Quem acompanha o site da NBA deve ter percebido que o que é velho é moda. Assim, fanáticos por história ou apenas simples e comuns curiosos visitam o NBA Vault. São sempre bons textos, falando de velhacos do passado, quando foram draftados, suas expectativas e o que mais gostaram nos anos em que foram grandes estrelas e jogadores importantes da liga. Porém, o que mais me intriga é ver a mudança no estilo de jogo daquela época para a de hoje. A finésse corriqueira se tornou músculos, e dos músculos vieram as explosões de garra, fúria e estúpidas enterradas que fazem o ginásio inteiro levantar e gritar, elevando o nível de testosterona da velhinha mais inofensiva que cochila na última fileira.
Com tanta virilidade, os jogadores notaram que as regatinhas agarradas e os shortinhos mais curtos já conhecidos não combinavam com essa nova forma de jogar. Além, claro, de a marginalidade tomar conta cada vez mais do mundo da NBA, e não estou falando de assédios sexuais, tiros ou desavenças caseiras.
Os novos jogadores que surgiram no pós “mamãe-quero-ser-gay” vieram com ideais das ruas, com letras de hip-hop na mente, gírias do gueto e correntes, muitas, muitas correntes de ouro penduradas no pescoço (quando não acompanhadas de um cifrão enorme cravado com diamantes ou lantejoulas, somente para disfarçar). Quem é que não se lembra do All-Star de 2005, quando Allen Iverson gritava para Kyle Korver, o jogador mais modelete do Sixers e irmão gêmeo de Ashton Kutcher (vide foto), Mas para essa temporada o técnico Scott Skiles liberou a faixa na cabeça do Wallace. O motivo foi que todos os outros jogadores se juntaram e toparam deixar o Big Ben usar mesmo com a proibição ainda servindo para os outros jogadores. Acho que o Ben Wallace olhou feio pros companheiros e eles libe
raram rapidinho. O Skiles não é muito de dar liberdade mas deve ter pensado que que com a faixa ele ia jogar bem como jogava no Pistons. Até agora não deu muito certo.A aparência é algo constante e de grande valia na NBA. Jogadores se enfeitam de todas as formas, ou para parecerem bonitos enquanto jogam, ou para mostrarem quão marginais são e assustar o adversário. É notório que junto com a evolução do jogo e sua agressividade, a característica das ruas veio como uma tradução a essa nova forma de jogar. Até o Yao tem xingado, socado o ar e tomado falta técnica. Quem diria, o comportado chinês que não sabia nada da vida do gueto hoje é tão nigga quanto o “Skip To My Lou”. Se quiser jogar na NBA um dia e lhe faltar talento, apele para a malandragem, ouça um rap, ande com umas correntes e diga muito “yo”. Tem jogador que só está lá por isso.







