quinta-feira, 10 de julho de 2008

Super Mario

Mario Chalmers curte um cogumelo


Antes de qualquer coisa, permitam a esse humilde torcedor do Houston Rockets lembrar de um causo da temporada passada. Ao draftar Aaron Brooks, o milésimo armador de um elenco que continha Rafer Alston, Steve Francis e Mike James, o Houston mostrou que havia feito a coisa certa quando o novato terminou sua primeira Summer League com médias de 21 pontos e 5 assistências, sendo eleito o melhor novato naquela ocasião. Isso quer dizer que Aaron Brooks chutou o traseiro fedido do horripilante Rafer Alston e tomou a posição de titular? Não, isso quer dizer que Brooks mofou no banco e mal pisou em quadra durante toda a temporada.

Pivôs e armadores principais sofrem um bocado, porque são posições que exigem muito tempo até que seja possível se acostumar com os padrões da NBA. Para os pivôs, existe todo um lado físico - tamanho, peso, contato, agressividade - que precisa ser adquirido ou contornado. Para os armadores, existe todo um ritmo, tática e tempo de jogo que não são nada fáceis de se assimilar. Com isso, aprendemos que produção em Summer League não serve para nada. Mas também concluímos que é muito complicado apostar que pivôs e armadores consigam com absoluta certeza traduzir seus modos de jogar para a NBA.

Portanto, se meu filho estivesse indo jogar uma Liga de Verão, o melhor conselho que eu poderia dar seria: "Lembre de Aaron Brooks, lembre de Lonny Baxter". E se meu filho fosse o GM de algum time da NBA, responsável por quem escolher no draft, o conselho que eu daria é "não drafte armadores e pivôs baseado em seu potencial". Por serem posições em que os pequenos detalhes são tão complicados, o risco é grande demais.

Justamente por isso, não quero fazer muito barulho com as atuações dos armadores Derrick Rose e do Superintendente Mario Chalmers - até agora, de qualidades completamente opostas - mas não custa nada deixar um pé atrás. Armadores precisam de muito tempo para se desenvolver, então somos obrigados a ficar olhando para o futuro. No presente, única coisa que podemos avaliar por enquanto, todos os armadores estão tendo altos e baixos, mas com o Mario chutando uns traseiros.

Michael Beasley teve uma atuação terrível digna de novato, errando até o próprio nome, e saindo de quadra com 9 pontos, 7 rebotes e surreais 5 disperdícios de bola e 7 faltas. Summer League é sempre bacana porque dá pra fazer triple-double com faltas, vai dizer que se você estivesse lá, não iria tentar? Beasley fez tudo que conseguiu para prejudicar a equipe, não jogou a partida seguinte, mas isso é o de menos. A galinha de ouro do Miami Heat é o cara que segurou as pontas quando o Beasley estava fedendo ou sentado no banco: Mario Chalmers. Em sua segunda partida, foram 19 pontos, 9 assistências e 3 roubos de bola. Na terceira partida, carregando o piano sozinho, foram 23 pontos incluindo 17 lances livres certos em 17 tentados. As 7 faltas e os 7 disperdícios que cometeu a gente fala com a mão na frente da boca, pra ninguém perceber. Perdoem esse blogueiro que acompanha pouco do basquete universitário, mas a visão de quadra do encanador que só cresce com cogumelo é bastante impressionante. Ele parece sempre encontrar alguém livre e sabe exatamente quando bater para dentro do garrafão. Há algo nele que me diz "está pronto", tipo o termômetro daquele Peru de Natal (o que "já vem temperado e pronto pra assar").

Outro armador que parece preparado para comandar sua equipe é Russel Westbrook. Até porque, se entrosando com os seus companheiros de liga de verão, ele está automaticamente se entrosando com o futuro time titular de Oklahoma. Kevin Durant saiu do banco, em que estava apenas brincando de assistir aos jogos, e resolveu entrr em quadra junto com Jeff Green e Westbrook para uma peladinha. As atuações foram memoráveis: Durant destruiu (22 pontos, acertando 7 de seus 10 arremessos, além de 5 rebotes) e parecia um líder veterano em quadra, ensinando a molecadinha; Jeff Green manteve seu botão de agressividade ligado e fez 28 pontos cobrando 15 lances livres; e Westbrook mostrou sua pontaria certeira acertando 8 de 10 arremessos para 19 pontos. Legal ver como os três jogaram em alto nível juntos, mas não é meio patético que três titulares do teu time estão jogando Summer League? Sou só eu ou esse fato é mesmo cômico e faz subir um cheiro insuportável de xampu Johnson's Baby? O problema disso é que essa pirralhada é inconstante, difícil de manter o ritmo por toda uma temporada. Westbrook, por exemplo, seguiu sua atuação de gala com uma noite de estrabismo, acertando 2 dos 13 arremessos que tentou. O Jeff Green manteve a média, com 23 pontos e cobrando 10 lances livres, mas para quem está assistindo aos jogos, é fácil compreender que qualquer jogador mais espero cobre dez milhões de lances livres por jogo. Não há limite de faltas e tem trocentos brucutus decendo a lenha em todo mundo que chega perto do aro.

A outra posição complicada é a de pivô, mas a vida de Brook Lopez não parece nada má. Após um tratamento antibiótico contra uma terrível alergia a rebotes que o afetou no primeiro jogo, Lopez pegou 7 deles no segundo jogo (além de 18 pontos em 8 arremessos certos em 10 tentados) e 8 rebotes no terceiro (além de 22 pontos, 9 arremessos feitos em 17 dados e 3 tocos). Para um pivô branco, são números promissores. Que podem indicar alguma coisa, ou não.

Outro destaque, dessa vez para o Magic, é o armador Courtney Lee. Feito num laboratório secreto misturando JJ Redick, Keith Bogans e tudo que há de bom, Courtney Lee tinha tudo para ser titular em Orlando. O único problema é que Mickael Pietrus acabou de assinar um contrato milionário para jogar na mesma posição, o que deve mandar Lee para o banco. Em sua defesa, foram 27 pontos no último jogo, 8 arremessos certos em 14 tentados, além de 4 assistências e 2 roubos. Apenas um recadinho para o francês tomar cuidado. E tomar banho, claro, porque franceses fedem.

Por enquanto, não é de verdade. Não existem estrelas, fracassos, ainda pisamos no terreno do potencial, do possível, do futuro. O inexpressivo e cômico Marcin Gortat teve uma partida com 14 pontos (fez 7 de seus 11 arremessos), 10 rebotes e 3 tocos, por exemplo. Não dá pra levar a sério. Mas a gente fica imaginando, como criança olhando para as nuvens num entediante sábado de sol. E enquanto a temporada da NBA não começa, todos os dias são entediantes sábados de sol. Por enquanto, arrisco palpites: Mario Chalmers foi um assalto à mão armada por ter sido escolhido na trigésima quarta escolha, o Bulls deveria ter escolhido o Michael Beasley e o Yuta Tabuse, depois de sequer conseguir entrar na última partida, deveria abandonar essa carreira e ir ser vilão dos Power Rangers.

Amanhã é o último dia da Summer League de Orlando e poderemos dar uma olhada em outros novatos de outros times, que jogarão em outras ligas. Não aprenderemos muita coisa por lá. Mas ganharemos bastante material para chutar. Será que o Superintendente Mario Chalmers vai ser uma estrela na NBA?

3 comentários:

Anônimo disse...

Se depender da força nominal ele será um ótimo assistente e ou técnico...
Agora Westbrook, isso sim é nome !!!

Caio_SBC

chupa chups disse...

acho q summer league tm limites d falta sim, ano passado o Oden foi expulso na sua primeira prtida por fazer 10 faltas...nao?

Fiel disse...

Cara, o Gortat é mito mesmo, so que ele ta ganhando respeito do Stan. SE vcs se lembrarem ele jogou mais tempo que o Foyle nos POs passados, especialmente no confronto diante do pistons. O Polones esta se esforçando muito nos treinos e teve uma otima contribuição qdo esteve em quadra. Acredito que esse ano ele tome os minutos que eram do Foyle, no bkup do D12 !