentará um trio de cachorros semi-mortos em lavadas relativamente fáceis. Eu sei que ontem mesmo o Pacers ganhou do Celtics, e que o Sixers venceu o Bulls, e que eu não me arrisco a tentar entender o Sixers porque o time não faz sentido, mas eu duvido que numa série de playoff essas zebras se mantenham. Acho que o único confronto minimamente interessante deverá ser entre Hawks e Magic. Mas mesmo o Hawks, com 10 vitórias a mais do que derrotas,  é um time implodindo diante dos nossos olhos e vai tomar uma surra. Vão dizer: "ah, o Hawks é bom, o elenco é sólido, não venceram mais de 40 jogos a troco de nada". Pois é, foi o que todo mundo me respondeu quando eu avisei que o único jeito do Hawks vencer o Magic nos playoffs passados era o Dwight Howard comer veneno de rato ou tomar banho de banheira ao lado de uma torradeira elétrica. Como esperado, foi uma das maiores surras da história e vamos ter algo mais ou menos parecido outra vez. Então o Leste é legal, pode aparecer uma zebra ou outra por aí, mas a elite está muito acima dos reles mortais que se classificam com mais derrotas do que vitórias. A conferência ficou mais forte, é verdade, mas foi para alguns poucos. No fundo, acabou ficando ainda mais desequilibrada.

Enquanto isso, na conferência Oeste (que é tãaaaaao ano passado, querida!), três equipes podem terminar a temporada com mais vitórias do que derrotas e mesmo assim estarão fora dos playoffs. As três últimas vagas (atualmente de Blazers, Hornets e Grizzlies) serão disputadas por 6 times (com Rockets, Suns e Jazz com chances de classificação). É um absurdo! E prova de que equipes desacreditadas, em reconstrução, mais perdidas do que cego em tiroteio, conseguiram campanhas fenomenais - e históricas, até - enquanto ninguém estava olhando. Com mais ou menos uns 10 jogos sobrando para cada equipe até o fim da temporada, apenas dois jogos separam o sexto colocado Blazers do oitavo colocado Grizzlies, e mais dois jogos separam o Grizzlies do Houston, também separado por dois jogos do Suns. Ou seja, vamos dar uma olhada nas chances de classificação do Houston e do Suns e aproveitar para ver como suas campanhas deram milagrosamente certo num momento em que os dois times já pensavam em desistir e começar de novo.


Houston Rockets

O Houston começou a temporada acreditando que iria contar com Yao Ming, apostando na armação do Aaron Brooks e seu recém-ganho prêmio de Jogador que Mais Evoluiu, e com Shane Battier defendendo o perímetro. Terminou com um pivô de 1,98m chamado Chuck Hayes fazendo triple-double, a armação entregue ao eterno reserva Kyle Lowry (também fazendo triple-double), e a defesa de perímetro nas mãos do segundo-anista e ex-jogador de vôlei Chase Budinger, ou seja, foda-se a defesa de perímetro. O que diabos aconteceu? É tipo ir dormir com a Mari BBB e acordar com a Mari Alexandre: tá tudo bem, ninguém vai reclamar de nada, mas não era exatamente o que estava nos planos.

O começo capenga e a milionésima lesão do Yao Ming levaram a equipe a uma renovação de elenco, apostando em jogadores jovens e bastante flexibilidade salarial. Novamente, o que acaba brilhando é o esquema tático do Rick Adelman com seus passes constantes, armadores que não seguram a bola e cortam constantemente para a cesta, passes para jogadores desmarcados na linha de fundo e ninguém parado assistindo o jogo acontecer. O técnico já colocou em prática esse esquema com uma equipe sem nenhuma estrela antes, já teve muito mais sucesso do que se esperava, mas não conseguiu levar o time aos playoffs sem uma estrela para segurar as pontas. O elenco de agora não deveria ser uma nova tentativa de bater a cabeça contra a parede, já que todo mundo sabe que o Kevin Martin não vai carregar o time nas costas, era pra ser uma reconstrução sem pretensões imediatas, mas é que alguns jogadores acabaram se saindo bem demais no esquema e o que deveria ser uma renovação acabou se tornando uma equipe com chances de pós-temporada. A defesa do Houston, que desmontou completamente sem Yao Ming (e que tem um pivô anão debaixo do aro!), recebeu o apoio de Kyle Lowry e de Courtney Lee pra ficar menos vergonhosa. O Kyle Lowry aprendeu a arremessar de três pontos, qualidade essencial para os armadores do Adelman, e dominou por completo o esquema tático sem forçar as bolas idiotas que o Aaron Brooks forçava todo jogo. O Chuck Hayes, que é um pivô pintor de rodapés, está dominando as jogadas - que o Adelman tanto adora - em que a bola fica nas mãos dos pivôs na cabeça do garrafão. Então a defesa melhorou, Lowry e Hayes garantem que as jogadas fluam como o técnico deseja, as bolas de três estão caindo e é uma coisa linda de ver esse time funcionando ofensivamente. Até que os reservas entrem em quadra e só façam merda, e que a defesa se mostre uma peneira completa e não dê pra se manter no jogo, claro. As poucas jogadas individuais do Houston aparecem com o Kevin Martin (que às vezes força um bocado e enlouquece todo mundo, mas em geral é comportado) e com o Luis Scola, que sempre dá um jeito de pontuar no garrafão - e sempre dá um jeito de que pontuem em cima dele também Mas o banco de reservas, ao contrário, é cheio de jogadas individuais, não consegue segurar o ritmo ofensivo e manter o esquema sonhado pelo técnico. Normal, o banco só tem fraldinha. O ideal seria dar minutos para a pirralhada, ver quem vai continuar na equipe, encerrar o contrato do Yao temporada que vem e reforçar a equipe. Mas as chances de playoff ferraram tudo. O Hasheem Thabeet, que precisa de minutos urgentemente para não morrer de tédio, sequer entra em quadra pra não comprometer as chances de pós-temporada. Ou seja, o time ficou melhor do que deveria e com isso o Thabeet continua servindo só pra pegar lata no alto do armário.

Ninguém apostava nesse Houston sem Yao, sem T-Mac, com um pivô anão e uma estrelinha como o Kevin Martin, e é por isso que ninguém percebe quão genial é o Rick Adelman. A defesa desmontou, quebrou de vez, três anéis vermelhos da morte pra ela, mas o ataque é tão fantástico que colocou esse time desistente na luta por uma vaga e vai vencer mais de 40 jogos na temporada. Quão absurdo é isso? Vale dar o prêmio de técnico do ano para uma equipe que não venceu mais de 50 jogos? Por isso é que vale assistir aos jogos finais do Houston não para ver quão bom é o Kyle Lowry ou o Chuck Hayes, porque diabos, eles simplesmente não são. Vale é para ver a mão do Adelman tornando tudo simples, bonito e orgânico - e um ou outro reserva batendo cabeça, caindo de bunda e a defesa tomando trilhões de pontos. 

O Houston tem ainda 9 partidas: enfrenta Nets fora, Sixers fora, tem uma sequência em casa em que pega Spurs, Hawks, Kings, Hornets, Clippers e Mavs, e fecha a temporada com Wolves fora.


Phoenix Suns

O Suns já era uma equipe reconstruída quando venceu o Spurs nos playoffs com Nash, Jason Richardson e Amar'e Stoudemire. Mas perder o Amar'e foi duro demais para as chances de playoff da equipe, então resolveram jogar tudo fora e finalmente começar de novo. Quer dizer, mais ou menos. Porque tem alguma coisa lá na água de Phoenix que cura qualquer lesão e renova o sangue de qualquer ancião. É lá que o Shaq se recuperou da lesão que o tirou do Heat, que o Jason Richardson se manteve saudável, que o Grant Hill ficou sólido como rocha depois de uma carreira inteira destruída por lesões constantes. Então enquanto o Suns ia pela privada para começar de novo, o Nash estava lá outra vez com suas 11 assistências e 15 pontos por jogo, acertando quase 50% dos seus arremessos, e o Grant Hill estava lá provando que é um dos melhores - se não for o melhor da atualidade - defensores de perímetro da NBA. Nessa altura, os dois deveriam estar cansados fazendo cruzadinha na lareira de casa e tomando Ovomaltine, e não tornando o Suns um time competitivo. No dia final para trocas nessa temporada, o cu piscou e aí os engravatados de Phoenix não conseguiram trocar nenhum dos dois. Trouxeram mais molecada, conseguiram o Vince Carter para liberar 17 milhões de espaço salarial na temporada que vem, mas não conseguiram se desfazer dos dois vovôs que insistem em jogar muito.

Marcin Gortat e Channing Frye estão jogando bem, o Frye também se renovou no Suns e ganhou uns jogos sozinho com suas bolas de três, mas nenhum deles renderia o que está rendendo sem o Nash por lá. Então o time manteve os moleques junto com o armador canadense para que rendam alguma coisa, faz sentido. Mas e aí? Vão manter o Nash por lá pra sempre, mesmo que não tenham chances de título? Ele vai ficar refém de um projeto de reconstrução que nunca acontece simplesmente porque o Nash é bom demais? O contrato do Grant Hill termina nessa temporada, então o Suns tem que decidir isso também: renova com o Grant Hill e seus quase 40 anos? Porque renovar é aceitar que dá pra vencer agora, já, e que os dois veteranos vão receber ajuda. Mas precisa ser ajuda à altura, nos moldes do Amar'e, não dá pra trazer o Aaron Brooks e achar que vai mudar alguma coisa.

O Suns deveria estar se lascando, tropeçando e conseguindo uma baita escolha legal de draft pra reformar a equipe, mas não conseguiu feder porque o Nash e o Grant Hill são simplesmente bons demais. Conseguir uma oitava vaga seria o maior prêmio do planeta para eles, vovôs que não deveriam mais ter que aguentar essa pirralhada tirando meleca do nariz e o Vince Carter dando migué em quadra como se fosse criança mimada. O Carter vai para o banco pelo resto da temporada, de castigo, com Jared Dudley de titular e com a oitava vaga ainda na mira. É difícil, impensável, deveriam ter desistido muito antes, mas é possível e seria muito legal se acontecesse. 

O Suns ainda tem 10 partidas: enfrenta o Kings fora, o Thunder e o Clippers em casa, e aí passeia pelo país: pega Spurs, Bulls, Wolves, Hornets e Mavs fora de casa. Depois ainda enfrenta de novo Wolves e Spurs, mas em casa.

O engraçado é que o Suns e o Rockets enfrentam vários adversários iguais: Kings, Hornets, Mavs, Wolves, Spurs e Clippers, com o Suns enfrentando Spurs e Wolves duas vezes cada. Os adversários diferentes são Nets, Sixers e Hawks para o Rockets (um saco de pancada e dois classificados no Leste) e Thunder e Bulls para o Suns (duas equipes de elite).

Para comparar, o Grizzlies enfrenta Warriors, Hornets fora, Wolves, Clippers, Kings, Hornets, Blazers fora e Clippers fora. Ou seja, assim como o Rockets e o Suns, o Grizzlies também vai enfrentar Hornets, Kings, Wolves e Clippers. Tirando o Hornets, que também luta por posição, são apenas equipes fracassadas e quem  não conseguir vencê-las vai ficar muito atrás na briga pelas vagas. Novamente, são os times pequenos decidindo o futuro de seus irmãos maiores.

Rockets e Suns saíram melhor do que a encomenda, venceram meio sem querer, no meio de um projeto de reconstrução que não esperava exatamente ir parar nos playoffs. É capaz que as duas equipes nem consigam a oitava vaga, é verdade, mas Rick Adelman, Steve Nash e Grant Hill mereciam esse presente - muito mais do que o Grizzlies sem Rudy Gay, que poderá tentar novamente mais tarde, ou até o Blazers assolado por lesões e seu projeto de reconstrução pela metade. Essa reta final da temporada costuma ser a parte mais chata, a gente nem fica com grande peso na consciência quando temos que deixar o blog de lado um pouquinho para cuidar das nossas coisas, mas vale a pena acompanhar como essas equipes continuam tendo chances quando ninguém mais acreditava. E se forem para os playoffs, aí sim todo mundo verá o absurdo de suas campanhas - e dessa vez com muita cobertura do Bola Presa, que aquece os motores pra te matar de tanta leitura assim que a temporada regular terminar.

terça-feira, 8 de março de 2011

Fetiche por gigantes

Se o Brooks já era porra-louca, imagina quantas mães ele vai arremessar no Suns


Com a chegada da data limite para trocas na NBA, trocentos times resolveram fazer mudanças importantes. Alguns resolveram que era época de reconstruir, outros conseguiram peças importantes para tentar chegar ao título. Desde então sentamos e analisamos todas essas trocas, Jeff Green para o Celtics, Hinrich para o Hawks, Mo Williams para o Clippers, Deron Williams para o Nets, Carmelo para o Knicks e Gerald Wallace para o Blazers, além dos jogadores que foram dispensados e trocaram de time após as trocas, como o Mike Bibby indo para o Heat e o Troy Murphy indo para o Celtics. Só faltaram duas trocas, que são a parte que me cabe neste latifúndio. Como bom torcedor do Houston, é meu dever de cidadão analisar a troca que mandou Aaron Brooks para o Suns pelo Goran Dragic mais uma escolha de draft e a troca que mandou Shane Battier de volta para o Grizzlies pelo Thabeet e uma escolha de draft. Legal, vamos voltar do carnaval (em que você passou o dia inteiro atrás de atualizações do Bola Presa clicando com cara de fracasso vendo sua lista vazia no MSN, ou então estava bêbado demais para se importar com basquete) e nos deparar com mais um texto sobre o Houston escrito pelo lambedor de bolas oficial do Yao Ming. Ah, não é uma delícia fazer o que a gente bem entende?

No post sobre a troca do Blazers, lembramos do processo de reconstrução da equipe que começou mandando embora Zach Randolph, então melhor jogador da equipe. Mesmo sem outras trocas, escolhas de draft ou contratações, o Blazers já melhorou imediatamente só de não ter o Randolph em quadra. Em parte porque ele era um buraco negro (quando a bola chegava nele, nunca mais escapava), em parte porque ele produzia bons números mas não defendia bulhufas, mas o motivo principal da melhora da equipe foi que  a saída do Randolph abriu espaço para outros estilos de jogo e deu oportunidade para outros jogadores mais jovens. Cada caso é um caso, não é sempre que funciona, o Cavs sem seu melhor jogador virou um dos piores times da NBA, mas às vezes vale a pena perder uma peça que parece essencial e dar minutos ao resto do elenco. Curiosamente é o que está acontecendo com o Nuggets, por exemplo, que sem o Carmelo agora pode se dedicar a um sistema de jogo defensivo e dar minutos a um elenco bastante profundo. Com o Houston aconteceu algo parecido, mas em menor grau.

Desde que o Tracy McGrady foi boicotado e mandado embora, o time continua com sua política de manter um jogo coletivo e sem estrelas que consegue fazer estrago, mas que sem Yao Ming provou que não vai a lugar nenhum. Aaron Brooks foi um dos melhores jogadores da equipe nas duas últimas temporadas, foi líder da NBA em bolas de 3 pontos, deu sufoco para o Lakers nos playoffs e assumiu a responsabilidade nos momentos decisivos de inúmeras partidas - mas ele ainda era apenas mais um armador em uma equipe cheia até as orelhas de outros armadores. Rapidamente ele foi de jogador mais importante para jogador mais desnecessário - e a equipe melhorou muito sem ele.

Isso aconteceu porque a defesa do Houston desmontou inteira sem Yao Ming. Tendo que usar um garrafão muito baixo e com limitações defensivas graves (jeito simpático de dizer que todo mundo fede), a tática de afunilar a defesa para o centro do garrafão virou farofa. Os jogadores de perímetro passaram a ser responsáveis por impedir os adversários de infiltrar, e não de forçar a infiltração pelo meio como antigamente. O problema é que Kevin Martin e Aaron Brooks são simplesmente terríveis na defesa mano-a-mano, é de dar vergonha. Com os dois em quadra como titulares, a defesa da equipe virou uma peneira, mais aberta do que passista bêbada de escola de samba, e vários jogos foram perdidos por pouco no começo da temporada justamente porque o Houston não conseguia impedir pontos nos minutos mais importantes. A temporada foi pro saco bem no começo, com os jogos perdidos por pouco, e desde então o time não fez outra coisa além de correr atrás do prejuízo em busca de uma vaga nos playoffs.

Quando o Brooks se machucou e Kyle Lowry assumiu a armação da equipe, as coisas melhoraram muito. Lowry é um excelente defensor, um dos melhores na posição, e bastou que tivesse mais minutos (e se recuperasse da própria lesão que sofreu) para se acostumar com as funções do Brooks e começar a acertar os arremessos de três pontos que eram característica do antigo dono do cargo. A profundidade do elenco também apareceu com a contusão do Brooks: o Courtney Lee, também excelente defensor, joga muito bem quando tem minutos decentes. Chase Budinger se destaca nas bolas de três se o armador não arremessar tanto. Ish Smith, que teve minutos quando todos os outros armadores estavam lesionados, mostrou que consegue segurar as pontos. E Terrance Williams, que anda destruindo nos treinos da equipe, só não entra em quadra pra pontuar como um maluco porque ele é essencialmente igual ao Brooks no que tange à defesa.

Ou seja, não deu pra sentir falta do Brooks enquanto ele esteve contundido. Tem armador de baciada para entrar no seu lugar, incluindo um armador que sequer tem espaço para ser utilizado e que faz as mesmas coisas que ele. O time ainda tem suas dificuldades, continua perdendo, mas é melhor com Kyle Lowry armando e o resto dos armadores tendo oportunidade em quadra. O Brooks é bom, isso é inegável, mas Lowry é um armador mais experiente com uma carreira inteira em que foi reserva e merecia ser titular, é bonito ver ele finalmente morder a vaga e não largar mais.

Quando voltou de contusão, o Brooks foi pro banco de reservas. Sua vaga como titular estava tomada em definitivo, não adiantava chorar. Seu contrato acaba nessa temporada, então era bem óbvio que o Houston não iria reassinar o armador por uma bagatela e que o Brooks iria procurar outros ares. Seria normal perder o armador por nada e respirar aliviado com o espaço criado pela sua partida, coisa de elenco profundo e nenhuma chance de título, mas o Houston conseguiu trocá-lo numa jogada de mestre. Porque o Suns não sabe o que faz.

O Goran Dragic não estava jogando bem em Phoenix, é verdade, mas ele comandou o ataque do Suns nos playoffs passados com algumas partidas simplesmente espetaculares e é disparado o melhor defensor da equipe na posição (o que não quer dizer nada num time que tem o Nash, claro). Faz tempo que o armador esloveno está sendo cuidadosamente criado para assumir o time numa possível saída do Nash, mas parece que o Suns simplesmente encheu o saco. Mandaram o armador embora, junto com uma escolha de draft (do Suns, se eles não forem para os playoffs, ou do Magic, caso eles consigam ir) e pegaram o Brooks para assumir a reserva e o Ish Smith pra segurar as pontas quando Nash e Brooks jogarem ao mesmo tempo em quadra numa formação mais baixa. Caso a equipe tenha esperanças de se dar bem nos playoffs, o Brooks pode ser uma boa - ele fez chover contra o Lakers, é mais rápido que o Dragic, arremessa melhor e tem experiência levando um time nas costas na pós-temporada. Mas para assumir o lugar do Nash, a troca não faz sentido. O contrato do Brooks vai acabar nessa temporada e não há garantia de que ele vá reassinar com o Suns. A troca pareceu apenas um empréstimo para ver se a equipe consegue ir bem nos playoffs nessa temporada, o que é ridículo. Desde quando o Suns deveria se importar com essa temporada? Tudo bem que o time deveria feder mas nunca fede, que eles continuam ganhando mesmo quando a gente espera que eles desmontem, mas alguém realmente acredita que essa equipe que depende do Channing Frye e do Vince Carter vai a algum lugar? Quando finalmente achamos que o Suns vai se tocar, entrar em reconstrução e trocar o Nash, eles insistem em vencer uns jogos bizarros, continuam com chances de ir pros playoffs e fazem uma troca que não pensa em nada no futuro. Não entendo esse time nem lascando. Pra mim foi a troca mais desequilibrada da data limite, o Houston cometeu um assalto à mão armada e o Suns tá lá, feliz da vida, achando que dá pra vencer o Spurs nos playoffs e mandar o futuro às favas. Legal. Se eles forem campeões com esse time mequetrefe, sendo que não conseguiram com Amar'e e Jason Richardson, façam favor de jogar esse mundo fora porque não vou querer viver nele.

A outra troca do Houston tem muito em comum com a primeira. Os jogadores que ganharam espaço com a lesão do Aaron Brooks, como Courtney Lee e Chase Budinger, não apenas se mostraram competentes com os minutos como também são o futuro do Houston, que não tem motivo para pensar no agora. Shane Battier é um gênio, continua sendo um dos melhores defensores da NBA e é mais obediente do que cachorro de cego, respeita toda e qualquer instrução tática, lê bem o jogo e executa bem todas as pequenas coisas como se jogar no chão e dar cabeçadas em muros de concreto. Mas ele é o tipo de jogador essencial para equipes que querem ser campeãs, não para equipes que estão formando elencos profundos baseados em pirralhada. Ele era a peça final para levar Yao e Tracy McGrady ao titulo, o Houston até abriu mão do Rudy Gay novato porque não tinha paciência para esperar o pirralho amadurecer. Mas o título não veio, as lesões não deixaram, o Rudy Gay virou estrela no Grizzlies e o Battier agora não é mais necessário. Com o contrato expirante do Yao Ming, o Houston vai ter grana para decidir quais jogadores jovens manter e quem trazer para dar uma força, mas está longe de ter chances reais pelos próximos anos. O Battier estava sendo pouco aproveitado. Isso ficava óbvio quando o Houston vencia jogos graças às bolas de três pontos do Battier, não graças à sua defesa. Toda vez que ele entrava em quadra com a mira calibrada, as chances de vitória da equipe eram muito maiores. Pronto, agora o Houston pode usar o Chase Budinger de titular que é especialista nas tais bolas de três e o Courtney Lee pode brilhar na defesa arremessando muito melhor do que o Battier jamais arremessará. Ponto pra meninada.

No Grizzlies a situação é inversa. Agora o time se leva a sério, a reconstrução feita aos trancos e barrancos que começou com a troca do Pau Gasol deu resultado, e eles realmente acreditam que podem surpreender nos playoffs. O projeto do Grizzlies teve um monte de tropeços, o OJ Mayo deu dor de cabeça e foi deixando de ser usado, o Hasheem Thabeet veio com a segunda escolha do draft mas não está pronto para a NBA, o Rudy Gay se contundiu no meio dessa temporada (e só volta agora no final de março), e mesmo assim o Grizzlies continua impressionando todo mundo com uma defesa sufocante e vencendo jogos que não deveria vencer. É um time de verdade capaz de garantir uma vaga nos playoffs e surpreender qualquer adversário através da defesa. Quão bizarro é isso num time que tem Zach Randolph como titular? É maluco mas é real, e agora o Grizzlies precisa acreditar que pode vencer imediatamente, preparando terreno para a inevitável evolução da equipe. Tony Allen encontrou nova vida após o Celtics com a sua forte defesa individual, então Shane Battier com certeza vai se encaixar no esquema defensivo, quebrar um galho nos rebotes enquanto Rudy Gay está fora, e fazer as pequenas coisas que o time precisa nos playoffs. Ainda que o contrato do Battier também seja expirante como o do Brooks, tudo leva a crer que o Battier vai ter muitos movitos para continuar na equipe após essa temporada e terá um papel importante na campanha da equipe nos playoffs e no futuro.

Para conseguir Battier, o Grizzlies teve apenas que desistir de uma escolha de draft futura (provavelmente de 2013, quando eles esperam estar na elite da liga) e de uma cagada, o pivô Hasheem Thabeet. Todo mundo sabia que o pivô estava mais cru do que sashimi quando foi draftado, mas o Grizzlies insistiu em gastar uma segunda escolha com o rapaz. Agora que precisam vencer hoje mesmo, não dá pra esperar mais 10 anos até que o pivô aprenda a amarrar os próprios cadarços. O Houston pode ter essa paciência numa boa, e está tão desesperado por um pivô que vale até a pena arriscar um jogador que precisa de ajuda para se limpar quando vai ao banheiro. O lado positivo pro Houston é que o Thabeet não foi um fracasso completo como novato. Ele teve média de mais de um toco por jogo mesmo ficando em quadra por pouco mais de 10 minutos. Ele é um poste gigantesco com 2,21m de altura capaz de alterar muitos arremessos e bloquear outros tantos, mas com dificuldade para correr de um lado para o outro, técnica nenhuma no ataque e físico inferior ao do Justin Bieber. Se o Houston quer voltar a ter uma presença defensiva no garrafão para que a defesa do perímetro afunile em sua direção, como fazia com Yao e com o Mutombo, o Thabeet é uma esperança. O Grizzlies foi ficando bom e aí não fazia mais sentido dar minutos para o pirralho que só sabe dar tocos, o Houston pode esperar mas é bem capaz que também fique bom demais antes do pivô deslanchar, e aí não vai fazer sentido usá-lo. Por enquanto o Houston está sendo cauteloso, avaliando o Thabeet nos treinos, ainda vendo se a nova formação da equipe se encaixa e se tem chances de lutar por uma oitava vaga. Em breve ele vai ganhar mais chances e minutos, coisa de time com fetiche por pivôs com mais de 2,20m de altura. É legal ganhar um pivô com potencial em troca de um jogador que não era mais tão útil e cuja partida abrirá espaço para outros jovens promissores, mas convenhamos: ficar dependendo de pivôs gigantes mostra que o Houston definitivamente não aprendeu uma lição importante sobre a saúde desses jogadores-aberrações. Aposto que o Grizzlies agora respira aliviado por não ter que lidar com essa bomba, mesmo que no futuro o pivô venha a render alguma coisa. É melhor garantir umas vitórias agora do que ter que carregar o fardo de uma péssima escolha de draft pra vida toda. O fardo agora é do Houston, mas é mais leve porque é só uma pequena aposta que custou pouco - desde que a equipe não morra de amores pelo pivô e deposite todas as suas fichas nele. Mas como ele mal entrou em quadra desde que a troca aconteceu, não acho que seja o caso. Como torcedor, também não vou esperar grandes merdas, vou só ficar de olho porque, né, vai que dá certo?

terça-feira, 27 de julho de 2010

Novos começos

Ramon Sessions precisa levantar mesmo esses cotovelos pra 
impedir que o Mo Williams arranque a bola das suas mãos


A saída de LeBron James não significa para o Cavs apenas a perda de sua maior estrela, ela também explicita quão desastrosa foi a montagem desse elenco com o passar dos anos e como todo o time está impossibilitado de fazer qualquer coisa em quadra sem LeBron. Não há como negar que o time funcionava perfeitamente e era um dos mais fortes da NBA, mas sempre foi óbvio que o Cavs conseguia jogadores aleatoriamente apenas para rodear LeBron, sem qualquer critério ou esquema tático em vista. Quando Mo Williams foi contratado, era um jogador fominha que havia levado seus companheiros de Bucks à loucura, não existia motivo algum para que ele se encaixasse no Cavs. Suas limitações na armação sempre forçaram LeBron a iniciar a maior parte das jogadas, seus arremessos precipitados sempre forçaram LeBron a manter a bola pouco em suas mãos. Com essas rédeas Mo Williams rendeu muito bem, enlouqueceu pouca gente, ganhou vários jogos, fez poucas cagadas. Agora, de repente, tornou-se um dos únicos pontuadores da equipe e o único armador capaz de carregar a bola. É como se a Preta Gil fosse a única mulher da Terra e não houvesse outra solução além de casar com ela, mas seus desastres físicos ficassem por isso mesmo mais evidentes. Como dizemos por aqui, em terra de cego quem tem um olho é caolho.

Os engravatados do Cavs sabem da merda que os espera. Depois de chorar muito na cama, tomar sorvete direto no pote, ouvir muita música emo, xingar muito no Twitter e dizer que o Cavs vai ganhar um anel de campeão antes do LeBron,  a primeira coisa que fizeram foi ir atrás de um armador puro. Se esse time ficar sob responsabilidade da armação de Mo Williams, será um desastre terrível - apenas ampliado pela falta de qualidade do resto do elenco. O primeiro armador que tentaram contratar foi, acertadamente, Kyle Lowry. Como torcedor do Houston sei muito bem como ele chuta traseiros, defende como poucos na liga, tem uma visão incrível de jogo e toma sempre as decisões mais simples possíveis, sem frescura. Ele é indicado para treinador que não quer ficar de saco cheio e nem derramar uma única gota de suor, Lowry não precisa receber ordens, vai sempre colocar a bola nas mãos do jogador certo, só vai arremessar se fizer sentido, só vai bater pra dentro se houver espaço. Apesar de ser reserva no Houston porque o titular Aaron Brooks é o mais perto que o time tinha de um pontuador, bastou que o Lowry se contundisse para que o Rockets entrasse numa triste sequência de derrotas humilhantes. É simples assim, o time não funciona sem ele. Suei frio com a possibilidade de sua saída, tive pesadelos em que o Ilgauskas vinha em câmera lenta e roubava o Lowry de mim (pensando melhor ele não estava em câmera lenta, o Ilgauskas se move nessa velocidade na vida real), mas o Houston fez a coisa certa e igualou o contrato. Obrigado, time querido!

Não sobraram muitos armadores puros por aí, mas o Wolves está sempre disposto a fazer uma troca bizarra que ninguém entende. Ontem, mandaram Ramon Sessions, Ryan Hollins e uma escolha de segunda rodada do draft em troca de Delonte West e Sebastian Telfair. É até um pouco engraçado: na prática o Cavs mandou dois armadores problemáticos e incapazes de assumir a armação de uma equipe em troca de um armador que, no mínimo, merece uma chance de tentar.

Falamos bastante por aqui do Delonte West, sempre torcendo para que ele conseguisse passar por cima de seus problemas pessoais. Há anos luta contra sua depressão crônica, falou bastante sobre ela - clamando para que as pessoas entendam que depressão não é escolha, é doença - e volta e meia está envolvido com problemas em seu bairro natal, cheio de pobreza, drogas e criminalidade. Foi preso recentemente por portar uma porção de armas enquanto andava de triciclo por aí (caso que abordamos longamente num post da época) e somente agora saiu sua condenação, que envolve prisão domiciliar, horas de serviço comunitário e tratamento psicológico. A NBA deve suspendê-lo por vários jogos, nessa mania imbecil de botar a colher na vida pessoal dos jogadores, mas a prisão comum lhe permitirá participar dos jogos normalmente. O problema é que o Cavs cansou dessa bagunça toda. Deram todo o apoio possível, inclusive financeiro, e arcaram com a encrenca toda vez que o Delonte se auxentava graças à depressão ou algum outro problema pessoal. No fim, entenderam que não dá para vencer a realidade. O jogador é quem ele é, nasceu onde ele nasceu, e não há nada que possa ser feito para arrancá-lo bruscamente da realidade que o sufoca. Muito progresso foi feito, mas muitos passos para trás também ocorreram. Numa NBA cada vez mais aterrorizada com a ideia de mostrar a origem dos jogadores e os problemas reais fora das quadras, Delonte West não tem muitas chances. Comentamos no post do link acima que os problemas de Jamaal Tinsley com armas fizeram com que não arrumasse mais emprego na NBA e torcemos para que o mesmo não ocorresse com o West. Com informações chegando de que o Wolves mandou o armador embora (seu contrato não era inteiramente garantido caso fosse despedido antes de agosto), parece que Delonte West é mais um para as estatísticas de jogadores soterrados por seus problemas pessoais. Uma pena, porque jogava bem, era inteligente, bom arremessador. Vamos torcer para que arrume um time e não tenha que ir vender pipoca.

Sebastian Telfair não fica muito longe disso. Era um gênio nos seus tempos de colegial, um dos melhores armadores que já vi, mas resolveu não ir para a universidade, pulou direto pra NBA, teve problemas de imaturidade e postura em quadra, brigas com companheiros, desentendimentos com técnicos, falta de vontade nos treinos, prisões por armas e por drogas, e no fim nenhum time lhe deu os minutos necessários para que pudesse fazer alguma coisa. Na única temporada em que jogou pra valer estava no Wolves e chutou muitos traseiros, embora tenha mostrado que é incapaz de defender qualquer um. Mereceria uma vaga de reserva em qualquer time da NBA, mas quem está disposto a lhe dar essa chance? Seu tempo no Cavs foi curto e, dizem, cheio de desgosto de ambas as partes. Sua volta ao Minessota também tem planos de ser passageira, com o Wolves querendo mandá-lo embora ou trocá-lo imediatamente. O coitado não vai ter, de novo, a chance de mostrar que joga bem pra burro.

Eu defendi longamente o Kahn dia desses, dizendo que era cedo demais pra chamar o engravatado do Wolves de burro, mas o cara não ajuda. O que ele fez foi basicamente se arrepender de ter assinado um contrato grande com o Ramon Sessions (motivado por aquela vontade doente de usar dois armadores puros em quadra ao mesmo tempo) e então trocá-lo junto com o Ryan Hollins, que é um belo pivô quebra-galho, por dois jogadores que ele só queria mandar embora para liberar mais teto salarial. Uma troca apenas para desfazer sua cagada e começar o Wolves de novo pela milésima vez. Tem até certa razão, esse lance de usar o Flynn e o Sessions juntos nunca funcionou, ele ainda espera que o Ricky Rubio venha jogar na temporada que vem, acabou de contratar o Luke Ridnour, então tinha que se desfazer do contrato que assinou com o Sessions. Mas trocá-lo por coisa nenhuma não vai fazer com que ele ganhe nenhum Nobel da Física, diabos! A política do Wolves continua clara: perder bastante, não ter vergonha disso, e pagar o mínimo possível de salário enquanto isso acontece.

Para o Cavs, foi um presentão de graça, tipo a Larissa Riquelme no Paparazzo. O Ramon Sessions é aquele armador que era reserva do Mo Williams no Bucks e, quando o Mo se machucou, o Sessions assumiu a vaga de titular e deu 24 assistências num jogo, marcou 44 pontos em outro, fez um triple-double com 16 assistências em outro, e assim por diante. Chutou traseiros pra valer, o elenco do Bucks sentiu o gostinho de finalmente tocar na bola, e aí a situação do Mo Williams fominha ficou insustentável por lá, com ele sendo praticamente expulso do time pelos companheiros. Curiosamente, o Sessions - que assinou com o Wolves pra ser titular mas não teve muitas chances de jogo porque a ordem da casa era deixar o Flynn aprender na marra - vai agora para o Cavs jogar de novo com o Mo Williams. Apenas espero que não seja para ser reserva outra vez! O Sessions não é um arremessador maravilhoso, mas sabe quando arremessar, infiltra bem, é excelente reboteiro, bom nos contra-ataques e tem uma visão de jogo simplesmente espetacular, dá pra confiar as jogadas de um time em suas mãos. Se jogar ao lado do Mo Williams, vai pelo menos limitar um pouco o tempo que o Mo passa com a bola nas mãos e impedir que ele arremesse em exagero. Se for reserva do Mo, então podemos esperar que em breve o Cavs ame o Sessions de paixão e dê uma sova no Mo Williams, expulsando ele do time pra aprender a não ser otário.

Conseguir o Sessions foi enorme para o Cavs, mas também não deve fazer milagre. O time precisa entender que a melhor saída agora é simplesmente feder por uns tempos. Assinar o Varejão por 7 milhões de dólares pareceu uma boa ideia quando significava manter o elenco intacto em volta de LeBron (quer dizer, para alguns foi cagada mesmo na época), mas agora fica evidente o tamanho da merda. Trocar por Jamison foi legal quando era a peça final pra ganhar um título, agora é só um contrato de mais de 13 milhões que vai durar ainda dois anos. Mo Williams rendeu e foi até All-Star quando estava controlado, agora é um fominha que ganha 9 milhões de dólares. É um time muito caro com jogadores limitados, aleatórios, que não combinam, e não adianta gastar qualquer grana que eles tenham tentando contratar mais alguém. Resta dar a armação pro Sessions, estabelecer o estilo de jogo do novo técnico Byron Scott (altamente focado na armação e no cadenciamento do jogo), criar um time organizado, e perder. Imagina que legal se eles conseguem a primeira escolha do draft do próximo ano, o cara se torna uma estrela, e aí encerram-se os contratos de Jamison, Mo Williams e Varejão. Se o time for organizado e Byron Scott tiver feito um bom trabalho, conseguirão contratar um novo elenco em volta de seu novato e terão seu novo LeBron James. Na temporada de 2002, os torcedores do Cavs iam para o ginásio com placas "Percam por LeBron", foi o que o Cavs fez, e deu tudo certo. Agora, começa a tática de novo, mais uma vez. Em uns 10 anos, devem ter que fazer de novo quando o tal novato-estrela for jogar com os amiguinhos em outro time, mas de todo modo é melhor do que ficar tentando remendar o estrago com mais contratos horríveis e apressados. É a lição definitiva, crianças: não sejam o Detroit Pistons.

O plano do Wolves também deve ser perder sem medo por uma boa escolha de draft, mas como tudo dá sempre errado para os lobinhos, a troca idiota já começou mal: ao trocar Sessions, que não ia ser usado mesmo, por dois armadores que devem ser mandados embora para economizar dinheiro, o Jonny Flynn foi pra cirurgia e deve perder vários meses na recuperação. Ou seja, agora o Wolves não tem armador reserva (o Ridnour vai ter que assumir a armação quando a temporada começar) e talvez tenha que manter o Telfair a contragosto. Nem as cagadas que eles fazem dá certo, é incrível. Mas vejam pelo lado positivo: pelo menos o Wolves não paga milhões e milhões por Jamison e Varejão. Às vezes, é melhor economizar.