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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Trocas e arrependimentos

Para fugir do Larry Brown, o J-Rich disse que a mãe dele
tava chamando - "logo ali, ó, em Phoenix!"



Que o Suns não estava dando certo, isso todo mundo podia ver. O ataque não resistiu à saída do técnico D'Antoni e a defesa não ficou lá essas coisas com seu substituto, o Terry Porter. Como o Denis bem disse há um tempo, o Suns sentiu uma saudade brutal da correria que era parte da identidade do time. É verdade que o estilo falhava justamente contra os grandes times, contra as grandes defesas, nos momentos mais decisivos. Mas no resto do tempo - e, portanto, na enorme maioria do tempo - o Suns de D'Antoni chutava traseiros, ganhava os jogos com imensa facilidade, abria sorrisos nas crianças e atraiu uma grande massa de gente ao esporte. Com a chegada de Shaq, o objetivo era continuar a correria mas ter uma arma para o basquete de meia quadra, justamente o maior problema nas partidas contra o Spurs. O próprio Shaq disse que poderia correr numa boa, que não seria nenhum problema e que seu jogo lento era, até então, escolha técnica. Mas a empreitada não deu muito certo, optou-se por uma mudança de ares e o D'Antoni foi plantar batata.

A temporada acabou de começar e todo mundo já está visivelmente descontente com o novo técnico Terry Porter. Ter um ataque mais lento e cadenciado depois de passar anos com D'Antoni deve ser intragável, é como beber Fanta Uva depois de anos de vinhos caríssimos. Ao contrário da crença popular, o esquema de D'Antoni não é uma porra-louquisse sem critério, mas sim um detalhado e complexo sistema que cria movimentação de bola, criatividade e liberdade ofensiva. Agora todo mundo se sente preso, num ataque chato e que não é nem de longe tão efetivo quanto era antes. A defesa melhorou com o Terry Porter, isso é fato, mas já se fala em Phoenix sobre a necessidade de voltar a correr, de recuperar a identidade que o time possuia. Nash não rende tanto no novo esquema tático, Boris Diaw era obrigado a jogar como um simples ala, plantado no garrafão, ao invés de poder utilizar a versatilidade que um dia - ah, bons tempos aqueles - lhe deu o prêmio de jogador que mais evolui na temporada, e o Leandrinho, mesmo com todos os problemas psicológicos e familiares pelos quais vem passando e que com certeza influenciam seu jogo, é muito nitidamente o mais incomodado com a nova mentalidade do ataque do Suns.

É muito engraçado, então, que o novo técnico que veio justamente para dar ênfase na defesa tenha que inverter tudo e focar o ataque, que não está funcionando. Com essa mentalidade, o Suns mandou seu melhor defensor de perímetro, Raja Bell, e um jogador versátil e mal utilizado, Boris Diaw, em troca de um jogador puramente ofensivo que foi o líder em bolas de 3 pontos convertidas na temporada passada, Jason Richardson.

Está aí uma troca que deixaria Mike D'Antoni orgulhoso, mandar às favas a defesa e versatilidade (o D'Antoni é famoso por usar o mínimo de jogadores possível) e conseguir um jogador que vai melhorar ainda mais o ataque. Espera, espera, isso não é um tanto absurdo? O ataque estava bom, a defesa fedia, aí vem um cara pra cuidar da defesa, o ataque fica uma porcaria, e aí eles trocam por alguém que faça mais pontos? Sou só eu ou o Suns parece que se arrepende o tempo inteiro, fica abandonando e recuperando suas mentalidades, e não consegue decidir se corre, se fica, se defende, se ataca, se segura o Tchan ou se rala na boquinha da garrafa?

Eu sempre bato na tecla de que todo time precisa ter uma identidade. O jogador precisa entrar em quadra sabendo qual é o maldito plano, o que diabos ele tem que fazer. Se uma hora o plano é correr, na outra é defender, depois fica correr de novo, não tem como haver ritmo ou consistência na produção dos jogadores. Pior ainda é as mensagens contraditórias que a equipe técnica acaba passando para o elenco: "Gente, o negócio agora é esquecer o D'Antoni, vamos aprender a defender porque defesa é que ganha jogos. Aliás, fizemos uma troca pelo Jason Richardson, ele chega amanhã." Hã? É tipo um cara dizer que quer fazer limonadas e ficar comprando laranjas.

A troca também mandou para o Suns uma escolha de segundo round no draft e o Jared Dudley. O Dudley estava sendo titular no Bobcats porque o Larry Brown estava tentando até a mãe dele para fazer dupla de garrafão com o Okafor, mas não há ninguém que preste no elenco. No entanto, para jogar apenas no garrafão e ser carregador de piano, obedecer, pegar rebotes e ficar quieto, Dudley vai se encaixar bem melhor do que o Diaw. O francês, por sua vez, é muito mais talentoso e cheio de recursos, mas fica difícil imaginar ele sendo o parceiro de garrafão de que Okafor necessita. Minha suspeita é que o Larry Brown não vai gostar da idéia de usar o Diaw e os problemas debaixo da cesta vão continuar os mesmos. O Raja Bell deve se dar melhor, mas como o Denis bem me disse, com Bell e Gerald Wallace o Bobcats está bem para marcar qualquer time, mas nunca vai fazer mais de 80 pontos num jogo sequer. Aliás, não vejo como o Bobcats vai conseguir marcar 5 pontos sequer, acho que o Larry Brown surtou e quer ver quantos times ele consegue acabar de afundar junto com sua carreira.

O Terry Porter também está afundando no Suns, mas agora ganha uma nova tentativa. Acho que sua presença, pra ser sincero, apenas demonstra como o time de Phoenix era limitado, uma ferida com um curativo bem feito que segurava as coisas nos trinques. Com o cutucão que o Porter deu, a defesa não melhorou (sangramento eterno) e o ataque desmantelou, expondo o ferimento. Olhar o Knicks de agora talvez torne isso ainda mais claro. O time é limitadíssimo, incapaz de jogar na defesa, fadado ao fracasso eterno, mas D'Antoni colocou um curativo e agora a equipe faz mais de 100 pontos por jogo, movimenta a bola, joga coletivamente. Ele é, como diria o Wolverine, o melhor no que faz (SNIKT!), o Mestre dos Magos do ataque, mas não dá pra concertar tudo. Às vezes, querer arrumar todos os aspectos leva o time a desmoronar por completo e perder sua identidade.

Agora temos um Suns que resolveu voltar a correr, com um Jason Richardson que vai atacar a cesta e arremessar milhões de bolas de três. Bem, se essa era a intenção, então por que não manter o D'Antoni? O Suns agora é um time que nem se pauta pelo passado e nem se foca no futuro, completamente perdido no tempo. Resta nossa torcida de que eles encontrem um meio-termo, que Terry Porter encontre uma voz própria, e que o ataque volte, no mínimo, a empolgar. Antigamente o Suns perdia mas levantava a torcida, o que é bem melhor do que perder e ainda parecer o Fábio Puentes, dizendo "Dorme, dorme, dorme, dorme!". Os ânimos por lá andam de fim de feira, todo mundo insatisfeito e a torcida preferindo ir jogar Pokémon. Supostamente, a troca deveria dar um ânimo na equipe, colocar sangue novo e impor um ritmo mais veloz, mas não deu muito certo a princípio: Nash e Raja Bell eram melhores amigos e o canadense está legitimamente desolado, se dizendo incapaz de compreender que isso é "um negócio" como todos os discursos padrão de jogadores trocados. Agora, como se não bastasse, o Suns tem que se preocupar com o descontentamento de Nash, a depressão de dois amigos desfeitos, e todo mundo que se lembra do Mobley e do Steve Francis sabe que, às vezes, um dos lados nunca mais se recupera (Mobley, aliás, que se aposentou com problemas no coração - típico de quem passa uns tempos jogando pelo Clippers).

Enquanto isso, outra troca aconteceu, mas quem repara naquela garota mais-ou-menos que está andando do lado da Alinne Moraes? O Hornets agora tem um armador, o Antonio Daniels, para substituir o Jannero Pargo na temporada passada, que fugiu para a Europa. O Wizards, por sua vez, tem agora um clone ruim-pra-burro do Gilbert Arenas, que é o Mike James, e conseguiu um reserva de verdade para a armação pela primeira vez na última década, que é o Javaris Crittenton. Lembra que o Grizzlies tinha mais armadores puros e jovens do que vitórias (Mike Conley, Kyle Lowry e o Javaris Crittenton) e todo mundo dizia o tempo todo que eles iriam trocar ao menos um deles por um jogador de garrafão? Pois bem, eles trocaram mesmo um deles e mais uma escolha de segundo round no draft, mas apenas para recuperar a escolha de primeiro round que eles tinham mandado para o Wizards pelo Navarro, que depois de uma boa temporada se mandou pra Europa. Ou seja, essa troca com cara de suruba forneceu armadores para o Wizards e para o Hornets, que estavam precisando, e o Grizzlies apenas perdeu um jogador cheio de potencial para tentar concertar a cagada que fizeram ao trocar pelo Navarro, na época apenas para deixar o Pau Gasol feliz - hoje, um foi trocado para o Lakers e o outro escafedeu-se. Pois é, no mundo das trocas, não é só o Suns que se arrepende às vezes.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Rick Adelman é meu amigo

Bom garoto, Adelman. Continue me obedecendo e você até ganha um biscrok


Gostei muito do conceito de "água na bunda" do post anterior em que o Denis fala sobre o Rashard Lewis e o Turkoglu. A chegada de um jogador de talento costuma realmente ter o poder de fazer outros, com medo de perder a vaga e o emprego, jogarem mais do que de costume.

Um caso interessante a respeito é o do Rafer Alston, armador do Houston. Boatos durante a temporada passada insistiam em trocas em que o Rockets conseguiria novos armadores, e lembro-me de uma entrevista indignada com o Alston em que ele reclamava: "sou o armador titular, um dos poucos da NBA preocupados em passar a bola acima de tudo, e não se fala em outra coisa além de conseguir alguém para que pontue para me substituir."

Na época ele até parecia preocupado em passar a bola mas sua seleção de arremessos continuava sendo mais questionável do que a sexualidade da Vovó Mafalda. O medo de perder a vaga por "não estar agradando" fez com que se esforçasse cada vez mais em arremessar o tempo todo. Estava ali plantada negativamente a semente que tornaria o Alston um arremessador descerebrado.

Mas os boatos não diminuíram e o Houston realmente trouxe outro armador. Na verdade, outros. Na verdade, uma bacia cheia deles, comprados em fim de feira com desconto. Francis e Mike James como free agents e depois ainda draftaram outro para completar, o Aaron Brooks. Com tanto armador, o recado para o Rafer Alston estava dado, mas infelizmente não funcionou. Mike James e Francis jogavam cada vez pior e Aaron Brooks se mantinha na Liga de Desenvolvimento. Então o Alston podia continuar lá numa boa, fedendo o quanto quisesse.

Nas minhas 5 soluções para o Houston Rockets, o Aaron Brooks era um fator fundamental. Embora seja capaz de pontuar, ele ainda tem aquele medo característico dos novatos, aquela vontade de obedecer o esquema, de passar a bola, envolver o time e deixar o técnico feliz. Pra minha sorte, o Adelman resolveu levar em consideração o meu "Curso de Técnico de Fim de Semana" que eu fiz pelo Instituto Universal Brasileiro e, reconhecendo toda minha genialidade, chamou o Brooks e o Novak de volta para o time e tirou completamente o Francis e o Mike James da rotação. O Francis deixou de jogar umas partidas gripado e depois nunca mais voltou, o que deixa a tal doença em suspeita. Mas o que importa é que isso torna o Brooks o único reserva a botar pressão no Alston.

É claro que é só botar pressão, não dá pra colocar um cérebro novo infelizmente, mas já foi o bastante para melhorar a produção. Ele ainda continua arremessando demais de trás da linha dos 3 pontos e com uma pontaria descalibrada, mas agora está com muito mais vontade, muito mais agressivo, batendo para dentro e abusando das bandejas. Contra o Boston Celtics, o Houston chegou a estar liderando o jogo no quarto período ainda que sem o T-Mac, de fora com problemas no joelho. Quem fez a cesta que empatou o jogo no minuto final foi o Rafer Alston, numa bandeja feita com maestria, resquícios de seu tempo no And 1. É, eu sei que o Garnett botou o jogo nas costas nos segundos finais e garantiu a vitória, mas fazer o Boston suar e vibrar com a vitória mesmo sem o McGrady é uma vitória moral para o Houston. Na fase em que estamos, eu fico feliz até com derrotas, acredite.

Ontem, contra o Orlando Magic, com o jogo empatado no minuto final, o Rafer Alston fez exatamente a mesma coisa e, com uma bandeja difícil, colocou o Houston na frente. O Magic ainda fez uma cesta de tapinha com o Foyle no estouro do cronômetro, bastante polêmica, e que depois de ver nos monitores os árbitros invalidaram. Olha, podem até ter errado, a bola pode até ter valido, mas eu aceito a vitória depois dos juízes insistirem em querer acabar com a carreira do Yao Ming. Me chamem de chorão, mas não é possível que ninguém esteja vendo o tipo de coisa que o Yao tem que passar com a arbitragem. O Yao reclamou publicamente, o Adelman, o Alston, a imprensa, todo mundo está alertando. Quanto mais físico o Yao fica, quanto mais agressivo ele fica (como os palpiteiros-de-banheiro sempre pedem que ele seja), mais a arbitragem esfola ele vivo. Ontem ele dominou o Dwight Howard, a ponto de tirá-lo com 6 faltas, mas o Dwight teria saído ainda antes se coisas óbvias tivessem sido apitadas. E o Yao poderia ter passado mais tempo em quadra.

O engraçado de ontem foi que na posse de bola final para o Magic, buscando o empate, quem tentou definir foi o Rashard Lewis. Conforme o Denis avisou, ele não havia tido muito sucesso anteriormente e o Turkoglu estava decidindo os jogos no final. Ontem isso não ocorreu e o Rashard, claro, errou. Acho que é o Rashard agora que está sentindo a água na bunda.

Outro bom exemplo do Denis, Jordan Farmar e Javaris Crittenton, mostraram uma boa competição sadia na noite de ontem. Com o Lakers humilhando o Sixers, oito jogadores de Los Angeles puderam jogar pelo menos 20 minutos, sete tiveram 11 pontos ou mais, e seis tiveram 15 pontos ou mais. No meio dessa festança, Farmar e Crittenton queriam provar quem era o melhor armador: Crittenton fez 19 pontos e Farmar fez 16. Nada como uma pequena competição interna para elevar o nível de todo mundo e favorecer a equipe inteira.

Enquanto isso, em New York, a situação é exatamente a contrária. Eddy Curry vem sendo criticado pela péssima temporada, sendo inclusive rebaixado ao banco de reservas. Mas bastou uma partida sem Zach Randolph, suspenso por atirar uma faixa de cabeça num árbitro, que o Curry fez 25 pontos e 12 rebotes, com 10 arremessos certos em 12 tentados. Resta alguma dúvida de que o problema do Curry é o Randolph? De que os dois exigem muitas posses de bola, muitas pizzas, muitos doces, e que não há no mundo inteiro bolas e comidas suficientes para os dois juntos na mesma quadra?

Aliás, uma coisa que tirou ontem minha noite de sono, foi justamente como diabos o Curry pegou 12 rebotes! Acho que a felicidade de estar sem o Randolph foi tanta que ele até resolveu erguer os braços e, quem diria, pular!

Agora, para finalizar, vale uma olhada nos melhores momentos da rodada de ontem apenas para poder opinar: o tapinha do Foyle, afinal de contas, deveria ou não ter valido?

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Notas sobre as summer leagues

Mais alguns pensamentos sobre os últimos jogos das summer leagues:

- JJ Redick e Adam Morrison que já lutaram pau a pau pelo título de cestinha da NCAA decepcionaram no ano passado e agora estão na summer league. JJ Redick começou melhor metendo 30pts. Nos jogos de ontem os dois foram bem, 17 pts para os dois. Já que o Adam Morrison tem o bigode mais legal da história da NBA, torço pra ele!

- Vocês viram o time titular do Wolves na summer league de Las Vegas? Foye, McCants, Craig Smith, Corey Brewer... há uma grande chance do time titular durante a temporada regular ser esses 4 mais o Garnett. Que outro time usa o time inteiro em uma summer league? Que fase...

- Tem um tal de Kevin Kruger no time do Orlando. Sem dúvida o nome mais legal das summer leagues.

- Lembra que eu disse pros fãs do Lakers ficarem felizes com a boa atuação do Sun Yue no primeiro jogo da China? Pois é, desde então ele não acerta nenhum arremesso e nem dá assistências. Yi Jianlian não tem sido muito melhor também, mas é claramente o melhor do time.

- Uma compensação para os torcedores do Lakers. No primeiro jogo do time, Javaris Crittentton foi ótimo, e no segundo foi a vez de Jordan Farmar. Se eles revezarem sempre assim durante a temporada, um dos problemas do time está resolvido.

- Daequan Cook fez 2-13 arremessos ontem. Eu aposto que ele vai ser muito ruim.

- Oden machucado não vai mais jogar a summer league. Acho que por um lado é bom, é bom pra ele se acostumar com o nível da NBA apanhando do LaMarcus Aldridge e batendo no Pryzbilla nos treinos do Blazers. Lá ele pode errar ou acertar sem ninguém encher o saco. A cada toco ele vira o melhor pivô da história e a cada erro ele é o novo Olowokandi, dêem um tempo pra ele, é só summer league.

- E como sabiamente disse o Mo Cheeks, o Duncan tomou um baile do Ostertag em sua primeira summer league. Então tudo que acontece lá pode ou não querer dizer alguma coisa.