quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Mulher à caça de macho

David Lee e Nate Robinson deixariam o Knicks boa pinta demais


A aposentadoria não foi muito divertida para Jason Williams. Conforme foi ficando mais velho, foi ficando também mais chato, deixou de dar passes com o cotovelo para virar um armador cada vez mais burocrático. Mas talvez ir pra casa jogar Banco Imobiliário tenha sido um pouco chato demais até mesmo para a versão sexagenária do J-Will, de modo que ele resolveu fazer um tour pela NBA tentando arrumar um emprego de volta. Dois times claramente interessados eram o Heat e o Knicks, mas pelo jeito não estavam interessados o suficiente. Após um breve treino em Orlando, Jason Williams acaba de assinar com o Magic como a cereja do bolo de uma offseason que viu a equipe acrescentar todas as peças certas.

Após a troca com o Nets para conseguir o Vince Carter, que acabou mandando o coitado do Rafer Alston embora porque ele nunca consegue receber nem um tiquinho de amor, o Magic ficou com apenas um reserva para Jameer Nelson, que volta de contusão. Trata-se do jogador de bingo e adepto do tricô Anthony Johnson, constituindo a única posição da equipe em que não há uma profundidade digna da Monica Mattos. Agora, com Jason Williams, a posição fica mais assegurada. Não dá pra ter certeza das condições físicas do J-Will, mas desconfio que ele não voltará às quadras rolando como o Eddy Curry e ao menos será um reserva sólido para um time que pode montar umas 3 equipes diferentes para competir ao mesmo tempo na NBA, se quisesse.

Mas mesmo chocado com o Magic depois de passar a temporada passada inteira dizendo que eles não tinham time pra chegar a lugar nenhum, o que me impressiona mesmo é a incapacidade do Knicks e do Heat de adicionar novos jogadores. Quando eu disse que o Heat está fedendo um pouco demais e periga não manter Dwyane Wade na equipe por conta disso, defesas vieram alegando que o time tem um núcleo que pode evoluir muito e que a franquia terá um dinheiro absurdo para assinar até a mãe do Papa em 2010. O engraçado é que, em busca dessa flexibilidade financeira, o Heat acabará a próxima temporada com apenas 3 contratos garantidos: Mario Chalmers, Michael Beasley e Daequan Cook. Os três são pirralhos com contratos pequenos e potencial (embora o Chalmers, por mais que eu goste dele, não fosse conseguir ser titular em nenhum outro time da NBA e só tenha evoluído tanto porque não tinha ninguém no Heat pra roubar minutos dele). Em todo caso, ter 3 jogadores e tentar reassinar o Wade é começar um time praticamente do zero, confiar que é possível contratar todo o resto do elenco dentro das finanças e fazer todo mundo combinar em estilo, pra não virar o zoológico que é o Clippers, por exemplo.

Não dá pra montar um time inteiro em apenas um ano recheando ele de Free Agents para todas as posições, assumindo que todo mundo vai querer jogar lá porque há dinheiro, praia e muamba da boa. A mesma coisa com o Knicks: eles tem que ter um time base interessante para atrair LeBron e outras estrelas, ao invés de tacar o time inteiro no lixo e começar de novo. No entanto, enquanto o Heat parece ter decidido por esse caminho do "não vamos adicionar ninguém e vamos reconstruir o time inteiro", o Knicks parece não ter uma opinião totalmente definida sobre isso e está empurrando suas decisões com a barriga.

Por um lado, eles precisam de grana para tentar pra valer LeBron James, e para isso se encontram quase na mesma posição do Heat, só que um pouco mais burra: só vão ter contratos garantidos dos novatos Jordan Hill e Toney Douglas, e de mais outros dois jogadores mais velhinhos. Um é o gordo do Eddy Curry, que só conseguiria jogar para o técnico D'Antoni se nascesse de novo e nunca colocasse, desde criança, as mãos num pacote de Cheetos. O outro é o Jared Jeffries, que tem um contrato ridículo dado pelo Isiah Thomas, mas que estranhamente se encaixa no jogo do D'Antoni e apesar de ser um ala-armador pode jogar até de pivô quando o objetivo for a correria. Só que esse núcleo não atrai nem mosca, e o Knicks precisa decidir basicamente se fica com dois de seus jogadores mais importantes: David Lee e Nate Robinson. O Lee está pedindo muita grana e, convenhamos, ele merece. Não apenas vem chutando traseiros nas últimas temporadas, também se dá muito bem na correria que o Knicks quer implantar. O Nate Robinson é mais questinável, por ser meio porra-louca, mas por diversas vezes segurou o fardo ofensivo sozinho na temporada passada. Mas vale comprometer o dinheiro de 2010 com eles?

Pra mim é questão de probabilidade, com o Knicks e o Heat escolhendo não adicionar jogadores e não reassinar o seu próprio elenco a chance de que um deles acabe se arrependendo feio é bem grande. Alguém não conseguirá os jogadores que queria e aí ter aberto mão de bons jogadores que estavam disponíveis vai ter sido uma cagada. O exemplo ideal para isso, do qual provavelmente riremos daqui há um ano, é Allen Iverson.

No seu Twitter, Iverson disse estar aguardando propostas de Heat, Knicks e Bobcats (e no Twitter do Bola Presa tem link para agentes do Iverson dizendo que um contrato será fechado muito em breve). Provavelmente será um contrato de apenas um ano, uma espécie de "teste" que não compromete o futuro financeiro das equipes. Só que mesmo assim o provável é que Knicks e Heat, mantendo o padrão, não assinem o rapaz.

É tudo um joguinho de acasalamento, pense nessas equipes como mulheres desesperadamente à procura de homens, seus machos. Se elas forem bonitas demais, intimidam. Se forem feias demais, ninguém se interessa porque falta estômago. É preciso parecerem razoavelmente bonitas, mas é necessário cuidado no uso de adereços: uma boa maquiagem pode enganar, esconder os defeitos, mas algo como seios postiços pode afastar porque os homens sabem que na hora do "vamo-vê" eles não estarão lá.

Passando isso pra NBA: os times não podem ser bons demais porque senão afastam as estrelas que querem brilhar e erguer franquias, e não podem ser ruins demais porque nenhum jogador quer desaparecer numa franquia arrasada. Uns jogadores que façam o time parecer bom, mesmo que na verdade não seja, enganam e ajudam a trazer estrelas. Mas adereços momentâneos como o Iverson, por exemplo, podem assustar porque ele provavelmente não estará no time na temporada seguinte e aí a estrela que vier não tem como saber se o time era bom mesmo ou se era apenas o Iverson chutando traseiros.

Nesse medo de agradar seus machos preferidos, Heat e Knicks deixaram ótimos jogadores passarem e ficam apenas parados vendo o Leste cada vez mais forte. Pelo jeito o David Lee deve até reassinar com o Knicks em breve, mas se for o caso será apenas o quinto jogador com contrato garantido em 2010, resquício de dois elencos que estão se desmaterializando pra começar do zero mesmo. Enquanto isso, o Bobcats é um time que fede mas tem potencial, um plano, um técnico com abertura para imprimir sua identidade, e jogadores que chegam prontos para desempenhar funções específicas e que combinam com o padrão de jogo e com os demais jogadores. É um time desses que pode se dar ao luxo de contratar Iverson e não ficar rezando por 2010. O técnico Larry Brown já disse que gostaria de trabalhar novamente com Iverson (ou seja, mentiu com classe) e tudo leva a crer que vai acontecer. Enquanto Heat e Knicks, mais uma vez, apenas olham, Iverson garante voltar à velha forma. É uma temporada cheia de medos e promessas, e cada um escolhe no que vai acreditar.

3 comentários:

Maickel disse...

Iverson é o pontuador que o bobcats precisa. porque? o time é praticamente todo defensivo,
felton/bell/wallace/chandler podem garantir bem a parada do iverson que não defende nem a sombra, ainda tem o diaw que pode improvisar em tudo que se pedir até pra cozinhar as refeições do elenco, e o radmanovic junto com o bell pras bolas de 3... ainda tem o dj augustin, seria um elenco interessante capaz de pegar a 7° 8° vaga no leste e começar a dar um tipo de lucro pra franquia..

Anônimo disse...

PG - Sessions
SG - James
SF - Chandler
PF - Gallo
C - Milicic

Knicks em 2010

Ronin disse...

O Jason Williams no Magic pode render bons frutos. Anotem...pintou o campeão.