Este é o clássico post da exaltação. Depois do título olhamos para trás e tecemos elogios ao time campeão como se fosse uma reunião com a mãe de todos os jogadores. Afinal, todo título é difícil e merece os elogios. Mas vou tentar fazer da maneira mais legal possível. Estou aqui pra explicar porque o Lakers ganhou e como tudo deu certo, mas sem ficar lambendo o saco de ninguém. Entende?
O título do Lakers é realmente merecido, mas algum título até hoje não foi? Vale mesmo a pena discutir tal assunto? Você pode ter preferido outro time, achar que um não ganhou porque teve um pouco mais de azar ou até que a juizada não ajudou, mas depois que um time sobrevive a uma temporada exaustiva de 82 jogos, consegue mando de quadra até as finais e vence 4 séries de 7 jogos fica difícil questionar um título.
Isso é uma das coisas legais da NBA, essas séries de 7 jogos realmente definem qual é o melhor time do confronto, é simplesmente jogo demais para um time ganhar na sorte. Zebra até acontece, mas é quando um time mais fraco se supera e vence o mais forte quatro vezes!
Mas não é porque o título é merecido que vamos retirar tudo o que dissemos sobre o Lakers. Rolou uma discussão nos comentários do post anterior sobre o Lakers ser um time limitado ou não. Eu não diria limitado, acho uma palavra forte demais, fica parecendo que o time é ruim, mas o Lakers tem seus defeitos, sempre disse isso e continuo achando. Assim como acho que o Lakers é irregular durante muitos jogos, que tem defeitos que, se bem explorados, fazem do Lakers um time derrotável e que não joga tudo o que pode sempre, facilita muito a vida do adversário em jogos fáceis e só joga pra valer mesmo contra os times mais importantes.
E esse foi o diferencial do time de LA sobre todos os outros na temporada. O Cavs defende melhor, o Magic é mais paciente, o Nuggets tem mais armas ofensivas, o Celtics tem mais talentos individuais, o Rockets tem um jogo mais físico. Mas com tantos times com suas qualidades e com um nível parecido com o do Lakers, nenhum jogou bem quando mais precisou.
O Rockets perdeu em casa para o Lakers depois de ter roubado o mando de quadra e foi ridículo no jogo 7. O Nuggets não jogou nada no jogo 6 da final do Oeste, o Magic não soube decidir nas finais, o Celitcs perdeu um jogo 7, jogando mal, em casa, e o Cavs entrou em desespero depois de perder o jogo 1 para o Orlando.
Eu sei que sempre alguém tem que perder, mas o que esses times, os mais fortes dessa temporada, tem em comum é que foram eliminados com atuações bem abaixo da sua média. Já o Lakers elevou o seu jogo quando mais foi preciso. Como o Rodrigo Alves disse no Rebote, foram 34 vitórias e 10 derrotas contra os 10 melhores times da NBA. O Lakers nunca defendeu tão bem nesses playoffs como naquele jogo 6 contra o Nuggets (melhor jogo da temporada do Lakers) e como nas duas prorrogações contra o Magic.
Outro mérito do time que não muita gente está levando em consideração é a evolução do time em relação à temporada passada. Quantos times você não lembra de ficar vendo os mesmos defeitos ano após ano? O Suns que não defende, o Dallas sem infiltração, o Bulls sem jogo de garrafão e por aí vai. Times que ficam no quase por anos a fio e não sabem dar o passo seguinte.
O Lakers não, perdeu no ano passado porque defenderam pior que o Celtics e porque no ataque não souberam lidar com uma defesa mais física
Nesse ano voltaram defendendo melhor e defenderam ainda mais nos jogos mais importantes do ano: os 4 da temporada regular contra Cavs e Celtics e nos principais jogos dos playoffs. E defender melhor não quer dizer virar um time especialista em defesa, não é abdicar do ataque, é simplesmente melhorar em um fundamento do jogo. Todo bom jogador de basquete deveria ser capaz disso.
E se tinha alguma dúvida sobre a vontade de jogar e o jogo físico que ficaram no ano passado, isso acabou agora. O Lakers passou pela pancadaria do garrafão do Jazz, pelo time mais físico dos playoffs que foi o Rockets e depois pelo Nuggets com o simpático e afetuoso trio Nenê-Martin-Birdman.
Em resumo, podemos dizer que o Lakers é o campeão porque é um time limitado que soube passar por cima das suas limitações toda vez que foi colocado contra a parede. E isso não é um demérito para o LA, é pra valorizar mais a vitória.
E acho que vocês devem concordar comigo que esses defeitos do Lakers e de todos os seus adversários deixa a NBA ainda mais legal, não é? Qualquer um que acompanhou a Era Schumacher na Fórmula 1 sabe o saco que é ver sempre o mesmo cara ou o mesmo time vencendo sempre sem ser desafiado. Claro que por um lado é legal acompanhar de perto alguém muito talentoso, mas diversão mesmo é ver o cara bom ser desafiado, é começar a ver os playoffs sem ter idéia de quem vai acabar campeão.
Então temos o Rockets, Nuggets, Cavs, Magic, Celtics, Lakers e possivelmente Spurs e Blazers para disputar o título do ano que vem. E isso é do caralho! Poder cogitar 8 times para um título é luxo que só meia dúzia de campeonatos no mundo tem. Claro que desses 8, uns tem caminhos mais longos pra percorrer, o Lakers está mais perto do título que o Blazers, por exemplo, mas no fim todos esses times tem talento, tem elenco e só precisam fazer o que o Lakers fez com perfeição nesse ano: corrigir seus defeitos e minimizar seus defeitos quando mais importa.
E já que o post é de exaltação, que tal uns parabéns? Mas não dados por nós, claro, a gente tá pouco se ferrando. Quem mandou suas congratulações aos vencedores foi o Shaquille O'Neal no seu twitter. Alguma dúvida de que ele é o cara mais engraçado da NBA?
"Parabéns, Kobe. Você merece. Jogou muito bem, aproveite o momento! E eu sei o que você está pensando agora: 'Shaq, how my ass taste?'"
(se você tem memória de Dory, é uma referência ao "Kobe, tell me how my ass taste?", um rap de improviso que o Shaq fez antes da temporada começar. "tell me how my ass taste?" pode ser traduzido como "Diga-me qual é o gosto da minha bunda?", mas se for um filme da Sessão da Tarde você troca "bunda" por "traseiro")
Ele também mandou mensagens para outros campeões e fez referência a seu querido Mestre do Pânico, Stan Van Gundy:
"Parabéns, Phil Jackson. Quando o general não entra em pânico as tropas não entram em pânico. Você é o maior agora"
"Parabéns, Fisher. Grandes arremessos no outro dia. Aproveite"
"Parabéns em espanhol, Pau Gasol, muchas gracias pappacito"
Tem uma frase famosa nos EUA sobre playoffs que diz: It's all about matchups.
Sem querer traduzir ao pé da letra, a frase defende que uma série de playoff é decidida pelos matchups, ou seja, pelos duelos pessoais entre os dois times. É o que falamos várias vezes sobre a série Magic e Cavs. LeBron e as LeBronzetes tinham um time bom, mas era o time errado pra enfrentar o Magic. Será que o Lakers tem o time certo? É hora daquela análise jogador contra jogador que todo site de basquete faz mas nenhum com o charme e a graça do Bola Presa. Derek Fisher x Rafer Alston
Acho que esse confronto depende muito do Alston que vamos encontrar em quadra. Vai ser a máquina de acertar arremessos do jogo 4 da série com o Cavs ou o lixo do jogo 5? E o Fisher que vai jogar é o que sabe arremessar ou o que é um pedaço de carne desforme e imprestável?
Inconsistências à parte, acho que esse confronto pode ser definido pelo estilo de jogo que cada um definir. O Fisher teve problemas pra marcar o Aaron Brooks na série contra o Rockets porque ele era muito rápido, mas faz um trabalho razoável contra armadores mais burocráticos. Se o Alston incorporar o Skip to my Lou e partir pra cima do Fisher, o Magic pode ter uma boa arma para abrir a defesa do Lakers para o Dwight e os arremessadores. Se ele for burocrático, não deve ser úil pra nada.
No banco fica a dúvida de se o Jameer Nelson vai jogar ou não. Os jogadores estão confiantes que ele vai pelo menos atuar por uns minutos. Será que ele volta bem ou é mais para dar uma de Willis Reed e dar um boost de confiança nos companheiros?
Se o Alston for agressivo e o Fisher não conseguir pará-lo, a resposta californiana deverá estar em Farmar ou Shannon Brown. O último fez um ótimo trabalho marcando o Billups e até sendo útil no ataque, talvez seja melhor opção do que Farmar por atacar mais a cesta.
Kobe Bryant x Courtney Lee/Mickael Pietrus
O Magic perde esse confronto, é óbvio, mas tudo o que eles querem é que os dois encarregados de marcar o Kobe consigam ser úteis nos dois lados da quadra. Courtney Lee, ótimo no ataque, deve conseguir não ser engolido vivo pelo Kobe. Pietrus, o "LeBron Stopper", tem que marcar bem e continuar acertando as bolas de 3 que tanto machucaram o Cavs nas finais do Leste.
Se o Magic conseguir essa união dos seus poderes, eles podem chamar o Capitão Planeta e deixar o machucado causado por enfrentar o Kobe como algo possível de lidar.
Uma curiosidade é que o Mickael Pietrus usa o tênis do Kobe, o Nike Zoom Kobe IV. Para essa série, porém, ele vai abandonar o tênis que estava dando sorte e usará algum outro, um do Jordan, segundo ele. Li por aí que isso aconteceu também na série do Denver, o JR Smith até aquecia usando o seus Kobes mas na hora do jogo mudava para um Hyperdunk.
Trevor Ariza x Hedo Turkoglu
O Lakers já avisou que não pretende dobrar a marcação no Dwight Howard. Isso significa que nem Turkoglu, nem Lewis, nem ninguém, terá arremessos sem marcação, eles terão que bater seus defensores. E somando isso ao fato de que o Turkoglu é o cara que mais fica com a bola na mão nos quartos períodos para o Magic, esse confronto é essencial.
Se Ariza conseguir forçar turnovers e erros de arremesso do Turkoglu, o Lakers está em ótima situação para fechar jogos disputados. Se o Turkoglu conseguir superá-lo, o Lakers deverá ser obrigado a tentar o Kobe em cima do Turko, o que definitivamente não está nos planos.
Também é essencial para o Lakers que o Ariza continue sendo um bom arremessador de 3 pontos como tem sido nos playoffs. Esse time do Lakers precisa desesperadamente de arremessadores e ainda mais quando Fisher e Vujacic estão numa zica como a do último mês.
Pau Gasol/Lamar Odom x Rashard Lewis
Acho o Odom o cara ideal para marcar o Rashard Lewis. E o Lewis o cara ideal para marcar o Odom. Os dois são jogadores altos demais para serem marcados por defensores de perímetro e ao mesmo tempo um matchup terrível contra jogadores altos. Rashard pelo arremesso e Odom pelo drible e velocidade. Será um duelo de mesmo nível, diferente e legal demais de assistir. Mas a dúvida é quanto tempo esse duelo irá durar.
Não será no começo do jogo, quando o Lakers começa com Gasol, que será o responsável por marcar o Lewis. O ala do Orlando deve tentar punir o espanhol tirando ele do garrafão e metendo arremessos de 3 na sua cara ou partindo para o drible, como fez com Ben Wallace e Varejão. Mas a diferença nessa série é que haverá um contra-ataque. Enquanto os dois do Cavs juntos valiam o mesmo que uma unha encravada no ataque, o Gasol tentará dominar no garrafão ofensivo, conseguindo ou cestas fáceis ou, a situação ideal, deixando o melhor arremessador adversário com problema de faltas.
Andrew Bynum/Pau Gasol x Dwight Howard
Provavelmente será o duelo que definirá a série. Phil Jackson, como dissemos, já afirmou com certeza absoluta que vai mandar marcar o Dwight no mano a mano. Segundo o Zen Master, não dá pra ficar dobrando porque todos os outros jogadores do Magic chutam de três, então não dá pra facilitar pra ninguém.
Mas pra essa tática funcionar é preciso ter alguém bom na defesa pra segurar o Dwight. Até agora o melhor marcador do Dwight que eu vi foi o Kendrick Perkins e o que ele fazia era segurar, com sua força, o Dwight bem longe da cesta e obrigá-lo a jogar apenas com ganchos forçados e quase nunca com enterradas. O Bynum tem o tamanho e a força pra isso, então é possível, mas é difícil prever, Dwight demonstrou um arsenal ofensivo que nunca tinha visto antes na série contra o Cavs.
Mas mesmo com o Bynum marcando bem ou sendo pisoteado pelo Dwight, volta e meia o confronto será entre o Superman e o Pau Gasol. O Phil Jackson não só deve utilizar bastante o confronto Odom-Lewis como em quartos períodos ele costuma deixar o Bynum no banco. Nesse confronto o Dwight leva muito mais vantagem física e para o Lakers o segredo deverá ser trabalhar forte em quem estiver com a bola para que o pivô não receba a bola muito perto da cesta. Para o Magic o segredo é rodar a bola com sua já característica paciência até que o Dwight esteja bem posicionado para quebrar um aro.
A resposta do Gasol pode ser tentar se posicionar à frente do Dwight em algumas ocasiões para usar seus braços de Tayshaun Prince e interceptar passes, além disso ele tem que estar com seu arremesso de meia distância calibrado pra forçar o Dwight a sair do garrafão.
Também seria bom para o Orlando conseguir uns problemas de falta no Lakers, nada mal para o Dwight de repente ser obrigado a enfrentar o DJ Mbenga. Seria o duelo menos equilibrado da história das finais.
Adam Morrison x JJ Redick
"Apenas uma vez em cada geração nós vemos uma situação onde dois extraordinários jogadores se distanciam do resto do basquete universitário e claramente se mostram como os melhores no esporte."
Foi com esse pequeno discurso que o troféu de melhor jogador do país no basquete universitário foi dado a seus dois vencedores. Empatados, em 2006, JJ Redick e Adam Morrison se consagravam como os melhores jogadores, os melhores arremessadores e os cestinhas da temporada 2006 da NCAA.
As duas estrelas maiores do campeonato fizeram história no basquete universitário americano e foram para brilhar na NBA. Adam Morrison na terceira escolha e JJ Redick na décima quarta. Três anos depois, em 2009, Morrison não tem mais o cabelo grande, o bigode é mais discreto e ele só é visto de terno no banco por não ser relacionado para ficar nos reservas do Lakers. JJ Redick até coloca o uniforme, mas jogou apenas um jogo (durante 10 minutos) na final da conferência.
Há três anos todos seriam capazes de prever mais um capítulo do épico duelo Redick-Morrison na NBA. Ninguém imaginaria apenas que a situação seria tão patética para os dois.
Em homenagem ao duelo mais insignificante dessas finais, dois vídeos:
No primeiro, Adam Morrison, jogando por Gonzaga, faz 40 pontos contra USF.
No segundo, JJ Redick marca 38 pontos e é a estrela de um jogo contra Wake Forest, equipe de um bom e ofuscado armador chamado Chris Paul.
Adam Morrison ri de si mesmo: seria engraçado, se não fosse trágico
O Sérgio Mallandro era um renomado apresentador de programas infantis que fez história entre a criançada com a lendária "porta dos desesperados", em que um fedelho tinha que escolher entre três portas para ver se ganhava uma bicicleta, um videogame ou um gorila com uma torta - algo que me fascinava simplesmente por não fazer muito sentido. Sua fama lhe garantiu par romântico com a Xuxa (infelizmente para ele, foi depois dela abandonar sua carreira na indústria pornô) e ele até chegou a assumir o programa dela na Globo quando ela deixou de aparecer uns tempos, provavelmente porque estava com diarréia. Como é que esse Sérgio Mallandro se tornou um apresentador de programa de pegadinhas com gostosinhas rebolando no fundo (as "Mallandrinhas") eu nunca entendi. O que é preciso acontecer para um ser humano decair tanto, chegar no fundo do poço e, agora, estar desempregado e tentar se eleger deputado enquanto continua gritando "glu glu glu glu"?
O mesmo mistério se aplica ao Adam Morrison. Um jogador espetacular no basquete universitário, excelente arremessador, cheio de identidade com seu cabelinho característico e bigode ridículo, dotado de senso de humor e até exemplo de vida, vencendo a diabetes desde os 13 anos de idade e ainda assim conseguindo praticar um esporte em alto nível. Não tinha como não gostar do Adam Morrison, é como não gostar de koalas - são engraçadinhos, inofensivos, esquisitos, quem seria capaz de lhes fazer algum mal? Desde o começo sempre tive um "Complexo de Drew Barrymore" com o Adam Morrison (gostar de alguém e não fazer a menor idéia do motivo, para vocês que não estão por dentro do jargão bolapresístico). Quando foi draftado pelo Bobcats, por quem tenho aquele apreço que a gente tem por um irmãozinho mais novo, fiquei feliz e certo de que ele se daria bem por lá. Vi um jogo, dois jogos, três jogos. Mesmo quando o Adam Morrison jogava bem e acertava seus arremessos, para a minha surpresa, ainda assim ele fedia. Tentei disfarçar, tentando me convencer de que ele pegaria o jeito com o tempo, mas algo ali estava muito errado. Não é que ele não corresse no contra-ataque ou não fosse capaz na defesa, como o Carmelo Anthony. Ele simplesmente comprometia em todos os aspectos do jogo! Nunca ia para o ataque mas também não voltava para a defesa, era como se ele sumisse num vórtex temporal, como se ele ficasse preso num triângulo das bermudas presente no meio da quadra. De tão lento que era em quadra, cheguei a achar que a minha conexão ruim da internet estivesse fazendo com que o jogo passasse em câmera lenta. Seus momentos de titular foram poucos, porque além de estragar qualquer pretensão de se jogar de maneira física, veloz ou defensiva, rapidamente o Morrison parou de acertar seus arremessos. Como eu sou um homem livre, parei de assistir a porcaria do Bobcats e me limitei a desejar o melhor para o Morrison, que ele aprendesse a jogar aquele troço chamado basquete. Mas no fundo, mesmo que eu não admitisse nas conversas por aí, eu sabia que ele não tinha nenhuma chance.
Sua carreira foi daí pra baixo. Os minutos foram diminuindo até que ele contundiu o joelho na pré-temporada e não jogou durante sua segunda temporada inteira. Voltou apenas agora, com o cabelinho cortado, quase irreconhecível, sentado lá no fundo do banco, e tiveram que passar um paninho nele para tirar a poeira e as teias de aranha quando o Gerald Wallace sofreu a tentativa de assassinato. Nem preciso dizer que o Adam Morrison não conseguiu fazer nada com essa oportunidade, suas deficiências são muito maiores do que qualquer qualidade que ele venha a ter. Agora, Morrison acabou de ser trocado para o Lakers, junto com Shannon Brown, pelo Radmanovic. Aí está, a decadência de um homem, uma jornada do céu para o inferno, da "porta dos desesperados" para a TV Gazeta, de ser uma estrela universitária para, por fim, ser trocado por um zé-ninguém como o Radmanovic. Façamos um minuto de silêncio em sua homenagem, em respeito a um homem que, além do bigodinho, ficou famoso por chorar quando foi eliminado na NCAA e por ser garoto propaganda da porcaria do NBA Live.
O comercial é bacanudo, o Adam Morrison diz que não se envergonha de chorar em rede nacional de televisão, que mais pessoas deveriam chorar e ter esse tipo de intensidade, e que quando ele entrasse na NBA mais gente iria chorar. Um pouco egocêntrico, mas bizarramente profético: o Michael Jordan está chorando por ter gastado uma terceira escolha nele, e o Larry Brown estava chorando porque ele não gosta de ninguém, principalmente alguém que não sabe nem fingir que está defendendo. O Larry Brown tentou trocar o Raymond Felton, se livrou do Jason Richardson, do Matt Carroll, proibiu o Sean May de jogar até que ele perca uns quilos e alcance o peso ideal, e agora mandou o Adam Morrison plantar batata. Com ele não tem conversa, quem não se encaixa no esquema arruma outro emprego, e já faz tempo que o Larry Brown quer um banco de reservas decente. Com Raja Bell e Boris Diaw, o armador DJ Augustin melhorou o banco, e o Diop veio do Mavs para ser alguém bípede capaz de jogar no garrafão, e ainda de brinde dá uns tocos. A chegada do Vladmir Radmanovic segue a mesma linha: é um jogador alto, capaz de pegar um par de rebotes, e pode jogar nas duas posições de ala que são a maior deficiência do Bobcats no momento, mesmo quando o Gerald Wallace voltar. Ou seja, eles mandam um jogador que fede e se mostrou incapaz de produzir qualquer coisa em quadra e em troca recebem um jogador que também fede mas pelo menos tem tamanho e é mais versátil, podendo jogar em mais de uma posição.
É ridículo, tanto para o Morrison quanto para o Radmanovic, ver por quem estão sendo trocados. Nada poderia ser maior atestado de que os dois fedem, pior só se fossem trocados pelo Kwame Brown. Mas sem dúvida o Radmanovic é o que se deu melhor nessa, porque vai ter mais minutos de quadra tapando buracos no Bobcats. Mesmo se ele não defender nem ponto de vista, vai entrar em quadra mesmo assim por ter dois braços e duas pernas. No Lakers, não tinha mais chances de entrar em quadra. Desde que o técnico Phil Jackson resolveu que o Lakers precisava rodar mais a bola, Radmanovic perdeu seu lugar no quinteto titular e o Luke Walton assumiu a posição. Sem a necessidade de seus arremessos de fora (que o Walton substitui razoavelmente bem, e com o Sasha "The Machine" Vujacic sendo o real especialista na função - pelo menos quando joga em casa, já diria o Denis), o Phil Jackson prefere usar o Josh Powell para jogar no garrafão ao invés do Radmanovic. O Powell se encaixa melhor na posição simplesmente porque ele é um cover do Ronny Turiaf, que foi embora do Lakers para sentar no banco do Warriors e ficar rico. Os dois são parecidos em tamanho, porte físico, e o Powell até faz questão de usar as mesmas trancinhas no cabelo e arremessar as bolas com a mesma mecânica de pulso! Nunca achei na minha vida que fosse ver um cosplayer de Turiaf (já me bastava a Mallu Magalhães ser cosplayer de folk.)
Assim que o Luke Walton virou titular, o Radmanovic ficou revoltado porque pelo jeito o Phil Jackson sequer falou com ele, não avisou nada, só tacou ele no limbo. O técnico zen nunca gostou muito do Radman mesmo, parecia louco para se livrar do rapaz. Agora conseguiu, mesmo que não vá também usar o Adam Morrison, que muito provavelmente não vai ter qualquer espaço na equipe. É até capaz dele se acertar no Lakers, não errar mais arremessos, se beneficiar com o triângulo ofensivo, mas eu teria que ser burro demais para acreditar nisso. Já faz tempo que eu tentei me enganar dizendo que uma hora ele ia dar certo, já ficou óbvio que o Adam Morrison não vai pegar o jeito nunca. Seus minutos serão os mesmos que eram do Radmanovic, ou seja, final de jogos muito ganhos (ou muito perdidos) e tapar buracos quando o Luke Walton e o Odom se contundirem. A troca não muda em nada a situação atual do Lakers, mas muda o futuro: é tudo questão de salário.
O Radmanovic e o Morrison ganham praticamente a mesma coisa, por volta dos 6 milhões, o que é grana demais para dois caras que fedem pra burro. O Lakers está arrumando a cagada o mais rápido possível, porque o contrato do Morrison só continua na temporada que vem se o time escolher, enquanto o do Radmanovic é escolha do próprio jogador. Assim, o Lakers garante que vai ter uma grana sobrando para a temporada que vem e não vai sentir falta nenhuma de dois arremessadores que não defendem e nem nunca deram certo, é tchau e muito obrigado. Mas a troca não termina aí, porque a graça toda está no brinde, tipo aqueles anéis ou relógios de plástico que vêm "de grátis" na paçoca: trata-se do Shannon Brown. No Cavs, teve alguns problemas de lesão, foi trocado para o Bulls, perdeu o emprego e foi parar no Bobcats. Sempre ignorado, sempre invisível, mas a verdade é que ele pode ser mais útil do que qualquer bigodinho por aí. Ele é capaz de bater para dentro e criar espaços, finaliza bem no garrafão e cava faltas com certa habilidade. É forte e explosivo, só fede um pouco nos arremessos e nos fundamentos, mas tem gente muito pior por aí enfiando dinheiro até nas orelhas para ser titular. É bem capaz de ganhar uns minutinhos no Lakers de vez em quando, principalmente se o Fisher morrer de repente (nunca se sabe).
A troca, no fundo, é completamente esquecível - principalmente porque o melhor jogador da troca, o Radmanovic, vai para um time do qual ninguém se lembra mesmo. Exatamente por isso, me lembra de uma outra troca que aconteceu recentemente: o Magic mandou Keith Bogans para o Bucks em troca do Tyronn Lue.
A troca chega a ser engraçada porque os dois times estão tentando tapar buracos criados por contusões, então se a temporada tivesse metade do tamanho, os dois jogadores nunca teriam mudado de time. Por um lado é o Bucks tentando colocar alguém no lugar do Michael Redd, contundido pelo resto da temporada, mas como o Bogut arrebentou as costas (fratura por stress, temporada muito longa, alguém?) a campanha do Bucks foi pro saco e qualquer esforço é como contratar o Sérgio Mallandro para ocupar as vagas do Mussum e do Zacarias nos Trapalhões.
Por outro lado, é o Magic tentando dizer que ainda acredita, que ainda há chances de vencer nessa temporada, mesmo com a lesão do Jameer Nelson. O reserva Anthony Johnson se saiu bem como titular, foram 6 bolas de três pontos contra o Clippers, mas contra times que existem de verdade isso não vai acontecer de novo. Chamar o Tyronn Lue, o jogador que mais tem reserva tatuado na testa e que apesar disso mais jogou partidas como titular em sua carreira, significa que eles querem fortalecer a posição de modo a continuar a campanha rumo ao topo do Leste. Se eles achassem que não dá pra vencer mais sem o Jameer Nelson, não iriam arrumar um jogador que vai sumir no banco quando o Nelson voltar. Mas olha, os sete torcedores do Magic que me desculpem (o nosso leitor, o Fiel, me atualizou do número correto), sem Jameer Nelson não há chance de vencer o Leste, não há chance de chegar numa final do Leste, só há chance do Tyronn Lue ser titular outra vez porque não tem ninguém pra assumir a posição. Engraçado, uns caras bons nunca têm espaço pra jogar, mas o Lue só vai parar em times sem nenhum armador. Ele é sortudo, mas pelo menos não fede. O Morrison era o único da posição no Bobcats e mesmo assim mandaram embora. Deixo aqui, então, meu adeus para o Magic - e também para o Morrison, o jogador com o bigodinho mais bacanudo que a NBA já viu.
Não é todo mundo que assiste a NCAA e nem todo mundo que assiste o basquete europeu. Tem gente que não assiste nada, tem gente que acompanha por cima e tem os que olham a fundo só quando seus torneios estão em fase decisiva. Então como saber como os jogadores que vão participar do draft jogam?
Com o YouTube, muita coisa já ficou mais fácil. Às vezes você até acompanha o basquete universitário mais de perto mas o cara que está na lista do draft joga em uma universidade pequena e você não tem nem onde ver ele jogando, a solução é apelar para os vídeos no YouTube, aqueles famosos mixes de jogadas. Não dá pra falar que um cara é bom ou ruim só por uma edição de vídeo, qualquer um que pense um pouco no assunto sabe que qualquer jogador pode ter um vídeo fazendo ele parecer bom, basta uma boa música de fundo e meia dúzia de boas jogadas, não importa quantos anos demoraram e quantos erros se passaram até ele fazer essas tais boas jogadas. Um bom exemplo disso são esses milhares de jogadores de futebol brasileiros que vão para a Europa depois que seus empresários saem daqui com um bom DVD debaixo do braço. O Taddei não foi para a Roma a toa (embora ele até esteja jogando bem hoje em dia, vai entender!).
Ver esses vídeos é divertido, dá pra conhecer um pouco do estilo do jogador até, mas legal mesmo é fazer o que todo mundo fazia antes da era YouTube, que é fuçar os sites que analisam o draft e, além de ler os textos com qualidades e defeitos de cada jogador, ver com que jogador da NBA os especialistas comparam cada um.
Até uns anos atrás era legal ver como comparavam todo jogador alto que arremessava com o Dirk Nowitzki, era a grande moda. Agora a nova moda (além dessas botas de cano alto por cima da calça que eu acho um escândalo!) é comparar todo cara alto e que é grosso-mas-raçudo como o Anderson Varejão. Nesse ano o cara comparado ao Varejão é o Robin Lopez, irmão gêmeo do pivô Brook Lopez. Também tinham os sites que faziam uma coisa muito engraçada, que é dizer o "best case scenario" e o "worst case scenario", ou seja, "se der tudo certo ele será..." e "se der tudo errado ele será...". Nesses casos os grandões que arremessavam poderiam virar o Nowitzki ou o Vlad Radmanovic, os armadores baixinhos poderiam ser o Iverson ou o Boykins. Não ajudava muito.
Vamos ver então com quem comparam os principais jogadores desse ano do draft e lembrar de comparações de anos passados.
Derrick Rose - Dwyane Wade/Jason Kidd A primeira vez que eu vi ele jogar eu pensei "Brandon Roy". Tinha certeza que iam comparar ele com o Brandon Roy porque ele tem aquele estilo que é rápido mas sem ser explosivo e monstruosamente físico como o Wade, além do fato dele criar do próprio drible as assistências que dá. Mas pelo jeito fui só eu que pensei assim. Outro dia vi uns vídeos dele com um amigo e ele disse que lembrava o Dwyane Wade, no nosso chat já falaram que ele é o novo Kidd. Ano que vem assistam aos jogos do Bulls (ou do Heat, vai saber...) e me digam quem vocês acham que o Derrick Rose lembra em quadra.
Michael Beasley - Carmelo Anthony Sério? O nbadraft.net diz que ele parece o Anthony e eu não entendi. O Beasley é chamado de monstruoso, tamanha a força que ele tem, e dizem que ele domina o jogo fisicamente e que nem tem problema ele jogar de ala de força, mesmo sendo baixo, de tão forte que ele é, além da técnica apurada com ambas as mãos. Mas aí li um texto no HoopsHype que iluminou um pouco minha mente e me fez entender a comparação:
"Consegue chutar de longa distância ou criar seu próprio arremesso no perímetro e infiltrar em direção à cesta com ambas as mãos. Ótimo nos rebotes ofensivos graças à velocidade com que sai do chão. Mas é um jogador que defende mal e às vezes não é maduro e falta concentração. Tem a tendência de escolher mal seus arremessos, principalmente do perímetro."
É ou não é pra comparar o cara com o Melo?
OJ Mayo - Chauncey Billups/Ben Gordon Bom, Billups e Gordon? Então podemos prever que o OJ Mayo é um cara de extremo talento e que vai passar uns bons anos da carreira tentando descobrir se ele vai jogar na posição um ou dois. Depois de anos de briga, o Billups acabou virando um ótimo armador principal enquanto o Ben Gordon virou um bom segundo armador. Torço para que o Mayo sofra menos para descobrir seu lugar na NBA. Menos trocas de times como o Billups ou de técnico como o Gordon podem ajudar.
Russell Westbrook - Rajon Rondo/Monta Ellis/Leandrinho Barbosa O que os três citados tem em comum é uma velocidade alucinante, então podemos pegar que todo mundo tenha visto isso quando o assistiu jogar, agora as outras coisas ficam no ar. Quem comparou ele com o Rondo quis dizer que ele não sabe chutar de fora? Se sim, o cara que o comparou com o Leandrinho discorda. A comparação com Ellis e Leandrinho dá a entender que ele é um armador rápido mas que não é realmente um cara que lidera o time, que é o armador que joga melhor na posição dois, mas pensar na primeira comparação com Rondo anula isso. Ou seja, sei lá o que quiseram dizer com o Westbrook, mas o bicho deve ser rápido como o Mirandinha.
Jerryd Bayless - Gilbert Arenas Essa eu achei perfeita. Dá só uma olhada no que dizem sobre o garotão:
"É incrível em contra-ataques e tem um primeiro passo na infiltração que é muito difícil de se defender. Tem ótima capacidade de infiltração e é capaz de fazer bandejas sobre jogadores bem mais altos. Tem um ótimo arremesso mesmo de bem longe da linha de 3 da NBA, seu arremesso também é rápido e ele parece ser capaz de arremessar quando ele quer, de onde ele quer e sobre quem ele quer."
Na parte dos defeitos tem isso aqui: "Mesmo que sinta muito bem o jogo, falta um pouco de habilidade na hora de construir as jogadas e precisa melhorar para ser um jogador que possa jogar o tempo inteiro na posição um."
Se é realmente tudo isso, então não tem uma comparação melhor que o Arenas. E pra completar, o irmão do Bayless disse que o caçula é simplesmente obcecado por basquete e que quando ele bota uma coisa na cabeça ninguém tira isso dele e que está sempre tentando provar que quem não acredita no talento dele está errado. So falta ter blog.
Mas isso são algumas coisas desse ano, é legal ver mas só saberemos se estão certos ou errados mesmo quando eles tiverem pelo menos um ano de carreira na liga. Mas podemos ver como foram algumas análises dos últimos dois anos.
Kevin Durant - Tracy McGrady/Dirk Nowitzki Se você pensar que o Durant jogou a temporada inteira como "Shooting Guard", na posição dois, compará-lo com o Dirk parece bem ridículo. Mas é que os dois têm em comum o fato de serem jogadores muito altos, que jogam no perímetro no ataque mas que na defesa atacam o aro para os rebotes defensivos, pelo menos era assim na Universidade do Texas, onde Durant teve até jogos de 20 rebotes. A comparação com Tracy McGrady é mais feliz, mas ainda precisa de uma evolução de Durant na área de armação de bolas para os companheiros de time e ele precisa infiltrar melhor. Também falta ir para os playoffs e perder na primeira rodada, claro.
Al Horford - Carlos Boozer Acho que o pessoal tava afiado no ano passado, ótima comparação. Ótimos reboteiros, nem são tão altos assim e não são de dar muitos tocos. Falta só para o Horford evoluir um pouco mais o seu arremesso de média distância, que funciona mas ainda não é como o de Boozer. Falta pro Horford ter uma barbichinha estilosa como a do Boozer e também largar o Hawks por uma proposta milionária de outra equipe, fazendo o Hawks se sentir traído.
Tiago Splitter - PJ Brown É, não é muito excitante pensar que temos o PJ Brown na nossa seleção. Mas a comparação vem porque os dois são jogadores muito técnicos, bons defensores, com movimentos de garrafão refinados, mas não tem aquele talento fora do normal e nem um físico excepcional para dominar um jogo da NBA.
Andrea Bargnani - Dirk Nowitzki Grande, branco, gringo e chuta de 3. Essa era fácil.
LaMarcus Aldridge - Channing Frye Essa é engraçada porque os dois jogam juntos agora e é óbvio que eles não tem nada a ver. O Frye tem alergia a garrafão, coisa que o Aldridge não tem, o Frye não pega rebote, o Aldridge pega, o Frye é um reserva mediano e o Aldridge é um baita jogador, o Frye não dá toco, o Aldridge dá. De comum eles tem a nacionalidade americana e uma casa em Portland.
Adam Morrison - Larry Bird Essa acho que é a melhor de todas! Como alguém que é especialista e escreve no maior site sobre draft na NBA se sente hoje em dia, escrevendo seus textos, ao lembrar que um dia já disse que o Adam Morrison tinha o talento do Larry Bird? Vai ver que ele nem prefira lembrar, como eu não gosto de lembrar que disse que o Bulls ia ganhar o Leste nesse ano. Em comum, acho que os dois tem apenas três coisas: fizeram boa carreira universitária, são brancos e já usaram um bigodinho mais feio que a Amy Winehouse sem dente. Mas sério, torço para que o Adam Morrison supere o primeiro ano difícil, a contusão no segundo ano e volte a jogar bem e com a mesma paixão que jogou em Gonzaga.
Lembrando que as comparações foram achadas nos sites NBADraft.net e HoopsHype. Qualquer bobagem, é culpa deles.
Amanhã voltamos com os meus palpites para o draft, os do Danilo, e com os nossos combinados, quando tentaremos acertar mais escolhas que alguns sites especializados. Não que a gente seja melhor, mas queremos mostrar que conseguimos para conseguir pegar mais mulheres do que já pegamos.
No começo da temporada eu estava no grupo que achava que esse ano era o do Bobcats, não o ano de levar título de alguma coisa, nem de divisão, mas que esse era o ano que eles oficialmente deixariam de ser um saco de pancadas que todo mundo olhava como coitadinho, afinal é o caçula fofinho queridinho da titia, e que iria ser visto agora como um bom time de playoff. Por um lado eu acertei, não é mais o saco de pancada, mas talvez isso seja mais mérito do Heat, Wolves e Knicks do que do próprio Bobcats.
O time está em décimo segundo no Leste mas, ao mesmo tempo, está somente duas vitórias atrás do oitavo colocado, o imprevisível New Jersey Nets. Não é ruim, mas eu esperava mais e, como disse do Nuggets, o elenco deles é o bastante para eles conseguirem mais do que isso. E aqui vão os cinco passos que acho que o Bobcats precisa dar para ser um bom time no Leste.
1- Definir posições Vendo só os boxscores já é uma confusão. Primeiro o Felton é armador titular, depois segundo armador, tem dia que o Jason Richardson é ala e tem dia que é segundo armador, o Gerald Wallace joga cada dia em uma posição de ala e o Okafor ninguém sabe se é pivô ou ala de força. Acho que todos esses jogadores tem o talento pra jogar em qualquer uma dessas posições que o técnico os coloca, mas o que não pode acontecer é ficar mudando toda vez que a lua muda de fase. Tem que decidir se o Felton é armador ou segundo armador e pronto, aí usar ele assim, botar na cabeça do cara o que ele vai ser e treinar ele pra isso. Fico imaginando o Okafor no treino, ele não deve saber se fica treinando gancho e vai pra sala de musculação pra ser pivô ou se fica mais magro e rápido e treina jumper de meia distância pra ser ala de força.
2- Montar o elenco de acordo com as posições definidas Depois de decidir onde cada um joga, é hora de montar um elenco que possa ajudar. Por exemplo: se for pra jogar com uma escalação pequena, um small ball, e usar o Okafor de pivô, talvez ter trocado o Hermann pra ter o Mohammed não tenha sido uma boa idéia, o Hermann é muito talentoso, grande arremessador e pode jogar de ala de força. Já o Mohammed também é muito bom, mas se for só pra jogar contra o Okafor nos treinos, é um talento desperdiçado. Mas nesse caso acho que o maior problema é na posição de armador, o time agora está decidido a usar o Jeff McInnis junto com o Felton na armação. É um esquema que o antigo técnico usava, com o Brevin Knight junto com o Felton. Mas o negócio é que o McInnis tá fedendo! Foram vários jogos com números ridículos e resolvi então assistir uns jogos do time pra ver se o que ele fazia não aparecia nas estatísticas, e o fato é que não aparece em lugar nenhum. Então se o plano é usar o Felton junto com outro armador, eles deveriam começar a pensar em fazer uma troca para pegar um armador ou até ir buscar um na D-League.
3- Okafor Simplesmente Okafor. É até engraçado pensar que poucos anos atrás estávamos discutindo se o Orlando fez certo ao draftar Dwight Howard na frente do Emeka. Dwight era um gorila-trator-gigante que tinha acabado de sair do colegial e Okafor era um campeão universitário com talento testado e aprovado. Eis que menos de 4 anos depois Dwight é o novo Shaquille O'Neal para alguns e Okafor se mata para conseguir uma média de 12 pontos e 10 rebotes, longe de ser uma média ruim, mas que é digna de David Lee, e não de uma segunda escolha de draft, escolhida para ser o pilar de construção do Bobcats. Para que o Bobcats dê um salto de qualidade, Okafor tem que evoluir também, é sua quarta temporada na NBA e ele tem que começar a jogar com a regularidade de um veterano e tem que pelo menos dominar o jogo na parte defensiva, que era uma promessa de todos que o viam jogar em UConn.
4- Deixar de ser bege Não sei se todo mundo conhece o que é ser "bege". Mas eu digo que algo é bege quando é sempre mediano, sempre meio sem sal, sem chamar a atenção ou até sem personalidade, acho que deu pra pegar o espírito. Se você pegar o Bobcats, eles não se destacam em nada. Não estão entre os piores e nem entre os melhores em nada na liga. Pode escolher a categoria: defesa, ataque, tocos, roubos, assistências, porcentagem de aproveitamento de arremessos, de bolas de 3. Em tudo eles estão entre o décimo e o vigésimo lugar. Não que seja ruim ser um time equilibrado, mas talvez fosse bom arriscar mais e com isso ganhar uma característica que incomode outros times. O Warriors, por exemplo, é o time que mais toma pontos mas ao mesmo tempo é o com mais roubos e um dos que mais mete bolas de 3. Jogar com eles é muito diferente de jogar contra qualquer outro time e por isso existe uma preocupação especial ao enfrentá-los. Contra o Spurs ou o Pistons você se preocupa com a defesa; contra o Suns, com a velocidade; contra o Jazz, com os pick-and-rolls de Deron e Boozer; e por aí vai. O Bobcats precisa de uma identidade.
Ah, tem uma estatística em que o Bobcats é um dos piores, em aproveitamento de lances livres. É o penúltimo. Apenas um time é pior, e quem acertar que time é esse ganha uma viagem a Miami.
5- Treinar com Michael Jordan Michael Jordan é um dos donos do Bobcats e mesmo não planejando o décimo quinto retorno às quadras (pra conseguir ter mais retornos à vida profissional do que o Romário teve de despedidas da seleção), MJ resolveu participar de uns treinos com o seu time, dando umas dicas e tudo mais. O resultado foram duas grandes e convincentes vitórias sobre Jazz e Knicks. Tá bom que depois disso eles voltaram a perder, mas treinar com o Jordan é legal demais, quem não ia querer? Atraso nos treinos não iam acontecer nunca mais, isso eu garanto.
Mais alguns pensamentos sobre os últimos jogos das summer leagues:
- JJ Redick e Adam Morrison que já lutaram pau a pau pelo título de cestinha da NCAA decepcionaram no ano passado e agora estão na summer league. JJ Redick começou melhor metendo 30pts. Nos jogos de ontem os dois foram bem, 17 pts para os dois. Já que o Adam Morrison tem o bigode mais legal da história da NBA, torço pra ele!
- Vocês viram o time titular do Wolves na summer league de Las Vegas? Foye, McCants, Craig Smith, Corey Brewer... há uma grande chance do time titular durante a temporada regular ser esses 4 mais o Garnett. Que outro time usa o time inteiro em uma summer league? Que fase...
- Tem um tal de Kevin Kruger no time do Orlando. Sem dúvida o nome mais legal das summer leagues.
- Lembra que eu disse pros fãs do Lakers ficarem felizes com a boa atuação do Sun Yue no primeiro jogo da China? Pois é, desde então ele não acerta nenhum arremesso e nem dá assistências. Yi Jianlian não tem sido muito melhor também, mas é claramente o melhor do time.
- Uma compensação para os torcedores do Lakers. No primeiro jogo do time, Javaris Crittentton foi ótimo, e no segundo foi a vez de Jordan Farmar. Se eles revezarem sempre assim durante a temporada, um dos problemas do time está resolvido.
- Daequan Cook fez 2-13 arremessos ontem. Eu aposto que ele vai ser muito ruim.
- Oden machucado não vai mais jogar a summer league. Acho que por um lado é bom, é bom pra ele se acostumar com o nível da NBA apanhando do LaMarcus Aldridge e batendo no Pryzbilla nos treinos do Blazers. Lá ele pode errar ou acertar sem ninguém encher o saco. A cada toco ele vira o melhor pivô da história e a cada erro ele é o novo Olowokandi, dêem um tempo pra ele, é só summer league.
- E como sabiamente disse o Mo Cheeks, o Duncan tomou um baile do Ostertag em sua primeira summer league. Então tudo que acontece lá pode ou não querer dizer alguma coisa.