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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Ruim um pouco demais

Wade finge que precisa mijar para poder dar o fora


O Quentin Richardson continua sua turnê pelos piores times da NBA. Desde o fim da temporada passada, já passou por Grizzlies, Clippers e Wolves. Mantendo a temática de seu passeio pelos Estados Unidos, imaginei que ele fosse acabar parando no Kings, mas na verdade ele acaba de ser mandado para o Heat. Não que a equipe de Miami seja tão horrível quanto as outras que Quentinho andou visitando, mas o Wolves tem potencial demais e, com uma carta aberta explicando que a pirralhada de lá vai ter minutos mesmo que isso signifique perder feio, uma troca era meio inevitável.

Nesse momento, ninguém em sã consciência quer o Quentin Richardson jogando em seu time. É verdade que ele é um bom arremessador de fora e um ótimo reboteiro para sua posição, mas sua mentalidade de "eu arremesso até minha mãe se eu puder" anda muito em baixa na NBA. Com um contrato exageradamente inflado (agradeça ao Nash por ter garantido o leitinho das crianças) e uma postura indesejada dentro das quadras, Quentinho só tem valor mesmo porque seu contrato termina ao fim da próxima temporada e gera espaço salarial para quem quiser arriscar aquisições como LeBron, Wade e Nowitzki, por exemplo.

É assim que o Quentin Richardson está mais rodado do que a Vivi Fernandes ou fita do "Lagoa Azul": vários times interessados em flexibilidade salarial em 2010 aceitam seu contrato gordo, mas trocam assim que surgir uma oportunidade melhor de economizar grana. O Wolves, por exemplo, trocou o Quentin Richardson pelo Mark Blount e, assim, conseguiu outro contrato que expira nessa temporada mas ainda economizou cerca de 2 milhões de verdinhas ainda nesse ano, porque o contrato do Blount é menor.

Isso significa que o Heat escolheu perder dinheiro para adquirir o Quentin Richardson! O espaço salarial de 2010 não foi comprometido, mas os bolsos dessa temporada acabam de ficar um pouco mais vazios para que o Heat tenha no elenco o cara que ninguém quer, aquele beijinho no meio dos brigadeiros gostosos em festa de criança (coco, como todos nós sabemos, não tem acento mas não engana: é escroto). Por que diabos o Heat se importou o bastante para fazer essa troca? A resposta acaba dedando a crise pela qual passa a equipe.

Pra começar, o elenco está tão fraco que o Quentin Richardson chega ao time com espaço garantido na rotação. O melhor arremessador daquelas bandas é o Daequan Cook, muito inconsistente e, convenhamos, longe de ser um arremessador legítimo. Diawara e Dorell Wright são bons defensores mas excessivamente limitados no ataque. Não há ninguém para substituir Shawn Marion e Jamario Moon, ninguém capaz de ser o ala titular. Se o Michael Beasley sair do garrafão e for jogar de ala pequeno, aí o Udonis Haslem é que não tem reservas. Ou seja, o elenco é um cobertor curto demais e ninguém, além do Wade, merecia ser titular. Num time sério (onde o Jamaal Magloire, clone ruim do Zach Randolph, não fosse considerado um jogador importante, por exemplo) a maioria dos membros do Heat esquentariam banco e teriam que lutar por minutos. No Heat, vão começar jogando, de modo que a chegada do Quentin Richardson traz profundidade ao time. Por "profundidade", entenda algo como a Mari Alexandre dizendo que leu "O Segredo": uma merda, mas a gente até comemora o fato dela não ser analfabeta.

Só que o buraco é mais embaixo, já diria o Mr. Magoo. Dwyane Wade não deu escândalo e nem tacou travesseiros como a gracinha do Kobe Bryant na época em que o Lakers só tinha ele, mas o Wade deixou bem claro que o elenco fede e que não há condições de que ele reassine com um time tão fraco. Pat Riley, doutorado na arte da discussão de Jardim de Infância e responsável pelas finanças, bate o pé e diz que não faz sentido gastar dinheiro agora com o time se o Wade não der certeza de que vai reassinar o seu contrato. No maior esquema do "dilema Tostines", os dois lados tem razão e portanto o time continuará parado nesse paradoxo, um estranho vórtex espaço-temporal que pode transformar o Heat no novo Cippers.

Em 2010 muitos jogadores geniais verão o fim de seus contratos e o mercado estará cheio de possibilidades para equipes que querem começar do zero. Se o Heat perder Wade, terá dinheiro para contratar jogadores de nível similar - caso, é claro, eles topem jogar em Miami. Com as estrelas contratadas, é possível comprometer-se com um plano de longo prazo e cercá-las com os jogadores mais apropriados, torrando uma grana louca neles. Agora, sem saber se Wade fica ou não fica, é complicado contratar ou trocar por jogadores porque o Pat Riley fica sem saber se está construindo um time ao redor do Wade ou do Carlos Boozer, por exemplo. Eu sei que o Clippers apenas soma jogadores aleatórios e coloca todo mundo pra rodar, mas no mundo real as contratações tentam ter um padrão e formar um todo coerente, de modo que o Wade precisa de uma decisão para que o Heat possa se preparar.

Mas o Wade seria débil mental de continuar num time tão porcaria se ele pode aceitar, na temporada que vem, propostas interessantes de times que estarão em condições muito superiores de brigar por um título. O que aconteceu é que o Heat se afundou demais na merda e perdeu aquele ponto de equilíbrio ideal: ser um time ruim, que precisa de alguns jogadores para crescer, mas que não é ruim demais a ponto de parecer um caso perdido. É isso que o Knicks quer tanto parecer ser, um time atraente, com potencial, mas que é claramente ruim porque precisa de uma grande estrela. Esse tipo de situação é tentadora para grandes jogadores que querem ressuscitar um franquia sem ficar em último lugar da NBA por uns anos. O Heat ficou em condições tão deploráveis que não dá pra levar muito a sério a ideia de que, com um par de jogadores novos, a franquia voltasse ao topo.

O Knicks caminha firme rumo a essa imagem de "eu fedo mas nem tanto, sou uma merda mas tenho esperança", meio que a garota feia dos filmes adolescentes com coque no cabelo, óculos enormes, e que a gente sabe que no final do filme vai soltar o cabelão, piscar os olhos com lentes de contato e maquiagem de primeira e ser uma delícia absurda. O Heat virou a garota obesa do fundo da sala, que pode até disfarçar o cecê passando vinagre mas não vai emagrecer o necessário nos próximos anos. Insistir na garota obesa seria um ato de fé e amor, mas acho que Wade não se encontra nessa situação. Desde o começo ele não gostou muito do draft do Beasley, alegando que a escolha deveria ter sido trocada por um jogador experiente (como o Kobe, tão puto da vida quando a franquia escolheu o Bynum), e não parece ter muitas expectativas de que essa dupla dê certo.

Sob esse aspecto, a contratação de Quentin Richardson é uma tentativa desesperada com toques de novela mexicana: mais do que melhorar um pouco o elenco mequetrefe, Quentinho é um dos melhores amigos do Wade e os dois treinam juntos ao fim de toda temporada da NBA. Foi uma tentativa de agradar o Dwyane Wade pelas beiradas, pegando no lado emocional. Pat Riley já tinha avisado que o Heat não iria contratar mais ninguém nessa temporada, que o time estava fechado, mas agora ele abriu uma exceção para trazer um amigo pessoal do Wade para jogar e, quem sabe, ser até titular. É muito golpe baixo, tipo dar flores e poeminha quando sua garota quer terminar com você. É feio, muito feio. Mas dá certo, crianças, então façam à vontade.

A vontade do Wade é de claramente dar o fora. Sua temporada passada foi surreal, depois dele dedicar toda suas férias em treinamentos insanos, específicos e exagerados que lhe permitiram ser o melhor jogador da seleção americana apesar de estar voltando de contusão (é como o treinamento que o Arenas tentou depois da primeira contusão, mas aí o joelho dele desmontou quenem Lego). Diz a lenda que o Wade está se dedicando num volume ainda maior de treinamentos, e se for verdade seus números de MVP vão estar ainda mais elevados. O problema é que ninguém falou das estatísticas débeis mentais do Wade na temporada passada, e nem levou a sério sua campanha para ser MVP, simplesmente porque seu time fede. É bem óbvio que o Wade não vai aturar isso mais uma vez: o Heat tem uma temporada, com o amiguinho Quentinho ajudando, para provar que pode ser ruim-mas-nem-tanto e colocar o Wade como concorrente real ao prêmio de MVP. Se não acontecer, o Heat provavelmente terá nova cara na temporada que vem - com uma nova estrela, se alguém aceitar jogar por lá. Talvez contratando mais amiguinhos dos jogadores famosos. Ou talvez as praias ajudem.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Análise dos técnicos - Divisão Sudeste

Jeff Van Gundy feliz demais porque vamos analisar a rica Divisão Sudeste


Vamos viajar para o Leste na nossa Semana especial sobre os técnicos. Saímos da divisão mais forte da liga, a Sudoeste, com Spurs, Rockets e Mavs, para uma das mais fracas, a Sudeste, com times de enorme sucesso nos últimos anos, como o Hawks (conhecido também como o Clippers do Leste), o Bobcats, o Wizards bichado e o atual pior time da NBA, o Heat. Sobra o Orlando, que não por acaso é o atual campeão da divisão.


Larry Brown, Charlotte Bobcats

O cara tá na área faz tempo. Pra se ter uma idéia, ele começou sua carreira de técnico profissional no Denver Rockets, franquia que depois foi pra Houston, da ABA, antiga liga concorrente da NBA. Mas ele não está na NBA desde então, no meio do caminho ele foi para a universidade de UCLA, onde foi vice-campeão universitário, depois foi para a NBA, voltou para o basquete universitário, onde foi campeão por Kansas e só então foi em definitivo pra NBA.

No basquete profissa ele já levou o Spurs, Pacers e até o Clippers (sim, o Clippers!) para os playoffs, além de carregar aquele lixo de Sixers de 2001 para a final da NBA, quando perderam para o Lakers. Vocês lembram desse Sixers? Tinha Eric Snow, Aaron McKie, George Lynch, Tyrone Hill, o Raja Bell versão novato-pivete e como talento de verdade só o Mutombo e o Iverson. Se vocês acham o Leste fraco hoje, estão reclamando de barriga cheia, porque naquela época o Sixers que só tinha o Iverson e o lixo do Raptors que só tinha o Carter chegavam muito longe. De qualquer forma, não vamos tirar o mérito do Larry Brown, que até foi eleito o técnico do ano na ocasião.

Depois do Sixers e de suas eternas brigas com o Iverson, ele foi para o Detroit, onde foi campeão em 2004 naquele esquadrão que era uma das defesas mais temidas da NBA. Larry Brown é o único técnico a já ter ganhado a NBA e a NCAA e já foi vice em cada uma das competições. Se bem que se eu tivesse 112 anos de vida e 110 de carreira eu também teria conseguido isso.

Mas depois de seu feito histórico deu tudo errado. Primeiro, no mesmo ano de 2004, ele foi o técnico da histórica (no mau sentido) seleção americana em Atenas. Ele pode dizer orgulhoso para os netos que foi camepão da NBA contra um Lakers de Kobe, Shaq, Payton e Malone, mas alguns meses depois conseguiu perder para Porto Rico comandando um time que tinha Duncan, Iverson, LeBron, Wade e Carmelo.

Depois da derrota do Pistons na final de 2005 para o Spurs (malditos anos ímpares!), o Larry Brown saiu do Pistons para se tornar o técnico mais bem pago da história da NBA. Onde? No Knicks! Onde mais se gasta dinheiro para não se ter resultados? A temporada do Larry Brown por lá foi medíocre, somente 23 vitórias, e no fim da temporada o Isiah Thomas o mandou embora e foi assumir o time. Sábia decisão, Isiah.

Entre seu sucesso universitário, na NBA e depois sua decadência nos últimos anos, duas coisas sempre exisitiram nos times do Larry Brown: defesa e brigas.

Aparentemente ele não é lá muito bom em relacionamentos (uma psicóloga chata já diria que ele não tem inteligência interpessoal) como é com basquete. Ele brigava toda semana com o Iverson. Por causa de treinos, de jogo, de decisões dele na quadra, por causa do cabelo, da unha do pé, do perfume que ele usava. Pareciam marido e mulher, porque até reconciliação e declarações de amor tinha. Foi em uma dessas declarações de amor que o Iverson chamou o Michael Jordan de Michael Jackson. Ui!

Tá bom que o Iverson não é nenhum santo, mas por algum motivo o Larry Brown pega no pé dos armadores. No Knicks a fonte de todas as brigas foi o relacionamento péssimo dele com o Marbury, já no Pistons as coisas deram certo e foi só com o Larry Brown que o Billups jogou tudo o que sabe de basquete. Por causa dessa característica de ser muito exigente com os armadores principais é que já estão achando que o Ray Felton não fica no Bobcats até o fim da temporada. O primeiro indício disso teria sido a escolha do também armador DJ Augustin no draft desse ano.

Mas mesmo se não der certo com o Felton, isso pode se resolver com alguma troca, o mais importante para o Bobcats é se tornar uma potência defensiva. Larry Brown fez um Sixers poderoso na defesa com Ratliff e depois Mutombo, e com o próprio Snow, depois fez a melhor defesa que eu já vi jogar com Rasheed, Ben Wallace e Tayshaun Prince, agora ele tem nas mãos o Okafor e o Gerald Wallace, dois jogadores fortes, bons defensores e especialistas em tocos e roubos de bola. O potencial está aí, é só esperar e ver se o Larry Brown vai ser o que vimos no Sixers e no Pistons ou o que perde as Olimpíadas e passa vergonha no Knicks.


Mike Woodson, Atlanta Hawks

A imprensa dizia com certeza que os jogadores do Atlanta não gostavam dele, que o Josh Smith pensou em sair do time só porque não o mandaram embora e que o Josh Childress foi comer churrasquinho grego original por causa dele. Mas dos dois Joshs, o Smith desmentiu isso, dizendo que adora o técnico e que conversava com ele regularmente mesmo antes de decidir continuar em Atlanta.

No meio de informações tão confusas, não sei direito o que falar sobre o Mike Woodson. Aparentemente todo mundo odeia ele, a imprensa de Atlanta o repudia e não cansa de apontá-lo como um dos culpados por anos e anos de derrotas como se o Atlanta não fosse fracassado antes da chegada de Woodson na temporada 2004-05.

Nessas quatro temporadas o time tem melhorado ano a ano, foram 13 vitórias (irgh!) no seu primeiro ano, depois 26, 30, e no ano passado 37, culminando em uma ida para os playoffs e uma série dura contra o Celtics.

Mas o quanto disso é mérito do Woodson e quanto disso aconteceu devido a evolução do elenco do Hawks? Nesses anos foram adicionados ao time Joe Johnson, Josh Smith, Josh Childress, Marvin Williams, Zaza Pachulia e no ano passado Mike Bibby e Al Horford. O Hawks melhora a cada ano e quanto mais reforços tem, mais vitórias o Woodson consegue. A culpa é então do técnico ou do General Manager do time que não soube montar um bom elenco?

Outro problema grave do Hawks sempre foi a armação do time. Até a chegada do Bibby no meio da temporada passada, o Woodson nunca treinou um time com um bom armador e nem foi ele o culpado pelo time ter draftado o Marvin Williams antes do Deron Williams e do Chris Paul no draft de 2005.

O que acho de verdade é que não dá pra fazer uma análise perfeita do Woodson porque ele só esteve em roubada até agora, só pode falar dele quem acompanha o Hawks regularmente e vê jogos com regularidade, para analisar como ele faz ajustes do time dentro do jogo, como ele trabalha os duelos individuais e coisas assim. Na série contra o Boston ele agiu bem em muitos jogos, mas como eu gosto muito de basquete, não tenho o hábito de assistir muitos jogos do Hawks durante a temporada.

Os masoquistas jornalistas de Atlanta assistem e o odeiam. Os jogadores dizem que não gostam e depois que gostam. Ele nunca treinou um elenco decente. Ou seja, sei lá o que achar desse cara. Mas sério, quem se importa com o Atlanta Hawks?


Eric Spoelstra, Miami Heat

Se é difícil falar do Mike Woodson porque eu tenho o bom senso de não ver jogos do Hawks, com o Spoelstra eu não tenho nem escolha. Ele simplesmente nunca dirigiu um time da NBA, essa será sua temporada de estréia.

O que sabemos dele é que ele nasceu em Portland mas tem origem Holandesa-Irlandesa-Filipina, o que é uma mistura confusa que deveria acabar em uma pessoa de olho puxado, bêbada e drogada.

Mas a história do Spoelstra no Heat é bonita, digna daqueles sistemas de venda de emagrecimento tipo Herbalife, quando você começa como distribuidor e acaba como Presidente Junior da seccional de Itu.

Ele começou no Miami em 95 como coordenador de vídeo do time, não sei o que é isso, mas acho que ele era o cara responsável por ficar editando os jogos do Heat e dos adversários para o técnico usar com os jogadores. Em 97 ele foi promovido a assistente técnico e em 99 virou, além de assistente, olheiro da equipe. Em 2001 ele ganhou mais pontos de experiência ao derrotar um dragão vermelho e virou diretor dos olheiros do time. Anos depois ele começou a ser técnico das equipes do Heat nas Summer Leagues e agora é técnico do time de verdade.

Ufa! Quanta coisa! Serve de exemplo para você que está entrando agora na empresa como ajudante de assistente de estagiário ou como a pessoa responsável pela distribuição do cafezinho na empresa. Um dia vocês podem virar presidentes da companhia, ganhar milhões, casar com uma loira falsa e ter um iate. Eric Spoelstra garante! É só ter força de vontade e dedicar sua vida à uma grande corporação. Um brinde ao capitalismo!

O Pat Riley chamou o Spoelstra de "o próximo grande jovem técnico", seja lá o que isso quer dizer. Mas não dava pra esperar crítica do cara que o contratou, certo?


Stan Van Gundy, Orlando Magic

O Stan Van Gundy também era um "próximo grande jovem técnico" para o Pat Riley, mas teve que ser mandado embora do Heat quando o Pat farejou uma chance de ser campeão. No meio de uma temporada vitoriosa, o Van Gundy saiu dando uma desculpa esfarrapada ("preciso passar mais tempo com a minha família") que poderia ser interpretada como "O chefe pediu pra eu sair de fininho antes que ele me mande embora". Riley então assumiu o time e foi campeão.

O trabalho do Van Gundy no Heat foi ótimo. Ele foi o técnico do time antes do Shaq chegar, na equipe que tinha Eddie Jones, Odom, Brian Grant, Caron Butler e o novato Dwyane Wade. Nenhum deles tinha o nome que tem hoje e foi nesse time que começaram a aparecer para o público. Quer dizer, o Odom tinha nome mas tinha fama de cara talentoso que nunca tinha jogado de acordo com o seu talento, foi nas mãos do Van Gundy que ele fez sua melhor temporada na NBA. Na falta de um armador puro, o Odom era quem organizava o ataque do Miami, distribuindo para as finalizações de Butler e do Wade.

O Orlando do Van Gundy não tem nada a ver com esse Heat, o que mostra que ele sabe se adaptar e não fica impondo um estilo de jogo independente dos jogadores que encontra na frente. O Magic da temporada passada foi o time que mais tentou bolas de 3 na história da NBA! Mais que o Boston do Antoine Walker! Mas mesmo assim o time não era porra louca como esse Celtics, eles jogam com consciência e o Odom da vez é o Turkoglu, que com o Van Gundy fez a melhor temporada da sua carreira.

Também gosto muito da escolha dele de usar o Rashard Lewis na posição 4, mesmo que o Rashard não tenha nascido pra isso, é melhor usar ele por lá do que ficar colocando cara que fede, como o Brian Cook. Ao colocar o Rashard de ala de força ele cria muitos problemas para a defesa adversária, que precisa deslocar um cara grande pra defender as bolas de 3 e eventualmente pode abrir espaços para o Dwight Howard brincar de Superman dentro do garrafão.

Nada mirabolante, ele não é o rei da prancheta, faz simples e faz bem feito.


Eddie Jordan, Washington Wizards

O Eddie Jordan começou sua carreira no Kings, mas depois de uma temporada e meia foi mandado embora. Foi então para o Nets para ser assistente do Byron Scott e lá participou daquela sequência brilhante de títulos do Leste com o Jason Kidd. Depois do segundo vice-campeonato seguido, foi contratado pelo Washington Wizards. Na capital americana ele é, de certa forma, um sucesso. Foram apenas 25 vitórias em seu primeiro ano por lá mas depois são 4 aparições em playoffs e uma passagem para a segunda rodada.

E pra quem ficou confuso com o sistema "Princeton Offense" que o Danilo citou no post anterior, pode ficar confuso de novo. Depois de passar anos como assistente do Byron Scott, o Eddie Jordan usa o mesmo esquema para o seu Washington Wizards, apenas com alguns ajustes.

Ao invés do Jason Kidd ou do Chris Paul, quem arma o jogo é o Arenas, o que muda tudo, já que o Arenas é bem mais fominha que os outros, mas o princípio de movimentação rápida, da busca de espaçamento para arremessar continua lá. Até essa parte dos arremessos é ainda mais acentuada porque o time não tem peças boas no garrafão, o Antawn Jamison acaba contribuindo mais nos arremessos de longa distância do que como o Kenyon Martin fazia no Nets em que o Jordan era assistente.

Um time com quatro bons arremessadores como Arenas, Stevenson, Butler e Jamison é perfeito para a execução da Princeton, sem contar que o Arenas e o Butler também conseguem cumprir bem a função de cortar para cesta para finalizar as bandejas.

Quem quer entender melhor o Princeton é só lembrar do Kings que ficou famosos pela rivalidade com o Lakers, aquele com o Chris Webber, Stojakovic, Bibby e Divac. Eles executavam o Princeton à perfeição e tinham todos os ingredientes necessários para isso, mais do que tem esse Wizards, já que bons passadores no garrafão são importantes para conseguir espaço para arremessos e o Webber era um pouquinho melhor do que o Haywood, que é uma ameaça aos adversários tão grande quanto o Maguila foi uma ameaça ao Holyfield. Muitas vezes o Wizards fica sem espaço e tem que apelar para a individualidade, é o que vemos há 3 anos contra o Cavs nos playoffs, defesa pressionada e o Wizards não consegue tocar a bola como quer.

Apesar do ataque excepcional que o Wizards tem há anos, o problema do time ainda é a defesa. Em cinco anos por lá o técnico poderia ter dado um jeito do time ser menos patético na defesa, também acho que com ele o time ainda dá muitos apagões durante o jogo, com muita afobação. Um técnico que há anos está no time deveria dar um jeito nisso. Mas só por entender a "Princeton Offense" o Eddie Jordan já merece o meu respeito.

Ele também tem nome de ex-dono de equipe de Fórmula 1. Isso tem que valer alguma coisa.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

All in

David Stern incentiva o jogo


Antes de entrarmos de vez no maravilhoso mundo olímpico, que tal falar de um esporte um pouco menos nobre mas não menos divertido? Estou falando do ápice da programação da ESPN, da melhor parte da faculdade, o jogo do pôquer.

Você deve estar achando que eu estou louco e que estamos ficando sem assunto mesmo nesse ponto do ano onde não tem nada acontecendo na NBA, mas a verdade é que só agora o Danilo achou essa matéria muito legal do jornal Sun Sentinel sobre o jogo de pôquer entre os jogadores da NBA, e como falamos muito em contratos e cifras na offseason, acho que o pôquer é uma boa introdução para mostrar como os jogadores da NBA lidam com seu dinheiro.

A matéria diz que o jogo de pôquer é comum entre os atletas desde sempre, o que não é lá muita novidade, qualquer lugar que tem homens juntos e entediados tem baralho e conversas sobre sexo. Aqui no Brasil nossos atletas preferem o bom e velho truco, na terra do Tio Sam o esquema é pôquer. Aposto que na China, do jeito que eles são um povo vibrante, os jogadores devem fazer campeonatinhos de Uno. Vocês imaginam o Yao nervoso pra diabo porque não tem uma carta verde ou um 2? Dá pra sentir a tensão no ar.

Na faculdade eu, o Danilo e mais uma renca de caras jogávamos pôquer diariamente, eu jogava menos porque sempre fui ruim, o Danilo jogava mais e nosso amigo mais pobre era o mais viciado e o que mais perdia dinheiro. Mas ele não passava necessidades, fiquem tranquilos, as nossas apostas ficavam na casa dos cinco e dez centavos, quando uma rodada passava do um real já tinha gente se amontoando em volta da mesa e duvidando da masculinidade de quem se recusasse a igualar a aposta. Eram bons tempos, pobres mas bons tempos.

Se ganhássemos mais dinheiro, se fossemos um bando de riquinhos, pode ter certeza de que iríamos apostar mais dinheiro, o jogo é um vício desgraçado. O Pat Riley, ex-técnico do Heat e ex-jogador da NBA, disse que no seu tempo eles jogavam pôquer no meio dos aviões comerciais que usavam para ir de um jogo a outro. Eles apostavam cinco ou dez dólares em cada rodada e se divertiam assim.

As coisas mudaram um pouco desde os anos 60, época em que o Pat Riley jogava seu poquerzinho maroto. A primeira mudança é que não são mais aviões comerciais, são particulares, todo time tem o seu. Muda também as notas usadas. Pat Riley disse que no Miami Heat não se usam mais suas notas de cinco e dez, agora são de 20 e 100 doletas. Como a média de salário de um jogador da NBA é de 5,4 milhões de dólares por temporada, 66 mil dólares por jogo, é normal que os jogadores fiquem à vontade para apostar bastante. Mas nem sempre a disputa é justa:

"O Paul Pierce era o jogador de pôquer mais agressivo, porque 100 dólares não era nada pra ele."

Quem disse isso foi o armador Dan Dickau sobre os tempos de Celtics dele. O Paul Pierce ganhava 16 milhões de dólares por temporada ou 195 mil dólares por jogo de temporada regular. Quando você ganha 195 mil dólares por um jogo acho que não deve ser muito difícil cobrir uma aposta de míseros 100 dólares para descobrir qual é a mão daquele novato mané que quer crescer pra cima de você. O técnico do Magic, Stan Vun Gundy, também fala sobre o assunto:

"Você tem caras que ganham muito dinheiro e que gostam de jogar, eles podem entrar num avião e perder 10 mil dólares. Mas o problema é que tem muito jogador jovem que gosta de jogar com eles, de andar com os veteranos e, bem, 10 mil dólares dóem mais no bolso deles, e aí eles ficam bem mal."

Ter apostas em 100 dólares não quer dizer que elas paravam por aí, dependendo dos jogadores a coisa poderia ir longe. O armador Derek Anderson disse que já viu gente perder 30 mil dólares em uma mísera viagem de avião:

"Você sai de Chicago e tem 30 mil dólares, você chega em Detroit e não tem mais."

Não é das coisas mais fáceis para o cidadão comum entender como alguém perde, numa boa, 30 mil dólares em um jogo, mas pretendo ganhar todo esse dinheiro um dia, só pra ver se eu entendo eles, claro . Essa relação, digamos, promíscua, dos atletas da NBA com o dinheiro, vai além das partidinhas de pôquer, é o que dá pra ver em uma matéria do jornal The Star de Toronto.

Segundo a matéria, a associação dos jogadores da NBA revelou um dado impressionante: 60% dos jogadores da NBA perdem todo seu dinheiro cinco anos depois de sua aposentadoria. Sim, aqueles caras que eu disse acima que ganham em média 5,4 milhões de dólares por ano quebram depois de 5 anos sem receber.

Os motivos, claro, são gastos excessivos e falta de planejamento. Se o Derek Anderson já viu gente perder 30 mil em um jogo de pôquer, o Jason Kapono disse que já jogou com um jogador que tinha em sua garagem 14 carros. Um cara solteiro, que mora sozinho e tem 14 carros só porque pode ter.

O carro é um exemplo, mas todo mundo tem seu luxo diferente, seus hobbies, que são elevados à enésima potência quando o cara tem rios de dinheiro. Uns tem trocentos carros, outros sua própria academia em casa, outros ainda seu próprio cinema, piscinas gigantescas e mais uma enormidade de coisas. O Steve Francis tem até seu próprio barbeiro em casa para não precisar sair do conforto do lar para raspar a cuca. O programa MTV Cribs da MTV americana já mostrou vários jogadores da NBA e suas nada humilde casas, dá pra ter uma idéia, ao ver os vídeos, de como os jogadores não pensam duas vezes antes de decidir morar em castelos.

É só clicar no nome do jogador que você vai ver o vídeo sobre sua casa: Steve Francis, Dwight Howard, Shaquille O'Neal, Paul Pierce e Rasheed Wallace.

Tem também os que se dão mal porque são bonzinhos demais. Existem histórias de jogadores que melhoram de vida ao entrar na NBA e querem que todos à sua volta, todo mundo que ele gosta, mudem de vida também, então o cara compra casas para os amigos de infância, para os tios, primos e outros familiares. Mas aí tem que pagar as contas, tem que pagar um carro pra acompanhar a casa, tem que abastecer a casa e quando o salário acaba essa missão fica mais difícil.

O que a Associação dos Jogadores da NBA tenta fazer é alertar os jogadores para que eles pensem mais antes de gastar seu dinheiro, para que eles possam dividir seu dinheiro entre seus desejos e em algum investimento para o futuro. Como disse o Kapono, o contrato dele garante que ele receba salário até os 30 anos de idade, depois disso ele não sabe se ganhará outro contrato, então se ele viver até os 80 anos ele tem que ter dinheiro guardado para viver esses outros 50 anos entre o fim da sua carreira e o da sua vida.

Quando o assunto é dinheiro não dá pra esquecer do grande Latrell Spreewell. Há alguns anos ele recusou uma proposta de 21 milhões de dólares por três anos do Minnesotta Timberwolves com a desculpa de que "preciso alimentar minha família". Depois disso o Wolves não ofereceu mais nada e o Spree nunca mais jogou na NBA. Há pouco mais de um ano ele perdeu um iate no valor de mais de 1 milhão de dólares porque não podia continuar pagando por ele.

Mas não é tudo culpa dos jogadores, o que não falta é gente querendo se aproveitar de jogadores que foram pobres a vida inteira, não tem experiência em lidar com dinheiro e que de repente estão ganhando milhões de dólares. Agentes e empresários estão sempre rondando, dizendo que cuidam dos impostos, que arranjam novos contratos e o jogador nem percebe que estão levando o seu dinheiro, como disse o armador Darrick Martin, você vira um alvo dos aproveitadores assim que começa a ganhar dinheiro.


Mas não vamos ficar tristes porque os jogadores da NBA não sabem cuidar de seu rico dinheirinho. Vamos pensar em coisas mais divertidas, como o cara do blog Str8balling, que fez um post genial sobre os 4 jogadores com quem ele não queria jogar pôquer.

Ele escolheu:

1. Kevin Garnett - porque o cara é intenso demais e ia ficar olhando com aqueles olhos esbugalhados enquanto você tenta blefar.
2. Tim Duncan - porque ele tem eternamente aquela "poker-face", a cara de nada que faz com que você não saiba se ele tem cartas boas ou não na mão.
3. Stephen Jackson - porque não é bom negócio apostar dinheiro contra um cara que tem uma tatuagem de mãos rezando enquanto seguram uma arma de fogo.
4. Kwame Brown - porque ele não ia conseguir segurar as cartas com aquelas mãos pequenas e o jogo não ia rolar.

Eu concordo plenamente com todas as escolhas dele e completo a lista com jogadores com quem eu gostaria, sim, de jogar pôquer:

1. Tony Parker - em algum momento do jogo ele teria que apostar a esposa.
2. Yao Ming - ele é tão bonzinho que não seria capaz de blefar.
3. Lamar Odom - quando sobrarmos só nós dois na mesa ele vai amarelar e me entregar o prêmio de graça.
4. Dikembe Mutombo - só para ouvir aquela voz engraçada dele falando "I check".



E você, jogaria ou não jogaria pôquer na NBA, e com quem? Ou não jogaria com ninguém porque ficou com medinho de falir em menos de 5 anos?